Anda di halaman 1dari 218

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional
LABORATÓRIO DE PSICODINÂMICA DO TRABALHO

D O SSI Ê

S UI CÍ DIO S N A FR AN CE T ÉL ÉCOM :
A S CONS EQUÊNCI AS N EF AST A S D E U M MO D ELO
D E GES TÃO S OBR E A S AÚ D E M EN TAL D OS
T RAB AL HA DO R ES

Segunda Versão
Período: 27 de julho à 02 de dezembro de 2009
Prof. Álvaro Roberto Crespo Merlo

PORTO ALEGRE, DEZEMBRO DE 2009


APRESENTAÇÃO DA SEGUNDA VERSÃO

Esta Segunda Versão do Dossiê sobre os suicídios na France Télécom traz as notícias
publicadas após a Primeira Versão. Neste período a empresa acabou fazendo uma revisão mais
rigorosa dos suicídios entre seus assalariados e concluiu que o total foi maior que o inicialmente
denunciado pelos sindicatos. Na verdade ocorreram 32 suicídios em um período de dois anos. A
empresa, também, tomou a iniciativa de contratar uma empresa de consultoria (Technologia), para
fazer um estudo mais detalhado das relações entre o trabalho e a saúde mental dos seus
trabalhadores, a qual elaborou um questionário que foi enviado a todos. A grande maioria já
respondeu a essa pesquisa. Não cheguei a traduzir esse questionário, pois é muito extenso, mas o
inclui no dossiê em sua versão original e está no final do dossiê.
Espero que a complementação desse material possa ser útil para que possamos repensar as
condições de trabalho e saúde no Brasil.

Álvaro Roberto Crespo Merlo


merlo@ufrgs.br
APRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA VERSÃO

Este Dossiê iniciou-se pela tradução de alguns artigos publicados pelo jornal francês
Libération, sobre uma "epidemia" de suicídios ocorridas com trabalhadores da empresa France
Télécom. A France Télécom é a principal empresa francesa de telecomunicações e a 71ª empresa
mundial. Emprega quase 187.000 pessoas, cerca de 100.000 na França e serve quase 174 milhões de
clientes no mundo. Para responder à uma diretiva européia de colocação em concorrência dos
serviços públicos, a Direction Générale des Télécommunications (DGT) torna-se a France Télécom em
1º de Janeiro de 1988. A lei de 2 de Julho de 1990 transforma a France Télécom em uma empresa de
direito público. É dotada de uma personalidade moral distinta do Estado e adquire autonomia
financeira. Em setembro de 2004, o Estado francês vende uma parte das suas ações, para ficar abaixo
do nível dos 50%. A France Télécom torna-se, então, uma empresa privada.
O grande número de suicídios nessa empresa e o reconhecimento da relação deles com as
modificações no modelo de gestão dessa empresa, feito por sindicatos e centrais sindicais francesas,
pelo governo e, por último, pela própria empresa, criaram uma situação inusitada, que merecia um
acompanhamento e discussão.
Nas primeiras traduções, tive apenas a intenção de oferecer material para meus alunos das
disciplinas "Saúde do Trabalhador", do 8º semestre da Faculdade de Medicina e "Psicodinâmica do
Trabalho", do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional, ambos na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Posteriormente, aproveitei o trabalho feito e enviei essas
primeiras traduções para alguns colegas, que repassaram a outros colegas e, muitos, mostraram
interesse em os continuar recebendo.
Essa não é a primeira denúncia pública de suicídios relacionados ao trabalho na França. Em
2007 ocorreram vários suicídios de trabalhadores na montadora Renault, mais precisamente, no
centro mundial de concepção da empresa em Guyancourt (periferia de Paris), chamado de
Technocentre. Ocorreram pelo menos quatro suicídios neste setor da empresa e, alguns deles, no
próprio local de trabalho, que tiveram, posteriormente, o reconhecimento, pela previdência social
francesa (Sécurité Sociale), como acidentes de trabalho, grande repercussão na imprensa e levou à
demissão do presidente mundial da empresa, Carlos Ghosn.
As notícias traduzidas neste dossiê foram todas retiradas do cotidiano Libération
(http://www.liberation.fr). A escolha que fiz por este jornal deve-se ao fato dele ser um jornal de
grande tiragem, mas que tem, diferentemente de todos os outros, bastante criticidade e uma
razoável independência.
É importante lembrar, para uma melhor compreensão na leitura, de que a França é um país
onde o movimento sindical está organizado em muitos sindicatos e centrais sindicais e, a filiação a
uma delas, ocorre por decisão individual de cada trabalhador. Assim, no mesmo espaço de trabalho,
convivem trabalhadores de centrais sindicais diferentes. Por isso, veremos pelas matérias, que a
discussão é acompanhada por todas elas, que estão indicadas através de suas siglas (CGT,CFDT, FO,
etc.).
O material apresentado nas páginas a seguir é uma matéria "bruta", isto é, sem nenhum tipo
de análise. Mas ele permite seguir, "em tempo real", a evolução dessa questão, que se iniciou pelas
primeiras denúncias feitas pelas centrais sindicais, pelas tentativas da empresa em negar que
existisse um "problema" e a sua busca em culpabilizar individualmente apenas o suicidado pelo
próprio suicídio e, finalmente, o acesso da polêmica às manchetes dos jornais, a intervenção do
Estado, as explicações públicas da direção da empresa e as comunicações das mudanças iniciadas e,
no momento em que essa versão do dossiê é "fechada", a demissão do "número 2" da empresa. As
pessoas que tem alguma experiência nessa temática de saúde e trabalho, tem uma sensação de déjà
vu (para ficarmos em uma expressão francesa). Por exemplo, a prática odiosa de culpabilizar a vítima
pelo próprio acidente é, infelizmente, uma prática ainda corrente das empresas e, muitas vezes, dos
serviços de medicina do trabalho brasileiros.
Essas notícias e os fatos aos quais elas remetem podem ser compreendidas e analizadas sob
vários ângulos. Um primeiro, é a possibilidade de se ter, se ainda era necessário, uma demonstração
clara e inequívoca, das consequências dos processos de privatização sobre a vida e a saúde dos
trabalhadores. E mais do que isso, das consequências nefastas sobre a saúde provocado pelos novos
modelos de gestão, onde o assédio moral – seria talvez mais correto falar-se de assédio
organizacional -, são "moeda corrente". Outro, não menos importante, refere-se ao fato de que há
muito mais "abaixo da superfície", do que apenas os diagnósticos, confirmados ou não. O imenso
sofrimento psíquico provocado pelas mudanças na France Télécom ficou "invisível" durante muito
tempo. Seja porque a empresa não tinha nenhum interesse em que ele fosse identificado, seja
porque ele não produziu, imediatamente, patologias, físicas ou mentais, reconhecíveis e passíveis de
receberem um CID1. Este é um aspecto há muito demonstrado pelas pesquisa que utilizam a
Psicodinâmica do Trabalho como método (e, certamente, por alguns outros métodos também).
Este dossiê está composto de duas partes. Na primeira, as matérias traduzidas e na segunda
os originais em francês. As matérias foram traduzidas rapidamente e sem nenhum tipo de revisão
mais esmerada, por absoluta falta de tempo para realizar um trabalho de mais qualidade. Minha
intenção é apenas permitir que o maior número possível de pessoas possa ter acesso a esta
discussão, com o objetivo de ficarmos mais atentos aos suicídios provocados pelo trabalho, que,
certamente, também ocorrem no Brasil, mas que estão completamente ignorados e praticamente
sem registros oficiais, no desejo de que nos ajude a instrumentalizar ações para a construção de um
mundo do trabalho mais prazeroso e feliz.

1
Código Internacional de Doenças.
Esta tarefa de tradução tomou um tempo razoável, o que não permite que eu possa repetir
um novo Dossiê, rapidamente, com as novas notícias que irão sair daqui para a frente. Continuarei
acompanhando a polêmica francesa sobre o assunto, coletando as novas matérias que forem
publicadas e espero fazer uma segunda edição do Dossiê no próximo mês de dezembro.

Álvaro Roberto Crespo Merlo


merlo@ufrgs.br
MATÉRIAS TRADUZIDAS
Economia 27/07/2009 à 19h26

France Télécom: um assalariado suicida-se e culpa a sua hierarquia

Na carta deixada à sua família, o dirigente da France Télécom de Marselha de 51 anos evoca
“a urgência permanente”, “a sobrecarga de trabalho”, “a ausência de formação”, “a
desorganização total da empresa” e “a gestão terror”.

Cabine da France Télécom em Nice. (REUTERS)

“Suicido-me devido ao meu trabalho na France Télécom. É a única causa.” O autor desta
carta desesperada, um assalariado de 51 anos, pôs termo aos seus dias em seu domicílio, em
14 de julho em Marselha. Na carta deixada à sua família, cujo conteúdo foi comunicado, de
acordo com a sua vontade, aos seus colegas e aos delegados do pessoal (representantes
sindicais na empresa), evoca nomeadamente “a urgência permanente”, “a sobrecarga de
trabalho”, “a ausência de formação”, “a desorganização total da empresa” e “a gestão
terror”.

“Aquilo desorganisou-me totalmente e perturbou-me, escreveu, também, o assalariado da


France Télécom. Tornei-me um barco naufragado, é melhor terminar.”

Para a direção, que confirma o suicídio mas não deseja comentar a carta, “importante é tentar
compreender o que se passou”, e recorda que “as causas de um suicídio são sempre
múltiplas”. A empresa precisa que “alguns dias antes do drama, os seus colegas e os seus
responsáveis observaram sinais de depressão. Tinha sido levado em consideração pelos
gerentes, por seus colegas e pelos parceiros sociais”. “Os delegados do pessoal tinham
alertado sobre o seu mal estar no trabalho e a France Télécom tinha tomado aquilo
seriamente, tentando diminuir o seu volume de trabalho”, confirmou Denis Capdevielle,
delegado CGT no Comité Higiene, Segurança e Condição de Trabalho (CHSCT) da unidade
onde trabalhava. “Mas o seu mal estar devia ser profundo”, acrescentou.

De acordo com Patrick Ackermann (Sud-PTT), desde fevereiro de 2008, 18 suicídios e 10


tentativas de suicídios ocorreram na France Télécom, que emprega 102.254 assalariados, dos
quais 70% são funcionários.
Os sindicatos denunciam há vários anos o estresse na France Télécom e as "pressões” sobre o
pessoal, principalmente, pressionando-os à demissão voluntária, no âmbito, de acordo com
eles, de um plano de reestruturação que se traduziu em mais de 22.000 “partidas voluntárias”
entre 2005 e 2008.

Fabienne Viala (CGT) denuncia, sobrecargas de trabalho ligadas à baixa de efetivos “e as


responsabilidades cada vez mais pesadas”, principalmente, para as chefias, como era o
assalariado falecido.

A direção da France Télécom informa ter instaurado “um dispositivo de escuta” para os
colegas do assalariado. (Fonte AFP)
Economia 27/08/2009 à 06h52

“O sofrimento mental é tabu”

Entrevista

Marie-José Hubaud, médica, estabelece uma relação entre mal estar e organização do
trabalho

Por CATHERINE MAUSSION

Marie-José Hubaud exerceu durante trinta de anos como médico do trabalho. É a


autora do ensaio Des hommes à la peine (1).

O que se sabe do sofrimento no trabalho?

Ele é diretamente ligado à organização do trabalho e indica o malogro desta


organização. Seja porque a empresa não levou em consideração os sinais precursores.
Seja porque demonstrou uma intolerável indiferença. Este problema do sofrimento ao
trabalho não está suficientemente instrumentalizado. Nem no plano social, nem no
plano científico ou estatístico. Sabe-se que se refere mais às mulheres que os homens e
mais os trabalhadores que às chefias. O sofrimento resulta de situações concretas
muito diferentes. Pode nascer de um excesso de trabalho ou, pelo contrário, de um
volume de trabalho insuficiente. De uma formação insuficiente, que põe o assalariado
em uma situação insuportável, mas, igualmente, de uma tarefa muito inferior à sua
qualificação que lhe é confiada. A noção de reconhecimento do indivíduo é central no
sofrimento: a falta de autonomia, o sentimento não utilizar as suas competências, o
sentimento de não receber a consideração que se crê merecer… Quando o gesto não
significa mais nada, há o desgaste do impulso vital de forma imperceptível, dia após
dia. Quando não se dá ao assalariado os meios materiais, temporais, organizacionais
para exercer a sua tarefa, ele é colocado em uma situação de derrota permanente,
prejudica-se a sua dignidade de trabalhador e, por conseguinte, a sua autoestima dele,
e, em consequência, a sua saúde mental.

E, no entanto, a France Télécom instaurou todo um dispositivo para identificar


este sofrimento…

Será que a empresa não deveria tê-lo feito antes para dar-se boa consciência? Ataca-se
realmente às causas, aos problemas da organização do trabalho? Reconsidera as
tarefas, os constrangimentos impostos pelos ritmos? É necessário fazer trabalhar os
assalariados nos fins de semana ou à noite? Estes últimos anos, uma nova pressão
acrescentou-se sobre o assalariado: a avaliação permanente do seu trabalho. Este
dispositivo de controle é transparente? Não é necessário subestimar também o peso do
desemprego, mesmo para os que estão em CDI2 ou em uma empresa que não despede.
O que fazer face à este sofrimento? É urgente, em matéria social, colocar o problema
do sofrimento mental no trabalho, como já se faz para o câncer em saúde pública. Mas
esta pergunta é ainda tabu. A precarização crescente do trabalho faz com que as
pessoas encontrem-se, cada vez mais frequentemente, na escolha entre a manutenção
do seu trabalho ou a preservação da sua saúde. O sentimento de insegurança social é
premente em todos os assalariados. Isso traduz-se por objetivos a serem atingidos,
uma colocação em competição dos assalariados. Basicamente, continua a mesma
coisa: obter sempre cada vez mais de cada um, esquecendo o retorno disso, o
sentimento de reconhecimento. Fala-se hoje apenas do respeito do ambiente. Seria
necessário interessar-se mais ao respeito do assalariado.

(1) Ed. La Découverte, 2008.

2
CDI: Contrat à Durée Indéterminée (Contrato com Duração Indeterminada). Corresponde ao contrato CLT do
Brasil.
Economia 27/08/2009 à 06h53

Suicídios: France Télécom ouve finalmente o pedido de ajuda


Após várias mortes neste verão, os sindicatos foram recebidos pelo DRH da operadora.

Por CATHERINE MAUSSION

“Começa a haver uma escuta…” diz, sem se mostrar satisfeito, Christian Mathorel da CGT.
“Finalmente uma abertura”, felicita-se Pierre Morville da CFE-CGC Unsa. Mesmo a
turbulenta secção SUD PTT deve reconhecer… Após a vaga de suicídios na France Télécom
este verão, os seis sindicatos do operador, recebidos terça-feira por Olivier Barberot, o DRH
da empresa, não esperavam deixar a reunião com tantos compromissos. “Parada do
sofrimento no trabalho”, tinham avisado os sindicatos na véspera do encontro. A véspera
ainda, a direção tentava apagar o fogo minimizando o sentido a dar a estes suicídios… O
alerta parece finalmente ter sido entendido. O último drama produziu-se em Besançon
(Doubs), em 11 de agosto. Nicolas G., técnico de intervenção, tinha 28 anos. Em 13 de julho,
um trabalhador de 51 anos, “muito esforçado”, pôs um termo aos seus dias, denunciando
numa carta “a urgência permanente” e “a sobrecarga de trabalho”. Em 29 de junho, Saint-Lô
(Manche), um empregado de um serviço comercial tinha-se aberto as veias sobre o seu lugar
de trabalho. Tratando desses casos, Philippe Méric, delegado SUD PTT, evita de entregar-se a
um cálculo mórbido. Como, também, evita de incriminar como único motivo para explicar
estes gestos, as reorganizações incessantes. Mas, de acordo com ele, a operadora “está
implicada” em pelo menos seis dos vinte relatados desde fevereiro de 2008.

“Conversa fiada”. Em sua defesa, a France Télécom assegura ter multiplicado as iniciativas.
Como esta comissão estresse criada no Comité de higiene e segurança do trabalho; a
formação dos seus gerentes “à detecção dos sinais fracos”, índices que deixam suspeitar que
um assalariado encontra-se em dificuldade; estes espaços de escuta e de acompanhamento…
Tantas ações que deixaram os sindicalistas sépticos. “A comissão estresse, é totalmente
"conversa fiada", diz Pierre Morville. Nunca reuniu-se!” De onde a criação em 2007, em
ligação com SUD PTT, “de um observatório do estresse” para recolher os testemunhos de
assalariados. A crítica vai também sobre os espaços de escuta: “Tínhamos insistido para que
os assalariados não se devessem tratar de seus problemas frente a sua hierarquia. Sem
sucesso”, acrescenta Philippe Méric. A empresa sempre insistiu muito nos seus 70 médicos do
trabalho e seus quarenta assistentes sociais. Antes de reconhecer, terça-feira, que não eram
bastante numerosos…

“I's time to move.” Definido como palavra de ordem, este slogan que se espalhou hoje em
todos os níveis da empresa, não terminou de causar devastações, dizem os sindicatos. Põem
sobretudo a pressão nos dirigentes: “A regra é alterar de ofício ou de lugar geográfico a cada
três anos”, resume Pierre Morville do CFE-CGC Unsa. Em Loire-Atlantique, por exemplo, o
"torno" aperta-se em redor de Donges. “Não se compreendeu imediatamente o que se estava
jogando”, conta Marie Cussonneau, SUD PTT. Há três anos, o local empregava 150
assalariados. Pouco a pouco, a France Télécom esvaziou-o, orientando as pessoas para Nantes
à golpes de pressões individuais ou de mutação automática para os dirigentes superiores.
“Agora, anuncia-se o fechamento de Donges para Setembro, diz Marie. É o primeiro grande
local ao qual a France Télécom ataca.” Temem que o local vizinho, Saint-Nazaire, feche em
seguida. Tanto quanto o Grand Ouest, Châteaubriant, Saumur e Saint-Malo já baixaram as
cortinas.

Encerramento. Os rumores alimentariam às vezes a psicose. De 2800 para 3000 lugares, a


France Télécom desejaria concentrar os seus 102.000 assalariados sobre uma centena de
grandes locais que empregam mais de 500 pessoas, até 2011. “Se está com o fantasma”,
afirma Jacques Moulin, DRH para a França. Antes de acrescentar: “Nunca se escondeu que se
estava conduzido um fechamento de locais para constituir pólos importantes (grandes).” E
tenta tranquilizar: “Não se tem uma dimensão mínima abaixo da qual um local está destinado
ao fechamento.” É difícil de fazer a direção soltar os números sobre os encerramentos ou
sobre os assalariados tocados pelas reorganizações. “Aquilo não tem sentido”, explica o DRH.
Exceto um, que se assemelha a um verdadeiro desempenho: “Acompanhamos 10.000
assalariados durante as formações em ofícios prioritários entre 2006 e 2008.” Muito
movimento, em marcha forçada, o operador convém. “Sim, a incerteza sobre a evolução dos
nossos ofícios gera apreensão, que é um fator de estresse, reconhece um quadro dirigente.
Sem dúvida não se mediu o bastante o quanto isso pode trazer angústia para algumas
pessoas.”
Economia 07/09/2009 à 00h00

France Télécom atingida por um novo suicídio


Social. De acordo com as nossas informações, um técnico da operadora deu-se a morte há oito
dias. A CFDT acusa a gestão.

Por CATHERINE MAUSSION

Como informar a respeito de um suicídio? Como pesar as palavras, respeitar a dor da família?
Tantas perguntas que se põem com acuidade, quando se é um dirigente sindical e próximo da
vítima. Mais ainda quando o drama produz-se na France Télécom, onde mais de 20 suicídios
foram recenseados desde janeiro de 2008 pelos sindicatos, três dos quais neste verão
(Libération de 27 de agosto).

Na noite do 29 ao 30 de agosto, Michel deu-se a morte. Era um técnico com alta competência
e cuja qualidade profissional não era discutida. Responsável pela validação de equipamentos
de transmissão de alta velocidade, à Lannion (Côte-d'Armor), em Orange Labs (1.090
assalariados), onde se elabora uma parte da investigação e do desenvolvimento da France
Télécom. Casado, três crianças, das quais uma menor, Michel tinha também um neto. Tinha
exercido um mandato de representante do pessoal da CFDT e tinha participado do CHSCT
(Comité de Higiene, de Segurança e de Condições de Trabalho) até 2007, mas o sindicato
nega qualquer relação entre o seu mandato e o seu gesto.

A CFDT, certamente o sindicato mais reservado sobre a utilização mediática dos suicídios,
esperou oito dias para comunicar sobre este caso, pedindo expressamente aos seus pares que
esperem, também, para “deixar o tempo à recordação e a reflexão”. Hoje, a central estabelece
uma relação entre o drama e a forma como a direção da operadora gere no dia a dia seus
assalariados. Assim, a sua análise do gesto de Michel tem ainda mais peso.

Num comunicado que será difundido esta manhã, a seção CFDT da Bretagne (34% dos votos
nas últimas eleições, primeiro sindicato da região) evoca dois conflitos recentes encontrados
por Michel no seu ambiente direto de trabalho e que pesaram no seu gesto. Christian Wipliez,
delegado CFDT, o coloca em perspectiva: “Os procedimentos gerenciais com os assalariados
tornaram-se muito individualizados ou mesmo infantilizantes.” Entrevistas face à face,
baterias de instrumentos para avaliar o indivíduo… Mesmo as tarefas complexas podem ser
particionadas. “É o pior de tudo. Aquilo cria uma isolamento muito penoso. Esquece-se o
coletivo.”

No outono de 2008, tinha sido fixado como objetivo para Michel, como na escola, “de
melhorar o seu comportamento”. Na opinião de seus colegas, semelhante reprimenda tinha-o
afetado. Recentemente, a hierarquia direta tinha voltado à carga e tinha-o convocado “para
acusações sem provas”, insiste a CFDT. “Aquilo acentuou o seu sofrimento, assegura
Wipliez. A empresa não sabe detectar o sofrimento de pessoas como Michel.”

Além deste caso, o sindicalista insiste numa apreensão coletiva que mina os assalariados dos
quatro departamentos bretões. Recenseia-se mais 14 locais de mais de 50 pessoas (Vannes,
Lanester, Quimper…), sem contar os pequenos locais. Com a próxima onda de partidas em
aposentadoria, certos locais correm o risco de "passar sob a massa crítica” e podem ser
fechados, obrigando os assalariados a mudarem-se. France Télécom, no âmbito da gestão
previsional dos seus efetivos, fez projeções sobre 2015 e 2018, e “todos os que têm vinte e
cinco anos de casa sentem-se vulneráveis”. Particularmente as direções. “A gestão põe uma
pressão enorme sobre a mobilidade das chefias”, explica a CFDT.

Hoje, o drama de Michel deverá ter uma repercussão nacional. O CHSCT de Lannion vai
abrir um inquérito sobre as circunstâncias que puderam conduzir ao seu suicídio. Enquanto
que a direção da France Télécom, localmente, desculpa a hierarquia intermédia: “Questionem
a direção, mas não batam sobre as chefias intermediárias. Eles apenas executam as ordens.”
France Télécom questionada após um novo suicídio

SOCIEDADE - Na noite de 29 ao 30 de Agosto, um assalariado da France Télécom de


Lannion (Côtes d'Armor), de 52 anos, casado e pai de três crianças, suicidou-se. Num
comunicado, a CFDT põe em causa os diferentes episódios profissionais que precederam o
seu falecimento e teriam influenciado o seu gesto.

Delegado do pessoal de 2005 para 2007 e membro do CHSCT (Comité de Higiene, de


Segurança e Condições de Trabalho), responsável de validação de equipamentos de
transmissão de alto débito em Orange, a sucursal da France Télécom, Michel tinha um
trabalho que lhe agradava e que “era reconhecido”. Mas por razões que permanecem a
determinar, “estava isolado no seu ambiente profissional há vários meses”, constatou a
CFDT.

A única ação da sua hierarquia, conhecida da CFDT, foi fixar-lhe “um objetivo de melhoria
do seu comportamento no âmbito de entrevistas individuais. Aquilo não trouxe solução à seu
isolamento”, lamenta o sindicato no seu comunicado. Em início de julho, este técnico, que
não deixou nenhuma mensagem para explicar as razões do seu suicídio, foi convocado
igualmente pela direção “para um pedido de explicações após uma acusação anônima sem
provas. Durante este mesmo mês, o conjunto destes fatos conduziu Michel, em estado de
sofrimento, a consultar o médico do trabalho. Os delegados sindicais da CFDT intervieram
para assisti-lo uma primeira vez em setembro de 2008 e, após, durante a entrevista de início
julho de 2009”.

O sindicato assinala “a influência destes conflitos encontrados no seu espaço profissional” e


Christian Wipliez, delegado CFDT que encontrou a família de Michel, considera que existe
“uma relação direta” entre o suicídio do assalariado e os métodos de gestão da empresa. “A
empresa não sabe detectar o sofrimento de pessoas como Michel”, disse à Libération. Este
acontecimento intervém enquanto que mais de uma vintena de suicídios de assalariados da
France Télécom foram recenseados desde janeiro de 2008.

O diretor das relações humanas do grupo, Oliveira Barberot, fará quinta-feira na frente de um
CHSCT nacional “propostas concretas sobre o estresse ao trabalho, no âmbito dos eixos
definidos conjuntamente com os sindicatos, em 25 de Agosto”, anunciou a France Télécom.
“Há tensões no funcionamento da empresa tendo em conta todas as mudanças tecnológicas e
regulamentares. No caso de Lannion, a tensão era mais forte que devia ser? A empresa sente-
se envolvida por estes dramas", declarou a direção. Os sindicatos SUD, CGT, FO E CFDT
depositaram um pré-aviso de greve na região a Bretanha da France Télécom, para quinta-
feira. A CFTC e a CGC chamaram para uma manifestação em Rennes, na frente da sede
regional da France Télécom. “A pressão é forte, quando você recebe, todos os dias, um e-
mail, solicitando submeter-se a objetivos de mobilidade”, afirma Pierre Dubois, delegado
CFDT, segundo o qual, a remuneração variável de certos executivos do grupo “depende em
50% de um objetivo de redução de efetivos”. Após a entrada na Bolsa em 1997, recapitalizada
pelo Estado em 9 bilhões de euros em 2004, France Télécom sofreu reestruturações drásticas.

PHA (com AFP)


Economia 09/09/2009 à 17h33

Um assalariado de France Télécom tenta se suicidar no trabalho

O assalariado, de cinquenta anos, tinha sabido, recentemente, de sua transferência automática


para um outro serviço, mas na mesma cidade.

Nice, 29 de outubro de 2008. (REUTERS)

Enquanto que 20 suicídios foram recenseados na France Télécom, desde janeiro de 2008,
pelos sindicatos, três dos quais neste verão, um técnico do centro de intervenção Troyes
cravou-se uma faca no abdômen nesta quarta-feira, durante uma reunião de equipe. “Os seus
dias não parecem em perigo, está hospitalizado e consciente”, indicou a direção da France
Télécom em Paris.

O homem, de cinquenta anos, soube recentemente de sua transferência automática.

Nesta quarta-feira pela manhã, o gerente tinha organizado uma reunião de serviço quando o
drama produziu-se, na frente de uma quinzena de pessoas. “Este colega tinha um trabalho
valorizado. Fazia a manutenção em clientes profissionais. Ele soube que faria, doravante,
manutenção em assinantes particulares, indicou Régis Pigre, delegado SUD da filial de
Troyes. Ele começou de baixo e trabalhou para subir (na empresa). De um dia para outro lhe
disseram que agora ele faria um trabalho menos interessante.”

A direção da France Télécom em Paris confirmou que o assalariado “trabalhava numa


estrutura de intervenção junto das empresas, das quais o volume de atividade havia
diminuído, e, portanto, era necessário transferir assalariados para uma estrutura de
intervenção nos particulares”. Esta transferência, de acordo com a direção da France
Télécom, prevê que eles trabalhem na mesma cidade, no mesmo local e exerçam o mesmo
ofício.

Após várias mortes neste verão, os sindicatos foram recebidos pelo DRH da operadora. Um
dia de greve já estava previsto para amanhã, quinta-feira.

(Fonte AFP)
Economia 10/09/2009 à 16h24

“Com 22 suicídios, realmente há um grave problema”

REPORTAGEM

Em plena "série negra", os assalariados da France Télécom manifestaram seu mal estar nesta
quinta-feira. Direção e sindicatos puseram-se de acordo sobre a abertura na próxima semana
de negociações sobre o estresse na empresa.

CORDÉLIA BONAL

Logo da France Télécom. (© AFP Damien Meyer)

“Digo-lhes, somos cinquenta no meu serviço e a metade está sob antidepressivo. Não iremos
esperar que outros colegas se suicidem para fazermos algo!” Alicia trabalha na France
Télécom do Val-de-Marne, no serviço "queixas Internet". Com cerca de uma centena de
técnicos e comerciais “FT” da região, ela veio manifestar sob as janelas da sede do recursos
humanos do grupo em Paris, no XVº distrito. É nesta quinta-feira que sindicatos e direção se
encontrariam para a reunião do Comité nacional de higiene, segurança e condições de
trabalho (CNHSCT) sob grande tensão: 22 assalariados do grupo suicidaram-se desde
fevereiro de 2008 e mais ou menos um outro tanto teria tentado fazê-lo, de acordo com o
cálculo dos sindicatos. Ontem, ainda, um assalariado tentou pôr termo aos seus dias. Para sair
da espiral infernal, os assalariados reclamam a abertura de negociações sobre as condições de
trabalho e uma moratória sobre as mudanças de postos forçado na empresa, que, entrou na
Bolsa em 1997 e foi recapitalizada pelo Estado com 9 bilhões de euros em 2004, e
reestruturada em grande escala. Enquanto que no prédio os representantes sindicais - CFDT,
CGT, Sul e FO - expunham suas reivindicações ao DRH do grupo, Olivier Barberot, em um
pequeno local abaixo, ao redor de uma mesa café-bolos, fala-se trabalho… e sobretudo de mal
estar no trabalho. “Policiamento”, “infantilização”, “pressões”, “estresse”, “depressão”,
“desumanização”, “gestão terror”, “robôs”… As mesmas palavras retornam, pesadas,
desenhando um quadro assustador da vida na France Télécom.
“Todos são esmagados”

“Eles fixam-nos objetivos insuportáveis, alteram as pessoas de posto todo o tempo e sempre
abruptamente, sob pretexto que se permanece-se demasiado tempo um posto, quer dizer que
não se é eficaz. Na vigésima vez, você "gastou"”, reclama Catherine, que trabalha na gestão
dos processos dos profissionais. Vem, em seguida, o isolamento, a solidão na aflição. “O RH
de proximidade foi suprimido em proveito de um apoio telefônico, onde não tem nunca o
mesmo interlocutor, as células de escuta não inspiram confiança à ninguém, e os
responsáveis diretos são tão obcecados pelos números, que eles não sabem mais ouvir.
Resultado, todos são esmagados”, resume Alicia. Todos falam, também, de que são
"empurrados para a saída" (demissão). E “todos os meios são bons”. Christophe: “A empresa
envia-nos todas as semanas e-mails com ofertas de postos externos ao grupo. Se faz-se a
desgraça de pedir informações, apenas para ver como é, é o fim: não nos soltam mais até que
se parta, é assédio.”

Congelamento das reestruturações

os assalariados, enfim, não perdoam à direção de ter deixado entender que a vaga de suicídios
se devia, primeiro, à dificuldades pessoais dos assalariados. “Não se pode nunca dizer que é
100% ligado ao trabalho, mas, enfim, houve escritos, trocas com os representantes do
pessoal, ele sabe muito bem que alguns aqui foram quebrados pelas condições de trabalho”,
diz Domínica, representante de SUD. “Um (suicídio), eu entendo, mas 22 suicídios, aí há um
grave problema”, diz outro. Mas para a direção, os suicídios não estão em “aumento”: 28 em
2000 e 29 em 2002, para cerca de 100.000 assalariados. Meio-dia. Philippe Meric, SUD PTT,
eclipsa-se da reunião e toma o megafone. “A direção comprometeu-se sobre um congelamento
das reestruturações e transferências forçadas até 31 de outubro”, anuncia. Vaias na
assistência. “Um mês e meio tranquilos, estão gozando da nossa cara”, enerva-se. “Era uma
medida de urgência indispensável e é um sinal de abertura”, modera Philippe Meric. Segunda
proposta posta sobre a mesa pela direção, pela abertura em 18 de setembro de negociações
“sobre o estresse na France Télécom”, com a designação de um gabinete de peritos externos.
Mas nada de precisão, ainda, quanto ao objetivo exato das negociações, lamenta o sindicato,
que chamam a serem atacados os “verdadeiros assuntos”, ou seja “o estilo da gestão e a
organização do trabalho”. A direção, finalmente, prevê o recrutamento de 100 DRH de
proximidade e médicos do trabalho suplementares.
Economia 12/09/2009 à 16h23

Suicídios na France Télécom: o governo intervém


Após uma jovem mulher ter-se lançado, sexta-feira, pela janela do seu escritório, o ministro
do Trabalho Xavier Darcos propôs, sábado, enviar o Diretor Geral do Trabalho na empresa.

O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, propôs, sábado, que o Diretor Geral do Trabalho à
France Télécom, tocada por uma série de suicídios de assalariados, exprimindo “a sua muito
forte preocupação”, após um novo gesto desesperado de uma empregada. (AFP Gérard
Cerles)

Perante o novo suicídio de uma assalariada da France Télécom, o 23º em um ano e meio,
Xavier Darcos propôs sábado enviar o Diretor Geral do Trabalho na empresa, e os sindicatos
expressaram, do seu lado, vivas críticas contra a gestão do grupo.

A última vítima, uma jovem mulher de 32 anos, morreu sexta-feira, após ter-se lançado pela
janela do seu escritório. Dois dias mais cedo, outro assalariado tinha tentado matar-se
plantando-se uma faca no ventre em plena reunião.

O ministro do Trabalho Xavier Darcos, que deve encontrar o Presidente do grupo Didier
Lombard no início da semana, anunciou, sábado, que contava propor “que o Diretor Geral do
Trabalho, autoridade central da inspeção do trabalho na França, assista à uma próxima reunião
do Comité de Higiene, de Segurança e Condições de Trabalho” da empresa.

Solicitará, também, “iniciar as negociações com os representantes do pessoal da empresa, para


retomar ao nível do grupo” o acordo sobre a prevenção do estresse no trabalho, concluído
entre os parceiros sociais em novembro de 2008.

Quinta-feira, na noite de uma mobilização nacional, a direção já tinha-se comprometido a


abrir estas negociações, na sexta-feira 18 de Setembro, mas, também, suspender,
provisoriamente, as mobilidades e a recrutar DRH e médicos do trabalho.

Para Xavier Darcos, que manifestou “a sua muito forte preocupação”, “é necessário hoje que
as empresas (...) tenham em conta os fatores de riscos para a saúde mental ligados às
organizações de trabalho e as suas evoluções”.
De acordo com a direção da France Télécom, a jovem mulher que colocou fim aos seus dias
na sexta-feira “tinha acabado de saber que mudaria de chefe de equipe”.

“É uma pessoa que era frágil, que era acompanhada, pessoalmente e na empresa, por
psiquiatra, médico do trabalho e assistente social há muito tempo”, de acordo com a mesma
fonte, que acrescentou que o seu volume de trabalho “tinha sido adaptado”.

Mas para os sindicatos, dos quais a mobilização quinta-feira denunciava as condições de


trabalho, são os métodos de gestão que estão na origem da "série negra" observada desde
fevereiro de 2008 (23 suicídios dos 100.000 empregados).

“Inaceitável”, “insuportável”… Sábado, não tinham palavras bastante fortes para traduzir a
sua cólera.

FO-Com, CGT, CFTC e Sud-PTT, reclamaram alternadamente à empresa “medidas radicais”,


e chamaram o Estado “a assumir as suas responsabilidades”, como acionista majoritário, e
FO, ameaçou usar o seu direito de parada de trabalho (que permite a um assalariado, que se
julgar em perigo, cessar o trabalho).

Principalmente, porque a apreensão continua a ser forte: “estou convencida, intimamente, que
devem haver outros casos”, porque “esquece-se todos os que “fazem tentativas sem que se
saiba ou que estão afastados por doença”, sublinhou Patrice Diochet (CFTC).

Um temor compartilhado pela psicanalista Marie Pezé, especialista em estresse no trabalho.


“Se terá suicídios de chefias, e mesmo assassinatos, "as facas estão na mão", disse, na medida
em que as medidas propostas pela direção são “insuficientes” ou mesmo “deletérias”.

Há vários anos os sindicatos lamentam o mal estar no trabalho e a pressão sobre os


assalariados, principalmente para incitar-lhes a demitir-se no âmbito de um plano de partidas
voluntárias, que permitiu separar-se em três anos de 22.000 assalariados (para 5.000
contratações).

(AFP)
Economia 14/09/2009 à 00h00

Nas origens da epidemia de suicídios


Os assalariados da France Télécom são confrontados com transferências brutais.

Por LUC PEILLON

Ela não morreu imediatamente. E para os seus colegas, na frente dos quais Stéphanie lançou-
se do 4º andar, o espetáculo da agonia foi traumatizante. “Eles estavam histéricos”, informou
Sébastien Crozier, responsável CGC-Unsa da filial. Uma funcionária trouxe um cobertor para
à jovem mulher, ainda consciente, antes que ela morresse, duas horas depois.

A cena, de “uma violência absoluta”, de acordo com o CGC-Unsa, desenrolou-se na sexta-


feira, em fim de tarde, no prédio da France Télécom, na rua Médéric, em Paris. A
defenestração desta funcionária de 32 anos, ligada à filial de Orange France, mas integrada ao
setor "empresas" da France Télécom, constitui-se no 23º caso de suicídio desde fevereiro no
grupo. Um suicídio a mais - excessivo - que imediatamente fez reagir o ministro do Trabalho,
Xavier Darcos, que deverá receber hoje o Presidente do grupo, Didier Lombard. Fato
raríssimo, o ministro pediu, igualmente, ao seu Diretor Geral do Trabalho, Jean-Denis
Combrexelle, que interviesse pessoalmente. Retorno sobre uma epidemia de suicídios num
grupo em mutação permanente.

Quantos suicídios houve na France Télécom?

Vinte e três assalariados ter-se-iam dado a morte desde fevereiro de 2008, sete dos quais
desde 13 de Julho, de acordo com o observatório do estresse instaurado por SUD e CGC-
Unsa. Se continua difícil ligar diretamente tal ato ao ambiente profissional, o fato de ocorrer
sobre o seu lugar de trabalho, e, mais ainda, na presença dos seus colegas, constitui-se em um
índice extremamente forte. O mesmo caso deste técnico da France Télécom de Troyes, que
tentou, quarta-feira, apunhalar-ser na frente de outros empregados. Sobre estes vinte e três
suicídios, nove, pelo menos, parecem ligados ao ambiente de trabalho. Representam, em
média, 5,4 casos por ano para 100.000 empregados da France Télécom, contra 1,6 para
100.000 para o resto da população ativa francesa.

Por que uma tal série?

O suicídio de Stéphanie, sexta-feira, é “bastante sintomático” das razões que podem conduzir
a tal ato nesta operadora (empresa), de acordo com o CGC-Unsa. A jovem mulher,
responsável cobrança-clientes, acabava de viver uma tripla reorganização. Após uma
mudança de filial há três meses (de Courbevoie em Paris), uma mudança de estrutura (de
Orange para France Télécom), tinha acabado de saber de uma reorganização do seu serviço. A
empresa está em reestruturação permanente, há muitos anos. Uma reconfiguração das suas
implantações e dos seus serviços, que se acompanhou de cerca de 70.000 demissões desde
1996. Ora, a empresa é composta, historicamente, de funcionários (públicos antigos) (65%
ainda hoje). Até em 2006, ela consegui fazer partir quase 40.000, graça, principalmente, ao
dispositivo de fim de carreiras para o de mais de 55 anos. Mas, desde então, esta possibilidade
extinguiu-se. O plano “Next”, prevendo a partida de 22.000 pessoas durante três anos (2006-
2008), apoiou-se sobre outros dispositivos (penibilidade, integração à função pública). Mas,
também, há aí um problema, sobre as partidas “voluntárias”, qualificadas, para muitos deles,
“de demissões forçadas”, pelos sindicatos, e que seriam, apenas, a consequência das
reestruturações, realizados às vezes de maneira brutal. “De um dia para outro, anuncia-se aos
assalariados que a sua filial vai fechar, que devem mudar-se 50 ou 100 km, explica Pierre
Morville, delegado CGC-Unsa. Quando são jovens, até acontece, mas quando se tem 50 anos,
uma vida de família, e que as mutações multiplicam-se, é muito duro de viver.” Última
inovação, o programa “I's time to move”, que levou a uma parte das chefias a dever alterar de
local a cada três anos. Ficando, por conta deles próprios, carga de encontrar, internamente, um
novo posto de trabalho. Um programa “de dessocialização humana” para o CGC-Unsa,
“inspirado dos métodos do exército para evitar que os gerentes vinculem-se demasiado à sua
equipe, e oponham-se às reduções de efetivo ou ao fechamento de filiais”. Reorganizações e
desenvolvimento de terceirização contribuiriam para desestabilizar as equipes, empurrando,
ao mesmo tempo, os mais frágeis à atos desesperados.

O que fazem a direção e o governo?

A direção anunciou neste verão a abertura de negociações sobre as condições de trabalho e as


reestruturações locais. Deveria igualmente proceder à contratação de vários médicos do
trabalho e de cem pessoas especialmente dedicadas aos recursos humanos. Também anunciou,
quinta-feira, a suspensão até 31 de outubro, dos casos de mudanças internas.

O governo, do seu lado, incumbiu o Diretor Geral de Trabalho, Jean-Denis Combrexelle, a


encontrar direção e sindicatos. Contatado ontem por Libération, reconheceu “o caráter
excepcional” deste tipo de intervenção, e pediu “uma resposta rápida da direção internamente
(dentro da empresa)”.

Ocorre que a agitação empática do governo não deve trazer ilusão. Porque é o Estado que é
ainda o principal acionista com 26,65% do capital e, sobretudo, o empregador dos 65.000
funcionários que conta ainda a ex-empresa pública.
Economia 15/09/2009 à 21h07

“Iremos modificar nossos hábitos de diálogo”

ENTREVISTA

Didier Lombard, presidente da France Télécom, afirma que a empresa não continuou inerte
desde o início da vaga de suicídios. Mas promete mudanças para parar esta “espiral
dramática”.

Recolhido por Catherine Maussion

Didier Lombard, 26 de maio de 2009, em Paris (© AFP Stephane de Sakutin)

Algumas horas após ter encontrado a Ministro do Trabalho, Didier Lombard, o presidente da
France Télécom, desde fevereiro de 2005, respondeu às nossas perguntas por telefone.

Que se passa na France Télécom neste momento?

Está-se numa espécie de espiral dramática que se engrenou partir dos dramas deste verão.
Certas pessoas, mais frágeis que outras, passaram ao ato, envolvidos por esta espiral. É
necessário pará-lo. Aquilo pôs toda a empresa sob pressão, incluindo eu mesmo. Decidimos
parar no momento as transferências e tudo o que possa ser gerador de emoções, de problemas
familiares. É necessário também estar atento à todas as situações geradoras de estresse,
detectar todas as pessoas em risco. Nos colocamos na tarefa de fazê-lo. Há pessoas nesta
situação que se conhece. Outros não. Escrevemos aos médicos trabalho de modo que nos
alertem, certamente no respeito do segredo médico. Instaurou-se um "número verde" (0800,
ndt.), uma hotline com, na extremidade, psicólogos que não são da France Télécom, para que
os mais reticente se exprimam na empresa. Isso deverá permitir-nos voltar ao normal. É
necessário que tenhamos em conta, também, a moral dos gerentes da casa. Todos ficamos
chocados. É como em um luto. É necessário que se expressem, que soltem suas emoções. Não
se chegará à uma situação de tranquilidade se sentirem-se afrontados, culpabilizados. Justo
agora que tinham superado todos os desafios, a abertura à concorrência, a telefonia celular, a
Internet.
Houve sinais, com o Observatório do estresse, os alertas dos médicos do trabalho, e, no
entanto, você não viu nada?

Mas não ficamos inertes. Com as nossas células de escuta, a nossa comissão sobre o estresse
instaurada a partir de 2000! Se você interrogar os especialistas, eles lhe dirão que o nosso
dispositivo, é prefeita mente comparável ao de outros grandes grupos.

E, no entanto, fracassou!

Os sindicatos têm o seu discurso. Que não corresponde, necessariamente, à realidade. Este
verão, não quis comunicar (os suicídios, ndt.), por medo da espiral. Era evidente que ocorreria
a partir da mediatização dos primeiros casos. Todos os psis (psicólogos, ndt.) vos dirão. Há
um efeito de contágio.

Vai-se gerenciar, no futuro, a France Télécom, diferentemente, do que pela pressão?


Carlos Ghosn, o presidente da Renault, tinha reconhecido que devia alterar de
organização do trabalho, mas não vocês…

Isso não tem nada a ver. Renault não conheceu uma mutação também profunda! Vivemos
uma transformação concorrencial, tecnológica e regulamentar. E disse que embarcaria todos.
Se se quer gerar um volume de atividade suficiente para pagar os vossos colaboradores, como
eles não têm, necessariamente, as formações que tornaram-se indispensáveis, devemos
convencê-los a mexer-se, formá-los e, em um determinado um momento, colocar uma certa
pressão. Teremos que explicar isso melhor. Vamos alterar os nossos hábitos de diálogo e a
maneira como interagimos. Às vezes é doloroso alterar de posto, mas isso pode ser, também,
entusiasmante. Mas se você me disser mim ditos que, no futuro,não se poderá mais mexer-se
na France Télécom, eu não poderei concordar com você!

Nicolas Sarkozy (presidente da França, ndt.) disse que pensava em não lançar a quarta
operadora de telefonia celular. Para você, é uma boa notícia. Isso vai permitir afrouxar
a pressão?

Vamos ver se isso se realiza! No momento ainda se está hipótese. Mas não será apenas a
France Télécom que será impactada.
Economia 15/09/2009 à 13h14

“A France Télécom de Dezembro não será a mesma de hoje”


Didier Lombard, chefe da operadora, que encontrou nesta terça-feira pela manhã Xavier
Darcos, assumiu compromisso com a Ministro do Trabalho, após a epidemia de suicídios que
afeta os assalariados da empresa. Atitude de referência: todas as mutações estão congeladas
até fim de outubro.

PHILIPPE BROCHEN

Didier Lombard, Presidente da France Télécom e Xavier Darcos, ministro do Trabalho, esta
terça-feira 15 setembro, à saída do seu encontro no Ministério do Trabalho. (Reuters)

Parar a hemorragia. E criar “um novo contrato social”. É a prioridade e o compromisso que
deram-se Xavier Darcos, ministro do Trabalho e Didier Lombard, Presidente da France
Télécom. Os dois homens encontraram-se esta manhã no ministério, rua de Grenelle, para
evocar a situação do grupo marcado por uma espiral de suicídios de assalariados, para a qual
os sindicatos põem em causa os métodos de gestão e as reestruturações em excesso. Ontem
ainda, uma empregada da France Télécom tentou pôr termo aos seus dias numa agência Metz
engolindo barbitúricos. Hoje está fora de perigo. A semana passada, um técnico da empresa
tinha cravado uma faca no abdômen durante uma reunião em Troyes, após ter sido estudada a
supressão do seu posto. Tinha confessado que o seu gesto foi “premeditado (...) para
denunciar as condições de trabalho” e exprimir o “saco-cheio”.

“Parar o fenômeno de contágio”

“A morte voluntária de um homem ou de uma mulher é sempre um drama, uma tragédia,


declarou Xavier Darcos, em uma coletiva de imprensa, na saída do seu encontro com Didier
Lombard. E aquilo é, particularmente, quando esta tragédia desenrola-se no local de
trabalho.” Frente a esta espiral de suicídios, “é necessário outra coisa que a compaixão,
afirma o ministro. É necessário tomar decisões, é necessário que France Télécom assuma
(compreenda) o tamanho do problema”. Ao seu lado, no salão de entrada do ministério, o
Presidente da operadora de Telecomunicações declarou, que “há uma urgência: parar o
fenômeno de contágio, a espiral.” Mas, sinal de que é o Estado que investe-se para parar a
tragédia, é Xavier Darcos que anuncia, por primeiro, as medidas tomadas por este encontro.
“É necessário, em primeiro, lugar parar a mobilidade geográfica e profissional para os
assalariados até o 31 de Outubro, anunciou o ministro do Trabalho. É necessário também
instaurar um número de telefone gratuito (no Brasil, 0800, ndt) (...), reforçar os serviços dos
recursos humanos (...), mobilizar o acompanhamento de perto dos assalariados (...) e efetuar
uma passagem nos principais locais de trabalho para mobilizar as chefias, tendo por
referência estas questões.”

