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RELATÓRIO TÉCNICO

BANCO DO LIVRO SA - CURVELO / MG


JULHO / AGOSTO / SETEMBRO
2006

INTRODUÇÃO

“A solução dos problemas humanos terá que contar sempre com a literatura, a música, a pintura,
enfim, com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes
existirão enquanto o homem existir sobre a face da Terra. A literatura será sempre uma arma do
homem em sua caminhada pela Terra, em sua busca pela felicidade.”
Jorge Amado

O Banco do Livro é um espaço literário, cultural e emocional. Todos que aqui chegam, sejam crianças,
jovens ou adultos, se apropriam do espaço, dos livros e das atividades desenvolvidas, pois todos
desejam contribuir e fazer parte desse universo, que já se tornou o “xodó” de seus freqüentadores.

Neste período, houve em média 20 trocas por dia, 1.177 trocas realizadas, 864 doações recebidas,
sete atividades realizadas, sendo que 450 pessoas participaram das atividades e 700 visitas foram
recebidas.

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

“No homem, enquanto as mãos trabalham, a mente reflete...”


Fidelino de Figueiredo

O Banco do Livro trabalha em parceria com o Telecentro Comunitário “Caminhos do Rosa”, pois
comungamos do mesmo ideal, que é valorizar nossa cultura sertaneja e estimular o hábito da leitura
na comunidade.

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• Troca de Livros

A troca de livros é algo que acontece diariamente. Durante todos os dias, recebemos em média 40
pessoas que trocam livros ou revistas e nos procuram também para pesquisas. O aumento pela
procura de pesquisas deve-se em grande parte ao nosso projeto “Letras de Curvelo, nas Gerais, no
Brasil e no Mundo”. Muitos professores vêem o Banco do Livro como uma fonte de dados para
pesquisas sobre a nossa cidade.

• Doações

As doações acontecem constantemente, pois as pessoas se sentem interessadas em contribuir com o


nosso acervo e fazer parte dessa história. O estimulo à doação também ocorre por meio de
campanhas e divulgação das atividades do projeto.

• Campanha de Arrecadação de Livros

Graças ao Tiro de Guerra 04/029, que se empenhou com determinação e dedicação para atender ao
pedido do Banco do Livro de arrecadar livros para o nosso acervo, obtivemos um grande número de
doações. Durante duas semanas, foram arrecadados 698 livros, permitindo, assim, que o Banco do
Livro possa atender melhor a seus freqüentadores.

Em contrapartida, foi oferecida aos atiradores uma premiação para cada pelotão.
1º lugar: Viagem a Cordisburgo para uma visita ao Museu Casa de Guimarães Rosa.
2º lugar: 30 cursos on-line (Passaporte da Cidadania – Telecentro).
3º lugar: 15 cursos on-line (Passaporte da Cidadania – Telecentro).

O Banco do Livro está esperando da Plantar e da Prefeitura Municipal a disponibilização do ônibus


para levar os atiradores a Cordisburgo. Houve também uma doação de 292 livros arrecadados pelos
funcionários do Banco do Brasil de Belo Horizonte.

• Algibeira Cultural

A Algibeira Cultural continua seu trabalho itinerante: esteve presente em Inimutaba, a convite do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais; no Centro Educacional Dona Joaninha, onde aconteceu uma Feira
de Literatura; e na Prefeitura Municipal. Nesses locais, além de promover a descontração, despertou a
curiosidade e o interesse das pessoas.

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• “Letras de Curvelo, nas Gerais, no Brasil e no mundo”

O acervo de livros de escritores curvelanos e da região ganhou agora um novo espaço, com suportes
mais modernos, valorizando ainda mais “a nossa literatura”, com destaque e beleza dentro do Banco
do Livro.

Além de empréstimos e trocas, o Banco do Livro e o Telecentro têm uma diversificada agenda
semanal, com atividades e oficinas que envolvem toda a comunidade.

• História na Praça

Agora, além de atingir o público infantil, a contação de histórias também está resgatando esse valor
com adolescentes, que participam não só como ouvintes mas também como contadores. E o melhor:
tem obtido grande receptividade. A atividade começou a partir de uma oficina coordenada pela Arlete,
uma das coordenadoras de Santo André (SP) que participaram do intercâmbio entre os projetos.

