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FONTES DE ALIMENTAÇÃO

FONTES DE
ALIMENTAÇÃO

INDICE
FONTES DE ALIMENTAÇÃO

➢ Fontes de alimentação
➢ Como as fontes funcionam
➢ Primário e secundário
➢ Observações e dicas
➢ A importância do PFC
➢ A questão da eficiência
➢ 80 PLUS
➢ Distribuição da capacidade

✔Fontes de alimentação
Embora muitas vezes relegada a segundo plano, a fonte de alimentação é um dos
componentes mais importantes de qualquer PC atual, já que a qualidade da fonte
está diretamente relacionada à estabilidade, possibilidades de expansão e até
mesmo à durabilidade do conjunto. Tendo isso em vista, não é de se estranhar toda
a atenção em torno de fontes de grande capacidade e de toda a tecnologia
relacionada a elas.
FONTES DE ALIMENTAÇÃO

Embora muitas vezes relegada a segundo plano, a fonte de alimentação é um dos


componentes mais importantes de qualquer PC atual, já que a qualidade da fonte está
diretamente relacionada à estabilidade, possibilidades de expansão e até mesmo à
durabilidade do conjunto.

O papel da fonte na estabilidade está relacionado ao fato de que ela é a responsável


por fornecer energia aos componentes. Tensões mais baixas que o ideal, ou excesso
de variações (ripple) podem levar a travamentos e problemas gerais de estabilidade.
Outra função da fonte é atenuar variações na corrente da tomada, absorvendo picos
de tensão e mantendo o PC funcionando quando a tensão cai momentaneamente (ao
ligar o chuveiro, por exemplo).

Um fornecimento inadequado ou instável de energia causa também danos


cumulativos no processador, módulos de memória, circuitos de regulação da placa-
mãe e outros componentes, levando a problemas prematuros. Um PC perfeitamente
saudável, pode apresentar problemas em apenas um ou dois anos se usado em
conjunto com uma fonte de baixa qualidade.

Finalmente, temos as possibilidades de expansão, que estão relacionadas à


capacidade da fonte, um fator que vem recebendo cada vez mais atenção,
acompanhando o aumento no consumo elétrico dos PCs. Qualquer PC mediano, com
um processador quad-core ou uma placa 3D um pouco mais parruda pode facilmente
exceder a capacidade de fornecimento de uma fonte genérica, fazendo com que ela
desligue durante o boot, ou simplesmente exploda, causando danos aos componentes.

Tendo isso em vista, não é de se estranhar toda a atenção em torno de fontes de


grande capacidade e de toda a tecnologia relacionada a elas. Tipicamente, os
problemas da fonte se acentuam com o aumento na carga, por isso é tão comum que
fontes de baixa qualidade "abram o bico" depois de upgrades que aumentam o
consumo do PC.
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✔Como as fontes funcionam


Você pode imaginar a corrente alternada da tomada como uma onda, que oscila 60
vezes por segundo, onde a energia é transmitida através de pulsos, em oposição à
corrente contínua usada por circuitos eletrônicos. O uso de corrente alternada reduz
brutalmente a perda durante a transmissão a longas distâncias, o que a torna ideal
para uso na rede pública.

Aparelhos domésticos como ventiladores, geladeiras e aquecedores trabalham muito


bem com corrente alternada, mas aparelhos eletrônicos em geral precisam que ela
seja transformada em corrente contínua, o que nos leva à fonte de alimentação.

A função básica da fonte de alimentação (ou PSU, de "power supply unit") é


transformar a corrente alternada da rede elétrica em corrente contínua, filtrar e
estabilizar a corrente e gerar as tensões de 3.3V, 5V e 12V fornecidas aos demais
componentes.

Tudo começa com um estágio de filtragem. Ele tem duas funções: "filtrar" a energia
que vem da tomada, removendo ruído e atenuando picos de tensão e ao mesmo
tempo evitar que o ruído gerado por componentes da fonte (em especial os
transístores que fazem o chaveamento) chegue à rede elétrica, interferindo com
outros aparelhos.

Nas boas fontes ele é tipicamente dividido em dois sub-estágios, com parte dos
componentes soldados a uma pequena placa de circuito presa ao conector de força e
os demais instalados na placa principal, próximos aos pontos de solda dos dois cabos
de energia provenientes do primeiro sub-estágio:

Os componentes do filtro incluem tipicamente duas bobinas (L1 e L2), um varístor


(encarregado de absorver picos de tensão), que nessa foto está escondido entre a
bobina da direita e os fios de energia, um ou dois capacitores X (que usam um
encapsulamento retangular, amarelo) e um par de capacitores Y (eles são azuis,
parecidos com os varistores dos filtros de linha).
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Embora importante, é comum que o estágio de filtragem seja simplificado nas fontes
de baixa qualidade, o que é um risco. Nesse caso, é comum que a placa conserve
espaços vazios ou sejam usadas pontes (pedaços de fio usados para fechar contato)
no lugar de vários dos componentes.

