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Ponto dos Concursos

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AULA 9 (FINAL!!!) – BENS PÚBLICOS e SERVIÇOS PÚBLICOS

Olá pessoal, tudo bem? Última aula de nosso curso! Quem diria, passasse
tão rápido! Impressionante, quanto mais nosso tempo está “cheio”, ocupado,
mais parece ser (estar) escasso...Mas, normal. Vida de concursando é assim
mesmo. A velha impressão que todos (inclusive) nós, Sandro e Cyonil, temos:
NÃO VAI DAR TEMPO! É IMPOSSÍVEL ‘FECHAR’ O EDITAL!
Todavia, memorizem que o tempo tem a mesma unidade de medida para
todos. Então, nessa reta final, é bom saber usá-lo com maestria. O tempo, que
tudo cura, tudo desvenda, deve ser tratado como amigo. Não adianta querer
“brigar” com o tempo, reclamando o fato de sê-lo curto, não-suficiente para tudo
etc.
No lugar de reclamar, façamos render o tempo, indo, por exemplo, direto
ao assunto da aula de hoje, o qual foi tão exigido na prova de analista do TCU do
ano passado: BENS PÚBLICOS e SERVIÇOS PÚBLICOS. Realmente, o examinador
exagerou no ano passado, sobretudo com relação a bens públicos: quatro
questões!
Você deve ter pensado: QUATRO É MUITO? Claro! 2% do total da prova!
MUITÍSSIMO! Então, atentos ao assunto, ‘ataquemos’, com afinco, o mesmo.
VAMBORA! Tá chegando a hora!

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QUESTÕES ORGANIZADAS

BENS PÚBLICOS

1) (2007/TCU/Analista) Domínio público é um conceito mais extenso
que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao
poder público.

2) (2007/PGE-PA/ADVOGADO) Bens públicos dominiais são aqueles
afetados ao serviço público.

3) (2004/TCU/Analista) Os bens dominiais ou do patrimônio disponível
podem ser afetados a uma utilidade pública, por ato administrativo ou
por lei.

4) (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens das empresas públicas e sociedades de
economia mista, bem como os bens de particulares que prestam
serviços públicos, ainda que afetados, são penhoráveis.

5) (2007/TRT-5/JUIZ) Por serem inalienáveis a priori, os bens públicos
não se sujeitam à penhora e, portanto, a administração submete-se à
disciplina de precatórios para o pagamento das suas obrigações.

6) (2005/SERPRO/Analista) Os bens dominiais, ao contrário dos bens de
uso especial e de uso comum, podem ser adquiridos por usucapião.

7) (2004/CESPE/TCU/Analista) Segundo entendimento jurisprudencial,
a imprescritibilidade é qualidade apenas dos bens de uso comum do
povo e dos bens de uso especial.

8) (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens públicos, por constituírem res
extracomercium, não são suscetíveis à prescrição aquisitiva.

9) (2007/TCU/Analista) São bens públicos tanto as águas correntes,
como os rios e riachos, quanto as dormentes, como as lagoas e os
reservatórios construídos pelo poder público. As lagoas que não sejam
alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas
por um só prédio particular, permanecem no domínio público.
10) (2007/TCU/Analista) A utilização da linha de jundu como critério
para demarcar os terrenos de marinha é uma prática que atende à
legalidade estrita no processo de gestão dos bens públicos.

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SERVIÇOS PÚBLICOS
No Brasil, segundo entendimento doutrinário dominante, a atividade em si
não permite decidirmos se um serviço é ou não público, uma vez que há
atividades essenciais, como a educação, que são exploradas por particulares sem
regime de delegação, e há serviços totalmente dispensáveis, a exemplo das
loterias, que são prestados pelo Estado como serviço público.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo. Direito administrativo. 13.ª ed. Rio de
Janeiro: Impetus, 2007 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens que seguem,
acerca dos serviços públicos.
11) (2007/TCU/Analista) A Constituição Federal não traz expresso,
em seu texto, o conceito de serviço público, nem tampouco as leis o
fazem, no Brasil. Assim, a conceituação do serviço público deve ser
buscada na doutrina.

12) (2008/FUB – Cargo 22) Serviço público é a prestação que a
administração efetua de forma direta ou indireta para satisfazer uma
necessidade de interesse geral.

13) (2007/TCU/Analista) Segundo a corrente doutrinária conhecida
como essencialista, não é possível identificar um núcleo relativo à
natureza da atividade que leve à classificação de uma atividade como
serviço público.

14) (2007/TCU/Analista) O DF deve prestar os serviços públicos
previstos como de competência dos estados e dos municípios,
cumulativamente.

15) (2005/TRF-5/Juiz Federal) Os serviços públicos podem ser
privativos, quando atribuídos a pessoas jurídicas de uma das esferas
da Federação, ou comuns, quando prestados por pessoas jurídicas de
mais de uma esfera federativa, sendo que, nesse caso particular, a
regulamentação do serviço público cabe exclusivamente à esfera
federativa de nível mais elevado.


(2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) José, residente em Palmas – TO, não
pagou a fatura de energia elétrica de sua residência relativamente ao mês de
abril de 2007. Nessa mesma conta, foi cobrada a contribuição de iluminação
pública. Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
16) O serviço de fornecimento de energia elétrica a José se
caracteriza como impróprio e individual.

17) (2004/PF/Delegado-Regional) Os serviços de utilidade pública
têm característica de essencialidade e necessidade para os membros
da coletividade, sendo prestados de forma direta, pela administração
pública, ou indireta, por meio de concessionários, permissionários ou
autorizatários.

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18) (2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) A Conforme entendimento
do STJ, a concessionária não pode suspender o fornecimento de
energia elétrica, em face do princípio da continuidade do serviço
público.

19) (2007/ANVISA/TÉCNICO) A prestação de serviço de saúde por
particulares depende de delegação do poder público, podendo ocorrer
tanto em regime administrativo de autorização como de permissão.

20) (2008/CESPE/MPOG/Analista de Infraestrutura) Nos contratos
de concessão de serviço público, diversamente do que ocorre nos
contratos de permissão de serviço público, a administração pública
não pode alterar unilateralmente cláusulas contratuais.

21) (2007/TRF-5ª/JUIZ) A permissão de serviço público para
exploração de serviço de transporte intermunicipal é negócio jurídico
unilateral e, portanto, não se sujeita ao princípio determinador do
respeito ao equilíbrio financeiro do contrato.

22) (2008/DFTRANS – Cargo 7) Mesmo sendo uma delegação a título
precário, a rescisão de uma permissão de transporte coletivo está
sujeita às regras estabelecidas pela Lei das Concessões de Serviços
Públicos.

( 2007/ CESPE/ TJ - TO/ J UI Z/ com adaptações) J osé, residente em Palmas
– TO, não pagou a fatura de energia elétrica de sua residência
relativamente ao mês de abril de 2007. Nessa mesma conta, foi cobrada
a contribuição de iluminação pública. Diante dessa situação hipotética,
j ulgue os itens a seguir.

23) (2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) Não se exige que José seja
notificado da ausência de pagamento para que haja o corte de energia
elétrica.

(2007/CESP/PMVITÓRIA/AUDITOR) Em determinada cidade nordestina,
certa concessionária presta serviço público de esgoto. Contudo, o poder público
local permite o uso de fossas nas residências, desde que atendam a requisitos
preestabelecidos pelo município. Tendo como referência inicial a situação
hipotética apresentada, julgue os itens seguintes à luz das normas de direito
financeiro.
24) Na hipótese, a remuneração do serviço público de esgoto dá-se
por taxa.

25) (2007/CESPE/TCU/Analista) São exemplos de atos
administrativos relacionados com a vida funcional de servidores
públicos a nomeação e a exoneração. Já os atos praticados pelos

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concessionários e permissionários do serviço público não podem ser
alçados à categoria de atos administrativos.

26) (2007/TCU/Analista) No exercício da fiscalização e do controle
dos serviços públicos prestados por concessionários e
permissionários, a administração pública terá acesso aos dados
relativos a administração, contabilidade, recursos técnicos,
econômicos e financeiros das permissionárias e concessionárias.

27) (2007/PGE-PA/TÉCNICO) As situações em que é inexigível a
licitação incluem a contratação de fornecimento ou suprimento de
energia elétrica e gás natural com concessionário, permissionário ou
autorizado, segundo as normas da legislação específica.

28) (2008/TST/TÉC. ADM) Considere que o TST tenha realizado
licitação para selecionar uma empresa para realizar, nas dependências
do Tribunal, serviço de fotocópias oferecido para os jurisdicionados.
Nessa situação, a administração deve celebrar contrato de concessão
de serviço público com a empresa selecionada no referido
procedimento licitatório.

29) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) A lei referida no
texto (Lei da Parceria Público-Privada – Lei 11.079/2004) contém
dispositivos aplicáveis aos órgãos da administração pública direta, aos
fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas
públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, pelos estados, pelo
DF e pelos municípios.

30) (2007/TCU/AUDITOR) Todas as etapas do processo de licitação e
contratação da PPP referida estão sujeitas ao controle do TCU,
exercido em auxílio ao Congresso Nacional, que é o titular do controle
externo. O contrato da PPP em questão deve envolver, adicionalmente
à tarifa cobrada dos usuários, contraprestação pecuniária do parceiro
público ao parceiro privado, não podendo ter prazo de vigência
inferior a 5 anos nem superior a 35 anos, incluindo eventual

31) (2007/TJ-TO/JUIZ) Uma das diferenças entre a parceria público-
privada e a concessão de serviço público refere-se à forma de
remuneração, já que naquela haverá necessariamente
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.

32) (2007/TJ-TO/JUIZ) A sociedade de propósito específico, que
poderá assumir a forma de companhia aberta, deverá obedecer a
padrões de governança corporativa e adotar contabilidade e
demonstrações financeiras padronizadas, conforme regulamento,
ficando vedado à administração pública ser titular da maioria do seu
capital votante, salvo aquisição por instituição financeira controlada

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pelo poder público em caso de inadimplemento de contratos de
financiamento.

33) (2007/TJ-TO/JUIZ) A contratação de parceria público-privada
será precedida de licitação na modalidade de concorrência.

34) (2007/TJ-TO/JUIZ) A contraprestação da administração pública,
se prevista em contrato, poderá prever o pagamento de remuneração
variável, vinculada ao seu desempenho, conforme metas e padrões de
qualidade e disponibilidade definidos no contrato.

35) (2007/TJ-TO/JUIZ) Concessão patrocinada é o contrato de
prestação de serviços no qual a administração pública é usuária direta
ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e
instalação de bens.

(2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações)
No Brasil, as parcerias público-privadas possuem características peculiares. Em
consonância com o disposto no art. 2.º da Lei n.º 11.079/2004, a parceria
público-privada é um contrato administrativo de concessão, nas modalidades
patrocinada ou administrativa. Diz-se que uma concessão de serviços públicos é
patrocinada quando envolve, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários, uma
contraprestação pecuniária do parceiro público ao privado. Já a concessão
administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a administração seja
a usuária direta ou indireta, ainda que envolva a execução de obra ou o
fornecimento e instalação de bens.
Benjamin Zymler e Guilherme de la Rocque Ameida. O controle externo das
concessões de serviços públicos e das parcerias público-privadas. Belo Horizonte:
Fórum, 2005, p. 251-2 (com adaptações).
Considerando o tema do texto acima, julgue os itens a seguir.
36) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) A lei mencionada
no texto proíbe expressamente a celebração de contrato de parceria
público-privada que tenha como objeto único o fornecimento de mão-
de-obra, o fornecimento e a instalação de equipamentos ou a
execução de obra pública.

37) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) De acordo com a lei
mencionada no texto (Lei da Parceria Público-Privada – Lei
11.079/2004), não constitui parceria público-privada a concessão de
serviços públicos ou de obras públicas quando não envolver
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.

Em 2006, uma autarquia federal publicou um edital de concorrência com objetivo
de, por meio de uma parceria público privada (PPP), efetuar a celebração de um
contrato administrativo de concessão na modalidade patrocinada, cujo objeto era
a construção e posterior exploração, mediante pedágio, de um trecho de rodovia
federal. Determinada pessoa jurídica representou ao TCU, apontando

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irregularidades no referido edital e solicitando a adoção de medida cautelar para
a suspensão da concorrência.
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes.

38) (2007/TCU/AUDITOR) Consoante disposição expressa da
Constituição Federal, a União, os estados, o Distrito Federal (DF) e os
municípios devem disciplinar, por meio de lei, os consórcios públicos e
os convênios de cooperação entre os entes federados, podendo
autorizar a gestão associada de serviços públicos, bem como a
transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens
essenciais à continuidade dos serviços transferidos.

39) (2007/TCM-GO/AUDITOR – com adaptações) Em 2006, três
municípios vizinhos, situados no estado de Goiás, constituíram, na
forma estabelecida na legislação civil, um consórcio público para a
realização de objetivos e interesses comuns e para a prestação de
serviços na área de saúde. Por disposição expressa da lei federal que
dispõe sobrenormas gerais de contratação de consórcios públicos, o
mencionado consórcio integra a administração indireta dos três
municípios consorciados.

40) (2007/PGE-PA/TÉCNICO) É nula a cláusula do contrato de
consórcio que preveja a doação, destinação ou cessão do uso de bens
móveis ou imóveis e as transferências ou cessões de direitos operadas
por força de gestão associada de serviços públicos.

41) (2007/TJ-TO/JUIZ) Os consórcios são acordos firmados por
entidades públicas de qualquer espécie, ou entre estas e organizações
particulares, para a realização de objetivos de interesse comum dos
partícipes.


