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P.º n.º R.P. 21/2013 STJ-CC Conversão de arresto em penhora. Modo de titula- ção. PARECER Os

P.º n.º R.P. 21/2013 STJ-CC Conversão de arresto em penhora. Modo de titula- ção.

PARECER

Os prédios descritos nas fichas … e … da freguesia de ...

concelho de …, assim

, como a fração autónoma designada pela letra “B” do prédio descrito na ficha …, da

freguesia de …, concelho de …, acham-se inscritos, em comum e sem determinação de

parte ou direito, a favor dos herdeiros de Sara e marido Abel (sob a

ap. ...

de

09/08/2005, os dois primeiros, e sob a ap. … de 19/04/2007, a fração autónoma).

É herdeiro contitular inscrito Gustavo, sobre cujo direito (às heranças ilíquidas e indivisas dos indicados sujeitos passivos) incide registo da providência de arresto contra

ele requerida por Eduardo no âmbito do processo n.º …, do Juízo de

da Comarca de

... …, decretada no dia 06/10/2010 para segurança da quantia de €95.000,00 (ap. … de

18/10/2010).

No dia 21/12/2012, sob a ap. …, J…, agente de execução, ora recorrente, requisitou na conservatória recorrida o registo de “arresto em penhora”.

Prestou, para o efeito, a seguinte declaração, exarada no verso do impresso- requisição:

Ao abrigo do disposto no art.º 838.º do CPC, requer se proceda à penhora do direito de ação do executado na herança… para garantia do pagamento da quantia exequenda no montante de €99.718,34 e das despesas previsíveis da execução, as quais se presumem para o efeito da realização da penhora e sem prejuízo

de ulterior liquidação no valor de 5% da quantia exequenda ou seja €4.985,91, nos termos do art.º 821.º do CPC, no Processo de execução n.º do Juízo de Execução da Comarca de … Exequente: José (…); Executado:

Gustavo (…).”

O pedido foi ainda instruído com os seguintes documentos:

  • a) certidão judicial (ou cópia simples de certidão?) extraída dos autos de ação de processo ordinário com o n.º …, que corre termos no Juízo de …, e que reproduz a sentença proferida em 21/06/2012, transitada em 10/09/2012, através da qual Gustavo (réu) foi condenado a pagar a Eduardo (autor) a quantia de €92.954,33, acrescida de juros de mora à taxa legal anual de 4% ao ano;

  • b) cópia de documento contendo escrito atribuído a Eduardo no qual este declara ceder a José, pelo preço de €20.000,00, o crédito que o cedente

afirma ter sobre Gustavo, e que “ lhe foi reconhecido por sentença proferida em 21/06/2012, nos

afirma ter sobre Gustavo, e que “lhe foi reconhecido por sentença proferida em 21/06/2012, nos autos de ação declarativa sob a forma de processo ordinário com o número …, da Comarca de ….”. c) cópia do requerimento executivo 1 respeitante à execução que José moveu contra Gustavo para pagamento de quantia de €99.718,34, com fundamento na mencionada sentença datada de 21/06/2012, e no qual, além do mais, a. se deduzem os factos constitutivos da sucessão entre vivos do exequente no lado ativo da obrigação exequenda (e que se consubstanciam na transmissão do crédito supra referida na al. b); b. se esclarece que “(…) os bens indicados à penhora estão arrestados, devendo converter-se o arresto, sobre os mesmos, em penhora art. 846 CPC.2

O registo foi recusado com fundamento em não ter sido feita prova da existência de despacho judicial determinando a conversão do arresto em penhora.

Foi interposto o presente recurso hierárquico, em cujo requerimento, invocando-se

o disposto nos arts. 846.º, 838.º, 808.º/1 e 809.º/1, todos do CPC, se alega que é da competência do agente de execução a prática de “todos os atos ou diligências de execução, nomeadamente de registo predial”, entre os quais se inclui o da promoção da conversão do arresto em penhora não exigindo a lei, para o efeito, a prolação de despacho judicial. De resto, aduz-se, “se se considera que o título para o registo de uma penhora é o requerimento executivo, também para a conversão de arresto em penhora terá de se entender que igualmente o título será o requerimento executivo no qual, aliás,

constam sob o título ´bens indicados à penhora’, os imóveis aqui em causa, e a nota expressa de que se encontram ‘sob arresto’”.

Lavrado o despacho

a

que

se

refere

o

art.

