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pt

N.o 1382 DEZEMBRO 2013 diretor marcos sá

“A sua vida é uma


autêntica carta de
valores para
a Humanidade”
antónio josé seguro

NELSON MANDELA
1918-2013

PS no terreno contra
as desigualdades Pág. 3

s
O “Acção Socialista” deseja
Entrevista
Manuel Machado presidente da ANMP

“OE trata
municípios de
Boas Fe s t a
a todos os Camaradas

e que 2014 seja pleno


de esperança no Futuro
forma lesiva”
Págs. 8 e 9
2

A Escaldar
PS na linha da frente do combate
às desigualdades

Sob a temática “Combate às Desigualdades e Exclusão


Social”, o PS está a promover várias iniciativas, com
a participação do secretário-geral e de várias dirigen-
tes nacionais, que incluem reuniões com várias asso-
ciações e instituições. Com estas iniciativas, o PS lide-
rado por António José Seguro pretende mostrar o país
real e o lado negro do ajustamento, resultado da recei-
ta da austeridade: E reafirmar que o futuro do país não
está numa política de empobrecimento. Ao contrário
do que alguns opinion makers da direita, pretendem fa-
zer crer, o PS marca a agenda política e está na linha
da frente no combate às desigualdades.

Quente Seguro quer Estado forte


e transparente
E agora, Crato?

O recente relatório do PISA, o maior estudo inter-


nacional ao nível da educação, revela que Portugal re-
gistou nos últimos anos avanços significativos nesta O secretário-geral do PS, António José Seguro, exigiu “maior transparência” no país,
área, ultrapassando países como os EUA, Espanha, criticando a existência de um “partido invisível” que em Portugal “suga recursos
Itália e Espanha, por exemplo. E destaca, entre outros
fatores, os bons resultados alcançados pelos nossos
indispensáveis” para o Estado poder cumprir as suas funções.
alunos na matemática. Este estudo mostra de forma
inequívoca o êxito da aposta dos governos socialistas O alerta foi lançado em Ouri- lha como uma mancha de óleo ções que depois se verificam
na educação. Um estudo que deveria merecer uma es- que, concelho onde se deslo- e substitui as corporações do virem a ser ruinosas para o
pecial atenção do ministro Nuno Crato apostado em cou o líder socialista para co- Estado Novo” e vai “minando próprio Estado”, disse.
levar para a frente uma agenda de desmantelamento nhecer o Programa Global de os alicerces” do Estado, “cor- Na sua intervenção, o secre-
da escola pública. Intervenção Social do Muni- rompendo e capturando-o, de tário-geral do partido apon-
cípio, refletindo a importân- modo a que não cumpra a sua tou ainda para a necessidade
cia das medidas e dos proje- função essencial”. de o Estado “ser transparen-
Frio tos políticos de intervenção Assim, para o líder socialis- te quando pede um parecer ou
Entrevista do PM foi um vazio social em curso nesta vila ta, o país tem que “caminhar a elaboração de uma proposta
alentejana, reconhecidos na- para um Estado mais trans- de lei fora dos seus gabinetes”.
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, fez em cionalmente como um mode- parente”, vincando ser muito O caso BPN e as rendas ex-
breves palavras um retrato perfeito do que foi a en- lo de execução positiva das importante haver um Estado cessivas são, disse, “exemplos
trevista do primeiro-ministro à TVI: um “vazio” onde políticas sociais a favor dos forte, mas também transpa- muito concretos” de que há
“nada de concreto, nenhuma medida concreta, nenhu- cidadãos. rente, porque, “quanto mais “uma mancha” que suga recur-
ma esperança para os portugueses” sobre o futuro foi “Precisamos de ter em Portu- transparente for a ação públi- sos estatais indispensáveis.
avançado por Passos Coelho. E, como nos vem habi- gal um Estado forte, eficaz e ca, melhor”. E de seguida sublinhou que
tuando, fiel à sua já infeliz imagem de marca, o che- que saiba defender o interes- “Se há alguma área onde se “numa altura em que o Go-
fe de Governo, segundo Alberto Martins, pareceu “um se público. E a melhor manei- nota que existe também algu- verno exige pesados sacrifí-
diretor-geral da troika”, que “não se preocupa sequer ra é criar maior transparên- ma captura por parte do Es- cios aos portugueses”, o Exe-
com as vítimas da política da troika”. Uma entrevista cia nos negócios, na gestão, tado é naquilo a que podemos cutivo devia “dar o exemplo no
que mostra cada vez mais à evidência, para quem ain- nas encomendas do Estado”, designar por um aparelho le- exercício das suas compras e
da tivesse dúvidas, que é urgente um novo caminho, afirmou Seguro, acrescentan- gislativo paralelo, que tantas encomendas”, colocando, por
um novo rumo para o país. do que Portugal assiste a “um vezes impõe, através de uma exemplo, toda essa informa-
partido invisível, que se espa- relação contratual, tantas op- ção na Internet. ^ M.R.

Gelado ACÇÃO SOCIALISTA HÁ 30 ANOS


Habemus Papam

A exortação apostólica divulgada pelo Papa Fran- 22 dezembro 1983


cisco, um documento de 84 páginas, onde se critica Soares cria Alta Autoridade
os males do neoliberalismo dominante, “uma tirania Contra a Corrupção
invisível”, uma “economia que mata”, que lança na ex-
clusão “grandes massa da população”, provocou um “Alta Autoridade Contra a Corrupção toma posse”. Este era um dos
silêncio ensurdecedor nos partidos da maioria de di- títulos de 1ª página da edição de 22 de dezembro do “Acção So-
reita que nos governa. Nenhum dos condes de Abra- cialista” de 1983. Mário Soares era o chefe de Governo do Bloco
nhos e jovens-velhos da direita que gravitam à volta Central (coligação entre o PS e o PSD, liderado por Mota Pinto, um
do atual poder se pronunciou. Inclusive os dirigen- social-democrata), e a Alta Autoridade então criada tinha por ob-
tes de um partido que ainda se reclama da demo- jetivo dar um combate sem tréguas ao flagelo da corrupção, que
cracia-cristã, pasme-se, e que já foi também dos minava a nossa sociedade. ^ J.C.C.B.
contribuintes, dos reformados e da lavoura. Escla-
recedor. ^ J. C. C. B.
“Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo
oprimido, determinado a conquistar a sua liberdade”
3

PS em luta contra Travar estes ímpetos radicais e


de retrocesso civilizacional do

desigualdades ministro e deste Governo é obrigação


de todos os socialistas, em nome da
Com vista à definição de políticas alternativas de combate às igualdade de oportunidades que só a
desigualdades e aos fenómenos de exclusão social, o secretário-geral do escola pública pode garantir”
PS e vários dirigentes socialistas avançaram com um programa de visitas
a instituições sociais.
Deste modo, o PS reforça a sua
editorial
luta no terreno contra a destrui-
ção das funções sociais do Es- O CHUMBO
tado e a degradação da coesão
social, mostrando o país real e
o lado negro do ajustamento e
DO MINISTRO
da política de empobrecimento
prosseguida pela direita. NA EDUCAÇÃO
O PS propõe-se assim demons-
trar que Portugal precisa de um
novo rumo que envolva e mobili- Marcos Sá
ze os portugueses.
Por isso e para isso, o secretário- marcos.sa.1213
-geral do PS, António José Segu- @marcossa5
ro, visitou, no âmbito do progra-
ma “Combate às Desigualdades

