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Ano 11 Nº 51 Mar/Abr 2014 ISSN 0100-1485 entrevista entrevista Gutemberg Gutemberg de de Souza
Ano 11
Nº 51
Mar/Abr 2014
ISSN 0100-1485
entrevista entrevista
Gutemberg Gutemberg de de
Souza
Souza Pimenta ,
Pimenta ,
ex-presidente ex-presidente da da
ABRACO ABRACO
inibidores inibidores de de corrosão corrosão
eficiência eficiência e e proteção proteção
ambiental ambiental

Sumário51:Sumário/Expedient36 4/29/14 6:43 PM Page 1

A revista Corrosão & Proteção é uma publicação oficial da ABRACO – Associação Brasileira de

A revista Corrosão & Proteção é uma publicação oficial da ABRACO – Associação Brasileira de Corrosão, fundada em 17 de outubro de 1968. ISSN 0100-1485

Av. Venezuela, 27, Cj. 412 Rio de Janeiro – RJ – CEP 20081-311 Fone: (21) 2516-1962/Fax: (21) 2233-2892 www.abraco.org.br

Diretoria Executiva – Biênio 2013/2014 Presidente Eng. Rosileia Mantovani – Jotun Brasil

Vice-presidente Dra. Denise Souza de Freitas – INT

Diretores Aécio Castelo Branco Teixeira – química união Eng. Aldo Cordeiro Dutra Cesar Carlos de Souza – WEG TINTAS M.Sc. Gutemberg de Souza Pimenta – CENPES Isidoro Barbiero – SMARTCOAT Eng. Pedro Paulo Barbosa Leite Dra. Simone Louise Delarue Cezar Brasil

Conselho Científico M.Sc. Djalma Ribeiro da Silva – UFRN M.Sc. Elaine Dalledone Kenny – LACTEC M.Sc. Hélio Alves de Souza Júnior Dra. Idalina Vieira Aoki – USP Dra. Iêda Nadja S. Montenegro – NUTEC Eng. João Hipolito de Lima Oliver –

PETROBRÁS/TRANSPETRO

Dr. José Antonio da C. P. Gomes – COPPE Dr. Luís Frederico P. Dick – UFRGS M.Sc. Neusvaldo Lira de Almeida – IPT Dra. Olga Baptista Ferraz – INT Dr. Pedro de Lima Neto – UFC Dr. Ricardo Pereira Nogueira – Univ. Grenoble – França Dra. Simone Louise D. C. Brasil – UFRJ/EQ

Conselho Editorial Eng. Aldo Cordeiro Dutra – INMETRO Dra. Célia A. L. dos Santos – IPT Dra. Denise Souza de Freitas – INT Dr. Ladimir José de Carvalho – UFRJ Eng. Laerce de Paula Nunes – IEC Dra. Simone Louise D. C. Brasil – UFRJ/EQ Simone Maciel – ABRACO Dra. Zehbour Panossian – IPT

Revisão Técnica Dra. Zehbour Panossian (Supervisão geral) – IPT Dra. Célia A. L. dos Santos (Coordenadora) – IPT M.Sc. Anna Ramus Moreira – IPT M.Sc. Sérgio Eduardo Abud Filho – IPT M.Sc. Sidney Oswaldo Pagotto Jr. – IPT

Redação e Publicidade Aporte Editorial Ltda. Rua Emboaçava, 93 São Paulo – SP – 03124-010

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Diretores João Conte – Denise B. Ribeiro Conte

Editor Alberto Sarmento Paz – Vogal Comunicações redacao@vogalcom.com.br

Repórter

Carlos Sbarai

Projeto Gráfico/Edição Intacta Design – julio@intactadesign.com

Gráfica

Ar Fernandez

Design – julio@intactadesign.com Gráfica Ar Fernandez Esta edição será distribuída em maio de 2014. As

Esta edição será distribuída em maio de 2014.

As opiniões dos artigos assinados não refletem a posição da revista. Fica proibida sob a pena da lei a reprodução total ou parcial das matérias e imagens publicadas sem a prévia auto- rização da editora responsável.

Sumário

a prévia auto- rização da editora responsável. Sumário 4 Editorial INTERCORR: tudo pronto para a largada
a prévia auto- rização da editora responsável. Sumário 4 Editorial INTERCORR: tudo pronto para a largada

4

Editorial

INTERCORR: tudo pronto para a largada

5

ABRACO Informa

ABRACO amplia seu leque de atuação

6

Entrevista

Um profissional eclético

8

Inibidores de Corrosão

Eficiência e proteção ambiental

33

Notícias do Mercado

34

Opinião

Mudasil

Juós

Artigos Técnicos

16

Perfil de rugosidade de superfícies de aço-carbono x espessura de pintura: um tema importante para ser debatido

Por Celso Gnecco e Fernando L. de Fragata

24

Sensores de monitoramento do risco de corrosão nas estruturas de concreto atmosféricas

Por Adriana de Araújo e Zehbour Panossian

C & P • Março/Abril • 2014

3

Editorial51:Editorial36 4/29/14 5:09 PM Page 1

Carta

ao leitor

INTERCORR: tudo pronto para a largada

1 Carta ao leitor INTERCORR: tudo pronto para a largada ntre os dias 19 e 23

ntre os dias 19 e 23 de maio, Fortaleza será a capital nacional da corrosão e proteção. Nesse período, está programado o INTERCORR 2014, o maior evento internacional de corrosão

que se realiza no Brasil. Reunindo a comunidade técnica e científica das universidades, institutos de pesquisas, empresas e profissionais da área de corrosão, o INTERCORR tem tradição de proporcionar um grande intercâmbio de conhecimentos e experiências. O INTERCORR reúne cinco eventos: 34º Congresso Brasileiro de Corrosão, 5 th International Corrosion Meeting, X Congreso Iberoamericano de Corrosión y Protección, 19º Concurso de Fotografia de Corrosão e Degradação de Materiais e a 34ª Exposição de Tecnologias para Prevenção e Controle da Corrosão.

Nesta edição, também será realizada o evento anual da Asociación Iberoamericana de Corrosión y Protección – AICOP, consolidando, desta forma, o INTERCORR como referência para o desenvolvimen- to industrial no Brasil e no exterior, sendo um excelente cenário para empresas de diversos segmentos apre- sentarem suas tecnologias, divulgarem sua marca e darem visibilidade aos seus negócios, ampliando rela- cionamento e conhecimento. E é exatamente por isso que a Expo-

sição de Tecnologias para Prevenção e Controle da Corrosão ganha a cada edição mais notoriedade, sendo que em 2014 serão 20 empre- sas participantes. Deve-se também abrir parênteses para o trabalho desenvolvido pelo Comitê Executivo, capitaneado por Neusvaldo Lira de Almeida, do IPT; e Comitê Técnico-Científico, tendo à frente a pesquisadora

da URFJ Simone Louise D. C. Brasil, que buscam aprimorar con- tinuamente o evento, a partir da experiência acumulada nas edições anteriores, observações de congressos mundiais e acompanhamento das inovações relacionadas à corrosão. Uma novidade da edição 2014 será a conferência de abertura. Sob o título “Construindo uma Tropa de Elite”, terá como palestrante Paulo Storani, ex-capitão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especi- ais) da PM do Rio de Janeiro e o principal consultor para a construção do personagem principal do filme “Tropa de Elite”. A palestra propõe estabelecer uma relação entre a realidade do BOPE e a das atividades do mundo corporativo, abordando, por exemplo, processos, compromisso com a marca, foco no resultado, trabalho em equipe, superação de limites, autorrealização no cumprimento da tarefa, missão e liderança. A programação técnica é extensa e aborda praticamente todas as áreas de interesse (veja programação completa no site www.abraco.org.br). São três painéis: Corrosão Externa de Dutos: Normalização, Gestão e Desafios; Galvanização; e Proteção Passiva contra Fogo; cinco conferências e a apresentação de trabalhos na forma oral e pôster. Destaque também para os minicursos que sempre são acompanhados por um número expressivo de profissionais. O INTERCORR 2014 tem programado os seguintes: Noções de Revestimento Anticorrosivo de Dutos Terrestres (ministrado por André Koebsch, da Petrobras), Ensaios em Tintas Anticorrosivas (Celso Gnecco, da Sherwin-Williams), Corrosão em Estruturas Marítimas Offshore (Álvaro Terra, da Petrobras), Uso de Inibidores de Corrosão na Indústria (Isabel Correia Guedes, da USP) e Corrosão em Sistemas de Geração de Vapor – Caldeiras (Hermano Cezar Medaber Jambo, da Petrobras).

“ A novidade da edição 2014 ficará por conta da palestra de Paulo Storani, ex-capitão
“ A novidade da edição 2014 ficará por conta da
palestra de Paulo Storani, ex-capitão do BOPE e
consultor do filme “Tropa de Elite”, que estabelecerá
uma relação entre o BOPE e o mundo corporativo

Patrocinadores – É necessário sempre reforçar a importância dos patrocinadores para a realização do INTERCORR. Nesta edição, o evento conta com o apoio da Innospec (patrocinador platina); Inter- national Paint, Tinôco Anticorrosão, Tintas WEG, Sherwin Williams, Jotun e Blaspint (patrocinadores ouro); e SmartCoat, Air Products, CSP e Tintas Jumbo (patrocinadores prata).

Boa leitura!

Os editores

ABRACOInforma51:Mercado36 4/29/14 4:32 PM Page 1

ABRACO Informa

ABRACO amplia seu leque de atuação A ABRACO – Associação Brasileira de Corrosão promo- verá,
ABRACO amplia seu leque de atuação
A ABRACO – Associação Brasileira de Corrosão promo-
verá, no final de julho, uma votação para alterar sua denomi-
nação, ampliando dessa forma seu escopo. “Queremos ampli-
ar o nome para Associação Brasileira de Corrosão e Deteri-
oração de Materiais – ABRACO. Além disso, pretendemos
estender nosso leque de atendimento no sentido de promover
a capacitação, qualificação e certificação de pessoas, empresas,
produtos e serviços relacionados ao controle de corrosão e
deterioração de materiais, com todos os benefícios propor-
cionados pela associação”, revela o gerente geral da entidade,
Marcos Morete.
Morete informou ainda que a votação será eletrônica e que
a ABRACO receberá, por intermédio de e-mail, os votos. “Es -
tamos à disposição para fornecer todas as explicações e proce-
dimentos, bem como login e senha para que a votação seja rea-
lizada com sucesso. É importante que o cadastro dos associados estejam atualizados na associação, prin-
cipalmente os e-mails. As inscrições para novos sócios também podem ser feitas através do nosso endereço
eletrônico: abraco@abraco.org.br.”, alerta Morete. O gerente lembra que a missão da ABRACO é di-
fundir e desenvolver o conhecimento da corrosão e da proteção anticorrosiva, congregando empresas,
entidades e especialistas e contribuíndo para que a sociedade possa garantir a integridade de ativos e pro-
teger as pessoas e o meio ambiente dos efeitos deletérios da corrosão e da deterioração de materiais.
Mais informações podem ser obtidas diretamente no site www.abraco.org.br.
corrosão e da deterioração de materiais. Mais informações podem ser obtidas diretamente no site www.abraco.org.br.

Entrevista51:Entrevista36 4/29/14 4:35 PM Page 1

Entrevista Gutemberg de Souza Pimenta Um profissional eclético Passando por todos os segmentos da indústria
Entrevista
Gutemberg de
Souza Pimenta
Um profissional eclético
Passando por todos os segmentos da indústria de petróleo, Gutemberg de Souza Pimenta esteve
sempre na linha de frente de diversas pesquisas voltadas para a prevenção e o combate
à corrosão e hoje dedica-se ao transporte de petróleo e seus derivados
m dos mais proeminentes
pesquisadores que atuam
na área de corrosão, Gu-
temberg é graduado em Enge-
nharia Mecânica pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de
Janeiro – PUC-RJ, com mestra-
do em Engenharia Metalúrgica e
Ciência dos Materiais pela Uni -
versidade Federal do Rio de Ja-
neiro – COPPE. Desde 1979,
trabalha na área de corrosão,
quando ingressou no Centro de
Pesquisas da Petrobras – CEN-
PES, onde seguiu carreira até
chegar, no ano 2000, ao cargo de
Consultor Sênior da Petrobras.
Desde 2006, é responsável
pela implantação da Rede Temá-
tica de Materiais e Corrosão (rede
de pesquisa de desenvolvimento
interligada por vários centros
avançados de estudos), projeto
desenvolvido pela Petrobras e
ANP (Agência Nacional de Pe-
tróleo) nas universidades e ins-
titutos de pesquisas do Brasil.
Gutemberg também é um
incentivador da participação
dos profissionais em associações
técnicas. Ele mesmo atua ativa-
mente na ABRACO, Associa -
ção Brasileira de Corrosão, on-
de foi presidente durante os
anos de 2001 e 2002, e hoje
integra a diretoria, além de par-
ticipar de diversas formas – pa -
lestrante, congressista ou orga-
nizador – de diversos eventos e
ações relevantes para a consoli-
dação da entidade.
Nesta entrevista, Gutemberg
conta um pouco de sua história.
desempenho tive a oportunidade de
entrar no Centro de Pesquisas da
Petrobras e a vaga era para traba-
lhar com pesquisas na gerência res-
ponsável pela corrosão.
Conte um pouco da sua opção
pela engenharia e a especializa-
ção em corrosão?
Gutemberg Pimenta – Desenvol-
ver e construir sistemas de testes
sempre foi um exercício que prati-
cava muito na minha adolescência,
razão pela qual optei pela mecâ-
nica. Ainda na PUC, participei
como monitor de dois laboratórios
novos e tinha como tarefa principal
estudar e especificar procedimentos
de testes para as aulas práticas do
departamento. Isto me fez buscar
conhecimentos necessários para as
atividades através de pesquisas,
consultas a normas técnicas, além
de conhecer no mercado do Rio de
Janeiro empresas que trabalhassem
com os sistemas que eu estava mon-
tando. Outro fato importante foi o
meu trabalho final de curso, no
qual tive como responsabilidade o
projeto de uma esteira rolante, que
me levou a fazer também uma
grande pesquisa na literatura exis-
tente e conhecer máquinas e aces-
sórios existentes no mercado. Ao
término do curso de engenharia
passei por outros na Petrobras, o de
Engenharia e Inspeção de Equipa-
mentos, e lá tive diversas matérias
de corrosão que não existiam na
universidade. Em razão do meu
Quais foram seus mestres e co-
mo eles lhe influenciaram?
Pimenta – Isto teve um grande
peso na minha decisão de traba-
lhar com corrosão, pois sempre fi-
quei ligado aos mestres que eram
referência em corrosão na Petro-
bras, no Brasil e no mundo.
Aprendi muito com eles os quais
também confiaram no meu traba-
lho, na postura profissional e na
vontade de atuar com pesquisas em
temas ainda desconhecidos na dé-
cada de 1980. Devo muito aos
meus três grandes mestres: o Dr.
Paulo Cesar Loyola, o Dr. Marcio
Almeida Ramos e o Dr. Fernando
Benedito Mainier.
Quais as principais linhas de
pesquisa a que se dedicou?
Pimenta – Sempre procurei tra-
balhar com pesquisas de alto risco
e grande valor agregado para as
atividades da empresa. Comecei
minha linha de pesquisa em sis-
temas de produção, plataformas
fixas, estudando os efeitos do H 2 S
na corrosão sob tensão nos mate-
riais de linha de produção. Parti-
cipei da construção de um siste-
ma “mooring de corrosão” para
estudar a performance da prote-
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C & P • Março/Abril • 2014

Entrevista51:Entrevista36 4/29/14 4:35 PM Page 2

ção catódica e corrosão sob fresta em até mil metros de profundi-

dade. Outro projeto de pesquisa foi a de estudar inibidores de cor- rosão para poços onshore, onde aumentamos a vida útil das co- lunas. Coordenei o projeto de pes-

tura. No exterior, além de apresen- tarem equipamentos de pesquisas de última geração, os pesquisadores ainda têm como característica apresentarem pesquisas com um custo baixo, função esta devido ao apoio muito maior dos órgãos go-

todos os cursos existentes de corrosão pela ABRACO e pelas entidades de pesquisas externas: INT e IPT. Meu crescimento na carreira de corrosão também teve como grande input os cursos gerenciais e de rela- cionamento com empresas e pessoas.

quisas de corrosão sob tensão em

vernamentais nos EUA e Europa.