“Encontrar uma estratégia duradoura na empresa”

Estas são as medidas de urgência. Sobre o mais longo prazo, Xavier Darcos apelou “a
encontrar uma estratégia duradoura na empresa”, e também a pôr em aplicação “o acordo
sobre o estresse no trabalho assinado em 2008 e que não foi instaurado na France Télécom”.
Outra prioridade apresentada: colocar a tônica sobre “a prevenção do estresse e os riscos
físico-sociais ligados à mobilidade. Isto exige uma gestão previsional do emprego e das
competências. Aquilo oferecerá uma visibilidade aos assalariados e facilitará o seu
acompanhamento. É necessário também uma avaliação precisa da situação dos assalariados,
como faz-se na Renault ou na Alstom”, pediu o ministro. Em outros termos: A France
Télécom deve mostrar-se mais humana com os seus assalariados. E Darcos pediu o
recrutamento “de assistentes sociais e médicos do trabalho”. Porque se a empresa está na “à
ponta do progresso técnico e tem tido mutações tecnológicas e econômicas importantes”,
deve “acompanhar os seus assalariados nestas mutações. Não há progresso tecnológico, sem
progresso social”, golpeia o ministro do Trabalho.

“Cultura administrativa”

Ao seu lados, Didier Lombard ouve, cabeça baixa e braços cruzados, antes de tomar a palavra.
E confirmar “o congelamento das mutações até o 31 de outubro”, “o recrutamento de 10% de
médicos do trabalho a mais” e “o reforço das equipes de recursos humanos da empresa com
uma centena de pessoas”. Explicação do Presidente para explicar esta vaga de suicídios:
“Para pessoas habituadas a uma cultura administrativa, o nosso funcionamento atual cria
um sentimento de instabilidade. Mas o que é novo, é a espiral.” Uma espiral criada, de acordo
com ele, pela “mediatização”. “Eu não controlei esta mediatização que impactou sobre a
moral dos mais frágeis”, avançou Didier Lombard.

Que promete: “No final do ano, deveremos estar prontos para repartir sobre novas bases. A
France Télécom do mês de Dezembro não será a France Télécom de hoje. Devemos
continuar a mover-nos, mas diferentemente. Devemos criar um novo contrato social na
empresa.”
Economia 16/09/2009 à 00h00

Suicídios: como France Télécom ignorou os alertas

A partir de 2007, os sindicatos assinalavam o sofrimento ligado à reorganização permanente


da empresa em cursos de privatização.

Por CATHERINE MAUSSION

O presidente da France Télécom Didier Lombard e o ministro do Trabalho Xavier Darcos,


quando de uma conferência de imprensa, terça-feira 15 de Setembro. (AFP)

Pode-se falar de negação? A palavra é forte. Mas foi necessário um recenseamento doloroso -
23 suicídios em dezenove meses - e uma convocação do ministro do Trabalho, Xavier Darcos,
para que Didier Lombard, o dirigente de France Télécom, se comprometesse “pessoalmente
de modo que cessasse este movimento de espiral infernal”.

Retorno sobre estes sinais que a direção não percebeu.

13 de Dezembro de 2007 os sindicatos SUD-PTT e CFE-CGC publicam a segunda fase de


inquérito do seu Observatório do estresse e das transferências forçadas, criado alguns meses
mais cedo. Os criadores do Observatório apontam o sofrimento nascido das reorganizações
incessantes. Cada respondente - um milhar de assalariados - diz ter ocupado em média 2,17
postos durante os cinco últimos anos com, frequentemente, uma mudança do lugar de
trabalho. Vendo chegar o golpe (a denúncia, ndt), a direção da operadora publicou, na
véspera, seu plano e seus números para lutar contra o estresse. Repete sem fim que o inquérito
sindical não é “nem representativo, nem científico”.

21 de Dezembro de 2007 o Sindicato Nacional dos Profissionais da Saúde no Trabalho


(SNPST) escreveu ao Presidente da France Télécom, lamentando “infrações à deontologia
médica e a independência dos médicos do trabalho” a propósito do sofrimento no trabalho, e
pede ao Presidente “que ele use de toda a sua autoridade de modo a cessar esta distúrbio que,
à prazo, poderia ter consequências deletérias para a saúde dos assalariados de FT”.
11 de Janeiro 2008 Didier Lombard faz visitar Orange Labs, à Châtillon, dedicada à
inovação. Internamente, batiza-o de “Technocentre”. O termo faz referência ao Technocentre
de Renault, à Guyancourt. Lombard não esconde sua veneração por Louis Schweitzer, que
"inventou Guyancourt”, esta fábrica da qual quer copiar a idéia. Salvo que Guyancourt está,
em todos os espíritos, ligada aos suicídios (três em quatro meses no inverno 2006-2007). O
Presidente de Renault, fez-lhe seu mea culpa e afrouxou a pressão sobre as suas equipes.
Lombard está em um outro planeta, todo orgulhoso ao abrir as portas do seu Labs: “Para que
isto ande, é necessário pôr uma pressão do inferno.” E toma a imagem “da máquina de
lavar”, sempre em movimento.

14 de Julho 2009 Suicídio de um técnico em Marselha, grande trabalhador. Deixa uma carta
que põe em causa os métodos da empresa. Os seis sindicatos da France Télécom escrevem à
Lombard, para pedir-lhe uma entrevista com urgência. Insistem na multiplicação de atos -20
suicídios desde fevereiro de 2008. Reeditam o seu pedido de um nego sobre o estresse, em
conformidade com um acordo interprofissional. “Não houve resposta ao nosso pedido”,
informou Pierre Morville (CFE-CGC-Unsa), exatamente antes de meados de agosto, à
Libération. France Télécom pede que tenha paciência até 10 de setembro, data de uma
reunião do Comité nacional do CHSCT. Será necessário um segundo suicídio - um técnico,
dia 11 de agosto, em Besançon, para que os sindicatos consigam. dia 25 de agosto, uma
reunião.

21 de Agosto de 2009 na assessoria do dirigente de FT, tenta-se apagar o incêndio mediático.


Com relação à um dos casos (de suicídio): “toda a hierarquia sabia que ele não estava bem”.
Para o outro caso, diziam: “tinha um problema com a sua namorada”. A propósito de um
sindicalista: “ele instrumentalizou o caso”. Antes de passar uma mensagem aos meios de
comunicação: “mais fala-se, mais dá-se idéias”

7 de Setembro 2009 Início de uma semana horribilis. Dois suicídios - em Lannion e em


Paris, e uma tentativa em Troyes, que os sindicatos correlacionaram aos métodos de gestão.
Mensagem recebida em Lombard. Mas após que ela tenha subido até o cume do Estado.
Economia 16/09/2009 à 10h50

Didier Lombard desculpa-se de ter falado de uma "moda de suicídio”


O presidente da France Télécom tinha utilizado esta fórmula, terça-feira, a propósito dos
assalariados que tentaram se dar a morte nestes últimos meses. Diz ter sido induzido em erro
pelo termo inglês “mood” (humor).

O presidente da France Télécom, Didier Lombard, apresentou suas desculpas esta quarta-
feira, sobre as manifestações que fez na véspera, que evocavam “uma moda de suicídio” na
sua empresa.

“Ontem (terça-feira, ndr), por erro, utilizei a palavra “moda” que era a tradução da palavra
“mood” (humor, anotação) em inglês. Desculpo-me ter feito aquilo”, declarou Didier
Lombard sobre RTL (estação de rádio francesa).

“Havia colocado o foco em: parem esta espiral infernal (do suicídio) na qual estão”,
acrescentou o dirigente da operadora.

Ontem, terça-feira, o presidente da France Télécom tinha-se comprometido a pôr “um ponto
final nesta moda de suicídio que evidentemente choca a todos”, em uma conferência de
imprensa, na sequência do seu encontro com o ministro do Trabalho, Xavier Darcos.

As suas manifestações suscitaram uma viva controvérsia, enquanto que 23 assalariados da


France Télécom suicidaram-se nestes 18 últimos meses.

(Fonte AFP)
Economia 16/09/2009 à 00h00

“Uma paralisia do pensamento instaurou-se”

Entrevista

François, 48 anos, passou dez anos à France Télécom como médico do trabalho

Por LUC PEILLON

A mudança de gestão

“Faço parte destes “velhos” médicos do trabalho, que passaram mais de dez anos na empresa.
Por conseguinte, conheci as suas evoluções sucessivas desde a privatização. Para vários dos
meus colegas e eu mesmo, tudo mudou em 2006. Nesta época, a maior parte dos médicos do
trabalho assinalou manifestações anxiodepressivas severas entre o pessoal. A causa? Uma
evolução brutal da gestão, que terminou por negar inteligência mesmo dos assalariados. A
organização do trabalho resumia-se à ordens indiscutíveis. Se o assalariado propusesse outra
maneira de fazer, se lhe fazia compreender que era um emmerdeur ("enchedor de saco", ndt.),
que o problema, era ele. Ora, o que dá vida a uma organização do trabalho, é precisamente a
confrontação dos pontos de vista, para, em seguida, poder compartilhar, juntos, uma definição
comum do que é “bem trabalhar”. Mas na France Télécom, o debate tornou-se impossível. As
instruções caíam, precedidas da frase: “O presidente disse.” Uma espécie de slogan que fazia
pensar aos piores anos do "maoísmo.”

A repercussão sobre os assalariados

“Todos os profissionais que, desde anos, participaram na construção da rede Télécom, viram
o seu "know-how" negado. Instaurou-se uma paralisia do pensamento, um funcionamento
automático dos serviços. Este sistema duplicou-se (ampliou-se) por uma política do número,
conduzindo à uma invasão de indicadores. No serviço pós-venda, por exemplo, tinham uma
quota a realizar a cada dia. No início, eles faziam de conta que consertavam (um telefone ou
uma linha telefônica). E quando passavam demasiado tempo sobre um verdadeiro conserto,
lhes diziam que eles faziam a empresa perder tempo. A mesma coisa para os técnicos que
chegavam a não mais declarar os problemas que tivessem localizado sobre a rede. Porque aí,
também, se lhe acusava de perder tempo. Eu nunca vi um tal enquadramento do trabalho em
toda a minha carreira. Ora, entre o trabalho prescrito e o trabalho real, há sempre uma
diferença. Se não se deixa este espaço ao assalariado, asfixia-o.”

A demissão de médicos do trabalho

“As nossas propostas para que se debatesse a organização trabalho foram rejeitadas em bloco.
Após, a direção começou nos diabolizar, explicando que víamos depressivos por toda a parte.
Também instituíram células de escuta, compostas de médicos do trabalho e quadros dos
recursos humanos. O que é totalmente antideontologico. Tanto quanto os gerentes passaram a
serem encarregados de localizassem as pessoas “frágeis” e que os orientassem para essas
células. Como querem que um assalariado esteja à vontade perante uma parte da sua direção?
Os assalariados diziam: “Ouvem-nos, mas não nos entendem.” O controle da nossa atividade
tornou-se tão pesada, que terminamos por pensar por que o problema vinha do nosso lado. A
situação então tornou-se insuportável. E, início 2008, com cinco outro dos meus colegas,
finalmente nos demitimos.”

(1) o nome e a idade foram alterados.


Economia 16/09/2009 à 00h00

Uma sociedade obcecada pela mudança


A empresa modificou totalmente estrutura e discursos.

Por CATHERINE MAUSSION

Como contar a mudança considerável colocada em prática na France Télécom, passando, em


vinte anos, de um monopólio confortável à violência da competição em um mundo
globalizado. Teria se podido pensar que a operadora, potente, rentável, ia aliviar o pé (do
acelerador). Ao ver o caminho percorrido, pode-se dizer que ninguém pensou em aliviar.

No alto da hierarquia, ninguém poupa os cumprimentos: “Olha! Em quinze anos, os nossos


assalariados viram a abertura à concorrência, a desregulação, a aposta em Bolsa, a telefonia
móvel, a Internet e a banda larga.” Para encadear: “Não é possível parar as reestruturações”,
como ainda repetiu, recentemente, o DRH, Olivier Barberot.

Os (bons) tempos. Contar a mutação da France Télécom, é olhar para os seus 102.000
assalariados na França, com 48 anos em média. Ingressados recém diplomados ou em
aprendizagem, para fazer uma carreira em um serviço público. Era (bom) o tempo onde a
oferta da operadora cabia sobre uma página de formato A4. Desde 1997 e a sua mudança de
estatuto, a France Télécom não recruta mais funcionários. Isso não impede, ainda pesam 65%
de seus efetivos.

Hoje, para descrever os serviços da operadora, seria necessário um bottin (programa


organizador de endereços utilizado na França, ndt.). Se as palavras contam uma história, o
deslize do vocabulário e os slogans em voga na operadora descrevem, efetivamente, a
mutação em curso. A gestão dos assalariados, a sua avaliação, o controle do seu trabalho
inscrevem-se em novas expressões.

Um assalariado do qual quer-se avaliar o desempenho, não é mais convocado “à uma


entrevista de progressão”, mas “à uma entrevista individual”, nota um sindicalista CFDT de
Lannion. E, desde 2006, o ritmo acelera-se: em vez de um encontro por ano, é um por
semestre.

Outra mudança semântica, não é mais o caso de avaliação mas “auto-avaliação”. O


assalariado é convidado a confessar-se, “a reconhecer, ele mesmo, que não está à altura, a
desvalorizar-se”, descreve a CGT. Uma novidade recusada pelos sindicatos.

Mover-se. Há também este slogan “Time to move” (é tempos de mover-se). Julgado


demasiado duro, está passando de moda. A gestão prefere o termo “de agilidade”, ou o “de
fluidez”. O que dá no mesmo: é necessário mover-se. Sinal da dureza dos tempos: pela
primeira vez neste ano, na divisão inovação, a direção da France Télécom fez uma aplicação
estrita da regra seguinte: nenhum aumento para os dirigentes que permanecem mais de três
anos no mesmo posto. Um quarto das chefias, diz o sindicalista de Lannion, teve direito assim
“à um aumento zero”.
Economia 17/09/2009 à 00h00

A medicina ilegal da France Télécom

por LUC PEILLON

O serviço de medicina do trabalho da France Télécom funciona ilegalmente, afirma o sítio


Internet da revista Saúde e Trabalho (Sante-et-travail.fr). “O serviço médico da empresa
funciona há quatro anos sem a aprovação dos poderes públicos e sem que o ministério tenha
"dado um soco na mesa”, indica a revista especializada nas condições de trabalho. De acordo
com Santé et Travail, os serviços do Ministério do Trabalho tentam orientar a demanda, mas,
de acordo com várias fontes responsáveis pelo dossiê, “a estrutura do projeto proposto pela
operadora seria incompatível com os elementos regulamentares exigidos para uma
autorização, na medida em que a empresa está em perpétua reorganização”. A
responsabilidade incumbiria, igualmente, ao próprio ministério, devido a falta crônica de
médicos inspetores do trabalho, principalmente em Ile-de-France (departamento francês junto
à Paris). A consequência jurídica, entre outros, desta falta de autorização, é que os pareceres
do médico do trabalho, como a aptidão ou inaptidão de um assalariado da empresa, não teria
nenhuma existência legal, afirma o sítio internet da revista. “Imagina-se o imbróglio jurídico
se um assalariado da France Télécom declarado inapto, busca-se contestar este parecer
frente a um tribunal”, conclui Santé et Travail. L. P.
Economia 19/09/2009 à 00h00

France Télécom abre a porta ao diálogo

por CATHERINE MAUSSION

France Télécom dobra, mas não quebra. Ontem, Olivier Barberot, o DRH do grupo, abriu
negociações sobre a aplicação na empresa do acordo interprofissional sobre o estresse no
trabalho. Para os sindicalistas presentes ao redor da mesa, o ambiente mudou. Encontraram
um Barberot “na defensiva” e com “um tom solene”. Reação positiva de Pierre Dubois, o
delegado sindical central da CFDT: “Eles, finalmente, reconheceram, na France Télécom, de
que tinham ido demasiado longe, principalmente, no que se refere às relações gerenciais.”
Que é necessário “refundar o diálogo social”. SUD-PTT elogia a abertura, pela primeira vez,
de um espaço de discussão sobre a organização do trabalho e as regras de transferência, e de
outro, sobre o equilíbrio entre vida privada e vida profissional. Dois temas em forte
repercussão. após os dramas deste verão. Mas a operadora manteve-se inflexível sobre o
congelamento provisório das transferências. Nada de voltar atrás na data limite de 31 de
outubro. “Que, pelo menos, France Télécom suspenda as transferências durante o tempo da
negociação”, defendeu o CGT, associada aos outros sindicatos. C. Ms.
Crônicas

Mídias 21/09/2009 à 00h00

Suicídios nas manchetes

por DANIEL SCHNEIDERMANN

Durante meses, os empregados da France Télécom suicidaram-se em discrição absoluta, e em


uma indiferença geral. A mídia olhava para outro lado. Haviam outros assuntos mais dignos
de interesse! Suicídios nos "ricos" (privilegiados) da France Télécom, que não estavam nem
expostos a serem ameaçados pelo desemprego? Suicídios numa empresa de alta tecnologia,
“um campeão francês”, que fala apenas de redes, livebox, números supervalorizados (de
produtividade), etc.? Mesmo as palavras “operadora histórica”, que lembravam, vagamente, à
poeira, pareciam solicitar o respeito devido à uma sala de museu.

A irrupção do drama no meio deste monumento familiar parecia altamente improvável. A


correlação estatística não era provada. Tentar pesquisar sobre o assunto, era esclarecer um
acontecimento bruto, um deserto estatístico, em uma ausência total sequer de um início de
explicação, um território virgem de interpretações e de comunicação, e uma negação quase
geral. Em alguns dias, os suicídios à France Télécom vão para as manchetes.

E como num banho revelador, o acontecimento, transformado em novela pública, com todos
os ingredientes idôneos, é jogado em todos os sentidos. Repercussões cotidianas: o suicida da
France Télécom junta-se, no alto da escala de importância, a morte pela gripe A; comunicação
frenética do governo: o ministro Darcos convoca o Presidente Didier Lombard para recordá-lo
dos deveres da humanidade, do acompanhamento, e da compaixão; gafes espetaculares e
divertidas: a brilhante Lombard fala de "moda de suicídio”, depois desculpa-se simplesmente,
sem dar-se conta de quanto o lapso trai o ambiente interno da alta direção da empresa.

Em um grande competição “por que aquilo tinha que acontecer”, a empresa, ontem ainda
“campeão nacional”, está, doravante, atacada de todos os lados. Primeiro (majoritariamente)
pela direita. Os mais brilhantes editorialistas expressam suas opiniões sobre o acontecimento.
Christophe Barbier, diretor do l'Express, encontrou o culpado (crônica em LCI): “É culpa do
Estado. O Estado, socialmente, protegeu demasiado os seus bandos, os seus funcionários:
nada de transferências ou de progressão por mérito, a tranquila progressão por antiguidade,
a segurança no emprego, a cultura da função pública à francesa […] que irá conduzir, para
o setor privado, pessoas que não estão preparadas, absolutamente, à uma vida um pouco
mais rude, um pouco mais violenta. O Estado é um criador de cordeiros que os soltaria na
floresta, sem prevení-los de que existem lobos.”

Jacques Attali, sobre seu blog, é mais matizado: “France Télécom torna-se Orange. Uma
empresa pública, cujo pessoal era, por natureza, sedentário, torna-se uma empresa privada,
cujo pessoal é nômade. Na primeira, nada de pressão sobre os preços e uma gestão humana
tradicionalmente gerida com os sindicatos. Na outra, uma pressão obsessiva sobre os custos,
materiais e humanos. Pode, por conseguinte, alguém ser esmagado, se ele deixa-se prender
nos interstícios, entre estas duas lógicas […].”
Felizmente, Attali conhece a solução: “Reconciliá-las. Fazer que a França seja, ao mesmo
tempo, nômade e sedentária […], sem dúvida, este é o maior desafio cultural […], da
próxima década. Possamos escutar os que deixaram a sua vida (suicidaram-se) de modo que
possamos compreendê-los.” Mas a direção é atacada pelo outro lado. Na base, os testemunhos
estarrecedores se multiplicam. O Nouvel Observateur enviou um jornalista, que chegou
exatamente no momento em que “Sébastien” (o nome foi alterado pelo Obs) conseguiu à
tentação do suicídio: “O olhar suave da sua mulher, os sorrisos das suas filhas (em
fotografias). Olha-os e não se lança pela janela do escritório. Ele volta para casa.” E o
jornalista multiplica fórmulas e testemunhos assassinos: “Um bom empregado, na France
Télécom, é um empregado que se vai. […] Os gerentes foram escolhidos por sua obediência.
Fazem-me pensar aos kapos (dos campos de extermínio nazistas, ndt.) cujo único objetivo era
o de jogar fora as pessoas.”

Onde estavam estes mesmos jornalistas, quando os “kapos” infernizavam a vida dos
empregados da agência da esquina? Tudo não é, sem dúvida, da responsabilidade deles. O
caminho do alerta habitual, entre uma empresa e os meios de comunicação, são os sindicatos.
Os quais (pudor? vaga culpabilidade?) são menos propensos a mediatizar os suicídios,
preferindo a luta contra as supressões de postos de trabalho. Não importa: ainda que tenham
mil boas razões de não ter visto mais cedo, a defasagem fala muito sobre a miopia da grande
máquina a informar.
Economia 22/09/2009 à 00h00

France Télécom: o mal estar na civilização do trabalho high-tech


por MARCO DIANI Sociólogo, pesquisador no CNRS
Uma equipe de sociólogos do CNRS3, há vinte e cinco anos, entregava à direção da France
Télécom um importante relatório de pesquisa intitulado: “O futuro das chefias nas Télécoms”.
Era o título oficial, todos sabiam que o verdadeiro tema era: o mal estar das chefias nas
Télécoms. O inquérito tinha durado mais de um ano, centenas de assalariados de todos os
níveis, líderes e sindicalistas, engenheiros da poderosa Direção-Geral das Telecomunicações
(DGT), dirigentes do ministério PTT4 tinham sido entrevistados nos quatro cantos da França.
Os resultados eram eloquentes e não deixavam dúvidas. O mal estar dos trabalhadores das
Télécom era muito profundo. Todos os sintomas que tornaram-se em 2009, já eram visíveis
em 1982. Com efeito, nem a administração do Estado nem os trabalhadores das Télécom
estavam prontos para sofrer as revoluções tecnológicas e gerenciais que se anunciavam, e que,
de maneira quase inegável, se impunham.
Era necessário realizar, às pressas, pelo menos quatro rupturas radicais. Em primeiro lugar,
“desintegrar” o velho ministério dos Correios e Telecomunicações, transformando o poderoso
DGT na France Télécom. Isto iria, por consequência, alterar o estatuto, mas sem eliminar uma
hierarquia fundada sob a dominação engenheiros e dos énarques5, mantendo, ao mesmo
tempo, um estatuto privado. A gestão moderna fazia então a sua irrupção estrondosa no
mundo da função pública, impermeável na época à noção de gestão. A revolução tecnológica
acompanhava-se de uma mudança ainda mais profunda da organização das carreiras e das
condições de trabalho. Como é frequentemente o caso com análises que tocam em pontos
sensíveis, ocorreu o que devia ocorrer: nosso relatório provocou uma reação em cadeia, em
todos os andares da imensa fortaleza das Télécom, desde os mais altos dirigentes até aos
sindicatos. Fomos acusados, nós os pesquisadores, de todos os males e de todas os perversões
morais, ideológicas e científicas. Durante semanas após a entrega do relatório, éramos
esmagados, desmoronando sob as acusações e as ameaças. Participamos em reuniões sob
vaias, com os demandantes da investigação, em face-à-face às vezes dramáticas. Nos
solicitaram de reescrever, e, mesmo, de modificar nossas conclusões.
O que, portanto, tínhamos descoberto de tão perigoso? Mais ou menos os mesmos elementos
inquietantes da atualidade destes últimos meses, com a trágica lista dos 23 suicidados em
alguns meses. Gestão da mudança inadequada por parte da direção das Télécom,
incompreensão grave das consequências sobre a identidade no trabalho provocada pelas
mudanças tecnológicas e organizacionais, tensões enormes sobre a questão dos status e da
mobilidade, tanto geográfica como profissional. Sem esquecer a loucura organizacional de ter
mantido estatutos concorrentes para os assalariados: público para alguns, privado para os
outros. Obviamente, tinha-se observado tudo o que vem junto: estresse no trabalho e em
família, novos tipos de doenças profissionais, suicídios e tentativas de suicídios. Tudo isso
existe, e não somente nas Télécom, mas não é visível, estatisticamente, em nenhum lugar:
drogadição, alcoolismo, violências conjugais e, mesmo, dificuldades sexuais.

3
Centre National de la Recherche Scientifique. Correspondente francês do CNPq brasileiro (ndt.).
4
Postes (correios), Télégraphes et Téléphones. Empresa estatal, extinta no governo (socialista) de
François Miterrand (1981 à 1995), que reunia todas essas atividades (ndt.).
5
Antigo aluno da École Nationale d'Administration ou E.N.A. (ndt.) .
Hoje, parece evidente que, em vinte e cinco anos, a France Télécom consagrou mais atenção
e, sobretudo, mais recursos, à sua estratégia comercial e industrial, que à qualidade de vida no
trabalho do seu pessoal. A título de comparação, a continuação da estratégia Orange, com a
compra da marca e a nova carta gráfica absorveu somas gigantescas, e sem comparação com o
orçamento da pesquisa sobre as evoluções do trabalho e as formas mais ou menos graves de
inadequação entre os processos de trabalho e os assalariados.
Onde estão as grandes iniciativas de pesquisa e de experimentação científica nestes temas,
financiadas ou conduzidas pelas Télécoms? É necessário dizer que, apesar de iniciativas
pontuais elogiáveis, os sindicatos não se distinguiram por um esforço notável neste sentido.
Treme-se quando Olivier Barberot, DRH do grupo, declara que o número de suicídios na
France Télécom não está aumentando, citando dois dados: 28 suicídios em 2000, quer dizer
2,15 para 10.000 assalariados, e 29 em 2002, ou seja, 2,49 para 10.000. Nos dá um "frio na
espinha" pensar que em um quarto de século, tão pouco foi feito para evitar as dezenas ou
mesmo as centenas de suicídios e para (ajudar) a todos os que suportaram as crises de uma
organização do trabalho falha e patogênica, tanto para os indivíduos, como para – o que é
ainda mais grave - para os coletivos de trabalho.
A resposta à esta crise faz-se unicamente em termos de tomar em consideração o estresse ou
as dificuldades pessoais, que se vai tratá-la com mais médicos do trabalho e com pequenas
medidas de assistência e de acompanhamento. Para que serve tudo isso? Evidentemente, as
medidas que vão no sentido de uma redução das dificuldades são bem-vindas, mas é
necessário compreender que as Télécom são o exemplo perfeito do mal estar de uma
civilização do trabalho e da gestão, que parece ignorar uma compreensão moderna e científica
do trabalho, com alta intensidade organizacional e tecnológica. A France Télécom possui 18
centros de pesquisa no mundo, os seus serviços de R&D (Recherche e Developpment –
Pesquisa e Desenvolvimento, ndt.) empregam 5.000 pessoas com um orçamento de 900
milhões de euros em 2008. Seria interessante saber quanto dinheiro é consagrado à
compreensão da complexidade crescente do trabalho e da organização gerencial, na primeira
empresa em tecnologia da França.
Economia 23/09/2009 à 10h40

Um sindicato propõe uma taxa sobre os suicídios em empresa


Evocando a série de suicídios na France Télécom, o CFE-CGC reclama a instauração de uma
tributação muito forte para as empresas confrontadas com suicídios de assalariados
reconhecidos como acidente do trabalho.

O CFE-CGC deseja “uma tributação muito forte” das empresas onde são registrados casos de
suicídios de assalariados reconhecidos como acidentes do trabalho.

“Para além do reconhecimento do estresse como doença profissional, o CFE-CGC reclama a


instauração de uma tributação muito forte para as empresas confrontadas a estes suicídios e
pelos quais há reconhecimento de acidente do trabalho”, declarou terça-feira o presidente da
central dos chefias, Bernard Van Craeynest, quando da sua conferência de imprensa de
reentrada.

Evocando a série de suicídios na France Télécom, “casos exemplar” da passagem “de um


serviço público à uma empresa sob o controle dos mercados, com uma baixa dos efetivos”
onde “é evidente que esqueceu-se completamente o fator humano”, Bernard Van Craeynest
julgou que a suspensão das reestruturações até a fim outubro é “insuficiente” e pediu “ir bem
além”.

Sexta-feira, os sindicatos e a direção da France Télécom decidiram sobre cinco temas de


discussão, no âmbito da negociação sobre o estresse no trabalho, que deverá prosseguir até o
final de 2009, de acordo com os sindicatos. Os sindicatos da France Télécom pedem que o
congelamento das reestruturações esteja “coerente” com o fim da negociação e perdure até ao
fim do ano, e não até 31 de outubro, tal como prometido em final de agosto pela direção.
(Fonte AFP)
Sociedade 23/09/2009 à 00h00

Estudantes em psico: porque partem?


Por PASCAL-HENRI KELLER, Professor de Psicopatologia, Universidade de Poitiers

Nas áreas universitárias de Ciências Humanas, os efetivos de estudantes estaria em baixa,


sobretudo em Psicologia. Consequência de um discurso político que designa estas áreas como
“fábricas de desempregados”? Efeito mecânico do movimento de greve que perturbou as
faculdades durante todo o primeiro semestre 2009? As razões são, evidentemente, mais
complexas. Mas se examinamos unicamente a Psicologia, uma coisa é certa: o desinteresse
aparente do qual sofre esta disciplina, intriga, na medida em que a procura é grande.

Examinemos o público primeiro: o interesse da imprensa “psi” está sempre crescendo e as


obras de "psis” publicam-se a um ritmo desenfreado. Examinemos o legislador: seus esforços
para desenvolver o estatuto psicoterapeuta estão chegando ao fim e, doravante, a
responsabilidade desta formação retornará essencialmente às universidades. Por último, os
profissionais: nunca as instituições sanitárias e sociais recorreram tanto aos psicólogos.

Então, de onde vem o mal estar que instalou-se nesta ciência do espírito que é a psicologia?
Na falta de uma resposta satisfatória à esta pergunta, dispõe-se de alguns elementos de
reflexão sobre o assunto. Dois serão suficientes. Este verão, o ministro da Saúde fez votar a
lei HPST, na qual desapareceu esta frase: “Os estabelecimentos de saúde, públicos e privados,
asseguram os exames de diagnóstico, a vigilância e o tratamento dos pacientes, dos feridos e
as mulheres grávidas levando em conta os aspectos psicológicos do doente”, que estava
inscrito na lei desde 1991. Apesar das diligências das principais associações de psicólogos,
nada ocorreu: o aspecto psicológico das pessoas acolhidas pode, de agora em diante, ser
ignorado pelos estabelecimentos de cuidados de saúde. E, depois, há alguns dias, os meios de
comunicação fizeram suas manchetes sobre o vigésimo terceiro suicídio de empresa na France
Télécom. O sofrimento psíquico no trabalho, estudado há anos pelos cientistas e denunciado
por todos os sindicatos, tornar-se-á uma questão nacional? De forma alguma. Estes suicídios
em série, apresentados como provocado pelo "estresse”, teria ocorrido, sobretudo, devido aos
efeitos de "contágio”. Esta palavra evoca um fenômeno natural, incontrolável. O desejo de
dar-se a morte apanhar-se-ia, em certa medida, como a "febre do feno", ou a gripe H1N1, no
contato com os que já estão doentes. Quanto à vida psíquica do seu pessoal, a France
Télécom, apoiada pelo governo, promete, doravante, tomar cuidado, como tomou cuidado da
sua tecnologia de ponta: “gerenciando-a” melhor (France Info6, 15 de Setembro). Este
desinteresse do poder público em relação às coisas do espírito é, finalmente, tão incômodo
para o cidadão? À primeira vista, não, porque cada um tem a idéia de que deve usar a sua
liberdade de pensar, ao seu modo. Mas, paralelamente, o Estado investe somas colossais em
empresas como NeuroSpin (Saclay), que ele encarrega, oficialmente, de encontrar, dentro do
cérebro, as fontes do pensamento. Fascinado pelo cérebro, tanto quanto imbecil pode sê-lo
pelo dedo do sábio que lhe mostra a lua, o responsável político impõe-nos, dia após dia, a sua
própria fascinação. É assim que, há pouco, cientistas acariciaram a esperança de encontrar no
cérebro alguns crianças, julgado perturbadas e perturbadoras, não apenas a fonte dos seus

6
Rádio francesa.
pensamentos desviantes, mas, igualmente, a das suas futuras conduções antissociais
(Nos enfants sous haute surveillance, Sylviane Giampino et Catherine Vidal, Albin Michel,
2009).

Recusando em conceber a atividade cerebral apenas como uma condição necessária ao


pensamento, numerosos cientistas fazem de conta que acreditam que ela é uma condição
suficiente. Dado que esquecem que o psiquismo não surge ex nihilo, será necessário, mais
cedo ou mais tarde, recordar-lhes que, para pensar, assim como para gostar, é necessário ser
dois. Possam, quando chegar esse dia, os psicólogos serem suficiente numerosos para
contribuir nessa discussão.
Sociedade 25/09/2009 à 10h32

Questionários sobre o estresse no trabalho na France Télécom


Agitada por uma série de suicídios entre os seus assalariados, o grupo tinha prometido, em
fim de agosto, abrir uma negociação sobre o estresse no trabalho.

France Télécom proporá até final de outubro à todos os assalariados um questionário sobre o
estresse de trabalho, que será elaborado por um Comitê paritário e o gabinete Technologia
(empresa de pesquisa), escolhido pela maioria de sindicatos do grupo.

Após uma série de suicídios entre os seus assalariados, a France Télécom tinha-se
comprometido, 26 de agosto, a abrir, rapidamente, uma negociação sobre o estresse de
trabalho - cuja segunda sessão teve lugar quinta-feira. O gabinete Technologia trabalhará
sobre três vertentes: a definição do questionário com o Comitê, entrevistas, em face-à-face, de
uma amostra representativa de assalariados e “a análise sob um ângulo médico dos suicídios
dos últimos meses”, de acordo com uma ata da reunião obtida pela AFP.

Testes semelhantes aos do Technocentre de Renault

O Gabinete tinha aplicado o mesmo método ao Technocentre de Renault-Guyancourt


(Yvelines), quando o construtor de automóveis tinha-o escolhido, igualmente após uma série
de suicídios. Technologia tinha entregue à Renault e os sindicatos o seu relatório em 20 de
dezembro de 2008.

CFDT, FO, CFTC e CGC que representam um pouco mais da metade dos trabalhadores na
France Télécom, escolheram Technologia entre os três gabinetes propostos pela direção,
enquanto que SUD e a CGT, propunham Secafi-Alpha.

“Nunca tínhamos podido até agora ter os estudos realizados por France Télécom. Esta vez,
os assalariados poderão ter a possibilidade de exprimir-se realmente”, ainda que “as formas
de trabalhar ainda não estejam estabelecidas, haverá dois encontros na semana próxima”,
indicou à AFP Pierre Dubois, delegado sindical CFDT.

“Não deve, sobretudo, que este questionário malogre, devido as pessoas terem medo de se
exprimir livremente, por razões de confidencialidade”, sublinhou Sandrine Roy, delegada
sindical FO.

A negociação com os sindicatos da France Télécom sobre o estresse no trabalho prosseguir-


se-á na semana próxima. Cinco grupos de trabalho atacarão os temas identificados: a
organização do trabalho, as condições de trabalho, a mobilidade, o equilíbrio vida privada-
vida profissional e o funcionamento das instituições representativas do pessoal.

(Fonte AFP)
Economia 29/09/2009 à 18h20

France Télécom: sindicatos vão apresentar queixa contra X7


Após o 24º suicídio em 18 meses, a CFE-CGC-Unsa e a FO decidiram lançar uma ação jurídica por
“colocação em perigo da vida de outro” e “não assistência à pessoa em sofrimento no trabalho”.

Sindicatos da France Télécom decidiram apresentar queixa contra X por colocação em perigo da vida
de outro, na sequência do suicídio, segunda-feira, de um assalariado da empresa, que trabalhava em
Annecy-le-Vieux (Haute-Savoie), soube-se junto à CFE-CGC-Unsa e FO.

“Tomamos a decisão de lançar uma ação jurídica contra X, invocando a falta inescusável do
empregador, por colocar em perigo assalariados no trabalho”, declarou um eleito da CE (Comitê da
Empresa, ndt.) e delegado CFE-CGC para a direção territorial da France Télécom centroeste, Jaime
Alonso.

Este apresentação de queixa, que poderá ocorrer “nos próximos dias” em Lyon, será acompanhado de
uma outra ação por “falta inescusável por não assistência à pessoa em sofrimento ao trabalho, sendo
as provas, os relatórios dos médicos do trabalho, os alertas ao CHSCT”, sobre a degradação das
condições de trabalho, precisou um delegado sindical FO, Jacques Guichou.

Esta apresentação de queixa foi discutida com as outras organizações sindicais, CFDT e o CGT, que
buscam um acerto, atualmente, sobre a oportunidade de juntar-se à ação. Após o suicídio do
assalariado de Annecy-le-Vieux, segunda-feira, o 24º na France Télécom em 18 meses, o Presidente
Didier Lombard anunciou que a empresa colocava um fim “a nível nacional ao princípio de
mobilidade sistemático das chefias a cada três anos”.

(Fonte AFP)

7
Trata-se de uma denúncia onde não se sabe precisamente quem é o réu. É um instrumento do sistema
judiciário francês. Não sei se existe algo semelhante no Brasil.
Economia 29/09/2009 à 13h26 (atualização à 17h00)

France Télécom: a esquerda reclama a demissão de Lombard


Os deputados do PS e do PCF demandam a instauração de uma missão parlamentar, no dia seguinte de
um 24º suicídio na empresa. À direita, critica-se também os seus métodos de gestão.

Libération.fr/

PRESIDENTE da France Télécom, Didier Lombard, 4 de Março. (Charles Platiau/Reuters)

Após o 24º suicídio de um assalariado da France Télécom, segunda-feira, Didier Lombard pode ainda
conservar a sua posição de número um? Os deputados do PCF e o porta-voz do PS pediram, nesta
terça-feira, a demissão do Presidente, “única saída possível, rapidamente, para este caso”, de acordo
com Benoît Hamon.

É uma questão “de responsabilidade social”, considera o socialista. “Não digo que a situação seja da
sua responsabilidade pessoal mas, a um momento dado, é necessário também tomar para si, em uma
empresa cuja organização é tal que os sindicatos dizem que ficou insuportável trabalhar”, prossegue
Hamon, apenas convencido “pela comunicação à boa conta” do Presidente. “O assunto mais
importante é evidentemente colocar sobre a mesa a organização do trabalho na France Télécom e
que os sindicatos sejam novamente envolvidos na sua aplicação.”

Os deputados do PS chamam também à instauração de uma missão de informação parlamentar sobre a


saúde ao trabalho. Os seus colegas comunistas defendem, eles, uma comissão de inquérito
parlamentar, reclamando que a comissão dos Assuntos Sociais da Assembléia “seja envolvida com
urgência no caso”.

Reclamam igualmente a demissão de Lombard. “Estes dirigentes que chegam até a falar em “moda de
suicídio”, tem uma pesada parte de responsabilidade no sofrimento ao trabalho, fonte de tais dramas”,
acusou o porta-voz, Roland Muzeau: “A gestão à "golpes" de avaliação individual, de objetivos
inatingíveis, de mobilidade forçada, aí está o que deve ser colocado em questão.” Mas o deputado de
Hauts-de-Seine aponta, também, o papel do Estado que, “retirou-se da empresa para passar a deter
apenas 23% do capital, [...] contribuiu largamente para estes dramas humanos”.
“A busca desenfreada da eficácia mata a eficácia”

Mesmo que não fale de demissão, a direita começa também a aumentar o tom. “Não se pode ter este
reflexo sistemático de começar por dizer que cortando uma cabeça, se resolverá o problema de uma
empresa. Penso que a questão não é essa”, começou dizendo o chefe da bancada dos deputados UMP,
Jean-François Copé, na sequência da reunião do grupo UMP na Assembléia Nacional, acrescentando:
“Não é minha profissão demitir as pessoas.” Mas Copé, em seguida, sublinhou que “as regras
internas”, à France Télécom, “são, à primeira vista, muito perturbadoras”.

O Vice-Presidente do grupo UMP, Jean Leonetti concordou defendendo uma gestão mais “flexível
para ser eficaz”: “A busca desenfreada da eficácia, mata a eficácia. Hoje não se pode mais gerenciar
as pessoas, fazendo regras iguais para todos. Se o humano for quebrado, produz-se menos e produz-
se pior.”

O presidente (UMP) da Assembléia Nacional, Bernard Accoyer, considerou, terça-feira, que “a


questão sobre (a necessidade de uma) gestão humana coloca-se nesta empresa”. O prefeito de
Annecy-le-Vieux (Haut-Savoie), onde produziu-se o 24º suicídio na France Télécom em 18 meses,
Accoyer, recusa-se “interferir nesta empresa” mas julga “necessário” empreender “um trabalho
extremamente urgente e profundo de avaliação e questionamento de diversas situações”.
Economia 29/09/2009 à 07h22

France Télécom põe um fim ao “princípio de mobilidade das chefias”


Um assalariado da empresa colocou fim aos seus dias ontem, segunda-feira. O 24º em 18 meses.

Didier Lombard, Presidente da France Télécom. (Reuters)

O Presidente da France Télécom Didier Lombard anunciou segunda-feira, em Annecy, que a


operadora telefônica punha fim “a nível nacional, no princípio de mobilidade das chefias, sistemático
todos os 3 anos”, após o suicídio, neste dia, do 24º assalariado da empresa em 18 meses.

Em uma conferência de imprensa, ao sair de uma reunião com os representantes sindicais na empresa
em Annecy, onde trabalhava o assalariado que se tinha suicidado nesta mesma manhã, o Presidente
anunciou, igualmente, a sua decisão “de suspender imediatamente os objetivos individuais, para que
haja tempo de melhorar as condições materiais”, e "assegurou que o conjunto das propostas dos
delegados dos pessoais” de Annecy será levado em conta, quando das negociações nacionais sobre o
estresse no trabalho.

“Há muito trabalho a fazer para melhorar o método pelo qual obtemos os nossos objetivos. Não é
normal que o humano não tenha sido prioridade das nossas preocupações", considerou, igualmente,
Lombard.

Interrogado sobre a pressão sofrida, de acordo com os sindicatos, pelos assalariados na empresa, o
Presidente respondeu: “A pressão corresponde ao que é induzido pelo situação da concorrência, mas
há meios para fazer reduzir a pressão, em ser mais humano na aplicação das coisas”.

O Presidente da France Télécom deslocou-se, no final da tarde de segunda-feira, em companhia do


diretor dos recursos humanos da France Télécom, Olivier Barberet, e do Diretor Geral Associado,
Louis-Pierre Vienes, sobre na filial de Annecy, em um ambiente tenso, tendo sido vaiado na sua
chegada, na presença de uma centena de assalariados, com qual teve uma discussão muito intensa
durante quase três quartos de hora, de acordo com um jornalista da AFP. (Fonte AFP)
Economia 30/09/2009 à la 00h00

Didier Lombard, uma posição insustentável


France Télécom. A demissão do Presidente, ouvido em uma audição no Senado, após o último
suicídio, é cada vez mais evocada.

Por CATHERINE MAUSSION

“Sr. Lombard, pretende demitir-se?” À esta pergunta feita por Yannick Bodin, senador (PS), o
presidente da France Télécom respondeu por um longo silêncio. Antes de declarar, quando da audição
realizada ontem na Comissão dos Assuntos Sociais do Senado, que “pensava poder ser ainda útil em
[seu] posto”. Por quanto tempo? No dia seguinte do 24º suicídio (em dezenove meses), ocorrido na
segunda-feira em Annecy, a pergunta sobre a sucessão de Didier Lombard agita em todos os níveis.

Exemplo, este ministro que "soltava", ontem, à Libération: “Lombard, é um corajoso tipo, mas está
completamente ultrapassado (desgastado). Não tomou consciência do que se passava.” Aí está a parte
simples do julgamento. O que se espera para agradecê-lo (demití-lo, ndt.)? A questão não é simples.
“Certamente, coloca-se essa questão, prossegue o ministro. Porém, prefeririam "agir a frio”, E
acrescenta, um pouco cínico: “Porque, se os suicídios continuarem, após ter-lo "desembarcado",
vamos nos encontrar em uma situação muito ruim”.

Sobre o terreno (na empresa), à Annecy, as medidas que Didier Lombard vem de trazer, ontem, às
equipes sob o choque foram compreendidas como chamadas à demissão. “Imagina, disse-nos que ia se
cessar de fixar objetivos individuais. Mas isso é apenas para o público!” diz-se em Sud. Em Grenoble,
Lyon, Bordeaux, Montpellier… Sud, a CGC-Unsa ou a CGT reuniram pequenos batalhões de
assalariados em cólera sob as janelas das direções locais. Hoje, às 15 horas, Didier Lombard recebe
em Paris, como previsto, os responsáveis sindicais nacionais na operadora, para fazer um balanço das
negociações. A demissão vai convidar-se à pauta? Em Sud, a organização vingativa, Pierre
Ackermann pesa com precaução suas palavras: “Coloca-se certamente a questão da crise de
legitimidade da direção.”

Do seu lado, a CFDT, sindicato majoritário nas chefias, acaba de dirigir uma violenta carta à Louis-
Pierre Wenes, o número 2 da France Télécom, em função de propósitos que ela (CFDT) julga
injuriosa, feitos ao Nouvel Observatéur (revista semanal francesa), e lhe pede para “submeter-se ou
demitir-se”: “As chefias são de uma lealdade legendária em relação à direção. Mas lá, o sistema de
gestão falhou gravemente”, disse Jacques Faurit, delegado CFDT. Ontem, Stéphane Richard, chamado
a suceder Didier Lombard em 2011, jurava a sua total lealdade ao presidente pressionado. Mas é um
segredo de polichinelo que ele está em starting-blocks8.

8
starting-blocks é o bloco de apoio no chão, que é usado pelos corredores para dar o impulso inicial
em uma corrida.
Economia 01/10/2009 à 10h53

France Télécom: Lagarde renova a sua “inteira confiança” em Lombard


A Ministra da Economia recebeu nesta quinta-feira, à Bercy9, o Presidente de France
Télécom, do qual uma parte da esquerda reclama a sua demissão, após uma longa série de
suicídios na sua empresa.

Em 4 de Março de 2009. (Reuters)

A Ministro da Economia, Christine Lagarde, renovou nesta quinta-feira “sua completa e


inteira confiança” ao Presidente da France Télécom. Didier Lombard.

Convocado pela ministro, enquanto que está na mira dos sindicatos e da esquerda que pediu a
sua demissão, após o 24º suicídiode de um empregado do grupo em 18 meses, o Presidente foi
recebido durante 1h15 à Bercy.

Na véspera, o Ministro do Trabalho, Xavier Darcos, já tinha prestado apoio ao Presidente da


France Télécom.

As organizações sindicais chamaram também a paradas no trabalho, quinta-feira, às 15 horas,


no momento em que deverá ser enterrado o assalariado que se jogou de uma ponte, segunda-
feira, na Haute-Savoie.

“Novo contrato social”

Christine Lagarde, cujo antigo chefe de gabinete Stéphane Richard foi designado em maio
para tomar as rédeas do grupo em 2011, sublinhou que “o desafio era o de uma mobilização
total da empresa” ao redor do plano de ação para melhorar o clima social na empresa, que
detalhou-lhe Didier Lombard.

9
Bercy é uma referência ao Ministère de l'Économie, des Finances et de l'Industrie (Ministério da Economia
das Finanças e da Indústria), que se localiza no Quais de Bercy (Cais de Bercy), à beira do Sena, em Paris.
De acordo com o ministério, o presidente da France Télécom informou o ministro das
medidas tomadas pela empresa e apresentadas na véspera aos sindicatos, para “intensificar o
dispositivo instaurado para prevenir novos suicídios”.

Este dispositivo prevê uma equipe de acolhimento telefônica e uma equipa reforçada de
psicólogos a disposição dos assalariados, a elaboração de “um novo contrato social” na
empresa e o acompanhamento “psicológico e material” das famílias “atingidas pelos dramas
destes últimos meses”, acrescentou Bercy.

Negociações sobre o estresse

“Em estreita colaboração com as organizações sindicais e as instâncias representativas do


pessoal, o conjunto do grupo participará à definição coletiva da nova France Télécom”,
precisou o comunicado. À saída da reunião com os sindicatos, quarta-feira, a direção tinha
anunciado um balanço de etapa antes de 31 de outubro, “antes de qualquer retomada” das
transferências e mutações, que foram congeladas até esta data. Os sindicatos pedem, uma
moratória até ao fim das negociações sobre o estresse, que devem terminar no fim do ano.

