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O ENTE E A ESSÊNCIA

S. Tomás de Aquino

Por Caius Brandão

1) Explique a noção de ente e essência através de seus sinônimos.

2) O que é a substância composta, enquanto substância primeira, nas primeiras

intenções (distinção das segundas intenções). Explique a essência desta substância.

3) Explique a noção de essência, essência do gênero, essência específica e a essência do

indivíduo. Qual é a diferença entre o nome “homem” e a “humanidade”?

4) Explique a teoria do universal, em que sentido a espécie, o gênero e a diferença

específica são universais?

5) Explique a essência das substâncias simples (ausência da matéria, distinção forma-

ser, multiplicidade, finitude-infinitude, limitação, ser de Deus).

Para explicar as noções de ente e essência, Aquino se submete ao rigor


metodológico que dita como a compreensão de noções posteriores precede a
compreensão de noções anteriores, da mesma forma como, partindo do entendimento
das coisas compostas, mais imediatamente cognoscíveis a nós, é que alcançamos o
conhecimento das coisas simples. Assim, Aquino discorre primeiro sobre a noção de
ente e, a partir dela, sobre a noção de essência.

Aquino retoma Aristóteles ao estabelecer o duplo sentido pelo qual o ente pode
ser dito, quando considerado em si mesmo: no primeiro sentido, tem-se o “ente real” e,
no segundo, o “ente de razão”. Deve-se entender o ente real como aquele cuja
existência se dá concretamente no mundo, ao passo em que o ente de razão existe
objetivamente apenas na inteligência. É o ente real que Aristóteles relaciona em dez
gêneros, ou categorias (substância e acidentes), fazendo com que Aquino se refira ao
ente tomado no primeiro sentido como “substância primeira”. Por sua vez, o ente de
razão, compreendido no segundo sentido, encontra seu significado na verdade das
proposições, e passa a ser chamado por Aquino de “substância segunda”. Obviamente,
este é posterior àquele, na medida em que o ente de razão não passa de uma abstração
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do ente real. Assim a inteligência concebe o ente a partir de uma substância primeira e
ao ente concebido Aquino dá o nome de substância segunda.

Além de conceber a realidade, a inteligência humana é também capaz de


inventar. Usando partes fragmentadas de seres reais, ela cria entes desprovidos de
realidade, portanto, sem essência própria. Odilão Moura os chamam de entes de razão
raciocinante (ex.: sereia, papai-noel, cegueira). Já àqueles a que se referem a entes reais
(ex.: Sócates, Platão), ele dá o nome de entes de razão raciocinada. Seja como for, entes
de razão carecem de essência própria, como só a têm de forma absoluta os seres reais,
ou seja, as substâncias primeiras que, justamente pela qualidade de suas essências, se
subdividem em substâncias simples e compostas.

Este primeiro movimento da inteligência em direção aos entes reais,


concebendo-os individualmente enquanto entes de razão, e ainda, formando um
conceito a partir da essência destes entes, Aquino chama de “primeira intenção”. Mas a
razão humana também é capaz de abstrair o que há de comum na essência da concepção
de seres reais particulares (Sócrates, Platão, etc.) para formar conceitos universais
(homem, animal, etc.), ou ainda, dispô-los em intenções lógicas (gênero, espécie e
diferença). Este segundo exercício da razão, Aquino denomina “segunda intenção”.
Neste sentido, pode-se afirmar que a humanidade é a essência do homem.