142.º-A/1 CRP, nele reconhece a

recorrida que a conversão do arresto em penhora se faz nos termos do disposto nos arts. 838.º e 846.º CPC, ou seja, com base em declaração do agente de execução nomeado no

1 Junta através de ap. complementar efetuada no dia 02/01/2013, como se informa no despacho de sustentação. 2 Como bens indicados à penhora, todavia, não se indicou o direito do executado às heranças a que respeitam os registos de aquisição em comum e sem determinação de parte ou direito identificados supra, sobre o qual se encontra registado o arresto, mas os próprios prédios sobre que recai o registo a favor da he- rança. Ou seja: no que toca aos bens a penhorar, o exequente não indicou quaisquer direitos a bens indivisos, nem, portanto, identificou os respetivos administrador e contitulares (cfr. art. 810.º/5, d) CPC).

processo. Defende, porém, e se bem apreendemos o seu pensamento, que tal formalismo não foi no

processo. Defende, porém, e se bem apreendemos o seu pensamento, que tal formalismo não foi no caso adequadamente cumprido, uma vez que na declaração complementar efetuada na requisição de registo se requer apenas o registo de penhora, e não a conversão do arresto em penhora. Pelo que, em conformidade, o registo se deve recusar por falta de título.

*****

Expostas

as

posições

em

confronto,

verificados

que

estão

os

necessários

requisitos processuais e não se suscitando questões prévias ou prejudiciais cuja

apreciação se imponha, cumpre conhecer do mérito. Emitamos, pois

Pronúncia

1. A questão a dirimir, nos presentes autos, resume-se a saber de que modo se titula a conversão do arresto em penhora mais precisamente, de que modo se titula a conversão do arresto do direito a herança ilíquida e indivisa em penhora do mesmo direito.

A recorrida, num primeiro momento (é dizer, no despacho impugnado), defende que a dita conversão se realiza mediante despacho judicial e foi com base na não comprovação da existência dum tal despacho que o peticionado registo se denegou; no despacho de sustentação, porém, vem reconhecer que a conversão afinal se realiza nos termos do disposto nos arts. 838.º e 846.º CPC, isto é, com base em declaração do agente de execução. Mas se nisso se põe de acordo com o recorrente, nem por isso retrocede na decisão de recusar o registo pedido com base, justamente, na declaração prestada pelo agente de execução. É que uma tal declaração, em seu entender, para poder servir de título ao registo de conversão do arresto em penhora, há de expressamente dizer que visa o registo de conversão do arresto em penhora e na declaração prestada com o pedido de registo o que se disse, em vez disso, foi simplesmente que se pretendia o registo de penhora. Portanto, para a sra. conservadora, a diferença entre haver ou não haver título, e, consequentemente, o fazer-se ou não o registo, reside em de da declaração subscrita pelo agente de execução constar ou não

constar a locução “conversão de arresto em penhora”.

Parece-nos ser esta, se bem fomos capazes de apreendê-la e expô-la, a posição assumida pela sra. conservadora no despacho de sustentação. Uma posição que, salvo o

devido respeito, se nos afigura de todo indefensável, posto que ignora completamente o facto – crucial

devido respeito, se nos afigura de todo indefensável, posto que ignora completamente o facto crucial de que a declaração prestada não pode deixar de ser interpretada à luz do pedido concretamente formulado. Pedido que, no caso, consistiu expressamente em se proceder ao registo da conversão de arresto em penhora. Ora nós não vislumbramos o que mais fosse necessário dizer para que inequivocamente se pudesse dar por validamente exteriorizada a comunicação à conservatória da conversão do arresto em penhora. Não cremos que um declaratário médio, colocado na posição da sra. Conservadora, razoavelmente pudesse atribuir sentido e alcance diferentes à declaração compreensiva composta pelos dizeres usados na expressão do pedido propriamente dito

(na hipótese, e literalmente, “arresto em penhora”) e pelos mais extensos dizeres (supra transcritos) com que se formulou a declaração contendo os elementos necessários à efetuação do registo.

Por conseguinte, se o entendimento da sra. conservadora, explicitado no despacho de sustentação, é o de que a conversão do arresto em penhora se processa nos termos previstos no art. 838.º CPC, parece-nos que, coerentemente com essa posição, que diverge da que originariamente defendera, o que se esperaria é que proferisse despacho a reparar a decisão de recusa.

2. Mas será de facto nos apontados termos que a conversão em penhora do arresto do direito à herança ilíquida e indivisa opera? 2.1. O arresto constitui um dos vários meios de conservação da garantia

patrimonial do devedor previstos no CCivil (arts. 619.º e ss

quanto ao regime

.. processual, cfr. os arts. 406.º a 410.º do CPC). A providência cautelar de apreensão judicial de bens, em que consiste, é decretada quando o credor, que a requer, logra convencer o tribunal de que é fundamentado o seu receio de perder a referida garantia, pelo risco que existe de os bens cuja apreensão especificamente solicita virem a ser

;

objeto de extravio (alienação, ocultação, inutilização).

