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A Deusa Demeter e os mistérios Eleusis | Teoria da Conspiração Page 1 of 16

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A Deusa Demeter e os mistérios Eleusis


deldebbio | 22 de setembro de 2008

Acredita-se que o culto à Deméter tenha sido trazido à Grécia vindo de Creta durante o período
micênico, carregando consigo o seu nome.. Sendo assim, ela é descendente direta da Deusa-Mãe
cretense, que com suas virgens e sacerdotisas, empunhavam serpentes e prestavam culto ao touro.
Neste caso, podemos afirmar que Deméter representaria a sobrevivência da religião e dos valores
matriarcais durante a cultura patriarcal guerreira dos gregos clássicos.

O hino homérico relata que ela teria chegado a Eleusis disfarçada de anciã, na época em que as
pessoas vinham do outro lado do mar, de Creta.

A filha de Deméter, Perséfone, também nasceu em Creta, e a lenda arcaica da união de Zeus, em
forma de serpente, com sua filha também teve lugar em Creta. O filho que nasceu dessa união foi
Dionísio. As coincidências demonstram que existe uma conexão entre a Deméter documentada em
Creta e a que é conhecida na Grécia.

Na Grécia antiga, Deméter era responsável por todas as formas de reprodução da vida, mas
principalmente da vida vegetal, o que lhe rendeu o título de “Senhora das Plantas”, “A Verde”, “A
que atrai o fruto” e “A que atri as estações”. As pessoas a honravam ao usar guirlandas de flores
enquanto marchavam pelas ruas, geralmente descalças. Acreditava-se que pisar na terra descalço
aumentava a comunicação entre os humanos e a Deusa.

Para os gregos, Deméter era a criadora do tempo e a responsável por sua medição em todas as formas.
Seus sacerdotes eram conhecidos como Filhos da Lua.

Outro vestígio da antiga consciência matriarcal da Deusa-Mãe, foi transmitido na devoção católica
popular da Virgem Maria entre os povos do Mediterrâneo. Quase certamente há uma continuidade
psíquica entre Maria, a Mãe de Deus, as antigas deusas da Grande Mãe no Mediterrâneo e no Oriente
Próximo e a deusa Deméter. Mas embora se conheça muitas representações medievais de Maria com
cereais e flores, ela não possui o poder emocional das antigas Mães da Terra e suas filhas.

Deméter era a protetora das mulheres e uma divindade do casamento, maternidade, amor materno e
fidelidade. Ela regia as colheitas, o milho, o arado, iniciações, renovação, renascimento, vegetação,
frutificação, agricultura, civilização, lei, filosofia da magia, expansão, alta magia e o solo.

O RAPTO DE PERSÉFONE
Quando falamos de Deméter, devemos falar de duas Deusas. O cerne do mito e do culto a Deméter,
era o fato dela ter perdido sua adorada filha Coré (donzela, em grego). A intimidade entre mãe e filha

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ressalta o caráter profundamente feminino dessa religião e constelação mitológica. Coré mais tarde
passa a ser conhecida como Perséfone.

O mais antigo documento que narra este mito é o belo “Hino à Deméter” homérico, que nos fala tanto
da Deusa Deméter como de sua filha Coré. O objetivo deste poema é explicar a origem dos mistérios
de Elêusis.

A jovem Coré, diz a narrativa, encontrava-se colhendo flores, quando foi atraída por um narciso
muito belo, mas ao estender a mão para pegá-lo, a terra se abriu e Plutão (Hades), Senhor dos Mortos,
em sua carruagem de ouro puxada por dois cavalos negros, arrebatou-a e levou-a para ser sua noiva e
Rainha do Subterrâneo. Coré lutou e gritos, mas nem os deuses imortais como os homens mortais,
ouviram seus clamores. Deméter só pode ouvir o eco do apelo de sua filha e então apressou-se para
encontrá-la. Procurou sua filha por nove dias e nove noites, não parando para comer, dormir ou
banhar-se, só andando errante pela terra, carregando em suas mãos tochas acesas. Porém quando se
apresentou pela décima vez a Aurora, encontrou-se com Hécate, Deusa da Lua Escura, que lhe diz:

-“Soberana Deméter, dispensadora das estações, de esplendidos dons, quem dos deuses celestes ou
dos homens mortais raptou Perséfone e afligiu teu animo? Ouvi a sua voz, porém não vi com meus
olhos quem era. Em breve vamos desfazer esse engano”.

