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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TENOLÓGICA DO RIO

GRANDE DO NORTE
DIRETORIA DE ENSINO
GERÊNCIA EDUCACIONAL DE TECNOLOGIA DOS RECURSOS
NATURAIS
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MEIO AMBIENTE

APLICAÇÃO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÕES


GEOGRÁFICAS NA ANÁLISE DOS PADRÕES DE
DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DO PÓLO DE
TURISMO COSTA DAS DUNAS - RN

por

GLAUBER NÓBREGA DA SILVA

Trabalho apresentado em
cumprimento a disciplina de Estágio
Supervisionado sob orientação do
professor MSc. Leão Xavier da
Costa Neto e Coordenação da MSc.
Régia Lúcia Lopes para obtenção do
título de Tecnólogo em Meio
Ambiente

Natal – RN
Junho de 2004

1
CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TENOLÓGICA DO RIO
GRANDE DO NORTE
DIRETORIA DE ENSINO
GERÊNCIA EDUCACIONAL DE TECNOLOGIA DOS RECURSOS
NATURAIS
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM MEIO AMBIENTE

APLICAÇÃO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÕES


GEOGRÁFICAS NA ANÁLISE DOS PADRÕES DE
DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DO PÓLO DE
TURISMO COSTA DAS DUNAS - RN

por

GLAUBER NÓBREGA DA SILVA

Trabalho apresentado em
cumprimento a disciplina de Estágio
Supervisionado sob orientação do
professor MSc. Leão Xavier da
Costa Neto e Coordenação da MSc.
Régia Lúcia Lopes para obtenção do
título de Tecnólogo em Meio
Ambiente

Período de realização do Estágio: ___________________Carga Horária: ____


Data de apresentação para apreciação: _______________________________
Resultado: ______________________________________________________

Comissão de Avaliação de Relatório

Professor MSc. Leão Xavier da Costa Neto


Orientador

Professora MSc. Régia Lúcia Lopes


Avaliador 1

Professor MSc. Jerônimo Pereira dos Santos


Avaliador 2

Natal _____de _____ de 2004

2
3
“Homem sábio é aquele que renova constantemente o seu desejo de descobrir”
André Gilde

4
Dedico este trabalho a minha
Avó, Adalgisa Medeiros da.
Silva, exemplo de caráter e
bondade, aos meus pais e
irmãos pela formação e a
minha esposa

5
AGRADECIMENTOS

A minha família pelo apoio dado em todos os momentos de elaboração deste projeto;
A minha esposa pela compreensão e paciência;
Ao CEFET-RN que viabilizou as condições e materiais necessários a execução
deste trabalho;
Aos meus amigos, Domingos Fernandes, Josivan, João Carlos, Sérgio Murilo,
Sérgio Pinheiro, Mariane e Walgia que pacientemente ouviram minhas idéias;
Aos colegas de curso pelas experiências vividas e;
Aos meus Mestres, Leão Xavier, Régia Lopes e José Yvan Pereira pela força e
dedicação.

A todos, a meu sincero obrigado.

6
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS..................................................................................... X
LISTA DE TABELAS.................................................................................... XI
LISTA DE ABREVIATURAS......................................................................... XII
RESUMO........................................................................................................XIII
ABSTRACT................................................................................................... XIV
APRESENTAÇÃO........................................................................................ XV
INTRODUÇÃO.............................................................................................. 01
OBJETIVOS.................................................................................................. 03
1. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO......................................................... 04
2. UNIVERSO DE ESTUDO.......................................................................... 07
2.1. O Parque Estadual das Dunas de Natal...................................... 07
2.2. O Pólo de Turismo Costa das Dunas.................................... 11
2.2.1. Infra-Estrutura....................................................13
2.2.2. Geologia............................................................ 15
2.2.3. Vegetação......................................................... 18
2.2.4. Resíduos Sólidos.............................................. 19
3 - REFERENCIAL TEÓRICO...................................................................... 25
3.1. Definição e Classificação de lixo e Resíduos Sólidos.......... 25
3.2. Aspectos jurídicos dos Resíduos Sólidos............................ 28
3.3. Gerenciamento do Sistema de Limpeza Urbana...................31
3.4. Sistema de Informações Geográficas................................... 32
3.6. Softwares Adotados.............................................................. 37
4. INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS PARA ELABORAÇÃO DO SISTEMA DE
INFORMAÇÕES DO PÓLO DE TURISMO COSTA DAS DUNAS................38
6. MODELAGEM ESTATÍSTICA DO BANCO DE DADOS QUE
ALIMENTARÁ O SIG DO PÓLO DE TURISMO COSTA DAS
DUNAS......................................................................................................... 41
6.1. Informações Utilizadas......................................................... 41
6.2. Preparação do Modelo......................................................... 42
7. CONSTRUÇÃO DO SIG.......................................................................... 47

7
7.1. Estrutura do Sistema............................................................ 49
7.2. Metodologia de construção do Banco de Dados................... 50
7.3. Etapas da Construção do Banco de Dados.......................... 52
8. RESULTADOS OBTIDOS......................................................................... 64
8.1. Seleção de Áreas.........................................................................64
8.2. Divisão das Regiões para Gestão dos Resíduos Sólidos do
Macro-Universo do Pólo de Turismo Costa das
Dunas..................................................................................................67
8.3. Avaliação da disposição dos resíduos Sólidos...................... 68
8.4. Parâmetros Identificados para avaliação das áreas propensas a
disposição final de resíduos............................................................... 73
8.5 Mapa das áreas propensas ao surgimento de ADRS no Pólo de
Turismo Costa das Dunas.................................................................. 74
9. CONCLUSÕES......................................................................................... 78
9.1.Sugestões...............................................................................81
10. BIBLIOGRÁFIA........................................................................................82
11. ANEXOS..................................................................................................85

8
LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Projetos realizados pelo Governo Estadual na Década de 80 na


Cidade do Natal .............................................................................................. 09
Figura 02 – Praia de Areia Preta antes (a esquerda) e após (a direita) a
construção da Rota do Sol...............................................................................10
Figura 03 – Fluxo de Turista no RN no período de 1991 a 1999.....................11
Figura 04 – Área do Pólo de Turismo Costa das Dunas ................................14
Figura 05 – Geologia do Estado do Rio Grande do Norte ..............................16
Figura 06 – Ficha de avaliação do IQAD utilizado na avaliação qualitativa as
áreas de disposição do Pólo de Turismo Costa das Dunas ............................22
Figura 07 – Espacialização dos resultados obtidos a partir do uso dos IQADS
nos Municípios do Pólo de Turismo Costa das Dunas.....................................24
Figura 08 – Exemplo de organização de informações temáticas em
camadas...........................................................................................................34
Figura 09 – Imagem LANDSAT da área de Estudo ....................................... 39
Figura 10 – Planilha de distribuição dos dados dos IQADs ........................... 43
Figura 11 – Índice de correlação entre variáveis ........................................... 44
Figura 12 – relação entre atividades de criação de animais a acessibilidade
das ADRS ....................................................................................................... 44
Figura 13 – Relação entre aspectos físicos das ADRS ................................. 45
Figura 14 – Fluxograma do modelo adotado para construção do Sistema de
Informações Geográficas do Pólo de Turismo Costa das Dunas ................... 48
Figura 15 – Componentes que formam um SIG ............................................ 49
Figura 16 - Mapa Geológico do Pólo de Turismo Costa das Dunas
confeccionado a partir da interpretação das imagens de satélite ................... 51
Figura 17 - Cadastro das ADRS do Pólo de Turismo Costa das Dunas ........ 52
Figura 18 – Organograma mostrando a origem das classes de informação
utilizada na construção do Banco de Dados que alimentará o SIG
proposto............................................................................................................53
Figura 19 – Seleção da extensão Image Analysis no Arcview ...................... 54
Figura 20 – Localização do ícone Align Tool da extensão Image Analysis ... 55

9
Figura 21 – Imagem completa (A) e imagem final (B) para elaboração do
Sistema ............................................................................................................57
Figura 22 – Limites Administrativos e seu respectivo banco de dados no
ambiente do Arcview ........................................................................................58
Figura 23 – Delimitação da Mancha Urbana da cidade de Ceará-Mirim ....... 59
Figura 24 – Seleção da extensão Network Analysist no Arcview ...................61
Figura 25 – Função Add Event Theme do Arcview .........................................62
Figura 26 – Área total do Pólo de Turismo e áreas consideradas inadequadas
a disposição de resíduos sólidos (com destaque na área selecionada para a
construção do Aterro Sanitário da Região Metropolitana de Natal ................. 66
Figura 27 – Sub-áreas para disposição dos resíduos sólidos do Pólo de
Turismo Costa das Dunas .............................................................................. 69
Figura 28 – Sobreposição das ADRS e das áreas impróprias para disposição
de resíduos com destaque (nomenclatura em amarelo) às áreas que se
encontram em locais adequados .................................................................... 70
Figura 29 – Localização das zonas com potencial para disposição de resíduos
nos municípios do Pólo de Turismo Costa das Dunas ................................... 75
Figura 30 – Fatores limitantes a tomada de decisão nos municípios que
compões o Pólo de Turismo Costa das Dunas.................................................80

10
LISTA DE TABELAS

Tabela 01- Classificação das áreas de destinação de resíduos sólidos por

municípios do Pólo de Turismo Costa das Dunas/RN...........................................21

Tabela 02 – Quantificação dos resultados obtidos na figura 28 ...........................73

Tabela 03 – Distribuição das áreas de disposição de resíduos em função da

classificação das áreas propensas ao surgimento de ADRS ..............................76

11
LISTA DE ABREVIATURAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas


ADRS – Área de Disposição de Resíduos Sólidos
APA – Área de Proteção Ambiental
BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento
CEFET-RN – Centro Federal de Educação Tecnológica do RN
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
DNPN – Departamento Nacional de Pesquisa Mineral
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMBRATUR – Empresa Brasileira de Turismo
IDEMA-RN - Intituto de Desenvolvimento de Meio Ambiente do Rio Grande do
Norte
IQAD – Índice de Qualidade de Áreas de Disposição
IQR – Índice de Qualidade de Resíduos
IPTU – Imposto Territorial Urbano
PRODETUR – Programa de Desenvolvimento do Turismo
NBR – Norma Brasileira
SECTUR – Secretaria de Turismo
SIG – Sistema de Informação Geográfica
SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste

12
RESUMO

Este relatório descreve o desenvolvimento da análise dos padrões de disposição


de resíduos sólidos na área formada pelo Pólo de Turismo Costa das Dunas no
Rio Grande do Norte. O trabalho consistiu na elaboração de um banco de dados
com informações das áreas de disposição de resíduos sólidos, obtidas a partir do
Mapeamento das Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos do projeto de
Caracterização, Processamento e Desenvolvimento de Produtos a partir dos
Resíduos Sólidos Gerados nos Municípios que Compõem o Pólo de Turismo
Costa das Dunas e sua aplicação em um Sistema de Informações Geográficas -
SIG.

Palavras Chaves

Sistema de Informações Geográficas


Banco de Dados
Resíduos Sólidos Urbanos
Pólo de Turismo Costa das Dunas

13
ABSTRACT

This report describes the development of the analysis of the standards of disposal
of solid residues in the area formed for the Pólo de Turismo Costa das Dunas no
Rio Grande do Norte. The work consisted of the elaboration of a data base with
information of the areas of disposal of solid residues, gotten from the Mapeamento
das Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos of the project of Caracterização,
Processamento e Desenvolvimento de Produtos a partir dos Resíduos Sólidos
Gerados nos Municípios que Compõem o Pólo de Turismo Costa das Dunas and
its application in a Geographic Information System-GIS .

Words Keys

Geographic Information System


Data base
Urban Solid Residues
Pólo de Turismo Costa das Dunas

14
APRESENTAÇÃO

Este trabalho é parte da avaliação acadêmica para obtenção do

diploma de graduação do curso de Tecnologia em Meio Ambiente do Centro

Federal de Tecnologia do Rio Grande do Norte – CEFET/RN – e foi realizado

entre o período de janeiro de 2001 a janeiro de 2002 com uma carga horária total

de aproximada de 1.800 (um mil e oitocentas) horas, divididas em duas fases,

coleta de dados das áreas de disposição de resíduos sólidos do Pólo de Turismo

Costa das Dunas processamento dos mesmos.

