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Bases para uma avaliação de desempenho justa e exequível

I. Enquadramento e considerações gerais.

Importa, a partir deste momento (8 de Março de 2008), contribuir para a


construção de um modelo formal de avaliação dos docentes que seja credível,
operacional e que, sobretudo, em si mesmo, sem outra nefasta intenção pseudo-
educativa e sem outra enganadora encenação política, vise, assumida e
coerentemente, melhorar o desempenho do sistema educativo português e, por
essa via, melhorar significativamente os resultados globais e sectoriais da sua
acção educativa e formativa.

Assim, é imperioso capitalizar a vasta e rica experiência e o amplo conhecimento


dos professores (sem os quais qualquer reforma de fundo estará previamente
condenada ao fracasso), em articulação com a experiência e o conhecimento de
outros especialistas de outros vitais domínios das ciências sociais e humanas e de
outros actores da praxis societária e comunitária.

Não importará muito aqui explanar os erros de gestão política do ME nem também
aqui esgrimir os argumentos que sempre acompanharam a razão dos professores
ao longo deste atribulado processo. Apenas a conclusão última interessará: depois
do protesto (sobejamente fundamentado e justificado) que trouxe às ruas a
indignação e a razão de muitas dezenas de milhares de professores, a aplicação do
modelo de avaliação urdido marginalmente nos longínquos gabinetes do Ministério
da Educação, não apenas se tornou tecnicamente impraticável como também se
tornou politicamente insustentável. Nesta análise, e para fundamentar as propostas
que a seguir se apresentam, começa-se, incontornavelmente, por esta última, as
ilações e repercussões políticas de todo este irracional processo.

II. Ilações e repercussões políticas.

1. Ao longo deste penoso e inquietante desvario político do ME, só este não terá
percebido, a tempo e horas, que o modelo de avaliação por si congeminado não
trazia consigo qualquer valor acrescentado para a requalificação das escolas, para a
melhoria do desempenho profissional dos professores e, muito menos, qualquer
mais-valia para os alunos e para as suas famílias. Quando muito, quedar-se-ia por
indirecta e ilusoriamente mascarar as estatísticas do insucesso e do abandono
escolares de Portugal nas estatísticas europeias e nas da OCDE;
2. O modelo até aqui proposto pelo ME não se compagina com a realidade
portuguesa e muito menos com o desejado desenvolvimento educativo do País com
base na qualificação do seu capital humano. Ao contrário do que diz a srª Ministra
(Cfr. “A grande Entrevista”, RTP, de 6 de Março p.p.), não é um modelo avaliativo
dos mais modernos e actuais em vigor na Europa. Pelo contrário, antes replica
(quase plagia na íntegra) os modelos externamente impostos, por circunstâncias
várias, a sistemas educativos da América Latina como os do Chile e da Colômbia
(Vide, entre outros, os seguintes links, http://www.docentemas.cl/bienvenida.php e
http://www.preal.org/Archivos/Bajar.asp%3FCarpeta%3DPreal%2520Publicaciones
%255CLibros%26Archivo%3D02-
MP.pdf+Evaluaci%C3%B3n+del+Desempe%C3%B1o+Docente+colombia);

3. A ministra da Educação tem hoje contra si e contra as suas políticas educativas a


esmagadora maioria -se não mesmo a quase totalidade– dos educadores e
professores portugueses. Por outras palavras, tem contra si a classe profissional
em quem os portugueses responsavelmente confiam diariamente os seus filhos,
numa interacção social sólida de mútua confiança.

Ora, a ministra –vá lá saber-se o porquê(!)- ousou quebrar quase


irremediavelmente estes insubstituíveis laços de solidariedade social.

Em qualquer democracia moderna e desenvolvida, politicamente responsável, o


mínimo exigível de decoro pessoal e de ética política, nestas circunstâncias, é a
demissão de quem inquinou a relação docentes/famílias e insinuou, ainda que
veladamente, que as famílias portuguesas deveriam suspeitar dos profissionais da
educação a quem confiam os seus filhos, porquanto, de acordo com o discurso
oficial, estes são mentores do seu insucesso escolar e da sua exclusão social.

