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Curso Prático & Objetivo

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A Estrutura da Terra

01. Estrutura Interna

O interior da Terra, assim como o interior de outros


planetas terrestriais, é dividido por critérios químicos em
uma camada externa denominada de crosta ou litosfera e
sendo composta de silício, um manto altamente viscoso, e
um núcleo que consiste de uma porção sólida envolvida por
uma pequena camada líquida. Esta camada líquida dá origem
a um campo magnético devido a convecção de seu
material, eletricamente condutor.

O material do interior da Terra encontra frequentemente a


possibilidade de chegar à superfície, através de erupções
vulcânicas e fendas oceânicas. Muito da superfície terrestre
é relativamente novo, tendo menos de 100 milhões de anos;
as partes mais velhas da crosta terrestre têm até 4,4 bilhões de anos.

Figura 1 - Estrutura interna da Terra: o modelo clássico de primeira ordem, em camadas


concêntricas, obtida a partir das ondas sísmicas. Mantêm-se as divisões na devida escala,
exceto para as crostas e a zona de baixa velocidade.

Camadas terrestres, a partir da superfície:

a) Litosfera (de 0 a 60,2km)


b) Crosta (de 0 a 30/35 km)
c) Manto (de 60 a 2900 km)
d) Astenosfera (de 100 a 700 km)
e) Núcleo externo (líquido - de 2900 a 5100 km)
f) Núcleo interno (sólido - além de 5100 km)

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Tomada por inteiro, a Terra possui aproximadamente seguinte composição em massa:

34,6% de Ferro
29,5% de Oxigênio
15,2% de Silício
12,7% de Magnésio
2,4% de Níquel
1,9% de Enxofre
0,05% de Titânio

O interior da Terra atinge temperaturas de 5.270 K. O calor interno do planeta foi gerado
inicialmente durante sua formação, e calor adicional é constantemente gerado pelo decaimento de
elementos radioativos como urânio, tório e potássio. O fluxo de calor do interior para a
superfície é pequeno se comparado à energia recebida pelo Sol (a razão é de 1/20k).

As características do interior da Terra foram obtidas através de ondas sísmicas geradas por
grandes terremotos. Os dois modos principais de propagação das vibrações sísmicas são as ondas
P (longitudinal) e S (transversal). Junto à superfície da Terra, propagam-se também as ondas
superficiais: onda Rayleigh (C), que é uma combinação de ondas P e S onde cada partícula oscila
num movimento elíptico, e ondas Love, com oscilação horizontal transversal.

A velocidade de propagação das ondas P é maior que a da S. Vale salientar também que as
ondas S não se propagam em meios líquidos e gasosos, apenas nos sólidos.

Figura 2 - Acima os diversos tipos de ondas sísmicas

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02. A Crosta Terrestre

A crosta (que forma a maior parte da litosfera) tem uma extensão variável de acordo com a
posição geográfica. Em alguns lugares chega a atingir 80 km, mas geralmente estende-se por
aproximadamente 30 km de profundidade. É composta basicamente por silicatos de alumínio,
sendo por isso também chamada de Sial.

Existem basicamente tipos de crosta, sendo a oceânica (5-10Km) e a continental (30-80Km),


sendo bastante diferentes em diversos aspectos. A crosta oceânica, devido ao processo de
expansão do assoalho oceânico e da subducção de placas, é relativamente muito nova, mais
densa, menos espessa e mais jovem que a continental. Normalmente é formada por uma camada
homogênea de rochas basálticas.

A crosta continental é composta de rochas sedimentares até as rochas metamórficas, tendo


espessura média entre 30 a 80km nas regiões tectonicamente estáveis (crátons), e entre 60 a
80km nas cadeias montanhosas como os Himalaias e os Andes.

A fronteira entre o manto e crosta é denominada de descontinuidade de Mohorovicic (ou


Moho). Como o próprio nome indica, esta fronteira é descontínua, variando em espessura e
distância da superfície. Esta distância varia de entre 5 km a 10 km no fundo dos oceanos a cerca
de 35-40 km abaixo dos continentes, podendo atingir 60 km sob as cordilheiras e montanhas mais
elevadas. Já a espessura varia de 0,1 km até alguns quilômetros.

Figura 3 - Seção da crosta continental e oceânica

Princípio da Isostasia

Isostasia, ou movimento isostático, é o termo utilizado em Geologia para referir o estado de


equilíbrio gravitacional, e as suas alterações, entre a litosfera e a astenosfera da Terra (porção
superior do manto, fluida e quente, sobre a qual as placas tectônicas se movimentam ou flutuam).
Esse processo resulta da flutuação das placas tectônicas sobre o material mais denso da
astenosfera, cujo equilíbrio depende das suas densidades relativas e do peso da placa. Tal
equilíbrio implica que um aumento do peso da placa (por espessamento ou por deposição de
sedimentos, água ou gelo sobre a sua superfície) leva ao seu afundamento, ocorrendo,
inversamente, uma subida (em geral chamada re-emergência ou rebound), quando o peso
diminui.

A isostasia pode ser encarada como o simples reequilibrio no deslocamento do volume de um


fluido (neste caso a astenosfera) pela flutuação de um sólido (neste caso a litosfera) num processo
em tudo semelhante ao observado por Arquimedes. Quanto mais pesada a camada litosférica,

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maior volume de material astenosférico deve ser deslocado para que o equilíbrio se mantenha.
Uma imagem sugestiva deste processo é o iceberg: quanto maior altura tiver acima da água, mais
profunda estará a sua base.

Na realidade, as grandes extensões (placas com milhares de quilômetros de comprimento) e a


elevada viscosidade dos materiais envolvidos tornam estes processos extremamente lentos (o
reequilíbrio pode levar milhões de anos) e sujeitos a um complexo jogo de efeitos, em muitos casos
contrários, resultantes dos processos de erosão e sedimentação, da própria geodinâmica e da
tectônica de placas, que empurram as placas em direcções diversas, provocando a sua subida ou
afundamento (tal como uma embarcação se inclina e altera o calado quando empurrada pelo
vento).

Quando uma região da litosfera atinge o equilíbrio entre o peso relativo da placa litosférica e a
sua espessura inserida na astenosfera, diz-se que está em equilíbrio isostático. Contudo, largas
áreas continentais, como a região dos Himalaia, não estão em equilíbrio, nem parecem tender
para ele, o que demonstra a existência das outras forças geodinâmicas em jogo que permitem a
manutenção de uma topografia que não corresponde à que seria determinada pela isostasia.

No caso dos Himalaia, a explicação reside na impulsão causada pela placa tectônica indiana,
comprimindo o bordo da placa eurasiática, que literalmente força a subida da região que ora se
constitui com o mais alta do planeta, sem a correspondente deslocação astenosférica (pois tal
como acontece numa abóbada, as forças que mantêm aquelas montanhas em posição são
descarregadas lateralmente e não para baixo).

Em conclusão, a isostasia é a tradução geológica da impulsão hidrostática descrita pelo


princípio de Arquimedes: para que exista equilíbrio, o aumento do peso das litosfera traduzido na
existência de elevações topográficas (ou a presença de sedimentos ou massas de gelo ou água)
deve traduzir-se num correspondente afundamento da placa, e vice-versa. Contudo, este processo
decorre numa escala de tempo geológico e está sujeito à homeostasia resultante da complexidade
do sistema geológico. Os fluxos laterais necessários para ajustar as variações decorrem muito
lentamente: a Escandinávia continua a subir lentamente (cerca de 9 mm/ano) por ajustamento
isostático em resultado do desaparecimento dos gelos da última glaciação, e assim continuará por
muitas centenas de milhares de anos.

Figura 3 - O iceberg flutua porque o volume submerso é mais leve que o volume de água
deslocado. De igual forma, o volume relativamente leve da crosta continental, projetada no
manto, permite a flutuação da montanha.

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03. Manto

A porção mais volumosa (80%) de todas as geosferas é o Manto. Divide-se em Manto


Superior e Manto Inferior. É composto por substâncias ricas em ferro e magnésio. Também
apresenta características físicas diferentes da crosta. O material de que é composto o manto pode
apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa, em virtude das pressões elevadas.
Porém, ao contrário do que se possa imaginar, a tendência em áreas de alta pressão é que as
rochas mantenham-se sólidas, pois assim ocupam menos espaço físico do que os líquidos. Além
disso, a constituição dos materiais de cada camada do manto tem seu papel na determinação do
estado físico local. (O núcleo interno da Terra é sólido porque, apesar das imensas temperaturas,
está sujeito a pressões tão elevadas que os átomos ficam compactados; as forças de repulsão
entre os átomos são vencidas pela pressão externa, e a substância acaba se tornando sólida.)

A Descontinuidade de Gutenberg é uma das camadas da Terra, separando o manto do


núcleo.Esta camada separa o manto inferior do núcleo externo, a cerca de 2883 Km de
profundidade. A partir deste limite as ondas S deixam de se propagar, pois o núcleo externo é
líquido e as ondas P diminuem a sua velocidade.

04. O Núcleo

A massa específica média da Terra é de 5.515 quilogramas por metro cúbico, fazendo dela o
planeta mais denso no Sistema Solar. Uma vez que a massa específica do material superficial da
Terra é apenas cerca de 3000 quilogramas por metro cúbico, deve-se concluir que materiais mais
densos existem nas camadas internas da Terra (devem ter uma densidade de cerca de 8.000
quilogramas por metro cúbico). Em seus primeiros momentos de existência, há cerca de 4,5
bilhões de anos, a Terra era formada por materiais líquidos ou pastosos, e devido à ação da
gravidade os objetos muito densos foram sendo empurrados para o interior do planeta (o processo
é conhecido como diferenciação planetária), enquanto que materiais menos densos foram trazidos
para a superfície. Como resultado, o núcleo é composto em grande parte por ferro (80%), e de
alguma quantidade de níquel e silício. Outros elementos, como o chumbo e o urânio, são muitos
raros para serem considerados, ou tendem a se ligar a elementos mais leves, permanecendo
então na crosta.

O núcleo é dividido em duas partes: o núcleo sólido, interno e com raio de cerca de 1.250 km,
e o núcleo líquido, que envolve o primeiro. O núcleo sólido é composto, segundo se acredita,
primariamente por ferro e um pouco de níquel. Alguns argumentam que o núcleo interno pode
estar na forma de um único cristal de ferro. Já o núcleo líquido deve ser composto de ferro líquido
e níquel líquido (a combinação é chamada NiFe), com traços de outros elementos. Estima-se que
realmente seja líquido, pois não tem capacidade de transmitir as ondas sísmicas. A convecção
desse núcleo líquido, associada a agitação causada pelo movimento de rotação da Terra, seria
responsável por fazer aparecer o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido
como teoria do dínamo. O núcleo sólido tem temperaturas muito elevadas para manter um campo
magnético, mas provavelmente estabiliza o campo magnético gerado pelo núcleo líquido.

Evidências recentes sugerem que o núcleo interno da Terra pode girar mais rápido do que o
restante do planeta, a cerca de 2 graus por ano.

Magma e Lava

Magma é rocha fundida, localizado normalmente dentro de uma câmara de magma, debaixo
da superfície da Terra. Essa complexa solução de silicatos a alta temperatura, entre 650 e 1200
graus Celsius, é ancestral de todas as rochas ígneas, sejam elas intrusivas ou extrusivas. O
magma permanece sob alta pressão e, algumas vezes, emerge através das fendas vulcânicas, na
forma de lava fluente e fluxos piroclásticos. Os produtos de uma erupção vulcânica geralmente
contêm gases dissolvidos que podem nunca ter alcançado a superfície do planeta. O magma se

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acumula em várias câmaras de magma, situadas no interior da crosta terrestre, cuja localização
resulta em leves alterações na sua composição.

Lava é rocha em fusão que um vulcão expele durante uma erupção. Enquanto ainda sob a
superfície da terra, a rocha em fusão, quando ainda no interior da terra e com a sua constituição
original (rocha e gases), é denominada magma. Lava solidificada é conhecida como rocha ígnea
extrusiva, embora o termo escoada lávica refira-se à formação rochosa endurecida. Devido à sua
elevada temperatura, normalmente entre os 600 ºC e os 1250 ºC, a lava pode ser bastante fluída.
Quando é expelido da chaminé vulcânica solidifica devido à diminuição da sua temperatura,
tornando-se uma rocha magmática extrusiva. Entretanto, a lava pode fluir por muitos quilômetros
antes de se solidificar formando uma escoada lávica. Uma escoada lávica activa refere-se a uma
escoada lávica que possui ainda rocha fundida.