C
e Exclusão Social”, o jardim-de- omo prestigiado matemático que é, o ministro Nuno Crato
-infância, a creche e o lar de ido- sabe que os números não enganam. Por isso, e não só, se
sos do Centro Comunitário de Por sua vez, a presidente do PS, baseiam na apresentação de ló- compreende o silêncio ensurdecedor do homem que tinha
Terrugem (Sintra), a presidente Maria de Belém Roseira, defen- gicas meramente numéricas. antes de ser ministro como desígnio a implosão do então Ministé-
do Partido, Maria de Belém, es- deu “a indispensabilidade de se “Há diferenças entre a realidade rio da Educação...
teve na Associação de Reforma- conhecer o que está a acontecer e as estatísticas, que são muitas E o que nos diz o maior estudo internacional na área da educação
dos e Idoso de Póvoa de Santa no terreno social para responder vezes meramente instrumentais. (PISA), conduzido pela OCDE? Pois bem, que Portugal nos últimos
Iria (Vila Franca de Xira) e o líder a fenómenos como a pobreza e a Por vezes as médias escondem o anos registou progressos assinaláveis e deixou de estar na cauda
parlamentar, Alberto Martins, exclusão social”. que está pior numa determinada da tabela na educação, designadamente na matemática, demons-
deslocou-se ao Centro Paroquial sociedade. O PS quer conhecer trando de forma inequívoca que as políticas implementadas pelos
da Ramada. Realidade versus melhor a realidade, porque só a governos socialistas de aposta na escola pública estavam e são o
Em Sintra, o líder socialista dei- estatísticas partir do conhecimento da reali- rumo certo.
xou um aviso: “Os portugueses Num momento em que a direção dade se podem construir as polí- Esse rumo permitiu a Portugal atingir melhor desempenho na ava-
estão a passar por sérias priva- do PS se encontra na última fase ticas necessárias para responder liação internacional, colocando os alunos portugueses, ao nível da
ções. Há muitos milhares de por- de elaboração do seu programa aos fenómenos de pobreza e de literacia matemática à frente dos seus colegas norte-americanos,
tugueses que retiram os seus fi- alternativo ao do atual Governo exclusão”, frisou. italianos, espanhóis e suecos. “Portugal conseguiu melhorar a ati-
lhos das creches porque não têm (documento que será apresenta- Mais tarde, em declarações à An- tude dos seus alunos, o empenho e autoconfiança em relação à es-
possibilidades de pagá-las, ou- do na convenção "Novo Rumo"), tena 1, Maria de Belém afirmou que cola em geral e à matemática em particular. Fê-lo, por exemplo,
tros que apenas os mantêm nas Maria de Belém defendeu ser “o país está a empobrecer através reformando currículos, de forma a estarem mais alinhados com os
creches porque as instituições “preciso evitar políticas cegas, de várias hemorragias graves, que interesses dos jovens e capacidades exigidas no século XXI”, lê-se
apoiam essas famílias”. tal como acabou agora por reco- nos enfraquecem”, concluindo que no relatório.
E sustentou que, nesta conjuntu- nhecer a diretora-geral do Fundo o “Portugal não pode conformar- São estes resultados que Nuno Crato, com a sua agenda experimen-
ra de empobrecimento do país, “é Monetário Internacional (FMI) -se com a pobreza”. talista radical de direita de desmantelamento da escola pública,
urgente dar um grito de alerta”. [Christine Lagarde] e que tive- De referir que nestas primeiras está a pôr hoje em causa! Fá-lo, implodindo com um modelo de es-
Reivindicando a necessidade de ram nefastas consequências em ações inseridas na iniciativa do cola pública inclusiva que os governos PS construíram e pondo em
corrigir esta rota de empobre- Portugal”, numa alusão ao pro- PS denominada “Combater as causa um conjunto de programas sólidos que estavam a ser consoli-
cimento gerador de dramas fa- grama de assistência financeira. desigualdades e a exclusão”, es- dados no plano educativo e pedagógico. Sendo que estes programas
miliares e de privações, António De acordo com a presidente do tiveram igualmente envolvidos estavam a alcançar cada vez mais melhores resultados!
José Seguro expressou revolta PS, as políticas de austeridade os dirigentes socialistas Miguel Travar estes ímpetos radicais e de retrocesso civilizacional do mi-
e chamou ainda a atenção para aplicadas desde o segundo se- Laranjeiro, Álvaro Beleza, Bravo nistro e deste Governo é obrigação de todos os socialistas, em
o estudo recente do INE sobre a mestre de 2011 “têm agravado a Nico, João Torres (líder da JS) e nome da igualdade de oportunidades que só a escola pública pode
qualidade de vida dos portugue- taxa de risco da pobreza, aumen- Isabel Coutinho (presidente das garantir, pois só assim asseguramos um ensino de qualidade a to-
ses, no qual se verifica “uma que- taram o desemprego e reduzi- Mulheres Socialistas). dos os portugueses, independentemente da sua condição social. A
bra no que respeita às condições ram as prestações sociais”. Os cortes nas bolsas de estudo aposta na escola pública é cada vez mais uma marca identitária do
materiais”. “O cruzamento destas interven- e no financiamento das Universi- nosso PS.
“Só quem não conhece o país é ções políticas agravou de forma dades, o abandono do Ensino Su-
que não percebe a realidade de significativa as condições mate- perior, as atuais saídas profissio- Nota final: Nelson Mandela é para mim o símbolo universal
milhares de famílias”, criticou riais de vida de muitos portugue- nais, a quebra de rendimentos e da Paz e da Tolerância. Com o seu desaparecimento, os va-
nesta visita a Sintra, na qual foi ses, a par de uma degradação das sobre-endividamento das famí- lores humanistas perderam um dos seus grandes e humil-
acompanhado pelo presidente da condições acesso a bens como a lias e a pobreza em contexto de des obreiros.
Câmara de Sintra, Basílio Horta, saúde e a educação”, sustentou, cortes de apoios sociais são al- Neste número o “Acção Socialista” presta-lhe uma singe-
e os deputados socialistas Fer- alertando depois para a necessi- guns dos temas a tratar nas ini- la homenagem, publicando citações suas em todas as suas
nando Jesus, Nuno Sá e João dade de se relativizarem dados ciativas que se seguem no pro- páginas. Acredito que a força das suas palavras nos fazem
Paulo Pedrosa. estatísticos, sobretudo os que se grama. ^ M.R. querer e fazer um mundo melhor! ^
4

Conferência da TSS

Orçamento não serve os trabalha


A Tendência Sindical Socialista (TSS) organizou, em Lisboa, um encontro sobre o “Orçamento do Estado para 2014”, iniciativa que
juntou, pela primeira vez nos últimos nove anos, sindicalistas do PS da UGT, CGTP e independentes.
Falando no encerramento dos ao insistirem em não dialoga- da redução do IVA da restau- nas e médias empresas e as Lembrou, a este propósito, que
trabalhos, e depois de se rego- rem “de forma séria” com o PS. ração, gás, eletricidade e da famílias”. o Executivo de direita cortou,
zijar com a iniciativa, António De entre as várias propostas sobretaxa do IRS. neste período, “mais de 800
José Seguro defendeu que o apresentadas pelo PS, Segu- Também o líder da UGT, Car- Cortes e mais cortes milhões de euros na Escola
grau de aceitação pelo Gover- ro desafiou Passos Coelho a los Silva, culpou o Governo por Neste encontro intervieram, Pública e cerca de 500 milhões
no das propostas do PS para o aprovar, no âmbito da reforma estar mais preocupado com Carlos Trindade, coordena- no Serviço Nacional de Saúde”.
Orçamento do Estado (OE) de do IRC, uma redução deste im- os mercados do que com a de- dor da tendência socialista da A estes cortes, realçou, devem
2014 seria o “teste à real von- posto até aos primeiros 12.500 mocracia portuguesa, salien- CGTP, Marcos Perestrello, lí- ainda juntar-se os efetuados
tade de consenso” do primeiro- euros e aceitar um aumento do tando que os sindicalistas so- der da FAUL, Francisco Madeli- nos subsídios de férias e de Na-
-ministro. Expetativas que aca- salário mínimo nacional, medi- cialistas não permitirão que no, economista e professor no tal dos pensionistas, medidas
bariam por se gorar, dias mais das, como recordou, “já aceites o medo “tolde a nossa visão”, ISCTE, Glórias Rebelo, docen- que o Governo aprovou “em se-
tarde, na aprovação na genera- por todos os parceiros sociais”, prometendo que lutará “con- te universitária, Sandro Men- gredo”, para além da suspen-
lidade do OE, quando o Gover- acusando-o de ser o único que tra a destruição da negociação donça, professor do departa- são das reformas antecipadas
no viria a não acolher as princi- não está de acordo que se ini- coletiva”. mento de economia do ISCTE, aos 55 anos de 2012 até ao fim
pais propostas socialistas. cie de imediato esta discussão. Antes já Miguel Laranjeiro ti- e o deputado Pedro Marques, do programa de ajustamento.
Para Seguro, o tempo da con- Seguro foi mais longe e incitou nha responsabilizado o Execu- que destacou, entre outros, o Procedeu ainda à altera-
versa fiada chegou ao fim. Pe- ainda o primeiro-ministro a ad- tivo de Passos Coelho de tudo facto de o Governo ter efetua- ção das regras do subsídio de
rante a vasta plateia de sin- mitir uma descida para metade fazer para “esmagar os mais do, em 2012 e 2013, violentos doença, onde retirou 60 euros/
dicalistas que enchiam por do IRC (12,5%) para empresas pobres”, declarando que o OE cortes no Estado Social, “mui- mês a cada beneficiário, bai-
completo a sala, o líder do PS com sede ou direção efetiva para 2014 apresenta um con- to para além do que estava xou a cada família pobre cerca
lamentou a postura extrema- no interior, e que a descida da junto de propostas que estão previsto no memorando de en- de 40 euros, em consequência
da dos partidos da coligação, taxa do IRC fique dependente claramente “contra as peque- tendimento com a troika”. da redução do valor de refe-
“Que nunca mais volte a haver opressão nesta terra e
que esta não volte a ser vista como a escória do mundo. 5
Que reine a liberdade”