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GABARITO ORGANIZADO
1 – Gabarito: CERTO 2 – Gabarito: ERRADO
3 – Gabarito: CERTO 4 – Gabarito: ERRADO
5 – Gabarito: CERTO 6 – Gabarito: ERRADO
7 – Gabarito: ERRADO 8 – Gabarito: CERTO
9 – Gabarito: ERRADO 10 – Gabarito: ERRADO
11 – Gabarito: CERTO 12 – Gabarito: CERTO
13 – Gabarito: ERRADO 14 – Gabarito: ERRADO
15 – Gabarito: ERRADO 16 – Gabarito: CERTO
17 – Gabarito: ERRADO 18 – Gabarito: ERRADO
19 – Gabarito: ERRADO 20 e 21 – Gabarito: ERRADOS
22 – Gabarito: CERTO 23 – Gabarito: ERRADO
24 – Gabarito: ERRADO 25 – Gabarito: ERRADO
26 – Gabarito: CERTO 27 – Gabarito: ERRADO
28 – Gabarito: ERRADO 29 – Gabarito: CERTO
30 – Gabarito: CERTO 31 – Gabarito: CERTO
32 – Gabarito: CERTO 33 – Gabarito: CERTO
34 – Gabarito: CERTO 35 – Gabarito: ERRADO
36 – Gabarito: CERTO 37 – Gabarito: CERTO
38 – Gabarito: CERTO 39 – Gabarito: ERRADO
40 – Gabarito: ERRADO 41 – Gabarito: ERRADO

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QUESTÕES COMENTADAS

BENS PÚBLICOS
1) (2007/TCU/Analista) Domínio público é um conceito mais extenso
que o de propriedade, pois ele inclui bens que não pertencem ao
poder público.
Tema: BENS PÚBLICOS
Comentários:
Boa questão da última prova de analista para abrirmos este trecho da aula.
Como já sabemos, tratando-se da ilustre Banca CESPE, nem sempre o
simples conhecimento literal das Leis, da Constituição, é suficiente para
resolvermos questões de prova. Dessa forma, resgatemos, como de costume,
alguns conceitos doutrinários úteis na análise da presente questão, tais como: o
que é domínio público? O que são bens públicos?
A expressão domínio público quer significar o poder, a prerrogativa, que
detém o Estado de controlar, de proteger, de zelar, de regulamentar todos os
tipos de bens públicos. Mas essa conclusão é óbvia, pensa o concursando!
Calma: não é tão fácil quanto pode parecer...
Existem bens públicos, como o ar, os mares, que são indisponíveis por
natureza, ou seja, não estão, em termos jurídicos, relacionados ao conceito de
propriedade, de domínio público. Então que domínio é esse? É domínio
eminente, decorrente soberania nacional, poder político pelo qual submete à sua
vontade todas as coisas situadas no território (bens públicos, privados, e os
bens não sujeitos à propriedade). Em outros termos, o Estado não é proprietário
de todos os bens dentro de determinado território delimitado.
Relativamente ao conceito de bens públicos, encontramos algumas
divergências doutrinárias, razão pela qual serão reproduzidas a noção legal e a
doutrinária prevalente para efeito de CESPE.
Em termos legais, o Código Civil de 2002, em seu art. 99, assim triparte
os bens públicos:
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas,
ruas e praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados
a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual,
territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas
jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real,
de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se
dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
Quanto ao conceito doutrinário, os bens públicos podem ser
conceituados como todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas; imóveis,
móveis ou semoventes (leia-se: dotados de movimentos próprios); créditos,
direitos e ações, que pertençam às entidades estatais, autarquias,
fundações e empresas governamentais (leia-se: sociedades de economia

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mista e empresas públicas).
Mas vamos atacar a classificação que, realmente, importa à resolução do
item: bens indisponíveis; bens patrimoniais indisponíveis; e bens patrimoniais
disponíveis.
Os bens indisponíveis caracterizam-se pela impossibilidade de serem
alienados ou onerados. São os bens de uso comum do povo, coisas fora do
comércio de Direito Privado (extracomércio), incluindo mares e rios, por
exemplo, pelo fato de não serem dotados de valor patrimonial. Destacamos,
por relevante para nosso concurso, que, em face disso, não estão sequer
sujeitos ao lançamento no Balanço Patrimonial das Entidades Públicas,
por não serem “mensuráveis” economicamente, em sentido estrito. Quanto vale
um rio? Difícil dizer, não é? Assim, tal como afirma o examinador, a expressão
domínio público vai além (muito, aliás) do conceito de propriedade, por indicar
bens que não pertençam, efetivamente, ao Poder Público, mas sim ao povo, à
nação brasileira, em sentido amplo.
Já os bens patrimoniais indisponíveis, apesar de possuírem caráter
patrimonial (suscetíveis de avaliação pecuniária), e serem utilizados por
terceiros, encontram-se fora do comércio, pelo menos enquanto conservarem
sua qualificação. Os bens de uso especial se encaixam nesta classificação, tais
como os prédios onde se situam as Secretarias de Governo ou mesmo o próprio
prédio da Sede do TCU em Brasília.
Por fim, os bens patrimoniais disponíveis. São os bens que se
enquadram no domínio privado do Estado, enfim, aqueles regulados pelo
direito comum, no sentido de serem suscetíveis de alienação (doação, permuta,
compra e venda etc.). Porém, como alertamos na aula de Licitações, a alienação
de tal categoria de bens deve observância a determinados requisitos prévios:
avaliação, autorização legislativa, presença de interesse público, e, como
não poderia deixar de ser, licitação (em regra).

1 – Gabarito: CERTO

2) (2007/PGE-PA/ADVOGADO) Bens públicos dominiais são aqueles
afetados ao serviço público.
Tema: BENS PÚBLICOS – DOMÍNIO PÚBLICO
Comentários:
Bom, na questão anterior já começamos a tratar das classificações dos
bens públicos. Nesse quesito, vamos reforçar os entendimentos quanto ao
assunto, com o acréscimo dos conceitos de afetação (consagração) e
desafetação (desconsagração) de bens públicos.
Já vimos o conceito LEGAL de bens públicos dominiais (ou dominicais, como
prefere o Código Civil) na questão anterior. Porém, para ficar mais fácil, podemos
entender os bens dominiais como aqueles sem qualquer destinação pública
específica, ou seja, bens que integram o patrimônio fiscal do Estado,
domínio privado do Estado, e que podem ser alienados, desde que se
cumpram os requisitos legais para tanto (já falamos sobre o assunto “alienação
de bens” na aula de licitações).
Bom, um bem público sem destinação pública específica é dito
DESAFETADO, enfim, sem destinação que atenda interesses públicos específicos.

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No quesito proposto pelo CESPE, há menção ao fato de estarem AFETADOS, o
que torna a questão ERRADA.
Sinteticamente, podemos afirmar que a afetação decorre de fato ou
pronunciamento do Estado atribuindo a determinado patrimônio uma finalidade
pública específica. Já a desafetação é fato ou manifestação de vontade do Poder
Público mediante o qual o bem do domínio público é subtraído do domínio público
para ser incorporado ao domínio privado, do Estado ou do administrado.
Exatamente por isso é que um bem público para ser alienado precisa ser
preliminarmente DESAFETADO.
Outros detalhes quanto a esses institutos serão vistos mais à frente.

2 – Gabarito: ERRADO

3) (2004/TCU/Analista) Os bens dominiais ou do patrimônio disponível
podem ser afetados a uma utilidade pública, por ato administrativo ou
por lei.
Tema: Bens Públicos – afetação
Comentários:
Como vimos na questão anterior, os bens dominiais são os bens públicos
não ligados a qualquer finalidade de interesse público específico. Os
doutrinadores apontam que, por intermédio da afetação, os bens públicos
dominicais podem passar ter destinação pública, e, assim, classificando-se,
conforme o caso, em bens de uso especial (p. ex: terreno baldio afetado para a
construção de um Aeroporto) ou em bens de uso comum do povo (p. ex: terra
devoluta – sem serventia específica – transformada em Pracinha).
A questão apresentado pelo CESPE é direta. Exige-se do candidato o
conhecimento de como se consagrar (afetar-se) um bem público dominial: será
mediante Lei, apenas? Ou simples ato administrativo, apenas? Ou
ambos? Bom, nenhuma das respostas estaria inteiramente correta, o que, claro,
não torna o item errado.
Os bens públicos podem ser afetados por LEI, ATO ADMINISTRATIVO, ou,
ainda, um FATO ADMINISTRATIVO. A primeira é de fácil visualização: lei que
converte terra devoluta (dominial) em terreno de preservação ambiental (uso
especial). A segunda é a procedida por meio de ato administrativo, por exemplo:
Decreto do Prefeito que determina a instalação em prédio desativado (dominial)
de creche municipal (uso especial). Por fim, o fato administrativo, o qual pode ou
não decorrer de um ato de vontade do Estado, por exemplo: construção (ato
material ou fato administrativo) em terras devolutas de edifícios ou de
logradouros públicos.

3 – Gabarito: CERTO

4) (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens das empresas públicas e sociedades de
economia mista, bem como os bens de particulares que prestam
serviços públicos, ainda que afetados, são penhoráveis.
Tema: Bens Públicos– CARACTERÍSTICAS –IMPENHORABILIDADE
Comentários:

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Vamos aproveitar do item para passearmos pelas características dos bens
públicos: impenhorabilidade; imprescritibilidade; alienação condicionada; e não-
oneração.
Impenhorabilidade quer significar que os bens públicos não podem ser
penhorados, sendo suficiente essa informação para enterrarmos o quesito
proposto.
Bom, se os bens públicos são impenhoráveis, então como a
Administração paga suas dívidas, caso esteja inadimplente?
De acordo com o art. 100 da CF/1988, as dívidas da Fazenda Pública serão
pagas mediante precatórios, REGRA GERAL (exceção: débitos de pequeno
valor – dispensam inscrição em precatórios). Vale informar, processo especial de
execução de natureza eminentemente protetora do patrimônio público.
O Código de Processo Civil, ao tratar do assunto, revela (artigos 730 e
731):
Art. 730. Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública,
citar-se-á a devedora para opor embargos em 10 (dez) dias; se
esta não os opuser, no prazo legal, observar-se-ão as seguintes
regras:
I - o juiz requisitará o pagamento por intermédio do presidente do
tribunal competente;
II - far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório
e à conta do respectivo crédito.
Art. 731. Se o credor for preterido no seu direito de preferência, o
presidente do tribunal, que expediu a ordem, poderá, depois de
ouvido o chefe do Ministério Público, ordenar o seqüestro da
quantia necessária para satisfazer o débito.

Um detalhe pouco percebido entre amigos concursandos: apesar de
impenhoráveis, seria possível o seqüestro de bens públicos? A resposta é
positiva! Vejamos o que dispõe o §2º do art. 100, por exemplo:
§2º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão
consignados diretamente ao Poder Judiciário, cabendo ao Presidente
do Tribunal que proferir a decisão exeqüenda determinar o
pagamento segundo as possibilidades do depósito, e autorizar, a
requerimento do credor, e exclusivamente para o caso de
preterimento de seu direito de precedência, o seqüestro da
quantia necessária à satisfação do débito.
Outra característica é a IMPRESCRITIBILIDADE (a palavra prescrição
quer dizer decurso de prazo). Pergunta, “pela ordem”: seriam os bens públicos
suscetíveis de aquisição em razão do decurso do prazo? Em outros termos,
estariam os bens públicos sujeitos à usucapião? A resposta é um sonoro NÃO.
Dispõe o art. 102 do Código Civil: “os bens públicos não estão sujeitos à
usucapião”, ou seja, não há como cogitar de prescrição aquisitiva em desfavor do
patrimônio público.
Assim, nem mesmo os bens públicos dominicais, bens alienáveis, são
passíveis de USUCAPIÃO, como informa o STF (Súmula 340):
Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os
demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.

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Informação de utilidade concursística: embora os bens públicos não
sejam suscetíveis de usucapião, a exemplo do que acontece com os bens
privados em zona urbana (art. 183 da CF/1988), o Estatuto da Cidade (Lei nº
10.257/2001) institui a denomina concessão de uso especial para fins de
moradia, desde que o possuidor atenda determinados pressupostos até 30 de
junho de 2001:
a) posse, ininterrupta e pacífica, por cinco anos;
b) imóvel urbano público (não funcional, enfim, que não seja de uso
especial), com área de até 250 m
2
;
c) uso do terreno para fins de moradia do possuidor ou de sua
família;
d) não ter o possuidor a propriedade de outro imóvel urbano ou
rural.
Salientamos que a concessão de uso especial para fins de moradia é ATO
ADMINISTRATIVO (e não contrato), além disso, vinculado (e não
discricionário), quer dizer, preenchidos os requisitos acima, o Poder Público
não tem escolha em conceder ou não conceder.
Já a característica da NÃO-ONERAÇÃO quer dizer que os bens
públicos não podem ser gravados com direitos reais DE GARANTIA. Para fins
de Direito Administrativo, suficiente, a nosso ver, guardar que não podem ser
onerados com penhor, hipoteca, e anticrese.
Por fim, a ALIENABILIDADE CONDICIONADA. Como vimos, os bens
públicos de uso comum e de uso especial são inalienáveis, porém, só enquanto
mantiverem essa qualificação, isto é, enquanto estiverem afetados à
destinação pública são inalienáveis. Logo, a partir da desafetação, os bens
poderão ser alienados, observadas, em todo caso, as condições previstas na Lei
de Licitações (art. 17).
Uma última informação: existem bens públicos absolutamente
inalienáveis, como o ar atmosférico e as praias etc.

4 – Gabarito: ERRADO

5) (2007/TRT-5/JUIZ) Por serem inalienáveis a priori, os bens públicos
não se sujeitam à penhora e, portanto, a administração submete-se à
disciplina de precatórios para o pagamento das suas obrigações.
Tema: Bens Públicos – características
Comentários:
A questão serve-nos a título reforço.
Não vamos aqui explorar o assunto dos precatórios por se referir ao
conteúdo do Direito Constitucional. Agora, atendo-nos ao Direito Administrativo,
percebemos na questão anterior que os bens públicos são impenhoráveis,
contando a Fazenda Pública com um procedimento especialíssimo para
pagamento de seus débitos, o sistema dos precatórios (o mais célere
sistema de pagamentos!).
Demais disso, ao estudarmos as características dos bens públicos, foi
registrado que bens públicos são inalienáveis “a priori”, isto é, enquanto
conservarem sua qualificação (bens de uso comum e especial) ou atendidas as
exigências da Lei (bens dominiais).

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5 – Gabarito: CERTO

6) (2005/SERPRO/Analista) Os bens dominiais, ao contrário dos bens de
uso especial e de uso comum, podem ser adquiridos por usucapião.
Tema: Bens Públicos - características
Comentários:
As questões do CESPE, pelo menos em se tratando da parte de bens
públicos, não têm oferecido grandes dificuldades, o que, sobremaneira, não
diminui nossa preocupação, afinal, temos o dever de acertar a questão fácil,
e até podemos ter a prerrogativa de errar ou de deixar em branco uma
questão de alta complexidade. Além disso, ano passado, na prova de analista
do TCU caíram quatro questões de bens públicos!
Aqui destacamos mais um item de reforço. Como já destacado, o STF, em
Súmula, informa-nos: “desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais,
como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”.
A observação continua válida neste item, que, claro está ERRADO, dado
que bens públicos, de qualquer natureza, são imprescritíveis (não podem ser
adquiridos por usucapião).

6 – Gabarito: ERRADO

7) (2004/CESPE/TCU/Analista) Segundo entendimento jurisprudencial,
a imprescritibilidade é qualidade apenas dos bens de uso comum do
povo e dos bens de uso especial.
Tema: Bens Públicos - características
Comentários:
Caso caia uma questão como essa na prova do TCU, é só matar no peito e
fazer o gol. O estilo é sempre o mesmo. Vimos que todos os bens públicos,
inclusive os dominicais (terras devolutas e terrenos de marinha, por exemplo),
não são suscetíveis de prescrição aquisitiva – USUCAPIÃO.
Esse raciocínio pode ser extraído, facilmente, do próprio Texto
Constitucional (art. 183, §3º e art. 191, parágrafo único): “Os imóveis públicos
não serão adquiridos por usucapião”.