✔Primário e secundário
Depois do filtro, chegamos aos circuitos de conversão, que se encarregam do trabalho
pesado. Eles são divididos em dois estágios, que são convenientemente chamados de
primário e secundário. Cada um deles ocupa uma das metades da fonte, separados
pelo transformador principal (a grande bobina amarela), que quase sempre fica bem
no meio da fonte.

O estágio primário fica do lado esquerdo, que inclui o capacitor primário, os


transístores de chaveamento e um ou dois dos dissipadores, enquanto o secundário
domina o lado direito, de onde saem os fios de alimentação:

Em geral, as fontes incluem apenas dois dissipadores metálicos, um para cada um dos
dois estágios. Essa CX400W das fotos usa um dissipador separado (à esquerda) para o
circuito de PFC, por isso ela tem três no total.

Continuando, o estágio primário inclui também a ponte retificadora (o componente


maior, preso a um dos dissipadores), um circuito de filtragem e o circuito chaveador. A
função deles é retificar e aumentar a frequência da corrente, gerando uma corrente
de alta frequência (acima de 100 kHz, contra os 60 Hz da tomada), com ondas
quadradas, que é então enviada ao transformador.
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A ideia é reduzir o intervalo entre os ciclos, o que reduz o trabalha necessário para
transformá-la em corrente contínua, eliminando a necessidade de usar grandes
transformadores, como em fontes antigas. Isso faz com que as fontes chaveadas
sejam não apenas muito mais leves e baratas do que as antigas fontes lineares, mas
também bem mais eficientes. Hoje em dia, até mesmo as fontes de celulares são
fontes chaveadas.

Continuando, a ponte retificadora, juntamente com os transístores de chaveamento


(MOSFETs) inevitavelmente transformam uma boa parte da energia em calor,
justamente por isso são presos a um dos dissipadores metálicos. Quando falamos em
"transístores" vem à mente a imagem dos transístores minúsculos que formam os
processadores, mas a necessidade de lidar com cargas elevadas faz com que os
MOSFETs sejam bem maiores:

Em seguida temos o transformador, que tem a função de reduzir a tensão, produzindo


uma corrente de 12V (ainda alternada e de alta frequência), que é enviada ao estágio
secundário da fonte. Como pode imaginar, o segundo estágio tem a função de
"terminar o serviço", convertendo a corrente alternada de alta frequência fornecida
pelo transformador em corrente contínua, utilizando um segundo conjunto de circuitos
de retificação e um novo circuito de filtragem, que inclui as bobinas e os vários
pequenos capacitores:
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✔Observações e dicas
Assim como no caso dos transístores do estágio primário, os MOSFETs e retificadores
usados no estágio secundário dissipam bastante calor, por isso são conectados a mais
um dissipador metálico.

A maioria das fontes usam também um segundo transformador (bem menor), que é
usado para gerar as tensões de 5V e 3.3V da fonte, mas alguns projetos utilizam
conversores DC-DC (veja mais detalhes a seguir) para gerá-las a partir da saída do
transformador principal, simplificando o projeto.

Fontes antigas usam três transformadores em vez de dois. Este terceiro transformador
é usado para isolar eletricamente o controlador PWM. Nas fontes mais atuais ele é
substituído por três optoacopladores (um tipo de circuito integrado simples, que inclui
um LED e um fototransistor), que desempenham a mesma função, mas de maneira
mais eficiente.

Temos aqui uma fonte genérica antiga, que usa o layout com três transformadores.
Você pode notar que ela usa bem menos componentes, com transformadores, bobinas
e capacitores bem menores, que acompanham a baixa capacidade de fornecimento:
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O controlador PWM é um pequeno chip encarregado de monitorar as tensões de saída


da fonte e ajustar a frequência do circuito chaveador para compensar qualquer
variação. Nas fontes atuais é comum que seja usado um único chip, combinando as
funções de controlador PWM e circuito de PFC, sobre o qual falarei mais logo adiante:
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É bastante comum que os fabricantes usem as características dos capacitores como


ferramenta de marketing, anunciando que a fonte usa "capacitores japoneses" ou
"capacitores de classe industrial". Naturalmente, é bem melhor que a fonte use
capacitores da Hitachi do que de algum fabricante chinês desconhecido, ou que eles
sejam certificados para trabalharem a até 105°C em vez de 85°C, por exemplo, mas
essa é uma característica que não deve ser levada ao pé da letra.

