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O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NOS CULTOS

AFRO-BRASILEIROS E NA UMBANDA

Por Caio de Omulu


ÍNDICE

PALAVRAS INICIAIS

OS ARGUMENTOS
• 1º Argumento – A Evolução da Vida
• 2º Argumento – As Leis de Sobrevivência, Preservação das Espécies; A Vida,
a Alma e a Morte
• 3º Argumento – A Diferença entre o Nephesh e a Alma do Ser Humano
• 4º Argumento – Magia, a Lei das Manifestações e o Sangue
• 5º Argumento – Os Orixás e os Seres Elementais

OS FUNDAMENTOS
• 1º Fundamento – Da Ancestralidade
• 2º Fundamento – Da Ética
• 3º Fundamento – Da Magia
• Algumas considerações

PALAVRAS FINAIS

BIBLIOGRAFIA DA PESQUISADA
PALAVRAS INICIAIS

Este trabalho é fruto das discussões e debates realizados na nossa lista de


umbanda. Também é resultado de uma promessa feita por mim de que forneceria um
material sobre esta questão.
Na verdade o tema, Sacrifício de Animais nos Cultos Afro-Brasileiros e na
Umbanda, nunca tinha sido um assunto pesquisado por mim de forma racional. Este
ritual era aceito por minha fé, meio como um dogma. Embora eu esteja procurando
responder as dúvidas e inquirições de muitos que questionam e questionaram isto na
lista, na verdade eu estou nestas páginas formando minha própria opinião sobre um
assunto, ou melhor dizendo, fundamentando a minha fé de forma racional sobre esta
polêmica. Talvez por isso tenha demorado tanto a sair.
A maior luta que eu travei foi comigo mesmo para conseguir extrair do meu
consciente o que a minha fé tranqüilamente já havia resolvido no meu subconsciente.
Acho que consegui.
Se para alguém que ler tudo o que aqui foi escrito, de nada valer ou facilmente
conseguir contestar, o que posso fazer.
Para mim no entanto, já fiquei feliz em saber que consegui desenvolver um
trabalho que respaldou racionalmente a fé que possuo nas instruções e ensinamentos
que recebo no Culto Omolocô do Brasil, através da minha Mãe de Santo, dos guias,
meus mestres espirituais e do Pai Joaquim de Angola, preto-velho, mentor do terreiro
que freqüento.
Minha intenção aqui jamais foi de convencer ninguém. Que isto fique bem
claro.
Outra questão é que muito do que aqui será citado se encontra espalhado em
uma diversidade de literatura Umbandista ou não e que a minha participação nisto
tudo foi apenas de juntar estas pérolas com o cordão da minha opinião e da minha
intuição.
Eis, portanto um colar que ofereço como presente a todos os meus irmãos na
lista.
Para podermos compreender o verdadeiro sentido dos sacrifícios de animais
tanto no Candomblé, como nos rituais do Culto Omolocô, ou em qualquer páramo que
o mesmo se realizar, estando é claro incluso dentro do universo daquilo que
denominamos religiões afro-brasileiras e Umbanda, temos que ir a busca de
informações diversas que juntas comporão o arcabouço de nossos fundamentos, são
os argumentos de sustentação.

1º Argumento – A Evolução da Vida.

Vivíamos uma vida evolutiva sem a necessidade do que chamamos matéria.


Éramos por assim dizer espíritos em sua mais pura essência. Matéria ou energia-
massa não existia. Tínhamos então uma Via de Evolução que chamo de Original
possuindo nesta via um Karma que denomino Causal. Se vivíamos em pares ou não, e
como se conduzia este processo evolutivo, sem a existência de matéria, ou o que era
este Karma Causal, nesta linha de argumentação é irrelevante. Importante é que para
a nossa linha de raciocínio em algum instante, individual ou coletivamente, houve um
desequilíbrio provocado por uma necessidade de experimentação mais objetiva desta
individualidade. Foi esta necessidade de experimentação, que se consubstanciou em
uma vontade interior de vivenciar a si mesmo de forma mais concreta, este sentimento
maior de complementação que provocou, quando alcançou proporções indescritíveis,
ou seja, contagiou por assim dizer a um número inigualável de seres espirituais, uma
exsudação que se transmutou naquilo que denominamos de energia-massa ou na sua
forma mais densa a matéria.
Esta exsudação é fácil de ser entendida já que seu fenômeno é uma Lei Divina.
Se pararmos por um instante e nos concentrarmos mentalmente em um elefante cor
de rosa imediatamente no mundo espiritual é criado esta forma-pensamento que
durará o tempo que a energia despendida pela nossa mentalização durar. Imaginemos
agora o poder que uma ansiedade, um sentimento, uma necessidade intrínseca de
uma multidão inigualável de espíritos pode criar coletivamente ? Realmente é a
formação de algo indescritível.
O que esta exsudação formou (energia-massa) criou a primeira existência de
algo que não pertencia ao mundo do Cosmo Espiritual. Como esta energia-massa era
algo indefinido, sem ordenação, totalmente desequilibrada podemos denominá-la de
Caos. A Gênese de Moisés começa a contar a história exatamente deste ponto.
Ora, Deus como Pai misericordioso que é vendo que era inevitável esta
experimentação e percebendo que da forma como a energia-massa estava se
formando não proporcionava condições aos espíritos de alcançarem os seus objetivos,
resolveu em sua Sabedoria Divina intervir colocando ordem no Caos, ou melhor
dizendo moldando esta energia-massa de forma que os espíritos pudessem realizar as
suas experimentações e retirarem as lições que tanto ansiavam.
Neste instante a ciência, na Teoria do Big Bang, começa a contar a história do
universo.
Vejamos que a exsudação formou o Caos de energia-massa como um
elemento extrínseco ao Cosmo Espiritual, Deus, Grande Arquiteto do Universo, no seu
Fiat Lux gerou a expansão desta energia-massa como uma grande explosão de onde
o que não possuía forma começava a ser moldado para possuí-la.
Assim começou a formação do que denomino Universo-astral ou reino da
energia-massa que na sua forma mais densa se transformou naquilo que entendemos
por matéria. Os espíritos geravam uma segunda via de evolução e por conseqüência
um Karma constituído ou adquirido.
Iniciava para todos nós uma longa e profunda queda nos reino denso da
matéria e uma longa jornada de retorno a verdadeira pátria, o Cosmo Espiritual.
A Física Quântica defende desde a muito a expansão contínua do Universo e
mais recentemente experimentações científicas determinam uma ligeira curvatura
neste processo expansivo o que determina, ainda de forma empírica, uma possível
desaceleração desta expansão seguida de uma posterior retração. Para um bom
entendedor meia palavra basta...
Bom, voltando aos espíritos...
Esta 2ª Via de Evolução embora tivesse sido ocasionada por eles lhes era
totalmente desconhecida, e mais seus tônus vibratórios espirituais não se
harmonizavam com esta nova realidade.
Era portanto necessário dentro desta via de evolução criar duas coisas:
1º) Uma forma em que pudesse fornecer a eles meios de vivenciar esta
energia-massa.
2º) Um processo evolutivo de harmonização com a nova ordem das coisas para
que suas lições não fossem desperdiçadas.
Deus-Pai assim providenciou as condições necessárias de ambas as
necessidades.
Encurtando a história pois longa ela é, e trazendo mais de perto para o nosso
planeta começamos a vivenciar o que a ciência defende como a evolução darwiniana,
evidentemente acrescentada de valores que vão além do campo científico.