Assim falou Hécate que partiu com Deméter, levando em suas mãos as tochas acesas. As duas então
chegaram até Hélio, o deus do sol, que compartilha esse título com Apolo e a mãe aflita perguntou:

-”Sol, respeita-me tu ao menos, como Deusa que sou…A filha que pari, encantadora por sua figura…
ouvi sua vibrante voz através do límpido éter, como a de quem se vê violentada, mas não a vi com
meus olhos. Porém tu que sobre toda a terra e por todo o mar diriges desde o éter divino a olhar de
teus raios, diga-me sem enganos se teria visto a minha filha querida em alguma parte; quem dos
deuses ou dos homens mortais ousou capturá-la para longe de mim, contra sua vontade, pela força”.

Hélio então respondeu:

-”Filha de Rea, ..pois é grande o meu respeito e compaixão que sinto por ti, aflita como estás por tua
filha de esbeltos tornozelos. Nenhum outro dos imortais é mais culpado que Zeus fazedor de nuvens,
que a entregou à Hades para que se torne sua esposa…Assim que tu, Deusa, dá fim a teu copioso
pranto. Nenhuma necessidade há de que tu, sem razão, guarde então um insaciável rancor.”

Deu a entender para a Deméter que ela deveria aceitar a violação de Perséfone, pois Hades, não era
um genro tão sem valor, mas a Deusa não aceitou seu conselho e agora sentia-se traída por Zeus.
Retirou-se do monte Olimpo, disfarçou-se de uma mulher anciã e vagou sem ser reconhecida entre as
cidades dos homens e os campos. Um certo dia, ela se aproximou de Elêusis, sentou-se perto do poço
Partenio e foi encontrada pelas filhas de Céleo, o governador de Elêusis. Quando Deméter disfarçada
lhes revelou que procura um emprego de babá, ela a levaram para casa, à sua mãe Metanira, para
cuidar do um irmãozinho chamado de Demofonte.

Sob os cuidados da Deusa, Demofonte criou-se como um deus. Ela o alimentou com ambrosia e
secretamente o colocou em um fogo que o teria tornado imortal não tivesse Metanira entrado no local
e gritado por medo do filho. Deméter reagiu com fúria, reclamou à Metanira por sua estupidez, e
revelou sua verdadeira identidade. Ao mencionar seu nome mudou completamente seu visual
revelando sua beleza divina. Seu cabelo dourado caiu pelas costas, e seu perfume e esplendor
encheram a casa de luz.

Imediatamente Deméter ordenou que fosse construído um templo só seu e lá permaneceu envolta em
sua dor e não permitindo que nada germinasse na terra.

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Zeus, tendo conhecimento da situação enviou sua mensageira Íris até Deméter, pedindo que Deméter
retornasse ao Olimpo. Como não concordou, um a um dos deuses olímpicos vieram até ela, trazendo
dádivas e honras. Mas a cada um Deméter fez saber que de modo algum retornaria ao monte Olimpo,
até que sua filha lhe fosse devolvida.

Finalmente Zeus resolve enviar seu mensageiro Hermes até Hades, ordenado-lhe que trouxesse
Perséfone de volta para que “quando sua mãe a visse com seus próprios olhos, abandonasse a sua
raiva”. Hermes ao chegar ao mundo de Hades, encontrou-o sentado próximo à Perséfone que se
encontrava muito deprimida.

O Senhor dos Mortos, antes de libertar Perséfone, deu-lhe uma semente de romã para comer, o que
faria com que ela voltasse para ele. Assim, foi-lhe permitido voltar para Deméter dois terços do ano e
o restante do ano no mundo das trevas com Hades.

Com a satisfação de recuperar a filha perdida, Deméter fez com que os cereais brotassem novamente
e com que toda a Terra se enchesse de frutos e flores. Imediatamente mostrou esta feliz visão aos
princípios de Elêusis, Triptolemo, Diocles e ao próprio rei Celeo e, além disso, revelou-lhes seus
sagrados ritos e mistérios.

O amor entre Deméter e Coré é um sentimento que somente uma mãe e uma filha podem realmente
compartilhar. Não importa o quanto um pai ame e adore sua filha, jamais chegará perto do estreito
vínculo que existe entre mãe e filha. Ao dar á luz, a mãe, vê a si mesma em pura inocência naquela
pequena pessoinha. Jung nos diria que uma mãe vê em sua filha é a percepção de seu próprio “self”
feminino transcendente, a perfeição do ser feminino.