Em meados de setembro, após o 23º suicídio por defenestração de uma empregada de 32 anos,
Didier Lombard já tinha sido convocado pelo ministro do Trabalho Xavier Darcos, que tinha-
lhe pedido medidas para pôr termo à "série negra" (de suicídios). A Associação para a defesa
da poupança e das aplicações acção dos assalariados da France Télécom (Adeas), por seu
lado, manifestou o desejo, quinta-feira, de “um capitalismo com uma face humana” no grupo,
com “gestos fortes”, como a baixa do nível dos dividendos ou a suspensão da distribuição de
stocks-opção. (Fonte AFP).

Ministra da Economia, Christine Lagarde


Economia 02/10/2009 à 00h00

France Télécom: Didier Lombard ainda tem a confiança de Bercy


A esquerda reclama a sua cabeça? O governo propõe-se a mantê-lo na presidência da France
Télécom. Fragilizado por 24 suicídios em dezoito meses na sua empresa, que multiplicou as
reestruturações, Didier Lombard foi garantido na sua posição, ontem, por Christine Lagarde.
A Ministra das Finanças renova-lhe assim “sua completa e inteira confiança”, após um
encontro em Bercy. Os sindicatos, que pedem a suspensão completa das reestruturações, até o
término das suas negociações com o grupo de Télécoms, não se desarma. E lançaram uma
chamada à greve para os 6 e 7 de outubro.

Reuters
Economia 05/10/2009 à 00h00

Suicídios na France Télécom: Xavier Bertrand reescreve a história

por CÉDRIC MATHIOT, CATHERINE MAUSSION

“Vi representantes sindicais que diziam-me: não vimos as coisas acontecerem, e sentem-se
responsável. Devem demitir-se de seu mandato?”

Xavier Bertrand 29 de setembro, em France Inter10

INTOX Didier Lombard, presidente da France Télécom, é responsável pela vaga de suicídios
que golpeou a empresa? Ele deve ser demitido? A esquerda o demanda. A maioria
(parlamentar, ndt.) se opõe. Entrevistado por France Inter, em 29 de setembro, Xavier
Bertrand, presidente do UMP11, tomava a defesa do presidente da ex-empresa pública,
avançando um argumento: os próprios sindicatos não viram o que estava acontecendo. “Pensa
que para os sindicatos, era fácil, no interior da empresa, sentir esta vaga de suicídios? Vi
responsáveis sindicais que estavam no mesmo local de trabalho que os assalariados e que
diziam-me: não vimos as coisas virem, e sentem-se responsáveis. Devem, também, demitir-se
de seu mandato?”

DESINTOX Assim, os sindicatos da operadora telefônica não teriam sentido as coisas


acontecerem e, sugere Bertrand, fazendo falar os sindicalistas, sentir-se-iam responsáveis no
mesmo nível que a direção. Curiosa maneira de diluir as responsabilidades, ao preço de uma
nova redação muito livre da história.

Porque, como Libération recordava-o em 16 de setembro, a pergunta sobre o estresse no


trabalho e a do recrudescimento dos suicídios, desde o início, esteve no centro das
preocupações dos sindicatos. E estes tiveram muita dificuldade para sensibilizar a direção (da
empresa, ndt.) sobre o assunto. Na primavera de 2007, a CFE-CGC e a SUD-PTT lançaram
um Observatório nacional do estresse e das transferências forçadas, a fim de apoiar e informar
os assalariados do grupo, privatizado desde 2004, e sob o choque de um plano de
reestruturação. Um questionário foi distribuído, a partir de 20 de junho, a fim de recolher os
testemunhos. Mais de 3.000 assalariados responderam: 66% diziam-se “em situação de
estresse”, 15% declararam-se “em perigo”. Em dezembro de 2007, os sindicatos tornam
pública a segunda fase de inquérito do Observatório, e apontaram, de novo, o sofrimento
produzido pelas reorganizações incessantes. Cada respondente dizia ter ocupado, em média,
2,17 postos sobre os cinco últimos anos com, frequentemente, uma mudança de lugar de
trabalho. Sentindo o problema aproximar-se, a direção da operadora publicou, na véspera, o

10
Estação de rádio.
11
UMP: Union pour un Mouvement Populaire. Partido da direita francesa.
seu plano e os seus próprios números, para lutar contra o estresse. Repetiu que a pesquisa
sindical não era “nem representativa, nem científica”. Com duas semanas de atraso, o
Sindicato Nacional dos Profissionais da Saúde no Trabalho (SNPST) escreveu ao Presidente
da France Télécom e denunciou “infrações à deontologia médica e à independência dos
médicos do trabalho”, a propósito do sofrimento no trabalho, e pediu ao Presidente “que
usasse de sua autoridade de modo que cessasse esta perturbação que, à longo prazo, poderia
ter consequências deletérias para a saúde dos assalariados”. Com um ano e meio de atraso, em
14 de julho de 2009, um técnico de Marselha pôs termo aos seus dias e deixou uma carta em
que responsabilizava os métodos da empresa. Era o vigésimo suicídio desde fevereiro de
2008. Em 4 de agosto, os seis sindicatos da France Télécom escrevem à Didier Lombard: “Há
meses as organizações sindicais lhe pedem para abordar o assunto dos riscos psicossociais e o
risco de suicídio.” Os sindicatos refizeram seu pedido de uma negociação sobre o estresse.
France Télécom pediu-lhes de ter paciência até o dia 10 de setembro. Será necessário um
novo suicídio - um técnico, em 11 de agosto, em Besançon – para permitir que os sindicatos
consigam, finalmente, uma reunião, em 25 de agosto. Dois anos de mobilização que terão
escapado, sem dúvida, à Xavier Bertrand.
Economia 05/10/2009 à 08h34

France Télécom muda de número dois

Stéphane Richard foi designada para substituir Louis-Pierre Wenes no posto de Diretor Geral
associado encarregado das operações na França.

Stéphane Richard, 7 de maio de 2009 em Paris (© AFP Franck Fife)

France Télécom anunciou, nesta segunda-feira, a substituição de Louis-Pierre Wenes, número


dois do grupo, por Stéphane Richard, designado há alguns meses para suceder ao Presidente
do grupo Didier Lombard, em 2011.

Stéphane Richard foi nomeado o Diretor Geral associado responsável das operações na
França a contar deste dia, indicou a operadora, em seu comunicado.

Este antigo diretor de gabinete da Ministra da Economia, Christine Lagarde, que foi
designada, em maio passado, como próximo Presidente da operadora, chegou em 1º de
setembro à France Télécom.

“Louis-Pierre Wenes, atual Diretor Geral associado responsável das operações na França
pediu a Didier Lombard que desonerá-lo das suas responsabilidades, com o que Didier
Lombard concordou”, explicou o grupo.

Chegado em dezembro de 2002 como diretor das compras e da melhoria do desempenho,


Louis-Pierre Wenes, 60 anos, supervisionou, à partir de setembro de 2005, a implantação do
plano “Next”, para modernizar a operadora, antes de ser encarregado, em 2006, das operações
na França e da transformação do grupo. Desde fevereiro, é também Diretor Geral associado.
Didier Lombard e Louis-Pierre Wenes, responsáveis pelo desendividamento e pela mudança
comercial da operadora, estão sob o fogo das críticas, com a vaga de suicídios (24 em 18
meses) que toca os seus assalariados. (Fonte AFP)
Economia 06/10/2009 à 00h00

Queima-se um fusível na France Télécom

suicídios. O número 2 “demitiu-se” ontem.

Por CATHERINE MAUSSION

Quais provas “de boa vontade”, a direção da France Télécom deve dar? Ontem, a demissão de
Louis-Pierre Wenes, o número 2, aceito pela direção, foi recebido “como um sinal de
apaziguamento, de acordo com Pierre Morville do CFE-CGC/Unsa. Mas isso vai ser
suficiente”?

Louis-Pierre Wenes, “a eminência parda de Lombard”, diz Sul-PTT, “o executor do plano


Next (22.000 partidas)”, nota a CGT, denominado ainda “o cortador de custos”, tinha-se
ilustrado, quando de sua chegada em 2002, pela sua ferocidade em negociar as compras -, e,
por, conseguinte, jogou o seu papel de fusível. Com exatamente, 60 anos, o número 2 vai
“alegar os seu direito à aposentadoria”, de acordo com os termos da sua carta de demissão.
“Para quando a vez de Lombard, de 68 anos? ”, interroga-se um sindicalista.

Besteira. A maior satisfação encontra-se no lado da CFDT, primeiro sindicato nas chefias na
France Télécom. “Era insuportável manter Wenes”, explica Pierre Dubois, sobretudo, diz,
após a sua “última besteira”. Palavras infelizes em resposta à uma diretora de unidade,
quando se encontraram, no último fim de semana, na Internet. “Que devo responder aos meus
clientes que cancelam as suas assinaturas, na sequência desses acontecimentos”. Resposta de
Wenes: “Você tem apenas que dizer que não haverá mais suicídios pela frente.” O sindicato
releva que a lealdade da estrutura se manteve, dado que o número 2 acabou “preso em uma
armadilha por um chefe superior que registro toda a reunião”.

Outro golpe forte, desta vez contra Lombard, sob a forma de uma vídeo intitulado “a pesca
aos mexilhões” revelada por Mediapart12. Se vê Didier Lombard "elegantemente", convidar
suas equipes de pesquisa em Lannion (Côtes-d’Armor), a adaptar-se à realidade: “Os que
pensam que vão poder continuar (tranquilos) no seu caminho, enganam-se! […] Porque os
que pensam que a pesca aos mexilhões, é maravilhoso, bem, acabou.” Atrás de Lombard, um
diapositivo-clichê de férias na bretanha (onde há grandes criadouros de mexilhões, ndt.).
“Neste caso ele não pode dizer que foi um lapso. O seu discurso estava escrito”, denuncia um

12
"Pesca aos mexilhões" (pêche aux moules), trata-se de uma expressão pejorativa francesa, para se referir a
uma pessoa considerada "preguiçosa", que se diz que está "pescando mexilhões", isto é, está passeando pela
beira mar à cata de mexilhões, com todo o tempo do mundo. Esse vídeo pode ser visto em:
http://www.mediapart.fr/journal/economie/021009/didier-lombard-aux-salaries-d-orange-la-peche-aux-
moules-c-est-fini.
chefe superior. Estes ataques contra o presidente mostram a amplitude da crise de confiança
contra a alta direção da empresa. Ontem, a France Télécom não se satisfez de agradecer
Wenes, operou uma reforma sobre um ponto essencial reclamado pelos seis sindicatos: o
adiamento do congelamento das transferências, de 29 de outubro, para o fim do ano.

Estresse. Esta manhã, ocorre a primeira reunião plenária sobre os locais identificados quando
da abertura da negociação sobre o estresse, em meados de setembro. À mesa, lado direção,
Olivier Barberot, o DRH. Stéphane Richard, nomeado ontem o Diretor Geral Associado
responsável das operações na França, no lugar de Louis-Pierre Wenes, não deverá assistir a
reunião. “Vai fazer como Wenes?” interroga-se Pierre Dubois, do CFDT: “Em sete anos,
Wenes nunca dignou-se a encontrar-nos.”
Economia 06/10/2009 à 16h39

Greve e manifestação na France Télécom

Uma reunião sobre o estresse no trabalho desenrolou-se em Paris, nesta terça-feira, na


sequência dos suicídios na empresa.

250 assalariados da France Télécom manifestam na frente da sua sede social.

Liberation.fr/

Esta terça-feira, na frente da sede social da France Télécom em Paris (XVº). (AFP)

“Um emprego suprimido todas as horas, parem o massacre!” “Respeito do código do


trabalho francês, aqui não é a Índia!” São alguns dos slogans dos 250 assalariados da France
Télécom, que se agrupavam, nesta terça-feira, na frente da sede do grupo em Paris (XVº),
onde celebrava-se uma reunião de negociação sobre o estresse no trabalho, na sequência da
vaga de suicídios que tocou a empresa estes últimos meses.

Reunidos inicialmente na frente de outras sedes da France Télécom na proximidade, os


assalariados desfilaram até sede social da empresa, aos gritos de "Resistência” e de
“assalariados em cólera, não vamos nos deixar levar”.

Os sindicatos, que chamaram os assalariados à greve nesta terça-feira e amanhã quarta-feira,


em toda a França, entraram às 14 horas em negociação com o Presidente do grupo, Didier
Lombard, e do seu novo número 2, Stéphane Richard, que substitui Louis-Pierre Wenes, após
a demissão deste último, ontem, segunda-feira.

15% dos assalariados estavam greve nesta terça-feira de manhã, de acordo com a direção.
Eram entre 30 à 40% de acordo com Sud-PTT.
Antes da reunião, os sindicatos expressaram a esperança de que a direção anuncie “medidas
de urgência”, como “um volume de criações de empregos” e “a suspensão dos instrumentos
de medidas do desempenho e da vigilância”, indicou Christian Mathorel (CGT).

“Os teleoperadores, os técnicos, todos são expostos, diariamente, à instrumentos informáticos


de medida de desempenho, como as escutas, que se aparentam ao policiamento, denunciou
Patrick Ackermann (Sud-PTT). É necessário parar estes instrumentos, seria uma medida que
apareceria como uma medida de apaziguamento”, exigiu o sindicalista, que pede também
“5.000 contratações, porque há uma crise nos serviços”.

“Gostaria de que a pergunta dos objetivos individualizados seja revogada, declarou Sandrine
Leroy (FO). Falar de emprego seria também um grande progresso, porque, no momento, é
um assunto tabu.”

Para Pierre Dubois (CFDT), entre as primeiras medidas de urgência, é necessário contratações
de CDD13, de modo que os assalariados possam ter as suas férias de Natal, “o congelamento
do fechamento das filiais” e que a parte variável dos gerentes deixe de ser ligada às
mobilidades, mas para a “melhoria das condições de vida dos assalariados”.

13
CDD: Contrat Durée Déterminée. Contrato com duração determinada, isto é, contrato temporário.
Economia 06/10/2009 à 18h10

Na France Télécom, o “pior, é a postura policialesca, a infantilização”

Eles estão repugnados, cansados, feridos… 250 assalariados da operadora manifestaram na


frente da sede da empresa em Paris. Cinco entre eles confirmam o mal estar ambiente.

Recolhido por PHILIPPE BROCHEN

Esta terça-feira, em Paris, na frente da sede social da France Télécom. (AFP)

Cerca de 250 assalariados da France Télécom em greve reuniram-se na frente da sede social
da sua empresa, esta terça-feira, em Paris, para protestar contra as suas condições no trabalho,
principalmente,com relação ao estresse. 24 assalariados da operadora deram-se a morte estes
últimos meses. Liberation.fr encontrou cinco destes empregados da France Télécom que
aceitaram testemunhar das suas dificuldades no cotidiano, em seu lugar de trabalho. E das
mudanças na sua empresa e de como as viveram nestes últimos anos.

Patrick, 50 anos, funcionário, na France Télécom há trinta anos

“Entrei na época do PTT. Atualmente, a única coisa que nos demandam é de produzir, fazer a
grana. Só a rentabilidade interessa… O congelamento da mobilidade prometida pela direção?
Vai durar três meses, e tudo vai recomeçar como antes. Não tenho nenhuma confiança em
Stéphane Richard (novo número 2 da France Télécom, recém nomeado), tendo em conta o seu
percurso. O que querem, é que o máximo de nós deixe a empresa. Tenho colegas de 55 anos à
quem propôs-se demitir, para criar a sua empresa… É necessário parar de gozar da cara das
pessoas…”
Mélanie, 33 anos, contratada em CDI14, na France Télécom há doze anos

“Eu não sou funcionária, por conseguinte, quer dizer que sou remunerada à partir de uma
grade salarial diferente. A promoção por cada cabeça de cliente, eu conheço… Pior, é o
infantilização das pessoas. O meu chefe de equipe se fantasia de tempos em tempos; às vezes,
todos devem ter uma T-shirt da mesma cor, para afirmar a nossa coesão! Em cada local
comercial, uma pessoa responsável por nos policiar permanentemente. A partir de seu posto
de trabalho, ele pode saber se se está em linha com um cliente, ocupado em fazer a gestão dos
processos sobre nosso computador ou em pausa.”

Christine, 50 anos, funcionário, na France Télécom há trinta anos

“A média de idade dos assalariados da empresa é de 47 anos. Desde logo, há um problema de


cultura entre nós que entramos na France Télécom para fazer serviço público e que nos
demandam, agora: fazer do puro comercial. Com um desprezo ao mesmo tempo pelo cliente,
mas, também, pelo assalariado. Resultado, as zonas rurais estão abandonadas e já começa-se a
deixar as pequenas cidades. Um dos principais problemas é a sobrecarga de trabalho. Vimos
desenvolverem-se métodos de gestão que não existiam. Os trabalhadores do setor comercial
são ouvidos várias vezes por dia e controlados por minuto. Tenho colegas que não fazem mais
pausas para almoçar, para poderem atingir os objetivos que o seu gerente fixou.”

Marcello, 35 anos, contratada em CDI, na France Télécom há catorze anos

“Cada semana, a direção envia-nos um e-mail com ofertas de emprego na função pública, às
quais pode-se postular. A mensagem não pode ser mais clara. Propõem, também, "oficinas"
para se aprender a fazer um CV.”

Elisabeth, 50 anos, funcionário, na France Télécom há vinte e sete anos

“Um dos chefes da célula 3P (Performance, productivité, planification. Desempenho,


produtividade, planificação, ndt.) já veio buscar-me no banheiro. Desempenham conosco,
realmente, o papel de pais. Já pediram à colegas que fizessem mais tempo de trabalho, para
recuperar o seu tempo de pausa. Às vezes, recebe-se chamadas misteriosos de superiores, que
se fazem passar por clientes. Querem saber se somos bem educados e se vendemos como é
necessário. Tenho um colega que trabalha com uma caixa de Xanax (tranquilizante) sobre o
seu escritório para poder aguentar.

“O problema, é que não se tem todos um percurso no (setor) comercial. Antes de aterrar aqui,
há dez anos, trabalhava na técnica. Não me deixaram a escolha. Recentemente, um colega que
era assediado incessantemente pelo seu gerente, deu-se um tiro. Após uma observação
vexatória, quis sair para tomar ar, mas o seu chefe pôs-se no seu caminho. Ele empurrou-o.
Resultado, o chefe queixou-se à direção de ter sido golpeado, enquanto que todos no local
viram que não era verdade. Um inquérito interno está em curso.”

14
CDI: Contrat à Durée Indéterminée (Contrato com Duração Indeterminada). Corresponde ao contrato CLT
do Brasil.
Economia 07/10/2009 à 19h05

“Um trabalho decente deve permitir ganhar a sua vida sem perdê-la”

VERBATIMS

O que é um trabalho decente?

Liberation.fr colocou a pergunta à participantes na manifestação desta quarta-feira em Paris,


perto da sede do Medef.

Recolhido por PHILIPPE BROCHEN

Esta tarde, avenida Bosque, em Paris (VIIº distrito). (AFP)

Entre 3.000 e 6.000 pessoas reuniram-se esta quarta-feira tarde, perto da sede do MEDEF15,
avenida Bosquet em Paris (VIIº), no âmbito do dia de ação interprofissional e internacional
para defender “o trabalho decente”. Foi a ocasião para perguntar a estes manifestantes, o que
significa para eles esta questão.

Elisabeth, 49 anos, assalariada da France Télécom

“Um trabalho decente, é um trabalho normal, ou seja sem pressão inaceitável, com horários
normais, 35 ou 38 horas, de acordo com a duração legal, em função do ramo profissional. Eu
trabalho à noite e acho isso normal.”

15
MEDEF: Mouvement des Entreprises de France. Sindicato patronal francês.
André, 79 anos, aposentado da SNCF16

“Um trabalho decente, é um trabalho que permita ganhar a sua vida decentemente e sem ter
que perdê-la, sem destruí-la.”

Louisa, 18 anos, estudante secundária

“Um trabalho decente, é um trabalho que paga um mínimo para bem viver, ou seja, em
primeiro lugar o necessário, mas que permita, também, a felicidade pessoal. Isso pressupõe,
também, não explorar o assalariado, porque atualmente demanda-se cada vez mais das
pessoas, sem, necessariamente, remunerá-la mais. É também um trabalho onde não se é
precário e onde não se corre o risco de ser transferido de um dia para o outro. É um trabalho
com horários convenientes, ou seja em relação com a sua situação pessoal e, sobretudo,
familiar. Não se deve confundir os indivíduos com máquinas…”

Marise, 56 anos, funcionária hospitalar

“Um trabalho decente, quer dizer que se tem os meios para fazer um bom trabalho, tornar-se
disponível para os outros e que ganha-se corretamente a sua vida. Atualmente, uma
enfermeira principiante ganha 1.400 euros por mês. Você acha isso normal, para os horários e
as responsabilidades que esse trabalho supõe?”

Marco, 64 anos, aposentado do ensino

“Um trabalho decente, é um trabalho a tempo inteiro, que oferece uma remuneração
suficiente, que não seja precário.”

Paula, 57 anos, educadora de crianças

“Um trabalho decente, é uma remuneração mínima de 1.600 euros. Eu espero a aposentadoria,
mas não param mais de alongar a duração de contribuição.”

Elisabeth, 56 anos, auxiliar de puericultura

“Um trabalho decente deve permitir alimentar-se e habitar.”

Franck, 48 anos, trabalhador social

“Um trabalho decente é começar, no mínimo, à 1.600 euros. Se não, como chegar até Paris?”

Bernard, 65 anos, aposentado de uma empresa bancária

“Um trabalho decente, é um emprego que participe do desenvolvimento pessoal e da


construção de um mundo melhor.”

16
SNCF: Société Nationale des Chemins de fer Français. Empresa pública ferroviária francesa.
Catherine, 33 anos, agente de desenvolvimento local da cidade de Paris

“Um trabalho decente, é, no mínimo, 1.600 euros. É, também, um emprego que não seja
precário, que ofereça a possibilidade de formar-se, tomar iniciativas e também de defender-se
no caso de pressões.”

Saïdou, 30 anos, encanador, Maliano (originário do Mali, ndt.) chegou na França à 21


anos, em possessão de uma autorização de residência (Carte de Séjour)

“Eu tenho um trabalho decente. Progrido de dia em dia, aprendo. Sou bem pago. O meu
projeto, é ter suficientemente experiência e apoio financeiro para abrir a minha própria
empresa. É preciso apenas ser paciente…”
Economia 07/10/2009 à 00h00

Os assalariados da France Télécom desfilam contra o sofrimento


por PHILIPPE BROCHEN

“Um emprego suprimido todas as horas, parem o massacre! ” “Respeito do código do trabalho
francês, não se é na Índia!” Cerca de 250 assalariados da France Télécom agruparam-se
ontem na frente da sede do grupo em Paris no XVº distrito. Uma reunião de negociação sobre
o estresse no trabalho desenrolava-se partir de meio-dia, na sequência da vaga de suicídios
(24) que afeta a empresa há vários meses. Antes, estes assalariados desfilaram gritando
“France Télécom-Cor de laranja, sofrimento!” e “Assalariados em cólera, não vamos nos
deixar fazer!” Os sindicatos (SUD, CGT, FO), que haviam chamado os assalariados à greve
ontem, renovaram o seu pré-aviso para esta quarta-feira. De acordo com a direção, 15% dos
empregados fizeram greve, entre 30 e 40% de acordo com SUD PTT. Em uma mensagem aos
assalariados, Stéphane Richard, novo número 2 da France Télécom, prometeu que efetuaria
com eles “a renovação social da qual a empresa tem necessidade”.
Economia 07/10/2009 à 00h00

France Télécom: da necessidade da doação e da contra-doação

por LAETITIA PIHEL Maître de Conférences17 no Instituto de Economia e Gestão de Nantes

As reações que se expressam, atualmente, na France Télécom falam-nos de uma dificuldade


para viver na empresa, com as regras que ela impõe hoje no âmbito das reestruturações. Se o
sofrimento e a decepção tocam o conjunto do pessoal, parece que a população mais
fragilizada seja a dos agentes mais idosos, cuja antiguidade na empresa é de vinte anos, trinta
anos ou mais.

Ingressados massivamente nos anos 70 e 80, com base em um emprego vitalício, fizeram a
escolha de uma carreira em uma administração que assegurava o respeito a diversos de
princípios: consciência profissional, igualdade de tratamento dos usuários, interesse geral…
Na época a France Télécom dispunha de um sistema social próprio, que contribuía para
organizar a relação que a vinculava ao seu pessoal, baseado em uma lógica de doação e
contra-doação.

Quando chegaram, os jovens funcionários, do interior, eram afetados, de forma autoritária, à


postos que lhes eram reservados quase que exclusivamente (em Paris essencialmente) e
obrigavam-no à uma mobilidade geográfica. Prestavam oficialmente juramento de servir o
cliente com consciência profissional e respeito. A empresa tinha estruturas de gestão dos
recursos humanos com assistentes sociais, médicos, que acompanhavam os ingressantes e o
orientavam no seu desenvolvimento e na sua vida pessoal. A France Télécom alojava os seus
jovens nos seus lares PTT. A France Télécom era a “casa” e contribuía por esta confusão dos
espaços privados e profissionais, para poder selar uma forte relação com os seus agentes.
Como mostrou o sociólogo Norbert Alter, cada um conhecia as regras de partida e a empresa
reconhecia os sacrifícios e prometia um reequilíbrio das trocas no tempo. A confiança na
empresa alimentava os esforços e a dinâmica da doação – contra-doação do qual fala o
etnólogo Marcel Mauss e permitia uma distensão. O desenvolvimento da France Télécom
gerou oportunidades para os agentes. Podia-se aceder à qualquer ofício: mecânico, gerente,
gerente de centros de férias. Certamente, havia também constrangimentos: quando uma
tecnologia estava ultrapassada, era necessário migrar para um outro serviço em nome do
princípio de bom funcionamento do serviço público. Para tanto, os agentes não alimentavam
nem cólera nem violência ou cinismo em relação à direção, não expressavam
descontentamento para com estas transferências já frequentes (esquece-se seguidamente).
Estava, então, na ordem (normal) das coisas: as trocas e o espaço faziam sentido. Mas, se as
mudanças e a mobilidade não são elementos novos, é necessário constatar que as coisas se
endureceram, se tornaram próximas, chamando os agentes a dar incessantemente para a
empresa: capacitando-se novamente, para migrar para um novo posto (do qual sabe-se que a
duração será limitada), mudando-se, o que impõe reorganizar a sua vida pessoal, desenraizar-
se de um espaço social, deixar os seus colegas, tendo que prever a transição profissional do
cônjuge. Se estes novos pedidos da empresa foram julgados intoleráveis é porque a empresa

17
Maître de Conférences é um dos níveis na hierarquia universitária francesa. É um docente com doutorado e pesquisador, que está abaixo dos
Professeurs des Universités.
altera as regras do jogo e não respeita mais a cadeia das doações entre ela e o seu pessoal. A
evolução do estatuto da empresa induziu uma profunda mudança dos valores da empresa e
dos seus símbolos. A France Télécom vende serviços ao cliente e impõe, por conseguinte,
novos objetivos de trabalho, um novo modo de gestão, onde certos gerentes obtiveram o seu
posto via a mobilidades, sem ter tido experiência anterior da gestão. A France Télécom
racionaliza os seus efetivos, enviando, simbolicamente, um sinal de separação, mal digerido,
aos assalariados, que carregaram a sua (da FT, ndt.) história e que vêem, agora, uma ruptura
no sentido da relação. Agora que, ao sabor das evoluções tecnológicas, a empresa deu forma
às carreiras, sem verdadeiro fio condutor, pede, doravante, aos agentes ingressados por
concurso e, frequentemente, sem bagagem profissional, que gerenciem suas carreiras, para
evitar as transferências forçadas. O sofrimento que se expressa, fala desta história, a
organização de um sistema social paternalista que, após ter mantido a dependência social e
profissional do assalariado, chama-o a assumir a sua independência num universo profissional
dinâmico e em ruptura com as lógicas pelas quais ele assumiu, deverá, eventualmente, deixar
a France Télécom. A France Télécom, por conseguinte, fixou novas condições e propôs um
modo de troca de contrato. O "saco cheio"e a cólera dos assalariados, que consideram já “ter
dado muito”, traduzem esta dificuldade para viver esta mudança das regras, para suportar
estes golpes de canivete no pacto inicial. Às doações feitas, reclama-se a contra-doação. De
seu lado, a empresa considera dar, conservando os empregos. Cada um reclama o que lhe
devem e é ocorre o impasse da doação. Paradoxalmente, o comprometimento com o trabalho
perdura, alimentado pela história e seus símbolos, mas a doação desgasta-se e torna amargo
ao que dá sem medida.
Economia 08/10/2009 à 21h59

Renault "salta" seus airbags após um novo suicídio

bilhete

Um assalariado do Technocentre matou-se em sua casa. Efeito France Télécom garantido:


conferência de imprensa imediata, mea culpa da direção, visita da família… Não se conhece
ainda as razões do suicídio.

JULIA PASCUAL

Ontem em fim de tarde, a montadora Renault enviou um e-mail à sua rede de jornalistas para
convocar uma conferência de imprensa telefônica na meia hora seguinte. Coisa raríssima. A
razão: “O falecimento de um colaborador do Technocentre” de Guyancourt (Yvelines).

Quarta-feira à noite, um assalariado da engenharia, 51 anos, casado e pai de duas crianças, pôs
termo aos seus dias. Ele estava de licença desde o início da semana. O número dois de
Renault, Patrick Pélata, foi enviado ao Technocentre ontem tarde. Ele encontra os colegas do
defunto, mas, também, a sua família. Em seguida, corre para à sede do grupo, para animar
uma conferência telefônica.

As causas do suicídio são ainda desconhecidas. Mas, no momento em que os falecimentos na


France Télécom cristalizam a questão do estresse nas empresas e a questão da pressão
exercida sobre as equipes de trabalho pelas direções, o envolvimento (de políticos, dos meios
de comunicação e dos dirigentes) é, por assim dizer, inevitável ao mais mínimo sinal.

“As pessoas estão sob o choque”, conta Patrick Pélata. O acontecimento teria podido passar
despercebido num contexto comum. Além disso, o Technocentre de Guyancourt foi o teatro
de vários suicídios há três anos. No espaço de quatro meses, de outubro de 2006 à fevereiro de
2007, três assalariados puseram termo aos seus dias, em casa ou em seu local de trabalho. Os
testemunhos de assalariados e o inquérito de um gabinete de avaliação mandatado pelo
Ministério do Trabalho mostrará que uma parte importante dos assalariados sofria de “job
strain”.

Ontem, Patrick Pelata não pôde evitar de fazer a relação: “Há três anos, medidas importantes
foram instauradas”, a começar por um plano de melhoria das condições de trabalho, e de
células de apoio psicológico… Mas como para adiantar-se ao arrebatamento ou um eventual
crítica e sem o menor indício de uma relação entre o suicídio e as condições de trabalho do
defunto, Patrick Pelata fez seu mea culpa: “É a derrota de todos”, repetiu várias vezes. “Este
drama recorda-nos que é necessário continuar a sermos vigilantes. Hoje se quer
compreender melhor, fazê-lo melhor, fazer com que a dimensão do trabalho não se torne tão
grave que se acrescente à esfera privada”.

O homem que morreu não trabalhava em um serviço sujeito à “uma bolha de tarefas”
(excesso de trabalho, ndt.), de acordo com Patrick Pelata e devia nos dias seguintes aceder “à
novas funções” na equipe de concepção do futuro Logan. Sem o contexto “France Télécom”,
Patrick Pélata não teria, talvez, convocado uma conferência de imprensa. Sem conferência de
imprensa, resultado, manifestamente, de um efeito de pânico e de “hiperrereação”, não
teríamos escrito este artigo.
Economia 09/10/2009 à 11h17

France Télécom: Lombard faz seu mea-culpa

Questionado após a vaga de suicídios de empregados do seu grupo, o Presidente reconheceu


“não ter levado em conta, suficientemente, os sinais” de sofrimento do pessoal.

Presidente da France Télécom, Didier Lombard. (© AFP Jean-Pierre Clatot)

“Não levamos… não levei em conta, suficientemente, os fracos sinais que chegavam.” O
Presidente da France Télécom, Didier Lombard, questionado após a vaga de suicídios de
empregados do seu grupo, fez sua mea culpa esta sexta-feira, em (entrevista, ndt.) à Europe
118, falando várias vezes na primeira pessoa.

Enquanto que 24 assalariados deram-se a morte estes 18 últimos meses, os sindicatos


denunciaram “a gestão pelo estresse” e “as pressões das chefias”.

“Não prestamos… não prestei, provavelmente, uma atenção suficiente à alguns indicadores,
reconheceu Lombard. Subestimou-se diversos parâmetros humanos, em especial na nossa
organização. À força de querer correr atrás do desempenho,o (gerente) local não tinha mais
liberdade.”

“Errou-se nas indicações das equipes, que percebiam uma realidade diferente da que
percebíamos”, prosseguiu, reconhecendo ter feito “rápido demais” “transformações
essenciais”.

“Hoje, liberamos a palavra”, assegurou, “vai-se retornar o poder e os meios para as equipes
locais. É necessário, absolutamente, que tenhamos êxito em fazer uma empresa com
performances econômicos completamente positivos, ao mesmo tempo que com performances
humanas positivas”.

Didier Lombard além disso reconheceu ter cometido “um enorme erro” falando, há algumas
semanas, de “moda de suicídios”, “uma palavra catastrófica”.

18
Rádio francesa.
Para a pergunta de se sabia se o governo tinha-lhe pedido que se demitisse, respondeu: “Não,
é claro que não. São imaginações de corredores.”

Afirmou igualmente que “ninguém” tinha-lhe pedido a cabeça de Louis-Pierre Wenes, ex


número 2 do grupo, que demitiu-se de suas funções segunda-feira.

Interrogado sobre a eventualidade de outras partidas em breve no grupo, precisou: “A


organização vai certamente evoluir, certamente.”

France Télécom anunciou segunda-feira uma prolongação até ao fim do ano do congelamento
das transferências na empresa. (Fonte AFP)
Políticas 10/10/2009 à 00h00

“Mesmo nas pequenas empresas as pessoas não aguentam mais e quebram”

por Denis Muzet

A atualidade é uma questão de conjunção. Assistiu-se, por exemplo, esta semana, a colisão -
para não dizer um choque em série - entre o processo Polanski e o processo Mitterrand19. No
domínio social, da mesma maneira, três acontecimentos encaixaram-se na atualidade recente:
os suicídios na France Telecom, a votação-cidadã contra a abertura do capital do Correios20 e
o dia de ação interprofissional pelo o “trabalho decente”.

Os suicídios na France Télécom, primeiro. “Está se tornando um fenômeno grave que pessoas
se suicidem no trabalho, explica um dos nossos painelistas, eles estão desesperados, em um
determinado momento eles não tem outra saída.” “Na France Télécom, eles foram trocados
de posto, há muita pressão, mas isso existe por toda a parte, mesmo nas pequenas empresas
as pessoas não podem mais e 'quebram', é próprio dos tempos em que vivemos”, observa uma
chefia do privado.

O dia pelo “trabalho decente”, em seguida: “Sem ir até ao suicídio, é suficiente ver o número
de pessoas sob antidepressivo, é assustador!” preocupa-se um simples empregado. “Há um
desespero, as pessoas queixam-se de sobrecarga de trabalho, tem-se a impressão de retornar
à escravidão”, testemunha outro.

Os Correios, por último. “E os correios, alarma-se um último, se for privatizada, vai terminar
da mesma maneira, com acionistas e fundos de pensão americanos. E é certo que virão,
também, suicídios. Se é para tornar-se como a France Télécom, a privatização é perigosa!”

O círculo se fechou. A forma como a informação chega aos olhos e aos ouvidos dos franceses,
em cascata, curta e fragmentada em pacotes originários de várias fontes, favorece uma
apreensão superficial da atualidade. De repente, o sentido que o público dá à um
acontecimento, depende menos do conteúdo deste, do que da sua interferência com outros
fatos ou acontecimentos justapostos. Desenvolve-se, assim, uma leitura global da atualidade,
no qual os assuntos se remetem uns aos outros, em eco. As conexões, senão falsas, pelo
menos apressadas, estabelecem-se entre acontecimentos, no entanto, distintos. Os atores
implicados em cada acontecimento, tem dificuldade de abstrair-se do contexto que se instaura
e se impõe à eles. São prisioneiros da amálgama da atualidade e cada esforço que realizam
para extrair-se dela, os leva mais fundo nessa amálgama.

19
O Ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand, posicionou-se, rapidamente, contra a extradição de Roman
Polanski, preso na Suíça, para os EUA, devido à uma condenação por estupro de menor nos anos 1970. E, na
semana seguinte, foi denunciado, por uma dirigente do Front National (partido da extrema direita francesa),
devido à relatos em um livro seu (La Mauvaise Vie), considerado autobiográfico, sobre turismo sexual que teria
realizado na Tailândia e suas relações (sexuais) com meninos menores de idade (ndt.).
20
O Comité National contre la Privatisation de La Poste, coordenado por entidades sindicais, chamou à um
debate público e à um referendo sobre o destino do serviço público postal francês, entre 28 de setembro e 3 de
outubro de 2009. Um total de 2.123.717 pessoas votaram, com um resultado de 90% à favor do NÃO. Mais
informações em: http://www.appelpourlaposte.rezisti.org/ (ndt.).
Economia 14/10/2009 à 08h04 (atualização à 08h40)

Um empregado da France Télécom tenta se suicidar em Marselha

O homem, em licença-doença por depressão, tentou enforcar-se no subsolo da sua casa.

Um empregado de France Télécom em licença-doença tentou enforcar-se terça-feira à noite


em Marselha, antes de ser, no último momento, salvo pelos bombeiros, soube-se, quarta-feira,
de fonte policial.

O homem, nascido em 1955, tinha prevenido a sua família do seu gesto enviando um SMS.
Prevenidos os bombeiros, estes puderam intervir a tempo, por volta de 21h30min, terça-feira,
no momento em que o homem tentava enforcar-se no subsolo da sua casa no 11º distrito.

A polícia departamental procedeu às primeiras investigações e concluíram que o homem,


depressivo, tinha se sentido “muito traumatizado” pelo suicídio de um dos seus colegas da
France Télécom, em julho em Marselha.

Respondendo "em cima da hora" no Canal+, o ministro de Trabalho Xavier Darcos, ao qual
um sindicato de inspetores do trabalho, o Snutef-FSU, critica de satisfazer-se de “pequenas
medidas” perante o problema do sofrimento no trabalho, sublinhou que “agradecemos à Deus,
que este homem tenha podido ser salvo e não ter morrido”.

“Ele estava há vários meses afastado do trabalho, muito doente, talvez haja relação com a
empresa, mas é alguém que estava no seu domicílio”, acrescentou.

No que se refere à France Télécom, o Sr. Darcos “pensa que no final do ano estaremos em
uma situação tal que, o que vemos hoje não se produzirá mais, uma vez que a France Télécom
tem um acordo que a obriga a abrir negociações sobre todas as questões relacionadas ao
estresse no trabalho, ao equilíbrio vida profissional/vida privada, sobre as transferências (...)”.

“Por conseguinte, tenho a impressão de que as coisas estão se estabilizando e progridem


sensivelmente”, prosseguiu.

O governo anunciou, além disso, sexta-feira, a sua intenção de divulgar à opinião pública o
nome das grandes empresas que não instaurarem negociações sobre o estresse, até fevereiro
de 2010, sem excluir a possibilidade de sanções mais severas em um segundo momento.

“Sabemos fazer pressão sobre as empresas quando é necessário”, assegurou o Sr. Darcos
sobre Canal+, tomando como exemplo as sanções financeiras às quais se expõem as
empresas, que não negociarem até o final do ano, um plano para preservar o emprego dos
assalariados "senior".

(Fonte AFP)
15/10/2009
Novo suicídio de um assalariado da France Télécom
SOCIEDADE - Um engenheiro da France Télécom de 48 anos, em afastamento por doença
há um mês, por conselho do seu médico do trabalho, enforcou-se quinta-feira no seu
domicílio à Lannion (Côtes-d'Armor), de acordo com a direção do grupo, o que eleva para 25
o número de suicídios na empresa em quase em dois anos.
Este engenheiro do centro R&D (Recherche et Développement – Pesquisa e
Desenvolvimento, ndt.) de Lannion, casado e pai de família, “enforcou-se em seu domicílio
esta manhã”, explicou um porta-voz da direção. “Estava em afastamento por doença há um
mês, por conselho do médico do trabalho”, acrescentou, sublinhando que Didier Lombard, o
Presidente da France Télécom, estava “ profundamente afetado” por este gesto e dirigiu-se
“imediatamente” para o lugar.
Este engenheiro, que sofria de síndrome depressiva, deixou uma carta na qual uma parte
dirigia-se diretamente à sua empresa. “A parte que a nós se referia, foi-nos lida pelas
autoridades que constataram o falecimento, mas não posso dizer mais" confirmou à direção
do grupo.
“Estava afastado por doença há um mês, por conselho do médico do trabalho", acrescentou,
sublinhando que Didier Lombard, o Presidente da France Télécom, estava “profundamente
afetado” por este gesto e dirigiu-se “imediatamente” para o lugar. “É uma terrível notícia, a
qual eu temia”, declarou para a France 521, o novo número 2 da operadora de
telecomunicações, Stéphane Richard, que precisou que o engenheiro tinha “deixado uma
carta no seu domicílio”.
Sem conhecer “o teor exato”(da carta, ndt.), indicou que ele havia tido uma “decepção da
qual teria sofrido, na sequência de uma escolha profissional para um posto no qual era
candidato, e onde não foi aceito".
O ministro do Trabalho, Xavier Darcos, exprimiu por seu lado, em um comunicado, a “sua
profunda emoção". “Este triste acontecimento ocorre no momento em que a empresa
comprometeu-se em um procedimento de luta ativa contra os riscos psicossociais", sublinhou,
convidando os “parceiros sociais da France Télécom a intensificarem as trocas
empreendidas no âmbito da negociação sobre a prevenção do estresse no trabalho e de
chegarem a um acordo, em curto prazos, sobre a instauração de procedimentos adequados".
Trata-se do 25º suicídio no grupo desde fevereiro de 2008 e do segundo na filial de Lannion.
Outro assalariado, técnico do centro de pesquisa, tinha-se dado a morte na noite do 29 ao 30
de agosto passado, sem deixar mensagem que explicasse o seu gesto. Tratava-se então do 22º
suicídio.
Antes mesmo do anúncio deste novo falecimento, os sindicatos da France Télécom (CGT,
CFDT, FO, CFTC, CFE-CGC/Unsa, Sul) chamaram, para quinta-feira, o pessoal a “agir sob
todas as formas e, principalmente, através de assembléias gerais” em 20 de outubro, dia da

21
Canal de televisão.
próxima sessão de negociação sobre o estresse no trabalho, considerando, principalmente, que
as pessoas continuavam “em perigo”. Para os sindicatos, “é intolerável e inaceitável”.
PHA (com AFP)
Economia 16/10/2009 à 18h13

O governo pede ao presidente que vá “ao encontro dos seus assalariados”

Enquanto que um 25º assalariado suicidou-se na quinta-feira, Nicolas Sarkozy lamentou que
“certas empresas” tenham “esquecido a qualidade das relações sociais”.

Laurent Wauquiez, Secretário de Estado ao Emprego. (REUTERS)

Encontrar a solução. E rapidamente. O 25º suicídio de um assalariado na France Télécom, que


ocorreu apesar do anúncio pela direção e o governo de vários dispositivos para responder ao
profundo mal-estar na empresa, coloca a questão de saber como o grupo pode sair deste
engrenagem.

“Mais que nunca, é necessário que aceleremos o conjunto das medidas, a fim de sair desta
espiral infernal”, declarou, quinta-feira à noite, o presidente Didier Lombard, em Lannion
(Côtes-d'Armor), onde um assalariado, em licença-saúde há quatro semanas, suicidou-se pela
manhã.

Em meados de setembro, o presidente da France Télécom tinha anunciado a criação de um


número telefônico gratuito com “psicólogos”, o recrutamento de médicos do trabalho e de
novos DRH de proximidade e a suspensão das transferências forçadas de assalariados,
inicialmente até 31 de outubro e, após, até 31 de dezembro. Outra medida, incentivada pelo
governo: a abertura de negociações sobre o estresse.

Mas esta 25ª morte em menos de dois anos, de acordo com um cálculo sindical, relançou a
crise.

E enquanto que os assalariados de Lannion desfilavam, silenciosamente, nesta sexta-feira,


Laurent Wauquiez, Ministro do Emprego, julgou “urgente” que a France Télécom
“arremangue a camisa” e que Didier Lombard “fosse ao encontro dos seus assalariados”.

Ontem, quinta-feira, Xavier Darcos tinha pedido negociações mais rápidas. Nicolas Sarkozy,
tinha lamentado que “certas empresas” tenham “esquecido a qualidade das relações sociais”.

Pelo lado sindical, Jean-Claude Mailly (FO) chamou a direção a “abrir-se realmente” ao
diálogo, vários sindicatos que lamentando que as negociações "patinam” e a ausência de
mudanças sobre o terreno (na prática, ndt.).
(Fonte AFP)
16/10/2009

Suicídio à Lannion: passeata silenciosa dos assalariados da France Télécom

SOCIEDADE - Assalariados da filial da France Télécom de Lannion (Côtes-d'Armor)


organizaram, sexta-feira, uma passeata silenciosa em homenagem ao seu colega que suicidou-
se quinta-feira em seu domicílio. O conjunto do pessoal presente sobre a filial, que conta com
cerca de 1.500 assalariados, parou de trabalhar para reunir-se na frente da empresa e fazer um
minuto de silêncio, antes de um desfile ao qual participaram dirigentes locais e nacionais.
“Estamos em cólera, espera-se decisões e mudanças radicais”, declararam Vincent Bariac do
sindicato Sud PTT.

Um engenheiro de 48 anos que trabalhava na filial considerada uma das mais importantes da
France Télécom, enforcou-se na quinta-feira, deixando uma carta de explicação. É o segundo
suicídio na filial de Lannion e o 25º desde fevereiro de 2008 e os sindicatos começam a fazer
as contas. Os assalariados de Lannion pediram à direção que “neutralizasse” o dia de terça-
feira, para participarem em ateliers de reflexão consagrados à discussão das propostas de
reforma lançadas pela direção. Participando no desfile, “queríamos testemunhar que, como
quadros dirigentes, temos consciência da amplitude do mal estar existente”, explicou Jean-
Philippe Vanot, diretor executivo do marketing e de inovação da France Télécom. “Vamos
trabalhar firme para instaurar um clima de confiança e fazer com que este drama não se
reproduza mais”, assegurou. A direção previu instaurar uma célula de apoio na filial de
Lannion a partir de segunda-feira. Uma linha telefônica nacional vai também ser aberta “de
modo a que os que se sentem em uma situação de emergência possam expressar-se” e serem
ajudados por profissionais da escuta psicológica, de acordo com o Sr. Vanot. Em Lannion, no
final da noite de quinta-feira, o Presidente da France Télécom, Didier Lombard afirmou que
era necessário acelerar as medidas “para sair desta espiral infernal”.

(AFP)
Economia 17/10/2009 à 10h44

France Télécom: Didier Lombard exclui demitir-se

“Tudo não pode mudar em uma semana, mas daqui à dois meses a situação deverá estar mais
tranquila”, considera o presidente do grupo, após o suicídio quinta-feira de um novo
assalariado à Lannion.

Libération.fr

O presidente da France Télécom, Didier Lombard, em 15 de outubro de 2009 à Lannion. (©


AFP Fred Tanneau)

Após o suicídio de um assalariado quinta-feira à Lannion, elevando à 25 o número de


suicídios na France Télécom desde Fevereiro de 2008, o presidente Didier Lombard explicou-
se em uma entrevista ao Le Figaro e excluiu demitir-se.

“Os nossos assalariados estão envolvidos, motivados, devotados. Apesar da crise que
atravessamos, trabalham, a empresa funciona, sublinhou o dirigente. Mas esta fixação
visceral à France Télécom faz também com que alguns esperem muito da empresa, que se
torna como uma grande família, onde tudo toma um viés afetivo. Se lhes pedimos para mudar
de posto, pensam que é porque não gostamos mais deles. Ora, eles estão errados em pensar
que não gostamos mais deles: tudo o que se faz visa, precisamente, permitir guardá-los a
todos.”

“Tudo não pode mudar em uma semana”

Lembrando a série de decisões e ações que o grupo está instaurarando para fazer face ao mal
estar na empresa, Didier Lombard considera que “se os assalariados estão felizes, toda a
empresa será vencedora ao final. A nova France Télécom deve ser humanamente eficiente,
para continuar a ser economicamente eficiente.”

Didier Lombard recordou: “Paramos as transferências. Começamos a recrutar 10% de


médicos do trabalho e, além disso, 100 RH de proximidade e vamos associá-los mais às
nossas decisões. Não se pode mudar tudo em uma semana, mas daqui à dois meses a situação
deverá estar mais serena.” Por último, o Presidente da France Télécom assegurou que irá ao
fim do seu mandato. “Não é quando a embarcação está na tempestade que o capitão deixa o
navio, eu devo conduzi-la à um bom porto, a um estado de empresa humana e próspera.”
19 de outubro de 2009

Qual a responsabilidade perante os suicídios de assalariados?