(TABELA I)
EVOLUÇÃO DA VIDA NO PLANETA TERRA
Plano Físico Plano Espiritual Situação

REINO ELEMENTAL (*) Essência Elemental Coletiva

REINO MINERAL Alma Grupo Mineral Coletiva

REINO VEGETAL Alma Grupo Vegetal Coletiva

REINO ANIMAL Alma Grupo Animal Coletiva


(Invertebrados e Vertebrados)

REINO HUMANO Alma Individualizadas Individual


(Ser Humano)

(*) Este reino elemental está relacionado aos princípios básicos de formação
da vida no planeta Terra, ou seja, as essências ou estruturas primitivas de
estruturação, portanto não confundir com os Elementais que possuem evolução
paralela totalmente diferente, embora estejam relacionados com a nossa inclusive com
funções bastantes específicas.
A bem da verdade, quando envolvidos pela energia-massa, gerada pela
exsudação deles próprios, não foi possível um envolvimento imediato já que, como já
disse, o tônus vibratório espiritual dos espíritos não conseguia interagir com a energia
massa. Lógico que sem um envolvimento completo com a energia-massa o intuito pelo
qual os espíritos abdicaram de sua evolução original não seria alcançado. Se do lado
espiritual Deus-Pai juntamente com sua Coroa Divina (os Orixás), providenciavam a
formação de diversos veículos para o completo envolvimento dos espíritos na energia-
massa, com a modelação de corpos de diferentes densidades. No Plano físico a luta
das espécies para a sobrevivência evolutiva do mais forte, ou melhor explicando das
espécies que conseguissem se adaptar as intempéries da natureza em formação
continuava (a mais pura manifestação da Lei de Darwin).
Isto é demonstrado claramente nas duas atividades básicas que primeiro se
manifestam nos seres vivos no caminho evolutivo das formas: a primeira é a atividade
onde o organismo deseja conservar a vida o maior tempo possível, o que consegue
pela nutrição; a segunda é o desejo de produzir um outro organismo semelhante a si.
Sob o impulso de tais instintos, haverá evolução, isto é, de simples que era, veremos o
organismo assumir uma estrutura complexa. O processo prosseguirá de estágio em
estágio, até que, de modo gradual, apareça no planeta os diversos reinos, tal qual
vemos em nossa Terra.
Cada um dos períodos sucessivos terá por ponto de partida o período
precedente, e estará mais bem organizado que este, para prolongar a sua existência e
produzir descendentes. Cada um será mais “evoluído” do que o precedeu. Das
estruturas atômicas básicas à complexidade das cadeias moleculares no reino
mineral; dos organismos unicelulares, bactérias, algas, cogumelos desenvolver-se-ão
plantas com esporos e posteriormente as plantas com sementes no reino vegetal; dos
protozoários, organismos unicelulares muito simples, aos organismos multicelulares,
com tecidos, sistemas nervoso, sistema circulatório, dos invertebrados a nova etapa
de construção dos organismos, com o envolvimento do tronco central nervoso pelas
vértebras, o que nos dá os vertebrados a complexidade vai aumentando de grupo para
grupo no reino animal.
Dos répteis, uma ordem dos vertebrados, vêm os mamíferos; entre os mais
elevados mamíferos aparecem os primatas. Nessa última ordem do reino animal o
homem é o mais bem organizado.
Os dois instintos de conservação e de propagação encontram-se também no
reino animal.
Quanto mais complexa a estrutura, mais bem preparado o organismo para
adaptar-se a seu mutável ambiente, e mais apto para viver e produzir organismos
semelhantes, com um dispêndio cada vez menor de energia.
Em suma, o processo evolutivo no plano físico decorria da necessidade
primordial que se tinha para formar o corpo denso material que viria a ser o veículo da
manifestação dos espíritos no plano terra de um lado, bem como de criar os
organismos de sustentação para natureza e o ecossistema que se formará a partir da
criação do nosso planeta. Este processo que gerou o corpo humano como
conhecemos nos dias atuais visava a proporcionar ao espírito seu total envolvimento
com a matéria, ou seja, o clímax da sua auto-experimentação, sua necessidade
extrema de objetivação, a concretização de sua necessidade completista.
Nas colunas Plano Espiritual e Situação (Tabela I), está a chave para
compreendermos o que desejamos formular neste primeiro argumento. Da essência
elemental ao reino animal toda a situação de envolvimento dos espíritos neste
processo foi coletiva.
Quando fomos pelo nosso livre-arbítrio enredados na energia-massa,
vivenciamos duas situações alheias a nossa condição original: a primeira foi de
contato com algo caótico e totalmente desequilibrado o que ocasionava um choque
profundo que impedia uma interação que permitisse um aprendizado profícuo; a
segunda situação, após a criação do universo astral, por Deus-Pai e sua Coroa Divina
que em sua misericórdia Divina resolveu desta forma a primeira situação, passamos a
ter a necessidade de nos amoldarmos a nova condição evolutiva que exigia um total
insulamento na matéria para que alcançássemos os objetivos que nossas
necessidades objetivaram.
Ora, este contato profundo com a matéria não significava desde o início
encarnação e posteriores reencarnações nos reinos elemental, mineral, vegetal e
animal, tendo em vista que os espíritos apenas necessitavam, como poderei explicar,
adquirir determinadas propriedades destes ditos reinos para conseguirmos a
harmonização perfeita para a definitiva encarnação no corpo humano.
Vejam bem, o corpo humano é o último e derradeiro estágio de nossa
experimentação. Após esta experimentação, cumprida esta etapa, passamos
gradativamente, através dos processos evolutivos do Karma Constituído, a nos
elevarmos em busca do retorno ao Cosmo Espiritual em um processo lento de nos
destituirmos dos diversos veículos adquiridos no reino da energia-massa, até
alcançarmos uma condição que nos permitirá cruzarmos os portais cósmicos que nos
devolverá a nossa via de evolução original (esta é a nossa 2ª Morte, por assim dizer).

(Tabela II)
As Propriedades Primordiais dos Reinos adquiridos pelos Espíritos

REINO PROPRIEDADE
Elemental Os primeiros contatos com o plano físico

Mineral Estrutura e organização molecular.