A

participação nesses cursos associ-

etanóis, mostrando que o meca- nismo de falha que estava ocor- rendo nos EUA não acontecia em etanol de cana-de-açúcar, par- ceria realizada com o INT, IPT

O senhor tem uma destacada atuação associativa. Na sua vi- são, qual a importância de par- ticipar ativamente de associa-

ada a outros diversos que fiz na Petrobras (passando pela produção, transporte e refino de petróleo e seus derivados, biocombustível e gás e energia), foi de extrema importân-

e

UFGRS. Também coordenei o

ções profissionais?

cia para a evolução da minha car-

projeto de corrosão e medidas pre-

Pimenta – A associação deve ter

reira e, por isso, considero-me um

ventivas em dutos e tanques onde

sempre como meta principal a di-

Engenheiro de Corrosão completo.

foram geradas várias soluções para

vulgação dos temas ligados a suas

Parte disso vem desse conhecimento

os

nossos sistemas, evitando falhas e

atividades, como congressos, semi-

Tudo isto só é possível se tivermos

adquirido via ABRACO e, depois

melhoria da nossa logística de transporte e armazenamento de pe- tróleo e seus derivados. Esta ati-

nários, cursos e normas técnicas.

uma equipe de trabalho muito boa

de algum tempo, passei a orientar cursos e palestras como uma forma levar meu conhecimento à comu-

vidade teve como grande parceiro o IPT. Minhas principais linhas de

que consiga sempre enxergar no mercado os temas que estão em

e

nidade.

pesquisa foram o monitoramento e

pauta. Eu tenho esta característica

Conte sobre sua experiência na

gerenciamento e inibição da cor- rosão. Passei por todos os segmentos da indústria de petróleo. Hoje eu estou voltado mais ao transporte de petróleo e seus derivados, etanol, biodiesel e produtos ácidos gerados pelas petroquímicas.

gosto de estar sempre em contato

com os pesquisadores e manter-me atualizado na atividade. É através da associação que devemos realizar este trabalho. Fui um dos princi- pais articuladores de trazer o LA- TINCORR para o Brasil, assim como da elaboração do COTEQ,

e

Rede Temática de Corrosão. Pimenta – Antes da criação da Rede Temática de Corrosão eu já havia tido uma grande experi- ência na construção de dois labo- ratórios de corrosão: um com a UFRJ e o outro em Natal, RN. A

O

que se discute hoje a respei-

onde participam a ABRACO,

escolha de outras entidades para a construção dos laboratórios foi

os

pesquisadores das universidades

to

da corrosão?

ABENDE e IBP, evento bianual

fácil, pois eu já conhecia, por

Pimenta – Meio ambiente e quali- dade do produto são dois fatos que

acessórios, fica em segundo plano. A

que é realizado nos anos impares.

meio dos Congressos de Corrosão,

no Brasil sempre estão em pauta. O

De quais associações partici-

e

institutos de pesquisas que tra-

valor do ativo, equipamentos e

ação corrosiva degenera o produto e

pou e quais cargos ocupou? Pimenta – Participei sempre da ABRACO e ocupei todos os cargos

balhavam com o tema assim co- mo a experiência de cada pesqui- sador. Ficou apenas como tarefa

o

vazamento de fluidos, por exem-

nela existentes: diretor, vice-presi -

ver e conhecer as especialidades de

plo, em dutos pode causar proble-

dente, presidente e ainda coorde-

cada entidade e o que já tinha de

mas graves ao meio ambiente.

nei o projeto de recuperar a via - bilidade financeira da entidade.

infraestrutura implantada. Par- ticipei de todos os projetos. Hoje

O

país está no mesmo patamar

Este foi meu grande legado na

já temos uma infraestrutura sufi-

do que os países mais desen-

associação.

ciente para atender as demandas

volvidos? Como o senhor ava -

 

de pesquisas em todas as ativi-

lia

essa questão?

Sobre a ABRACO, conte como

dades da Petrobras, com a exceção

Pimenta – No que se refere à com-

paração entre os pesquisadores do Brasil e no exterior estamos no mesmo patamar. O nosso grande problema ainda é o apoio do go - verno em pesquisa e a infraestru-

e porque chegou à entidade, e o que destacaria em sua atuação

à frente da associação.

Pimenta – Este foi o meu destino, não vejo muita explicação. Após a

entrada no setor de corrosão fiz

da capacitação nos processos de uma indústria de petróleo. Esta

demanda é atendida com a con- tratação de projetos, onde os pes- quisadores são então treinados nestas atividades.

C & P • Março/Abril • 2014

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MateriaCapa51:MateriaCapa37 4/29/14 6:06 PM Page 1

Inibidores

de Corrosão

Eficiência e proteção ambiental

Os inibidores de corrosão encontram um amplo e muito diversificado campo de atuação, mas certamente o seu maior uso é na indústria química e petroquímica

o seu maior uso é na indústria química e petroquímica ema de relevância na in- dústria

ema de relevância na in-

dústria química e petro- química, principalmente no transporte e armazenamento de combustíveis, como forma de minimizar a corrosão interna de dutos, os inibidores de corrosão têm ampliado suas aplicações. Para debater um pouco mais so - bre sua eficiência, impotância de ensaios laboratoriais antes de sua aplicação, segurança e implica - ções ambientais envolvidos na operação, a Revista Corrosão & Proteção consultou pesquisado- res, usuários e fabricantes de ini- bidores de corrosão para obter um painel atualizado sobre o processo.

Pesquisadores e usuários

Os inibidores voláteis de corro - são (IVC), geralmente são cons-

tituídos de sais orgânicos voláteis com características de alta pressão de vapor, permitindo assim que

Por Alberto Paz

ros, analista de materiais da Mercedes Benz do Brasil. Segundo Barros, para utilização dos inibidores voláteis de corrosão, em substituição aos meios protetivos formadores de película (protetivos por imersão ou aspersão), devem ser tomadas algumas precauções. “É

importante efetuar, em laboratório, os ensaios iniciais de corrosividade, para avaliar o tipo de IVC mais adequado aos materiais dos compo- nentes a serem protegidos (aço, ferro fundido, chapa zincada, latão, cobre, bronze). Devemos também analisar a compatibilidade dos resí- duos remanescentes dos materiais utilizados no processo produtivo (fluido de corte, óleos de estampagem, desengraxante da máquina de lavar). É imprescindível dimensionar a quantidade de IVC por metro cúbico da embalagem, pois esta quantidade varia para cada fornecedor

e tipo de IVC disponível no mercado, cabendo assim um teste piloto.
É

recomendável a realização de um lote experimental para assegurar em

condições de processo e reais condições de intempéries climáticos que estarão expostos os itens analisados, com maior criticidade quando sub- metidos a longos períodos de exportação/importação via marítima. Estão disponíveis no mercado embalagens especiais para proteção anti- corrosiva de materiais eletro/eletrônicos. A utilização do IVC para esta aplicação tem apresentado excelentes resultados de custo beneficio”. É muito importante saber quais são os principais atributos na hora de escolher um inibidor de corrosão. “A decisão de utilização do IVC deve ser baseado na qualidade, ou seja, deverá atender a necessidade de proteção das peças e componentes, valorizando a segurança e saúde ocupacional, gerando menor impacto ao meio ambiente, com melhores resultados aos colaboradores/usuários

os

vapores se espalhem e saturem

finais. Em relação aos meios protetivos convencionais, também de-

o

ar do interior das embalagens

para proteção de peças, conjun- tos acabados ou semiacabados, e eletroeletrônicos. “Os inibidores de corrosão podem ser aplicados nos itens em operações de arma - zenamento e transporte, seja ele aéreo, terrestre ou marítimo. O IVC também tem sua utilização em processos que exigem con - tinuidade, dispensando a ne -

verá trazer vantagens em segurança se comparado com produtos combustíveis ou inflamáveis (protetivos base solvente). Reduzindo etapas no processo, gerando praticidade com vantagens ao eliminar tanques de protetivos, consequentemente a manutenção dos mes- mos (algumas vezes combustíveis ou inflamáveis), estas qualidades trazem ganho ao ambiente de trabalho, eliminando o contato dos operadores com óleo mineral e possíveis odores desagradáveis, con- sequentemente diminui riscos e acidentes de trabalho, elimina descarte de material e emissão de VOC”, explica Barros. “Com base nos comentários anteriores, normalmente os forne- cedores oferecem produtos IVC recicláveis, atóxicos e realizam cons-

cessidade de operações de desen-

tantes pesquisas para atenderem as legislações, necessidades dos clientes

e

normas regidas pelos órgãos ambientais conforme determina a legis-

graxe e ou remoção da película protetiva, em chapas e conjuntos lavados e protegidos com em - balagem IVC, que após trans- porte são entregues diretamente no processo de soldagem”, revela

lação brasileira. Em muitos casos de usuários de IVC, é comum a existência de normas de especificação de fornecimentos com “lista ne- gativa de produtos declaráveis” e uso proibido, baseado em normas in- ternacionais como, por exemplo, GADSL/VDA 232-101 que reúne substâncias/classes de substâncias, visando a proteção das pessoas e do

meio ambiente, regulamentando os componentes de formulação conti-

Marco Antônio Moraes de Bar-

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TABELA 1 – AVALIAÇÃO DOS CORPOS DE PROVA DE AÇO-CARBONO – NACE TM-0172 (2001)

Avaliação

Porcentagem da superfície corroída (%)

A

 

0

B

++

Menos que 0,1 (2 ou 3 manchas de não mais que 1 mm de diâmetro)

B

+

Menos que 5

B

5

a 25

C

25

a 50

D

50

a 75

E

 

75 a 100

das nas formulações utilizadas”, comenta Marco Antônio Moraes de Barros, acrescentan- do que os produtos IVC atualmente disponíveis para consumo atendem às normas

nacionais e internacionais, mesmo assim pesquisas em novos componentes para substitui- ção destes estão sendo feitas, e o impacto da nanotecnologia nesta área de atuação tende

a trazer grandes vantagens.

próprio para utilização em dutos de transporte de claros, ser efi-

ciente em baixas concentrações, fácil aplicação sem a necessidade

de pré-diluição, o filme deve ter

uma boa permanência na pare-

de do duto, não deve promover

alterações na qualidade do pro- duto transportado, insolúvel na

fase aquosa, dispersível na fase aquosa e totalmente solúvel no combustível. A eficiência de um inibidor

de corrosão é verificada por meio

do ensaio NACE TM-0172 (2001) intitulado Determining

Legislação De acordo com o engenheiro Marcelo Schultz da Petrobras, o mais importante quan- to às normas vigentes são as novas legislações colocadas em vigor, para o setor de óleo e gás, pela Agência Nacional de Petróleo – ANP. Todos os regulamentos em vigor, sejam o SGSO (Sistema de Gestão de Segurança Operacional), o RTSGI (Regulamento Técnico do Sistema de Gerenciamento de Integridade), o RTDT (Regulamento Técnico de Dutos Terrestres), quanto outros ainda em elaboração, visam a implantação da gestão de segu- rança operacional, obrigando os operadores a um processo de adequação à nova legislação. “Neste caso em especial, não terão futuro próspero os inibidores de corrosão que sejam prejudiciais ao homem e ao meio ambiente”, comenta Schultz.

Eficiência Para Lorena Cristina de Oliveira Tiroel, engenheira de Terminais e Dutos TRANSPE- TRO/PRES/SE/ENG/STSPPCO/INSP, na aplicação em dutos de transporte, os ini- bidores de corrosão são utilizados em dutos ou polidutos de transporte de claros (óleo

derivados claros transportados o mais agressivo para os dutos de transporte é a nafta-petro-

Corrosive Properties of Cargoes in Petroleum Product Pipelines. O ensaio NACE avalia a corrosivi- dade do derivado em condições não estagnadas e na presença de água aerada, condição esta co- mum em dutos. “Neste ensaio verifica-se as alterações visuais que ocorrem em corpos de prova de aço-carbono padronizados imersos durante quatro horas, com agitação, no derivado de pe- tróleo em estudo no qual são adi- cionados 10 % de água (com pH = 4,5)”, explica Lorena. “Por meio da porcentagem

diesel, nafta e gasolina). “Estes produtos, quando isentos de inibidores de corrosão, pos-

da

área corroída (ver Tabela 1), e

suem um alto potencial de corrosividade devido à água residual que pode decantar na ge- ratriz inferior em pontos baixos do duto e ser um meio de transporte de íons dispersos no combustível. Estes íons dispersos em contato com a parede do duto formam uma célula eletrolítica desencadeando um processo corrosivo na parede interna do duto. De todos os

química porque ela é capaz de dissolver grandes quantidades de O 2 e CO 2 da atmosfera

não da intensidade da coloração dos produtos de corrosão ou da perda de massa, avalia-se a cor- rosividade do derivado, atribu- indo-se a esta porcentagem um grau de corrosividade. Cabe ci-

e

alimentar a fase aquosa com estes gases, de modo a estabelecer condições aeradas, cau-

tar, que a água é adicionada, pois

sando a corrosão do ferro tendo a reação de redução do oxigênio como a principal reação

catódica. Devido a esta agressividade a nafta petroquímica é o derivado padrão utilizado nos processos de qualificação de inibidor de corrosão. A dosagem de inibidor de corrosão definida para a nafta-petroquímica é adotada para todos os demais derivados claros”,

a corrosividade dos derivados de petróleo é devida à presença da água de formação proveniente do processo de extração/refino

comenta Lorena.

do

petróleo e da água incorpora-

“A eficiência destes produtos é satisfatória no combate ao processo corrosivo interno

da

durante o armazenamento em

de dutos de transporte desde que sejam observadas algumas condições tais como: produ- to correto, ou seja, um produto próprio para dutos de transporte de claros, dosagem cor-

tanques não herméticos. Este ensaio é feito de forma periódica

reta, aplicação contínua e sem interrupção, tempo de contato suficiente para a formação

e

os pontos de amostragens

do filme na parede do duto, ausência de produtos que possam desativar o inibidor de cor- rosão, ausência de produtos que tenham uma ação inibidora e que possam competir com

localizam-se ao longo do duto. Os níveis aceitáveis de corrosivi-

o

inibidor comercial e monitoramento contínuo da eficiência do produto. Quando a apli-

cação do produto é feita de uma forma adequada a vida útil do duto pode ser ampliada e os prazos de inspeções internos podem ser estendidos, reduzindo o custo de manutenção”, comenta a engenheira. Lorena Tiroel avalia que a escolha de um inibidor de corrosão deve ser um produto

dade para um produto com inibidor de corrosão são as classi-

ficações (A ou B ++ )”, acrescenta Lorena. Ainda sobre o processo de

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qualificação de um inibidor de corrosão para utilização em dutos de transporte de claros, gostaria de ressaltar que para estabelecer um inibidor de corrosão para uso em oleodutos de transporte um produto deve possuir as caracte- rísticas já comentadas e passar por um processo de qualificação. “Neste processo os fabricantes que possuem inibidor de corro- são para dutos são convidados a participarem deste processo. Os interessados devem ceder amos- tras de produtos informando a dosagem mínima que atenda os níveis aceitáveis de corrosividade NACE. As amostras são enviadas para um laboratório idôneo e com qualificação técnica na avali- ação de inibidores de corrosão onde são dosadas em nafta-petro- química e posteriormente sub- metidas ao ensaio de corrosivida- de ao aço-carbono NACE TM- 0172 (2001) intitulado Deter- mining Corrosive Properties of Cargoes in Petroleum Product Pipelines. Estes ensaios são reali- zados em duplicatas e triplicatas e o(s) produto(s) que atingir(em) os padrões de aceitabilidade (A ou B ++ ) com a menor dosagem são qualificados para utilização nos dutos”, conclui Lorena.