Portanto, essência é aquilo que existe de comum entre os entes reais e o que
possibilita classificá-los em gêneros e espécies. Aquino adota preferencialmente o termo
essência por ele designar, de forma mais ampla, exatamente aquilo o que a coisa é.
Mesmo assim, ele ainda explicita quatro sinônimos utilizados por outros filósofos
(Aristóteles, Avicena, Boécio e outros) para o termo essência, a saber:

a) Quididade – Termo que exprime a coisa determinada;


b) Aquilo que era ser – meio pelo qual a coisa tem o ser algo;
c) Forma – a certeza ou denominação necessária de cada coisa;
d) Natureza – designa a coisa enquanto é sujeito de operação, considerando-se o
modo próprio de ser de cada coisa. O termo natureza também é entendido como
essência por ela ser aquilo que pode ser apreendido pela inteligência.
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Uma vez expostas as noções de ente e essência, Aquino passa a analisar a essência
da substância composta, considerado-a fisicamente nas primeiras intenções, ou seja, um
ente real e, minimamente, com atributos: a) numérico – aqui o ente é concebido de
forma individual e particular, trazendo à luz da compreensão a unidade do ente, na
multiplicidade de seres existentes; e b) dimensional – o corpo é medido nas três
dimensões espaciais: largura, altura e profundidade. De certa forma, estes acidentes são
essenciais à razão humana, mas o real significado do ente subsiste apenas em sua
substância. Por analogia de atribuição, a essência dos acidentes (analogado derivado)
subsiste somente na essência da substância (analogado principal). É, portanto, na
estrutura interna do ente (criatura), ou mais especificamente, em sua própria substância,
que são identificados três elementos fundamentais, distintos, mas inseparáveis: essência,
subsistência e existência. Isto é verdade tanto para as substâncias compostas, como para
as substâncias simples, com evidente exceção a Deus (criador), cuja essência,
subsistência e existência são uma só coisa.

Como foi dito anteriormente, é justamente pela qualidade de sua essência que a
substância simples se diferencia da substância composta, já que a primeira é
simplesmente forma e a segunda, composta de matéria e forma. Mas até chegar à
conclusão de que a essência da substância composta compreende matéria e forma, e,
ainda, que o ser do ente é do próprio composto, e não de uma ou de outra, Aquino
descarta, primeiro, a suposição de que a essência da substância composta possa
compreender apenas matéria, visto que a matéria, por si mesma, não é cognoscível, e a
essência é o significado do que a coisa realmente é. A matéria, que é potência, carece
daquilo que a põe em ato, ou seja, a forma, para dar significado ao ente. Em
contraposição a Platão, Aquino também descarta a possibilidade de apenas a forma
constituir a essência da substância composta, visto que no significado de Sócrates, ou
seja, na essência de Sócrates não contém apenas a alma (forma), mas também o corpo
(matéria) de Sócrates, e assim, se dá em todos os seres compostos. Para Aquino,
também não é possível que a matéria compreenda a definição do ente como algo
adicionado à essência, tais como os acidentes são adicionados à substância, na medida
em que os acidentes carecem de essência perfeita. Tão pouco seria a essência dos entes
compostos o significado da relação entre matéria e forma, posto que assim ela fosse
acrescentada a ambas. Mas a essência não pode ser algo acrescentado de fora do ser,
como também o são os acidentes em relação à substância. Desta maneira, fica
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demonstrado como a essência da substância composta (quanto substância primeira,


considerada nas primeiras intenções) é singular, porém, constituída de dois princípios
(matéria e forma), e é denominada por aquilo que a ambos compreende.

O corpo contém o ser uno do composto, daí ser a matéria o principio de


individuação da substância composta. Enquanto na substância primeira (Sócrates) o
princípio de individuação é dado pela matéria assinalada (este osso e esta carne), na
substância segunda (homem), ele é determinado por matéria não assinalada (osso e
carne considerados em sentido universal).

Em seguida, Aquino discorre sobre a essência da substância composta, enquanto


substância segunda, nas primeiras intenções. Justamente por se tratar de um ente de
razão, a essência da substância composta, enquanto substância segunda, não pode mais
ser pensada fisicamente, mas sim, metafisicamente, ou seja, refere-se aos conceitos
abstraídos de uma substância primeira particularizada (Sócrates), que são os predicáveis
(animal, homem, racional). Estes são conceitos universais que, formalmente
considerados, são classificados em gênero, espécie, diferença, próprio e acidente.
Portanto, apenas o que é em si universal é considerado um predicável, o que exclui o
indivíduo desta definição, visto ser ele o último sujeito de predicação. Os predicáveis
universais pertencem à ordem das segundas intenções, daí a necessidade de se utilizar
de primeiras e segundas intenções para compreender a essência da substância composta,
enquanto substância segunda. A natureza dessa essência é análoga àquela do ente real.
Ela possui a mesma imperfeição dos acidentes, cuja essência só subsiste na substância.