Figura 4 - Escoada Lávica

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Placas Tectônicas
01. Introdução

Uma placa tectônica é uma porção de litosfera limitada por zonas de convergência e/ou
zonas de subducção. Atualmente, a Terra tem sete placas tectônicas principais e muitas mais
sub-placas de menores dimensões. Segundo a teoria da tectônica de placas, as placas
tectônicas são criadas nas zonas de divergência, ou "zonas de rifte”, e são consumidas em
zonas de subducção. É nas zonas de fronteira entre placas que se registam a grande maioria dos
terremotos e erupções vulcânicas.
Placas Principais

a) Placa Africana
b) Placa da Antártida
c) Placa Australiana
d) Placa Eurasiática
e) Placa do Pacífico (rodeada pelo Círculo de Fogo do Pacífico)
f) Placa Norte-americana
g) Placa Sul-americana

Figura 1 - As placas tectônicas da Terra foram cartografadas na segunda metade do


século XX

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02. Tectônicas de Placas

Tectônica de Placas é uma teoria da geologia, desenvolvida para explicar o fenômeno da


deriva continental, sendo a teoria atualmente com maior aceitação entre os cientistas que
trabalham nesta área. Na teoria da tectônica de placas a parte mais exterior da Terra está
composta de duas camadas: a litosfera, que inclui a crosta e a zona solidificada na parte mais
externa do manto, e a astenosfera que inclui a parte mais interior e viscosa do manto. Numa escala
temporal de milhões de anos, o manto parece comportar-se como um líquido super-aquecido e
extremamente viscoso, mas em resposta a forças repentinas, como os terremotos, comporta-se
como um sólido rígido.

A teoria da tectônica de placas surgiu a partir da observação de dois fenômenos geológicos


distintos: a deriva continental, identificada no início do século XX e a expansão dos fundos
oceânicos, detectada pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi
desenvolvida no final dos anos 60 e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas,
tendo revolucionado as Ciências da Terra (comparável no seu alcance com o desenvolvimento da
tabela periódica na Química, a descoberta do código genético na Biologia ou à mecânica quântica
na Física).

Atenção: A divisão do interior da Terra em litosfera e astenosfera baseia-se nas suas


diferenças mecânicas. A litosfera é mais fria e rígida, enquanto que a astenosfera* é mais quente
e mecanicamente mais fraca. Esta divisão não deve ser confundida com a subdivisão química da
Terra, do interior para a superfície, em: núcleo, manto e crosta.

astenosfera* - porção superior do manto, fluida e quente, sobre a qual as placas se


movimentam.

03. Teoria das Tectônicas das Placas

O princípio chave da tectônica de placas é a existência de uma litosfera constituída por placas
tectônicas separadas e distintas, que flutuam sobre a astenosfera. A relativa fluidez da astenosfera
permite que as placas tectônicas se movimentem em diferentes direcções.

As placas contactam umas com as outras ao longo dos limites de placa, estando estes
comumentes associados a eventos geológicos como terremotos e a criação de elementos
topográficos como cadeias montanhosas, vulcões e fossas oceânicas. A maioria dos vulcões ativos

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do mundo situa-se ao longo dos limites de placas, sendo a zona do Círculo de Fogo do Pacífico a
mais conhecida e ativa. Estes limites são apresentados em detalhe mais adiante.

As placas tectônicas podem incluir crosta continental ou crosta oceânica, sendo que,
tipicamente, uma placa contém os dois tipos. Por exemplo, a placa Africana inclui o continente
africano e parte dos fundos marinhos do Atlântico e do Índico. A parte das placas tectônicas que é
comum a todas elas, é a camada sólida superior do manto que se situa sob as crostas continental
e oceânica, constituindo conjuntamente com a crosta a litosfera.

A distinção entre crosta continental e crosta oceânica baseia-se na diferença de densidades


dos materiais que constituem cada uma delas; a crosta oceânica é mais densa devido às
diferentes proporções dos elementos constituintes, em particular do silício. A crosta oceânica é
mais pobre em sílica e mais rica em minerais máficos (geralmente mais densos), enquanto que a
crosta continental apresenta maior percentagem de minerais félsicos (em geral menos densos).

Como consequência, a crosta oceânica está geralmente abaixo do nível do mar (como, por
exemplo, a maior parte da placa do Pacífico), enquanto que a crosta continental se situa acima
daquele nível (ver isostasia para uma explicação deste princípio).

04. Tipos de Limites de Placas

São três os tipos de limites de placas, caracterizados pelo modo como as placas se deslocam
umas relativamente às outras, aos quais estão associados diferentes tipos de fenômenos de
superfície:

a) Limites transformantes, transcorrentes ou conservativos - ocorrem quando as


placas deslizam ou mais precisamente roçam uma na outra, ao longo de falhas transformantes
(tipo de falha geológica, sendo um caso particular de falhamento de desligamento com terminação
abrupta, em ambas extremidades, numa estrutura geológica transversa), não ocorre produção nem
destruição da crosta. O movimento relativo das duas placas pode ser direito ou esquerdo,
consoante se efetue para a direita ou para a esquerda de um observador colocado num dos lados
da falha.

Muitas falhas transformantes ocorrem nos oceanos, gerando feições do tipo zig-zag, pois são
transversais às Cadeias Meso-Oceânicas. Entretanto, essas falhas podem se estender para
dentro do continente, como a Falha de Santo André, na Califórnia, nos Estados Unidos. Nesse
caso, a Placa do Pacífico, onde está situada a cidade de Los Angeles, se desloca para o norte,
enquanto a Placa Norte-Americana, contendo a cidade de São Francisco, se movimenta para sul.
Quando a energia concentrada ao longo desses limites é liberada, há movimentação das placas,
ocorrendo uma série de terremotos com focos rasos e, portanto, altamente destrutivos.

Figura 2 - Falha de Santo André, um tipo de falha transformante localizado na


Califórnia, nos Estados Unidos

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b) Limites divergentes ou construtivos - ocorrem quando duas placas se afastam uma da


outra. Um exemplo de limite de placas divergente é o encontro entre a placa Sul-americana e a
placa Africana no meio do Oceano Atlântico. O material adicionado forma o assoalho oceânico e
provoca o afastamento das duas placas em questão. Este tipo de limite entre placas está muitas as
vezes associado à dorsal meso-oceânica.

Os limites divergentes ocorrem quando uma nova crosta oceânica é criada, com
movimentação horizontal das placas em sentido oposto. Desse modo, o surgimento de um oceano
se inicia com a fragmentação de um continente, em regime tectônico extensional.

No primeiro estágio de "abertura de um oceano" ocorre o soerguimento e abaulamento da


crosta continental e eventualmente o seu fraturamento. Uma grande depressão se desenvolve no
continente e a água do mar invade as terras mais baixas, formando lagos salinos. A atividade
vulcânica é intensa, pois o afinamento crosta continental faz com que a camada quente e fluída
abaixo da litosfera (a astenosfera) se aproxime da superfície. Esse tipo de ambiente geotectônico é
chamado de "rift valley" (termo geológico em inglês que significa "vale de fendas de grande
extensão"). O exemplo atual de um continente nesta fase de fragmentação é o “Rift Valley”
Africano, na África Oriental (Etiópia, Uganda, Quênia, República do Congo, Tanzânia, Malui e
Moçambique).

Figura 3 - Mapa do Grande Vale do Rift mostrando alguns dos vulcões historicamente
ativos (triângulos vermelhos) e o Triângulo de Afar (rosa escuro), o ponto de encontro – ou
de afastamento - de três placas: a Placa Arábica e as duas partes da Placa Africana (a Núbia
e a Somali).

No segundo estágio, a divergência das forças se acentua e a crosta continental se fragmenta


formando dois continentes, agora separados por um oceano encaixado em uma grande fratura. A

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ascenção do material magmático quente da astenosfera gera uma série de atividades vulcânicas,
formando um denso assoalho de composição básica (basalto), denominada crosta oceânica. As
bordas continentais soerguidas tornam-se "área fonte" (onde ocorre intemperismo e erosão das
rochas) dos sedimentos depositados nas bacias oceânicas adjacentes. O exemplo atual de um
oceano nesse estágio de abertura é o Mar Vermelho que separa a Península Arábica da África
Oriental.

Se a divergência prossegue, chega-se ao terceiro estágio da "formação de um oceano". O calor


vindo da astenosfera fica restrito à região oceânica central, onde a atividade vulcânica intensa
forma a Dorsal ou Cadeia Meso-Oceânica. À medida que as placas se distanciam, mais frias ficam
suas bordas continentais (pois estão longe do centro de geração de calor) e estas são recobertas
pelas águas marinhas, formando a plataforma continental. O exemplo atual desse estágio é o
Oceano Atlântico que separa a América da África e Europa, cuja abertura teve início há 180
milhões de anos, com a fragmentação do supercontinente Pangea, circundado por um único
oceano existente na época, chamado de Pantalassa (do grego que significa "todos os mares").

Hoje em dia, uma das mais baixas taxas de separação de placas é de cerca de 2.5 cm/ano,
quer dizer 25 km em 1 milhão de anos (Cadeia do Ártico). A velocidade mais rápida de separação
acontece na Cadeia do Pacífico Leste, próximo à Ilha de Páscoa, com mais de 16 cm/ano.

Figura 4 - Limites de Placas Divergentes

Dorsal oceânica (também chamada dorsal submarina ou dorsal meso-oceânica) é o nome


dado a grandes cadeias de montanhas submersas no oceano, que se originam do afastamento das
placas tectônicas. O soerguimento das placas e seu conseqüente afastamento se dá devido a
correntes convectivas de magma divergentes no manto. As dorsais submarinas dos oceanos estão
conectadas, formando a maior cadeia de montanhas do mundo, com cerca de 60.000 km de
extensão.

c) Limites convergentes ou destrutivos - (também designados por margens ativas)


ocorrem quando duas placas se movem uma em direção à outra, formando uma zona de
subducção* (se uma das placas mergulha sob a outra) ou uma cadeia montanhosa (se as placas
simplesmente colidem e se comprimem uma contra a outra).

Zona de subducção, região de subducção ou zona de Benioff-Wadati, é uma área de


convergência de placas tectônicas, onde uma das placas desliza para debaixo da outra. As zonas

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de subducção são áreas onde o alastramento oceânico iniciado dos rifts encontra compensação,
isto é, onde as placas desaparecem. Este movimento descendente provoca a fusão parcial do
manto subjacente e induz vulcanismo.

As maiores zonas de subducção encontram-se no Oceano Pacífico, ao largo da costa Oeste


da América do Sul e América do Norte. A Cordilheira dos Andes e os seus vulcões é o maior
exemplo de vulcanismo associado a zonas de subducção.

As zonas de subducção são potenciais focos sísmicos. Os terremotos de consequências mais


devastadoras estão normalmente associados a este enquadramento geológico. A fricção das duas
placas pode provocar a libertação repentina de enormes quantidades de energia, que resulta no
terremoto.

Acredita-se que as dimensões das massas continentais não tenham variado significativamente
desde a formação do planeta Terra. As variações das dimensões das massas continentais
sugerem que a crosta deve ser destruída na mesma medida em que é criada. Tal destruição
(reciclagem) da crosta ocorre ao longo dos limites convergentes das placas tectônicas, por colisão
ou porque uma placa mergulha sob a outra na forma de "subducção" ou é até colocada sobre a
outra na forma de "obducção", em regime tectônico compressivo e constante ao longo do tempo.

O tipo de convergência de placas tectônicas depende do tipo de litosfera envolvida:

a) Oceânica - Continental;
b) Continental - Continental;
c) Oceânica - Oceânica.

a) Convergência Oceânica-Continental

Se fosse possível drenar o Oceano Pacífico, seria visto um grande número de longas e
estreitas "fossas" (ou trincheiras) com 8 a 10 km de profundidade, cortando o substrato
oceânico. As fossas correspondem às porções mais profundas dos oceanos e são criadas por
subducção de crostas nos limites de placas convergentes (observe a figura abaixo).

Na costa oeste da América do Sul, ao longo da fossa Peru-Chile, a placa oceânica de Nazca
está sendo empurrada por baixo da placa continental Sul-Americana. Por outro lado, está em
soerguimento a Cordilheira dos Andes na placa Sul-Americana. Terremotos fortes e destrutivos
ocorrem nos limites dessas placas, sendo comum a formação de cadeias de montanhas na crosta
continental, cujo processo é denominado "orogênese".

A convergência oceânica - continental gera muitos dos vulcões hoje ativos, produzindo um
"arco magmático" na borda do continente, com rochas de composição intermediária a ácida
("andesito" a "riolito", respectivamente). Nessas regiões, as atividades vulcânicas na crosta
continental estão claramente associadas com a subducção da crosta oceânica ao longo das fossas
tectônicas.

Figura 5 - Convergência de Placa Oceânica com Placa Continental

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b) Convergência Continental-Continental

Devido à diferença de densidade entre a crosta oceânica e a crosta continental, a crosta


oceânica (mais densa) é geralmente empurrada por baixo da crosta continental (menos densa),
mergulhando para as regiões mais profundas da Terra, ao longo da zona de subducção (veja o
estágio 1 da figura-6). Se esse movimento continua, a crosta oceânica é totalmente destruída,
dando origem à colisão de continentes. Nesse processo, os continentes se aglutinam uns aos
outros, resultando numa grande cadeia de montanhas (veja o estágio 2 do modelo). A Cordilheira
dos Himalaias, exemplo desse tipo de convergência, foi formada a partir da colisão das placas da
Índia e da Ásia, no processo iniciado há cerca de 70 milhões de anos e que continua até hoje em
dia.