O excelente resultado que


Portugal conseguiu alcan-
çar entre 1995 e 2010 tan-
to ao nível das prestações
sociais como na Educação
e Saúde permitiu colocar
o país no grupo com os Um ano de Grupos
melhores desempenhos
da União Europeia. de Trabalho do LIPP
Nuno Cunha Rôlo*
nunocunharolo

O
s Grupos de Trabalho (GT) do Laboratório Google Drive, Dropbox, Skype, Gmail, entre outras).
de Ideias e Propostas para Portugal (LIPP) A abordagem de cada grupo às propostas foi tam-
completam um ano de atividade. É tempo, bém de ordem diversificada, a saber: reuniões/en-
assim, de se prestar contas a todos os militantes do contros focalizados, públicos ou não, avaliação de
PS e aos membros do LIPP, que integram milhares “políticas públicas”, consultas, revisão dos progra-
de inscritos nos cerca de 50 GT. mas de governo anteriores, entre outras (aborda-
No início da atividade, sob a direção do nosso se- gens “matriz estratégica”, “problema-políticas”,
cretário-geral, António José Seguro, a equipa de “top-down” ou “bottom-up”).
coordenação deu prioridade à organização e fun- Quanto aos resultados, em termos globais e quan-
cionamento dos GT, a nível informático, da infor- titativos, neste primeiro ano de trabalho, a equipa
mação e comunicação, sobretudo aos coordena- de coordenação regista a realização de 149 reu-
dores e membros LIPP. Em concreto, procedeu-se niões dos GT, com 498 propostas formalmente
à orientação e sugestão de ins- estruturadas, embora, em bom
trumentos de trabalho e de reu- rigor, ultrapassem substancial-
nião, ferramentas de comunica-
Para este segundo mente esse número, porquan-
ção e informações conexas dos
ano de atividade to a maioria das propostas são
GT aos coordenadores (fluxo-
dos GT-LIPP, e sob chapéus de outras que visam
grama do processo de marca-
a nova coordenação operacionalizar e desenvolver.
ção de reuniões, sugestão de mi-
do LIPP titulada pelo Quanto às conferências dos GT,
nutas, estruturas das propostas,
ilustre camarada organizadas entre março e ju-
sumários das reuniões, listas de
Carlos Zorrinho, lho deste ano, tiveram média
presenças, criação de um email
os GT têm uma de participação alta, conside-
comum para a coordenação dos
missão acrescida: rando que as nove conferências
grupos, etc).
protagonizarem uma realizadas estiveram sempre
Nesta fase, procurou-se ainda
participação maciça lotadas.
valorizar a comunicação on line
e aprofundada nos Outros fatores de regozijo da ati-

adores
(criação de página Internet para
debates e demais vidade dos GT existem, dos quais
os GT, texto introdutório e con-
trabalhos da se destaca o número e a qualida-
tacto direto do coordenador, e
Convenção Novo Rumo de das participações, propostas
publicitação da agenda das reu- e ideias, a receção de contributos
niões dos grupos). Destaque par- e presenças de militantes-base
rência do Rendimento Social ticular para o canal aberto permanente entre LIPP do PS e não-militantes, bem como, ainda, o deba-
de Inserção (RSI), tendo al- e internautas, através de envio online das propos- te vivo nas conferências dos GT, terminando eles a
terado ainda as fórmulas do tas para os coordenadores. Ainda no âmbito da co- “saber a pouco”.
complemento solidário para municação externa, possibilitou-se aos coorde- Para este segundo ano de atividade dos GT-LIPP, e
idosos, entre “outras medidas nadores a transmissão via Internet das reuniões, sob a nova coordenação do LIPP titulada pelo ilus-
penalizadoras”. gravada ou em direto, sendo as conferências do tre camarada Carlos Zorrinho, os GT têm uma mis-
Já este ano, a direita, lembrou LIPP gravadas em vídeo e disponibilizadas no sítio são acrescida: protagonizarem uma participação
ainda Pedro Marques, reduziu do LIPP para download. maciça e aprofundada nos debates e demais traba-
entre 3,5% a 10% as pensões Fonte: Eurostat Os GT têm coordenadores diversos, maioritaria- lhos da Convenção Novo Rumo, cujo resultado fará
entre 1350 e 1750 euros, ace- mente militantes do PS, e muitos participantes das parte integrante do futuro programa eleitoral do
lerou a convergência da idade reuniões e conferências dos GT são simpatizantes PS às eleições legislativas.
antónio josé seguro
de reforma dos funcionários e não-militantes. Os coordenadores possuem plena Em nome pessoal, agradeço a todos os que con-
públicos, “medida que devia “As propostas do PS visam autonomia na organização, gestão e funcionamen- tribuíram para estes resultados: ao secretário-ge-
chegar apenas em 2015”, ten- aliviar os sacrifícios das to do seu grupo, pelo que existem várias metodolo- ral, António José Seguro, e coordenadores dos gru-
do ainda retirado o comple- famílias e das empresas” gias utilizadas nos GT, a saber: criação simultânea pos de trabalho, membros e convidados do LIPP;
mento de dependência (ou por carlos silva de “núcleos duro” (abertos ou fechados) e grupos ao gabinete do secretário-geral, na pessoa do Mi-
cônjuge a cargo) de pessoas “Nós, os sindicalistas do PS, abertos, de subgrupos no âmbito do GT, reuniões guel Ginestal; aos trabalhadores sedeados no Rato,
com pensões superiores a 600 não estamos adormecidos” abertas e/ou fechadas (maioritariamente em Lis- José Miranda, Miguel Andrade e Paula Perna; e, em
euros. boa e/ou interação com estruturas regionais e lo- especial, à Raquel Silva e Sílvia Esteves que, para
Pedro Marques lembra que até pedro marques cais do PS), reuniões bilaterais entre o coordenador além do seu excelente trabalho e apoio, colmata-
à posse deste Governo, Por- “Entre 2011 e 2013 o e entidades, empresários, profissionais, personali- ram falhas da minha coordenação no que lhes foi
tugal “dava claros sinais de Governo cortou mais de 800 dades e/ou peritos, reuniões com ex-responsáveis possível, sem prejuízo de todas serem da minha
eficácia ao nível das funções milhões na Escola Pública governamentais socialistas no sector temático do responsabilidade.
sociais do Estado”, tendo-se e mais de 500 milhões de GT, reuniões com oradores convidados e debate, de Junte-se ao LIPP, ative-se e seja ator da mudança
mesmo aproximado dos pa- euros no Sistema Nacional reuniões nas redes sociais (v.g. Facebook) com uti- que defende.
drões europeus. ^ R.S.A. de Saúde” lização de plataformas colaborativas (Facebook, *Coordenador-executivo do LIPP
6

Concelhias e Secções LISTA MURTOSA


Augusto Carlos Vidal Leite
ESPOSENDE
Laurentino Cruz Regado
PRESIDENTES
Forte DE CONCELHIA
OLIVEIRA AZEMEIS
Joaquim Jorge Ferreira
FAFE
Francisco M. F. de Lemos

participação ELEITOS OLIVEIRA BAIRRO


Carlos A. Barros Ferreira
FAMALICÃO
Nuno A. A. Santos Reis Sá

e mobilização
OVAR GUIMARÃES
Algarve Luís M. P. M. Cardoso Alves Armindo J. F. da Costa e Silva

ALBUFEIRA SANTA MARIA DA FEIRA PÓVOA LANHOSO

marcam
Ricardo Clemente Henrique Pereira Ferreira Frederico de Oliveira Castro

ALCOUTIM SAO J. MADEIRA TERRAS BOURO


José Galrito Luis Miguel Santos Ferreira Guilherme J. Coelho Alves

eleições ALJEZUR
José Gonçalves
SEVER VOUGA
Ricardo M. Pereira Tavares
VIEIRA MINHO
Jorge A. Abreu Dantas