Os dissipadores também não são necessariamente um indício da qualidade da fonte,


já que eles são dimensionados de acordo com a capacidade, eficiência e a potência do
exaustor. Uma fonte pode possuir dissipadores grandes e pesados simplesmente por
ter um baixo nível de eficiência (e consequentemente dissipar mais calor) ou usar
dissipadores modestos por que o fabricante conseguiu desenvolver uma fonte mais
eficiente (menos calor para dissipar), ou optou por aumentar a velocidade de rotação
do exaustor (mais barulho).

Muitas das etapas de produção da fonte são feitas manualmente, por isso é muito
comum encontrar braçadeiras, soldas manuais e até mesmo componentes presos com
cola quente, mesmo nas fontes de boa qualidade. É justamente por isso que a grande
maioria das fontes são produzidas em países da ásia, onde a mão de obra é mais
barata (assim como no caso dos processadores, memórias e quase todos os demais
produtos eletrônicos hoje em dia).

Construir uma fonte de alimentação é relativamente simples (muito mais do que


produzir um processador ou uma GPU, por exemplo) e a tecnologia é bem conhecida e
bem documentada. O grande problema é que fontes de qualidade são caras de se
construir, o que obriga os fabricantes a fazerem opções com relação à capacidade e à
qualidade dos componentes usados, ao mesmo tempo em que tentam diferenciar seus
produtos em relação aos oferecidos pelos concorrentes.

Isso faz com que as fontes sejam a classe de periféricos onde mais existe variação de
qualidade e de preço. De um lado, temos fontes genéricas de 30 reais e do outro
fontes de alta capacidade que podem custar quase 1000 reais. Como sempre, as
melhores opções estão entre os dois extremos, mas nem sempre é fácil encontrá-las.
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✔A importância do PFC
Ao comprar um nobreak (ou um estabilizador, caso você ainda viva na década de
1980), a capacidade é sempre informada em VA (Volt-Ampere) e não em watts. Em
teoria, um nobreak de 600 VA seria capaz de suportar uma carga de 600 watts, mas
na prática ele muitas vezes acaba mal conseguindo manter dois PCs que consomem
200 watts cada um. Se você adicionasse mais PCs até totalizar os 600 watts, ele
desligaria devido ao excesso de carga.

Essa diferença ocorre por que a capacidade em VA é igual ao fornecimento em watts


apenas em situações onde são ligados dispositivos com carga 100% resistiva, como é
o caso de lâmpadas incandescentes e aquecedores.

Sempre que são incluídos componentes indutivos ou capacitivos, como no caso dos
PCs e aparelhos eletrônicos em geral, a capacidade em watts é calculada
multiplicando a capacidade em VA pelo fator de potência da carga.

A maioria das fontes de alimentação genéricas, assim como fontes antigas, trabalham
com um fator de potência de 0.65 ou menos (não confunda "fator de potência" com
"eficiência", que é outra coisa completamente diferente). Isso significa que um
nobreak de 600 VA suportaria, em teoria, um PC que consumisse 400 watts, utilizando
uma fonte de alimentação com fator de potência de 0.65.

Como é sempre bom trabalhar com uma boa margem de segurança, um conselho
geral era dividir a capacidade em VA por 2. Assim, um nobreak de 600 VA suportaria
um PC com consumo total de 300 watts/hora com uma boa margem.

A partir de 2004/2005 começaram a surgir no mercado as fontes com PFC ("Power


Factor Correction", ou "fator de correção de potência") implementado através de um
circuito adicional que reduz a diferença, fazendo com que o fator de potência seja
mais próximo de 1. Na verdade, é impossível que uma fonte trabalhe com fator de
potência "1", mas muitas fontes com PFC ativo chegam muito perto disso, oferecendo
um fator de potência de até 0.99.

Dentro da fonte, o circuito de PFC ativo é composto por uma pequena placa de circuito
vertical, quase sempre posicionada próxima ao capacitor primário (algumas fontes
com PFC ativo podem utilizar dois capacitores quando existem restrições com relação
ao espaço para um único grande capacitor, mas elas são raras), contendo o
controlador e vários componentes adicionais espalhados pela fonte. Alguns
controladores populares (sobre os quais você pode pesquisar se estiver curioso) são o
ML4800 e o CM6800.
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Na maioria dos casos, você encontra também uma placa secundária ligeiramente
menor, que inclui os circuitos de proteção contra subtensão e sobretensão, proteção
contra sobrecarga e/ou controle de rotação do exaustor, que são ligados a um diodo
térmico instalado em alguma posição estratégica:
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Embora o PFC não tenha uma relação direta com a capacidade ou com a eficiência da
fonte, ele oferece várias vantagens. A primeira é que o consumo em VA fica muito
próximo do consumo real, em watts, de forma que você não precisa mais
superdimensionar a capacidade do nobreak. Usando fontes com FPC ativo, você
realmente poderia usar uma carga próxima de 600 watts no nobreak de 600 VA do
exemplo.