Ao contrário dos outros fenômenos, esse produz, no continente, forte deformação


(dobramentos e falhamentos) e intenso "metamorfismo" (processo pelo qual uma rocha é
transformada em outro tipo de rocha com características distintas, através de reações no estado
sólido), podendo chegar à fusão parcial de suas rochas, gerando atividades plutônicas ácidas
("granito").

Figura 6 - Colisão de Placas Continentais

Na colisão de placas do tipo margem continental passiva, pode haver "cavalgamento" da crosta
oceânica sobre a crosta continental, através de processo tectônico muito complexo, denominado
obdução. Neste caso, são formados os "ofiolitos" (rochas que representam fatias de crosta
oceânica ou manto posicionado em meio a rochas continentais, geralmente associado com

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sedimentos marinhos na zona de colisão de placas). Exemplos de ofiolitos são encontrados


atualmente no Chipre (Complexo de Troodos) e na Arábia Saudita (Montanhas de Omã).

Figura 7 - Exemplo de Convergência Continental-Continental

c) Oceânica - Oceânica

Assim como ocorre uma zona de subducção na convergência oceano - continente, o mesmo
fenômeno se dá quando duas placas oceânicas se encontram. Neste processo também há a
formação de uma fossa oceânica. A Fossa das Marianas (paralela às Ilhas Marianas), com
profundidade próxima a 11 km, é produto da convergência da Placa do Pacífico com a das
Filipinas.

Neste processo também ocorrem vulcões. Depois de milhões de anos de acúmulo de lavas
desses vulcões submarinos, formam-se inúmeras ilhas vulcânicas. Estas, por sua vez, dão origem
aos arquipélagos, conhecidos como "arcos de ilhas", situados atrás da zona de subducção
(observe a figura abaixo).

O magma que gera as rochas dos arcos de ilhas tem composição intermediária ("andesito") e é
um produto da fusão da crosta oceânica subductada com o material ascendente da astenosfera. A
placa descendente produz uma fonte de acumulação de energia pela interação com a outra placa,
levando a freqüentes terremotos de intensidade moderada a forte.

Figura 8 - Exemplo de Convergência Oceânica-Oceânica

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05. HOT SPOT

São locais do manto terrestre onde existe uma anomalia térmica (o ponto quente ou hotspot),
aparentemente associada a fenômenos de convecção térmica que traz magma mais quente das
zonas profundas para as proximidades da superfície, que se traduzem na superfície terrestre pela
existência de continuado vulcanismo, ou seja chaminés pequenas de vulcões muitas vezes
deixando um rastro que assinala o movimento da placa tectônica sobre a zona de ascensão do
magma.

A maioria dos vulcões ocorre nas bordas de placas, mas existem exceções. No caso das Ilhas
do Havaí, situadas no meio da Placa do Pacífico, todas têm origem vulcânica, mas o limite de
placa mais próximo fica a cerca de 3.200 km de distância. Isto ocorre devido ao fenômeno
conhecido como "hot spot" (traduzido do inglês como "pontos quentes"). Os hot spots são registros
pontuais de atividades magmáticas relacionadas com ascenção de material do manto,
denominadas "plumas do manto", que têm origem na interface do manto inferior com o núcleo
externo. Imagine os continentes sendo “carregados” sobre a crosta oceânica, como se fossem
objetos em uma esteira rolante. Assim, enquanto uma placa se move sobre um hot spot, o material
do manto chega à superfície e forma vulcões, na verdade, ilhas vulcânicas e até cordilheiras
submarinas (veja figura abaixo).

Figura 9 - Formação de Hot Spot, nas Ilhas do Havaí, Oceano Pacífico

06. Dorsal Meso-Atlântica

A dorsal meso-atlântica ou crista oceânica do Atlântico é uma cordilheira submarina que se


estende sob o Oceano Atlântico e o Oceano Ártico. Os pontos mais elevados desta cordilheira
emergem em vários locais, formando ilhas.

A dorsal meso-atlântica faz parte da do sistema global de dorsais oceânicas, e como é o caso
de todas as dorsais oceânicas, crê-se que a sua formação fique a dever-se a um limite divergente
entre placas tectônicas: a placa Norte-americana e a placa Euroasiática, no Atlântico Norte e a
placa Sul-americana e a placa Africana no Atlântico Sul. Estas placas encontram-se em
movimento e por isso o Atlântico encontra-se em expansão ao longo desta dorsal, ao ritmo de 2 a
10 cm por ano.

As ilhas estendem-se por cerca de 11.300 km e na sua maior parte encontra-se submersa,
mas ergue-se até à superfície, entre outros locais, na Islândia, na Ilha de Ascensão e nos
Açores, onde se situa um dos seus pontos mais elevados, a Ponta do Pico na Ilha do Pico, com
2.351 metros de altitude.

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Figura 10 - Dorsal Meso-Oceânica

Figura 11 - Visão geral dos tipos de limites de placas

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Exercícios

01) Quais das alternativas abaixo são falsas?

I - A estrutura da Terra pode ser dividida em núcleo, manto e crosta (ou litosfera).
II - A crosta oceânica é mais espessa e mais densa que a continental.
III - Lava é o magma trazido à superfície da crosta por erupções vulcânicas.
IV - Cadeias de montanhas são formadas em zonas de colisão de placas tectônicas.
V - Arcos de ilhas vulcânicas estão associadas a zonas de colisão de placas constituídas.

a) Somente a alternativa II.


b) I e IV.
c) I, II e V.
d) Somente a alternativa V.
e) Nenhuma delas.

02) Relaciona a primeira coluna com a segunda:

1) Limite de Placa Divergente


2) Limite de Placa Convergente
3) Limite de Placa Transcorrente
4) Rifte Continental
5) Falhas Transformantes

( ) Lineamentos transversais das dorsais meso-oceânicas.


( ) Zonas de expansão do assoalho oceânico.
( ) Marcado pela ocorrência de fossas ou trincheiras abcissais.
( ) Limite ou Zona de criação de nova placa no interior do continente africano.
( ) Falha de San Andréas, na Califórnia (EUA).

03. Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Subducção
2) Dorsal Meso-Oceânica
3) Correntes de Convexão
4) Magma
5) Astenosfera

( ) Ocorre em zonas de convergência (colisão) de placas, onde parte da crosta é consumida.


( ) Porção superior do manto, fluida e quente, sobre a qual as placas tectônicas se movimentam.
( ) Fusão de silicatos, sulfetos, óxidos, gases e vapor de água.
( ) Cadeias de montanhas submarinas que marcam limites de placas divergentes.
( ) Fluxo calorífico do interior da Terra que causa a circulação dos materiais constituintes do
manto.

04. Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Himalaias
2) Andes
3) Arquipélago do Hawaii
4) Indonésia
5) Islândia

( ) Colisão de placas envolvendo crosta oceânica x crosta continental.


( ) Associado a um ponto quente (hot spot).
( ) Associada à Dorsal Meso-Atlântica.

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( ) Limite convergente de placas, com a colisão de crosta continental x crosta continental.


( ) Colisão de placas envolvendo crosta oceânica x crosta oceânica.

Gabarito

1) opção “a”, pois a crosta oceânica é menos espessa. As demais opções estão todas
corretas.

2) 3 - 1 - 2 - 4 - 5

3) 1 - 5 - 4 - 2 - 3

4) 2 - 3 - 5 - 1 - 4

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Dobras Geológicas

Introdução

1. Definição
2. Principais elementos geométricos
3. Classificação das Dobras
4. Resumo

1. Definição

Dobras são superfícies curvas resultantes da deformação de camadas sedimentares ou de


outras superfícies originalmente planares. São umas das estruturas geológicas mais espetaculares,
e por si demonstram a ocorrência de deformações dúcteis em larga escala da crosta terrestre.

São em geral produtos de tensões tectônicas (esforços no interior da terra) compressivas,


embora dobras de origem atectônica (escorregamentos, fluidização, ação da gravidade), devidas a
deslizamentos.

Dobras podem ter formas tridimensionais bastante complexas (figura 1). Duas aproximações
geométricas podem ser visualizadas no sentido de descrever a forma das superfícies dobradas, a
saber, as dobras cilíndricas e as dobras cônicas.

Figura 1 - Superfície dobrada genérica.

As dobras cilíndricas podem ser geradas geometricamente pela translação de uma linha no
espaço (figura 2). A linha geratriz é chamada de eixo da dobra.

Figura 2 – Principais elementos geométricos de uma dobra cilíndrica.

Dobras cônicas podem ser desenhadas pela rotação de uma linha geratriz em torno de um
eixo (figura 3).

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Figura 3 - Geometria de uma dobra cônica circular.

As dobras reais que ocorrem natureza até certo ponto aproximam-se dessas geometrias
simples. Em geral as porções medianas e centrais de uma dobra aproximam-se da geometria
cilíndrica, enquanto que suas terminações têm em geral formato cônico (figura 1).

A maior parte das descrições, classificações e termos relacionados a dobras referem-se a


dobras cilíndricas, e a maior ênfase nelas será dada neste texto básico.

Figura 4 - Domínios de deformação natural em função da pressão hidrostática/lotostática e


temperatura. As linhas BT-AT e AP-BT representam o comportamento esperado em regimes
de altos e baixos gradientes térmicos, respectivamente. AP = alta pressão, BP = baixa
pressão; AT = alta temperatura; BT = baixa temperatura.

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2. Principais Elementos Geométricos

A forma das dobras cilíndricas é descrita no plano de perfil da dobra (Figura 5), ou seja, em
um plano perpendicular ao seu eixo (figura 2). Em uma dobra teórica, perfeitamente cilíndrica, a
forma das superfícies dobradas é igual em qualquer plano tomado perpendicular ao seu eixo. Por
outro lado, cortes em posições oblíquas ao eixo podem ter formas extremamente variadas, e não
refletem a real geometria tridimensional da dobra. Portanto, a descrição das dobras cilíndricas
pode ser reduzida em grande parte a um problema bidimensional, tomando-se o plano do seu
perfil.

Figura 5 - Plano de Perfil da Dobra

Figura 6 - Sa: Superfície Axial; Lc: Linha de Charneira; Zc: Zona de Charneira; Li: Linha de
Inflexão; Fl: Flanco; a: Plano de Perfil da Dobra.

Vista no plano do perfil da dobra, um trecho de uma superfície dobrada pode ter um certo raio
de curvatura. Em geral, essa curvatura não é constante, e podemos definir uma região ou zona
de charneira, onde corresponde ao segmento de curvatura máxima, e em boa parte dos casos,
uma linha de charneira, que é composta pela união dos pontos de máxima curvatura através da
superfície dobrada, vista no espaço (figuras 1 e 2, Foto1). A linha de charneira é conhecida com
geratriz ou eixo da dobra.

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Foto 1 - Charneira de dobras aproximadamente cilíndricas.

É importante observar que em dobras cilíndricas a linha de charneira deve coincidir com a
direção do eixo de dobra. Mas, enquanto que a linha de charneira é uma feição física, observável e
mensurável, o eixo de dobra é um ente geométrico abstrato. No entanto, na linguagem usual do
geólogo de campo, é comum o uso dos dois termos de uma forma menos precisa como sinônimos.

A região de charneira de uma dobra deve ser distinguida do ponto mais elevado da superfície
dobrada, que é denominada cumeeira ou linha de crista. O ponto mais baixo da dobra é
chamado de linha de quilha (figura 7).

Figura 7 - Distinção entre a cumeeira (ponto mais elevado) e charneira (ponto de maior
curvatura) de uma dobra.

A região de menor curvatura corresponde aos flancos da dobra (cada um dos lados da
dobra). O ponto ou linha de inflexão corresponde ao lugar no flanco onde o sentido da curvatura
da superfície dobrada inverte-se.

Considerando-se as várias superfícies dobradas em uma dobra, a superfície que contém todas
as linhas de charneira é denominada superfície axial, ou plano axial (figura 2). A orientação de
uma dobra é descrita pela orientação de sua linha de charneira (eixo) e sua superfície (plano) axial.

A semelhança dos fenômenos ondulatórios, as dimensões de uma dobra podem ser


especificadas pela sua amplitude e seu comprimento de onda (figura 8).

Figura 8 - A: amplitude; W: comprimento de onda; i: ponto de inflexão.

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A abertura de uma dobra pode ser o definida pelo seu ângulo interflancos (figura 9).

Figura 9 - Ângulos Interflancos

3. Classificação das Dobras

As dobras podem ser classificadas em dois tipos: atectônicas (relacionadas com a dinâmica
externa do planeta) e tectônicas (relacionadas com a dinâmica interna).

As atectônicas são provenientes da ação da gravidade a as tectônicas pela ação da


temperatura e pressão do interior da Terra.

As dobras tectônicas são formadas por dois mecanismos: flamblagem e cisalhamento.