Quanto aos seus efeitos substantivos, estipula o art. 622.º/1 CCivil que “os atos de disposição dos bens arrestados são ineficazes em relação ao requerente do arresto, de

acordo com as regras próprias da penhora”. Tem-se especialmente em vista, na referência ao regime da penhora, a regra fixada no art. 819.º CCivil, de acordo com a qual, ressalvadas as regras do registo, “são inoponíveis à execução os atos de disposição, oneração ou arrendamento dos bens penhorados”. A íntima ligação entre o arresto e a penhora resulta especialmente evidente da conjugação do disposto nos arts. 822.º/2 do CCivil e 846.º do CPC, ao estabelecer-se, na

primeira norma, que a anterioridade da penhora, quando os bens do executado tenham sido previamente arrestados, se reporta à data do arresto, e ao determinar-se, na

segunda, que, achando-se arrestados os bens, a penhora se faz por conversão do arresto. Com a

segunda, que, achando-se arrestados os bens, a penhora se faz por conversão do

arresto. Com a conversão, os “efeitos [civis] do arresto, que como tal se extinguem, são absorvidos pela penhora, deixando de ter existência própria”, produzindo-se em simultâneo “os efeitos processuais próprios da penhora (…), o primeiro dos quais consistente na destinação do bem à venda executiva.3 À semelhança do que se passa no plano substantivo, também o regime processual do arresto acompanha de perto a tramitação própria da penhora, por força do

preceituado no art. 406.º/2 do CPC (“O arresto consiste numa apreensão judicial de bens, à qual são aplicáveis as disposições relativas à penhora, em tudo quanto não contrariar o preceituado nesta subsecção.”). Donde decorre que se aplicam ao arresto, no que se refere à realização dos procedimentos de apreensão, e “salvo preceito especial em contrário e com as devidas adaptações, as disposições dos arts. (…) 836 e 838 a 845, 848 a 858 e 860 a 863”. 4

2.2. Trata-se, nos presentes autos, da conversão em penhora de arresto cujo objeto consiste no direito que o devedor (Gustavo) tem a determinadas heranças ilíquidas e indivisas. O titular de direito a herança ilíquida e indivisa, antes de se realizar a partilha, não tem qualquer “direito real sobre os bens em concreto da herança, nem sequer sobre uma quota-parte em cada um deles”; o que tem é “um direito de quinhão hereditário, ou seja, à respetiva quota-parte ideal da herança global em si mesma.5 Ora, se no objeto do direito à herança (no objeto do quinhão hereditário, tratando-se de herança aceite) se não compreendem quaisquer bens certos e determinados de que a herança se compõe, segue-se, naturalmente, que os factos jurídicos que tenham por objeto o direito à herança como o arresto, ou a penhora , se tenham que considerar, relativamente a tais bens, como factos respeitantes a bens indeterminados. O que significa que o registo desses factos (que versem sobre o direito à herança), ainda quando porventura se admita e efetue, não constitui condição de

  • 3 Cfr. J. LEBRE DE FREITAS A. RIBEIRO MENDES, Código de Processo Civil anotado, vol. 3.º, 2003, p. 423.

  • 4 Cfr. J. LEBRE DE FREITAS A. MONTALVÃO MACHADO RUI PINTO, Código de Processo Civil anotado, vol. 2.º, 2.ª ed., 2008, p. 127. Cfr., no mesmo sentido, A. S. ABRANTES GERALDES, Temas da Reforma do Processo

Civil, IV vol., 3.ª ed., 2006, p. 208, que nos diz que, “Decretado o arresto, deve ser feita a apreensão dos bens

referidos na decisão, aplicando-se correspetivamente as normas que regulam a efetivação da penhora (

..

).” O

Autor afasta no entanto a aplicação, à efetivação da apreensão em que o arresto se traduz, das normas “que regulam os poderes especialmente atribuídos ao agente de execução”, uma vez que “não são extensíveis aos

procedimentos cautelares”, pelo que, no arresto, “as diligências de apreensão estão a cargo da secretaria.