Aplicações mais relevantes Para o pesquisador e chefe do Laboratório de Corrosão e Tratamento de Superfície do Instituto de Pesquisas Tecno - lógicas do Estado de São Paulo – IPT, Neusvaldo Lira de Al- meida, os inibidores de corro - são encontram um amplo e muito diversificado campo de atuação, mas certamente o seu maior uso é na indústria quí - mica e petroquímica. “Nesses segmentos os problemas de corrosão são mais numerosos e, portanto, medidas preven - tivas são mandatórias. Nos sis- temas de transportes e armaze - namento de petróleo e seus derivados, o uso de inibidores

de corrosão tem sido um grande aliado das empresas no controle dos processos de corrosão, em particular para minimizar problemas de corrosão interna de dutos de transporte. A indústria de tintas anticorrosivas é também um campo de aplicação. Outra aplicação importante dos inibidores, neste caso dos inibidores voláteis de cor- rosão, é nas embalagens de peças e equipamentos para exportação. Enfim, na maioria dos casos onde a corrosão está presente, os ini- bidores são considerados como uma alternativa eficaz de controle”. Para Neusvaldo, um dos principais fatores para se avaliar a eficiên- cia dos inibidores, é saber qual a aplicação específica e a que se destina. Em função da aplicação é que se define a metodologia de avaliação, que são várias. Outro aspecto a ser considerado é a concentração que deve ser utilizada, pois os inibidores têm que ser eficientes em concentrações mais baixas possíveis. Ser eficiente em altas concentrações inviabiliza o uso. “Já sobre o impacto ambiental, acredito que a evolução neste seg- mento é como em todos os demais setores, onde há uma busca per- manente por tecnologias consideradas não agressivas ao meio ambi- ente. Atualmente já existem várias tecnologias que foram desenvolvidas com esta preocupação. É certo que ainda temos vários deles para os quais não foram desenvolvidos substitutos. Mas é um processo. Ainda nesse sentido, a utilização de nanotecnologia é um assunto um tanto quanto controverso no que diz respeito às questões ambientais. Existem grupos que estão estudando este assunto e certamente deverão surgir respostas a estas questões. Elas são importantes e de certa forma urgentes porque os estudos de aplicações de nanotecnologia seguem em alta velocidade. Com relação ao uso de extratos naturais, hoje no Brasil, em particular na Universidade Federal do Ceará há um grupo envolvido com este tema; inclusive devemos ter alguns trabalhos no INTERCORR, em maio em Fortaleza”, explica o pesquisador. Sobre as demandas dos usuários finais, assim como as exigências com o cuidado ambiental e eficiência, Neusvaldo avalia que é evi- dente que a primeira está relacionada com a eficiência, mas a questão ambiental e a eficiência têm que andar juntas. “Não se concebe usar um inibidor de baixo desempenho só porque é ecologicamente cor- reto. Então o caminho é continuar desenvolvendo tecnologias ino- vadoras, que estejam em sintonia com estas questões. Do lado de nor- mas e legislações, desconheço que existem legislações que regulam a produção de determinadas classes de inibidores no Brasil. No caso da indústria de tintas, este assunto tem evoluído tanto pelo lado dos fa- bricantes como dos consumidores mais importantes. Agora se com- pararmos às tecnologias disponíveis no Brasil com países mais indus- trializados, eu diria que praticamente não há diferenças. Mas eu não sei se isto é importante. Hoje, no mundo em que vivemos, esta questão tem que ser relativizada”. Segundo informações da pesquisadora do IPT, Anna Ramos Mo- reira, a corrosão metálica é a transformação de um metal (ou liga metálica) em um íon metálico pela sua interação (através de reações de oxirredução de natureza química ou eletroquímica) com o meio em que se encontra no Metal (ou liga metálica) + Meio, Íons metálicos + Energia, Interação química ou eletroquímica. Sendo assim, as quatro formas de combate à corrosão são modificar o metal: substituir o metal (ou liga) por um outro que não reaja com o meio ou reaja com veloci- dade de reação desprezível ou modificar o meio: condicionando o meio, por exemplo, com adição de inibidores. Cabe ressaltar que este tipo de procedimento é adequado a sistemas fechados ou interpor bar- reira entre o metal e o meio: aplicação de revestimentos orgânicos (tin-

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tas, óleos, materiais a base de borracha) ou inorgânicos (metálicos e de conversão) e finalmente fornecer energia nos processos de corrosão espontâneos, o sistema metal/meio perde energia, podendo-se inter- romper esta interação fornecendo energia ao sistema. Como exemplo, cita-se a aplicação de um sistema de proteção catódica. Dessa forma, a utilização de inibidores de corrosão se constitui em uma das maneiras possíveis de se combater a corrosão. Os inibidores de corrosão são subs- tâncias químicas que, sob determinadas condições e num meio que seja corrosivo, eliminam ou pelo menos reduzem significativamente a in - tensidade do processo corrosivo. Portanto, de grande importância no combate e na prevenção da corrosão”.

Fabricantes de inibidores de corrosão

Avaliação da eficiência Na visão de Ronnie Singh, da empresa Zerust Prevenção de Cor- rosão, é importante definir que um inibidor de corrosão é uma subs- tância química que, quando adicionados em pequenas concentrações a um meio ambiente corrosivo que envolve o metal, minimiza ou reduz a taxa de corrosão. “As aplicações dos inibidores de corrosão são muito amplas, e novas áreas de aplicação são descobertas todos os anos. Tra- dicionalmente, os inibidores de corrosão são utilizados na indústria de óleo e gás, siderúrgica, automobilística, metalmecânica, e mais recente- mente novos setores estão sendo explorados como a da construção civil, mineração, etc. As aplicações são as mais amplas, como na preservação

de oleodutos, torres de resfria- mento, hibernação de torres de destilação, vasos e caldeiras, pro- teção de fundos e topos de tan- ques atmosféricos de armazena- mento de petróleo, uniões flan- geadas, válvulas e instrumento etc. A indústria automobilística é um setor industrial ousado e co- meçou a utilizar largamente ini- bidores de corrosão na expor- tação de componentes metáli- cos, eliminando um grande pas- sivo que é o óleo protetivo no iní- cio da década de 90. Na indústria de O&G, os inibidores de corro- são são utilizados para mitigar principalmente os processos cor- rosivos relacionados ao sulfeto de hidrogênio (H 2 S), dióxido de carbono (CO 2 ) e ácidos gerados ao longo dos processos de pro- dução e refino”. Singh avalia que a eficiência dos inibidores pode ser quantita-

avalia que a eficiência dos inibidores pode ser quantita- Motores | Automação | Energia | Transmissão

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MateriaCapa51:MateriaCapa37 4/29/14 6:06 PM Page 5

tiva ou qualitativa. “Do ponto de vista quantitativo, podemos clas- sificar os inibidores segundo a quantidade dosada, no caso de inibidores líquidos, para atingir a meta de redução da taxa de cor- rosão segundo prescrito em nor- ma e manutenção desta taxa abaixo do valor máximo admiti- do. Entretanto, em casos particu- lares, pode-se assumir uma taxa mais alta do que é prescrito em norma em função de uma análise técnica-econômica, prevendo-se uma vida útil menor, porém com ganho na redução da quantidade de inibidor dosado. Outra forma de se avaliar a eficiência dos ini- bidores é pela análise qualitativa e comparativa entre inibidores de diferentes fornecedores, na qual se avalia quais serão mais efi- cientes na redução da taxa de cor- rosão, mesmo que não se consiga atingir o patamar desejado e pres- crito em norma. Em todas estas análises são utilizados, normal- mente, corpos de prova de meta - lurgia similar ao equipamen- to/tubulação/duto em questão de modo que se possa medir a taxa de corrosão do corpo de prova em teste, fazendo-se uma inferência a partir deste ponto de que o mesmo possa estar aconte- cendo no equipamento/tubula- ção/duto. Novos e mais eficazes inibidores de corrosão têm sido desenvolvidos como resultado de seu desempenho em laboratório, no entanto, muitos não têm con- seguido uma performance com - parável no campo. A incapacida - de de reproduzir e transferir o desempenho dos inibidores do laboratório para o campo con- tinua a ser um desafio hoje”. Ronnie Singh acredita que um dos grandes desafios de se tra- balhar com inibidores de corro - são é que a grande maioria dos inibidores é produzido a partir de soluções químicas, algumas não compatíveis com o homem e o meio ambiente. Por isso, deve-se ter normalmente um cuidado

muito grande na seleção, transporte, armazenamento e uso destas soluções químicas que, apesar do resultado obtido na redução da taxa de corrosão e/ou na manutenção da proteção que proporciona a inibição do processo de corrosão, requerem um cuidado meticuloso. A denominação “inibidores verdes” ou “green inhibitors” foi cria- da para caracterizar inibidores de corrosão que seguem certos re- quisitos ambientais. Esses requisitos ambientais ainda estão sendo discutidos e desenvolvidos, mas alguns elementos foram estabelecidos como o BOD (Biological Oxygen Demand). A biodegradação ou a demanda de oxigênio biológico (BOD), deve ser de pelo menos 60 %, e os inibidores devem ser não tóxicos. “A BOD é uma medi- da de quanto tempo o inibidor vai persistir no meio ambiente. A to- xicidade é medida como LC50 ou EC50. LC50 é a concentração do inibidor necessária para matar 50 % da população total da espécie em contato com o inibidor. O EC50 é a concentração eficaz de inibidor de capaz de afetar adversamente 50 % da população. Há uma procu- ra crescente de inibidores de corrosão que são menos tóxicos e biode- gradáveis em comparação com as formulações tradicionais. Inibido- res verdes exibindo substancialmente melhores propriedades de im- pacto ambiental serão os inibidores mais amplamente utilizados no futuro”, explica Ronnie Singh. Singh não tem dúvida de que os processos de inibição da corrosão de materiais metálicos e suas ligas não têm que necessariamente agredir o meio ambiente. Segundo ele, a sociedade e a indústria já não admitem mais a utilização de substâncias como DICHAN (dici- clohexilamina), nitrosaminas, aminas secundárias, que eram muito utilizadas na passivação de metais ferrosos e suas ligas. Clientes, fornecedores e o meio acadêmico vêm trabalhando nos últimos anos no desenvolvimento de novas formulações que não agridam o ser humano e o meio ambiente. Esse é um dos desafios da indústria de inibidores de corrosão: desenvolver novos produtos de alta perfor - mance que não afetem o meio ambiente e principalmente o ser hu- mano. “Acredito ainda que novas fronteiras de pesquisa e desenvolvi- mento em diferentes áreas de inibidores de corrosão estão exploran- do novos métodos de aplicação e formulações. Inibidores inorgânicos convencionais continuam sendo um componente importante em muitas combinações de inibidores patenteados”. “As patentes mais recentes tratam principalmente de novos méto- dos de aplicação. Poucas patentes estão explorando, por exemplo, a nanotecnologia para melhorar o efeito de inibição de corrosão. Novas tecnologias em embalagens foram patenteadas nos últimos três anos utilizando a tecnologia dos inibidores voláteis de corrosão. O desen- volvimento de novos inibidores como o caso dos extratos naturais ainda é incipiente, porém já é uma realidade. A Escola de Química da UFRJ fez uma pesquisa científica com extrato de repolho roxo e concluiu que a inibição de um determinado processo corrosivo foi atingindo pelo uso deste extrato”, conclui Ronnie Singh. Antonio Ricardo Pereira de Carvalho, diretor técnico da Kurita do Brasil , acredita que quando se tem em um mesmo sistema água e aço- carbono (ou outros metais como cobre, alumínio, e diversas ligas metálicas), a corrosão é uma preocupação constante. “A utilização de inibidores de corrosão solúveis em água tem aplicação nos mais diver- sos processos, como sistemas de resfriamento, caldeiras, processos pe- troquímicos, siderúrgicos, de produção de papel e celulose, galvano- plastia, entre outros. A corrosão é um processo espontâneo e, assim sendo, é praticamente impossível na maior parte dos casos torná-la zero

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ou inexistente. Desta forma, nas condições de processo (temperatura, pressão, concentração de sais e contaminantes etc.), a função dos inibidores de corrosão é minimizar o processo corrosivo e prolongar a vida útil dos equipamentos. Dependendo da aplicação, há testes padronizados para avaliação da eficiência dos produtos anticorrosivos utilizados”, comenta Carvalho. Carvalho acredita que, no caso de produtos químicos para trata- mento de água, a preocupação é com o descarte dos efluentes líquidos. “A legislação de descarte de efluentes vem se tornando cada vez mais restritiva, no Brasil e no mundo. Este fato tem reflexo imediato nos inibidores de corrosão, pois o tratamento químico da água do sistema de resfriamento de uma indústria (por exemplo, por se tratar em algu- mas empresas de uma parcela expressiva do efluente total gerado) não pode ter parâmetros em desacordo com a legislação vigente de descarte de efluentes da região onde a mesma está instalada. E as restrições na legislação têm levado a empresas como a Kurita a desenvolver novos produtos para atendimento a estas legislações”, acrescenta Carvalho. “Não há duvida que hoje os inibidores de corrosão obrigatoria- mente não podem agredir o meio ambiente. Ainda nesse sentido den- tre os principais itens, destaco o desenvolvimento específico de produ- tos para indústrias alimentícias e bebidas (onde há maiores restrições, pois os inibidores de corrosão podem ter contato direto com ali- mentos), onde as exigências são cada vez mais elevadas. Também pro- dutos para tratamento de sistemas de resfriamento isentos de fósforo e zinco (non-P/non-Zn), em função de legislação mais restritiva para

descarte de efluentes. Estes dois ativos são muito utilizados para inibir corrosão com elevada efi- ciência, e são considerados como elementos químicos essenciais à vida. Porém, em altas concen- trações em ambientes aquá- ticos, podem ocasionar proble- mas como a eutrofização em la - gos e envenenamento em pei - xes”, revela Carvalho. O diretor da Kurita também confirma que as exigências estão focadas na eficiência e no cuida- do ambiental. O atendimento é feito com pesquisa e desenvolvi- mento de produtos (e tecnologia de aplicação) compatíveis com a demanda (não só dos usuários, como de toda a sociedade) por um maior cuidado e respeito ao meio ambiente. “O desenvolvi- mento tem maior impacto na utilização final dos nossos produ- tos por parte dos usuários, com a