CASTRO MARIM VAGOS VILA VERDE


A direção nacional do Partido Socialista “congratula-se com a Célia Brito Bruno M. Regalado Julião Luís Filipe Oliveira da Silva
forte participação e mobilização dos militantes” nas eleições
que se realizaram nos dias 6 e 7 de dezembro, na maioria das FARO VALE CAMBRA VIZELA
concelhias e secções do país. Luís Graça João M. Mateus Lameiras Dinis Manuel Silva Costa
Ao todo, foram mais de 400 eleições um pouco por todo o país, LAGOA
com “uma afluência muito significativa, bem demonstrativa da Francisco Martins Baixo Alentejo Bragança
forte mobilização do PS ao nível das suas estruturas locais”.
Em comunicado, a direção nacional do PS “realça com satis- LAGOS Aljustrel Alfândega da Fé
fação esta enorme vitalidade que atravessa a vida interna” do Márcio Viegas Rui Faustino Ainda não foi eleição
nosso partido, acrescentando que ao abrigo dos novos estatu- LOULÉ Almodovar Bragança
tos, as eleições decorrem 90 dias após as eleições autárquicas. Carlos Costa Duarte Sousa Luís Filipe Fernandes
Os distritos de Coimbra e Vila Real marcaram para os dias 14 e
21 de dezembro, respetivamente, os seus atos eleitorais. OLHÃO Barrancos Carrazeda de Ansiães
A direção nacional do PS refere ainda que os mandatos dos no- Carlos Manso Francisco Marcelo Ainda não foi eleição
vos órgãos eleitos estendem-se por quatro anos, “permitindo PORTIMÃO Beja Freixo de Espada à Cinta
assim maior estabilidade na preparação de alternativas sólidas João Vieira Paulo Arsénio Nuno Ferreira
e um acompanhamento permanente da política local autárqui-
ca, pelos novos intervenientes”. SÃO BRÁS Castro Verde Macedo de Cavaleiros
“Esta demonstração de dinamismo por parte do PS está em Vítor Guerreiro Filipe Mestre Pedro Mascarenhas
sintonia com os resultados das últimas eleições autárquicas, TAVIRA Cuba Miranda do Douro
em que o nosso partido venceu 150 câmaras em todo o país, e João Pedro Rodrigues Francisco Orelha Ainda não foi eleição
dão resposta à necessária mobilização que as estruturas con-
celhias estão a planear para sedimentar esse resultado históri- VILA DO BISPO Ferreira do Alentejo Mirandela
co”, lê-se ainda no comunicado. ^ J.C.C.B. Nuno Amado Nuno Pancada Júlio Rodrigues

VILA REAL STº ANTº Mértola Mogadouro


Ricardo Cipriano António Figueira Hêrnani Fernandes

Moura Torre de Moncorvo


Aveiro João Dinis Ainda não foi eleição

ÁGUEDA Odemira Vila Flor


Edson C. Viegas Santos Hélder Guerreiro Vitoriano Fernandes

ALBERGARIA A VELHA Ourique Vimioso


Adelino Pereira Santiago Marcelo Guerreiro Ainda não foi eleição

ANADIA Serpa Vinhais


Nuno R. Costa Portovedo Paulo Pisco Pedro Miranda

AROUCA Vidigueira
Francisco J. Costa Ferreira Idalina Galinha Castelo Branco

AVEIRO Alvito Castelo Branco


Pedro Machado Pires Rosa Joaquim Rasgadinho Luís Santos Correia

CASTELO PAIVA Idanha-a-Nova


Jose M. Moreira Carvalho Braga João Dionísio

ESPINHO AMARES Penamacor


Adelino M. L. Moreira Reis Jorge Jose Tinoco Ferreira António Luís Beites Soares

ESTARREJA BARCELOS Belmonte


Fernando M. M. A. Matos Domingos Ribeiro Pereira António Manuel Rodrigues

ILHAVO BRAGA
Sérgio Manuel Jesus Lopes Hugo A. Polido Pires Coimbra

MEALHADA CABECEIRAS BASTO Arganil


Arminda Oliveira Martins Joaquim B. A. Barreto Fernando J. C. Maia Valle
“Luto contra a dominação, branca ou negra. Bato-me por
uma sociedade livre e democrática e estou disposto a 7
morrer por esse ideal”

Cantanhede Cadaval e Lourinhã Portalegre Almeirim Melgaço


Pedro Carrana 27/12 Gustavo Gaudêncio Costa Maximiano J. C. Gonçalves
Campo Maior
Coimbra Manuel Rui A. Nabeiro Cartaxo Viana do Castelo
Rui Pedro Duarte Leiria Délio da Silva Pereira José Maria Costa
Elvas
Condeixa-a-Nova Alcobaça José António Rondão Chamusca Paredes de Coura
Carlos Manuel Canais Cesar Santos Almeida Diamantino C. Duarte Armando Alves Araújo

Figueira da Foz Alvaiazere Gavião Coruche


João Moura Portugal José Santos José Francisco Silva Pio Francisco Silvestre Oliveira Viseu

Góis AnsiÃo Portalegre Entroncamento C. SAL


Maria de Lurdes Castanheira António J. V. Domingues Miguel A. Ferreira Monteiro Carlos M. Pires Rei Amaro José Dias Batista

Lousã Batalha Sousel Mação LAMEGO


Rui Daniel Colaço Lopes Telmo Ferreira João Machadinha Maia César M. G. S. Estrela Manuel A. Rebelo Ferreira

Mira Bombarral Arronches Ourém MANGUALDE


João Maria Reigota Jorge Gabriel Martins Gil C. Palmeiro Romão João Miguel Caldeira Heitor Marco F. Pessoa Almeida

Miranda do Corvo Caldas da Rainha Rio Maior NELAS


António M. Costa Baptista Luis Patacho Porto Maria Inês Pereira Maurício Adelino J. Borges Amaral

Montemor-o-Velho Castanheira de Pera AMARANTE Salvaterra de Magos PENALVA DO CASTELO


Vasco Sousa Martins Gonçalo Lopes Américo Ribeiro Nuno M. F. Oliveira Antão José Manuel Costa Lopes

Oliveira do Hospital Figueiró dos Vinhos BAIÃO Santarém RESENDE


Carlos Esteves Maia Marta Brás Paulo Pereira Carlos M. Segundo Nestal Jorge M. Correia Caetano

Pampilhosa da Serra Leiria FELGUEIRAS Torres Novas S. COMBA DÃO


António M. Lopes Russo Antonio Sales Eduardo Bragança António Manuel Oliveira João A. Durães Tomaz
Rodigues
Penacova Marinha GONDOMAR SÁTÃO
Ricardo J. Ferreira Simões Cidália Ferreira Luis Filipe Castro Araújo Vila Nova da Barquinha Gonçalo R. M. Magalhães
Fernando M. Santos Freire
Penela Nazaré LOUSADA TAROUCA
Renato Filipe Nunes França Walter Chicharro José Faria Santalha José António Amaro Nunes
Setúbal
Soure Pedrógão Grande MAIA TONDELA
João E. D. Madeira Gouveia Diogo Coelho Marco Martins Seixal Joaquim S. Mendes Santos
Samuel Cruz
Tábua Peniche MARCO CANAVESES VISEU
Rui Brito Pereira Jorge Gonçalves Cristina Vieira Almada Adelaide J. da Silva Modesto
Francisca Parreira
Vila Nova de Poiares Pombal MATOSINHOS VOUZELA
Fernando Manuel Pedroso Carlos Gameiro Lopes Ernesto Páscoa Sesimbra Agostinho C. T. das Neves
Manuel José
Porto de Mós PAÇOS FERREIRA
Évora Fábio Santos Paulo Sergio Barbosa Alcochete A Federação de Vila Real fará
Fernando Pinto eleições no próximo dia 21 de
Borba PAREDES dezembro.
Luis M. Pombeiro Carapinha Lisboa Jose A. Silva Almeida Setúbal A Federação da Guarda fará
Paulo Lopes eleições no próximo dia 27 de
Estremoz AMADORA PENAFIEL dezembro.
José Domingos Ramalho Joaquim Moreira Raposo Fernando Malheiro Grandola As concelhias de Lourinhã e
Pedro Ruas Cadaval realizarão eleições no
Évora ARRUDA VINHOS PORTO próximo dia 21 de dezembro.
Elsa Cristina Teigão Andre Filipe Santos Rijo Manuel Castro Pizarro Alcacer Sal À hora de encerramento do
Luis Vizinho Nunes jornal as restantes concelhias
S. M. Machede AZAMBUJA POVOA VARZIM ainda não tinham feito chegar
Lurdes Pratas Nico Silvino Jose Silva Lucio Ivo Maio Moita os resultados à Sede Nacional.
Manuel Borges
Montemor CASCAIS SANTO TIRSO
Olimpio Galvão Luis Miguel Oliveira Reis Joaquim Couto Montijo
Nuno Canta
Mora LISBOA TROFA
António Santos José D. P. R. S. Cordeiro Marco Ferreira Barreiro
André Pinotes
Reguengos de Monsaraz MAFRA VALONGO
José Gabriel Calixto Sérgio A. Marques Santos Jose Manuel Ribeiro Palmela
Raul Cristóvão
Vendas Novas LOURES VILA CONDE
Joaquim Luis Silva Ricardo Jorge Colaço Leao Mario Almeida
Viana Castelo
OEIRAS V.N.GAIA
Regional Oeste Alexandra Tavares Moura Patrocínio Azevedo Arcos Valdevez
Dora M. A. B. Machado Cruz
Torres Vedras ODIVELAS
Carlos Bernandes Hugo M. Santos Martins Santarém Caminha
Miguel Alves
Sobral Monte Agraço SINTRA Abrantes
Pedro Coelho dos Santos Rui Jose Costa Pereira Bruno Jorge Vicente Tomás Ponte de Lima
António C. A. Matos Torres
Alenquer V F XIRA Alcanena
Nuno Inácio Maria Luz G. B. F. Rosinha Hugo A. S. F. Santarém Ponte de Barca
Manuel J. G. Pereira
8