Flamblagem é o mecanismo de dobra que promove o encurtamento das camadas


perpendiculares à superfície axial das dobras, preservando porém a espessura e o comprimento.

Cisalhamento corresponde à deformação resultante de esforços que fazem ou tendem a fazer


com que as partes contíguas de um corpo deslizem uma em relação à outra, em direção paralela
ao plano de contato entre as mesmas. As dobras formadas por este mecanismo são
acompanhadas de mudanças na espessura e comprimento.

Figura 10 - a: flamblagem; b: cisalhamento

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Classificação Geométrica das Dobras

a) Classificação com base na linha de charneira

Classificação levando-se em conta a posição da linha de charneira em relação ao plano


horizontal superficial.

Figura 11 - a: horizontal; b: vertical; c: inclinada

b) Classificação com base na linha axial (superfície axial)

A classificação com base na linha axial toma-se em relação à simetria da dobra em relação
a sua posição no espaço.

Figura 12 - a: normal; b: recumbente; c: inversa

c) Classificação das dobras com base no Ângulo Interflancos (superfície dobrada)

Esse tipo de classificação leva em conta o ângulo inter-flanco de uma dobra.

isoclinal

Figura 13 - Classificação das dobras segundo o critério de inter-flanco

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0 0 0 0 0
As dobras são classificadas em: suave (180 a 120 ), aberta (120 a 70 ), fechada (70 a
0 0 0 0
30 ), apertada (30 a 0 ) e isoclinal (aproximadamente 0 ).

d) Classificação das dobras com base na estratigrafia e critérios geométricos

De acordo com a classificação as dobras podem ser classificadas em: anticlinal e


sinclinal.

Sinclinal - estruturas de camadas dobradas nas quais as camadas de idade mais recente
estão no núcleo; ou forma adquirida pela dobra quando as camadas mais jovens estão mais
próximas do centro de encurvamento (figura 14.a).

Anticlinal - dobra com concavidade para cima, cujo núcleo contém rochas
estratigraficamente mais antigas (figura 14.b).

Figura 14 – Classificação das dobras segundo critérios de estratigrafia


(1-mais antiga; 2-intermediária; 3-mais nova)

Figura 15 - Fotografia mostrando dobras associadas em Anticlinal e Sinclinal

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4. Resumo

a) dobras: são superfícies curvas resultantes da deformação de camadas sedimentares


ou de outras superfícies originalmente planares. São em geral produtos de tensões
tectônicas

b) perfil da dobra: plano perpendicular ao eixo da dobra.

c) superfície axial ou plano axial: superfície que contém todas as linhas de charneira.

d) linha de charneira: composta pela união dos pontos de máxima curvatura através da
dobra. A linha de charneira é conhecida com geratriz ou eixo da dobra.

e) linha de inflexão: corresponde ao lugar no flanco onde o sentido da curvatura da


superfície dobrada inverte-se.

f) zona de charneira: corresponde ao segmento de curvatura máxima da dobra.

g) flanco da dobra: região de menor curvatura da dobra.

h) cumeeira: ponto mais elevado da dobra.

i) linha de quilha: ponto mais baixo da dobra.


0 0
j) dobra normal: possuem superfície axiais subverticais (entre 80 e 90 )
0 0
dobra recumbente: possuem superfícies axiais sub-horizontais (entre 0 e 10 ).
0 0
dobra inversa: possuem superfícies axiais inclinadas (entre 10 e 80 ).
dobra isoclinal: possuem flancos paralelos ao plano axial.

Exercícios:

01) Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Superfície Axial
2) Linha de Charneira
3) Linha de Inflexão
4) Zona de Charneira
5) Flanco da Dobra

( ) Contém a linha de charneira da dobra.


( ) Contém os pontos de curvatura máxima da dobra.
( ) Marca a mudança no sentido de mergulho de dobra.
( ) Região da dobra que apresenta curvatura máxima.
( ) Cada um dos lados ou abas de uma dobra.

02) Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Anticlinal
2) Dobra Recumbente
3) Dobra Inversa
4) Sinclinal
5) Isoclinal

( ) Dobra na qual as rochas mais antigas estão no núcleo.


( ) Dobra na qual as rochas mais jovens estão no núcleo.

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( ) Dobra no qual os flancos mergulham para o mesmo quadrante, com os flancos paralelos
ao plano axial.
( ) Possuem superfície axial sub-horizontal (entre 00 a 100).
( ) Possuem superfície axial inclinada, porém com os flancos mergulhados para o mesmo
quadrante.

Gabarito:

01) 1 - 2 - 3 - 4 - 5
02) 1 - 4 - 5 - 2 - 3

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Falhas Geológicas
01. Conceito

As falhas são resultantes de deformações rúpteis nas rochas da crosta terrestre. Ocorre
deslocamento relativo entre os dois blocos de um lado e de outro desta superfície que, muitas
vezes, é plana. São expressas por superfícies descontínuas de poucos cm a dezenas de Km,
sendo esta a ordem de grandeza para o deslocamento nas grandes falhas.

Falhamento é o processo geológico em que se produz uma falha.

A condição básica para a existência de uma falha é que haja deslocamento ao longo da
superfície. Contudo, se ocorrer movimento perpendicular à superfície, a estrutura recebe o nome
de fratura.

As falhas são oriunda a partir de deformações compressivas, distensivas e cisalhantes.


Vale salientar que as falhas podem atravessar toda a litosfera, passando a constituir em limites de
placas tectônicas (por exemplo, a falha de San Andréas).

02. Elementos de uma falha

Figura 1 - Elementos Geométricos de uma falha

a) Espelho de Falha ou slickenside: Superfície polida de rocha originada pelo atrito dos
blocos de falha ao se movimentarem.

Minerais ou fragmentos mais duros provocam estrias (estrias de falha) ou, se maiores,
caneluras ou fault grooves (caneluras de falha) no plano de falha polido e são bons indicadores
cinemáticos da direção e mergulho do rejeito de falha. O espelho formado por atrito rompe-se em
ressaltos (ressaltos de falha) perpendiculares ao do deslocamento e são indicadores do sentido
deste deslocamento dos blocos de cada lado da falha.

Superfície brilhante resultante do deslizamento dos blocos ao longo do plano de uma falha
(segundo definição do professor Darlan).

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b) Plano de Falha: Superfície ao longo da qual houve o deslocamento relativo dos blocos
contíguos, apresentando em geral estrias, polimento e vestígios de cisalhamento.

c) Muro ou Lapa: corresponde ao bloco superior de uma falha inclinada.

d) Teto ou Capa: corresponde ao bloco inferior de uma falha inclinada.

e) Escarpa de Falha: corresponde à parte exposta da falha na topografia.

A escarpa corresponde na verdade a face ou talude íngreme abruptamente cortando a


morfologia, freqüentemente apresentando afloramento de rochas. Genericamente distinguem-se as
escarpas tectônicas (produzidas por falhamentos) e escarpas de erosão (formada por agentes
erosivos). Linha de penhascos produzida por falhas ou erosão; uma encosta relativamente linear
em penhasco, de extensão considerável, que quebra a continuidade geral do terreno separando as
superfícies situadas em níveis diferentes .

f) Traço ou Linha da Falha: corresponde a uma linha no terreno que, em mapa, é


representado por uma simbologia característica.

O deslocamento entre dois pontos previamente adjacentes, situados em lados opostos da


falha, um ponto localizado no muro e outro no teto, medido no plano de falha, corresponde ao seu
rejeito.

O rejeito pode ser classificado em:

a) Rejeito Horizontal (A - D)
b) Rejeito Vertical (D - C)
c) Rejeito Direcional (A - C)
d) Rejeito Total (A - A')
e) Rejeito de Mergulho (B - A’)

A localização do rejeito pode ser perfeitamente identificada na figura 2, localizada abaixo.

Figura 2 - Os vários tipos de rejeito

A escarpa de recuo de falha aparece quando a escarpa de falha original sofre processo de
erosão, conforme pode ser verificado na figura 3.

Figura 3 - Aspectos geomorfológicos de uma escarpa de recuo de falha.

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03. Classificação das Falhas

As falhas podem ser classificadas com base em elementos geométricos e mecânicos.

Classificação Geométrica

A classificação geométrica pode ser em relação:

a) ao mergulho da superfície da falha

0
 falha de alto ângulo: quando o mergulho do plano de falha é superior a 45 .
0
 falha de baixo ângulo: quando o mergulho do plano de falha é inferior a 45 .

b) à forma da superfície da falha (plano de falha)

 falha plana: ocorre quando a variação da direção da superfície encontra-se no


0
intervalo de aproximadamente 5 (plano de falha vertical ou inclinada).

 falha curva: também denominadas de falhas lístricas são conhecidas pela


apresentação do plano de falha na forma de “pá” ou “colher” ( ver figura 4).

Figura 4 - Falha Lístrica

c) ao movimento relativo entre o teto e muro

 falhas normais ou falhas de gravidade: o teto desloca-se no sentido do mergulho;

 falhas inversas ou falhas de empurrão: o teto desloca-se ou sobe em relação o


0
muro, em geral com mergulhos inferiores a 45 ;

 falhas transcorrentes ou falhas direcionais: o teto e o muro movimentam-se


paralelamente, ambos no mesmo nivelamento (apresenta rejeito total horizontalizado).

 Falhas oblíquas: combinação entre forças tangenciais e compressivas (caso o ângulo


entre o plano de falha e a superfície do bloco rebaixado seja agudo) ou distensivas
(caso o mesmo ângulo seja obtuso).

 Falhas de cavalgamento: falha inversa de baixo ângulo de inclinação e com mergulho


menor do que 30o (termo utilizado no Brasil).

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 Falha cisilhante: falhas das rochas em zonas tensionadas que sofrem pressão
dirigida, levando a ruptura e deformações texturais e estruturais com deslocamentos
paralelizados ao plano principal de ruptura próximo. A falha cisalhante é produzida por
esforços distensivos.

 Falha transformante: é um tipo de falha geológica, sendo um caso particular de


falhamento de desligamento com terminação abrupta, em ambas extremidades, numa
estrutura geológica transversa. As falhas transformantes constituem um dos três tipos
de limites de placas tectônicas, de acordo com a teoria de tectônica de placas.

Figura 5 - Falha de Santo André, um tipo de falha transformante localizado na


Califórnia, nos Estados Unidos

O movimento dos blocos pode ocorrer de várias formas: os dois blocos podem descer ou
subir simultaneamente, porém com velocidades diferentes, ou ainda, um pode permanecer
estacionário, enquanto o outro sobe, desce movimenta-se horizontalmente ou obliquamente.

Figura 5 - Classificação de falhas com base no movimento relativo entre blocos adjacentes.
a) falha normal; b) falha inversa; c) falha transcorrente e d) falha oblíqua

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d) ao tipo de rejeito

A classificação leva em conta os componentes geométricos do deslocamento entre dois


pontos situados no muro e teto gerados pela falha, e que são medidos no plano de falha.

Vale salientar que o número de rejeitos apresentados numa falha depende do tipo da
mesma. Assim, podemos dizer que em falhas oblíquas o número de rejeitos é máximo, sendo
menor nos demais tipos.

Por exemplo, em falhas normais e inversas o rejeito total corresponde ao rejeito de


mergulho, em falhas transcorrentes o rejeito total é igual ao rejeito direcional enquanto nas
falhas oblíquas ao rejeito total.

Classificação Mecânica

A classificação mecânica leva em consideração o quadro de tensões que geraram a falha


e distingue-se em três tipos: normal, inversa e transcorrente.

a) Normal: o esforço principal é vertical;


b) Inversa e Transcorrente: o esforço principal é horizontal.

04. Graben x Horst

Graben é a designação dada em geologia estrutural a uma depressão de origem tectônica,


geralmente com a forma de um vale alongado com fundo plano, formada quando um bloco de
território fica afundado em relação ao território circundante em resultado dos movimentos
combinados de falhas geológicas paralelas ou quase paralelas.

A formação de um graben resulta do afundamento relativo de um bloco, formando uma


estrutura que se distingue dos vales de origem erosiva pela presença de escarpas de falha em
ambos os lados da zona deprimida. Dada a sua origem tectônica, os graben estão frequentemente
associados a estruturas complexas onde se alternam as zonas deprimidas (os graben) e as zonas
levantadas (os horst), em faixas com relativo paralelismo.

A palavra "graben" é de origem alemã, língua em que significa escavação ou vala.

Em contextos geotectônicos alargados (isto é, em estruturas com centenas ou milhares de


quilômetros de extensão) os graben são por vezes designados por vales de rift (ou,
aportuguesado, de rifte).

Horst é a designação dada em geologia estrutural e em geografia física a um bloco de


território elevado em relação ao território vizinho por ação de movimentos tectônicos.