Outra vantagem no uso do PFC é uma redução expressiva na emissão de ruído e


interferência eletromagnética por parte da fonte, o que evita problemas diversos. Ele
isola parcialmente os demais circuitos da fonte da rede elétrica, o que torna a fonte
menos susceptível a variações e reduz a possibilidade de componentes do PC serem
queimados por causa de picos de tensão. Ou seja, embora esta não seja sua função, o
circuito de PFC acaba servindo como um dispositivo adicional de proteção.

Mais uma vantagem é que o circuito é capaz de ajustar automaticamente a tensão de


entrada, permitindo que a fonte opere dentro de uma grande faixa de tensões, indo
normalmente dos 90 aos 264V. Não apenas o velho seletor de voltagem é eliminado,
mas também a fonte passa a ser capaz de absorver picos moderados de tensão e de
continuar funcionando normalmente durante brownouts (onde a tensão da rede cai
abaixo da tensão normal) de até 90V.

Caso você ainda use um estabilizador, saiba que com o PFC ele perde completamente
a função, já que a fonte passa a ser capaz de ajustar a tensão de entrada de maneira
muito mais eficiente que ele. Mesmo ao usar fontes genéricas, a utilidade de usar um
estabilizador é discutível, mas ao usar com uma com PFC ativo, o estabilizador só
atrapalha. Na falta de um nobreak, o melhor é utilizar um bom filtro de linha.
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A presença do PFC é também um bom indício de que se trata de uma fonte de boa
qualidade, que provavelmente opera com uma boa eficiência. Fontes genéricas não
possuem PFC, já que os circuitos representam um custo adicional.

Uma observação importante é que existem dois tipos de circuitos de PFC: passivos e
ativos. Os circuitos de PFC passivos são os mais simples, compostos basicamente por
um conjunto adicional de indutores capacitores. Eles melhoram o fator de potência da
fonte, elevando-o para até 70 ou 80%, o que é melhor do que nada, mas ainda não é o
ideal. Os circuitos de PFC passivo são muito usados em fontes de celular e outros
dispositivos pequenos (eles são um pré-requisito mínimo nos países da União
Europeia) mas caíram em desuso nas fontes para PC, onde são encontrados apenas
em fontes baseadas em projetos antigos.

Os circuitos de PC ativo, por sua vez, são compostos por componentes eletrônicos,
incluindo um circuito integrado, FETs e diodos, que operam de maneira muito mais
eficiente, elevando o fator de potência para 95 ou até mesmo 99%, praticamente
eliminando a diferença entre watts e VA. São eles os mais usados em fontes para PC,
já que são necessários para atender aos requisitos do 80 PLUS.

✔A questão da eficiência
Assim como no caso de um chuveiro elétrico, a maior parte do custo de uma fonte de
alimentação não está no custo do produto propriamente dito, mas sim na energia
desperdiçada por ela ao longo da sua vida útil. Qualquer fonte, por melhor que seja,
desperdiça energia durante o processo de conversão e retificação, energia essa que
acaba "indo pelo ralo" na forma de calor dissipado pelo exaustor.

A eficiência é o percentual de energia que a fonte consegue realmente entregar aos


componentes, em relação ao que puxa da tomada. Ela não tem relação com a
capacidade real de fornecimento da fonte (ou seja, uma fonte de 450 watts de boa
qualidade deve ser capaz de fornecer os mesmos 450 watts, seja a eficiência de 65%
ou de 90%), mas uma baixa eficiência indica que a fonte vai não apenas desperdiçar
energia no processo, mas vai também produzir muito mais calor, o que significa um
PC mais quente e mais barulhento.

Com os PCs consumindo cada vez mais energia, a eficiência da fonte tem se tornado
um fator cada vez mais importante, já que está diretamente relacionado ao consumo
total do micro.

Um PC cujos componentes internos consumam 200 watts em média (sem contar o


monitor, já que ele não é alimentado pela fonte de alimentação), acabaria consumindo
307 watts se usada uma fonte com 65% de eficiência. Ao mudar para uma fonte com
80% de eficiência, o consumo cairia para apenas 250 watts. Caso você conseguisse
encontrar uma fonte com 90% de eficiência (elas são raras, mas lentamente estão se
tornando mais comuns) o consumo cairia mais um pouco, indo para os 225 watts.