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aplicação que proporcione maior eficiência, menor custo e com tecnologia mais amigável ao meio ambiente. Há países com legis- lação mais restritiva que o Brasil, sendo o melhor exemplo os paí- ses da União Europeia. Porém, também nessa área avanços fo- ram feitos, tanto por parte do governo (via legislações) quanto por parte das empresas (algumas adotam limites mais restritivos que a legislação; filiais brasileiras de multinacionais europeias são exemplos desta postura)”, con- clui Carvalho. Segundo o diretor de vendas da Innospec Fuel Specialties, Adri- ano Jaconi, existem vários tipos de inibidores de corrosão. “Os aplicados em combustíveis tem o objetivo de proteger os ativos de problemas com corrosão. Por exemplo, pipelines, fittings, e ou - tros equipamentos que tenham

contato com o combustível. Já sobre a questão da eficiência dos inibi- dores, eu acredito que efetivamente eles protegem os equipamentos dos efeitos da corrosão. Ao escolher uma das formas de proteção, define-se quais fatores serão críticos para avaliação da eficácia do inibidor de cor- rosão. Os inibidores de corrosão têm acompanhado a redução no con- teúdo de enxofre e uma nova geração de inibidores de corrosão sintéti- cos tem como objetivo a redução do problema de formação de depósi- tos em motores, reduzindo as emissões de gases”, esclarece Jaconi. “Já sobre a questão do meio ambiente acredito que haja uma ligação entre proteção ao meio ambiente e inibição da corrosão. Em nosso caso de proteção de pipelines, ao evitar que essas linhas tenham um alto ín - dice de corrosão, reduz-se o risco de vazamentos e a necessidade de substituição das partes etc. Quanto às demandas, elas estão muito fo- cadas em manutenção dos ativos. Realmente, o usuário quer garantir que os equipamentos permanecerão em seu melhor estado de conser- vação, não questionando problemas ambientais. Todavia quanto às normas e legislações, há redução do conteúdo de enxofre no diesel. Os problemas advindos dessa redução de enxofre tem afetado essa indús- tria. Os inibidores agora possuem, no máximo, 15 ppm de enxofre e temos partido para produção de inibidores sintéticos para melhorar a performance e principalmente a interação com outros aditivos e outros contaminantes presentes no combustível. Ainda se compararmos o Brasil em relação aos países mais industrializados, temos uma indústria com grande conhecimento sobre inibidores de corrosão. Infelizmente, não existe produção local de inibidores de corrosão para pipelines com

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certificação militar, mas o usuário tem um bom conhecimento e a in - dústria se preocupa com o uso e com a boa manutenção dos seus ativos”, conclui Jaconi.

O gerente da Nalco, Paulo Sergio Soares Santiago, acredita que os

inibidores de corrosão têm inúmeras aplicações no mercado industrial, tanto na parte de processos como em tratamento de água. “Especifica-

mente falando de inibidores usados no tratamento de água industrial utilizada em sistemas de resfriamentos, são aplicados para prevenir des- gaste por processo corrosivo em diversas metalurgias normalmente usadas em sistemas de resfriamento de aço-carbono, aço galvanizado, cobre e suas ligas, entre outros. O principal objetivo de um inibidor de corrosão é passivar uma superfície metálica. A passivação é uma condição da superfície metálica onde a taxa de corrosão é muito baixa

e onde ocorre uma diminuição da reatividade química que poderia le- var ao processo corrosivo”, comenta Santiago.

“A natureza da passivação pode ser descrita como a formação de um

filme protetor de óxido metálico que reduz as taxas de corrosão (fatores cinéticos). Há metais que são autopassivantes, como o aço inoxidável,

mas metais de uso mais comum, como o aço-carbono, não o são. Então existe uma variedade de inibidores de corrosão, tanto oxidantes (nitri- to, por exemplo) como não-oxidantes (fosfatos, fosfonatos, zinco) que podem ser aplicados. De forma geral estes inibidores reagem com o Fe +2 dissolvido da superfície metálica (produto do processo corrosivo) para formar um filme inibidor insolúvel. E esta passivação é mantida com a aplicação continuada destes inibidores”, explica Santiago. Normalmente são utilizados cupons-teste da metalurgia que se quer

avaliar (aço-carbono, aço inoxidável, cobre e suas ligas, alumínio) e que são adaptados em uma árvore de medição de corrosão por um período de medição que varia de 30 a 90 dias; este cupom é pesado antes e após

o período de medição e com isto determina-se a chamada taxa de cor-

rosão média generalizada, que costuma ser medida em unidades de mpy (milésimo de polegada por ano). “Existem outras metodologias mais efi- cientes onde é utilizada a medição desta taxa de corrosão pela medição da resistência por polarização linear, com eletrodos de metalurgia especí- fica (aço-carbono, cobre); esta medição pode ser feita em linha, de forma contínua, indicando de forma imediata se ocorrem distúrbios no sis- tema que possam afetar a sua tendência corrosiva, o que permite a adoção de ações corretivas mais imediatas”, acrescenta Santiago. Quanto à preocupação com o desenvolvimento de produtos que minimizem o impacto ambiental, Santiago comenta que esta preocu- pação existe e tem se ampliado mundialmente, embora a maioria dos produtos inibidores usados no mercado sejam biodegradáveis. “No

Brasil existe resolução federal que limita o descarte do zinco (< 5,0 ppm); na Europa já se limi- ta o uso de molibdato e se restringe o uso de inibidores à ba- se de fosfato. A redução do im- pacto ambiental tem levado ao desenvolvimento pela Nalco de novas tecnologias como o PSO (oligômero do ácido fosfino-suc- cínico) como substituto tanto do zinco como do molibdato. E está em curso o desenvolvimento de tecnologias phosphate-free para atender às novas demandas ambi- entais”, ressalta Santiago. A sustentabilidade é uma das principais demandas dos usuários finais e hoje existe tec- nologia suficiente para atendê- la, sem comprometer a busca da eficiência produtiva e a manu- tenção ou mesmo melhoria dos índices de avaliação de perfor- mance (KPI) do processo onde se aplica o tratamento químico para inibição da corrosão. “O Brasil tem acompanhado as li- mitações de descartes dos países mais desenvolvidos, sendo que há estados nacionais onde estes limites são ainda mais restritos do que se observa mundialmen- te. Isto ajuda a desenvolver no- vas tecnologias de produtos e equipamentos visando a mini- mizar o descarte de água (con- servação) e ao seu reaproveita- mento (reuso e reciclo) de for- ma mais intensa. Certamente, meio ambiente será favoreci- do”, conclui Santiago.

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Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 1

Artigo

Técnico

Perfil de rugosidade de superfícies de aço-carbono x espessura de pintura: um tema importante para ser debatido

Surface roughness profile of carbon steel x thickness of paint system: an important topic for discussion

thickness of paint system: an important topic for discussion Por Celso Gnecco Fernando de L. Fragata

Por Celso Gnecco

system: an important topic for discussion Por Celso Gnecco Fernando de L. Fragata Resumo surface roughness

Fernando de L. Fragata

Resumo

surface roughness profile of metal

lente aderência inicial não sig-

É amplamente conhecido que o perfil de rugosidade dos substratos metálicos, em especial os de aço-carbono, é um fator importante para proporcionar boas condições de aderência às tintas e aos esquemas de pintura.

substrates , especially carbon steel, is an important factor to provide good adhesion to paints and paint systems. A typical criterion used to establish the roughness profile is that it is comprised 1/4 to 1/3 of the thickness of the coating.

nifica que o mesmo irá apresen- tar um bom desempenho, haja vista que este pode ser afetado, de forma negativa, por outros fa - tores como, por exemplo, pela presença de contaminantes sali- nos e de óleos e gorduras na

Um critério utilizado, ainda que antigo, para se estabelecer o per-

However, with the development of new paint technologies, there has

superfície 1,2 . Porém, um revesti- mento com fraca aderência ini-

fil

de rugosidade, é que este este-

been a substantial change in their

cial pode vir a apresentar falhas

ja

compreendido entre 1/4 a 1/3

physico chemical properties such as

prematuras em curto espaço de

da espessura do revestimento. Com o desenvolvimento de no- vas tecnologias de tintas, houve uma mudança substancial nas

higher solids content and high coat thicknesses. Thus, the thick- ness of organic coatings increased dramatically, while the roughness

tempo, principalmente quando exposto a condições de imersão ou a meios com alta umidade re- lativa. Nestes casos, um dos

propriedades físico-químicas das mesmas como, por exemplo, maior teor de sólidos e altas espessuras por demão. Com isso,

of the substrate changed little. Due to these factors, a survey was done to investigate the thickness of cer- tain paints and paint systems and

primeiros “sintomas” é o apareci- mento de bolhas (empolamento) no revestimento e, posterior- mente, descascamento e/ou cor-

a

espessura dos revestimentos

the surface roughness profile

rosão, dependendo da agressivi-

por pintura aumentou de forma expressiva, enquanto a rugosida- de do substrato alterou pouco. Diante destes fatos, foi feito um levantamento para se conhecer a

required for the application. The results showed the necessity of con- ducting a debate on the subject in question, with the participation of professionals and companies in-

dade do meio. Mesmo quando a superfície pintada não estiver em condições de imersão, mas ex- posta ao tempo com variação de temperatura entre dias e noites

espessura de certas tintas e esque- mas de pintura e o perfil de rugosidade exigido para a apli- cação dos mesmos. Os resultados obtidos mostraram a necessidade

volved in the application of paints and paint systems. The aim of this debate is to establish technical cri- teria for specification roughness profile, depending on the thickness

que podem ser significativas, a consequente alteração dimensio- nal do substrato nestas condições pode levar a tinta ou o esquema de pintura a apresentar falhas se

da

realização de um amplo deba -

and the technical characteristics of

destacando, se o mesmo não esti-

te

sobre o tema em questão, com

anticorrosive coatings.

ver bem ancorado (com perfil de

a participação de profissionais e empresas envolvidas com a apli-

Abstract

Introdução

rugosidade adequado). Um dos fatores mais impor-

cação de tintas e esquemas de pintura, com o objetivo de se es - tabelecer critérios técnicos bem fundamentados para a especifica - ção do perfil de rugosidade, em função da espessura e das carac- terísticas técnicas dos revesti - mentos anticorrosivos.

É amplamente conhecido que a aderência é uma proprie- dade essencial à durabilidade dos revestimentos por pintura, espe- cialmente aqueles utilizados na proteção anticorrosiva de subs- tratos metálicos, embora se re- conheça que ela por si só não é responsável pelo desempenho dos mesmos. Logo, o fato de um

tantes para se obter uma boa aderência dos revestimentos por meio da pintura dos substratos, sem dúvida alguma, é a prepa- ração da superfície. No caso de chapas e perfis de aço-carbono novos, temos que considerar também a presença de carepa de laminação que deve ser removida por jateamento abrasivo com

 

It is widely known that the

revestimento possuir uma exce-

pressão ou com turbinas cen-

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 2

TABELA I – RUGOSIDADE E ESPESSURA INFORMADAS NAS RESPECTIVAS FICHAS TÉCNICAS DAS TINTAS ANALISADAS

   

Espessura

Faixa de

Proporção

 

Tinta

Função

média da

rugosidade

aproximada

 

película (µm)

(µm)

(**)

1. Epóxi 100% sólidos

DF*

175

25

a 50

1/7 a 1/3,5

2.

Epóxi surface tolerant

DF*

185

25

a 50

1/7,4 a 1/3,7

 

3. Epóxi novolac

DF*

325

50

a 100

1/6,5 a 1/3,3

4.

Epóxi secagem rápida

DF*

500

50

a 75

1/10 a 1/6,7

5. Epóxi novolac + flocos de vidro

DF*

875

75

a 125

1/11,7 a 1/7

6. IMO PSPC MSC.215 (epóxi)

DF*

300

30

a 75

1/10 a 1/4

DF*(dupla função): Pode ser aplicada diretamente sobre o substrato e atuar como tinta de fundo e acabamento. (**) A proporção foi obtida dividindo-se a espessura média pelos dois valores da faixa de rugosidade.

trífugas para criar o perfil de ru- gosidade adequado. A limpeza de superfície é uma etapa da preparação do substrato para a pintura que visa remover os contaminantes da su- perfície como, por exemplo, óle- os, graxas, sais, produtos de cor- rosão e pintura envelhecida não aderente e/ou com fissuras, que são extremamente prejudiciais ao desempenho dos revestimentos, principalmente em relação à pro- teção anticorrosiva e criar con- dições adequadas para a aderên- cia dos mesmos aos substratos, independentemente do mecanis- mo de aderência envolvido. Existem, basicamente, três mecanismos pelos quais os reves- timentos por pintura podem aderir aos substratos metálicos, a saber:

Aderência química: ocorre quando a tinta reage quimica- mente com o substrato metálico.

Um exemplo típico é a aderência que ocorre quando se aplica um wash-primer (tinta condiciona - dora de aderência que contém em sua composição, dentre outros constituintes, ácido fosfórico, tetroxicromato de zinco e resina de polivinilbutiral (ver nota) so-

bre superfícies de aço galvanizado.

A reação química do ácido fos-

fórico com o revestimento de zinco, de forma conjunta com o

tetroxicromato de zinco e com a resina de polivinilbutiral, conduz à conversão superficial do metal fazendo com que uma fina cama-

da de tinta fique aderida quimica-

mente ao substrato. Nota: por causa do cromo que é um metal pesado, esta tinta não está mais sendo utilizada. Aderência polar: neste caso, a aderência ocorre devido à atração entre grupos polares das molé- culas da resina com grupos pola- res, de carga oposta, do substrato.