As atividades desenvolvidas no estágio foram realizadas com

informações do projeto de “Caracterização, Processamento e Desenvolvimento de

Produtos a partir dos Resíduos Sólidos Gerados nos Municípios que compõem o

Pólo de Turismo Costa das Dunas”. O projeto foi executado por uma equipe

multidisciplinar do CEFET-RN, sob a coordenação geral do professor José Yvan

Pereira Leite e coordenação das atividades por parte dos professores MSc. Leão

Xavier da Costa Neto, responsável pelo mapeamento e caracterização ambiental

das áreas de disposição e MSc. Régia Lúcia Lopes, responsável pelo diagnóstico

dos resíduos sólidos dos municípios do Pólo. O projeto do Pólo de Turismo foi

financiado do CNPq como o poio do Banco do Nordeste.

Após a aquisição das informações foram iniciados os estudos sobre

modelagem ambiental e suas aplicações no gerenciamento de áreas de

disposição final de resíduos sólidos, resultando na elaboração de um Sistema de

Informações Geográficas (SIG) e na análise dos padrões de disposição dos

resíduos na área de estudo, objetos deste trabalho.

15
INTRODUÇÃO

O momento histórico vivenciado por todos que hoje habitam nosso

planeta aponta para uma reflexão dos padrões de vida contemporâneos e seus

impactos sobre a saúde e o meio ambiente. Fazendo uma breve retrospectiva

histórica podemos identificar elementos que contribuem significamente para os

padrões de produção e consumo que prevalecem hoje em praticamente todo os

paises do mundo.

Durante milhões de anos os homens sempre viveram em equilíbrio com

o meio natural, limitando o seu crescimento as condições que o ambiente lhe

proporcionava. Este equilíbrio tornou-se cada vez mais instável a medida que se

evoluíam as técnicas de modificação do habitat. Os domínios da agricultura e de

outras atividades tornaram possível o surgimento de pequenos povoados e

demais aglomerados humanos.

Com o surgimento das cidades e o aumento populacional, aumentava a

demanda por bens de consumo. O atendimento a essa demanda sempre

crescente causava mudanças nos padrões de produção que, por sua vez,

aumentava a diversidade de produtos disponíveis e, em conseqüência, da

demanda de produtos melhores, estabelecendo uma relação cada vez mais

próxima entre a geração dos produtos e o consumo.

Como conseqüência imediata de um “sistema geração-consumo-

geração” observou-se o surgimento de problemas ambientais como poluição das

águas e geração de resíduos sólidos. Observamos que os séculos XIX e XX

foram marcados pela divisão social e técnica do trabalho que desenvolveu

tecnologias de produção e aumentou o consumo. Na década de 50 houve um

16
salto tecnológico em praticamente todos os ramos científicos que alterou

profundamente o comportamento dos indivíduos, apresentando como modelo um

aumento da qualidade de vida baseada em altos padrões de consumo,

incentivando a produção de materiais descartáveis e a utilização de materiais

sintéticos.

Este padrão vem sendo agravado nas últimas décadas, principalmente

com o aumento do êxodo rural, da população nas cidades, do uso de energias,

combustíveis e serviços com reflexos significativos no aumento da geração de

resíduos, da poluição do meio ambiente e a degradação dos recursos naturais.

Hoje, a dinâmica apresentada pelo modelo econômico gera escassez

de recursos naturais que eleva o valor das matérias primas e justifica o

investimento em novas tecnologias para uma extração mais eficiente dos recursos

já escassos. O efeito-causa desse padrão de consumo reflete-se no esgotamento

mais irracional das fontes energéticas, produção progressiva da quantidade de

resíduos, diminuição de recursos naturais disponíveis à população e o aumento

da poluição ambiental.

Diante do quadro exposto evidencia-se uma crescente preocupação

sobre temas que envolvam o meio ambiente que, por sua vez, geram mudanças

científicas e tecnológicas de alguns setores produtivos que se adaptam a novos

interesses sociais e políticos marcantes nas sociedades contemporâneas. Nota-

se que, principalmente no Estado, são desenvolvidas ações que buscam

minimizar atitudes danosas ao meio ambiente. Estas ações refletem-se

principalmente na introdução de cursos de capacitação em educação ambiental,

nas atividades de gerenciamento do uso do solo e na elaboração de legislações

específicas sobre o tema.

17
Apesar do interesse demonstrado pelos dirigentes públicos frente aos

novos desafios, nota-se uma atitude paternalista e, em muitos casos, fica evidente

o desconhecimento do tema. Aliado a situação, é comum observarmos atitudes

tradicionalistas que não identificam oportunidades plausíveis de aproveitamento

na gestão pública, contribuindo para o desenvolvimento de ações que não atinjam

os resultados esperados.

OBJETIVOS

O presente relatório visa fornecer suporte a atividade de gerenciamento

público na região do Pólo de Turismo Costa das Dunas, oferecendo uma base

científica que auxilie no gerenciamento dos resíduos sólidos. Este alicerce

consiste na identificação dos fatores geográficos e culturais que influenciam e

contribuem para o surgimento das áreas de disposição dos resíduos sólidos em

toda a área proposta. Fatores estes que poderão ser identificados através da

confecção e interpretação de um sistema de informações geográficas, criado a

partir de elementos gerados durante a atividade de “Mapeamento das áreas de

disposição de resíduos sólidos do Pólo de Turismo Costa das Dunas”, realizado

durante o ano 2001 pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande

do Norte – CEFET/RN.

Todo o sistema será estruturado de modo a admitir a utilização de

todas as informações relevantes geradas durante o projeto, permitindo sua

análise qualitativa, quantitativa e espacial de tal modo que seja possível classificar

as áreas com potencial para o surgimento de áreas de disposição de resíduos

18
sólidos e identificar os elementos para aplicação de um gerenciamento mais

eficiente e direcionado a realidade local.

1. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO

O estágio foi desenvolvido dentro do projeto de “Caracterização,

Processamento e Desenvolvimento de Produtos a partir dos Resíduos Sólidos

Gerados nos Municípios que Compõem o Pólo de Turismo Costa das Dunas”

inserido no Programa de Plataformas Tecnológicas do Banco do Nordeste e

financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –

CNPq sob o processo de número 480.131/00.

Todas as atividades referentes ao projeto do Pólo de Turismo Costa

das Dunas foram realizadas no período de janeiro de 2001 a janeiro de 2002 no

Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte – CEFET/RN.

O projeto apresenta 6 (seis) linhas de pesquisa, a saber:

1.1. Caracterização do Sistema de Limpeza Pública do Pólo de

Turismo Costa das Dunas - Com o objetivo de avaliar,

qualitativamente e quantitativamente, o sistema de limpeza

pública dos 14 municípios pertencentes ao pólo.

Mapeamento das Áreas de Disposição de Resíduos de Pólo de Turismo

Costa das Dunas - Tem como objetivos identificar e classificar as áreas de

disposição dos resíduos sólidos segundo sua forma e aspectos ambientais. Como

19
resultado foi elaborado um produto cartográfico com as informações individuais de

cada área identificada.

Influência das Áreas de Disposição de Resíduos na Poluição do Meio

Aquático no Pólo de Turismo Costa das Dunas – Com a realização de estudos

para análise da localização das áreas de disposição e sua associação com a e a

poluição dos recursos hídricos.

Caracterização dos Resíduos da Construção Civil e Possibilidades de

sua Reciclagem - Com os resultados das informações da classificação

gravimétricas dos resíduos da Cidade do Natal foram realizadas pesquisas para a

reutilização de materiais para emprego nas atividades da construção civil.

Estudo da Compostagem para o Tratamento da Matéria Orgânica gerada

em Natal - O seu objetivo foi avaliar o processo de compostagem dos resíduos

orgânicos nas condições climáticas da cidade do Natal.

Caracterização dos Resíduos de Coco e Alternativas de Processo para

sua Reciclagem - Neste trabalho foi estudado as características de secagem da

fibra do coco e suas aplicações no tratamento de efluentes e como energéticos

para indústria de cerâmica e panificação.

O estágio foi desenvolvido durante a atividade de “Mapeamento das

Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos do Pólo de Turismo Costa das Dunas”,

o qual foi subdividido em 2 (duas) fases. A primeira refere-se às atividades de

20
mapeamento das áreas de disposição dos resíduos sólidos do Pólo de Turismo

Costa das Dunas, perfazendo uma carga horária aproximada de 1400 horas 2 a

segunda, com mais 400 horas, na elaboração de mapas e organização de banco

do bando de dados com as informações utilizadas para a construção do SIG. As

atividades forma realizadas nas instalações da Gerência de Recursos Naturais do

CEFET/RN e geraram, em conjunto com outros pesquisadores, vários trabalhos

técnicos apresentados no anexo I.

Além do estágio curricular no CEFET, foi utilizada a instalação da

empresa Limpel - Limpeza Urbana LTDA, na cidade de Fortaleza, para a

finalização e revisão do sistema de informações geográficas, no período de

agosto de 2003 a janeiro de 2004, com uma média de 400 horas dedicadas ao

projeto.

21
2. O UNIVERSO DE ESTUDO

O universo deste trabalho é composto pelas áreas de disposição de

resíduos sólidos dos municípios que compõem o Pólo, estando incluso os seus

parâmetros físico-ambientais. Este universo é constituído por unidades de

paisagem (ou parâmetros físicos-ambientais) que retratam as peculiaridades da

cada região estudada tais como o uso da terra e a densidade demográfica, dentre

outras.

Para fundamentar os limites Políticos do Pólo de Turismo Costa das

Dunas optou-se por realizar uma pequena retrospectiva das políticas

governamentais que o antecederam como a região do turismo no Estado do RN.

Podemos considerar o projeto Parque Estadual das Dunas de Natal

como o embrião do Pólo de Turismo Costa das Dunas no Estado do RN. Essa

denominação é justificada já que foi a primeira região a receber investimentos na

área de infraestrutura com objetivos de aumentar a renda proveniente do setor de

turismo.

2.1 – O Parque Estadual das Dunas de Natal

Segundo GOMES (2002) até o princípio da década de 80 a renda do

turismo ainda era inexpressiva no Estado e não gerava recursos importantes para

a economia local que nesta época se limitava a agricultura e a mineração. Neste

período os grandes centros de referência do turismo no Nordeste se encontravam

em cidades como Recife (PE), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

22
Vislumbrando o aumento da sua participação neste segmento, o

Governo Estadual iniciou uma série de investimentos no planejamento da

atividade por entender que ela apresentava-se como uma alternativa para

impulsionar o seu crescimento econômico. Com isso, algumas políticas públicas

foram implementadas para viabilizar o turismo de massa. Estas políticas de

desenvolvimento foram aplicadas principalmente na melhoria das condições de

infra-estrutura viária, hotéis e na construção e consolidação de alguns atrativos

turísticos (figura 01).

O projeto foi posto em prática ainda no início da década de 80. O

Governo do Estado, mesmo sob muitos protestos, iniciou a construção da Via

Costeira, ligando a praia de Areia Preta à de Ponta Negra, dois locais de

importante fluxo de turistas da época. Este empreendimento visava fornecer

condições para o começo da atividade hoteleira no local. Junto ao projeto de

construção da Via Costeira foram criadas o Parque Estadual das Dunas de Natal

e a nova ponte de Igapó.

O Projeto Parque das Dunas-Via Costeira, como ficou conhecido,

ocupa uma área de aproximadamente 8,5 km de costa ligando as praias de Ponta

Negra e Areia Preta, no litoral sul de Natal.

GOMES (2002) afirma que o projeto possuiu os seguintes objetivos:

Proteger o sistema dunar;

Impedir o crescimento de favelas (em especial a de Mãe Luíza);

Aumentar o potencial turístico e de lazer da faixa litorânea e;

Promover a interligação do litoral de Natal.