Podemos afirmar, com convicção, segundo Carl Jung, que “em toda mãe já existiu uma filha e toda a
filha contêm sua mãe” e que toda mulher se estende para trás em sua mãe e para frente em sua filha.
A conscientização destes laços gera o sentimento de que a vida se estende ao longo de gerações e
provocam a sensação de imortalidade.

ARQUÉTIPO MATERNAL

No momento que a mulher recebe em seus braços o seu bebê, o poder arquetípico de Deméter é
plenamente despertado. As dores do parto, consideradas como uma transição iniciática, desaparecem
e uma irradiação de amor demétrico tudo abrange. Estará aqui e agora desperta para uma nova fase de
sua vida: ser mãe. Uma vez mãe, permanecerá sempre mãe, pois nada apaga a emoção de carregar um
filho sob o coração.

O arquétipo da Mãe era representado no Olimpo por Deméter. Embora muitas Deusas tenham sido
mães, nenhuma se compara à esta Deusa, pois ela deseja ser mãe. Quando está grávida ou criando
seus filhos, Deméter atinge o ápice de sua plenitude enquanto mãe. Ela orgulhosamente proporcionou
vida nova e novas esperanças à sua comunidade. No antigo simbolismo de seu ciclo, ela corporifica
agora a lua cheia, e também o verão abundante com frutos da terra. O cálice da força vital dentro de si
está transbordante.

Este arquétipo não está restrito à mãe biológica. Ser mãe de criação ou ama seca, permite que outras
mulheres expressem seu amor maternal. A própria Deméter representou este papel com Demofonte.

MÃE-NATUREZA
O povo grego. ano após ano, via, com natural pesar, os dias brilhantes do verão desvanecer-se com a
tristeza da estagnação do inverno. Ano após ano, saudava a explosão de vida e cores da primavera.
Habituado a personificar as forças da natureza e a vestir suas realidades com roupagem de fantasia
mítica, ele criou para si um panteão de deuses e deusas, de espíritos e duendes, que oscilavam com as
estações e seguiam as flutuações anuais de seus fados com emoções alternadas de alegria e tristeza,
que expressava na forma de ritual e de mito. Um destes mitos é o da Deusa Deméter. Os romanos a

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conheciam como Ceres.

O símbolo principal de Deméter era um feixe de trigo e, em seus mistérios em, Elêusis, uma única
espiga de milho. É retratada como uma mulher bonita de cabelo dourado e vestida com roupão azul,
considerada a Senhora das Plantas. Seu animal sagrado é o porco, que representava um sacrifício de
fertilidade em todo o mundo por causa de seus múltiplos úteros. Seu animal sagrado marinho era o
golfinho.

AS TESMOFORIAS
O festival grego da “Tesmoforias” era celebrado anualmente em outubro, em honra a Deméter e era
exclusivo para mulheres. Se constituía de três dias de celebrações pelo retorno de Core ao Submundo.

Neste festival, os iniciados compartilhavam uma beberagem sagrada, feita de cevada e bolos.

Uma das características da Tesmoforia era uma punição aos criminosos, que agiam contra as leis
sagradas e contra as mulheres. Sacerdotisas liam a lista com os nomes dos criminosos diante das
portas dos templos das Deusas, especialmente Deméter e Ártemis. Acreditava-se que aqueles desta
forma amaldiçoados morreriam antes do término de um ano.

O primeiro dia da Tesmoforia era celebrado o “kathodos”(baixada) e o “ánodos”(subida), um ritual


em que as sacerdotisas castas levavam leitões para serem soltos dentro de grutas profundas cheias de
serpentes e os restos decompostos dos porcos do ano anterior eram recolhidos.

O segundo dia era chamado de “Nestía”, nele as mulheres jejuavam, sentadas no chão, imitando a
forma ritual dos processos da natureza e, de acordo com uma perspectiva mitológica, representando a
dor de Deméter pela perda da filha, quando, inconsolada, se sentou ao lado do poço. O ambiente era
triste e, portanto, não se usavam guirlandas.

No terceiro dia, se celebrava um banquete com carne e os leitões recolhidos (do ano anterior) eram
espalhados na terra arada, e se invocava a Deusa de belo nascimento, “kalligeneia”.