Manuel Machado presidente da ANMP

“OE trata os municípios


de forma lesiva”
Políticas de promoção do emprego e aposta na área social devem ser as prioridades das câmaras, no âmbito da nova geração de
políticas autárquicas, defende o novo presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado,
em entrevista ao “Acção Socialista”, onde considera que o Orçamento do Estado para 2014 trata os municípios “de forma lesiva
e, em muitos casos, ilegal”. J. C. Castelo Branco

Qual o seu principal desa- que está o falhanço do Governo senta o novo ciclo do poder seu alcance para ajudar a criar siva e, em muitos casos, ilegal,
fio neste mandato que ago- a este nível, os municípios são local que defende? empresas. como se não fossem merece-
ra inicia como presidente da chamados a provar que conse- Como é urgente criar emprego, dores da autonomia de que dis-
ANMP? guem fazer melhor ao nível da os municípios têm de ser capa- Qual é a primeira prioridade põem. Um exemplo deste tra-
A fase de infraestruturação do criação de postos de trabalho. zes de atrair o investimento e da nova geração de políticas tamento, que não admitimos,
país está praticamente concluí- Mas a crise também se comba- descomplicar a sua concretiza- autárquicas? é o facto de o Governo querer
da. E isso deve-se em grande te a outros níveis. Falo, nomea- ção no terreno, de possibilitar a A ANMP quer ser a plataforma que os municípios assumam
parte ao trabalho dos municí- damente, das respostas a nível inovação para podermos compe- política de afirmação dos muni- responsabilidades, mas sem
pios, que fizeram escolas, estra- social em que as tir na economia global e não cípios como entidades, por ex- os dotar do necessário suporte
das, equipamentos desportivos, autarquias são através dos baixos salá- celência, do desenvolvimento financeiro.
entre outras infraestruturas. manifesta- rios defendidos pela socioeconómico. Só assim o país
Deram um contributo histórico mente um troika. Têm, no fun- poderá recuperar a sua sobe- Porque é que considera que
impressionante para o desen- pilar im- do, de fazer tudo rania de forma duradoura e re- este Orçamento é dos docu-
volvimento do Portugal demo- prescin- o que esteja ao gressar aos caminhos do desen- mentos mais centralistas
crático. Pode dizer-se que, em dível da que já foram produzidos em
grande medida, terminou a fase socieda- Portugal?
do hardware e queremos agora de por- Orgulho-me de Essa afirmação proferi-a no re-
dedicar-nos ao software. De que tugue- cente congresso de Santarém,
forma? Através da criação de sa. pertencer ao PS no qual fui eleito líder da Asso-
emprego e, consequentemente, ciação Nacional de Municípios
aumentando o bem-estar das Quais desde há mais de quatro Portugueses. E volto a repetir: é
populações. Este é o nosso prin- as prin- dos documentos mais centralis-
cipal desígnio. cipais li- décadas, mas a ANMP tas que já foram produzidos em
nhas-força Portugal. Isto verifica-se, por
Que contributos podem dar em que não será a correia de exemplo, quando trata por igual,
os municípios, na atual con- as- em matérias de recursos huma-
juntura, para ajudar a com- transmissão de qualquer nos, 308 realidades bem diferen-
bater a crise que assola tes entre si. Isto revela descon-
o país? partido político” fiança, menorização e imposição
O principal de limitações que não toleramos.
contributo Como se apenas a gestão ema-
passa pela nada do Terreiro do Paço fosse
criação de volvimento. Para chegarmos lá, boa.
emprego, é também necessário que o Go-
que já referi verno privilegie um relaciona- Que leitura faz da ideia que
na respos- mento mais igualitário e respei- perversamente alguns ten-
ta ante- tador com os municípios. tam passar, nomeadamen-
rior. Ve- Queremos ainda que as políticas te opinion makers da direita,
rificado do próximo Quadro Comunitário associando as autarquias a
de Apoio não sejam normaliza- má gestão e desperdício dos
doras. Ou seja, que se apliquem dinheiros públicos?
afinações que tenham em con- Não é apenas perversa, como re-
ta as especificidades e diferen- fere na sua pergunta. É profun-
tes dinâmicas de cada território. damente enganadora sobre o que
É obrigatório maximizar o poten- se passa na sociedade portugue-
cial de cada município. sa. A esmagadora maioria dos
municípios soube controlar as
Este Orçamento do Estado dívidas, baixar a despesa e dimi-
para 2014 trata de forma nuir efetivos. Tudo áreas em que
lesiva os municípios? o Estado Central se tem revela-
Infelizmente, isso parece- do de uma impotência confran-
-me evidente. O Orçamento gedora. Por isso é que se tenta
do Estado para 2014 trata colocar as culpas pela lamentá-
os municípios de forma le- vel situação do país nos municí-
“Aqui estou diante de vós, não como um profeta
mas como vosso humilde servidor” 9
(dirigindo-se à multidão, ao ser libertado, em 1990)