23
Figura 01 – Projetos realizados pelo Governo Estadual na Década de 80 na Cidade do Natal.

(Fonte: Confecção própria)

Apoiado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste -

SUDENE, o projeto trouxe a proposta de alavancar o turismo no RN. Para tanto,

previa em seus objetivos, a construção de hotéis de categoria cinco estrelas, com

cerca de 400 apartamentos cada um, a construção do Centro de Convenções e a

24
residência oficial do governador do Estado, além de outros equipamentos. A

concessão de incentivos fiscais foi imprescindível para a construção de hotéis e

outros empreendimentos ligados ao setor. O projeto não atingiu todas a suas

metas, mas possui o mérito de dinamizar a região, como fica evidenciado na

figura 2.

Figura 02 – Praia de Areia Preta antes (a esquerda) e após (a direita) a construção da

Rota do Sol. (Fonte: www.natal.rn.gov.br)

Segundo o relatório de “Avaliação dos Aspectos Ambientais e Sócio-

Econômicos do PRODETUR I” (2001 - BID), durante o período de execução do

projeto, de 1980 a 1991, houve um aumento de cerca de dois terços do fluxo de

turistas no RN.

2.2. O Pólo de Turismo Costa das Dunas

A partir de 1991 foi implementado o Programa de Desenvolvimento do

Turismo do Nordeste – PRODETUR/NE, sendo este uma iniciativa da SUDENE

com apoio da Empresa Brasileira de Turismo - EMBRATUR. O programa

objetivava dinamizar o turismo receptivo, estimular a permanência do turista nos

25
Estados, induzir novos investimentos e gerar emprego e renda para a população

local.

Segundo a Secretaria e Turismo - SECTUR/RN, em todo o período de

duração do projeto, de sua implantação até o ano de 1999, houve um aumento de

cerca de 50% do fluxo de turistas no Estado (Figura 03) demonstrando o êxito nas

ações desenvolvidas.

1.000.000
900.000
800.000
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000 Turistas
0
1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999

Figura 03 – Fluxo de Turista no RN no período de 1991 a 1999 (SECTUR/RN, 2001).

Todas as ações desenvolvidas pelo PRODETUR/NE foram o resultado

de cinco subprogramas com áreas de atuação específica, sendo eles:

Político-institucional - Diminuindo o excesso de burocracia e

pleiteando o ingresso de capital estrangeiro no país;

Gestão - Desenvolvendo ações voltadas para desenvolvimento dos

recursos humanos, organizacionais e de preservação do patrimônio

turístico.

26
Infra-estrutura – Responsável pelas obras inseridas no programa.

Promoção e divulgação – Utilizando o marketing integrado,

baseado na oferta e demanda e na divulgação da região.

Pólos e corredores turísticos – Incentivando e organizando pólos

e corredores turísticos, sendo este, o eixo principal sobre o qual está

fundamentado o projeto.

Como resultado das ações do PRODETUR, foi criado o Pólo de

Turismo Costa das Dunas (Figura 04). O principal objetivo da criação do Pólo foi

de concentrar as iniciativas privadas e públicas em um corredor turístico que

fosse capaz de atrair fluxos internacionais de visitantes. Desse modo,

disponibilizou-se instrumentos para o desenvolvimento das áreas com

potencialidades excursionistas e o financiamento das demais atividades

integrantes da cadeia produtiva do turismo com vistas à consolidação desse

segmento em todo o litoral oriental e parte do litoral norte potiguar.

O Pólo de Turismo Costa das Dunas é composto por 14 municípios ,

sendo eles: Pedra Grande, São Miguel do Gostoso, Touros, Rio do Fogo,

Maxaranguape, Extremoz, Ceará Mirim, Natal, Parnamirim, Nísia Floresta,

Senador Georgino Avelino, Tibau do Sul, Canguaretama e Baía Formosa. Estes

municípios localizam-se geograficamente no litoral leste (Baía Formosa a Touros)

e Parte do Litoral Norte (Touros a Pedra Grande) do Estado do RN e apresentam

uma extensão perto de 200 quilômetros (Figura 04).

O pólo possui uma superfície de aproximadamente 4.700 Km 2,

equivalente a 8% do território estadual e abrigava, em 2000, uma população de

1.174.440 habitantes, ou seja, 42% da população do RN (MARGARETH, 2002).

27
Houve grandes investimentos na região em virtude das características

acima mencionadas, por esse motivo o Pólo apresenta algumas peculiaridades

em relação ao restante do Estado com as descritas a seguir:

2.2.1 – Infra-Estrutura

Conforme o DIAGNÓSTICO DO PÓLO DE TURISMO NO ESTADO DO

RIO GRANDE DO NORTE (2002 – IDEMA), o investimento em infra-estrutura foi

a principal ação do Governo do Estado para promover o turismo, dentre as

principais realizações, podemos citar:

a) Áreas Protegidas - Foram institucionalizadas pelo Governo do

Estado 3 (três) unidades de conservação estaduais nos limites do Pólo de

Turismo, sendo um Parque Estadual (Parque Estadual das Dunas) e 2 (duas)

Áreas de Proteção Ambiental – APA (Bomfim/Guaíra e Jenipabú). A criação

dessas unidades de conservação foi resultado dos estudos desenvolvidos no

âmbito do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro - IDEMA, que possui como

um dos produtos o Zoneamento Ecológico Econômico do Litoral Oriental, norma

que orienta o uso e ocupação dessa porção do litoral norte-rio-grandense.

28
Figura 04 – Área do Pólo de Turismo Costa das Dunas
b) Abastecimento de Água – Com a implantação e aumento da rede

de distribuição de água para as residências dos municípios do Pólo de Turismo.

c) Esgoto Sanitário - Com relação à existência de esgotamento

sanitário adequado, 85,6% dos domicílios nas áreas pólo não contam com

serviços de rede geral de esgoto sanitário ou mesmo uma fossa séptica ligada à

rede pluvial. O problema ganha destaque em função da alta permeabilidade dos

solos, em sua maioria arenosos, muito suscetíveis à percolação dos efluente e

conseqüente contaminação do lençol freático.

Foram realizados investimentos com recursos do PRODETUR/NE I em Sistema

de Esgotamento Sanitário em Ponta Negra e na Via Costeira, ambas localizadas

em Natal.

2.2.2 – Geologia

Geologicamente o Estado do Rio Grande do Norte caracteriza-se por

apresentar cerca de 60% de sua área recoberta por rochas pertencentes ao

embasamento cristalino Pré-Cambriano, destacando-se entre elas xistos,

gnaisses, migmatitos e granitos pertencentes ao complexo Caicó e Grupo Seridó.

Os 40% restante é representado por sedimentos cretácicos da Bacia

Potiguar (Formação Açu e Jandaíra), depósitos terciários (Formação Serra dos

Martins e Grupo Barreiras) e quaternários (sedimentos aluvionares, lacustres,

estuarinos, de mangues, eólicos e de praias) (Figura 05).


Figura 05 – Geologia do Estado do Rio Grande do Norte (Adaptado do mapa geológico do Estado,

DNPM, 1998)

Segundo COSTA NETO (2002) Toda a região que compreende o Pólo

de Turismo Costa das Dunas é composta exclusivamente por rochas

sedimentares. Estas rochas estão descritas a seguir:

a) Formação Jandaíra

Estas rochas afloram principalmente nos Municípios de Pedra Grande,

São Miguel do Gostoso e Touros com algumas ocorrências em Ceará-Mirim e em

Canguaretama. Constitui-se por carbonatos marinhos de águas rasas e agitadas,

com ocorrência de calcários dolomíticos, calcilutitos bioclásticos, calcarenitos e

calcilutitos indicativos de planície de maré. Estes depósitos apresentam coloração

predominantemente creme e cinza, são duros, finos, com intercalações de

argilitos e com bancos ricamente fossilíferos (algas verdes, briozoários e

equinoídes).

31
b) Formação Barreiras

A Formação Barreiras é um termo utilizado para identificar os

sedimentos areno-argilosos afossíliferos que ocorrem em urna faixa contínua de

tabuleiros dispostos ao longo de todo o litoral, a grosso modo, o contorno da linha

de costa, desde Pedra Grande até Baía Formosa. Esses tabuleiros arenosos

apresentam um contorno inferior bastante irregular e sinuoso, com penetrações

máximas para o interior do continente da ordem de 65 quilômetros. Para o interior,

esses tabuleiros mostram-se quase sempre nivelados a superfície das rochas

subjacentes, com cotas em torno de 140 metros, confundindo-se muitas vezes

com os depósitos arenosos colúvio-eluviais. No litoral, essa feição monótona

desaparece completamente, dando lugar aos paredões de cortes verticais

constantemente solapados pela abrasão marinha e constituem as falésias, que

em alguns trechos do litoral, se alinham por muitos quilômetros ao longo da costa.

Sua feição morfológica mais típica se caracteriza por constituir extensa

chapada, também chamada de tabuleiros, com superfície suavemente inclinada

em direção ao mar e entrecortada transversalmente por inúmeros rios que

drenam a região. Os seus vales apresentam os flancos escarpados em contraste

com as planuras das superfícies aluvionares.

c) Sedimentos Eólicos

Os sedimentos eólicos ocorrem por toda a linha da costa, ao longo das

praias, ocupando faixas de larguras variadas, os quais se classificam em sub-

recentes e recentes.

32
Os sedimentos eólicos sub-recentes apresentam morfologia de

paleodunas originadas pelo desenvolvimento de processos pedogenéticos.

Litologicamente são constituídas de areias quartzosas com coloração laranja-

avermelhada, de granulação fina à média, e eventualmente com níveis síltosos e

argilosos. A idade atribuída a esta unidade é pleisto-holocênica, mostrando que a

partir deste intervalo de tempo, consolidou-se a implantação de um clima mais

seco.

Os sedimentos eólicos recentes são formados basicamente por areias

quartzosas de granulometria média a fina de cor branca, apresentando-se

morfologicamente sob a forma de dunas móveis.

d) Depósitos Flúvio-Auvionares, Estuarinos e de Marés

Os depósitos flúvio-estuarinos e de marés compreendem sedimentos

fluviais, lacustres ou estuarinos, sendo compostos, essencialmente, por areias,

cascalhos, siltes e argilas, com ou sem matéria orgânica que repousam sobre os

sedimentos da Formação Barreiras.

2.2.3 – Vegetação

A vegetação do pólo é composta de restingas herbáceas, arbustivas e

arbóreas ocorrendo em escalas variadas, prevalecendo a vegetação de tabuleiro,

caatinga, algumas áreas de cerrado de baixa densidade, além dos mangues que

em sua maioria apresentam fisionomia arbóreo-arbustiva bem conservadas.

33
Ainda existem resquícios de mata atlântica que originalmente cobria o

litoral oriental potiguar, como exemplo, a Mata Estrela, no município de Baía

Formosa; uma pequena área que margeia a praia de Pipa, em Tibaú do Sul; a

região pertencente a Base Aérea de Parnamirim, em Parnamirim; o Parque das

Dunas, em Natal e a praia de Pitangui, no Município de Extremoz, sendo esta

considerada a última reserva de todo o Litoral Norte.

2.2.4 – Resíduos Sólidos

O gerenciamento dos resíduos sólidos é outro fator a ser considerado

neste trabalho e pode ser descrito basicamente pelos serviços de coleta,

transporte e destinação dos resíduos dispostos em vias públicas.

A atividade de coleta e transporte dos resíduos sólidos pode ser

considerada como uma das principais atividades de prevenção de doenças pela

remoção dos vetores causadores de malefícios a saúde pública. É o sistema que

normalmente possui maior número de equipamentos, tais como caminhões,

compactadores e seu custo esta no intervalo de 10% a 35% de todo os gastos de

um governo municipal.

a) Caracterização do Sistema de Limpeza dos Municípios do Pólo

A presença de coleta inadequada de lixo nos municípios do pólo é

elevada. Do total, 24,8% não possuem uma coleta domiciliar e hospitalar

adequada (MARGARETH, 2002).