À medida que os educadores do Banco do Livro iam organizando rodas de contação de histórias na
praça, todas as quartas-feiras, eles aprimoravam sua técnica e conquistavam crianças, adolescentes,
pais e professores. Prova disso foram os convites que o Banco recebeu para fazer rodas de contação
de histórias em escolas, projetos e até na zona rural.

A convite da Secretaria de Saúde, o Banco do Livro foi para as comunidades de Bananal, São José das
Pedras, Saco Novo e São Geraldo do Jataí, para fazer rodas de contação de histórias e oficinas de
brinquedos. Foram feitas cinco rodas de contação de histórias na Escola Municipal Angelina Dotti, no
bairro Ipiranga. Ao todo, participaram das rodas de contação de histórias cerca de 360 pessoas, entre
crianças, jovens e adultos das zonas urbana e rural.

Nestas visitas, a equipe levou o Bornal de Livros, com cerca de 30 livros para serem emprestados e um
caderno para registrar o andamento de cada visita.

O Bornal de Livros foi recebido de uma maneira muito carinhosa nas comunidades. As pessoas que
tinham dificuldade para ler não ficaram com vergonha e pegaram livros para levar para os filhos.
Também foram incentivadas a trocar livros entre elas. Essa oportunidade foi muito importante para
que o Banco do Livro pudesse fortalecer seu objetivo de estimular na comunidade o hábito da leitura.
As pessoas ficaram muito envolvidas com a contação de histórias e motivadas com a possibilidade de
levar um livro para casa.

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• Prosa na Praça

A Prosa na Praça também é uma atividade que obtém, cada vez mais, um público maior e
diversificado. Neste trimestre, foi feita uma roda com Newton Vieira, que falou sobre literatura, em
especial a literatura curvelana. Curvelo pode se orgulhar de ser um lugar onde as pessoas gostam de
“brincar” de ser escritores.

Sr. Renato e Sra. Albes

Casados há mais de 58 anos, o Sr. Renato Guimarães e a Sra. Albes formam um simpático casal,
exemplo de amor e solidariedade ao próximo, sempre dispostos a ajudar e a colaborar com o bem
cultural, social e artístico do povo curvelano. Estiveram presentes no Prosa na Praça, com um jeito
muito carinhoso de falar sobre o que sabem, e encantaram a todos, principalmente as crianças,
quando revelaram detalhes sobre as viagens que Guimarães Rosa fazia junto com os vaqueiros das
fazendas de seus parentes.

Eles explicaram que as veredas são formadas por “olhos d’água” (nascentes) rodeadas de Buritis, que
ficam geralmente em baixadas (uma parte bem plana rodeada de morros) e que servem de abrigo e
fonte de alimento para várias espécies de pássaros e animais como paca, tatu, cotia, lobo, onça e
tamanduá, entre outros. Durante as viagens dos vaqueiros, as veredas eram pontos de parada para o
descanso dos peões e para o gado beber água. Hoje, por causa do desmatamento, não há muitas
veredas preservadas. Conseqüentemente, várias espécies de animais ficaram sem abrigo e fonte de
alimento.

Na roda, o Sr. Renato contou que tinha um vício, o tabagismo. Por ser médico, sabendo das maléficas
conseqüências que esse vício traz, procura sempre deixar claro para todos por onde passa que o ato
de fumar só traz doenças e prejuízo ao bolso. Ao terminar o bate-papo, o agradável casal encerrou a
roda com a seguinte frase: “Deus fez os homens iguais uns aos outros, mas sem a cultura ninguém
sobrevive.”

Sr. Wilson

O Sr. Wilson é um comerciante local que colhe frutos e plantas medicinais do Cerrado e vende em
uma banca no centro da cidade. Ele participou de um “Prosa na Praça” com os freqüentadores do
Banco do Livro e do Telecentro, oportunidade em que falou sobre as frutas mais comuns de nossa

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região, como a mangaba, o araticum, o jenipapo, a cagaita, a jabuticaba, o jatobá, o pequi e a
manga, entre tantas outras.

Segundo ele, existe uma árvore com o nome de “Açoita Cavalo”, que é muito misteriosa. Se uma
pessoa passar debaixo de seus galhos, perde o senso de direção e fica perdida no meio do mato.

• Oficinas

Junto com os projetos Ser Criança e Telecentro, foi organizada uma agenda de atividades para
resgatar valores que contribuem com a preservação ambiental, estimulando a percepção da beleza
que existe no Cerrado.

