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Imaginação Social: Resenha do texto de Baczko Bronislaw: “A Imaginação

Social” In: Leach, Edmund ET Alii. Antropos-Homem. Lisboa, Imprensa


Nacional/Casa da Moeda, 1985.

Bronislaw Braczko constata, logo no início de seu trabalho, que está na


moda à associação entre o imaginário e o social, assim como entre a
imaginação e a política, argumentando que os atores políticos, especialmente
os chefes, são julgados não só pelas suas competências como também pela
imaginação política e social que lhes é atribuída e que, os meios de
comunicação de massa muito contribuíram para que essa terminologia fosse
hoje de uso tão corriqueiro.

Lembrando o movimento estudantil francês de maio de 1968, o autor, mostra


como o discurso contestatório deslocava-se para o campo da imaginação ao
lembrar as inscrições que, nas paredes de Paris, exprimiam palavras de ordem
que diziam: “Sejamos realistas, exijamos o impossível”.

A associação entre imaginação e poder, própria do domínio das artes


ultrapassava, então, o domínio do ilusório, dos sonhos, e dos símbolos, para
irromper o campo reservado para o real, enfim, para as coisas consideradas
sérias. O mês de maio de 1968 fica portanto marcado como um tempo de
explosão do imaginário, pois a mitologia que nasce a partir de determinado
acontecimento sobreleva em importância ao próprio acontecimento e,
sobretudo, quando experimentada de modo nostálgico amplifica ainda mais o
simbolismo de que a imaginação foi calcada. Este simbolismo materializa a
recordação de se ter vivido um tempo em que o sentimento de liberdade
sobrepujou os constrangimentos do sofrido cotidiano.

Os “slogans”, e as palavras de ordem assim inspiradas, exaltavam somente as


funções criadoras da imaginação e, revestindo os termos com funções
simbólicas, faziam crer na possibilidade de uma vida social diferente. Os
antropólogos, sociólogos, historiadores e psicólogos começaram a reconhecer,
senão a descobrir, as múltiplas e complexas funções que competem ao
imaginário na vida coletiva e, especialmente, no exercício do poder.

As ciências humanas passam a destacar o fato de que qualquer poder,


especialmente o político, se rodear com representações coletivas, utilizando-
se do domínio estratégico tanto do imaginário quanto do simbólico,
contrapondo-se a tradição intelectual enraizada, sobretudo após a segunda
metade do século XIX, que afirmava não serem as idéias que fazem a história.
A história verdadeira e real dos homens sobrepunha-se as representações que
estes têm de si próprios e para além de suas crenças, suas ilusões e mitos. A
tendência era então cientificista e “realista” e pretendia separar da trama
histórica os componentes daquilo que seria ilusório e quimérico do
comportamento “verdadeiro e real” dos agentes sociais. A elaboração científica
era concebida como um trabalho de desvendamento e de “desmistificação,
porém, incapaz de observar os agentes sociais desnudados, pois ela mesma
os construía.

Na história recente o imaginário social passa a ser, cada vez menos,


considerado ornamento de uma vida material considerada como única e real,
tendendo as ciências humanas, cada vez mais a admitir que não se pode
separar, nos conflitos, os agentes e seus atos das imagens que se tem dos
contendores, sejam as contendas tanto de classe como de religião, raça,
nacionalidade etc.

Conforme expõe o autor, “Os dispositivos de repressão que os poderes


constituídos põem de pé, a fim de preservarem o lugar privilegiado que a si
próprios se atribuem no campo simbólico, provam se necessário fosse, o
caráter decerto imaginário, mas de modo algum ilusório, dos bens assim
protegidos, tais como emblemas do poder, os monumentos erigidos em sua
glória, o carisma do chefe etc.” Produzindo um sistema de representações que
ao mesmo tempo traduz e legítima a sua ordem, qualquer sociedade instala
também “guardiães” do sistema que dispõem de uma certa técnica quanto ao
manejo das representações e símbolos. De forma semelhante os guardiões do
imaginário social são também aqueles que guardam o sagrado.

Em Platão e Aristóteles, Baczko, procura mostrar o quanto a experiência dos


debates na polis ateniense podia inverter as atitudes pela capacidade que o
poder do verbo possui para influenciar as decisões e as práticas coletivas. Em
Maquiavel a famosa frase: “Governar é fazer crer” destaca as relações intimas
entre o poder e o imaginário, ao mesmo tempo em que procura resumir uma
atitude “técnico-instrumental perante as crenças e o seu simbolismo, em
especial perante a religião”.

O príncipe utilizando-se de todo um sistema de representações de seu próprio


prestígio, e manipulando as ilusões (símbolos, festas etc.), pode em seu
proveito, desviar as crenças religiosas e impor os dispositivos simbólicos que
deseja dar a seus súditos, vindo daí a idéia de que se pode colocar o
imaginário a serviço da razão manipuladora.

De forma contrária, em Rousseau, o credo de que se faz necessário dar


batalha aos “preconceitos” e ao “despotismo”, pensando-se então na produção
de um contra imaginário como arma de combate e também como instrumento
de educação destinado a inculcar no espírito do povo novos modelos e valores
de formação. Um esboço teórico é produzido objetivando a utilização de uma
linguagem própria no âmbito de uma educação calcada em valores cívicos.

Já Mirabeau, apoiando-se em toda uma antropologia política e filosófica exige


que o novo poder “se apodere da imaginação”, onde o homem na sua
qualidade de ser sensível é muito menos guiado por princípios generosos do
que por “objetos imponentes, imagens chamativas, grandes espetáculos,
emoções fortes”.
Assim é que o poder deveria tomar o controle sobre os meios que formam e
guiam a imaginação coletiva. Nos conflitos sociais da época uma
responsabilidade cada vez maior vem caber a efetiva intervenção das grandes
formações ideológicas modernas como o liberalismo, o socialismo e a
democracia, sendo que o próprio termo ideologia adquire seu sentido
contemporâneo por volta de 1850.

Continuando suas explicações, Bronislaw Baczko, comenta que a obra de


Marx, conquanto seja alimentada das idéias que proliferam no século XIX,
marca um dos momentos mais significativos no estudo dos imaginários sociais,
pois é na análise das relações antagônicas das classes que se revelam as
representações ideológicas que exprimem as aspirações e justificam moral e
juridicamente os seus objetivos, se concebe o passado e se projeta o futuro.

A classe dominada só pode opor-se a classe dominante a partir da criação de


sua própria ideologia, elemento indispensável a tomada de consciência.

“Aspecto real dos conflitos sociais, a ideologia não opera senão através do
irreal, que são as representações que se fazem intervir”.

Marx procurava demonstrar que qualquer grupo social fabrica as imagens que
enaltecem o seu papel histórico e a sua posição social, não se definindo senão
através dessas representações. No entanto para Marx o proletariado projetava
uma imagem perfeitamente transparente para si própria, interpretando essa
representação como uma não-imagem.

Durkheim, assim como Marcel Maus, esforçam-se para mostrar a subordinação


do psicológico ao sociológico com afirmações de que para que uma sociedade
exista e se mantenha com um mínimo de coesão, é necessário que os agentes
sociais acreditem na superioridade do fato social sobre o individual, dotando-se
de uma “consciência coletiva”, ou seja, de um sistema de crenças comuns que
exprima o sentimento de existência da sociedade