34
b) Áreas de Disposição Final

Durante a execução das atividades de mapeamento do Pólo de

Turismo Costa das Dunas, foram identificadas 256 (Duzentas e cinqüenta e seis)

áreas de disposição dos resíduos sólidos. Estas áreas foram classificadas como:

Ativas, Clandestinas, Inativas, Pontos de Lixo, Entulhos e em Implantação de

acordo com a sua ocupação.

As áreas Ativas e Clandestinas são locais para disposição de resíduos

sólidos utilizadas pelo poder público e pela iniciativa privada respectivamente,

totalizando 37 áreas. As áreas Inativas, num total de 33, são locais que foram

desativados, mas que em virtude da lenta decomposição dos resíduos

depositados, ainda causam impactos ao meio ambiente. A distribuição destas e

das demais áreas encontra-se na tabela 01.

Além da quantificação das áreas de disposição de resíduos, forma

levantadas informações qualitativas das condições atuais destes locais. A

ferramenta utilizada nesta atividade foi o Índice de Qualidade de Áreas de

Disposição - IQAD. O IQAD é composto por uma ficha de avaliação que

contempla informações sobre as características do local, infra-estrutura e

condições operacionais (Figura 06) e surgiu durante o desenvolvimento do Projeto

a partir da modificação do Índice de Qualidade de Aterros de Resíduos – IQR

(CETESB, 2000).

35
Tabela 01- Classificação das áreas de destinação de resíduos sólidos por municípios do

Pólo de Turismo Costa das Dunas/RN (Costa Neto et al, 2002)

MUNICÍPIOS CATEGORIAS
ATV CLD INT PTL ENT IMP TOTAL
1- Pedra Grande 2 --- 1 --- --- --- 3
2- São Miguel do Gostoso 1 --- --- --- --- --- 1
3- Touros 4 --- 4 --- --- --- 8
4- Rio do Fogo 4 --- 4 --- --- --- 8
5- Maxaranguape 4 --- 1 --- --- --- 5
6- Ceará Mirim 2 --- 2 --- --- --- 4
7- Extremoz 3 1 5 --- --- --- 9
8- Natal 2 --- --- 161 8 --- 171
9- Parnamirim 1 --- 2 10 5 --- 18
10- Nísia Floresta 3 2 3 --- --- 1 9
11- Sem. Georgino Avelino 1 --- 1 --- --- --- 2
12- Tibau do Sul 2 --- 2 --- --- --- 4
13- Canguaretama 3 --- 4 --- --- --- 7
14- Baía Formosa 2 --- 4 1 --- --- 7
TOTAL 34 3 33 172 13 1 256
ATV = Ativos CLD = Clandestinos INT=Inativos
PTL = Pontos de Lixo ENT = Entulho IMP= Implantação

36
ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁREAS DE DISPOSIÇÃO (IQAD)
Município: Referência:
Local: Data:
Bacia Hidrográfica: Equipe:

ITEM SUB-ITEM AVALIAÇÃO PESO PONTOS ITEM SUB-ITEM AVALIAÇÃO PESO PONTOS
CAPACIDADE DE ADEQUADA 5 ASPECTO GERAL
BOM 4
SUPORTE DO
SOLO INADEQUADA 0 RUIM 0
PROXIMIDADE LONGE > 500 M 5 OCORRÊNCIA DE NÃO 4
DE NÚCLEOS LIXO
HABITACIONAIS PRÓXIMO 0 DESCOBERTO SIM 0
PROXIMIDADE
DE CORPOS DE
LONGE > 200 M 3 ADEQUADO 4
RECOBRIMENTO
ÁGUA PRÓXIMO 0 DO LIXO
INADEQUADO 1
MAIOR QUE 3 M 4 INEXISTENTE 0
CARATERÍSTICAS DO LOCAL

PROFUNDIDADE
DO LENÇO DE 1 A 3 M 2 PRESENÇA DE NÃO 1
FREÁTICO URUBUS OU
DE 0 A 1 M 0 GAIVOTAS SIM 0

CONDIÇÕES OPERACIONAIS
BAIXA 5 PRESENÇA DE NÃO 2
PERMEABILIDAD MOSCAS EM
E DO SOLO
MÉDIA 2 GRANDE SIM 0
ALTA 0 PRESENÇA DE
NÃO 3
CATADORES
DISPONIBILIDAD SUFICIENTE 4 SIM 0
E DE MATERIAL
PARA
INSUFICIENTE 2 CRIAÇÃO DE NÃO 3
ANIMAIS
RECOBRIMENTO NENHUMA
0 (PORCOS, BOIS SIM 0
QUALIDADE DE BOA
MATERIAL PARA
2 DESCARGA DE
RESÍDUOS DE
NÃO 4
RECOBRIMENTO RUIM 0 SERVIÇOS DE SIM 0
CONDIÇÕES DO BOAS 3 DESCARGA DE
RESÍDUOS
NÃO / ADEQUADA 4
SISTEMA VIÁRIO,
TRÂMSITO E
REGULARES 2 INDUSTRIAIS SIM / INADEQUADA 0
ACESSO RUINS 0 FUNCIONAMENTO BOM 2
DA DRENAGEM
ISOLAMENTO BOM 4 PLUVIAL
REGULAR 1
VISUAL DA
DEFINITIVA
VIZINHANÇA RUIM 0 INEXISTENTE 0
LEGALIDADE DE LOCAL PERMITIDO 5 FUNCIONAMENTO BOM 2
LOCALIZAÇÃO DA DRENAGEM
LOCAL PROIBIDO 0 PLUVIAL
REGULAR 1
PROVISÓRIA INEXISTENTE 0
SUB-TOTAL MÁXIMO 40 0 MANUTENÇÃO
BOAS 2
DOS ACESSOS REGULARES 1
INTERNOS
CERCAMNETO
SIM 2 PÉSSIMAS 0
DA ÁREA NÃO 0
DERNAGEM DE
SUFICIENTE 4 SUB-TOTAL MÁXIMO 35 0
INFRAESTRUTURA

ÁGUAS PLUVIAIS INSUFICIENTE 2


DEFINITIVA
INEXISTENTE 0 TOTAL MÁXIMO 0
DRENAGEM DE
SUFICIENTE 2
ÁGUAS PLUVIAIS INSUFICIENTE 1 IQAD = SOMA DOS PONTOS / 8,8 0,0
PROVISÓRIAS
INEXISTENTE 0
ACESSO A BOM 3 IQAD AVALIAÇÃO
FRENTE DE
TRABALHO RUIM 0
0 A 6,0 CONDIÇÕES INADEQUADAS
ATENDIMENTO SIM 2
AS
ESTIPULAÇÕES
PARCIALMENTE 1
6,1 A 8,0 CONDIÇÕES CONTROLADAS
DE PROJETO NÃO 0
8,1 A 10,0 CONDIÇÕES ADEQUADAS
SUB-TOTAL MÁXIMO 13 0

Figura 06 – Ficha de avaliação do IQAD utilizado na avaliação qualitativa as áreas de disposição


do Pólo de Turismo Costa das Dunas (Modi8ficado do Índice de Qualidade de Aterros de
Resíduos – IQR, CETESB, 2002)

37
O resultado a aplicação do IQAD é apresentado como um valor

numérico com variação de 0 (zero) a 10 (dez) pontos. Estes dois extremoz

representam as piores as melhores condições de gerenciamento das áreas de

disposição dos resíduos sólidos e equivalem-se a “dispor os resíduos sem

qualquer tipo de critério” e a um “aterro sanitário” respectivamente. O valor

considerado como bom na classificação do IQAD seria a partir do 6 (seis) pontos,

o que equivaleria a um “aterro controlado”.

Ao final da atividade de mapeamento verificou-se que todas as áreas

de disposição encontravam-se em condições inadequadas, sendo obtido o índice

máximo de 4,1 para área PRN1 no município de Parnamirim e mínimo de 2,4 para

o EXT1 em Extremoz. Estes resultados sugeriam um quadro de degradação

acentuado das áreas de disposição.

A pontuação final dos IQADs foram espacializados sobre o mapa do

Pólo de Turismo Costa das Dunas, apresentado na figura 07 e a síntese das

fichas de avaliação (IQAD) encontram-se no Anexo II.

38
Figura 07 – Espacialização dos resultados obtidos a partir do uso dos IQADS nos Municípios do

Pólo de Turismo Costa das Dunas (Costa Neto, 2002)

39
3. REFERENCIAL TEÓRICO

Neste item são indicadas e comentadas as referências técnicas e as

ferramentas utilizadas no desenvolvimento do trabalho no sentido de posicionar

corretamente o campo de atuação da pesquisa e oferecendo sustentação

conceitual/operacional do tema.

3.1. Definição e Classificação de Lixo e Resíduos Sólidos

De acordo com o dicionário Houaiss da língua portuguesa (2001), “lixo

é qualquer objeto sem valor ou utilidade, ou detritos oriundos de trabalhos

domésticos, industriais e etc. que se joga fora”.

Já a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, através da

NBR 10.004 (1987), classifica o lixo como resíduo sólido. Segundo a NBR os

resíduos sólidos são definidos como “resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos,

que resultam de atividades da comunidade de origem: urbana, agrícola, radioativa

e outros (perigosos e/ou tóxicos). Nesta definição estão incluídos os lodos

provenientes de sistemas de tratamento de água, materiais gerados em

equipamentos e instalações de controle de poluição e terminados líquidos cujas

particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgoto ou

corpos d’água”.

Os resíduos sólidos, de acordo com a norma NBR 10.004 - ABNT

(1987), são classificados em três categorias:

40
Resíduos Classe I - Perigosos: resíduos sólidos ou mistura de

resíduos que, em função de suas características de inflamabilidade,

corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem

apresentar riscos à saúde pública, provocando ou contribuindo para um

aumento de mortalidade ou incidência de doenças e/ou apresentar

efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos

de forma inadequada. São exemplos desta categoria os resíduos

industriais e resíduos dos serviços de saúde.

Resíduos Classe II - Não Inertes: resíduos sólidos ou mistura de

resíduos sólidos que não se enquadram na Classe I (perigosos) ou na

Classe III (inertes). Estes resíduos podem ter propriedades tais como:

combustibilidade, biodegradabilidade, ou solubilidade em água. Os

resíduos domésticos se enquadram nesta categoria.

Resíduos Classe III - Inerte: resíduos sólidos ou mistura de resíduos

sólidos que, submetidos a testes de solubilização não tenham nenhum

de seus constituintes solubilizados, em concentrações superiores aos

padrões de potabilidade de águas, excetuando-se os padrões: aspecto,

cor, turbidez e sabor. Como exemplo destes materiais podemos citar,

rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são

decompostos prontamente.

O MANUAL DE GERENCIAMENTO INTEGRADO DE RESÍDUOS

SÓLIDOS (2001) classifica os resíduos sólidos de acordo com sua origem.

41
Seguindo o seu critério, os resíduos podem ser agrupados em sete classes,

descritas a seguir:

Residencial ou doméstico - Constituído de restos de alimentação,

invólucros diversos, varreduras, folhagens, ciscos e outros materiais

descartados pela população diariamente;

Comercial - Proveniente de diversos estabelecimentos comerciais,

como escritórios, lojas, hotéis, restaurantes, supermercados, quitandas

e outros, apresentando mais ou menos os mesmos componentes que

os resíduos sólidos domésticos, como papéis, papelão, plásticos,

caixas, restos de lavagem, etc;

Industrial - Proveniente de diferentes áreas do setor industrial, de

constituição muito variada, conforme as matérias-primas empregadas e

o processo industrial utilizado;

Resíduos de serviços de saúde ou hospitalar - Constituído de

resíduos das mais diferentes áreas dos estabelecimentos hospitalares:

refeitórios, cozinhas, área de patogênicos, administração, limpeza; e

resíduos provenientes de farmácias, laboratórios, de postos de saúde,

de consultórios dentários e clínicas veterinárias;

Especiais - Constituído por resíduos e materiais produzidos

esporadicamente como: folhagens de limpeza de jardins, restos de

podação, animais mortos, mobiliários e entulhos;

Feiras, varrição e outros - Proveniente de varrição regular de ruas,

conservação da limpeza de núcleos comerciais, limpeza de feiras,

42
constituindo-se principalmente de papéis, tocos de cigarros, invólucros,

restos de capinas, areia, cisco e folhas;

De aeroportos, portos, terminais rodoviários e ferroviários -

Constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou

podem conter germes patogênicos, trazidos aos portos, terminais

rodoviários e aeroportos; basicamente, origina-se de materiais de

higiene, restos de alimentação, que podem veicular doenças

provenientes de outras cidades, estados ou países. Porém, os resíduos

assépticos, nestes locais, são considerados como domiciliares.