A onda de suicídios que atinge atualmente os assalariados das várias grandes empresas
francesas deve levar a interrogar-se sobre a responsabilidade da empresa nestes dramas,
principalmente no plano penal.

Uma falta indesculpável…

O empregador é tido a uma obrigação de segurança de resultado, no que diz respeito aos seus
assalariados e o não respeito desta obrigação é susceptível de constituir uma falta
indesculpável (o reconhecimento de uma falta indesculpável - que é uma sanção civil tem,
principalmente, consequências pecuniárias para o empregador e para a vítima, que beneficia
de uma majoração da sua renda).

No que respeita ao suicídio, o Tribunal de Cassação teve ocasião de pronunciar-se sobre este
assunto num acórdão de 22 de fevereiro de 2007; assim julgou que “em virtude do contrato de
trabalho ligando-o ao seu assalariado, o empregador é tido em obrigação de segurança de
resultado e que o não cumprimento desta obrigação tem o caráter de uma falta
indesculpável, na acepção do artigo L. 452-1 do Código da Seguridade Social, quando o
empregador tinha ou deveria ter tido consciência do perigo ao qual era exposto o
assalariado e não tomou as medidas necessárias para preservá-lo”. Neste caso, um
assalariado tinha tentado suicidar-se e o Tribunal de Cassação reteve a falta indesculpável do
empregador, pelo motivo de que o “equilíbrio psicológico do Sr. X… [o assalariado vítima]
tinha sido comprometido gravemente na sequência da degradação contínua das relações de
trabalho e do comportamento do Sr. Y. [o empregador]” e que o “empregador tinha ou
deveria ter tido consciência do perigo ao qual era exposto o seu assalariado e que tomou as
medidas necessárias para preservá-lo.».

Em outros termos, o empregador deve tomar consciência do estado de saúde psíquica do seu
assalariado e tem a obrigação de tomar as medidas necessárias para preservar a sua saúde ou a
sua segurança.

A viúva de um assalariado da Renault acaba assim processar a empresa, frente ao Tribunal


para questões de Seguridade Social de Nanterre, para ver reconhecida a falta indesculpável.

… com consequências penais?

Se o reconhecimento de uma falta indesculpável não deixa muitas dúvidas quando o suicídio
encontra claramente a sua origem no comportamento do empregador, põe-se a pergunta da
eventual responsabilidade penal da empresa?

Sobretudo, lembremos que o suicídio em si não é um delito e não existe cumplicidade de


suicídio.
Um delito de provocação ao suicídio de outro existe; está previsto no artigo 223-13 do Código
Penal, que dispõe: “O fato de provocar o suicídio de outro é punido de três anos de prisão e
45.000 euros de multa, quando a provocação foi seguida do suicídio ou de uma tentativa de
suicídio.”

Mas tal delito não é aplicável, provavelmente, no caso do empregador que vê um dos seus
assalariados pôr termo aos seus dias. Com efeito, o delito de provocação ao suicídio implica
uma ação directa por parte do autor, que levou, explicitamente, ao cumprimento do suicídio.
A jurisprudência exige, por exemplo, que a provocação tenha um “caráter vinculativo ou
convincente de forma a paralisar a vontade [da pessoa] não lhe deixando outra alternativa
que a morte para resolver as suas dificuldades”. Não se poderia imaginar - ao menos se
espera -, que as empresas entreguem-se à tais provocações.

Também, no caso de suicídio de um assalariado, o fundamento mais provável para o processo


penal seria o do homicídio involuntário. O artigo 221-6 do Código Penal incrimina este delito:

“O fato de causar, nas condições e de acordo com as distinções previstas no artigo 121-3,
inaptidão, imprudence, negligência, ou falta a uma obrigação de segurança ou de prudência
imposta pela lei ou o regulamento, a morte de outro, constitui um homicídio involuntário,
punido de três anos de prisão e 45.000 euros de multa.”

Assim, e em conformidade com as precisões do artigo 121-3 do Código Penal, a


responsabilidade penal de uma empresa (pessoa moral) após a morte de um assalariado, pode
ser comprometida no “caso de falta por imprudência, negligência ou não cumprimento à uma
obrigação de prudência ou de segurança prevista pela lei ou o regulamento, se for
estabelecido que o autor dos fatos não realizou os procedimentos normais tendo em conta, se
for o caso, a natureza das suas missões ou das suas funções, as suas competências, bem como
o poder e os meios dos quais dispunha.”

Portanto, é possível que o comportamento da empresa que responde aos critérios da falta
indesculável constitui, igualmente, a falta penal de não cumprimento à uma obrigação de
segurança…

Sobretudo, se em matéria de homicídio involuntário é fundamental demonstrar que existe


certa relação de causalidade entre a falta do autor e a morte da vítima, reside que uma
pluralidade de causas não exonera o autor da sua responsabilidade. Também, mesmo quando
o suicídio encontrar igualmente as suas origens em outras razões que o comportamento do
empregador, este último continuaria a ser condenável, à partir do momento em que a sua
atitude desempenhou um papel evidente na ocorrência do suicídio [NB: este raciocínio refere-
se apenas à responsabilidade da empresa como pessoa moral; os mecanismos de
questionamento e da responsabilidade penal das pessoas físicas são mais complexos].

Quando o precedente torna responsável

É, por último, importante notar que aquele que é avisado do risco de suicídio uma pessoa tem,
de certa maneira, a responsabilidade de prevenir qualquer repetição deste ato.

Assim, num acórdão de 5 de março de 1992, a Câmara Criminal do Tribunal de Cassação


julgou que “X e Y tiveram uma negligência faltosa que favoreceu a realização do suicídio de
Z, ao cessarem qualquer ajuda ou vigilância deste, que tinha acabado de realizar uma
tentativa de suicídio e se encontrava em um estado de desequilíbrio físico ou psíuico, pelo
qual eram exigidas precauções e uma atenção específica”.
Se esta jurisprudência referiu-se um navegador e seu colega (refere-se a pessoas que
trabalhavam em um barco, ndt.), parece transponível a um empregador que, sabendo que um
dos seus assalariados tenha tentado pôr um termo aos seus dias, deva ter uma atenção
específica ao seu respeito, sob pena de ver a sua responsabilidade estabelecida.

Permanece o fato de que, em matéria penal, os fatos são primordiais e não se poderia
considerar que uma empresa é, sistematicamente, de modo penal, responsável no caso de
suicídio do um dos seus assalariados. O Tribunal de Nanterre, por outro lado, já classificou
uma demanda por homicídio involuntário, a partir do suicídio de um assalariado de Renault…

Redigido em 19 de outubro de 2009, às 15:41


Sociedade 19/10/2009 à 10h11

Um questionário sobre o estresse enviado aos todos os


assalariados da France Télécom
Enquadramento, volume de trabalho, mobilidade, autonomia… Os 102.000 assalariados têm
um mês para responder à 160 perguntas sobre as suas condições de trabalho.

Liberation.fr

Como tinha anunciado a direção, os 102.000 assalariados da France Télécom receberam por
e-mail esta manhã um questionário sobre as suas condições de vida no trabalho, realizado pelo
gabinete de auditoria Technologia. Terão um mês para responder, de maneira anônima, se o
quiserem. O gabinete vai igualmente efetuar 1.000 entrevistas com trabalhadores para “cobrir
o conjunto da diversidade da France Télécom”, estudar os relatórios da Medicina do Trabalho
e, para cada um dos 25 suicídios e 15 tentativas ocorridos nos dois últimos anos, “olhar mais
de perto as condições de trabalho, as relações profissionais, a relação entre as vítimas e o
RH e os antigos responsáveis, e a relação com a Medicina do Trabalho”. Vários relatórios
serão feitos nos próximos meses, tendo como objetivo, a apresentação de um plano de
trabalho em 15 de abril próximo.
Sociedade 20/10/2009 à 19h08

France Télécom: “O questionário levanta, enfim, os verdadeiros problemas”

REPORTAGEM

Os assalariados da France Télécom estão bastantes satisfeitos do envio do questionário sobre


as suas condições de trabalho. Mas temem que não saia grande coisa.

MAEL INIZAN

20.000 assalariados sobre os 102.000 do grupo já devolveram o questionário, anunciou esta


tarde a direção da France Télécom. (© AFP Damien Meyer)

“Enfim! É a primeira vez que a France Télécom reconhece uma parte de responsabilidade”,
diz Patrick Dedecher, delegado CFDT na divisão de finanças de Pas-de-Calais.

Como várias dezenas dos seus colegas, essencialmente delegados sindicais, Patrick veio nesta
terça-feira para frente de um prédio da France Télécom no XVº distrito de Paris, no qual
ocorrem as negociações sobre o estresse.

Tendo entrado no “PTT” em 1981, recebeu com alívio o seu questionário. Prevê uma saída
após anos de recusa da direção. “Antes, a culpa era sempre jogada sobre a família, o álcool…
a direção sai, finalmente, da sua 'torre de marfim' para levar em conta as condições de
trabalho, no mal estar dos seus assalariados”, explica.

Uma “necessidade de escuta”

Ontem, os 102.000 assalariados do grupo receberam, por e-mail, um questionário: 170


perguntas sobre as condições de trabalho, as relações profissionais ou ainda as relações entre
os assalariados e os recursos humanos. O documento trazer à luz as principais causas do mal
estar na France Télécom. Os assalariados tem um mês para devolvê-lo. Contudo, recém
recebido, perto de um assalariado sobre cinco já hoje tinha respondido. “Isso mostra a que
ponto eles têm necessidade de serem escutados”, diz Sana Arbaoui, empregada no serviço
qualidade de Orange desde 1998.

Ela faz parte dos primeiros a tê-lo preenchido, com a curiosa impressão que cada pergunta
falava-lhe diretamente de problemas encontrados no cotidiano. Alguns, mais do que outros,
principalmente aquelas questões sobre carga de trabalho e relações com a hierarquia. “Deve-
se seguir ritmos loucos e nunca pode-se dizer nada ao nosso gerente. Tudo vem sempre mais
de cima”, conta ela, aliviada por ter sido, finalmente, consultada.

Uma enéssima consulta

Na opinião geral, o questionário é bem construído e “levanta finalmente os verdadeiros


problemas”. Contudo, a indiferença da direção e os 25 suicídios deixaram vestígios. Os
assalariados desconfiam da atenção brusca que a eles é consagrada. “Nos perguntamos se é
realmente à nós que eles se dirigem ou aos acionistas”, exclama Marie-Hélène Juillard,
delegada CFDT, denunciando os efeitos de anúncio da direção.

“Nada ainda moveu-se para os assalariados”, acrescenta Nadia Mehuys. Delegada de Force
Ouvrière, teme que este questionário seja uma enéssima consulta dos assalariados. “Cada ano
os assalariados preenchem a 'escuta salarial', um questionário da direção, mas outros
consulta passam também pelos sindicatos”, explica, “a informação já sobe (para a direção,
ndt.) há muito tempo, mas não acontece nada”.

Por seu lado, Patrice Grosseau, delegado FO, vê a correlação de força lentamente evoluir.
Com a pressão midiática, os resultados da consulta dão “armas aos sindicatos para agir ”.
Defrontam-se, contudo, com o desânimo dos assalariados do grupo. “Como acreditar que
haverá medidas concretas, quando a realização de uma simples consulta levou tanto tempo
para contecer?”, resume.
Sociedade 20/10/2009 à 19h16

Estatísticos desfazem da taxa de suicídios na France Télécom

Um estatístico afirma no jornal "La Croix” (católico, ndt.) que “não se suicidam menos na
France Télécom que em outros lugares”. Uma declaração vivamente contestada por outros
peritos.

Quatro sindicatos ligados ao Insee (Institut National de la Statistique et des Études


Économiques, corresponde ao IBGE no Brasil, ndt.) indignaram-se, nesta terça-feira, das
afirmações de um estatístico que afirmou, em uma crônica publicada no La Croix, que não
havia “uma '+onda de suicídios'” na France Télécom, enquanto o sindicato CFE-CGC da
France Télécom denunciou “uma contabilidade macabra”.

Baseando-se na taxa de suicídios na população em idade ativa em 2007, René Padieu, inspetor
geral honorário do Insee e presidente da comissão de deontologia da sociedade francesa de
estatística, explicou terça-feira, em uma crônica que “não se suicida menos na France
Télécom que em outros lugares” julgando, ao mesmo tempo, que nesta empresa, “o clima
social é visivelmente detestável”.

“Em 2007, tinha-se para a população em idade ativa (20 e 60 anos) uma taxa de suicídio de
19,6 de suicídios para 100.000”, explicou. “24 suicídios em 19 meses, aquilo faz 15 sobre um
ano. A empresa conta mais ou menos 100.000 empregados. Conclusão: suicida-se menos na
France Télécom que em outros lugares”, escreve.

Para os quatro sindicatos Insee (CGT, CFDT, FO e Sud), “os estudos estatísticos e
epidemiológicos que visam analisar a taxa de suicídio no pessoal de uma empresa não têm
nada a ver com uma regra de três, tão primária e pouco fundamentada”, declararam em um
comunicado comum.

De acordo com eles, “qualquer estatístico conhece a complexidade das comparações


estatísticas de uma população dada à de uma população mais geral”, e “cada um sabe que as
taxas de suicídio são muito dependentes da idade, do sexo, da atividade profissional”.

“Nenhuma comparação tem pertinência sem que se estude a situação 'colocando todas as
coisas de forma igual, além disso'”, afirma, julgando a controvérsia lançada pelo Sr. Padieu
“indigna”.

Mesmo constatação faz Pierre Morville (CFE-CGC-Unsa): recorda, citando o DRH da France
Télécom Olivier Barberot, questionado em 12 de setembro, que “para a grande maioria dos 23
suicídios registados sobre 20 meses nessa época, o perfil típico das pessoas que atentaram
contra à sua vida era constituído de 'funcionários homens, mais de 50 anos, técnicos'”.

Mas os 100.000 assalariados do grupo não correspondem muito à este perfil típico. “Há
igualmente muitas mulheres, chefias, comerciais, assalariados de direito privado”, insiste.
Para explicar “tal concentração de suicídios sobre esta categoria precisa” confessa ser
“impudente criar uma relação entre estes suicídios e a demissão forçada, nestes quatro últimos
em anos, de 30.000 dos nossos colegas que, essencialmente, eram, precisamente, funcionários
idosos”.

(Fonte AFP)
20/10/2009

Lannion: centenas de pessoas no funeral do assalariado da France Télécom

CERIMÔNIA - Várias centenas de pessoas assistiram, terça-feira à tarde, em Lannion, ao


funeral de Didier Martin, um assalariado da France Télécom, que se suicidou na semana
passada, o 25º suicídio no grupo industrial em menos de dois anos. “Homem, que fizeste do
homem? República, o que fizeste dos teus valores?“, questionou-s no início da cerimônia
religiosa, Dominique, esposa deste homem de 48 anos, pai de três crianças, muito envolvido
na vida associativa, responsável dos escoteiros da cidade. Dominique Martin evocou um pai e
um cônjuge amado, mas um “homem quebrado (...) com a esperança sempre frustada na
empresa”. Na sua homília, durante este serviço concelebrado por uma dezena oficiantes, o
diácono Antoine Papin fez-lhe eco interrogando se a sociedade tinha “bastante coragem para
recolocar o homem no centro da empresa”. “Sabe-se, efetivamente, que há urgência. O nosso
mundo quebra-se por todo lado", disse. “O humano foi jogado fora, substituído pelo medo e
pelo mal-estar”, prosseguiu. “O humano é bem mais forte, à longo prazo, que uma simples
cotação em bolsa”, acrescentou. Em licença-saúde, Didier Martin, depressivo, deixou uma
carta para explicar o seu suicídio, quinta-feira passada. Terça-feira, no âmbito de um dia
nacional de ação instaurada pelos sindicatos, oficinas animadas por representantes sindicais
foram organizados na filial de Lannion, afim de refletir ao “que deve ser mudar” na sua
empresa.

(AFP)
Economia 20/10/2009 à 15h57

France Télécom anuncia o congelamento das reestruturações

Os sindicatos congratulam-se com as novas medidas anunciadas nesta terça-feira pelo diretor
de RH. Outro motivo de satisfação: “a suspensão da divulgação dos desempenhos
individualizados comparados”, fonte de estresse para os assalariados.

Nesta terça-feira, 20 de outubro, nas ruas de Marselha. (REUTERS)

Em um clima social mais que tenso, a direção da France Télécom fez novos anúncios nesta
terça-feira, decretando o congelamento de todas as reestruturações até o 31 de dezembro de
2009, medida reclamada há várias semanas pelos sindicatos.

O diretor de recursos humanos, Olivier Barberot, fez este anúncio em uma sessão de
negociações sobre o estresse de trabalho, que deve prosseguir. Disse que “as reorganizações
foram suspensas até ao fim do ano e, com exceção dos casos de força maior, como as cessões
de lojas ou fins de arrendamentos”, informa Xavier Major (CFDT), saudando “um ponto
positivo”.

A CGT também congratulou-se com este anúncio, vendo aí “uma primeira medida que deve
acompanhar-se de muitas outras e, principalmente, no que se refere à gestão à individual do
emprego.”

Para Sandrine Leroy (FO), “é um real progresso, porque, parar as transferências, é uma
medida individual, mas quando haviam reestruturações, tinham sempre transferências.”

Reintroduzir mais o coletivo

France Télécom anunciou, igualmente, “a sua vontade de reintroduzir mais o coletivo nos
dispositivos de objetivos e de remuneração variável”, acrescentou a CFDT.

“Hoje, tinha-se chegado a uma hipercompetição, que não é nem boa para o clima social, nem
para os clientes”, explicou o diretor de RH.
Outro motivo de satisfação para FO: “a suspensão da divulgação dos desempenhos
individualizados comparados”, espécie de "quadro de honra", que era “fonte de estresse”.
Insistiu, igualmente, “na consideração dos percursos pessoais para a fixação dos objetivos.
Um jovem que tem um BTS22 de força de venda, não pode ter os mesmos objetivos que um
técnico que foi transferido para uma central de chamadas.”

“A France Télécom saiu coma artificial e há progressos significativos, com propostas


interessantes para os assalariados”, concluiu Patrice Diochet (CFTC).

(Fonte AFP)

22
Brevet de Technicien Supérieur (BTS) é um diploma que não tem equivalente no Brasil. É obtido em dois anos,
após o Ensino Médio e refere-se a alguma especialidade (industrial, agrícola, agricultura, hotelaria, informática
de gestão, etc.). Há mais de cem tipos. Talvez possa ser comparado ao tecnólogo brasileiro.
Sociedade 22/10/2009 à 00h00

France Télécom: feng shui, suicídios e o Terror de 1793

por HOCHE, pseudônimo de um antigo dirigente do grupo

A questão dos múltiplos suicídios ocorridos na France Télécom suscitou numerosos de


comentários, mas passam longe do essencial. A France Télécom seria assim vítima da
aceleração das tecnologias que pedem um esforço de adaptação demasiado rápido. Mas a
France Télécom fez face à irrupção do telefone celular nos anos 1990, em seguida da Internet
nos anos 2000 e cruzou com sucesso estes obstáculos, passando do Minitel à uma das
primeiras operadoras de celular com Itinéris e ADSL com Wanadoo. Nesta não havia
suicídios. Do mesmo modo, os funcionários do antigo monopólio não suportariam a irrupção
da concorrência. No entanto, SFR lançou-se em 1990, seguido por Bouygues em 1994, e a
Internet conheceu mais de dez concorrentes (Clube Internet, AOL, Alice…) nos anos 2000.

A análise deve pricipalmente debruçar-se sobre a importante mudança gerencial instaurada


pela nova equipe em 2006 e pela passagem para a marca Orange, da qual a dimensão
religiosa, ou mesmo quase sectária internamente, raramente é conhecida.

No início Thierry Breton, um novo presidente que vinha da administração e sem nenhuma
experiência gerencial credível, foi nomeado à cabeça de um conjunto de 180.000 pessoas.
Rapidamente contestado pelos seus barões, com aplicação, quebrou feudalidades internas,
organizadas em torno de filiais poderosas (Orange para o celular, Wanadoo para Internet,
Equant para a empresa, France Télécom para o fixo) e as 22 direções regionais. Estas levavam
o conjunto dos objetivos e geriam com uma grande proximidade humana os meios e recursos
sobre o terreno. O problema residiu no caos e na perda de marcadores organizacionais.
Durante um tempo, houve uma organização trimatricial: país (França, Reino Unido, Espanha),
linhas de produto (fixo, Internet, empresa, celular), funções (marketing, centro de chamada,
informática), onde os colaboradores tinham vários gerentes e sofriam injunções contraditórias.
Após esta fase de total caos, a retomada fez-se por uma gestão que aplicava,
escrupulosamente, as melhores recomendações dos gabinetes de conselho anglo-saxões
(comitês de empresa, ndt.), com grande reforço de chefias de controle e indicadores de
produtividade. A revolução entrou na sua fase “Terror” e é interessante ver “o povo da France
Télécom” e os seus sindicatos denunciarem, precisamente, esta "gestão Terror" e seu cortejo
de mortes. A France Télécom em 2009, é a Revolução Francesa em 1793. Sem mais feudais
possuíndo as regiões e nem barões com as filiais, mas uma nova ordem imposta de cima.
Assim, após o vigésimo terceiro suicídio, o DRH da France Télécom declara “está fora de
questão de parar as reestruturações” que fazem eco em Robespierre, “ele não pára a
Revolução”. Como na Revolução, impõe-se uma nova religião. A marca Orange foi
generalizada no grupo. Substituiu-se em 2006 às marcas criadas com sucesso pelas pessoas da
France Télécom: Itinéris, Wanadoo e, sobretudo, France Télécom, matriz que reune os
agentes do serviço público e a totalidade do povo francês “subscrito”. Estas marcas tinham
sido alimentadas dos valores das pessoas da France Télécom, Itinéris com a sua dimensão de
desempenho tecnológica, Wanadoo com a positiva geração, e a France Télécom com o seu &,
em sinal de união. Foram varridas por uma marca estranha, Orange, rejeitada internamente
pelas pessoas da France Télécom (o grupo continua a ser batizado de France Télécom,
enquanto que todos os produtos estão sob a marca Orange). Comprada à preço de ouro na
Inglaterra, onde foi suplantada há muito tempo por Vodafone, O2 ou Virgin, encontra as suas
origens num fundador adepto do feng shui, que organiza formações aos valores da marca, e à
sessões qualificadas de “brainwashing” pelas chefias. A publicidade mostra, assim, pessoas
perfeitas, evoluindo em um mundo perfeito, com clientes perfeitos, em total defasagem com a
realidade que vivem no dia à dia os empregados dos serviços clientes que gerem os defeitos
de um mundo menos perfeito. Esta marca fria, metálica, distante, perfeccionista, foi imposta
com uma força quase religiosa. A nova religião acompanha-se de uma língua "franglais",
tanto nos produtos, como no discurso da direção (famoso “a moda do suicídio”, tradução de
“suicídio mood”), que provoca rejeições e crises de identidade. Ao contrário, anteriormente, a
France Télécom tinha sabido sublimar os valores do serviço público e o desafio tecnológico,
em uma atenção muito forte ao cliente e a qualidade de serviço.

Como se terminam as revoluções? Haverá sem dúvida um termidor, para encontrar


Robespierres bodes espiatórios, seguido de uma fase de reorganização, estabelecendo, outra
vez, poderes locais fortes e barões à conquista de novos territórios: Napoléon tinha os seus
prefeitos perto do povo e seus marechais nas batalhas. Stéphane Richard, que acaba de
substituir o Diretor Geral na França, antes de suceder ao presidente do grupo, será este
Napoléon que a France Télécom espera?
Economia 23/10/2009 à 00h00

France Télécom: a estatística que quer matar o debate

por LUC PEILLON

“Suicida-se menos na France Télécom que em outros lugares.”

René Padieu preside a comissão de deontologia da sociedade francesa de estatística, em La


Croix (jornal católico francês), 20 de outubro.

DESINFORMAÇÃO. Há menos suicídios na France Télécom que na população ativa em


geral? E se isso é verdadeiro, a controvérsia relativa a esta empresa ainda é justificada?
Contrariando vários sítios na Internet, René Padieu, inspetor geral honorário do Insee
(equivalente ao IBGE brasileiro), presidente da comissão de deontologia da sociedade
francesa de estatística, colocava em ordem, no jornal La Croix de 20 de outubro, estatísticas
maltratadas por jornalistas muito superficiais, ao seu gosto. “Há algumas semanas, os meios
de comunicação social falam de uma onda de suicídios na France Télécom: 24 em dezenove
meses. Recenseia-se cada novo caso: o número é, por conseguinte, importante! No entanto,
ninguém parece pensar em verificar em que é elevado. Um jornalista consciencioso recorta a
sua informação. […] Em 2007, tinha-se para a população em idade ativa (de 20 anos à 60
anos) uma taxa de 19,6 de suicídios para 100.000. Vinte e quatro suicídios em dezenove
meses (na France Télécom), isto faz 15 sobre um ano. A empresa conta com mais ou menos
100.000 empregados. Conclusão: suicida-se menos na France Télécom que em outros
lugares.”

INFORMAÇÃO. Em primeiro lugar: qualquer comparação necessita de definir um


perímetro. Trata-se, no caso presente, do trabalho. Comparar o número de suicídios na France
Télécom com outra população, mais ampla, implica, por conseguinte, comparar a população
assalariada da France Télécom com “a população ativa ocupada” em geral. Ora, René Padieu
compara a população assalariada da France Télécom com “a população de idade ativa”, o que
é sensivelmente diferente. Com efeito, a população de idade ativa é a que trabalha ou que é
susceptível de poder trabalhar devido à sua idade. Esta categoria inclui, por conseguinte, os
ativos ocupados, as pessoas retirados do mercado de trabalho, mas, também, os
desempregados. Ora, se para estes, as estatísticas nacionais relativas a sua a taxa de suicídio
não existem, os sociólogos Christian Baudelot e Roger Establet (1), a exemplo de numerosos
dos seus colegas, consideram que “são os inativos (entenda-se, os desempregados, ndr.) e não
os aposentados que detêm hoje o recorde do suicídio”. Comparar a taxa de suicídios dos
assalariados da France Télécom com o de uma população de idade ativa, - desempregados
compreendidos - é, por conseguinte, pelo menos estranho. Tanto quanto a fração retida por
René Padieu para definir a população de idade ativa - de 20 anos à 60 anos - parece restritivo,
o leque geralmente retido estende-se de 15 anos à 64 anos.

Mas, neste debate sobre o suicídio no trabalho, a questão não é tanto comparar a taxa de
suicídios em uma empresa com a taxa de suicídio em geral, ou mesmo apenas a população
ativa ocupada, mas tentar isolar os suicídios cometidos por razões profissionais e, após,
construir indicadores. A dificuldade, na presente fase, reside na definição de uma taxa
nacional de suicídios em relação com o trabalho, permitindo comparar, em seguida, com tal
ou qual empresa. Problema: este dado não existe. O que explica, também, porque todos
"escorregam" sobre o assunto. Na falta de um estudo nacional, o único número explorável é
uma extrapolação de um estudo regional efetuado sobre o suicídio no trabalho em 2003, na
Basse-Normandie (cf. INRS). Esta extrapolação (380 suicídios anuais considerados ligados ao
trabalho na França) conduz, na população ativa ocupada, a uma taxa nacional de suicídios por
razões profissionais de 1,6 para 100.000. Esta taxa, evidentemente (e felizmente), é inferior à
taxa de suicídios da população em geral (situado entre 16 e 20 para 100.000) ou da população
em idade ativa (19,6 para 100.000). E portanto: o trabalho não é (ainda?) a primeira razão
para pôr termo aos seus dias.

Esta taxa nacional de suicídios em relação com o trabalho (1,6 para 100.000) não pode,
portanto, ser comparada diretamente com a taxa de suicídio dos assalariados da France
Télécom (14 para 100.000). Porque, entre os 25 suicidados na empresa de telefonia desde
fevereiro de 2008, todos não são, evidentemente, ligados ao trabalho. O exercício, lá ainda, é
delicado, mas estudando a lista das 25 mortes na France Télécom, que mencionam o contexto
e as eventuais cartas deixadas pelas vítimas, 11 pelo menos destes suicídios, aparecem como
ligados ao trabalho. O que conduz à uma taxa anual de suicídios por razões profissionais na
France Télécom de 6 para 100.000. No final, a comparação de 1,6 suicídio ligado ao trabalho
para 100.000 na população ativa ocupada e 6 para 100.000 na France Télécom parece bem
revelar uma taxa de suicídios por razões profissionais quatro vezes superior na operadora
telefônica.

(1) Le Monde, 26 de Setembro.


Economia 26/10/2009 à 00h00

France Télécom: imagem em declínio

France Télécom está cheia de desamor. Após a onda de suicídios ocorridos entre os seus
assalariados, a imagem da operadora de telecomunicação degradou-se muito, junto à opinião
pública, de acordo com o barômetro (pesquisa de opinião, ndt.) Posternak- Margerit realizado
entre 16 e 17 de outubro e publicado ontem pelo JDD (Journal du Dimanche, ndt.). Em nono
lugar em junho, na classificação das grandes empresas mais apreciadas pelos franceses, a
France Télécom recuou vinte lugares, classificando-se em 29º lugar, em uma lista de trinta.
Citroën, que aproveita-se dos efeitos do prime à la casse (bonus dado pelo governo para a
compra de carro novo aos proprietários que entregarem seus veículos antigos para desmonte,
ndt.), teve a pole position em outubro.
Economia 26/10/2009 à 00h00

A lei da concorrência enfraquece a sociedade

por JEAN MATOUK economista

Que há de comum entre os suicídios na France Télécom, o conflito a propósito da


transformação do Correios em sociedade anônima pública, a pressão constante em prol da
abertura das fronteiras comerciais o mais rápido possível e a defesa pelos farmacêuticos de
um monopólio que não tem mais sentido? Resposta: o debate sobre as virtudes e os defeitos
da concorrência! Um debate que, além da atualidade econômica e social recente, encontra o
seu fundamento final na concepção mesmo da sociedade.

Para uns, tais como Margaret Thatcher e Ronald Reagan, a sociedade não existe. Há apenas
uma justaposição de indivíduos e a organização que um governo deve instaurar limita-se a um
sistema de concorrência, ou seja, a generalização do mercado. É a contraparte econômica,
quatro séculos atrasado, da luta de todos contra todos, no campo político, que descrevia
Hobbes. Mas, enquanto o filósofo inglês via no Estado-Léviathan um “poder” que assegura a
paz social em troca da autonomia que os indivíduos a ele abandonam, a concorrência,
pressupõe assegurar esta paz pelo jogo do mercado, ao qual todos devem se submeter. É o
Estado e os seus impostos que se tornaram, como dizia-o Ronald Reagan, o “problema”.
Surfamos em parte, ainda, sobre esta onda ideológica.

Outros, pelo contrário, dão uma realidade à “sociedade”, como um conjunto de relações
familiares, políticas, econômicas, ideológicas… Nesta óptica, é necessário constatar que,
certamente, as relações econômicas (hoje apenas comerciais) estão fagocitando as outras e
que a rivalidade econômica geral instalou-se. Não que a sociedade seja naturalmente isenta de
conflitos. Teóricos da Escola de Frankfurt, na sequência de Hegel, explicaram que cada
indivíduo efetua uma luta para o seu reconhecimento pelos outros, uma luta em várias fases
no curso da qual adquire confiança em si, depois respeito de si e consideração de si. É
necessário crer que os suicidas da France Télécom sentiam tal sentimento de desprezo dos
outros, que tivessem perdido até o respeito por eles mesmos. Não obstante é por esta luta para
o reconhecimento que reconstituem-se incessantemente as relações sociais.

Qual sentido toma, nesta visão da sociedade, o “tudo é mercado” que domina a ideologia
moderna? O reconhecimento de um pelo outro passa, cada vez mais, senão unicamente, pela
via comercial. É pelo salário, o honorário demandado, pelo lucro que se é capaz de trazer à
empresa que se dirige, que se é reconhecido e, por conseguinte, socializado. É possível, hoje,
gerar outras formas de reconhecimento social? Reintroduzir a “cooperação” em certos
domínios, no lugar da “tudo é concorrência”? De valorizar o cientista que descobre uma
molécula salvadora, que o "trader" que inventou tal ou tal “produto derivado”, o professor
que deve ensinar a ler à vinte e três alunos, quinze dos quais recentemente chegados da
África, ao invés do intermediário esperto que encontra o seu lugar sobre a circulação "opaca"
dos frutos e legumes?
Disto, desta mudança fundamental de paradigma social, nenhum G20 traçará nenhuma via.
Eles só pode nascer, países por país, e após na União Europeia, de uma decisão política
coletiva que conduz ao poder maiorias novas cujos projetos iriam, diferentemente, em quatro
direções.

Primeiro, excluir radicalmente do mercado a saúde e a educação e reabilitar um direito ao


trabalho que não é mais visto apenas como um constrangimento ao dinamismo econômico.
Após, reduzir, drasticamente, pelos impostos, o leque (variação, ndt.) dos rendimentos
líquidos, a tal ponto que não se torne mais psicologicamente irresistível a frustração, por
conseguinte, a luta permanente para “ter mais”. Porque esta é, inevitavelmente, geradora de
um desperdício generalizado e, por conseguinte, uma verdadeira pilhagem ecológica da Terra.
Em terceiro lugar, deve ser promovida e financiada a transformação do maior número
possível de empresas capitalistas maduras em empresas cooperativas; mas esta transformação
deve deixar inteira a capacidade inovadora dos inventores das empresas e os pesquisadores,
com a esperança justificada de um lucro financeiro para o serviço prestado à sociedade. Para
eles, o reconhecimento pelo dinheiro é útil ao “viver juntos”. Por último, é necessário
“remutualizar” produtos de consumo como o seguro, o crédito ou ainda os produtos
alimentares, do tipo Associação para a Manutenção de uma Agricultura Camponesa (Amap),
relançando, como se faz nos Estados Unidos, plantação e criação “bio” de proximidade, e
mesmo, nas cidades. Deixar o mercado tornar-se o “Léviathan” da era econômica, admitir que
a concorrência substitui por toda lado a cooperação, é ratificar a diluição da relação social e o
advento de uma “di-sociedade”, para retomar o termo de Jacques Généreux. É trabalhar para
o desaparecimento da sociedade, ou seja, da humanidade.
Sociedade 15/11/2009 à 15h55

France Télécom: três de cada quatro assalariados responderam ao questionário

As respostas vão ser analisadas e dar lugar um relatório, que será, provavelmente, apresentado
no início de dezembro aos parceiros sociais e à medicina do trabalho.

Uma empregada da France Télécom, quando de uma manifestação em Marselha, em 20 de outubro


(Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Quatro semanas após o envio de um questionário sobre o estresse no trabalho, dirigido aos
102.000 assalariados da France Télécom, o gabinete Technologia, encarregado da pesquisa,
anunciou que três quartos já foram respondidos.

“A análise das respostas vai dar lugar a um primeiro relatório, que deverá ser apresentado
em início de dezembro aos parceiros sociais e a medicina do trabalho” e compreenderá
“propostas de medidas de urgência a serem implementadas rapidamente”, precisou
Technologia.

O encerramento da pesquisa terá lugar na segunda-feira, às 22h, mas já consideram que “mais
de 76.000 respostas terão sido recolhidas” até esta data, ou seja a “mais forte de todas as
participações registradas por Technologia em suas diferentes pesquisas”.

“Esta taxa de participação demonstra toda a importância que se reveste a questão do estresse
e os riscos psicossociais na empresa”, atingida por uma vaga de suicídios dos seus
assalariados. Estabelecidas com os sindicatos, a direção e a medicina do trabalho, as 160
perguntas dirigidas aos assalariados da empresa, tratam principalmente sobre o volume de
trabalho, o reconhecimento do seu trabalho, as transferências, as suas relações com a chefia
ou a sua situação psicológica ligada ao trabalho.

“Os jovens participaram um pouco mais no questionário do que os antigos. Em


contrapartida, as taxas de participação são muito semelhantes entre os homens e as mulheres
ou ainda entre os funcionários (públicos, ndt.) e os assalariados de direito privado, de
acordo com o comunicado. Mesmo a nível dos cargos, a participação é semelhante, com
exceção dos técnicos de rede que responderam ligeiramente menos.” E talvez devido a um
menor acesso um computador, considerou Jean-Claude Delgènes, diretor de Technologia.

Em contrapartida, “as direções claramente responderam mais que as não-direções”, com uma
diferença “de quase 15%”.

(Fonte AFP)
17/11/2009

Novo suicídio à France Télécom: o trabalho não está posto em causa

Para a polícia, trata-se indubitavelmente, de um suicídio. Sábado, uma empregada da France


Télécom de Lanester (Morbihan) foi encontrada sem vida em um bosque à Concarneau
(Finistère).

De acordo com o jornal Le Télégramme, esta conselheira da central de chamadas, de 45 anos,


estava desaparecida desde quarta-feira, após ter deixado uma mensagem em seu domicílio no
qual dizia ter saído para “dar uma pequena volta”.

É o 26º assalariado da empresa de telecomunicações a dar-se a morte desde dezoito meses.


Mas de acordo com o sindicato Sud-PTT, este ato desesperado não estaria ligado ao trabalho,
mas devido a “uma situação familiar difícil” e “longa depressão”.

De acordo com os seus colegas, “a assalariada era uma pessoa frágil que atravessava uma
crise familiar”.

LibéRennes
Economia 30/11/2009 à 00h00

Uma médica do trabalho demitiu-se na France Télécom

História

Em Grenoble, uma médica demitiu-se no início de novembro, lamentando, em uma carta


dirigida à sua direção, a impossibilidade de ajudar “aos assalariados em sofrimento”.

Libération.fr

Não são apenas os assalariados que sofrem na France Télécom. Os médicos do trabalho,
também, não suportam mais não ver o seu trabalho reconhecido e assistir, impotentes, à série
de suicídios que têm ocorrido na empresa.

Em Grenoble, uma médica demitiu-se em início de novembro, lamentando, em uma carta


dirigida à sua direção, a impossibilidade de ajudar “aos assalariados em sofrimento”.

“Durante estes dois anos de exercício, pude fazer apenas a constatação de uma adaptação
forçada do homem ao trabalho, após fechamento de serviço, a supressões de postos de
trabalho, as transferências funcionais ou geográficas impostas, contou a profissional de
saúde. Os pedidos de reclassificação ou ordenamento de postos de trabalho que pude fazer,
frequentemente permaneceram sem resposta escrita e fundamentada.”

De acordo com Le Parisien, que revelou esta demissão, nestes últimos meses, “entre cinco e
dez outros dos seus colegas 'jogaram a toalha' por motivos similares”.
Economia 02/12/2009 à 11h16

Na France Télécom, o número de suicídios é revisado para cima

A empresa diz ter contabilizado 32 suicídios de assalariados em dois anos, 17 dos


quais em 2009. Até então, os sindicatos falavam de 25 suicídios, em 18 meses.

Manifestação de assalariados da France Télécom contra o sofrimento no trabalho,


em 20 de outubro de 2009, em Marselha. (© AFP Gérard Julien)

A France Télécom revela ter contabilizado 32 suicídios de assalariados desde


janeiro de 2008, um número superior ao até então avançado pelos sindicatos.

“A pedido da Inspeção do Trabalho, interrogamos o conjunto das direções territoriais


e regionais, indicou a direção. E surgiu um total de 32 suicídios em dois anos, 17
dos quais em 2009. Este número foi comunicado, com toda a transparência, para a
Inspeção do Trabalho.”

E a direção acrescenta: “A France Télécom lamenta a controvérsia iniciada por


alguns sobre o número de suicídios. O número de 25 suicídios em 18 meses resulta
da comunicação dos sindicatos, desde os dramas deste verão.”
Vários sindicatos, recentemente, tinham pedido à direção que se manifestasse sobre
este número, surpreendendo-se que ela não tenha contestado o (número)
estabelecido pelo Observatório do Estresse, criado por Sud-PTT e por CFE-CGC.

O cálculo sindical era sobre os suicídios dos quais os sindicatos tinham tido
“conhecimento”, tenham ou não uma relação com o trabalho. Recentemente, um 26º
suicidio foi contabilizado, mas sem relação com o trabalho, de acordo com sindicatos
e a direção. “O nosso cálculo era necessariamente imperfeito, porque a coleta (de
dados) não tinha sido exaustiva”, explicou Sébastion Crozier (CFE-CGC),
denunciando, da mesma maneira que Patrick Ackermann (Sul-PTT), “as mentiras da
direção”, que “sabia” o número exato.

(Fonte AFP)
MATÉRIAS ORIGINAIS
Economia 27/07/2009 à 19h26

France Télécom: un salarié se suicide et met en cause sa hiérarchie

Dans le courrier laissé à sa famille, le cadre marseillais de 51 ans évoque l'«urgence


permanente», la «surcharge de travail», l'«absence de formation», la «désorganisation totale
de l'entreprise» et le «management par la terreur».

Cabine France Télécom à Nice. (REUTERS)

«Je me suicide à cause de mon travail à France Télécom. C'est la seule cause.» L'auteur de
cette lettre désespérée, un salarié de 51 ans, a mis fin à ses jours à son domicile le 14 juillet à
Marseille. Dans le courrier laissé à sa famille, dont le contenu a été communiqué, selon sa
volonté, à ses collègues et aux délégués du personnel, il évoque notamment l' «urgence
permanente», la «surcharge de travail», l'«absence de formation», la «désorganisation totale
de l'entreprise» et le «management par la terreur».

«Cela m'a totalement désorganisé et perturbé, a aussi écrit le salarié de France Télécom. Je
suis devenu une épave, il vaut mieux en finir.»

Pour la direction, qui confirme le suicide mais ne souhaite pas commenter la lettre,
«l'important c'est d'essayer de comprendre ce qui s'est passé», et rappelle que «les causes
d'un suicide sont toujours multiples». Elle précise que «quelques jours avant le drame, ses
collègues et ses responsables avaient remarqué des signes de dépression. Il avait été pris en
charge par les managers, ses collègues et les partenaires sociaux».

«Les délégués du personnel avaient alerté sur son malaise au travail, et France Télécom
avait pris ça au sérieux, en tentant de diminuer sa charge de travail», a confirmé Denis
Capdevielle, délégué CGT au Comité hygiène, sécurité et condition de travail (CHSCT) de
l'unité où il travaillait. «Mais le malaise devait être profond», a-t-il ajouté.

Selon Patrick Ackermann (Sud-PTT), depuis février 2008, 18 suicides et 10 tentatives de


suicides ont eu lieu à France Télécom, qui emploie 102.254 salariés, dont 70% de
fonctionnaires.
Les syndicats dénoncent depuis plusieurs années le stress à France Télécom et «les pressions»
sur le personnel, notamment pour les pousser au départ, dans le cadre, selon eux, d'un plan de
restructuration qui s'est traduit par plus de 22.000 «départs volontaires» entre 2005 et 2008.

Fabienne Viala (CGT) dénonce, elle, des surcharges de travail liées à la baisse des effectifs
«et des responsabilités de plus en plus lourdes», notamment pour les cadres, comme l'était le
salarié décédé.

La direction de France Télécom précise avoir mis en place un «dispositif d'écoute» pour les
collègues du salarié.

(Source AFP)
Économie 27/08/2009 à 06h52

«La souffrance mentale est taboue»

Interview

Marie-José Hubaud, médecin, établit un lien entre mal-être et organisation du travail :

Par CATHERINE MAUSSION

Marie-José Hubaud a exercé pendant une trentaine d’années comme médecin du travail. Elle
est l’auteure de l’essai Des hommes à la peine (1).

Que sait-on de la souffrance au travail ?

Elle est directement liée à l’organisation du travail et elle signe l’échec de cette organisation.
Soit l’entreprise n’a pas pris en compte les signes précurseurs. Soit elle a fait preuve d’une
intolérable indifférence. Ce problème de la souffrance au travail n’est pas suffisamment
instruit. Ni sur le plan social ni sur le plan scientifique ou statistique. On sait qu’il concerne
plus les femmes que les hommes et plus les ouvriers que les cadres. La souffrance résulte de
situations concrètes très différentes. Elle peut naître d’un excès de travail ou, à l’inverse,
d’une charge de travail insuffisante. D’une formation trop légère qui met le salarié dans une
situation intenable, mais également d’une tâche qu’on lui confie très inférieure à sa
qualification. La notion de reconnaissance de l’individu est centrale dans la souffrance : le
manque d’autonomie, le sentiment de ne pas utiliser ses compétences, le sentiment de ne pas
recevoir l’estime que l’on croit mériter… Quand le geste ne signifie plus rien, il y a usure de
l’élan vital à bas bruit, jour après jour. Lorsqu’on ne donne pas au salarié les moyens
matériels, temporels, organisationnels d’exercer sa tâche, on le place dans une situation
d’échec permanent, on porte atteinte à sa dignité de travailleur, donc à son estime de soi, et
partant, à sa santé mentale.

Pourtant, France Télécom a mis en place tout un dispositif pour repérer cette souffrance…

Est ce que l’entreprise ne l’aurait pas fait plutôt pour se donner bonne conscience ? S’attaque-
t-elle vraiment aux causes, aux problèmes de l’organisation du travail ? Repense-t-elle les
tâches, les contraintes imposées par les rythmes ? Est-il nécessaire de faire travailler les
salariés le week-end ou la nuit ? Ces dernières années, une nouvelle pression s’est rajoutée sur
le salarié : l’évaluation permanente de son travail. Ce dispositif de contrôle est-il transparent ?
Il ne faut pas sous-estimer non plus le poids du chômage, même pour ceux qui sont en CDI ou
dans une entreprise qui ne licencie pas.

Que faire face à cette souffrance ?

Il est urgent, en matière sociale, de poser le problème de la souffrance mentale au travail,


comme on le fait pour le cancer en santé publique. Mais cette question est encore taboue. La
précarisation croissante du travail fait que les gens se trouvent à devoir de plus en plus
souvent choisir entre la conservation de leur travail et la préservation de leur santé. Le
sentiment d’insécurité sociale est prégnant chez tous les salariés. Cela se traduit par des
objectifs à atteindre, une mise en concurrence des salariés. Au fond, c’est toujours la même
chose : obtenir toujours plus de chacun en oubliant le retour, le sentiment de reconnaissance.
On ne parle aujourd’hui que du respect de l’environnement. Il faudrait s’intéresser davantage
au respect du salarié.

(1) Ed. La Découverte, 2008.


Economia 27/08/2009 à 06h53

Suicides : France Télécom entend enfin l’appel de détresse

Après plusieurs décès cet été, les syndicats ont été reçus par le DRH de l’opérateur.

Par CATHERINE MAUSSION

«Il commence à y avoir une écoute…» lâche, sans bouder sa satisfaction, Christian Mathorel
de la CGT. «Enfin une ouverture», se félicite Pierre Morville de la CFE-CGC Unsa. Même la
turbulente section de SUD PTT doit en convenir… Après la vague de suicides chez France
Télécom cet été, les six syndicats de l’opérateur, reçus mardi par Olivier Barberot, le DRH de
l’entreprise, n’espéraient pas quitter la réunion avec autant d’engagements (lire page 18).
«Stop à la souffrance au travail», avaient averti les syndicats en prélude à la rencontre. La
veille encore, la direction tentait d’éteindre le feu en minimisant le sens à donner à ces
suicides… L’alerte semble finalement avoir été entendue.

Le dernier drame s’est produit à Besançon (Doubs), le 11 août. Nicolas G., technicien
d’intervention, avait 28 ans. Le 13 juillet, c’est un cadre de 51 ans, «un gros bosseur», qui
met fin à ses jours, dénonçant dans une lettre «l’urgence permanente» et «la surcharge de
travail». Le 29 juin, à Saint-Lô (Manche), un employé d’un service commercial s’était ouvert
les veines sur son lieu de travail. En égrenant ces cas, Philippe Méric, délégué SUD PTT, se
défend de se livrer à un décompte morbide. Comme il se garde d’incriminer le seul motif des
réorganisations incessantes pour expliquer ces gestes. Mais, selon lui, l’opérateur est
«impliqué» dans au moins six cas sur les vingt recensés depuis février 2008.

