Anais do III Simpósio Gênero e Políticas Públicas, ISSN 2177-8248 Universidade Estadual de Londrina, 27 a 29 de maio de 2014 GT 8 - Gênero e Educação: reflexões sobre materiais didáticos, práticas e representações – Coord. Adriana Regina de Jesus
Ser professor(a): uma extensão do ser mãe?
Hélio José Luciano * Adriana Regina de Jesus
Resumo: O presente artigo intitulado: “Ser professor(a): uma extensão do ser mãe?” tem como objetivo identificar e analisar as representações dos alunos dos cursos de História e Letras em relação ao ser e fazer docente. Para o desenvolvimento do estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica e de campo. Parâmetros da análise do discurso foram utilizados para apreciação das representações dos discentes. Os resultados apontaram aspectos de gênero na docência, como a feminização e características que remetem o imaginário do ser professor a aspectos de maternidade, mulher, dom e vocação; sendo necessário um amplo debate nos cursos de licenciatura em relação ao gênero na docência.
Palavras-chave: Formação docente. Gênero. Feminização. Representações sociais
Introdução
O presente artigo intitulado “Ser professor(a): uma extensão do ser mãe?”
está vinculado ao Projeto de Pesquisa denominado “Gênero na Docência: uma
representação dos discentes dos Cursos de Licenciatura da Universidade Estadual
de Londrina” e tem como finalidade identificar e analisar as representações dos
discentes dos Cursos de História e Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
em relação ao ser professor.
A formação da profissão docente é perpassada por múltiplos fatores que marcam
a trajetória do estudante de licenciatura, dentre esses fatores, compreendemos que a
inserção deste futuro docente na vida acadêmica vem acompanhada por inúmeros
discursos que se entrelaçam e se confundem, caracterizando e/ou descaracterizando o
professor em relação a sua identidade pessoal e profissional. Em meio a algumas
discussões, a formação profissional, os saberes acadêmicos e o trabalho docente e sua
profissionalização, são perpassados por discursos variados que muitas vezes são
* Aluno do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Londrina. E-mail:
helio.letras@yahoo.com.br
Doutora em Educação. Docente Adjunto do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina. E-mail: adrianatecnologia@yahoo.com.br
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sobrepujados por enunciados de distintas ordens, sendo que esses têm efeitos sobre o modo de pensar e atuar a docência, tornando natural determinadas representações sociais sobre características do ser professor e em consequência disso das atitudes na vida docente. Chauí lembra que a
Naturalização surge sob a forma de ideias que afirmam que as coisas são como são porque é natural que assim sejam. As relações sociais passam, portanto, a ser vistas como naturais, existentes em si e por si, e não como resultados da ação humana. A naturalização é a maneira pela qual as ideias produzem alienação social, isto é, a sociedade surge como uma força natural estranha e poderosa, que faz com que tudo seja necessariamente como é. (2000, p. 218)
Neste sentido, discutir a formação docente nos cursos de licenciatura, dentro de uma perspectiva crítica, é essencial uma reflexão acerca das questões de gênero, já que essas, de certo modo, estão imbricadas nos discursos que abrangem a formação e as relações de trabalho do professor, assim, considerando que a docência é um campo profissional tanto do homem quanto da mulher, cabe uma averiguação das representações destes futuros profissionais, ou seja, que entendimentos têm da função e do lugar da mulher e do homem na ação docente, que espaço devem ocupar nesta função, qual o papel social e profissional do professor? Desta maneira, estas questões quando discutidas, ajudam a explicitar os atrelamentos de gênero ao trabalho docente, que efeitos têm sobre o professor, seu fazer, sua identidade, consequentemente sobre sua profissão e profissionalização.
Materiais e métodos
Em nosso texto, algumas etapas de pesquisa foram vivenciadas para concretizar o trabalho, entre as quais, uma pesquisa bibliográfica sobre o tema formação docente e gênero. Outra etapa, a coleta de informações, foi realizada junto aos alunos dos 1º e 4º anos dos cursos de História e Letras (Língua Estrangeira e Vernáculas) da UEL. Uma única pergunta, “O que é ser professor?”, solicitou dos alunos dos referidos cursos, resposta na forma escrita ou por meio de desenho. Os colaboradores, com faixa etária entre 17 e 52 anos, foram 50 alunos do curso de História (29 mulheres e 21 homens) e 93 alunos de Letras (71 mulheres e 22 homens).