Vegetal Sentimento e sensações

Animal Instinto, preservação e sobrevivência

Para esta consecução o espírito não tinha a necessidade de encarnar em uma


pedra, em uma planta ou em um animal.
Necessário era portanto, que os espíritos coexistissem coletivamente
imantados a cada uma desses reinos, para que pudessem se impregnar destas
propriedades e outras aqui não relacionadas, formando todo um arcabouço de
memória, experiência e vivências, ao mesmo tempo que harmonizando os seus
perispíritos em formação (entenda-se aqui perispírito como o conjunto dos diversos
veículos adquiridos pelo espírito em sua queda vertiginosa no mundo da energia-
massa, que proporcionaram a sua adequada manifestação neste universo) para a
definitiva ligação ao corpo material.
Esta imantação aos diversos reinos, o que gerou as almas grupos, não era
dada de forma consciente, na verdade, desde a sua entrada no universo astral os
espíritos passaram a conviver com uma inconsciência coletiva tendo em vista que não
seria possível conseguir a total harmonização deles neste novo lócus tendo que
administrar as diversas interferências conscientes que os mesmos realizariam neste
processo. Podemos constatar então que a nossa consciência somente foi inteiramente
devolvida com a encarnação como ser humano. Para compreendermos melhor esse
assunto, realizemos a correlação com um médico que vai operar um paciente e
necessita para que tudo ocorra a contento, de anestesiá-lo, de forma a conseguir
operá-lo sem que haja interferência por parte do mesmo.
Este é o verdadeiro sentido da alma-grupo, Deus e sua Coroa Divina zelava
por todos nós, afim de que tudo ocorresse como deveria ser e alcançássemos os
nossos objetivos.
Na verdade todo este estágio evolutivo, de forma bem simplista, é como a
câmara de descompressão que o mergulhador tem que passar após mergulhar
grandes profundidades, para se adaptar novamente as condições normais de
temperatura e pressão do nível do ambiente.
Portanto, quando falamos em reinos elemental, mineral, vegetal e animal não
estamos falando em individualização, em uma alma em cada indivíduo desta espécie.
Estamos sim, dissertando sobre alma grupo, encarnação ou melhor explicando em
existência coletiva de aprendizado.
É como se os reinos existissem com suas diferentes espécies e imantados em
um mesmo lócus de existência estivessem os espíritos interligados etérea e
psiquicamente com o todo da espécie. A passagem (imantação) por diferentes
espécies provoca o aprendizado e a apropriação das propriedades inerentes a cada
espécie e lócus(reino) necessária mais tarde para que a conjunção Espírito, Perispírito
e Matéria possam se agrupar e formar o ser humano completo de todas as condições
para iniciar o seu processo evolutivo consciente.
O importante para finalizar este argumento é que quando falamos em pedras e
seus correlato, plantas, animais e assemelhados, não estamos falando de almas
individualizadas, individualização da alma somente pode ser relacionado a
espécie humana.

2º Argumento – As Leis de Sobrevivência, Preservação


das Espécies; a Vida, a Alma e a Morte.

Está bem claro no 1º Argumento, que uma das atividades que moviam as
espécies era a que incitava o organismo a conservar a vida o maior tempo possível.
Esta atividade representa especificamente a nutrição (alimentação) e os instintos de
sobrevivência e preservação. Importante se notar que muitas das espécies, já no reino
animal, matavam tanto para se alimentar como para sobreviver. Esta situação não se
consubstancia de forma nenhuma em crime para as Leis Divinas pois, elas são
manifestações puras do processo de seleção natural. Consideremos também que
neste processo de seleção natural, sobrevivência, alimentação e preservação das
espécies, a morte de um indivíduo não representava um ataque a um espírito
individualizado e sim a vida que num determinado período conservou um grupo de
compostos químicos como um organismo vivo. Enquanto ela o manteve assim, foi
ganhando em complexidade pelas experiências filtradas pelo seu receptáculo. O que
devemos considerar como morte do organismo, não é outra coisa senão a retirada da
vida que, por certo tempo, existirá separada das formas mais ínfimas e físicas da
matéria, embora permaneça ainda associada a variedades hiperfísicas de matéria.
Ao retirar-se do organismo com a morte, as experiências recebidas através
dele são conservadas como hábitos apreendidos em vida, os quais são transmutados
em novas capacidades para a construção da forma (propriedades), e utilizadas em
seu esforço de construção de um novo organismo (pela Alma Grupo em questão).
Considerando apenas a forma, não vemos senão um lado da evolução, porque
toda forma há uma vida. Quando morre uma planta, a vida que a mantém viva e que a
impeliu a responder às excitações do meio não morre. Quando uma rosa murcha e se
torna pó, sabemos que a sua matéria não se destrói. Cada partícula subsiste ainda,
porque a matéria não pode ser aniquilada. Dá-se o mesmo com a vida, a qual
contando com tais elementos químicos, organizou a rosa. Só por um instante a vida se
retira, para reaparecer logo, em vias de produzir uma outra rosa. A experiência que, na
primeira rosa, recebeu do calor solar e das tempestades, da luta pela existência, será
gradualmente utilizada para compor uma segunda rosa, mais bem dotada para viver e
propagar a sua espécie.
Da mesma maneira que um organismo individual é uma unidade num grupo
mais vasto, também a vida que se oculta no íntimo desse organismo faz parte de uma
alma grupo, mas não é um espírito individualizado, com livre-arbítrio e consciente do
seu processo evolutivo.
Por trás dos organismos do reino vegetal há a alma grupo vegetal, reservatório
indestrutível das forças vitais que se tornam cada vez mais complexas, ao edificar as
formas vegetais. Cada uma das unidades de vida dessa alma grupo, ao aparecer na
Terra embutida num organismo, vem provida da soma total da experiência adquirida
na construção dos organismos precedentes. Cada unidade, pela morte do organismo,
volta à alma grupo e lhe traz, como contribuição, o que aprendeu em sua capacidade
de reagir, de acordo com os novos métodos, às excitações exteriores. Verifica-se o
mesmo no reino animal: cada espécie, cada gênero, cada família tem seu
compartimento especial na alma grupo animal e coletiva.
Diante destes fatos percebemos nitidamente o poder da máxima em que no
“Universo nada se cria tudo se transforma”
A vida que aqui nos referimos é o prana dos Iogues, o princípio vital dos
Teósofos, a força vital (ou energia essencial de vida) dos rosacruzes, tattvas dos
Vedas e o Nephesh da Bíblia Sagrada que significa o alento da vida, anima, mens,
vita, a vida ou alma vital, que existe em todos os seres vivos, em toda a molécula
animada e até de cada átomo mineral. Não é o espírito, nem é individual.

3º Argumento – A Diferença entre o Nephesh e a Alma do


Ser Humano
A alma do ser humano é sua condição de ser encarnado dentro do reino da
energia-massa, seja na condição de espírito ou seja como ser humano encarnado na
matéria, pois onde o espírito esteja, neste universo astral, ele está envolvido por um
ou vários corpos de manifestação.

