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IPA – Instituto de Pesquisas Aplicadas Departamento de Ciências Sociais Aplicadas 2 – DCSA 2

IPA – Instituto de Pesquisas Aplicadas Departamento de Ciências Sociais Aplicadas 2 – DCSA 2 Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano

TEXTO DE ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL Nº 6 - AGOSTO DE 2001

Desenbanco Banco de Desenvolvimento do Estado da Bahia S.A A REALIZAÇÃO DO PAINEL SOBRE AS

Desenbanco

Banco de Desenvolvimento do Estado da Bahia S.A

A REALIZAÇÃO DO PAINEL SOBRE AS PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BA- HIA E A EDIÇÃO DESTE CADERNO FORAM PATROCINADAS PELO DESENBANCO.

APRESENTAÇÃO

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I – EXPOSIÇÕES

1.

Academia

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia

11

– Apresentação da palestra em slides

31

João Batista Guimarães Teixeira

2.

Setor Empresarial

O

Setor de Gemas, Jóias e Artefatos Minerais da Bahia:

em busca de uma política integrada para o seu desen-

 

volvimento

47

— Apresentação da palestra em slides

68

Paulo Henrique Leitão Lopes

3.

Governo

A

Mineração na Bahia – Desempenho e Perspectivas

87

Adalberto de F. Ribeiro

II

– COMENTÁRIOS Respostas às questões formuladas pelo público presente

115

5

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

ste sexto número dos Cader- nos de Análise Regional examina o setor mineral do Estado da Bahia, reu- nindo a contribuição dos professores João Batista Guimarães Teixeira e Adalberto de F. Ribeiro. O primeiro, re- presentando a Universidade e o segun- do, a Coordenação de Mineração da Secretaria de Indústria, Comércio e Mi- neração do Estado da Bahia. Compa- rece também ao debate o empresário Paulo Henrique Leitão Lopes, Presiden- te da Progemas, um ardente defensor do potencial econômico do setor, nota- damente na área das gemas e pedras preciosas. Nesta edição, apresentam-se tam- bém os slides das palestras, que foram gentilmente cedidos pelos expositores. O caderno reproduz integralmente os textos apresentados, assim como as respostas às questões formuladas pe- los participantes. Este painel, que faz parte de um conjunto de quinze sobre os mais di- versos aspectos da economia regional, é uma produção conjunta do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimen- to Regional e Urbano, Mestrado em Análise Regional, e do Instituto de Pes- quisas Aplicadas da UNIFACS, com o

patrocínio do Desenbahia que realiza nesta Universidade, no âmbito do pro- grama, um curso de formação de espe- cialistas em economia baiana que atuarão em seu quadro funcional. O Mestrado em Análise Regional, particularmente, sente-se orgulhoso de, com este trabalho, e tantos outros já realizados, demonstrar na prática a qua- lidade do curso e do programa de pes- quisa que realiza com seus alunos e professores; a sua preocupação com o estudo e o debate dos mais importan- tes problemas regionais, segundo o es- copo que norteia a sua concepção como um programa de pós-graduação stricto sensu, e a sua intenção, que aos poucos se consolida, de formar um núcleo permanente de estudos da eco- nomia regional que não só forme pes- quisadores e estudiosos da Bahia e do Nordeste, mas também contribua como um celeiro de idéias e de projetos que poderão municiar os organismos de fo- mento, notadamente os do Governo es- tadual, na sua permanente luta para construir um Estado mais próspero e menos desigual.

Salvador, agosto de 2001

Prof. Dr. Noelio Dantaslé Spinola

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João Batista Guimarães Teixeira*

INTRODUÇÃO

Os recursos minerais incluem todas

as substância naturais que podem ser utilizadas pelo homem, sejam elas or- gânicas ou inorgânicas. Deste modo, todas as substâncias cristalinas natu-

rais, combustíveis fósseis (carvão, pe- tróleo e gás natural), além dos recur- sos hídricos da Terra e dos gases da atmosfera estão incluídos nesta defini- ção. Os recursos minerais podem ser classificados com base em sua utiliza- ção (Tabela 1).

Tabela 1- Classificação dos Recursos Minerais

Metais:

Preciosos: Au, Ag, Pt.

Raros: Se, Te, Nb, Ta, Li, Zr, Be.

Estruturais: Fe.

De liga: Cr, Ni, Ti, W, V, Mo, Mn.

Não-ferrosos: Cu, Pb, Zn (metais base), Mg, Al (metais leves).

Metalóides:

Na, K, Br, As, S, Ca, P, F, B (indústria química).

Minerais não-metálicos

 

Material de

areia, argila, cascalho, amianto, gipsita, calcário (cimento), as- falto, mármore e granito (revestimento, pedra britada).

Construção:

Agricultura:

calcário (corretivo do solo), rocha fosfática (fertilizante).

Eletrônica

quartzo (SiO 2

Si metálico), Ga, Se.

Abrasivos

diamante (C)

Joalheria:

Au, Ag, rubi, esmeralda, diamante, berilo, água-marinha, ame- tista, etc.

Recursos energéticos

 

Comb. fósseis

turfa, carvão, petróleo, gás natural, folhelho betuminoso

Radioativos

U, Th

Recursos Hídricos

(*) Geólogo, PhD, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia.

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

A Bahia produz cerca de 40 subs-

tâncias minerais, ocupando o terceiro lugar no ranking entre os estados bra- sileiros, depois de Minas Gerais e Pará, os grandes produtores de minério de ferro. Na pauta de exportações desta- cam-se: ouro, cobre, magnésio, cromo, ligas de ferro (ferro-manganês, ferro- cromo, ferro-silício-cromo), ligas de alu- mínio, pedras preciosas e semi-precio- sas e rochas ornamentais. Ao mercado interno destinam-se as produções de água mineral, areia, areia quartzosa, arenito, argila, artefatos minerais, barita, cal, calcário, calcita, caulim, diatomita, feldspato, grafita, sal-gema, talco e vermiculita.

RETROSPECTIVA DA MINERAÇÃO NO BRASIL E NA BAHIA

A história dos grandes descobri-

mentos realizados por Espanha e Por- tugal, as grandes potências européias da Idade Média, relaciona-se intima- mente com a história da mineração, principalmente a de metais e pedras preciosas. Após a descoberta da Amé- rica em 1492, aventureiros eram enco- rajados pelos monarcas europeus a velajarem para o novo continente à pro- cura de riquezas. Isto conduziu às con- quistas espanholas no início do Século XVI, incluindo-se as invasões do Méxi- co por Hernán Cortez e do Peru por Francisco Pizarro. Cortez desembarcou no México em 1519 e mais tarde ata- cou as cidades astecas, derrotanto Montezuma e apoderando-se de um grande tesouro em peças de ouro e pra- ta. Ao desembarcarem no território pe- ruano, em 1531, os espanhóis encon- traram sofisticadas peças de joalheria, preparadas por artesãos cuja técnica

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remontava à civilização Chavin (1300– 300 a.C.). A partir daquela época a pi- lhagem sul-americana tornou-se a prin- cipal fonte de ouro e pedras preciosas na Europa.

A descoberta de pepitas de ouro em

terrenos lateríticos do Brasil aconteceu no Século XVIII, ocasionando grandes corridas de garimpeiros, normalmente organizadas por ‘bandeirantes’, a vári- as regiões que hoje pertencem aos es- tados de Goiás, Mato Grosso, Mara- nhão, Minas Gerais e Bahia. Condições favoráveis de extração do ouro superfi- cial aliadas à disponibilidade da mão- de-obra escrava, mantiveram o Brasil como o maior exportador desse metal por mais de 150 anos, tendo produzido cerca de de 960 t no período de 1701 a 1850. No Século XIX ocorreram ainda a descoberta do minério de ferro da Itabira (MG, 1830), a abertura da mina

de ouro de Morro Velho (Nova Lima, MG, 1834) e a descoberta dos depósi- tos de cobre de Camaquã (RS, 1870).

A Bahia começou a despontar como

importante produtor de riquezas mine- rais com a extração do ouro de Rio de Contas no início do Século XVIII e do ouro de Jacobina a partir de 1722. Mais de um século mais tarde teve início o grande ciclo do diamante da Chapada Diamantina, originado nos aluviões do Rio Mucugê em 1844. Já em pleno Século XX instituíu-se o ciclo do petró- leo, a partir da descoberta do campo de óleo do Recôncavo, no subúrbio de

Lobato, em 1939. A fase da industrialização mineral verticalizada, compreendendo desde a extração, produção de concentrado de minério e metalurgia, iniciou-se na Bahia em 1957, com a inauguração da mina de chumbo de Boquira. Até sua exaustão em 1992, desta mina foram

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

extraídas cerca de 117 mil toneladas de minério, com 8.500 toneladas de chum- bo, 2.000 toneladas de zinco e 1.300 kg de prata. Embora a cromita tenha sido mine- rada em caráter artesanal desde 1907 nas regiões de Campo Formoso e San-

ta Luz, a implantação de empreendi- mentos industriais somente foi viabiliza- da em 1961 em Campo Formoso e no Vale do Rio Jacurici, com a inaugura- ção das minas de cromo da Companhia de Ferro Ligas S. A. (FERBASA). Notícias sobre a ocorrência de co- bre no Vale do Rio Curaçá constam do relatório do engenheiro Oliveira Bu- lhões, que descobriu fragmentos de malaquita (carbonato de cobre de cor verde) em seus estudos para o prolon- gamento da Estrada de Ferro do Rio São Francisco, no ano de 1874. Entre esta descoberta e a implantação da mina de cobre de Caraíba (céu-aberto

e mais tarde subterrênea), hoje geren-

ciada pela Caraíba Metais S. A., decor- reram mais de cem anos.

A grande jazida de magnesita de

Serra das Éguas, Município de Bruma- do, foi descoberta em 1939 pela Divi-

são de Fomento da Produção Mineral. As atividades industriais da Magnesita S.A., concessionária da maior jazida local, tiveram início em 1940, com a produção de refratários aluminosos e sílico-aluminosos, e em 1948 iniciou a produção dos refratários magnesianos

e cromo-magnesianos. Entretanto, a

consolidação da mineração de magne- sita na Bahia só ocorreu efetivamente

a partir da década de 70.

A produção de esmeraldas na re-

gião da Serra de Jacobina, centro-nor-

te do Estado, teve início no Garimpo de

Carnaíba, Município de Pindobaçu, em 1963. A segunda área a entrar em pro-

dução foi o Garimpo de Socotó, Muni- cípio de Jaguarari, que encontra-se em operação desde 1980. A criação da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e a entrada da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em 1972, inauguraram a fase moderna da pesquisa mineral no Estado. Como resultado direto dos trabalhos dessas empresas, importantes minas de ouro foram implantadas: Fazenda Brasileiro, situada próximo à cidade de Serrinha e administrada pela CVRD além de mais duas minas de ouro (atualmente parali- zadas) localizadas próximo ao Rio Itapi- curu, Município de Araci (Mina Maria Pre- ta, controlada pela CVRD e Mina Rio Salitre, controlada pela CBPM). A CBPM também descobriu reservas de vanádio no município de Maracás no início da década de 80, cuja extração comercial ou explotação depende ainda de uma melhor definição da equação do merca- do internacional. Empreendimentos minerais recen- temente implantados na Bahia incluem

a mineração do fosfato de Irecê, con- trolada pela CBPM e gerenciada pelo Grupo Bafertil, a mina de urânio de Caetité, explotada pelas Indústrias Nu- cleares do Brasil S. A. (INB), o manga- nês de Barreiras e São Desidério, explo- tado pela Eletrosiderúrgica Brasileira S. A. (SIBRA) e a extração de salgema promovida pela Mineração e Química do Nordeste, empresa do grupo Dow- Chemical, na Ilha de Matarandiba, vizi- nha da Ilha de Itaparica, Município de Vera Cruz. Tradicionalmente, a Bahia ainda

mantém destacada posição como pro- dutora dos seguintes bens minerais: (1) pedras semi-preciosas, como ametista, berilo e água-marinha; (2) minerais in- dustriais, como barita, calcário (para

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

produção de cimento e corretivo de solo)

e feldspato; (3) talco; (4) rochas orna-

mentais, incluindo-se granitos, gnaisses, sienitos, mármores, quartzitos e arenitos; (5) materiais de construção, principal- mente pedra de brita, areia e cerâmica vermelha e (6) água mineral. Um diagrama mostrando a produ- ção mineral baiana comercializada (PMBC) no ano 2000 por substância mineral, encontra-se na Figura 1.

EVOLUÇÃO GEOLÓGICA E METALOGENÉTICA DO TERRITÓRIO BAIANO

O embasamento de rochas cristalinas do Estado da Bahia, consis-

te de três blocos continentais pré-cam-

brianos, formados entre 3 e 2,5 bilhões

de anos atrás em diferentes regiões do

planeta. Estes blocos, denominados Gavião, Serrinha e Jequié, participaram

de um processo colisional por força do processo de tectônica de placas e amal- gamaram-se há cerca de 2 bilhões de anos. À exemplo do que hoje ocorre na Cordilheira do Himalaia (no Tibet), a colisão de blocos continentais causou

o espessamento da crosta, com forma-

ção de uma grande cadeia de monta- nhas (Figura 2). Nas raízes da cadeia de montanhas formaram-se rochas de alto grau metamórfico chamadas granu- litos. Durante o processo tectônico as rochas granulíticas foram alçadas para profundidades mais rasas, sendo final- mente expostas pela elevação do ter- reno e erosão das rochas sobreja- centes. Cerca de 200 milhões de anos após

a colisão, as rochas quentes do manto sobrelevaram-se, causando a ruptura da crosta (Figura 3). Ocorreu então um

FIGURA 1 Produção mineral baiana comercializada (PMBC) no ano 2000 (Fonte: Coordenação da Produção Mineral, Secretaria da Indús- tria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia).

(Fonte: Coordenação da Produção Mineral, Secretaria da Indús- tria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia).

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

FIGURA 2

Esboço geotectônico do embasamento cristalino do Estado da Bahia, mostrando: (a) mapa com a situação dos blocos pré-cambrianos amalgamados; (b) seção geológica vertical X-X’, mostrando a provável cadeia de montanhas formada durante a colisão dos blocos continentais há cerca de 2 bilhões de anos.

a provável cadeia de montanhas formada durante a colisão dos blocos continentais há cerca de 2

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

FIGURA 3

Mapa geológico (a) e seção geológica vertical (b) mostrando o esboço geotectônico do Estado da Bahia na época da formação da Fossa do Paramirim há cerca de 1.800 milhões de anos, pela sobrelevação das rochas do manto, causando a ruptura da crosta continental. Naquela época a cadeia de montanhas criada durante o processo colisional (ver Fig. 2) já havia sido erodida.

Naquela época a cadeia de montanhas criada durante o processo colisional (ver Fig. 2) já havia

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

FIGURA 4

Mapa esquemático do Supercontinente Gondwana há cerca de 200 milhões de anos. Este supercontinente era formado pela América do Sul, África, Arábia, Índia, Austrália e Antártida e perdurou por cerca de 500 milhões de anos. Notar a localização aproxi- mada do Estado da Bahia.

anos. Notar a localização aproxi- mada do Estado da Bahia. grande evento de vulcanismo e sedi-

grande evento de vulcanismo e sedi- mentação na parte central da Bahia, na região correspondente à Serra do Espi- nhaço e Chapada Diamantina. Existe ainda incerteza sobre as trajetórias percorridas pelos continen-

tes na superfície do globo terrestre, no período de tempo que vai de 1.800 até

625 milhões de anos atrás, quando ini-

ciou-se uma nova aglutinação de terre- nos para formar o supercontinente de Gondwana (Figura 4). Este supercon- tinente, composto pela união do que hoje corresponde à América do Sul,

África, Arábia, Índia, Austrália e Antárti- da, manteve-se estável até cerca de

200 milhões de anos atrás, quando en-

tão fragmentou-se. Após esta fragmen-

tação é que iniciou-se a formação do Oceano Atlântico. Na época atual os continentes derivados do Gondwana continuam se afastando uns dos outros, enquanto que a área do Oceano Atlân- tico aumenta continuamente. A palavra metalogênese define “O estudo da origem de depósitos mine- rais, com ênfase em seu relacionamen- to espacial e temporal a feições petro- gráficas e tectônicas regionais da cros- ta terrestre”. O termo é utilizado tanto para minerais metálicos quanto para não-metálicos. Estudos geológicos com utilização de critérios metalogenéticos comprovam que a distribuição de depó- sitos minerais em uma determinada re- gião não é aleatória e sim dependente

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

FIGURA 5 Mapa geológico mostrando a distribuição das jazidas, depósitos e ocorrên- cias de ouro no Estado da Bahia.

depósitos e ocorrên- cias de ouro no Estado da Bahia. das interações que ocorreram no pas-

das interações que ocorreram no pas- sado geológico entre as rochas do man- to e a crosta. Em outras palavras, a fon- te primordial dos metais, dos minérios em geral e das próprias rochas da cros- ta encontra-se no manto terrestre. Como exemplo, podemos citar o a distribuição dos depósitos de ouro no

Estado da Bahia (Figura 5). Observan- do o mapa, no sentido de leste para oeste notamos a existência de três con- juntos distintos de depósitos e ocorrên- cias: (1) um conjunto formado pelas minas Fazenda Brasileiro e Maria Pre- ta; (2) um outro conjunto formado pela Mina de Jacobina e ocorrências próxi-

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

mas e (3) um terceiro conjunto, ampla- mente distribuído, formado pelos depó- sitos e ocorrências situados entre Gen- tio do Ouro, a norte e Jacarací, a sul, passando por Rio de Contas e Caetité. Análises isotópicas que permitem a datação de minerais específicos mos- traram que as mineralizações do con- junto (1) são mais antigas e relaciona- das à fase de colisão continental, mos- trada na Figura 2. Os mesmos estudos mostraram que as mineralizações do conjunto (3) são mais novas e relacio- nadas à sobrelevação do manto, mos- trada na Figura 3 e que as mineraliza- ções do conjunto (2) têm idade inter- mediárias entre (1) e (3). Na Figura 6 encontram-se localiza- dos os depósitos de minerais industri- ais não-metálicos. Além do calcário e do talco, aparece como destaque a grande jazida de magnesita de Bruma- do, um dos dois únicos depósitos des- te porte do mundo. Ainda não existem informações concretas sobre a idade destas jazidas, que provavelmente fo- ram depositadas em fundos de mares restritos do período pré-cambriano. A Figura 7 mostra a distribuição das ocorrências de pedras preciosas e semi-preciosas no Estado. Tanto os modelos genéticos quanto as idade destes bens minerais são bastante va- riados. As esmeraldas de Carnaíba e Socotó, por exemplo, formaram-se há cerca de 1.900 milhões de anos pela reação de fluidos hidrotermais (mistu- ras de água aquecidas com gases) de origem magmática, provenientes de intrusões graníticas pós-colisionais. Estes fluidos reagiram quimicamente com rochas ultrabásicas denominadas serpentinitos, nas profundezas da cros- ta e possibilitaram a formação de cris- tais de berilo verde (esmeraldas). A cor

verde é devida à contaminação do berilo pelo metal cromo extraído da rocha encaixante durante a reação química. Os diamantes da Chapada Diamantina, por sua vez, são encontrados em terra- ços aluvionares geologicamente recen- tes. A origem destas valiosas pedras, no entanto, remonta à épocas passa- das, quando elas foram trazidos à su- perfície por intrusões de rochas ultra- máficas provenientes do manto. Os ter- renos do extremo sul da Bahia, regiões de Cândido Sales, Encruzilhada, Mai- quinique, Guaratinga, Itanhém e Me- deiros Neto, fazem parte do cinturão orogênico de Araçuaí, que encerra uma das maiores províncias de pegmatitos do mundo. Nesta província ocorrem tur- malina, morganita (uma variedade de berilo róseo, contendo impurezas de césio), espodumênio e petalita (silicatos de lítio e alumínio), ambligonita (fosfato hidratado de flúor, alumínio, lítio e sódio), água-marinha (variedade inco- lor de berilo) e inclusive alexandrita, uma variedade transparente de crisobe- rilo, cuja cotação atinge valor superior ao da esmeralda no mercado internaci- onal. O cinturão orogênico de Araçuaí formou-se durante a amalgamação dos blocos continentais para constituir o supercontinente de Gondwana, no pe- ríodo de 625 a 500 milhões de anos atrás. As principais jazidas de rochas or- namentais em explotação no Estado aparecem na Figura 8. Neste caso, tan- to a origem quanto a idade de cada tipo litológico variam amplamente. Temos por exemplo o quartzito com dumor- tierita (mineral azul, composto de silica- to de boro e alumínio) de Boquira, um tipo extremamente raro de rocha orna- mental, com idade arqueana (mais an- tigo do que 2.500 milhões de anos). No

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

FIGURA 6 Mapa geológico mostrando a distribuição dos depósitos e ocorrências de minerais industriais não-metálicos no Estado da Bahia.

mostrando a distribuição dos depósitos e ocorrências de minerais industriais não-metálicos no Estado da Bahia. 20

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

FIGURA 7 Mapa geológico mostrando a distribuição das ocorrências de pedras precio- sas e semi-preciosas no Estado da Bahia.

Mapa geológico mostrando a distribuição das ocorrências de pedras precio- sas e semi-preciosas no Estado da

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

FIGURA 8 Mapa geológico mostrando a distribuição das ocorrências de rochas orna- mentais no Estado da Bahia.

BAHIA FIGURA 8 Mapa geológico mostrando a distribuição das ocorrências de rochas orna- mentais no Estado

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

outro extremo temos os arenitos para revestimento de pavimentação extraí- dos dos sedimentos da Bacia de Tuca- no, depositados há cerca de 65 milhões de anos. No meio-termo, temos os sienitos da região de Potiraguá, Itaran- tim e Camacã, que são intrusões ígneas com idades entre 625 e 500 milhões de anos. Juntam-se a estes um certo nú- mero de intrusões graníticas pós- colisionais, gnaisses e migmatitos do embasamento antigo e uma variedade de mármores brancos e coloridos (bege, rosa e preto) de idade neoproterozóica. Na Figura 9 aparecem os principais depósitos e ocorrências de minerais industriais metálicos da Bahia. Os des- taques neste caso vão para as cromitas das minas de Medrado, Campo Formo- so e Santa Luz, o minério de cobre, extraído da Mina Caraíba, no vale do Rio Curaçá e o manganês explotado nas minas de São Desidério, no oeste do Estado. A origem dos minérios de cobre e cromo estão relacionadas à uma fase de vulcanismo basáltico em ambiente oceânico que processou-se em torno de 2.200 milhões de anos atrás, muito antes da fase colisional mostrada na Figura 2. O minério de manganês, por sua vez, ocorre em cros- tas superficiais, com uma história de concentração relativamente recente, processada do período Cretáceo ao período Quaternário. A Figura 10 mostra onde se encon- tram os principais recursos energéticos do Estado. A jazida de urânio de Lagoa Real, localizada a nordeste de Caetité, é formada por concentrações do mine- ral uraninita (U 3 O 8 ) associadas a gnais- ses graníticos albitizados. Esta jazidas foi gerada durante a fase de soergui- mento do manto, acompanhada de intru- são de granitos, que causou a ruptura

da crosta continental há cerca de 1.800

milhões de anos (Figura 3). Os campos de petróleo e gás natural da Bahia dis-

tribuem-se em dois conjuntos principais de bacias: (1) Tucano-Recôncavo, Jacuípe e Camamu-Almada, a norte e (2) Jequitinhonha-Cumuruxatiba a sul.

O conjunto (1) corresponde às partes

emersas e submersas da margem con-

tinental baiana, que é adjacente à Baía de Todos os Santos, abrangendo uma área de 110.000 km 2 . O conjunto (2) compreende bacias submersas, com extensão total de 350 km no sentido norte-sul. Todas estas bacias têm uma origem comum, ligada ao quebramento do supercontinente de Gondwana (Fi- gura 4) e à separação da América do Sul da África. A deposição dos sedi- mentos nestas bacias, seguida dos pro- cessos de geração, migração e acumu- lação dos hidrocarbonetos, processou-

se desde o período Neojurássico até o

período Cretáceo, o que em termos de tempo significa de 142 até aproxima- damente 65 milhões de anos atrás.

SOBRE A VIABILIZAÇÃO DE UM EMPREENDIMENTO MINERAL

A viabilização de um empreendimen-

to

mineral, com a entrada em produção

ou

início da lavra e comercialização dos

produtos minerais, requer um longo pe- ríodo de maturação que tem origem nas etapas anteriores à descoberta do de- pósito. Os bens minerais metálicos como

ferro, cobre, zinco, vanádio, etc., deman- dam um período de tempo nunca inferi-

or a 10 anos de trabalho contínuo para

o estabelecimento de uma mina de por-

te médio, passando por várias etapas,

compreendendo:

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

FIGURA 9 Mapa geológico mostrando a distribuição das jazidas, depósitos e ocorrên- cias de minerais industriais metálicos no Estado da Bahia.

a distribuição das jazidas, depósitos e ocorrên- cias de minerais industriais metálicos no Estado da Bahia.

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

FIGURA 10 Mapa geológico mostrando a localização dos recursos energéticos do Esta- do da Bahia. São mostrados: a jazida de urânio de Caetité e os campos de petróleo e gás do litoral baiano (continente e plataforma submarina).

a jazida de urânio de Caetité e os campos de petróleo e gás do litoral baiano

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

EXPLORAÇÃO REGIONAL

PROSPECÇÃO DE DETALHE

PROSPECÇÃO DE SEMI-DETALHE

AVALIAÇÃO DO DEPÓSITO

DESENVOLVIMENTO DA MINA

PRODUÇÃO.

O retorno do investimento total rea-

lizado em um bom empreendimento, ou seja, no qual as equações de mercado sejam bem resolvidas e as conjunturas

econômicas e políticas mantenham-se favoráveis, pode começar a ocorrer logo a partir do segundo ou terceiro ano do início da produção, a depender do bem mineral. Um investimento desse porte gera empreendimentos que po- dem durar de 20 a 30 anos, alguns com elevada taxa de retorno.

A ‘vocação mineral’ do território vai

depender dos vários fatores decorren- tes da história geológica e evolução geotectônica da região, como discutido acima. Mapas metalogenéticos ‘previsio- nais’ podem ser elaborados, desde que a organização estatal faça sua parte, investindo na aqüisição do conhecimen- to geológico básico do terreno. Esta é uma das funções dos Serviços Geológi- cos federais e estaduais, que normal- mente perseguem o objetivo de mapear geologicamente o território nacional des- de escalas regionais (1:250.000 até 1:100.000), podendo atingir escalas de semi-detalhe (1:10.000 até 1:5.000). Outras atribuições dos Serviços Geo- lógicos de países desenvolvidos inclu- em a realização de levantamentos bá- sicos de aerogeofísica (magnetometria, eletromagnetometria, radiometria, etc.), além de levantamentos terrestres de geofísica (gravimetria, fluxo termal, magneto-telúrico, etc.) e de geoquímica. Os relatórios e mapas resultantes des- tas atividades constituem poderosas ferramentas de fomento no setor mine-

ral, uma vez que possibilitam análises metalogenéticas mais corretas e toma- das de decisão mais rápidas por parte das empresas de mineração. O papel da Universidade também é importante para o processo de geração de jazidas, podendo efetivar-se de 3 maneiras principais (1) com a divulga- ção de novos conhecimentos geológicos

e descobertas, originados nas pesqui-

sas acadêmicas; (2) por meio de cursos de treinamento e/ou atualização técni-

co-científica, oferecidos aos alunos re- gulares e também ao público externo e (3) pelo desenvolvimento e introdução de novas tecnologias para exploração e produção mineral, geralmente fruto de demoradas pesquisas científicas.