Fontes genéricas de uma maneira geral trabalham com um nível de eficiência


bastante baixo, na maioria dos casos na faixa dos 60 a 65%, já que a prioridade dos
fabricantes é reduzir os custos e não melhorar a eficiência do projeto. Por outro lado, a
maioria das fontes de qualidade da safra atual são capazes de trabalhar acima dos
80%, uma diferença que ao longo do tempo acaba se tornando bastante considerável.
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Basta fazer as contas. Tomando como base um PC de configuração modesta, que


consumisse uma média de 100 watts e ficasse ligado 12 horas por dia, teríamos o
seguinte:

○ Fonte com 65% de eficiência:

 Consumo médio: 152.3 watts/hora


 Consumo total ao longo de 12 meses: 667 kilowatts-hora

○ Fonte com 80% de eficiência:

 Consumo médio: 125 watts/hora


 Consumo total ao longo de 12 meses: 547 kilowatts-hora
Dentro do exemplo, tivemos uma redução de 120 kWh, que (tomando como base um
custo de 44 centavos por kWh) correspondem a 53 reais. Se o PC ficar ligado
continuamente, ou se levarmos em conta o consumo ao longo de dois anos, a
economia já vai para 106 reais, o que começa a se tornar uma redução significativa.

Ao usar um PC mais parrudo, com um processador quad-core e uma placa 3D mais


parruda, o consumo pode chegar facilmente aos 300 watts, o que poderia levar a
diferença aos 300 reais anuais, o que é um valor mais do que significativo.

Isso faz com que, na maioria dos casos, fontes de boa qualidade, que ofereçam uma
eficiência de 80% ou mais acabem saindo mais barato a longo prazo do que fontes
genéricas, que podem ter um custo inicial pequeno, mas que acabam comendo toda a
diferença a longo prazo na forma de um aumento mensal na conta de luz. Fazendo as
contas, você vai chegar à conclusão que fontes mais caras, porém mais eficientes,
podem acabar saindo bem mais barato a longo prazo, mesmo desconsiderando todos
os outros fatores.

Outro fator a considerar dentro da ideia do custo é a questão da durabilidade. Muita


gente troca de fonte sempre que faz algum upgrade significativo no PC ou quando a
fonte parece estar ficando "velha", o que não é necessário em absoluto ao usar uma
fonte de boa qualidade. A maioria dos bons produtos possuem um MTBF de 60.000
horas (o que equivale a quase 7 anos de uso ininterrupto) e, mesmo assim, o valor se
aplica mais ao exaustor (que é o único componente móvel) e não à fonte
propriamente dita. Se você somar o custo de três ou quatro fontes genéricas
substituídas prematuramente, vai acabar chegando ao preço de uma fonte melhor.

O menor consumo também aumenta a autonomia do nobreak, já que, com menos


carga, as baterias durarão mais tempo. Isso pode levar a outras economias, já que
reduz a necessidade de usar baterias externas, ou de usar um nobreak de maior
capacidade.

Chegamos então a uma segunda questão, que é como diferenciar as fontes de maior e
menor eficiência, já que mesmo muitas fontes consideradas "boas", como a
SevenTeam ST-450P-CG (que em 2009 custava custava mais de 200 reais) trabalham
abaixo dos 70% de eficiência. Chegamos então ao 80 PLUS.
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✔80 PLUS
Embora muito se fale sobre as capacidades das fontes, a preocupação com a
eficiência é um fator relativamente recente, que pegou carona na tendência geral em
busca de componentes de baixo consumo. Não adianta muito fazer malabarismos para
reduzir a tensão ou o clock do processador para economizar energia, se a fonte
desperdiça mais de um terço de toda a energia que recebe da tomada.

O grande problema é como separar o joio do trigo, já que os fabricantes de fontes são
especialmente criativos na hora de inflar as capacidades ou enrolar com relação ao
percentual de eficiência. Quem nunca comprou uma fonte genérica de "450 watts" por
40 reais, que atire a primeira pedra... :)

O 80 PLUS é um programa de certificação, que faz parte do programa Energy Star


(que existe desde 1992 e é atualmente adotado por diversos países, incluindo a União
Europeia, Japão, EUA, Taiwan, Canadá e outros). O Energy Star foi o responsável pela
introdução de recursos como o desligamento do monitor e dos HDs depois de algum
tempo de inatividade, entre diversas outras funções "verdes" que são encontradas nos
PCs atuais. O 80 PLUS é um programa de certificação para fontes, que atesta que ela
é capaz de manter uma eficiência de pelo menos 80% em três níveis de
carregamento: 20%, 50% e 100%.