7 – Gabarito: ERRADO

8) (2007/TRT-5/JUIZ) Os bens públicos, por constituírem res
extracomercium, não são suscetíveis à prescrição aquisitiva.
Tema: Bens Públicos - características
Comentários:
De fato, os bens públicos constituem em essência res extracomercium (fora
do comércio), afinal, contra eles não pode correr prescrição aquisitiva. Cabe
aqui informação histórica: as Constituições Federais (de 1937 – art. 148, e
1946) permitiam a usucapião através do chamado usucapião pro labore:
Art. 148 - Todo brasileiro que, não sendo proprietário rural ou
urbano, ocupar, por dez anos contínuos, sem oposição nem
reconhecimento de domínio alheio, um trecho de terra até dez

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hectares, tornando-o produtivo com o seu trabalho e tendo nele a
sua morada, adquirirá o domínio, mediante sentença declaratória
devidamente transcrita.
Todavia, como já se disse, a Constituição em vigor proíbe expressamente a
usucapião (art. 183, §3º, e 191, parágrafo único). Redação reproduzida,
inclusive, no art. 102 do CC/2002.
Por derradeiro, pedimos ao amigo concursando que não confunda res
extracomercium com res nullius, este último conceito é vulgarmente conhecido
como “terra de ninguém”, por exemplo, as águas de uso comum que separam os
continentes, em que nenhuma Nação exerce direito de soberania.

8 – Gabarito: CERTO

9) (2007/TCU/Analista) São bens públicos tanto as águas correntes,
como os rios e riachos, quanto as dormentes, como as lagoas e os
reservatórios construídos pelo poder público. As lagoas que não sejam
alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas
por um só prédio particular, permanecem no domínio público.
Tema: BENS PÚBLICOS – DOMÍNIO PÚBLICO
Comentários:
Questão moleza, quando você analisa a parte final: lagoas que não sejam
alimentadas por correntes públicas, ainda que situadas ou cercadas por um só
prédio particular...
Alguém constrói uma enooooorme piscina dentro de um terreno da
propriedade dele. Então, a piscinha passa a ser do domínio público? Obviamente,
não.
Imagina o contrário disso: os amigos passam no TCU, juntam um
dinheirinho razoável (a remuneração por aqui é boa...) e constroem uma piscina
em suas respectivas casas. Domingo, então, aparece um monte de gente, porque
a piscina passou a ser um “bem público”...
É, o examinador é uma “fanfarrão”, de vez em quando! Rsrs...

9 – Gabarito: ERRADO

10) (2007/TCU/Analista) A utilização da linha de jundu como critério
para demarcar os terrenos de marinha é uma prática que atende à
legalidade estrita no processo de gestão dos bens públicos.
Tema: BENS PÚBLICOS – DOMÍNIO PÚBLICO
Comentários:
Essa questão já pode ser considerada “clássica”, em provas do TCU. Com
toda sinceridade, não abordamos o tema “linha de jundu” no curso ‘on line’ do
ano passado, ou mesmo nas aulas presenciais que proferimos, por uma razão
simples: é impossível dar TODO o conteúdo de TODO o edital, com os
detalhes que, eventualmente, o examinador pode cobrar. Mas este foi o único
item que não demos ano passado... E há sempre a possibilidade de, caso seja
necessário, deixar em branco em prova do CESPE, para evitar a perda de pontos
à toa.
Mas vamos às explicações do item.

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Terrenos de marinha são os banhados pelas águas do mar ou dos rios
navegáveis. Alcançam até a distância de 33 metros, para a parte da terra,
contadas da linha de preamar (maré alta) média de 1831, conforme estabelece o
do Código de Águas. Esse, então, nosso critério legal: utilizar a linha de preamar
média do ano de 1831, “medir” 33 metros, pronto, esses são os terrenos de
marinha.
Efetivamente, não se tem dado cumprimento de maneira estrita ao
dispositivo. Primeiro, em razão da dificuldade de implementá-lo. Segundo, por se
tratar de um ano longínquo para determinação de terrenos de marinha (1831).
Existem vários estudos indicando que boa parte dos considerados terrenos
de marinha já estão encobertos pelas águas do mar. Então como os vários
órgãos administrativos e até mesmo judiciais devem proceder para
determinar o que é um terreno de marinha?
Usam a famosa linha de jundu (é aquele matinho rasteiro depois da praia),
o que não atende evidentemente, de maneira estrita, o princípio da legalidade,
dado que esse seria atendido caso lançássemos mão do critério da linha de
preamar média de 1831...
Quanto à titularidade dos terrenos de marinha, cabe deixar de lado a
controvérsia existente com relação à qual pessoa jurídica pertencem. Hoje, a
Constituição os inclui entre os bens da União (art. 20, VII) e pronto.
Por fim, cumpre registrar que os terrenos de marinha têm a natureza de
bens dominicais, podendo ser utilizados pelo Poder Público para obtenção de
renda. Assim, a utilização do terreno de marinha por particular se faz sob regime
de aforamento ou enfiteuse, pelo qual fica a União com o domínio direto e
transfere ao enfiteuta o domínio útil, mediante pagamento de importância anual,
denominada foro ou pensão ou cânon (lembramos, por oportuno, que as
enfiteuses foram extintas a partir do novo Código Civil).

10 – Gabarito: ERRADO

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SERVIÇOS PÚBLICOS
No Brasil, segundo entendimento doutrinário dominante, a atividade em si
não permite decidirmos se um serviço é ou não público, uma vez que há
atividades essenciais, como a educação, que são exploradas por particulares sem
regime de delegação, e há serviços totalmente dispensáveis, a exemplo das
loterias, que são prestados pelo Estado como serviço público.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo. Direito administrativo. 13.ª ed. Rio de Janeiro: Impetus,
2007 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens que seguem,
acerca dos serviços públicos.
11) (2007/TCU/Analista) A Constituição Federal não traz expresso,
em seu texto, o conceito de serviço público, nem tampouco as leis o
fazem, no Brasil. Assim, a conceituação do serviço público deve ser
buscada na doutrina.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONCEITO
Comentários:
Os amigos devem ter percebido a indicação bibliográfica apontada pela
ilustre Banca Examinadora. Isso mesmo! Houve a citação de um dos melhores
livros de Direito Administrativo utilizados no mundo concursístico, sinal de que
o examinador está de olho vivo em nossas ferramentas de trabalho. Mãos à
obra.
O Direito Administrativo não é um dos mais digeríveis, tragáveis, em época
de concursos públicos, especialmente em razão de sua não-codificação, como são
as matérias de Direito Constitucional, de Direito Penal, de Civil etc. Por exemplo,
a Constituição Federal e sequer quaisquer normas infraconstitucionais ou
infralegais (leia-se: legais primárias ou secundárias, respectivamente) trazem o
conceito do que é SERVIÇO PÚBLICO.
Obviamente, os vários pontos lacunosos (não-codificados) do direito
administrativo não devem ser levados para o lado negativo, devemos sim utilizá-
los como um diferencial, pois nem todos têm acesso às informações de um curso
de exercícios no ponto dos concursos, por exemplo. O que, sinceramente,
esperamos ser uma vantagem, tratando-se de Direito Administrativo.
Acrescentamos que, para nós, pouco importa se a doutrina não caminha
em uma única direção e se a jurisprudência é discordante, o que vale é o
pensamento da Banca, e, nesse ponto da disciplina (serviços públicos), as Bancas
costumam ser bem literais.
Com base na leitura do parágrafo anterior, chegamos à conclusão de que o
item está CERTO, afinal de contas, não há mesmo definição legal ou
constitucional para serviços públicos. Nesse instante, a cabeça do
concursando pupila, pulsa, lampeja: onde então encontrar a definição de serviços
públicos? (In) felizmente é puramente doutrinário, como quase todo o direito
administrativo.
Bom, antes de apresentarmos os critérios doutrinários para a definição
de serviços públicos, exploraremos juntos detalhes constitucional e legal,
sobre a disciplina.

11 – Gabarito: CERTO

Vamos à questão seguinte.

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12) (2008/FUB – Cargo 22) Serviço público é a prestação que a
administração efetua de forma direta ou indireta para satisfazer uma
necessidade de interesse geral.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONCEITO
Comentários:
Como prometido, vamos traçar um breve panorama constitucional, afinal
de contas, é do assoalho Constitucional em que brotam todas as sementes dos
demais ramos do Direito. Costumamos, inclusive, exigir dos amigos alunos um
estudo mais detido da disciplina Direito Constitucional, hábil instrumento para
acertarmos questões de Administração Financeira, de Direito Penal, de Direito
Civil, e, como não poderia deixar de ser, de Direito Administrativo.
De início, encontramos dois grandes diplomas que prevêem o assunto
“serviços públicos”. O primeiro deles é nossa Carta Constitucional, mais
precisamente no art. 175. O segundo, a Lei nº 8.987/1995 (Lei de
Concessões de Serviços Públicos), a qual traça, indica, enumera, AS
REGRAS GERAIS em matéria de concessões e de permissões de serviços
públicos, sem, no entanto, apresentarem qualquer conceituação para serviços
públicos, como já tivemos oportunidade de aprender.
Cabe aqui um breve parêntese. Ao falarmos em regras gerais, é
importante ter em mente o conceito da aula de licitações, vale relembrar, norma
editada pela União (art. 22, inc. XXVII, da CF/1988), porém, válida para
todos os Entes Políticos (a própria União, estados, Distrito Federal, e
municípios) – norma Nacional ou geral, como costuma pontuar a
doutrina. Em nosso primeiro livro (licitações e contratos (Ed. Campus)),
esmiuçamos o alcance da Lei nº 8.666/1993 e o posicionamento do STF a
respeito. Ah! Recomendamos a leitura da obra, é claro, rsrsrs...
Dentro de um critério formal (tranqüilidade... abaixo comentaremos quais
os critérios de definição de serviços públicos), a Constituição dispõe que o Estado
é titular dos serviços públicos (sem abrir qualquer exceção), no entanto, a
prestação, a execução deles, não precisa ser necessariamente direta, ou seja,
não há necessidade de o Estado utilizar do próprio aparato, órgãos,
instrumentos, ou agentes. Em outros termos, a prestação pode, ainda, ser
indireta, sendo neste último caso viabilizada por meio de concessão ou de
permissão, sempre (e sempre!) precedidas de licitação. Abaixo reproduzimos o
dispositivo Constitucional correspondente:
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de
licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua
prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e
rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
Da leitura do artigo, podemos extrair algumas conclusões.

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A primeira é a de que a menção a Poder Público inclui tanto a
Administração Direta como Indireta. Alguém duvida de que a Empresa de
Correios e Telégrafos presta serviços públicos, embora detenha a natureza de
empresa pública, enfim, entidade da Administração Indireta? Mas,
obviamente, frisamos que, tratando-se de entidades da Administração Indireta, o
Estado outorga os serviços públicos mediante lei.

Nota: só a título de lembrança, na outorga ( prestação direta) , a
descentralização dos serviços ocorre mediante lei, transferindo-se a
titularidade e a execução; enquanto na delegação ( prestação
indireta) , procedida por ato ou contrato, transfere-se apenas a
execução.

A segunda conclusão (extraída implicitamente) é a de que, além da
concessão e da permissão, perceberemos que o Estado pode prestar
indiretamente serviços mediante autorização de serviços públicos, sem
previsão, obviamente, no art. 175, mas sim conforme disposto no art. 21, inc.
XII, da Constituição.
Assinalamos, de antemão, que as autorizações de serviços públicos
são formalizadas por ato administrativo e não contratos administrativos,
como são as concessões e as permissões de serviços públicos. Demais
disso, ressaltamos que a CF/1988 dispõe que apenas as concessões e as
permissões é que serão precedidas de licitação, ou seja, as autorizações
dispensam procedimento prévio de licitação, regra geral.

12 – Gabarito: CERTO

13) (2007/TCU/Analista) Segundo a corrente doutrinária conhecida
como essencialista, não é possível identificar um núcleo relativo à
natureza da atividade que leve à classificação de uma atividade como
serviço público.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONCEITO
Comentários:
Finalmente, vamos à apresentação dos critérios existentes para a definição
dos serviços públicos. A doutrina costuma apontar 3 (três) critérios:
a) Subj etivo ou orgânico: o nome em si já nos informa – o serviço
público é aquele prestado de forma direta pelo Estado.
Crítica: ora, o Estado também pode prestar os serviços de forma indireta
(por particulares – exemplo: concessionárias), logo, o presente critério não
satisfaz por completo, por esse motivo ter entrado em declínio nos dias
atuais.
b) Material: é a natureza da atividade que determina o enquadramento
como serviço público ou não. Em síntese: é público todo serviço que tem
por objetivo a satisfação de necessidades coletivas essenciais e não
secundárias. Esse é o critério adotado pela CORRENTE
ESSENCIALISTA, a qual consegue, de fato, identificar um núcleo
relativo à natureza da atividade que leve à classificação de uma

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atividade como serviço público. Exatamente por isso da incorreção do
item apresentado pelo CESPE.
Crítica: embora a corrente essencialista conte com fortes defensores,
pensamos que utiliza um conceito muito restrito de serviço público, deixa
de lado, por exemplo, o trabalho interno realizado pelos Analistas do TCU.
Será mesmo que esses não prestam serviços públicos?
Deixa de lado, ainda, serviços como de radiodifusão sonora e de
imagens, pois, não-essenciais. Será mesmo que a Rede Globo não
presta serviços públicos de telecomunicações?
Em resumo: mesmo os serviços não-essenciais (os ditos
secundários) e os serviços administrativos (os internos à Administração)
podem ser classificados como serviços públicos, é tudo uma questão de
escolha política, como veremos, a seguir.
c) Formal: o Estado, por meio do ordenamento jurídico, é o responsável
por estabelecer quais atividades devem ou não ser reconhecidas como
serviços públicos. Sendo tais atividades cercadas por normas de Direito
Público. É o critério adotado pela CORRENTE FORMALISTA.
Crítica: atualmente, nem todo serviço público é regido predominantemente
por normas de direito público, existem serviços (como a energia elétrica)
prestados em caráter essencialmente privados (por meio de
concessionárias, por exemplo), com apenas derrogações (interferências do
direito público), é o que costumamos chamar em sala de sistema híbrido
(um cadinho público, outro cadinho privado).
Ah! Ressaltamos a existência de serviços prestados por particulares que
não são propriamente serviços públicos, isso porque não delegados pelo
Estado, logo, não cercados (sequer tangenciados) por normas de Direito Público,
nem mesmo em caráter híbrido, embora sejam serviços de utilidade pública,
a exemplo da saúde, do ensino. São serviços autorizados pelo Estado, cabendo a
este exercer o chamado Poder de Polícia sobre tais atividades.

Este último critério (formalista) é o mais utilizado no Brasil.

Agora que já vimos os critérios para a definição dos serviços públicos,
passamos à reprodução de apenas uma das definições doutrinárias de serviços
públicos, pois, como já dissemos, não há definição legal para serviço
público:
Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou
comodidade material fruível diretamente pelos administrados,
prestado pelo Estado ou por quem lhe faça as vezes, sob um regime
de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de
supremacia e de restrições especiais – instituído pelo Estado em
favor dos interesses que houver definido como próprios no sistema
normativo.
Como identificar o critério formal no texto em itálico?
O que falamos sobre o critério formal? É aquele estabelecedor do regime
jurídico dos serviços como sendo de Direito Público. Então: o regime jurídico
dos serviços é diferenciado, especial (“consagrador de prerrogativas de
supremacia e restrições especiais...”). Em síntese: de acordo com o critério

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formal, é serviço público todo aquele prestado sob regime de direito público, total
ou parcialmente (lembram das derrogações?).

