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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal de Justiça do Estado da Bahia


Gabinete do Desembargador José Olegário Monção Caldas

TRIBUNAL PLENO-PROCESSO Nº 22.242-2/2009


AGRAVO REGIMENTAL NA SUSPENSÃO DE LIMINAR OU
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA Nº 80.411-3/2008
ORIGEM: SALVADOR
AGRAVANTE: JAGUARIBE AGROINDUSTRIAL S/A
ADV: SERGIO RICARDO OLIVEIRA E OUTROS
AGRAVADO: COELBA – COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO
DA BAHIA
ADV.: PATRICIA MARIA TEIXEIRA DA CRUZ E OUTROS
PROC. DE JUSTIÇA: LIDIVALDO BRITTO
RELATOR: DES. 1º VICE-PRESIDENTE

AGRAVO REGIMENTAL. SUSPENSÃO DOS


EFEITOS DE PROVIMENTO POSITIVO, EM
SEDE DE EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL
DE NATUREZA COMINATÓRIA,
INDEPENDENTE E AUTÔNOMA, TRANSITADA
EM JULGADO. PLEITO FUNDAMENTADO,
POR ANALOGIA, NA DISCIPLINA DO ART. 353,
DO RITJ-BA. INAPLICABILIDADE DA
LEGISLAÇÃO FEDERAL DE REGÊNCIA. LEI
9.494-97, ART.1º; ART.4º, §4º, DA LEI 8.437/92
E ART. 4º, §2º, DA LEI 4.348/64. ESTREITEZA
LITERAL QUE EMPRESTAM ÀS HIPÓTESES
DE SUSPENSÃO. AUSÊNCIA DE
PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DO
PEDIDO. REVOGAÇÃO DA ORDEM.
PROVIMENTO DO AGRAVO.

VOTO VISTA

Trata-se de AGRAVO REGIMENTAL, interposto da medida


de SUSPENSÃO DE LIMINAR OU ANTECIPAÇÃO DE TUTELA,
deflagrada pela Presidente do Tribunal de Justiça, em prol da COELBA –
COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA.
O feito foi levado a julgamento, após oferecimento de voto
pela nobre Des. Lealdina Torreão, no sentido de rejeição da preliminar,
assim justificado: “Inexiste qualquer empeço ao aforamento concomitante

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de pedido de suspensão e agravo de instrumento (.....), por força do art.1º,


parte final, da lei 9.494-97, art.4º, §4º, da lei 8437/92 e art. 4º,§2º, da lei
4348/64”
Em proficiente e oportuno debate, o Des. Jerônimo dos
Santos adverte para “vício anterior”, qual o da ausência de previsão legal
para suspensão de execução, por ato da Presidência desta Corte, restrita
que estaria sua competência aos casos de liminares e sentenças proferidas
em Mandado de Segurança.
Releve-se o debate acerca da natureza jurídica da
agravada, ante o preceito do art. 175, da Lei Maior, donde se infere que as
prestadoras de serviços públicos, embora com personalidade jurídica de
Direito Privado, estão sujeitas às regras e princípios do Direito Público,
sujeitas à ingerência do Estado, diferenciando-se das empresas que atuam
em segmentos econômicos puramente privados, em que pese à questão da
existência ou não de interesse público a tutelar.
A questão alude aos pressupostos processuais do pedido,
haja vista trata-se de cumprimento de título executivo judicial, de natureza
cominatória (astreintes) independente e autônoma transitada em julgado.
O meu juízo é de inadmissibilidade do remédio, à luz das
normas de regência e estreiteza literal que emprestam às hipóteses de
suspensão.
E esclareço:
Primeiramente, a Lei nº8.437/92, em seu art. 4º, baliza a
competência do Presidente “sobre a concessão de medidas cautelares
contra atos do Poder Público...”,:

“Art. 4° Compete ao presidente do tribunal, ao


qual couber o conhecimento do respectivo
recurso, suspender, em despacho
fundamentado, a execução da liminar nas
ações movidas contra o Poder Público ou seus
agentes, a requerimento do Ministério Público
ou da pessoa jurídica de direito público
interessada, em caso de manifesto interesse
público ou de flagrante ilegitimidade, e para
evitar grave lesão à ordem, à saúde, à
segurança e à economia públicas.”

De sua vez, o art. 4º, §2º, da Lei 4.348/64, que “Estabelece


normas processuais relativas a mandado de segurança...”, diz o seguinte:

“Art. 4º Quando, a requerimento de pessoa


jurídica de direito público interessada e para
evitar grave lesão à ordem, à saúde, à
segurança e à economia públicas, o Presidente

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do Tribunal, ao qual couber o conhecimento do


respectivo recurso (VETADO) suspender, em
despacho fundamentado, a execução da
liminar, e da sentença, dessa decisão caberá
agravo, sem efeito suspensivo no prazo de
(10) dez dias, contados da publicação do ato.

...
§2oAplicam-se à suspensão de segurança de
que trata esta Lei, as disposições dos §§5o a 8o
do art. 4o da Lei 8.437, de 30 de junho de
1992.”

Finalmente, o art. 1º, da lei 9494/97, que “Disciplina a


aplicação da tutela antecipada contra a Fazenda Pública... “:

“Art. 1º Aplica-se à tutela antecipada prevista


nos arts. 273 e 461 do Código de Processo
Civil o disposto nos arts. 5º e seu parágrafo
único e 7º da Lei 4348, de 26 de junho de
1964, no art. 1º e seu § 4º da Lei 5021, de 9 de
junho de 1966, e nos arts. 1º, 3º e 4º da Lei
8437, de 30 de junho de 1992.”

Precisão da maior clareza não comporta a sua extensão


fora dos limites que autoriza! A suspensão legitimada ao
desembargador Presidente, pela ordem positiva federal, não alcança o
título executivo cominatório transitado em julgado !
Vige, pois, em afrontosa ilegalidade, o art. 535 do
Regimento Interno desta Corte ao conceber a medida excepcional da
suspensividade, além das hipóteses taxativamente descritas na legislação
federal, senão vejamos :

“Poderá o Presidente do Tribunal, a


requerimento do Ministério Público, de pessoa
jurídica de direito público, ou concessionária de
serviço público interessada, em caso de
manifesto interesse público ou de flagrante
ilegitimidade, e para evitar grave lesão à
ordem, à saúde, à segurança e à economia
públicas, suspender, em decisão
fundamentada, a execução de liminar ou de
sentença nas ações movidas contra o Poder
Público ou seus agentes, proferida por juiz de
primeiro grau de jurisdição”.

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Considerando que a decisão, não somente nega eficácia a


provimento não sujeito à jurisdição presidencial na sede eleita, como
também carrega em si potencial e danoso precedente, concluo pela
AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DO PLEITO DE
SUSPENSÃO e voto no sentido da imediata REVOGAÇÃO DA ORDEM.

Sala das Sessões, de agosto de 2009.

DES. JOSÉ OLEGÁRIO MONÇÃO CALDAS

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