MISTÉRIOS ELEUSIANOS
O propósito e o significado dos Mistérios Eleusianos era a iniciação à uma visão. “Eleusis”, significa
“o lugar da feliz chegada”, de onde os campos Elíseos tomam seu nome. O termo “Mistérios” provêm
da palavra “muein”, que significa “fechar” tanto os olhos como a boca. Faz referência ao segredo que
rodeia as cerimônias e a conformidade requerida do iniciado, ou seja, se exige de ele ou ela permita
que se faça algo: daí se deduz o significado de “iniciar”. A culminação da cerimônia consistia na
exposição de objetos sagrados no santuário interno à mãos do sumo sacerdote ou hierofante (hiera
phainon), “o que faz que os objetos sagrados apareçam”. Era somente permitido fazer alusões
indiretas sobre o que ocorria. Entre elas, a fundamental era que Deméter falava à sua filha e se reunia
com ela em Eleusis. Mas, alguns escritores cristãos violaram essa regra e um assinalou que o ponto
culminante da cerimônia consistia em cortar uma espiga de trigo em silêncio.

Qualquer pessoa podia assistir os Mistérios, desde que falasse grego, mulheres e escravos inclusive,
desde que não tivessem as mãos sujas de sangue por nenhum crime. Os Mistérios eram realizados
uma vez ao ano para mais ou menos três mil pessoas. Se sabe que esses iniciados não formavam
nenhuma sociedade secreta, eles vinham de todos os pontos da Hélade, participavam da experiência e
logo se separavam.

Os Mistérios menores, que se celebravam até o final de inverno no mês das flores, o Antesterion
(nosso fevereiro) e era pré-requisito para a participação nos Mistérios maiores, que se celebravam no
outono. Esses Mistérios exploravam o que havia acontecido à Perséfone, Deusa do Mundo
Subterrâneo, quando estava colhendo flores em Nisa. Se diz que ela foi raptada por Hades enquanto
colhia um narciso de cem cabeças. Os gregos chamavam de narciso toda a planta que tinha
propriedades narcóticas.

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Esse rapto representa várias idéias, uma é o processo que experimenta a semente ao cair na terra e
decompõem-se para voltar de novo à vida. Que se representava simbolicamente como as primeiras
núpcias entre os reinos da vida e da morte.

Porém, também representa o rapto extático que proporcionavam certas substâncias que estavam
relacionadas com Dionísio, deus da embriaguez, que por sua vez era Senhor de Hades por sua relação
com tudo que apodrecia, fermentava e se transformava em outra coisa.

O primeiro estágio da iniciação no Mistérios menores era o sacrifício de um porco jovem, o animal
consagrado à Deméter, que substituía simbolicamente a morte do próprio iniciado. Como nas
Tesmoforias esse rito se ajusta à variante órfica do mito, que associava a morte do leitão com o rapto
de Perséfone.

O segundo estágio da iniciação era uma cerimônia de purificação na qual o iniciado era vendado. As
sucessivas etapas dos ritos de iniciação são descritas, através de alusões, inteligíveis para os já
iniciados, porém não para os profanos. O acontecimento central dos Mitos Eleusinos era a noite em
que se consumia a poção sagrada Kykeon. Os ingredientes dessa poção se constituiu um segredo
durante esses 4 mil anos.

Os Mistérios maiores se celebravam a princípio à cada cinco anos. Mais tarde passaram a celebrar
anualmente, no outono: começava no dia 15 do mês Boedromión (nosso mês de setembro) e duravam
nove dias. Se reuniam iniciados de todos os lugares do mundo helênico e romano, e se declarava uma
trégua entre as cidades estado gregas durante quarenta e cinco dias, desde o mês anterior até o mês
seguinte.

Na véspera do início, se levavam os objetos sagrados, o “hierá”, de Deméter em procissão desde


Eleusis até Atenas.

1- dia 15 do boedromion: Agyrmos, reunião. Proclamação:


Nesse dia tinha lugar a convocação e preparação dos iniciados. Os hierofontes declaravam o
“prorrhesis”, o início dos ritos.

2 dia- 16: Elasis ou Helade Mistay: “Ao mar, ó iniciados!”


No segundo dia os iniciados se purificavam no mar (Falero), num rito chamado de “expulsão”.
Durante nove dias fariam estas abluções na água do mar, nove dias como Deméter peregrinou pela
terra em busca da verdade sobre o rapto de Perséfone. Nesse mesmo dia, os iniciados sacrificavam um
leitão enquanto o hierofante os instava: Helade, Mysthai!