13 – Gabarito: Errado

14) (2007/TCU/Analista) O DF deve prestar os serviços públicos
previstos como de competência dos estados e dos municípios,
cumulativamente.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – COMPETÊNCIA
Comentários:
Questão bastante intrigante, o gabarito PRELIMINAR oferecido deu pela
correção do quesito, depois das análises dos recursos, a Banca acertadamente
inverteu para ERRADO.
Como já nos é costumeiro, vamos “enveredar” pelo assunto: as
competências materialmente estabelecidas no Texto Constitucional aos Entes
Federados, no que diz respeito à prestação de serviços públicos.
De pronto, em resgate ao Direito Constitucional, relembramos que a
partição de competências segue o princípio da predominância do interesse.
EITA! QUE PALAVRÃO É ESSE? Calma, é simples.
A União tem competência para assuntos de interesse Nacional; os
estados, de interesse regional; os municípios, de interesse local; e o Distrito
Federal (em razão de seu hibridismo), cumulativa (Local + Regional).
Assim, constitucionalmente, compete PRIVATIVAMENTE:
- À União a prestação de serviços de telecomunicações, de energia elétrica, de
transporte interestadual ou internacional, de radiodifusão sonora e de imagens,
etc. (competência enumerada).
- Aos estados, os serviços de interesse regional. Aqui destacamos que os
serviços do Estado são achados por exclusão, ou seja, de forma residual ou
remanescente (competência residual ou remanescente), à exceção do serviço
de gás canalizado (competência enumerada, nesse ponto) e dos prestados
nas Regiões Metropolitanas, nas Aglomerações Urbanas, e nas
Microrregiões, de acordo com Lei Complementar, veja o que estabelece o §3º
do art. 25:
§ 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir
regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões,
constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para
integrar a organização, o planejamento e a execução de funções
públicas de interesse comum.

O que quer significar competência remanescente? Vamos à explicação.
Responda rápido: a quem compete prestar serviços de transporte coletivo
intermunicipal?
União? Não, porque à União competem os serviços de natureza
interestadual ou internacional.
Municípios? Não, porque são responsáveis pelos serviços intramunicipais,
regra geral. Logo, em razão do resíduo, do que sobra, a competência só pode
ser do Estado.

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Alertamos que existem serviços intramunicipais também de competência
dos Estados. Por exemplo: o Metrô de São Paulo é uma Sociedade de
Economia Mista prestadora de serviço público de transporte urbano
coletivo, porém, do Estado de São Paulo e não do Município. É do Estado
porque é uma Companhia METROPOLITANA. Como vimos, cabe ao Estado a
organização dos serviços situados nas regiões metropolitanas, nos termos do §3º
do art. 25 da CF/1988.
- Aos municípios, os serviços de transporte coletivo urbano (leia-se:
intramunicipal); ensino infantil e médio; funerários. Pedimos lembrar desse
último só em provas!
- Ao Distrito Federal, os serviços de competência dos Estados e dos municípios,
em razão da competência cumulativa. Então por que motivo o item foi dado
como INCORRETO, questiona-se o amigo concursando. Vamos à leitura do art.
21, incisos XIII e XIV, da CF/1988:
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a
Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios;
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de
bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência
financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos,
por meio de fundo próprio;
Perceberam? Isso mesmo, nem todos os serviços dos Estados são de
competência do Distrito Federal, daí a INCORREÇÃO do quesito.

14 – Gabarito: Errado

15) (2005/TRF-5/Juiz Federal) Os serviços públicos podem ser
privativos, quando atribuídos a pessoas jurídicas de uma das esferas
da Federação, ou comuns, quando prestados por pessoas jurídicas de
mais de uma esfera federativa, sendo que, nesse caso particular, a
regulamentação do serviço público cabe exclusivamente à esfera
federativa de nível mais elevado.
Tema: Serviços Públicos – competência para prestar e legislar a respeito.
No item anterior, tivemos contato com a competência privativa quanto à
prestação de serviços públicos. Porém, não só de competência privativa
executam-se serviços públicos.
É oportuno registrarmos que o Legislador Constituinte também previu a
execução comum (competência comum) pelos Entes Políticos de determinados
serviços públicos, exatamente segundo disposto no art. 23 da CF/1988: É
competência comum da União, do Distrito Federal, e dos Municípios.
De acordo com a doutrina, a competência comum é de natureza
administrativa e, diga-se de passagem, garantidora do exercício
concomitante por todos os Entes Federados, de tal sorte que os serviços
públicos serão prestados (executados) de forma paralela, em condições de
igualdade, sem nenhuma relação de subordinação, em síntese, a atuação (ou
omissão) de um não impossibilita a atuação do outro. Em resumo: o
exercício da competência comum não está sujeito à regulamentação do serviço
publico exclusivamente pela esfera federativa de nível mais elevado, como
afirmou a Banca.

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Continuemos.
Dos serviços decorrentes da competência comum, podem ser citados:
I - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das
pessoas portadoras de deficiência;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à
ciência;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria
das condições habitacionais e de saneamento básico;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança
do trânsito.
Por fim, chamamos atenção ao amigo concursando para recente alteração
pela Emenda Constitucional nº 53/2006. Houve a inserção de leis
complementares (plural) no lugar de lei complementar (singular) no parágrafo
único do art. 23 da CF/1988, com o propósito de se evitar conflitos no
âmbito da competência comum ou, mesmo, evitar a prestação duplicada.
Vejam a nova redação:
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do
bem-estar em âmbito nacional.
Por todo o exposto, observamos que a competência comum não importa
subordinação entre os diferentes entes federativos, ou seja, não pode o ente de
nível mais elevado regular os serviços de forma compulsória para os demais.

15 – Gabarito: ERRADO

(2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) José, residente em Palmas – TO, não
pagou a fatura de energia elétrica de sua residência relativamente ao mês de
abril de 2007. Nessa mesma conta, foi cobrada a contribuição de iluminação
pública. Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
16) O serviço de fornecimento de energia elétrica a José se
caracteriza como impróprio e individual.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CLASSIFICAÇÃO
O direito administrativo não é das disciplinas a mais difícil, talvez o grande
problema seja a quantidade de conceitos a serem guardados, compreendidos,
armazenados, não é verdade?
A cada tópico da disciplina avançado, deparamo-nos com uma ou mais
formas de classificação, de conceitos. Fiquem tranqüilos, são apenas
aparentemente infindáveis.
E, por falar em conceitos, em classificações, destacamos que a história
não é diferente tratando-se do tema serviços públicos. Vamos o quanto
antes trabalhar com as conceituações mais relevantes para fins de concurso
público, haja vista o objetivo maior destes encontros.
De acordo com a doutrina, os serviços podem ser:
Coletivos (uti universi – UNIVERSAIS) e singulares (uti singuli -
SINGULARES);

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Administrativos, econômicos, e sociais;
Públicos e de utilidade pública;
Próprios e impróprios.
Com o propósito de respondermos ao quesito, observamos que, na visão
de parte da doutrina administrativista, serviços próprios são aqueles que,
atendendo a necessidades coletivas, o Estado assume como seus e os executa
diretamente (por meio de seus agentes) ou indiretamente (por meio de
concessionários e permissionários). Já os impróprios, embora atendam
necessidades coletivas, não são de titularidade do Estado e nem por ele
executados, porém, não fogem da proteção do Estado no uso Poder de Polícia,
enfim, devem ser autorizados, regulamentados, e fiscalizados, não passam,
como podemos ver, de verdadeiras atividades privadas. Inclusive, por esse
motivo, parte da doutrina sequer os reconhece como serviço público em sentido
jurídico, são exemplos: serviços prestados por instituições financeiras e os de
seguro e previdência privada. Essa classificação no clássico livro do Hely Lopes
Meirelles aparece como serviços públicos autorizados: serviços de táxi, de
despachantes, de pavimentação de ruas por conta dos moradores, de guarda
particular de estabelecimentos e de residências.
O amigo se questiona: então o quesito está INCORRETO, afinal de
contas, o serviço público de energia elétrica é PRÓPRIO. Não é bem isso!
Vejamos.
Amigos, em concursos públicos não existem verdades absolutas! No
presente quesito, a Banca balizou seu posicionamento nos ensinamentos de
MEIRELLES. Segundo sua classificação, Públicos PRÓPRIOS são serviços
públicos “propriamente ditos”, ou seja, aqueles prestados diretamente pela
Administração à própria comunidade, por reconhecer serem essenciais e
necessários à sobrevivência da coletividade e do próprio Estado. Por serem
considerados próprios do Estado, só por este podem ser prestados, sem
possibilidade de delegação a terceiros. São exemplos de tais tipos de
serviço: a defesa nacional e a atividade policial.
Já os serviços de utilidade pública (IMPRÓPRIOS) são os serviços que a
Administração, reconhecendo sua conveniência, MAS NÃO A SUA
NECESSIDADE E ESSENCIALIDADE, presta-os diretamente à sociedade ou
delega sua prestação a terceiros (p. ex: concessionários, permissionários e
autorizatários). Ressaltamos que, em qualquer caso, as condições de prestação e
o controle são sempre do Poder Público, embora o risco da atividade possa ser
assumido pelos prestadores do serviço, os quais serão remunerados pelos
usuários. São exemplos de serviços de utilidade pública: transporte coletivo,
ENERGIA ELÉTRICA, telefonia, etc.
O mais difícil não é fazer o concurso público, em si, é ainda ter de contar
com a boa-vontade do Examinador de adotar entendimentos unânimes na
doutrina ou na jurisprudência. Mais tudo bem, vamos fazer nosso papel –
passarmos logo no concurso!
16 – Gabarito: CERTO

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17) (2004/PF/Delegado-Regional) Os serviços de utilidade pública
têm característica de essencialidade e necessidade para os membros
da coletividade, sendo prestados de forma direta, pela administração
pública, ou indireta, por meio de concessionários, permissionários ou
autorizatários.
Tema: Serviços Públicos – classificação
Comentários:
De unânime só uma coisa: o cargo de analista do TCU é excelente! Servir
ao público é honroso, prazeroso!
Já, tratando-se de concursos públicos, nada é certo, como é o caso das
classificações de serviços públicos. Apesar disso, abaixo exporemos algumas
classificações bem relevantes para fins de concurso público, haja vista o objeto
maior desses encontros.
No item anterior, vimos a classificação dos serviços púbicos próprios e
impróprios, vamos, agora, apresentar outras denominações.
A primeira das classificações apresenta a divisão em termos de
generalidade, de alcance de destinatários. Assim, os serviços podem ser uti
universi e uti singuli. Serviços uti universi são os serviços públicos prestados a
grupos indeterminados de indivíduos, a toda a coletividade, não se distinguindo
os potenciais usuários, portanto, serviços indivisíveis. Não é possível mensurar
sua utilização pelos usuários (por cabeça), devendo ser mantidos via imposto
(quando for o caso), dada o caráter não-contraprestacional de tal tributo
(exemplos: segurança pública; iluminação pública – hoje contribuição de
iluminação pública; saneamento básico etc.).
Já os serviços uti singuli, individuais ou singulares, são os serviços que se
dirigem aos destinatários individualizados, nomeados, sendo possível medir, caso
a caso, quanto do serviço está sendo consumido, logo, são serviços mensurados
por cabeça. Quando postos em operação, geram direito ao indivíduo que se
apresenta em condições técnicas adequadas ao seu recebimento na área de
prestação do serviço.
Distintamente dos serviços uti universi, os uti singuli, pelo fato de
admitirem mensuração individualizada, dão ensejo à cobrança de exação
tributária (taxa, caso o serviço seja prestado pelo Estado) ou tarifa (preço
público cobrado por particulares – p.ex: concessionárias e permissionárias).
Outro ponto de relevo é que as taxas, pelo fato de decorrerem de lei,
detêm caráter obrigatório (diz o Código Tributário – tributo é toda prestação
compulsória (...) – art. 4º). Assim, embora os serviços não sejam utilizados, o
administrado deve contribuir para o Estado.
Por sua vez, as tarifas serão cobradas no caso de utilização efetiva de
serviços públicos facultativos, como os de energia elétrica.
A segunda das classificações é a de que os serviços podem ser
administrativos, econômicos e sociais.
Serviços Administrativos são os que a Administração executa para
atender a suas necessidades internas ou para preparar outros serviços que serão
prestados ao público, tais como os de imprensa oficial, das estações
experimentais e outros dessa natureza.
Econômicos, também denominados de industriais ou comerciais, são os
serviços que produzem renda para quem os presta. A remuneração dos

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prestadores de serviços econômicos se faz por intermédio de tarifas ou preços
públicos, a serem fixados pelo Estado, independentemente de este ser ou não o
prestador do serviço.
Por fim, destacam-se os serviços públicos sociais, executados pelo Estado
para atendimento de reclamos sociais básicos e representam ou uma atividade
propiciadora de comodidade relevante, ou serviços assistenciais e protetivos.
Diversos autores afirmam que os serviços públicos sociais são geradores de
déficits, sendo sua sustentação financiada por intermédio de tributos. A título de
exemplo, podem ser citados como serviços sociais: assistência à criança e ao
adolescente; assistência médica e hospitalar etc.
Feito o devido ‘passeio’ na matéria, vamos à análise do quesito. Os
serviços de utilidade pública são os serviços que a Administração,
reconhecendo sua conveniência, MAS NÃO SUA NECESSIDADE E
ESSENCIALIDADE, ou presta-os diretamente à sociedade ou delega sua
prestação a terceiros (p. ex: concessionários, permissionários e autorizatários).
São exemplos de serviços de utilidade pública: transporte coletivo, energia
elétrica, telefonia etc.
Notaram os erros? Isso mesmo, é INCORRETA a afirmação de que
serviços de utilidade pública detêm característica de essencialidade e de
necessidade.