  • 5 Cfr. R. CAPELO DE SOUSA, Lições de Direito das Sucessões, vol. II, 2.ª ed., 1997, p. 90.

oponibilidade em relação a terceiros (cfr. art. 5.º/2-c), do CRP). Daí que, com este preciso sentido,

oponibilidade em relação a terceiros (cfr. art. 5.º/2-c), do CRP). Daí que, com este preciso sentido, seja correto dizer, como é comum, que os referidos factos jurídicos não estão sujeitos a registo. 6

2.3. A nosso ver, a nota da necessidade ou da desnecessidade do registo, tomado como requisito de que depende o efeito da oponibilidade do facto, assume importância decisiva na dilucidação da questão que nos ocupa que é de saber de que modo se realiza a conversão do arresto em penhora. Na verdade, ali onde o registo não desempenhe a função de conferir oponibilidade ao facto registado, e aos direitos que desse facto emergem, não se crê que faça sentido sustentar que, não obstante, seja precisamente através da comunicação dirigida ao registo, para fins da efetuação do registo, que um tal facto se titula. A atribuição à mencionada comunicação do valor de título do facto, com efeito, estaria em manifesto desacordo teleológico com a total ausência de valor do mesmo registo do ponto de vista da eficácia do facto perante terceiros. A ineficácia em relação ao arrestante dos atos de disposição do direito à herança arrestado e, portanto, e simetricamente, a oponibilidade em relação a terceiros do arresto desse direito não depende de que um tal arresto se registe, senão somente de que o arresto, extratabularmente, se realize, conforme resulta das disposições conjugadas dos arts. 622.º/1 e 819.º, do CCivil, e 5.º/2, c), do CRP. E o mesmo vale, nos mesmíssimos termos, para a penhora do direito à herança. Como o mesmo terá que valer, coerentemente, para a conversão do arresto em penhora conversão esta, aliás, que não é mais do que a realização duma penhora, apenas com a especialidade de que aproveitará, uma tal penhora, no concurso com os demais credores, da prioridade estabelecida pelo arresto. Portanto, se a oponibilidade de tais factos nada deve ao registo, também a titulação deles não pode consistir na comunicação ao registo. À conversão em penhora do arresto do direito à herança não é pois aplicável o

6 Como observámos no parecer emitido no processo RP 148/2009 SJC-CT, a propósito do registo da penhora sobre quinhão hereditário mas que podia perfeitamente ser a propósito do registo do arresto sobre o mesmo bem –, “É certo que a al. e) do n.º 1 do art. 101.º do CRP, ao dizer que é por averbamento à respetiva inscrição de aquisição em comum e sem determinação de parte ou direito (art. 49.º) que se faz o registo, entre o mais, da penhora do direito de algum dos titulares da inscrição de bens integrados em herança indivisa, está evidentemente a contemplar a genérica registabilidade dos factos jurídicos atinentes à quota parte que cada herdeiro possua na herança. Insistimos, porém, em que um tal registo, podendo fazer-se, não é todavia condição de eficácia do facto perante terceiros. A publicidade que daí dimana é meramente enunciativa: o registo informa, divulga, dá notícia do facto e é tudo.

disposto no art. 838.º do CPC. A comunicação eletrónica do agente de execução ao serviço de

disposto no art. 838.º do CPC. A comunicação eletrónica do agente de execução ao serviço de registo ou a apresentação de declaração por ele subscrita será com certeza o

modo de proceder à conversão em penhora do arresto que tenha por objeto bens imóveis sendo esse o alcance da remissão estabelecida na parte final do art. 846.º CPC. Quanto à conversão em penhora do arresto de direito à herança, terá que entender-se que ela se

efetua por forma idêntica à da penhora do mesmo direito: 7 ou seja, de acordo com o preceituado no art. 862.º/1 CPC, através da notificação do facto (é dizer, a conversão do arresto em penhora) pelo agente de execução ao administrador dos bens (cabeça de

casal cfr CCivil, art. 2079.º) e aos contitulares (co-herdeiros, meeiro sobrevivo), considerando-se a conversão (e, portanto, a penhora) realizada com a primeira notificação. 8

