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Dá para aprender a falar bem em seis horas

Reinaldo Polito
Lembro-me de uma palestra a que assisti há mais de 30 anos, ainda no início
das minhas atividades como professor de oratória. O palestrante revelava de
maneira enfática que algumas atividades eram impossíveis de realizar, e de
como devemos nos proteger para não nos enganarmos.

Ele incluiu na relação o trabalho de alguns professores de oratória que diziam


ser possível ensinar a falar em público em poucas horas. Explicou com
detalhes “irrefutáveis” por que uma pessoa precisaria de meses para aprender
a falar em público com segurança e desembaraço.

Prestei bastante atenção em suas palavras e saí do local satisfeito. Cheguei à


conclusão de que só aquela informação teria valido minha ida ao evento.
Revendo cada item das suas explicações senti que ele tinha razão. Afinal,
como alguém pode ensinar técnicas de comunicação e ainda permitir que o
aluno pratique todas elas e saia pronto para enfrentar platéias em apenas
algumas horas?

Mais de três décadas depois posso afirmar com segurança que o palestrante
estava enganado. É possível aprender a falar bem em público em apenas seis
horas. Uma boa parte dos mais de 50 mil alunos que já treinamos em nosso
curso participou de aulas individuais. E aprenderam em pouco tempo a se
expressar em público com confiança e de forma correta.

Não seria possível ensinar em poucas horas alguém a falar em público se


fosse para impor técnicas prontas, padronizadas. Mesmo que a pessoa
aprendesse assim, em pouco tempo perceberia que para usá-las apenas
interpretaria uma personagem, viveria um papel, e, por isso, as abandonaria e
voltaria a agir como agia antes do aprendizado.

A técnica para ser aprendida em pouco tempo e de forma perene já deve


pertencer à pessoa. Com a experiência de todos esses anos, depois que a
pessoa fica descontraída, é possível observar em poucos minutos de conversa
qual o ritmo da sua fala, o tipo de vocabulário que usa para construir as frases,
a maneira como gesticula e como organiza o raciocínio.

Depois dessa avaliação sei como o aluno se comporta naturalmente no seu dia
a dia e o que pode produzir nas situações mais formais. A partir dessa
constatação o trabalho é só o de transportar para a tribuna aquilo que a pessoa
já sabe fazer. Em poucas horas, portanto, ela consegue diante do microfone
fazer o que já sabe quando conversa naturalmente com amigos e familiares.

Se por qualquer motivo você não puder contar com a ajuda de um profissional
para melhorar sua comunicação em público, siga esta orientação: tente falar
diante da plateia como se estivesse falando de maneira animada com algumas
pessoas próximas na sala de visitas da sua casa. Veja que não estou pedindo
para que faça nada diferente do que já sabe, apenas que seja você mesmo.

Lógico que é importante aprender a adaptar o volume da voz de acordo com o


ambiente, adequar o vocabulário tendo em vista a circunstância e o tipo de
ouvinte, a expressão corporal para dar harmonia ao conjunto da comunicação,
a ordenar o pensamento para ter lógica de raciocínio, com começo e fim.
Esses detalhes, todavia, podem ser aprimorados em poucas horas e
aperfeiçoados depois com a prática da vida real, apresentando projetos,
propostas e, até mesmo, proferindo palestras e conferências. Por isso, preste
atenção e aprenda como é sua comunicação nas conversas do dia a dia e
procure agir da mesma maneira quando estiver falando diante do público.

SUPERDICAS DA SEMANA
- Provavelmente, você já sabe falar. Aprenda a conhecer sua própria
comunicação
- Fale em público como se estivesse conversando com os amigos
- Falar em público é uma conversa, só que um pouco mais animada
- Invista na comunicação. Aprenda a falar em publico em poucas horas
Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Como falar
corretamente e sem inibições", "Assim é que se fala", "Superdicas para falar
bem" e "O que a vida me ensinou", publicados pela Editora Saraiva