PERSPECTIVAS PARA A PRODUÇÃO MINERAL BAIANA

Como acima demonstrado, a Bahia apresenta uma grande diversidade de ambientes geológicos e metalogenéti- cos, perfeitamente comparável a outras regiões do mundo que são grandes pro- dutores de bens minerais, como é o

caso da Austrália, Canadá e alguns países da África Central. Para efeito de comparação, somente na década de 90,

a Austrália aumentou as suas reservas

de metais base (Cu+Pb+Zn) em cerca de 20 milhões de toneladas, por meio da descoberta de novos depósitos mi- nerais. Para manter a indústria mineral no privilegiado patamar em que se en-

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

contra, o governo australiano tem inves- tido recursos anuais da ordem de 50 dólares por km² em mapeamento geo- lógico básico, levantamentos geofísicos e geoquímicos e também em sondagem

exploratória no seu território. Alguns da- dos para comparação entre Austrália e

Brasil, no que se refere a parâmetros fi- siográficos, demográficos e de investimen-

to mineral, encontram-se na Tabela 2.

Tabela 2 – Comparação de Alguns Parâmetros Relacionados à Exploração e Produção Mineral no Brasil e na Austrália

 

AUSTRÁLIA

BRASIL

Investimentos em exploração mineral (ref. a 1997)

US$ 50,00/km 2

US$ 12,00/km 2

Levantamentos geofísicos de alta resolução (em quilômetros lineares, 1990 a 1998)

4.100.000

km

17.000 km

Produção mineral (exclusive petróleo e gás, em bilhões de dólares, 1997)

17,3

8

Produto Interno Bruto (PIB, em bilhões de dólares,

348

 

749

1997)

População (milhões de habitantes)

18

160

Superfície territorial (km 2 )

7.682.300

km 2

8.547.403 km 2

Descobertas importantes de metais base (em milhões de toneladas de metais, de 1990 a 1997)

26

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A indústria da mineração processa-

se em um ambiente dinâmico, dispen- dioso e altamente sensível às oscila- ções políticas e econômico-financeiras. As empresas de mineração tornaram- se extremamente seletivas na aplicação dos seus investimentos, sendo que a descoberta de depósitos de minério de

‘classe mundial’ (world class mineral

deposits) continua sendo um de seus maiores objetivos.

O Governo Australiano é um exem-

plo importante de êxito a partir da apli- cação de uma política nacional correta

de aproveitamento dos recursos mine- rais. Os levantamentos geológicos e geofísicos regionais são constantemen- te atualizados naquele país. Ao mes- mo tempo, proporcionam-se constantes incentivos à pesquisa científica voltada

27

para a exploração mineral, ao treina-

mento e o aperfeiçoamento dos quadros técnicos, tudo graças à forte integração

e sinergia entre governo, empresas e

universidades. Por quase 20 anos perdura uma enorme retração dos investimentos go- vernamentais e privados em levanta- mentos básicos e em exploração mine- ral no Brasil, o que vem causando uma certa letargia no setor. A Bahia ocupa o

terceiro lugar entre os estados produ- tores à custa de investimentos estadu- ais da ordem de 6 milhões de dólares por ano. Uma complementação em ver- bas federais correspondente a duas vezes este valor deveria ser investida no Estado, para alcançar-se um pata- mar em torno de 50% do nível de in- vestimento australiano.

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

AGRADECIMENTOS

O autor agradece (1) ao Prof. Noélio Dantaslé Spinola, pelo convite para participar no painel “A Mineração na Bahia, Desempenho e Perspectivas”, realizado como seminário do Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento

Regional e Urbano da UNIFACS; (2) ao Prof. Aroldo Misi (UFBA), pelo prestimo- so auxílio durante a elaboração deste trabalho e (3) ao CNPq pela concessão de bolsa de pesquisa ao autor, catego- ria Desenvolvimento Científico Regional.

GLOSSÁRIO

Aluvião: Material detrítico inconsolida- do, composto de cascalho, areia, silte e argila, depositado em tempos recentes pela ação de rios.

Beneficiamento: Processo de separa- ção dos minerais de minério dos mine- rais de ganga, ou dos elemntos quími- cos ou substâncias minerais úteis das outras, não aproveitadas economica- mente. Através do beneficiamento pro- duz-se o concentrado e o rejeito.

Cinturão Orogênico: Região arqueada ou linear que esteve sujeita a dobramen- tos e outras deformações durante um ciclo orogênico, que conduz à formação de cadeias de montanhas.

Depósito mineral: Define concentra- ções minerais ou ocorrências minerais que não foram completamente avaliadas ou concentrações minerais sub-econô- micas.

Exploração mineral: Ato de buscar re- giões mais favoráveis à existência de concentrações minerais econômicas usando raciocínio geológico e aplican- do técnicas e ferramentas diversas, prin- cipalmente geofísicas e geoquímicas.

Explotação mineral: Ato de extrair um bem mineral, de lavrar, ou seja, de retirá- lo do seu sítio geológico natural.

Geotectônica: Ramo da Geologia que trata da arquitetura geral da parte exte- rior da Terra, compreendendo a monta- gem regional de feições deformacionais e estruturais, o estudo de suas múltiplas relações, origem e evolução histórica.

Granulito: Rocha de granulação relati- vamente grosseira formada em condi-

ções de alta temperatura da facies granulito, que geralmente exibe uma tex- tura aproximadamente gnáissica devida ao paralelismo de lentes achatadas de quartzo e/ou feldspato.

Hidrocarboneto: qualquer composto orgânico, gasoso, líqüido ou sólido, con- sistindo somente de carbono e hidrogê- nio. O petróleo (ou óleo cru) é uma mis- tura complexa de hidrocarbonetos.

Jazida mineral: Toda massa de subs- tância mineral da qual se pode extrair um ou mais minerais ou substãncias minerais que podem ser utilizadas eco- nomicamente. O conceito de jazida mi- neral é,portanto,econômico e está direta- mente relacionado (1) à demanda da substância mineral; (2) às condições de explotabilidade ou de extração, que in- cluem custos de lavra, tratamento, trans- porte, etc. do material extraído, e (3) ao preço de venda do produto mineral.

Manto: Zona do globo terrestre situada abaixo da crosta e acima do núcleo, divi- dida em manto superior e manto inferior, com uma zona de transição entre elas.

Migmatito: rocha encontrada em zonas de grau metamórfico médio a alto, pervasivamente heterogênea em esca-

la macroscópica, uma das partes sendo

de coloração clara e composição quart- zo-feldspática ou feldspática. O migmati- to pode ser formado por anatexia, que significa a fusão parcial de uma rocha pré- existente.

Minério: Massa de agregados minerais

e rocha da qual se pode extrair, com lu-

cro, um ou mais elementos químicos ou

28

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

substância mineral É composto por mi- nerais de minério e por minerais de ganga (que, em geral, não têm valor comercial).

Ocorrência mineral: Descreve qualquer concentração mineral numa rocha, num sedimento ou num solo, sem qualquer sentido econômico.

Pegmatito: Rocha ígnea com granulação excepcionalmente grosseira. A maioria dos minerais tem um centímetro ou mais de diâmetro. Sua composição fundamen- tal é a mesma do granito (quartzo, faldspato potássico e mica). Pode no entanto conter minerais raros de lítio, boro, flúor, nióbio, tântalo, urânio e ele- mentos do grupo das terras raras.

Pré-Cambriano: Uma das unidades da ‘Escala Padrão de Cronoestratigrafia Global’ compreendendo todas as rochas formadas antes do início da Era Paleo- zóica. O pré-cambriano começa com o nascimento do planeta Terra, cerca de 4.600 milhões de anos atrás e termina cerca de 570 milhões de anos atrás. Isto eqüivale à aproximadamente 90% do tempo geológico.

Recursos: Incluem as reservas e todos os outros depósitos minerais que ocor- rem ou que potencialmente podem ocor- rer em uma determinada região.

Reservas: Incluem jazidas minerais em produção, corpos de minério já reconhe- cidos através de sondagem ou outro tra- balho de detalhe (reserva medida e re- serva indicada) ou a suposta continua- ção do corpo de minério pesquisado (re- serva inferida).

Rocha metamórfica: Qualquer rocha derivada de rochas pré-existentes, por mudanças mineralógicas, químicas e/ou estruturais, essencialmente no estado sólido, em resposta a importantes mu- danças de temperatura e pressão, ge- ralmente nas profundezas da crosta ter- restre.

Rocha ultramáfica: Rocha ígnea com- posta principalmente por minerais máficos (hiperstênio, augita e olivina).

Serpentinito: Rocha composta essen- cialmente de minerais do grupo da ser- pentina (antigorita, crisotila, ou asbes- to), derivados da hidratação de minerais ferromagnesianos (olivina e piroxênio). Trata-se normalmente de produto de metamorfismo de rochas ultramáficas.

Subprodutos: São minerais, elementos químicos ou substâncias químicas mi- nerais de interesse econômico que iso- ladamente não poderiam ser recupera- do com lucro, mas que podem ser ex- traídos devido ao processo de extração realizado para obtenção dos produtos principais.

Tectônica de Placas: Teoria a respeito da tectônica global segundo a qual a litosfera é dividida em um certo número de placas cujos padrões de movimenta- ção horizontal eqüivale ao de corpos rí- gidos submetidos à torsão. As placas interagem umas com as outras ao longo de seus contactos, causando atividades sísmicas (falhamentos, terremotos) e tectônicas (subducção, vulcanismo, intrusão e orogênese, ou formação de montanhas).

CEDRE – Centro de Estudos do Desenvolvimento Regional Prédio de Aulas 8 - Campus Iguatemi

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

ANEXO ESCALA DO TEMPO GEOLÓGICO

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA ANEXO ESCALA DO TEMPO GEOLÓGICO 30

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 31
Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 31

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 32
CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 32

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 33
Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 33

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 34
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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 35
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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 36
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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 37

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 38

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 39
Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 39

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 40

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 41

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 44

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Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira

Aspectos Históricos e Geológicos da Mineração na Bahia — João Batista Guimarães Teixeira 45

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Ligue: (71)

Ligue: (71)

Ligue: (71)

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I – INTRODUÇÃO

De acordo com o GOLD FIELDS MINERAL SERVICES LTD., sediado em Londres, na Inglaterra e o GEMMO- LOGICAL INSTITUTE OF AMÉRICA - GIA 2 , o Brasil é considerado e reco- nhecido como uma das principais re- servas gemológicas do planeta tanto pela quantidade quanto pela varieda- de de gemas produzidas. De fato, se- gundo o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral - DNPM, o país é um dos maiores produtores de águas ma- rinhas, ametistas, esmeraldas, citrinos, berilos, crisoberilos, topázios, ágata, turmalina, quartzo diversos e diaman- te. Destaca-se ainda como o único pro- dutor mundial de topázio imperial, em Minas Gerais, e turmalina “Paraíba” no Estado com o mesmo nome. No que tange a produção de ouro, o Brasil detém reservas auríferas sig- nificativas tornando-o 12º produtor mundial, com perspectivas favoráveis de ampliar sua produção em médio e longo prazo. Estimativas do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Precio- sos – IBGM e do World Gold Council (Conselho Mundial do Ouro), indicam que o atual consumo de ouro da in-

Paulo Henrique Leitão Lopes 1

dústria de jóias brasileira é de aproxi- madamente 40 toneladas por ano. Ainda segundo dados do GOLD FIELDS MINERAL SERVICES – 1998,

o volume estimado de transações no

mercado mundial de gemas, jóias, me- tais preciosos e afins é da ordem de US$18, 4 bilhões, o que denota a pre- sença de um grande mercado para um país considerado o “Paraíso das Ge- mas”. O Estado da Bahia é o 2º produtor nacional de gemas brutas (não lapida- das) e o 4º em produção primária de ouro, segundo o DNPM. Conhecida pela quantidade e qualidade de suas esme- raldas, o subsolo baiano também pro- duz ametistas, águas marinhas, citrinos, topázios azuis, turmalinas, cristal de rocha, quartzos diversos, berilos, dia- mantes, etc. Apesar de toda sua potencialidade

o Brasil e, em particular, o Estado da Bahia, foco principal desse artigo, não

1 Empresário do Setor de Gemas e Jóias, Eco- nomista, Pós-Graduado em Metodologia e Di- dática do Ensino Superior e Comércio Interna- cional e Mestrando em Análise Regional pela Universidade Salvador.

47

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

tem tirado proveito racional e inteligen- te dessa riqueza. A realidade atual des- se segmento econômico é incompatí- vel com seu volume de reservas de pedras preciosas e ouro, sobretudo, quando se constata sua ínfima e inexpressiva participação de aproxima- damente 1,4% do mercado internacio- nal, como poderemos atestar através de estatísticas específicas. Numa abordagem histórica, desta- camos, apenas como referências pon- tuais, três importantes ciclos econômi- cos do Brasil: O Ciclo do pau-Brasil, da cana-de-açúcar e da mineração. O Ci- clo do pau-Brasil, como sabemos, foi o primeiro período da história econômica do Brasil caracterizado pela exploração de árvore de mesmo nome. Estendeu- se desde os primeiros anos da desco- berta até o início da segunda metade do século XVI, quando perdeu a prima- zia para o cultivo da cana-de-açúcar. Tratava-se apenas de uma atividade extrativa cuja madeira era utilizada na fabricação de violinos, na industria na- val e, principalmente, como corante. Essa atividade continuou sendo rendo- sa até metade do século XIX, quando a invenção de corantes artificiais a tornou não mais atraente.

O segundo ciclo econômico de nos-

sa história econômica foi a cana-de-açú- car, que na metade do século XVII, tor- na o Brasil maior produtor mundial de açúcar perdendo essa hegemonia pos- teriormente para Antilhas. O comércio açucareiro, segundo as normas do pac-

to colonial e da política mercantilista, era monopólio da coroa e toda produção destinada ao mercado externo. Em de- corrência disso, configurava-se tipica- mente uma sociedade patriarcal.

O ciclo do ouro é período da histó-

ria colonial e econômica do país, que compreende o final do século XVII e o

final do século XVIII, em que a extra- ção de ouro e diamantes alterou deci- sivamente a economia brasileira daque-

la época. Aproximadamente 2/3 das la-

vras se concentrou em Minas Gerais e

o restante distribuído nos Estados de

Goiás, Bahia e Mato Grosso. A exploração do ouro e de diaman- tes determinou o rápido crescimento da

população brasileira e sua interioriza- ção. A importação de escravos triplicou em relação aos dois ciclos citados an- teriormente. Como conseqüência sur- giram cidades ricas em Minas Gerais e estreitaram-se as conexões entre as várias regiões da Colônia. O ouro bra- sileiro favoreceu o esplendor da corte de d. João V e as iniciativas econômi- cas do Marquês de Pombal, mas flui, em sua maior parte, para a Inglaterra estimulando a Revolução Industrial. Com o esgotamento das minas, acen- tuou-se a contradição entre a coroa e sua colônia, pois a metrópole insistia na adoção de métodos tributários truculentos e iníquos, que logo se es- palharam nas regiões auríferas e diamantíferas do Brasil, fato esse que causou intermináveis conflitos que se estenderam por todo o século, dando origem à Inconfidência Mineira 3 . Desses três importantes ciclos eco- nômicos do Brasil pontuados até aqui,

o da mineração, ou melhor, o Ciclo das Gemas Coradas Brasileiras e do Ouro, permanecem “vivos”. Entretanto, toda

essa potencialidade está inativa diante da dinâmica do mercado mundial e da sua condição privilegiada de principal produtor de gemas coradas do mundo 4

e um dos maiores em produção primá- ria de ouro.

3 Paulo Sandroni. Dicionário de economia, p.97.

4 Golds Mineral Services. Londres, 1998.

48

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

Apesar de suas reais potencialidades gemológicas e auríferas, como podere-

mos atestar no decorrer deste artigo, o Brasil continua “deitado em berço esplên- dido” como se estivesse ainda no perío- do colonial, exercendo apenas o papel de mero exportador de matérias-primas (ouro, gemas e outros metais preciosos). Enquanto isso, verifica-se que países como os Estados Unidos da América, Tailândia, Israel, Índia e, mais recente- mente, a China souberam revisar e re- formar suas políticas de fomento levan- do sempre em consideração às suas pe- culiaridades e as questões consideradas impeditivas para o desenvolvimento.

A exemplo dos países que soube-

ram, de forma racional e inteligente,

ajustar suas políticas às suas particu- laridades de produção e comercializa- ção de gemas e metais preciosos, o Brasil e, em particular, a Bahia, pode- rão adotar o mesmo processo, uma vez que detém uma larga vantagem com- parativa em relação a outros países que sustentam posições de liderança no mercado mundial. Ressalte-se aqui, que a proposta básica é criar mecanis- mos e aplicar os já existentes por ou- tros países, de modo que essas vanta- gens comparativas sejam convertidas em vantagens competitivas. Mas é importante salientar que, an- tes de tudo, é necessário caminhar no sentido direto da construção de uma política integrada de desenvolvimento para o setor de gemas e jóias a partir dessas mesmas vantagens comparati- vas, as quais serão abordadas neste trabalho.

A história do ouro e dos diamantes

no Brasil e a atual experiência interna-

cional apontam para a formulação de uma política específica de fomento para o setor de gemas, jóias, metais precio-

sos e de artefatos minerais da Bahia, assim como de todo o país.

A formulação dessa política que

possibilite a geração de novos empre- gos, de renda e de divisas, que, ao mesmo tempo, combata o alto grau de informalidade e aumente, por conseqü- ência, a arrecadação de impostos, a incorporação de novas tecnologias e outras variáveis mercadológicas, a exemplo do design, prescreve, sem sombra de dúvidas, o envolvimento do governo e empresários do setor na bus- ca de um entendimento inequívoco das peculiaridades desse segmento econô- mico, cujos produtos são de fácil

ocultação, alto valor agregado e consi- derados quase moeda. Ressaltamos porém, que a base de formulação dessa política passa inici- almente pela questão tributária. Para- doxalmente, a experiência interna e mundial, tem comprovado que o sim- ples aumento de alíquotas de imposto reduz a arrecadação de impostos, en- quanto que a redução de alíquota au- menta a arrecadação. Assim este artigo objetiva trazer à tona a discussão em torno da imple- mentação de uma política de fomento

e desenvolvimento sustentável para o

setor de gemas, jóias, metais preciosos

e artefatos minerais da Bahia. Mas uma política que seja capaz de compreen- der as peculiaridades e as “facetas” desse segmento econômico.

II – ASPECTOS ADMINIS- TRATIVOS E DE MERCADO

O segmento econômico de gemas,

jóias, metais preciosos, bijuterias, arte- fatos minerais e afins está representa- do pelo Capítulo 71 da Nomenclatura

49

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Comum do Mercosul – NCM, em sua Seção XIV da Tarifa Externa Comum – TEC.

Apresentamos a seguir a Legislação Básica do setor:

Portaria SCE nº02/92 de 22.12.92, DOU 24.12.92;

Instrução Normativa SRF nº28/94;

Cartas Circulares do Banco Cen- tral;

Regulamento do ICMS/Ba;

Legislação subseqüente.

Este capítulo 71 NCM encontra-se segmentado da seguinte forma:

Gemas em estado bruto e lapida- da;

Barra de ouro;

Joalheria de ouro;

Obras de pedras artefato mine- ral;

Folheados de metais preciosos;

Bijuteria;

Produtos para industria.

No que diz respeito às gemas – pe- dras preciosas – o mercado mundial está dividido em dois distintos grupos:

1. Gemas Coradas são pedras preciosas de cor, a exemplo das esmeraldas, águas marinhas, ametistas, turmalinas, topázios, etc. Trata-se de um mercado li- teralmente regulado pela Lei da Oferta X Procura.

2. Diamantes mercado forte- mente controlado pela De Beers, cartel sul-africano e inglês que controla a produção e comercia- lização de diamantes no mundo.

III – PANORAMA MUNDIAL DO SETOR DE GEMAS E JÓIAS

O potencial estimado das transa- ções internacionais anuais de gemas e jóias, folheados e obras de pedras (ar- tefatos minerais) é de aproximadamente US$18,4 bilhões em 2000, conforme demonstrado na tabela abaixo:

Potencial Estimado do Mercado Internacional (montante das transações anuais)

 

Mercado

Participação

 

Mundial

Brasileira

Gemas Coradas

US$1,5 bi

5,0%

Diamantes

US$8,5 bi

1,0%

Jóias de Ouro

US$7,0 bi

0,5%

Folheados

US$700 milhões

1,0%

Artefatos de Pedras

US$700 milhões

2,0%

Fonte: Gold Fields Mineral Services Ltd. – Gold Survey 2001.

Dada a sua potencialidade merca- dológica e de sua riqueza em gemas e ouro, conclui-se que o Brasil detém uma inexpressiva fatia do mercado mundial. A seguir para que o leitor possa ter uma idéia nítida do mercado mundial, apresentaremos as estatísticas dos principais países produtores de diaman- tes, principais produtores de ouro em bruto, principais países fabricantes de joalheria de ouro e principais países consumidores de joalheria de ouro. As informações de mercado apre- sentadas a seguir são provenientes de

uma das mais importantes e represen- tativas instituições do setor de gemas, jóias, metais preciosos e afins em nível mundial: Gold fields Mineral Services Ltd.

50

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

PRINCIPAIS PAÍSES PRODUTORES DE DIAMANTES – 2000

Países

Participação

no Total

Botswana

28%

Rússia

20%

Angola

14%

África do Sul

11%

Namíbia

6%

Canadá

6%

República do Congo

5%

Austrália

4%

Demais Países

6%

TOTAL

100%

FONTE: Gold Fields Mineral Service LTD. – Gold Survey 2001.

No que diz respeito à produção de ouro bruto ocupamos a 12ª posição no Ranking Mundial que vem apresentan- do expansão da produção de 1997 a

2000.

PRINCIPAIS PAÍSES PRODUTORES DE OURO EM BRUTO – 1997 A 2000 Em toneladas

Países

1997

1998

1999

2000

1º África do Sul

493

464

450

428

2º EUA

359

366

342

355

3º Austrália

313

310

300

296

4º China

153

160

156

162

5º Canadá

168

164

158

155

6º Rússia

138

127

138

155

12º Brasil

59

55

54

53

Demais

235

228

226

229

TOTAL

2.480

2.541

2.568

2.573

Fonte: Gold Fields Mineral Services Ltda. – Gold Survey - 2001

Em termos de fabricação de jóias de ouro, a maior indústria do planeta está localizada na Índia com a utilização de 645 toneladas em 2000. Em seguida a Itália com 509 toneladas, Estados Uni- dos com 182 toneladas e China com 166 toneladas. O Brasil aparece no

51

ranking mundial com apenas 23 tone- ladas, ocupando a 29ª posição. Em relação aos países que mais

consumem joalheria de ouro, o Brasil é

o 22º colocado com 38 toneladas con-

sumidas em 2000. A Índia é imbatível com 600 toneladas consumidas contra 645t de jóias produzidas, ou seja, o mercado indiano consume 93% de sua produção de joalheria de ouro. O Esta- dos Unidos aparecem em 2º lugar com 409 toneladas, China com 184 tonela- das e em 4º a Arábia Saudita com 169 toneladas, performance registrada no ano de 2000.

IV – PANORAMA BRASILEIRO DE GEMAS E JÓIAS

De acordo com o GOLD FIELDS MINERAL SERVICE, o Brasil é o 12º produtor mundial de ouro. No que tan- ge as reservas gemológicas, o Brasil é apontado pelos principais órgãos inter- nacionais, a exemplo da CIBJO - Con- federação Internacional do Setor, De

Beers, dentre outros, como a principal reserva de pedras preciosas do plane- ta. Estima-se que 1/3 das gemas cora- das comercializadas no mundo são pro- venientes do Brasil. É sabido por todos que desde os

primórdios da civilização, as pedras pre- ciosas – as gemas – vêm proporcionan- do a geração de negócios, empregos, divisas e até aumento da arrecadação de impostos por parte dos governos. Sendo considerada uma das maiores reservas gemológicas do mundo e me- tade das reservas planetárias de ouro

e de pedras preciosas e semipreciosas,

a participação brasileira no comércio

internacional de gemas coradas, jóias

e diamantes não ultrapassa 1,4%.

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

EXPORTAÇÃO BRASILEIRA DO CAPÍTULO 71 DA NCM 1996 - 2000

US$ mil

Principais Itens

1996

1997

1998

1999

2000

Diamantes em Bruto Diamantes Lapidados Pedras Preciosas em Bruto Rubis, Safiras e Esmeraldas Lapidadas Outras Pedras Preciosas Lapidadas Obras e Artefatos de Pedras

5.729

2.507

1.295

4.122

6.254

25.916

29.260

11.726

6.389

4.645

27.024

32.988

24.113

26.291

29.993

11.729

5.095

3.652

12.391

21.993

42.774

34.009

25.952

32.081

39.805

11.044

10.120

9.019

9.466

9.716

Ouro em Barras, Fios e Chapas

570.959

489.394

371.808

329.982

356.980

Produtos de Metais Preciosos p/ Indústria Artefatos de Joalheria de Ouro Folheados de Metais Preciosos Bijuterias de Metais Comum Outros Produtos

3.982

20.099

39.709

54.957

56.013

19.506

28.293

25.213

27.235

24.200

5.602

5.544

7.069

7.514

11.430

3.559

4.872

4.767

3.060

3.003

14.167

10.533

5.305

4.744

2.609

TOTAL

741.991

672.714

529.628

518.232

566.641

Fonte: MDIC/SECEX/DECEX Elaboração: PROGEMAS (*): Não inclui exportações realizadas a não residentes (antigo DEE)

As primeiras descobertas de metais preciosos remontam ao século XVIII, quando os bandeirantes se aventuravam na busca de fantásticas riquezas e, ao

mesmo tempo, expandiam as fronteiras do Brasil. Cada vez mais, novas áreas de garimpo têm surgido pelo Brasil afo- ra, na busca insana de riquezas.

O desenvolvimento inicial da indús-

tria brasileira de jóias teve início em 1941, com restrições à exportação de pedras preciosas em bruto. A revolução no seg- mento ocorre com as mudanças experi- mentadas nas técnicas de lapidar e in- crustar gemas, o que culminou, a partir daí, na produção de belas peças negoci- adas nas sofisticadas lojas européias da década de 50. o panorama brasileiro de

gemas coradas se aquilatou com a des-

coberta de esmeraldas de alto valor co- mercial na Bahia, na década de 60 5 .