Face ao exposto, outra mais séria responsabilidade social e outra mais cuidada
análise se exige, a partir de agora, à maioria política que governa o País: as
reformas educativas (pertinentes ou não) apenas singram se para a sua concepção
e aplicação confluir a participação dos educadores, não numa perspectiva
corporativista, mas, sobretudo, na de co-autores das políticas educativas a
implementar, na medida em que os professores, para além de conhecedores ‘in-
loco’ das reais fragilidades e necessidades do sistema, zelam incessantemente pelo
sucesso escolar e pessoal dos seus alunos.

Torna-se, assim, incontornável a demissão da ministra da Educação e da sua


obsoleta equipa ministerial, mais não seja porque, no mínimo, arrogante e
prepotentemente, descapitalizaram o fundo de confiança social que recaía nos
professores e na Escola pública nacional, deixando-os agora à mercê de uma
desconfiança social que eles não instigaram e subjugados a um anárquico ‘puzzle’
legislativo que mina as raízes da coesão profissional e educativa e arruína o diálogo
entre pares e a participação institucional nos territórios educativos locais;

4. A equipa ministerial que natural e necessariamente sucederá à equipa ministerial


liderada por Maria de Lurdes Rodrigues, deverá, desde logo, dar mostras de uma
cultura de diálogo e de participação democrática tendente a recuperar o tempo
perdido e a inverter as consequências de algumas das mais controversas medidas
da equipa ministerial ainda não demitida, nomeadamente no que se refere à
serenidade e ao diálogo necessários à implementação das reformas estruturais que
se desejam conceber e aplicar;

5. Nesta esteira, importa, antes de tudo o mais, rever o Estatuto da Carreira


Docente (ECD) no que respeita à injustificada e absurda divisão da carreira docente
em duas categorias de professores (titulares e não titulares), diminuindo, assim,
conflitos, tensões e potenciais tribalismos entre pares de todo em todo indesejáveis
e nefastos para a qualidade (multidimensional) da educação e dos seus resultados
que todos, de boa-fé, querem melhorados e para eles pessoal e profissionalmente
desejam contribuir;

6. Importa, também, rever as obrigações profissionais dos educadores e


professores, nomeadamente no que se refere ao conteúdo funcional da sua
profissão e ao seu horário efectivo de trabalho, o qual, estabelecido com base nas
35 Horas semanais, deve contemplar as horas individuais dedicadas à preparação,
organização e avaliação das actividades lectivas e não lectivas (as quais
correspondem, no mínimo, a 1/3 das horas de permanência na escola), devendo no
horário dos docentes constar exclusivamente as 22 Horas de trabalho (lectivo e não
lectivo) cumpridos nas escolas;

7. Com base no princípio constitucional de a todos os alunos proporcionar iguais


condições no acesso e sucesso escolares, deve a futura equipa ministerial encetar
um processo de negociação que vise, sequencialmente, instituir e consolidar a
generalização da avaliação institucional das escolas (avaliação externa) e incentivar
a auto-avaliação permanente destas, tendo em vista identificar os pontos fortes e
fracos de cada uma delas no que se refere ao insucesso e abandono escolares, ao
clima organizacional, às lideranças, à inovação, à provisão educativa e organização
das aprendizagens.
Será a partir desta avaliação institucional que, à semelhança do que ocorre na
maioria dos países mais desenvolvidos, se deverá proceder à definição de
objectivos de desempenho individuais, como mais adiante se explicita.

(Fim da Parte I)

Fernando Cortes Leal

Professor, sem filiação política partidária, Diplomado em Alta Direcção para a


Administração Pública (CADAP/INA) e especializado em Administração Educacional
(FPCEUL).

Amanhã tentarei alojar aqui o resto do conteúdo da proposta, desta feita no que se
reporta à sua parte técnica e operacional.

No entanto, tal como antes sugeri, as vossas opiniões e propostas de alteração


e/ou adendas podem e devem ser desde já manifestadas, para que, nos próximos
dias, se proceda à divulgação pública do documento e formalmente se faça chegar
aos centros de decisão política do País.