Por isso, a tendência é que quan-

to maior for o número de grupos

polares na resina melhor será a

aderência dos revestimentos aos substratos metálicos. Por exem-

plo, as resinas epóxis possuem ex- celente aderência aos substratos de aço carbono. Um dos fatores que contribui para isso é a pre-

sença de grupos hidroxila (-OH) na estrutura da resina epóxi. É importante destacar que somente

a aderência polar pode não ser

suficiente, em muitos casos, para garantir uma longa durabilidade aos revestimentos por pintura, pois as forças de Van der Waals e London envolvidas são fracas e com isso as ligações podem ser destruídas com maior ou menor grau de dificuldade, em função das condições de agressividade do meio no qual os revestimentos ficarão expostos 3,4 . Aderência mecânica: este ti- po de aderência, motivo da reali-

mecânica : este ti- po de aderência, motivo da reali- Figura 1 – Representação esquemática da

Figura 1 – Representação esquemática da aderência mecânica de um revestimento ao substrato de aço

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 3

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 3 Figura 2 – Ilustração de aspectos superficiais de substratos de

Figura 2 – Ilustração de aspectos superficiais de substratos de aço

zação do presente trabalho, está baseado na rugosidade superfi- cial do substrato (Figura 1). Nes- te sentido, a limpeza das superfí- cies metálicas por meio de jatea- mento abrasivo é uma das for- mas mais eficientes para se obter boa aderência mecânica e quími- ca dos revestimentos aos subs - tratos, principalmente metálicos. Pode-se dizer que a aderência mecânica se associa aos outros dois mecanismos de aderência. Além de propiciar excelentes condições para a aderência me- cânica, a limpeza por meio de ja- teamento abrasivo contribui para aumentar a área superficial do substrato, o que aumenta o nú- mero de locais para o estabeleci- mento de ligações polares 3,4 . Lo- go, a associação destes dois tipos de aderência é extremamente benéfica para a durabilidade dos revestimentos por pintura. Uma superfície de aço polida (ver ilus- tração B da Figura 2), ainda que totalmente limpa, pode não pro- piciar boas condições de aderên- cia para determinados esquemas de pintura. A condição ideal é aquela em que a superfície en- contra-se isenta de contami- nantes e com rugosidade ade- quada, conforme ilustração C da Figura 2.

Vale ainda ressaltar que, além da preparação da superfície, as propriedades físico-químicas das tintas, especialmente com relação às resinas e aditivos utilizados em sua fabricação, podem melhorar, de forma significativa, a aderên- cia das mesmas aos substratos. Neste sentido, sabe-se que as resi - nas com maior número de gru- pamentos polares tendem a me - lhorar a aderência das tintas, as- sim como o uso de aditivos deno- minados promotores de aderên- cia como, por exemplo, os sila- nos 3,4 . Portanto, os químicos das empresas ao desenvolverem no- vas fórmulas de tintas estão sem- pre atentos a estes detalhes im- portantes para que os produtos propiciem a aderência desejada aos diferentes tipos de substrato. Com base no que foi apresen- tado, é possível observar que o perfil de rugosidade é um fator importante para a aderência me- cânica dos revestimentos. Ocorre que não existe uma regra básica para estabelecer a altura ideal do perfil em função da espessura dos revestimentos. O que existe são informações técnicas, muitas de- las antigas, que preconizam de- terminados valores, independen- temente do tipo e natureza quí- mica dos revestimentos. Como

descrito anteriormente, a tecno- logia de tintas evoluiu muito nos

últimos anos, especialmente no que diz respeito ao teor de sólidos

e à espessura por demão. Entre-

tanto, os requisitos com relação ao perfil de rugosidade mudou pouco e, mesmo assim, sem um critério bem estabelecido. No presente trabalho, apresenta-se um levantamento sobre as exi - gências atuais no Brasil com rela- ção ao binômio espessura do re- vestimento x perfil de rugosida- de. Os resultados deste levanta- mento mostram a necessidade de uma ampla discussão, com a par- ticipação de especialistas do setor, sobre este tema tão importante na durabilidade dos revestimen- tos anticorrosivos.

Rugosidade x Aderência

A altura do perfil de rugosi- dade tem uma influência subs - tancial na aderência dos revesti- mentos aos diferentes tipos de substrato metálico, especialmen- te os de aço-carbono. Neste sen- tido, um conceito ainda muito utilizado é de que quando se au- menta a espessura do revesti- mento há que se aumentar o per- fil de rugosidade, tal como ilus- trado na Figura 3. De certa forma, há quem as- socie o perfil de rugosidade ao alicerce de uma construção e, neste aspecto, a pergunta que se

faz é a seguinte: você construiria um edifício de 15 andares sobre

o alicerce de um sobrado? Ob-

servando a ilustração da Figura 4, a resposta é não, pois para um edifício alto o alicerce tem que ser mais profundo e melhor cal- culado para resistir ao peso mai- or e à carga de ventos, principal- mente laterais. Os fatos apresentados mos- tram como é importante o con- trole do perfil de rugosidade das superfícies metálicas. Conforme ilustrações da Figura 5, a rugosi- dade muito elevada pode resultar na presença de picos com espes-

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 4

TABELA II – RUGOSIDADE E ESPESSURA INFORMADAS NAS NORMAS N 2680 6 E N 2912 III 7 , PARA A REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS DE DESEMPENHO DAS RESPECTIVAS TINTAS EM LABORATÓRIO

   

Espessura

Faixa de

Proporção

Tinta

Função

média da

rugosidade

aproximada

película (µm)

(µm)

(**)

N2680

DF*

450

50

a 70

1/9 a 1/6,4

N2912 III

DF*

800

50

a 100

1/16 a 1/8

DF*(dupla função): Pode ser aplicada diretamente sobre o substrato e atuar como tinta de fundo e acabamento. (**) A proporção foi obtida dividindo-se a espessura média pelos dois valores da faixa de rugosidade.

sura de tinta muito baixa, ou até mesmo descobertos, o que se constitui num ponto vulnerável para o aparecimento prematuro de pontos de corrosão. Já uma rugosidade muito baixa pode prejudicar a aderência dos reves- timentos aos substratos. Logo, a rugosidade ideal é aquela que propicia boas condições de ade- rência e boa cobertura aos picos do perfil de rugosidade. Na norma ABNT NBR 7348:07 5 , versão corrigida em 2010, no item 6.2.2.1, há uma informação de que o valor médio do perfil de rugosidade deve estar compreendido entre 1/4 e 1/3 da espessura total do esquema de pintura. Assim, se um esquema de pintura possuir espessura total de 120 µm (duas demãos com 60 µm por demão), o perfil de rugosidade deverá estar com- preendido entre 30 µm e 40 µm, conforme ilustrado na Figura 6. Nessa norma há também du- as notas que dizem:

a. em caso de longo intervalo de tempo entre a primeira e a se - gunda demãos, em ambiente corrosivo, pode-se adotar um perfil de rugosidade de aproxi- madamente 2/3 da espessura da primeira demão; b. para esquemas de pintura de alta espessura (> 300 µm), o perfil de rugosidade deve ser estabelecido através de acordo entre as partes envolvidas no processo de pintura. No item a seguir, serão mos - trados os resultados de um levan- tamento feito a respeito do tema

em questão, tendo como base as informações contidas nos boletins técnicos de alguns produtos co- merciais e em esquemas de pin- tura normalizados pela Petrobras.

Espessura versus Perfil

Observando-se as informa- ções de fichas técnicas de produ- tos e itens de normas, constatou- se que a espessura das tintas e dos esquemas de pintura tem au- mentado sistematicamente. Há cerca de 50 anos atrás a espessura máxima das tintas eram da or- dem de 50 micrometros, depois vieram as tintas HB – High Build, cujas espessuras eram de 75 µm a 120 µm por demão. Em seguida, surgiram as tintas com, aproximadamente, 400 µm por demão e atualmente tem-se as tintas com 800 µm até 1250 µm por demão. Quanto ao perfil de rugosidade, o aumento foi feito mais na base do "sentimento" do que com base em algum critério técnico bem estabelecido, con- forme poderá ser constatado nos exemplos a seguir.

Tintas comerciais e perfis de rugosidade exigidos Na Tabela I, mostram-se os perfis de rugosidade exigidos por alguns fabricantes e/ou normas técnicas para a aplicação de di- versos tipos de tinta epóxi. Pelos resultados apresentados na Tabela I, observa-se que o cri- tério de 1/4 a 1/3 da espessura do revestimento para se estabele- cer a rugosidade do substrato não se enquadrou nos casos das

tintas epóxis mencionadas. Além disso, a diferença entre este cri- tério e os valores de rugosidade indicados nas fichas técnicas dos produtos tende a ser maior com o aumento da espessura. Logo, é um ponto importante para ser discutido entre os profissionais da área de pintura anticorrosiva. Isto fica bem evidenciado no caso da tinta 5 (epóxi Novolac com flocos de vidro). Se o cri-

tério de 1/4 a 1/3 fosse utilizado, para a espessura de 875 µm, a rugosidade teria que estar com- preendida entre 219 µm e 292 µm, que é totalmente dife- rente do valor especificado,

75 µm a 125 µm. Logo, isto

reforça a necessidade de se deba- ter o tema em questão. Outro fato que chama a atenção diz respeito às faixas de rugosidade das tintas 3 (epóxi Novolac) e 4 (epóxi de secagem rápida). No primeiro caso, para a espessura de 325 µm, é exigida uma faixa de rugosidade de

50 µm a 100 µm. No segundo,

para uma espessura de 500 µm, a rugosidade exigida é de 50 µm a 75 µm. De imediato, observa-se que há uma inversão nos valores de rugosidade em relação à espes- sura. Embora sejam tintas com características diferentes, as mes- mas são de mesma natureza quí- mica. Logo, verifica-se que não há um critério bem estabelecido para definir a rugosidade da superfície em função da espessu- ra do revestimento. Isto fica bem evidenciado pelas próprias faixas de rugosidade. No caso da tinta

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 5

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 5 Figura 3 – Ilustração de um conceito utilizado com relação

Figura 3 – Ilustração de um conceito utilizado com relação à espessura do revestimento x altura do perfil de rugosidade

penho das tintas em laboratório,

que precisa ser discutido. A nor-

as chapas de aço-carbono, para confecção dos corpos-de-prova,

N 2680 6 , para uma espessura média de 450 µm, exige uma fai -

ma

têm que ser submetidas ao jatea-

xa

de rugosidade entre 50 µm e

mento abrasivo. A faixa de rugosi-

70 µm, enquanto que a N 2912

dade exigida e a espessura das tin-

III

7 , para uma espessura média

tas estão mostradas na Tabela II.

de

800 µm, uma faixa de rugosi-

Tal como no caso anterior, observa-se que, o critério de se utilizar 1/4 a 1/3 da espessura do revestimento para definir a faixa ou perfil de rugosidade do subs- trato necessita ser discutido, prin- cipalmente para revestimentos de

dade entre 50 µm a 100 µm. Numa análise bem simples dos valores mencionados, observa-se que a faixa mais ampla de rugosi- dade é da tinta de maior espes- sura, o que não está errado. Ocorre que, do ponto de vista

alta espessura. Na realidade, ob- serva-se que as tintas, em função

técnico, a diferença entre as duas faixas é quase nenhuma. Tal co-

3,

a faixa é de 50 µm a 100 µm e

do avanço tecnológico, permitem a obtenção de altas espessuras por demão e, como consequência, os esquemas de pintura também se tornaram mais espessos e eficien- tes no combate à corrosão. Ocor- re que o aumento de rugosidade foi pequeno em relação ao au- mento de espessura dos revesti- mentos. Então, é preciso discutir este tema de forma profunda para que se possa elaborar as especifi- cações de tintas e de esquemas de pintura com respaldo técnico bem fundamentado, mesmo que se chegue a conclusão de que os valores atuais são os mais corretos. Tal como mencionado anteri- ormente em “Tintas comerciais e perfis de rugosidade exigidos”, a faixa de rugosidade é um tema

mo

no caso anterior, todos os va -

no

da tinta 4, de 50 µm a 75 µm.

lores da faixa de rugosidade da

Em termos técnicos, pode-se di- zer que a diferença entre as duas faixas de rugosidade é quase ne- nhuma, uma vez que o perfil de rugosidade exigido para a tinta 3 atende ao da tinta 4. Portanto, é outro ponto que merece ser de- batido, ou seja, estabelecer de for- ma fundamentada os limites de rugosidade.

tinta N 2680 atendem aos da

norma N 2912 III 7 . A única di- ferença é que a N 2912 III 7 pos-

sui

o limite máximo de rugosi-

dade ligeiramente maior que o da

N

2680. Como se pode constatar,

perfil de rugosidade de um re- vestimento com 450 µm atende ao de um revestimento com

o

800 µm. Isto é um ponto impor- tante para ser debatido no sentido

Tintas normalizadas pela Petrobras A norma N 2680 6 corres- ponde à tinta epóxi sem solventes

de

se estabelecer as faixas de ru-

gosidade ideais em função da es- pessura e das características físico- químicas dos revestimentos.

tolerante a superfícies úmidas e a

N

2912 III 7 à tinta epóxi Novo-

Condições de esquemas de

lac com flocos de vidro. Para a realização dos ensaios de desem-

pintura e rugosidade Na Tabela III, mostram-se diversas condições de esquemas

de pintura especificados na nor -

de

pintura especificados na nor -

ma

Petrobras N 2913 8 , a cerca de

revestimentos anticorrosivos para tanque, esfera e cilindro de arma-

zenamento, bem como os perfis

de

rugosidade exigidos.

Como pode ser observado, também aqui o conceito de 1/4 a 1/3 da espessura do esquema de

pintura, para se estabelecer o per-

fil

de rugosidade, não se en-

quadrou, especialmente no caso dos esquemas de alta espessura

como, por exemplo, os das con-

dições 1 a 6. Portanto, isto reforça

 

a

necessidade de um amplo de-

Figura 4 – Ilustração comparativa de um alicerce de sobrado para um edifício de 15 andares

bate sobre o assunto, apesar da norma ABNT NBR 7348 5 reco -

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 6

 

TABELA III – ESPESSURA DE ESQUEMAS DE PINTURA E RUGOSIDADE DO SUBSTRATO PREVISTAS NA NORMA PETROBRAS N 2913 8

 

Finalidade

Condição

Espessura total do esquema (µm)

Perfil de

Proporção

Proporção 1/4 a 1/3 (µm)

rugosidade (µm)

aproximada

 

1

450

70

a 100

1/6 a 1/4

112

a 150

Revestimento

2

450

70

a 100

1/6 a 1/4

112

a 150

interno

3

500

70

a 100

1/7 a 1/5

125

a 166

de tanques

4

450

70

a 100

1/6 a 1/4

112

a 150

5

500

70

a 100

1/7 a 1/5

125

a 166

6

800

70

a 100

1/11 a 1/8

200

a 266

 

7

190

70

a 100

1/3 a 1/2

47

a 63

Revestimento

8

120

70

a 100

1/2 a 1/1,2

30

a 40

externo

9

150

70

a 100

1/2 a 1/1,5

37

a 50

de tanques

 

Costado: 175

 

1/2.5 a 1/1,7

44

a 58

10

Teto: 350 Teto c/ isol.: 300

70

a 100

1/5 a 1/3,5 1/4,3 a 1/3

88

a 117

 

75

a 100

Revestimento

11

400

70

a 100

1/6 a 1/4

100

a 133

interno

   

de esferas

12

400

70

a 100

1/6 a 1/4

100

a 133

e cilindros

   

Revestimento

         

externo

13

170

70

a 100

1/2 a 1/1,7

42

a 57

(equip. sem

   

isolamento

14

155

70

a 100

1/2,2 a 1/1,5

39

a 52

térmico)

   

Revestimento

15

200

70

a 100

1/3 a 1/2

50

a 67

externo

16

150

70

a 100

1/2 a 1/1,5

37

a 50

(equip. com

17

200

70

a 100

1/3 a 1/2

50

a 67

isolamento

18

30

70

a 100

(*)

 

(*)

térmico)

19

200

70

a 100

1/3 a 1/2

50

a 67

(*) Por se tratar de uma condição que difere totalmente das demais, pois o revestimento é decorrente da aplicação de duas demãos de tinta indicadora de temperatura, que possui características muito específicas, as informações não serão analisadas.