17 – Gabarito: ERRADO

18) (2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) A Conforme entendimento
do STJ, a concessionária não pode suspender o fornecimento de
energia elétrica, em face do princípio da continuidade do serviço
público.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – Princípios
Comentários:
Por serem destinados à coletividade, os serviços públicos sob a
incumbência do Estado ou de seus agentes delegatários (concessionárias e
permissionárias, por exemplo) devem ser prestados com observância de
determinados padrões, enfim, o serviço público prestado aos usuários, aos
cidadãos, deve ser adequado.
A doutrina, em tradução aos requisitos do serviço adequado (art. 6º da Lei
nº 8.987/1995 – Lei das Concessões de Serviços Públicos), costuma apontar
múltiplos princípios inerentes à prestação dos serviços públicos. São eles:
- Continuidade
Também denominado de Princípio da Permanência. Forte item de prova.
O Princípio da Continuidade estabelece que os serviços públicos não podem
sofrer interrupção. É dizer, não devem sofrer solução de continuidade em sua
prestação, a não ser em razão de situações excepcionais. Mas, por óbvio,
não caracteriza descontinuidade a interrupção da prestação do serviço:
Em razão de situação emergencial, e
No caso de interrupção, APÓS AVISO PRÉVIO, quando:
a) motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das
instalações; e

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b) por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da
coletividade.
Veremos, mais à frente, que, em nome do princípio da continuidade, é
permitido ao Estado o resgate (encampação ou retomada) do serviço público
concedido, com vistas ao atendimento do interesse da coletividade.
Bom, a partir da leitura do princípio acima, podemos verificar a
INCORREÇÃO do quesito proposto. No entanto, como de costume, vamos aos
comentários de outros postulados, outros princípios norteadores dos serviços
públicos.
- Generalidade
Por força dos princípios da generalidade, da igualdade, da
universalidade, os serviços públicos devem ser prestados, sem qualquer
discriminação, a todos que satisfaçam as condições para sua obtenção, sendo
imprescindível a observância de um padrão uniforme em relação aos
administrados.
Nota-se, assim, um duplo sentido quanto ao princípio. De um lado, os
serviços públicos devem ser prestados ao maior número possível de usuários, é
dizer, deve ter o máximo de amplitude. Por outro lado, a prestação de serviço
público não deve conter discriminações, quando, é claro, as condições entre os
usuários sejam técnica e juridicamente idênticas. Afinal, como já dizia
Aristóteles, devemos tratar os iguais na medida de suas igualdades e os
desiguais à medida que se desigualem. Em síntese: não ofende o princípio da
igualdade faixas distintas de tarifas.
– Atualidade
Os serviços públicos devem ser continuamente atualizados, assimilando
novas tecnologias e tendências, evitando-se, assim, a obsolescência. Tal requisito
guarda estreita relação com o princípio da eficiência, como se vê. Dos
requisitos de serviço adequado é o único que tem definição na Lei nº
8.987/1995!
Percebemos, claramente, que a atualidade vem a ser uma das aplicações
do princípio da eficiência, no sentido de que o progresso da qualidade das
prestações ao usuário deve ser considerado como um dos direitos do cidadão, de
modo que o Estado, ao assumir um serviço como público, impõe-se também
correlato dever de zelar pelo seu aperfeiçoamento, para que os frutos da ciência
e da tecnologia sejam distribuídos.
– Modicidade das Tarifas
O prestador do serviço público deve ser remunerado de maneira razoável.
Contudo, os usuários não devem ser onerados de maneira excessiva. Nesse
sentido, o Poder Público deve aferir (mensurar, medir) o poder aquisitivo dos
usuários, para que estes não sejam alijados do universo de beneficiários.
Inclusive, o Legislador prevê as chamadas receitas alternativas, com o
propósito de manter a tarifa cada vez mais atrativa, acessível.
O amigo concursando, ao longo da presente aula, já teve e terá outros
sinais de que a forma de remuneração das concessões ocorre por meio de
tarifas, que é espécie de preço público, e não por taxas (espécie tributária).
Assim, de modo geral, a tarifa deve se destinar à manutenção do serviço, bem
como ao seu contínuo aperfeiçoamento, proporcionando a justa remuneração ao
concessionário, de acordo com o estabelecido no contrato firmado.

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Para que mantenham o equilíbrio financeiro inicialmente avençado,
estipulado, as tarifas deverão ser revisadas periodicamente, para mais ou
para menos, em razão do evento verificado (art. 9
º
da Lei nº 8.987/1995).
Agora, voltando um pouco: o que são receitas alternativas? Vai dizer
que não ficou em dúvida?
Bom, ninguém duvida que a prestação dos serviços públicos seja pautada
na modicidade da tarifa, isto é, as tarifas devem ser módicas o suficiente para
permitir a inclusão de um maior número de usuários quanto à utilização do
serviço concedido. Pergunta o amigo concursando: mas o que isso tem a ver
com receita alternativa? Tudo, respondemos.
Para o cálculo das tarifas devem se consideradas, ainda, outras fontes
provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de
projetos associados que poderão ser gerados com a concessão (art. 11 da
Lei). Quem nunca percebeu, por exemplo, ao longo das estradas tarifadas (Via
Dutra ou Carvalho Pinto ou Bandeirantes), terrenos públicos sendo explorados
por particulares? Isso mesmo, são as receitas alternativas, utilizadas com a
finalidade de ajudar no custo do serviço, revertendo em redução da tarifa para o
usuário.
Por fim, registramos que o reajuste e revisão das tarifas são cláusulas
essenciais nos contratos de concessão as que se refiram à revisão e ao reajuste
das tarifas (inc. IV, art. 23), as quais, ainda, poderão ser diferenciadas em
função das características técnicas e dos custos específicos provenientes do
atendimento aos distintos segmentos de usuários (art. 13).
– Cortesia
Um breve parêntese. Talvez seja dos requisitos aquele que muita das vezes
é sentida a presença, não é verdade? Porém, é dever do prestador do serviço
tratar com civilidade, com urbanidade, os usuários-cidadãos do serviço público,
dado que sem os usuários o que seria do serviço público?
Pode-se afirmar que o destinatário do serviço público tem o direito de ser
tratado com urbanidade e cortesia, mesmo porque a prestação que lhe é ofertada
não consubstancia um favor que lhe é generosamente concedido, mas se trata da
consecução (execução) de um dever (encargo público – munus público), bem
como de um direito do cidadão, já afirma a doutrina.
- Segurança
Os serviços públicos devem ser prestados sem riscos ao usuário, devendo o
prestador adotar as providências necessárias para minimizar estes riscos.
Obviamente, essas medidas possuem uma relação de custo-benefício que deve
ter em conta não só fatores econômicos, mas também a dignidade do
destinatário do serviço.
– Eficiência
O Princípio, ou dever, de Eficiência encontra embasamento Constitucional
(art. 37, caput, da CF/1988), como tivemos oportunidade de estudar. Ao se
proceder a avaliações quanto à eficiência, o Poder Público poderá aperfeiçoar
suas alocações de recursos, aportando recursos de maneira adequada entre o
serviço a ser prestado e a demanda social.

18 – Gabarito: ERRADO

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19) (2007/ANVISA/TÉCNICO) A prestação de serviço de saúde por
particulares depende de delegação do poder público, podendo ocorrer
tanto em regime administrativo de autorização como de permissão.
Tema: Serviços Públicos – classificação
Comentários:
Vencido o aprendizado sobre os princípios regentes dos serviços públicos,
vamos a mais uma classificação dos serviços públicos, utilizando, em todo caso,
para a fixação de uma questão aplicada no curso de exercícios do ano passado.
Ao lado de serviços públicos privativos do Estado (art. 21, XI e XII, por
exemplo), prestados direta ou indiretamente (concessão, permissão, e
autorização), em que se pressupõe o uso de atos de império, destacam-se os
serviços públicos não-privativos. Vale dizer, aos particulares é lícito o
desempenho de tais serviços, independentemente de delegação do Poder
Público, por meio dos instrumentos contratuais (permissão e concessão) ou atos
administrativos (autorizações).
O amigo se questiona: quais são esses serviços? Conforme o Texto
Constitucional, podemos citar, pelo menos, 4 (quatro) serviços em que o Estado
não detém a titularidade para prestação: educação, previdência social,
assistência social, e saúde. Vejamos o último caso, que é o objeto de nossa
questão:
- Saúde:
Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
Resolvido o quesito: no caso de serviços de saúde prestados por
particular não se fala em delegação, mas de outros requisitos
estabelecidos em leis específicas, o que não vem ao caso para a preparação
para a prova do TCU.
Observamos, em todo caso, que, embora não sejam serviços delegados
pelo Estado, ficam sujeitos por este ao rigor do controle, por meio do exercício
regular do poder de polícia administrativa. Há, inclusive, agência reguladora
federal com competência para tanto, a ANS – Agência Nacional de Saúde
Suplementar.

19 – Gabarito: ERRADO

20) (2008/CESPE/MPOG/Analista de Infraestrutura) Nos contratos
de concessão de serviço público, diversamente do que ocorre nos
contratos de permissão de serviço público, a administração pública
não pode alterar unilateralmente cláusulas contratuais.
Tema: Serviços Públicos – Concessão X Permissão

21) (2007/TRF-5ª/JUIZ) A permissão de serviço público para
exploração de serviço de transporte intermunicipal é negócio jurídico
unilateral e, portanto, não se sujeita ao princípio determinador do
respeito ao equilíbrio financeiro do contrato.
Tema: Serviços Públicos – Concessão X Permissão
Comentários:
Que tal inovarmos? Comentários dois em um (questões 25 e 26).
Dobradinha Rubinho e Felipe...Opa! Perdão pela última brincadeira.

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Vejamos algumas breves noções sobre os institutos em questão
(concessões e permissões), com acréscimo das autorizações.
A doutrina costumava conceituar a permissão como o ato administrativo
unilateral, discricionário e precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a
Administração Pública faculta ao particular a execução de serviço público ou a
utilização privativa de bem público.
Todavia, após a edição da Lei nº 8.987/1995, a definição ganhou novos
contornos, isso porque, de acordo com o art. 40 da Lei, a permissão de
SERVIÇO PÚBLICO será formalizada mediante CONTRATO
ADMINISTRATIVO DENOMINADO “DE ADESÃO”, que observará os termos
da Lei nº 8.987/1995 e as demais normas pertinentes e do edital de licitação,
inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato
pelo Poder Concedente.
Portanto, depreende-se que existem, pelo menos, dois tipos de
permissões:
As formalizadas por atos administrativos (utilização privativa de
bem público), e
As instrumentalizadas por contrato de adesão (execução de
serviço público).
Por relevante, apontamos para a imprecisão terminológica do dispositivo no
que se refere à “revogabilidade” unilateral do contrato. Amigos, não seria
mais adequado o uso do termo rescisão unilateral? Sim, afinal de contas,
contratos são rescindidos, sendo a revogabilidade instituto inerente a atos
administrativos. Mas, tratando-se de concurso, sejam “decoradores” e não muito
críticos. Assim, fixem: É POSSÍVEL A REVOGAÇÃO DO CONTRATO DE
PERMISSÃO, ANTE O QUE DISPÕE A LEI nº 8.987/1995.
O conceito legal de permissão de serviços públicos é dado pelo inc. IV do
art. 2
º
da Lei nº 8.987/1995, a saber: a delegação, a título precário, mediante
licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa
física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta
e risco.
Da leitura do conceito, a cabeça do amigo palpita: qual será a diferença
entre permissão e concessão?
Informamos que, embora o STF tenha afastado qualquer distinção
conceitual (Adin 1.491/98 – DF), a doutrina costuma apontar para os seguintes
itens, e que nos serve “como uma luva” a título de concurso, vejamos:
- Quanto ao executor do serviço público: na concessão, o contrato só
pode ser firmado com pessoa jurídica ou consórcio de empresas;
na permissão, com pessoa física ou pessoa jurídica. Conclui-se,
portanto, que não há concessão para pessoa física, ou permissão para
consórcio de empresas;
- Quanto à precariedade: a permissão é dotada de precariedade,
característica não encontrada na concessão. Por conseguinte, a
permissão é passível de revogação (mesmo sendo contrato); a
concessão, não.
Feita a apresentação da permissão, passemos ao estudo brevíssimo da
autorização.

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A doutrina diverge quanto à possibilidade de delegação de prestação de
serviços públicos mediante autorização. Apesar disso, para efeito de concurso,
podemos inserir a autorização como uma das formas de prestação de
serviços públicos.
E mais: os serviços autorizados constituem, hoje, a única forma de
prestação de serviços públicos não necessariamente antecedida por
licitação (vimos que a regra – art. 175 – é que a licitação seja prévia, mas para
CONCESSÕES E PERMISSÕES) e, ainda, não implicando a celebração de contrato,
uma vez que a autorização quanto à prestação de serviços públicos é
formalizada por ATO ADMINISTRATIVO.
Reativando a memória do amigo concursando, informamos que o
fundamento para a prestação de serviços públicos por meio de autorização é
encontrado no art. 21, incisos XI e XII da CF/1988, os quais atribuem
competência à União para explorar, diretamente ou mediante autorização,
concessão ou permissão tais serviços.
Os serviços autorizados não gozam das prerrogativas inerentes às
atividades públicas, auferindo apenas as vantagens que lhes forem deferidas no
ato de autorização, sujeitando-se sempre, afirme-se, à modificação ou
supressão sumária, dada a precariedade típica da autorização. Regra geral,
não haverá direito de indenização ao particular que tiver sua autorização
revogada.
E a pergunta de balançar terras: a autorização é ato discricionário ou
vinculado?
Não temos dúvida de que, regra geral, as autorizações são atos
discricionários. Porém, para toda boa regra, temos sempre uma excelente
exceção (válida, principalmente, para prova!). Nesse sentido, registramos o teor
do art. 131, §1
º
, da Lei 9.472/97 – A Lei Geral de Telecomunicações (LGT):
Autorização de serviço de telecomunicações é ato administrativo
vinculado que faculta a exploração, no regime privado, de
modalidade de serviço de telecomunicações, quando preenchidas as
condições objetivas e subjetivas necessárias.
Ainda que passível de crítica, temos que aceitar essa “nova modalidade” de
autorização prescrita pela LGT – autorização vinculada. Enquanto for
considerada válida, não se pode negar eficácia a norma. Pode-se criticá-la, mas
não recusar sua eficácia.
A partir desta ‘breve’ introdução, salientamos que, sendo contratos
administrativos (as concessões e as permissões), estarão sujeitos a alterações
unilaterais, dentro do que a doutrina denomina de cláusulas exorbitantes, daí
a INCORREÇÃO dos itens.
Demais disso, lembramos que, ao alterar unilateralmente o contrato, deve
a Administração (Poder Concedente) garantir a manutenção da equação do
equilíbrio econômico-financeiro, pois, como aprendemos, não é uma faculdade do
Poder Público, mas sim um direito da empresa contratada.