O ressurgimento vigoroso da indús-

tria de jóias proporcionou a renovação

da maneira pela qual se extraíam as gemas das minas descobertas nos Es-

tados de Goiás, Ceará, Paraíba e Minas Gerais. O Estado de Minas, por sinal, as minas foram reativadas em condições viáveis de exploração do ponto de vista técnico e econômico. Assim, começava o caminho da produção de pedras pre- ciosas coradas que podem substituir as mais valorizadas, como esmeraldas, ru-

bis ou safiras. Conhecido mundialmente pelas suas imensas riquezas gemológicas, o Brasil exportou US$568 milhões, em 1999, sendo US$330 milhões em barras de ouro e chapas (aproximadamente 58% do total). Com exportações de apenas US$143 milhões, insignificantes para a condição de integrante do seleto clube de produtores globais de gemas cora- das* 6 , o País ocupa 7º lugar na classifi- cação na classificação mundial, grande

5 Segundo o Mapa Gemológico da Bahia, os prin- cipais garimpos de esmeraldas são os de Socotó, em Campo Formoso e da Carnaíba, em Pindobaçu.

6 Exceto rubis, safiras e diamantes.

52

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

capacidade de expansão e expectativa de incremento de suas vendas externas. Vale ressaltar que 20% da produção de ouro do Brasil é destinado à industria de jóias, enquanto que 80% está con- centrado no mercado financeiro. Nos países em que o setor de gema s e jói- as é considerado estratégico, essa re- lação é inversa. Os mecanismos utilizados para incrementar suas vendas externas po- dem transformar suas riquezas mine- rais (gemológicas e auríferas) em soci- ais. Estatísticas setoriais indicam pos- sibilidades de crescimento significativo ao verificado nos últimos anos para o faturamento bruto, impostos arrecada- dos e geração de empregos. É de fundamental importância que sejam adotadas as seguintes ações no setor de gemas e jóias:

Investimentos em pesquisa, pros- pecção e lavra; Qualificação da mão-de-obra; Incentivos dos Governos Federal e dos Estaduais; Desenvolvimento gerencial nos garimpos, empresas produtoras e exportadoras; Desregulamentação dos procedi- mentos operacionais e fiscais; Política tributária similar a dos principais Países produtores e ex- portadores dos produtos deste capítulo 71 NCM. (*)

V – PANORAMA DO MERCADO BAIANO DE GEMAS E JÓIAS

No contexto brasileiro, a Bahia é um dos estados mais privilegiados em ter- mos de pedras preciosas - 2 º produtor nacional de gemas em estado bruto -

pois quase todo território é propício para exploração, além de ser produtor de es- meraldas consideradas mundialmente com as mais belas, não encontradas em nenhum outro lugar do mundo. No diz respeito as principais minas de esme- raldas, podemos destacar as minas tra- dicionais de Socotó e Carnaíba, além de

outras gemas como água marinha, ametista, topázio azul, turmalinas, quart- zos diversos, citrinos, turmalinas, etc. Aliado a vocação natural do Estado,

o Governo da Bahia vem desenvolven- do uma estratégia que visa incentivar o setor no sentido de incrementar as ex- portações dos produtos beneficiados. Em 2000, as exportações do capítulo 71 NCM da Bahia atingiu os US$ 46,85 mi- lhões de dólares sendo que desse total US$45,67 milhões de ouro em barras, fios, etc. conforme tabela abaixo. A pers- pectiva é que estes números sejam re- vertidos, gerando mais renda, emprego

e influindo positivamente nas economi-

as regionais, caso a tentativa de cele- bração de Acordo Setorial - ver anexo 1 - seja concretizado pelo governo da Ba- hia e empresários do setor. Nesse contexto além da produção de gemas e de jóias, a produção de artefa- to mineral é uma alternativa para o se- tor. A disponibilidade de matéria prima, que são rejeitos das jazidas, a criativi- dade do artesão baiano e o empenho do governo estadual em incrementar a pauta de exportações de produtos be- neficiados se apresentam como fatores decisivos para o sucesso do projeto. A Bahia, apesar de ser responsável por 10% das exportações nacionais, pouco explora o seu real potencial. As iniciativas associativistas como as de Campo Formoso, Macaúbas, Oliveira

(*) Nomenclatura Comum do Mercosul – conf. p. 65.

53

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

EXPORTAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA DE GEMAS, METAIS PRECIOSOS, JÓIAS E AFINS - CAPÍTULO 71 - NCM

PRINCIPAIS ITENS

2000

1999

1998

1997

Ouro em Barras, Fios, etc.

45.675

36.953

66.384

81.293

Pedras Preciosas em Bruto

1.056

1.804

841

331

Diamantes Lapidados

33

-

-

-

Rubis, Safiras e Esmeraldas Lapidadas

-

379

4

6

Obras e artefatos de Pedras

-

9

-

16

Outras Pedras Preciosas Lapidadas

1

6

73

24

Outros

81

70

-

-

TOTAL

46.846

39.221

67.302

81.670

dos Brejinhos e Vitória da Conquista ainda são incipientes e são verificadas deficiências básicas de ordem técnica

e gerencial. No ano de 1997 com o apoio do Se-

brae Nacional e do World Gold Council,

o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais

Preciosos - IBGM e a Associação Bahia- na dos Produtores e Comerciantes de Gemas, Jóias, Metais Preciosos e Afins

– PROGEMAS realizaram uma pesqui-

sa de campo no estado da Bahia, que serviram para ratificar as principais ca- racterísticas e peculiaridades desse seg- mento econômico, entre elas:

Perfil Genérico do Setor na Bahia

1. O Setor é basicamente constituído de micro e pequenas empresas, de cunho familiar, espalhadas pratica- mente por todo o Estado;

2. A industria de jóias é incipiente;

3. O Estado já ofereceu alguns incen- tivos para lapidação;

4. O mercado interno é bastante re- duzido para o segmento de gemas, que absorve apenas 5 a 10% de sua produção;

5. O setor tem uma elevada carga tri- butária, em torno de 51%, para as vendas internas de jóias e bijute- rias (a média internacional varia de

12 a 15%), vale lembrar que no caso da Bahia a carga tributária sobe para 61%, a confusa e com- plexa legislação fiscal e mineral e a competição desleal da produção informal não tem possibilitado o fortalecimento e a expansão do setor em nosso Estado;

Principais Características

1. Apresenta, em média, defasagem tecnológica nos processos produ- tivos, nas máquinas e equipamen- tos e nos métodos de gestão;

2. É intensivo em mão-de-obra;

3. A industria de lapidação é basica- mente voltada para exportação, a de bijuteria para o mercado inter- no, a do artefato mineral para o mercado interno e o segmento de jóias para ambos os mercados, embora a pauta de exportações seja inexpressiva;

4. As indústrias de lapidação e de jói- as apresentam incomum relação entre capital fixo e capital de giro;

5. Os produtos do setor são de fácil ocultação, contidos em peças de pequeno volume e peso (jóias pe- dras), o que inviabiliza a própria fis- calização.

54

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

Outras Características

1. Possui grande sensibilidade a car- ga tributária;

2. O sistema de comercialização de gemas e metais preciosos é base- ado na cotação da moeda ameri- cana (dólar paralelo);

3. Comércio mundialmente livre, não existindo, normalmente impostos de importação/exportação para matérias-primas e pedras lapida- das, bem como alíquotas para arti- gos de joalherias são reduzidos.

As Gemas Brutas

A Bahia é um dos principais produ-

tores de gemas brutas, com destaque

para a produção de esmeraldas, ame- tista, citrino, diamante e água marinha. Quase toda produção provém de garim- pos, ou seja, de um modo de produção artesanal, sendo até hoje os principais pólos de extração os de Socotó, em Campo Formoso e Carnaíba, no muni- cípio de Pindobaçu, na região centro- norte do estado ambos de produção de esmeraldas, Cabeluda (ametista/citri- no), Lençóis e Andaraí (diamante) e Pedra Azul (água marinha).

O domínio da atividade garimpeira

tem razões históricas que remontam à época da colonização. Além disso, têm contribuído para essa situação as ca-

racterísticas das próprias explorações, que são equivocadas e de difícil con- trole geológico; a falta de alternativa atrativa para grande número de garim- peiros; a esperança de enriquecimento rápido; a falta de entendimento da mi- neração como uma atividade industrial organizada tanto pelos produtores como pelo próprio governo.

A comercialização se dá de manei-

ra predominantemente informal, sem

qualquer fiscalização, na origem, ou se- ja, no próprio garimpo ou em feiras li- vres nos centros urbanos próximos a estas minas. Contribuem para essa in- formalidade a marginalidade de muitos dos participantes do comércio de ge- mas, a facilidade de ocultação que elas propiciam, a elevada tributação nas operações internas que aumenta a re- compensa à sonegação, etc.

Gemas Lapidadas

A Bahia apesar de ser um grande

produtor de gemas, a lapidação é pou- ca desenvolvida, sendo a produção, em

quase sua totalidade, comercializada em bruto. Há apenas dois pequenos centros de lapidação localizados em Campo Formoso e Salvador. Existem centros de lapidação mais desenvolvi-

dos em outros estados brasileiros o que dificulta o crescimento desta atividade. Algumas medidas foram tomadas para superação desse problema como

a implantação de diversos centros de

lapidação e treinamento de mão-de- obra espalhada pelo estado. Os resul- tados , no entanto, têm sido incipientes, insatisfatórios, quase inexistentes.

Jóias

O segmento de produção artesanal

e comercialização de jóias na Bahia

está concentrado em Salvador, onde atuam aproximadamente 15 empresas. Os produtores e comerciantes de jóias têm pleiteado mudanças na carga tri- butária a que estão sujeitos nas opera- ções internas, tanto com relação ao ICMS como ao IPI, alegando que as condições vigentes e baseado na ex- periência e concorrência internacionais

impedem o crescimento do mercado nacional e local.

55

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

VI – A CARGA TRIBUTÁRIA

Considerado a principal restrição institucional do setor de gemas, jóias, metais preciosos e artefatos minerais,

o volume da carga tributária mais o grau de complexidade fiscal têm desempe- nhado papel essencial para o êxito ou fracasso da industria joalheira e de lapidação no Brasil e no mundo, cons- tituindo-se atualmente num verdadeiro entrave para o seu desenvolvimento sustentado. A situação vigente deve ser realiza- da em dois níveis,a saber: na produção da matéria-prima em bruto e na indus- trialização. No caso da primeira é que determina o maior ou menor grau de regularização da origem. Como ouro e pedras são obtidas basicamente atra- vés de garimpos e representam o mai- or peso na composição dos custos dos produtos industrializados, tributação elevada e exigências fiscais complexas induzam fortemente ao descaminho. Uma máxima de mercado alerta que se

a pedra e o ouro não tiverem “certidão

de nascimento” a jóia também não terá. Há de considerar também que a alta carga tributária na jóia leva à criação de um grande mercado informal, que concorre de forma desleal com as em- presas legalizadas. Resultado prático:

essas empresas têm dificuldades de investir, e, portanto, de alcançar escala compatível com o mercado internacio- nal, perdendo assim competitividade. Segundo o IBGM – Instituto Brasi- leiro de Gemas e Metais Preciosos, a produção de matéria-prima em bruto, o fator que induz mais fortemente o setor de gemas e jóias ao mercado informal é a alta carga tributária estadual inci- dente sobre a produção de gemas e metais preciosos. Isso se deve pela in- corporação do antigo Imposto único sobre Minerais – IUM pelo ICMS, que normalmente prevê alíquotas estaduais

de 18% e interestaduais de 12% 7 . Essa situação se agrava ainda mais pelo fato de que pelo menos 90% das gemas extraídas tem como destino final a ex- portação e, portanto, não deveria incidir nenhum imposto. No que diz respeito ao ouro, a duali- dade de alíquotas (18% ou 12% de ICMS para matéria-prima e 1% sobre ouro ati- vo financeiro) causou o inusitado fato de destinar quase que 80% da produção primária para o mercado financeiro, ,que não gera emprego nem valor agregado. Atualmente o mercado financeiro foi substituído pelas exportações de ouro em barra que tornou-se mais lucrativo pela não incidência de impostos.

Carga Tributária Interna na Comercialização de Gemas e Jóias no Mundo

60

50

40

30

20

10

0

Brasil Chile Argentina Inglaterra Alemanha Espanha Tailândia EUA Suíça Venezuela Japão
Brasil
Chile
Argentina
Inglaterra
Alemanha
Espanha
Tailândia
EUA
Suíça
Venezuela
Japão

Alíquotas

Países

Países

Brasil

51,2%

Chile

18,8%

Argentina

18,0%

Inglaterra

17,5%

Alemanha

14,0%

Espanha

12,0%

Tailândia

10,3%

EUA

7,0%

Suíça

6,5%

Venezuela

6,0%

Japão

3,0%

7 A Bahia detém a maior alíquota de ICMS do país incidente sobre jóias que é de 25%.

56

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

VII – UMA HISTÓRIA DE SUCESSO 8

Agora vamos contar uma história real e de sucesso. Em 1982, tomou-se uma importante decisão política: dar prioridade à expansão da produção nacional de jóias, aproveitando-se o potencial de crescimento do mercado mundial e utilizando-se as vantagens competitivas do país. Desde o primeiro choque do petró- leo, ocorrido em meados da década anterior, os desequilíbrios no balanço de pagamentos, seguidos por graves crises cambiais se sucediam. A déca- da de 80 que se iniciava, prenunciava nuvens sombrias e instabilidade. O Setor de Gemas, Jóias e Metais Preciosos foi escolhido como uma das prioridades nacionais porque, dentre os diferentes setores industriais, sua capacidade de resposta à estímulos apropriados era uma das mais rápidas. Por outro lado, o setor era intensivo em mão-de-obra abundante e barata; a re- lação entre capital fixo e faturamento era uma das menores; a tecnologia era relativamente simples, de custo relati- vamente reduzido e de fácil acesso; o país era grande produtor de pedras preciosas, que, em sua maioria, naque- la época, eram exportadas apenas em estado. Sua utilização pela indústria joalheira, agregava valor e, o que era mais importante, empregos, que em muito iriam contribuir para amenizar o grave quadro social causado pelos desequilíbrios econômicos mundiais que se prenunciavam para a década de 90. Todavia, uma condição fundamen- tal, essencial deveria ser criada para tornar possível o Programa: política fis- cal e tributária adequada às caracterís-

ticas internacionais do segmento de gemas, jóias e metais preciosos. A determinação política do Gover- no na obtenção de resultados concre- tos e importantes para o país resultou na promulgação da “Lei de Promoções de Investimentos” para o setor e na isenção de impostos de importação

para pedras em bruto, lapidadas e para

o ouro, com o intuito de se reverter o

fluxo comercial e alterar o perfil de ex-

portador de matérias-primas da indús- tria joalheira, para país importador de gemas em bruto e exportador de pro- dutos manufaturados. Partindo-se do princípio de que a ex- pansão do mercado interno era condição essencial para o fortalecimento das industrias e para obtenção das escalas necessárias para disputar o concorrido mercado internacional, o governo de for-

ma inteligente, reduziu os impostos inter- nos para uma carga total de 12%. As medidas acima foram comple- mentadas pela redução, para 5%, da alíquota de importação de máquinas e equipamentos fundamentais para a modernização industrial do setor. Uma vez criadas, pelo Governo, as condições de política econômica neces- sárias, o empresariado fez o seu papel

e elevou as exportações de gemas e

jóias de US$156 milhões em 1982, para US$2 bilhões em 1993. Modernos Centros de Comerciali- zação de Jóias foram construídos, sen- do o maior uma torre com 55 andares, que abriga a Bolsa Internacional de Gemas e Diamantes. Dessa formidável expansão surgiu até mesmo uma cida- de exclusivamente orientada para a

8 Transcrito do livreto Ouro, Gemas e Jóias: em busca de um entendimento. Brasília – IBGM,

57

2001.

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

industria de gemas lapidadas e jóias- a GEMÓPOLIS – onde foram construídas 46 novas e modernas fábricas, residên- cias para 20.000 trabalhadores, duas torres para escritórios e comercialização. Mais uma vez o Governo compreendeu e fez e cumpriu a sua parte, instituindo em torno da referida “cidade das gemas” uma zona livre de comercialização objetivando assim, aproveitar todo po- tencial exportador ora criado. Tornar-se-ia ocioso afirmar que a redução inicial de impostos, para via- bilizar o Programa, retornou em prós- peros dividendos para toda a socieda- de. Houve, na verdade, geração de no- vos empregos com melhor qualificação, aumento do nível de divisas que auxi- liou muito na superação das sucessi- vas crises cambiais e também no au- mento significativa da arrecadação de impostos. Essa brilhante e maravilhosa histó- ria não é um conto de fadas. Trata-se de uma experiência verídica. Essa his- tória de sucesso infelizmente não é nossa, e sim da TAILÂNDIA. O Brasil poderia ter desfrutado des- sa experiência, pois no início da déca-

da de 80, as semelhanças entre os dois países era muito grande: o valor das exportações praticamente era o mes- mo, ou seja, em torno de US$150 mi-

lhões (nessa época tanto o Brasil como

a Tailândia eram exportadores de pe-

dras preciosas em bruto) e o nível de escolaridade da população era seme- lhante. Outros países bem sucedidos foram

a Itália, a Bélgica, Israel, Holanda, Coréia,

Índia e mais recentemente a China. Es- tes países adotaram programas coorde- nados de estruturação do setor, contem- plando toda a cadeia produtiva, prece- didos de forte redução dos impostos, inclusive para importação de matérias- primas, máquinas e equipamentos, além da própria simplificação dos procedi- mentos fiscais. Não seria interessante tomar como base as experiências internacionais para o setor de gemas e jóias do Esta- do da Bahia tão rico em gemas cora- das, diamante e ouro?! Por que não conseguimos construir esse entendi- mento para a criação de uma política de fomento específica, onde Governo, Empresários e Trabalhadores juntos

VISTA PANORÂMICA DA CIDADE DAS GEMAS - GEMÓPOLIS

específica, onde Governo, Empresários e Trabalhadores juntos VISTA PANORÂMICA DA CIDADE DAS GEMAS - GEMÓPOLIS 58

58

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

poderiam desatar as amarras que im- pedem o desenvolvimento sustentado desse segmento econômico? Costumamos atribuir nossos fracas- sos aos “fatores culturais adversos” Entretanto, a internacionalização da economia e o fenômeno da globali- zação das comunicações, ao difundir “valores globais”, têm reduzido, signifi- cativamente, o grau de influência das culturas locais. Segundo o conceituado McKinsey Global Institute, cuja função é produzir estudos comparativos do mercado em diferentes regiões do mundo, concluiu, ao estudar comparativamente o desem- penho de uma dúzia de países, entre eles o Brasil, que, “ o que determina que uma região tire maior proveito das opor- tunidades de crescimento é a política adotada. Concordamos de imediato com

essa tese, pois ela é um fator mais influ- ente no desempenho global que a cultu- ra do povo. O exemplo do desenvolvi- mento econômico inglês, vis-à-vis com

a americano, é um exemplo típico. Am-

bos são de origem anglo-saxônica, mas

o desempenho econômico é desigual. Uma outra explicação, segundo o referido Instituto, é que “um ponto sen- sível na receita do crescimento está nas regras setoriais sob as quais as empre- sas têm que operar. Trata-se de micror- regulamentações que, normalmente, não chamam muito atenção porque são muitas e muito detalhadas”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O tratamento dispensado ao setor pelas autoridades fazendárias precisa urgentemente ser revisto. Toda e qual- quer proposta encaminhada pelo setor de gemas e jóias são sempre ignora- das em nome do conceito e visão simplista da “essencialidade”.

Sabemos, contudo, que o conceito da essencialidade é de difícil aplicação, muito subjetivo e tem sido crescente- mente substituído pelo conceito do pragmatismo tributário. Na realidade, os governos têm tributado, com alíquotas elevadas, bens considerados de gran- de essencialidade, a exemplo de tele- fonia, energia elétrica e combustíveis em função da simplicidade e facilidade de arrecadação. Imaginemos o inverso dessa situa- ção, não seria também verdadeiro? Pro- dutos de fácil ocultação e que agregam

muito valor, que são de difícil arrecada- ção e fiscalização, como gemas, jóias, metais preciosos e artefatos minerais, deveriam ter alíquotas baixas, deses- timulando a clandestinidade e, por con- seqüência proporcionar maior arreca- dação de impostos. Os argumentos apresentados acima não foram levados em consideração e todas as nossas propostas em nível na- cional e estadual (Bahia) foram arqui- vadas e/ou rejeitadas, apesar de esta- belecer claramente que a redução de alíquota geraria aumento de arrecada- ção, exportação e de emprego, ou seja, um fantástico ganho para a sociedade como um todo.

O potencial brasileiro é imenso, da

mesma forma se apresenta o subsolo baiano como já dissemos até aqui. Poderíamos com muita facilidade atin- gir os níveis obtidos pela Tailândia, com suas conseqüências extremamente be-

néficas sobre todos os indicadores só- cio-econômicos, revertendo a insusten- tável situação atual de crescente infor- malidade, que vem impiedosamente

atrofiando o setor pela concorrência des- leal para com as empresas legalizadas.

A Associação Bahiana dos Produ-

tores e Comerciantes de Gemas,

59

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Jóias, Metais Preciosos e Afins – PRO- GEMAS e o Instituto Brasileiro de Ge- mas e Metais Preciosos – IBGM acredi- tam firmemente nessas vantagens e en- tendem que o início deste milênio, com freqüentes quedas de paradigmas e com a globalização da economia, é o

momento ideal para se tomar medidas realistas de redução da carga tributária.

A proposta do Setor de Gemas,

Jóias, Metais Preciosos e Afins da Ba- hia passa necessariamente por duas etapas:

A 1ª etapa consiste em aguardar a

redução das alíquotas do IPI para arti- gos de joalheria, folheados de metais preciosos e artefatos e obras de pedras para os níveis vigentes até 1990, ou seja, alíquota de IPI de 5%. Este é um trabalho que vem sendo articulado sis- tematicamente pelo IBGM. Em parale- lo a PROGEMAS estará retomando sua proposta de acordo setorial junto ao governo baiano – VER ANEXO 2 – que prevê entre outras coisas a redução do ICMS de 25% para 12%. Esperamos que na Reforma Tribu-

tária , o setor tenha alíquotas de con- sumo compatíveis com o mercado in- ternacional que é algo em torno de 15%. A 2ª etapa é um desdobramento natural e a resposta virá diretamente do empresariado que se comprometem a aumentar a arrecadação, o nível de empregos, de renda e divisas e da pró- pria exportação. Precisamos converter nossas van- tagens comparativas em vantagens competitivas. Transformar matérias-pri- mas (gemas e ouro) em pedras lapida-

das, jóias e obras de pedras e seus ar- tefatos minerais. Mas para isso é preci- so que haja uma clara compreensão, por parte do governo, das peculiarida- des desse setor econômico. Dessa for- ma, acreditamos que será possível ins- tituir uma política industrial específica de fomento do setor de gemas e jóias da Bahia. Nesta proposta de Acordo Setorial com o Governo da Bahia só teremos vencedores: A BAHIA, OS EMPRESÁ- RIOS E OS TRABALHADORES. VAMOS SOLTAR AS AMARRAS!!!

o Governo da Bahia só teremos vencedores: A BAHIA, OS EMPRESÁ- RIOS E OS TRABALHADORES. VAMOS

60

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

ANEXOS 1- PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO WORKSHOP - O SETOR DE GEMAS E JÓIAS - POTENCIAL E REALIDADE

Salvador - Centro Gemológico da Bahia - 29 de julho de 1997.

Após a apresentação do cenário do Setor de Gemas e Jóias no mundo, no Brasil e na Bahia, foram discutidas as experiências de desenvolvimento seto- rial, particularmente a do Estado de Minas Gerais e do Distrito Federal e os projetos de fomento específicos como

o do Centro Gemológico da Bahia. Ficou bastante claro que, apesar de todo potencial existente no Brasil e na Bahia (grande produção de ouro e ge- mas), o setor de gemas e jóias só se desenvolverá efetivamente gerando emprego, renda e divisas, se existir uma política de apoio integrada, nas áreas de capacitação tecnológica e gerencial, de treinamento de recursos humanos, de promoção comercial e de redução da carga tributária e simplificação fis- cal, cobrindo toda a cadeia produtiva. Essa política deverá ser formulada

e implementada em conjunto, pelos governos federal e estadual e pela ini- ciativa privada, com definição precisa das responsabilidades de cada parte e dos objetivos e metas a serem alcança- das. Nesse âmbito, a PROGEMAS se comprometeu a apresentar, no curtís- simo prazo, um plano de desenvolvi-

mento para o setor de gemas e jóias da Bahia, cujas linhas e diretrizes de ação estariam integradas ao plano nacional desenvolvido pelo IBGM. Foi também ressaltado, no que tan- ge à adequação tributária, que esta é condição primeira e fundamental para

o crescimento do setor de gemas e

jóias, conforme demonstram as experi-

ências dos países que implementaram, com êxito, políticas de fomento a esse setor. Nesse sentido, foi julgado conveni- ente e extremamente oportuna a assi- natura de um acordo setorial a ser fir- mado pela PROGEMAS e pelo IBGM com o Governo do Estado da Bahia, a exemplo do assinado pelo Estado de Minas Gerais. No acordo, cuja minuta encontra-se em anexo, contemplou-se as seguintes linhas de ação, consideradas prioritá- rias pelos participantes do Workshop.

I - Na Área de Capacitação Tecnológica e Gerencial

I.1 - Promover a realização de pa- lestras, seminários e consulto- rias, visando conscientizar e treinar os empresários da Ba- hia para a qualidade, produti- vidade e satisfação das exigên- cias dos mercados interno e externo. I.2 - Elaborar um diagnóstico técni- co, econômico e social da pro- dução, lapidação e comerciali- zação das gemas e da fabrica- ção de jóias da Bahia. I.3 - Fortalecer o laboratório gemo- lógico da Bahia, ampliando sua capacitação para atender tam- bém o segmento de metais pre- ciosos e suas ligas. I.4 - Avaliar as empresas de lapida- ção e joalheria em termos de

61

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

seu processo produtivo (indica- dores de qualidade e produti- vidade) e de sua adequação às exigências dos mercados inter- no e externo. I.5 - Estimular a modernização das indústrias do setor, pela incor- poração de novas técnicas e de máquinas e equipamentos mais eficazes e eficientes. I.6 - Fortalecer os serviços de ex- tensão tecnológica e de infor- mações técnicas e mercado- lógica, principalmente os do Núcleo Especializado em Ge- mas, Jóias e Bijuterias e do Núcleo de Design - Gemas e Jóias, operacionalizados pela PROGEMAS, no Estado da Bahia.

II -

Na Área de Treinamento de Recursos Humanos

II.1 - Criar e/ou fortalecer cursos de lapidação, joalheria, design e técnicas de comercialização, tanto para formar como reciclar pessoal, nos níveis operacional e gerencial. II.2 - Promover a vinda de consulto- res externos (nacionais e inter- nacionais) para apoiar os cur- sos e treinar professores e multiplicadores da indústria e do comércio. II.3 - Promover a implantação de cursos e programas de Gestão pela Qualidade Total nas em- presas do Setor.