3.2. Aspectos Jurídicos dos Resíduos Sólidos

O lixo sempre esteve ligado a questões de saúde pública e a partir da

promulgação da Constituição Federal de 1988 foi possível regulamentar, ainda

que não diretamente, as atividades ligadas ao manejo dos resíduos sólidos. Além

da Constituição Federal podemos citar as Leis de Crimes Ambientais de 1998 e o

Estatuto das Cidades de 2001 que atuam como regulamentadoras das atividades

ligadas ao gerenciamento dos resíduos.

Os principais instrumentos jurídicos que disciplinam a área dos

resíduos sólidos serão descritos a seguir:

43
a) Constituição Federal de 1988

Artigo 225

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem

de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao

Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as

presentes e futuras gerações”.

Lei 6.938/81

Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e

mecanismos de formulação e aplicação (com redação dada pelas leis nº 7.804, de

18/07/89 e 8.028, de 12/04/90). Tem como base os incisos VI e VII do artigo 23 e

do artigo 225 da Constituição Federal. Esta lei tem vários aspectos que podem

ser usados quando da formulação de uma política voltada aos resíduos sólidos

como: o planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais e educação

ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade,

objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente (art.

2º inciso III e X). Esta Lei foi regulamentada pelo Decreto Lei nº 7 99.274, de

06/06/90.

b) CONAMA

Resolução CONAMA nº 5, de 15/06/88

Esta resolução sujeita ao licenciamento, no órgão ambiental

competente, as obras de sistema de abastecimento de água, sistemas de esgoto

44
sanitários, sistemas de drenagem e sistemas de limpeza urbana. (Publicada no D.

O U. de 16/11/88).

Resolução CONAMA nº 6, de 15/06/88

Esta resolução dispõe sobre a criação de inventários para o controle de

estoques e/ou destino final de resíduos industriais, agrotóxicos e PCBs. Fixa

prazos para a elaboração de Diretrizes para o controle da poluição por resíduos

industriais, do Plano Nacional e dos Programas Estaduais de Gerenciamento de

Resíduos Industriais.

Resolução CONAMA nº 6, de 19/09/91

Esta resolução desobriga a incineração ou qualquer outro tratamento

de queima de resíduos sólidos provenientes dos estabelecimentos de saúde,

portos e aeroportos.

Resolução CONAMA nº 5, de 05/08/93

Esta resolução dispõe sobre a destinação final de Resíduos Sólidos.

Define normas mínimas para o tratamento de resíduos sólidos oriundos de

serviços de saúde, portos e aeroportos. Estendem-se exigências aos terminais

rodoviários e ferroviários. Define: Resíduos Sólidos, Plano de Gerenciamento,

Sistema de Tratamento, Sistema de Disposição Final. Classificação de Resíduos

em: Grupo A – Presença de agentes biológicos; Grupo B – Características

químicas; Grupo C – Rejeitos radioativos; Grupo D – Resíduos comuns que não

se enquadre nos demais grupos. No art. 1º desta resolução define-se os resíduos

sólidos conforme a NBR nº 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas

45
– ABNT – como sendo: "Resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que

resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica,

hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta

definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles

gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como

determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na

rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e

economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível.

Resolução CONAMA nº 7, de 04/05/94.

Esta resolução dispõe sobre a importação e exportação de qualquer

tipo de resíduo.

3.3. Gerenciamento dos Resíduos Sólidos

O Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos pode ser

considerado como o envolvimento da administração pública e da sociedade civil

com o propósito de realizar a limpeza urbana, o tratamento e a disposição final

dos resíduos sólidos de modo as garantir a saúde e a qualidade de vida da

população de acordo com a legislação vigente.

O Gerenciamento deve levar em consideração as características das

fontes de produção, o volume, os tipos e a avaliação do método para a disposição

final dos resíduos sólidos visado adequar-se as peculiaridades demográficas,

climáticas e urbanísticas locais. Para tanto, as ações normativas, operacionais,

financeiras e de planejamento que envolve a questão devem se processar de

46
modo articulado, segundo a visão de que todas as ações e operações envolvidas

encontram-se interligadas, comprometidas entre si.

Além das atividades operacionais, o gerenciamento integrado de

resíduos sólidos deve levar em consideração as questões econômicas e sociais

envolvidas no cenário da limpeza urbana e, para tanto, as políticas públicas -

locais ou não - que possam estar associadas ao gerenciamento do lixo, sejam

elas na área de saúde, trabalho e renda, planejamento urbano etc. Neste contexto

é necessária a utilização de uma ferramenta que comporte todos os níveis de

informação mencionada, de forma que elas estejam a disposição no momento em

que forem necessárias, de maneira rápida e organizada.

Tendo em vista este cenário, a ferramenta que mais adequada ao

tratamento e gerenciamento das informações necessárias a um sistema de

limpeza urbana e um Sistema de Informação Geográfica (SIG). O SIG é

considerado uma tecnologia recente (idealizada na década de 60) e vem

ocupando um lugar cada vez mais importante nas empresas de planejamento,

operadoras de telecomunicações, empresas de logística, entre outras.

3.4. Sistema de Informações Geográficas

Trabalhar com um Sistema de Informações Geográficas (SIG) significa,

antes de tudo, utilizar computadores como instrumentos de representação de

dados espacialmente referenciados.

A elaboração de um SIG utiliza uma metodologia interdisciplinar que

permite a conexão de diferentes disciplinas científicas para o estudo de

fenômenos ambientais e urbanos. A interdisciplinaridade do SIG é obtida pela

47
redução dos conceitos de cada disciplina ao armazenamento e tratamento dos

dados geográficos. O tratamento destes dados e a definição dos modelos de

integração são realizados por técnicos especializados. Assim sendo, o banco de

dados de um sistema de informações geográficas não possui uma configuração

única, mas, vários modelos de organização idealizados por seus construtores

que, definem o tipo de informação utilizada e, o método de interação entre elas

em função das metas a serem alcançadas.

As principais formas de entradas de informações em SIG são os dados

de campo, digitalização em mesa, digitalização ótica, a leitura de dados na forma

digital e a importação de dados nos mais diversos formatos necessários a

representação de um espaço ou região. O conjunto das informações gera um

modelo do mundo real e pode ser utilizado para simular situações, melhor

entendê-lo, prever conseqüências, planejá-lo e gerencia-lo.

De acordo com CHRISTOFOLETTI as informações inseridas em um

SIG podem ainda ser divididas em:

Dados Temáticos - Dados temáticos descrevem a distribuição

espacial de uma grandeza geográfica, expressa de forma qualitativa,

como os mapas de pedologia e a aptidão agrícola de uma região.

Estes dados, obtidos a partir de levantamento de campo, são

inseridos no sistema por digitalização ou, de forma mais

automatizada com a partir de classificação das informações em

grupos específicos como as camadas esquematizadas na figura 08.

48
Figura 08 – Exemplo de organização de informações temáticas em camadas (BICHELIO,
A., CATELA J. e OLIVEIRA L., Revista eletrônica AGU, 2002).

Cada camada possui um tipo de informação específica tais como:

áreas particulares, vias de acesso, relevo dentre outras. A seleção do tipo de

informação a ser utilizada dependerá da finalidade a que o SIG se destina e pode

variar de acordo com os idealizadores do projeto.

49
Dados Cadastrais - Um dado cadastral distingue-se de um

temático, pois cada um de seus elementos é um objeto geográfico

que possui atributos e pode estar associado a várias representações

gráficas. Por exemplo, os lotes de uma cidade são elementos do

espaço geográfico que possuem atributos (dono, localização, valor,

IPTU devido e etc.) que podem ter representações gráficas

diferentes em mapas de escalas distintas. Os atributos estão

armazenados num sistema gerenciador de banco de dados para

posterior consulta.

Além das informações, um SIG é composto por um programa, ou software,

com características que o diferenciam de um banco de dados comum tais como

uma representação, com a utilização de mapas, das entidades geográficas

inseridas em seu banco de dados.

a) Principais Características de um SIG

De acordo com CHRISTOFOLETT (2001), basicamente qualquer

programa SIG possui as seguintes características:

Sistema de representação gráfica - Permite representar a maioria

das entidades gráficas típicas da cartografia, como pontos, linhas,

símbolos, redes, imagens e etc organizados em camadas de

50
informações referenciadas e mediante coordenadas geográficas ou

cartesianas;

Uma base de dados - Permite a gestão individual ou conjunta dos

dados alfanuméricos e gráficos referentes a um espaço territorial;

Sistema de acesso seletivo - Utiliza consultas e simulações sejam

com os dados gráficos, seja com os alfanuméricos e;

Sistema de geração de informação cartográfica automática -

Utiliza o acesso seletivo a partir de consulta e simulações para gerar

elementos gráficos com atribuições específicas.

Como pode ser compreendido, a principal característica dos SIGs são

suas informações. Independente da metodologia, adotada para a implementação

deste sistema, é necessária uma grande quantidade de dados, que podem ou não

estar associados a representações gráficas. Logo, é necessário um estudo sobre

o tipo de informação a ser utilizada para se elaborar uma estrutura de banco de

dados capaz de armazenar, converter e combinar uma grande variedade de

informações de modo que seja possível a geração dos resultados adequados.

Apesar da estrutura de um banco de dados possuir um modelo geral,

sua implementação poderá ser diferenciada em função dos objetivos adotados no

estudo a que ele se destina, sendo necessária à adoção de uma ferramenta

anterior ao SIG que possua um processo de seleção das informações mais

51
relevantes. Podemos citar a estatística como uma ferramenta adequada a esta

pré-seleção de informação.

Diferentemente do SIG, que auxilia na interpretação de informações

georeferênciadas, a estatística é uma das ferramentas que possuem os atributos

necessários para analisá-las e interpretá-las numericamente, sendo necessária,

em contrapartida, uma certa quantidade de informações para sua aplicação.

3.5. Softwares adotados

O software adotado para seleção das informações que comporão o

banco de dados do Sistema de Informações Geográficas do Pólo de Turismo

Costa das Dunas foi o Statistica (StarSoft, edição 99) e o adotado para a

construção do sistema de informações foi o Arcview GIS, versão 3.2 do ESRI –

Environmental System Research Institute. Ambos forma selecionados por

apresentarem menor relação custo-benefício e serem de fácil utilização.

52
4. INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS PARA A ELABORAÇÃO DO SIG DO

PÓLO DE TURISMO COSTA DAS DUNAS

Todas as informações disponíveis para a composição do SIG do Pólo

de Turismo Costa das Dunas são provenientes das seguintes fontes:

Bibliografia existente - Basicamente limitada ao Projeto de

Caracterização, Processamento e Desenvolvimento de Produtos a

partir dos Resíduos Sólidos Gerados nos Municípios que Compõem

o Pólo de Turismo Costa das Dunas e trabalhos técnicos posteriores

desenvolvidos pelos membros do projeto;

Dados de campo - Adquiridos durante o ano de 2001 na execução

da Caracterização Ambiental das Áreas de Disposição de Resíduos

do Pólo de Turismo Costa das Dunas.

Interpretação de imagens orbitais de satélite – Imagens do tipo

LANDSAT nas bandas 3,4 e 5 (Figura 09) originarias do projeto

“Brasil Visto do Espaço” da Embrapa, devidamente processadas e

georeferênciadas para extração de informações de interesse e;

53
Figura 09 – Imagem LANDSAT da área de Estudo (EMBRAPA, 2002).

54
Como já foi descrita, a maior preocupação na elaboração de um

Sistema de Informações Geográficas está, não em adquirir o máximo de

informações, mas em selecionar as que possuam algum valor para o objetivo do

trabalho e tratá-las para que se atinja o resultado esperado. A seleção deve

envolver técnicas qualitativas e quantitativas que possibilitem a fácil compreensão

das dinâmicas existentes.