3 dia- 17: Hiereia Deuro: Sacrifício


Parece que nesse dia se celebravam o sacrifício oficial em nome da cidade de Atenas.

4 dia- 18: Asclepia


Esse dia era chamado de Asclepia em honra de Asclepio, deus da cura, era outro dia de purificação.

5 dia- 19: Yacós ou Pampa, procissão


Esse era um dia de celebração onde se realizava um grande procissão que inciava em Ceramico
(Cemitério de Atenas) até Eleusis, seguindo o itinerário sagrado. Percorriam uns 32 Km. Algumas
sacerdotisas levavam as “hierás” em “kistas”fechadas, ou cestas, rodeadas por uma multidão que
dançava e gritava o nome de Yaco, cuja estátua, coroada de myrto e carregando uma tocha.

Yaco era o outro nome de Dionísio que, segundo a lenda órfica, era filho de Perséfone e Zeus, pai da
mesma. Fui concebido em uma noite em que o deus se aproximou de uma caverna subterrânea
transformado em serpente. Não se tratava de Dionísio, deus do vinho e do touro (cujo equivalente é o
cretense Zagreo), deus que é desmembrado, porém vive de novo. Era Dionísio como criança de peito

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místico, o deus que morre e vive eternamente, imagem da renovação perpétua.

Na fronteira entre Eleusis (era uma cidade pequena à 30km noroeste de Atenas) e Atenas, pessoas
mascaradas parodiavam a procissão. Encenavam o mito que relatava como Yambe ou Baubo animou
Deméter. Como em tantas festas de renovação, preparavam o nascimento do novo para substituir o
velho. Quando as estrelas apareciam, os “mystai” (iniciados) rompiam seu jejum, pois o dia vigésimo
do mês havia chegado e segundo as “Ranas” de Aristófanes, o resto da noite passavam entre cantos e
bailes. Os templos de Poseidón e Ártemis se abriam para todos, porém atrás deles estava a porta que
dava ao santuário, e nada, exceto os iniciados, poderiam passar sob pena de morte.

6 dia - 20: Telete (mysteriodites Nychtes)


Esse era um dia de descanso, jejum, purificação e sacrifícios, de acordo com o mito de jejum de
Deméter, representando o ritual de esterilidade do inverno. O jejum se rompia com a bebida de
cevada, mel e polén (Kykeon) que preparavam e então se permitia que os iniciados entrassem no
santuário sagrado. Essa celebração acontecia em um lugar chamado de Telesterion, chamado assim
porque aqui se alcançava “o objetivo” ou “telos”. Era um local enorme, que podia albergar milhares
de pessoas e onde se exibiam os objetos sagrados de Deméter. No centro estava o Anactoron, uma
construção retangular de pedra com uma porta em um de seus extremos, que só o hierofonte podia
passar. Essa era a parte mais reservada dos Mistérios eleusianos.

Mas o que exatamente ocorria neste momento?Seria o começo da própria iniciação? Parece que se
desenvolvia em três etapas: “drómena, o feito (Ação); legómena, o dito (texto falado); deiknýmena, o
mostrado (visão). Depois tinha lugar uma cerimônia especial conhecida como “epoptía”, o estado de
“haver visto”, se celebrava para os iniciados do ano anterior.

Em drómena os iniciados participavam de um desfile sagrado pelo qual se representava o relato de


Deméter e Perséfone. Os legómena consistiam em invocações ritualísticas curtas, pequenos
comentários que acompanhavam o desfile e explicavam o significado do drama. Os deiknýmena, a
exibição dos objetos sagrados, culminava na revelação proferida pelo hierofante, cuja difusão era
proibida. Os epoptía também incluiam a exibição de “hierá”, não se sabe ao certo o que eram esses
objetos sagrados. Segundo as fontes arqueológicas de A. Kórte (Zu den Eleusinischen Mysterien,
«Archiv für Religions Wissenschaft» 15, 1915, 116) supõe-se que a enigmática cesta que tomavam os
iniciados, entre outros objetos, havia um que representava o órgão sexual feminino, o qual, em
contato com o corpo dos mystai, contribuía com a sua regeneração e passavam a ser considerados
filhos de Deméter.

M. Picard (L’épisode de Baubó dans les mystéres d’pleusis, «Revue d’histoire des religions» 1927,
220-255) adiciona o órgão masculino. O iniciado tocaria sucessivamente os dois objetos,
simbolizando assim a verdadeira união sexual.