O território que forma o horst eleva-se devido ao movimento combinado de falhas geológicas
paralelas, ou relativamente paralelas, cujo movimento provoca o afundamento dos terrenos
vizinhos ou a elevação de uma faixa de terreno entre elas (ver esquema). Os horst tendem assim a
ser faixas alongadas de terreno (que podem ter centenas de quilômetros de comprimento) elevado
em relação ao território vizinho, do qual estão separadas por escarpas de falhas normais. Esta
origem, e o fato de tenderem a ter um topo relativamente aplanado marcado por escarpas
íngremes, leva a que estas formações sejam por vezes designadas por mesetas ou por montanhas
bloco (um exemplo é a famosa Table Mountain nos arredores da Cidade do Cabo, África do Sul).

É frequente os horst fazerem parte de estruturas tectônicas complexas onde alternam com
graben e múltiplas falhas.

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As colinas dos Vosges, na França, e da Floresta Negra, na Alemanha, são exemplos destas
formações.

A palavra "horst" é alemã, significando ninho de águia ou colina alcantilada.

Atenção: Graben e Horst estão associados às falhas normais.

Figura 6 - Representação esquemática de uma sucessão de horst e de graben


05. Xistocidade

Estrutura própria das rochas metamórficas, resultantes de orientação mais ou menos paralela
dos componentes minerais, principalmente lamelares (mica, clorita) e prismáticos (anfibólio, etc.). A
xistosidade geralmente se orienta paralelamente ao plano axial das dobras, podendo assim cortar
a estratificação em ângulos diversos.

06. Destral e Sinistral

Os termos destral e sinistral são utilizados em relação ao movimento dos blocos resultantes
de falhas transcorrentes. Para termos de conceituação devemos considerar um observador
olhando fixo em um dos blocos olhando o sentido de deslocamento do outro bloco. Assim, quando
o bloco observado desloca-se para direita, diz-se que o deslocamento da falha é destral, caso
contrário, é sinistral.

07. Rift

Rift, ou rifte, é a designação dada em geologia às zonas do globo onde a crosta terrestre, e a
litosfera associada, estão a sofrer uma fratura acompanhada por um afastamento em direções
opostas de porções vizinhas da superfície terrestre.

Em resultado do afastamento das porções vizinhas da crosta, formam-se zonas de abatimento


tendencialmente lineares, separadas por escarpas de falha, ou seja zonas de graben. Estas
estruturas podem ter maior ou menor complexidade, mas, em geral, prolongam-se por muitas
centenas ou mesmo por muitos milhares de quilômetros.

O alargamento da crosta cria condições propícias para a subida de magma, pelo que o eixo
das zonas de rift está em geral associado a linhas de vulcanismo ativo onde as erupções geram
nova crosta para compensar o afastamento. O Vale do Rift, que percorre cerca de 5000 km no
Médio Oriente e no nordeste e centro da África, é o melhor exemplo de um rift emerso.

Apesar das semelhanças estruturais, os vales de rift são distintos das cristas médias
oceânicas, onde nova crosta oceânica é continuamente formada para compensar o afastamento de

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placas tectônicas divergentes. Contudo, se o processo de formação do rift prosseguir por tempo
suficiente, criando uma ruptura que leve à formação de distintas placas tectônicas, pode originar
uma crista capaz de gerar um novo oceano (tal parece ser a origem do Atlântico).

Quando a formação de riftes convergentes ocorre sobre um ponto quente, como é o caso da
região dos Açores, existe em geral tendência para que o processo continue até que se desenvolva
uma zona de ascensão de magma suficientemente poderosa para permitir a formação de uma
crista oceânica, iniciando o afastamento das placas tectônicas vizinhas e a formação de crosta
oceânica.

Figura 7 - Diagrama de formação de um rift oceânico

08. Nappe

Massa rochosa tabular alóctone *, normalmente de grande extensão, apresentando estruturas


dobradas recumbentes e falhas horizontalizadas com grandes rejeitos sobre o muro mais jovem,
decorrentes de vergência dirigida, geralmente, para o ante-país do sistema orogênico.

* alóctone - algo que não é do lugar onde se encontra.

Exercícios:

01) Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Espelho de Falha
2) Capa
3) Lapa
4) Falha Transcorrente
5) Falha de Cavalgamento

( ) O mesmo que “muro”.


( ) O mesmo que “teto”.
( ) Superfície brilhante resultante do deslizamento dos blocos ao longo do plano de uma falha.
( ) Falha inversa com baixo ângulo de inclinação do plano da falha.
( ) Apresenta rejeito total direcional (horizontal).

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02) Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Rejeito Vertical
2) Rejeito Horizontal
3) Rejeito Direcional
4) Rejeito Total
5) Rejeito de Mergulho

( ) A-D
( ) A - A’
( ) D-C
( ) B - A’
( ) C-A

03) Relacione a primeira coluna com a segunda:

1) Falha Normal
2) Falha Inversa
3) Falha Cisalhante
4) Graben
5) Horst

( ) Produzida por esforços distensivos.


( ) O teto sobe em relação ao muro.
( ) Deslocamento horizontal paralelo à direção da falha.
( ) Elevação alongada ocasionada por falhas regionais.
( ) Depressão alongada ocasionada por falhas regionais.

04) Quais as alternativas abaixo estão corretas:

I - Xistocidade é uma estrutura geológica comum em rochas sedimentares.


II - Horst são altos estruturais causados por falhamentos regionais.
III - Grabens são fossas ou depressões tectônicas causadas por falhas regionais.
IV - Dobras são deformações elásticas sofridas pelos materiais constituintes da crosta.
V - Falhas ou Dobras são as principais estruturas identificadas em bacias sedimentares.

a) Somente a alternativa I.
b) I e IV.
c) II, III e V.
d) Somente a alternativa V.
e) Nenhuma delas.

Gabarito:

01) 3 - 2 - 1 - 5 - 4
02) 2 - 4 - 1 - 5 - 3

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03) 1 - 2 - 3 - 5 – 4
04) c

Correção da questão 04:

I - Xistocidade é uma estrutura geológica comum em rochas metamórficas.


IV - Dobras são deformações elásticas sofridas pelos materiais constituintes do interior da
terra, ou seja, de origem tectônica.

Bibliografia

PARK, R.G. 1983 Foundations of structural geology. Blackie & Son Limited.
(Capítulo 2)

Ragan, D.M. 1985 Structural Geology: An Introduction to Geometrical Techniques. John


Wiley & Sons, 207 pp.
(Capítulos 7 e 13)

RAMSAY, J.G.; HUBERT, M.I. (1987) The techniques of modern structural geology folds and
fractures. New York, Academic Press. v.2
(Capítulos 15, 16 e 17)

TEIXEIRA, TOLEDO, FAIRCHILD e TAIOLI 2000 Decifrando a Terra.


(Capítulo 19)

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Fundamento de Geologia I e Prospecção de Petróleo


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I
01. Introdução

Este trabalho se propõe a sumarizar os principais conceitos relativos à formação de


jazidas petrolíferas que servirão de base para o concurso da Petrobras referente ao cargo de
Engenheiro(a) de Petróleo Júnior, do processo de acumulação da matéria orgânica nos
sedimentos, passando pela geração e migração do petróleo, até sua acumulação nos trapas.
Baseou-se na experiência profissional dos autores e no conteúdo dos livros Petroleum
Formation and Ocurrence (Tissot & Welte, 1984) e Elements of Petroleum Geology
(Selley, 1998) e de algumas das referências neles contidas.

02. Petróleo

O petróleo é uma mistura complexa de hidrocarbonetos e quantidades variáveis de não-


hidrocarbonetos. Quando ocorre no estado líquido em reservatórios de subsuperfície ou em
superfície, é denominado de óleo (ou óleo cru, para diferenciar do óleo refinado). É
conhecida como condensado a mistura de hidrocarbonetos que encontra-se no estado
gasoso em subsuperfície e torna-se líquida na superfície. Já o termo gás natural se refere à
fração do petróleo que ocorre no estado gasoso ou em solução no óleo em reservatórios de
subsuperfície.

Outra forma de ocorrência dos hidrocarbonetos são os hidratos de gás, que consistem
em cristais de gelo com moléculas de gás (etano, propano e, principalmente, metano). Os
hidratos de gás ocorrem em condições bastante específicas de pressão e temperatura, sendo
mais comuns em depósitos rasos nas regiões polares ou em águas profundas em vários
pontos do planeta.

2.1. Composição do petróleo

O petróleo contém centenas de compostos diferentes. Estudos realizados em amostras


de óleo do campo de Ponca City (Oklahoma, EUA) foram identificados cerca de 350
hidrocarbonetos, 200 compostos de enxofre, além de diversos não-hidrocarbonetos. Em
termos elementares, o petróleo é composto essencialmente por carbono (80 a 90% em
peso), hidrogênio (10 a 15%), enxofre (até 5%), oxigênio (até 4%), nitrogênio (até 2%) e
traços de outros elementos (ex: níquel, vanádio, etc). A composição do petróleo é
geralmente descrita em termos da proporção de hidrocarbonetos saturados, hidrocarbonetos
aromáticos e não-hidrocarbonetos.

Os hidrocarbonetos saturados, compostos de C e H unidos por ligações simples,


incluem os alcanos normais (parafinas normais ou n-alcanos), os isoalcanos (isoparafinas
ou alcanos ramificados) e os cicloalcanos (alcanos cíclicos ou naftenos). Os n-alcanos com

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carbono. Os isoalcanos estão presentes principalmente com compostos de até 10 átomos de


carbono, embora ocorram com até 25 átomos. Os cicloalcanos podem apresentar até 6 anéis
de carbono, cada qual com 5 ou 6 átomos de carbono.

Os Hidrocarbonetos aromáticos são compostos que apresentam o anel aromático


(benzeno) e ocorrem sempre no estado líquido. Podem apresentar mais de um anel
aromático, como os naftalenos (2 anéis) e os fenantrenos (3 anéis). O tolueno, com apenas
um núcleo benzênico, é o composto aromático mais comum no petróleo, seguido pelo
xileno e o benzeno.

Finalmente, os não-hidrocabonetos são compostos que contém outros elementos, além


do carbono e hidrogênio, denominados de heteroátomos. Como os elementos nitrogênio,
enxofre e oxigênio são os heteroátomos mais comuns, esses compostos são geralmente
conhecidos como NSO. Também é comum a ocorrência de metais (especialmente níquel e
vanádio) associados á matéria orgânica em compostos denominados de organometálicos.
As resinas e asfaltenos são compostos NSO de alto peso molecular, pouco solúveis em
solventes orgânicos. Sua estrutura básica consiste de ‘’camadas’’ de compostos
poliaromáticos condensados, empilhadas sob a forma de agregados. A proporção de resinas
e, principalmente, de asfaltenos no petróleo é diretamente proporcional a sua viscosidade.

Existem basicamente dois tipos de classificações de óleos. Aquelas propostas por


engenheiros baseiam-se na composição e propriedades físico-químicas do óleo (densidade,
viscosidade, etc) e são voltadas para as áreas de produção e refino. Já as classificações
propostas por geólogos dão ênfase à composição, sendo voltadas para a origem e evolução
do petróleo. Dentre as classificações de caráter geológico, uma das mais usadas é a
proposta por Tissot & Welte (1978) que divide os óleos em seis tipos: parafínicos,
parafínico-naftênicos, naftênicos, aromáticos intermediários, aromático asfálticos e
aromático-naftênicos. A composição de cada tipo reflete a origem, o grau de evolução
térmica e os processos de alteração a que o petróleo foi submetido. Os óleos também são
comumente chamados de leves ou pesados quando suas densidades são, respectivamente,
menores ou maiores do que a de água.

Os gases naturais, por sua vez, são classificados como gás seco ou úmido. O gás seco é
composto essencialmente por metano, enquanto no gás úmido estão presentes também
etano, propano e butano em proporções variáveis. Além dos hidrocarbonetos, outros
compostos gasosos podem estar associados, como o dióxido de carbono (CO 2), gás
sulfídrico (H 2S), e mais raramente, Hélio (He) e hidrogênio (H). O gás não-associado é
aquele que ocorre sozinho no reservatório, e o gás associado ocorre junto com o óleo.

2.2. Origem do petróleo

As primeiras teorias que procuraram explicar a ocorrência do petróleo postulavam uma


origem inorgânica, a partir de reações que ocorreriam no manto. Ainda hoje existem
autores que advogam uma origem inorgânica para o petróleo, seja a partir da polimerização
do metano proveniente do manto e migrado através de falhas, ou a partir de reações
equivalentes às empregadas na síntese de Fischer-Tropsch, e que encontrariam condições
favoráveis à sua ocorrência nas zonas de subducção.

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Diversos fatos, no entanto, favorecem uma origem orgânica para a maior parte dos
hidrocarbonetos encontrados próximos a superfície da Terra, em espacial para aqueles com
dois ou mais átomos de carbono. Em primeiro lugar, quase todo o petróleo é encontrado em
rochas reservatório de bacias sedimentares. As ocorrências de petróleo em rochas do
embasamento, estão quase todas associadas à rochas sedimentares adjacentes. A presença e
a quantidade de hidrocarbonetos em exalações provenientes de vulcões ou de falhas
profundas durante terremotos é menos freqüente e muito menor do que o esperado caso os
mesmos tivessem uma origem mantélica. Outrossim, existem também evidências químicas
da origem orgânica, como a presença no petróleo de compostos cuja estrutura molecular é
mesma de substâncias encontradas nos seres vivos (ex: os esteranos encontrados no
petróleo são o produto da degradação dos esteróides encontrados nas algas).