(Tabela III)
Os Veículos do Espírito no Reino da Energia-Massa
(Universo Astral)

PLANO VEÍCULO MOTIVO ATUAÇÃO

Ideais
p/ transcender
Espiritual Espírito (*) sentimentos
com
puros
intuição
Mental Superior Corpo Astral p/ intuir com pensamentos
abstratos
idéias
Mental Inferior Corpo Mental p/ pensar com pensamentos
concretos
emoções
Astral Corpo Perispiritual p/ sentir com
desejos
Sensorial
Físico Corpo Físico p/ agir com
ações
(*) O espírito já na condição de retornar ao Cosmo Espiritual
Já o Nephesh não possui veículos de manifestação pois ele é o alento de vida
destes veículos, ou seja, o Nephesh é o que em uma comparação minimizada , fica
mantendo um corpo físico quando da morte clínica de um ser humano. O organismo
continua vivo (já que o corpo humano é construção fundamentada na composição
orgânica do reino animal) mas já sem a presença do espírito que o ocupava. Ele existe
em tudo e em todos desde a essência elemental até o ser humano, passando pelo
mineral, o vegetal e o animal.

4º Argumento – Magia, a Lei das Manifestações e o


Sangue

O que é Magia?
Magia é o ato consciente de ativar e direcionar energias positivas ou negativas,
universais ou cósmicas, através do movimento produzido pela vontade, capaz de
produzir uma modificação, alteração, supressão, agregação para um objetivo(s)
predefinido(s). Enfim é a ciência e arte de utilizarmos conscientemente poderes
invisíveis (espirituais) para produzir efeitos visíveis.
A Magia está subordinada a diversas Leis que passamos a enunciar:
1) Toda e qualquer Magia é mental.
2) Toda e qualquer Magia está baseada na dinâmica do pensamento.
3) Pensamento atrai pensamento na razão direta de sua qualidade,
intensidade e vontade, tanto de quem as emite, quando de quem as recebe.
4) Todo o movimento provocado pela vontade do pensamento produz energia,
que pode ser positiva ou negativa.
5) Na energia produzida pela emissão do pensamento é eliminado o espaço,
este deixa de existir, porém não o tempo.
6) Toda Magia é regida pela Lei da Causalidade.
7) Toda causa corresponde a um efeito, imediato ou tardio.
8) Nenhuma Magia alcançará seus objetivos se não for projetado sobre
determinados elementos físicos densos e etéricos, os quais servirão de
canais da Magia ou elementos espelhos, os quais se projetaram os
pensamentos e os desejos, que alcançara ou não, o objetivo visado.
9) Toda Magia possui mecanismos básicos de evocação e invocação próprios
a cada ritualística utilizada para tal mister.
10) Toda a Magia obedece a Lei das Manifestações.

Toda e qualquer Magia é mental.

O dínamo, o gerador de toda e qualquer Magia é a mente que


transforma a energia abstrata em concreta. Há de haver a ideação,
concretizando-se em forma de corrente de pensamentos, os quais imantarão e
atrairão certas energias, ou classes de Entidades que vibram afins com a
corrente de pensamentos emitidas. A mente consegue realizar este efeito
através de três atributos inerentes a própria mente. Estes atributos, em Magia,
são denominados de as três chaves superiores: Sabedoria, Vontade e
Atividade.
O pensador deve possuir o conhecimento – SABEDORIA (que tipo ou
qualidade de magia será efetuada), VONTADE para imprimir nesta energia
mental o efeito que deseja e, finalmente, ATIVIDADE, para pôr em movimento,
em ação, direcionar esta energia.

Toda e qualquer Magia está baseada na dinâmica do


pensamento.

O pensamento é dinâmico em sua manifestação, ou seja, ele vem e vai


por todo mundo astral e psíquico utilizando como seu veículo o éter espiritual.
Esta dinâmica causa a mobilização das mais diferentes correntes de
pensamento que se agregam, se fundem, se completam e vice-versa. Um
exemplo claro deste dinamismo da energia mental é a comparação as ondas
de rádio das mais diferentes sintonias coexistindo harmonicamente ou não pelo
espaço.
Os pensamentos são nada mais que ondas mentais sutis e densas
conforme a qualidade do seu emissor.

Pensamento atrai pensamento na razão direta de sua


qualidade, intensidade e vontade, tanto de quem as emite, quando
de quem as recebe.

Todo o movimento provocado pela vontade do pensamento


produz energia, que pode ser positiva ou negativa.

Na energia produzida pela emissão do pensamento é


eliminado o espaço, este deixa de existir, porém não o tempo.

Toda Magia é regida pela Lei da Causalidade.

Toda causa corresponde a um efeito, imediato ou tardio.

Por sua ação dinâmica o pensamento cria energia, que pode ser
positiva ou negativa. Pela liberação da energia é eliminado o espaço, ou seja,
não existe distância que essa energia assim criada não possa atingir. Sendo o
tempo a dimensão da energia, podemos facilmente chegar a um outro
enunciado:
Toda energia liberada por um pensador através da Vontade, Sabedoria
e Atividade e direcionada a fim de produzir uma modificação terá um tempo de
duração variável.
Um pensador A emite uma energia positiva ou negativa para um
pensador B. Porém, B não está neste momento receptivo, está vibrando numa
faixa de onda diferente de A. Esta energia ao chegar até B, não penetra, não o
envolve e volta para o seu emitente, A. Isso se denomina Retorno. Na volta da
energia para o pensador A, todos aqueles que estiverem vibrando na mesma
tônica, no mesmo campo vibratório do pensador A, receberão esta energia.
Isto funciona tanto para emissão de Energia positiva quanto negativa.
Consequentemente, teremos: Retorno positivo e Retorno Negativo.
Logo, podemos concluir, que a dinâmica do pensamento funciona como
a eletricidade: pólo positivo e pólo negativo. Sendo que neste caso semelhante
atrai semelhante e dissemelhante se repulsam.
(Tabela IV)
A Dinâmica do Pensamento

Pensador A Pensador B
(Tipo de (Tipo de Dinâmica do Pensamento
Energia) Energia)