«Pipeau». Pour sa défense, France Télécom assure avoir multiplié les initiatives. Comme
cette commission stress créée au sein du comité d’hygiène et de sécurité du travail ; la
formation de ses managers «à la détection des signaux faibles», indices laissant soupçonner
qu’un salarié se trouve en difficulté ; ces espaces d’écoute et d’accompagnement… Autant
d’actions qui ont laissé les syndicalistes sceptiques. «La commission stress, c’est du pipeau
absolu, lâche Pierre Morville. Elle ne s’est jamais réunie !» D’où la mise sur pied en 2007, en
liaison avec SUD PTT, d’un «observatoire du stress» pour recueillir à la source les
témoignages de salariés. La critique fuse aussi sur les espaces d’écoute : «Nous avions insisté
pour que les salariés ne se retrouvent pas à étaler leurs problèmes en face de leur hiérarchie.
Sans succès», ajoute Philippe Méric. L’entreprise a toujours beaucoup insisté sur ses
70 médecins du travail et sa quarantaine d’assistantes sociales. Avant de reconnaître, mardi,
qu’ils n’étaient pas assez nombreux…

«It’s time to move.» Erigé en mot d’ordre, ce slogan qui balaie aujourd’hui tous les niveaux de
l’entreprise n’en finit pas de causer des ravages, disent les syndicats. Elle met surtout la
pression chez les cadres : «La règle, c’est de changer de métier ou de lieu géographique tous
les trois ans», résume Pierre Morville de la CFE-CGC Unsa.

En Loire-Atlantique, par exemple, l’étau se resserre autour de Donges. «On n’a pas compris
tout de suite ce qui se jouait», raconte Marie Cussonneau de SUD PTT. Il y a trois ans, le site
employait 150 salariés. Petit à petit, France Télécom l’a vidé, orientant les gens vers Nantes à
coups de pressions individuelles ou de mutation d’office pour les cadres
supérieurs.«Maintenant, on nous annonce la fermeture de Donges pour septembre, dit Marie.
C’est le premier gros site auquel France Télécom s’attaque.» Elle redoute que le site voisin
de Saint-Nazaire ne ferme ensuite. D’autant que dans le Grand Ouest, Châteaubriant, Saumur
et Saint-Malo ont déjà baissé le rideau.

Fermeture. Les rumeurs alimenteraient parfois la psychose. De 2800 à 3000 emplacements,


France Télécom souhaiterait concentrer ses 102 000 salariés sur une centaine de gros sites
employant plus de 500 personnes d’ici à 2011.«On est un peu dans du fantasme», balaie
Jacques Moulin, DRH pour la France. Avant d’ajouter : «On n’a jamais caché qu’on est
amené à fermer des sites pour constituer des pôles importants.» Et tenter de rassurer : «On
n’a pas une taille minimum en dessous de laquelle un site est voué à la fermeture.»

Difficile de faire lâcher des chiffres à la direction, sur les fermetures ou sur les salariés
touchés par les réorganisations. «Cela n’a pas de sens», explique le DRH. Sauf un, qui
ressemble à une vraie performance : «Nous avons accompagné 10 000 salariés lors de
formations dans des métiers prioritaires entre 2006 et 2008.» Beaucoup de mouvement, à
marche forcée, l’opérateur en convient. «Oui, l’incertitude sur l’évolution de nos métiers
génère de l’inquiétude, facteur de stress, reconnaît un cadre dirigeant. On n’a sans doute pas
assez mesuré combien ce peut être angoissant pour certains.»
Economia 27/08/2009 à 06h53

Suicides : France Télécom entend enfin l’appel de détresse

Après plusieurs décès cet été, les syndicats ont été reçus par le DRH de l’opérateur.

Par CATHERINE MAUSSION

«Il commence à y avoir une écoute…» lâche, sans bouder sa satisfaction, Christian Mathorel
de la CGT. «Enfin une ouverture», se félicite Pierre Morville de la CFE-CGC Unsa. Même la
turbulente section de SUD PTT doit en convenir… Après la vague de suicides chez France
Télécom cet été, les six syndicats de l’opérateur, reçus mardi par Olivier Barberot, le DRH de
l’entreprise, n’espéraient pas quitter la réunion avec autant d’engagements (lire page 18).
«Stop à la souffrance au travail», avaient averti les syndicats en prélude à la rencontre. La
veille encore, la direction tentait d’éteindre le feu en minimisant le sens à donner à ces
suicides… L’alerte semble finalement avoir été entendue.

Le dernier drame s’est produit à Besançon (Doubs), le 11 août. Nicolas G., technicien
d’intervention, avait 28 ans. Le 13 juillet, c’est un cadre de 51 ans, «un gros bosseur», qui
met fin à ses jours, dénonçant dans une lettre «l’urgence permanente» et «la surcharge de
travail». Le 29 juin, à Saint-Lô (Manche), un employé d’un service commercial s’était ouvert
les veines sur son lieu de travail. En égrenant ces cas, Philippe Méric, délégué SUD PTT, se
défend de se livrer à un décompte morbide. Comme il se garde d’incriminer le seul motif des
réorganisations incessantes pour expliquer ces gestes. Mais, selon lui, l’opérateur est
«impliqué» dans au moins six cas sur les vingt recensés depuis février 2008.

«Pipeau». Pour sa défense, France Télécom assure avoir multiplié les initiatives. Comme
cette commission stress créée au sein du comité d’hygiène et de sécurité du travail ; la
formation de ses managers «à la détection des signaux faibles», indices laissant soupçonner
qu’un salarié se trouve en difficulté ; ces espaces d’écoute et d’accompagnement… Autant
d’actions qui ont laissé les syndicalistes sceptiques. «La commission stress, c’est du pipeau
absolu, lâche Pierre Morville. Elle ne s’est jamais réunie !» D’où la mise sur pied en 2007, en
liaison avec SUD PTT, d’un «observatoire du stress» pour recueillir à la source les
témoignages de salariés. La critique fuse aussi sur les espaces d’écoute : «Nous avions insisté
pour que les salariés ne se retrouvent pas à étaler leurs problèmes en face de leur hiérarchie.
Sans succès», ajoute Philippe Méric. L’entreprise a toujours beaucoup insisté sur ses
70 médecins du travail et sa quarantaine d’assistantes sociales. Avant de reconnaître, mardi,
qu’ils n’étaient pas assez nombreux…

«It’s time to move.» Erigé en mot d’ordre, ce slogan qui balaie aujourd’hui tous les niveaux de
l’entreprise n’en finit pas de causer des ravages, disent les syndicats. Elle met surtout la
pression chez les cadres : «La règle, c’est de changer de métier ou de lieu géographique tous
les trois ans», résume Pierre Morville de la CFE-CGC Unsa.

En Loire-Atlantique, par exemple, l’étau se resserre autour de Donges. «On n’a pas compris
tout de suite ce qui se jouait», raconte Marie Cussonneau de SUD PTT. Il y a trois ans, le site
employait 150 salariés. Petit à petit, France Télécom l’a vidé, orientant les gens vers Nantes à
coups de pressions individuelles ou de mutation d’office pour les cadres
supérieurs.«Maintenant, on nous annonce la fermeture de Donges pour septembre, dit Marie.
C’est le premier gros site auquel France Télécom s’attaque.» Elle redoute que le site voisin
de Saint-Nazaire ne ferme ensuite. D’autant que dans le Grand Ouest, Châteaubriant, Saumur
et Saint-Malo ont déjà baissé le rideau.

Fermeture. Les rumeurs alimenteraient parfois la psychose. De 2800 à 3000 emplacements,


France Télécom souhaiterait concentrer ses 102 000 salariés sur une centaine de gros sites
employant plus de 500 personnes d’ici à 2011.«On est un peu dans du fantasme», balaie
Jacques Moulin, DRH pour la France. Avant d’ajouter : «On n’a jamais caché qu’on est
amené à fermer des sites pour constituer des pôles importants.» Et tenter de rassurer : «On
n’a pas une taille minimum en dessous de laquelle un site est voué à la fermeture.»

Difficile de faire lâcher des chiffres à la direction, sur les fermetures ou sur les salariés
touchés par les réorganisations. «Cela n’a pas de sens», explique le DRH. Sauf un, qui
ressemble à une vraie performance : «Nous avons accompagné 10 000 salariés lors de
formations dans des métiers prioritaires entre 2006 et 2008.» Beaucoup de mouvement, à
marche forcée, l’opérateur en convient. «Oui, l’incertitude sur l’évolution de nos métiers
génère de l’inquiétude, facteur de stress, reconnaît un cadre dirigeant. On n’a sans doute pas
assez mesuré combien ce peut être angoissant pour certains.»
Economia 07/09/2009 à 00h00

France Télécom attaquée pour un nouveau suicide

Social . Selon nos informations, un technicien de l’opérateur s’est donné la mort il y a huit
jours. La CFDT accuse le management.

Par CATHERINE MAUSSION

Comment communiquer autour d’un suicide ? Comment peser ses mots, respecter la douleur
de la famille ? Autant de questions qui se posent avec acuité lorsqu’on est un responsable
syndical, proche de la victime. Plus encore lorsque le drame se produit chez France Télécom,
où plus de 20 suicides sont dénombrés depuis janvier 2008 par les syndicats, dont trois cet été
(Libération du 27 août).

Dans la nuit du 29 au 30 août, Michel s’est donné la mort. C’était un technicien à la


compétence pointue et dont la qualité professionnelle n’était pas discutée. Il était chargé de la
validation d’équipements de transmission pour le haut débit, à Lannion (Côtes-d’Armor), chez
Orange Labs (1 090 salariés), où s’élabore pour partie la recherche et développement de
France Télécom. Marié, trois enfants dont une fille mineure, Michel avait aussi un petit-fils. Il
avait exercé un mandat de représentant du personnel à la CFDT et siégé au CHSCT (Comité
d’hygiène, de sécurité et des conditions de travail) jusqu’en 2007, mais le syndicat nie tout
lien entre son mandat et son geste.

La CFDT, certainement le syndicat le plus réservé sur l’utilisation médiatique des suicides, a
attendu huit jours pour communiquer sur ce cas, demandant expressément à ses pairs
d’attendre aussi pour «laisser le temps au recueillement et à la réflexion». Aujourd’hui, la
centrale établit un lien entre le drame et la façon dont la direction de l’opérateur gère au
quotidien ses salariés. Son analyse du geste de Michel en a d’autant plus de poids.

Dans un communiqué qui sera diffusé ce matin, la section CFDT de Bretagne (34 % des voix
aux dernières élections, premier syndicat de la région) évoque deux conflits récents rencontrés
par Michel dans son environnement direct de travail, et qui ont pesé dans son geste. Christian
Wipliez, délégué CFDT, les met en perspective : «Les procédures managériales pour gérer
les salariés sont devenues très individualisées, voire infantilisantes.» Entretiens en face à
face, batteries d’outils pour évaluer l’individu… Même les tâches complexes peuvent être
découpées. «C’est pire que tout. Cela crée un isolement très pénible. On en oublie le
collectif.»

A l’automne 2008, on avait ainsi fixé à Michel pour objectif, comme à l’école, «d’améliorer
son comportement». De l’avis de son entourage, pareille réprimande l’avait affecté. Très
récemment, la hiérarchie directe était revenue à la charge, et l’avait convoqué «pour des
accusations sans preuves», insiste-t-on à la CFDT. «Cela a accentué sa souffrance, assure
Wipliez. L’entreprise ne sait pas détecter la souffrance des gens comme Michel.»

Au-delà de ce cas, le syndicaliste insiste sur une inquiétude collective qui mine les salariés
des quatre départements bretons. On dénombre 14 sites de plus de 50 personnes (Vannes,
Lanester, Quimper…), sans compter les microsites. Avec la vague prochaine des départs en
retraite, certains sites risquent «de passer sous la masse critique» et peuvent être fermés,
obligeant des salariés à bouger. France Télécom, dans le cadre de la gestion prévisionnelle de
ses effectifs, a fait des projections sur 2015 et 2018, et «tous ceux qui ont vingt-cinq ans de
maison se sentent vulnérables». Particulièrement l’encadrement. «Le management met une
pression énorme sur la mobilité des cadres», explique la CFDT.

Aujourd’hui, le drame de Michel devrait prendre une résonance nationale. Le CHSCT de


Lannion va ouvrir une enquête sur les circonstances qui ont pu conduire à son suicide. Tandis
que la direction de France Télécom, localement, dédouane la hiérarchie intermédiaire:
«Mettez en cause les dirigeants, mais ne tapez pas sur l’encadrement direct. Ils ne font
qu’exécuter les ordres.»
Economia 07/09/2009 à 00h00

France Télécom attaquée pour un nouveau suicide

Social . Selon nos informations, un technicien de l’opérateur s’est donné la mort il y a huit
jours. La CFDT accuse le management.

Par CATHERINE MAUSSION

Comment communiquer autour d’un suicide ? Comment peser ses mots, respecter la douleur
de la famille ? Autant de questions qui se posent avec acuité lorsqu’on est un responsable
syndical, proche de la victime. Plus encore lorsque le drame se produit chez France Télécom,
où plus de 20 suicides sont dénombrés depuis janvier 2008 par les syndicats, dont trois cet été
(Libération du 27 août).

Dans la nuit du 29 au 30 août, Michel s’est donné la mort. C’était un technicien à la


compétence pointue et dont la qualité professionnelle n’était pas discutée. Il était chargé de la
validation d’équipements de transmission pour le haut débit, à Lannion (Côtes-d’Armor), chez
Orange Labs (1 090 salariés), où s’élabore pour partie la recherche et développement de
France Télécom. Marié, trois enfants dont une fille mineure, Michel avait aussi un petit-fils. Il
avait exercé un mandat de représentant du personnel à la CFDT et siégé au CHSCT (Comité
d’hygiène, de sécurité et des conditions de travail) jusqu’en 2007, mais le syndicat nie tout
lien entre son mandat et son geste.

La CFDT, certainement le syndicat le plus réservé sur l’utilisation médiatique des suicides, a
attendu huit jours pour communiquer sur ce cas, demandant expressément à ses pairs
d’attendre aussi pour «laisser le temps au recueillement et à la réflexion». Aujourd’hui, la
centrale établit un lien entre le drame et la façon dont la direction de l’opérateur gère au
quotidien ses salariés. Son analyse du geste de Michel en a d’autant plus de poids.

Dans un communiqué qui sera diffusé ce matin, la section CFDT de Bretagne (34 % des voix
aux dernières élections, premier syndicat de la région) évoque deux conflits récents rencontrés
par Michel dans son environnement direct de travail, et qui ont pesé dans son geste. Christian
Wipliez, délégué CFDT, les met en perspective : «Les procédures managériales pour gérer
les salariés sont devenues très individualisées, voire infantilisantes.» Entretiens en face à
face, batteries d’outils pour évaluer l’individu… Même les tâches complexes peuvent être
découpées. «C’est pire que tout. Cela crée un isolement très pénible. On en oublie le
collectif.»

A l’automne 2008, on avait ainsi fixé à Michel pour objectif, comme à l’école, «d’améliorer
son comportement». De l’avis de son entourage, pareille réprimande l’avait affecté. Très
récemment, la hiérarchie directe était revenue à la charge, et l’avait convoqué «pour des
accusations sans preuves», insiste-t-on à la CFDT. «Cela a accentué sa souffrance, assure
Wipliez. L’entreprise ne sait pas détecter la souffrance des gens comme Michel.»

Au-delà de ce cas, le syndicaliste insiste sur une inquiétude collective qui mine les salariés
des quatre départements bretons. On dénombre 14 sites de plus de 50 personnes (Vannes,
Lanester, Quimper…), sans compter les microsites. Avec la vague prochaine des départs en
retraite, certains sites risquent «de passer sous la masse critique» et peuvent être fermés,
obligeant des salariés à bouger. France Télécom, dans le cadre de la gestion prévisionnelle de
ses effectifs, a fait des projections sur 2015 et 2018, et «tous ceux qui ont vingt-cinq ans de
maison se sentent vulnérables». Particulièrement l’encadrement. «Le management met une
pression énorme sur la mobilité des cadres», explique la CFDT.

Aujourd’hui, le drame de Michel devrait prendre une résonance nationale. Le CHSCT de


Lannion va ouvrir une enquête sur les circonstances qui ont pu conduire à son suicide. Tandis
que la direction de France Télécom, localement, dédouane la hiérarchie intermédiaire:
«Mettez en cause les dirigeants, mais ne tapez pas sur l’encadrement direct. Ils ne font
qu’exécuter les ordres.»
07/09/2009

France Télécom mise en cause après un nouveau suicide


SOCIETE - Dans la nuit du 29 au 30 août, un salarié France Télécom de Lannion (Côtes
d'Armor), âgé de 52 ans, marié et père de trois enfants, s’est donné la mort. Dans un
communiqué, la CFDT met en cause les différents épisodes professionnels qui ont précédé
son décès et auraient influencé son geste.

Délégué du personnel de 2005 à 2007 et membre du CHSCT (Comité d’Hygiène, de Sécurité


et des Conditions de Travail), chargé de la validation d’équipements de transmission pour le
haut débit chez Orange, la filiale de France Télécom, Michel avait un travail qui lui plaisait et
qui était “reconnu”. Mais pour des raisons qui restent à déterminer, “il était isolé dans son
environnement professionnel depuis plusieurs mois”, constate la CFDT.

“La seule action de sa ligne hiérarchique connue par la CFDT a été de lui fixer un “objectif
d’amélioration de son comportement” dans le cadre d’entretiens individuels. Celà n’a pas
apporté de solution à son isolement”, déplore le syndicat dans son communiqué. Début
juillet, ce technicien, qui n’a laissé aucun message pour expliquer les raisons de son suicide, a
également été convoqué par la direction “pour une demande d’explications suite à une
accusation anonyme sans preuves. Au cours de ce même mois, l’ensemble de ces faits ont
amené Michel, en état de souffrance, à consulter le médecin du travail sur le site. Les
délégués syndicaux CFDT sont intervenus pour l’assister une première fois en septembre
2008 puis au cours de l’entretien de début juillet 2009”.

Le syndicat relève “l’influence de ces conflits rencontrés dans son espace professionnel” et
Christian Wipliez, délégué CFDT qui a rencontré la famille de Michel, estime qu’il existe “un
lien direct” entre le suicide du salarié et les méthodes de management de l’entreprise.
“L’entreprise ne sait pas détecter la souffrance de gens comme Michel”, a t-il dit à
Libération. Cet évènement intervient alors que plus d’une vingtaine de suicides de salariés de
France Télécom ont été dénombrés depuis janvier 2008.

Le directeur des relations humaines du groupe, Olivier Barberot, fera jeudi devant un CHSCT
national "des propositions concrètes sur le stress au travail, dans le cadre des axes définis en
commun avec les syndicats le 25 août", a annoncé France Télécom. "Il y a des tensions dans
le fonctionnement de l'entreprise compte tenu de tous les changements technologiques et
réglementaires. Est-ce que dans le cas de Lannion, la tension était plus forte qu'elle ne devait
être ? On verra à froid. L'entreprise se sent concernée par ces drames", a déclaré la direction.
Les syndicats SUD, CGT, FO ET CFDT ont déposé un préavis de grève dans la région
Bretagne de France Télécom, pour jeudi. La CFTC et la CGC appellent comme eux à un
rassemblement à Rennes devant le siège régional de France Télécom. "La pression est forte,
quand vous recevez tous les jours un mail vous demandant de céder à des objectifs de
mobilité", affirme Pierre Dubois, délégué CFDT, selon qui la rémunération variable de
certains cadres du groupe "dépend à 50% d'un objectif de réduction d'effectifs". Entré en
Bourse en 1997, recapitalisé par l'Etat pour 9 milliards d'euros en 2004, France Télécom a
subi des restructurations drastiques.
PHA (avec AFP)

Économie 09/09/2009 à 17h33

Un salarié de France Télécom tente de se suicider au travail


Le salarié, âgé d'une cinquantaine d'années, avait appris récemment sa mutation d'office dans
un autre service mais dans la même ville.

A Nice, le 29 octobre 2008. (REUTERS)

Alors que 20 suicides ont été dénombrés chez France Télécom depuis janvier 2008 par les
syndicats, dont trois cet été, un technicien du centre d'intervention de Troyes s'est planté un
couteau dans l'abdomen ce mercredi lors d'une réunion d'équipe. «Ses jours ne semblent pas
en danger, il est hospitalisé et conscient», a indiqué la direction de France Télécom à Paris.

L'homme, âgé d'une cinquantaine d'années, avait appris récemment sa mutation d'office.

Ce mercredi matin, le manager avait organisé une réunion de service lors de laquelle le drame
s'est produit, devant une quinzaine de personnes. «Ce collègue avait un travail valorisant. Il
faisait de la maintenance chez des clients professionnels. Il a appris qu'il ferait désormais des
dérangements chez les abonnés grand public, a indiqué Régis Pigre, délégué SUD sur le site
de Troyes. Il a démarré en bas et a travaillé pour monter. Du jour au lendemain, on lui dit
que maintenant il fera un travail moins intéressant.»

La direction de France Télécom à Paris a confirmé que le salarié «travaillait dans une
structure d'intervention auprès des entreprises, dont le volume d'activité à diminué, et dont il
fallait transférer des salariés vers une structure d'intervention chez les particuliers». Ce
transfert, selon la direction de France Télécom, prévoit qu'il travaille dans la même ville et sur
le même site, et exerce le même métier.

Après plusieurs décès cet été, les syndicats ont été reçus par le DRH de l’opérateur. Une
journée de grève était d'ores et déjà prévue demain jeudi.

(Source AFP)
Économie 10/09/2009 à 16h24

«A 22 suicides, c’est quand même qu'il y a un grave problème»

REPORTAGE

En pleine série noire, les salariés de France Télécom ont manifesté leur désarroi ce jeudi.
Direction et syndicats se sont mis d'accord sur l'ouverture la semaine prochaine de
négociations sur le stress dans l'entreprise.

CORDÉLIA BONAL

Le logo de France Télécom. (© AFP Damien Meyer)

«Pour vous dire, on est cinquante dans mon service, la moitié sont sous anti-dépresseurs. On
va quand même pas attendre que d'autres collègues se suicident pour faire quelque chose!»
Alicia travaille chez France Télécom dans le Val-de-Marne, au service réclamations internet.
Avec quelques centaines de techniciens et commerciaux «FT» de la région, elle est venue
manifester sous les fenêtres du siège des ressources humaines du groupe à Paris, dans le XVe
arrondissement.

C'est ce jeudi que syndicats et direction s'y retrouvaient pour un Comité national d'hygiène,
sécurité et conditions de travail (CNHSCT) sous haute tension: 22 salariés du groupe se sont
suicidés depuis février 2008 et à peu près autant auraient tenté de le faire, selon le décompte
des syndicats. Hier encore, un salarié a tenté de mettre fin à ses jours.

Pour sortir de la spirale infernale, les salariés réclament l'ouverture de négociations sur les
conditions de travail et un moratoire sur les changements de postes forcés dans l'entreprise,
qui, entrée en Bourse en 1997 et recapitalisée par l'Etat pour 9 milliards d'euros en 2004,
restructure à grande échelle.

Pendant que dans le bâtiment les représentants syndicaux - CFDT, CGT, Sud et FO - exposent
leurs revendications au DRH du groupe, Olivier Barberot, sur la petite place en contrebas,
autour d'un stand café-gâteaux, on parle boulot... et surtout mal-être au boulot. «Flicage»,
«infantilisation», «pressions», «stress», «dépression», «déshumanisant», «management par la
terreur», «robots»... Les mêmes mots reviennent, lourds, dessinant un tableau effrayant de la
vie à France Télécom.

«Tout le monde s'écrase»

«On nous fixe des objectifs intenables, on change les gens de postes tout le temps et toujours
brusquement, sous prétexte que si on reste trop longtemps à un poste ça veut dire qu'on n'est
pas efficace. A la 20e fois, vous êtes usé», peste Catherine, qui travaille à la gestion des
dossiers des professionnels.

Vient ensuite l'isolement, la solitude dans la détresse. «Les RH de proximité ont été
supprimées au profit d'une plate-forte téléphonique où vous n'avez jamais le même
interlocuteur, les cellules d'écoute n'inspirent confiance à personne, et vos responsables
directs sont tellement obsédés par par les chiffres qu'ils ne savent plus écouter. Résultat, tout
le monde s'écrase», résume Alicia.

Tous parlent aussi du sentiment d'être poussés vers la sortie. Et «tous les moyens sont bons».
Chistophe: «La boîte nous envoie toutes les semaines des mails avec des offres de postes
extérieurs au groupe. Si on a le malheur de demander des renseignements, juste pour voir,
c'est fini: ils ne vous lâchent plus jusqu'à ce que vous partiez, c'est du harcèlement.»

Gel des restructurations

Les salariés, enfin, ne pardonnent pas à la direction d'avoir laissé entendre que la vague de
suicides tenait d'abord à des difficultés personnelles chez les salariés. «On ne peut jamais dire
que c'est à 100% lié au travail, mais enfin, il y a eu des écrits, des échanges avec les élus du
personnel, on sait très bien que certains ici sont cassés par les conditions de travail», dit
Dominique, représentante Sud. «Et puis un, je veux bien, mais à 22 suicides, c'est quand
même qu'il y a un grave problème», tempête un autre.

Mais pour la direction, les suicides ne sont «pas en augmentation»: 28 en 2000 et 29 en 2002,
pour environ 100.000 salariés.

Midi. Philippe Meric, de Sud PTT, s'éclipse de la réunion et prend le mégaphone. «La
direction s'est engagée sur un gel des restructurations et mobilités forcées jusqu'au 31
octobre», annonce-t-il. Huées dans l'assistance. «Un mois et demi tranquilles, c'est du foutage
de gueule», s'énerve-t-on. «C'était une mesure d'urgence indispensable et c'est un signe
d'ouverture», tempère Philippe Meric.

Deuxième proposition mise sur la table par la direction, l'ouverture le 18 septembre de


négociations «sur le stress à France Télécom», avec la désignation d'un cabinet d'experts
externe. Mais rien de précis encore quant à l'objet exact des négociations, déplorent les
syndicats, qui appellent à s'attaquer aux «vrais sujets», c'est-à-dire «le style du management et
l'organisation du travail». La direction, enfin, prévoit et le recrutement de 100 DRH de
proximité et de médecins du travail supplémentaires.
Économie 12/09/2009 à 16h23

Suicides à France Télécom: le gouvernement s'en mêle


Après qu'une jeune femme s'est jetée vendredi par la fenêtre de son bureau, le ministre du
Travail Xavier Darcos a proposé samedi d'envoyer le directeur général du travail dans
l'entreprise.

Le ministre du Travail, Xavier Darcos, a proposé samedi que le directeur général du Travail
se rende chez France Télécom, touché par une série de suicides de salariés, en exprimant "sa
très forte préoccupation", après un nouveau geste désespéré d'une employée. (AFP Gerard
Cerles)

Face au nouveau suicide d'une salariée de France Télécom, le 23e en un an et demi, Xavier
Darcos a proposé samedi d'envoyer le directeur général du travail dans l'entreprise, les
syndicats exprimant de leur côté de vives critiques contre le management du groupe.

La dernière victime, une jeune femme de 32 ans, est décédée vendredi après s'être jetée par la
fenêtre de son bureau. Deux jours plus tôt, un autre salarié avait tenté de se tuer en se plantant
un couteau dans le ventre en pleine réunion.

Le ministre du Travail Xavier Darcos, qui doit rencontrer le PDG du groupe Didier Lombard
en début de semaine, a annoncé samedi qu'il comptait proposer "que le directeur général du
travail, autorité centrale de l’inspection du travail en France, assiste à une prochaine réunion
du comité d’hygiène, de sécurité et des conditions de travail" de l'entreprise.

Il lui demandera aussi "d’engager les négociations avec les représentants du personnel de
l’entreprise, pour transcrire au niveau du groupe" l’accord sur la prévention du stress au
travail conclu par les partenaires sociaux en novembre 2008.

Jeudi, au soir d'une mobilisation nationale, la direction s'était déjà engagée à ouvrir ces
négociations vendredi 18 septembre, mais aussi à suspendre provisoirement les mobilités et à
recruter des DRH et médecins du travail.
Pour Xavier Darcos, qui a manifesté "sa très forte préoccupation", "il faut aujourd’hui que les
entreprises (...) prennent en compte les facteurs de risques pour la santé mentale liés aux
organisations de travail et à leurs évolutions".

Selon la direction de France Télécom, la jeune femme qui a mis fin à ses jours vendredi
"venait d'apprendre qu'elle changeait de chef d'équipe".

"C'est une personne qui était fragile, qui était suivie à la fois à titre personnel et dans
l'entreprise par des psychiatres, des médecins du travail et l'assistante sociale depuis
longtemps", selon la même source, qui a ajouté que sa charge de travail avait été "adaptée".

Mais pour les syndicats, dont la mobilisation jeudi dénonçait les conditions de travail, ce sont
les méthodes de management qui sont à l'origine de la série noire observée depuis février
2008 (23 suicides sur 100.000 employés).

"Innaceptable", "insupportable"... Samedi, ils n'avaient pas de mots assez forts pour traduire
leur colère.

FO-Com, CGT, CFTC et Sud-PTT, ont réclamé tour à tour à l'entreprise des "mesures
radicales", la plupart appelant l'Etat à "prendre ses responsabilités", en tant qu'actionnaire
majoritaire, et FO menaçant de faire jouer son droit de retrait (qui permet à un salarié se
jugeant en danger de cesser le travail).

D'autant que l'inquiétude reste forte: "je suis intimement convaincu qu'il va y avoir d'autres
cas", car "on oublie tout ceux" qui "font des tentatives sans qu'on le sache ou qui sont en arrêt
de maladie", a souligné Patrice Diochet (CFTC).

Une crainte partagée par la psychanalyste Marie Pezé, spécialiste du stress au travail. "On
aura des suicides de cadres, et même des meurtres, les couteaux sont sortis", dit-elle, tant les
mesures envisagées par la direction sont "insuffisantes" voire "délétères".

Depuis plusieurs années, les syndicats déplorent le malaise au travail et la pression sur les
salariés, notamment pour les inciter à partir dans le cadre d'un plan de départs volontaires qui
a permis de se séparer en trois ans de 22.000 salariés (pour 5.000 embauches).

(AFP)
Économie 14/09/2009 à 00h00

Aux origines de l’épidémie de suicides

Les salariés de France Télécom sont confrontés à des mutations brutales.

Par LUC PEILLON

Elle n’est pas morte tout de suite. Et pour ses collègues, devant lesquels Stéphanie s’est jetée
du 4e étage, le spectacle de l’agonie a été traumatisant. «Ils étaient hystériques», confie
Sébastien Crozier, responsable CGC-Unsa du site. Une salariée a apporté une couverture à la
jeune femme encore consciente, avant qu’elle ne décède deux heures plus tard.

La scène, «d’une violence absolue», selon la CGC-Unsa, s’est déroulée vendredi en fin
d’après-midi, au sein de l’immeuble France Télécom de la rue Médéric à Paris. La
défenestration de cette salariée de 32 ans, dépendant d’Orange France, mais intégrée à la
branche entreprises de France Télécom, constitue le 23e cas de suicide depuis février au sein
du groupe. Un suicide de plus - de trop - qui a immédiatement fait réagir le ministre du
Travail, Xavier Darcos, qui devrait recevoir aujourd’hui le PDG du groupe, Didier Lombard.
Fait rarissime, le ministre a également demandé à son directeur général du Travail, Jean-Denis
Combrexelle, d’intervenir personnellement. Retour sur une épidémie de suicides au sein d’un
groupe en mutation permanente.

Combien de suicides à France Télécom ?

Vingt-trois salariés se seraient donné la mort depuis février 2008, dont sept depuis le
13 juillet, selon l’observatoire du stress mis en place par SUD et la CGC-Unsa. S’il est
toujours difficile de relier directement un tel acte à l’environnement professionnel, le fait d’y
recourir sur son lieu de travail, qui plus est en présence de ses collègues, constitue un indice
fort. Même chose pour ce technicien France Télécom de Troyes, qui a tenté, mercredi, de se
poignarder devant d’autres salariés. Sur ces vingt-trois suicides, neuf, au moins, semblent liés
à l’environnement de travail. Ce qui représente, en moyenne, 5,4 cas par an pour 100
000 salariés à France Télécom, contre 1,6 pour 100 000 pour le reste de la population active
française.

Pourquoi une telle série ?

Le suicide de Stéphanie, vendredi, est «assez symptomatique» des raisons pouvant conduire à
un tel acte au sein de l’opérateur, selon la CGC-Unsa. La jeune femme, chargée du
recouvrement clients, venait de vivre une triple réorganisation. Après un changement de site il
y a trois mois (de Courbevoie à Paris), un changement de structure (d’Orange à France
Télécom), elle venait d’apprendre une réorganisation de son service. D’une manière générale,
l’entreprise est en restructuration permanente depuis de nombreuses années. Une
reconfiguration de ses implantations et de ses services qui s’est accompagnée de près de 70
000 départs depuis 1996. Or l’entreprise est historiquement composée de fonctionnaires (65 %
encore aujourd’hui). Jusqu’en 2006, elle a pu en faire partir près de 40 000, grâce,
notamment, au dispositif de fin de carrières pour les plus de 55 ans. Mais depuis, la filière est
éteinte. Le plan «Next», prévoyant le départ de 22 000 personnes sur trois ans (2006-2008)
s’est, lui, appuyé sur d’autres dispositifs (pénibilité, intégration à la fonction publique). Mais
aussi, et c’est là le problème, sur les départs «volontaires», qualifiés, pour nombre d’entre
eux, de «démissions forcées» par les syndicats, et qui ne seraient que la conséquence des
restructurations, réalisées parfois de façon brutale. «Du jour au lendemain, on annonce aux
salariés que leur entité va fermer, qu’ils doivent bouger de 50 ou 100 km, explique Pierre
Morville, délégué CGC-Unsa. Quand vous êtes jeune, ça va, mais quand vous avez 50 ans,
une vie de famille, et que les mutations se multiplient, c’est très dur à vivre.» Dernière
innovation, le programme «It’s time to move», qui conduit une partie des cadres à devoir
changer d’affectation tous les trois ans. A charge, pour eux, de trouver en interne leur
nouveau poste. Un programme de «désocialisation humaine» pour la CGC-Unsa, «inspiré des
méthodes de l’armée pour éviter que les managers ne se lient trop à leur équipe, et
s’opposent aux réductions d’effectif ou aux fermetures de sites». Réorganisations et
développement de la sous-traitance contribueraient à déstabiliser les équipes, tout en poussant
les plus fragiles à des actes désespérés.

Que font la direction et le gouvernement ?

La direction a annoncé cet été l’ouverture de négociations sur les conditions de travail et les
restructurations locales. Elle devrait également procéder à l’embauche de plusieurs médecins
du travail et de cent personnes spécialement dédiées aux ressources humaines. Elle a aussi
annoncé, jeudi, la suspension jusqu’au 31 octobre des cas de mobilités internes.

Le gouvernement, de son côté, a missionné le directeur général du Travail, Jean-Denis


Combrexelle, qui doit rencontrer direction et syndicats. Joint hier par Libération, ce dernier
reconnaissait le «caractère exceptionnel» de ce type d’intervention, et demandait «une
réponse rapide de la direction en interne».

Reste que l’agitation empathique du gouvernement ne doit pas faire illusion. Car c’est l’Etat
qui est encore le principal actionnaire avec 26,65 % du capital et, surtout, l’employeur des 65
000 fonctionnaires que compte encore l’ex-entreprise publique.
Économie 15/09/2009 à 13h14

«Le France Télécom de décembre ne sera pas le même qu'aujourd'hui»

Didier Lombard, patron de l'opérateur, qui a rencontré ce mardi matin Xavier Darcos, a fourni
des engagements au ministre du Travail après l'épidémie de suicides qui affecte les salariés de
l'entreprise. Mesure phare: toutes les mutations sont gelées jusqu'à fin octobre.

PHILIPPE BROCHEN

Didier Lombard, PDG de France Télécom, et Xavier Darcos, ministre du Travail, ce mardi 15
september, à la sortie de leur rencontre au ministère du Travail. (Reuters)

Stopper l'hémorragie. Et créer un «nouveau contrat social». C'est la priorité et l'engagement


que se sont donné Xavier Darcos, ministre du Travail, et Didier Lombard, PDG de France
Télécom. Les deux hommes se sont rencontrés ce matin au ministère de la rue de Grenelle
pour évoquer la situation du groupe marqué par une spirale de suicides de salariés, pour
laquelle les syndicats mettent en cause les méthodes de management et les restructurations à
outrance.

Hier encore, une employée de France Télécom a tenté de mettre fin à ses jours dans une
agence de Metz en avalant des barbituriques. Elle est aujourd'hui hors de danger. La semaine
passée, un technicien de l'entreprise s'était planté un couteau dans l'abdomen lors d'une
réunion à Troyes, après avoir appris la suppression de son poste. Il avait avoué que son geste
avait été «prémédité (...) pour dénoncer les conditions de travail» et exprimer un «ras-le-
bol».

«Arrêter le phénomène de contagion»

«La mort volontaire d'un homme ou d'une femme est toujours un drame, une tragédie, déclare
tout d'abord Xavier Darcos, lors d'un point presse à l'issue de sa rencontre avec Didier
Lombard. Et cela l'est particulièrement quand cette tragédie se déroule sur le lieu de travail.»
Face à cette spirale de suicides, «il faut autre chose que de la compassion, affirme le ministre.
Il faut prendre des décisions, il faut que France Télécom prenne toute la mesure du
problème».
A ses côtés dans le hall d'entrée du ministère, le PDG de l'opérateur de télécommunications
déclare, lui, qu'«il y a une urgence: arrêter le phénomène de contagion, la spirale.» Mais,
signe que l'Etat s'investit pour stopper la tragédie, c'est Xavier Darcos qui annonce le premier
les mesures prises lors de cette rencontre.

«Il faut tout d'abord arrêter la mobilité géographique et professionnelle pour les salariés
jusqu'au 31 octobre, annonce le ministre du Travail. Il faut aussi mettre en place un numéro
vert (...), renforcer le services des ressources humaines (...), mobiliser l'encadrement au
plusprès des salariés (...) et effectuer une tournée des principaux sites pour mobiliser les
cadres autour de cette question.»

«Trouver une stratégie durable dans l'entreprise»

Voilà pour les mesures d'urgence. Sur le plus long terme, Xavier Darcos appelle à «trouver
une stratégie durable dans l'entreprise», et aussi à mettre en application «l'accord sur le
stress au travail signé en 2008 et qui n'est pas mis en place à France Télécom».

Autre priorité avancée: mettre l'accent sur «la prévention du stress et des risques
psychosociaux liés à la mobilité. Cela exige une gestion prévisionnelle de l'emploi et des
compétences. Cela offrira une visibilité aux salariés et facilitera leur accompagnement. Il faut
aussi une prise en compte précise de la situation personnelle du salarié, comme cela se fait
chez Renault ou encore Alstom», demande le ministre. Autrement dit: France Télécom doit se
montrer plus humain avec ses salariés. Et Darcos de demander le recrutement d'«assistants
sociaux et de médecins du travail».

Car si l'entreprise est «à la pointe du progrès technique et connaît des mutations


technologiques et économiques importantes», elle doit «accompagner ses salariés des ces
mutations. Il n'y a pas de progrès technologique sans progrès social», assène le ministre du
Travail.

«Culture administrative»

A ses côtés, Didier Lombard écoute, profil bas et bras croisés, avant de prendre la parole. Et
de confirmer «le gel des mutations jusqu'au 31 octobre», «le recrutement de 10% de médecins
du travail en plus» et «le renforcement des équipes de ressources humaines de l'entreprise
par une centaine de personnes».

Explication du PDG pour expliquer cette vague de suicides: «Pour des personnes habituées à
une culture administrative, notre fonctionnement actuel crée un sentiment d'instabilité. Mais
ce qui est nouveau, c'est la spirale.» Une spirale créée, selon lui, par «la médiatisation». «Je
n'ai pas maîtrisé cette médiatisation qui a impacté le moral des plus fragiles», avance Didier
Lombard.

Qui promet: «A la fin de l'année, on devrait être fins prêts pour repartir sur de nouvelles
bases. France Télécom du mois de décembre ne sera pas France Télécom d'aujourd'hui. Nous
devons continuer à bouger, mais différemment. Nous devons créer un nouveau contrat social
dans l'entreprise.»
Économie 16/09/2009 à 00h00

Suicides : comment France Télécom a ignoré les alertes


Dès 2007, les syndicats signalaient la souffrance liée à la réorganisation permanente de
l’entreprise en cours de privatisation.

Par CATHERINE MAUSSION

Le président de France Télécom Didier Lombard et le ministre du Travail Xavier Darcos, lors
d'une conférence de presse, mardi 15 septembre. (AFP)

Peut-on parler de déni? Le mot est fort. Mais il a fallu un recensement douloureux - 23
suicides en dix-neuf mois - et une convocation chez le ministre du Travail, Xavier Darcos,
pour que Didier Lombard, le patron de France Télécom, s’engage «personnellement pour que
cesse ce mouvement de spirale infernale». Retour sur ces signaux que la direction n’a pas
perçus.

13 Décembre 2007 Les syndicats SUD-PTT et CFE-CGC publient la deuxième phase


d’enquête de leur Observatoire du stress et des mobilités forcées, créé quelques mois plus tôt.
Les initiateurs de l’Observatoire pointent la souffrance née des réorganisations incessantes.
Chaque répondant -un millier de salariés- dit avoir occupé en moyenne 2,17 postes sur les
cinq dernières années avec, souvent, un changement du lieu de travail. Voyant venir le coup,
la direction de l’opérateur a publié la veille son plan et ses chiffres pour lutter contre le stress.
Elle répète en boucle que l’enquête syndicale n’est «ni représentative, ni scientifique».

21 décembre 2007 Le Syndicat national des professionnels de la santé au travail (SNPST)


écrit au PDG de France Télécom, déplorant «des atteintes à la déontologie médicale et à
l’indépendance des médecins du travail» à propos de la souffrance au travail, et demande au
PDG «qu’il use de toute son autorité pour que cesse ce trouble qui, à terme, pourrait avoir
des conséquences délétères sur la santé des salariés de FT».

11 janvier 2008 Didier Lombard fait visiter Orange Labs, à Châtillon, dédié à l’innovation.
En interne, on le baptise «le Technocentre». Le terme fait référence au technocentre de
Renault, à Guyancourt. Lombard ne cache pas sa vénération pour Louis Schweitzer, «qui a
inventé Guyancourt», cette usine dont il veut copier l’idée. Sauf que Guyancourt est dans tous
les esprits lié aux suicides (trois en quatre mois dans l’hiver 2006-2007). Le PDG de Renault,
lui, a fait son mea culpa et a relâché la pression sur ses équipes. Lombard est sur une autre
planète, tout à la fierté d’ouvrir les portes de son Labs : «Pour que ça marche, il faut mettre
une pression d’enfer.» Et il prend l’image de la «machine à laver», toujours en mouvement.

14 juillet 2009 Suicide d’un technicien à Marseille, gros bosseur. Il laisse une lettre mettant
en cause les méthodes de l’entreprise. Les six syndicats de France Télécom écrivent à
Lombard, pour lui demander un entretien en urgence. Insistent sur la multiplication des gestes
-20 suicides depuis février 2008. Rééditent leur demande d’une négo sur le stress, en
application d’un accord interprofessionnel. «Pas de réponse à notre demande», confiait Pierre
Morville (CFE-CGC-Unsa), juste avant la mi-août, à Libération. France Télécom leur
demande de patienter jusqu’au 10 septembre, date d’une réunion du Comité national du
CHSCT. Il faudra un second suicide -un technicien, le 11 août à Besançon, pour que les
syndicats décrochent le 25 août une réunion à chaud.

21 Août 2009 Dans l’entourage du patron de FT, on essaie d’éteindre l’incendie médiatique.
A propos d’un cas: «toute la hiérarchie savait qu’il n’allait pas bien». Pour un autre, ça
donne: «il avait un problème avec sa copine». A propos d’un syndicaliste: «il instrumentalise
le cas». Avant de passer le message aux médias: «plus on en parle, plus on donne des idées»

7 septembre 2009 Début d’une semaine horribilis. Deux suicides - à Lannion et Paris-, et
une tentative à Troyes, que les syndicats corrèlent aux méthodes de management. Message
reçu chez Lombard. Mais après qu’il soit monté jusqu’au sommet de l’Etat.
Économie 16/09/2009 à 10h50

Didier Lombard s'excuse d'avoir parlé de «mode du suicide»


Le PDG de France Télécom avait utilisé cette formule mardi à propos des salariés qui ont
tenté de se donner la mort ces derniers mois. Il dit avoir été induit en erreur par le terme
anglais «mood» (humeur).

Le PDG de France Télécom, Didier Lombard, a présenté ses excuses ce mercredi des propos
qu'il a tenus la veille évoquant une «mode du suicide» au sein de son entreprise.

«Hier (mardi, ndlr), par erreur, j'ai utilisé le mot "mode" qui était la traduction du mot
"mood" (humeur, ndlr) en anglais. Je m'excuse d'avoir fait ça», a déclaré Didier Lombard sur
RTL.

«Je suis focalisé sur: arrêtez cette spirale infernale (du suicide) dans laquelle nous sommes»,
a ajouté le patron de l'opérateur historique.

Hier mardi, le PDG de France Télécom s'était engagé à mettre un «point d'arrêt à cette mode
du suicide qui évidemment choque tout le monde», lors d'une conférence de presse à l'issue de
sa rencontre avec le ministre du Travail Xavier Darcos.

Ses propos ont suscité une vive polémique alors que 23 salariés de France Télécom se sont
suicidés ces 18 derniers mois.

(Source AFP)
Économie 16/09/2009 à 10h50

Didier Lombard s'excuse d'avoir parlé de «mode du suicide»


Le PDG de France Télécom avait utilisé cette formule mardi à propos des salariés qui ont
tenté de se donner la mort ces derniers mois. Il dit avoir été induit en erreur par le terme
anglais «mood» (humeur).

Le PDG de France Télécom, Didier Lombard, a présenté ses excuses ce mercredi des propos
qu'il a tenus la veille évoquant une «mode du suicide» au sein de son entreprise.

«Hier (mardi, ndlr), par erreur, j'ai utilisé le mot "mode" qui était la traduction du mot
"mood" (humeur, ndlr) en anglais. Je m'excuse d'avoir fait ça», a déclaré Didier Lombard sur
RTL.

«Je suis focalisé sur: arrêtez cette spirale infernale (du suicide) dans laquelle nous sommes»,
a ajouté le patron de l'opérateur historique.

Hier mardi, le PDG de France Télécom s'était engagé à mettre un «point d'arrêt à cette mode
du suicide qui évidemment choque tout le monde», lors d'une conférence de presse à l'issue de
sa rencontre avec le ministre du Travail Xavier Darcos.

Ses propos ont suscité une vive polémique alors que 23 salariés de France Télécom se sont
suicidés ces 18 derniers mois.

(Source AFP)
Économie 16/09/2009 à 00h00

«L’entreprise est sous pression, moi aussi»

Interview

Didier Lombard, 67 ans, PDG de France Télécom, réagit à chaud :

Par CATHERINE MAUSSION

Quelques heures après avoir rencontré le ministre du Travail, Didier Lombard, à la tête de
France Télécom depuis le départ de Thierry Breton en février 2005, nous a accordé une
interview par téléphone.

Que se passe t-il chez France Télécom en ce moment ?

On est dans une espèce de spirale dramatique qui s’est enclenchée à partir des drames de cet
été. Certaines personnes plus fragiles que d’autres sont passées à l’acte, happées par cette
spirale. Il faut l’arrêter. Cela met toute l’entreprise sous pression, y compris moi-même. Nous
avons décidé d’arrêter pour l’instant les mutations et tout ce qui pourrait être générateur
d’émotions, de problèmes familiaux. Il faut aussi veiller à toutes les situations génératrices de
stress, détecter toutes les personnes à risques. On s’est mis en route pour le faire. Il y en a
qu’on connaît. D’autres pas. On a écrit aux médecins du travail pour qu’ils nous alertent, bien
sûr dans le respect du secret médical. On a mis en place un numéro vert, une hotline avec, au
bout, des psychologues qui ne sont pas de France Télécom pour les plus réticents à s’exprimer
dans l’entreprise. Cela devrait nous permettre de revenir à la normale.

Il faut que nous tenions compte aussi du moral des managers de la maison. Nous avons tous
été heurtés. C’est comme dans un deuil. Il faut qu’ils s’expriment, qu’ils lâchent leurs
émotions. On n’arrivera pas à une situation apaisée s’ils se sentent pris à contre-pied,
culpabilisés. Alors qu’ils avaient surmonté tous les défis, l’ouverture à la concurrence, le
mobile, l’Internet.

Il y a eu des signaux, avec l’Observatoire du stress, les alertes des médecins du travail, et pourtant vous
n’avez rien vu ?

Mais nous ne sommes pas restés inertes. Avec nos cellules d’écoute, notre commission sur le
stress mise en place dès 2000 ! Si vous interrogez les spécialistes, ils vous diront que notre
dispositif se compare tout à fait favorablement à d’autres grands groupes.

Il est mis pourtant en échec !

Les syndicats ont leur discours. Il ne correspond pas nécessairement à la réalité. Cet été, je
n’ai pas voulu communiquer, par peur de la spirale. Elle était évidente dès la médiatisation
des premiers cas. Tous les psys vous le diront. Il y a un effet de contagion.