pios quando todos sabemos que


o principal responsável é o Esta- “Desejo ficar ANMP
do Central. Esse, sim, um sorve-
douro dos recursos nacionais.
associado a uma Nove socialistas
Que papel pode desempe-
nhar a ANMP na denúncia e efetiva criação na direção
de empregos”
oposição a políticas que não
tenham em conta a coesão Na sequência da vitória histórica nas eleições autárquicas
nacional e agravem as assi- de 29 de setembro, o PS elegeu nove presidentes de
metrias cada vez mais gri-
tantes entre litoral e interior? Que marca gostaria de deixar com a sua ação à fren-
câmara para o conselho diretivo da ANMP, liderado pelo
Estaremos na primeira linha des- te do município no concelho de Coimbra? socialista Manuel Machado, num total de 17 membros.
sa denúncia, seguindo, aliás, uma Admito que alguns munícipes possam associar a minha an-
saudável tradição desta casa de terior presidência à perda de empregos na cidade, nomeada-
colocar os interesses dos muni- mente na indústria. Essas perdas verificaram-se, de facto, Manuel Machado
cípios acima de tudo. Penso que mas em nada tiveram a ver com a ação dos executivos mu- CM Coimbra
isso já tem ficado claro nestes nicipais que então liderei. Foram antes o resultado de uma
poucos dias que levo como pre- atualização tecnológica que, na época, essas indústrias não
sidente da ANMP. E nunca é de foram capazes de efetuar Agora pretendo precisamente o
mais recordar: orgulho-me de contrário: desejo ficar associado a uma real e efetiva cria- Eduardo Vítor
pertencer ao PS há mais de qua- ção de empregos e a uma verdadeira valorização de todos Rodrigues
tro décadas, mas a ANMP não os recursos que esta cidade já possui. CM Vila Nova de Gaia
será a correia de transmissão de
qualquer partido político. Nem Que programas tem a Câmara de Coimbra previs-
isso nem um sindicato de presi- tos na área social para combater a pobreza e exclu- Susana Amador
dentes de câmara. são social, assim como para dinamizar a criação de CM Odivelas
emprego?
Que passos são necessários Apoio às Instituições Particulares de Solidariedade Social
para restabelecer a confian- no âmbito da rede social; o lançamento, a breve prazo, de
ça e diálogo entre o poder lo- atendimento integrado nas freguesias através da constitui- Miguel Costa Gomes
cal e central? ção de Comissões Sociais de Freguesias; e a criação de um CM Barcelos
É decisivo que o Governo veja a nicho social de empresas para apoiar munícipes mais desfa-
ANMP como aquilo que ela é: vorecidos na criação do próprio emprego no âmbito do Con-
uma entidade reputada e com trato Social de Desenvolvimento Social.
peso histórico de representação Rui Santos
política dos eleitos pelo povo. A A Câmara tem algum plano para ajudar os inquili- CM Vila Real
partir daqui penso que será pos- nos, em especial os idosos, no âmbito da aplicação
sível reconstruir a confiança e o da nova lei das rendas, que irá potenciar os despejos
diálogo de que fala. É necessá- e dramas sociais?
rio reconhecer que já temos re- Estamos atentos a estas situações e, como sucede nou- Isilda Gomes
cebido alguns sinais de abertura tros municípios, quando as pessoas deixam de ter condições CM Portimão
e até de cooperação por parte do para pagar as rendas a preço de mercado e entram numa
Governo, mas só o tempo nos en- fase de dificuldades económicas comprovadas, nós provi-
sinará se são genuínas ou apenas denciamos habitação em bairros sociais, e até fora destes,
uma estratégia de reação às crí- com rendas de baixo custo. Ainda recentemente atribuímos Pedro do Carmo
ticas que temos proferido. dez habitações cujas tipologias variavam entre T1 e T3 com CM Ourique
o custo médio das rendas a cifrar-se nos 34 euros.
Que medidas são necessá-
rias para se acabar de vez
com a demasiada dependên- Paulo Fonseca
cia dos municípios das recei- CM Ourém
tas provenientes do imobiliá-
rio e que estão na origem de
grandes atentados urbanís-
ticos, de especulação imo- José Goulart Silva
biliária e nalguns casos de CM Horta
corrupção?
Como todos sabem, a crise con-
tribuiu para colocar um travão
na construção nova desenfrea-
da. E penso que os portugue-
ses já perceberam, nomeada-
mente nas cidades maiores, que
a política mais inteligente a se-
guir passa pela reabilitação dos
muitos imóveis degradados das
nossas urbes. Por outro lado, o ASSEMBLEIA GERAL 2014
duro regime a que os municípios NOVO RUMO PARA O PODER LOCAL
foram obrigados nos últimos 4 DE JANEIRO DE 2014 - 15.00H
anos já os ensinou a prescindir AUDITÓRIO DO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE COIMBRA
dessa “galinha dos ovos de ouro” ENCERRAMENTO: 18.00H COM ANTÓNIO JOSÉ SEGURO
do passado. ^
10

PS vota contra
OE de provocação
constitucional
António José Seguro acusou o Governo de apresentar
um Orçamento do Estado para 2014 de “provocação
constitucional”, que faz cair “a máscara do consenso”
e prossegue a política “de empobrecimento e da
desigualdade social”. J. C. Castelo Branco

O líder do PS falava no dia 26 Uma “política de empobreci-


de novembro, na Assembleia mento” que, segundo o líder
da República, no encerramento socialista, “não atinge os re- sar em claro: a marca da provo- se” em discutir ou chegar a “en- Na sua intervenção, o secre-
do debate do Orçamento do Es- sultados em nome dos quais é cação constitucional, a marca tendimentos significativos” em tário-geral do PS disse ainda
tado para 2014, aprovado pela aplicada”, desde o défice à dívi- da farsa dos consensos, a mar- relação às 26 propostas apre- que “o preconceito do Governo
maioria de direita, onde voltou da pública. “O Governo chumba ca do preconceito contra tudo o sentadas pelo PS para “aliviar quanto a tudo o que é público
a defender “uma agenda para o no teste da realidade e as con- que é público e a marca da hipo- os sacrifícios sobre as famílias está bem espelhado neste Or-
crescimento” assente no apoio sequências são sacrifícios sem teca do nosso futuro”. e as empresas” que não aumen- çamento”, desde o ataque aos
às exportações, substituição de resultados, pobreza com mais Segundo o secretário-geral tariam o défice. reformados e pensionistas que
importações por aumento da dívida e horizontes sem espe- do PS, este OE está “associa- trabalham para o Estado, até
produção nacional e captação rança”, disse. do a uma retórica nunca vis- ao ataque ao SNS e à escola
de investimento estrangeiro. “Esta política do Governo criou, ta na sociedade portuguesa de MARCAS DO OE pública.
Na sua intervenção, Seguro afir- no ano passado, mais 10% de tentativa de condicionamen- “Este Governo já disse ao que
mou que “o Governo bem tentou multimilionários no nosso país, to do Tribunal Constitucional • Empobrecimento e vinha: destruir em quatro anos
esconder, mas os portugueses mas a esmagadora maioria ”, que é uma “clara afronta” a desigualdade social o Estado Social que levou 40
sabem que vão ser sobrecarre- dos portugueses vive pior, está um órgão de soberania, que “é anos a construir”, acusou.
• Provocação
gados com mais sacrifícios, por mais pobre e passa por enor- ilegítima num Estado de Direi- Seguro considerou ainda que
constitucional
opção do PSD e do CDS”, já que, mes dificuldades”, acusou. to e merece vivo repúdio dos este Orçamento “hipoteca” o
frisou, “ao brutal aumento de Seguro afirmou ainda que, para democratas”. • Farsa dos consensos futuro, já que “não comprome-
impostos somam-se novos cor- além da “marca do empobre- Por outro lado, Seguro afirmou • Preconceito contra te apenas a saída da crise, mas
tes nos salários dos funcioná- cimento e da desigualdade so- que o debate do Orçamento fez tudo o que é público também o nosso desenvolvi-
rios públicos e novos cortes nas cial”, que este Orçamento con- “cair a máscara do consenso” mento a médio prazo”, ao pena-
reformas e nas pensões de ve- tém, “ há mais quatro marcas propagada pelo Governo, que • Hipoteca do nosso lizar áreas como a educação e a
lhice e de sobrevivência”. que não se podemos deixar pas- “não mostrou qualquer interes- futuro investigação científica. ^

Formação para qualificar ações programadas

democracia e vida dos partidos


1. O que é o socialismo democrático
2. A democracia em Portugal e a Constituição
3. O sistema político português
4. A liberdade e a participação política
O Partido Socialista, em cola- formação, cada ação é condu-
5. Os sistemas eleitorais vigentes em Portugal
boração com a Fundação Res zida por um formador, selecio-
6. O sistema de justiça em Portugal
Pública, tem vindo a desenvol- nado da bolsa de formadores
ver desde há um ano um plano em função da matéria, e diri- 7. A economia política em Portugal
de formação política dirigido a gida a grupos de pessoas pré- 8. Trabalho e sindicalismo
militantes e simpatizantes, vi- -inscritas, não superiores a 9. As finanças públicas portuguesas
sando “a qualificação da nossa 20 elementos, decorrendo em 10. A crise e a troika
democracia e da vida dos par- períodos de aproximadamen- 11. As regiões autónomas em Portugal
tidos”, conforme explicou ao te três horas e podendo envol- 12. A administração pública e os cidadãos
“Acção Socialista” o coordena- ver um debate político final de 13. Defesa nacional
dor desta iniciativa, Luís Pita PLANO
DE FORMAÇÃO
atualidade. 14. A organização política internacional
Ameixa. POLÍTICA
PARTIDO SOCIALISTA
As inscrições e contactos ope- 15. A União Europeia
“Até ao momento já realizámos racionais devem ser efetuados 16. Os fundos comunitários
cursos que envolveram a parti- com o camarada Rui Prudên-
17. A língua portuguesa como fenómeno político
cipação de 500 pessoas e con- pouco por todo o país, tendo a cio por telefone (910965595),
18. O poder local democrático
tinuamos a fazer”, afirmou Pita mais recente sido no dia 7 de para o endereço formar@ps.pt
Ameixa, visivelmente satisfei- dezembro em Ílhavo, distrito ou através da página www. 19. Funcionamento dos órgãos autárquicos
to com a aceitação que o pla- de Aveiro. A próxima iniciati- ps.pt. 20. Atribuições e competências das autarquias locais
no de formação tem consegui- va do plano, como adianta Luís O catálogo formativo desta 21. Tutela administrativa
do junto de diversas estruturas Pita Ameixa ao “AS”, acontece- iniciativa é composto por 26 22. Finanças locais
do partido. rá em janeiro, na Figueira da ações programadas cujos te- 23. Ordenamento do território e urbanismo
Desde a primeira ação de for- Foz, e compreenderá um “mix” mas essenciais são e que serão 24. Processo eleitoral autárquico
mação, que decorreu em Por- de temas relacionados com a ministradas por todo o país, em 25. Organização e funcionamento do Partido Socialista
talegre a 15 de dezembro de realidade autárquica. consonância com as estruturas 26. Ética na política
2012, já se realizaram 25, um De acordo com o catálogo de do PS. ^ MARY RODRIGUES
“Aprendi que a coragem não é a ausência do medo,
mas o triunfo sobre ele”
11