(+) (-) Não penetra, não envolve

(-) (+) Não penetra, não envolve

(+) (+) Penetra, envolve, atinge seu objetivo

(-) (-) Penetra, envolve, atinge seu objetivo

A duração variável da emissão de pensamento – Magia – está


condicionada aquilo que denominamos Retorno tardio.
O Retorno imediato, já observamos, é quando o receptor está vibrando
em campos vibratórios diferentes. O Retorno tardio é sempre ocasionado pela
Lei imutável da natureza – o Karma. A toda causa corresponde um efeito.
Assim que dirige, quem orienta uma emissão de pensamento, quer positivo,
quer negativo, receberá, embora tardiamente, o efeito da causa provocada.
Já podemos enunciar a Lei Maior da Magia: TODA CAUSA
CORRESPONDE A UM EFEITO, IGUAL EM SENTIDO CONTRÁRIO.
Na aura do planeta Terra, existem núcleos de pensamentos de todas as
espécies. Quando um pensamento positivo é emitido, primeiro é captado pelo
núcleo positivo existente e daí se dirige ao receptor. Os pensamentos afins
captados, quando esta emissão é negativa, captam todas as negatividades
contidas neste núcleo de pensamentos negativos, daí se dirigindo ao receptor.
A Lei Maior da Magia já pode ser enunciada em sua forma definitiva: A
energia-pensamento tende a somar às existentes de acordo com sua
intensidade, qualidade e afinidade. Logo, A TODA CAUSA CORRESPONDE
UM EFEITO ADICIONADO E CONTRÁRIO.
O Retorno Imediato pode ser evitado pelo mago ou magista, que usa o
recurso que denominamos Transferência. Nos objetos utilizados para este fim,
o mago transfere sua poderosa energia mental. Depois, imanta e dirige a sua
magia para o fim a que se destina. Se o receptor estiver vibrando em outra
faixa, o retorno desta operação voltará, não para o emitente, mas para os
objetos imantados que o receberão e imediatamente o devolverão. Este
mecanismo funcionará pelo tempo que for determinado pela imantação e poder
de vontade do magista, até atingir o seu objetivo, que será alcançado ou não,
dependendo do poder do mago. Durante a transferência o magista se protege
com uma “Concha Etérica”. A concha ou resguardo se faz por um esforço da
vontade e da imaginação. Pode-se fazê-la de duas maneiras: pode-se
densificar a periferia da aura etérica, que tomará a forma do corpo físico e será
ligeiramente maior do que este; ou então, se constrói uma concha ovóide de
matéria etérica da atmosfera circundante.

Nenhuma Magia alcançará seus objetivos se não for


projetado sobre determinados elementos físicos densos e etéricos,
os quais servirão de canais da Magia ou elementos espelhos, os
quais se projetaram os pensamentos e os desejos, que alcançara
ou não, o objetivo visado.
Essa parte física seria a ação ou execução propriamente dita. Os
elementos ou materiais servirão como elementos radicais, os quais serão
movimentados do físico ao etérico e desse ao astral. Assim, há uma forte
reação no astral, dependendo de certos elementos colocados no ato mágico ou
oferenda ritualística, a qual visa projetar ou ativar certas energias etéreo-físicas
ou mesmo astro-etéricas para depois desencadearam a atuação na matéria.
Deixemos claro o seguinte mecanismo: para haver Magia há
necessidade de elementos materiais específicos e especiais, os quais são
manipulados em seus elementos etéricos e transformados em matéria astral, a
qual desencadeia determinado ciclo e ritmo vibratório no campo astral
envolvido, retornando ao campo etérico e físico, carreando certo código, que
encontrará através de emissários astralizados os objetivos visados. Este
mecanismo, embora seja simples, é básico para o magismo.

(Tabela V)
Mecanismo de Ativação da Magia em
cada Plano

PLANO ATIVADO ATRAVÉ DA:

Mental Ideação

Astral Vontade

Físico Ação ou Execução


(Tabela VI)

Mecanismo Básico da Magia

serão projetados sobre


Pensamentos Elementos
e Desejos Materiais
(projetores)

são dinamizados e
excitam

Objetivo
Éteres(*)
Visado

AÇÃO ASTRO-ETÉRICAS

Estes se transformam ou abalam


o plano astral e sua matéria. Esta
emite energias que são
transformadas em

(*) Os éteres são os 4 estados superiores da matéria neste


Universo-astral (Reino da Energia Massa). Os estados da matéria,
portanto são: Sólido, Líquido, Gasoso, Éter Químico, Éter Refletor, Éter
Luminoso e Éter Vital. Estes estados são comuns a todos os planos de
manifestação do Espírito.
Toda Magia possui mecanismos básicos de evocação e
invocação próprios a cada ritualística utilizada para tal mister

Toda Evocatória (Evocar = chamar de algum lugar; ordenar) ou


Invocatória (Invocar = implorar; pedir; rogar; pedir proteção) alcança vários
níveis, dependendo é claro de quem evoca ou invoca, desejos, pensamentos,
emoções, necessidades, etc. Mas se o magista sabe como realizar, o que
fazer, tudo se passa como se houvesse uma fonte emissora (o magista) que
visa alcançar a estação receptora (as energias etéricas ou entidades evocadas
ou invocadas). É sabido que a evocatória ou invocatória estará na dependência
de quem a faz, dependendo é claro da potência do pensamento emitido ou
grau de freqüência das ondas mentais (ondas alfa, beta e gama). Depende
também da modulação dada aos desejos, ou seja, a intensidade. Na
dependência desses fatores, pode-se ou não atingir a recepção, pois se os dois
pólos (emissor e receptor) não estiverem em mesma sintonia não se
conseguirá o objeto visado no ato mágico. Todo ato mágico só é viável se as
afinidades vibratória se “casarem”. Do ponto de vista técnico, a evocatória ou
invocatória forma ondas eletromagnéticas, que poderão ser dinamizadas ou
dissipadas através do desejo, que poderá tornar-se condutor ou resistor. A
evocatória ou invocatória é dirigida através da vontade, do desejo, que sem
dúvida é manancial de poder, que na dependência da petição poderá ou não
alcançar os objetivos ou as Entidades evocadas ou invocadas. Assim, toda
evocação ou invocação é uma ação que provocará uma reação, na
dependência da natureza do pedido e de força mentoastral que foi emitida.

Toda a Magia obedece a Lei das Manifestações

A Lei das Manifestações nada mais é do que a Lei Universal do


Triângulo.
Em qualquer coisa que realizamos devemos levar em consideração a
necessidade de dois elementos gerando um terceiro. Somos o elementos
motor, o elemento ativo. O outro elemento é a pessoa ou condição sobre a a
qual vamos atuar, o elemento relativamente passivo. O resultado de nossa
ação, o efeito que dela ocorre, é o terceiro elemento ou a terceira ponta do
triângulo.
(Tabela VII)
LEI DAS MANIFESTAÇÕES

Manifestação

Lei do =3
Triângulo

Ativo Passivo
TRINDADE UNIVERSAL DAS MANIFESTAÇÕES

A Magia obedece estritamente está Lei. Temos 1º elemento, ativo


(emissor) o magista, o 2º elemento, passivo (receptor) os objetos manipulados
pelo Mago e o 3º elemento, a manifestação provocada pelo rito mágico
(objetivo visado). Evidentemente que no caso da Magia Negra este triângulo é
invertido. O sentido da ponta para cima ou para baixo esta na, podemos assim
dizer ou comparar, na intenção positiva ou negativa que se deseje alcançar.
O Mago antes de mais nada deve ser um profundo conhecedor das Leis
de Manifestações para que ele possa conseguir algum resultado com os seus
ritos mágicos. Sem as condições propícias ou conhecimento profundo dos dois
elementos ativo e passivo de um rito mágico não será possível para um
magista conseguir o objetivo visado.
O SANGUE