7 dia- 21: Epopteia


Somente à tarde tinha início os ritos secretos. Em determinado momentos deviam pronunciar uma
contra-senha sagrada:”Jejuei, bebi o kykeon, o tomei do canasto (calathus) e, depois de prová-lo o
coloquei de novo no canasto e dali, ao cesto”. Misteriosas palavras, que sem sombra de dúvida,
tinham grande significado para os iniciados. Todo o resto do dia era passado em compasso de espera
e somente à noite os iniciados entravam no santuário. Um muro à sua direita impedia que vissem o
local da “Rocha sem alegria” (local em que se supõe que a Deusa Deméter esteve sentada). Ouviam
lamentos procedentes dali. Chegavam ao Telesterion e depositavam os leitões nas “mégara”, uma
espécie de sótão do templo. Em seguida peregrinavam fora do Telesterion em busca de Core
(Perséfone), na escuridão e com a cabeça coberta com uma carapuça que não lhes permitia ver nada,
cada iniciado era guiado por um mystagogo. Imagine andar na escuridão, totalmente desorientado,
esperando em silêncio, até que um gongo soa como um trovão e o hierofonte clamando por Core, até
que o mundo inferior se abre e das profundezas da terra aparece a Deusa. Daí um clarão de luz enche
a câmara, crescem as chamas da fogueira e o hierofonte canta:

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-”A Grande Deusa deu à luz a um filho sagrado: Brimo pariu à Brimós”. Então, em silêncio
profundo, levanta com a mão uma espiga de trigo.

Para que entendam, Brimo era uma Deusa do Mundo Inferior em Tesália, ao norte. Os nomes Brimo e
Brimós sugerem à introdução da agricultura e de que nos Mistérios da Grécia houve influência tesalia.

Mas que estão fazendo Brimo e Brimós em Eleusis?

Kerényi diz que Brimo é “fundamentalmente um nome que designa a rainha do reino dos mortos,
atribuído à Demeter, Core e Hécate em sua qualidade de Deusas do Mundo Inferior”. Nesse caso, o
filho é o espírito da renovação concebido no Mundo Inferior como testemunho vivo de que na morte
há vida, já que está na “riqueza” da colheita, o “tesouro” do conhecimento intuitivo espiritual.

Brimo, portanto, foi o nome dado ao filho de Perséfone, ao qual ela deu à luz no inferno em meio as
chamas. Esse nome parece referir-se à Dionísio, o deus de vida indestrutível.

8 dia - 22: Plemochoai

Era dia de sacrifício e festa. Sacrificavam-se touros à Deméter e Perséfone (Core) e outros animais,
especialmente leitões. Este festival era chamado Plemochoai, porque esse era o nome dado aos vasos
(ou taças) que o sacerdote enchia com um certo líquido e, virando-se para oeste e depois para leste,
derrama ao solo o que continham. O povo, olhando para o céu, grita “chuva!” e, olhando para a terra,
grita “concebe!”, hýe, kýe.

Harrison escreve que “o rito do matrimônio sagrado e o nascimento da criança sagrada….era o


mistério central”. Entretanto, a cerimônia final nos mostra o matrimônio simbólico da chuva celestial
com à terra, que havia de conceber o filho do grão (da semente), porém existia a possibilidade se ser
celebrado esse casamento simbólica ou literalmente, entre o hierofante e uma sacerdotisa antes do
regresso de Core.

9 dia - 23: Epistrofe


Neste dia os iniciados voltavam à Atenas. Eleusis voltava a velar-se em seus mistérios, enquanto se
despedia dos visitantes, agora renascidos, levando consigo as experiências de vinculação com as
divindades. Assim acabam os Mistérios de Eleusis.

A gestão desse culto era exclusiva das famílias aristocráticas, com funções definidas para cada uma
delas. O sumo sacerdote, o chamado hierofante, devia pertencer a família dos Eumólpidas, enquanto a
família dos Cérices procediam dos sacerdotes de traço imediatamente inferior, o portador da tocha. A
sacerdotisa vivia sempre no santuário. O hierofante ostentava o privilégio de escolher seus iniciados.
Sobre todos eles se sobrepunha uma outra figura, o chamado arconte rei (archon basileus) no
eleusino, que era ateniense (era os atenienses que controlavam o culto), ao qual assiste uma equipe de
colaboradores (epistatai), encarregados das finanças.