III - Na Área de Promoção Comercial

III.1 - Promover a participação agru- pada de empresas baianas

62

em feiras, exposições e mis- sões comerciais, no Brasil e no exterior. III.2 - Promover a publicidade agru- pada e compartilhada do Se- tor, através da criação de fo- lhetos, uso de mala direta nacional e internacional, anúncio em revistas, encartes nos jornais e chamadas na mídia televisiva. III.3 - Fortalecer o show-room do Centro Gemológico da Bahia, principalmente com informa- ções voltadas para o turista, brasileiro e estrangeiro. III.4 - Promover a criação de uma “central de exportação” na estrutura técnica e adminis- trativa da PROGEMAS a fim de possibilitar que os regis- tros das operações de comér- cio exterior de seus associa- dos através do siscomex sis- tema integrado de comércio exterior sejam viabilizados de forma rápida e correta.

IV - Na Área de Adequação Fiscal

IV.1 - Adotar o diferimento do ICMS sobre operações internas de pedras brutas e lapidadas, bem como de ouro e prata em bruto, refinados ou em ligas e sobre operações destina- das à industrialização. Ou seja, desonerando toda a ca- deia produtiva, até a fabrica- ção da jóia ou do artefato de pedras preciosas. IV.2 - Promover a redução da alí- quota do ICMS incidente so- bre artigos de joalheria (Po-

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

sições 71.13, 71.14 e 71.16)

e de pedras preciosas em

bruto e lapidadas, de ouro e prata, em bruto, refinado e de suas ligas, para 12%.

IV.3 - Equiparar à exportação, para fins de incidência do ICMS in- cidente sobre artigos de joa- lheria (posições 71.13, 71.14

e 71.16) e de pedras precio-

sas e semipreciosas, metais preciosos, suas obras e arte- fatos de joalheria, quando efetuadas no mercado inter- no a não residentes no país, em moeda estrangeira, con- forme Decreto nº99.472 de 24.08.90 que instituiu o DEE - Documento Especial de Ex- portação, e legislação subse- qüente.

Encaminhar proposta ao CON-

FAZ no sentido de ampliar a abrangência do CONVÊNIO CONFAZ/ICMS 155/92, inclu- indo além dos diamantes e esmeraldas, as demais pe- dras e estendendo a redução para as operações interesta- duais, de forma a que a inci- dência do ICMS seja de 1,5%. IV.5 - Viabilizar, junto ao governo fe- deral, a redução da alíquota do IPI, de 20% para 5%, de forma a que a carga total in- cidente sobre artigos de joa- lheria fique nos níveis inter- nacionais entre 12 e 15%.

IV.4 -

Salvador, 29 de julho de 1997.

Paulo Henrique Leitão Lopes Presidente

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Objetivos

Contribuir para soluções de problemas econômicos-sociais, ambientais e organizacionais, a nível local e regional. Contribuir para formar e atualizar profes- sores, capacitando-os para um desempenho adequado, na graduação e pós-gradua- ção. Formar uma massa crítica capaz de desenvolver trabalhos científicos que con- tribuam para o desenvolvimento local, regional e nacional.

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

2 - Proposta de Acordo Setorial PROGEMAS X GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA

ACORDO SETORIAL QUE ENTRE SI CELEBRAM O GO- VERNO DO ESTADO DA BAHIA, SECRETARIA DA FA- ZENDA - SEFAZ, A SECRETARIA DE INDÚSTRIA, CO- MÉRCIO E MINERAÇÃO - SICM, A ASSOCIAÇÃO BAHIANA DOS PRODUTORES E COMERCIANTES DE GEMAS, JÓIAS, METAIS PRECIOSOS E AFINS - PROGEMAS E O INSTITUTO BRASILEIRO DE GEMAS E METAIS PRECIOSOS - IBGM.

O Governo do Estado da Bahia, nes- te ato representado pelo Senhor Gover- nador, César Borges, a Secretaria de Fazenda, neste ato representada pelo seu titular, Albérico Machado Mascare- nhas, a Secretaria de Indústria, Comér- cio e Mineração neste ato representa- da pelo seu Titular, Aroldo Cedraz, à Associação Bahiana dos Produtores e Comerciantes de Gemas, Jóias, Metais

Preciosos e Afins, neste ato represen- tada pelo seu Presidente, o Senhor Paulo Henrique Leitão Lopes e o Insti- tuto Brasileiro de Gemas e Metais Pre- ciosos, neste ato representado pelo seu Presidente, o Senhor Hécliton Santini Henriques, doravante denominados GOVERNO DA BAHIA, SEFAZ, SICM, PROGEMAS e IBGM, os quais consi- derando que:

1) o Brasil é uma das principais pro- víncias gemológicas do mundo, desta- cando-se a Bahia como 2º produtor nacional de gemas em bruto e quarto em produção nacional de ouro e pelo expressivo comércio de artigos de joa- lheria; 2) de acordo com os termos da Constituição Federal, em seu artigo nº174, e da Constituição do Estado da

Bahia, em seu artigo n.º

é dever do

, Estado fomentar e regular as ativida-

des econômicas, competindo-lhes nes- se sentido, o planejamento de suas ações, a parceria com a iniciativa pri- vada e a observância dos princípios que norteiam o federalismo e a expansão da renda e do emprego; 3) o setor de gemas e jóias, embora se constitua numa importante ativida- de econômica do Estado, este não vem aproveitando de maneira racional suas potencialidades, deixando de gerar ri- quezas e empregos, divisas e arreca- dação de impostos; 4) há um expressivo nível de comer-

cialização de pedras preciosas e de jói- as no âmbito da informalidade, ou seja,

à margem dos procedimentos legais,

penalizando as empresas legalmente constituídas e provocando perda de re- ceita do Estado; 5) os produtos comercializados pelo setor são de difícil fiscalização, pois são de fácil ocultação, podendo ser trans- portados altos valores em volumes bem reduzidos; 6) nas discussões e estudos sobre

o Setor de Gemas e Jóias realizados até o presente momento, e tomando como referência o workshop realizado, em Salvador, no dia 29 de julho de 1997, com a presença de autoridades do governo baiano, entre elas o então

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O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

Secretário de Industria, Comércio e Mi- neração, o Dr. Jorge Khoury Hedaye, um dos pontos emergenciais apontados dizem respeito ao tratamento fiscal e tributário, principalmente objetivando a simplificação fiscal e a redução de sua carga tributária;

7) os compromissos a serem assu-

midos pelo Estado têm como premissa fundamental o interesse público. Resolvem celebrar o presente Acor- do Setorial mediante o disposto nos Termos a seguir estabelecidos, que mutuamente se obrigam a cumprir e observar.

COMPROMISSOS

A) O ESTADO através de seus órgãos,

autarquias e entidades competentes e nos limites dos dispositivos legais aplicáveis,

promoverá as seguintes ações:

A1) Promover a redução da alíquota do ICMS de 25% para 12% in- cidentes sobre operações com jóias (posição 71.13, 71.14 71.16), obedecidos os requisi- tos legais pertinentes;

A2) Promover a redução da alíquota do ICMS de 17% para 12% in- cidentes sobre operações com pedras preciosas bruta ou lapi- dadas, de ouro e prata, em bru- to, refinado e em ligas, obede- cidos os requisitos legais perti- nentes;

A3) Adotar o diferimento do ICMS sobre operações de pedras em bruto ou lapidada, bem como ouro, prata em bruto, refinados ou em ligas e sobre operações

destinadas à industrialização, desde que observadas, pelos beneficiários, as imposições le- gais previstas no Regulamento do ICMS/Ba.;

A4) Instituir o Regime de Substitui- ção Tributária nas operações com jóias consoantes assinatu- ra de Protocolos entre os Esta- dos da Bahia e demais Estados da Federação;

A5) Equiparar à exportação, para fins de incidência de ICMS, com efeito retroativo a 13.05.91 con- siderando a Portaria n.º 07 da Secretaria Nacional de Econo- mia (Departamento de Comér- cio Exterior - DECEX), as ven- das de pedras preciosas e se- mipreciosas, metais preciosos, suas obras e artefatos de joalhe- ria, quando efetuadas no merca- do interno a não residentes no país, em moeda estrangeira, conforme Decreto nº 99.472 de 24.08.90 e legislação subse- qüente que instituiu o DEE - Documento Especial de Expor- tação, incorporado no ano de 1993 ao Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX.

B) O Estado se compromete tam- bém a mobilizar esforços junto ao Go- verno Federal para que sejam viabiliza- dos os pleitos do Setor de Gemas e Jóias, relativos àquela esfera de com- petência e que tenham como impacto a redução da carga tributária e a melhoria da competitividade do setor, com destaque especial para redução do IPI - Imposto sobre Produtos Industria- lizados, dos atuais 20% para 5%.

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

C) As Entidades do setor empresa- rial, PROGEMAS e IBGM se compro- metem:

C1) Promover o aumento da arre- cadação do ICMS pelos seg- mentos, em percentual mínimos

de 10% (dez por cento), aferido

a partir de 360 dias contados da

data da concessão dos benefí- cios estaduais pleiteados, como contrapartida às ações viabiliza- das pelo Estado, neste Acordo Setorial/Protocolo de Intenções, além do incremento de 10% nos níveis de exportação e de 10% na geração de novos empregos pelo Setor. Caso se viabilize a redução do IPI, o aumento da arrecadação será incrementado em 20%;

C2) A engendrar esforços no senti- do de aumentar a legalização do setor, promovendo campa- nhas de incentivo para formali- zação de empresas operando no mercado informal; fornecer suporte técnico-jurídico às em- presas consideradas de fundo de quintal, vendedores autôno- mos (sacoleiras) para formalizar suas atividades.

C3) Promover ações voltadas para

a formação e reciclagem, trei- namento e aperfeiçoamento dos recursos humanos empre- gados no setor;

C4) Estruturar adequadamente o Centro Gemológico da Bahia transformando-o em centro de referência, de modo a participar ativamente no processo de di-

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fusão tecnológica para o desen- volvimento do setor de gemas, jóias, metais preciosos e de ar- tefatos minerais com ganhos de produtividade e qualidade na produção;

C5) Implantar ações e estratégias de promoção comercial, visan- do ampliar as vendas das em- presas baianas no mercado nacional e internacional;

C6) Implantar um programa de de- senvolvimento de design de jói- as em consonância com o Pro- grama Bahia Design, bem como da atividade da industria joalhei- ra em geral;

C7) Implantar em parceria com ór- gãos do governo e outras enti- dades, uma moderna unidade de lapidação no Centro Gemo- lógico da Bahia com o objetivo de beneficiar as gemas produ- zidas na Bahia.

C8) Emitir certificados de autentici- dade e qualidade de pelo me- nos 80% das gemas e artigos de joalheria comercializados na cidade de Salvador, através do Laboratório Gemológico instala- do em parceria firmada entre a COMIN/SICM e PROGEMAS.

D) O acompanhamento e monito- ramento do cumprimento dos termos do presente ACORDO, ficam a cargo da Secretaria da Fazenda e da Coordena- ção de Mineração - COMIN, órgão su- bordinado a Secretaria de Indústria , Comércio e Mineração do Estado da Bahia.

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

E) As partes signatárias deste ACORDO estabelecem, finalmente, que na hipótese de descumprimento assu- midos por parte das empresas do se- tor, poderá haver, a critério do Estado, e ouvidos a Secretaria da Fazenda e a Comissão de Mineração – COMIN/ SICM, a revogação ou suspensão de efeitos das medidas de natureza fiscal constantes deste acordo.

Salvador, dezembro de 2001.

Governo do Estado da Bahia César Borges

Secretaria da Fazenda Albérico Machado Mascarenhas

Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração Aroldo Cedraz

Associação Bahiana dos Produtores e Comerciantes de Gemas, Jóias, Metais Preciosos e Afins. - PROGEMAS Paulo Henrique Leitão Lopes

Instituto Brasileiro de Gemas e Me- tais Preciosos - IBGM Hécliton Santini Henriques

Testemunhas:

Coordenação de Mineração da SICM Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI-Ba. Departamento Nacional de Pesquisa Mineral - DNPM - 7º Distrito

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 2 CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS COM ÊNFASE EM ECONOMIA EMPRESARIAL

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 68
CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 68

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O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política — Paulo
O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política — Paulo

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O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política — Paulo
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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA 72
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Paulo Henrique Leitão Lopes

O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política — Paulo
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O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política — Paulo
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O Setor de Gemas, Jóias e Artefatos da Bahia: em busca de uma política

Paulo Henrique Leitão Lopes

busca de uma política — Paulo Henrique Leitão Lopes DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 2 PROGRAMA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 2 PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL E URBANO MESTRADO

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS 2 PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL E URBANO MESTRADO EM ANÁLISE REGIONAL

CURSOS DE EXTENSÃO 2002

O Pensamento econômico e social de Marx

Carga Horária: 30 horas Prof.: Fernando Pedrão (Livre Docente – UFBA)

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Carga Horária: 32 horas Prof.: Milton Sampaio (Mestre em Administração pela UFBA)

Elementos de Cartografia

Carga horária: 28 horas Prof : Barbara-Christine Nentwig Silva (Doutora em Geografia, Universidade Freiburg - Alemanha)

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273-8557, 273-8528 e 270-8744

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

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Geol. Adalberto de F. Ribeiro (MSc)

1.

INTRODUÇÃO

A menos que se queira correr o ris- co de cometer graves distorções analí- ticas, não há como se discorrer sobre a Mineração na Bahia sem que se esta- beleça, de antemão, algumas premis- sas e conceitos, bem como não se men- cione as questões inerentes às suas interrelações nacionais e internacionais. Inicialmente, devemos compreender que para atender à maior parte das suas necessidades socioculturais, se- não todas, a humanidade dispõe basi- camente de duas matrizes de insumos primários. A primeira refere-se aos pro- dutos de origem animal ou vegetal, tam- bém denominada como “Matriz Renová- vel” e, a segunda, diz respeito às subs- tâncias obtidas a partir dos minerais e rochas, freqüentemente mencionada como “Matriz não-Renovável”. Em conseqüência, devemos admitir que a agropecuária cuida do encadea- mento inicial das atividades socioeco- nômicas decorrentes das operações vin- culadas à Matriz Renovável enquanto que, a Mineração envolve-se com a disponibilização de substâncias e bens relacionados à matriz dita não renovável. Portanto, as atividades econômico-

industriais englobadas pela Mineração voltam-se, essencialmente, para o aten- dimento das demandas sociais por insumos considerados não renováveis na escala do Tempo Histórico ou do período de aproveitamento econômico (Figs. 1 e 2)

Do ponto de vista da sistematização das atividades é aceito, comumente, que a Mineração desenvolve ações que

decorrem desde a descoberta, seleção e avaliação dos depósitos minerais,

também denominadas por fases de ex-

ploração e pesquisa mineral, e vão até as atividades de desenvolvimento da jazida, lavra mineral e o beneficiamento.

Todo este conjunto de atividades é sem- pre referido nas estatísticas, balanços ou acompanhamentos anuais ou con- junturais das economias nacionais, es- taduais ou regionais como indústria

extrativa mineral.

No encadeamento produtivo das sociedades contemporâneas, a indús-

tria extrativa mineral entrega, em geral,

o resultado de suas atividades opera-

cionais à indústria de transformação e

(*) Coordenador de Mineração da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração.

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Fig. 1. Consumo de elementos químicos derivados da indústria extrativa mineral (Fonte: The Open University,
Fig. 1. Consumo de elementos químicos derivados da indústria extrativa mineral (Fonte: The Open University,
1994).

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Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro Fig. 2 – Demanda relativa por substâncias relacionadas
Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro Fig. 2 – Demanda relativa por substâncias relacionadas

Fig. 2 – Demanda relativa por substâncias relacionadas às atividades de mineração. (Fonte: DNPM 1997).

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

também, à indústria da construção ci- vil, a energética e agroindústria além de outras, secundariamente. Desta forma, a Mineração constitui, em geral, a base ou encontra-se asso- ciada à parte inicial de importantes ar- ranjos e cadeias produtivas industriais como a da: siderurgia, metalurgia, cons- trução civil e urbanização, fertilizante e corretivos de solo, energia, química inorgânica e petroquímica, além de ou- tras de menor encadeamento como a do ouro e metais / pedras preciosas (Fig. 3). Quanto ao suporte técnico e cientí- fico, a Mineração utiliza-se de conhe- cimentos que estão sistematizados em disciplinas agrupadas pela Geologia e Engenharia de Minas, principalmente e por especializações como: economia mineral, georreferenciamento, meioam- biente, dentre várias outras. Sinteticamente, este trabalho apre- senta, inicialmente, um resumo das características gerais da indústria extrativa mineral seguindo-se de uma apresentação sobre as atividades minerárias brasileiras para, posterior- mente, discutir sobre a Mineração da Bahia.

2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA INDÚSTRIA EXTRATIVA MINERAL

A atividade de mineração tem pe- culiaridades específicas que necessi- tam serem consideradas em face dos seus possíveis impactos na viabilidade dos projetos. Por isso, as mesmas de- vem sempre ser observadas no proces- so de tomada de decisão a cerca da implantação dos empreendimentos mi- neiros, em geral.

90

Portanto, como se trata de ativida- des empresariais que visam atender à demanda por insumos não renováveis no tempo histórico a indústria mineral requer, inicialmente, que se encontre o depósito da substância mineral dese- jada e posteriormente se realizem es- tudos e pesquisas necessários para transformar esta mesma ocorrência ou depósito em uma jazida mineral. Essa parte inicial do problema vin- cula-se essencialmente às disciplinas abrangidas pela Geologia. Normalmen- te, inicia-se pela seleção em uma dada região, estado, ou país de área ou áre- as potencialmente favoráveis à locali- zação de determinado depósito que, eventualmente poderá vir a se transfor- mar em jazida mineral mercê dos inves- timentos que serão realizados para sua completa avaliação qualitativa e quan- titativa. De imediato deve-se considerar, então, que esta é uma fase de alto ris- co em vista dos seguintes aspectos in- trínsecos. Primeiro, o possível depósi- to é desconhecido e precisa ser desco- berto. Segundo, por se tratar de acu- mulações de substâncias minerais, na- turalmente posicionadas em determina- dos sítios geológicos, os quais foram formados durante os processos evoluti- vos da crosta e do manto da Terra, ten- do características próprias e variáveis como seu tamanho, forma e teores ou composições químicas. Conseqüentemente, não há dois depósitos minerais exatamente iguais. Portanto, as padronizações ou compa- rações devem ser entendidas com mui- ta cautela, pois as mesmas são refe- rências ou aproximações de um mode- lo cuja real veracidade necessita ser comprovada. Por isso, não é raro acon- tecer que a descoberta em si do depó-

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

sito mineral não corresponda automa- ticamente à viabilidade econômica de seu aproveitamento. Comumente, se aceita que entre 7 a 12 anos é o prazo normal para a des- coberta de um novo depósito de mine- rais metálicos em dada região e que, apenas 1% por cento dos possíveis depósitos serão transformados em ja- zidas viáveis. De maneira geral, os investimentos governamentais realizados mundial- mente visam essencial e principalmen- te amenizar os riscos e diminuir a ne- cessidade de investimentos privados nesta fase. As principais referências in- ternacionais dessa estratégia são forne- cidas pelo Canadá e Austrália como grandes investidores na geração do conhecimento básico de geologia e na realização de levantamentos aéreos. O Brasil também, ao longo das três últi- mas décadas vem realizando, todavia em escalas mais modestas, investimen- tos nessas áreas. Cumpre lembrar que, no momento, estão sendo concluídos vários levantamentos por aerogeofísica na Amazônia. Idêntico papel vem sendo executado pelas empresas estaduais, como a Cia. Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM cujos investimentos em pesquisas geo- lógicas e geofísicas visam complemen- tar o esforço do Governo Federal. É certo, portanto, que, ter e disponi- bilizar uma infra-estrutura de dados geológicos para a tomada de decisão empresarial no cenário contemporâneo caracteriza uma vantagem comparati- va e competitiva no âmbito internacio- nal ou entre os estados de uma federa- ção. Por isso é importante considerar sempre que o impacto desta fase de exploração mineral nos investimentos

é alto, podendo comprometer a viabili- dade dos projetos, haja vista a grande probabilidade do insucesso e, portan- to, da impossibilidade de recuperação do capital investido. Em conseqüência, se recomenda que a apropriação dos custos desta fase exploratória seja fei- ta aos fundos de riscos empresariais (ou públicos). Segundo Souza (1995) deve-se sempre preferir essa alternati- va, visto que se “inadvertidamente, a empresa onerar o projeto com os dis- pêndios desta fase exploratória a ren- tabilidade do empreendimento será re- duzida, fato que pode afetar a decisão de investir, mesmo que o projeto seja atrativo frente à estratégia de investi- mento da empresa”. Vencida esta fase de exploração e pesquisa e demonstrada a viabilidade econômica do aproveitamento do depó- sito mineral, segue-se então a etapa de desenvolvimento e implantação do em- preendimento. Nesta etapa de implantação, verifi- ca-se um forte envolvimento do projeto com as disciplinas agrupadas pela En- genharia de Minas. Os investimentos envolvidos nas atividades desta etapa são, em geral, mais altos do que aqueles da fase an- terior, haja vista a continuada deman- da por equipes técnicas capacitadas, bens de capital e sofisticados serviços, além da disponibilização de infra-estru- tura de estradas, energia, habitações, suprimento hídrico, dentre outros. Todavia, os riscos desta etapa são menores, pois os riscos intrínsecos às características próprias do depósito mineral devem ter sido previstos e so- lucionados na etapa anterior. Portanto, em decorrência dessas características, o estudo de viabilidade econômica dos projetos relacionados à

91

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

atividade de mineração deve ter bem presentes os altos riscos envolvidos nas

etapas de exploração/prospecção e pesquisa e o longo prazo de maturação dos investimentos, notadamente quan-

do se referem a depósitos metálicos. Além dessas premissas, convém alertar sobre outros condicionantes tais como:

- a rigidez locacional, pois não se pode transferir a jazida do local em que ela se implantou geologicamente; - a fre- qüente necessidade de adaptações tecnológicas em face da alta variabili- dade das características físico-quími- cas dos depósitos minerais; - a implíci- ta finitude das reservas por se tratar de recursos não renováveis ao longo do tempo histórico ou do tempo de apro- veitamento das jazidas. Alguns autores (Mackenzie, B. W.

1990; Calaes, G. D. 1993; Souza, P. Á. de 1995;) têm procurado mostrar a dis- tribuição dos impactos decorrentes des- sas características gerais nos estudos de viabilidade mediante a apresentação de modelos simplificados de Fluxo de Caixa de um típico projeto de minera- ção (fig. 3). Conforme se pode observar na fi- gura abaixo mencionada, o modelo do Fluxo de Caixa mostra claramente a dis- tribuição das entradas e saídas mone- tárias do projeto ao longo do tempo, ini- ciando-se pela primeira etapa ou fase da exploração e pesquisa, seguida pela etapa do Desenvolvimento e Implanta- ção da Mina e finalizando pelo período operacional. Segundo Souza (1995), não há gran- des diferenças entre a configuração

não há gran- des diferenças entre a configuração Fig. 3 - Modelo Simplificado de Fluxo de

Fig. 3 - Modelo Simplificado de Fluxo de Caixa de um Projeto de Mineração (Mod. CALAES, 1993)

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Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

geral de um Fluxo de Caixa de um pro- jeto mineiro em comparação com aque- les relacionados a outras atividades in- dustriais, pois a primeira etapa de ex- ploração/pesquisa pode corresponder às fases de pesquisa e avaliação da opor- tunidade de mercado de outros projetos industriais, enquanto que as etapas de desenvolvimento e operação dos proje- tos mineiros equivaleriam, por sua vez, às fases de implantação e operação dos outros projetos. Todavia, as diferenças entre os dois fluxos residem nos aspec- tos interpretativos associados às carac- terísticas gerais apresentadas anterior- mente. Por exemplo, a possibilidade de insucesso na primeira etapa é muito ele- vada, impedindo a recuperação do ca- pital investido. Além disso, há que se notar o tempo limitado dos projetos, haja vista tratar-se da produção de insumos não renováveis, dentre outros aspectos.

3. SÍNTESE DA MINERAÇÃO NO BRASIL

A Constituição Federal estabelece que os recursos minerais, inclusive os do subsolo são bens pertencentes à União (Cap. II; Art. 20 / Inciso IX). Por conseguinte, no Parágrafo Primeiro deste mesmo Artigo 20, o constituinte federal estabeleceu, ainda, que “fica assegurada, nos termos da lei, aos Es- tados, ao Distrito Federal e aos Municí- pios, bem como a órgãos da adminis- tração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração” (Fig. 4).

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Desta forma, em face do mandado constitucional, o minerador é um con- cessionário da União, isto é, apenas a partir da outorga da Autorização de Pesquisa e da eventual e conseqüente Portaria de Lavra, é que o empreende- dor mineral pode exercer, legalmente, as atividades minerárias. Mesmo quan- do detentor de Licenciamento para a lavra de determinados minerais, conce- dido pela autoridade municipal compe- tente, este deve ser obrigatoriamente registrado em órgão do Ministério das Minas e Energia, acompanhado da de- vida autorização ambiental. Conseqüentemente, para gerir esse patrimônio da União administrando e ordenando as formas e os meios de sua utilização o Governo Federal tem em sua estrutura administrativa o Departa- mento Nacional da Produção Mineral –

DNPM, autarquia vinculada ao Ministé- rio das Minas e Energia que realiza suas atividades amparado em Decretos-Leis (como o DL 227/76); Leis (como a Lei 9314 /96); Decretos; Portarias; Atos e Instruções. Segundo os dados do DNPM refe- rentes ao ano de 1999, o valor do Pro- duto da Indústria Extrativa Mineral, in- cluindo petróleo e gás natural, alcan- çou naquele ano o montante total esti- mado de U$ 4,8 bilhões, correspon- dendo a 0,9% do PIB, que no mesmo ano foi avaliado em U$ 556,8 bilhões (Fig. 4). Todavia, esse valor da Indústria Extrativa Mineral quando examinado isoladamente não evidencia, adequada- mente, a contribuição do setor mineral para a formação do PIB brasileiro. Caso

a esse valor se some, aquele decorren-

te dos processos da Indústria de Trans- formação Mineral, o montante eleva-se

a U$ 46 bilhões em face da agregação

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA Fig. 4 – Influência dos Bens Minerais

Fig. 4 – Influência dos Bens Minerais na Economia Nacional (Fonte: DNPM,

2000)

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Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

de valor às matérias-primas minerais, representando 8,3% do PIB do ano ora considerado (Fig. 4). Essa observação é altamente perti- nente, pois que não há como se dissociar para fins de avaliação da im- portância econômica do segmento mi- neral, ao menos, as atividades da mi- neração de ferro da siderurgia, nem tampouco cabe separar a lavra de mi- nérios ferrosos e outros metais da pro- dução de ferroligas e da metalurgia. Tem-se, portanto, para a finalidade de avaliação macroeconômica da Industria Extrativa Mineral que considerar tam- bém, o efeito agregador produzido ime- diatamente a jusante pela Indústria de Transformação Mineral sob pena de in- correr-se em uma subavaliação da ca- deia produtiva. Quanto ao comportamento da Balan- ça Comercial Mineral, pode-se verificar, conforme dados do DNPM publicados em 2000, que em uma série histórica entre 1995 – 1999, apenas o ano de 1997 é que ocorreu “déficit”, sendo superavitário todos os demais anos do intervalo considerado. Em 1999, o Bra- sil exportou U$ 10,06 bilhões e impor- tou U$ 9,56 bilhões perfazendo um in- tercâmbio comercial da ordem de U$ 19,6 bilhões de bens de origem mineral. Estes dados ainda mostram que a inserção brasileira no comércio mundi- al através do intercâmbio destes bens de origem mineral é muito ampla, pois, em 1999, o Brasil exportou para 166 países e importou, na pauta mineral, de 117. Os cincos principais importadores foram: EUA, Japão, Argentina e Alema- nha, nessa ordem. Por outro lado, os principais fornecedores de bens mine- rais para o Brasil foram: EUA, Argélia, Argentina, Venezuela e Nigéria. O valor das exportações de bens

minerais representou cerca de 20,8% do total das exportações realizadas pelo Brasil no ano de 1999. Os produtos mi- nerais primários contribuíram com 6,8%, os semimanufaturados com 7,4%, os manufaturados com 6,0% e os compos- tos químicos participaram com 0,6%. Entre os bens primários exportados, o minério de ferro representa 83,6% o qual, somando-se ao Caulim (3,7%), Rochas Ornamentais (3,6%) e Alumínio (3,5%) perfazem 94,4% do total das ex- portações contidas nessa categoria. Quanto a exportação dos semimanufa- turados, destacam-se os derivados do Ferro, Ouro, Nióbio, Níquel e Sílica totalizando cerca de 63% do total expor- tado. Entre os manufaturados merecem destaque os bens derivados do Ferro, Petróleo, Sílica, Argilas, Alumínio e Ro- chas Ornamentais perfazendo 85%. Em relação às importações, o Petró- leo representou 58,7% do gasto com produtos minerais primários seguidos do Carvão Mineral, Potássio e o Cobre. Quanto às demais categorias de bens minerais, os destaques dizem respeito aos bens originados por: - Cobre, Plati- na, Níquel, Prata, e Chumbo que corres- pondem a 81% dos semimanufaturados; - ao Petróleo, Gás, Ferro e ao Alumínio que totalizam cerca 84% dos manufatu- rados; e, aos Fosfatados, Gás, Sal e Titânio que perfazem 78,5% dos com- postos químicos. Segundo ainda os dados publicados pelo DNPM, os investimentos em pes- quisa mineral mostram-se declinantes no período 1997-1999 de U$ 109,2 mi- lhões para cerca de U$ 45 milhões. Certamente, esta tendência é preocu- pante e deve-se buscar uma inversão haja vista que, se mantida por longo tempo, pode ocasionar a interrupção do ciclo de geração de novas jazidas para

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

o abastecimento do parque industrial,

o qual tem uma duração de cerca de dez anos.