mendar que, acima de 300 µm de espessura, o perfil de rugosidade seja acordado previamente entre as partes envolvidas na aplicação dos esquemas de pintura. Outro aspecto que chama a atenção para um debate, tal como mencionado em itens anteriores, é a utilização da mesma faixa de rugosidade para esquemas de pin- tura com espessuras muito dife-

rentes como, por exemplo, no ca - so das condições 6 (espessura de 800 µm), 7 (espessura de 190 µm) e 13 (espessura de 170 µm). Do ponto de vista téc- nico, os esquemas das duas últi- mas condições não são afetados em termos de proteção anticorro- siva, uma vez que os medidores de espessura que atuam pelo prin- cípio de indução magnética, me-

dem a espessura do revestimento acima dos picos. Com isso, teori- camente, não há risco dos picos mais altos ficarem com menor es- pessura de revestimento. Porém, há que se ter em mente que um perfil muito eleva- do pode ocasionar um consumo adicional de tinta de fundo e com isso aumentar o custo da pintura. Utilizando-se metodologia de cál-

o custo da pintura. Utilizando-se metodologia de cál- Figura 5 – Comparação entre perfis de rugosidade

Figura 5 – Comparação entre perfis de rugosidade

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 7

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 7 Figura 6 – Perfis de rugosidade para atender ao requisito

Figura 6 – Perfis de rugosidade para atender ao requisito de 1/4 a 1/3 da espessura total do esquema de pintura (120 µm), previsto na ABNT NBR 7348 5

culo de rendimento prático de tintas publicado pelo GCOI

mente, se manteve em valores próximos dos convencionais de

podia ser utilizada como abrasivo,

questões necessitam ser debati- das, como, por exemplo:

(Eletrobras) 9 , um perfil de ru- gosidade médio de 85 µm pode ocasionar um consumo adi- cional de tinta de fundo da or-

alguns anos atrás. As faixas de rugosidade sofreram poucas alte- rações. Na época em que a areia

• Quais são os fatores que devem nortear a seleção do perfil de rugosidade? • Qual a influência das pro-

dem de 12 %, em relação a um perfil médio de 45 µm. Por-

perfil de rugosidade exigido por algumas empresas era de 30 µm a

o

priedades físico-químicas da tinta de fundo na seleção do

tanto, é uma diferença que não

70

µm e, no caso da granalha de

perfil de rugosidade?

pode ser desprezada.

aço, 30 µm a 85 µm. Posterior-

• Como estabelecer o perfil de

Considerações finais

Com a apresentação deste tra-

mente, em função do surgimento de novas tecnologias de tintas, o perfil passou a ser de 40 µm a

rugosidade baseado numa fai- xa de valores mínimo e máxi- mo, ou, fixando apenas o va-

balho não se pretende de forma

85

µm, depois de 50 µm a

lor mínimo?

alguma fazer quaisquer críticas às

100

µm e atualmente, em certos

Portanto, um debate neste

recomendações dos fabricantes de

esquemas de pintura, de 70 µm a

sentido certamente traria uma

revestimentos e nem às especifi-

100

µm. É importante destacar

contribuição muito importante

cações das empresas. O objetivo é mostrar a necessidade de se deba- ter um tema importante que é o binômio espessura do revestimen- to x perfil de rugosidade do subs - trato. Nos últimos anos, como comentado ao longo deste traba- lho, os avanços tecnológicos no setor de tintas anticorrosivas no Brasil foram marcantes, especial- mente impulsionados pela Petro-

que estes dados são específicos da Petrobras em função dos esque- mas utilizados pela empresa e, portanto, não podem ser utiliza- dos de forma indiscriminada. Além dos fatos mencionados, há certos valores de rugosidade que geram algumas dúvidas, co- mo, por exemplo, o esquema de pintura da condição 6 da Tabela 3, cuja espessura do revestimento

para todos os órgãos e profissio- nais envolvidos com a proteção anticorrosiva, por meio de reves- timentos orgânicos, no Brasil. Além de gerar critérios técnicos para se estabelecer o perfil de ru- gosidade, permitiria obter dados para a seleção de abrasivos e da granulometria mais adequada para se atingir os valores deseja- dos de rugosidade.

bras, através de seu Centro de Pes - quisas (CENPES). Neste aspecto,

de 800 µm e o perfil de rugosi- dade exigido é de 50 µm a

é

Conclusões

as tintas modernas são mais ade -

100

µm. O esquema de pintura

Baseado nos resultados apre -

rentes, mais coesas, mais imper-

7, cuja espessura é de 190 µm, o

sentados, na discussão dos mes-

meáveis, de menor impacto am -

perfil exigido é o mesmo, ou seja,

mos e considerando a importân-

biental e permitem a obtenção de

50

µm a 100 µm. Será que para

cia da rugosidade do substrato na

altas espessuras por demão. Por

190

µm de espessura necessita-se

isso, pode-se especificar e aplicar esquemas de pintura com altas espessuras (até 1250 µm) e com menor número de demãos. Diante do que foi apresenta- do, observa-se que as espessuras dos revestimentos aumentaram enquanto a rugosidade, pratica-

de um perfil alto, igual ao do revestimento com 800 µm? Co- mo se sabe, o perfil alto gera um maior consumo de tinta e isto significa gasto de dinheiro. Ou então, será que o perfil estabeleci- do é suficiente para um revesti- mento de 800 µm? Estas e outras

aderência dos revestimentos anti- corrosivos, pode-se concluir que:

a. Em função das novas tecno - logias de tintas que surgiram nos últimos anos, é importante a realização de debates, com a participação de empresas e profissionais envolvidos com a pintura anticorrosiva, no senti-

22 C & P • Março/Abril • 2014

Fragatta51:Cristiane43 4/29/14 7:22 PM Page 8

do de se estabelecer os parâme- tros ou critérios que devem nortear a seleção do perfil de rugosidade do substrato em re- lação à espessura dos revesti- mentos. b. A realização de debates sobre o tema em questão pode trazer uma série de benefícios técni- cos e econômicos para as em- presas, bem como melhorar a capacitação técnica dos profis- sionais, pois o assunto faz par- te do programa dos cursos de Formação de Inspetores de Pintura da ABRACO. c. O critério de se utilizar 1/4 a 1/3 da espessura da espessura do revestimento para se estabe- lecer o perfil de rugosidade, em função do que foi mostrado neste trabalho, precisa ser am - plamente discutido, principal- mente para revestimentos com espessuras elevadas.

Referências Bibliográficas

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Fernando de Loureiro Fragata

Engenheiro químico pela Universidade

Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Psquisador da área de corrosão

da Eletrobras-Cepel de 1979 a 2013. Atual instrutor do curso de inspetores de pintura – ABRACO/PETROBRAS

Celso Gnecco

Engenheiro Químico pela Escola Superior de Química Oswaldo Cruz.Gerente de

Treinamento Técnico da Sherwin- Williams. Professor da ABRACO, ABRAFATI e ABENDI.

Contatos: fragata200@gmail.com e celso@tintassumare.com.br

da Sherwin- Williams. Professor da ABRACO, ABRAFATI e ABENDI. Contatos: fragata200@gmail.com e celso@tintassumare.com.br

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Artigo

Técnico

Sensores de monitoramento do risco de corrosão nas estruturas de concreto atmosféricas

Sensors for monitoring the risk of corrosion in atmospheric concrete structures

the risk of corrosion in atmospheric concrete structures Por Adriana de Araújo Co-autora: Zehbour Panossian Resumo

Por Adriana de Araújo

Co-autora:

Zehbour

Panossian

Resumo

vida útil e nos custos totais da

• maior conhecimento do com-

tura de apoio e de retirada de

custos é estimada entre 10 % e

Atualmente, os sensores são um instrumento valioso para o monitoramento das estruturas

Abstract

construção, além de acarretar no aumento do período de conser- vação do seu aspecto estético

testemunhos em componentes da estrutura. A redução dos

de concreto. Dentre as possíveis

original 1-3 .

20

% por Bässler et al. 7 e entre

finalidades dos sensores, destaca-

Na prática, o risco de corro-

25

% e 40 % por Goltermann,

se o seu embutimento no con- creto para a avaliação do risco de corrosão das armaduras. Saben- do-se esse risco, medidas de pre- venção ou de controle da cor- rosão em curso podem ser defini- das corretamente e realizados em período programado. Neste arti- go, diferentes tipos de sensores de permanente aquisação de da- dos são apresentados.

são é avaliado por meio da verifi- cação periódica do estado da ar- madura e das alterações nas pro- priedades do concreto. Isso pode ser feito por meio do embuti- mento no concreto de cobrimen- to de sensores de aquisição con- tínua de dados. Esses sensores têm denominação variável, sendo muitas vezes chamados de acordo com a sua geometria ou com o parâmetro a ser monitorado. Segundo Goltermann, Jensen

Jensen e Andersen 4 ; • avaliação de diferentes cená- rios, por exemplo, mudança do sistema de tratamento superfi- cial, troca de material ou inter- rupção da proteção catódica. Os sensores são usados para o monitoramento do risco de cor- rosão tanto em estruturas novas como em estruturas existentes. Em estruturas novas, os sensores são posicionados sobre as arma- duras antes da concretagem. Em

Currently, sensors are valuable instrument for monitoring of con- crete structures. Among the possible purposes of the sensors, the evalua- tion of the risk of reinforcement corrosion is one of the most impor- tant. Knowing this risk, the pre- vention or the control of a corro- sion process in progress can be properly defined and be performed in a scheduled period. In this arti- cle, different types of sensors for permanent acquisition data are presented.

e Andersen 4 , os sensores de mo - nitoramento permanente são uma ferramenta valiosa, pois per- mitem o melhor conhecimento dos mecanismos de deterioração das estruturas de concreto. No caso da corrosão, segundo estu- dos teóricos de Schiegg e Steiner 5 , esta é detectada pelos sensores quando 5 % da estrutu- ra esta deteriorada, enquanto que, em inspeções tradicionais, essa porcentagem seria de 25 %. Outras vantagens do uso de

estruturas existentes, são intro- duzidos em furos realizados ao longo da espessura do concreto de cobrimento da armadura. Se- gundo Raupach, Gulikers e Reichling 8 , os sensores são espe- cialmente adequados para moni- torar estruturas existentes em que um estado crítico de deterio- ração pode ser atingido em tem - po relativamente curto. Nessas estruturas, os sensores, além de monitorar o risco de corrosão, podem fornecer a taxa de corro-

Introdução

sensores são as seguintes 4,6-7 :

são e podem permitir a verifica- ção da eficiência/durabilidade de

O monitoramento das estru- turas de concreto armado possi- bilita que o risco de corrosão seja estimado ao longo dos anos de sua utilização. Com o conheci- mento desse risco, intervenções de prevenção da corrosão ou de controle da corrosão já estabele- cida podem ser programadas e realizadas em períodos adequa- dos. Isso reflete positivamente na

portamento da estrutura ao longo dos anos, podendo os dados obtidos serem usados em modelos matemáticos bastante seguros para a previsão de vida útil da estrutura; • otimização e melhor planeja- mento das intervenções de ins- peção e de reparo da estrutura, incluindo interrupções de trá- fego e instalações de infraestru-

reparos. O monitoramento do risco de corrosão pode ser feito em estru- turas atmosféricas, enterradas ou submersas, sendo mais frequente em estruturas atmosféricas. Nes - sas estruturas, os sensores são embutidos em diferentes com- ponentes, especialmente naque- les expostos a uma forte agres- sividade ambiental. Nota-se que,

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tanto as características da es- trutura como as condições agres- sivas às quais a mesma está ex - posta são fatores importantes na seleção do tipo de sensor e na metodologia da análise dos da- dos obtidos. Como exemplo, ci- ta-se o estudo de Polder, Peelen e Leegwater 9 que observaram que nem todos os parâmetros usual- mente monitorados por sensores embutidos em estruturas atmos-

féricas são significativos para ava- liar o risco de corrosão de arma- duras de paredes de túneis. Nos sensores, os dados po - dem ser obtidos por meio de lei- turas feitas manualmente ou por meio de sistema eletrônico. No primeiro caso, as leituras são fei - tas em campo, diretamente nos sensores cujos terminais são co- nectados a um painel individual ou a um painel central. No se- gundo caso, as leituras são feitas automaticamente e armazenadas eletronicamente (software e hardware), tendo-se um gerenci- amento contínuo dos dados. As leituras podem ainda ser dispo- nibilizadas por meio de sistema de transmissão remota de dados,

o que permite o monitoramento

da estrutura em tempo real. Nota-se que, atualmente, a implantação de sistemas eletrô- nicos apresenta custo bem supe- rior ao uso de sensores com lei- turas manuais. No entanto, os custos de automação devem diminuir decorrente do crescente desenvolvimento de equipamen-

tos eletrônicos 8 . Isso deve tam- bém resultar em disponibilidade no mercado internacional de sensores cada vez mais eficientes

e duráveis.

Sensores galvânicos

A maioria dos sensores dispo - níveis no mercado internacional para avaliação do risco da cor- rosão em estruturas de concreto fundamenta-se no monitora- mento da variação da corrente galvânica. A corrente galvânica

aparece quando, em um mesmo meio condutivo, se faz o contato elétrico entre dois metais distin- tos ou entre dois metais simi- lares, porém em estados distintos (estado ativo ou passivo) decor- rente das alterações do meio junto a um dos metais 10 . Para essa medição, usa-se um amperí - metro de resistência zero, conhe- cida como técnica ZRA (Zero- Resistance Ammeter). Usualmente, a medição da corrente galvânica em estruturas de concreto é feita pelo contato elétrico entre uma barra de aço- carbono do sensor e/ou da arma- dura com outra barra de metal mais nobre que apresenta poten- cial eletroquímico estável em concreto (estado passivo). Na au- sência de barra de metal mais no- bre, a medição pode ser feia entre o sensor e a armadura (em estado passivo). Na prática, para a avalição do risco de corrosão nas estruturas de concreto, os sensores galvâni- cos constam de um conjunto de barras de aço-carbono, eletrica- mente isoladas. Com o embuti- mento do sensor no concreto, es-

sas barras ficam posicionadas em diferentes profundidades, sem- pre menores do que a da arma- dura. Esse conjunto de barras do sensor é também denominado de anodo. Na proximidade do anodo, é embutida a mencionada barra de metal mais nobre, denominada de catodo. Em geral, como cato- do utilizam-se aços inoxidáveis altamente resistentes à corrosão aos íons cloreto ou titânio reves - tido com platina ou com mistu-

ra de óxidos de metais nobres (MMO). A corrente galvânica é medi- da entre cada barra de aço-car- bono do anodo e o catodo. Em concreto íntegro, essa corrente é desprezível, ou seja, muito baixa. Isso porque, as barras de aço-car- bono estão em estado passivo, portanto, apresentando uma di -

ferença de potencial desprezível em relação ao catodo também passivo. O mesmo não ocorre quando um processo corrosivo é estabelecido nas barras. Nesse ca- so, a corrente galvânica apresen- ta um valor significativo em de- corrência da variação do poten- cial do anodo que assume valores mais negativos em relação ao ob- tidos inicialmente, em seu estado passivo. O processo corrosivo nas bar- ras do anodo do sensor ocorre gradativamente, conforme o avanço da frente de agentes agressivos no concreto de cobri- mento. Sendo assim, a corrente galvânica aumenta no sentido da barra que foi embutida mais próxima à superfície do concreto para a barra embutida em maior profundidade. Esse avanço de agentes é devido, geralmente, ao ingresso do dióxido de carbono que diminui o pH da solução de poros (carbonatação) ou ao in- gresso de íons cloretos em teores críticos. Nota-se que não há uma faixa fixa de valores de corrente galvânica que caracterizam o es- tado ativo das barras de aço-car- bono do anodo. Isso porque, tem-se uma variedade de inter- ferências na corrente circun- dante, como a área dos eletrodos, a qualidade do concreto e o teor de íons cloreto no concreto 11 . Assim sendo, não é o valor abso- luto da corrente que deve ser considerado, mas sim a variação de seus valores ao longo do tempo. Cabe mencionar que, fa - bricantes de sensores galvânicos disponibilizam equipamentos para a medição da corrente e que também podem indicar valores limites para o estado ativo ou passivo de corrosão, sendo isso possível devido a estudos realiza- dos em laboratório e em campo. Usualmente, recomenda-se que a leitura da corrente galvâni- ca seja feita poucos segundos após o estabelecimento do con-