MORRER PARA RENASCER


Morrer para renascer, esse é o sentido da iniciação. O sangue dos animais sacrificados simbolizavam
a própria morte do iniciado. É Plutarco que nos diz que “morrer é ser iniciado”. Só através da morte
se regressa à luz. Clemente e Foucart realmente estão de acordo com essa idéia: representar a busca
de Deméter e identificar-se com Perséfone é precisamente vagar no mundo subterrâneo da morte, do
mesmo modo que encontrar Core é retornar à vida depois da morte.

Esse mito grego recupera um mito bem mais antigo conhecido como a “Descida de Inanna”, que vai e
vem entre ambos os mundos. Perséfone aqui é a faceta da mãe que desce e regressa de novo à mãe,
configurando uma totalidade nova. Se percebe claramente uma continuidade nessa relação: vida em
morte e morte em vida. Se “vê através” de uma a outra, e isso liberta a humanidade de sua natureza de

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entidades antagônicas. Quando mãe e filha se percebem como uma única realidade, nascimento e
renascimento se convertem em fases que provêm de uma fonte em comum: através da dita percepção
se transcende a dualidade.

A DEUSA TRÍPLICE
A triplicidade pode ser vista na lua, que é: crescente, cheia e minguante. E, no fato da Deusa reger o
mundo superior, a terra e o mundo inferior. Ela era também a Donzela ou Virgem, a Mãe e a Anciã,
as três principais fases da vida de toda a mulher. Pois Deméter se vê “Donzela” em sua filha Coré. É
“Mãe” desta filha e de tudo que brota e cresce. Mas, ao perder sua filha Coré para Hades, torna-se
“Anciã” associada diretamente com a morte.

Para cada fase ou ciclo há perdas que devem ser vivenciadas por todas as mulheres. No primeiro
ciclo, visualiza-se a “morte da donzela”, que torna-se uma jovem nubente e é uma iniciação para fase
seguinte, que se tornará mãe, abençoada com seus próprios filhos. Quando a Mãe não pode mais
conceber (menopausa), passa a tocha da maternidade para filha, transferindo para ela todos os poderes
da fecundidade. A morte da mãe, constitui a mulher idosa que tem agora o potencial para ingressar na
esfera espiritual das anciãs, guardiãs dos mistérios da morte.

Hoje estes ciclos raramente são reconhecidos e vividos plenamente pelas mulheres, pelo fato de
habitarem um mundo predominantemente masculino. A realidade moderna e científica tornou a
“Mãe” uma máquina biológica de produção de bebês, que favorece ou prejudica a política financeira
de uma determinada sociedade.

DEMÉTER HOJE
Por mais belo que se pinte um quadro de uma mãe com o filho nos braços, ele estará longe de ser a
realidade para a maioria das mães das sociedades industrializadas e urbanas do Ocidente. As pressões
financeiras, privam a mulher de permanecer no seio da família, cuidando de seus amados filhos. Até a
licença-maternidade, através de duras penas conseguida, possui um tempo vergonhosamente limitado,
pois a volta ao trabalho quase de imediato, não permitem que a mãe acompanhe o desenvolvimento
de seu bebê. Além de ser estigmatizada por tal feito, pois ter um filho em nossos dias, significa estar
fora de ação, inativa e lhes é somente permitido olhar saudosamente para o mundo que caminha sem
elas.

Deméter sofre com o eclipse em nossa civilização. As mulheres que representam seu modo de ser,
não têm condições de competir com as mulheres mais instruídas, pois a Deméter natural não é tão
intelectualizada. Ela adora apenas criar seus filhos e acaba ficando muito sentimentalizada, tratada
com condescendência e destituída do poder por suas irmãs feministas.

Deméter nas antigas comunidades agrárias, tinha dignidade, autoridade e uma vida bastante
gratificante. Tudo se perdeu numa sociedade onde tudo é subserviente às exigências econômicas do
monopólio do consumo.

Por Rosane Volpatto.

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Mitologia
Tags
Magia, Mitologia, Ocultismo

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10 repostas

Olá Marcelo e equipe, só gostaria de tirar uma (s)

renis | 22 de setembro de 2008

Olá Marcelo e equipe, só gostaria de tirar uma (s) duvida(s), bem, a respeito de uma possivel
iluminação ou elevação, seria quando o homem conseguisse se colocar acima das crenças e religioes
e/ou supertiçoes.
Todos os deuses, espiritos, demonios, orixás e por ai a fora são personificaçoes e simbolos de forças
que nos orientam mas não deveriam nos limitar somente a eles, certo? Deus está dentro de nós, somos
a moradia D’Ele, e Ele vive em nós, certo?
Por isso quando falo que um espirito apareceu, ou um anjo ou iemanjá essas manifestações de deuses
ou forças são forças que veem para me guiar e orientar e não fazer com que eu seja submisso e eles,
né?