O Sangue é a linfa da vida e elemento imprescindível no ser vivo, pois,


além de sua função propriamente física, ainda capta e absorve as forças
vitalizantes do Sol, como o “prana”, o magnetismo lunar e certos fluidos do
mundo astral. A sua circulação rapidíssima é imantada pela eletricidade animal
e nutrida pelos éteres que se emana dos diferentes planos de manifestação do
espírito e flui através do perispírito. Portanto, denota-se claramente, que a
circulação sangüínea é por onde trafega a força vital tendo em vista, que sem a
circulação do sangue no organismo o corpo morre entrando em pouco tempo
em estado de decomposição. O importante a se destacar o papel que o sangue
possui nos estudos oculistas e magísticos. Ramatsariar já dizia que o sangue
“contém todos os mistérios secretos da existência”, e Levi “é a primeira
encarnação do fluido universal, a luz vital materializada”.
No ser humano representa a fonte de vitalização mais material da
unificação das energias que possibilitam a harmonização da sustentação da
unificação corpo material, perispírito e espírito. No reino animal é a base
material do Nepesh ou força vital. Com este significado no reino animal o
sangue é vitalidade pura, repositório de energias imponderáveis, fluido
magístico com grande poder energético de efeito adicionador. Por ser plasma,
seiva, linfa material mas com emanações etéricas e agregações fluídicas
espirituais em sua formação a força coadjuvante do sangue em plasmar e
vitalizar qualquer coisa no reino astral é muito poderosa. Seu potencial
vitalizador de formas-pensamento, de ideações, desejos e emoções é
incontestável. O sangue possui o efeito cristalizador para qualquer efeito
mágico e sobrenatural. A formação de égregoras consangüíneas, familías,
irmandades, pactos de sangue exemplificam o seu poder catalizador.
5º Argumento – Os Orixás e os Seres Elementais

Deixando de lado o caráter de arquétipo das personalidades do seres


humanos que neste estudo é irrelevante, consideremos os Orixás como
componentes da Coroa Divina que ficaram, por assim dizer, no Universo Astral
(Reino da Energia-Massa) para reger toda obra criativa do Deus-Pai.
Hierarquicamente falando, para efeitos desta fundamentação, os Orixás a que
nos referimos são os que estão mais próximos do planeta Terra e que regem
as forças da natureza. Esses Orixás são cultuados diretamente pelos Cultos
Afro-Brasileiros e a Umbanda. No Culto Omolocô do Brasil são eles: Exú,
Nanã, Omulu, Ogum, Oxum, Xangô, Iansã, Oxossi, Iemanjá e Oxalá.
Seu caráter é de forças divinas e cósmicas, que nunca tiveram
encarnação na Terra, representantes de Deus (Obatalá) e regentes diretos das
forças imponderáveis da natureza.
Portanto, estão sobre seu comando imediato os Seres Elementais que
cuidam de todo o Ecossistema, são conhecidos também como espíritos da
natureza porque regem os elementos básicos: terra, água, ar e fogo e neles
habitam. Os espíritos da natureza ou seres elementais são em número infinito
e, embora habitem o mesmo planeta, têm uma evolução completamente
diferenciada da raça humana. Sendo assim jamais encarnarão na condição de
ser humano. Os corpos dos espíritos da natureza carecem de estrutura interna
por essa razão não podem ser molestados ou agredidos pelos agentes
externos. As suas formas são várias, podendo assumir à vontade qualquer
aparência.
(Tabela VIII)
OS SERES ELEMENTAIS

ELEMENTO SER ELEMENTAL


Água Ondinas
Terra Gnomos
Fogo Salamandras
Ar Fadas
Fundamentos – O Sacrifício de Animais nos Cultos
Afro-Brasileiros e na Umbanda

Indubitavelmente, os argumentos anteriormente descritos, seriam por si


próprios, a fundamentação necessária para finalizar este assunto. No entanto,
é necessário se colocar mais alguns pontos com intuito de proporcionar outros
esclarecimentos que fundamentem a nossa explicação.