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Barras de aço-carbono (anodo) Barra de aço-carbono a ser embutida junto à armadura (anodo) Barra
Barras de aço-carbono (anodo)
Barra de aço-carbono
a ser embutida junto à
armadura (anodo)
Barra de titânio
revestido com óxido
de platina (catodo)
Painel de leitura

Figura 1 – Sensor escada (Anode Ladder). Fonte: Sensortec

tato elétrico entre o anodo e o ca- todo. Isso porque, essa corrente não é estável ao longo do tempo de medição 9 . Outra fator a ser considerado

é a distância entre o anodo e o catodo. Normalmente, o catodo

é instalado próximo do anodo,

em região de concreto aerado, em que há livre acesso do oxi- gênio. No caso do concreto da região estar sujeito à saturação por longos períodos (como em componentes submersos e ex- postos à variação de maré), em que já há naturalmente restrição do acesso de oxigênio, a distância entre o anodo e o catodo deve ser maior, visto que há consumo de

parte do oxigênio pelo catodo. No caso de concretos de baixa resistividade elétrica, a distância entre o anodo e o catodo pode chegar a alguns metros 1 .

Nota-se que a resistividade elétrica é um parâmetro impor-

tante a ser considerado na avali- ação do risco de corrosão. A resis- tividade elétrica é função da umi- dade do concreto e do conteúdo do eletrólito. Tradicionalmente a resistividade elétrica do concreto é determinada pela técnica de quatro pinos (Wenner four elec- trode) 12 . Com pequenas modifi- cações nos sensores galvânicos, pode ser determinada a resis- tividade elétrica do concreto. Es-

Barras de aço-carbono ( a n o d o ) Barras de aço inoxidável (catodo)

Barras de aço-carbono (anodo)

Barras de aço inoxidável (catodo)

Figura 2 – Sensor 900 (Concrete Multi-depth Sensor, Model 900). Fonte: Aselco (representante no Brasil da Rohrback Cosasco Systems)

sa determinação é feita entre pa- res de barras de anodo e com o uso de um ohmímetro alimenta- do com corrente alternada. A re- sistividade também pode ser ob- tida com sensores de umidade, como o descrito mais adiante. Também com pequenas mo- dificações nos sensores galvâni- cos, pode-se determinar o poten- cial de circuito aberto e a taxa instantânea de corrosão das bar- ras do anodo do sensor e da ar- madura e, ainda, a temperatura do concreto. O potencial de cir- cuito aberto das barras do anodo é medido com o uso de um vol - tímetro de alta impedância e um eletrodo de referência ou um pseudoeletrodo de referência. A taxa de corrosão instantânea po- de ser determinada pela técnica de polarização linear, sendo para tanto necessário o uso de um po- tenciostato. E finalmente, com o acoplamento no sensor de tem- peratura, pode-se obter a tempe- ratura do concreto. Cita-se que a determinação da taxa instantâ- nea de corrosão é abordada mais adiante (sensor de taxa instan- tânea de corrosão). Usualmente, a avaliação do risco de corrosão é feita com a determinação da corrente galvâ- nica e do potencial de circuito aberto. Segundo Vennesland, Raupach e Andrade 13 , um au- mento da corrente galvânica acompanhado por uma dimi- nuição do potencial de circuito aberto indica claramente que um nível crítico de íons cloreto foi atingido ou que a frente de carbonatação alcançou as barras do anodo do sensor. Para a determinação do po- tencial de circuito aberto das barras do sensor, os seguintes ele- trodos podem ser usados:

• eletrodo de referência: eletrodo que apresenta potencial conhe- cido em relação ao eletrodo de hidrogênio, sendo o valor re- produtível e estável ao longo do tempo, dentre outras carac-

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terísticas 14 . Também pode ser chamado de eletrodo de refe - rência padrão ou verdadeiro (true reference electrode). Há diferentes tipos de eletrodo de referência, citam-se o eletrodo de prata/cloreto de prata – Ag/AgCl e o eletrodo man- ganês/óxido de manganês – Mn/MnO 2 que são usados em- butidos no concreto (eletrodos permanentes) e o eletrodo de cobre sulfato de cobre usado posicionado sobre a superfície do concreto. Geralmente, dá-se preferência aos eletrodos em- butidos que ficam posiciona- dos próximos do anodo. Essa proximidade diminui a inter- ferência da resistência do meio (queda ôhmica) na medição; • pseudoeletrodo de referência:

eletrodo que não apresenta as mesmas características do ele- trodo de referência 14 . Usual- mente, não mantém potencial estável, mas sua variação é pre- visível em condições conheci- das. Dentre tais condições, esse é mais usado nos meios aera- dos, em que os potenciais do eletrodo são mais estáveis ao longo do tempo. O catodo do sensor, que é uma barra de aço inoxidável ou de titânio reves- tido com platina ou revestido com mistura de óxidos metáli- cos – MMO, é o pseudoeletro- do mais usado. Outra opção é a própria armadura ou uma barra de aço-carbono embutida na proximidade da armadura, des- de que no estado passivo. A avaliação do risco de cor- rosão da armadura com pseu- doeletrodo de referência é feita pelo monitoramento da variação dos valores de potencial de cir- cuito aberto em cada uma das barras do anodo e, também, en - tre elas. Cita-se que fabricantes dos sensores disponibilizam equi - pamentos para a medição do po - tencial e dos outros parâmetros mencionados. No caso do uso de eletrodo

Anéis de isolamento elétrico e de vedação (faixa preta e branca) Barra de titânio revestido
Anéis de isolamento
elétrico e de vedação
(faixa preta e
branca)
Barra de titânio
revestido com óxido
de platina (catodo)

Figura 3 – Sensor de anéis expansivos (Expansion Ring Anode). Fonte: Sensortec

de referência padrão, a avaliação

do risco é feita tanto pela análise

dos valores absolutos de poten-

cial de circuito aberto como pela

análise da sua variação ao longo

do tempo. A análise dos valores

absolutos é feita em relação a va - lores normalizados 15 que indi - cam a probabilidade de ocorrên-

cia de corrosão. Uma revisão bibliográfica

mostrou que há muitas pesqui - sas para desenvolvimento de sensores, no entanto, comer- cialmente, o número de forne- cedores ainda pode ser consi- derado limitado. Alguns sen- sores disponíveis no mercado

são os seguintes:

• sensor escada (Anode Ladder) e sensor de anéis expansivos (Expansion Ring Anode), ambos da empresa Sensortec; • sensor de múltiplos eletrodos (CorroWatch Multisensor), da empresa Force Technology; • sensor 900 (Concrete Multi- depth Sensor, Model 900), da empresa Rohrback Cosasco Systems. Além da corrente galvânica, o sensor escada e o sensor 900 po- dem ser usados para determinar todos os demais parâmetros

mencionados anteriormente 16-17 .

O sensor de anéis expansivos

pode ser usado para determinar

os três primeiros parâmetros

mencionados 18 . O sensor de múltiplos eletrodos determina o potencial de circuito aberto das barras do anodo com o uso do eletrodo de referência ERE20 (Mn/MnO 2 ) embutido na sua proximidade, e a temperatura do concreto por meio de eletrodo específico embutido na base do sensor 19 . No sensor escada e no sensor 900, as barras de aço-carbono constituintes do anodo são retas e estão posicionadas em paralelo. No sensor de anéis expansivos, em vez de barras são usados anéis que estão posicionados uns sobre os outros. No sensor de múlti- plos eletrodos, as barras do ano- do são retas e estão posicionadas em altura e ângulos diferentes em relação a uma base circular. Esses sensores podem ser visuali- zados nas Figuras 1 a 3. No sensor escada e no sen- sor de anéis expansivos, uma barra de titânio ativado (revesti- do com MMO) é usada como catodo, sendo esta posicionada na proximidade das barras de anodo quando da instalação do sensor. No sensor 900, o catodo são barras de aço inoxidável, as quais estão posicionadas no mesmo alinhamento das barras

do anodo como mostra a Figura 2. No sensor de múltiplos ele -

trodos, uma tela de titânio ati-

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Sensor Sensor posicionado posicionado inclinado inclinado sobre sobre a a armadura armadura
Sensor Sensor posicionado posicionado
inclinado inclinado sobre sobre a a
armadura armadura

Figura 4 – Sensor escada (Anode Ladder) sobre a armadura, em posição inclina- da. Fonte: Sensortec

vado, fixada na base de apoio das barras do anodo, é usada como catodo.

Os sensores escada, de múlti-

plos eletrodos e o sensor 900 foram desenvolvidos para o mo- nitoramento do risco de corrosão em construções novas, como tú-

neis, pontes, píeres, fundações e outros tipos de construções. O sensor de anéis expansivos foi desenvolvido para uso em cons- truções existentes, o que inclui aquelas em período de recupera- ção estrutural 11 .

O sensor escada e o sensor

900 são instalados em posição inclinada sobre a armadura. O grau dessa inclinação é variável,

sendo definida conforme a espes - sura do concreto de cobrimento.

A Figura 4 ilustra a instalação do

sensor escada. Quanto à instalação do sen- sor de anéis expansivos, este é embutido no concreto por meio de furo na camada de cobrimen-

to da armadura. Na proximidade

uso de um equipamento manual de torção. Essa expansão e a pre- sença de anéis de vedação evitam

a penetração de água pela parede

do furo. Devido à possibilidade de penetração de água nessa pa - rede, não se recomenda o uso do sensor na condição de imersão ou em situações de acúmulo de água sobre superfícies horizon- tais (poça de água) 18 . Nota-se que, para evitar a corrosão das barras de aço-car- bono do anodo dos sensores apresentados para uso em obras novas, a sua instalação deve ser feita momentos antes do lança- mento do concreto. Além disso, as barras do anodo e o catodo dos sensores apresentados de- vem estar isolados eletricamen - te da armadura. No passado, os sensores eram desenvolvidos para que as lei- turas fossem feitas manual- mente, com uso de equipamen- tos portáveis. No entanto, atual- mente esses são providos de sis- temas eletrônicos de leituras, como por exemplo, o sensor es-

cada e o sensor de anéis expan- sivos 20 . Segundo Nygaard e Klinghoffer 21 , o mesmo foi feito para o sensor de múltiplos ele- trodos que dispõe também de ferramentas para a transferência de dados.

Finalmente, cabe mencionar que é esperada degradação pre- matura do concreto de cobri- mento no local de embutimen- to do sensor galvânico. Isso é válido para aqueles em que bar-

ras de aço-carbono do anodo são posicionadas em baixa pro- fundidade no concreto de co - brimento. Com a evolução da corrosão dessas barras, há peri- go de fissuração e desplacamen-

to do concreto. Para evitar que

terna conectada às referidas barras 22 .

Sensor de umidade

O início da corrosão da ar-

madura é influenciado significati-

vamente pela umidade do concre- to, pois a umidade pode retardar

o ingresso de dióxido de carbono, mas é pré-requisito para a pene- tração de íons cloreto 23 . O avan - ço da frente de carbonatação é maior em concreto com umidade em torno de 50 % e, a penetração de íons cloreto é maior, basica- mente, quanto maior a exposição do concreto à água salina. A umidade também influen- cia a taxa de corrosão da armadu- ra, sendo esta insignificante na condição de umidade muito bai- xa ou muito alta (concreto satu- rado com água) e, bastante signi- ficativa em valores médios de umidade 23 . Em períodos longos de monitoramento da umidade, obtêm-se informações importan- tes dos valores máximos da taxa de corrosão em relação ao tempo decorrido 8 .

A Figura 5 apresenta um

sensor de umidade, denomina- do de sensor de múltiplos anéis (Multiring Electrode). Pela figu- ra, pode-se observar que esse sensor é constituído de anéis de aço inoxidável sobrepostos, tendo entre eles, outros anéis de isolamento elétrico e de veda- ção. Segundo estudos Bässler et al. (2003), esse sensor monitora as variações de umidade do con - creto, possibilitando a obtenção do perfil de umidade do concre- to. Isso pode ser feita até em torno 45 mm de profundidade do concreto de cobrimento 24 . Com o conhecimento do perfil de umidade, pode-se ava- liar a eficiência de sistema de

desse furo, outro é realizado para

a

intensificação da corrosão das

proteção superficial do concreto

o

embutimento do catodo. Para

barras superficiais resulte na de-

contra o ingresso da água, além

o

perfeito contato da superfície

gradação do concreto, sistemas

do risco de corrosão. Desse mo-

exposta dos anéis de anodo do sensor com a da parede do furo, estes anéis são expandidos com o

de proteção catódica podem ser usados. Essa proteção é feita com a instalação de bateria ex -

do, o sensor é usado em constru- ções novas ou existentes, incluin- do aquelas em reparo 2, 14, 20 .

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EQUAÇÃO DE STERN GEARY

i corr =

1

b a . b c

B

R p

2,303(b a + b c )

R p

i corr = taxa de corrosão ou densidade de corrente de corrosão, em µA/cm 2 B = constante empírica, obtida a partir da constante anódica (b a ) e

catódica (b c ) de Tafel, em mV. R p = coeficiente angular obtido em trecho reto da curva potencial em função da corrente, em k .cm 2

O perfil de umidade é obtido

a partir da determinação da resis-

tência ôhmica entre pares de anéis metálicos adjacentes do sensor. Para isto, convertem-se os valores da resistência de cada par em resistividade elétrica usando a constante da célula. Por meio de curvas de calibração, é possível a conversão dos valores de resistivi- dade elétrica em umidade. Co- nhecendo as profundidades de embutimento dos anéis, obtém- se o perfil de umidade. Como a temperatura do concreto afeta a resistência medida, determina-se também a temperatura para a sua compensação. Para tanto, há um eletrodo de temperatura embu- tido no corpo do sensor 8,24 . Vale ressaltar que, os cálcu- los descritos para a obtenção da resistividade e da umidade do concreto a partir das medidas de resistência não são precisos. Com isso, os valores de umi- dade obtidos pelo sensor de múltiplos anéis devem ser anali- sados somente em função de suas variações ao longo do tem- po, as quais refletem as pro- priedades do concreto 14 .