4. PANORAMA DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Os registros históricos indicam que as atividades de mineração iniciaram- se na Bahia entre 1703/1726 com as descobertas das primeiras ocorrências de ouro e a instalação das Casas de Fundição em Jacobina e Rio de Con- tas (Ponte Neto & Ribeiro, 1998). Ao longo dos Séc. XVIII e XIX foram identificados novos sítios de produção aurífera no Estado além daquelas aci- ma mencionadas, registrando-se ativida- des de lavras na região de Correntina, no Oeste, e em Gentio do Ouro, locali- zado ao norte,dentre outras. Na segun- da metade do Século XIX foram organi- zadas as primeiras tentativas empresa- riais para lavrar e beneficiar os minérios auríferos da região de Gentio do Ouro e de Jacobina. Concomitantes a essas primeiras la- vras auríferas são encontradas referên- cias às explorações de salitre, matéria- prima necessária à época para produ- ção da pólvora, a qual muito auxiliou a manutenção do domínio colonial na ter- ra recém-descoberta (Teixeira, 1998). No alvorecer do Século XX, as re- giões com ocorrências de talco, cobre, diamante e areias monazíticas foram as- sinaladas no Mapa da Bahia de 1908 prenunciando uma diversificação pre- sente ainda hoje na matriz mineral do Estado. Essas informações, disponíveis no início desse último século, foram sen- do ampliadas com a descoberta de no- vos depósitos minerais.

96

A existência do Petróleo na Bahia

só foi confirmada em 1939, muito em- bora os registros de exsudações ou impregnações naturais de óleo ou be- tume fossem noticiados desde 1859. A

descoberta do óleo no subsolo do Es- tado naquela data criou as condições técnicas necessárias para a implanta- ção da Refinaria de Mataripe que en- trou em operação em 1950 processan- do 2.500 barris por dia.

O ouro da serra de Jacobina, res-

ponsável pelo início da produção mine-

ral Bahia em 1703, confirmou e ampliou esta vocação metalogenética com a ins- talação de minas a céu-aberto e sub- terrânea que chegaram a obter a pro- dução de 1,3 tonelada de ouro no ano de 1996.

A aplicação sistemática de técnicas

e conceitos exploratórios condizentes com o início da década de 70 resultou na descoberta pela Cia. Vale do Rio Doce, em 1977, da atual Mina de Ouro da Fazenda Brasileiro, situada nos mu-

nicípios de Araci/Teofilândia, cuja pro- dução iniciada em 1988 alcançou na década seguinte uma média de 5 tone- ladas/ano.

O minério de chumbo de Boquira,

no alto sertão da Bahia, teve a sua im- portância destacada no cenário local por volta de 1952. As atividades de la- vra mineral da jazida foram iniciadas em 1957, tendo-se exaurido em 1992 com um acumulado de 117.000 toneladas de minério. Em 1919 iniciou-se a produção de cromita da serra de Jacobina a qual foi estendida na década de 70, para a re- gião do vale do rio Jacurici, a leste. Atu- almente, a Bahia produz 45% da pro- dução nacional de cromita que alcan- çou um total de 420 mil toneladas, em 1999. As atividades de mineração e

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

beneficiamento do minério de cromita são realizadas por essa empresa na porção centro-norte do Estado. Poste- riormente, o concentrado assim obtido

é remetido para a fábrica de ferroligas localizada em Pojuca, no Recôncavo. As ocorrências de cobre da fazen-

da Caraíbas, na região norte do Esta- do, foram noticiadas a partir da segun- da metade do Séc. XVI. Todavia, a pri- meira pesquisa apoiada em suporte téc- nico foi concluída em 1945 pelo Depar- tamento Nacional da Produção Mineral

- DNPM que estimou uma reserva de

10 milhões de toneladas de minério. Posteriormente, novas pesquisas efe- tuadas pelo então grupo Pignatari na década de 70 permitiu ampliar estas reservas para 70 milhões de toneladas. A presença destas reservas de mi- nério cupríferos na Bahia, associada à política desencadeada pelo Governo Federal no sentido de substituir as im-

co, Pedras Preciosas, Rochas Orna-

mentais, Petróleo e Gás, e Materiais de Construção.

O salgema produzido na ilha de

Itaparica é lavrado a uma profundidade de 1.250 metros e bombeado por um salmoroduto, com 55km de extensão para a planta industrial, em Candeias, onde é utilizado na fabricação de soda. Pequenos depósitos de manganês espalhados em quinze municípios, prin- cipalmente concentrados na região su- doeste do Estado contribuíram para a

alimentar a planta industrial de produ- ção de ferroligas de manganês sediada na Região Metropolitana de Salvador.

O talco é produzido principalmente

no município de Brumado, conquanto existam ocorrências em outras regiões,

como os depósitos da região do médio rio São Francisco, em Casa Nova, por exemplo. Sempre ligado ao imaginário social

portações de produtos industriais bási- cos levaram o sistema BNDES/Fibase

da fortuna e riqueza fácil, registra-se na Bahia 21 regiões produtoras de pedras

a

financiar e, em seqüência, assumir a

preciosas destacando-se nesse rol a

implantação do Projeto Cobre na Ba- hia, envolvendo atividades de minera- ção e concentração no município de

produção de esmeraldas dos garimpos de Carnaíba e Socotó, em Pindobaçu e Campo Formoso, e ainda o garimpo de

Jaguarari - a Mineração Caraíba, e uni- dade refinadora e metalúrgica – a Caraíba Metais, em Camaçari, na Re- gião Metropolitana de Salvador. As imensas reservas de magnesita, localizadas na serra das Éguas, em Brumado, tiveram o seu aproveitamen-

serra dos Pombos, em Anagé, como os mais importantes. Além dessas pedras preciosas tem-se ainda, a produção das gemas elencadas a seguir: ametistas na região Sudoeste, municípios de Licínio de Almeida/Caetité/Cordeiros/ Condeú- ba e do médio São Francisco em Sento

to

industrial iniciado no final da década

Sé. Os garimpos de turmalina e água-

de

40. As operações de lavra, britagem,

marinha da região de Itambé/Encruzi-

e

calcinação para a produção de

lhada e extremo sul.

magnesita e derivados resultaram, em 1999, em um volume de cerca de 26 mil toneladas. As atividades de mineração da Ba- hia são complementadas ainda pela extração de Salgema, Manganês, Tal-

As lavras de Diamante, iniciadas na

primeira metade do Século XIX desen- cadearam um dos mais importantes ci- clos econômicos e sócioculturais da História da Bahia, cujas reminiscênci- as podem, ainda hoje, ser observadas

97

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

através do patrimônio arquitetônico das cidades de Lençóis, Mucugê e Andaraí, localizadas na região fisiográfica da Chapada Diamantina, na parte central do Estado. Pode-se considerar que, mesmo sem a dimensão econômica do passa- do, esta atividade de lavra diamantífera permaneceu na pauta da produção mi-

neral por muitos anos. Em 1988, regis- trou-se a comercialização de 12.130 quilates e, em 1995, a pauta de exporta- ção do Estado indicou um valor de U$ 964 mil pela venda internacional de dia- mantes (Teixeira, 1994). Todavia, a par- tir de 1996, as atividades produtivas de diamante foram paralisadas em razão das oportunas medidas preservacionis- tas adotadas pelo Governo do Estado no âmbito da Chapada Diamantina. As rochas ornamentais constituem

o mais recente segmento da mineração da Bahia. As lavras mais antigas foram iniciadas na década de 50 ou 60 envol- vendo o aproveitamento de rochas, re- feridas comercialmente como mármo- res e granitos, sem que isso tenha, às vezes, muito haver com a precisão de uma classificação técnica. Dadas as características e condicio- nantes geológicas do território do Esta- do, a Bahia produz alguns tipos de már- more, como o denominado Bege de grande aceitação no mercado nacional,

e alguns granitos e quartzitos de colo-

ração azulada, os quais são considera-

dos como rochas de maior valor do mercado, tendo uma grande aceitação internacional. A produção de materiais de cons- trução é extremamente disseminada em todo o Estado, embora mostre uma maior densidade na Região Metropoli- tana de Salvador – RMS e o seu entor- no imediato. Essa atividade foi desen-

volvida, em 1999, por 146 empresas que produziram argilas e seus deriva- dos, areia, brita e agregados para aten- der à demanda local das obras públi- cas e privadas. Além da extração e beneficiamento das substâncias minerais até aqui men- cionadas, a pauta mineral da Bahia in- clui ainda a produção de barita, grafita, calcário e quartzo, dentre outras.

4.1 O VALOR DA PRODUÇÃO MINERAL DA BAHIA

Certamente, esta diversificada pau- ta de substâncias minerais, que em 1999 registrou a produção de 34 itens distintos, mostra-se também distribuí- da por todas as regiões do Estado, ten- do sido registradas, nesse mesmo ano, atividades de mineração em 108 muni- cípios (Fig.5). Embora o valor da Produção Mine- ral da Bahia seja ínfimo, se comparado com o valor do PIB do Estado, não se pode menosprezar a sua importância em face de sua inserção na base da cadeia produtiva industrial do Estado. Sem dúvida, a mineração posiciona- se como uma das bases do importante segmento econômico do Estado identi- ficado como a Indústria de Transforma- ção agregando-se ao início da cadeia produtiva dos segmentos dos Minerais Não-Metálicos, Química e Petroquími- ca, Metalurgia e Construção Civil. Assim, os produtos minerais da Bahia fazem parte da cadeia produtiva da indústria local ou são encaminhados aos mercados nacional ou internacio- nal, a fim de serem igualmente, incor- porados às cadeias produtivas respec- tivas.

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Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro Fig. 5 – Distribuição Percentual da Produção Mineral
Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro Fig. 5 – Distribuição Percentual da Produção Mineral

Fig. 5 – Distribuição Percentual da Produção Mineral da Bahia (Fonte: SICM/ Comin, 2000).

Portanto, o valor da Produção Mi- neral da Bahia da ordem de U$ 300

milhões ano, (média aritmética de 1998

e 1999) exclusive petróleo e gás, deve

ser entendido como um valor relativo aos produtos primários a serem incor- porados à cadeia produtiva de segmen- tos específicos da Indústria de Trans- formação. Por conseguinte, os dados os mais recentes disponíveis devem ser anali- sados, tendo em mente essas premis-

sas. Isto é, o quadro mostra o valor da Produção Mineral Baiana Comercia- lizada - PMBC, tendo como referência produtos não transformados e exclusive

o petróleo e gás, mas que fazem parte

da base de segmentos da Indústria de Transformação. Esses dados mostram que, com exceção do Cobre que teve uma que- da inferior a 1 por cento no preço, to- dos os demais produtos experimenta-

ram expressivas retrações de preço e volume ao se comparar os anos de 1999 e 1998. Provavelmente, essa situação deve mudar no próximo balanço comparativo, pois em recentes declarações à impren- sa, a Federação das Indústrias do Esta- do da Bahia - Fieb informou que no Es- tado “as vendas cresceram cerca de 10 por cento em termos reais no compara- tivo de 2000 com o ano anterior” tendo “a extrativa mineral um crescimento real de 43 por cento nas vendas” (Correio da Bahia; Tribuna da Bahia; Gazeta da Ba- hia, A Tarde de 25.01.01). Não obstante, o valor global da Pro- dução Mineral da Bahia de 1999 foi de 274 milhões de dólares, tendo a seguin- te composição, por ordem decrescen- te de participação percentual: Concen- trado de Cobre (18 %); Materiais de Construção (16 %); Ouro (15 % ); Magnesita e Derivados (9 % ): Rochas

99

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Ornamentais (7%); Água Mineral (5%); Cromita (5%); Talco (2% ); Salgema (2%); Demais Minerais (21%) (Figura 5). Sinteticamente, pode-se comentar que o desempenho relativo à queda de volume da produção do Concentrado de Cobre deve-se ao fechamento das ope- rações da mina a céu-aberto, em Jagua- rari, enquanto que pequena queda de valor é atribuída à recuperação dos pre- ços desta “commodity” em escala mun- dial. Segundo as declarações da Fieb acima referidas, esse comportamento de recuperação dos preços internacio- nais do cobre manteve-se no exercício de 2000. Os materiais de construção, que devem ser considerados como o seg- mento social da Mineração, pularam no ano de 1999 para a segunda posição no “ranking” dos segmentos minerais da Bahia devido à queda verificada no vo- lume e valor da produção aurífera. Tra- ta-se de um segmento típico da peque- na e média mineração do Estado, for- temente disseminado em todas as re- giões, mas especialmente concentrado na RMS, por razões óbvias. Normal- mente, abrange a produção e comer- cialização de blocos estruturais, telhas, lajotas, britas, areias e agregados que totalizaram cerca de 45 milhões de dó- lares no ano em referência. O comportamento do ouro, sendo extremamente sensível em relação às decisões da política monetária dos pa- íses centrais, dentre outras vulnera- bilidades, experimentou uma pequena melhora no último trimestre de 1999, quando os “Bancos Centrais das eco- nomias mais fortes da Europa decidi- ram limitar a venda de suas reservas em 2.000 toneladas nos próximos 5 anos”. Entretanto, os reflexos dessa decisão foram muito limitados na Ba-

hia, haja vista o fechamento da mina de ouro da serra de Jacobina que res- pondia por cerca de 25% por cento da produção aurífera do Estado. Ainda assim, a CVRD logrou produ-

zir em 1999, na sua mina de Teofilândia/ Araci, cerca de 4,5 toneladas de lingotes de ouro que corresponderam a um valor da ordem de 40 milhões de dólares.

A magnesita e derivados, que são

colocados no mercado a partir de em- presas sediadas em Brumado, foram fortemente impactadas pela crise asiá-

tica e pela forte oferta de produtos si- milares desencadeada pela China no mercado internacional, notadamente na Polônia e EUA. No ano de 1999, o segmento das Rochas Ornamentais do Estado totali- zou uma comercialização da ordem de 75 mil toneladas de mármores e grani- tos correspondentes a cerca de U$19 milhões de dólares. No período em análise, verifica-se que a produção de água mineral apre- sentou pequenos crescimentos tanto em valor quanto no volume comercia- lizado perfazendo totais de 14 milhões de dólares e 90 milhões de litros, res- pectivamente. Possivelmente, este comportamento deverá ser mantido no exercício de 2000, pois, conforme o pre- sidente da Associação Brasileira da In- dústria de Águas Minerais – Abinam, o setor vem crescendo a índices constan- tes de 15 por cento ao ano, tendo a Bahia uma participação de 4,1 por cen- to no mercado nacional (Correio da Bahia 02.02.01).

A produção de cromita é realizada

principalmente pela Ferbasa que detém mais de 90 por cento do total produzi- do no Estado. A partir da última mudan- ça cambial as empresas produtoras de cromo e suas ferroligas voltaram a en-

100

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

contrar melhor competitividade dos seus produtos no mercado permitindo fechar

o ano de 1999, com uma comercializa-

ção de cerca de 251 mil toneladas com

um valor de 13 milhões de dólares.

O talco e o salgema totalizaram,

igualmente, um valor da ordem de 6,3

milhões de dólares, em 1999 e volumes de 44,3 e 712,5 mil toneladas, respec- tivamente.

O grupamento dos demais minerais

é formado, essencialmente, por Mine-

rais e Rochas Industriais – MRI, tais

como argila para cimento, calcário, feldspato, manganês, por exemplo, en- volveram um valor da ordem de U$ 58 milhões.

4.2 PERSPECTIVAS DE NOVOS PROJETOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO MINERAL

Em razão dos investimentos reali- zados em exploração mineral, especi- almente pelo Governo do Estado atra- vés da Cia. Baiana de Pesquisa Mine- ral – CBPM encontra-se disponível uma carteira de possíveis novos projetos de mineração e de transformação indus- trial dessas matérias-primas. Algumas dessas oportunidades de negócios têm sua viabilidade na depen- dência de condicionantes externas, tais como mercado internacional adverso, carência de infra-estrutura ou logística, processos tecnológicos, dentre outros. Todavia, independentemente des- sas circunstâncias limitantes, deve-se mencionar em vista de sua potenciali- dade em tornar-se base de novas ca- deias produtiva os seguintes projetos:

Pólo Cerâmico – a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração – SICM incluiu, como uma de suas pri-

101

oridades políticas, a atração de empre- sas do ramo cerâmico de revestimento para implantação na Bahia, em face da disponibilidade de mais de 180 milhões de toneladas de argilas disponíveis no

entorno imediato das Regiões Metropoli- tana de Salvador – RMS e de Alagoinhas, as quais foram pré-qualificadas para di- versos usos na indústria cerâmica. Certamente, a criação no Estado de

um importante parque da indústria cerâ- mica que contemple o abastecimento do mercado local, o da Região Nordeste e parcelas do internacional, vai proporci- onar impactos a montante da matriz mi- neral do Estado, devido à absorção de outros insumos necessários como feldspato, quartzo, talco além da argila. Industrialização do Zinco – Dois depósitos de minérios de zinco estão disponíveis no Estado para viabilizar a implantação de unidades industriais neste segmento mínero-metalúrgico. O primeiro localiza-se na denominada bacia geológica de Irecê associado às rochas carbonáticas do Grupo Bambuí, enquanto que o segundo situa-se no chamado “Greenstone Belt do Mundo Novo”, localizado na proximidade orien- tal da serra de Jacobina, associado a seqüências vulcanossedimentares. No momento, as reservas quantificadas apontam para seis milhões de tonela- das no segundo depósito. Os dados técnicos desses depósi- tos estão disponíveis na CBPM e freqüentemente são apresentados em encontros nacionais e internacionais, notadamente, no Canadá e nos EUA devendo ser, brevemente, ofertados em licitação internacional. Industrialização do Titânio – Na região noroeste do Estado, no municí- pio de Campo Alegre de Lourdes, si- tua-se o depósito de minério de titânio

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

(ilmenita) com reservas da ordem de

120 milhões de toneladas associadas

a rochas máfico-ultramáficas. A condi-

ção da infra-estrutura regional vem, gradativamente, melhorando e, por con- seqüência, alterando as condições de viabilidade do projeto. Industrialização do Vanádio – Um depósito de magnetita-vanadífera situ- ado em Maracás a cerca de 300 km de Salvador encontra-se, do ponto de vis- ta geológico e dos ensaios tecnológi- cos, em condições adequadas para embasar a implantação de um projeto

industrial para a recuperação de V2O5. Entretanto, no momento, a principal li- mitação para a viabilidade de sua im- plantação tem origem no mercado in- ternacional de vanádio. Implantação de Indústria de Vi- dros – Tem como base a disponibilida- de de uma jazida de areia silicosa de alta pureza, localizada a 16km a leste da BR-101, no município de Belmonte.

O depósito tem um volume de cerca de

100 milhões de toneladas com um con-

teúdo médio de sílica de 99,74 por cen- to. A composição química desta areia quando comparada com as especifica- ções necessárias para a indústria de vidro evidencia o total enquadramento dessa substância mineral nos requisi- tos da indústria de vidros planos. Implantação de indústrias de Ci- mento – O estado da Bahia dispõe atualmente de duas fábricas de cimen- to, enquanto Minas Gerais tem uma quantidade muito maior. O consumo de cimento no Estado alcançou, em 2000 cerca de 2,7 milhões de toneladas, e as fábricas instaladas na Bahia produ- zem menos de 30 por cento das neces- sidades do mercado local. Ao lado des- sa situação de mercado, encontra-se uma farta disponibilidade de calcário

calcítico disponível em várias regiões do Estado possibilitando atrair algumas indústrias moduladas, com capacidade de produção da ordem de 400 a 500 mil toneladas/ano. Implantação do pólo da Gipsita – Está baseado na existência de depósi- tos sedimentares dessa substância mi- neral, com reservas superiores a 300 milhões de toneladas, localizados no baixo sul da Bahia, no povoado de Bar-

celos em Camamu. Esta gipsita, como produto “in natura” apenas britado, vin- cula-se à cadeia produtiva da indústria do cimento. Todavia, pode também ser

a base da cadeia produtiva do Gesso

após a calcinação e, vincular-se tanto

a indústria da construção civil na forma

de blocos, placas de forro e painéis, divisórias, etc. quanto ao ramo farma- cêutico, odontológico e medicinal. Implantação de indústrias de Ro- chas Ornamentais – Em razão dos condicionantes geológicos, o território do Estado dispõe de uma extensa vari- edade de rochas, passíveis de serem utilizadas em revestimentos verticais e horizontais (pisos) pela construção ci- vil, bem como de serem aplicadas em uma infinidade de serviços de marmora- ria. Entre esses tipos litológicos, estão rochas azuis consideradas as mais valoradas do mercado internacional, além de outras rochas de franco con- sumo nacional como o “mármore” Bege Bahia. Não obstante a maior parte da pro- dução de rocha ornamental do Estado ser encaminhada ao mercado nacional e in- ternacional como bloco, urge a necessi- dade de ampliar o parque de produção de chapas, hoje restrito a 50 teares. Cabe, pois, desencadear um pro- cesso de atração de empresas ou de verticalização das instaladas median-

102

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

te a adoção de políticas públicas que envolvam aspectos tecnológicos para

a lavra, beneficiamento, certificação e

comercialização, bem como apoios de natureza infra-estrutural, tributários e financeiros. Aproveitamento dos Minerais Pe- sados (ilmenita/rutilo/amazonita) – refere-se à explotação sustentada am- bientalmente das jazidas situadas nos cordões litorâneos do baixo sul da Ba- hia, as quais podem ser lavrados rapi- damente, de forma ambientalmente res- ponsável, para atender a industria de pigmentos.

5. AS POSSIBILIDADES DE INSERÇÃO DA MINERA- ÇÃO NOS PRINCIPAIS EIXOS DE DESENVOLVI- MENTO DA BAHIA.

Comumente admite-se que a Bahia rompeu o estágio de estagnação

agroexportador baseado nas culturas da cana-de-açúcar, do fumo e do ca- cau, cujas raízes remete às experiên- cias produtivas da época colonial, a partir de três ciclos de desenvolvimen-

to industrial desencadeados no meado

do Século XX.

O primeiro destes ciclos, na visão

do Plano Plurianual (PPA) 2000/2003 – Bahia de Todos os Tempos foi posto em

marcha na década de 50, a partir da descoberta, exploração e refino do pe- tróleo, no Recôncavo Baiano. Ainda

segundo esse mesmo plano, o segun- do ciclo industrial deu-se nos anos 70 com a implantação da indústria petro- química em Camaçari.

O terceiro ciclo de desenvolvimen-

to industrial, iniciado em 1991, encon-

tra-se em pleno curso e tem como de-

safios principais: - o da educação, quali- ficação e a produção, uso e dissemina- ção do conhecimento científico e tecnoló- gico; - a transformação do Estado em um importante centro produtor de bens de consumo baseado em políticas de atra- ção de investimentos e a desconcen- tração industrial, visando interiorizar os pólos de desenvolvimento. Como resultados iniciais da imple- mentação desse último ciclo deve-se assinalar: – a implantação do Pólo Calçadista espalhado em 25 municípi- os e com investimentos superiores a R$ 250 milhões; – o Pólo de Informática sediado em Ilhéus que responde, atu- almente, pela produção de 10 por cen- to da produção nacional de computa- dores; - a implantação pela Ford, da sua nova unidade industrial em Camaçari; - a expansão da fronteira agrícola desta- cando-se os pólos agroindustriais do Baixo Médio Rio São Francisco e do Oeste da Bahia; - o aumento do fluxo turístico mediante os investimentos em infra-estrutura, hotelaria, serviços e pre- servação do patrimônio histórico, artís- tico e cultural; - concretização de im- portantes projetos privados na geração de energia, implantação de linhas de distribuição elétrica e de redes de tele- comunicações, além da implantação de

indústrias de celulose (Veracel) e quí- mica (Monsanto). No estágio atual do desenvolvimen- to econômico do Estado, o seu PIB está estimado em cerca de R$ 41 bilhões. Isso representa 33 por cento do Pib do Nordeste e 4,6 por cento do PIB nacio- nal. Nos últimos oito anos, a indústria de transformação do Estado cresceu em 44,8 por cento enquanto que , a in-

dústria nacional cresceu 12,8 por cen- to no mesmo período (PPA - 2000 / 2003 Bahia de Todos os Tempos).