• Tinta de Terra

A Oficina de Tinta de Terra consiste em transformar a terra misturada com água e cola em uma tinta
que serve para pintar desde paredes e vasos de plantas até papel para fazer cartão. A oficina tem
empolgado e divertido a todos.

• Brinquedo Reciclado

A Oficina de Brinquedo Reciclado consiste em coletar materiais que freqüentemente vão para o lixo,
como garrafas PET e tampinhas de garrafa, para fazer brinquedos que ganham variadas formas. O
sucesso é garantido, pois as crianças aprendem brincando.

• Cartão de Killen

A Oficina de Cartão consiste em aprender a usar o papel Collor 7 enrolando-o e dando-lhe várias
formas. Depois, é só colar em uma cartolina e está pronto o cartão. Esta técnica faz bastante sucesso
entre as crianças, pois elas trabalham com as mãos e a imaginação.

• Papel Artesanal

A Oficina de Papel Artesanal é um processo em que o primeiro passo é recolher papel ou jornal que
iriam para o lixo. Depois, rasga-se esse papel, deixando-o de molho na água durante quatro horas.
Em seguida, bate-se tudo no liquidificador e coloca-se a mistura em uma bacia, acrescentando tinta e
cerol desfiado. Depois, é só misturar e passar essa mistura em uma peneira. Vira-se a peneira em um

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jornal ou TNT e com uma bucha tira-se a água. Então, é só colocar para secar. Com o papel
reciclado, pode-se fazer vários enfeites, como porta-retratos e caixas.

“Foi muito importante fazer essas atividades, pois todos aprendem que podemos reaproveitar desde a
terra até a uma garrafa e desenvolvemos também o espírito de equipe e de cidadania.”
Aline Esteves - Educadora

• Sala de Vídeo

A sala de vídeo foi inaugurada em grande estilo, com a presença de autoridades locais, educadores,
freqüentadores do Banco do Livro e do Telecentro, a presidente do Circuito Guimarães Rosa, Maria de
Fátima, e a cineasta Marily Bezerra, que nos saudou com uma bela palestra sobre seu curta-metragem
“Rio-de-janeiro, minas”, que foi exibido no dia. Contamos também com a presença de uma contadora
de histórias do Morro da Garça, que narrou um dos contos de Guimarães Rosa.

As sessões de vídeo acontecem geralmente duas vezes ao dia, com a participação dos freqüentadores
do Banco do Livro e do Telecentro, das escolas e do projeto Ser Criança. Os filmes do seu acervo
abordam as obras de Guimarães Rosa e outros temas relacionados ao sertão.

• Clube de Leitores

O Clube de Leitores é formado por freqüentadores do Banco do Livro e do Telecentro e é coordenado


pelos educadores do projeto. A idéia é reunir adolescentes para ler, debater, assistir a filmes e a
documentários. Além da leitura, incentiva o teatro, a música, a poesia e, acima de tudo, a criatividade,
com palestras, trocas de experiências, viagens, trabalhos em grupo. Realiza também palestras que
contribuem para o crescimento de todos.

Já foram realizados dois encontros nos quais foi passado o objetivo para os adolescentes convidados,
divididas algumas responsabilidades entre eles e combinada a primeira atividade, que será a criação
de um jornalzinho bem abrangente. Cada participante do grupo será um repórter e terá a
responsabilidade de buscar as reportagens de acordo com o seu interesse. Percebe-se que todos se
envolveram, expressando suas idéias e opiniões. É uma atividade que tem obtido grande sucesso.

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GERENCIAMENTO DO PROJETO

A equipe de coordenação é formada por duas funcionárias da Prefeitura Municipal e um educador do


CPCD. Observa-se que está nascendo entre os freqüentadores uma vontade de contribuir com o Banco
do Livro mediante sugestões e participação na organização do espaço e das atividades. Ou seja, está
havendo maior apropriação.

DESEMPENHO DOS EDUCADORES

Por problemas relacionados à Prefeitura Municipal, houve desmotivação dos educadores para realizar
as atividades. Pela confiança que o Banco do Livro conquistou da comunidade, trabalhar nele exige
responsabilidade, compromisso e motivação de cada um que é responsável pelo projeto.

ENVOLVIMENTO COM OUTRAS ENTIDADES

O Banco do Livro está aberto para parcerias, pois acreditamos que trabalhar junto é a melhor maneira
de obter êxito. Neste trimestre, realizamos atividades com a Secretaria de Saúde, o Tiro-de-Guerra
04/029, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a Escola Municipal Angelina Dotti, o Centro
Educacional Dona Joaninha, a Rádio Comunitária e a Secretaria Municipal de Cultura – parceira
desde a fundação do Banco do Livro.