Va- t-on gérer demain chez France Télécom autrement que par la pression ? Carlos Ghosn (le patron de
Renault) avait reconnu qu’il devait changer d’organisation du travail, pas vous…
Cela n’a rien à voir. Renault n’a pas connu une mutation aussi profonde! Nous vivons une
transformation concurrentielle, technologique et réglementaire. Et j’ai dit que j’embarquerai
tout le monde. Si vous voulez générer un volume d’activité suffisant pour payer vos
collaborateurs, comme ils n’ont pas nécessairement les expertises devenues indispensables,
nous devons les convaincre de bouger, les former et même à un moment impulser une certaine
pression. On va devoir expliquer plus. Nous allons modifier nos habitudes de dialogue et la
manière dont on interréagit. C’est douloureux parfois de changer de poste, mais cela peut être
enthousiasmant. Mais si vous me dites que demain, on ne bougera plus dans France Télécom,
je ne peux pas vous suivre !

Nicolas Sarkozy a dit qu’il réfléchissait à ne pas lancer de quatrième opérateur mobile (lire aussi page 16).
Pour vous, c’est une bonne nouvelle ! Cela va permettre de relâcher la pression ?

On verra si cela se réalise ! Pour le moment, on est dans l’hypothèse où elle arrive. Mais il n’y
a pas que France Télécom qui sera impacté.
Économie 16/09/2009 à 00h00

«Une paralysie de la pensée s’est mise en place»

Interview

François, 48 ans, a passé dix ans à France Télécom comme médecin du travail :

Par LUC PEILLON

Le changement de management

«Je fais partie de ces "vieux" médecins du travail, qui ont passé plus de dix ans dans
l’entreprise. J’ai donc connu ses évolutions successives depuis la privatisation. Pour plusieurs
de mes collègues et moi-même, tout a basculé en 2006. A cette époque, la plupart des
médecins du travail ont signalé des manifestations anxio-dépressives sévères parmi le
personnel. La cause ? Une évolution brutale du management, qui a fini par nier l’intelligence
même des salariés. L’organisation du travail se résumait à des ordres indiscutables. Si le
salarié proposait une autre façon de faire, on lui faisait comprendre que c’était un emmerdeur,
que le problème, c’était lui. Or, ce qui vitalise une organisation du travail, c’est justement la
confrontation des points de vue, pour ensuite pouvoir partager, ensemble, une définition
commune de ce qu’est le "bien travailler". Mais à France Télécom, le débat est devenu
impossible. Les consignes tombaient, précédées de la phrase : "Le président a dit." Une sorte
de slogan qui faisait penser aux pires années du maoïsme.»

La répercussion sur les salariés

«Tous les professionnels qui, depuis des années, avaient participé à la construction du réseau
télécom, ont vu leur savoir-faire nié. S’est mis en place une paralysie de la pensée, un
fonctionnement automatique des services. Ce système s’est doublé d’une politique du chiffre,
conduisant à une invasion des indicateurs. Au service après-vente, par exemple, ils avaient un
quota de réparations à réaliser chaque jour. Du coup, ils faisaient parfois semblant de réparer.
Et quand ils passaient trop de temps sur une vraie réparation, on leur disait qu’ils faisaient
perdre du temps à l’entreprise. Même chose pour les techniciens qui en arrivaient à ne plus
déclarer les problèmes qu’ils avaient repérés sur le réseau. Car là aussi, on leur reprochait de
perdre du temps. Je n’ai jamais vu un tel cadrage du travail de toute ma carrière. Or, entre le
travail prescrit et le travail réel, il y a toujours une différence. Si vous ne laissez pas cet
espace au salarié, vous l’étouffez.»

La démission de médecins du travail

«Nos propositions pour remettre du débat dans l’organisation du travail ont été rejetées en
bloc. Puis la direction a commencé à nous diaboliser, expliquant que l’on voyait des
dépressifs partout. Ils ont aussi mis en place des cellules d’écoute, composées de médecins du
travail et de cadres des ressources humaines. Ce qui est totalement antidéontologique.
D’autant que les managers étaient chargés de repérer les personnes "fragiles" et de les orienter
vers ces cellules. Comment voulez-vous qu’un salarié soit à l’aise face à une partie de sa
direction ? Les salariés disaient : "Ils nous écoutent, mais ils ne nous entendent pas." Le
contrôle de notre activité est devenu tellement pesant que nous avons fini par penser que le
problème venait de notre côté. La situation est alors devenue intenable. Et, début 2008, avec
cinq autres de mes collègues, j’ai finalement démissionné.»

(1) Le prénom et l’âge ont été changés.


Économie 16/09/2009 à 00h00

Une société obsédée par le changement


L’entreprise a totalement modifié structure et discours.

Par CATHERINE MAUSSION

Comment raconter la mutation considérable à l’œuvre chez France Télécom, passé en vingt
ans d’un monopole confortable à la violence de la compétition dans un monde globalisé. On
aurait pu penser que l’opérateur, puissant, rentable, allait lever le pied. A voir le chemin
parcouru, on se dit que personne n’a ménagé ses efforts.

Au sommet de la hiérarchie, on ne chipote pas les compliments: «Regardez ! En quinze ans,


nos salariés ont appris l’ouverture à la concurrence, la dérégulation, la mise en Bourse, la
téléphonie mobile, l’Internet et le haut débit.» Mais c’est pour enchaîner : « Il est
inenvisageable d’arrêter les restructurations», comme l’a encore répété récemment le DRH,
Olivier Barberot.

Le (bon) temps. Raconter la mutation de France Télécom, c’est se pencher sur ses 102 000
salariés en France, âgés de 48 ans en moyenne. Entrés frais diplômés ou en apprentissage pour
faire une carrière au sein d’un service public. C’était le (bon) temps où l’offre de l’opérateur
tenait sur une page de format A4. Depuis 1997 et son changement de statut, France Télécom
ne recrute plus de fonctionnaires. N’empêche, ils pèsent encore 65 % dans les effectifs.

Aujourd’hui, pour décrire les services de l’opérateur, il faudrait un bottin. Si les mots
racontent une histoire, le glissement du vocabulaire et les slogans en vogue chez l’opérateur
décrivent bien la mutation à l’œuvre. Le management des salariés, leur évaluation, le contrôle
de leur travail s’inscrivent dans de nouvelles expressions.

Un salarié dont on veut évaluer la performance n’est plus convoqué à «un entretien de
progrès», mais à «un entretien individuel», note un syndicaliste CFDT de Lannion. Et, depuis
2006, le rythme s’accélère : au lieu d’un rendez-vous par an, c’est un par semestre.

Autre changement sémantique, il n’est plus question d’évaluation mais d’«auto-évaluation».


Le salarié est invité à passer à confesse, «à reconnaître lui-même qu’il n’est pas à la hauteur,
à se dévaluer», décrypte t-on à la CGT. Une novation refusée par les syndicats.

Bouger. Il y a aussi ce slogan «Time to move» (il est temps de bouger). Jugé trop rude, il est
en train de passer de mode. Le management lui préfère le terme «d’agilité», ou celui de
«fluidité». Cela revient au même: il faut bouger. Signe de la dureté des temps: pour la
première fois cette année, dans la division innovation, la direction de France Télécom a fait
une application stricte de la règle suivante: aucune augmentation pour les cadres restés trois
ans dans le même poste. Un petit quart des cadres, dit le syndicaliste de Lannion, ont eu droit
ainsi à «une part zéro».
Économie 17/09/2009 à 00h00

La médecine illégale de France Télécom


Par LUC PEILLON

Le service de médecine du travail de France Télécom fonctionne illégalement, affirme le site


internet de la revue Santé et Travail (Sante-et-travail.fr). «Le service médical de l’entreprise
fonctionne depuis quatre ans sans l’agrément des pouvoirs publics et sans que le ministère
n’ait tapé du poing sur la table», indique la revue spécialisée dans les conditions de travail.
D’après Santé et travail, les services du ministère du Travail essayent d’instruire la demande,
mais selon plusieurs sources en charge du dossier, «la structure du projet proposé par
l’opérateur serait incompatible avec les éléments réglementaires exigés pour un agrément,
d’autant que l’entreprise est en perpétuelle réorganisation». La responsabilité en incomberait
également au ministère lui-même, en raison du manque d’effectifs chronique des médecins
inspecteurs du travail, notamment en Ile-de-France. Conséquence juridique, entre autres, de ce
défaut d’agrément, les avis du médecin du travail, tels que l’aptitude ou l’inaptitude d’un
salarié de l’entreprise, n’auraient aucune existence légale, affirme le site internet de la revue.
«On imagine l’imbroglio juridique si un salarié de France Télécom déclaré inapte s’avisait
de contester cet avis devant un tribunal», conclut Santé et Travail.L. P.
Économie 19/09/2009 à 00h00

France Télécom ouvre la porte au dialogue


Par CATHERINE MAUSSION

France Télécom plie mais ne rompt pas. Hier, Olivier Barberot, le DRH du groupe, a ouvert
les négociations sur l’application dans l’entreprise de l’accord interprofessionnel sur le stress
au travail. Pour les syndicalistes présents autour de la table, l’ambiance a changé. Ils ont
trouvé à Barberot «un profil plutôt bas» et «un ton solennel». Réaction positive de Pierre
Dubois, le délégué syndical central de la CFDT : «Ils ont enfin reconnu, chez France
Télécom, qu’ils étaient allés trop loin, notamment sur la relation managériale.» Qu’il leur
fallait «refonder le dialogue social». SUD-PTT salue l’ouverture pour la première fois d’un
chantier sur l’organisation du travail et les règles de mobilité, et un autre sur l’équilibre entre
vie privée et vie professionnelle. Deux thèmes en résonance forte après les drames de cet été.
Mais l’opérateur est resté inflexible sur le gel provisoire des mobilités. Pas question de revenir
sur la date butoir du 31 octobre. «Qu’au moins France Télécom suspende les mobilités
pendant le temps de la négociation», a plaidé la CGT, associée aux autres syndicats. C. Ms.
Chroniques
Médias 21/09/2009 à 00h00

Des suicides à la une


Par DANIEL SCHNEIDERMANN

Pendant des mois, les employés de France Télécom se suicidèrent dans une discrétion
absolue, et une indifférence générale. Les médias avaient l’œil ailleurs. Il y avait tant d’autres
sujets plus dignes d’intérêt ! Des suicides chez les nantis de France Télécom, qui n’avaient
même pas le bon goût d’être menacés par le chômage ? Des suicides dans une entreprise de
pointe, un «champion français», qui ne parle que réseaux, livebox, numéros surtaxés, etc. ?
Même les mots «opérateur historique», qui sentent vaguement la poussière, semblaient
solliciter le respect dû à une salle de musée.

L’irruption du drame au cœur du monument familier paraissait hautement improbable. La


corrélation statistique n’était pas avérée. Tenter d’enquêter sur le sujet, c’était défricher un
événement brut, dans un désert statistique, une absence totale de commencement
d’explications, un territoire vierge d’interprétations et de communication, et une dénégation
quasi générale. En quelques jours, les suicides à France Télécom grimpent à la une.

Et comme dans un bain de révélateur, l’événement, transformé en feuilleton public, avec tous
les ingrédients idoines, est tiré dans tous les sens. Rebondissements quotidiens : le suicidé de
France Télécom rejoint tout en haut de l’échelle d’importance le mort de la grippe A ;
communication frénétique du gouvernement : le ministre Darcos convoque le PDG Didier
Lombard pour le rappeler aux devoirs de l’humanité, de l’accompagnement, et de la
compassion ; gaffes spectaculaires et réjouissantes : le brillant Lombard parle de «mode du
suicide», puis s’excuse platement, sans réaliser combien le lapsus trahit l’ambiance interne de
la haute direction de la société.

Dans une grande compétition de «pourquoi ça devait arriver», l’entreprise, hier encore
«champion national», est désormais canardée de tous côtés. D’abord (majoritairement) de la
droite. Les plus brillants éditorialistes multicartes plaquent leurs dadas et leurs tropismes sur
l’événement. Christophe Barbier, directeur de l’Express, a trouvé le coupable (chronique sur
LCI) : «C’est de la faute de l’Etat. L’Etat, socialement, a trop protégé ses troupes, ses
fonctionnaires : pas de mutation ou d’avancement au mérite, le tranquille avancement de
l’ancienneté, la sécurité de l’emploi, la culture de la fonction publique à la française […] et il
amène dans le privé, des gens qui ne sont absolument pas préparés à la vie un peu plus rude,
un peu plus violente. L’Etat, c’est un éleveur d’agneaux qui les lâcherait dans la forêt, sans
leur avoir dit qu’il y a des loups.»

Jacques Attali, sur son blog, est plus nuancé : «France Télécom devient Orange. Une
entreprise publique, dont les personnels étaient par nature sédentaires, devient une entreprise
privée, dont les personnels sont nomades. Dans l’une, pas de pression sur les prix et une
gestion humaine traditionnellement gérée avec les syndicats. Dans l’autre, une pression
obsessionnelle sur les coûts, matériels et humains. Il peut donc arriver que quelqu’un y soit
broyé s’il se laisse prendre dans l’interstice entre ces deux logiques […].»

Heureusement, Attali connaît la solution : «Les réconcilier. Faire que la France soit à la fois
nomade et sédentaire […], telle est sans doute le plus grand enjeu culturel […], de la
prochaine décennie. Puissions-nous entendre ceux qui ont laissé leur vie pour que nous le
comprenions.» Mais la direction, elle, est mitraillée de l’autre bord. A la base,
les témoignages accablants se multiplient. Le Nouvel Observateur a dépêché une journaliste,
arrivée exactement à l’instant où «Sébastien» (le prénom a été changé par l’Obs) a résisté à la
tentation du suicide : «Le regard doux de sa femme, les sourires de ses filles. Il les regarde et
ne se jette pas par la fenêtre du bureau. Il rentre chez lui.» Et la journaliste de multiplier
formules et témoignages assassins : «Un bon employé, à France Télécom, est un employé qui
s’en va.[…] Les managers ont été choisis pour leur obéissance. Ils me font penser à des kapos
dont le seul but serait de virer les gens.»

Où étaient ces mêmes journalistes, pendant que les «kapos» pourrissaient la vie des employés
des agences du coin de la rue ? Tout n’est sans doute pas de leur responsabilité. La voie
d’alerte habituelle, entre une entreprise et les médias, ce sont les syndicats. Lesquels (pudeur ?
vague culpabilité ?) sont moins enclins à médiatiser des suicides, que des luttes contre des
suppressions de postes. N’empêche : même si elle a mille bonnes raisons de ne pas avoir vu
plus tôt, le décalage en dit long sur la myopie de la grande machine à informer.
Économie 22/09/2009 à 00h00

France Télécom: le malaise dans la civilisation du travail high-tech


Par MARCO DIANI Sociologue, chercheur au CNRS

Une équipe de sociologues du CNRS, il y a vingt-cinq ans, rendait à la direction des Télécoms
un imposant rapport de recherche intitulé : «Le devenir des cadres aux Télécoms». C’était le
titre officiel, tout le monde savait que le vrai sujet était : le malaise des cadres aux Télécoms.
L’enquête avait duré plus d’un an, des centaines de salariés de tout niveau, dirigeants et
syndicalistes, polytechniciens de la puissante Direction générale des télécommunications
(DGT), responsables du ministère des PTT avaient été interviewés aux quatre coins de France.
Les résultats étaient éloquents et sans appel. Le malaise des travailleurs des Télécoms était
très profond. Tous les symptômes qui sont d’actualité en 2009 étaient déjà visibles en 1982.
En effet, ni l’administration de l’Etat ni les travailleurs des Télécoms n’étaient prêts à subir
les révolutions technologiques et managériales qui s’annonçaient, et qui, d’une manière
presque inéluctable, s’imposaient.

Il fallait accomplir à marche forcée au moins quatre ruptures radicales. Tout d’abord,
«désintégrer» le vieux ministère des Postes et Télécommunications, en transformant la
puissante DGT en France Télécom. Cela avait pour conséquence de changer le statut, mais
sans éliminer une hiérarchie fondée sur la domination des polytechniciens et des énarques, et
tout en gardant un statut privé. Le management moderne faisait alors son irruption fracassante
dans le monde de la fonction publique, imperméable à l’époque à la notion de management.
La révolution technologique s’accompagnait d’un bouleversement encore plus profond de
l’organisation des carrières et des conditions de travail. Comme c’est souvent le cas avec les
analyses qui touchent des points sensibles, il arriva ce qui devait arriver : notre rapport
provoqua une réaction en chaîne, à tous les étages de l’immense forteresse des Télécoms, des
plus hauts dirigeants jusqu’aux syndicats. On nous accusa, nous les chercheurs, de tous les
maux et de toutes les perversités morales, idéologiques et scientifiques. Pendant des semaines
après la remise du rapport, nous étions presque tapis dans le laboratoire, croulant sous les
accusations et les menaces. Nous avons participé à des réunions houleuses avec les
commanditaires de la recherche, dans des face-à-face parfois dramatiques. On nous demanda
de réécrire, et même de modifier nos conclusions.

Qu’avions-nous donc découvert de si dangereux ? A peu près les mêmes éléments inquiétants
de l’actualité de ces derniers mois, avec le tragique cortège des 23 suicidés en quelques mois.
Gestion du changement inadéquate de la part du management des Télécoms, incompréhension
grave des conséquences sur l’identité au travail provoquée par les changements
technologiques et organisationnels, tensions énormes sur la question des statuts et de la
mobilité, tant géographique que professionnelle. Sans oublier la folie organisationnelle
d’avoir gardé des statuts concurrents pour les salariés : public pour certains, privé pour les
autres. Bien évidemment, on avait observé tout ce qui va avec : stress au travail et en famille,
maladies professionnelles de type nouveau, suicides et tentatives de suicides. Tout cela existe,
et pas seulement aux Télécoms, mais n’est visible statistiquement nulle part : drogue,
alcoolisme, violences conjugales et même difficultés sexuelles.
Aujourd’hui, il semble évident qu’en vingt-cinq ans, France Télécom a consacré plus
d’attention et surtout plus de moyens à sa stratégie commerciale et industrielle qu’à la qualité
de la vie au travail de son personnel. A titre de comparaison, la poursuite de la stratégie
Orange, avec le rachat de la marque et la nouvelle charte graphique a absorbé des sommes
proprement gigantesques, et sans commune mesure avec le budget de la recherche sur les
évolutions du travail et les formes plus ou moins graves d’inadéquation entre les processus de
travail et les salariés.

Où sont les grandes initiatives de recherche et d’expérimentation scientifique dans ces


domaines, financées ou conduites par les Télécoms ? Il faut dire, que malgré des initiatives
ponctuelles louables, les syndicats ne se sont pas distingués par un effort notable en ce sens.
Et on tremble en lisant qu’Olivier Barberot, DRH du groupe, déclare que le nombre de
suicides chez France Télécom n’est pas en augmentation, citant deux chiffres : 28 suicides
en 2000, soit 2,15 pour 10 000 salariés, et 29 en 2002, soit 2,49 pour 10 000. On a froid dans
le dos en pensant qu’en un quart de siècle si peu a été fait pour éviter les dizaines voire les
centaines de suicides et pour tous ceux qui ont enduré les crises d’une organisation du travail
défaillante et pathogène, tant pour les individus que - et c’est encore plus grave - pour les
collectifs de travail.

La réponse à cette crise se fait uniquement en termes de prise en compte du stress ou des
difficultés personnelles qu’on va traiter avec plus de médecins du travail et des mesurettes
d’assistance et d’accompagnement. A quoi bon tout cela ? Evidemment, les mesures allant
dans le sens d’un allègement des difficultés sont bienvenues, mais il faut comprendre que les
Télécoms sont l’exemple parfait du malaise d’une civilisation du travail et du management
qui semble tourner le dos à une compréhension moderne et scientifique du travail à haute
intensité organisationnelle et technologique. France Télécom compte 18 centres de recherche
dans le monde, ses services de R&D emploient 5 000 personnes avec un budget de
900 millions d’euros en 2008. Il serait intéressant de savoir combien d’argent est consacré à la
compréhension de la complexité croissante du travail et de l’organisation managériale dans la
première entreprise technologique de France.

Quant à nous, sociologues du CNRS, nous serions contents de savoir ce qui est arrivé aux
conclusions et aux préconisations de notre recherche. Même si nous en avons une petite idée.
Économie 23/09/2009 à 10h40

Un syndicat propose une taxe sur les suicides en entreprise

Evoquant la série de suicides à France Télécom, la CFE-CGC réclame la mise en place d’une
taxation très forte pour les entreprises confrontées à des suicides de salariés reconnus comme
accident du travail.

La CFE-CGC souhaite une «taxation très forte» des entreprises où sont enregistrés des cas de
suicides de salariés reconnus comme accidents du travail.

«Au-delà de la reconnaissance du stress comme maladie professionnelle, la CFE-CGC


réclame la mise en place d’une taxation très forte pour les entreprises confrontées à ces
suicides et pour lesquels il y a reconnaissance d’accident du travail», a déclaré mardi le
président de la centrale des cadres, Bernard Van Craeynest lors de sa conférence de presse de
rentrée.

Evoquant la série de suicides à France Télécom, «cas d’école» de passage d’«un service
public à une entreprise sous la coupe des marchés, avec une baisse des effectifs» où «il est
évident qu’on a complètement oublié le facteur humain», Bernard Van Craeynest a jugé que la
suspension des restructurations jusqu’à fin octobre est «insuffisante» et a demandé d’«aller
bien au-delà».

Vendredi, les syndicats et la direction de France Télécom ont décidé de cinq chantiers de
discussion, dans le cadre de la négociation sur le stress au travail qui devrait se poursuivre
jusqu’à fin 2009, selon les syndicats.

Les syndicats de France Télécom demandent que le gel des restructurations soit «en
cohérence» avec la fin de la négociation et perdure jusqu’à la fin de l’année, et non jusqu’au
31 octobre comme promis fin août par la direction.

(Source AFP)
Société 23/09/2009 à 00h00

Etudiants en psycho: pourquoi partent-ils ?


Par PASCAL-HENRI KELLER Professeur de psychopathologie, université de Poitiers

Dans les filières universitaires de sciences humaines, les effectifs d’étudiants seraient à la
baisse, surtout en psychologie. Conséquence d’un discours politique désignant ces filières
comme «fabriques de chômeurs» ?Effet mécanique du mouvement de grève qui a perturbé les
facs durant tout le premier semestre 2009 ? Les raisons sont à l’évidence plus complexes.
Mais si l’on s’en tient à la seule psychologie, une chose est sûre : la désaffection apparente
dont souffre cette discipline a de quoi intriguer, tant la demande est grande.

Côté public d’abord : l’engouement pour la presse «psy» ne fait que croître et les ouvrages
des «psys» se publient à un rythme effréné. Le législateur ensuite : ses efforts pour mettre au
point le statut de psychothérapeute sont en train d’aboutir et, désormais, la responsabilité de
cette formation reviendra pour l’essentiel aux universités. Les professionnels enfin : jamais les
institutions sanitaires et sociales n’ont autant fait appel aux psychologues.

Alors, d’où vient le malaise qui s’installe dans cette science de l’esprit qu’est la psychologie ?
A défaut d’une réponse satisfaisante à cette question, on dispose de quelques éléments de
réflexion sur le sujet. Deux suffiront. Cet été, la ministre de la Santé fait voter la loi HPST,
dans laquelle disparaît cette phrase : «Les établissements de santé, publics et privés, assurent
les examens de diagnostic, la surveillance et le traitement des malades, des blessés et des
femmes enceintes en tenant compte des aspects psychologiques du patient», pourtant inscrite
dans la loi depuis 1991. Malgré les démarches des principales associations de psychologues,
rien n’y a fait : l’aspect psychologique des personnes accueillies peut désormais être ignoré
par les établissements de soin. Et puis, il y a quelques jours, les médias ont fait leurs titres sur
le vingt-troisième suicide d’entreprise à France Télécom. La souffrance psychique au travail,
pourtant étudiée depuis des années par les scientifiques et dénoncée par tous les syndicats,
deviendrait-elle cause nationale ? Pas du tout. Ces suicides en série, mis à l’occasion sur le
compte du «stress», seraient surtout dûs à des effets de «contagion». Ce mot évoque un
phénomène naturel, incontrôlable. L’envie de se donner la mort s’attraperait en quelque sorte,
comme le rhume des foins, ou la grippe H1N1, au contact de ceux qui sont déjà atteints.
Quant à la vie psychique de son personnel, France Télécom, soutenue par le gouvernement,
promet désormais d’en prendre soin, comme elle a pris soin de sa technologie de pointe : en la
«gérant» mieux (France Info, 15 septembre). Ce désintérêt de la puissance publique à l’égard
des choses de l’esprit est-il finalement si gênant pour le citoyen ? A première vue, non, car
chacun tient à l’idée qu’il use de sa liberté de penser, à sa guise. Mais, parallèlement, l’Etat
investit des sommes colossales dans des entreprises comme NeuroSpin (Saclay), qu’il charge
officiellement de trouver, à l’intérieur du cerveau, les sources de la pensée. Fasciné par le
cerveau, autant que le sot peut l’être par le doigt du sage qui lui montre la lune, le responsable
politique nous impose, jour après jour, sa propre fascination. C’est ainsi qu’il y a peu, des
scientifiques ont caressé l’espoir de trouver dans le cerveau de certains bambins jugés troublés
et troublants, non seulement la source de leurs pensées déviantes, mais également celle de
leurs futures conduites asociales (Nos enfants sous haute surveillance, Sylviane Giampino et
Catherine Vidal, Albin Michel, 2009).
Refusant de concevoir l’activité cérébrale seulement comme condition nécessaire à la pensée,
de nombreux scientifiques font mine de croire qu’elle en est la condition suffisante. Puisqu’ils
oublient que le psychisme ne surgit pas ex nihilo, il faudra bien un jour ou l’autre leur
rappeler que, pour penser comme pour aimer, il faut être deux. Ce jour-là, puissent les
psychologues être encore assez nombreux pour y contribuer.
Société 25/09/2009 à 10h32

Des questionnaires sur le stress au travail à France Télécom


Secoué par une série de suicides parmi ses salariés, le groupe avait promis fin août d'ouvrir
une négociation sur le stress au travail.

France Télécom proposera d’ici fin octobre à tous ses salariés un questionnaire sur le stress au
travail qui sera élaboré par un comité de pilotage paritaire et le cabinet Technologia, choisi
par une majorité de syndicats du groupe.

Après une série de suicides parmi ses salariés, France Télécom s’était engagé le 26 août à
ouvrir rapidement une négociation sur le stress au travail -dont la deuxième séance a eu lieu
jeudi.

Le cabinet Technologia travaillera sur trois volets, la définition du questionnaire avec le


comité de pilotage, des interviews en face à face d’un échantillon représentatif de salariés et
«l’analyse sous un angle médical des suicides des derniers mois», selon un compte-rendu de
la réunion obtenu par l’AFP.

Tests semblables au technocentre de Renault

Le cabinet avait appliqué la même méthode au Technocentre de Renault-Guyancourt


(Yvelines), lorsque le constructeur automobile l’avait désigné, également après une série de
suicides. Technologia avait remis à Renault et aux syndicats son rapport le 20 décembre 2008.

La CFDT, FO, la CFTC et la CGC qui représentent un peu plus de la moitié des voix chez
France Télécom, ont choisi Technologia parmi les trois cabinets proposés par la direction,
alors que Sud et la CGT proposaient Secafi-Alpha.

«Nous n’avions jusqu’ici jamais pu avoir les études réalisées par France Télécom. Cette fois,
les salariés pourraient avoir la possibilité de s’exprimer vraiment», même si «le cahier des
charges n’est pas encore établi, il y aura des rencontres la semaine prochaine», a indiqué à
l’AFP Pierre Dubois, délégué syndical CFDT.

«Il ne faudrait surtout pas que ce questionnaire soit un échec parce que les gens ont peur de
ne pas s’exprimer librement, pour des raisons de confidentialité», a souligné Sandrine Le
Roy, déléguée syndicale FO.

La négociation avec les syndicats de France Télécom sur le stress au travail se poursuivra la
semaine prochaine. Cinq groupes de travail s’attaqueront aux chantiers identifiés:
l’organisation du travail, les conditions de travail, la mobilité, l’équilibre vie privée-vie
professionnelle et le fonctionnement des institutions représentatives du personnel.

(Source AFP)
Économie 29/09/2009 à 18h20

France Télécom: des syndicats vont déposer plainte contre X

Après un 24e suicide en 18 mois, la CFE-CGC-Unsa et FO ont décidé d'engager une action
juridique pour «mise en danger de la vie d'autrui» et «non assistance à personne en souffrance
au travail».

Des syndicats de France Télécom ont décidé de déposer plainte contre X pour mise en danger
de la vie d'autrui, à la suite du suicide lundi d'un salarié de l'entreprise, qui travaillait à
Annecy-le-Vieux (Haute-Savoie), a-t-on appris auprès de la CFE-CGC-Unsa et de FO.

«Nous avons pris la décision d'engager une action juridique contre X, en invoquant la faute
inexcusable de l'employeur pour mise en danger de salariés au travail», a déclaré un élu du
CE et délégué CFE-CGC pour la direction territoriale de France Télécom centre-est, Jaime
Alonso.

Ce dépôt de plainte, qui pourrait être déposé «dans les prochains jours» à Lyon, sera
accompagné d'une autre action pour «faute inexcusable pour non assistance à personne en
souffrance au travail, les preuves étant les rapports des médecins du travail, les alertes au
CHSCT» sur la dégradation des conditions de travail, a précisé un délégué syndical FO,
Jacques Guichou.

Ce dépôt de plainte a été discuté avec les autres organisations syndicales CFDT et la CGT, qui
se concertent actuellement sur l'opportunité de se joindre à l'action.

Après le suicide du salarié d'Annecy-le-Vieux lundi, le 24e à France Télécom en 18 mois, le


PDG Didier Lombard a annoncé que l'entreprise mettait fin «au niveau national au principe
de mobilité des cadres systématique tous les trois ans».

(Source AFP)
Économie 29/09/2009 à 13h26 (mise à jour à 17h00)

France Télécom: la gauche réclame la démission de Lombard

Les députés PS et PCF appellent à la mise en place d'une mission parlementaire, au lendemain
d'un 24e suicídio dans l'entreprise. A droite, on critique aussi ses méthodes de gestion.

Libération.fr

Le PDG de France Télécom, Didier Lombard, le 4 mars. (Charles Platiau / Reuters)

Après le 24e suicídio d’un salarié de France Télécom, lundi, Didier Lombard peut-il encore
conserver son siège de numéro un? Les députés PCF et le porte-parole du PS ont appelé ce
mardi à la démission du PDG, «seule issue possible, dans l’immédiat, à cette affaire», selon
Benoît Hamon.

Question de «responsabilité sociale», estime le socialiste. «Je ne dis pas que la situation
relève de sa responsabilité personnelle mais, à un moment donné, il faut aussi prendre sur
soi, au sein d’une société dont l’organisation est telle que les syndicats disent qu’il est devenu
insupportable d’y travailler», poursuit Hamon, guère convaincu par la «communication à bon
compte» du PDG. «Le sujet le plus important est évidemment de remettre sur la table
l’organisation du travail à France Télécom et que les syndicats soient à nouveau associés à
sa mise en oeuvre.»

Les députés PS appellent aussi à la mise en place d’une mission d’information parlementaire
sur la santé au travail. Leurs collègues communistes plaident, eux, pour une commission
d’enquête parlementaire, réclamant que la commission des Affaires sociales de l’Assemblée
soit «saisie en urgence du dossier».

Ils réclament également le départ de Lombard. «Ces patrons qui vont jusqu’à parler de "mode
du suicídio" portent une lourde part de responsabilité dans la souffrance au travail, source de
tels drames», a accusé le porte-parole, Roland Muzeau: «Le management à coup d’évaluation
individuelle, d’objectifs inatteignables, de mobilité forcée, voilà ce qui est en cause.» Mais le
député des Hauts-de-Seine pointe aussi le rôle de l’Etat qui, «en se retirant de l’entreprise
pour ne plus détenir que 23% du capital, [...] a largement contribué à ces drames humains».

«La recherche effrénée de l’efficacité tue l’efficacité»

Si elle ne parle pas de démission, la droite commence aussi à hausser le ton. «On ne peut pas
avoir ce réflexe systématique de commencer par dire qu’en coupant une tête, on règlera le
problème d’une entreprise. Je pense que le sujet n’est pas là», a commencé le patron des
députés UMP, Jean-François Copé, à l’issue de la réunion du groupe UMP à l’Assemblée
nationale, ajoutant: «Ce n’est pas mon métier de démissionner les gens.» Mais Copé a,
ensuite, souligné que les «règles intérieures», à France Télécom, «sont, de premier abord,
très troublantes».

Le vice-président du groupe UMP, Jean Leonetti a renchéri en plaidant pour un management


plus «souple pour être efficace»: «La recherche effrénée de l’efficacité tue l’efficacité. On ne
peut plus aujourd’hui manager les gens en faisant des règles pour tout le monde. Si l’humain
est cassé, on produit moins et on produit plus mal.»

Le président (UMP) de l’Assemblée nationale, Bernard Accoyer a estimé mardi que «la
question de la gestion humaine dans cette entreprise se pose». Maire d’Annecy-le-Vieux
(Haute-Savoie), où s’est produit le 24e suicídio chez France Télécom en 18 mois, Accoyer
refuse d’«interférer dans cette entreprise» mais juge «nécessaire» d’engager «un travail
extrêmement urgent et profond d’évaluation et de remise en cause d’un certain nombre de
situations».
Économie 29/09/2009 à 07h22

France Télécom met fin au «principe de mobilité des cadres»

Un salarié de l'entreprise a mis fin hier lundi à ses jours. Le 24e en 18 mois.

Didier Lombard, PDG de France Télécom. (Reuters)

Le PDG de France Télécom Didier Lombard a annoncé lundi à Annecy que l'opérateur
téléphonique mettait fin "au niveau national le principe de mobilité des cadres, systématique
tous les 3 ans", après suicide dans la journée d'un 24e salarié de l'entreprise en 18 mois.

Lors d'une conférence de presse au sortir d'une réunion avec les représentants syndicaux du
site d'Annecy, où travaillait le salarié qui s'était donné la mort le matin même, le PDG a
également annoncé sa décision de "suspendre immédiatement les objectifs individuels sur ce
plateau le temps d'y améliorer les conditions matérielles", et a assuré que l'ensemble des
propositions des délégués du personnels" d'Annecy seraient prises en compte lors des
négociations nationales sur le stress au travail.

"Il y a du grain à moudre pour améliorer la méthode par laquelle nous obtenons nos
objectifs. Ils n'est pas normal que l'humain ne soit pas passé en tête de nos préoccupations", a
également estimé Lombard.

Interrogé sur la pression subie, selon les syndicats par les salariés dans l'entreprise, le PDG a
répondu: "La pression correspond à ce qui est induit par l'état de la concurrence, mais il y a
moyen de faire baisser la pression en étant plus humain dans l'application des choses".

Le PDG de France Télécom s'était rendu lundi en fin d'après-midi, entouré du directeur des
ressources humaines de France Télécom, Olivier Barberet, et du directeur général adjoint,
Louis-Pierre Vienes, sur le site d'Annecy, dans une ambiance tendue, et avait été hué à son
arrivée, en présence d'une centaine de salariés, avec lesquels il a eu une discussion très vive
pendant près de trois quarts d'heure, selon une journaliste de l'AFP.

(Source AFP)
Économie 30/09/2009 à 00h00

Didier Lombard, une posture intenable

France Télécom . La démission du PDG, auditionné au Sénat après le dernier suicide, est de
plus en plus évoquée.

Par CATHERINE MAUSSION

«Monsieur Lombard, envisagez-vous de démissionner ?» A cette question posée par Yannick


Bodin, sénateur (PS), le patron de France Télécom a répondu par un long silence. Avant
d’enchaîner, lors de l’audition qui s’est tenue hier devant la Commission des affaires sociales
du Sénat, qu’il «pensait pouvoir être encore utile à [son] poste». Pour combien de temps ? Au
lendemain du 24e suicide (en dix-neuf mois), survenu lundi à Annecy, la question de la
succession de Didier Lombard agite à tous les niveaux.

Exemple, ce ministre qui lâchait hier à Libération :«Lombard, c’est un brave type, mais il est
complètement à côté de la plaque. Il n’a pas pris conscience de ce qui se passait.» Voilà pour
le jugement lapidaire. Alors qu’attend-on pour le remercier ? L’affaire n’est pas simple. «Bien
sûr, on se pose la question, poursuit le ministre. Sauf qu’on préférerait agir à froid.» Et
d’ajouter, un brin cynique : «Parce que si les suicides continuent après l’avoir débarqué, on
va se trouver mal».

Sur le terrain, à Annecy, les mesures que Didier Lombard est venu apporter hier à des équipes
sous le choc ont été accueillies par des appels à la démission. «Imaginez, il leur a dit qu’on
allait cesser de fixer des objectifs individuels. Mais sur ce plateau seulement !» dit-on chez
Sud. A Grenoble, à Lyon, à Bordeaux, Montpellier… Sud, la CGC-Unsa ou la CGT ont réuni
des petits bataillons de salariés en colère sous les fenêtres des directions locales. Aujourd’hui,
à 15 heures, Didier Lombard reçoit à Paris, comme prévu, les responsables syndicaux
nationaux de l’opérateur pour faire un point sur les négociations. La démission va-t-elle
s’inviter au menu ? Chez Sud, organisation la plus vindicative, Pierre Ackermann pèse ses
mots : «On se pose effectivement la question de la crise de légitimité de la direction.»

De son côté, la CFDT, syndicat majoritaire chez les cadres, vient d’adresser une violente lettre
à Louis-Pierre Wenes, le numéro 2 de France Télécom, à la suite de propos qu’elle juge
injurieux tenus dans le Nouvel Obs, et lui demande de «se soumettre ou se démettre» :«Les
cadres sont d’une loyauté légendaire à l’égard de la direction. Mais là, le système de
management a gravement échoué», dit Jacques Faurit, délégué CFDT. Hier, Stéphane
Richard, appelé à succéder à Didier Lombard en 2011, jurait sa totale loyauté au président
bousculé. Mais c’est un secret de polichinelle qu’il est dans les starting-blocks.
Économie 01/10/2009 à 10h53

France Télécom: Lagarde renouvelle son «entière confiance» à Lombard


La ministre de l'Economie a reçu ce jeudi à Bercy le PDG de France Télécom, dont une partie
de la gauche réclame la démission après une longue série de suicides dans son entreprise.

Le 4 mars 2009. (Reuters)

La ministre de l’Economie Christine Lagarde a renouvelé ce jeudi «sa pleine et entière


confiance» au PDG de France Télécom Didier Lombard.

Convoqué par la ministre, alors qu’il est dans le collimateur des syndicats et de la gauche qui
a demandé sa démission après le 24e suicide d’un employé du groupe en 18 mois, le PDG a
été reçu durant 1h15 à Bercy.

La veille, le ministre du Travail Xavier Darcos, avait déjà apporté un soutien appuyé au PDG
de France Télécom.

Les organisations syndicales ont appelé aussi à des débrayages jeudi, à 15 heures, au moment
où devait être inhumé le salarié qui s’est jeté d’un pont lundi en Haute-Savoie.

«Nouveau contrat social»

Christine Lagarde, dont l’ancien chef de cabinet Stéphane Richard a été désigné en mai pour
prendre les rênes du groupe en 2011, a souligné que «l’enjeu était celui d’une mobilisation
totale de l’entreprise» autour du plan d’action pour améliorer le climat social dans l’entreprise
que lui a détaillé Didier Lombard.

Selon le ministère, le patron de France Télécom a informé la ministre des mesures prises par
l’entreprise et présentées la veille aux syndicats pour «intensifier le dispositif mis en place
pour prévenir tout nouveau suicide».

Ce dispositif prévoit une cellule d’accueil téléphonique et une équipe renforcée de


psychologues à la disposition des salariés, l’élaboration d’un «nouveau contrat social» dans
l’entreprise et l’accompagnement «psychologique et matériel» des familles «touchées par les
drames de ces derniers mois», ajoute Bercy.

Négociations sur le stress

«En étroite collaboration avec les organisations syndicales et les instances représentatives du
personnel, l’ensemble du groupe sera associé à la définition collective du nouveau France
Télécom», précise le communiqué.

A l’issue de la réunion avec les syndicats mercredi, la direction avait annoncé un bilan d’étape
avant le 31 octobre, «avant toute reprise» de la mobilité et des mutations, gelées jusqu’à cette
date. Les syndicats demandaient, eux, un moratoire jusqu’à la fin des négociations sur le
stress, qui doivent s’achever à la fin de l’année.

A la mi-septembre, après le 23e suicide par défénestration d’une employée de 32 ans, Didier
Lombard avait déjà été convoqué par le ministre du Travail Xavier Darcos, qui lui avait
demandé des mesures pour mettre fin à la série noire.

L’Association pour la défense de l’épargne et de l’actionnariat des salariés de France Télécom


(Adeas) a pour sa part souhaité jeudi «un capitalisme à visage humain» dans le groupe, avec
«des gestes forts» comme la baisse du niveau des dividendes ou l’arrêt de distribution de
stock-options.

(Source AFP)
Économie 02/10/2009 à 00h00

France Télécom : Didier Lombard à encore la confiance de Bercy

La gauche réclame sa tête ? Le gouvernement entend le maintenir à la présidence de France


Télécom. Fragilisé par 24 suicides en dix-huit mois dans son entreprise, qui a multiplié les
restructurations, Didier Lombard a été conforté dans sa position, hier, par Christine Lagarde.
La ministre des Finances lui renouvelle ainsi «sa pleine et entière confiance», à l’issue d’une
rencontre à Bercy. Les syndicats, qui demandent l’arrêt complet des restructurations jusqu’à
l’issue de leurs négociations avec le groupe de télécoms, ne désarment pas. Ils ont lancé un
appel à la grève pour les 6 et 7 octobre.

Reuters
Économie 05/10/2009 à 00h00

Suicides à France Télécom : Xavier Bertrand réécrit l’histoire

Par CÉDRIC MATHIOT, CATHERINE MAUSSION

«J’ai vu des responsables syndicaux qui me disaient : on n’a pas vu venir les choses, et on se
sent responsables. Ils doivent démissionner de leur mandat?»

Xavier Bertrand le 29 septembre sur France Inter

INTOX Didier Lombard, patron de France Télécom, est-il comptable de la vague de suicides
qui a frappé l’entreprise ? Et doit-il être débarqué ? La gauche le demande. La majorité s’y
oppose. Interrogé sur France Inter le 29 septembre, Xavier Bertrand, patron de l’UMP prenait
la défense du patron de l’ex-entreprise publique, avançant un argument : les syndicats
euxmêmes n’ont rien vu venir. «Est-ce que vous pensez que pour les syndicats, c’était facile
au sein de l’entreprise de sentir cette vague de suicides ? J’ai vu des responsables syndicaux
qui étaient sur le même lieu de travail que les salariés et qui me disaient : on n’a pas vu venir
les choses, et on se sent responsables. Ils doivent aussi démissionner de leur mandat?»

DESINTOX Ainsi, les syndicats de l’opérateur téléphonique n’auraient rien senti venir et,
suggère Bertrand en faisant parler les syndicalistes, se sentiraient responsables au même titre
que la direction. Curieuse manière de diluer les responsabilités, au prix d’une réécriture très
libre de l’histoire.

Car comme Libération le rappelait le 16 septembre, la question du stress au travail, puis celle
de la recrudescence des suicides, ont, très tôt, été au centre des préoccupations des syndicats.
Et celles-ci ont peiné pour sensibiliser la direction au sujet. Au printemps 2007, la CFE-CGC
et SUD-PTT lancent un Observatoire national du stress et des mobilités forcées afin de
soutenir et informer les salariés du groupe, privatisé depuis 2004, et sous le choc d’un plan de
restructuration. Un questionnaire est mis en ligne dès le 20 juin afin de recueillir les
témoignages. Plus de 3 000 salariés répondent : 66 % se disent «en situation de stress», 15 %
se déclarent «en détresse». En décembre 2007, les syndicats rendent publique la deuxième
phase d’enquête de l’Observatoire, et pointent à nouveau la souffrance née des réorganisations
incessantes. Chaque répondant dit avoir occupé en moyenne 2,17 postes sur les cinq dernières
années avec, souvent, un changement du lieu de travail.

Sentant le coup venir, la direction de l’opérateur a publié la veille son plan et ses propres
chiffres pour lutter contre le stress. Elle répète que l’enquête syndicale n’est «ni
représentative, ni scientifique».

Deux semaines plus tard, le Syndicat national des professionnels de la santé au travail
(SNPST) écrit au PDG de France Télécom et dénonce «des atteintes à la déontologie
médicale et à l’indépendance des médecins du travail» à propos de la souffrance au travail, et
demande au PDG «qu’il use de toute son autorité pour que cesse ce trouble qui, à terme,
pourrait avoir des conséquences délétères sur la santé des salariés». Un an et demi plus tard,
le 14 juillet 2009, un technicien de Marseille met fin à ses jours et laisse une lettre mettant en
cause les méthodes de l’entreprise. C’est le vingtième suicide depuis février 2008.

Le 4 août, les six syndicats de France Télécom écrivent à Didier Lombard : «Depuis des mois
les organisations syndicales vous sollicitent pour aborder les sujets des risques
psychosociaux et le risque suicidaire.» Les syndicats rééditent leur demande d’une
négociation sur le stress. France Télécom leur demande de patienter jusqu’au 10 septembre. Il
faudra un nouveau suicide - un technicien, le 11 août à Besançon - pour que les syndicats
décrochent enfin une réunion le 25 août. Deux années de mobilisation qui auront sans doute
échappé à Xavier Bertrand.
Économie 05/10/2009 à 08h34

France Télécom change de numéro deux

Stéphane Richard a été désigné pour remplacer Louis-Pierre Wenes au poste de directeur
général adjoint en charge des opérations en France.

Stéphane Richard le 7 mai 2009 à Paris (© AFP Franck Fife)

France Télécom a annoncé, ce lundi, le remplacement de Louis-Pierre Wenes, numéro deux


du groupe, par Stéphane Richard, désigné il y a quelques mois pour succéder au PDG du
groupe Didier Lombard en 2011.

Stéphane Richard est nommé directeur général adjoint en charge des opérations France à
compter de ce jour, indique l’opérateur, dans son communiqué.

Cet ancien directeur de cabinet de la ministre de l'Economie Christine Lagarde, qui a été
désigné, en mai dernier, comme prochain PDG de l'opérateur, est arrivé le 1er septembre à
France Télécom.

«Louis-Pierre Wenes, actuel directeur général adjoint en charge des opérations France a
demandé à Didier Lombard de le décharger de ses responsabilités, ce que Didier Lombard a
accepté», explique le groupe.

Arrivé en décembre 2002 comme directeur des achats et de l'amélioration de la performance,


Louis-Pierre Wenes, 60 ans, a supervisé à partir de septembre 2005 la mise en place du plan
«Next», pour moderniser l'opérateur, avant d'être chargé en 2006 des opérations en France et
de la transformation du groupe.

Depuis février, il est aussi directeur général adjoint. Didier Lombard et Louis-Pierre Wenes,
maîtres d’œuvre du désendettement et de la mutation commerciale de l'opérateur, sont sous le
feu des critiques avec la vague de suicides (24 en 18 mois) qui touche leurs salariés.

(Source AFP)
Économie 06/10/2009 à 00h00

Un fusible saute à France Télécom

suicides . Le numéro 2 a «démissionné» hier.

Par CATHERINE MAUSSION

Quelles preuves de «bonne volonté», la direction de France Télécom doit-elle donner ? Hier,
la démission de Louis-Pierre Wenes, le numéro 2, acceptée par la direction, a été reçue
«comme un signe d’apaisement, selon Pierre Morville de la CFE-CGC/Unsa. Mais celà va-t-il
suffire» ?

Louis-Pierre Wenes,«l’éminence grise de Lombard», dit Sud-PTT, «l’exécuteur du plan Next


(22 000 départs)», note la CGT, surnommé encore «le sabreur de coûts», - il s’était illustré à
son arrivée en 2002 par sa férocité à négocier les achats -, a donc joué son rôle de fusible. A
pile 60 ans, le numéro 2 va «faire valoir ses droits à la retraite», selon les termes de sa lettre
de démission. «A quand le tour de Lombard, 68 ans ?», s’interroge un syndicaliste.

Bêtise. La satisfaction la plus grande se trouve du côté de la CFDT, premier syndicat chez les
cadres de France Télécom. «C’était intenable de garder Wenes», explique Pierre Dubois,
surtout, dit-il, après sa «dernière bêtise». Des paroles malheureuses en réponse à une
directrice d’unité, qui se sont retrouvées en fin de semaine dernière sur Internet. «Que dois-je
répondre à mes clients qui résilient leurs abonnements, à la suite des évènements». Réponse
de Wenes : «Vous n’avez qu’à dire qu’il n’y a pas plus de suicides qu’avant.» Le syndicat
relève que la loyauté de l’encadrement a vécu, puisque le numéro 2 s’est retrouvé «piégé par
un cadre sup qui a enregistré toute la réunion».