Socialistas auscultam país real


O Partido Socialista desenvolveu recen- para a formulação das suas propostas sentantes da AHRESP, da Comissão de Associações dos Profissionais das Forças
temente um conjunto de contactos com alternativas à estratégia de austeridade Trabalhadores dos Estaleiros Navais d e Serviços de Segurança (CCP) represen-
entidades, movimentos e associações re- cega do Governo. Viana do Castelo, das PME’s, da CGTP-In, tativos de GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda
presentativas de diversos setores da so- Assim, o secretário-geral do PS, Antó- da Associação Sindical dos Juízes Portu- Prisional e Polícia Marítima, das entida-
ciedade, com vista a auscultar o pulsar nio José Seguro, e os secretários nacio- gueses, do Sindicato dos Magistrados do des patronais (CIP, CAP, CCP e CTP) e da
das suas necessidades e realidades espe- nais Sónia Sanfona, António Galamba e Ministério Público, da Comissão Coorde- CPMCS – Confederação Portuguesa dos
cíficas, bem como recolher contributos Alberto Martins reuniram-se com repre- nadora Permanente dos Sindicatos das Meios de Comunicação Social. ^
12

AS NOSSAS PRINCIPAIS P
Manutenção das regras de contratação de trabalhadores nas
instituições de ensino superior públicas previstas para 2013;
Excecionar do limite de endividamento a liquidação de dívidas
das autarquias locais resultantes de concessões ou parcerias
público-privadas do setor da água e saneamento;
Alargamento do subsídio social de desemprego por um período
de seis meses;
Suspensão das operações de reprivatização até à publicação do
regime para salvaguarda de ativos estratégicos em setores
fundamentais para o interesse nacional;
Criação de plano de regularização do pagamento das dívidas do
Estado às PME;
Revisão do PAEF da Região Autónoma da Madeira em termos
credíveis;
Criação de um plano de revitalização económica para a Ilha
Terceira / Açores;
Prorrogação da vigência e estabelecimento de períodos de
carência das Linhas PME;
Inclusão do ensino do inglês na estrutura curricular do 1.º ciclo
do ensino básico;
Adequação da Lei dos Compromissos ao funcionamento da
Administração Pública;
Regime mais justo e fiscalizado dos subsídios à produção de
eletricidade por cogeração;
Disciplinar a taxa de recursos hídricos, as tarifas dos serviços
públicos de água e os contratos-programa em matéria de
gestão dos recursos hídricos;
Suspensão de tarifas duplas no âmbito do Mercado Ibérico do
Gás (MIBGAS);
“Este Nobel da Paz (1993) é um tributo aos que lutaram
contra o ‘apartheid’. Aceito-o em nome deles!”
13

PROPOSTAS AO OE-2014:
Possibilidade de transferência pelos municípios da competência
de liquidação e cobrança das taxas municipais relativas a
imóveis para a Autoridade Tributária;
Eliminar o incentivo a serviços privados de saúde que o Governo
pretende introduzir em IRS;
Repor justa tributação das SGPS;
Isenção de IVA dos direitos conexos;
Reposição da taxa intermédia do IVA na restauração;
Manutenção da cláusula de salvaguarda do IMI;
Eliminação da isenção de IMI dos fundos de investimento
imobiliário abertos;
Contribuição sobre as parcerias público-privadas (PPP);
Aproximação do preço do gás de garrafa às tarifas do gás
natural;
Aumento da dotação orçamental das Universidades e
Politécnicos.

O Partido Socialista demonstrou, com estas propostas, que é


possível dar prioridade à economia, apoiar os desempregados e as
famílias e pedir um esforço maior a entidades que podem fazer
esse esforço. Deste modo, também se aumentaria a equidade nas
políticas públicas e a distribuição dos esforços na sociedade
portuguesa. Infelizmente, não foi este o entendimento da direita
que nos governa ao chumbar a quase totalidade das propostas
socialistas.
14

O principal objetivo político


“A esperança
do ministro da Educação é
é necessária”
privatizar o ensino e, a partir daí, Mário Soares lançou, no dia 27
de novembro, uma antologia de
acentuar a discriminação no sistema crónicas publicadas pelo fun-
educativo e as desigualdades dador do Partido Socialista no
“Diário de Notícias” e intitula-
sociais” da “A esperança é necessária”.
A obra foi apresentada pela de-
putada do PS Isabel Moreira e
pelo professor universitário Vi-
riato Soromenho Marques, pe-
rante uma plateia recheada de
personalidades, no Centro Cul-
tural de Belém, em Lisboa.
A privatização Para Viriato Soromenho Mar-
ques, “este livro é um exercí-
cio de procura, de pesquisa de
do ensino pontos de fuga em que pos-
samos recuperar a esperan-
ça.” A deputada Isabel Morei-
Odete João ra sublinhou “a importância
da memória coletiva e do não
odete.joao.7 esquecer do passado de luta
contra a ditadura de Soares”.
O próprio autor reafirmou a

O
Governo PSD/CDS está de forma desabrida a fazer o sua preocupação face ao que cela da Temas e Debates do com 336 páginas de reflexões
caminho da mercantilização do ensino e a escancarar chama de uma iminente “ex- Círculo de Leitores, o livro as- profundas sobre a atualidade
a porta à privatização da escola pública. plosão social”. Com a chan- sinado por Mário Soares conta nacional e europeia. ^ M.R.
A recente publicação do Estatuto do Ensino Particular e Coo-
perativo, da autoria do atual governo, abre o caminho para que
a responsabilidade do Estado se submeta aos interesses dos
grupos económicos dominantes no setor educativo e se alte- o poema da vida de isabel coutinho
re o paradigma serviço público que tem servido de referência à
política educativa.
O Governo protege com dinheiros públicos o mercado privado
da educação e assegura-lhe o futuro que nega à escola pública.
A educação passará a ser regida pelas leis do mercado.
Cântico negro
O principal objetivo político do ministro da Educação é privati-
zar o ensino e, a partir daí, acentuar a discriminação no sistema "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces Como, pois, sereis vós
educativo e as desigualdades sociais. Estendendo-me os braços, e seguros Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Neste contexto, construiu-se, a coberto de uma pretensa liber- De que seria bom que eu os ouvisse Para eu derrubar os meus obstáculos?
dade de escolha, o cheque-ensino, que não passa de um meca- Quando me dizem: "vem por aqui!" Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
nismo para subsidiar com os impostos de todos o negócio da Eu olho-os com olhos lassos, E vós amais o que é fácil!
educação dos grupos privados. Todavia, não serão as famílias a (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) Eu amo o Longe e a Miragem,
escolher as escolas, mas sim estas a selecionar os alunos que E cruzo os braços, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
as irão frequentar. E nunca vou por ali...
A propalada liberdade de escolha esbarra nas regras de admis- A minha glória é esta: Ide! Tendes estradas,
são dos alunos no ensino privado e na não gratuitidade do ensi- Criar desumanidades! Tendes jardins, tendes canteiros,
no. As famílias podem vir a ser ainda sobrecarregadas com os Não acompanhar ninguém. Tendes pátria, tendes tetos,
serviços prestados pelos colégios. O acesso a um serviço públi- — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
co de educação universal e gratuito está cada vez mais longe. Com que rasguei o ventre à minha mãe Eu tenho a minha Loucura!
Um estudo de Pauline Musset, da OCDE, no seu livro “School Não, não vou por aí! Só vou por onde Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
choice and equity”, conclui que os sistemas educativos que Me levam meus próprios passos... E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
combinam a escolha de escola e a possibilidade das famílias Se ao que busco saber nenhum de vós responde Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
terem pagamentos adicionais são os que geram uma maior se- Por que me repetis: "vem por aqui!"? Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
gregação social. Nas conclusões, refere-se também a injusti- Mas eu, que nunca principio nem acabo,
ça dos modelos onde a escolha de escola é fornecida apenas a Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
alguns. Redemoinhar aos ventos,
A análise de resultados em outros países com práticas seme- Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
lhantes à que o Governo pretende introduzir acompanhado pelo A ir por aí... Ninguém me peça definições!
crescente desinvestimento na escola pública em favor do che- Se vim ao mundo, foi Ninguém me diga: "vem por aqui"!
que ensino, conduz a uma escola segregadora e elitista que Só para desflorar florestas virgens, A minha vida é um vendaval que se soltou,
agravará as injustiças sociais, pondo definitivamente em causa E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! É uma onda que se alevantou,
a equidade e o acesso à igualdade de oportunidades. ^ O mais que faço não vale nada. É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio
In “A Mensagem”
“Ainda há gente que não sabe, quando se levanta,
de onde virá a próxima refeição e há crianças 15
com fome que choram”