Complementarmente, ela deve oferecer também um fator de potência de 90% ou


mais com 100% de carregamento, o que torna obrigatório o uso de PFC ativo (veja
mais detalhes a seguir). Além de pesquisar pelas fontes com o selo, você pode
também consultar uma lista com todas as fontes certificadas no:
http://80plus.org/manu/psu/psu_join.aspx

Para cada fonte, está disponível um PDF com os resultados dos testes, que serve
como uma espécie de "mini-review" da fonte, feito em condições controladas. Nele
você pode ver o gráfico com a eficiência em cada um dos três níveis e as
especificações detalhadas:
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Uma observação é que os testes do 80 PLUS são realizados com temperatura


ambiente de 23 graus, o que corresponde à realidade de muitos países da Europa,
mas não da maioria dos estados do Brasil (e provavelmente não dentro do seu PC).
Como tanto a eficiência quanto a capacidade efetiva da fonte são ligeiramente
afetadas pelo aumento da temperatura, os números obtidos na prática podem ser
ligeiramente diferentes, com a fonte apresentando uma eficiência 2 ou 3% menor do
que a exibida no teste do 80 PLUS, por exemplo.

Entretanto, não existem motivos para pânico com relação à capacidade de


fornecimento da fonte, pois para trabalhar com 80% de eficiência ou mais com 100%
de carregamento, a fonte precisa na verdade ser dimensionada para oferecer uma
capacidade substancialmente maior. Ao usar a fonte com uma temperatura ambiente
mais alta, ela pode trabalhar mais perto do limite, ficar um pouco mais barulhenta
(devido ao aumento na velocidade de rotação do exaustor) e oferecer uma eficiência
ligeiramente mais baixa, mas ainda dentro de um nível aceitável de segurança.

Em um esforço para diferenciar seus produtos, muitos fabricantes incluem nas


especificações a temperatura na qual a capacidade nominal é garantida,
especificando que a fonte é capaz de fornecer 450 watts a 45°C, por exemplo, o que é
um argumento a mais a favor da qualidade do modelo.
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Continuando, inicialmente, a certificação era inteiramente facultativa, mas a partir de


2007 ela passou a fazer parte do Energy Star 4.0, o que acelerou bastante a adoção
por parte dos fabricantes, já que atender ao padrão é um pré-requisito para vender
para muitas grandes empresas e entidades governamentais.

O selo "80 PLUS" é sempre colocado em local visível na caixa e também na página do
fabricante, o que o torna uma forma simples de diferenciar as fontes de qualidade das
genéricas ou semi-genéricas.

Além de atestar a eficiência, ele atesta também que a fonte é capaz de realmente
operar dentro da capacidade máxima com uma certa folga, o que põe fim ao velho
engodo dos fabricantes em divulgarem a capacidade de pico e não a capacidade real.

Construir fontes capazes de atingir os 80% de eficiência a 100% de carregamento é


uma tarefa difícil, por isso não faz sentido que um fabricante produza uma fonte capaz
de atingir a marca e deixe de submetê-la ao processo de certificação. Se uma fonte
promete "85% de eficiência", mas não possui o selo, é bem provável que o fabricante
esteja mentindo, ou que os 85% sejam atingidos apenas em situações ideais.

Um bom exemplo é a polêmica Huntkey 350 Green Star, uma "semi-genérica" que foi
muito vendida no Brasil como um modelo de baixo custo. O PDF com as especificações
divulgado pela Huntkey fala 85% de eficiência, mas a seguir fala em 70% de eficiência
mínima em full-load, o que indica que na verdade a fonte trabalha com uma eficiência
muito mais baixa:

De fato, este modelo também não é capaz de fornecer os 350 watts prometidos à
temperatura ambiente (e ela realmente explode perigosamente ao tentar fazê-lo), o
que explica a falta do selo.

Em 2008 foram criadas três certificações complementares, que são conferidas às


fontes que são capazes de atingir níveis ainda mais altos de eficiência:

○ 80 PLUS Bronze: 82% de com 20% de carga, 85% com 50% e 82%
com 100%
○ 80 PLUS Silver: 85% de com 20% de carga, 88% com 50% e 85% com
100%
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○ 80 PLUS Gold: 87% de com 20% de carga, 90% com 50% e 87% com
100%

Uma observação importante é que as fontes atingem o nível máximo de eficiência em


torno dos 50% de carregamento, apresentando eficiências ligeiramente mais baixas
tanto com pouca carga, quanto com muita carga. É justamente por isso que o o 80
PLUS Gold exige 90% de eficiência apenas nos 50%. Este é um exemplo de curva de
eficiência em uma fonte 80 PLUS:

O nível que as fontes são menos eficientes é abaixo dos 20%, quando não apenas a
eficiência é mais baixa, mas também o fornecimento é menos estável. Uma analogia
tosca poderia ser feita com relação a um motor à gasolina, que é eficiente em
rotações médias e altas, mas engasga em baixa rotação.