Em suma, os dados disponíveis atualmente indicam que o petróleo é gerado a partir da


transformação da matéria orgânica acumulada nas rochas sedimentares, quando submetida
às condições térmicas adequadas. Cabe ressaltar que o metano pode ter origem inorgânica
(proveniente do manto) ou orgânica (degradação da matéria orgânica), cada qual com
características isotópicas distintas. Traços de hidrocarbonetos de origem inorgânica
também são encontrados em meteoritos.

2.3. Fatores condicionantes da ocorrência de petróleo em bacias sedimentares

A formação de uma acumulação de petróleo em uma bacia sedimentar requer a


associação de uma série de fatores:

(a) a existência de rochas ricas em matéria orgânica, denominadas de rochas geradoras;

(b) as rochas geradoras devem ser submetidas às condições adequadas (tempo e


temperatura) para a geração do petróleo;

(c) a existência de uma rochas com porosidade e permeabilidade necessárias à


acumulação e produção do petróleo, denominada de rochas reservatório;

(d) a presença de condições favoráveis à migração do petróleo da rocha geradora até a


rocha reservatório;

(e) a existência de uma rocha impermeável que retenha o petróleo, denominada de


rocha selante ou capeadora; e

(f) um arranjo geométrico das rochas reservatório e selante que favoreça a acumulação
de um volume significativo de petróleo.

Uma acumulação comercial de petróleo é o resultado de uma associação adequada


destes fatores no tempo e no espaço. A ausência de apenas um desses fatores inviabiliza a
formação de uma jazida petrolífera.

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03. Rocha Geradora

Uma rocha geradora deve possuir matéria orgânica em quantidade e qualidade


adequadas e submetida ao estágio de evolução térmica necessário para degradação do
querogênio. É aceito de modo geral, que uma rocha geradora deve conter um mínimo de 0,5
a 1,0% de teor de carbono orgânico total (COT). Os aspectos volumétricos da rocha
geradora (espessura e extensão lateral) também não devem ser ignorados, pois uma rocha
com quantidade e qualidade da matéria orgânica adequadas pode ser, por exemplo, muito
delgada para gerar quantidades comerciais de petróleo.

O termo matéria orgânica se refere ao material presente nas rochas sedimentares, que é
derivado da parte orgânica dos seres vivos. A quantidade e qualidade da matéria orgânica
presente nas rochas sedimentares refletem uma série de fatores, tais como a natureza da
biomassa, o balanço entre produção e preservação de matéria orgânica, e as condições
físicas e químicas do pelo ambiente deposicional.

3.1. Composição da matéria orgânica

Os organismos são de modo geral constituídos pelos mesmos compostos: lipídios,


proteínas, carboidratos e, nas plantas superiores, lignina. A proporção entre estes
compostos, no entanto, difere entre as diversos tipos de organismos.

Os lípidios englobam as gorduras e ceras, cuja funções são de armazenamento de


energia e proteção das células, respectivamente. Praticamente insolúveis em água, as
gorduras consiste na mistura de vários triglicerídeos, classificados quimicamente como
ésteres. Quando hidrolizados, os glicerídeos dão origem a glicerol e ácidos graxos. Já nas
ceras, o glicerol é substituído por álcoois complexos, bem como estão presentes n-alcanos
com vários átomo de carbono. Além dos lipídios típicos, existem substâncias similares,
como alguns pigmentos (ex: clorofila), e os terpenóides e esteróides, que cumprem funções
protetoras das células.

As proteínas consistem basicamente em polímeros de aminoácidos, nos quais se


encontra a maior parte do nitrogênio presente nos organismos. As proteínas podem atuar
tanto como constituinte de diversos materiais (ex: músculos) como na forma de enzimas,
catalisando as mais variadas reações bioquímicas. Na presença de água e sob a ação de
enzimas, as proteínas podem ser quebradas em seus aminoácidos individuais.

Os carboidratos englobam os açúcares e seu polímeros (mono-, oligo- e polissacarídeos)


e estão entre os compostos mais importantes nos seres vivos. Podem servis como fonte de
energia ou como constituinte de plantas (celulose) e animais (quitina). Embora
praticamente restrita aos vegetais superiores, a celulose é o carboidrato mais abundante na
natureza. Insolúveis em água, os carboidratos podem ser hidrolisados, transformando-se em
açúcares como 5 ou 6 átomos de carbono, os quais são solúveis.

A lignina consiste basicamente em compostos poliaromáticos (polifenóis) de alto peso


molecular, constituindo estruturas tridimensionais dispostas entre os agregados de celulose

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que constituem os tecidos das plantas. São sintetizados pelas plantas terrestres a partir da
desidratação e condensação de álcoois aromáticos.

Nos diversos grupos de organismos as abundâncias relativas desses compostos podem


variar consideravelmente. As plantas terrestres, por exemplo, são constituídas
principalmente por carboidratos (celulose, 30 a 50%) e lignina (15 a 25%), e
secundariamente por proteínas e lipídios, enquanto o fitoplâncton marinho é composto
predominantemente por proteínas (até 50%), lipídios (5 a 25%) e carboidratos (até 40%).

Mesmo entre compostos que ocorrem na proporção de ppm ou ppb (partes por milhão e
por bilhão) são observados contrastes marcantes entre diferentes tipos de organismos. A
diferença na distribuição e proporção relativa entre os compostos também se reflete na
composição elementar da matéria orgânica. Assim, a biomassa de origem continental é
mais rica em oxigênio e mais pobre em hidrogênio do que a biomassa de origem marinha,
uma vez que as plantas terrestres são constituídas principalmente por lignina e celulose,
com alta proporção de compostos aromáticos e funções oxigenadas. Como conseqüência, a
matéria orgânica terrestre possui uma razão elementar H/C entre 1,3 e 1,5, enquanto a
matéria orgânica marinha apresenta valores na faixa de 1,7 a 1,9.

A composição da matéria orgânica preservada nas rochas sedimentares, entretanto, não


depende apenas da natureza da biomassa dominante no pelo ambiente, já que a composição
original pode ser modificada por uma série de processos sin- e pósdeposicionais.

3.2. Produção e preservação da matéria orgânica

O ciclo do carbono constitui um dos mais importantes ciclos biogeoquímicos, não só


por sua complexidade e abrangência, como pela importância econômica, na compreensão
da origem e ocorrência de combustíveis fósseis. A maior parte do carbono orgânico nos
ambientes aquáticos ocorre sob a forma de carbono dissolvido, sendo o restante constuído é
de natureza particulada. O carbono orgânico dissolvido, composto principalmente por
substâncias húmicas, proteínas, carboidratos e lipídios (Esteves, 1988), consiste no produto
da decomposição de plantas e animais e da excreção destes organismos. Já o carbono
orgânico particulado compreende a matéria orgânica em suspensão, incluindo a pequena
fração representada pelos organismos vivos.

O principal mecanismo de produção de matéria orgânica é a fotossíntese, processo no


qual água e dióxido de carbono são convertidos em glicose, água e oxigênio. A partir da
glicose são formados os polissacarídeos e os outros compostos orgânicos necessários à
vida. Os maiores produtores de matéria orgânica nos ambientes aquáticos são os
organismos fitoplanctônicos. Estima-se que a produção mundial de matéria orgânica de
origem fitoplanctônica é de cerca de 550 bilhões de toneladas/ano, enquanto a matéria
orgânica originada dos organismos bentônicos, por exemplo, não ultrapassa 200 milhões de
toneladas/ano. Embora atualmente a produção primária de origem terrestre equivalente à
aquática, a maior exposição ao oxigênio limita sua preservação.

No continente, as condições climáticas (temperatura, incidência de luz solar, umidade)


constituem o principal fator condicionante da produtividade primária. De fato, nos

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ambientes desérticos ou polares a produtividade é baixa, enquanto nas regiões tropicais, a


produtividade é alta. Já no meio aquático, a produtividade primária é condicionada
principalmente pela luminosidade, temperatura e disponibilidade de nutrientes
(especialmente fósforo e nitrogênio), embora seja afetada também por uma série de fatores
ambientais, como salinidade e pH. No que diz respeito à temperatura e salinidade, as
melhores condições ocorrem nas zonas de clima temperado, onde a produtividade é mais
alta do que nos mares polares ou equatoriais. No caso do suprimento de nutrientes, a
origem pode ser externa (descarga de grandes rios) ou interna (reciclagem da própria
biomassa). No caso dos oceanos, a disponibilidade de nutrientes pode ser incrementada
pelo fenômeno da ressurgência. Devido à ação dos ventos e das correntes oceânicas, águas
frias e ricas em nutrientes, vindas de áreas mais profundas, chegam às regiões costeiras
acarretando um grande aumento da produtividade primária.

A exposição da matéria orgânica ao oxigênio (em superfície) resulta na sua degradação.


Nos ambientes aquáticos, o grau de preservação da matéria orgânica depende da
concentração de oxigênio e do tempo de trânsito da biomassa ao longo da coluna d’água e
de exposição na interface água/sedimento. Assim em águas oxigenadas a matéria orgânica
tende a ser degrada, enquanto em águas não-oxigenadas, há melhores condições de
preservação. Em bacias cuja toda a coluna d’àgua é oxigenadas, altas taxas de
sedimentação podem auxiliar na preservação da matéria orgânica, retirando-a da interface
água/sedimento.

A atividade de organismos heterotróficos também exerce importante um papel no


processo de degradação da matéria orgânica. Sob condições oxigenadas, as bactérias
aeróbicas e de organismos metazoários desempenham um importante papel na degradação
da biomassa primária. Sob condições disoxigenadass/anoxigenadass, a ação desses
organismos é limitada ou mesmo eliminada, e a alteração da matéria orgânica passa a ser
realizada por bactérias anaeróbicas, que empregam nitratos e sulfatos como agentes
oxidantes. Já na ausência desses agentes oxidantes, a matéria orgânica é decomposta por
bactérias metanogênicas. Nos sistemas lacustres de água doce (onde é baixa a
disponibilidade de sulfato) a metanogênese pode ser responsável, junto com a oxidação por
oxigênio livre, pela decomposição da maior parte da matéria orgânica produzida.

Estima-se que em média 0,1% da matéria orgânica produzida pelos organismos


fotossintéticos é preservada nos sedimentos. Os ambientes mais favoráveis à preservação da
matéria orgânica são os mares restritos e os lagos profundos.

3.3. Formação do querogênio

Após sua incorporação nos sedimentos e ainda submetida a pequenas profundidades e


baixas temperaturas (até 1000m e 50ºC), a matéria orgânica passa por uma série de
transformações denominada de diagênese.

A diagênese tem início com a degradação bioquímica da matéria orgânica pela


atividade de microorganismos (bactérias, fungos, etc) aeróbicos e anaeróbicos que vivem
na porção superior da coluna sedimentar (principalmente no primeiro metro). As proteínas
e carboidratos são transformadas em seus aminoácidos e açúcares individuais, os lípidios

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são transformados em glicerol e ácidos graxos e a lignina, em fenóis e ácidos aromáticos.


As proteínas e carboidratos são os compostos mais instáveis, enquanto os lipídios e a
lignina são mais resistentes à degradação. Essas transfomações são acompanhadas pela
geração de dióxido de carbono, água e metano.

O resíduo da degradação microbiana passa em seguida por mudanças químicas (perda


de grupos funcionais e polimerização) que resultam numa progressiva condensação e
insolubilização da matéria orgânica. Ao longo deste processo, os biopolímeros (compostos
sistetizados pelos organismos) são transformados nos geopolímeros encontrados nas rochas
sedimentares. Alguns lipídios e hidrocarbonetos sintetizados pelas plantas e animais
resistem à degradação microbiana, sofrendo somente pequenas mudanças em sua
composição e estrutura molecular. Estas substâncias, encontradas em sedimentos recentes e
rochas sedimentares são chamadas de fósseis geoquímicos ou moleculares, marcadores
biológicos ou biomarcadores.

O produto final do processo de diagênese é o querogênio, definido como a fração


insolúvel da matéria orgânica presente nas rochas sedimentares. Além do querogênio,
também há uma fração solúvel, composta por hidrocarbonetos e não-hidrocarbonetos
derivados de biopolímeros pouco alterados, e denominada de betume. O querogênio é a
forma mais importante de ocorrência de carbono orgânico na Terra, sendo 1000 vezes mais
abundante do que o carvão e o petróleo somados.

Quimicamente, o querogênio é uma macromolécula tridimensional constituída por


‘’núcleos’’ aromáticos (camadas paralelas de anéis aromáticos condensados), ligados por
‘’pontes’’ de cadeias alifáticas lineares ou ramificadas. Tanto os núcleos quanto as pontes
apresentam grupos funcionais com heteroátomos (ex: ésteres, cetonas, etc). Ao
microscópio, normalmente é possível identificar estruturas remanescentes da matéria
orgânica original, tais como tecidos vegetais, pólens e esporos, colônias de algas, etc.