1º Fundamento – Da Ancestralidade

Com certeza, o Sacrifício de Animais é um ritual herdado de forma


hereditária dos fundamentos dos Cultos praticados na África. O Candomblé
desenvolve esta prática e antes dele as inúmeras seitas e cultos africanos.
Infelizmente o ecletismo e pluralidade de doutrina dentro da Umbanda e
dos Cultos Afro-Brasileiros são inúmeras. Não existe codificação e as
ramificações são incontáveis. Do advento de Zélio de Moraes e muito antes
dele, da Umbanda Esotérica, OICD e outros, dos Candomblés de Caboclo, do
Culto Omolocô, da Pajelança, dos diversos Xangôs, do Batuque de Minas e
partindo para fora, em Cuba, somente para citar um exemplo, com suas
Santerias. Tudo está envolvido em um grande guarda-chuva chamado
Umbanda.
O que podemos retirar como sumo vital de tudo isto ? O que é comum a
todos ? Os Orixás, as entidades e a manifestação mediúnica. O resto se perde
num emaranhado de ritos e doutrinas que muda de terreiro para terreiro, de Pai
ou Mãe de Santo para Pai ou Mãe de Santo.
O importante nisso tudo é que o trabalho de entidades e Orixás estão
sendo realizados. Dentro de um grande plano divino, os objetivos gerais que
são: de permitir a cada grau conscencional sua evolução e a difusão da
assistência caritativa aos que buscam esperançosos os diversos templos, bem
como a difusão do perdão, do bem do amor etc., estão claro com muitas
restrições, caminhando.
O que eu quero dizer, com estas colocações é que por tudo isso
ninguém pode chegar com autoridade o suficiente para dizer: “Sacrifício de
animais é algo primitivo e não possui mais razão de ser”. Se as coisas
funcionassem desta forma a Umbanda hoje, estaria devidamente codificada e
plenamente definida, e esta miscelânea que vivenciamos teria perdido
totalmente o sentido.
Por isso, a ancestralidade deste rito é válida como fundamento.
Se considerarmos do ponto de vista bíblico, o sacrifício de animais é
algo que vem desde a história de Caim e Abel. Deus se agradou do sacrifício
de Abel que imolou em oferenda os primogênitos de seu rebanho e recusou a
oferta de Caim que tinha sido parte de sua colheita agrícola.
Já antes do Dilúvio, os animais eram mortos a fim de prover roupa ao
homem e para fins sacrificiais. (Gên 3:21; 4:4) Os animais são almas viventes
que não são humanas. (Núm 31:28)
Dentro de uma ótica cristã – judaica, o sangue era o principal elemento
catalisador de ofertas e oferendas a Deus. Havia apenas um uso do sangue
aprovado por Deus, a saber, para sacrifícios. Ele mandou que os que estavam
sob a Lei mosaica oferecessem sacrifícios de animais para expiar pecados. (Le
17:10, 11) Estava também em harmonia com a Sua vontade que Seu Filho,
Jesus Cristo, oferecesse sua perfeita vida humana em sacrifício pelos pecados
(He 10:5, 10).
A aplicação do sangue de Cristo, para salvar vidas, foi prefigurada de
diversas maneiras nas Escrituras Hebraicas. Por ocasião da primeira Páscoa,
no Egito, o sangue na parte superior das portas e nas ombreiras das casas
israelitas protegeu o primogênito lá dentro de ser morto pela mão do anjo de
Deus. (Êx 12:7, 22, 23; 1Co 5:7) O pacto da Lei, que tinha uma particularidade
típica para a remoção dos pecados, foi validado pelo sangue de animais. (Êx
24:5–8) Os numerosos sacrifícios de sangue, especialmente os oferecidos no
Dia da Expiação, eram para a típica expiação de pecados, apontando para a
verdadeira remoção dos pecados por meio do sacrifício de Cristo (Le 16:11, 15-
18).
O poder jurídico do sangue aos olhos de Deus, conforme aceito por ele
para fins de expiação, foi ilustrado pelo derramamento de sangue à base, ou
junto ao alicerce, do altar e de ser posto os chifres do animal imolado no altar.
O arranjo de expiação tinha como base, ou alicerce, o sangue, e o poder
(representado pelos chifres). (Le 9:9; He 9:22; 1Co 1:18).
Mas o sangue e o sacrifício de animais dentro do contexto bíblico, não
era somente ligado a expiação dos pecados, mas também significava
purificação.
O lugar de moradia de Jeová ou qualquer lugar em que ele more de
forma representativa é um lugar santificado ou santo, um santuário. O
tabernáculo no ermo e os templos mais tarde construídos por Salomão e por
Zorobadel (reconstruído e ampliado por Herodes, o Grande) eram chamados
de “miq dásh” ou qó dhesh, lugares “postos à parte” ou “santos”. Situados no
meio de um povo pecaminoso, estes lugares tinham de ser periodicamente
purificados (em sentido típico ou pictórico) do aviltamento, por meio da
aspersão de sangue de animais sacrificiais. (Le 16:16)
Nas festividades também, que sempre possuíam um caráter religioso, o
sacrifício de animais era largamente utilizado. Como na Festividade dos Pães
Não Fermentados ocorrida de 15 a 21 de abide (nisã) realizadas pelo Rei
Ezequias, depois de ele ter limpado o templo. celebração que naquela ocasião,
foi prolongada por mais sete dias. O relato diz que o próprio Ezequias contribui
para o sacrifício de 1.000 novilhos e 7.000 ovelhas, e que os príncipes
contribuíram com 1.000 novilhos e 10.000 ovelhas. (2Cr 30:21-24)
Na história bíblica as duas maiores alianças realizadas por Jeová uma
com Abraão e a outra com Moisés foram firmadas através de sacrifícios de
animais e sangue como elementos principais de confirmação.
No caso de Abraão visto que Sara continuava estéril, parecia que
Eliezer, o fiel mordomo doméstico, de Damasco, receberia a herança de
Abraão. Todavia, Jeová de novo assegurou a Abraão que sua própria prole
seria inumerável, como as estrelas do céu, e, assim, Abraão “depositou fé em
Jeová; e este passou a imputar-lhe isso como justiça. (Gên 15:1-6; Ro 4:9, 10)
Jeová concluiu então com Abraão um pacto formal, à base de sacrifícios de
animais, e, ao mesmo tempo, revelou que a descendência seria afligida por um
período de 400 anos, sendo até levada cativa em escravidão. (Gên 15:7-21).
O Pacto da Lei foi quando da transmissão da Tábuas, transmitida por
meio de anjos, pela mão de um mediador, Moisés, e que entrou em vigor com o
sacrifício de animais no Monte Sinai. (Gál 3:19; He 2:2; 9:16-20)
Naquela oportunidade, Moisés aspergiu sobre o altar a metade dos
sangue dos animais sacrificados, daí, leu o livro do pacto para o povo, que
concordou em ser obediente. Depois disso, ele aspergiu o sangue sobre o livro
e sobre o povo. (Êx 24:3-8).
E finalmente das dez pragas lançadas sobre o Egito duas envolveram o
sangue e o sacrifício de animais. Uma foi a transformação de todas as águas
em sangue e outra a, já relatada, da morte dos primogênitos. (Êx 7 a 13)
O Antigo Testamento está, portanto permeado de sacrifícios de animais
com derramamento de sangue. Sob a jurisdição cristã, a santidade do sangue
foi enfatizada com vigor ainda maior no Novo Testamento, com a imolação do
Cordeiro Divino Nosso Senhor Jesus Cristo que derramou o seu sangue para
lavar os pecados da face da Terra. Até nos dias atuais o vinho simbolicamente
significa o sangue de Jesus e é bebido e consagrado pelo Padre.
Partindo para as escolas iniciáticas dos grandes mistérios, vemos no
berço da cerimônias de iniciação, o Egito, os famosos Mistérios de Ísis. Papus
em seu livro “ABC do Ocultismo” revela toda a ritualística destes mistérios
iniciáticos, com riqueza de detalhes. Na descrição do Templo existe o destaque
para a OUSEKTH-KHA: A sala da elevação ou ofertório em que eram expostas
as oferendas vegetais e animais feitas ao templo.
Nessa sala, por meio da força vital dos animais sacrificados, os
sacerdotes preparavam as aparições e as evocações das salas de
mistério, localizadas no fundo do templo e construídas como grutas naturais.
Nos sacrifícios de animais, considerados atualmente como primitivo e
desnecessário estão séculos de ancestralidade e tradição.

2º Fundamento – Da Ética

A Ética está muito arraigada ao 5º Mandamento “Não Matarás”.