Ironicamente, esta peculiaridade com relação ao fornecimento é um fator que faz com
que muitas fontes genéricas se saiam melhor do que deveriam em testes de
eficiência. Explico: ao usar uma fonte de 450 watts reais ou mais em um PC de baixo
consumo, que passa a maior parte do tempo consumindo apenas 60 ou 70 watts, a
fonte passará a maior parte do tempo operando abaixo dos 20% de capacidade, zona
em que mesmo as melhores fontes não são muito eficientes. Nessa situação, mesmo
uma fonte 80 PLUS pode apresentar resultados desanimadores, já que o programa
testa a eficiência da fonte apenas a partir dos 20% e não menos.

Nessa situação, uma fonte genérica com uma capacidade real de 160 ou 200 watts (e
provavelmente anunciada pelo fabricante como uma fonte de "450 watts") poderia
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apresentar uma eficiência similar, já que estaria operando mais próximo aos 50%,
zona em que as fontes são mais eficientes.

Em outras palavras, o ideal é sempre dimensionar a fonte de acordo com a


capacidade do PC. Ao montar um PC de baixo consumo, prefira fontes 80 PLUS
menores, de 300 a 400 watts, que farão um trabalho bem melhor ao alimentarem PCs
abaixo dos 100 watts. Assim como em tantos outros casos, a capacidade da fonte
deve ser corretamente dimensionada; não é apenas questão de sair comprando a
fonte de maior capacidade que encontrar.

Um bom exemplo de fontes de boa qualidade abaixo dos 400 watts são as fontes de
300 a 350 watts da Seasonic, como a SS-300ET e a SS-300ES, que possuem o 80 PLUS
Bronze:
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Apesar da aparência despretensiosa, elas possuem uma qualidade muito boa e são
mais baratas que os modelos da Corsair, Zalman e Cooler Master. Elas são ideais para
PCs de baixo consumo, pois são capazes de manter uma eficiência acima de 82% com
qualquer carga entre 60 e 300 watts, diferente de fontes de capacidade maior, que
atingem a faixa dos 80% apenas quando fornecendo 100 watts ou mais.

Apesar de ser relativamente desconhecida, a Seasonic é uma das maiores fabricantes


de fontes. Entretanto, a maioria das unidades são produzidas sob encomenda para
outros fabricantes, incluindo a Corsair e a Arctic Cooling.

A alternativa seguinte seriam fontes de 400 watts, como a Corsair 400CX, que tem um
custo moderadamente acessível e também apresenta uma boa faixa de eficiência
entre os 80 e 100 watts.

De volta à eficiência, outra coisa a ter em mente é que embora quase todas as fontes
atuais sejam bivolt, elas operam com um nível de eficiência ligeiramente melhor
quando ligadas no 220. A diferença varia de acordo com o modelo e a capacidade da
fonte, mas está sempre presente:
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Se você mora em uma região com tensão 220, nem pense em usar um transformador
para reduzir a tensão antes de fornecê-la ao PC, pois você só vai perder dinheiro e
reduzir a eficiência da fonte. Em vez disso, invista em um aterramento adequado e
aproveite a vantagem natural oferecida pela concessionária de energia.

✔Distribuição da capacidade
Um fator importante ao escolher uma fonte é a distribuição da capacidade entre as
tensões de 3.3, 5 e 12V. Micros antigos (até o Pentium III no caso da Intel e até o
Athlon soquete A no caso da AMD) utilizam primariamente energia das saídas de 3.3 e
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5V (usando a saída de 12V apenas para os drives e exaustores) enquanto os PCs


atuais usam quase que exclusivamente a saída de 12V.

Fontes antigas, baseadas no padrão ATX12V 1.3 são dimensionadas para os PCs
antigos, fornecendo apenas 12 ou 16 amperes na saída de 12V, o que é insuficiente
para os PCs atuais. Um bom exemplo é a Thermaltake HPC-420-102, uma fonte que
oferece 420 watts no total, mas que devido à distribuição é capaz de fornecer apenas
216 watts (18 amperes) na saída de 12V:
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A redistribuição da capacidade veio junto com o padrão ATX12V 2.0, que reduziu a
capacidade recomendada de fornecimento nas saídas de 3.3 e 5V, priorizando a de
12V. Uma fonte atual é, tipicamente, capaz de fornecer 28 amperes ou mais na saída
de 12V, com algumas dividindo a corrente em duas ou mais vias de 18A e outras
oferecendo uma via unificada. Vamos aos detalhes:

O termo "rail" pode ser traduzido como "via" ou "trilho" e nada mais é do que um
circuito separado dentro da fonte, responsável pelo fornecimento de uma das tensões.

Antes do padrão ATX, as fontes possuíam dois circuitos separados, um para a tensão
de 5V e outro para a de 12V. Com o padrão ATX, foi adicionado um terceiro,
responsável pela tensão de 3.3V. Todas as fontes fornecem também tensões de -5V e
-12V, mas a corrente é muito baixa e elas não são mais usadas desde o século
passado.