Em muitos casos, entretanto, o processo de diagênese pode obliterar a estrutura original,


o que resulta a formação de um querogênio amorfo. A proporção entre os três elementos
mais abundantes no querogênio (C, H e O) varia consideravelmente em função da origem e
evolução da matéria orgânica. Com base nas razões elementares H/C e O/C e em dados
químicos e petrográficos é possível classificar os querogênio como dos tipos I, II e III:

(a) o querogênio do tipo I é constituído predominantente por cadeias alifáticas, com


poucos núcleos aromáticos. Rico em hidrogênio (alta razão H/C), é derivado
principalmente de lipídios de origem algálica. Normalmente encontrado em rochas
geradoras depositadas em ambiente lacustre.

(b) o querogênio do tipo II contém uma maior proporção de núcleos aromáticos, anéis
naftênicos e grupos funcionais oxigenados. Conseqüentemente, é mais pobre em hidrogênio
e mais rico em oxigênio do que o querogênio do tipo I. Geralmente derivado de matéria
orgânica de origem marinha.

(c) o querogênio do tipo III é constituído predominantemente por núcleos aromáticos


e funções oxigenadas, como poucas cadeias alifáticas. Apresenta baixos valores para a

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razão H/C e altos valores de O/C. Derivado de matéria orgânica de origem terrestre, este
tipo é freqüentemente encontrado em rochas geradoras depositadas em ambiente marinho
deltaico.

A composição do petróleo gerado a partir de cada querogênio reflete sua composição.


Assim, um óleo derivado de um querogênio do tipo I apresenta um elevada abundância
relativa de compostos alifáticos, enquanto um óleo proveniente de um querogênio do tipo II
possui em geral um maior conteúdo de enxofre.

O querogênio do tipo I possui o maior potencial para geração de petróleo, seguido pelo
tipo II, com um potencial moderado para a geração de óleo e gás, e pelo tipo III, que possui
um baixo potencial para a geração de óleo. Nas rochas sedimentares, além dos
mencionados acima, também pode ocorrer um tipo denominado de querogênio residual,
derivado de matéria orgânica intensamente retrabalhada e oxidada. Com baixíssimo
conteúdo de hidrogênio e abundância de oxigênio, o querogênio residual (ou inerte) não
apresenta potencial para a geração de hidrocarbonetos.

Cabe lembrar que é comum a ocorrência de tipos de querogênio com características


intermediárias entre os tipos citados acima. Tal fato pode resultar tanto da mistura de
matéria orgânica terrestre e marinha em diferentes proporções, como de mudanças químicas
decorrentes da degradação química e bioquímica sofrida no início da diagênese.

04. Geração e Migração do Petróleo

Na medida em que prossegue a subsidência da bacia sedimentar, o querogênio é


soterrado a maiores profundidades. O aumento de temperatura acarreta a degradação
térmica do querogênio e na geração do petróleo, que sob as condições adequadas é expulso
da rocha geradora (processo conhecido como migração primária) e se desloca através dos
meio poroso até as trapas (migração secundária).

4.1. Conversão do querogênio em petróleo

Com o soterramento da rocha geradora o querogênio é submetido a temperaturas


progressivamente mais altas. Como forma de se adaptar as novas condições de pressão e
temperatura, o querogênio passa por uma série de transformações que incluem,
inicialmente, a liberação de grupos funcionais e heteroátomos, seguida pela perda de
hidrocarbonetos alifáticos e cíclicos, e acompanhadas por uma progressiva aromatização da
matéria orgânica. Como consequência das transformações sofridas pelo querogênio, são
produzidos dióxido de carbono, água, gás sulfídrico, hidrocarbonetos, etc.

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São reconhecidas três fases na evolução da matéria orgânica em função do aumento de


temperatura: diagênese, catagênese e metagênese. A diagênese (discutida no capítulo
anterior) se dá após a deposição da matéria orgânica, sob pequenas profundidades e baixas
temperaturas, resultando na transformação da matéria orgânica original em querogênio.
Durante a diagênese, o metano é o único hidrocarbonetos gerado em quantidades
significativas. Na catagênese, o querogênio é submetido a temperaturas ainda maiores (da
ordem de 50 a 150ºC), o que resulta na formação sucessiva de óleo, condensado e gás
úmido. O final da catagênese é alcançado no estágio em que o querogênio completou a
perda de suas cadeias alifáticas. Na metagênese, alcançada sob temperatura muito elevadas
(acima de 150-200ºC), a matéria orgânica é representada basicamente por gás seco
(metano) e um resíduo carbonoso. Este estágio corresponde ao início do metamorfismo
(facies xisto-verde).

O termo maturação se refere ao estágio de evolução térmica alcançado pelas rochas


geradoras. Uma rocha é chamada de imatura quando o querogênio encontra-se ainda na fase
de diagênese e ainda não ocorreu a geração de volumes significativos de petróleo. Ao
passar pela catagênese, a rocha geradora é considerada matura. No início da catagênese, o
querogênio passa inicialmente pela “janela de óleo’’ (zona de geração de óleo ou oil
window), estágio em que predomina largamente a geração dos hidrocarbonetos líquidos
(iso-, ciclo- e n-alcanos de médio peso molecular) sobre os gasosos. Ainda durante a
catagênese, sob temperaturas mais elevadas, o querogênio passa pela zona regressiva de
geração de óleo, na qual aumenta a proporção de n-alcanos de baixo peso molecular. No
final da catagênese, a rocha geradora atingiu a ‘’janela de gás’’ (zona de geração de gás ou
gás window), sendo considerada senil.

Diversos parâmetros químicos, óticos e moleculares são utilizados na definição do grau


de maturação de uma rocha geradora. Um dos mais empregados é a medida da reflectância
da vitrinita (%Ro), técnica desenvolvida originalmente para o estudo de carvões e que
consiste na determinação, ao microscópio, do poder refletor das partículas de vitrinita (parte
do tecido de plantas superiores) presentes no querogênio. Existe uma relação entre os
valores de reflectância da vitrinita e os estágio evolutivos do querogênio.

Para caracterizar a evolução do processo de transformação do querogênio em petróleo


são empregados dois parâmetros: o potencial genético (ou potencial gerador), definido
como a quantidade de petróleo (óleo e gás) que um querogênio é capaz de gerar, e a taxa de
transformação, definida como a relação entre a quantidade de petróleo gerado e o potencial
genético original. O potencial gerador original se refere ao querogênio que ainda não foi
submetido à catagênese, ou seja, cuja taxa de transformação é zero.

A partir do início da catagênese, a conversão do querogênio em petróleo ocasiona um


progressivo aumento da taxa de transformação associado à redução do potencial gerador, o

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qual passa a ser denominado de residual. Sob condições extremas de evolução térmica
(metagênese) o potencial gerador residual do querogênio pode ser reduzido à zero enquanto
a taxa de transformação chega a 100%.

Para a determinação do potencial gerador e da quantidade de petróleo é normalmente


empregada a técnica da pirólise Rock-Eval, que simula o processo de degradação térmica
do querogênio. Uma pequena quantidade de amostra de rocha (em torno de 250mg) é
submetida a temperaturas de 300 a 600ºC por um período de cerca de 25 minutos, sob
atmosfera inerte, para que não haja combustão da matéria orgânica. No primeiros 8
minutos, sob temperaturas de 300ºC, os hidrocarbonetos livres presente na amostra de
rocha são vaporizados, quantificados por um detector de ionização d chama, e
representados no registro de pirólise pelo pico S1 (mgHC/gRocha). Em seguida sob
temperaturas de 300 a 600ºC, ocorre a degradação do querogênio e a geraçã de
hidrocarbonetos, os quais são quantificados pelo mesmo detector de ionização d chama e
representados pelo pico S2 (mgHC/gRocha), que constitui o potencial gerador.

A temperatura na qual ocorre o máximo de geração de hidrocarbonetos, denominada de


Tmax, é um parâmetro indicativo do estágio de evolução térmica da rocha analisada.
Finalmente, Durante a degradação do querogênio também forma-se dióxido de carbono
(S3, em mgCO2/gRocha) proveniente da perda de grupos funcionais oxigenados.

O processo de degradação térmica do querogênio pode ser descrito pelas formulações


clássicas da cinética de primeira ordem. A conversão do querogênio é controlada pela taxa
de reação, cujo incremento em função da temperatura é descrito pela Lei de Arrhenius, a
qual é dependente da temperatura e dos parâmetros cinéticos (fator de frequência e energia
de ativação). O fator de frequência (ou fator pré-exponencial, cuja unidade é S1) representa
a frequência de choques entre as moléculas, e a energia de ativação (em kcal/mol), a
quantidade de energia, necessários para que uma determinada reação ocorra. Os três tipos
básicos de querogênio (tipos I, II e III) apresentam comportamentos cinéticos distintos,
como reflexo de suas diferenças composicionais. A premissa, adotada em alguns modelos,
de que as taxas de reação aproximadamente dobram a cada 10ºC de aumento de
temperatura não é válida, uma vez que é aplicável somente para reações com baixas
energias de ativação (no final da diagênese/início da catagênese) e não leva em
consideração as diferenças de comportamento cinético dos diferentes tipos de querogênio.

4.2. Migração primária e secundária

O processo de expulsão do petróleo das rochas geradoras, fator essencial para a


formação das acumulações comerciais, é denominado de migração primária. Inúmeras
teorias e hipóteses tem sido propostas a fim de explicar os mecanismos e os fatores que
controlam a expulsão do petróleo de sua rocha geradora. Dentre os diversos mecanismos
sugeridos, podem ser citados o da migração do petróleo em solução na água e por difusão
molecular. Com o avanço no conhecimento mostrou-se que estes mecanismos, embora
atuantes, não possuem a eficiência necessária para a expulsão de volumes significativos de
petróleo.

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Atualmente, acredita-se que a migração primária é controlada basicamente pelo


aumento de pressão nas rochas geradoras em resposta à progressiva compactação e à
expansão volumétrica ocasionada pela formação do petróleo. Deste modo, forma-se um
gradiente de pressão entre a rocha geradora e as camadas adjacentes, favorecendo a
formação de microfaturas e o deslocamento de fases discretas de hidrocarbonetos. O
encadeamento dos processos de aumento de pressão, microfraturamento, movimentação de
fluidos e subseqüente alívio de pressão constitui um ciclo que deve se repetir diversas vezes
para que ocorra a expulsão de quantidades significativas de petróleo. Balanços de massa
baseados em dados geoquímicos de poços e nos resultados de experimentos de laboratório
indicam que a eficiência do processo de expulsão pode ser elevada, alcançando valores de
50 a 90%.

O deslocamento do petróleo entre a rocha geradora e a trapa é denominada de migração


secundária. Consiste em um fluxo em fase contínua, impulsionado pelo gradiente de
potencial de fluido. Este potencial pode ser subdividido em três componentes:

(a) o desequilíbrio de pressão causado pela compactação;

(b) a flutuabilidade, que consiste na força vertical resultante da diferença de densidade


entre petróleo e água de formação;

(c) a pressão capilar, resultante da tensão interfacial entre as fases petróleo e água e as
rochas.

Em rochas pelíticas soterradas à mais de 3km, o componente relacionado ao excesso de


pressão da água domina o potencial de fluido do petróleo, enquanto em rochas grosseiras o
componente flutuabilidade predomina. Ao atingir níveis mais rasos da bacia (profundidades
menores que 2km), o componente relacionado ao excesso de pressão da água já não domina
o potencial de fluido do petróleo. Conseqüentemente, a migração do petróleo ocorre quando
a flutuabilidade supera a pressão capilar, enquanto sua acumulação se dá onde a pressão
capilar supera a flutuabilidade.

05. Rocha Reservatório

Denomina-se de reservatório à rocha com porosidade e permeabilidade adequadas à


acumulação de petróleo. A maior parte das reservas conhecidas encontra-se em arenitos e
rochas carbonáticas, embora acumulações de petróleo também ocorrem em folhelhos,
conglomerados ou mesmo em rochas ígneas e metamórficas.

5.1. Porosidade e permeabilidade

A porosidade, representada pela letra grega φ, é definida como a porcentagem (em


volume) de vazios de uma rocha. Na maioria dos reservatórios a porosidade varia de 10 a
20%. A porosidade absoluta corresponde ao volume total de vazios, enquanto a porosidade
efetiva se refere apenas aos poros conectados entre si. Os reservatórios normalmente
apresentam variações horizontais e verticais de porosidade. A quantidade, tamanho,
geometria e grau de conectividade dos poros controlam diretamente a produtividade do

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reservatório. Medida diretamente, em amostras de testemunho, ou indiretamente, através de


perfis elétricos, a porosidade de uma rocha pode ser classificada como insignificante (0-
5%), pobre (5-10%), regular (10-15%), boa (15-20%), ou muito boa (>20%).