55
6. MODELAGEM ESTATÍSTICA

Para construir um Sistema de Informações Geográficas é necessário

primeiramente estabelecer às relações existentes entre as diversas camadas de

informações disponíveis. Estas relações são determinadas a partir de modelos

matemáticos ou deterministicos, com a utilização de fórmulas, ou modelos

dedutivos, criados a partir de análises lógicas. Em ambos os casos o modelo

possui a função de formular um conjunto de hipóteses sobre a estrutura ou o

comportamento de um sistema que pode ser explicado ou previsto dentro de uma

teoria científica que, neste caso, procura identificar os padrões de disposição dos

resíduos sólidos no Pólo de Turismo Costa das Dunas a partir das informações

geradas do projeto de Caracterização, Processamento e Desenvolvimento de

Produtos a partir dos Resíduos Sólidos Gerados nos Municípios que Compõem o

Pólo de Turismo Costa das Dunas.

6.1 – Informações Utilizadas

No estudo original, os dados obtidos pelos IQADs foram utilizados para

classificar de forma isolada cada Área de Disposição de Resíduos Sólidos

(ADRS) do Pólo de Turismo Costa das Dunas e não sendo analisada, na ocasião,

a dinâmica do uso e da gestão do espaço intrínseco a localização de cada área.

Buscou-se a partir de então produzir uma análise sistêmica e mais complexa que

reproduzisse, ainda que parcialmente, a realidade encontrada nas ADRS,

observando que alguns critérios produziram repetição nos resultados e, portanto,

eram passives serem modelados.

56
Durante os estudos de mapeamento das ADRS foram totalizadas 243

áreas de disposição classificadas segundo Costa Neto et al (2002) em Ativas,

Clandestinas, Inativas, Pontos de Lixo e Futuras.

Além da classificação da forma de disposição, foram realizadas

caracterizações qualitativas dos seguintes parâmetros: criação de animais,

proximidade de núcleos habitacionais, isolamento visual da vizinhança, condições

do sistema viário de transporte, acesso à frente de trabalho, manutenção dos

acessos internos, recobrimento do lixo, drenagens de águas pluviais provisórias,

cercamento da área, disponibilidade e qualidade de material para recobrimento,

despejo de resíduos de saúde e proximidade de corpos d’água.

6.2. Preparação do Modelo

Inicialmente, os dados das 32 áreas de disposição mais relevantes e

avaliadas pelo IQAD foram agrupados em uma planilha (Figura 10) e organizados

de modo que a tabela criada possuísse suas amostras (locais de disposição) e

variáveis distribuídas nas colunas e linhas, respectivamente.

Para o cruzamento dos dados dos IQADs foi utilizado o método de

correlação estatística. A correlação estatística é utilizada em situações em que se

pretende identificar e estabelecer uma relação entre variáveis diversas atribuídas

a acasos de amostragem ou as grandes associações.

57
Figura 10 – Planilha de distribuição dos dados dos IQADs.

Para isso, calcula-se um valor estatístico, que, no caso do software

adotado, pode variar seus índices de -1 a 1, indicando que as relações são

inversamente proporcionais e proporcionais respectivamente. Quanto maior a

correlação entre os parâmetros, maior será a proximidade dos valores com

número 1 (um). A total independência é representada pelo número 0 (zero).

Deve ser ressaltado que, por mais acentuada que seja uma correlação,

ela não implica a um fator é dependente do outro, mas que ambos podem ser

mutuamente dependentes ou que um terceiro fator os cause.

Espera-se, com a aplicação da função correlação matricial do software

Statistica na planilha de distribuição de dados dos IQADS, obter uma correlação

significativa entre os seus componentes. O resultado desta aplicação devera

58
representar os índice de correlação entre as variáveis. A partir do banco de dados

dos IQADs foi gerada uma tabela com os índices de correlação entre cada

variável. (Figura 11).

Figura 11 – Índice de correlação entre variáveis.

Por definição, escolheu-se os resultados em que mais de 50% das

amostras apresentavam algum tipo de correlação, dando origem, após uma

análise dedutiva, a dois organogramas (Figura 12 e 13) com as características

dependentes das áreas de disposição.

Figura 12 – relação entre atividades de criação de animais a acessibilidade das ADRS.

59
Figura 13 – Relação entre aspectos físicos das ADRS.

Com a interpretação dedutiva das informações contidas nos

organogramas foram identificadas as seguintes tendências de utilização das

áreas de disposição:

A utilização das áreas isoladas e próximas a núcleos habitacionais

como criadouros de animais (bovinos e suínos) (figura 12).

60
A relação negativa entre qualidade e quantidade do solo encontrado

no substrato das ADRS e o manejo da área, ou seja, quanto menor

a qualidade do local (em função da impermeabilidade e quantidade

de material para recobrimento) maior é a preocupação dos

dirigentes com o seu gerenciamento e vice-versa (Figura 13).

61
7. CONSTRUÇÃO DO SIG

Os fluxogramas confeccionados a partir da análise da correlação

estatística entre os itens com compunham os IQADs, sugeriram a elaboração de

um modelo para organização das informações no SIG baseado em 4 (quatro)

classes ou camadas. Estas camadas foram selecionadas por serem

aparentemente as únicas com alguma representatividade sobre o método de

disposição identificados na região do Pólo de Turismo, são elas:

Estruturas de acesso – Utilizando toda a malha rodoviária existente

(rodovias federais, estaduais, municipais e estradas secundárias) de

maneira a se identificar às rotas e os acessos a cada área de disposição;

Núcleos Habitacionais – Estando incluídos nesta classe, principalmente,

os grandes distritos, pontos turísticos e as cidades, considerando estes, os

grandes geradores de resíduos de cada região;

Geologia – Com informações sobre as características, distribuição e

ocorrência de materiais que compõem os terrenos, caracterizando a

qualidade e a disponibilidade do material utilizando para atividade de

recobrimento e manutenção das áreas de disposição e;

Hidrografia – Fornecendo a localização sobre os principais mananciais da

região a presença de drenagens.

62
A classes apresentadas serão utilizadas como base para a construção

do Sistema de Informações sobre os Resíduos Sólidos do Pólo de Turismo Costa

das Dunas de acordo com o seguinte modelo (figura 14):

SIG
ADRS
PÓLO DE TURISMO
COSTA DAS DUNAS

INFORMAÇÕES INFORMAÇÕES INFORMAÇÕES


QUALITATIVAS QUANTITATIVAS GEOGRÁFICAS

Composição Vias de Grandes Quantidade Localização Aspectos


do Solo Acesso Geradores das ADRS Físicos
de Resíduos ADRS

Figura 14 – Fluxograma do modelo adotado para construção do Sistema de Informações

Geográficas do Pólo de Turismo Costa das Dunas

O modelo também sugere a integração de uma pequena quantidade de

informação específica. Essa quantidade foi estabelecida em função dos objetivos

propostos no estudo, ou seja, de identificar os padrões de disposição dos

resíduos na região modelada no SIG. Os demais dados foram descartados por

não apresentarem influência significativa nos resultados do estudo da correlação

estatística.

As informações geradas até o momento, correspondente a fase de

planejamento, serão utilizadas para a construção do sistema descrita no próximo

item.

63
7.1. Estrutura Básica do Sistema

A metodologia de construção do Sistema de Informações Geográficas

possui 3 (três) componentes , os quais são classificados como:

Interface com o usuário;

Funções de processamento gráfico e de imagens;

Armazenamento e recuperação de dados organizados sob uma forma de

banco de dados geográficos.

Estes componentes se relacionam de forma hierárquica (Figura 15). O

nível mais próximo ao usuário é o que define a forma de operação do sistema. No

nível intermediário, o SIG deve ter um mecanismo de processamento de dados

espaciais (edição, análise e saída). No nível mais interno do sistema, se processa

o gerenciamento de uma base de dados geográficos que ofereça o

armazenamento e a recuperação de informações espaciais e de seus atributos.

Figura 15 – Componentes que formam um SIG.

64
O que pode ser observado é que, de acordo com o esquema

apresentado na figura 15, o SIG é na verdade um sistema que realiza cálculos

sobre informações de um banco de dados. Um SIG eficiente possui um banco de

dados com informações indispensáveis a realização de uma determinada tarefa e

um usuário, ou operador, que possua o conhecimento para utilizá-las, sendo este

último, o componente mais importante de todo o sistema.

A organização das informações para a elaboração do banco de dados

tomou por base a modelo apresentado no Capítulo 6 e deverá permitir o

processamento das informações pelo software adotado. Cada uma das etapas

empregadas na confecção deste banco de dados será descrita a seguir:

7.2 – Metodologia de Construção do Banco de Dados

Segundo CRHISTOFOLETT, no SIG o espaço geográfico é construído

a partir de duas visões complementares, podemos definir-las como:

Modelos de campos – Identificando o espaço geográfico como uma

superfície contínua, sobre a qual variam os fenômenos a serem

observados segundo diferentes distribuições. Por exemplo, um

mapa geológico descreve uma distribuição de diferentes tipos de

rochas que ocorrem em um determinado local (figura 16) e;

O modelo de objetos - Que representam o espaço geográfico como

uma coleção de entidades distintas e identificáveis. Por exemplo, um

cadastro das Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos do Pólo de

Turismo Costa das Dunas (Figura 17).

65
Figura 16 – Mapa Geológico do Pólo de Turismo Costa das Dunas confeccionado a partir da

interpretação das imagens de satélite da EMBRAPA .

Além da representação gráfica (vetorial), estes elementos possuem

atributos não-espaciais, ou seja, informações em formato de banco de dados,

com nome das áreas, quantidade estimada de resíduos e etc, que podem estar

associados a mais de uma representação gráfica. Na prática, os dois elementos

podem ser construídos em conjunto ou não, dependendo da origem da

informação.

66
Figura 17 - Cadastro das ADRS do Pólo de Turismo Costa das Dunas.

7.3. Etapas da construção do banco de dados

A conexão entre os dados vetoriais e cadastrais deverá ser cumprida

de forma associada, sendo realizada uma construção dos temas vetoriais

análogas aos cadastrais, possibilitando a correção de qualquer incompatibilidade

de maneira imediata. Este fator é crucial para o funcionamento do SIG, já que o

mesmo possui o objetivo de codificar os eventos contidos no banco de dados em

objetos passível de serem localizados em formato de mapas.

A base das informações vetoriais será o mapa de Caracterização

Ambiental das Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos dos Municípios do Pólo

de Turismo Costa das Dunas (Anexo III ) na escala de 1:200.000. Por sua vez, as

67
informações cadastrais são provenientes, na sua grande maioria, de elementos

do censo do Instituto Brasileiro de Informações Geográficas - IBGE e dos IQADS

(Costa Neto et al 2002), obedecendo ao organograma da figura 18.

BANCO DE
DADOS

INFORMAÇÕES INFORMAÇÕES
VETORIAS CADASTRAIS

IMAGEM MAPA DE CARTAS


LANDSAT CARACTERIZAÇÃO SUDENE
ADRS

GEOLOGIA VIAS DE RELEVO HIDROGRAFIA LIMITES


ACESSO ADMINISTRATIVOS

Figura 18 – Organograma mostrando a origem das classes de informação utilizada na construção

do Banco de Dados que alimentará o SIG proposto.

O processamento digital das imagens deverá fornecer informações

vetoriais atualizadas sobre os corpos d´água, principais vias de acesso, limites

geológicos mais precisos, uso do solo e, em confrontação com as cartas da

SUDENE, da modificação da paisagem nas últimas 2 (duas) décadas.

As informações cadastrais, aliadas as vetoriais, indicarão se há uma

influência do meio sobre o gerenciamento das áreas de disposição. Assim, o

trabalho de construção do banco de dados buscará esclarecer limites mais

precisos, com um teor mais refinado de confiabilidade, e permitir uma análise

temporal da urbanização e da gestão dos resíduos sólidos na região estudada. A

construção do banco de dados será apresentada em 8 (oito) etapas:

georeferenciamento das imagens e cartas, limitação geográfica da área em

estudo, limites urbanos, vias de acesso, hidrografia, áreas de disposição, relevo e

geologia, as quais serão descritas a seguir.