103

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Na área social os esforços gover- namentais estão direcionados no perío-

o direcionamento político desse tercei-

cipalmente, nas culturas produtivas tradicionais e adotou o conceito dos ei-

xos de desenvolvimento que prioriza

o agrupamento ou a espacialização re-

gional em torno dos grandes corredo-

do 2000 – 2003 para: educação; univer-

salização do acesso à informação e ao conhecimento; na saúde; no saneamen- to básico e nos programas de inclusão social (PPA-2000/2003 Bahia de Todos os Tempos). De acordo com o Plano Plurianual,

ro ciclo de desenvolvimento econômi- co e social da Bahia está embasado em quatro estratégias:

res de circulação da produção e dos flu- xos dos recursos propulsores do desen- volvimento. Com base nessa conceituação a Bahia foi dividida em oito eixos de de- senvolvimento, a seguir menciona- dos:

Um salto de qualidade na vida

dos baianos que visa a eleva- ção da qualidade de vida, com a justa distribuição dos resulta-

versificar: uma estratégia de

Eixo do São Francisco – ca- racteriza-se pela produção de frutas e grãos, principalmente soja, milho, feijão e, mais recen- temente, o café. A área irrigada

dos do desenvolvimento econô-

e

a agroindústria encontram-se

mico. Crescer, desconcentrar e di-

desenvolvimento equilibrado que objetiva reduzir as desigual- dades regionais a partir da cria- ção dos pólos de interiorização do desenvolvimento; Promover a expansão das ba-

em franca expansão na região aglutinada por este eixo que detém 12 por cento da popula- ção do Estado e 6 por cento da renda. Compreende as regiões de Oeste, do Médio e do Baixo Médio São Francisco e a região de Irecê. Eixo Chapada – situa-se na

vendo as regiões do piemonte e

ses produtivas mediante a di- versificação e interiorização dos

parte central do Estado envol-

investimentos agregando ao

a

própria Chapada Diamantina

perfil industrial de produtor de

e,

ainda, a região do Paraguaçu,

bens intermediários o de produ- tor de bens de consumo e de serviços; Aprofundar e consolidar a modernização do Estado im- plementando a reforma da má- quina administrativa no sentido do enxugamento e redefinição das atribuições e do equilíbrio das contas públicas. Para a efetiva aplicação espacial destas estratégias, o planejamento re- gional do Estado redefiniu a antiga divisão geoeconômicas baseada, prin-

excluindo-se o entorno de Feira de Santana. A população regi- onal envolvida por este eixo re- presenta 13 por cento da esta- dual, mas a sua participação na renda do Estado é de apenas 2,6 por cento. As principais ati- vidades econômicas estão rela- cionadas com o turismo, cafei- cultura, horticultura e secunda- riamente, a apicultura, a floricul- tura, fruticultura, mineração de minerais metálicos e não metá- licos e pedras preciosas.

104

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

Eixo Extremo Sul – estende-se desde os limites com o Espírito Santo, ao sul, até a tradicional região cacaueira, ao norte. En- contra-se na região balizada por este eixo 5 por cento da popula-

 

tuados principalmente nas pra- ças de Itabuna e Ilhéus. O es- coamento da produção regional é feito principalmente pela BR- 101 e o porto do Malhado em Ilhéus.

ção do Estado com uma partici- pação de 4 por cento na produ- ção. Trata-se de uma região de recente ingresso no processo do desenvolvimento econômico a partir da implantação das indús- trias de papel e celulose. Além disso, as atividades da pecuá- ria e da policultura de mamão, cacau, café robusta, coco, aba- caxi, melancia e mandioca com- plementam o quadro econômi-

Eixo Metropolitano – Mostra-se centralizado pela capital do Es- tado, podendo ser caracteriza- do como a região de maior peso no mercado local dada a con- centração industrial e financei- ra, da ordem de 63 por cento da produção estadual e de 21,5 por cento da população estadual. As atividades econômicas mais im- portantes estão relacionadas com as indústrias a seguir: quí-

co regional. A BR – 101 é o prin- cipal eixo de escoamento da produção regional. Eixo Mata Atlântica – polariza

mica e petroquímica; metalurgia; plásticos; fertilizantes e, além disso, é onde se encontra a im- plantação do pólo automotivo da

 

a

tradicional região cacaueira

Ford, bem como o movimenta-

estendendo-se entre as mar- gens do rio Jequitinhonha, ao sul, até a bacia do rio de Con-

 

do comércio, a variada presta- ção de serviços associados ao circuito cultural, a movimenta-

tas, ao norte. Concentra 9,5 por cento da população do Estado

ção aeroportuária e a conexão das redes eletrônicas. A BR-

e 7 por cento da sua produção.

324, os portos e o aeroporto in-

A cultura do cacau e da pecuá-

ternacional e os vários call cen-

ria, associadas ao cultivo do cra-

ters constituem o complexo de

vo-da-índia, guaraná, seringuei- ra, coco, pimenta-do-reino, dendê, cítricos, mandioca e café constituem o quadro das ativida- des primárias da região. Além disso, destacam-se as indústri- as do vestuário, dos derivados de cacau e o Pólo de Infor- mática. Em relação ao Setor

vias por onde se deslocam os fluxos produtivos e as informa- ções relacionadas. Eixo Grande Recôncavo – de- tém 9,8 por cento do Pib esta- dual, 16,6 por cento da popula- ção e a cidade de Feira de Santana é o principal centro ur- bano. A pecuária é ainda uma

Terciário, verifica-se o surgimen- to das atividades turísticas em torno do litoral e do ecoturismo

importante atividade econômica regional associada à produção de laranja e fumo. Todavia, a

e

o forte movimento comercial e

atividade industrial vem- se de-

de prestação de serviços, efe-

 

senvolvendo mediante a implan-

105

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

tação de empresas de bebidas,

e dos setores metalmecânico,

pneumáticos e calçados. Carac- teriza-se também por sediar um

grande entroncamento rodoviá- rio para onde convergem todos os eixos rodoviários que cruzam

o Estado com destino ao Nor-

deste e ao Oeste ou se destinam

 

Região Metropolitana através do corredor da BR-324.

à

Eixo do Planalto – abrange as regiões do Sudoeste e da Serra

Geral tendo a cidade de Vitória da Conquista como o principal centro urbano regional. A popu- lação envolvida representa 13,4% da população do Estado

e

5% da produção estadual.

Cerca de 30 por cento da pro- dução cafeeira do Estado é ob- tida nesta região que associada com pecuária e algodão consti- tuem as principais atividades primárias. Indústrias calçadistas foram implantas em Jequié e Itapetinga obedecendo a estra- tégia da diversificação e interiori- zação industrial. A BR-116 é o principal eixo de escoamento da produção.

Eixo Nordeste – concentra 9% da população e 2,6% da produ- ção estadual. A pecuária bovi- na e de caprinos é a atividade econômica principal da região, associada a produção de grãos que começa a despontar. A BR- 101 é a principal via de escoa- mento dos produtos e de liga- ção rodoviária com o sul e o norte.

Uma vez identificados os eixos de desenvolvimento do Estado da Bahia,

há de se questionar, quais as possibili-

dades de contribuição ou de inserção do setor mineral neste processo. Em primeiro lugar, convém recordar que a mineração ancorou os dois pri- meiros ciclos de desenvolvimento in- dustrial mediante o aporte dos neces-

sários recursos de petróleo e gás, con- forme observado no início desta seção.

Atualmente, nesse processo de de- senvolvimento tipificado como o do ter- ceiro ciclo pode-se identificar que o segmento da mineração mostra possi- bilidades de vinculações de natureza estratégica, bem como de natureza operacional. Do ponto de vista estratégico, o se- tor mineral constitui-se em uma das al-

ternativas válidas para a implementação das diretrizes voltadas para o cresci- mento, a desconcentração e diversi- ficação industrial relacionadas ao obje- tivo do desenvolvimento equilibrado. Da mesma forma, o objetivo estra- tégico da promoção e da expansão das bases produtivas, mediante a di- versificação e interiorização dos inves- timentos, encontra no setor mineral possibilidades concretas de sua reali- zação. Essas estreitas vinculações estra- tégicas do segmento da mineração com a terceira fase do processo de desen- volvimento econômico da Bahia decor- rem, especialmente, das características próprias e específicas da mineração. Não resta dúvida que a disponibili- dade de reservas de substâncias mi- nerais é um dos fatores necessários para a implantação de empreendimen- tos geradores de crescimento, descon- centração e diversificação da matriz industrial, conforme muito bem de- monstrado pelos registros históricos dos ciclos anteriores.

106

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

A utilização dos recursos minerais como uma das poucas alternativas pos- síveis para realização dos objetivos estratégicos da promoção e da expan- são das bases produtivas, mediante a diversificação e interiorização dos in- vestimentos, é também extremamente válida, pois a realização das atividades de lavra e beneficiamento tem que ser concretizadas no mesmo sítio de loca- lização das jazidas, dada a rigidez locacional das mesmas. Conseqüentemente, admitindo-se pelas razões acima expostas, que a inserção do segmento mineral no ter-

ceiro ciclo de desenvolvimento indus- trial é plenamente factível do ponto de vista estratégico, resta discutir ou ali- nhar as possibilidades deste envolvi-

mento a partir dos eixos de desenvol-

vimento delineados para o Estado da Bahia. Neste sentido e conforme as infor- mações disponíveis, a relação entre os eixos de desenvolvimento e o segmen- to da mineração pode ser concretiza- da através da execução de vários pro- jetos ou investimentos públicos ou pri- vados sintetizados nas tabelas apre- sentadas a seguir.

Tabela n o 2A Possibilidades de Participação do Segmento Mineral nos Eixos de Desenvolvimento do Estado da Bahia.

EIXOS DE

 

DESENVOLVIMENTO

 

POSSÍVEIS PROJETOS DA ÁREA MINERAL

DA BAHIA

 

Eixo São Francisco

1. Produção de corretivo de solos;

 
 

2. Produção de cimento no oeste da Bahia;

 
 

3. Viabilidade da metalurgia do magnésio;

 
 

4. Lavra e beneficiamento dos depósitos de Cobre;

 
 

5. Lavra e beneficiamento de manganês no Oeste da Bahia:

 
 

6. Pesquisa geológica das ocorrências auríferas de Cariparé Riachão das Neves.

 

7. Lavra, beneficiamento dos depósitos de talco e magnesita da região de Sento Sé.

 

8. Infra-estrutura viária e energética para a produção de ametista de Sento Sé

 

10. Formação de lapidários e artesãos minerais.

 
 

11. Avaliação do potencial de rochas ornamentais no Espinhaço Norte e Borda da Chapada;

 

12. Implantação do Pólo Cerâmico do Oeste;

 
 

13. Industrialização de fertilizantes e corretivos.

 
 

14. Produção de zinco e chumbo;

 
 

15. A utilização siderúrgica do minério de ferro de Campo Largo Sento Sé;

-

 

16.

Lavra, beneficiamento e metalurgia do Titânio;

107

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Tabela 2B Possibilidades de Participação do Segmento Mineral nos Eixos de Desenvolvimento do Estado da Bahia.

EIXOS DE DESENVOLVIMENTO DA BAHIA

POSSÍVEIS PROJETOS DA ÁREA MINERAL

Eixo Chapada

1. Lavra e Beneficiamento de Rochas Ornamentais.

 

2. Artesanato e Lapidação de Minerais e Rochas.

 

3. Lavra, Beneficiamento e Metalurgia de Minerais Metálicos (Zn; Cr; e Ouro)

 

4. Avaliação e Caracterização Tecnológica de Argilas.

 

5. Lavra e Beneficiamento de Corretivos de Solo e Fertilizantes.

 

6. Produção Industrial da Cal e do Cimento.

 

7. Implantação de Centrais de Beneficiamento de Rochas e Minerais Industriais.

 

8. Pesquisa Geológica e Desenvolvimento de Minas de Diamante (fora do Parque da Chapada)

Tabela 2C Possibilidades de Participação do Segmento Mineral nos Eixos de Desen- volvimento do Estado da Bahia.

EIXOS DE DESENVOLVIMENTO DA BAHIA

POSSÍVEIS PROJETOS DA ÁREA MINERAL

Eixo Extremo Sul

1. Lavra e beneficiamento de Rochas Ornamentais

 

2. Lavra e lapidação de Pedras Preciosas

 

3. Lavra e beneficiamento de minérios para produção de vidro e outras cerâmicas.

 

4. Lavra e beneficiamento de Minerais Pesados;

 

5. Desenvolvimento de campos de petróleo e gás

108

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

Tabela 2D Possibilidades de Participação do Segmento Mineral nos Eixos de Desenvolvimento do Estado da Bahia.

EIXOS DE DESENVOLVIMENTO DA BAHIA

POSSÍVEIS PROJETOS DA ÁREA MINERAL

Eixo Mata Atlântica

1. Lavra e beneficiamento de Rochas Ornamentais

 

2. Implantação do Pólo Industrial do Vidro e outras Cerâmicas.

 

3. Caracterização tecnológica de argilas.

Eixo Metropolitano

1. Industrialização de Rochas Ornamentais

 

2. Implantação de Indústrias Cerâmicas

 

3. Engarrafamento de Água Mineral

 

4. Ampliação do parque metalúrgico e químico inorgânico;

 

5. Ampliação do refino e distribuição de P&G;

 

6. Importação & Exportação de produtos minerais;

Eixo Grande Recôncavo

1. Lavra e beneficiamento de Rochas Ornamentais.

 

2. Avaliação e caracterização tecnológica de outros minerais e rochas industriais.

 

3. Implantação de indústrias cerâmicas;

 

4. Lavra e Beneficiamento de Minerais Pesados;

 

5. Implantação do Pólo Industrial do Gesso.

 

6. Artesanato Mineral.

 

7. Lavra e Desenvolvimento de campos de Petróleo & Gás.

109

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Tabela 2E Possibilidades de Participação do Segmento Mineral nos Eixos de Desenvolvimento do Estado da Bahia.

Eixo Planalto

1. Lavra e beneficiamento de Rochas Ornamentais.

 

2. Lapidação e Artesanato de Pedras Preciosas.

 

3. Lavra e Beneficiamento de minerais de Urânio.

 

4. Lavra e Beneficiamento de Minério de Vanádio.

 

5. Implantação de indústrias de Cimento, Cal e Corretivos de solo;

 

6. Implantação de Central de Beneficiamento de outros minerais industriais.

 

7. Caracterização Tecnológica de Argilas e Implantação de Cerâmicas.

 

8. Lavra e beneficiamento de Minérios de Manganês.

 

9. Lavra, beneficiamento e desenvolvimento da matriz industrial do Talco e Magnesita.

 

10. Pesquisa e desenvolvimento de depósitos de Ouro e Metais Básicos.

 

11.

Pesquisa e desenvolvimento de depósitos de Níquel.

Eixo Nordeste

1. Lavra e beneficiamento de Rochas Ornamentais.

 

2. Avaliação e caracterização tecnológica de substâncias minerais para indústria cerâmica.

 

3. Pesquisa e engarrafamento de água mineral.

 

4. Implantação do pólo industrial da Cal e do Cimento.

 

5. Revigoramento dos campos de Petróleo & Gás.

 

6. Pesquisa, Lavra e Beneficiamento de Minério de Ouro.

6. CONCLUSÕES

Conforme se pode concluir a partir do exame das tabelas anteriores, pra- ticamente em todos os eixos de desen- volvimentos do Estado da Bahia a par- ticipação do setor da mineração pode ser expressiva. No total, foram elenca- das 62 oportunidades de inserção do setor mineral junto aos eixos de desen- volvimento do terceiro ciclo da econo- mia baiana.

É certo que a quantidade de informa- ções disponíveis em torno dessas opor- tunidades não é uniforme. Muitas delas detêm um volume de informações de

pesquisa/lavra/beneficiamento/tecnolo-

gias, que permitiriam uma rápida entra-

da em atividade operacional, enquanto que muitas outras requerem ainda mui- tos dados, pois estão numa fase muito inicial como é o caso do magnésio metá- lico, no oeste, por exemplo.

110

Painel: “A Mineação na Bahia – Desempenho e Perspectivas” — Adalberto de F. Ribeiro

Outro aspecto de fundamental im- portância para a maior ou menor reper- cussão regional dos investimentos atra- ídos pela matriz mineral diz respeito ao local de implantação das unidades de industrialização final, tais como as uni- dades metalúrgicas no caso dos me- tais e as unidades de elaboração de placas e ladrilhos no caso de Rocha Ornamental ou de Cerâmica de reves- timento, por exemplo. No momento atual, a infra-estrutu- ra viária, energética e de comunicações melhorou significativamente, mercê da realização dos investimentos públicos e privados, tornando as regiões baliza-

das pelos eixos de desenvolvimento em

condições de sediar o projeto de forma verticalizada. Portanto, para que se utilize total- mente, o potencial multiplicador dos pro- jetos da área de mineração é necessá- rio que os mesmos sejam implantados, preferentemente, na própria região sede dos eixos de desenvolvimento. Assim, não só a região estaria ab- sorvendo todos os possíveis impactos positivos da implantação integrada dos projetos, como também estaria em acordo com os macrobjetivos estraté- gicos da desconcentração e interio- rização dos investimentos inerentes ao terceiro ciclo de desenvolvimento da Bahia, ora em curso.

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Ciclos históricos e panorama atual. Sal- vador, Bahia. Superintendência de Ge- ologia e Recursos Minerais - SGM. 208 p. ils.

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112

Palestra:

Perspectivas da Mineração na Bahia Palestrantes:

Dr. Adalberto Ribeiro Dr. Paulo Henrique Leitão Lopes Prof. Dr. João Batista G. Teixeira Coordenação:

Prof. Dr. Rossine Cerqueira da Cruz Data: 24/08/2001

Pergunta para: João Batista G. Teixeira De: Marcos Augusto – Pós Gradua- ção em Economia Baiana Pergunta: Nos anos 80/90 foi anun- ciada a descoberta de alexandrita no Brasil. Existe efetivamente registro de produção e comercialização desta pe- dra no país? E onde? Parece que esta pedra tem valor superior ao diamante.

Resposta: João Batista G. Teixeira

– Eu acho que a questão será toda res- pondida por Paulo Henrique

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes - Há indícios realmente desta gema, por sinal, muito valiosa. Em cer- tos casos chega a ser bem mais valio- sa que o diamante. Aliás é bem inte- ressante responder isso no que diz res- peito às pedras porque muitos nos per-

115

guntam se é possível que uma esme- ralda seja mais valiosa que o diamante ou até o topázio imperial. Sim. Porque como dissemos aqui, este é um merca- do fortemente controlado, em escala mundial, mas esta escala mundial se- gue uma graduação de cor, transparên- cia e pureza do diamante que determi- na o preço. Então, quando você tem uma alexandrita, gema rara, de preço ímpar, ela certamente, em função de sua oferta se torna bem mais cara e tem uma procura muito significativa no mer- cado internacional. É uma potencialida- de que realmente aparece, e ainda um pouco escondida e belíssima. Ela varia os tons, de esverdeado para azulado, atravessando escalas de cor.

Pergunta para: Paulo Henrique Leitão Lopes De: Prof. Dr. Sylvio Carlos Bandei- ra de Mello e Silva – Prof. da UNIFACS Pergunta: Quais seriam as princi- pais sugestões do setor mineral baiano para o Governo Estadual com o objeti- vo de desenvolver a produção mineral?

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes - Eu vou começar com um exem- plo muito claro antes de relatar algu-

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

mas sugestões. A 400 Km de Salvador, se vocês forem a Campo Formoso, há ainda uma produção razoável de esme- raldas, nos Garimpos de Socotó e de Carnaíba. Eu estava almoçando com alguns produtores da região no hotel da cidade, Rio das Pedras e me senti um pássaro estranho ao ninho, pois no res- taurante só havia indianos. Agora os israelenses estão chegando e por últi- mo tivemos a informação que os chine- ses estão chegando com força total. Então nós temos no garimpo um “gap” muito grande do garimpo até as indús-

trias. Como temos um problema muito sério de capital de giro, seria interes- sante também que dentro da proposta que estamos fazendo ao Governo Fe- deral (inclusive na proposta que foi apresentada em 1997, que chamamos de Acordo Setorial, no qual propomos uma série de ações tanto nas áreas tecnológica, empresarial, de promoção comercial, quanto na área tributária,

etc

nanciamento, sobretudo em termos de capital de giro. Porque o que ocorre é o seguinte: eu já vi um lote de esmeral- das em Campo Formoso ser avaliado pelo mercado em mais de 1 milhão e 800 mil e ser vendido por 300 mil dóla- res para serem pagos em três vezes! Porque o estrangeiro chega com dinhei- ro na mão, ele faz e acontece. O pro- dutor local não tem capital de giro, não pode bancar isso. Então, nesse “gapezi- nho” que está acontecendo aí, é que a nossa produção está indo toda embo- ra. Nossas gemas estão sendo lapida- das na Índia, na China, em Israel e de- pois voltam para cá para serem consu- midas por nós. Ou seja, nossa cadeia produtiva está sendo totalmente destruí- da por uma série de fatores que estão ausentes dentro de uma política. Uma

criar condições em termos de fi-

)

116

das sugestões seria que fosse criada

uma linha de financiamento específica para os empresários baianos afim de que pudessem comprar esta produção

e poder beneficiar. Até porque existem

muitas lapidações “fantasmas” com as máquinas paradas sem poder benefici- ar este produto por falta de condições. Temos uma joalheira aqui muito conhe- cida, representativa, que montou um galpão no CIA , uma das maiores in- dústrias de jóias do Brasil, também está lá abandonada por falta de incen-

tivo. Pode parecer até que a gente fale da questão tributária, nós falamos e batemos nesta tecla, tudo bem. Mas não é só isso. É importante que faça- mos esta promoção, que tenhamos este entendimento, para que o setor possa passar por esta estruturação, mas pre- cisa-se entender também este lado, que

é uma falha muito grande. Você tem lá

um garimpo, o cara passa lá não sei quanto tempo procurando o “serviço’’ e quando acha uma pedrinha já está en- dividado até a medula óssea. Quando

chega o estrangeiro com qualquer ofer-

ta ele vende todo o produto bruto. E ain-

da tem um outro detalhe, o nosso país

tem uma visão meramente fiscalizadora

e arrecadatória, mas não conhece o

produto. Quando o indiano chega aqui

e compra, ele acondiciona as nossas

esmeraldas em tonéis, sendo que boa parte, a parte extra da esmeralda, va- mos dizer “o filé mignon” é colocado embaixo, a intermediária no meio e o cascalho lá em cima. Quando o fiscal chega e olha, pensa ser apenas casca- lho e libera a exportação. E na verda- de, o “filé mignon” está lá embaixo, e nossa riqueza está indo toda embora. Mais uma vez eu insisto na compreen- são do Estado, que é vital para o setor, pois ele precisa ser reconhecido como

Respostas às questões formuladas pelo público presente

prioritário. Não podemos mais sair por aí falando que a Bahia é o segundo produtor, é o quarto em termos de ouro, não dá mais. Vantagem comparativa só no tempo de David Ricardo. Precisamos transformar esta potencialidade numa vantagem competitiva mesmo. E den- tro destas vantagens teremos que agre- gar outras variáveis mercadológicas. Aí, outra sugestão: precisamos incentivar o design porque não adianta incorpo- rar só tecnologia e partir para o merca- do internacional que é extremamente competitivo. Como dá para concorrer com pedra lapidada, por exemplo, com o mercado chinês ou indiano onde você tem praticamente mão-de-obra escra- va? Nós já entramos com o custo ele- vado. Então a saída também é desen- volver o design e incentivar a indústria de jóias. Nós temos plena convicção que o segmento de gemas só vai se desenvolver a partir do momento em que a indústria de jóias for estimulada. Porque aí sim, é que vai consumir as pedras lapidadas. Então estamos insis- tindo na cultura do design, incentivan- do o design que explore os traços da cultura da Bahia. Porque o público con- sumidor lá de fora gosta muito destas coisas. Estamos propondo uma série de ações, tanto na área de gestão tecnoló- gica, empresarial, nos recursos huma- nos, na área de promoção comercial. Estamos até selecionado algumas em- presas para tentar criar o primeiro con- sórcio de exportação na Bahia. É um grande desafio. E sobretudo na área tributária fiscal. Só para finalizar, nós fizemos um estudo na IBGM que é o Instituto Brasileiro de Gemas Preciosas, ao qual o programa é filiado. Nós te- mos um estudo para comprovar que se este setor for desamarrado, se for libe- rado mesmo para trabalhar, ele saindo

da informalidade, ele é capaz de respon- der na pauta de exportações, observem bem, sem a necessidade de nenhum investimento especial de infra-estrutura, em cerca de 1 bilhão e meio de dólares de produtos manufaturados. E hoje a nossa realidade é de uma exportação de aproximadamente 500 milhões de dóla- res, sendo que deste montante, mais de 80% é de barras em ouro. Então nós não reclamamos apenas, mas também pro- pomos. É necessário que medidas em conjunto sejam tomadas, e partindo da premissa de que, se estas medidas não forem tomadas, observando as caracte- rísticas e peculiaridades deste segmen- to, nada vai funcionar. A Tailândia, quan- do fez este programa na mesma época que o Brasil fez, porque quem demons- trou as condições favoráveis no Brasil foi o CONFAZ em 1980 com o convênio ICM 04, como o próprio Adalberto falou. Antes o imposto era de 1% e o setor res- pondia, vinha se desenvolvendo. Aí, quando foi criado o CONFAZ desmon- tou tudo. A partir de agora, pedra vai ser tributada como um produto normal, jóias também. E aí a coisa foi começa- do a desmoronar. Até os imigrantes que estavam aqui instalados, desenvolven- do a indústria de lapidação foram em- bora. E que é uma coisa fácil de ser ensinada. Porque os primeiros imigran- tes que aqui chegaram treinaram cerca de 100 lapidários. Pegavam engraxate na rua, um menino que estava abando- nado e chamavam e ensinavam. Den- tro de pouco tempo, os meninos esta- vam ali lapidando, o mercado estava crescendo. Enfim, uma série de coisas. Agora se você não tem uma política específica, que fomente esta atividade, vai ficar difícil, nós vamos continuar. Agora, finalizando, nós já elencamos uma série de ações, entre elas nós

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

estamos objetivando formatar um con- sórcio de exportações, mas isso passa pela incorporação de novas tecnolo- gias, a criação de linhas específicas de financiamento, o desenvolvimento do design e da promoção comercial. Nós temos feito isso. Foi apresentado ao Governo da Bahia, em 1987, em forma de um Acordo Setorial, no qual o setor se comprometia em aumentar a arre- cadação de impostos em pelo menos 20% no intervalo de um ano. Mas como ainda não há este entendimento, isso é uma coisa que ainda vem sendo ama- durecida, nós ainda não fomos atendi- dos. E o que acontece é que vemos um setor ainda tão grande não é? Com potencial maravilhoso, mas incapaz de responder às demandas sociais.

Comentário de João Batista G.

