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http://jn.sapo.pt/2008/04/25/opiniao/a_marca.html
A "marca"

Nuno Rogeiro, Comentador político

OGoverno português acaba de lançar uma campanha


internacional, de largo alcance e espectro (como se
diria com os antibióticos), intitulada "A Costa Ocidental
da Europa".

Uma das suas traduções é um atractivo encarte no


influente boletim dos EUA, "Foreign Affairs".

A iniciativa é excelente. Lembro-me de, nos anos 80,


Madrid ter feito algo de semelhante.

Nas grandes revistas internacionais, aparecia um


olho, imitando um desenho de Miró, sobre a Península
Ibérica. Lia-se aí que Espanha era a "fronteira
ocidental" da Europa.

O tamanho do olho era tal que Portugal - certamente


que só por acaso, acidente gráfico ou coincidência
(explicação das boas almas) - desaparecia.

Por outras palavras, o olho espanhol preenchia o


Ocidente da Europa.

Fez-se agora justiça. Histórica e geográfica. E há, no


encarte da revista americana, uma soberba fotografia
de Lisboa, "capital da Europa", entre o Atlântico e o
Tejo.

Essa imagem sugere o resultado da busca de Denis


de Rougemont (outro sonhador com a Europa), que
disse um dia ao seu aluno Durão Barroso "Portugal,
apesar de problemas circunstanciais, é o país
perfeito".

Bonito e reconfortante. Sobretudo porque o encarte de


"Foreign Affairs" divulga - internacionalmente - o
óbvio.

Hoje sem "massa crítica" ligada à extensão territorial,


ou à importância populacional, Portugal precisa de
outras contas.

Necessita, como refere a publicidade, de "capitalizar


com a globalização" e de "internacionalizar" as
empresas, independentemente do seu tamanho. Tem
de apostar na "sociedade do conhecimento", na
formação dos quadros, na queima de etapas na
evolução técnico-científica.

Precisa de descobrir novos mercados e parceiros, de


aproveitar a localização geográfica e o clima para
desenvolver energias "verdes", turismo "de
referência", intercâmbio lucrativo, e tornar Portugal a
plataforma logística intercontinental, por excelência.

Precisa de criar pontes com os BRIC, calão para as


novas potências emergentes, e de co-liderar o
processo político europeu.

Precisa de deixar a sua "marca" no Mundo. Através de


produtos tradicionais (materiais e intelectuais) de
qualidade, da invenção indígena, e da recriação
talentosa de fórmulas experimentadas (algo que o
encarte só toca de leve).

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E necessita de dar à língua o seu valor estratégico,


englobando a força de 270 milhões, sem a deixar
soçobrar em facilidades desvirtuantes (coisa que o
encarte omite).

Ou seja todos sabemos - mais ou menos - o que fazer.

O problema é o de verificar se há hoje, na classe


política, e apesar do empalidecimento do Governo e
da crise da oposição principal, forças para que o
"evidente" seja feito. E saber se o estado se reforma,
à medida das necessidades.

Sem essas "condições objectivas", a "marca


portuguesa" é uma miragem.

Nuno Rogeiro escreve no JN, semanalmente, às


sextas-feiras

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