Autre coup de boutoir, cette fois contre Lombard, sous forme d’une vidéo intitulée «la pêche
aux moules» révélée par Mediapart. On y voit un Didier Lombard débonnaire, inviter ses
équipes de recherche à Lannion (Côtes-d’Armor), à s’adapter à la réalité : «Ceux qui pensent
qu’ils vont pouvoir continuer à être sur leur sillon et pas s’en faire tranquille, ils se
trompent ! […] Parce que ceux qui pensent que la pêche aux moules, c’est merveilleux et bien
c’est fini.» Derrière Lombard, une diapo-cliché de vacances bretonnes«Là, il peut pas dire
que c’est un lapsus. Son discours était écrit», dénonce un cadre sup. Ces attaques contre le
patron montrent l’ampleur de la crise de confiance contre le haut-encadrement. Hier, France
Télécom ne s’est pas contenté de remercier Wenes, il a opéré une retraite sur un point majeur
réclamé par les six syndicats : le report du gel des mobilités du 29 octobre à la fin de l’année.

Stress. Ce matin, se tient la première réunion plénière sur les chantiers identifiés lors de
l’ouverture de la négociation sur le stress, mi-septembre. A la table, côté direction, Olivier
Barberot, le DRH. Stéphane Richard, nommé hier directeur général adjoint en charge des
opérations France, à la place de Louis-Pierre Wenes, ne devrait pas assister à la réunion. «Va-
t-il faire comme Wenes ?» s’interroge Pierre Dubois, de la CFDT : «En sept ans, Wenes n’a
jamais daigné nous rencontrer.»
Économie 06/10/2009 à 16h39

Grève et manif chez France Télécom

Une réunion sur le stress au travail se déroulait à Paris ce mardi à la suite des suicides dans
l'entreprise. 250 salariés de France Télécom manifestent devant leur siège social.

Liberation.fr

Ce mardi, devant le siège social de France Télécom à Paris (XVe). (AFP)

«Un emploi supprimé toutes heures, arrêtons le massacre!» «Respect du code du travail
français, on n'est pas en Inde!» Ce sont quelques-uns des slogans scandés par les 250 salariés
de France Télécom qui se sont regroupés ce mardi devant le siège du groupe à Paris (XVe),
où se tenait une réunion de négociation sur le stress au travail, à la suite de la vague de
suicides qui a touché l'entreprise ces derniers mois.

Rassemblés initialement devant d'autres locaux de France Télécom à proximité, les salariés
ont défilé jusqu'au siège social aux cris de «Résistance» et de «salariés en colère, on ne va
pas se laisser faire».

Les syndicats, qui ont appelé les salariés à la grève ce mardi et demain mercredi dans toute la
France, sont entrés à 14 heures en négociation avec le PDG du groupe Didier Lombard et son
nouveau numéro 2, Stéphane Richard, qui remplace Louis-Pierre Wenes après la démission de
ce dernier, hier lundi.

15% des salariés étaient en grève ce mardi matin, selon la direction. Ils étaient entre 30 à 40%
d'après Sud-PTT.

Avant la réunion, les syndicats ont exprimé l'espoir que la direction annonce des «mesures
d'urgence», comme «un volume de créations d'emplois» et «la suspension de tous les outils de
mesures de la performance et de la surveillance», a indiqué Christian Mathorel (CGT).
«Les télé-opérateurs, les techniciens, tout le monde est exposé quotidiennement à des outils
informatiques de mesure de la performance, comme les écoutes sur les plateaux, qui
s'apparentent à du flicage, a dénoncé Patrick Ackermann (Sud-PTT). Il faut stopper ces
outils, c'est une mesure qui apparaîtrait comme une mesure d'apaisement», a exigé le
syndicaliste, qui demande aussi «5.000 embauches, car il y a une crise dans les services».

«On aimerait que la question des objectifs individualisés soit remise à plat, a déclaré
Sandrine Leroy (FO). Parler d'emploi serait aussi une grande avancée, car pour le moment
c'est un sujet tabou.»

Pour Pierre Dubois (CFDT), parmi les premières mesures d'urgence, il faut des embauches de
CDD pour que les salariés puissent prendre leur vacances à Noël, «le gel des fermetures de
sites» et que la part variable des managers ne soit plus liée aux mobilités, mais à
«l'amélioration des conditions de vie des salariés».
Économie 06/10/2009 à 18h10

Chez France Télécom, «le pire, c'est le flicage, l'infantilisation»

Ils sont écœurés, fatigués, écorchés... 250 salariés de l'opérateur manifestaient devant le siège
de l'entreprise à Paris. Cinq d'entre eux témoignent du malaise ambiant.

Recueilli par PHILIPPE BROCHEN

Ce mardi, à Paris, devant le siège social de France Télécom. (AFP)

Quelque 250 salariés de France Télécom en grève se sont réunis devant le siège social de leur
entreprise, ce mardi à Paris, pour protester contre leurs conditions le travail, notamment eu
égard au stress. 24 salariés de l'opérateur se sont donnés la mort ces derniers mois.
Liberation.fr a rencontré cinq de ces employés de France Télécom qui ont accepté de
témoigner de leurs difficultés au quotidien sur leur lieu de travail. Et des évolutions de leur
entreprise telles qu'ils les ont vécues ces dernières années.

Patrick, 50 ans, fonctionnaire, chez France Télécom depuis trente ans

«Je suis entré à l'époque des PTT. Actuellement, tout ce qu'on nous demande, c'est de
produire, de faire du fric. Seule la rentabilité les intéresse... Le gel de la mobilité promise par
la direction? Elle va durer trois mois, et tout va recommencer comme avant. Je n'ai aucune
confiance en Stéphane Richard (nouveau numéro 2 de France Télécom, ndlr), vu son
parcours. Ce qu'ils veulent, c'est qu'un maximum d'entre nous quitte l'entreprise. J'ai des
collègues de 55 ans à qui on a proposé de démissionner pour créer leur entreprise... Il faut
arrêter de se moquer des gens...»
Mélanie, 33 ans, contractuelle en CDI, chez France Télécom depuis douze ans

«Moi, je ne suis pas fonctionnaire, donc ça veut dire que je suis rémunérée sur une grille
salariale différente. La promotion à la tête du client, je connais... Le pire, c'est l'infantilisation
des gens. Mon chef d'équipe se déguise de temps en temps; parfois, on doit tous porter un tee-
shirt de la même couleur pour affirmer notre cohésion! Sur chaque plateau commercial, une
personne est chargée de nous fliquer en permanence. Sur son poste, il peut savoir si on est en
ligne avec un client, occupé à faire la gestion des dossiers sur notre ordi ou bien en pause.»

Christine, 50 ans, fonctionnaire, chez France Télécom depuis trente ans

«La moyenne d'âge des salariés de la boîte est de 47 ans. Du coup, il y a un problème de
culture entre nous qui sommes entrés à France Télécom pour faire du service public et ce
qu'on nous demande maintenant: faire du commercial pur. Avec un mépris à la fois pour le
client mais aussi pour le salarié. Résultat, les zones rurales sont désertées et on commence
déjà à quitter les petites villes. Un des principaux problèmes est la surcharge de travail. Nous
avons vu se développer des méthodes de management qui n'existaient pas chez nous. Les
commerciaux sont écoutés plusieurs fois par jour et minutés. J'ai des collègues qui ne
prennent plus de pause déjeuner pour pouvoir atteindre les objectifs que leur manager leur a
fixés.»

Marcello, 35 ans, contractuel en CDI, chez France Télécom depuis quatorze ans

«Chaque semaine, la direction nous envoie un mail avec des offres d'emploi dans la fonction
publique auxquelles on peut postuler. Le message est on ne peut plus clair. Elle propose aussi
des ateliers pour apprendre à faire un CV.»

Elisabeth, 50 ans, fonctionnaire, chez France Télécom depuis vingt-sept ans

«Un des chefs de la cellule 3P (performance, productivité, planification, ndlr) est déjà venu
me chercher aux toilettes. Avec nous, ils jouent vraiment le rôle de parents. Ils ont déjà
demandé à des collègues de faire du temps en plus pour rattraper leur temps de pause. Parfois,
on reçoit des appels mystère de supérieurs qui se font passer pour des clients. Ils veulent voir
si on est polis et si on vend comme il faut. J'ai un collègue qui travaille avec une boîte de
Xanax (tranquilisant, ndlr) sur son bureau pour tenir le coup.

«Le problème, c'est qu'on n'a pas tous un parcours dans le commercial. Avant d'atterrir ici il y
a dix ans, je travaillais dans le technique. On ne m'a pas laissé le choix. Dernièrement, un
collègue qui était harcelé sans cesse par son manager a pété un plomb. Après une remarque
vexatoire, il a voulu sortir prendre l'air, mais son chef s'est mis en travers de son chemin. Il l'a
poussé. Résultat, le chef s'est plaint à la direction d'avoir été frappé, alors que tout le monde
sur le plateau a bien vu que ce n'était pas vrai. Une enquête interne est en cours.»
Économie 07/10/2009 à 19h05

«Un travail décent doit permettre de gagner sa vie sans la perdre»

VERBATIMS

Qu'est-ce qu'un un travail décent? Liberation.fr a posé la question à des participants à la


manifestation de ce mercredi à Paris près du siège du Medef.

Recueilli par PHILIPPE BROCHEN

Cet après-midi, avenue Bosquet, à Paris (VIIe). (AFP)

Entre 3.000 et 6.000 personnes se sont rassemblées ce mercredi après-midi près du siège du
Medef, avenue Bosquet à Paris (VIIe), dans le cadre de la journée d'action
interprofessionnelle et internationale pour défendre «le travail décent». L'occasion de
demander à ces manifestants ce que recouvre pour eux cette assertion.

Elisabeth, 49 ans, salariée de France Télécom

«Un travail décent, c'est un travail normal, c'est-à-dire sans pression inacceptable, avec des
horaires normaux, 35 ou 38 heures selon la durée légale en fonction dans la branche
professionnelle. Moi, je travaille le soir et je trouve cela normal.»
André, 79 ans, retraité de la SNCF

«Un travail décent, c'est un travail qui permettre de gagner sa vie décemment et sans la
perdre, sans la détruire.»

Louisa, 18 ans, lycéenne

«Un travail décent, c'est un travail qui paye un minimum pour bien vivre, c'est-à-dire d'abord
le nécessaire mais qui permette aussi l'épanouissement personnel. Cela suppose aussi de ne
pas exploiter le salarié, car actuellement on demande de plus en plus aux gens, sans forcément
les rémunérer davantage. C'est aussi un travail où l'on n'est pas précaire et où l'on ne risque
pas de se faire virer du jour au lendemain. C'est un job avec des horaires convenables, c'est-à-
dire en rapport avec sa situation personnelle et surtout familiale. Il ne faut pas prendre les
individus pour des machines...»

Marise, 56 ans, fonctionnaire hospitalière

«Un travail décent, cela veut dire qu'on a les moyens de faire du bon boulot, de se rendre
disponible pour les autres et que l'on gagne correctement sa vie. Actuellement, une infirmière
débutante gagne 1.400 euros nets par mois. Vous trouvez ça normal pour les horaires et les
responsabilités que cela suppose?»

Marc, 64 ans, retraité de l'enseignement

«Un travail décent, c'est un travail à plein temps qui offre une rémunération suffisante, qui ne
soit pas précaire.»

Paula, 57 ans, éducatrice pour jeunes enfants

«Un travail décent, c'est une rémunération minimale de 1.600 euros nets. Moi, j'attends la
retraite, mais on n'arrête pas d'allonger la durée de cotisation.»

Elisabeth, 56 ans, auxiliaire de puériculture

«Un travail décent doit permettre de se nourrir et de se loger.»

Franck, 48 ans, travailleur social

«Un travail décent, c'est démarrer au minimum à 1.600 euros nets. Sinon, comment y arriver à
Paris ?»

Bernard, 65 ans, retraité d'une entreprise bancaire

«Un travail décent, c'est un emploi qui participe au développement personnel et à la


construction d'un monde meilleur.»
Catherine, 33 ans, agent de développement local de la Ville de Paris

«Un travail décent, c'est au minimum 1.600 euros nets. C'est aussi un emploi qui ne soit pas
précaire, qui offre la possibilité de se former, de prendre des initiatives et aussi de se défendre
en cas de pressions.»

Saïdou, 30 ans, plombier, Malien arrivé en France à 21 ans, en possession d'une carte de
séjour

«Moi, j'ai un travail décent. Je progresse de jour en jour, j'apprends. Je suis bien payé. Mon
projet, c'est d'avoir suffisamment d'expérience et de soutiens financiers pour ouvrir ma propre
boîte. Il faut juste que je sois patient...»
Économie 07/10/2009 à 00h00

Les salariés de france télécom défilent contre la souffrance


Par PHILIPPE BROCHEN

«Un emploi supprimé toutes les heures, arrêtons le massacre !»«Respect du code du travail
français, on n’est pas en Inde !» Quelque 250 salariés de France Télécom se sont regroupés
hier devant le siège du groupe à Paris dans le XVe arrondissement. Une réunion de
négociation sur le stress au travail s’y déroulait à partir de midi, à la suite de la vague de
suicides (24) qui affecte l’entreprise depuis plusieurs mois. Auparavant, ces salariés avaient
défilé en scandant «France Télécom-Orange, souffrance !» et «Salariés en colère, on ne va
pas se laisser faire !» Les syndicats (SUD, CGT, FO), qui avaient appelé les salariés à la
grève hier, ont renouvelé leur préavis pour ce mercredi. Selon la direction, 15 % des employés
ont fait grève, entre 30 et 40 % d’après SUD PTT. Dans un message aux salariés, Stéphane
Richard, nouveau numéro 2 de France Télécom, a promis qu’il mènerait avec eux «le
renouveau social dont l’entreprise a besoin».photo vincent nguyen.rivapress
Économie 07/10/2009 à 00h00

France Télécom : de la nécessité du don et du contre-don


Par LAETITIA PIHEL Maître de conférences à l'institut d'économie et de management de Nantes

Les réactions qui s’expriment actuellement chez France Télécom nous parlent d’une difficulté
à vivre l’entreprise avec les règles qu’elle impose aujourd’hui dans le cadre des
restructurations. Si la souffrance et la déception touchent l’ensemble des personnels, il semble
que la population la plus fragilisée soit celle des agents les plus âgés, dont l’ancienneté dans
l’entreprise est de vingt ans, trente ans ou plus.

Entrés massivement dans les années 70 et 80 sur la base d’un emploi à vie, ils ont alors fait le
choix d’une carrière dans une administration qui assurait le respect d’un certain nombre de
principes : conscience professionnelle, égalité de traitement des usagers, intérêt général… A
l’époque France Télécom disposait d’un système social dédié contribuant à organiser la
relation qui la lie à son personnel sur une logique de don et de contre-don.

A leur arrivée, les jeunes fonctionnaires, provinciaux, étaient affectés sur un mode autoritaire
à des postes qui leur étaient quasi exclusivement réservés (à Paris essentiellement) et les
obligeaient à une mobilité géographique. Ils prêtaient officiellement serment de servir
l’usager avec conscience professionnelle et respect. L’entreprise avait des structures de
gestion des ressources humaines avec des assistantes sociales, des médecins, qui
accompagnaient les entrants et les orientaient dans leur développement et leur vie personnelle.
France Télécom avait hébergé ses jeunes dans ses foyers PTT. France Télécom était la
«maison» et contribuait par cette confusion des espaces privés et professionnels à sceller un
lien puissant avec ses agents. Comme l’a montré le sociologue Norbert Alter, chacun
connaissait les règles de départ et l’entreprise reconnaissait les sacrifices et promettait un
rééquilibrage de l’échange dans le temps. La confiance dans l’entreprise alimentait les efforts
et la dynamique du don - contre-don dont parle l’ethnologue Marcel Mauss trouvait à
s’épanouir.

L’essor de France Télécom a généré des opportunités pour les agents. On pouvait accéder à
n’importe quel métier : mécanicien, vaguemestre, gestionnaire de centres de vacances. Certes,
il y avait aussi des contraintes : lorsqu’une technologie était dépassée, il fallait migrer vers un
autre service au nom du principe de bon fonctionnement du service public. Pour autant, les
agents ne nourrissaient ni colère ni violence ou cynisme à l’égard de la direction, ils
n’exprimaient pas de mécontentement envers ces mobilités déjà fréquentes (on l’oublie
souvent).

C’était alors dans l’ordre des choses : l’échange et l’espace faisaient sens. Mais, si les
changements et la mobilité ne sont pas des éléments nouveaux, force est de constater qu’ils se
sont durcis, rapprochés, appelant les agents à redonner sans cesse à l’entreprise : en se
formant à nouveau pour migrer vers un nouveau poste (dont on sait désormais que la durée est
limitée), en déménageant, ce qui impose de réorganiser sa vie personnelle, de se déraciner
d’un espace social, de quitter ses collègues, de prévoir la transition professionnelle du
conjoint.
Si ces nouvelles demandes de l’entreprise sont jugées intolérables c’est parce que l’entreprise
change les règles du jeu et ne respecte plus la chaîne des dons entre elle et son personnel.
L’évolution du statut de l’entreprise a induit un profond changement des valeurs de
l’entreprise et de ses symboles. France Télécom vend des services au client et impose donc de
nouveaux objectifs de travail, un nouveau mode de management, certains managers ont
obtenu leur poste via les mobilités sans expérience antérieure du management. France
Télécom rationalise ses effectifs, envoyant symboliquement un signal de séparation, mal
digéré, aux salariés qui ont porté son histoire et qui voient une rupture du sens de la relation.
Alors qu’au gré des évolutions technologiques, l’entreprise a façonné les carrières sans
véritable fil conducteur, elle demande désormais aux agents entrés par concours et souvent
sans bagages de gérer leurs carrières pour éviter les mobilités forcées.

La souffrance qui s’exprime parle de cette histoire, de l’organisation d’un système social
paternaliste qui, après avoir entretenu la dépendance sociale et professionnelle du salarié,
l’appelle à prendre son indépendance dans un univers professionnel dynamique et en rupture
avec les logiques pour lesquelles il a signé, il doit éventuellement quitter la maison France
Télécom. France Télécom a donc fixé de nouvelles conditions et proposé un mode d’échange
contractuel. Le ras-le-bol et la colère des salariés qui estiment avoir «déjà et beaucoup donné»
traduisent cette difficulté à vivre ce changement des règles, à supporter ces coups de canifs
portés au pacte initial. Aux dons faits on réclame le contre-don. De son côté, l’entreprise
estime donner en conservant les emplois. Chacun réclame son dû et c’est l’impasse du don.
Paradoxalement, l’engagement au travail perdure, alimenté par l’histoire et ses symboles,
mais le don use et rend amers ceux qui donnent sans mesure.
Économie 08/10/2009 à 21h59

Renault sort les airbags après un nouveau suicide

billet

Un salarié du Technocentre s'est donné la mort chez lui. Effet France Télécom garanti :
conférence de presse immédiate, mea culpa de la direction, visite de la famille... On ne
connaît pas encore les raisons du suicide.

JULIA PASCUAL

Hier en fin d’après-midi, le constructeur Renault envoie un mail à son réseau de journalistes
pour convoquer une conférence de presse téléphonique dans la demi-heure. Chose rarissime.
La raison: «Le décès d’un collaborateur du Technocentre» de Guyancourt (Yvelines).

Mercredi soir, un salarié de l’ingénierie, 51 ans, marié et père de deux enfants, a mis fin à ses
jours. Il était chez lui, en congés depuis le début de la semaine. Le numéro deux de Renault,
Patrick Pélata, est dépêché au Technocentre hier après-midi. Il y rencontre les collègues du
défunt mais aussi sa famille. Sitôt reparti, il fonce au siège du groupe pour animer la
conférence téléphonique.

Les causes du suicide sont encore inconnues. Mais au moment où les décès à France Télécom
cristallisent la question du stress dans l’entreprise et de la pression exercée sur les équipes de
travail par les directions, l’emballement (des politiques, des médias et des dirigeants) est pour
ainsi dire inévitable au moindre signal.

«Les gens sont sous le choc», raconte Patrick Pélata. L’événement aurait pu passer inaperçu
dans un contexte ordinaire. Il l’est d’autant moins que le Technocentre de Guyancourt a été le
théâtre de plusieurs suicides il y a trois ans. En l’espace de quatre mois, d’octobre 2006 à
février 2007, trois salariés ont mis fin à leurs jours, chez eux ou sur leur lieu de travail. Les
témoignages de salariés et l’enquête d’un cabinet d’expertise mandaté par le ministère du
Travail montrera qu’une partie importante des salariés souffrait de «job strain».

Hier, Patrick Pelata n’a pu éviter de faire le lien : «Depuis trois ans, des mesures importantes
ont été mises en place» au titre desquelles un plan d’amélioration des conditions de travail,
des antennes de soutien psychologique… Mais comme pour devancer l’emballement ou une
éventuelle opprobre et sans le moindre indice de lien entre le suicide et les conditions de
travail du défunt, Patrick Pelata fait son mea culpa : «C’est l’échec de tous», répète-t-il
plusieurs fois. «Ce drame nous rappelle qu’il faut continuer à être vigilant. Aujourd’hui on
veut comprendre, faire mieux, faire que la dimension travail ne devienne pas si grave en
s’ajoutant à la sphère privée».

L’homme qui est décédé ne travaillait pas dans un service soumis à une «bulle de charges»
selon Patrick Pelata, il devait dans les jours qui viennent accéder à de «nouvelles fonctions»
au sein de l’équipe de conception de la future Logan. Sans le contexte «France Télécom»,
Patrick Pélata n’aurait peut-être pas convoqué une conférence de presse. Sans conférence de
presse, résultant manifestement d’un effet de panique et de «sur-réaction», nous n’aurions pas
écrit cet article.
Économie 09/10/2009 à 11h17

France Télécom: Lombard fait son mea-culpa


Mis en cause après la vague de suicides d'employés de son groupe, le PDG a reconnu ne pas
avoir «pris en compte suffisamment les signaux» de détresse du personnel.

Le PDG de France Télécom, Didier Lombard. (© AFP Jean-Pierre Clatot)

«On n'a pas... je n'ai pas pris en compte suffisamment les signaux faibles qui arrivaient.» Le
PDG de France Télécom Didier Lombard, mis en cause après la vague de suicides d'employés
de son groupe, a fait son mea-culpa ce vendredi sur Europe 1, se reprenant plusieurs fois pour
parler à la première personne.

Alors que 24 salariés se sont donné la mort ces 18 derniers mois, les syndicats dénoncent le
«management par le stress» et les «pressions de l'encadrement».

«On a... je n'ai probablement pas prêté une attention suffisante à quelques indicateurs, a
reconnu Lombard. On a sous-estimé un certain nombre de paramètres humains, en particulier
dans notre organisation. A force de vouloir courir après la performance, le (management)
local n'avait plus de degrés de liberté.»

«On a raté les indications des équipes sur les terrains qui percevaient une réalité différente
de celle que nous percevions», a-t-il poursuivi, reconnaissant avoir fait «trop vite» des
«transformations majeures».

«Aujourd'hui, on a libéré la parole», a-t-il assuré, et «on va renvoyer du pouvoir et des


moyens sur les équipes locales. Il faut absolument que nous réussissions à faire une
entreprise aux performances économiques tout à fait positives, en même temps qu'avec des
performances humaines positives».

Didier Lombard a par ailleurs reconnu avoir commis une «énorme bourde» en parlant il y a
quelques semaines de «mode des suicides», «le mot le plus catastrophique».
A la question de savoir si le gouvernement lui avait demandé de démissionner, il a répondu:
«Non, bien sûr que non. Ce sont des imaginations de couloirs.»

Il a également affirmé que «personne» ne lui avait demandé la tête de Louis-Pierre Wenes,
ex-numéro 2 du groupe, qui a démissionné de ses fonctions lundi.

Interrogé sur l'éventualité d'autres départs prochainement dans le groupe, il a précisé:


«L'organisation va certainement évoluer, bien sûr.»

France Télécom a annoncé lundi une prolongation jusqu'à la fin de l'année du gel des
mutations au sein de l'entreprise.

(Source AFP)
Politiques 10/10/2009 à 00h00

«Même dans les petites entreprises les gens n’en peuvent plus et ils
craquent»
Par Denis Muzet

L’actualité est affaire de conjonction. On a assisté par exemple cette semaine à un télescopage
- pour ne pas dire un carambolage - entre l’affaire Polanski et l’affaire Mitterrand. Dans le
domaine social, de la même façon, trois événements se sont télescopés dans l’actualité
récente : les suicides à France Télécom, la votation citoyenne contre l’ouverture du capital de
la Poste, et la journée d’action interprofessionnelle sur le «travail décent».

Les suicides à France Télécom, d’abord. «Ça devient un phénomène grave que des gens se
suicident au travail, explique une de nos panélistes, ils sont désespérés, à un moment ils n’ont
pas d’autre issue.» «A France Télécom, on les change de poste, ils ont beaucoup de pression,
mais ça existe partout, même dans les petites entreprises les gens n’en peuvent plus et ils
craquent, c’est dans l’air du temps», fait observer un cadre du privé.

La journée sur le «travail décent», ensuite : «Sans aller jusqu’au suicide, il suffit de voir le
nombre de gens sous antidépresseur, c’est effrayant !» s’inquiète un petit employé. «Il y a de
la détresse, les gens se plaignent de surcharge de travail, on a l’impression de revenir à
l’esclavage», témoigne un autre encore.

La Poste, enfin. «Et la Poste, s’alarme un dernier, si elle est privatisée, elle va finir de la
même manière, avec des actionnaires et des fonds de pension américains. C’est sûr, y aura
des suicides derrière. Si c’est pour devenir comme France Télécom, c’est dangereux la
privatisation !»

La boucle est bouclée. La façon dont l’information parvient aux yeux et aux oreilles des
Français, en cascade, brève et fragmentée en paquets originaires de plusieurs sources, favorise
une appréhension superficielle de l’actu. Du coup, le sens que le public donne à un événement
dépend moins du contenu de celui-ci que de son interférence avec d’autres faits ou
événements juxtaposés. Se développe ainsi une lecture globale de l’actu dans laquelle les
sujets renvoient les uns aux autres, en écho. Des connexions, sinon fausses, du moins hâtives,
s’établissent entre des événements pourtant distincts. Les acteurs impliqués dans chaque
événement peinent à s’abstraire du contexte qui se met en place et s’impose à eux. Ils sont
prisonniers du magma de l’actualité, et chaque effort qu’ils accomplissent pour s’en extraire
les y enfonce davantage.
Économie 14/10/2009 à 08h04 (mise à jour à 08h40)

Un employé de France Télécom tente de se suicider à Marseille


L'homme, en arrêt-maladie pour dépression, a tenté de se pendre dans le sous-sol de sa
maison.

Un employé de France Télécom en arrêt maladie a tenté de se pendre mardi soir à Marseille,
avant d'être sauvé de justesse par les pompiers, a-t-on appris mercredi de source policière.

L'homme, né en 1955, avait prévenu sa famille de son geste en envoyant un SMS. Prévenus,
les pompiers ont pu intervenir à temps vers 21H30 mardi, alors que l'homme tentait de se
pendre dans le sous-sol de sa maison du 11e arrondissement.

Les policiers de la Sûreté départementale ont procédé aux premières investigations dont il
ressort que l'homme, dépressif, avait été "très frappé" par le suicide d'un de ses collègues de
France Télécom en juillet à Marseille.

Réagissant à chaud sur Canal+ , le ministre du Travail Xavier Darcos, auquel un syndicat
d'inspecteurs du travail, le Snutef-FSU, reproche de se contenter de "mesurettes" face au
problème de souffrance au travail, a souligné que "Dieu merci, cet homme avait pu être sauvé
et n'était pas mort".

"Il était chez lui depuis plusieurs mois, très malade, peut-être qu'il y a des liens avec
l'entreprise mais enfin c'est quelqu'un qui était à son domicile", a-t-il ajouté.

De manière générale, concernant France Télécom, M. Darcos "pense qu'à la fin de l'année
nous serons en situation que ce que nous voyons aujourd'hui ne se produise plus, puisque
France Télécom a une feuille de route qui oblige à ouvrir des négociations sur toutes les
questions de stress au travail, d'équilibre vie professionnelle/vie privée, sur les mutations
(...)".

"Donc, j'ai l'impression que les choses sont en train de se stabiliser et progressent très
sensiblement", a-t-il poursuivi.

Le gouvernement a annoncé par ailleurs vendredi son intention de désigner à l'opinion


publique les grandes entreprises qui ne mettent pas en place des négociations sur le stress
avant février 2010, sans exclure de prendre des sanctions plus sévères dans un deuxième
temps.

"Nous savons tout à fait faire pression sur les entreprises quand c'est nécessaire", a assuré M.
Darcos sur Canal+ prenant l'exemple des sanctions financières auxquelles s'exposent les
entreprises n'ayant pas négocié un plan pour préserver l'emploi des salariés seniors d'ici la fin
de l'année.

(Source AFP)
15/10/2009

Nouveau suicide d'un salarié de France Télécom

SOCIETE - Un ingénieur de France Télécom de 48 ans, en arrêt-maladie depuis un mois sur


les conseils de son médecin du travail, s’est pendu jeudi à son domicile à Lannion (Côtes-
d’Armor), selon la direction du groupe, ce qui porte à 25 le nombre de suicides dans
l’entreprise en près de deux ans.

Cet ingénieur du centre R et D de Lannion, marié et père de famille, «s’est pendu à son
domicile ce matin», a expliqué un porte-parole de la direction. «Il était en arrêt-maladie
depuis un mois sur les conseils du médecin du travail», a-t-il ajouté, en soulignant que Didier
Lombard, le PDG de France Télécom, était «profondément affecté» par ce geste et se rendait
«immédiatement» sur place.

Cet ingénieur, qui souffrait de syndrômes dépressifs, a laissé une lettre dont une partie
s'adressait directement à son entreprise. "La partie qui nous concernait nous a été lue par les
autorités qui ont constaté le décès mais je ne peux pas en dire davantage" a t-on confirmé à la
direction du groupe.

"Il était en arrêt-maladie depuis un mois sur les conseils du médecin du travail", a-t-il ajouté,
en soulignant que Didier Lombard, le PDG de France Télécom, était "profondément affecté"
par ce geste et se rendait "immédiatement" sur place. "C'est une terrible nouvelle, que je
redoutais", a déclaré sur France 5 le nouveau numéro 2 de l'opérateur télécom Stéphane
Richard, qui a précisé que l'ingénieur avait "laissé une lettre à son domicile".

Sans en connaître "la teneur exacte", il a indiqué que le salarié y faisait "état d'une déception
dont il aurait souffert, à la suite d'un choix professionnel pour un poste sur lequel il était
candidat, et où il n'a pas été retenu".

Le ministre du Travail Xavier Darcos a exprimé de son côté, dans un communiqué, "sa
profonde émotion". "Ce triste événement survient au moment où l’entreprise s’est engagée
dans une démarche de lutte active contre les risques psychosociaux", a-t-il souligné, en
invitant "les partenaires sociaux de France Telecom à intensifier les échanges entrepris dans le
cadre de la négociation sur la prévention du stress au travail et à s’accorder dans les meilleurs
délais sur la mise en place de procédures adaptées".

Il s’agit du 25e suicide dans le groupe depuis février 2008 et du deuxième sur le site de
Lannion. Un autre salarié, technicien au centre de recherche, s’était donné la mort dans la nuit
du 29 au 30 août dernier, sans laisser de message expliquant son geste. Il s’agissait alors du
22e suicide.

Avant même l'annonce de ce nouveau décès, les syndicats de France Télécom (CGT, CFDT,
FO, CFTC, CFE-CGC/Unsa, Sud) ont appelé jeudi le personnel à «agir sous toutes les
formes, et notamment des assemblées générales» le 20 octobre, jour de la prochaine séance de
négociation sur le stress au travail, estimant notamment que les personnels étaient «toujours
en danger». Pour les syndicats, «c’est intolérable et inacceptable».
PHA (avec AFP)
Économie 16/10/2009 à 18h13

Le gouvernement demande au PDG d'aller «à la rencontre de ses


salariés»
Alors qu'un 25e salarié s'est suicidé jeudi, Nicolas Sarkozy avait regretté que «certaines
entreprises» aient «oublié la qualité des relations sociales».

Laurent Wauquiez, secrétaire d'Etat à l'Emploi. (REUTERS)

Trouver la solution. Et vite. Le 25e suicide d'un salarié chez France Télécom, qui intervient
malgré l'annonce par la direction et le gouvernement de plusieurs dispositifs pour répondre au
profond malaise dans l'entreprise, pose la question de savoir comment le groupe peut sortir de
cet engrenage.

«Plus que jamais, il faut que nous accélérions l'ensemble des mesures afin de sortir de cette
spirale infernale», a déclaré jeudi soir le PDG, Didier Lombard, en déplacement à Lannion
(Côtes-d'Armor) où un salarié, en arrêt-maladie depuis quatre semaines, s'était suicidé le
matin.

Mi-septembre, le patron de France Télécom avait annoncé la création d'un numéro vert avec
des «psychologues», le recrutement de médecins du travail et de nouveaux DRH de proximité,
et la suspension des mobilités forcées de salariés, d'abord jusqu'au 31 octobre, puis jusqu'au
31 décembre. Autre mesure, encouragée par le gouvernement: l'ouverture de négociations sur
le stress.

Mais ce 25e décès en moins de deux ans, selon un décompte syndical, a relancé la crise.

Et alors que les salariés de Lannion ont défilé silencieusement ce vendredi, Laurent
Wauquiez, ministre de l'Emploi, a jugé «urgent» que France Télécom «se retrousse les
manches» et que Didier Lombard «aille à la rencontre de ses salariés».

Hier jeudi, Xavier Darcos avait demandé des négociations plus rapides. Nicolas Sarkozy
avait, lui, regretté que «certaines entreprises» aient «oublié la qualité des relations sociales».
Côté syndical, Jean-Claude Mailly (FO) a appelé la direction à «s'ouvrir réellement» au
dialogue, plusieurs syndicats déplorant des négociations qui «piétinent» et l'absence de
changements sur le terrain.

(Source AFP)
16/10/2009

Suicide à Lannion: marche silencieuse des salariés de France Telecom

SOCIETE - Les salariés du site France Télécom de Lannion (Côtes d'Armor) ont organisé
vendredi une marche silencieuse en hommage à leur collègue qui s'est suicidé jeudi à son
domicile. L'ensemble du personnel présent sur le site qui compte environ 1.500 salariés a
débrayé pour se rassembler devant l'entreprise et respecter une minute de silence, avant un
défilé auquel ont participé des dirigeants locaux et nationaux. "On est en colère, on attend des
décisions et des changements radicaux", a déclaré Vincent Bariac du syndicat Sud PTT.

Un ingénieur de 48 ans qui travaillait sur ce site considéré comme un des fleurons de France
Télécom, s'est pendu jeudi chez lui en laissant une lettre d'explication. C'est le second suicide
sur le site de Lannion et le 25e depuis qu'en février 2008 les syndicats ont commencé à tenir
un décompte. Les salariés de Lannion ont demandé à la direction de "neutraliser" la journée
de mardi, pour participer à des ateliers de réflexion consacrés aux chantiers de réforme lancés
par la direction. En participant au défilé, "nous voulions témoigner qu'en tant que cadres
dirigeants nous avons conscience de l'ampleur du malaise qui existe", a expliqué Jean-
Philippe Vanot, directeur exécutif en charge du marketing et de l'innovation de France
Télécom. "Nous allons travailler d'arrache-pied pour mettre en place le climat de confiance
et faire en sorte que ce drame absolu ne se reproduise plus", a-t-il assuré. La direction a
prévu de mettre en place une cellule de soutien sur le site de Lannion à partir de lundi. Une
ligne téléphonique nationale va aussi être ouverte "pour que ceux qui se sentent dans une
situation d'urgence puissent s'exprimer" et être aidés par des professionnels de l'écoute
psychologique, selon M. Vanot. A Lannion en fin de soirée jeudi, le PDG de France Télécom
Didier Lombard a affirmé qu'il fallait accélérer les mesures "pour sortir de cette spirale
infernale".

(AFP)
Économie 17/10/2009 à 10h44

France Télécom: Didier Lombard exclut de démissionner

«Tout ne peut pas changer en une semaine, mais d'ici à deux mois la situation devrait être plus
sereine», estime le pdg du groupe, après le suicide jeudi d'un nouveau salarié à Lannion.

Libération.fr

Le PDG de France Telecom, Didier Lombard, le 15 octobre 2009 à Lannion. (© AFP Fred
Tanneau)

Après le suicide d'un salarié jeudi à Lannion, portant à 25 le nombre de suicides à France
Télécom depuis février 2008, le pdg Didier Lombard s'explique dans une interview dans Le
Figaro, et exclut de démissionner.

«Nos salariés sont impliqués, motivés, dévoués. En dépit de la crise que nous traversons, ils
travaillent, l'entreprise tourne, souligne le dirigeant. Mais cet attachement viscéral à France
Télécom fait aussi que certains attendent tout de l'entreprise, qui devient comme une grande
famille où tout prend un tour affectif. Si on leur demande de changer de poste, ils pensent que
c'est parce qu'on ne les aime plus. Or ils ont tort de penser qu'on ne les aime plus : tout ce
que l'on fait vise justement à permettre de les garder tous.»

«Tout ne peut pas changer en une semaine»

Rappelant la série de décisions et d'actions que le groupe est en train de mettre en place pour
faire face au malaise dans l'entreprise, Didier Lombard estime que «si les salariés sont
heureux, toute l'entreprise sera gagnante au final. Le nouveau France Télécom doit être
humainement performant pour continuer à être économiquement performant.»

Didier Lombard a rappelé: «Nous avons arrêté les mobilités. Nous avons commencé à
recruter 10 % de médecins du travail en plus, 100 RH de proximité et nous allons les associer
davantage à nos décisions. Tout ne peut pas changer en une semaine, mais d'ici à deux mois
la situation devrait être plus sereine.»
Enfin, le Pdg de France Télécom assure qu'il ira au terme de son mandat. «Ce n'est pas quand
le bateau est dans la tempête que le capitaine quitte le navire, je dois l'amener à bon port, à
un état d'entreprise humaine et prospère.»
19 oct 2009

Quelle responsabilité face aux suicides de salariés ?

La vague de suicides qui touche actuellement les salariés de plusieurs grandes entreprises
françaises doit conduire à s’interroger sur la responsabilité de l’entreprise dans ces drames,
notamment au plan pénal.

Une faute inexcusable...

L’employeur est tenu à une obligation de sécurité de résultat vis-à-vis de ses salariés, et le non
respect de cette obligation est susceptible de constituer une faute inexcusable (la
reconnaissance d’une faute inexcusable -qui est une sanction civile- a principalement des
conséquences pécuniaires pour l’employeur et pour la victime, qui bénéficie d’une majoration
de sa rente).

Concernant le suicide, la Cour de cassation a eu l’occasion de se prononcer sur ce sujet dans


un arrêt du 22 février 2007; elle a ainsi jugé «qu’en vertu du contrat de travail le liant à son
salarié, l'employeur est tenu d'une obligation de sécurité de résultat, et que le manquement à
cette obligation a le caractère d'une faute inexcusable, au sens de l'article L. 452-1 du code
de la sécurité sociale, lorsque l'employeur avait ou aurait dû avoir conscience du danger
auquel était exposé le salarié et qu'il n'a pas pris les mesures nécessaires pour l'en
préserver». En l’espèce, un salarié avait tenté de se suicider et la Cour de cassation a retenu la
faute inexcusable de l’employeur au motif que «l'équilibre psychologique de M. X... [le salarié
victime] avait été gravement compromis à la suite de la dégradation continue des relations de
travail et du comportement de M. Y. [l’employeur]» et que «l'employeur avait ou aurait dû
avoir conscience du danger auquel était exposé son salarié et qu'il n'a pas pris les mesures
nécessaires pour l'en préserver. ».

En d’autres termes, l’employeur doit prendre conscience de l’état de santé psychique de son
salarié et il a l’obligation de prendre les mesures nécessaires pour préserver sa santé ou sa
sécurité.

La veuve d'un salarié de Renault vient ainsi d'assigner l'entreprise devant le Tribunal aux
affaires de sécurité sociale de Nanterre, pour voire reconnue la faute inexcusable.

...avec des conséquences pénales ?

Si la reconnaissance d’une faute inexcusable ne fait pas beaucoup de doute lorsque le suicide
trouve clairement son origine dans le comportement de l’employeur, se pose la question de
l’éventuelle responsabilité pénale de l’entreprise?
Avant tout, rappelons que le suicide n’étant en soi pas un délit, il n’existe pas de complicité de
suicide.

Un délit de provocation au suicide d’autrui existe bien; il est prévu à l’article 223-13 du code
pénal, qui dispose: «Le fait de provoquer au suicide d'autrui est puni de trois ans
d'emprisonnement et de 45.000 euros d'amende lorsque la provocation a été suivie du suicide
ou d'une tentative de suicide.»

Mais un tel délit ne s’applique probablement pas au cas de l’employeur qui voit l’un de ses
salariés mettre fin à ses jours. En effet, le délit de provocation au suicide implique une action
directe de la part de l’auteur, qui tend explicitement à l'accomplissement du suicide. La
jurisprudence exige par exemple que la provocation ait un «caractère contraignant ou
convaincant de nature à paralyser la volonté de la [personne] en ne lui laissant d'autre
alternative que la mort pour résoudre ses difficultés». L’on ne saurait imaginer -du moins, on
l’espère- que des entreprises se livrent à de telles provocations.

Aussi, en cas de suicide d’un salarié, le fondement le plus probable pour des poursuites
pénales serait plutôt celui de l’homicide involontaire. L’article 221-6 du code pénal incrimine
ce délit:

«Le fait de causer, dans les conditions et selon les distinctions prévues à l'article 121-3, par
maladresse, imprudence, inattention, négligence ou manquement à une obligation de sécurité
ou de prudence imposée par la loi ou le règlement, la mort d'autrui constitue un homicide
involontaire puni de trois ans d'emprisonnement et de 45.000 euros d'amende.»

Ainsi, et conformément aux précisions de l’article 121-3 du code pénal, la responsabilité


pénale d’une entreprise (personne morale) suite au décès d’un salarié peut être engagée «en
cas de faute d'imprudence, de négligence ou de manquement à une obligation de prudence ou
de sécurité prévue par la loi ou le règlement, s'il est établi que l'auteur des faits n'a pas
accompli les diligences normales compte tenu, le cas échéant, de la nature de ses missions ou
de ses fonctions, de ses compétences ainsi que du pouvoir et des moyens dont il disposait.»

Dès lors, il est possible que le comportement de l’entreprise qui répond aux critères de la faute
inexcusable constitue également la faute pénale de manquement à une obligation de sécurité...

Surtout, si en matière d’homicide involontaire il est fondamental de démontrer qu’existe un


lien de causalité certain entre la faute de l’auteur et le décès de la victime, il demeure qu’une
pluralité de causes n’exonère pas l’auteur de sa responsabilité. Aussi, quand bien même le
suicide trouverait également ses origines dans d’autres raisons que le comportement de
l’employeur, ce dernier resterait condamnable à partir du moment où son attitude a joué un
rôle certain dans la survenue du suicide [NB: ce raisonnement ne concerne que la
responsabilité de l’entreprise en tant que personne morale; les mécanismes de mise en cause
de la responsabilité pénale des personnes physiques sont plus complexes].

Quand le précédent rend responsable

Il est enfin important de noter que celui qui est averti du risque suicidaire d’une personne a,
d'une certaine façon, la responsabilité de prévenir toute réitération de cet acte.

Ainsi, dans un arrêt du 5 mars 1992, la chambre criminelle de la Cour de cassation a jugé que
«X et Y ont commis une négligence fautive ayant favorisé la réalisation du suicide de Z en
cessant toute aide ou surveillance de celui-ci, qui venant de réaliser une tentative de suicide
se trouvait dans un état de déséquilibre physique ou psychique pour lequel étaient exigés des
précautions et une attention particulière».

Si cette jurisprudence concernait un navigateur et son équipier, elle semble transposable à un


employeur qui, ayant su que l'un de ses salariés avait tenté de mettre fin à ses jours, se doit
d’une attention particulière à son égard, sous peine de voir sa responsabilité engagée.

Il demeure qu'en matière pénale, les faits sont primordiaux et l'on ne saurait considérer qu'une
entreprise est systématiquement responsable pénalement en cas de suicide de l'un de ses
salariés. Le parquet de Nanterre aurait d’ailleurs déjà classé une plainte pour homicide
involontaire à la suite du suicide d’un salarié de Renault…

Rédigé le 19 oct 2009 à 15:41


Société 19/10/2009 à 10h11

Un questionnaire sur le stress envoyé à tous les salariés de France


Télécom
Encadrement, charge de travail, mobilité, autonomie... Les 102.000 salariés ont un mois pour
répondre à 160 questions sur leurs conditions de travail.

Liberation.fr

Ainsi que l'avait annoncé la direction, les 102.000 salariés de France Télécom ont reçu par
mail ce matin un questionnaire (à télécharger ici en pdf) sur leurs conditions de vie au travail,
réalisé par le cabinet d'audit Technologia. Ils auront un mois pour y répondre, de manière
anonyme s'ils le veulent.

Le cabinet va également mener 1000 entretiens de salarié «pour couvrir l'ensemble de la


diversité de France Télécom», étudier les rapports de la médecine du travail et, pour chacun
des 25 suicides et 15 tentatives survenus dans les deux dernières années, «regarder au plus
près du terrain les conditions de travail, les relations professionnelles, la relation entre les
victimes et le RH et les anciens responsables, et la relation avec la médecine du travail».

Plusieurs rapports seront rendus dans les mois qui viennent, avec, comme objectif, la remise
d'un plan de travail le 15 avril prochain.
Société 20/10/2009 à 19h08

France Télécom: «Le questionnaire soulève enfin les vrais problèmes»

REPORTAGE

Les salariés de France Télécom sont plutôt satisfaits de l'envoi du questionnaire sur leurs
conditions de travail. Mais ils craignent qu'il n'en sorte pas grand chose.

MAEL INIZAN

20 000 salariés sur les 102 000 du groupe ont déjà renvoyé le questionnaire, a annoncé dans
l'après-midi la direction de France Télécom. (© AFP Damien Meyer)

«Enfin! C'est la première fois que France Télécom reconnaît une part de responsabilité»,
lâche Patrick Dedecher, délégué CFDT à la division des finances du Pas-de-Calais.

Comme plusieurs dizaines de ses collègues, essentiellement des délégués syndicaux, Patrick
est venu ce mardi devant un bâtiment de France Télécom dans le XVe arrondissement de
Paris, dans lequel se tiennent des consultations sur le stress.

Entré dans les «PTT» en 1981, il a reçu avec soulagement son questionnaire. Il entrevoit enfin
une porte de sortie après des années de fin de non-recevoir de la direction. «Avant, la faute
était tout le temps rejetée sur la famille, l'alcool... les patrons sortent finalement de leur tour
de verre pour prendre en compte les conditions de travail dans le mal-être de leurs salariés»,
explique-t-il.

Un «besoin d'écoute»

Hier, les 102 000 salariés du groupe recevaient par mail un questionnaire: 170 questions sur
les conditions de travail, les relations professionnelles ou encore les relations entre les salariés
et les ressources humaines. Le document doit mettre en lumière les principales causes du
malaise à France Télécom. Les salariés disposent d'un mois pour le renvoyer. Cependant, à
peine reçus, près d'un salarié sur cinq y avaient déjà répondu aujourd'hui. «Ça montre à quel
point ils ont besoin d'écoute», lance Sana Arbaoui, employé au service qualité d'Orange
depuis 1998.

Elle fait partie des premiers à l'avoir rempli, avec la curieuse impression que chaque question
lui parlait directement de problèmes rencontrés au quotidien. Certaines plus que d'autres,
notamment celles sur la charge de travail et les relations avec la hiérarchie. «On doit suivre
des rythmes de dingues et on ne peut jamais rien dire à notre manager. Tout vient toujours de
plus haut», raconte-elle, soulagée d'être enfin consulté.

Une énième consultation

De l'avis général, le questionnaire est bien construit et «soulève enfin les vrais problèmes».
Cependant, l'indifférence de la direction et les 25 suicides ont laissé des traces. Les salariés se
méfient de l'attention soudaine qu'on leur consacre. «On se demande si c'est vraiment à nous
qu'ils s'adressent, ou aux actionnaires», s'exclame Marie-Hélène Juillard, délégué CFDT,
dénonçant les effets d'annonce de la direction.

«Rien n'a encore bougé pour les salariés», renchérit Nadia Mehuys. Déléguée de Force
Ouvrière, elle craint que ce questionnaire ne soit qu'une énième consultation des salariés.
«Chaque année les salariés remplissent «l'écoute salariale», un questionnaire de la direction,
mais d'autres consultation passent aussi par les syndicats», explique-t-elle, «l'information
remonte déjà depuis longtemps, mais rien n'en découle».