A assinalação e a não assinalação determinam a diferença entre as essências


individuais (Sócrates, Platão, etc.) e específicas (homem). De forma similar, isso
também ocorre no caso da diferença entre as essências genéricas (animal) e específicas
(homem). A distinção se dá porque, no primeiro caso, a matéria assinalada é quem
desempenha o princípio de individuação, e no segundo, é a diferença, proveniente da
forma, que faz a assinalação da espécie em relação ao gênero. Logo, a essência do
indivíduo é particular àquele indivíduo, mesmo que dela se abstraia elementos comuns
aos indivíduos da mesma espécie, e se dá concretamente no ente real. Em contrapartida,
as essências específicas e genéricas são abstratas, e existem objetivamente apenas no
ente de razão.
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A essência específica se encontra de forma indeterminada na essência genérica, por


ser esta considerada o todo e a aquela, uma parte integral deste todo. Ademais, uma
parte integral (homem), não se predica do todo (animal), portanto, animal não é homem,
mas a essência genérica (animal) se predica da essência específica (homem), logo,
homem é animal.

O gênero, a espécie e a diferença possuem princípios de determinação distintos.


Diferentemente do corpo do animal, que é parte integral, na Árvore de Porfírio, o corpo
é o primeiro gênero subalterno ao gênero supremo, e determina o todo que é material na
coisa. Neste significado de corpo está implicitamente contida a forma e matéria de
todas as substâncias compostas. Portanto, este corpo possui perfeição tal, que a ele
podem ser adicionadas novas perfeições, ou diferenças, tais como vivo, sensível, etc. É
assim que se diz ser a matéria determinada o princípio de determinação do gênero. A
diferença, por sua vez, tem seu princípio de determinação na forma determinada, sendo
que no primeiro exercício do intelecto, ela exclui qualquer referência ao corpo. Por
exemplo, quando se diz vivo ou animado, se pode ter em mente uma substância simples
ou composta. Já a espécie tem seu princípio de determinação na forma resultante de um
gênero acrescido de uma diferença. Assim temos que o homem (espécie) é um animal
(gênero) racional (diferença).

A essência do homem é a humanidade. Ora, este conceito de humanidade exclui


completamente tudo aquilo que é matéria assinalada no homem, significando apenas
uma parte do homem, apesar de significar tudo donde o homem é homem. Mais uma
vez, a parte (humanidade) não se predica do todo (Sócrates). Ao contrário da noção de
humanidade, o conceito de homem representa o todo que o homem é, ou seja, o
composto de corpo (matéria) e alma (forma). Mais uma vez, Aquino se distancia de
Platão quando afirma que a essência não pode estar separada das coisas singulares, pois,
assim sendo, o gênero e a espécie não se predicariam de um indivíduo particular. Desta
maneira, a essência da substância composta, quando se refere às intenções lógicas, deve
significar o todo que é o indivíduo e se aplicar a todos os indivíduos de sua espécie.
Assim, se pode dizer que “Sócrates é homem”, mas a proposição “Sócrates é
humanidade” não faria sentido.
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Quando considerada nas segundas intenções, a essência da substância composta


pode ser compreendida de duas formas distintas, a saber: a) a essência considerada de
forma absoluta – nada de verdadeiro pode ser acrescentado àquilo que compreende a
sua definição. Portanto, se pode dizer que o homem é animal e racional, além de outros
atributos que o define essencialmente, mas as qualidades de ser branco, ou negro, por
exemplo, não compõem a essência daquilo que é denominado homem; e b) a essência
como definição do ser que existe em um indivíduo determinado – neste caso, os
acidentes que são próprios do indivíduo convém à sua essência, mas não
necessariamente à essência de sua espécie. Assim, se diz que este homem é branco
porque Sócrates é branco, e ainda que um homem seja homem, mesmo não sendo
branco.