Sensores de taxa de corrosão instantânea

A taxa de corrosão instan-

tânea é um parâmetro impor - tante a ser monitorado nas

estruturas de concreto expostas

a um ambiente agressivo e que

apresentam sua armadura des- passivada. Quanto maior é a agressividade do ambiente,

maior deve ser a intensidade da

corrosão dessa armadura e, con-

sequentemente, mais rapida- mente o concreto de seu cobri- mento se deteriorará, principal- mente por fissuração seguida de desplacamento. Nota-se que o tempo estimado para que essa fissuração é bem menor do que

o tempo de despassivação da

armadura 25 . Em geral, a taxa de corrosão instantânea é estimada pela aplicação da técnica de polari- zação linear. Essa técnica é baseada no fato de que a curva de polarização de sistemas metal/meio apresenta um tre- cho linear na região do poten- cial de circuito aberto (baixas sobretensões). Nesse trecho, é determinada a resistência de

polarização (R p ) que tem rela- ção com a taxa de corrosão con- forme a equação de Stern Geary 26 (veja o quadro acima). Na prática, muitos autores adotam o valor de B de 26 mV para medições em campo. No caso do uso da armadura como eletrodo de trabalho, é feito o isolamento de um trecho próxi- mo ao sensor ou a introdução

de uma barra junto à armadura.

Em ambos os casos, deve-se co-

nhecer a área exposta do ele- trodo de trabalho 1,27 . As medições em campo da taxa de corrosão podem ser fei -

tas manual ou automatica- mente, com o uso de equipa- mentos disponibilizados pelo fornecedor do sensor. Opcio -

Anéis Anéis de de aço aço inoxidável inoxidável Anéis Anéis de de vedação vedação e
Anéis Anéis de de aço aço
inoxidável inoxidável
Anéis Anéis de de vedação vedação
e e isolamento isolamento
elétrico elétrico

Figura 5 – Sensor de múltiplos anéis (Multiring electrode).

Fonte: Sensortec

nalmente, as medições podem ser feitas manualmente com o uso de potenciostato portátil conectado a um notebook. Além da avaliação da varia- ção da taxa de corrosão instan- tânea ao longo do tempo, os va - lores absolutos obtidos podem ser analisados em relação a cri- térios estabelecidos por pesqui- sadores, como Andrade et al. 26 . Recomenda-se que essas avalia- ções sejam feitas em conjunto com a análise das condições ambientais de exposição da es- trutura e das características do concreto. Cita-se que a tempe- ratura e a resistividade elétrica do concreto, a presença de anomalias na sua superfície bem como a incidência de águas pluviais interferem bas- tante na taxa de corrosão. Além disso, segundo Rau- pach, Gulikers e Reichling 8 , a avaliação da taxa de corrosão também deve considerar o agente agressivo causador da corrosão, sendo que, o ingresso do dióxido de carbono (carbo- natação) causa corrosão genera - lizada das armaduras, enquanto

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Adriana51:Cristiane43 4/29/14 4:12 PM Page 7 Figura 6 – Sensor 800 (COR- RATER Probe, Model 800)

Figura 6 – Sensor 800 (COR- RATER Probe, Model 800) posicionado sobre a armadura. Fonte: Rohrback Cosasco Systems

o ingresso de íons cloreto causa

corrosão localizada das armadu -

ras (formação de pites). Nesse último caso, a área dos pites (região com corrosão) é desco-

nhecida, sendo este dado neces- sário para estimar a taxa de cor- rosão pela técnica de resistência de polarização. Em contrapon- to, na presença de íons a influ - ência da queda ôhmica é menor decorrente da menor resistivi- dade do concreto. A técnica de polarização li- near pode ser usada com três ou dois eletrodos. No primeiro ca - so, além do eletrodo de traba - lho, é usado um eletrodo de referência e um contraeletrodo. No segundo caso, um dos ele - trodos é o de trabalho e, o outro, funciona simultanea- mente como contraeletrodo e eletrodo de referência 28 . Cita- se que, nessa técnica, o uso de eletrodo de referência padrão ou pseudoeletrodo de referência

é indiferente, pois a curva de

polarização é resultante da so - bretensão (diferença entre o po -

tencial aplicado e o potencial de circuito aberto) em função da corrente. Conforme mencionado an - teriormente, alguns sensores galvânicos podem monitorar a

taxa de corrosão instantânea das barras do anodo e/ou da armadura (eletrodos de traba- lho). No sensor escada e no sen- sor 900, podem-se usar três ou dois eletrodos. No caso de três eletrodos, usa-se uma barra do anodo do sensor como eletrodo de trabalho, uma barra adja- cente a esta como contraeletro- do e o catodo do sensor como pseudoeletrodo de referência. No caso de dois eletrodos, usa- se um par de barras adjacentes do anodo do sensor, um como eletrodo de trabalho e outro como contraeletrodo e pseu- doeletrodo de referência. Nota- se que nesse último caso, não é relevante o estado (passivo ou

ativo de corrosão) da barra usada como contraeletrodo/ pseudoeletrodo de referência. Além dos sensores descritos, cita-se o sensor 800 (COR- RATER Probe, Model 800) da empresa Rohrback Cosasco Systems e o sensor ECI-1 (Embedded Corrosion Instru- ment, Model ECI-1) da empresa Virginia Technologies. No sensor 800, a determi- nação do R p é feita somente com o uso de dois eletrodos (duas barras de aço-carbono). Esse sensor é fixado junto à ar- madura, como mostra a Figura 6. O monitoramento da taxa de corrosão pode ser feito com equipamento de medição ma - nual (CORRATER Model AquaMate) ou com um sistema de transmissão remota (COR- RDATA). Ambos podem ser usados para determinar a tem- peratura e a resistividade elétri- ca do concreto 29 .

No sensor ECI-1, a deter- minação de R p é feita com o uso de três eletrodos, sendo usada, como contraeletrodo, uma barra de aço inoxidável e, como eletrodo de referência, o eletrodo de referência ERE20, o que permite também o moni- toramento do potencial de cir-

cuito aberto do eletrodo de tra- balho (barra de aço-carbono) do sensor.

O sensor ECI-1 também é

provido de eletrodo seletivo de Ag/AgCl e sensor de tempera- tura, adequados para a determi- nação da concentração de íons cloreto no concreto e, ainda, provido de quatro barras de aço inoxidável para a determinação da resistividade elétrica do con- creto. A determinação da con- centração de íons cloreto é feita pelo monitoramento da tempe- ratura e da variação do poten- cial de eletrodo Ag/AgCl que é dependente do teor de íons cloreto na água de poro do con- creto em relação ao eletrodo de referência de Mn/MnO 2 . Quanto à resistividade elétrica, esta é determinada pela técnica de quatro pinos, mencionada anteriormente 30-31 . Esses sensores foram desen- volvidos para o monitoramento do risco de corrosão em cons - truções novas ou existentes du- rante recuperação estrutural. Cita-se que o sensor ECI-1 também pode ser usado para monitorar a presença de clore- tos no concreto fresco e tam- bém sua temperatura e umi- dade (resistividade elétrica) 31 .

Sensores de fibra óptica

Li et al. 32 citam que tanto o

monitoramento do risco da corrosão como a avaliação da estabilidade das estruturas exi- gem o desenvolvimento de no- vos sensores que atendam a uma variedade de situações. Se- gundo os autores, os sensores de fibra óptica são uma ferra- menta promissora para atender essa demanda, apresentando vantagens em relação aos sen- sores convencionais, como os mencionados anteriormente. Isso porque, a implantação de sistemas de monitoramento com uso de sensores de fibra óptica é considerada mais sim-

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ples e versátil, tendo-se grande confiabilidade nos resultados e, ainda versatilidade de configu- ração do sensor. Tais vantagens estão rela- cionadas às características das fibras ópticas, como por exem- plo, pequena dimensão, flexi- bilidade, resistência à corrosão, imunidade a ruídos eletromag- néticos e transporte de feixes luminosos por longas distâncias com perdas desprezíveis 33-34 . Devido a tais características, nas últimas décadas tem-se in- tensificado o estudo de sensores de fibra óptica para avaliação do risco de corrosão nas estru- turas de concreto. Esses estudos e aplicações pontuais em cam- po indicam a eficiência desse tipo de sensor no monitora- mento, por exemplo, do pH e da umidade do concreto, da concentração de íons cloreto e da corrosão das armaduras. No caso específico da cor- rosão das armaduras, o uso de sensores ópticos complementaria as técnicas eletroquímicas. Essas técnicas, segundo Wheat e Liu 35 poderiam inclusive ser substituí- das pelo uso dos sensores de fibra óptica, particularmente na avali- ação de componentes críticos da estrutura ou em situações em que as medições eletroquímicas são impraticáveis. Zheng, Sun e Lei 33 desen- volveram um sensor de fibra óptica que monitora a corrosão. Em ensaio com barra de aço- carbono embutida em concreto exposto à solução salina, foi verificada a deformação do sen- sor em consequência do acú- mulo de produtos de corrosão da barra. Isso foi observado pelo monitoramento da refle- xão de feixes luminosos emiti- dos pela extremidade da fibra em contato com a superfície da barra. Com o aumento do acú- mulo dos produtos de corrosão na superfície da barra (corrosão severa), a deformação excessiva

da extremidade da fibra resul- tou na inutilização do sensor. Três sensores de fibra óptica com a mesma finalidade foram desenvolvidos por Zhao et al. 36 . Esses sensores apresentavam uma fibra óptica enrolada em barra de aço-carbono polido. Os autores correlacionaram o estiramento da fibra, em conse- quência do aumento do volume da barra (acúmulo de produtos de corrosão), com a intensidade da corrosão. Fuhr e Hustonn 34 fazem considerações sobre o uso de sensores ópticos no monitora- mento da corrosão em estrutu- ras de concreto (pontes e viadu- tos). Esses autores citam a apli- cação de um programa de com- putador específico para moni- torar a evolução da corrosão de armaduras ao longo do tempo. Além disso, é referenciado o acoplamento de um alarme so- noro ao sensor para alertar quando um nível pré-determi- nado de corrosão é atingido.

Conclusão

No exterior, sensores são amplamente usados em sis- temas de monitoração perma- nente do risco de corrosão em estruturas de concreto. O mes- mo não ocorre no Brasil, sendo os sensores pouco conhecidos e utilizados. Esse fato está rela- cionado com a restrição de tec- nologia nacional e de pessoal qualificado. Isso abre um novo campo de investigação muito promissor. Devido às particularidades de cada estrutura de concreto e dos diferentes ambientes de exposição, a implantação de sis- temas de monitoramento com uso de sensores embutidos no concreto de cobrimento não é uma tarefa fácil. Isso também é válido para a análise dos dados obtidos pelos sensores, que requer profissionais especializa- dos em corrosão.

Acredita-se que, no futuro próximo, haverá disponível no mercado uma ampla gama de sensores de melhor relação cus- to /benefício e com eletrônica embarcada, o que facilitará a monitoração permanente das estruturas de concreto. Isso deve refletir positivamente no mercado nacional, incentivan- do tanto a pesquisa como o uso de sensores em muitas cons- truções, especialmente naquelas expostas à elevada agressividade ambiental, recuperadas ou com restrição da realização de ma - nutenções periódicas.

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2011.

Adriana de Araújo

Pesquisadora, Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT Contato: aaraujo@ipt.br

Zehbour Panossian

Diretora de Inovação do IPT e professora convidada do Departamento de Metalurgia e Materiais da EPUSP

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C & P • Março/Abril • 2014

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Opinião51:Opinião40 4/29/14 5:30 PM Page 1

Opinião

Opinião51:Opinião40 4/29/14 5:30 PM Page 1 Opinião David Akka Seis dicas para integração de sistemas Entenda

David Akka

Seis dicas para integração de sistemas

Entenda perfeitamente o que se necessita hoje e o que será necessário amanhã, para poder escolher as ferramentas mais relevantes

esistência a mudanças, ní- vel de riscos e investimen- to necessário são apenas algumas das razões pelas quais a maioria dos departamentos de TI adiam os projetos de integra- ção de sistemas. Porém, com a mobilidade corporativa, a cola- boração on-line e serviços em nu- vem, há a necessidade de atuali- zar os sistemas de forma segura e eficiente. Aqui estão seis dicas para se obter uma integração de sistemas bem-sucedida.

para se obter uma integração de sistemas bem-sucedida. 1. Contrate os líderes Os gestores precisam serem

1. Contrate os líderes

Os gestores precisam serem vistos como parceiros importan-

tes. Evite a cultura da culpa e promova a visão estratégica do projeto, cooperação e resolução

de problemas através dos gestores

e departamentos, debatendo as

complexidades com fornecedores para que obstáculos possam ser evitados.

2. Obtenha uma série de

pequenos sucessos Projetos de integração são

tipicamente complexos. O suces-

so depende da divisão do projeto

em pequenas etapas, onde cada possui um determinado valor.

3. Certifique-se de tratar

cada desafio de segurança As informações agora são acessíveis on-line e é vital deter- minar quem e quando uma in - formação pode ser acessada. Os riscos de violação são ainda mai - ores em função dos funcionários

usarem seus próprios aparelhos e de usarem dos serviços de nuvem pri- vados. Isto requer mudança de pensamento para garantir os processos. No caso de celulares, há uma série de maneiras de se conseguir isto, desde adotar senhas, soluções MDM (Gerenciamento do Aparelho Móvel) e recursos para o aparelho, até acesso seguro aos aplicativos através de controle. E, finalmente, garantindo que o dado que não fique armazenado no aparelho.

4. Ferramentas relevantes de integração

Entenda perfeitamente o que se necessita hoje e o que será neces- sário amanhã, para poder escolher as mais relevantes. Há dois tipos principais de ferramenta de integração: as de sincronização/atualiza- ção de dados; e as de integração baseada em processo. Ferramentas de terceiros têm a vantagem de estarem otimizadas, mas elas também estão otimizadas para integrarem-se entre os conjuntos. Se você está pensando em integrar tecnologia de fornecedores variados – ou quer

manter suas opções em aberto para o futuro –, vale a pena dar uma olhada nas ferramentas independentes.

5. Monitoramento e gerenciamento de desempenho são cruciais

Resiliência, elasticidade, recursos de monitoramento e gerencia- mento de desempenho são chaves adicionais para soluções de inte- gração. A garantia de entrega de mensagens significa que o monitora-

mento é vital. Se um sistema falha durante a transmissão, a ferramen- ta de integração precisa reconhecer quando ela pode reenviar a men- sagem. Além disso, os recursos de monitoramento permitem que o sistema armazene as transmissões que não puderam ser feitas e conce- da recursos adicionais para lidar com picos de demanda repentinos.

6. Justifique os custos

A integração não deve ser considerada como custo apenas, em função dos benefícios devido à recepção de dados em tempo real a fim de melhorar os processos de negociação. Eu trabalhei com uma grande seguradora de transporte que se beneficiou do uso de dados em tempo real para reduzir sua taxa de roubos e perdas, o que reduziu seus cus- tos. Projetos de integração de sistemas podem ser os mais difíceis de planejar, executar e gerenciar. Porém, quando simples diretrizes são seguidas, os riscos são minimizados e a empresa pode beneficiar-se da tecnologia e dos aplicativos melhores.

David Akka

CEO da Magic Software UK Contato: davidakka@magicsoftware.com.br

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