A porosidade primária (ou deposicional) é formada durante a deposição dos sedimentos,


podendo ser inter- ou intragranular. Este tipo de porosidade tende a diminuir como o
soterramento, pelo efeito da compactação mecânica e da diagênese. Já a porosidade
secundária forma-se após a deposição, geralmente como resultado da dissolução de
minerais. A porosidade primária é mais comum em arenitos, enquanto a secundária ocorre
com mais freqüência nas rochas carbonáticas. As fraturas podem aumentar
consideravelmente o volume de vazios das rochas. Em reservatórios areníticos e
carbonáticos as fraturas podem contribuir para o aumento da conectividade dos poros,
enquanto nos folhelhos, rochas ígneas e metamórficas as mesmas respondem por quase
toda porosidade.

A permeabilidade, representada geralmente pela letra K, é a capacidade da rocha de


transmitir fluido, sendo expressa em Darcys (D) ou milidarcys (md). Uma rocha tem 1D de
permeabilidade quando transmite um fluido de 1cP (centipoise) de viscosidade com uma
vazão de 1cm3/s, através de uma seção de 1cm2 e sob um gradiente de pressão de 1atm/cm.
Controlada principalmente pela quantidade, geometria e grau de conectividade dos poros, a
permeabilidade de uma rocha é medida diretamente, em amostras de testemunho, e pode se
classificada como baixa (<1md), regular (1-10md), boa (10-100md), muito boa (100-
1000md) e excelente (>1000md). A maior parte dos reservatórios possui permeabilidades
de 5 a 500md.

A permeabilidade raramente é a mesma em todas as direções numa rocha sedimentar,


sendo geralmente maior na horizontal do que na vertical. Uma vez que é inversamente
proporcional à viscosidade do fluido, a permeabilidade de um reservatório para o gás é
muito maior do que para o óleo. Assim, enquanto um reservatório pode produzir gás com
apenas alguns milidarcys, para a produção de óleo são necessários pelo menos dezenas de
milidarcys. Quando mais de um fluido divide o espaço poroso (como é o caso dos
reservatórios com água, óleo e/ou gás), cada fluido apresenta uma permeabilidade relativa,
que varia em função da sua saturação. Ou seja, a permeabilidade é máxima (permeabilidade
absoluta, Ka) quando um fluido ocupa 100% dos poros, e decresce (permeabilidade
relativa, Kr) à medida que este fluido divide o espaço poroso com outro fluido. Ë necessária
uma saturação mínima para que um fluido consiga fluir. No caso do óleo, uma saturação
mínima em torno de 20% é necessária para que o mesmo possa fluir (Kr>0).

5.2. Qualidade do reservatório

As características de permoporosidade de um reservatório refletem basicamente a


textura da rocha. De modo geral, porosidade e permeabilidade são diretamente
proporcionais ao grau de seleção e tamanho dos grãos e inversamente proporcional à
esfericidade. Outrossim, variações laterais e verticais da permoporosidade são fortemente
controladas pelas características do ambiente deposicional. Assim, em arenitos eólicos com
estratificação cruzada, a permeabilidade vertical e a horizontal podem apresentar diferenças

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de até duas ordens de grandeza. Já em um corpo de arenito canalizado as permeabilidades


podem aumentar significativamente das margens para o centro do paleocanal.

A diagênese também pode alterar completamente as características permoporosas


originais de uma rocha reservatório. Em arenitos, os processos diagenéticos mais
importantes são a cimentação e a dissolução. A cimentação quando em pequenas
proporções pode ser favorável, uma vez que previne a produção de grãos de areia junto com
o óleo. Quando em elevada proporção, a cimentação pode obliterar completamente a
porosidade original, reduzindo a permeabilidade a praticamente zero.

A calcita, o quartzo e as argilas autigênicas (caolinita, ilita e montmorilonita)


constituem os cimentos mais comuns em arenitos. Em rochas carbonáticas os efeitos da
diagênes são mais importantes, uma vez que a calcita é menos estável do que o quartzo.

Conseqüentemente, a cimentação e a dissolução podem tanto piorar quanto melhorar a


qualidade do reservatório. Cabe ressaltar que a entrada do óleo no reservatório pode
contribuir para preservar as características permoporosas do reservatório, uma vez que o
mesmo pode inibir a diagênese.

A continuidade do reservatório também constitui um fator crítico para a sua


produtividade. De modo geral, se distingue a espessura total (gross pay) do reservatório,
que corresponde a distância vertical entre o topo do reservatório e o contato óleo-água, e a
espessura ‘’líquida’’ (net pay), equivalente a espessura de reservatório de onde o petróleo
pode efetivamente ser produzido.

Os principais causas de descontinuidade em reservatórios são as barreiras diagenéticas,


deposicionais e tectônicas. As barreiras diagenéticas são constituídas geralmente por níveis
cimentados relacionados a ‘’fronts’’ diagenéticos e ao petróleo (ex: contato óleo-água).

As barreiras deposicionais estão relacionadas com a forma dos corpos de rocha


reservatório e com a distribuição espacial das fácies a eles relacionadas. Assim, uma
camada de arenito constituída por corpos delgados de areia intercalados com níveis
contínuos de folhelhos pode se mostrar um reservatório altamente compartimentado. Já as
barreiras tectônicas são representadas principalmente pelas falhas, que podem por si só
constituir uma barreira como pode justapor rochas reservatório e selante, dificultando o
fluxo de fluidos.

A definição da estratégia de produção, bem como o cálculo das reservas de uma jazida,
requerem um conhecimento detalhado da qualidade e continuidade do reservatório em três
dimensões.

06. Trapas

Trapas são situações geológicas em que o arranjo espacial de rochas reservatório e


selante possibilita a acumulação de petróleo.

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6.1. Trapas e rochas selantes

Uma trapa pode ser caracterizada através de um conjunto de parâmetros: o ápice ou


crista corresponde ao ponto mais alto da trapa, o ‘’spill point’’ representa o ponto mais
baixo onde pode ser encontrado petróleo, e o fechamento, a distância vertical entre o ápice
e o ‘’spill point’’. Uma trapa contém água, óleo e/ou gás, podendo apresentar contatos
bruscos ou transicionais, e de inclinação variável (horizontal sob condições hidrostáticas,
ou inclinado sob condições hidrodinâmicas).

As trapas podem ser classificadas como estruturais, estratigráficas, hidrodinâmicas ou


mistas. As trapas estruturais são aquelas cuja geometria é o resultado de atividade tectônica,
estando relacionadas a falhas, dobras ou diápiros. Anticlinais associados a falhas reversas
ou normais constituem o tipo de trapa estrutural mais comum. As trapas estratigráficas são
aquelas resultantes de variações litológicas, podendo ser de origem deposicional (ex:
recifes, lentes de arenitos, etc) ou pós-deposicional (ex: truncamentos, barreiras
diagenéticas, etc). As trapas hidrodinâmicas formam-se em áreas onde o fluxo descendente
de água retém o petróleo sem nenhum tipo de fechamento estrutural ou barreira
estratigráfica. As trapas mistas são o resultado da combinação de duas de quaisquer
situações acima.

As rochas selantes ou capeadoras são as responsáveis pela retenção do petróleo nas


trapas. Devem apresentar baixa permeabilidade associada com alta pressão capilar, de
modo a impedir a migração vertical do petróleo. Os evaporitos (especialmente a halita) são
os capeadores mais eficientes, embora os folhelhos sejam os mais comuns nas acumulações
de petróleo. Os folhelhos podem nos casos em que a pressão capilar não é suficientemente
alta, atuar como capeadores seletivos, impedindo a passagem do óleo e permitindo a perda
de gás da trapa. Cabe ressaltar que a capacidade selante de uma rocha é dinâmica. Um
folhelho capeador pode, com o aumento da compactação e alguma atividade tectônica,
fraturar-se e perder sua capacidade selante.

Para que seja possível a formação de uma jazida petrolífera, é fundamental que a
formação da trapa seja contemporânea ou anteceda a geração e migração do petróleo.

6.2. Alteração do petróleo na trapa

A composição do petróleo que chega a trapa depende essencialmente da natureza da


matéria orgânica e da evolução do processo de geração e migração. Esta composição,
entretanto, pode ser alterada na trapa por uma série de processo de alteração: craqueamento
térmico, ‘’deasphalting’’ e biodegradação.

O craqueamento térmico é conseqüência do aumento de temperatura do reservatório


devido à subsidência, mudança do gradiente geotérmico ou influência de intrusões ígneas.
O processo de degradação térmica do petróleo também pode ser descrito pelas formulações
clássicas da cinética de primeira ordem, sendo controlado pela temperatura e pelo tempo. O
craqueamento resulta no aumento da proporção dos hidrocarbonetos leves às expensas dos
compostos mais pesados. Sob temperaturas muito, o petróleo é transformado basicamente
em metano e um resíduo carbonoso aromatizado (pirobetume).

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O processo de ‘’deasphalting’’ consiste na precipitação dos asfaltenos causada pela


dissolução de grandes quantidades de gás e/ou hidrocarbonetos leves no petróleo
acumulado. Esses hidrocarbonetos leves podem se formar na própria acumulação, pelo
efeito do craqueamento térmico, bem como resultar de um segundo pulso de migração
secundária que atingiu o reservatório.

A biodegradação é o processo de alteração do petróleo pela ação de bactérias. A


biodegradação do petróleo está normalmente associada ao influxo de água meteórica no
reservatório, uma vez que as bactérias que consomem o petróleo são principalmente
aeróbicas, dependendo, portanto, do oxigênio e nutrientes trazidos pela água. O consumo
dos hidrocarbonetos pelas bactérias é seletivo, seguindo de modo geral a seguintes
sequência: alcanos normais, seguidos pelos ramificados, cíclicos e, finalmente, os
hidrocarbonetos aromáticos. A perda preferencial dos compostos mais leves resulta no
aumento da densidade e da viscosidade do óleo acumulado.

6.3. Cálculo de reservas e métodos de produção

Na cubagem do volume de petróleo recuperável de uma jazida deve ser levado em


consideração volume do reservatório que contém petróleo, a porosidade, a saturação de
óleo, o fator de recuperação e o fator volume de formação.

O volume do reservatório é calculado com base em mapas estruturais e isópacos. A


porosidade e a saturação de óleo (fração do espaço poroso ocupado pelo petróleo) são
definidas com base em perfis elétricos. O fator de recuperação (percentagem do volume
total do óleo que pode ser produzido) é estimado por analogia com reservatórios similares
já em produção. O fator volume de formação é usado para a conversão do volume do
petróleo no reservatório para as condições de P e T na superfície, correspondendo ao
volume de óleo no reservatório para fornecer um barril de petróleo na superfície. Esse fator
pode ser estimado com base na composição do petróleo (varia de 1,08 nos óleo pesados, até
2,0 nos muito leves) ou determinado com precisão através de análises de PVT (pressão-
volume-temperatura) em laboratório.

A produção do petróleo depende da diferença de pressão entre poço e reservatório.

Existem três mecanismos naturais para o fluxo espontâneo do petróleo até a superfície:
gás dissolvido, capa de gás e empuxo de água.

A presença de gás dissolvido nas mais variadas proporções é comum em acumulações


de petróleo. A energia do gás dissolvido é liberada com a expansão decorrente da queda de
pressão entre o reservatório e a superfície. À medida que o gás se expande, ele ‘’arrasta’’ o
óleo ao longo do gradiente de pressão. Com o avanço da produção e a redução da
quantidade de gás, observa-se o declínio da pressão do reservatório até a mesma alcançar a
pressão de saturação (‘’bubble point’’). Neste ponto, o gás sai de solução sob a forma de
bolhas, podendo formar uma capa de gás (denominada de secundária) sobre o óleo. Esta
capa exerce pouca influência sobre a eficiência da produção, e tende a aumentar até ocupar
o espaço poroso ocupado pelo óleo. A eficiência da recuperação através deste mecanismo
está em torno de 20%.

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A capa de gás livre, por sua vez, indica que a quantidade de gás excede a necessária
para saturar o óleo. A energia provém tanto gás dissolvido quanto da capa de gás
comprimido na porção superior do trapa. Com o avanço da produção também se observa o
declínio da pressão do reservatório e uma expansão da capa de gás, ocupando o espaço
ocupado pelo óleo. A eficiência da recuperação através deste mecanismo pode variar de 20
a 50%.

O mecanismo de produção por meio do empuxo de água ocorre nas acumulações onde a
pressão é transmitida pelo aquífero através do contato óleo-água ou gás-água.

Neste caso, a água substitui o petróleo produzido, mantendo a pressão do reservatório.

No caso do empuxo de água não estar sendo suficiente para manter a pressão, os poços
podem ser fechados e a pressão original será restaurada. A eficiência da recuperação
através deste mecanismo pode chegar a 80%.

No caso de reservatórios em que a pressão declina até a atmosférica, a única energia


disponível é a da gravidade, pouco eficiente e com resultados anti-econômicos. Em alguns
casos, a energia do reservatório pode ser recuperada com a injeção de gás sob pressão.

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