68
a) Georeferenciamento das Imagens e Cartas

As utilizações de imagens obtidas por satélites, fotografias aéreas ou

cartas temáticas, representam uma das formas de capturar indiretamente uma

informação espacial.

O primeiro passo para georeferenciar uma imagem está na descoberta

das coordenadas em que alguns de seus eventos se encontram. Pode-se

considerar como evento um cruzamento de estradas, um lago ou qualquer outra

entidade conhecida e que possa ser visualizada na imagem a ser utilizada. A

captura destas coordenadas pode ser realizada diretamente, com a utilização de

um GPS, ou indiretamente com a utilização das informações contidas em um

mapa pré-existente.

No software Arcview, as imagens são georeferênciadas com o auxílio

da extensão Image Analysis (Figura 19).

Figura 19 – Seleção da extensão Image Analysis no Arcview.

69
Com a utilização da extensão Image Analysis é criando um novo grupo

de ícones, entre eles o Align Tool (Figura 20) que permite a introdução de

coordenadas em qualquer imagem inserida no ambiente de trabalho do software.

Figura 20 – Localização do ícone Align Tool da extensão Image Analysis.

Antes da inserção das coordenadas e necessário a definição do

sistema geográfico a ser utilizado que, neste caso, corresponderá ao mesmo

utilizado pelas cartas temáticas da SUDENE, ou seja, o sistema UTM (Universal

Transverse Mercator) com DATUM South America 69 - SAD 69. Após a

introdução das imagens, foi iniciado a trabalho de limitação de suas informações

geográficas.

70
b) Limitação Geográfica da Área de Estudo

A segunda fase da construção do SIG foi à verificação e digitalização

dos limites políticos e administrativos dos municípios pertencentes ao Pólo de

Turismo Costa das Dunas. A limitação da região geográfica foi estabelecida como

prioridade por se tratar do universo (plano espacial) a ser representado,

descartando-se (figura 21A), áreas de imagens que não serão utilizadas nas

atividades a construção do SIG (Figura 21B).

Os limites foram digitalizados a partir de informações do IBGE sobre as

imagens georeferênciadas das cartas temáticas da SUDENE com a ferramenta de

desenho polygn na escala 1:100.000. Esta escala será adotada como escala de

padrão mínimo para os demais temas.

71
A B

Figura 21 – Imagem completa (A) e imagem final (B) para elaboração do Sistema.
Além da representação vetorial, foi elaborado um pequeno banco de dados

com o nome dos municípios e suas respectivas populações no início do ano de

2001 (Figura 22), ou seja, do ano em que as pesquisas de campo foram

realizadas. O objetivo deste banco de dados simples é de nomear os objetos

(municípios) para posterior integração a outros componentes do SIG.

Figura 22 – Limites Administrativos e seu respectivo banco de dados no ambiente do Arcview.

A partir da conclusão da etapa de delimitação da região de estudo

foram utilizadas as informações do Mapa de Caracterização Ambiental das Áreas

de Disposição (Costa Neto et al 2001) para compor os outros temas. As Imagens

LANDSAT foram utilizadas para aumentar a confiança das informações.


c) Limites Urbanos

As informações dos limites urbanos foram obtidas a partir da

identificação das manchas urbanas nas imagens LANDSAT (Figura 23).

Figura 23 – Delimitação da Mancha Urbana da cidade de Ceará-Mirim.

As informações contidas nesta camada tratam de evidenciar a atual

configuração espacial urbana apresentada pelas cidades e distritos e compará-la

a localização das áreas de disposição.

75
d) Vias de Acesso

A elaboração deste tema utilizou-se o conceito de rede para construção

das vias de acesso. Assim, cada via de acesso (estradas, rodovias e etc) possui

uma localização geográfica associada a atributos que influenciam no transporte.

Estes atributos possuem a função de dar preferência a estradas pavimentadas as

não-pavimentadas no transporte dos resíduos sólidos.

Foram utilizadas 2 (duas) categorias para classificação das vias de

acesso:

Asfaltadas – com melhores condições de fluxo e;

Não asfaltadas ou danificadas – com barreiras ao tráfego de

veículos, sendo este mais lento e com custo mais elevado por

quilômetro rodado.

A função desta camada é de indicar o melhor caminho para se chegar

às áreas de disposição final de resíduos sólidos. Na análise de fluxo das vias de

acesso foi utilizado o Network Analyst (Figura 24), mais uma extensão opcional do

Arcview, que possibilita simular condições de fluxos de bens ou serviços numa

rede (ex. redes viárias, rios, redes de distribuição de água e etc.).

76
Figura 24 – Seleção da extensão Network Analysist no Arcview.

e) Hidrografia

A construção de um banco de dados com as principais características

dos corpos d´água pertencentes à região do pólo servirá de subsídio para a

identificar as áreas de disposição que estejam com suas localizações em

desacordo com a legislação vigente. Sua seleção será realizada a partir da

utilização da função create buffers do arcview.

77
f) Áreas de Disposição

São indicadas as localizações das áreas de disposição final dos

resíduos sólidos e suas principais características físicas e operacionais obtidas a

partir da aplicação dos IQADs, sendo portanto, utilizadas informações cadastrais,

e não vetoriais, para a composição deste tema. A transformação destes eventos

cadastrais em vetoriais foi realizada a partir de função Add Event Theme, do

menu View do Arcview (Figura 25), sendo utilizada as coordenadas dos pontos

centrais de cada área de disposição.

Figura 25 – Função Add Event Theme do Arcview.

78
Além das características qualitativas foram adicionadas informações

quantitativas sobre a geração e disposição dos resíduos e informações

municipais, tais como: crescimento populacional e taxa de urbanização.

Estas informações indicarão as tendências de crescimento das áreas

de disposição. Indicarão, também, em associação com as demais camadas, as

zonas de impacto ambiental sob sua influência.

g) Relevo

O Relevo é o resultado da diferença vertical relativa (altura) entre

vários pontos contidos numa área especifica, sendo possível, por exemplo, a

identificação das zonas com morfologia plana ou acidentada.

A principal função desta camada, construída sobre o módulo 3d analyst

do arcview, é de indicar a dificuldade do acesso e, em conjunto com a geologia

local, indicar o sentido do escoamento superficial dos líquidos gerados pela

decomposição dos resíduos sólidos.

h) Geologia

A função desta camada é dispor informações sobre as características,

distribuição e ocorrência de materiais que compõem o substrato dos terrenos

onde estão localizadas as ADRS.

A classificação das entidades geológicas correspondeu a mesma

utilizada por Costa Neto et al (2001 e 2002), ou seja, Formação Jandaíra,

Formação Barreiras, Sedimentos Eólicos Sub-Recentes, Sedimentos Eólicos

79
Recentes e Sedimentos Aluvionares, de Marés e Lacustres. Os sedimentos

Praiais não são não aparecem no mapeamento em função de sua pequena

largura.

8 –RESULTADOS OBTIDOS

Toda a elaboração do banco de dados levou em consideração o

“Modelo de Construção do Sistema de Informações Proposto” (Figura 13). A

utilização deste banco de dados será a peça fundamental para interpretação

macro-dinâmica do gerenciamento, até o final do ano de 2001, da forma de

gerenciamento das áreas de disposição dos resíduos sólidos dos 14 municípios

que faziam parte do Pólo de Turismo Costa das Dunas.

O Sistema de Informações Geográficas, baseado nas áreas de

disposição de resíduos sólidos, é o primeiro resultado deste trabalho e será a

principal ferramenta utilizada para compreender a relação existente entre os

locais e formas de disposição dos resíduos e a sua associação com as políticas

públicas aplicadas a limpeza urbana e da influência do meio ambiente ,natural e o

antrópico, sobre as atividade relacionadas à disposição dos resíduos. Assim, a

aplicação do Sistema possibilitará a obtenção de novas informações que serão

discutidas ao longo deste capítulo.

8.1. Seleção de Áreas

Após a conclusão do Sistema de Informações, tornou-se possível

representar toda o universo conceitual do Pólo de Turismo Costa das Dunas e

80
utilizar diferentes metodologias para sua análise, sendo uma das principais

relacionadas à localização atual das áreas de disposição final de resíduos sólidos.

A uso de um local adequado para instalação de áreas de destino final

de resíduos sólidos é uma das questões atribuídas ao planejamento municipal. A

utilização do SIG tornará possível a avaliação das áreas atuais de disposição de

resíduos sólidos e deverá sugerir novas áreas que estejam de acordo com a

legislação vigente, hierarquizando-as e permitindo a escolha, pelos respectivos

administradores locais, da mais adequada aos padrões municipais,

A metodologia utilizada implica na eliminação de áreas inadequadas

segundo parâmetros definidos pela legislação pertinente. Nesse caso, foi utilizada

a NBR-8849 de 1984 e a NBR-8849 de 1985 que estabelecem os procedimentos

para projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. Para esse estudo,

foram considerados relevantes os seguintes parâmetros:

Distância em relação à área urbana;

Acessibilidade;

Distância em relação aos aeroportos;

Dados topográficos;

Dados geológicos e;

Dados hidrológicos;

A seleção de áreas adequadas à instalação de aterros sanitários levou

em consideração a lógica boleana, ou seja, as áreas que não possuíssem as

características mínimas foram excluídas. A cor escura na figura 26 ilustra a áreas

inadequada a disposição de resíduos.

81
Figura 26 – Área total do Pólo de Turismo (em branco) (A) e áreas consideradas inadequadas a
disposição de resíduos sólidos (em preto) (B) com destaque (em vermelho) na área selecionada
para a construção do Aterro Sanitário da Região Metropolitana de Natal.

A localização de áreas consideradas inadequadas para disposição de

resíduos sólidos em todo o Pólo é equivalente a 2.220 Km 2, ou seja, cerca de

48% de toda a região. O alto índice de inadequação foi atingido por três motivos,

a saber:

Predominância de terrenos sedimentares em todos os municípios da região

(com características de alta permeabilidade e a presença de aqüíferos);

Alta densidade demográfica e;

Grande quantidade de corpos d´águas.

A metodologia de exclusão de áreas por meio de um modelo digital e

técnicas de geoprocessamento demonstrou uma considerável eficácia na

82
identificação de áreas para o sistema de disposição final dos resíduos sólidos. A

confiabilidade das informações foi adquirida através da comparação dos dados

coletados em campo.

É importante frisar que a área atual selecionada para construção do

Aterro Sanitário da região metropolitana do Natal, localizado próximo ao distrito de

Maçaranduba em Ceará-Mirim, está de acordo com o resultado proposto na

Figura 26, validando o método.

8.2. Divisão das Regiões para Gestão dos resíduos sólidos no Macro-

Universo do Pólo de Turismo Costa das Dunas

As áreas menores que 2 Km2 e com pouca infra-estrutura de acesso

foram eliminadas por não apresentarem características compatíveis com o

estudo. O restante, equivalente a 80% das áreas adequadas, forma divididas em

3 grandes sub-áreas (Figura 27).

O critério de sub-divisão baseou-se nas condições de acesso,

principalmente das BRs 101 (Canguaretama a Touros) e 406 (Natal a Ceará-

Mirim) e da RN 64 (Ceará-Mirim a Touros), além disso, também foi considerada a

dinâmica economia dos municípios.

As sub-áreas foram denominadas de Norte, Central e Sul estão

inseridas em regiões compreendidas pelos seguintes municípios,

respectivamente.

83
Sub-Área Norte – Municípios de Pedra Grande, São Miguel do Gostoso,

Touros, Rio do Fogo, Maxaranguape e a região norte do município de

Ceará-Mirim;

Sub-Área Central – Municípios de Natal, Parnamirim, Nísia Floresta e

região sul do município de Ceará-Mirim e;

Sub-Área Sul – Municípios de Senador Georgino Avelino, Canguaretama,

Tibau do Sul e Baía Formosa.