Ótimo texto Tio Marcelo. =] É realmente uma pena que nos

Bruno Ferreira | 22 de setembro de 2008

Ótimo texto Tio Marcelo. =]

É realmente uma pena que nos dias de hoje muitas mães deixem de ver seus filhos dessa maneira, seja
por trabalho que ocupa todo o tempo delas ou por não ser um filho planejado.

Parabéns pela palestra de sexta feira aqui em Campinas, cheguei um pouco atrasado mas ainda sim
valeu a pena.
Espero outras palestras por aqui em breve.

Um abraço.

Olá Marcelo! Descobri a poucos dias sua coluna no S&H

Rafael F | 23 de setembro de 2008

Olá Marcelo! Descobri a poucos dias sua coluna no S&H e esse blog… estou tentando ler tudo o que
foi postado… não li o post de hoje, estou comentando aqui pois a confusão de jesus no LHC tá
lotando o S&H… Parabéns pela seus textos, já ouvia falar de você quando lia a Revista Dragão, onde

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comentavam seus ótimos trabalhos para RPG…

Deixo umas perguntas, espero que um dia eu veja as respostas num post…

1-Você comentou que catastrofes geralmente levam um grupo grande de pessoas por um motivo
específico… Lemúria e Atlantida teriam “partido” para “trocar” de planeta?

2-Gostaria que você falasse de hábitos diarios que podem ser prejudiciais, coisas que costumamos
fazer sem pensar… lugares aparentemente inofensivos? Você já citou motéis, igrejas “super-
mercado”… cite mais…

3-Lembro de ter visto em um canal (RedeTV) uma médium que falou algo sobre anéis… não lembro
em qual dedo atrapalharia o fluxo energético… acho q no polegar?

4-Tatuar símbolos sagrados tem alguma eficácia? Tatuagens afetam algo? Chakras?

5-Sobre Egrégoras… Não fazem parte do Astral, ficam num plano psíquico? Tem alguma forma?
Nuvem, energia?

6-Lembro que você comentou sobre a força dos salmos, essa médium da redeTV fazia “exorcismos”
lendo salmos… ela recomendava às pessoas que relatavam problemas a lerem determinados salmos…

7-Já ouviu falar dos mangás xXxHolic, Tsubasa Reservoir Chronicles e X/1999? Os 2 primeiros
falam de magia, planos paralelos… e X/1999 é um clássico… abarrotado de mensagens “ocultas” nas
entrelinhas…

8-São Bento era “entendido”? Sabe algo sobre seu símbolo e oração?

Espero que continue a escrever os posts, traga mais conhecimentos para nós e, como você deve saber,
ao deixar esses textos disponíveis na internet, muitas mentes poderão ser alcançadas… principalmente
pela quantidade de informações interligadas e explicadas de forma clara…

Parabéns pelo texto repleto de referências. Gostaria de sugerir que textos

AlexSandro Cruz | 23 de setembro de 2008

Parabéns pelo texto repleto de referências.

Gostaria de sugerir que textos longos poderiam separados em partes, por exemplo a parte das datas
ficou meio “didática” demais e eu pulei tudo. A questão é manter o foco do tópico.

No mais foi muito informativo e interessante ver o ponto de vista feminino em ação. E que
conhecimento … Parabéns Rosane

Esbeltos tornozelos...

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kK | 24 de setembro de 2008

Esbeltos tornozelos…

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Marcelo, me tire uma dúvida por, favor. Aproveito esse tópico pela

Melkisedeq | 23 de setembro de 2009

Marcelo,

me tire uma dúvida por, favor. Aproveito esse tópico pela categoria mitológica-mágica.
Nos textos thelêmicos, à grande referência aos deuses Nuit e Hadit, quero saber se eles são vistos
como Chokmah e Binah. Sendo nos nos filhos desse casal em Tipheret, ou eles estão bem mais
elevados? Tem horas do texto que há tanta exaltação para Nuit, que dá impressão dele falar de Kether
ou Ain Soph. Preciso saber, se estou no caminho.
Agradeço todo auxílio

Amor é a lei, amor sob vontade

Abraços

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