Teixeira – Não chegou a ser comenta- do, a Bahia é o terceiro estado em pro- dução mineral, certo Adalberto? Ela deve estar atrás do Pará e Minas Ge- rais. Você sabe o por quê? Pará e Mi- nas Gerais são grandes produtores de minério de ferro. Eu tive a oportunida- de de participar do projeto Ferro Carajás, início 1970, pela Vale do Rio Doce e estes depósitos foram desco- bertos em 1967. Incrível, até a pouco tempo não se sabia da existência, de um dos maiores depósitos de ferro do mundo, são montanhas de ferro. Foram descobertos porque por sorte os ame- ricanos precisavam de manganês, não de ferro. Por uma dessas conjunturas internacionais aí, o mercado foi preju- dicado. Em função de instabilidade de países africanos, eles começaram a investir na Amazônia atrás de depósi- tos de manganês. Num desse sobre- vôos, pousaram com helicóptero em cima deles, nas jazidas de ferro do Pará. Então fica claro que para um es-

tado do tamanho da Bahia, em termos comparativos, do tamanho da Finlândia, por exemplo que é um país desenvolvi- do na parte de mineração e países como a Finlândia e Austrália investem cerca de 50 dólares por Km 2 em infra- estrutura. Aquilo que Adalberto falou em termos de mapeamento básico, levan- tamentos e sondagem exploratória do território. Se fizermos uma comparação em termos de Bahia, este Estado esta- ria investindo cerca de 15 milhões de reais anuais, o que dá em torno de 6 milhões de dólares. Então 6 milhões de dólares anuais, está faltando algo, não é? E uma coisa que salta aos olhos é a omissão do Governo Federal no momen- to. Então se o governo entrasse com duas vezes esse valor, que seria um dever do estado para cumprir aquela parte do fluxo de caixa, a parte amarela do investimento básico, investisse duas vezes, somado com o investimento do Estado daria apenas a metade do que a Austrália está investindo. Então temos aí um longo caminho a percorrer.

Pergunta para: Adalberto Ribeiro De: Elísio Santana Cruz Guedes – Economia UNIFACS / Marcos André e Weber Stelling – Pós Graduação em Economia Baiana Pergunta: Referente a questão am- biental. A atividade mineral é motivo de preocupação de ambientalistas pela de- gradação de algumas áreas de Barra Grande na Baía de Camamu. O que o Estado tem feito no sentido de conciliar o interesse econômico e a necessidade de preservação do meio ambiente? Exis- te uma política ambiental para a área de mineração? Como a questão ambiental está definida na Constituição de 1988? As mineradoras têm cumprido a lei ou se preocupam apenas com o lucro? E

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Respostas às questões formuladas pelo público presente

o estado, como atua no processo am-

biental? A mineração é uma das ativida-

des econômicas de maior impacto ne- gativo no meio ambiente. Quais as ações

e os órgãos fiscalizadores? Eles têm executado para conter a degradação ambiental? Quais órgãos são estes?

Resposta: Adalberto Ribeiro - Esta

questão é extremamente relevante. Sobre os impactos ambientais da mi- neração. A mineração é uma atividade altamente impactante mas não é me- nos nem mais importante do que a agri- cultura, por exemplo. Se nós trabalhar- mos, sob o ponto de vista de área, por exemplo, as áreas impactadas pela mi- neração são muito menores que as impactadas pela agricultura. Se você pega uma agroindústria de soja, ela vai trabalhar com milhares de hectares. Ti- rando a agroindústria do cacau, quan- do o cacau era predominante em parte da Mata Atlântica, você tinha uma ativi- dade conciliadora, de conservação. Hoje o cacau sombreado com bananei-

ras já retira a cobertura original. Mas, enfim, eu quero dizer que, em se tra- tando de atividade primária, o cacau, o pasto ou a mineração, são igualmente impactantes. Mas eu acho que esta não

é a questão relevante no sentido de que

existe uma demanda social por estes recursos. Temos que disponibilizá-los da forma que for menos degradante. E provisionando recursos para fazer a recuperação das áreas ambientais de- gradadas. Nós temos no Brasil vários exemplos de mineradoras, inclusive premiadas com prêmios ambientais, que fazem toda uma intervenção, ado- tando medidas mitigadoras, atenuan- tes, etc. É preciso que não se confun- da, por exemplo, o que é passivo ambiental e projeto pós constituição de 1988, pós-CONAN, etc. que são coi-

sas da década de 1980. Mas, com cer- teza, existe um passivo ambiental gran- de da área de mineração com passivo até histórico. Nós temos dois passivos ambientais relevantes originados pela atividade mineradora na Bahia que são anteriores, portanto, a todo esse arcabouço legal que a sociedade bra- sileira incorporou como elemento impor- tante na sua gestão atual. São os pas- sivos resultantes da lavra de minério de chumbo, que era mina, e a metalurgia em Santo Amaro e o passivo da Baía de Camamu citado na pergunta. Todos os dois são passivos ambientais e an- teriores ao processo da história, daí para frente. Sendo que muitos dos im- pactos resultantes desses dois passivos são decorrentes dessa ignorância soci- al inclusive de, naquele momento histó- rico, exigir que aquele bem ambiental fosse usado de forma parcimoniosa. Por exemplo, Santo Amaro, resíduos da me- talurgia foram usados para pavimentar

ruas, chumbo, cádio, continuam sendo liberados pelas partículas da escória do minério, contaminando o subsolo. Isso

é um caso de risco. A escola de medi-

cina vem acompanhado isso há mais de 100 anos. Recentemente um cole- ga fez uma dissertação de mestrado sobre isso e está fazendo agora douto- rado. É um caso assim decorrente da nossa ignorância anterior dessa histó- ria. Agora, o que fazer com esse tipo de passivo? Eu acho que não tem solu- ção, porque os fundos gerais de Gover- no assumiram o passivo. Eu proponho usar a quarta parte da compensação fi- nanceira que vai para a União, que são 10%, dos quais 3% vão para o IBAMA, que usaria essa arrecadação no Brasil

inteiro, para fazer a mitigação do pas- sivo ambiental dessas atividades. Isso

é muito adequado porque muitas des-

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

sas minas, as empresas já acabaram, fecharam, e você não tem um meio

empresarial passível de responsabilizar.

E se, eventualmente, ela fosse existen-

te, nós vamos discutir anos numa esfe- ra jurídica porque o empreendedor vai dizer que organizou quando lavrou e esse custo não estava previsto no seu fluxo de caixa. O que fazer? Fechar a mina. Haverá desemprego, a pressão regional quando fechar. Eu acho que tem que haver um fundo para conside- rar esta questão do passivo ambiental, que eu acho importantíssimo discutir. Tenho levantado esta discussão em vários foros. Muitos destes problemas vêm da era colonial. O Brasil tem 502 anos de descoberto, e nós estamos com

300 anos de mineração. Principalmen- te nos distritos auríferos e diamantífe- ros. Então nós temos que levantar este passivo, começar a investir e gastar di- nheiro social para recuperar este pas- sivo. Projetos novos na Bahia e no Bra- sil. Projetos não são implantados sem que seja apresentado o Estudo de Im- pacto Ambiental. Eu sou empreendedor mineral, quero fazer um empreendimen- to mineiro. É obrigatório um estudo de impacto ambiental para ver as medidas mitigadoras. Estamos fazendo agora um estudo de impacto ambiental muito interessante, que é a remel da lavra do Cordão de Praia Litorânea da Baía de Tinharé, no Canal de Ituberá. Ambien-

te extremamente frágil, cordão de praia

antiga, que tem uma jazida. Tem 600 milhões de dólares ali em recursos mi- nerais. Esse depósito é da CBPM, uma empresa estatal, e estamos negocian- do todos os estudos ambientais com vistas a compatibilizar e minimizar esse tipo de atividade. O Município de Maraú, por exemplo, já vem adotando providên- cias relativas à entrada da Baía, a Pon-

ta de Mutá, Baía de Camamú, exata- mente o eixo da Ponta de Mutá, com-

pondo uma reserva que, juridicamente

é discutível, mas eu acho que é com-

patível. Nós temos exemplos hoje de mineradoras extremamente compatí- veis e preocupadas com o meio ambi- ente, que é o caso, por exemplo, na Paraíba, em Mataraca, de uma lavra de emenita, feita em cima de dunas, como se fosse aqui em Itapuã, e que depois de reconstituída, você tem dificuldade de perceber se a duna foi lavrada ou não. Então, os projetos novos têm que considerar a existência da vertente ambiental. Tem que fazer um estudo de impacto ambiental, obter os licencia- mentos de implantação, localização e operação para que possam operar e, como esses custos das medidas indi-

cadores do meio ambiente já foram con- sideradas no fluxo de caixa, ao zerar, encerrar a atividade lá, ele vai usar aquele recurso para fazer a recupera- ção da área degradada. No caso do Estado da Bahia, os projetos são exa- minados inicialmente pelo CRA, que é

o Centro de Recursos Ambientais e, a

depender da sua dimensão, eles pode- rão chegar ao CEPRAM, que é o Con- selho Estadual do Meio Ambiente. Eu

sou suplente do Conselho. Nós temos discutido e relatado lá projetos da mai- or relevância, como o projeto da Ford,

e recentemente, nós discutimos um pro-

jeto interessantíssimo, do ponto de vis- ta de suas implantações ambientais. Não é da área de mineração, mas é um projeto da Áracruz Celulose. Ela quer tirar os eucaliptos maciços florestais, do Sul da Bahia, para transportar de chata até a fábrica de celulose no Espírito Santo. Um projeto que envolveu até consultorias internacionais para anali- sar os fluxos das correntes marinhas,

120

Respostas às questões formuladas pelo público presente

para ver a suspensão, como se daria o depósito do material que será dragado para abrir o canal. Um projeto muito bonito de engenharia envolvendo todas estas vertentes de natureza ecológica, para dar a licença de implantação de forma adequada. A Bahia tem uma das

Pergunta: Por que do atraso do Bra- sil, especificamente da Bahia, de não avançar a cadeia produtiva da minera- ção em termos de jóias? A Bahia é o segundo estado em produção de ge- mas. É descaso do setor público e do empresariado?

legislações mais importantes no Brasil

Resposta: Paulo Henrique Leitão

em termos de meio ambiente. Recen- temente foi sancionada a lei 7700, não me recordo exatamente, mas é coisa de 2001, janeiro ou fevereiro. Essa lei incorpora todos esses avanços de na- tureza ambiental. Há uma vontade do Governo de que os investimentos se- jam realizados, mas dentro do que se- ria ecologicamente correto, dentro da

Lopes – É muito simples. Vamos come- çar a fazer uma continha aqui. Digamos que alguém queira investir e se tornar um empresário do setor de jóias, mon- tar uma indústria: 20% IPI, 25% ICMS, mais PIS, COFINS, contribuição social mais 3,6%, mais CPMF e outras taxas em movimento, sobra pouco mais de 35%. Você tem 65% só de impostos.

lógica do desenvolvimento sustentável, que é o desenvolvimento em que você se preocupa com as gerações futuras. Você pretende entregar às gerações futuras um meio ambiente compatível com a vida no futuro, ou seja, um capi- tal que você deve preservar para gera-

Sobra 35% para pagar salários, aluguel, outros custos. Será que com esta situ- ação que aí está, é possível se incenti- var a indústria de jóias neste Estado? Eu creio que não, tendo em vista que, do ponto de vista internacional, a mé- dia de tributação não excede 12%, só

ções futuras. Em síntese, esta é a filo-

já perdemos a condição de igualda-

sofia do desenvolvimento sustentável, a

de

para competir com as outras empre-

Agenda 21. Enfim, nós estamos coeren- tes com todos estes preceitos modernos em relação a esta questão. No caso da mineração, ela se enquadra e é tratada

sas aqui no Brasil e fora dele. Para você ter uma idéia, a Bahia ainda pratica a maior alíquota de ICMS aplicada no setor do país, ao lado do Ceará, 25%.

como um projeto industrial como outro

O

Rio de Janeiro não produz nem pe-

qualquer, e deve seguir toda a cartilha, os procedimentos. O mais grave é a questão do passivo ambiental, mas é uma outra discussão porque eu acho

dra nem ouro, no entanto, o ICMS foi reduzido semana passada para 12%, entre outros procedimentos fiscais que foram simplificados e desregulamenta-

que devemos discutir socialmente como resolver a questão do passivo ambiental,

dos. Aparece a mina do Cruzeiro do Sul, Minas Gerais, turmalina, opalas, águas

como um todo. Onde buscar o dinheiro

marinhas, topázios, etc

Mas o apara-

para aplicar estas soluções.

to

fiscalizatório e o combate a fiscaliza-

Pergunta para: Paulo Henrique Leitão Lopes De: Elísio Santa Cruz – Pós-Gradu- ação em Economia Baiana da UNIFACS.

ção distorcido desde o tempo do Brasil Colônia, continuou impossibilitando efe- tivamente o setor de se desenvolver, tor- nando-o cada vez mais informal. Aí nós vamos nos espelhar no caso da Tailân- dia. Na década de 80 o Brasil e a

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Tailândia tinham praticamente os mes- mos índices sócio-econômicos. O Bra-

sil exportava, naquela época, cerca de

187 milhões de dólares, a Tailândia um

pouco mais, acredito que 192 milhões. Na Tailândia, firmou-se um grande com- promisso entre a iniciativa privada e o governo e foi feito um programa de estruturação da indústria de lapidação, de gemas e de jóias. Resultado, naque- la época, o consumo de ouro na indús- tria de jóias em ambos os países era numa média de 13 a 15 toneladas por ano. Nesse período, em apenas 4 anos, a Tailândia subiu de 14 toneladas para 90 toneladas e, ao início da década de 90, já exportava cerca de 2 bilhões e

200 milhões de dólares. E o Brasil al-

cançou, neste período, o seu pico de

700 milhões, só que desses 700 mi-

lhões, mais de 85% foi em barras de ouro.Ou seja, a experiência internacio- nal tem nos mostrado que o grande entrave para o desenvolvimento desse setor é a altíssima carga tributária, que tem empurrado este setor para a informalidade. Mas nem tudo eram cin- zas. Em 1975, o Governo Federal criou um grupo de trabalho para tentar en- tender as questões deste setor, peculi- aridades, porque ele não se desenvol- via, e esse grupo de trabalho chegou às seguintes conclusões, criou as se- guintes condições: primeiro eles permi- tiram que houvesse uma regularização de até 50% de rendimento para pesso- as físicas, em 84. Ou seja, tudo aquilo que estava por debaixo do pano, sain- do pelo descaminho, etc, poderia ser regularizado de 74 até 84. Houve uma anistia fiscal para regularização de es- toques, tanto de gemas, quanto de metais preciosos. A redução das alíquo- tas do IPI foi de 20% para 5%. Redu- ção zero de IPI para as pedras lapida-

das, fixação de alíquota zero de ICM para gemas e metais preciosos, redu- ção de 50% na base de cálculo do ICM para joalherias e afins e o estabeleci- mento de uma nova base de cálculo para o crédito de exportações. Diante das medidas implementadas por esse grupo do Governo, a partir de 74, os impactos foram os seguintes: o cresci- mento real de arrecadação de ICM na- quela época foi 190,7%, de 74 a 78. do IPI expandiu-se 170,2%, o faturamento das empresas aumentou 237,7% em termos reais. Novos empregos foram gerados, houve uma expansão da mão- de-obra em 17,3% ao ano, de 74 a 78. Os salários globais pagos expandiram- se em 150%, apresentando um cresci- mento real de 25,7% ao ano. O recolhi- mento previdenciário expandiu-se tam- bém em 164% e ressalte-se que, na- quela época, as condições eram bem adversas. Houve crise no petróleo, o preço do ouro no mercado internacio- nal subiu bastante. Tudo isso mostra que a carga tributária é impeditiva para o desenvolvimento do setor. E temos feito algumas tentativas. Mas temos chegado a conclusão de que temos de criar uma política pública específica para fomentar efetivamente o desenvol- vimento desse setor. Porque se não for levada em consideração essas particu- laridades do nosso produto, será muito

difícil se desenvolver. Porque esse alto índice de informalidade que temos no setor impede qualquer programa de estrutura das empresas para o acesso ao crédito, a capacitação do seu capi- tal humano, a implementação de pro- gramas de qualidade, geração de em-

pregos, renda, divisas, etc

90% do

setor hoje no Brasil está na informali- dade. Isso é um dado muito ruim. Te- mos tudo para reverter a situação. Não

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Respostas às questões formuladas pelo público presente

estamos inventando nenhuma mágica, mas nos espelhando na experiência in- ternacional, pleiteando condições de igualdade para competir e para que haja uma exceção e pé de igualdade no mercado internacional. Temos feito al- gumas ações no setor. Para terem uma idéia, há estes “folders” do Centro Ge- mológico da Bahia, construído em par- ceria com o Governo do Estado, que é um dos poucos laboratórios no mundo capaz de atestar a autenticidade de uma gema. Emitir o certificado com suas características, uma foto, e pare- ce uma carteira de identidade mesmo, porque uma pedra não é igual a outra em lugar nenhum do mundo. Então fo- tografamos a particularidade daquela gema e colocamos as características da gema no certificado. A pessoa levando a gema com o atestado a qualquer par- te do mundo, pode comprovar a auten- ticidade e qualidade dela. Nós estamos agora também empregando a tecnolo- gia digital, de modo que as nossas ge- mas sejam certificadas. Temos feito pro- gressos na área de capacitação técni- ca, cursos de comércio exterior, joalhe- ria. Nós vamos implantar agora o nú- cleo de design, porque consideramos como uma grande variável mercadológi- ca que vem tornar nosso produto dife- renciado e que dará condições a esse produto de competir efetivamente no mercado internacional. Mas, se não for feita uma promoção da equação tribu- tária fiscal, bem como a simplificação dos procedimentos fiscais, realmente ficará muito difícil. A indústria e o co- mércio são sensíveis aos nossos pro- blemas e entendem o que acontece ao nosso setor, mas essa visão colonial do poder fiscalizatório, de controle de en- trada e saída dessas mercadorias, im- pede. Adalberto até falou que está na

Constituição, que tudo o que há no subsolo é de propriedade da União. E nos parece que isso é um pouco distor- cido. O nosso grande questionamento é esse, como um país que tem tama- nha vantagem comparativa, considera- do a maior reserva do planeta, o déci- mo maior produtor mundial de ouro, pode ter apenas 1% de participação no mercado internacional. Se nesse con- texto nosso Estado é o segundo produ- tor de gemas em estado bruto, o quarto em produção de ouro, é sinal de que algo efetivamente está errado. O que propomos é uma política que transfor- me essas vantagens comparativas e competitivas. E sabemos que o proces- so é longo, e é necessário que o Go- verno do Estado reconheça o setor como prioridade na economia porque é capaz de gerar renda, emprego e divi- sas. Se esse setor fosse hoje desamar- rado, sobretudo nas questões fiscais, nós temos um estudo interno que com- prova que sem nenhum investimento em infra-estrutura oficial, sem nenhuma incorporação de tecnologia nos dias de hoje, esse setor, em condições de regu- laridade, estaria exportando hoje cerca de 1 bilhão e meio de dólares em produ- tos manufaturados. Então esse é o con- vite ao debate para se discutir. O que se fazer para se tornar um setor tão rico, tão potencial. Um setor que seja capaz de gerar emprego, renda, divisas e, so- bretudo, aumentar a arrecadação de impostos do próprio Estado?

Pergunta para: Adalberto Ribeiro De: Prof. Dr. Sylvio Carlos Bandei- ra de Mello e Silva – Prof. da UNIFACS Pergunta: Qual a participação do setor mineral no PIB da Bahia e como isso tem evoluído nos últimos 10 a 15 anos?

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

Resposta: Adalberto Ribeiro – Se

considerarmos apenas a parte relativa à extração mineral, ou seja, a parte an- terior à transformação, tem-se uma par- ticipação mínima em torno de 1%, o que corresponde a valores da ordem de 320 milhões de dólares para um PIB de qua- se 40 bilhões. Se incluirmos a partici- pação do petróleo e do gás este percentual ultrapassa ligeiramente 1% do PIB, atingindo cifras da ordem de 1,1 bilhão. Se for considerar a cadeia pro- dutiva incorporando a indústria de trans- formação, por exemplo, partindo da matriz do cobre e incluindo o catodo, ou partindo do cromo e incluindo o fer- ro liga de cromo, aí esta participação crescerá atingindo a faixa de 10 a 12% do PIB. Por isso comentei durante mi- nha apresentação de que seria uma sub-avaliação dos aspectos econômi- cos considerarmos apenas o aspecto da parte relativa a indústria extrativa mineral, não incorporando a atividade industrial. Ela é pequena inicialmente, mas alavanca um percentual extrema- mente significativo.

Pergunta para a Mesa De: Delorme C. Carneiro – Pós-Gra- duação em Economia Baiana Pergunta: É verdade que o Para- guai é o maior produtor de ouro brasi- leiro? E o que faz o Governo brasileiro para impedir este processo ilícito, se é que ocorre?

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes – É uma pergunta realmente num tom provocador, mas é o que acontece quando falamos na questão tributária. Para vocês terem uma idéia, vou falar de uma relação muito interessante, da produção de ouro destinada ao consu- mo para indústria de jóias. No mundo, 80% está destinada ao mercado, à in-

dústria de jóias, e 20% ao mercado fi- nanceiro. No Brasil esta relação é o contrário, 80% da produção é destina- da ao mercado financeiro. Vocês sabem qual a alíquota que incide sobre o ouro para o mercado financeiro? 1%, en- quanto que para a indústria, que está gerando emprego, produzindo, na Ba- hia, por exemplo, só a alíquota de ICMS é 25%, fora 20% IPI, PIS, COFINS, etc. Esta é uma distorção. Quando o Para- guai percebeu isso, o contrabando pas- sou a escoar pelo Paraguai tornando este país um dos maiores produtores de ouro do mundo sem, no entanto, pro- duzir nada de ouro. Estas distorções precisam ser discutidas, porque é mui- to simples falarmos com autoridades do Governo. Uma coisa é você explicar, outra é o outro lado compreender. É necessário que se compreenda as par- ticularidades deste segmento, deste setor. Muitas pessoas colocam vinte pedrinhas de esmeraldas no bolso, lo- tes que chegam a custar 500 mil dóla- res, saem, passam pela alfândega, nin- guém pega, e a nossa riqueza está indo embora. A nossa cadeia produtiva está sendo destruída por estas razões. Fica muito complicado. A pergunta é muito pertinente porque traz a tona os proble- mas que estamos atravessando. E, de fato, o Paraguai, por um bom tempo, passou a ser considerado um grande “produtor” de ouro, ouro proveniente do Brasil.

Comentário de Adalberto Ribeiro -

Eu acho que o trabalho que Paulo Henrique tem desenvolvido dentro da Progemas é da maior validade. Somos testemunhas disso. Tem havido no Bra- sil inteiro mobilizações setoriais para que as autoridades tributárias do país entendam esta situação de outra forma, sob outro foco. Na minha compreensão,

124

Respostas às questões formuladas pelo público presente

eu acho que há uma visão distorcida, baseada no entendimento de que a in-

dústria de jóias seria supérflua. Então

o que predomina é a visão apenas

arrecadadora, tributando o setor da mesma maneira que se tributa a bebi- da, e o cigarro, com uma das maiores

alíquotas da planta tributária. Esta lógi-

ca tem imperado de forma bastante for-

te, eu diria pós Constituição de 98. An- teriormente, todos os recursos minerais eram tributados pelo imposto único mi- neral. E neste momento as alíquotas sobre pedras preciosas eram compatí- veis com esta demanda que hoje está sendo justamente apresentada pelo companheiro Paulo Henrique. Eram alí- quotas que permitiam que a atividade saísse da clandestinidade. Tanto isso é verdade, que a antiga Secretaria de Minas e Energia, agora Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, fez o acompanhamento dos profissionais no Estado, tem séries históricas de produ- ção muito interessantes. Até 88 conse- guia-se fazer o acompanhamento da produção mineral em termos de pedras preciosas, vamos dizer assim, bastan-

te próximo da realidade do que aconte-

cia, porque não tinham razões, digamos significativas, para que houvesse sone- gação. Alíquotas de 1, 2%. Não só a

experiência internacional, como a pró- pria experiência local, vivida pelo pró- prio Estado, dá sustentação a idéia de que a elevação das alíquotas tributári- as só fortalece, estimula a sonegação.

Aí cria-se um ciclo vicioso, porque quan-

do o Estado procura elementos históri- cos para sustentar uma política, a base de informação não é confiável. Nós, da geologia, fazemos uma estimativa de produção de pedras preciosas a partir de uma indicação indireta: nós freqüen- tamos os garimpos, fazemos levanta-

mentos nas áreas de produção e com- paramos a faixa de renda destes ga-

rimpos em função do que é escavado, extraído, etc. Assim consegue-se esti- mar a quantidade produzida, sabendo- se o preço de mercado, pode-se obter

o valor desta produção. Nós estamos

estimando, por exemplo, para 2000, uma produção de pedras preciosas no Estado, considerando dados emitidos pela CBPM na Bahia, pela CPRN nos vários distritos produtores de pedras preciosas na Bahia, (que são 21 regi- ões produtoras de pedras preciosas), com valores na ordem de 30 milhões de dólares de produção de pedras, ou seja, 10% da produção mineral no Es- tado. A veracidade, a exatidão desta informação é uma coisa um pouco du- vidosa porque a base da informação é muito indireta, empírica. Isso complica um pouco quando você quer sustentar um discurso justificando a necessida- de de uma política dirigida. Então nós temos como principal argumentação a

tese de que a alíquota alta torna a ativi- dade não competitiva porque são mer- cadorias de trânsito internacional, e in- ternacionalmente você tem alíquotas mais favoráveis. Então a reinvidicação do setor de que a carga tributária desta área, em termos de Brasil, fosse com- patível ou igual à carga internacional, nós achamos na Secretaria extrema- mente justa. Eu acho até que poderia ser um pouco menor que a internacio- nal porque temos mais carência tecno- lógica, precisamos avançar mais do que

o mercado internacional. Um país que

tem uma fronteira do tamanho que te- mos, favorece tanto a saída quanto a entrada de mercadorias que estão em

situação de desequilíbrio internacional de fluxo etc. Nós estamos, juntos com

a Progemas, neste processo de tentar

125

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

sensibilizar as autoridades tributárias, tanto do Estado, quanto da área Fede- ral, no sentido de que modifiquem este entendimento e compreendam a impor- tância da cadeia produtiva no processo de desenvolvimento, de alavancagem de renda, de alternativa de trabalho. Nós temos montado, por exemplo, nesta par- te de treinamento de mão-de-obra, vári- os núcleos para treinar pessoas na arte da lapidação. Lá mesmo no Progemas, ali no Centro Gemológico, mantemos um convênio com o SENAI treinando pes- soas no processo de lapidação, tentan- do gerar uma qualificação pessoal nes- ta direção. Eu acho que o IBGE e a Progemas vão se tornar vitoriosos nes- ta luta, é uma questão de tempo, de momento adequado. É um processo. Estamos neste processo de busca des- ta situação. Todos os atores possíveis estão compreendendo esta situação, e eu acho que vamos conquistar esta si- tuação, semelhante ao que havia no passado, com tão bons resultados.

Complementação de Paulo Henri- que Leitão Lopes – Só complemen-

tando o que Adalberto falou, com rela- ção ao supérfluo, quando as autorida- des tributárias têm este entendimento, então perguntamos também: será que

o uisque para a Escócia, o charuto para Cuba e para a República Dominicana,

o turismo para o Caribe, é supérfluo?

Este entendimento, este paradigma, precisa realmente ser quebrado, porque se temos condições de gerar renda, emprego e divisas, eu acho que a vi- são tem que ser realmente mudada.