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Outro fator determinante foi a investigação do conceito de representação social,
uma forma de conhecimento socialmente
elaborado, com um objetivo prático e que, portanto, contribui para a construção de uma
realidade comum a um conjunto social” (2001, p. 22). Expressam neste sentido, a forma como o sujeito observa, compreende e explica o mundo. A metodologia utilizada para analisar a fala dos alunos teve como parâmetro procedimentos da análise do discurso. Orlandi (1999) expressa que por meio da análise do discurso, buscamos entendimento de como este homem significa o mundo em que vive, e, consequentemente a si próprio por meio da linguagem.
que de acordo com JODELET, é “[
]
Resultados e Discussão
Gênero na docência: o domínio da mulher
Antes de nos aprofundarmos nos discursos dos discentes, a título de ilustração inicial, lembramos que na coleta de dados nos cursos de História e Letras da UEL, o domínio da mulher foi explícito, já que em conjunto, os colaboradores formaram um grupo composto de 100 mulheres, com uma totalidade de 70% dos alunos e 43 homens, 30% dos alunos no total. Analisando de forma sucinta, sabemos que o desenvolvimento industrial no Brasil foi primordial para a inserção da mulher na docência (magistério), porém existiu igualmente uma finalidade política no aumento da participação feminina no magistério, já que devido à mulher ganhar pouco, e o contexto pedir uma expansão do ensino, ou seja, destinado a todas as camadas sociais, o governo teria que aumentar o número de professores e diminuir salários, assim os homens “abandonaram” aos poucos essa função, ficando para a mulher assumir este posto, Catani nos mostra que:
Para que a escolarização se democratizasse era preciso que o professor custasse pouco: o homem, que procura ter reconhecido o investimento na formação, tem consciência de seu preço e se vê com direito à autonomia — procura espaços ainda não desvalorizados pelo feminino. Por outro lado, não se podia exortar as professoras a serem ignorantes, mas se podia dizer que o saber não era tudo nem o principal. Exaltar qualidades como abnegação, dedicação, altruísmo e espírito de sacrifício e pagar pouco: não foi por coincidência que este discurso foi dirigido às mulheres. (1997, p. 28-29)
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Apesar desta fala retratar um contexto de décadas atrás, vemos que na atualidade ainda se utiliza muito desses discursos para explicar o domínio da mulher na docência, já que, dentro deste panorama, muitos autores relacionam os baixos salários dos professores, justamente por causa da feminização do magistério, visto que as mulheres são desvalorizadas no mercado de trabalho. Ideia expressa por Costa (1995, p.162),
se afastam da docência porque profissões
feminizadas são profissões mal remuneradas ou em decadência salarial”. Por sua vez,
que o professorado passou por
associadas à vocação,
um processo de feminização [
corroboraram a consolidação das características profissionais atuais”. Diante desses fatores, acredita-se que a exclusão do homem da profissão de professor está justamente ligada a essa desvalorização e feminização docente. Em outras palavras, as mulheres exercendo este ofício faz com que os homens se desestimulem a
continuar exercendo a profissão, já que além de estar se tornando sinônimo de ausência de retorno financeiro tornou-se também uma “profissão de mulher” (COIMBRA; GONÇALVES; RODRIGUES, 2010).