8.3 - Avaliação da Disposição dos Resíduos Sólidos

Após a divisão do Pólo nas sub-áreas citadas foi realizadas uma superposição de

camadas com diferentes informações. As camadas com a localização das ADRS

e com o resultado das áreas impróprias para a disposição foram sobrepostas,

apresentando o seguinte resultado (Figura 28):

84
Figura 27 – Sub-áreas para disposição dos resíduos sólidos do Pólo de Turismo Costa das Dunas.

85
86

Figura 28 – Sobreposição das ADRS e das áreas impróprias para disposição de resíduos com destaque (nomenclatura em amarelo) às áreas que se

encontram em locais adequados.


A partir das observações, contatou-se que apenas 8 (oito) áreas, o que

equivalente a 22% do total das ADRS, estão e locais tecnicamente apropriados

(excluindo-se o estudo dos fluxos dos aqüíferos). A quantificação destes pontos

em cada região foi a seguinte:

Sub-Área Norte - 3 áreas ativas (Pedra Grande, São Miguel do Gostoso e

Rio do Fogo) e nenhuma inativa;

Sub-Área Central - 2 Ativas (Ceará-Mirim e Parnamim) e nenhuma

inativa;

Sub-Área Sul - 3 Ativas (Parnamirim, Senador Georgino Avelino e

Canguaretama) e 2 inativas (Tibal do Sul);

A partir da observação evidenciou-se que a quantidade de áreas em

atividades que correspondem às especificações da NBR-8849 é muito baixa em

comparação ao total das áreas ativas. Em relação à comparação entre o número

de áreas adequadas e inadequadas podemos destacar os municípios de São

Miguel do Gostoso, Parnamirim e Senador Georgino Avelino (tabela 02).

Outro dado a ser observado é que as localizações das áreas inativas

apresentam, em quase sua totalidade, relação com a expansão da mancha

urbana e com a criação de novas áreas de disposição. Na região Canguaretama e

Baía Formosa (áreas CNG6 e BFM6) esta relação ocorre devido à expansão das

atividades agrícolas, agropecuárias e, recentemente, com a carcinicultura.


Tabela 02 – Quantificação dos resultados obtidos na figura 28

% em relação ao
Municípios Ativas
total
Pedra Grande PRG2 33,3%

São Miguel do Gostoso SMG1 100,0%

Rio do Fogo RFG2 12,5%

Extremoz EXT3 10,0%

Parnamirim PRM1 100,0%

Sen. Georgino Avelino SGA1 50,0%

Canguaretama CNG1 14,3%


% em relação ao
Municípios Inativas
total
TBS3
Tibal do Sul 50,0%
TBS4

8.4 – Parâmetros identificados para avaliação dos locais propensos a

disposição final de resíduos

As análises estatísticas e dedutivas realizadas identificaram apenas 2

(dois) parâmetros que possuem influência na localização das ADRS. Sendo eles

os seguintes:

Acessibilidade – Um dos fatos mais marcantes foi a acessibilidade, com

pouca influência da topografia e grande influência das distâncias

percorridas. Foram encontradas variações de 2 a 14 km de distância do

centro geográfico da fonte geradora dos resíduos. O principal regulador da

89
distância foi o custo, sendo identificadas distâncias inversamente

proporcionais à quantidade de resíduos gerados. A distância média

encontrada corresponde a até 5 Km (cinco quilômetros) para núcleos

urbanos e de 500 m (quinhentos metros) as margens das principais vias

de acesso da região.

Distância de corpos d´água – As distâncias são muito variadas em todas

as regiões do pólo mas é observada que as áreas ativas encontram-se

mais distante dos recursos hídricos.

Ao contrário do esperado, não foi evidenciada nenhuma outra relação

entre a localização das ADRS e algum outro parâmetro, tal como a geologia

ou limites urbanos, sugerindo que utilização de locais para disposição de

resíduos é aleatória em relação a estes parâmetros. Deste modo, foram

utilizadas apenas as relações entre a geração de resíduos, custo do transporte

e distância dos recursos hídricos para a modelagem ambiental do sistema

proposto.

8.5 – Áreas com Potencial para o Surgimento de ADRS

A aplicação dos parâmetros identificados no item 8.4 leva a uma

composição que pode ser descrita como as regiões com potencial para o

surgimento de locais de disposição de resíduos sólidos (figura 29). Esta

composição foi realizada a partir da aplicação da função buffer e da função

Segment Tools, ambos do software Arcview.

90
Figura 29 – Localização das zonas com potencial para disposição de resíduos nos municípios do Pólo de Turismo Costa das Dunas
Finalmente, após a análise das características qualitativas e

quantitativas da área em estudo, obteve-se uma classificação para a região com

potencial para disposição dos resíduos sólidos de acordo com as políticas de

limpeza pública adotadas até o ano de 2001. A classificação utiliza símbolos

graduados para diferentes índices de probabilidades do surgimento de áreas de

disposição de resíduos sólidos (Figura 30). Os índices, ora apresentados (Tabela

3), foram obtidos a partir da somatória das freqüências de cada ADRS em função

da distância das vias de acesso e dos corpos d´águas, sendo eles:

Muito Alta / Alta – Áreas marginais as principais zonas de produção de

resíduos sólidos, facilmente utilizadas como locais de descarte na forma de

pontos de lixo. Responsável por 60,6% de todas as áreas de disposição do

Pólo de Turismo Costa das Dunas.

Média / Baixa – Responsável por 33,8% das áreas de disposição. São

alternativas utilizadas pelos gestores em locais de média as baixas

produções de resíduos.

Muito Baixa - Com uma pequena probabilidade (5,6%) de localização de

ADRS.

Tabela 3 – Distribuição das áreas de disposição de resíduos em função da classificação das áreas
propensas ao surgimentos de ADRS.
Probabilidade Ativas % Inativas % Clandestinas % Futura % Total
Muito Alta / Alta 21 48,8% 21 48,8% 1 2,3% 0 0,0% 43
Média / Baixa 11 45,8% 11 45,8% 1 4,2% 1 4,2% 24
Muito Baixa 2 50,0% 1 25,0% 1 25,0% 0 0,0% 4
Total 34 47,9% 33 46,5% 3 4,2% 1 1,4% 71
Como pode ser observada, a medida aumenta a distância dos centros

urbanos a probabilidade de encontrar áreas de disposição se torna menor. É

comum, no caso de regiões formadas por grandes aglomerados urbanos, como

as de Natal-Extremoz-Parnamirim, encontrar pontos de apoio e lixões

clandestinos segundo a classificação de COSTA NETO (2002).


9 – CONCLUSÕES

A construção deste trabalho partiu da suposição que a forma de

disposição dos resíduos sólidos nos municípios do Pólo de Turismo Costa das

Dunas seria passível de ser modelada e aplicada em um Sistema de informações

Geográficas. A elaboração desta hipótese foi levantada a partir da constatação de

padrões de disposição, avaliados a princípio, de forma empírica durante a

realização das atividades de mapeamento do projeto de Caracterização,

Processamento e Desenvolvimento de Produtos a partir dos Resíduos Sólidos

Gerados nos Municípios que Compõem o Pólo de Turismo Costa das Dunas.

A principal contribuição do sistema estaria no auxilio da avaliação dos

métodos de disposição dos resíduos sólidos atualmente empregados pelas

prefeituras e empresas terceirizadas que atuam neste ramo de atividade.

Inicialmente optou-se por reduzir a quantidade de informação utilizada

para aplicação no sistema. Esta atitude baseou-se no princípio que a modelagem

de qualquer sistema de pesquisa deve possuir apenas o necessário ao seu

funcionamento, eliminado-se elementos que não possuíssem importância para o

estudo. Para atingir este objetivo, optou-se por utilizar uma metodologia baseada

na correlação estatística nos parâmetros pertencentes aos IQADS. Com o uso

desta ferramenta foi possível identificar a relação entre todos os itens

pertencentes à ficha de avaliação. O resultados sugeriram uma forte relação em

12 (doze) dos 27 (vinte e sete) parâmetros utilizados no IQAD para classificar as

áreas de disposição de resíduos sólidos. Estes 12 (doze) parâmetros foram

qualificados em aspectos físicos e antropológicos, ambos com influência no

método de gerenciamento das áreas de disposição.

94
As tendências encontradas nos índices de correlação estatística deram

origem a 2 (dois) modelos independentes. O primeiro, relacionado a criação de

animais em áreas de disposição mais distantes das principais cidades de cada

município. O segundo, indicando que a qualidade do material influenciava

negativamente na forma do gerenciamento das áreas de disposição ou, em outras

palavras, que os locais onde a qualidade do solo e sua disponibilidade para

recobrimento apresentavam-se mais favoráveis eram, justamente, os que

possuíam pior forma de gerenciamento. Estas interpretações apenas confirmaram

a necessidade de se repensar o modelo em atual emprego nos sistema de

limpeza urbana das prefeituras dos municípios do Pólo. Concluída esta fase,

denominada de planejamento, deu-se início a fase de construção do Sistema de

informações Geográficas para análise espacial dos resultados encontrados.

Os modelos independentes foram imprescindíveis para a elaboração

do conceito organizacional do SIG sugerindo, de forma hierárquica, a organização

das informações contidas no banco de dados e nos objetos vetoriais utilizados.

Uma nova interpretação foi aplicada sobre o conceito de organização do banco de

dados com o objetivo de selecionar as melhores fontes de informações e as

ferramentas necessárias a sua correta utilização. Concluída esta etapa, foi

iniciada fase de construção direcionada do SIG.

As funções de consulta baseada no modelo de disposição dos resíduos

foram aplicadas logo após a conclusão do SIG. Esta fase da pesquisa propunha-

se a validar todas as hipóteses geradas ao longo do desenvolvimento deste

trabalho.

O resultados, sob a forma de mapas, comportaram-se dentro do

esperado, confirmando a teoria da existência de padrões de disposição de

95
resíduos no Pólo de Turismo indicando quais a zonas de maior probabilidade para

o surgimento de novas áreas.

O padrão de disposição evidenciado sugere a adoção de um

comportamento comum na forma de gerenciamento dos resíduos Sólidos

aplicados nos 14 (quatorze) municípios do Pólo de Turismo Costa das Dunas

evidenciando uma marginalização da temática dos resíduos sólidos nos governos

municipais não sofreu alterações significativas nos últimos anos, podendo ser

classificada como comum à postura de apenas transportar os resíduos para áreas

afastadas. Os resultados propõem duas situações:

1. Que não existem especialistas nos quadros municipais das prefeituras,

sendo que a seleção de alternativas para disposição de resíduos sólidos

não condiz com as orientações técnicas em vigor e;

2. Que a deficiência de obtenção de recursos financeiros impede os gestores

de aplicarem valores adequados ao gerenciamento dos resíduos sólidos.

Aparentemente, estas duas situações, esquematizadas na figura 30,

ocorrem simultaneamente em todos os municípios do Pólo de Turismo.

Tomada de
decisão

Fatores
limitantes

Recursos Capacidade
Finaceiros Técnica

Figura 30 – Fatores limitantes a tomada de decisão nos municípios que compões o Pólo de
Turismo Costa das Dunas

96
9.1– Sugestões e Recomendações

Os resultados das análises apenas confirmam a necessidade de se

repensar a forma de gestão dos resíduos sólidos em toda área em estudo, sendo

necessária à reformulação dos modelos adotados, com a utilização de mão de

obra mais especializada.

Também é sugerida a construção de aterros controlados sob a forma

de consorcio entre os municípios, sendo indicada, em função dos custos de

transporte, a quantidade de 3 (três) aterros, localizados nas Sub-Áreas Norte,

Central e Sul do Pólo com a utilização de sistemas de transbordo adaptados a

geração de resíduos de cada região.

Outra sugestão é a instituição de um órgão técnico no Conselho do

Pólo de Turismo Costa das Dunas responsável pelas orientações a serem

seguidas pelos seus dirigentes, favorecendo a possibilidade de se obter soluções

consorciadas.

97
10 – BIBLIOGRAFIA

CHRISTOFOLETTI, ANTÔNIO, Modelagem de Sistemas Ambientais, Editora


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