20 e 21 – GABARITO: ERRADOS

22) (2008/DFTRANS – Cargo 7) Mesmo sendo uma delegação a título
precário, a rescisão de uma permissão de transporte coletivo está

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sujeita às regras estabelecidas pela Lei das Concessões de Serviços
Públicos.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – formas de extinção
Comentários:
Os amigos acreditam em sonhos? Então olha lá, fiquem de olhos bem
abertos na apresentação das formas de desfazimento dos contratos de prestação
de serviços. Essa parte da matéria costuma ser uma questão certa em prova,
quiçá na prova subjetiva (discursiva).
Diversas são as formas de extinção das concessões, de acordo com a Lei nº
8.987/1995. Para a felicidade de todos e para o bem geral dessa nação de
concursandos, comentaremos, uma a uma, as hipóteses de desfazimento
contratual.
I) Advento do Termo Final: é certamente a forma mais natural de
extinção da concessão. É conhecida, doutrinariamente, como reversão da
concessão. É bem simples: ocorrido o prazo final (termo) conforme estabelecido
no instrumento contratual, a extinção ocorrerá naturalmente (de pleno direito),
sem necessidade de avisos anteriores ou notificações.
Pelo fato de a extinção pelo tempo não decorrer de vícios ou ilegalidades,
os efeitos da extinção ocorrerão daí por diante (ex nunc – efeitos não-
retroativos), sem que, logicamente, a responsabilidade do concessionário seja
afastada por atos praticados quando o contrato ainda se encontrava vigente.
Por que razão a doutrina denomina REVERSÃO essa forma de
extinção?
É porque com o término da concessão, os bens ditos reversíveis deverão
retornar à Administração, ou seja, aqueles de propriedade da própria
Administração, bem como aqueles vinculados aos serviços objeto da concessão e
que se encontravam na posse do concessionário, ainda que tenha sido este quem
os tenha adquirido. Importante frisar que a indicação dos bens reversíveis
é cláusula essencial nos contratos de concessão (inc. X do art. 23 da Lei nº
8.987/1995).
Todavia, embora alguns (muitos) bens sejam reversíveis, o Poder
Concedente deverá indenizar o concessionário com relação aos investimentos
realizados em bens ainda não-amortizados ou não-depreciados ao fim do
contrato. Esta medida visa a evitar que o executante do serviço fique
“desestimulado” em realizar novos investimentos quando a concessão estiver
próxima de seu término. Obviamente, a indenização deverá ser pelas parcelas
restantes dos bens, ou seja, pelo valor que falta para sua total amortização ou
depreciação.
II) Caducidade: é denominada pela doutrina também de decadência do
contrato de concessão.
Bom, antes de tratarmos da caducidade do contrato, pedimos toda
atenção do amigo concursando para o fato de que a CADUCIDADE DO
CONTRATO não se confunde com a CADUCIDADE DO ATO
ADMINISTRATIVO. Esta última ocorre em razão de norma superveniente que
torna a situação anterior com ela incompatível, não decorre de ato volitivo (de
vontade) da Administração, mas sim do Legislador (a título de recordação: lei de
Zoneamento Urbano que proíbe a colocação de publicidade em vias públicas).

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Feita essa observação, passemos à caducidade do contrato de concessão.
De acordo com o art. 38 da Lei nº 8.987/1995, a inexecução total ou parcial do
contrato acarretará, a critério do poder concedente, a declaração de caducidade
da concessão. A caducidade diz respeito à rescisão do contrato por culpa (em
sentido amplo) do concessionário.
Como aponta a doutrina, a caducidade é modalidade de encerramento da
concessão por ato do Poder Concedente, antes da conclusão do prazo
inicialmente fixado, em razão de inadimplência do concessionário; isto é,
por motivo de fato comissivo ou omissivo, doloso ou culposo, imputável ao
concessionário.
No caso, por ter sido o concessionário quem deu causa à extinção da
concessão, enfim, quem violou as obrigações contratuais, o Poder Público não
tem que indenizá-lo, senão com relação à parcela não-amortizada do capital
representada pelos equipamentos necessários à prestação do serviço e que
reverterão ao concedente e, ainda assim, A POSTERIORI.
Os motivos que podem levar à decretação de caducidade, de acordo
com o art. 38 da Lei nº 8.987/1995, são os seguintes:
I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou
deficiente, tendo por base as normas, critérios, indicadores e
parâmetros definidores da qualidade do serviço;
II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições
legais ou regulamentares concernentes à concessão;
III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto,
ressalvadas as hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força
maior;
IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou
operacionais para manter a adequada prestação do serviço
concedido;
V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por
infrações, nos devidos prazos;
VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente
no sentido de regularizar a prestação do serviço; e
VII - a concessionária for condenada em sentença transitada em
julgado por sonegação de tributos, inclusive contribuições sociais.
Da leitura acima, tudo indica que a caducidade é sempre ato
discricionário (“acarretará, a critério do poder concedente”). No entanto,
existe exceção legal, ou seja, em que a caducidade será ATO VINCULADO.
Por ser exceção, pedimos toda cautela. Essa conclusão decorre do art. 27 da Lei:
A transferência de concessão ou do controle societário da
concessionária sem prévia anuência do poder concedente implicará
a caducidade da concessão (leia-se: ato vinculado).
A decretação de caducidade deve observar as formalidades contidas na Lei
nº 8.987/1995. O rito a ser seguido para a decretação da caducidade, quando
esta vier a ocorrer, é o seguinte:
a) O concessionário deve ser comunicado quanto ao descumprimento
contratual que poderá dar motivo à possível decretação da caducidade.
Neste passo, concede-se prazo ao concessionário para que a
irregularidade seja sanada;

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b) Não sanada a citada irregularidade, instaura-se o devido procedimento
administrativo, por meio do qual se deve abrir o contraditório, com os
meios que lhe são inerentes (ampla defesa) ao concessionário;
c) Constatada a inadimplência, a caducidade deve ser declarada por
decreto do Poder Concedente (Ah! Nos dias atuais, determinadas
Agências Reguladoras podem funcionar como Poder
Concedente). Além da caducidade, outras sanções poderão ser
impostas ao concessionário, conforme previsão contratual.
Não há dúvidas, então, de que a caducidade constitui penalidade imposta
ao concessionário em razão de sua inadimplência. Contudo, será devida
indenização ao concessionário em relação aos investimentos não-amortizados ou
não-depreciados. De toda forma, o montante das multas contratuais e os danos
causados pelo concessionário devem ser descontados dos valores a serem
indenizados (observação: temos aqui uma exceção à regra de que a
cobrança de multa não tem caráter auto-executório). Não há,
obviamente, a necessidade de a indenização ser prévia à decretação da
caducidade, devendo ser calculada no curso do processo (§4
º
do art. 38).
Declarada a caducidade, não resultará para o poder concedente qualquer
espécie de responsabilidade em relação aos encargos, ônus, obrigações ou
compromissos com terceiros ou com empregados da concessionária (§6
º
do art.
38). Frisamos que a Lei nº 8.987/1995, diferentemente da Lei de
Licitações (Lei nº 8.666/1993 – art. 71), não faz ressalva nem mesmo à
responsabilidade solidária quanto aos débitos previdenciários.
I I I ) Encampação: também chamada por alguns doutrinadores de
resgate ou de retomada, a encampação encontra previsão no art. 37 da Lei nº
8.987/1995, que assim a define: a retomada do serviço pelo poder concedente
durante o prazo da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei
autorizativa específica e após prévio pagamento da indenização, na forma
do artigo anterior.
Notem, a encampação em nada se confunde com a caducidade, pois
ocorre não em razão de inadimplência do concessionário, mas sim do interesse
da Administração em retomar o serviço. Por força de tal interesse, o
concessionário não pode se opor à encampação.
Outros dois pontos distintivos com relação à caducidade é que a
encampação depende de LEI AUTORI ZATI VA específica e DO PRÉVI O
PAGAMENTO DE I NDENI ZAÇÃO ao concessionário, tal como estabelecem os
artigos 36 e 37 da Lei nº 8.987/1995, que constituem condição de validade do
ato de encampação.
I V) Rescisão: é a forma de extinção da concessão por iniciativa do
concessionário. Difere essencialmente da caducidade e da encampação, que
são formas de extinção da concessão unilaterais, ou seja, viabilizadas
diretamente pela Administração.
O pressuposto básico para a rescisão é o descumprimento por parte do
concedente das normas legais, regulamentares ou contratuais. De acordo com a
Lei nº 8.987/1995 (art. 39), a rescisão depende de ação j udicial especialmente
intentada com esse objetivo.
Percebam o pega de Prova: qual é prazo máximo da não-oposição do
contrato não cumprido? Em outros termos, em que prazo a empresa contratada

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pode solicitar a suspensão do contrato e mesmo rescisão, em razão do
inadimplemento do Estado, de acordo com a Lei 8.666/1993?
Resposta, acima de 90 (noventa) dias.
Agora, adivinhem em que prazo pode a empresa concessionária
suspender a prestação de serviços públicos?
Em razão da necessidade de continuidade dos serviços públicos, A
PRESTAÇÃO NÃO PODERÁ SER INTERROMPIDA ATÉ O TRÂNSITO EM
JULGADO DA SENTENÇA JUDICIAL, reconhecendo a inadimplência da
Administração. A continuidade dos serviços públicos, que constitui verdadeiro
princípio administrativo, torna extremamente rígida a oponibilidade da exceção
do contrato não cumprido pelo concessionário. Seria um ótimo item de prova!
Atente, ainda, que a rescisão DO CONTRATO DE CONCESSÃO é
absolutamente diferente da rescisão dos contratos decorrentes da Lei nº
8.666/1993. Nesta última norma são dezoito motivos diferentes para a rescisão
dos contratos administrativos (releiam o art. 78 da Lei nº 8.666/1993), enquanto
para os contratos de concessão de serviços públicos o motivo de rescisão é um
só: descumprimento de obrigações por parte da Administração Pública.
V) Anulação: consiste na invalidação do contrato de concessão por
ilegalidade. Pode ocorrer ainda na licitação, que é prévia à concessão, ou na
contratação, em si.
A decretação da anulação, como é próprio de tal tipo de ato, produz efeitos
ex tunc, ou seja, com efeitos retroativos ao momento da ocorrência do
vício. A anulação da concessão encontra previsão no inc. V do art. 35 da Lei nº
8.987/1995 e terá por conseqüência a responsabilização de quem houver lhe
dado causa.
Não se pode confundir a anulação com as formas de extinção já expostas,
as quais pressupõem um contrato válido, mas mal executado (inadimplência) ou
cuja execução pelo concessionário tenha se tornado inconveniente ao interesse
público.
VI ) Falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento
ou incapacidade do titular, no caso de empresa individual: com relação a
essas últimas hipóteses, destacamos que a empresa (ou firma) individual não é
pessoa jurídica, mas sim o nome adotado pela pessoa física para uso em seu
comércio. Em razão disso, o falecimento ou incapacidade do titular, no caso de
empresa individual, aplica-se só às permissões, já que somente pessoas jurídicas
ou consórcios de empresas é que podem ser concessionárias de serviço público.
Por favor! Menos..., a quantidade de informações é tamanha.
É verdade, concordamos, mas as chances de erros são cada vez menores.
Vamos analisar a questão. As regras aplicadas para as concessões aplicam-se, no
que couber, às permissões. Assim, todas as formas de extinção de concessões
são extensíveis às permissões, logo, CERTO o quesito proposto pela Banca.
Pedimos que o amigo concursando releia as formas de
desfazimento mais uma vez, antes de prosseguir na presente aula.

22 – Gabarito: CERTO

( 2007/ CESPE/ TJ - TO/ J UI Z/ com adaptações) J osé, residente em Palmas
– TO, não pagou a fatura de energia elétrica de sua residência

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relativamente ao mês de abril de 2007. Nessa mesma conta, foi cobrada
a contribuição de iluminação pública. Diante dessa situação hipotética,
j ulgue os itens a seguir.

23) (2007/TJ-TO/JUIZ/com adaptações) Não se exige que José seja
notificado da ausência de pagamento para que haja o corte de energia
elétrica.
Tema: Serviços Públicos – Princípios
Comentários:
Mais um quesito a título de reforço.
A tradução do princípio da continuidade dos serviços públicos é bem
simples: os serviços públicos não podem sofrer interrupção, devem ser
contínuos, permanentes. A questão que ganha relevo é: quando é que os
serviços podem ser interrompidos? Qualquer serviço, seja essencial ou
não, está sujeito a interrupções? De costume, são perguntas que martelam a
cabeça do concursando, dos alunos de sala, por isso, daremos a nossa opinião
“concursística”.
Bom, ao lermos a Lei nº 8.987/1995 nos deparamos com a redação do art.
6º, §3º, que assim dispõe:
§ 3
o
Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua
interrupção em situação de emergência ou APÓS PRÉVI O AVI SO,
quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das
instalações; e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da
coletividade.
Logo, em questão de concurso, em termos literais, a resposta seria a
seguinte: a rigor, os serviços não podem ser interrompidos, em observância ao
princípio da continuidade do serviço público, todavia, por motivo de
emergência (seria ilógico solicitar notificação prévia) ou de razões de ordem
técnica e inadimplemento do usuário (sempre precedidas de notificação
prévia!), o serviço poderá sofrer interrupção.
Já em termos doutrinários, o amigo concursando deve saber distinguir
serviços compulsórios de serviços facultativos. Compulsório? Facultativo? Que
isso quer dizer?
Facultativos são os serviços prestados pelas concessionárias e pelas
permissionárias. Isso mesmo, são os serviços regidos pela Lei nº 8.987/1995, em
que a remuneração é formalizada por TARIFA ou preço público (o cidadão usa se
e quando quiser). Nesse caso, como vimos (§3 do art. 6º da Lei nº 8.987/1995),
o Poder Público pode suspender a prestação do serviço. Esse é o entendimento
do STJ, inclusive (RESP 510478-PB).
Enquanto isso, os serviços compulsórios, impostos de forma coercitiva
pelo Estado e cobrados mediante TAXA (exemplo: taxa de incêndio, taxa
judiciária), não poderão sofrer solução de continuidade, pois a Fazenda
Pública conta com instrumentos hábeis de cobrança, como a inscrição em dívida
ativa para futura execução do devedor.
Nesse contexto, pergunta-se: é possível o corte do fornecimento de
água? Sim, é possível. O Supremo Tribunal Federal – STF sinalizou que a

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cobrança de água pode ser formalizada por preço público, logo, não tem
caráter tributário. Sendo assim fixado por Decreto do Poder Concedente,
admitindo-se a interrupção em virtude do inadimplemento do usuário, nos
termos do §3º do art. 6º da Lei nº 8.987/1995.
Para afastar quaisquer dúvidas, ressaltamos que o entendimento do STF é
acompanhado pelo Superior Tribunal de Justiça em diversos julgados (RESP
363.943-MG e RESP 337.965-MG, por exemplo).

23 – Gabarito: ERRADO

(2007/CESP/PMVITÓRIA/AUDITOR) Em determinada cidade nordestina,
certa concessionária presta serviço público de esgoto. Contudo, o poder público
local permite o uso de fossas nas residências, desde que atendam a requisitos
preestabelecidos pelo município. Tendo como referência inicial a situação
hipotética apresentada, julgue os itens seguintes à luz das normas de direito
financeiro.
24) Na hipótese, a remuneração do serviço público de esgoto dá-se
por taxa.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – REMUNERAÇÃO DO CONCESSIONÁRIO
Comentários:
Primeiro detalhe. O serviço está sendo prestado pela concessionária e
não pelo Estado.
Como vimos, quando prestado por particulares, a cobrança é de natureza
contratual – via TARIFA; já quando prestado pelo Estado (diretamente), a
cobrança dos serviços é de natureza legal – via TAXA.
Portanto, o item está ERRADO ao afirmar ser a remuneração mediante
TAXA.