Mas como vimos, ao receber as Tábuas da Lei, Jeová confirmou com
Moisés um pacto a base de sacrifícios de animais, logo o sacrifício de animais
não estava incluso no âmbito deste quinto mandamento. Percebe-se, que este
sacrifício permitido esta ligado a práticas ritualísticas (ofertas, oferendas,
purificação, pactos, alianças, expiação, misericórdia, etc.) e mesmo iniciáticas.
(evocatória e invocatória).
E por que o quinto mandamento não inclui a matança de animais como
contrária a Lei de Deus ?
Um primeiro motivo é óbvio, a alimentação carnívora faz parte da
nutrição do ser humano desde que o mundo é mundo. O segundo motivo, já
largamente explicado nos argumentos é revisado agora dentro do contexto
bíblico. O Nephesh, que anima o reino animal e por todo Gênese, quando esta
palavra é citada, indica a Criação do Reino animal, sendo assim totalmente
diferenciado de Neshamah o fôlego de Deus nas narinas de Adão.
Ora, muitos neste momento deve estar estranhando as minhas diversas
comparações, citações bíblicas e digressões principalmente no tocante a
Gênese, Moisés e o Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés). A
questão é que Moisés como é sabido, era príncipe egípcio, iniciado nos
Mistérios de Ísis por Jehtro, seu sogro e sumo-sacerdote da Escolas Iniciáticas.
Portanto, conhecia Moisés todos os segredos e mistérios Mágicos e
Cabalísticos.
E como conhecedor destes mistérios, podia como o fez, transmitir para
o povo judeu a verdade só que sobre uma capa velada. Velada ou não as
verdades apreendidas por Moisés de fonte fidedigna pode não estar clara na
Bíblia, ter sido alterada, adulterada, manipulada, suprimida e muito mais, mas
estão ali. “Buscais a verdade e ela vos revelará a sua face”.
Logo, ao sacrificarmos animais, dentro de uma ritualística própria,
organizada e dirigida a um determinado fim, não estamos matando um ser vivo
com alma individualizada, um ser que possui um direcionamento kármico
definido e que a morte através do sacrifício esteja brutalmente sendo
interrompida.
O segredo dessa história está em que na morte do ser humano não
existe transformação da energia, já que somente o corpo material se
desagrega, o espírito não.
No caso dos animais o seu Nephesh retorna ao seu lócus original,
sendo absorvida pela Alma Grupo e devidamente transformado em experiência
e outros atributos em benefício da mesma.
Matar um ser humano sim, fere gravemente as Leis de Deus, pois
destrói ou interrompe todo um processo reencarnatório, arquitetado, planejado
pelos responsáveis dos processos kármicos, além de impedir um espírito de
continuar o seu processo evolutivo.

3º Fundamento – Da Magia

No sacrifício dos animais encontramos todas as Leis da Magia em ação.


Antes de mais nada, a mente e a dinâmica de pensamento são os
motores básicos do direcionamento magístico e este movimento provocado
pela emissão do pensamento produz energia que pode ser positiva ou negativa
conforme o direcionamento dado ao sacrifício. Estudemos a composição do
ritual mágico do sacrifício de animais, vulgarmente chamado de matança para
podemos compreender toda a sua amplitude.
Como membro do Culto Omolocô do Brasil apenas posso dissertar
sobre o que acontece dentro deste universo religioso. Embora exista diferenças
de ritual e direcionamento nos diversos cultos que praticam o sacrifício de
animais, a mecânica não muda muito.
A utilização dos sacrifícios de animais são apenas relacionados aos
Orixás e Exús e pelos os seguintes motivos: oferendas, obrigações com os
mesmos, evocação e invocação.
Em todas as situações existem a presença do emissor (Pai de Santo ou
Mãe de Santo), objetos físicos (alguidar, velas e demais elementos inerentes
aos Orixás ou Exús, os seus axés) e a presença ou não do consulente, filho(a)
de santo ou de pessoas que formam a corrente vibratória e ajudam no ritual.
Esquematicamente:
(Tabela IX)

Mecanismo do Sacrifício de Animais

serão projetados sobre


Pensamentos Objetos
e Desejos (Axés)
(projetores)
Emissor: Pai ou Mãe de
Santo + Consulente e são dinamizados e
participantes da
corrente de vibração excitam

Objetivo Éteres(*)
Visado Força dos
Orixás ou
AÇÃO ASTRO-ETÉRICAS Exús

Estes se transformam ou abalam


o plano astral e sua matéria. Esta
emite energias que são
transformadas em
Algumas Considerações

• O momento do derramamento do sangue dos animais sacrificados é


o instante mágico em que é feito o elo de ligação entre todas as
energias envolvidas (pensamentos, desejos e emoções de um lado;
com o poder de projeção dos objetos manipulados pelo magista;
mais a ação astro-etérica das entidades espirituais evocadas ou
invocadas no referido trabalho; bem como a força vital ou Nephesh
que se esvai com a morte do animal).
• O sangue jorrado funciona como catalizador explosivo, a ignição que
canaliza a poderosa corrente de energias etéricas, imprimindo
velocidade para que rapidamente se elimine o espaço, ou seja a
distância entre o emissor e o receptor.
• Mais do que isso, o sangue derramado potencializa nos objetos
manipulados quando neles aspergidos o efeito de transferência já
citado. Por isso, estes objetos somente podem ser removidos após
um determinado tempo.
• Esta potencialização também é transformada em magnetização ou
imantação deixando parte desta energia como fonte de recursos
talismânicos nos objetos usados no sacrifício.
• De forma nenhuma, embora muitos queiram dar este sentido, as
entidades envolvidas no processo se alimentam deste sangue, nem
tão pouco os participantes físicos. O intuito é apenas de caráter
energético. Isto pelo menos, no Culto Omolocô.
• Todo o ritual, seus apetrechos, cânticos, organização,
posicionamento, arrumação, utilização e colocação de cada coisa
em determinadas posições, bem como, o resguardo para o
desmanche da obrigação, o que comumente chamamos de levantar
o trabalho, visa exclusivamente a montagem e manutenção da
égregora magística e mística que se forma.
PALAVRAS FINAIS

A bem da verdade, quero deixar, bem claro, que acredito que chegará
época não muito distante que tanto o sacrifício de animais, como outras
práticas ditas ultrapassadas ou primitivas, deixem de existir. Quando este
tempo chegar elas serão substituídas por métodos mais avançados ou
evoluídos espiritualmente. No entanto, até que esta evolução aconteça o
sacrifício de animais ainda é um instrumento útil, válido para prática nos cultos
que a utilizam e poderoso nos seus elementos magísticos e ritualísticos.
Como disse no início a minha intenção ao escrever estas páginas não
foi de convencer ninguém e sim de contribuir para fundamentar e explicar com
base nos estudos mais avançados que possuímos o ritual, as vezes tão mal
compreendido e que vive na maioria das vezes sem explicação.
Não sei se alcancei os objetivos e satisfiz a contento a expectativa de
todos.
Mas com certeza eu sei que entreguei para quem vier a ler estes
escritos muita coisa para pensar.
Quaisquer dúvidas pela lista ou através do meu e-mail particular:
crqo@mcanet.com.br

Namastê

Caio de Omulu
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

• Umbanda A Proto-Síntese Cósmica – F. Rivas Neto


• Umbanda Essa Desconhecida – Roger Feraudy
• O Código de Umbanda – Rubens Saraceni
• Serões do Pai Velho – Babajinanda
• Magia de Redenção – Ramatis
• Fundamentos de Teosofia – C. Jinarajadasa
• Glossário Teosófico – Helena P. Blavatsky
• Orixás – Pierre Fatumbi Verger
• ABC do Ocultismo – Papus
• Manual Rosacruz – H. Spencer Lewis
• Anatomia Esotérica – Douglas Baker
• Estudo Perspicaz das Escrituras – Sociedade de Torre de Vigia
de Bíblias e Tratados
• Catecismo da Igreja Católica – Concílio Ecumênico Vaticano II
• Bíblia Sagrada – Edição Pastoral