3. Resulta das considerações precedentes ser nossa opinião que o registo requerido (a conversão do arresto em penhora do direito à herança) não se encontra titulado nos documentos apresentados. O sr. agente de execução requereu o registo da conversão na pressuposição de que o próprio pedido, conjugado com a declaração que simultaneamente prestou, titularia a realização do facto, nos termos do disposto no art. 838.º do CPC. Só que a conversão (ou seja: a penhora) –, “a essa data, já tinha que estar efetuada mediante a notificação a que se fez referência, e era desta notificação que claramente havia que fazer prova. Sendo porém certo que não nos custa aceitar que a efetiva junção dos elementos documentais pertinentes (as cópias certificadas do expediente de notificação) se substitua por declaração do agente de execução de que a [conversão do arresto em] penhora se realizou numa certa data, que, repete-se, será a da 1.ª notificação efetuada.9 O que quer dizer que o registo deveria ter sido, como foi, recusado, e pelo motivo que o foi: por ser manifesto que o facto cujo registo se requer não está titulado nos documentos apresentados (cfr. CRP, art. 69.º/1-b). É verdade que, rigorosamente, a razão por que entendemos que não há título não coincide com a que a recorrida invocou no seu despacho de recusa. Apesar disso, a recusa deve manter-se: na verdade, se se efetuasse, o registo seria nulo (cfr. CRP, art. 16.º/b). 10

  • 7 Neste sentido,

cfr. .

LEBRE DE FREITAS et al., vol. 3.º, cit., p. 423.

  • 8 Cfr. J. LEBRE DE FREITAS, A Ação Executiva Depois da reforma da reforma, 5.ª ed., 2009, p. 251.

  • 9 A citação é do parecer do P. RP 148/2009 SJC-CT. 10 As especificidades dos autos dão azo a que brevemente se faça referência a duas questões cuja con- sideração poderia eventualmente interferir na conformação da decisão de qualificação. Essas duas questões são 1) a da diferença, para mais, da quantia exequenda (€99.718,34) em relação à quantia por que se promoveu o

4. Termos em que se propõe a improcedência do recurso, extraindo-se, em conformidade, a seguinte Conclusão

4. Termos

em

que

se propõe

a improcedência do recurso,

extraindo-se, em

conformidade, a seguinte

Conclusão

A conversão em penhora do arresto do direito à herança efetiva-se por notificação do agente de execução ao administrador dos bens (cabeça de casal cfr CCivil, art. 2079.º) e aos contitulares (co-herdeiros, meeiro sobrevivo), considerando-se a (conversão da) penhora realizada com a primeira notificação (art. 862.º/1 CPC), pelo que, em conformidade, o correspondente ato de registo se fará com base na comprovação da referida notificação, ou, alternativamente, com base na declaração do agente de execução de que tal notificação ocorreu em certa data.

Parecer aprovado em sessão do Conselho Consultivo de 23 de maio de 2013. António Manuel Fernandes Lopes, relator, Isabel Ferreira Quelhas Geraldes, Maria Madalena Rodrigues Teixeira, Luís Manuel Nunes Martins. Este parecer foi homologado pelo Exmo. Senhor Presidente do Conselho Diretivo em 28.05.2013.

arresto (€95.000,00); e 2) a da não coincidência entre a identidade do credor requerente do arresto (Eduardo ) e a identidade do credor exequente (José). Quanto à primeira “divergência”, entendemos que ela não seria de molde a obstar à viabilidade do pe- dido. Mais: em nossa opinião, o averbamento da conversão deveria outrossim completar-se com a menção da quantia exequenda, pese embora o seu maior montante. Na verdade, para nós, a quantia mencionada no regis- to de arresto (como, aliás, a quantia mencionada no registo de penhora) não faz propriamente parte da subs- tância do facto inscrito, pelo que a respetiva (da quantia) ampliação, feita por averbamento, não coenvolve a

ampliação dos direitos, ónus ou encargos definidos na inscrição (cfr. CRP, art. 100.º/2). A substância da inscri- ção de arresto (como, aliás, a da de penhora), cremos bem, reside essencialmente na publicitação da apreen- são judicial do bem em segurança dum determinado crédito. [Para um problema afim o de saber se a penho- ra (registada), além da quantia exequenda (mencionada na inscrição), garante igualmente, e com a mesma prioridade, os juros que se forem vencendo na pendência da ação, cfr. o Ac. da Rel. de Coimbra de 2/11/2011, proferido no processo 39/09.0TBAVZ-A.C1, in www.dgsi.pt.] Quanto à segunda “divergência”, cremos que também ela não impediria a feitura da conversão, uma

vez comprovada, mediante a junção do requerimento executivo, a dedução dos factos destinados a habilitar o exequente como sucessor entre vivos na titularidade do crédito garantido pelo arresto. (Ver, com interesse, para situações em que a divergência se dava pelo lado passivo da obrigação não coincidência entre arrestado e executado , os Acs. da Rel. de Coimbra de 07-06-2011, proferido no processo 222/10.6TBNLS.C1, e de 20- 09-2011, proferido no processo 260/10.9TBNLS.C1, também disponíveis em www.dgsi.pt) .