24 – Gabarito: ERRADO

25) (2007/CESPE/TCU/Analista) São exemplos de atos
administrativos relacionados com a vida funcional de servidores
públicos a nomeação e a exoneração. Já os atos praticados pelos
concessionários e permissionários do serviço público não podem ser
alçados à categoria de atos administrativos.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – Natureza dos atos
Comentários:
O item está quase perfeito, não fosse o ERRO.
Nesse instante, o amigo concursando tem o dever (quase legal) de recordar
os melhores momentos da aula de atos administrativos.
Naquela oportunidade, apontamos que os atos administrativos são,
sinteticamente, “declarações UNILATERAIS do Estado ou de QUEM lhe faça as
vezes...”. Ou seja, até mesmo um particular pode participar ao lado do
Estado, colaborar com o Estado na prestação de determinadas tarefas, como é
o caso das concessionárias.
Tanto é verdade que os atos das concessionárias, atinentes à prestação dos
serviços públicos, são considerados ADMINISTRATIVOS, que o próprio Texto
Constitucional (art. 37, §6º) estende a RESPONSABILIDADE OBJETIVA às

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pessoas jurídicas de DIREITO PRIVADO, desde que PRESTADORAS DE
SERVIÇOS PÚBLICOS.
Só pedimos sua atenção para o fato de que a responsabilidade das
concessionárias só será OBJETIVA perante seus próprios USUÁRIOS, conforme
entendimento do STF.

25 – Gabarito: ERRADO

26) (2007/TCU/Analista) No exercício da fiscalização e do controle
dos serviços públicos prestados por concessionários e
permissionários, a administração pública terá acesso aos dados
relativos a administração, contabilidade, recursos técnicos,
econômicos e financeiros das permissionárias e concessionárias.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA
Comentários:
A concessionária não está livre de determinados encargos (deveres).
Assim, por exemplo, tem o dever de suportar que o Poder Concedente tenha
acesso aos dados relativos à administração, contabilidade, recursos técnicos,
econômicos e financeiros.
Nos termos do parágrafo único do art. 30 da Lei de Concessões, a
fiscalização do serviço será feita por intermédio de órgão técnico do poder
concedente ou por entidade com ele conveniada, e, periodicamente, conforme
previsto em norma regulamentar, por comissão composta de representantes do
poder concedente, da concessionária e dos usuários (leia-se: por meio também
da participação popular).
Conforme dispõe o art. 31, incumbe ainda à concessionária:
III - prestar contas da gestão do serviço ao poder concedente e aos
usuários, nos termos definidos no contrato;
V - permitir aos encarregados da fiscalização livre acesso, em
qualquer época, às obras, aos equipamentos e às instalações
integrantes do serviço, bem como a seus registros contábeis;
VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas
pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato;
VIII - captar, aplicar e gerir os recursos financeiros necessários à
prestação do serviço.
Demais esses encargos, ressaltamos que as concessionárias de serviços
públicos, de direito público e privado, nos Estados e no Distrito Federal, são
obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimento,
o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus
débitos.
Por fim, sinalizamos que as contratações, inclusive de mão-de-obra, feitas
pela concessionária serão regidas pelas disposições de direito privado e pela
legislação trabalhista, não se estabelecendo qualquer relação entre os
terceiros contratados pela concessionária e o poder concedente.

26 – Gabarito: CERTO

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27) (2007/PGE-PA/TÉCNICO) As situações em que é inexigível a
licitação incluem a contratação de fornecimento ou suprimento de
energia elétrica e gás natural com concessionário, permissionário ou
autorizado, segundo as normas da legislação específica.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONTRATAÇÃO DIRETA
Comentários:
A questão é mais de concentração do que propriamente de conhecimento.
Na aula de licitações, aprendemos que a Administração pode efetuar aquisições
diretas (por dispensa e por inexigibilidade), todavia, são situações inconfundíveis,
quer dizer, a dispensa não se confunde com a inexigibilidade, essa decorre de
INVIABILIDADE DE COMPETIÇÃO.
O art. 24, inciso XXII, estabelece ser dispensável a licitação:
na contratação de fornecimento ou suprimento de energia elétrica e
gás natural com concessionário, permissionário ou autorizado,
segundo as normas da legislação específica;
A ‘maligna’ Banca do CESPE trocou dispensável por inexigível, daí a
INCORREÇÃO do item. Perceberam a maldade?

27 – Gabarito: ERRADO

28) (2008/TST/TÉC. ADM) Considere que o TST tenha realizado
licitação para selecionar uma empresa para realizar, nas dependências
do Tribunal, serviço de fotocópias oferecido para os jurisdicionados.
Nessa situação, a administração deve celebrar contrato de concessão
de serviço público com a empresa selecionada no referido
procedimento licitatório.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – concessão de serviços X contratos em geral
Comentários:
Dispensa extensos comentários. Embora os serviços internos (no caso,
fotocópias) sejam considerados públicos, não há como classificá-los como de
concessão de serviço público, são sim contratos administrativos regidos pela
Lei nº 8.666/1993 (e não pela Lei nº 8.987/1995).
As concessões de serviços públicos, como tivemos notícia, são prestações
diretas aos cidadãos, os quais devem arcar com os custos mediante o pagamento
da contraprestação denominada tarifa.

28 – Gabarito: ERRADO

29) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) A lei referida no
texto (Lei da Parceria Público-Privada – Lei 11.079/2004) contém
dispositivos aplicáveis aos órgãos da administração pública direta, aos
fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas
públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, pelos estados, pelo
DF e pelos municípios.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:

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Vamos recordar um conceito da aula de Contratos e Licitações: norma
geral. Repassamos aos amigos que as normas gerais em matéria de contratação
e licitações são editadas pela União, segundo dispõe o inc. XXVII do art. 22 da
CF/1988.
E como normas gerais (Leis Nacionais), são válidas para todos os entes
políticos (federados), formando um tipo de paradigma, um esqueleto básico, a
ser cumprido.
Bom, a ementa da Lei da PPP estabelece: “Institui normas gerais para
licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração
pública”, o que vem a ser confirmado pelo art. 1º da Lei:
Art. 1
o
Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de
parceria público-privada no âmbito dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único. Esta Lei se aplica aos órgãos da Administração
Pública direta, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações
públicas, às empresas públicas, às sociedades de economia mista e
às demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União,
Estados, Distrito Federal e Municípios
O item, portanto, está absolutamente correto.
Todavia, pedimos sua atenção para não efetuar uma leitura apressada da
norma, pois, se assim procedermos, seríamos levados a considerar toda a Lei da
PPP como sendo norma geral, não é?
Mas isso não corresponde a verdade, termos absolutos, pois, existem
dispositivos aplicados apenas à União, isto é, a Lei da PPP é híbrida, parte
NACIONAL, parte Federal, como podemos perceber no capítulo VI da referida
norma (“disposições aplicáveis à União”). Exemplo:
Art. 22. A União somente poderá contratar parceria público-privada
quando a soma das despesas de caráter continuado derivadas do
conjunto das parcerias já contratadas não tiver excedido, no ano
anterior, a 1% (um por cento) da receita corrente líquida do
exercício, e as despesas anuais dos contratos vigentes, nos 10
(dez) anos subseqüentes, não excedam a 1% (um por cento) da
receita corrente líquida projetada para os respectivos exercícios.

29 – Gabarito: CERTO

30) (2007/TCU/AUDITOR) Todas as etapas do processo de licitação e
contratação da PPP referida estão sujeitas ao controle do TCU,
exercido em auxílio ao Congresso Nacional, que é o titular do controle
externo. O contrato da PPP em questão deve envolver, adicionalmente
à tarifa cobrada dos usuários, contraprestação pecuniária do parceiro
público ao parceiro privado, não podendo ter prazo de vigência
inferior a 5 anos nem superior a 35 anos, incluindo eventual
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Na questão anterior, demos início ao estudo da mais nova forma de
parceria firmada entre o Estado e particulares, a tão falada PPP (Parceria Público-
Privada). Nesse instante, por favor, não nos xingue, a quantidade de informações

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decorre do fato de a parte de serviços públicos ser recheada de infinitas
informações. Pedimos espaço para apresentar algumas considerações acerca da
PPP (parceria público-privada), tema certo (ou quase certo) em nossa prova!
Até o momento, tivemos contato com as concessões de serviços
públicos comuns, vale reforçar, aquelas regidas pela Lei nº 8.987/1995. A partir
deste item, teremos o prazer de apresentar as concessões especiais reguladas
pela Lei nº 11.079/2004 (Lei da Parceria Público-Privada – PPP), a qual, como
vimos no item anterior, é parte NACIONAL, parte Federal.
De pronto, observamos que a distinção básica é quanto à circunstância de o
Poder Concedente, NAS CONCESSÕES COMUNS DA LEI Nº 8.987/1995, não
oferecer qualquer contrapartida pecuniária para a cobertura dos encargos da
concessionária. Naquelas (da Lei nº 8.987/1995), os recursos de subsistência da
vida empresarial do concessionário decorrem de tarifas pagas pelos usuários
dos serviços, à exceção, como vimos, das denominadas receitas
complementares ou alternativas.
Portanto, atualmente, a PPP, regulada pela Lei nº 11.079/2004, representa
outra forma de o Estado, de forma indireta, encarregar-se da prestação de
serviços públicos, com a particularidade de a doutrina reconhecer um caráter
especial relativo a referidas contratações, pois, além da possibilidade de
pagamento usualmente feito pelos usuários (tarifas), haverá a
contraprestação pecuniária por parte da Administração Concedente dos
serviços.
Poderíamos dizer que o uso da PPP deve-se, em parte (e em tese), pela
falta de disponibilidade de recursos públicos e pela eficiência (teórica) de gestão
por parte do setor privado em relação ao público, tendo por objetivo a
implantação ou gerenciamento de serviços públicos, com eventual execução de
obras ou fornecimento de bens, mediante financiamento do contratado,
contraprestação pecuniária do Poder Público e comprometimento dos riscos e dos
ganhos entre os pactuantes.
Conforme os §§1º e 2º do art. 2º da Lei 11.079/2004, percebemos duas
modalidades de PPP: patrocinada e administrativa.
A patrocinada não oferece problemas, afinal, o próprio nome já denuncia
seu significado: é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas SIMPLES
(regida pela Lei nº 8.987/1995), com cobrança de tarifas, e ADIÇÃO da
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado (TARIFA +
CONTRAPRESTAÇÃO PECUNIÁRIA).
Em síntese: se não houver contraprestação do Poder Concedente,
teremos uma concessão COMUM (leia-se: regida pela Lei nº 8.987/1995).
Já a PPP concessão administrativa refere-se a contrato de prestação de
serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta,
ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens.
Uma dúvida que assola os amigos concursandos: usuária direta,
indireta, o que isso representa? Imaginem, serviços prestados em um
presídio, pergunta-se: a população é usuária direta? Não, o Estado usa do
serviço diretamente, sendo sentido apenas indiretamente pelos cidadãos. Agora,
serviços prestados em um Hospital, a população o recebe diretamente, sendo

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indiretamente prestado ao Estado. Em outros termos, se os serviços são internos
à Administração, o Estado é usuário direto; agora, se de efeitos externos, o
Estado é usuário indireto do serviço prestado. Tudo é uma questão de
referencial.
Para enterrarmos o quesito, destacamos algumas vedações estabelecidas
pela Lei para a realização de PPP:
a) Quanto ao valor: a PPP não pode ser inferior a R$ 20.000.000,00
(vinte milhões de reais); e,
b) Quanto ao tempo: a PPP deve ter periodicidade mínima de 5 (cinco)
anos e máxima de 35 (trinta e cinco) anos.
Feita essa breve apresentação, não resta dúvidas de que o item está
CERTO.

30 – Gabarito: CERTO

31) (2007/TJ-TO/JUIZ) Uma das diferenças entre a parceria público-
privada e a concessão de serviço público refere-se à forma de
remuneração, já que naquela haverá necessariamente
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Questão de fixação. Vimos que um dos traços distintivos entre a
concessão comum (Lei nº 8.987/1995) e a especial (regida pela Lei nº
11.079/2004) é exatamente o fato de na PPP, além da tarifa e, se for o caso,
receitas alternativas, o parceiro privado fazer jus ao percebimento de
contraprestação pecuniária paga (desembolsada) dos cofres públicos (do
Poder Concedente).
Ah! Só mais uma informação. Os amigos devem ter ciência de quais são
as formas de contraprestação a serem utilizadas pela Administração Pública,
nos termos do art. 6º da Lei da PPP, vejamos:
Art. 6
o
A contraprestação da Administração Pública nos contratos de
parceria público-privada poderá ser feita por:
I – ordem bancária;
II – cessão de créditos não tributários;
III – outorga de direitos em face da Administração Pública;
IV – outorga de direitos sobre bens públicos dominicais;
V – outros meios admitidos em lei. (grifos nossos)

31 – Gabarito: CERTO

32) (2007/TJ-TO/JUIZ) A sociedade de propósito específico, que
poderá assumir a forma de companhia aberta, deverá obedecer a
padrões de governança corporativa e adotar contabilidade e
demonstrações financeiras padronizadas, conforme regulamento,
ficando vedado à administração pública ser titular da maioria do seu
capital votante, salvo aquisição por instituição financeira controlada

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pelo poder público em caso de inadimplemento de contratos de
financiamento.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Mais um item literal. Talvez pelo assunto ser novo no cenário nacional,
as Bancas Examinadoras ainda não estejam desafiando nossa inteligência,
como ocorre nas demais partes da disciplina. O quesito é reprodução do art.
9º da Lei nº 11.079/2004.
Art. 9
o
Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída
sociedade de propósito específico, incumbida de implantar e gerir o
objeto da parceria.
§ 1
o
A transferência do controle da sociedade de propósito específico
estará condicionada à autorização expressa da Administração
Pública, nos termos do edital e do contrato, observado o disposto no
parágrafo único do art. 27 da Lei n
o
8.987, de 13 de fevereiro de
1995.
§ 2
o
A sociedade de propósito específico poderá assumir a forma de
companhia aberta, com valores mobiliários admitidos a negociação
no mercado.
§ 3
o
A sociedade de propósito específico deverá obedecer a padrões
de governança corporativa e adotar contabilidade e demonstrações
financeiras padronizadas, conforme regulamento.
§ 4
o
Fica vedado à Administração Pública ser titular da
maioria do capital votante das sociedades de que trata este
Capítulo.
§ 5
o
A vedação prevista no § 4
o
deste artigo não se aplica à
eventual aquisição da maioria do capital votante da
sociedade de propósito específico por instituição financeira
controlada pelo Poder Público em caso de inadimplemento de
contratos de financiamento. (grifos nossos)

32 – Gabarito: CERTO

33) (2007/TJ-TO/JUIZ) A contratação de parceria público-privada
será precedida de licitação na modalidade de concorrência.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
A exemplo das concessões simples (reguladas pela Lei nº 8.987/1995), a
PPP será precedida de licitação na modalidade CONCORRÊNCIA (Lei nº
11.079/2004, art. 10).
Chamamos atenção para a especialidade desta modalidade de licitação, que
para parte da doutrina denomina-se concorrência-pregão, isso porque o Edital
pode admitir propostas escritas, seguidas de lances em viva voz (sem limitação a
quantidades de lances) e possibilidade de restrição aos licitantes cuja proposta
escrita for no máximo 20% (vinte por cento) maior que o valor da melhor
proposta (no pregão é de 10%, estão lembrados?). E mais: admite-se a inversão
de fases, isso mesmo, a habilitação precedida do julgamento.