Pergunta para: Paulo Henrique Leitão Lopes De: Luiz Roberto Lima – Pós-Gra- duação em Economia Baiana Pergunta: A produção de diaman-

tes vem declinando consideravelmente

e uma das razões é o atraso tecnológico

do setor. O que os empresários do ramo estão fazendo em termos de investi- mentos em tecnologia para reverter este cenário, desconsiderando a política tri- butária do Estado como impedimento

do desenvolvimento do setor?

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes – Uma boa pergunta, e seria até mais fácil de responder se o setor fos- se formado por grandes empresas. Mas

o universo empresarial deste segmen-

to é basicamente formado por micro e pequenas empresas, e você fazer in- vestimentos hoje em mineração, são

investimentos realmente muito grandes

e que requerem uma parceria, parceria

esta também com o Governo do Esta- do. É necessário que haja esta parce- ria para incorporar novas tecnologias, até porque nós sabemos que ainda há muita coisa para explorar e não se tem ainda uma tecnologia capaz de se apro- veitar o subsolo baiano. Mas, de um modo geral, pelas características do empresariado deste setor é pouco pro- vável que se faça investimentos de grande monta neste sentido. Até por- que a produção é caracterizada pelos garimpos, quase que artesanais, e que requerem investimentos muito altos, a exemplo do que vem fazendo a África do Sul, Inglaterra, Israel, enfim, é ainda um grande dilema em função destas características, mas entendemos que, com o apoio habitual do próprio Gover- no da Bahia, que vem entendendo de uma forma muito tranqüila o que é o setor, aí sim, será capaz de se fazer algo neste sentido. É como vem acon- tecendo agora no restante do país. Pelo setor ser constituído por empresas des- te porte, estão agora começando a montar consórcios de exportação com

126

Respostas às questões formuladas pelo público presente

o

objetivo de unir estas empresas em

cana. E isso tem tido um efeito no mer-

torno do objetivo de atender a escala do mercado mundial. Mas para isso, eu não tenho a menor dúvida de que é necessário primeiro combater a infor- malidade do setor.

cado interessante. Vai haver um simpó- sio agora em Brasília sobre diamantes, no próximo mês, que está muito nesta história, de que o mercado brasileiro produtor de diamantes primário come-

 

Comentário de Adalberto Ribeiro -

çou a ter uma nova ênfase, porque em-

Vale a pena uma rápida introdução so- bre um aspecto específico do diaman- te. Não sei se todos estavam presen- tes quando professor Teixeira nos fa- lou que esta é uma pedra preciosa que vem do manto, capturada por outras rochas e que chegam à superfície e depois é desagregada e colocada a dis- posição. Mas vendo a coisa para fren-

presas que entram no consumo e ven- das mundiais de diamantes pensam: no Brasil não há guerrilhas, vamos traba- lhar com diamantes brasileiros, passí- vel de ser identificado como brasileiro, porque isso vai ficar de acordo com o novo marketing. Isso desencadeou uma corrida de empresas mineradoras para a área de diamantes. Aqui na Bahia, por

te, sem ir para a origem da pedra, é bom lembrar que estamos trabalhando com cartel. Quando trabalhamos com dia- mantes, Paulo Henrique falou com mui-

exemplo, em Minas Gerais, já aconte- ceu isso por ser uma província diaman- tífera de maior maturidade e conheci- mento, e agora esta expansão, estas

ta

clareza, é um mercado que o contro-

idéias chegaram à Bahia no sentido de

le

mundial do comércio é bem centrali-

buscar alvos. Vários alvos têm sido pro-

zado pela África do Sul. Os russos tam- bém tinham o controle do mercado. Então o investimento nesta área de di- amantes tem que considerar esta situ- ação de produzir para negociar com o cartel. Uma situação complexa. Isto, vendo os investimentos de natureza empresarial em escala de milhões de dólares, etc. Recentemente no merca- do surgiu um fator importante que tem quebrado esta inércia do mercado de diamantes. É o que o marketing vem chamando de diamante contaminado de sangue. O diamante da Guerrilha Africana tem sido bombardeado como um insumo não politicamente correto. As próprias empresas tem ajudado na nova campanha mercadológica no sen- tido de que este diamante não seja con- sumido, não venha ornar as belas se- nhoras da sociedade contemporânea por conta de que este diamante é con- taminado com sangue da Guerrilha Afri-

curados na Bahia, várias informações têm sido solicitadas por empresas in- ternacionais, buscando fontes primári- as de diamantes. Fontes primárias nós nos referimos a fontes diferentes daque- les diamantes da Chapada Diamantina que são diamantes secundários, não são fontes primárias. A lavra de diaman- tes secundários na Chapada Diamanti- na foi impactada pelo viés ambiental. Socialmente achou-se melhor preser- var a Chapada do ponto de vista ambiental do que permitir a atividade de produção de diamantes. Isso blo- queou a área do parque essencialmen- te pra essa finalidade de lavra de dia- mante. Embora admitindo-se a lavra por catadores, faiscadores, etc., que é uma lavra menos impactante do ponto de vista ambiental, mas de baixíssima pro- dutividade porque os volumes que se- riam tratados seriam muito limitados. Existem lá alguns catadores, faiscado-

127

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

res históricos fazendo alguma garimpa- gem muito rudimentar, segundo alguns

ambientalistas, compatíveis com este espírito do parque. E, fora da área do parque, existe esta procura das fontes primárias destes diamantes, porque se ele está lá na Chapada, é porque deve ter uma origem primária para que eles tenham se acumulado junto com aque-

las rochas, etc

E aí vem esta história

do mercado, que falei inicialmente, dan- do um incentivo para que estas empre- sas venham buscar estes diamantes

primários. Eu acho que dentro em bre- ve poderemos ter uma grata surpresa, da descoberta de uma jazida primária de diamantes semelhante a que tem na Austrália, África do Sul, etc.

Pergunta para: Paulo Henrique Leitão Lopes De: Miguel Ângelo – Mestrado em Geologia da UFBA Pergunta: O Ministério das Rela- ções Exteriores tem algum programa de divulgação e promoção das gemas bra- sileiras nos principais mercados inter- nacionais?

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes – Tem, mas é muito discreto e tímido. E também precisamos observar uma coisa, é o seguinte: uma coisa é você fazer promoção comercial de um produto que é competitivo, com quali- dade, preço e características inovado- ras, etc., outra é você promover um setor que precisa fazer ações estrutu- rais lá no início da cadeia produtiva para tornar este produto melhor. Então, não adianta só falar em promoção comerci- al. Sobretudo no caso da Bahia, tam- bém é necessário fazer ações estrutu- rais de modo que o setor se prepare efetivamente para concorrer com o mercado internacional. Algumas ações

estão sendo feitas, sobretudo no âmbi-

to da Agência de Aprovação das Expor-

tações com a criação de consórcios. Aliás, é uma grande saída realmente, porque para atender a escala do mer-

cado mundial, precisamos agrupar os micro e pequenos empresários em con- sórcios porque o universo deste setor

é constituído em torno deles. Não são

empresas grandes, são realmente pe- quenos produtores, então o consórcio

é uma grande saída, a exemplo do que fez a Itália.

Pergunta para: Paulo Henrique Leitão Lopes

De: Daniela Soares Guimarães – Administração Hoteleira da UNIFACS Pergunta: A produção de pedras preciosas e semipreciosas corresponde

a que parcela da economia brasileira e em que posição se encontra o Brasil nesta produção em termos de ranking mundial?

Resposta: Paulo Henrique Leitão

Lopes – Eu diria a você que a Gold Filding Mineral Service, que é uma gran- de instituição internacional sediada em Londres, tem estudos que atestam o Brasil como a principal reserva de ge- mas do Planeta. O Brasil como 10º pro- dutor mundial. Neste contexto, eu falei aqui que somos o segundo Estado pro- dutor bruto, perdendo para Minas Ge- rais, e o quarto em produção primária de ouro. Como quantificar, mensurar isso, não dá. Nós vivemos de estimati- vas porque o setor está realmente per- dido na informalidade. É muito difícil mensurar este valor. Nós trabalhamos com estimativas. Em termos de ranking mundial, se pegarmos o volume das exportações brasileiras e confrontarmos com a entrada destas pedras e jóias nos outros países, porque o procedimento

128

Respostas às questões formuladas pelo público presente

operacional para internacionalizar mer- cadorias é muito simples: a pessoa leva

que levanta. Um problema tributário, que entra na balança da atividade do

modificasse esse tipo de atrativo e está

pedra daqui, chega lá declara, inter-

nacionaliza, e um abraço. Quando você faz o confronto destas estatísticas, per- cebe que há um destoante. Percebe que o volume de entrada destes paí- ses é alto, enquanto que a exportação brasileira é extremamente baixa. Isso nos leva a crer que oficialmente dete- mos apenas 1%, aproximadamente, do mercado mundial. É esta nossa situa- ção: dificílimo chegar aqui e falar de números reais.

a

Pergunta para: Adalberto Ribeiro De: Fernando Guerreiro – Pós-Gra- duação em Economia Baiana / Elísio Santana Cruz Guedes – Graduação em

precisando importar cobre para atender

Estado. Praticamente estamos agora com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nós tínhamos uma política interessan- te que era o Pró-Bahia. Para atividade industrial havia um deferimento do ICMS, e você tinha um prazo de carên- cia para voltar a receber aquele ICMS, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal entrou em vigor e impôs que o Estado

sendo feito. Muitas das decisões de mudança tributária dependem de um consenso, do Conselho da Secretaria da Fazenda, isso no que diz respeito ao ICMS. No que diz respeito a Tributo Federal depende de uma sensibilização do Ministério, da Receita, do Governo

Economia UNIFACS / Francisco Leite

Federal, etc

Recentemente nós tive-

Neto e Delorme C. Carneiro – Pós-Gra- duação em Economia Baiana Pergunta: O que é necessário para se beneficiar mais, antes da exporta- ção, as rochas ornamentais da Bahia? Qual a perspectiva da mineração na Bahia para o desenvolvimento econô- mico e social? Por que o Estado está

mos uma mobilização impressionante do Sindicato de Mármore e Granito por- que eles eram isentos de imposto de industrialização. Só que o setor de ce- râmica pressionou o Governo para igua- lar a carga tributária entre o pessoal de cerâmica e de rocha ornamental, por- que rocha ornamental era isento e ce- râmica pagava, e o produto tinha a

a

demanda da Caraíba Metais? A pro-

mesma finalidade, revestimento hori-

dução da mina Caraíba foi superdimen-

zontal e vertical. E aí voltou a cobrar da

sionada? Quanto do orçamento estadu-

rocha ornamental. Foi um chiado naci-

al

vai para investimento em mineração

onal, a mobilização, a pressão, legíti-

e

dinamização do setor? E por que não

ma. Nós vivemos numa democracia,

há incentivos fiscais no sentido de incrementar a pauta de exportações do

numa sociedade democrática e o Go- verno disse não. O setor de rocha or-

Estado?

namental estava buscando no Brasil

 

Resposta: Adalberto Ribeiro – Ain-

inteiro um processo de incentivo,

da bem que a mesa só tem um repre- sentante do setor de pedras preciosas, advogado firme do segmento. Porque se tivesse aqui o pessoal do Sindicato de Mármore e Granito, de cerâmica, teríamos um rosário. Na verdade, é exa- tamente esta questão que Paulo Henri-

mobilização, desenvolvimento de uma cadeia produtiva que foi fortemente impactado a partir de uma lógica, uma visão tributária reinante no centro do poder relativo a esta questão. As coi- sas têm um momento histórico, um “timing” para acontecer. Tem uma reper-

129

CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

cussão no desenvolvimento. Eu acho que o trabalho que ABDN, a Progemas,

o SINAGAM – Sindicato de Cerâmicas,

vêm fazendo na defesa dos seus seg-

mentos é extremamente correto, legíti- mo, mas precisamos ver a lógica do que está sendo engendrado até para que nossos argumentos e as nossas mobi- lizações tenham em que se sustentar.

A história, por exemplo, do entendimen-

to do que é supérfluo, aí quando o pes- soal diz: o que é o rum para Cuba, o tabaco para o Caribe? São exportado-

res de um único produto. A pauta de exportação, a cadeia produtiva, é dife- rente. Eu tenho que ver o conjunto. Ontem vimos o Presidente da Repúbli- ca reclamando na TV porque mais de U$ 1 bilhão, segundo ele comentou, é despendido como subsídio para agroin-

dústria internacional. Os produtores bra- sileiros se tornam de baixa competitivi- dade no mercado internacional por con- ta dos subsídios que são agregados diariamente ao setor da agroindústria dos países, principalmente europeus, de soja. Existem equações e lógicas aí que precisamos ter eficiência e mobili- zação para analisar. Eu acho que não tem faltado isso ao IBGE, a Progemas, nem competência ao segmento. Mas tem faltado a oportunidade, o “timing”, para conseguirmos fazer prevalecer o entendimento sobre a importância dis- so a quem pode intervir neste proces- so para alterar a situação. Recentemen- te a Progemas teve uma conquista im- portante no mercado da Bahia, que foi

a consideração como exportação, das

vendas internas para estrangeiros. O Governo do Estado admitiu que as ven- das para estrangeiros com passapor- tes fossem consideradas como se ex- portações fossem realizadas. Isso é uma vitória da Progemas, uma conquis-

ta que iguala com outros mercados, como Rio de Janeiro, dando um dife-

rencial de 25% porque para o exporta- dor você não tem ICMS. As grandes indústrias de jóias, por exemplo, expor- tam pedras brasileiras, fazem a lapida- ção lá fora e ganham 25% na sua ca- deia. Mas quem pode fazer isso são empresas que tem ramificações inter- nacionais, grandes joalherias nacionais que tem suas ramificações no merca- do internacional podem fazer esse tipo de jogo legal. Transportando, estou le- vando para lá, onde não tem ICMS. Isso

é um processo. Como houve esta vitó-

ria haverá outras, com certeza, e avan- çaremos essa história. Não são só as pedras preciosas, tem as reivindicações de mármore, granito, cerâmica, é uma economia de 80 bilhões, hoje são 40 bilhões, e daqui a uns dias são mais 40 bilhões que estão em negociação com

o Estado em função das várias reivin-

dicações setoriais. Voltando à questão dos investimentos, como dinamizá-los. Eu acho que o principal incentivo, volto um pouco à minha palestra, é lembrar daquela faixa amarela do fluxo de cai- xa. Quanto mais o Estado corre com investimentos, com aportes relativos àquela faixa de alto risco, que é a faixa de exploração, desenvolvimento, mas ele está subsidiando o empreendedor, para que ele possa tomar a sua deci- são de investimento num momento mais próximo do fluxo de caixa positivo do investimento. Na área de mineração, na hora que você minimiza esse risco, quando você coloca à disposição dele, empreendimentos passíveis de serem viabilizados, você reduz este tempo e investimento relativo a descoberto, etc. Agora, viabilizar um empreendimento industrial na área de mineração é como viabilizar empreendimento de qualquer

130

Respostas às questões formuladas pelo público presente

outra atividade. Você terá que disputar mercado, ter um produto competitivo no mercado em termos de qualidade, pre-

Às vezes abrir mer-

cado não é fácil, quer dizer, eu gosto de lembrar o que disse o Elomar recen- temente, que produzir não é difícil, o difícil é mercar. Então este é o grande problema, mercar, vender, este é que é o grande tema. Por exemplo, o pessoal de rocha ornamental para determinado tipo de rocha tem dificuldade de mercar. Porque você tem rocha, mas se ela for cinza, de padrão comum ela terá que competir com 1001 ofertas no merca- do. E mais que isso, vamos dizer o topo de linha cerâmica, que são os griz porcelanatos, por exemplo, que são vendidos na faixa de R$ 50,00/m2 no mercado interno, seria o piso da rocha ornamental. Você terá uma rocha orna- mental de R$ 50,00/m2 é a rocha mais barata do segmento. O consumidor está lá na porta disputando o preço. Isso em termos de mercado nacional. Então quem produzir rocha ornamental tem que se defrontar com essa realidade. Olha, você vai trabalhar com rocha or- namental, está bem, mas o mercado é assim. E aí vem toda uma logística de marketing em torno disso. Não, mas quem quer rocha ornamental em sua casa não quer qualquer revestimento. Está querendo uma obra de arte. Há bom, mas quem pode pagar por uma obra de arte? É uma outra lógica, outro raciocínio para cada situação dessa. A questão do cobre, por exemplo, que está especificada aqui. A Caraíba Me- tais já nasceu superdimensionada em relação à mina, vamos dizer assim. A mina aqui de Caraíba, de mineração, lá em Jaguarari, nunca atendeu mais do que 25% da demanda da Caraíba Metais. Talvez tenha chegado no máxi-

ço, mercado, etc

mo 26, 27%. Mas por que isso? Porque a cadeia produtiva da metalurgia do cobre é uma comoditie. O cobre está sendo negociado todo dia na Bolsa de Londres, Bolsa de Metais. Então você tem que ter uma escala de produção que possa lhe inserir no mercado inter- nacional. Se você coloca uma metalur- gia numa escala menor de produção, você terá uma oferta de catodo, de fios de cobre, etc, que não lhe permite dis- putar com o mercado internacional de cobre, em que está sendo colocada. Então foi dimensionada uma metalur- gia para consumir coisa da ordem, sal- vo engano, ajude-me Teixeira, mas eu acho que são 18 mil toneladas de con- centrado de cobre. Então por isso a metalurgia é uma consumidora voraz de cobre metálico. Aí vem a geopolítica da economia. Como é mais barato trazer concentrado de cobre do Peru e do Chile do que trazer metálico, a equa- ção fecha legal, tranqüila. Eu tenho um ganho nisso muito grande porque a entrada da Caraíba Metais em opera- ção, mesmo consumindo 75% do seu concentrado de cobre vindo do Peru e Chile, mas abasteceu o mercado naci- onal de produto final para a indústria na frente. Então isso tem que entrar na lógica, no pensamento. Eu acho que num curto prazo nós não teremos uma mina de cobre na Bahia. Posso estar enganado, não é Teixeira? Mas eu acho que não teremos, a curto prazo, a en- trada de uma mina de cobre na Bahia que possa levantar esse fornecimento de concentrado para a Caraíba Metais acima dos patamares que hoje nós estamos praticando. Nós vamos abas- tece-la com cobre do Pará, principal- mente da Região do Carajás, e aí gas- taremos menos dólares, ou não gasta- remos dólares, com a importação de

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

cobre. Isso já é um grande avanço. Mas continuaremos produzindo com con- centrado nosso. Isso se certas equa- ções tecnológicas funcionarem como imaginamos. Mas é um aspecto interes- sante. Quem vai trabalhar com metais tem que faze-lo com uma escala glo- bal, com comoditie, pensando em uma cadeia produtiva que depois da guerra fria circula, internacionalmente. Você não tem a geopolítica de reserva de mercados, suprimentos e produtos. Então você tem um mercado global fun- cionando e a China fecha a mina de tungstênio aqui no Brasil, as Minas de Currais Novos, fechada exatamente pela oferta mundial que a China tem feito de xênica, no mercado internacio- nal. Assim que está funcionando a situ- ação do mercado. Recentemente, a magnesita vinha amargando graves prejuízos econômicos com faturamento muito baixo porque os países asiáticos estavam jogando na Europa refratários a base de magnesita com preços muito mergulhados. Foi preciso que a Comu- nidade Européia criasse alíquotas dife- renciais porque elas tinham minas em operação e queriam proteger seus pro- dutos, e aí voltou a atividade da magnesita, e este ano já mostra o faturamento compatível com esta situ- ação do mercado internacional. Então cada situação é única, cada bem mine- ral, cada substância mineral tem um mercado específico que precisa ser analisado de perto. O que o Estado tem feito, e aí voltando objetivamente, é pro- curar, essencialmente, reduzir a parte de custo dos investimentos, a fase de exploração e pesquisa, onde reside o risco mais elevado, colocando a dispo- nibilização destas jazidas para isso aí. Para o Estado interessa equilibrar a balança comercial, e ele já faz um pro-

grama de exportação grande, principal- mente por rochas ornamentais como a pauta da nossa política. Tem também um pouco de cobre para exportação. Agora eu acho que estas políticas pas- sam pelo incentivo que não é o caso específico da Bahia. O Governo Fede- ral tirou o ICMS para exportação, isso igualou todas as exportações do Bra- sil, vamos dizer assim. Mas tem dife- renciais que podem ser agregados, por exemplo, o problema de qualidade. A qualidade da exportação do produto, o treinamento de pessoal no mercado de exportação, isso poderia dar um dife- rencial grande nesta direção. E eu acho que os investimentos são bem-vindos porque há uma carência de capital gran- de. Essa cadeia produtiva, por exem- plo, pedra preciosa, é uma cadeia pro- dutiva que interessa muito fomentar porque achamos que ela pode crescer muito. O Estado tem feito esforços so- bre isso. As coisas têm vieses aí, tem situações que na lógica do Estado seri- am uma coisa de grande impacto. Nós poderíamos ter funcionando no Estado uma empresa demandando um volume de pedras preciosas para lapidar e ca- librar essas pedras o que ia permitir um casamento com a atividade de joalhe- ria, porque os joalheiros produziriam as peças de forma dimensionada para re- ceber a sua pedra bitolada para aque- las garras. Então seria um grande avan- ço. As 21 áreas produtoras de pedras preciosas fariam desse casamento, essa união que estávamos imaginan- do, perfeita e adequada. As circunstân- cias não permitiram que funcionasse assim. Mas o Estado continua, vamos alavancar empresas, está colocado à disposição. Qualquer empreendedor, vocês aqui, que quiserem montar um negócio, vão precisar de cacife para

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Respostas às questões formuladas pelo público presente

alavancar a empresa. O Estado quer ver o projeto de vocês, ter a parceria, etc Isso é uma oferta mundial. Existem al- gumas propostas que estão sendo exa- minadas, para ver se estas empresas deslancham. Desde que solucionados estes problemas, acredito que deslan- chem, crescendo o espaço para esta atividade. Os garimpos são uma área gravíssima do ponto de vista ambiental, se vocês tiverem oportunidade de ir a um garimpo, verão o quanto é grave a situação lá do ponto de vista ambiental, principalmente porque você não tem como identificar o responsável pelo garimpo. Todos são garimpeiros. Você chega, por exemplo, numa área tipo Caraíba: tem 12, 15 mil pessoas traba- lhando lá, segundo dados da Prefeitu- ra de Pindobaçu, mas quem você vai responsabilizar aqui? Quem é que o Estado, você ou qualquer um vai cobrar pelas ações ambientais? Inclusive ris- cos graves, de natureza de trabalho, explosivos, que precisam de interven- ção. É uma reserva garimpeira oficial, você tem quase 6 mil hectares reserva- dos pelo Governo Federal para essa fi- nalidade, garimpagem. Era uma reivin- dicação justa da época. Há uma outra reserva no sul da Bahia, mas esta é a mais atuante. E um problema: com que interlocutor você vai dialogar para im- por certas situações? Você não tem um interlocutor lá, mas há 12 mil pessoas trabalhando ali. Existe uma cooperati- va, nem todos os garimpeiros a reco- nhecem, existe uma associação, mas nem todos a reconhecem. Esse é um problema, por exemplo, da intervenção de poder institucional nesta hora. Por- que o comprador de pedras do Rio de Janeiro que está lá no cartel, se diz garimpeiro. O garimpeiro que está lá embaixo da terra, fuçando e correndo

risco, também se diz garimpeiro. Então é uma cadeia produtiva do anonimato institucional. Quem coloca a cara para assumir essa situação? Quem tem as áreas requeridas, quem produz, etc? Então você envolve também esse pro- blema, como você trabalha?. Isso é uma cadeia produtiva desorganizada na base. As pessoas de maior capacida- de operativa, as empresas com capa- cidade operacional e gerencial etc, vão se apropriando das possibilidades de ganhos a jusante. Funciona assim no Brasil, no mundo inteiro. O que tem cri- ado obstáculos para este processo é justamente a dificuldade tecnológica de produção, porque a medida em que as lavas ficam mais profundas, requerem investimentos empresariais mais signi- ficativos a ponto de que, por exemplo, em Goiás, o maior distrito nosso de es- meraldas, é praticamente tocado por empresas, embora travestido de garim- po. O próprio departamento sabe dis- so. São empresas produzindo. Notíci- as da Gazeta Mercantil de 15 dias atrás mostram o surgimento em Minas Ge- rais da primeira lavra subterrânea or- ganizada de esmeraldas por empresas internacionais. Existem coisas aconte- cendo no mercado, de maneira muito dinâmica, de forma muito veloz. Eu acho que o setor de pedras preciosas vai ser vitorioso ao final de sua luta por- que é justa. Quando você busca igual- dade de mercado, você não está de- fendendo privilégios, quer competir em igualdade de condições, dê estas con- dições que surgirão resultados. Extre- mamente justo e sensato. Agora tem um leque de situações que precisamos co- nhecer e existem vários outros segmen- tos envolvidos. E quem for trabalhar na área de mineração tem que pensar exa- tamente isso. Olha, estou trabalhando

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CADERNOS DE ANÁLISE REGIONAL - PERSPECTIVAS DA MINERAÇÃO NA BAHIA

num mercado que tem conexões inter- nacionais, não estou sozinho neste pro-

cesso, nem na Bahia, nem no Brasil, estou interligado de forma bastante for- te, nesse processo, o que vai impactar

o meu projeto. De que forma? Isso cabe

a reflexão. Muito obrigado, foi um pra-

zer enorme passar esta manhã conver- sando estas coisas na UNIFACS. Lá na Secretaria tem um volume muito gran- de de informações na biblioteca, não só sobre este assunto. Enfim, era isso que eu queria dizer e reafirmar minha satis- fação. Tem também a CBPN para com- plementar tudo isso.

Prof. Rossine Cerqueira da Cruz

Muito obrigado Adalberto, eu passo a palavra aos outros palestrantes para fazerem as considerações finais para encerrarmos.

Prof. Jõao Batista G. Teixeira – Eu

só queria avisar para vocês não fica- rem muito assustados com a termino- logia da geologia. E eu acho que a eco- nomia é um pouco pior. Paulo Henrique – Eu queria agrade- cer também a oportunidade, dizer que

foi bastante construtivo esta oportunida- de com vocês e gostaria de me colocar

a disposição para quaisquer esclareci-

mentos sobre o setor. Nós temos a sede da associação lá na Ladeira do Carmo, 137 no Centro Gemológico da Bahia. Quem for lá poderá ver a escola de lapidação, o laboratório que atesta au-

tenticidade, tira a fotografia também das

gemas, etc

sor Rossine Cerqueira da Cruz tem meu

endereço e telefone de contato e desde

já me coloco a disposição.

E qualquer dúvida, profes-

CEDRE – Centro de Estudos do Desenvolvimento Regional

Núcleo de Estudos do Desenvolvimento Local Núcleo de Estudos do Turismo Núcleo de Estudos Ambientais

UNIFACS Departamento de Ciências Sociais Aplicadas 2

Prédio de Aulas 8 - Campus Iguatemi Alameda das Espatódias, 915 - Caminho das Árvores CEP 41820-460 - Salvador, Bahia Tel.: (71) 273-8528/8557 e-mail: cedre@unifacs.br

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