destinos PENALVA DO CASTELO destinos funchal

ComVIDA! A primeira cidade


Francisco Lopes de Carva- deira, entre outros)”, refere.
europeia fora da Europa
lho, o novo presidente so- Neste concelho é sulcado Francisco Lopes paulo cafôfo
de Carvalho
cialista da Câmara de Pe- pelos rios Dão, Coja, Luda-
nalva do Castelo, no distrito res e Carapito, “a natureza cionais em ambientes aco- A ilha da Madeira é um des- O Funchal, frisa Cafôfo “tem “O Funchal tem ainda tea-
de Viseu, faz um resumo dos é pródiga e oferece deslum- lhedores e hospitaleiros”. tino turístico de reputada um território único: um anfi- tro, cinema, exposições, mas
motivos pelos quais vale a brantes paisagens e apete- A Câmara Municipal e as qualidade e é no Funchal, teatro, que desde as monta- essa é uma área que que-
pena visitar e apostar neste cíveis recantos”. Juntas de Freguesia, subli- sua capital e, nas palavras nhas circundantes se abre remos reforçar e dinami-
concelho. Já nas encostas a norte do nha, promovem estes pro- do novo presidente da Câ- ao mar, tendo como tesouros zar, queremos fazer desta
“É um concelho rico em ter- rio Dão, “estendem-se gene- dutos de “superior qualida- mara Municipal, Paulo Ca- tanto o património edificado uma cidade dinâmica e cul-
mos de património históri- rosos vinhedos e pomares; a de”, sobretudo nos certames fôfo: “primeira cidade euro- como um clima ameno cons- turalmente vibrante”, adian-
co-cultural: existem diver- sul predominam as pasta- anuais da Feira/Festa do peia fora da Europa”, que se tante e a simpatia das suas ta Paulo Cafôfo, para quem a
sos vestígios arqueológicos gens que permitem produzir Pastor e do Queijo, Feira encontra um grande acervo gentes.” Festa da Flor, a Noite do Mer-
(sepulturas antropomór- queijo de excelente qualida- da Maçã Bravo de Esmolfe histórico-cultural. O Funchal é também o lugar cado no dia 23 de dezembro
ficas, anta, castro, pontes, de. O vinho do Dão, o queijo e Festa das Vindimas e do “Visitar o Funchal significa ideal para degustar o melhor e o Fim de Ano são eventos a
mosteiro do Santo Sepul- da Serra e a maçã Bravo de Vinho. desfrutar de uma cidade com da gastronomia regional: não perder.
cro…) e riquíssimo patrimó- Esmolfe constituem a ‘trilo- Francisco Lopes de Carva- 500 anos de história”, subli- a espetada em pau de lou- Também, enfatizou, “são im-
nio arquitetónico (solares, gia de excelência’ dos produ- lho destaca ainda a impor- nha o edil funchalense, lem- ro, com milho frito e bolo do perdíveis os percursos de te-
palacetes e os ex líbris Casa tos endógenos”. tância do movimento as- brando que o concelho tem caco, as lapas frescas salpi- leférico entre o Funchal e o
da Ínsua e Igreja da Miseri- Quanto à gastronomia, o au- sociativo concelhio, que para oferecer também “le- cadas de manteiga e limão, a Monte, Monte e Jardim Botâ-
córdia); vários artesãos con- tarca socialista afirma que “contribui ativamente para vadas, fantásticos miradou- carne em vinho-e-alhos, sem nico, uma passagem pela Sé,
tinuam a manter os ofícios “é rica e variada”, tornando a dinamização do tecido so- ros, bons jardins públicos, a esquecer beber uma Poncha a igreja do Colégio, e o Merca-
tradicionais (latoaria, ces- assim o concelho “um des- ciocultural deste concelho, sua baixa e a sua Zona Velha, ou provar os frutos exóticos, do dos Lavradores, com a sua
taria, esculturas, estalinhos, tino ímpar para degustar que pretende aliar Tradição berço da cidade, bem como o o bolo de mel e as queijadas permanente explosão de for-
entrançado de cordas e ma- sabores genuínos e tradi- e Modernidade!”. ^ JCCB Museu de Arte Sacra”. da Madeira. mas, cores e sabores”. ^ M.R.

LIVROs
sugestões de antónio galamba

Austeridade bancário. O Domínio para explicar porque acabou o Ocidente


– A História Através destas operações, a dívida priva- do Ocidente por dominar o mundo, mas também para
de Uma Ideia da passou a ser dívida pública, e, enquanto Ian Morris prever o que nos trarão os próximos cem
Perigosa os verdadeiros responsáveis deste proces- anos.
Mark Blyth so saem impunes, o Estado arca com a cul- Uma história cons­ Simultaneamente vibrante, erudito e di-
pa e os contribuintes carregam o fardo do truída ao longo vertido, “O Domínio do Ocidente” é um
Hoje em dia, tanto aumento de impostos, do desemprego e da de cinquenta mil “relato espantosamente informativo,
na Europa como nos perda de direitos fundamentais. anos, “O Domínio imaginativo e envolvente… provocante…
Estados Unidos, cri- Para o economista e professor Mark Blyth, do Ocidente” re- e intelectualmente estimulante” (Glenn
ticam-se os gastos autor deste livro, a viragem global para as clama o seu lugar C. Altschuler, Pittsburg Post-Gazette).
do Estado como se políticas de austeridade é uma ideia muito entre os clássicos Como diz o “The Business Standard” na
as causas da deterioração da economia fos- perigosa. Em primeiro lugar, não funciona. modernos da história mundial. sua review: “Três livros num só: um ro-
sem apenas o desperdício e a irresponsabili- Em segundo lugar, pedir aos inocentes (os O autor, Ian Morris, um polímata e um mance excitante que, por acaso, é real,
dade dos governos. E para a solução da crise cidadãos, os contribuintes) que paguem pe- académico de renome internacional, tido um relato histórico divertido mas minu-
financeira implementaram-se políticas dra- los erros dos culpados (os Estados, os gran- como “o historiador antigo mais talento- cioso de todas as coisas importantes… e
conianas de corte orçamental como uma des bancos) é sempre má política. Em ter- so do mundo”, explica a história do domí- uma previsão fundamentada sobre o que
espécie de castigo sobre os cidadãos, acu- ceiro lugar, a receita da austeridade apenas nio ocidental numa teoria unificada de acontecerá no futuro”.
sados de terem vivido acima das suas reais enriquece os ricos, não traz prosperidade todas as coisas geopolíticas. Ian Morris é professor de História da
possibilidades. para todos, contraria o princípio da igualda- Descrevendo os padrões da história hu- Universidade de Stanford. Publicou dez
Esta visão esquece, muito convenientemen- de de oportunidades e só leva à pobreza e à mana, Morris reúne as mais recentes obras académicas e dirigiu escavações na
te, a verdadeira origem do endividamento: desigualdade social. A questão é: estaremos descobertas de várias disciplinas – da Grécia e em Itália. Vive nas montanhas
o resgate e a recapitalização do sistema dispostos a pagar o custo da austeridade? história antiga à neurociência –, não só de Santa Cruz, na Califórnia. ^
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar
16 para mudar o mundo”

Pedro da Silva
FOTOgrafias com hiSTÓRIA

almoço de natal
2003

O secretário-geral do
PS, Ferro Rodrigues, e a
direção confraternizam
com os funcionários e
colaboradores do nosso
partido, num almoço
de Natal em 2003, num
hotel em Lisboa. ^ J. C. C. B.
Órgão Oficial do Partido Socialista
Propriedade do Partido Socialista

diretor Marcos Sá // conselho editorial Joel Hasse Ferreira, Carlos Petronilho Oliveira, Paula Esteves, Paulo Noguês // redação J.C. Castelo Branco, Mary Rodrigues, Rui Solano de Almeida // colunistas permanentes
Maria de Belém presidente do ps, Vasco Cordeiro presidente do ps açores, Victor Freitas presidente do ps madeira, Alberto Martins presidente do grupo parlamentar do ps, Rui Solheiro presidente da ana ps, Ferro Rodrigues
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