O Banco do Livro, o Telecentro e o projeto Ser Criança participaram de uma ação cidadã promovida
pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais na cidade de Inimutaba. Fomos os responsáveis pela rua de
lazer, com a fabricação de brinquedos, cartões de Kilingue, pinturas no rosto e brincadeiras. O convite
para participar desta atividade nos engrandeceu, pois foi possível contribuir para essa ação cidadã.

ENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

Entre os usuários do Banco do Livro, nasceu um sentimento de carinho pelo projeto, pois todos se
sentem responsáveis por ele. Sempre que são convidadas a participar de uma atividade, as pessoas
não pensam duas vezes antes de aceitar o convite. Isso mostra que, nestes seis anos, o Banco do Livro
conquistou a confiança da comunidade.

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AVANÇOS OBTIDOS

• Índices qualitativos

- Aumento na procura dos livros do projeto “Letras de Curvelo, nas Gerais, no Brasil e no Mundo”.
- Aumento nas trocas de livros.
- Aumento de doações recebidas.
- Convites para contação de histórias.
- Parcerias.
- Interesse de adolescentes e crianças pelas histórias.
- Conhecimento a respeito da vida dos escritores nascidos em Curvelo.
- Boa aceitação da comunidade.
- Grande participação da comunidade nas atividades.

• Índices Quantitativos

- 1.177 trocas realizadas


- 864 doações recebidas
- 7 atividades realizadas
- 450 pessoas participaram das atividades
- 700 visitas recebidas

• Dificuldades encontradas

- Desmotivação dos funcionários da Prefeitura.


- Ausências de funcionárias por problemas de saúde.
- Não cumprimento de algumas atividades agendadas.

REFLEXÃO

È importante caminhar e trilhar diversos caminhos, principalmente quando nos deparamos com
dificuldades, pois é nesta hora que descobrimos que “somos todos anjos de uma só asa e só podemos
voar quando nos abraçarmos uns aos outros” (Fernando Pessoa).
Aline Esteves Alves - Educadora

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O Banco do Livro é uma referência para escritores, professores, estudantes e para pessoas que gostam
de ler. Há uma preocupação em criar um espaço agradável, para que as pessoas se sintam acolhidas.
Cada vez mais, sentimos a necessidade de inovar nas atividades. Agora, as rodas de contação de
histórias terão músicas e histórias mais interativas, para que cada participante possa dar a sua
contribuição.

Começamos com a atividade do “Banco da Solidariedade”. Estão sendo feitos o cadastro dos Agentes
de Solidariedade e a divulgação do projeto e já estão acontecendo aulas de violão todas as segunda e
sextas-feiras, às 14h. Enfim, a cada dia, o Banco do Livro vai conquistando mais “amigos” que dividem
idéias em comum: união, solidariedade, parceria.”
Washington Rodrigues - Educador CPCD

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ANEXOS

• Depoimentos

“Gostei da oficina porque aprendi a pintar e a desenhar com a tinta de terra.”


Leonardo Rodrigues Bispo - 8 anos
2ª série - E.. M. Doutor Viriato Diniz Mascarenhas

“O Banco do Livro é bom porque posso levar o livro para a minha casa. E o livro é uma diferencial,
porque nele sei que tudo é mais completo.”
Neifson Denny dos Passos - 22 anos

“Aqui é legal porque posso levar o livro para casa e ele se torna meu. Além disso, posso preencher o
tempo vazio contribuindo para a organização do Banco do Livro.”
Matheus Chaves - 15 anos
8ª série - E..E. Bolívar de Freitas

“Gostaríamos que houvesse mais encontros com outros assuntos, para que possamos expressar nossas
idéias, trocar opiniões e também nos divertir.”
Alunos do 2º B - E.. E. Ministro Adauto Lúcio Cardoso

“A atividade da sala de vídeo é boa. Com mais campanhas nas escolas, é possível fazer trabalhos
através das sessões e também de mais palestras.”
Vandir - Freqüentador do Banco do Livro e do Telecentro

“Acho muito importante participar do Clube de Leitores, porque ele está nos incentivando a saber mais
sobre a leitura e a aprender coisas novas.”
Vívian Martins Vieira - 13 anos
7ª série - E..E. Bolívar de Freitas

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