A essência do gênero (animal), da essência (homem) e da diferença (racional) não


encontra ser em nenhum ente particular, como, por exemplo, a essência humana não se
realiza de forma absoluta em nenhum indivíduo. Por outro lado, apenas nos indivíduos
podemos encontrar a essência que pode ser abstraída ou concebida de modo universal,
ao passo em que sua abstração e universalização conceituais se dão apenas no ser da
inteligência. Logo, uma essência universal exprime de uma só vez o todo que é o
indivíduo particular e todo que é o conjunto de indivíduos de uma mesma espécie ou
gênero. Em outras palavras, os universais são essências de substâncias segundas,
quando consideradas em segundas intenções.

Realizada a primeira etapa do método proposto inicialmente, isto é, a investigação


sobre a essência das substâncias compostas nas primeiras e segundas intenções, Aquino
avança com a análise da essência das substâncias simples nas primeiras intenções. Por
substâncias simples, ele refere-se à alma humana, às inteligências, e à causa primeira,
que é Deus.

Afirmando ser a imaterialidade da causa primeira um dado aceito universalmente,


Aquino busca refutar teorias – como a do primeiro grande filósofo judaico medieval,
Avicebron – que defendem a composição de matéria e forma na essência das almas e
das inteligências. O Doutor Angélico oferece como a mais importante evidência da
necessária e completa ausência de matéria nas inteligências, a capacidade de intelecção
existente nestas substâncias. A inteligibilidade em ato das formas se dá apenas quando
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elas estão abstraídas de tudo o que é matéria e das condições associadas ao material.
Para Aquino, qualquer tipo de matéria, corpórea ou não corpórea, restringe a
inteligibilidade da substância. Àqueles que defendem que somente a matéria corpórea
teria a capacidade de impedir a inteligibilidade, Aquino lembra que a matéria somente é
corpórea quando possui uma forma corpórea. Assim sendo, a matéria restringiria a
inteligibilidade em virtude de sua forma corpórea. Mas isto não pode acontecer, na
medida em que esta forma já é por si mesma inteligível em ato. Assim, fica
demonstrada a impossibilidade da matéria ser parte integral da essência das substâncias
simples, como acontece somente nas substâncias compostas. Logo, conclui-se que a
essência das substâncias simples é somente forma.

Aquino postula que tudo o que convém a alguma coisa, deve ser causado por
princípios intrínsecos ou extrínsecos a ela. Afirma também não ser possível que a
essência (forma) seja causa eficiente de si mesma, logo, é necessário que receba a
existência de outro ser. Daí, conclui-se que as substâncias simples estão submetidas à
outra ordem de composição: a de forma e ser; com exceção da causa primeira, que é
simplesmente ser. Esta é uma diferença fundamental entre a causa primeira e suas
criaturas. Enquanto no criador o ser se dá por si, nas criaturas, o ser lhes é acrescentado
de fora para compor no ente dois princípios inseparáveis: essência e existência.
Justamente por ser sumamente simples, sem nenhuma composição, o ser da causa
primeira é uno, eterno e ilimitado. O ser de Deus é de perfeição tal, que nada pode lhe
ser acrescentado.

Por conseguinte, a composição (forma e ser) na essência das almas e das


inteligências determina uma importante imperfeição, em relação à causa primeira.
Justamente por ser dependente de uma causa extrínseca, a essência destas substâncias
está em potência em relação ao ser (ato) que recebe de Deus. A multiplicidade e
limitação das almas e das inteligências são proporcionais à distância em que elas se
encontram do o ato primeiro que é Deus, na medida em que quanto mais se distanciam
dele, maior será o grau de potência em sua essência e, conseqüentemente, de carência da
matéria par subsistir.