Em micros antigos (até o 486), a maioria dos componentes eram alimentados


diretamente a partir da saída de 5V da fonte e a saída de 12V era usada apenas para
os motores dos HDs, drives de disquete e coolers. Conforme foram sendo introduzidas
técnicas mais avançadas de fabricação, os componentes passaram a utilizar tensões
cada vez mais baixas, o que tornou necessário o uso de circuitos de regulagem de
tensão.

Eles começaram como simples resistores que eliminavam o excesso na forma de calor
(que não era um grande problema na época, já que os processadores consumiam
pouca energia) e progrediram até chegarem aos complexos conversores DC/DC
usados nas placas atuais.

Conforme o consumo dos processadores e placas 3D foi crescendo, as placas


deixaram de usar as saídas de 3.3 e 5V e passaram a obter energia diretamente a
partir da saída de 12V. O motivo é simples: com uma tensão maior, é possível
transmitir a mesma quantidade de energia usando uma "amperagem" muito mais
baixa, o que simplifica os projetos e permite atingir níveis bem maiores de eficiência.
Hoje em dia, todos os processadores e placas 3D (que são os responsáveis por mais
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de 80% do consumo total do PC) são alimentados quase que exclusivamente pela
saída de 12V da fonte.

Essa migração exigiu mudanças nos projetos das fontes. Um boa fonte ATX de 300
watts da década de 1990 era tipicamente capaz de fornecer 10 amperes na saída de
12V (120 watts), enquanto boas fontes de 400 ou 450 watts atuais fornecem 30
amperes ou mais.

A confusão surgiu com o padrão ATX12V 1.3, que recomendava o uso de um máximo
de 18 amperes na saída de 12V (com um topo de 20 amperes, ou 240 watts), uma
precaução contra a possibilidade de acidentes. Dentro do padrão, fontes capazes de
fornecer mais do que isso nas saídas de 12V devem utilizar duas ou mais vias
separadas, daí termos tantas fontes que são capazes de fornecer 400 watts ou mais,
mas utilizam duas ou mais saídas independentes, cada uma limitada a um máximo de
18 amperes.

A configuração mais comum nesses casos é uma das vias ser usada para alimentar o
conector de 24 pinos (que alimenta o processador e a maioria dos componentes) e a
outra usada para os conectores molex e PCI Express, que alimentam a placa 3D e os
drives. Nesse exemplo, temos uma Cooler Master de 360W, que utiliza duas vias de
12V, onde você pode exigir 15A (180 watts) de cada uma, desde que o total não
ultrapasse 288 watts:

As duas vias podem ser obtidas através do uso de dois circuitos independentes (o que
é muito raro, já que encarece a fonte) ou através de um único circuito de maior
capacidade e dois limitadores de potência, que geram as duas vias separadas (o mais
comum).

O grande problema é que caso os dispositivos ligados a uma das vias exijam mais do
que 180 watts (imagine o caso de duas placas 3D em SLI, por exemplo), eles poderiam
facilmente sobrecarregar a via em que estão ligados, fazendo com que a fonte
desligasse, independentemente de quantas vias de 12V ela possuísse.
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Em um PC "normal", com uma única placa 3D e um processador mediano, isso não


chega a ser um grande problema, já que o processador (consumindo energia dos
conectores de 24 e 4 pinos da placa-mãe) e a placa 3D (usando o conector PCIe, ou
conectores molex) utilizariam vias separadas e seria muito difícil que cada um
utilizasse sozinho mais do que 180 watts.

Entretanto, é fácil de atingir o limite ao usar duas placas em SLI, ou mesmo ao usar
um processador quad-core em overclock, o que levou a Intel a flexibilizar a norma a
partir do padrão ATX12V 2.0. Surgiram então as fontes "single +12V rail", onde toda a
capacidade de fornecimento da fonte em 12V é oferecida em uma única via,
eliminando a divisão.

Isso permite que os componentes se sirvam de energia à vontade, sem o antigo limite
de 180 watts. Além de servir como um bom argumento de marketing, essa abordagem
também reduz um pouco o custo de produção (já que não é mais preciso usar os
limitadores de potência) e evita que você precise superdimensionar a capacidade da
fonte, com medo de ultrapassar o limite de alguma das vias.

A Corsair VX450W, por exemplo, oferece 33 amperes (396 watts) através da via única
de 12V, enquanto fontes maiores chegam a fornecer 1000 watts em uma única via:

Ao mesmo tempo em que isso é desejável, fornecer tanta energia em uma única via
também oferece um certo risco, não apenas para o equipamento, mas também para
quem o manuseia, por isso é importante comprar fontes single +12V rail de
fabricantes responsáveis. Se a fonte não for bem construída, coisas realmente
interessantes podem acontecer.
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