quando diz que “[
]
os
homens [
]
Hypolito, Leite e Loguercio (2010, p.331) destacam “[
]
e
que
as
]
funções
[
]
O ser professor no discurso discente
Ao analisar os discursos dos discentes, sujeitos de nossa pesquisa, percebemos que não houve diferença entre sexo, cursos e anos cursados, uma vez que os discursos, em sua grande maioria, caracterizam o professor como um sujeito vocacionado, remetendo o professor a uma mãe afetuosa, isto é, nas representações dos discentes sobre o ser professor, ficaram explícitas qualidades intrínsecas a figura de uma mãe, tais como: o professor precisa ter ternura, ser referência em tudo, estar sempre preocupado, ser carinhoso, dedicado, paciente, transmitir amor, ser uma parte dos alunos, para isso, segundo os discursos, os professores precisam compreender a docência como uma magia ou como algo prazeroso. Com estes predicados vinculados ao professor, já não se compreende se a função do mesmo é ser professor(a) ou ser mãe, ou ser mãe/professor(a) ao mesmo tempo, como podemos notar nas representações expressas:
É ser um pouco mãe, chata, carrasca e tudo mais que um dia julgamos os professores que tivemos. (4º ano de história, feminino)
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longe da nossa mãe é com a professora que na maioria das vezes,
se torna a nossa referência em tudo o que vamos fazer ou falar. (1º ano de Letras Espanhol, feminino)
] [
Ser professor é fazer parte da vida dos alunos, pois nós que os tornamos pessoas melhores. (1º ano de Letras Vernáculas, feminino)
É se preocupar com o desenvolvimento dos indivíduos e dedicar à vida a estes. (1º ano de Letras Vernáculas, feminino)
Desde a minha infância no pré-escolar eu tinha o professor como ídolo; que poderia direcionar o rumo do mundo, ensinando o que era certo e o que era errado. (4º ano de história, feminino)
Como podemos notar de maneira concreta nas falas, mesmo que implicitamente, ser professor(a) e ser mãe surgiram naturalmente, sem uma maior reflexão por parte das alunas pesquisadas, de modo que os discursos se entrelaçam, isto é, ser professora é ser mãe, não necessariamente é preciso ter exercido a maternidade, pois mesmo que hipoteticamente a futura professora, no caso das alunas acima, nunca tenha tido um filho, se sente assim ao assumir a docência, pois atribui predicados ao ser professor que normalmente encontramos nas mães, como ensinar o certo e o errado, dedicar e fazer parte da vida do filho, ser referência em tudo etc. De certa maneira, estes discursos, principalmente quando representado por mulheres, contribuem para o reforço das diferenças de gênero e, logo, rotula a mulher como ideal para o exercício da docência, uma vez que estas estariam somente reproduzindo seu papel de mãe e de cuidadora. Neste sentido, “a representação do magistério é então transformada. As professoras são compreendidas como mães espirituais - cada aluno ou aluna deve ser percebido/a como seu próprio filho ou filha”. (LOURO, 1998, p.97). Esta desordem na identidade do docente, entre o ser professora e ser mãe, pode ser capital para despertar nas professoras um sentimento confuso no processo ensino- aprendizagem e consequentemente na relação professor-aluno, pois este sentimento pode se alterar constantemente, entre o ódio e amor, uma vez que a professora buscará o aluno imaginário de qualquer jeito, às vezes sendo “dura”, já que quer um aluno educado e disciplinado, o que pode causar sentimentos de ódio tanto no professor quanto no aluno, pois estarão sempre em conflito; e o sentimento de amor é proferido quando a professora passa a observar este aluno como mãe, pois sente que o mesmo
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carece de ser protegido, desenvolvendo, assim, uma relação de constante dependência. Paulo Freire lembra que na educação tem que existir amor, porém
é preciso, sublimo, que, permanecendo e amorosamente cumprindo o seu dever, não deixe de lutar politicamente, por seus direitos e pelo respeito à dignidade de sua tarefa, assim como pelo zelo devido ao espaço pedagógico em que atua com seus alunos. (1996, p.90)
No entanto, mesmo que Freire (1996) tenha razão em seus argumentos, ainda hoje é natural enxergar a mulher como uma alienada em relação às lutas políticas, uma vez que muitos só a veem como frágil, submissa, sonhadora etc. Indo ao encontro deste pensamento, Vianna explicita que a mulher quando
crítica, atuante e ciente de seus direitos passa, muitas vezes, a coincidir com a ênfase em uma visão negativa da relação entre ser mulher e professora. À figura nobre, romântica, dócil, meiga, gentil e dedicada contrapõe-se à da professora militante, crítica, politizada e competente. (1997, p. 126).