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Nota: Chamamos atenção do amigo para recente alteração da Lei
(art. 18-A, com redação dada pela Lei nº 11.196/2005), a qual
faculta que o Edital preveja a inversão de fases, tal qual ocorre com
o Pregão, prevendo que só após a classificação das propostas na
licitação da concessão é que será examinada a habilitação do
licitante vencedor. Abaixo, transcrição do artigo.
Art. 18-A. O edital poderá prever a inversão da ordem das fases de
habilitação e julgamento, hipótese em que:
I - encerrada a fase de classificação das propostas ou o
oferecimento de lances, será aberto o invólucro com os documentos
de habilitação do licitante mais bem classificado, para verificação
do atendimento das condições fixadas no edital;
II - verificado o atendimento das exigências do edital, o licitante
será declarado vencedor;
III - inabilitado o licitante melhor classificado, serão analisados os
documentos habilitatórios do licitante com a proposta classificada
em segundo lugar, e assim sucessivamente, até que um licitante
classificado atenda às condições fixadas no edital;
IV - proclamado o resultado final do certame, o objeto será
adjudicado ao vencedor nas condições técnicas e econômicas por
ele ofertadas.
A diferença do procedimento, no caso de licitação da concessão,
é que PODERÁ ocorrer tal inversão (entre habilitação e
julgamento), enquanto no Pregão a inversão de fases é
OBRIGATÓRIA (primeiro, necessariamente, classifica, só depois,
então, procede-se a habilitação).

33 – Gabarito: CERTO

34) (2007/TJ-TO/JUIZ) A contraprestação da administração pública,
se prevista em contrato, poderá prever o pagamento de remuneração
variável, vinculada ao seu desempenho, conforme metas e padrões de
qualidade e disponibilidade definidos no contrato.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Na parceria público-privada, o parceiro público tem de efetuar a
contraprestação financeira devida ao parceiro privado, traço esse que
certamente particulariza a PPP.
Porém, a Lei nº 11.074/2004 é clara ao estabelecer que o pagamento
não pode ser antecipado, ou seja, para haver a contraprestação, os serviços
objeto do contrato devem ter sido disponibilizados. Essa regra é mais importante
do que a “regra de ouro”!
Agora, muita atenção, o parágrafo único do art. 7º da referida Lei faculta à
Administração (se houver previsão contratual) efetuar o pagamento relativa à
parcela já fruível do serviço. Por exemplo: o Governo de São Paulo decide
construir uma nova linha de Metrô (Linha Amarela – os amigos devem ter ouvido
falar da catástrofe!), ligando Vila Sônia a Fradique Coutinho e, por fim, de
Fradique Coutinho a Estação da Luz. Terminada a primeira parte da obra (Vila

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Sônia a Fradique Coutinho), pode a Administração entregar parcela da
contraprestação, desde que, obviamente, os serviços já estejam em operação no
trecho já construído.

34 – Gabarito: CERTO

35) (2007/TJ-TO/JUIZ) Concessão patrocinada é o contrato de
prestação de serviços no qual a administração pública é usuária direta
ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e
instalação de bens.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Essa é daquelas que já não posso mais pensar em errar. Como já se disse,
a concessão patrocinada é a antiga concessão comum (prestação de serviços
públicos) ADICIONADA de contraprestação paga pelo Poder Concedente.
No item, a Banca faz menção à concessão administrativa, daí o erro do
quesito.
35 – Gabarito: ERRADO

(2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações)
No Brasil, as parcerias público-privadas possuem características peculiares. Em
consonância com o disposto no art. 2.º da Lei n.º 11.079/2004, a parceria
público-privada é um contrato administrativo de concessão, nas modalidades
patrocinada ou administrativa. Diz-se que uma concessão de serviços públicos é
patrocinada quando envolve, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários, uma
contraprestação pecuniária do parceiro público ao privado. Já a concessão
administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a administração seja
a usuária direta ou indireta, ainda que envolva a execução de obra ou o
fornecimento e instalação de bens.
Benjamin Zymler e Guilherme de la Rocque Ameida. O controle externo das
concessões de serviços públicos e das parcerias público-privadas. Belo Horizonte:
Fórum, 2005, p. 251-2 (com adaptações).
Considerando o tema do texto acima, julgue os itens a seguir.
36) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) A lei mencionada
no texto proíbe expressamente a celebração de contrato de parceria
público-privada que tenha como objeto único o fornecimento de mão-
de-obra, o fornecimento e a instalação de equipamentos ou a
execução de obra pública.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Viva à Decoreba! É exatamente o que dispõe o art. 2º, §4º, da Lei da
PPP:
§ 4
o
É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
(...)
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra,
o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra
pública.

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Já tínhamos enfatizado essa vedação, ao lado das vedações quanto ao
prazo mínimo (5 anos) e máximo (35 anos), bem como a questão dos valores
envolvidos (acima de 20 milhões).
Para a correta caracterização do contrato como concessão patrocinada ou
administrativa, faz necessária a contraprestação parcial ou integral. Nesse
momento, o amigo se assusta: contraprestação integral, jurava que era
apenas parcial! Desvende, oh, Mister “M”, senhor dos concursos, esse
mistério... Lá vai, então.
O primeiro caso é relativamente simples, quem paga pelos serviços de um
Presídio, os usuários? Não, obviamente não... (desculpem a brincadeira). O
Estado, nesse caso, ficará encarregado pelo pagamento integral, por se tratar de
uma concessão administrativa.
Já quanto à PPP na modalidade patrocinada, pedimos muita (ou toda)
cautela, o §3º do art. 10 da Lei de PPP’s dispõe que, via de regra, a
contraprestação do parceiro público para o privado não excederá 70% da
remuneração devida, porém, SE HOUVER AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA
ESPECÍFICA, não há óbice para que esse limite, que é uma REGRA GERAL, seja
superado.

36 – Gabarito: CERTO

37) (2007/TCE-GO/Procurador/com adaptações) De acordo com a lei
mencionada no texto (Lei da Parceria Público-Privada – Lei
11.079/2004), não constitui parceria público-privada a concessão de
serviços públicos ou de obras públicas quando não envolver
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Comentários:
Só a título de fixação. Vide comentários anteriores.

37 – Gabarito: CERTO


Em 2006, uma autarquia federal publicou um edital de concorrência com objetivo
de, por meio de uma parceria público privada (PPP), efetuar a celebração de um
contrato administrativo de concessão na modalidade patrocinada, cujo objeto era
a construção e posterior exploração, mediante pedágio, de um trecho de rodovia
federal. Determinada pessoa jurídica representou ao TCU, apontando
irregularidades no referido edital e solicitando a adoção de medida cautelar para
a suspensão da concorrência.
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens seguintes.

38) (2007/TCU/AUDITOR) Consoante disposição expressa da
Constituição Federal, a União, os estados, o Distrito Federal (DF) e os
municípios devem disciplinar, por meio de lei, os consórcios públicos e
os convênios de cooperação entre os entes federados, podendo
autorizar a gestão associada de serviços públicos, bem como a

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transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens
essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONSÓRCIOS
Comentários:
De pronto, vejam o que estabelece expressamente a CF/1988, em seu
art. 241:
Art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios
de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou
parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à
continuidade dos serviços transferidos. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
Esse item é uma evidência de que nem só de questões difíceis se faz uma
prova elaborada pelo CESPE. Os examinadores são orientados a criarem 25% de
questões facílimas, 50% de questões de nível médio, e 25% para os alunos-cão
(rsrs...).
O presente quesito serve-nos para o apontamento de alguns detalhes sobre
os consórcios públicos. No entanto, preferimos não tecer profundas
considerações sobre o tema, por acreditar que não será objeto de nossa prova,
pelo menos, em elevado nível de dificuldade. Na dúvida, seguem brevíssimas
considerações:
a) A Lei nº 11.107/2005, que regula a contratação de consórcio, é Lei
Nacional, enfim, é editada pela União estendendo seus efeitos a todos
os entes políticos, o que não afasta, sobremaneira, a competência de os
entes legislarem. Os demais entes federativos, inclusive, deverão
adaptar as legislações próprias, acaso já editadas, às regras gerais da
referida Lei;
b) Tais ajustes são contratos administrativos celebrados por entes
políticos, apenas (federados: União, estados, DF, municípios). Quer
dizer, não existem consórcios públicos celebrados entre entes
ADMINISTRATIVOS (autarquias, fundações, e empresas
governamentais);
c) São pessoas jurídicas, ou de direito público ou de direito privado.
Quando de direito público, integram a Administração Indireta de todos
os entes consorciados, de acordo com a Lei, na qualidade de
ASSOCIAÇÃO PÚBLICA;
d) A União só formará consórcio público com o município se o Estado deste
município também estiver participando. Exemplo: União e município de
BH, só se o Estado de MG estiver participando;
e) Tais consórcios podem ser contratados diretamente sem licitação; e
f) O limite para a dispensa de licitação em razão do valor (art. 24,
parágrafo único, da Lei de Licitações) é de 20% da modalidade convite.

Nota: pedimos ao amigo concursando a leitura detida dos trechos
a seguir, pelo fato de o consórcio tratado acima não se confundir
com o consórcio de empresas da Lei de Concessões ou de
Licitações.

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O art. 19 da Lei nº 8.987/1995 cuida da participação de
empresas em consórcio na concessão de serviço público, fixando as
seguintes regras:
Quando permitida, na licitação, a participação de empresas em
consórcio, observar-se-ão as seguintes normas:
I - comprovação de compromisso, público ou particular, de
constituição de consórcio, subscrito pelas consorciadas;
II - indicação da empresa responsável pelo consórcio;
III - apresentação dos documentos exigidos nos incisos V e XIII do
artigo anterior, por parte de cada consorciada;
IV - impedimento de participação de empresas consorciadas na
mesma licitação, por intermédio de mais de um consórcio ou
isoladamente.
Primeira coisa: a participação de empresas em consórcio na
concessão de serviços públicos é uma FACULDADE colocada à
disposição da Administração. Nesse sentido, o art. 19 da Lei diz, de
forma clara: Quando permitida, na licitação, a participação de
empresas em consórcio...
Observamos que o vencedor da licitação fica obrigado a
promover a constituição e registro do consórcio, antes da
celebração do contrato. Isso significa dizer que se constitui
empresa? Absolutamente, não.
Os consórcios não são pessoas j urídicas, são entidades
despersonalizadas, que resultam do agrupamento de empresas
que, para melhor desempenharem suas funções, optam pela
conjugação de esforços (consórcio), pois, isoladamente, não teriam
condições financeiras ou técnicas para o pretendido (pelo menos
em tese). Nesse caso, a empresa líder é que ficará responsável
perante o poder concedente pelo cumprimento das obrigações
decorrentes da concessão, sem prejuízo da responsabilidade
solidária das demais consorciadas.
E surge o questionamento: no entanto, seria possível a
determinação de que o consórcio se constituísse empresa, antes da
celebração do contrato?
É exatamente o que dispõe o art. 20 da Lei de Concessões: É
facultado ao poder concedente, desde que previsto no edital, no
interesse do serviço a ser concedido, determinar que o licitante
vencedor, no caso de consórcio, se constitua em empresa antes da
celebração do contrato.
Percebam nosso negrito: a constituição em empresa é ato
discricionário, ou seja, fica a critério do Poder Concedente, mas, em
todo caso, deve haver previsão editalícia. Ah! Já na Lei da PPP a
constituição em SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO é
obrigatória!

38 – Gabarito: CERTO

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39) (2007/TCM-GO/AUDITOR – com adaptações) Em 2006, três
municípios vizinhos, situados no estado de Goiás, constituíram, na
forma estabelecida na legislação civil, um consórcio público para a
realização de objetivos e interesses comuns e para a prestação de
serviços na área de saúde. Por disposição expressa da lei federal que
dispõe sobrenormas gerais de contratação de consórcios públicos, o
mencionado consórcio integra a administração indireta dos três
municípios consorciados.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONSÓRCIOS PÚBLICOS
Comentários:
O presente consórcio público foi constituído NA FORMA DA LEGISLAÇÃO
CIVIL, perceberam?
Bom, como vimos, os consórcios públicos tanto podem ser pessoas
jurídicas de direito público ou de direito privado. Quando de direito público,
integram a Administração Indireta de todos os entes consorciados, de acordo
com a Lei, isso na qualidade de ASSOCIAÇÃO PÚBLICA. Porém, tratando-se de
consórcio público constituído nos termos da legislação civil, a personalidade
será de direito privado, daí a INCORREÇÃO do quesito proposto.

39 – Gabarito: ERRADO

40) (2007/PGE-PA/TÉCNICO) É nula a cláusula do contrato de
consórcio que preveja a doação, destinação ou cessão do uso de bens
móveis ou imóveis e as transferências ou cessões de direitos operadas
por força de gestão associada de serviços públicos.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONSÓRCIOS PÚBLICOS
Comentários:
Como temos afirmado, questões recentes sobre os temas PPP e consórcios
públicos têm sido extremamente literais. Veja o que estabelece o art. 4º, §3º, da
Lei dos Consórcios Públicos:
É nula a cláusula do contrato de consórcio que preveja determinadas
contribuições financeiras ou econômicas de ente da Federação ao
consórcio público, SALVO a doação, destinação ou cessão do uso de
bens móveis ou imóveis e as transferências ou cessões de direitos
operadas por força de gestão associada de serviços públicos. (grifo
nosso)
O art. 4º da Lei dos Consórcios nos fornece quais são cláusulas necessárias
do protocolo de intenções (leia-se: ato negocial entre os entes políticos), por
exemplo:
I – a denominação, a finalidade, o prazo de duração e a sede do
consórcio;
II – a identificação dos entes da Federação consorciados;
III – a indicação da área de atuação do consórcio;
IV – a previsão de que o consórcio público é associação pública ou
pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos;
VII – a previsão de que a assembléia geral é a instância máxima do
consórcio público e o número de votos para as suas deliberações;

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VIII – a forma de eleição e a duração do mandato do representante
legal do consórcio público que, obrigatoriamente, deverá ser Chefe
do Poder Executivo de ente da Federação consorciado;
X – as condições para que o consórcio público celebre contrato de
gestão ou termo de parceria;
O referido protocolo de intenções (a ser publicado na imprensa oficial,
como condição de eficácia) deve definir o número de votos que cada ente da
Federação consorciado possui na assembléia geral, sendo assegurado 1 (um)
voto a cada ente consorciado.
Ainda de acordo com a Lei, os entes da Federação consorciados, ou os com
eles conveniados, poderão ceder-lhe servidores, na forma e condições da
legislação de cada um.

40 – Gabarito: ERRADO

41) (2007/TJ-TO/JUIZ) Os consórcios são acordos firmados por
entidades públicas de qualquer espécie, ou entre estas e organizações
particulares, para a realização de objetivos de interesse comum dos
partícipes.
Tema: SERVIÇOS PÚBLICOS – CONSÓRCIOS PÚBLICOS
Comentários:
Entidades Públicas de qualquer espécie? Não. Como aprendemos, os
consórcios públicos são formados, necessariamente, a partir da conjugação de
esforços dos ENTES POLÍTICOS, daí a INCORREÇÃO do quesito.

41 – Gabarito: ERRADO

Abraço forte a todos,

Cyonil Borges e Sandro Bernardes.