Essa missão de ser mãe e professora, que privilegia o amor ao conhecimento como eixo condutor, serve para ocultar essa função social e política da mulher, levando- a desta forma a não brigar, por exemplo, por melhores condições salariais, pois ao fato de se doar com sentimentos de carinho, afeto e amor, o salário do professor deixa de ser importante, já que a sua missão quando conferida ao afazeres de mãe, não necessita de remuneração. Ideia expressa no seguinte discurso:
Ser professor é ser paciente e se doar sem esperar nada em troca, somente a sensação gratificante de saber que seu aluno aprendeu. (4º ano de Letras Espanhol, feminino)
Ao contrário do que está explícito nas falas acima, e nas ideias de alguns autores que tratam sobre o tema gênero, vale dizer que as representações que relacionam o professor a um tipo de amor materno, não são exclusividades das mulheres, as representações de alguns alunos homens em relação ao ser professor demonstram esta ideia:
] [
filhos de famílias desamparadas. (1º ano de História, masculino)
vejo o professor como uma fonte de ternura, confiança e defesa a
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É transmitir amor e é ser responsável pelo futuro de muitos. (1º ano de Letras Vernáculas, masculino)
Ser professor é algo mágico, é algo mágico, é algo que dá imenso prazer. (4º ano de história, masculino)
Ser professor é um ato de amor com as gerações futuras. (18 anos, 4º ano de Letras Vernáculas, masculino)
No entanto, é necessário deixar claro que esses atributos os homens não
começaram a usar influenciados pela mulher, Santos (2009, p.65) revela que “[
homens e mulheres, o magistério esteve sempre associado ao sacerdócio”. Vianna (2002) complementa expondo também, que a feminização na educação não está exclusivamente pautada ao predomínio da mulher na docência, mas aos significados femininos nas atividades docentes, independentemente de quem as realiza. Pode-se entender, então, que particularidades tradicionalmente apresentadas como femininas estabelecem não só a representação de professoras, mais a representação da docência de uma forma geral, na qual não só
] para
as professoras, mas também os professores homens, amam os seus alunos, e é através da concretização desse afeto em gestos concretos que se efetua a redenção desses últimos. A imagem do professor
(SILVEIRA,
missionário, [ 1997, p. 3 e 4).
]
que cumpre uma „missão do amor‟ [
]
Entendemos que a representação social que remete e associa a função de professor(a)/mãe não acontece de modo ingênuo, esta representação foi arquitetada historicamente, ao mesmo tempo em que estabeleceu e ainda estabelece maneiras de atuar e pensar, influenciando diretamente na atuação docente.
Considerações Finais
Ao analisar os depoimentos dos alunos, reconhecemos que é necessário proporcionar um amplo debate nos cursos de licenciatura em História e Letras da UEL no que tange a formação docente, uma vez que formam pessoas para a docência nos diferentes níveis de ensino. Sendo assim, destacamos que os professores em formação dos referidos cursos, representam o ser e fazer docente como algo vocacionado, sem, no entanto, terem um estranhamento dessas representações, ou seja, sem problematizarem a história do ser e
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fazer docente. Entendemos que as licenciaturas são espaços de reconhecimento de como
os processos de formação docente se constituem através do tempo, as implicações
históricas, sociais e culturais que perpassaram a profissão e como a sociedade vem
entendendo a profissionalização do professor.
Desta forma, cabe uma reflexão crítica nos cursos de licenciatura, “desnudando”
como estas marcas que caracterizam o trabalho docente mediante a construção social
das representações de maternagem, foram instituídas de forma contínua no decorrer do
tempo, pelas políticas e pelos saberes legitimados, repetidas por variadas práticas e
relações sociais.
Referências bibliográficas
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As
LOURO, G. Gênero, sexualidade e educação. 2ª Ed. Petrópolis, Vozes ,1998
ORLANDI, E.P. Análise do Discurso. Campinas: Pontes, 1999.
SANTOS, A. R.J. Gênero e Docência: infantilização e feminização nas representações
dos discentes do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Londrina.
Tese
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(Doutorado em Educação e Currículo). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.
SILVEIRA, Rosa Maria Hessel. “Ela ensina com amor e carinho, mas toda enfezada, danada da vida”: representações da professora na literatura infantil. Educação e Realidade. Porto Alegre: Faced/UFRGS, v.22, n.2, jul/dez 1997.
VIANNA, C. Contribuições do conceito de gênero para a análise da feminização do magistério no Brasil. In: CAMPOS, M. C. S. de S.; SILVA, V. L. G. da (orgs). Feminização do magistério: vestígios do passado que marcam o presente, p.39-67. São Paulo: Edusf, 2002.
, C. Sexo e gênero: masculino e feminino na qualidade da educação escolar.
In AQUINO, JÚLIO (ORG). Sexualidade na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo, 1997.
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