De son côté, Patrice Grosseau, délégué FO, voit le rapport de force doucement évoluer. Avec
la pression médiatique, les résultats de la consultation donneront «des armes pour agir aux
syndicats». Il se heurte cependant au découragement des salariés du groupe. «Comment croire
qu'il y aura des mesures concrètes quand la réalisation d'une simple consultation prend tant
de temps?», résume-t-il.
Société 20/10/2009 à 19h16

Des statisticiens s'écharpent sur le taux de suicides à France Télécom

Un statisticien affirme dans «La Croix» qu'«on se suicide plutôt moins à France Télécom
qu'ailleurs». Une déclaration vivement contestée par d'autres experts.

Quatre syndicats de l’Insee se sont indignés mardi des propos d’un statisticien affirmant, dans
une chronique parue dans La Croix, qu’il n’y avait «pas de +vague de suicides+» à France
Télécom, tandis que la CFE-CGC de France Télécom a dénoncé une «comptabilité macabre».

En se basant sur le taux de suicides dans la population d’âge actif en 2007, René Padieu,
inspecteur général honoraire de l’Insee et président de la commission de déontologie de la
société française de statistique, a expliqué mardi dans une chronique qu’«on se suicide plutôt
moins à France Télécom qu’ailleurs» tout en jugeant que dans cette entreprise, «le climat
social est visiblement détestable».

«En 2007, on avait pour la population d’âge d’actif (20 et 60 ans) un taux de suicide de 19,6
suicides pour 100.000», a-t-il expliqué. «24 suicides en 19 mois, cela fait 15 sur une année.
L’entreprise compte à peu près 100.000 employés. Conclusion: on se suicide plutôt moins à
France Télécom qu’ailleurs», a-t-il écrit.

Pour quatre syndicats de l’Insee (CGT, CFDT, FO et Sud), «les études statistiques et
épidémiologiques qui visent à analyser le taux de suicide au sein du personnel d’une
entreprise n’ont rien à voir avec une règle de trois aussi primaire et peu fondée», ont-ils
déclaré dans un communiqué commun.

Selon eux, «tout statisticien connaît la complexité des comparaisons statistiques d’une
population donnée à celle d’une population plus générale», et «chacun sait que les taux de
suicide sont très dépendants de l’âge, du sexe, de l’activité professionnelle».

«Aucune comparaison n’a de pertinence sans que l’on étudie la situation +toutes choses
égales par ailleurs+», affirment-ils, jugeant la polémique lancée par M. Padieu «indigne».

Même constat pour Pierre Morville (CFE-CGC-Unsa): il rappelle, citant le DRH de France
Télécom Olivier Barberot interrogé le 12 septembre, que «pour la grande majorité des 23
suicides enregistrés sur 20 mois à cette époque, le profil-type des personnes qui avaient
attenté à leur vie était constitué de +fonctionnaires hommes, de plus de 50 ans,
techniciens+».

Mais les 100.000 salariés du groupe ne correspondent pas tous à ce profil type. «Il y a
également beaucoup de femmes, de cadres, de commerciaux, de salariés de droit privé»,
insiste-t-il.

Pour expliquer «une telle concentration de suicides sur cette catégorie précise» il avoue avoir
«l’impudence de créer un lien entre ces suicides et le départ forcé, dans ces quatre dernières
années, de 30.000 de nos collègues qui pour l’essentiel étaient justement des fonctionnaires
âgés».

(Source AFP)
20/10/2009

Lannion: des centaines de personnes aux obsèques du salarié de France


Télécom

CEREMONIE - Plusieurs centaines de personnes ont assisté, mardi après-midi à Lannion, aux
obsèques de Didier Martin, un salarié de France Télécom qui s'était donné la mort la semaine
dernière, le 25ème suicide dans le groupe industriel en moins de deux ans. "Homme, qu'as-tu
fait de l'homme? République, qu'as-tu fait de tes valeurs?", s'est interrogée au début de la
cérémonie religieuse Dominique, l'épouse de cet homme de 48 ans, père de trois enfants, très
impliqué dans la vie associative, responsable des scouts de la ville. Dominique Martin a
évoqué un père et un époux aimant mais "un homme brisé (...) aux espoirs toujours déçus par
l'entreprise". Dans son homélie durant cet office concélébré par une dizaine d'officiants, le
diacre Antoine Papin lui a fait écho en se demandant si la société aurait "assez de courage
pour remettre l'homme au coeur de l'entreprise". "On le sait bien qu'il y a urgence. Notre
monde craque de partout", a-t-il dit. "L'humain a été chassé, remplacé par la peur et le mal-
être", a-t-il poursuivi. "L'humain est bien plus fort à long terme qu'une simple cotation en
bourse", a-t-il ajouté. En arrêt maladie, Didier Martin, dépressif, avait laissé une lettre pour
expliquer son suicide jeudi dernier. Mardi, dans le cadre d'une journée nationale d'action mise
en place par les syndicats, des ateliers animés par des responsables syndicaux ont par ailleurs
été organisés sur le site de Lannion afin de réfléchir "à ce qui doit changer" dans leur
entreprise.

(AFP)
Économie 20/10/2009 à 15h57

France Télécom annonce le gel des restructurations


Les syndicats se félicitent des nouvelles mesures annoncées ce mardi par le directeur des RH.
Autre motif de satisfaction: «l’arrêt de l’affichage des performances individualisées
comparées», source de stress pour les salariés.

Ce mardi 20 octobre, dans les rues de Marseille. (REUTERS)

Dans un climat social plus que tendu, la direction de France Télécom a fait de nouvelles
annonces ce mardi, en décrétant notammment le gel de toutes les restructurations jusqu’au 31
décembre 2009, mesure réclamée depuis plusieurs semaines par les syndicats.

Le directeur des ressources humaines, Olivier Barberot, a fait cette annonce lors d’une séance
de négociations sur le stress au travail, qui se poursuit toujours. Il a dit que «les
réorganisations étaient suspendues jusqu’à la fin de l’année, et ce à l’exception des cas de
force majeure, comme les cessions de boutiques ou fins de baux», rapporte Xavier Major
(CFDT), saluant «un point positif».

La CGT s'est elle aussi félicitée de cette annonce, voyant là «une première mesure qui doit
s’accompagner de beaucoup d’autres et notamment tout ce qui concerne la gestion
individuelle de l’emploi.»

Pour Sandrine Leroy (FO), «c’est une réelle avancée, parce qu’arrêter les mobilités, c’était
plutôt une mesure individuelle, mais quand il y avait des restructurations, il y en avait quand
même des mobilités.»

Réintroduire plus de collectif

France Télécom a également annoncé «sa volonté de réintroduire plus de collectif dans les
dispositifs d’objectifs et de rémunération variable», a ajouté la CFDT.

«Aujourd’hui, on était arrivé à une hypercompétition, qui n’est ni bonne pour le climat social,
ni pour les clients», a expliqué le directeur des RH.
Autre motif de satisfaction pour FO: «l’arrêt de l’affichage des performances individualisées
comparées», sorte de tableau d’honneur qui était «source de stress». Elle a également insisté
sur «la prise en compte des parcours personnels pour la fixation des objectifs. Un jeune qui a
BTS de force de vente ne peut pas avoir les mêmes objectifs qu’un technicien qui a été muté
sur un centre d’appel.»

«France Télécom est sorti du coma artificiel et il y a des avancées significatives, avec des
propositions intéressantes pour les salariés», a conclu Patrice Diochet (CFTC).

(Source AFP)
Société 22/10/2009 à 00h00

France Télécom : feng shui, suicides et Terreur de 1793


Par HOCHE pseudonyme d’un ancien dirigeant du groupe

L’affaire des multiples suicides intervenus chez France Télécom a suscité nombre de
commentaires mais passe à côté de l’essentiel. France Télécom serait ainsi victime de
l’accélération des technologies demandant un effort d’adaptation trop rapide. Mais France
Télécom a fait face à l’irruption du mobile dans les années 1990, puis d’Internet dans les
années 2000 et a franchi avec succès ces caps, passant du minitel à l’un des premiers
opérateurs mobile avec Itinéris, et à ADSL avec Wanadoo. A cette époque il n’y avait pas de
suicide. De même, les fonctionnaires de l’ancien monopole ne supporteraient pas l’irruption
de la concurrence. Pourtant, SFR s’est lancé en 1990, suivi par Bouygues en 1994, et Internet
a connu plus de dix concurrents (Club Internet, AOL, Alice…) dans les années 2000.

L’analyse doit plutôt se porter sur le bouleversement managérial mis en place par la nouvelle
équipe en 2006 et le passage à la marque Orange, dont la dimension religieuse, voire quasi
sectaire en interne, est rarement connue.

Au départ de Thierry Breton, un nouveau président venant de l’administration et sans aucune


expérience managériale crédible a été nommé à la tête d’un ensemble de 180 000 personnes.
Vite contesté par ses barons, il a, avec application, cassé les féodalités internes organisées
autour de filiales puissantes (Orange pour le mobile, Wanadoo pour Internet, Equant pour
l’entreprise, France Télécom pour le fixe) et des 22 directions régionales. Celles-ci portaient
l’ensemble des objectifs et géraient avec une grande proximité humaine les moyens et
ressources sur le terrain. Le problème a résidé dans le chaos et la perte de repères
organisationnels. Pendant un temps, il y a eu une organisation trimatricielle : pays (France,
Royaume-Uni, Espagne), lignes de produit (fixe, Internet, entreprise, mobile), fonctions
(marketing, centre d’appel, informatique) où les collaborateurs avaient plusieurs managers et
subissaient des injonctions contradictoires. Après cette phase de total chaos, la reprise en main
s’est faite par un management appliquant scrupuleusement les meilleures recommandations
des cabinets de conseil anglo-saxons, à grands renforts de tableaux de bord et indicateurs de
productivité. La révolution est rentrée dans sa phase de «Terreur», et il est intéressant de voir
le «peuple de France Télécom» et ses syndicats dénoncer justement «ce management par la
Terreur» et ses cortèges de décès. France Télécom en 2009, c’est la Révolution française en
1793. Plus de féodaux tenant les régions ni de barons tenant les filiales mais un nouvel ordre
imposé d’en haut. Ainsi, après le vingt-troisième suicide, le DRH de France Télécom déclare
«il est hors de question d’arrêter les restructurations» faisant écho à Robespierre, «on
n’arrête pas la Révolution».

Comme dans la Révolution, on impose une nouvelle religion. La marque Orange a été
généralisée dans le groupe. Elle s’est substituée en 2006 aux marques maison créées avec
succès par les gens de France Télécom : Itinéris, Wanadoo et surtout France Télécom, matrice
réunissant les agents du service public et la totalité du peuple français «abonné». Ces marques
avaient été nourries des valeurs des gens de France Télécom, Itinéris avec sa dimension de
performance technologique, Wanadoo avec la positive génération, et France Télécom avec
son esperluette en signe d’union. Elles ont été balayées par une marque étrangère, Orange,
rejetée en interne par les gens de France Télécom (le groupe reste baptisé France Télécom
alors que tous les produits sont sous la marque Orange). Achetée à prix d’or en Angleterre où
elle est depuis longtemps largement supplantée par Vodafone, O2 ou Virgin, elle trouve ses
origines dans un fondateur adepte du feng shui qui organise des formations aux valeurs de la
marque, et des sessions qualifiées de «brainwashing» par les cadres. Les publicités montrent
ainsi des gens parfaits, évoluant dans un monde parfait avec des clients parfaits, en total
décalage avec la réalité que vivent au quotidien les employés des services clients qui gère les
défauts d’un monde moins parfait. Cette marque froide, métallique, distante, perfectionniste, a
été imposée avec une force quasi religieuse. La nouvelle religion s’accompagne d’un sabir
franglais tant dans les produits que dans le discours de la direction (la fameuse «mode du
suicide» traduction de «suicide mood») provoquant rejets et crises identitaires. Au contraire,
précédemment, France Télécom avait su sublimer les valeurs du service public et du défi
technologique dans une attention très forte au client et à la qualité de service.

Comment se terminent les révolutions ? Il y aura sans doute des thermidoriens pour trouver
les Robespierre boucs émissaires, puis une phase de remise en ordre avec de nouveau des
pouvoirs locaux forts et des barons à la conquête de nouveaux territoires : Napoléon avait ses
préfets près du peuple et ses maréchaux à la bataille. Stéphane Richard, qui vient de remplacer
le directeur général France, avant de succéder au président du groupe, sera-t-il ce Napoléon
que France Télécom attend ?
Économie 23/10/2009 à 00h00

France Télécom : la statistique qui veut tuer le débat

Par LUC PEILLON

"On se suicide plutôt moins à France Télécom qu'ailleurs."

René Padieu président de la commission de déontologie de la société française de statistique,


dans La Croix, le 20 octobre.

INTOX. Y a-t-il moins de suicides à France Télécom qu’au sein de la population active en
général ? Et si oui, la polémique concernant cette entreprise est-elle encore justifiée ?
Embrayant la plume à de nombreux sites internet, René Padieu, inspecteur général honoraire
de l’Insee et président de la commission de déontologie de la société française de statistique,
remettait à l’endroit, dans le journal la Croix du 20 octobre, des statistiques malmenées par
des journalistes un peu légers à son goût. «Depuis quelques semaines, les médias parlent
d’une vague de suicides à France Télécom : 24 en dix-neuf mois. On dénombre chaque
nouveau cas : le nombre est donc important ! Pourtant, personne ne semble penser à vérifier
en quoi il est élevé. Un journaliste consciencieux recoupe son information. […] En 2007, on
avait pour la population d’âge actif (de 20 ans à 60 ans) un taux de 19,6 suicides pour
100 000. Vingt-quatre suicides en dix-neuf mois [à France Télécom], cela fait 15 sur une
année. L’entreprise compte à peu près 100 000 employés. Conclusion : on se suicide plutôt
moins à France Télécom qu’ailleurs.»

DESINTOX. Première chose : toute comparaison nécessite de définir un périmètre. Il s’agit,


dans le cas présent, de celui du travail. Comparer le nombre de suicides à France Télécom
avec une autre population plus large, implique donc de comparer la population salariée de
France Télécom avec la «population active occupée» en général. Or René Padieu compare la
population salariée de France Télécom avec la «population d’âge actif», ce qui est
sensiblement différent. En effet, la population d’âge actif est celle qui travaille ou qui est
susceptible de pouvoir travailler du fait de son âge. Cette catégorie inclut donc les actifs
occupés, les gens retirés du marché du travail, mais aussi les chômeurs. Or si pour ces
derniers, les statistiques nationales concernant leur taux de suicide n’existent pas, les
sociologues Christian Baudelot et Roger Establet (1), à l’instar de nombre de leurs confrères,
estiment que «ce sont les inactifs [entendre ici les chômeurs, ndlr], autres que retraités, qui
détiennent aujourd’hui le record du suicide». Comparer le taux de suicides des salariés de
France Télécom avec celui d’une population d’âge actif, - chômeurs compris - est donc pour
le moins étrange. D’autant que la tranche retenue par René Padieu pour définir la population
d’âge actif - de 20 ans à 60 ans - semble restrictive, l’éventail généralement retenu s’étalant de
15 ans à 64 ans.

Mais dans ce débat sur le suicide au travail, la question n’est pas tant de comparer le taux de
suicides dans une entreprise avec le taux de suicide en général, ou même de la seule
population active occupée, mais d’essayer d’isoler les suicides commis pour raisons
professionnelles, puis de construire des indicateurs.
La difficulté, à ce stade, réside dans la définition d’un taux national de suicides en lien avec le
travail, permettant de comparer ensuite avec telle ou telle entreprise. Problème : cette donnée
n’existe pas. Ce qui explique aussi pourquoi tout le monde patauge sur le sujet. A défaut
d’étude nationale, le seul chiffre exploitable est une extrapolation d’une étude régionale
menée sur le suicide au travail en 2003 sur la Basse-Normandie (cf. INRS). Cette
extrapolation (380 suicides annuels considérés comme liés au travail en France) conduit, au
sein de la population active occupée, à un taux national de suicides pour raisons
professionnelles de 1,6 pour 100 000. Ce taux, évidemment (et heureusement) est inférieur au
taux de suicides de la population en général (situé entre 16 et 20 pour 100 000) ou de
la population d’âge actif (19,6 pour 100 000). Et pour cause : le travail n’est pas (encore ?) la
première raison de mettre fin à ses jours.

Ce taux national de suicides en lien avec le travail (1,6 pour 100 000) ne peut, pour autant,
être directement comparé au taux de suicide des salariés de France Télécom (14 pour
100 000). Car parmi les 25 suicidés de l’entreprise de téléphonie depuis février 2008, tous ne
sont pas, évidemment, liés au travail. L’exercice, là encore, est délicat, mais en étudiant la
liste des 25 décès de France Télécom mentionnant le contexte et les éventuelles lettres
laissées par les victimes, 11 au moins de ces suicides apparaissent comme liés au travail. Ce
qui conduit à un taux annuel de suicides pour raisons professionnelles chez France Télécom
de 6 pour 100 000. Au final, la comparaison de 1,6 suicide lié au travail pour 100 000 dans la
population active occupée et des 6 pour 100 000 chez France Télécom semble bien révéler un
taux de suicides pour raisons professionnelles quatre fois supérieur chez l’opérateur
téléphonique.

(1) Le Monde, 26 septembre.


Économie 26/10/2009 à 00h00

France Télécom : image en berne

France Télécom est en plein désamour. Suite à la vague de suicides intervenue parmi ses
salariés, l’image de l’opérateur de télécommunication s’est beaucoup dégradée dans l’opinion
publique, selon le baromètre Posternak- Margerit réalisé les 16 et 17 octobre et publié hier par
le JDD. Neuvième en juin du palmarès des grandes entreprises les plus appréciées des
Français, France Télécom a depuis rétrogradé de vingt places, se classant 29e sur un panel de
trente. Citroën, qui profite des effets de la prime à la casse, tient la pole position en octobre.
Économie 26/10/2009 à 00h00

La loi de la concurrence déteint sur la société


Par JEAN MATOUK économiste

Qu’y a-t-il de commun entre les suicides à France Télécom, le conflit à propos de la
transformation de la Poste en société anonyme publique, la pression constante en faveur de
l’ouverture des frontières commerciales la plus rapide possible, la défense par les pharmaciens
d’un monopole qui n’a plus guère de sens ? Réponse : le débat sur les vertus et les vices de la
concurrence ! Un débat qui, par-delà l’actualité économique et sociale récente, trouve son
fondement ultime dans la conception même de la société.

Pour les uns, dont Margaret Thatcher et Ronald Reagan, la société n’existe pas. Il n’y a
qu’une juxtaposition d’individus et l’organisation qu’un gouvernement se doit de mettre en
place se limite à un système de concurrence, c’est-à-dire à la généralisation du marché. C’est
la réplique économique, quatre siècles plus tard, de la lutte de tous contre tous, dans le champ
politique, que décrivait Hobbes. Mais, tandis que le philosophe anglais voyait dans l’Etat-
Léviathan un «pouvoir» assurant la paix sociale en échange de l’autonomie que les individus
lui abandonnaient, la concurrence, elle, est censée assurer cette paix par le jeu du marché,
auquel tout doit être soumis. C’est l’Etat et ses impôts qui sont devenus, comme le disait
Ronald Reagan, «le problème». Nous surfons encore en partie sur cette vague idéologique.

D’autres, au contraire, donnent réalité à la «société» comme ensemble de rapports, familiaux,


politiques, économiques, idéologiques… Dans cette optique, force est de constater
qu’effectivement les rapports économiques (aujourd’hui seulement marchands) sont en train
de phagocyter les autres et qu’une rivalité économique générale s’est installée. Non que la
société soit naturellement exempte de conflits. Les théoriciens de l’Ecole de Francfort, à la
suite de Hegel, ont expliqué que chaque individu mène une lutte pour sa reconnaissance par
les autres, lutte en plusieurs phases au cours desquelles il acquiert confiance en soi, puis
respect de soi et estime de soi. Il faut croire que les suicidés de France Télécom éprouvaient
un tel sentiment de mépris des autres qu’ils avaient perdu jusqu’au respect d’eux-mêmes. Il
n’en reste pas moins que c’est par cette lutte pour la reconnaissance que se reconstituent sans
cesse les liens sociaux.

Quel sens prend, dans cette vision de la société, le «tout-marché» qui domine l’idéologie
moderne ? La reconnaissance de l’un par l’autre passe de plus en plus, sinon uniquement, par
la voie marchande. C’est par le salaire, par l’honoraire demandé, par le profit qu’on est
capable de faire afficher à la firme qu’on dirige qu’on est reconnu, donc socialisé. Est-il
possible, aujourd’hui, de régénérer d’autres formes de reconnaissance sociale ? De
réintroduire de la «coopération» dans certains domaines, au lieu et place du «tout
concurrence» ? De valoriser le scientifique qui découvre une molécule salvatrice mieux que le
trader qui a inventé tel ou tel «produit dérivé», l’enseignant qui doit apprendre à lire à vingt-
trois élèves dont quinze récemment débarqués d’Afrique plutôt que l’intermédiaire malin qui
trouve sa place sur le circuit opaque des fruits et légumes ?

De cela, de ce changement fondamental de paradigme social, aucun G20 ne tracera jamais la


voie. Il ne peut naître, pays par pays, puis dans l’Union européenne peut-être, que d’une
décision politique collective amenant au pouvoir des majorités nouvelles dont les projets
iraient, diversement, dans quatre directions.

D’abord, exclure radicalement du marché la santé et l’éducation, et réhabiliter un droit du


travail qui n’est plus jaugé que comme une contrainte au dynamisme économique. Ensuite,
ramener drastiquement, par la fiscalité, l’éventail des revenus nets à un étiage tel qu’il ne
rende pas psychologiquement irrésistible la frustration donc la lutte permanente pour «avoir
plus». Car celle-ci est inévitablement génératrice d’un gaspillage généralisé donc d’un
véritable pillage écologique de la Terre. En troisième lieu, doit être promue et financée la
transformation du plus grand nombre possible d’entreprises capitalistes matures en entreprises
coopératives ; mais cette transformation doit laisser entière la capacité innovatrice des
créateurs d’entreprises et des chercheurs, avec l’espoir justifié d’un gain financier pour le
service rendu à la société. Pour eux, la reconnaissance par l’argent est utile au «vivre
ensemble». Enfin, il faut «remutualiser» des produits de consommation tels que l’assurance,
le crédit ou encore les produits alimentaires, dans le genre Association pour le maintien d’une
agriculture paysanne (Amap), en relançant, comme cela se fait déjà aux Etats-Unis,
maraîchage et élevage «bio» près, et même dans, les villes. Laisser le marché devenir le
«Léviathan» de l’ère économique, admettre que la concurrence se substitue partout à la
coopération, c’est entériner la dilution du lien social et l’avènement d’une «di-société», pour
reprendre le terme de Jacques Généreux. C’est œuvrer à la disparition de la société, c’est-à-
dire de l’humanité.
Société 15/11/2009 à 15h55

France Télécom: trois salariés sur quatre ont répondu au questionnaire

Les réponses vont être analysées et donner lieu à un rapport, probablement


présenté début décembre aux partenaires sociaux et à la médecine du travail.

une employée de France Telecom, lors d'une manifestation à Marseille, le 20 octobre


(Jean-Paul Pelissier / Reuters)

Quatre semaines après l’envoi d’un questionnaire sur le stress au travail adressé au
102.000 salariés de France Télécom, le cabinet Technologia, en charge de
l’enquête, annonce que les trois quarts d’entre eux y ont répondu.

«L’analyse des réponses va donner lieu à un premier rapport qui devrait être
présenté début décembre aux partenaires sociaux et à la médecine du travail» et
comprendra «des propositions de mesures d'urgence à mettre rapidement en
œuvre», a précisé Technologia.

La clôture de l'enquête aura lieu lundi à 22h, mais dès à présent, le cabinet estime
que «plus de 76.000 réponses auront été collectées» à cette date, soit «la plus forte
de toutes les participations jamais enregistrées par Technologia sur ses différentes
enquêtes».

«Ce taux de participation démontre toute l'importance revêtue par la question du


stress et des risques psychosociaux dans l'entreprise», frappée par une vague de
suicides de ses salariés. Etablies avec les syndicats, la direction et la médecine du
travail, les 160 questions adressées aux salariés de l’opérateurs, portaient
notamment sur leur charge de travail, la reconnaissance de leur travail, les mobilités,
leurs relations avec l'encadrement ou encore leur situation psychologique liée au
travail.

«Les jeunes ont légèrement plus participé au questionnaire que les anciens. En
revanche, les taux de participation sont très similaires entre les hommes et les
femmes ou encore entre les fonctionnaires et les salariés de droit privé, selon le
communiqué. Même au niveau des métiers, la participation est semblable, à
l'exception des techniciens de réseau qui ont un peu moins répondu.» Et ce peut-être
à cause d'un moindre accès à un ordinateur, a estimé Jean-Claude Delgènes,
directeur de Technologia.

En revanche, «les cadres et la maîtrise ont nettement plus répondu que les non-
cadres», avec un écart de «près de 15%».

(Source AFP)
17/11/2009

Nouveau suicide à France Télécom: le travail n'est pas en cause

Pour la police, il s'agit sans aucun doute d'un suicide. Samedi, une employée de France
Télécom de Lanester (Morbihan) a été retrouvée sans vie dans un bosquet à Concarneau
(Finistère).

Selon le quotidien Le Télégramme, cette conseillère de centre d'appel âgée de 45 ans avait
disparu depuis mercredi, après avoir laissé un message à son domicile dans lequel elle disait
être partie «faire un petit tour».

C'est le 26e salarié de l'entreprise de télécommunications à se donner la mort depuis dix-huit


mois. Mais selon le syndicat Sud-PTT, cet acte désespéré ne serait pas lié au travail, mais à
mettre sur le compte d'une «situation familiale difficile» et d'une «longue dépression».

Selon ses collègues, «la salariée était une personne fragile qui traversait une crise familiale».

LibéRennes
Économie 30/11/2009 à 00h00

Une médecin du travail démissionne de France Télécom

Histoire

A Grenoble, une médecin a ainsi démissionné début novembre, déplorant dans une lettre
adressée à sa direction l’impossibilité pour elle de venir en aide aux «salariés en souffrance».

Libération.fr

Il n’y a pas que les salariés qui souffrent à France Télécom. Les médecins du travail, eux
aussi, en ont marre de ne pas voir leur travail reconnu et d’assister, impuissants, à la série de
suicides ayant cours au sein de l’opérateur.

A Grenoble, une médecin a ainsi démissionné début novembre, déplorant dans une lettre
adressée à sa direction l’impossibilité pour elle de venir en aide aux «salariés en souffrance».

«Durant ces deux années d’exercice, je n’ai pu faire que le constat d’une adaptation forcée
de l’homme au travail, suite à des fermetures de service, des suppressions de postes de
travail, des mutations fonctionnelles ou géographiques imposées, raconte la professionnelle
de santé. Les demandes de reclassement ou d’aménagement de postes de travail que j’ai pu
faire sont souvent restées sans réponse écrite et motivée.»

Selon le Parisien, qui a révélé cette démission, ces derniers mois, «entre cinq et dix autres de
ses confrères ont jeté l’éponge pour des motifs similaires».
Économie 02/12/2009 à 11h16

Chez France Télécom, le nombre de suicides revu à la hausse

L'entreprise dit avoir comptabilisé 32 suicides de salariés en deux ans, dont 17 en


2009. Jusqu'alors, les syndicats parlaient de 25 suicides en 18 mois.

Manifestation de salariés de France Télécom contre la souffrance au travail, le 20


octobre 2009 à Marseille. (© AFP Gérard Julien)

France Télécom révèle avoir comptabilisé 32 suicides de salariés depuis janvier


2008, un nombre supérieur à celui jusqu'alors avancé par les syndicats.

«Sur demande de l'inspection du travail, nous avons récemment interrogé l'ensemble


des directions territoriales et régionales, a indiqué la direction. Il en est ressorti un
total de 32 suicides en deux ans, dont 17 en 2009. Ce chiffre a été communiqué, en
toute transparence, à l'Inspection du Travail.»

Et la direction d'ajouter: «France Télécom déplore la polémique initiée par certains


sur le nombre de suicides. Le chiffre de 25 suicides en 18 mois résulte de la
communication initiée par les syndicats depuis les drames de cet été.»

Plusieurs syndicats avaient récemment demandé à la direction de communiquer sur


ce nombre, s'étonnant qu'elle n'ait pas contesté celui établi par l'Observatoire du
stress, créé par Sud-PTT et la CFE-CGC.

Le décompte syndical était celui des suicides dont les syndicats avaient
«connaissance», qu'ils aient ou non un lien avec le travail. Récemment, un 26e
suicide a été comptabilisé, mais sans lien avec le travail, selon syndicats et direction.
«Notre décompte était forcément imparfait, car la collecte n'était pas exhaustive», a
expliqué Sébastion Crozier (CFE-CGC), dénonçant, tout comme Patrick Ackermann
(Sud-PTT), des «mensonges de la direction», qui «savait» le nombre exact.

(Source AFP)
Questionnaire Technologia sur le stress et les conditions de travail - France
Télécom
Octobre 2009 - TECHNOLOGIA
Ce questionnaire comporte plusieurs parties. Il est préférable de répondre à toutes. Il n'y a pas de bonnes ou
de mauvaises réponses. Il faut choisir les réponses qui correspondent le mieux à ce que vous vivez ou
ressentez.
Vous avez jusqu'au 16 novembre pour répondre (date d'arrivée du questionnaire chez Technologia).
Charge de travail
1. Mon travail demande de travailler très vite.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

2. Mon travail demande de travailler intensément.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

3. On me demande d'effectuer une quantité de travail excessive.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

4. Je dispose du temps nécessaire pour exécuter correctement mon travail.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

5. Je reçois des ordres contradictoires de la part d'autres personnes.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

6. Mon travail nécessite de longues périodes de concentration intense.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

7. Mes tâches sont souvent interrompues avant d'être achevées, nécessitant de les reprendre plus tard.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

8. Mon travail est très "bousculé".


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

9. Attendre le travail de collègues ou d'autres services ralentit souvent mon propre travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

Autonomie dans le travail


10. Dans mon travail, je dois apprendre des choses nouvelles.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

11. Dans mon travail, j'effectue des tâches répétitives.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

12. Mon travail me demande d'être créatif.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.
13. Mon travail me permet souvent de prendre des décisions moi-même.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

14. Mon travail demande un haut niveau de compétence.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

15. Dans ma tâche, j'ai très peu de liberté pour décider comment je fais mon travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

16. Dans mon travail, j'ai des activités variées.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

17. J'ai la possibilité d'influencer le déroulement de mon travail.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

18. J'ai l'occasion de développer mes compétences professionnelles.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La réponse est obligatoire.

Soutien social
19. Mon responsable se sent concerné par le bien-être de ses subordonnés.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

20. Mon responsable prête attention à ce que je dis.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

21. Mon responsable m'aide à mener ma tâche à bien.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

22. Mon responsable réussit facilement à faire collaborer ses subordonnés.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

23. Les collègues avec qui je travaille sont des gens professionnellement compétents.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

24. Les collègues avec qui je travaille me manifestent de l'intérêt.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

25. Les collègues avec qui je travaille sont amicaux.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

26. Les collègues avec qui je travaille m'aident à mener les tâches à bien.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

Reconnaissance
27. On me traite injustement à mon travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

28. Je suis en train de vivre ou je m'attends à vivre un changement indésirable dans ma situation de travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

29. Ma sécurité d'emploi est menacée.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

30. Ma position professionnelle actuelle correspond bien à ma formation.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
31. Vu les efforts que je fournis, je reçois tout le respect et l'estime à mon travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

32. Vu les efforts que je fournis, mes perspectives de promotion sont satisfaisantes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

33. Vu les efforts que je fournis, mon salaire est satisfaisant.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

Sens du travail
34. Les tâches que j'effectue sont intéressantes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

35. Les tâches que j'effectue correspondent à mes attentes.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

36. Mon activité professionnelle me permet d'avoir des relations sociales satisfaisantes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

37. Dans mon travail, j'ai le sentiment de faire quelque chose d'utile aux autres.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

38. Le travail que je fais, n'importe qui pourrait le faire.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

39. Dans mon travail, il m'arrive souvent de m'ennuyer.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

40. Dans mon travail, j'ai le sentiment d'être exploité(e).


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

41. Mon activité professionnelle me permet d'éprouver la fierté du travail bien fait.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

42. Dans le cadre de mon activité professionnelle actuelle, j'exerce mon métier tel que je le conçois.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

43. J'ai l'impression de travailler pour satisfaire les critères d'évaluation de la hiérarchie, et non pour répondre aux exigences
du métier.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

44. Les règles de fonctionnement de l'entreprise, qui régissent mon activité professionnelle (organisation du travail, répartition
des responsabilités, gestion des ressources humaines...), sont justes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
"Justes" dans le sens de "bien équilibrées" entre les intérêts de l'entreprise et ceux des salariés.

45. Dans mon travail, je suis amené(e) à faire des choses que je ne partage pas sur le plan moral.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

46. Dans mon travail, je constate des décisions et des pratiques qui vont à l'encontre de mes valeurs personnelles.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
Remarques sur les thèmes précédents "Charge de travail", "Autonomie dans le travail", "Soutien
social", "Reconnaissance", "Sens du travail"
47. Remarques :

Mobilité fonctionnelle et géographique


48. Depuis 5 ans, combien de fois avez-vous changé de poste chez France Télécom ?
1. Jamais 2. Une fois 3. Deux fois 4. Trois fois et plus

49. Ce ou ces changements étaient-ils souhaités et compris ?


1. Oui 2. Non 3. Parfois
La question n'est pertinente que si Changem ent de poste Parmi "Une fois ; Deux fois ; Trois fois et plus"

50. Vous avez vécu ces changements comme une évolution positive dans votre carrière.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La question n'est pertinente que si Changem ent de poste Parmi "Une fois ; Deux fois ; Trois fois et plus"

51. Pour ces changements, vous avez bénéficié de formations adaptées.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La question n'est pertinente que si Changem ent de poste Parmi "Une fois ; Deux fois ; Trois fois et plus"

52. Avez-vous dû déménager au cours des 5 dernières années en raison des changements de poste ?
1. Oui 2. Non 3. Non, mais je dois découcher en semaine pour rester près de mon lieu de travail
La question n'est pertinente que si Changem ent de poste Parmi "Une fois ; Deux fois ; Trois fois et plus"

53. Au total, ces changements de poste ont-ils augmenté votre temps de trajet de manière significative ?
1. Oui, ils l'ont augmenté 2. Non, ils l'ont diminué 3. Il est resté inchangé
La question n'est pertinente que si Déménagement Parmi "Oui ; Non, mais je dois découcher en semaine pour rester près de mon lieu de travail"

54. Ces temps de trajet supplémentaires ont-ils globalement des conséquences sur votre vie privée ?
1. Très négatives 2. Négatives 3. Aucune 4. Positives 5. Très positives
La question n'est pertinente que si Déplacement = "Oui, ils l'ont augmenté"

55. Ces mobilités ont-elles été accompagnées d'une compensation ou d'un soutien financier ?
1. Très insuffisant 2. Insuffisant 3. Aucun 4. Satisfaisant 5. Très satisfaisant
La question n'est pertinente que si Déménagement Parmi "Oui ; Non, mais je dois découcher en semaine pour rester près de mon lieu de travail"

56. Combien de temps pensez-vous rester au poste que vous occupez aujourd'hui ?
1. Jusqu'à votre retraite 2. Moins d'un an 3. De un à trois ans 4. De trois à cinq ans
5. Plus de cinq ans 6. Vous ne savez pas

57. D'après vous, dans trois ans, vous pensez que :


1. Vous travaillerez encore au même poste
2. Vous aurez choisi votre prochain poste
3. Vous aurez été obligé(e) de prendre un autre poste
4. Vous aurez été amené(e) à quitter le groupe France Télécom
5. Autres
6. Je ne sais pas
Une seule réponse possible
58. Dans l'idéal, dans trois ans :
1. Vous travaillerez encore au même poste dans le groupe France Télécom
2. Vous évoluerez vers un autre poste du groupe France Télécom
3. Vous souhaitez quitter le groupe France Télécom pour un métier similaire
4. Vous souhaitez quitter le groupe France Télécom pour un métier différent
5. Autres
6. Je ne sais pas
Une seule réponse possible

59. Si vous êtes fonctionnaire, considérez-vous votre statut comme un avantage face aux évolutions de l'entreprise ?
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

60. Si vous êtes contractuel, considérez-vous votre statut comme un avantage face aux évolutions de l'entreprise ?
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

Contraintes professionnelles
61. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que les instructions ou les demandes sont
floues ou que vous êtes mal informé(e).
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

62. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que les exigences demandées sont trop
fortes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

63. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce qu'il y a des problèmes de coopération.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

64. Les principaux problèmes de coopération apparaissent avec :


1. Vos collègues de travail 2. Votre responsable 3. Vos subordonnés 4. D'autres équipes ou d'autres services
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Faire bien / coopération Parmi "Plutôt d'accord ; Tout à fait d'accord"

65. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce qu'il y a une situation de sous-effectif.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

66. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que vous changez régulièrement de
manager.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

67. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que les moyens matériels ou
informatiques sont parfois insuffisants, inadaptés ou tombent en panne.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

68. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que les applicatifs sont devenus trop
nombreux et/ou trop complexes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

69. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que les produits et les services sont
devenus trop nombreux et/ou trop complexes.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

70. Il arrive souvent que vous ne puissiez pas effectuer correctement votre travail parce que vous n'avez pas été suffisamment
formé(e).
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

71. Le travail qui m'est attribué correspond à ma fiche de poste.


1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

72. Le travail qui m'est attribué correspond à mes qualifications et mes compétences.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

73. Une erreur dans votre travail peut entraîner pour vous des sanctions.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
74. Vous considérez que les réunions, auxquelles vous devez participer, sont efficaces et permettent d'exprimer vos opinions et
vos difficultés.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

75. Considérez-vous que les réunions (d'équipe, d'information, etc.) auxquelles vous participez sont :
1. Beaucoup trop nombreuses 2. Trop nombreuses 3. En nombre satisfaisant 4. En nombre insuffisant

Temps et rythme de travail


76. En moyenne, combien d'heures travaillez-vous par jour ?
1. Moins de 7 heures 2. Entre 7 et 8 heures 3. Entre 8 et 9 heures 4. Entre 9 et 10 heures 5. Plus 10 heures
En comptant le temps de présence au travail et le temps consacré au travail en dehors de votre lieu de travail, mais sans compter la pause déjeuner

77. Vos horaires de travail sont-ils variables d'une semaine à l'autre ?


1. Jamais 2. Rarement 3. Parfois 4. Souvent

78. Etes-vous prévenu(e) de ces changements d'horaire :


1. Plus d'une semaine à l'avance 2. Quelques jours à l'avance 3. Au dernier moment
La question n'est pertinente que si Horaires variables Parmi "Rarement ; Parfois ; Souvent"

79. Comment sont déterminés vos horaires de travail ?


1. Le plus souvent, ils sont imposés par votre responsable sans que vous puissiez les modifier
2. Le plus souvent, ils sont déterminés d'un commun accord en fonction des contraintes d'activité et de vos possibilités
3. Le plus souvent, c'est vous qui les déterminez

80. Travaillez-vous le samedi ou en horaires tardifs ?


1. Jamais 2. Occasionnellement 3. Régulièrement

81. Travaillez-vous le dimanche ou les jours fériés ?


1. Jamais 2. Occasionnellement 3. Régulièrement

82. Travaillez-vous d'astreinte ou de permanence statistique ?


1. Jamais 2. Occasionnellement 3. Régulièrement

83. Travaillez-vous la nuit ?


1. Jamais 2. Occasionnellement 3. Régulièrement

84. Lorsque vous dépassez régulièrement votre temps de travail, ce dépassement fait-il l'objet d'une compensation ou d'une
récupération ?
1. Jamais 2. Rarement 3. Souvent 4. Toujours

85. En général, combien de temps vous faut-il pour vous rendre de votre domicile à votre lieu de travail ?
1. Moins d'1/2 heure 2. Entre 1/2 heure et 1 heure 3. Entre 1 heure et 1 heure 30
4. Entre 1 heure 30 et 2 heures 5. Plus de 2 heures

86. Dans votre travail, avez-vous la possibilité de prendre une pause ?


1. Quand vous le souhaitez 2. Quand votre responsable le permet 3. Quand le travail le permet
4. Je ne peux pas prendre de pause

Relation managériale
87. Comment votre responsable prend-il ses décisions ?
1. Votre responsable décide seul sans vous consulter
2. Votre responsable décide de presque tout et seulement quelques décisions sont déléguées
3. Votre responsable décide en consultant auparavant ses subordonnés
4. Les décisions sont prises conjointement par le responsable et ses subordonnés
5. Votre responsable laisse libres ses subordonnés pourvu que certaines contraintes soient respectées

88. Pensez-vous que votre responsable est lui-même contraint dans les décisions qu'il prend par :
1. Ses propres responsables 2. Les orientations de l'entreprise 3. Il est relativement autonome

89. Jugez-vous que le contrôle exercé par votre responsable sur votre travail est :
1. Permanent 2. Normal 3. Faible 4. Nul
90. Globalement, pensez-vous que votre responsable est aussi exigeant envers lui-même qu'envers vous ?
1. Nettement moins exigeant envers lui qu'envers les autres 2. Moins exigeant envers lui qu'envers les autres
3. Autant exigeant envers lui qu'envers les autres 4. Plutôt plus exigeant envers lui qu'envers les autres
5. Beaucoup plus exigeant envers lui qu'envers les autres

91. Encadrez-vous le travail d'autres personnes ?


1. Oui 2. Non

92. Combien de personnes ?


La question n'est pertinente que si Encadrement = "Oui"

93. Vous considérez disposer des moyens et ressources nécessaires pour mener à bien cet encadrement.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La question n'est pertinente que si Encadrement = "Oui"

94. Vous considérez avoir la possibilité de négocier vos objectifs et d'organiser votre travail et celui de votre équipe.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La question n'est pertinente que si Encadrement = "Oui"

95. Vous parvenez facilement à faire respecter vos décisions par vos subordonnés.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord
La question n'est pertinente que si Encadrement = "Oui"

96. Comment appréhendez-vous votre entretien individuel ?


1. Avec forte appréhension 2. Avec faible appréhension 3. Avec sérénité 4. Sans intérêt

97. Votre procédure d'évaluation vous paraît pertinente pour appréhender votre travail.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

98. Les objectifs fixés dans votre évaluation vous semblent atteignables.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

99. La procédure d'évaluation est pour vous une occasion d'exprimer votre point de vue et vos aspirations.
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

Accompagnement Ressources Humaines


100. Savez-vous qui est actuellement votre responsable des Ressources Humaines ?
1. Oui 2. Non

101. Lorsque vous vous posez une question liée aux ressources humaines (mobilité, congés, formation, etc.), vers qui vous
tournez-vous en premier ?
1. Votre responsable 2. Votre Directeur des Ressources Humaines 3. La plateforme CSRH
4. Le logiciel Anoo 5. L'espace développement 6. Les organisations syndicales
7. Cela dépend
Vous pouvez cocher plusieurs cases (3 au maximum).

102. A quelle fréquence rencontrez-vous votre responsable des Ressources Humaines ?


1. Jamais 2. Moins d'une fois par an 3. Une fois par an 4. Plus d'une fois par an

103. Le plus souvent, vous avez rencontré un responsable des Ressources Humaines :
1. A sa demande 2. A votre demande 3. Sur proposition de votre responsable
La question n'est pertinente que si Fréquence rdv RH Parmi "Moins d'une fois par an ; Une fois par an ; Plus d'une fois par an"

104. Pour quelles raisons avez-vous rencontré un responsable des Ressources Humaines ?
1. Formation 2. Mobilité 3. Aménagement du temps de travail
4. Promotion 5. Rémunération 6. Compétences
7. Conflits avec des personnes 8. Problèmes liés au travail 9. Problèmes personnels
10. Retraite
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Fréquence rdv RH Parmi "Moins d'une fois par an ; Une fois par an ; Plus d'une fois par an"
105. Le rôle joué par les Ressources Humaines est selon vous :
1. Inefficace 2. Plutôt inefficace 3. Plutôt efficace 4. Efficace

Formation
106. Au cours des 12 derniers mois, avez-vous suivi des cours ou une formation, même courte ?
1. Oui, généralement à ma demande 2. Oui, généralement à la demande de l'entreprise 3. Non

107. Principalement, vos formations sont mises en place sous la forme ?


1. Présentiel 2. E-learning 3. Tutorat 4. Soutien métier 5. Sur le tas
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Suivi formation Parmi "Oui, généralement à m a demande ; Oui, généralem ent à la demande de l'entreprise"

108. La formation portait sur :


1. Les produits et services de l'entreprise 2. La relation avec la clientèle
3. Les outils informatiques 4. Le management
5. Formation qualifiante au-delà de votre poste 6. Autres
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Suivi formation Parmi "Oui, généralement à m a demande ; Oui, généralem ent à la demande de l'entreprise"

109. Cette formation vous a-t-elle semblé adaptée à vos besoins ?


1. Non, pas du tout 2. Non, pas vraiment 3. Oui, plutôt 4. Oui, tout à fait
La question n'est pertinente que si Suivi formation Parmi "Oui, généralement à m a demande ; Oui, généralem ent à la demande de l'entreprise"

L'environnement de France Télécom et la communication de l'entreprise


110. Êtes-vous intéressé(e) par la place de France Télécom et son évolution dans l'environnement des télécommunications ?
1. Non, pas du tout intéressé(e) 2. Non, pas très intéressé(e) 3. Oui, plutôt intéressé(e) 4. Oui, très intéressé(e)

111. Auparavant, étiez-vous fier(e) d'appartenir au groupe France Télécom ?


1. Non, pas du tout fier(e) 2. Non, pas très fier(e) 3. Oui, plutôt fier(e) 4. Oui, très fier(e)

112. Aujourd'hui, êtes-vous fier(e) d'appartenir au groupe France Télécom ?


1. Non pas du tout fier(e) 2. Non, pas très fier(e) 3. Oui, plutôt fier(e) 4. Oui, très fier(e)

113. Estimez-vous être bien informé(e) des évolutions qui concernent le groupe France Télécom ?
1. Non pas informé(e) 2. Non, pas assez informé(e) 3. Oui, plutôt bien informé(e) 4. Oui, très bien informé(e)

114. Auprès de qui recherchez-vous le plus souvent l'information ?


1. Les services de communication du groupe France Télécom (intranet, newsletter, etc.) 2. Votre hiérarchie
3. Vos représentants du personnel 4. Vos collègues
5. Les organisations syndicales 6. La presse
Vous pouvez cocher plusieurs cases (2 au maximum).

Ambiance de travail et pénibilité


115. Comment estimez-vous le climat dans votre équipe ?
1. Mauvais 2. Plutôt mauvais 3. Plutôt bon 4. Bon

116. D'après vous, par rapport à il y a 5 ans, le climat est plutôt :


1. Moins bon 2. Identique 3. Meilleur

117. Plus précisément, vous qualifieriez l'ambiance de travail de :


1. Sereine 2. Tendue 3. Calme 4. Dynamique 5. Ennuyeuse 6. Froide
7. Confiante 8. Chaleureuse 9. Agressive 10. Solidaire 11. Joyeuse 12. Passive
13. Malveillante 14. Conflictuelle
Vous pouvez choisir 3 termes.

118. Lorsque vous rencontrez des difficultés dans votre travail, vous pouvez facilement obtenir de l'aide ou un soutien de la part :
1. De vos collègues 2. De votre responsable 3. De vos subordonnés
4. De la Direction des Ressources Humaines 5. Des organisations syndicales 6. Du CHSCT
7. Du service médical 8. Des assistants sociaux 9. Des délégués du personnel
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
119. Vous considérez que votre activité professionnelle actuelle est :
1. Pas du tout éprouvante 2. Un peu éprouvante 3. Assez éprouvante 4. Très éprouvante

120. Vous arrive-t-il ou vous est-il arrivé au cours des 12 derniers mois de vous sentir très fatigué(e) ou stressé(e) par votre
travail ?
1. Non 2. C'est arrivé 3. Cela arrive souvent

121. Quand vous avez des périodes où vous êtes très fatigué(e) ou stressé(e) par votre travail, lorsque que vous "saturez" ou en
avez marre, que faites-vous généralement ?
1. Vous prenez des médicaments 2. Vous allez voir le médecin
3. Vous vous absentez de votre travail 4. Vous faites du sport
5. Vous consommez davantage de tabac ou d'alcool 6. Vous mangez
7. Vous dormez davantage 8. Autres
Vous pouvez cocher plusieurs cases.

122. Si 'Autres', précisez :


La question n'est pertinente que si Réaction stress = "Autres"

Environnement de travail
123. Vous travaillez en :
1. Bureau individuel 2. Bureau à plusieurs 3. Plateau 4. En configuration nomade
5. Télétravail 6. Autre configuration
Vous pouvez cocher plusieurs cases (2 au maximum).

124. Avez-vous une position de travail dédiée ?


1. Oui 2. Non 3. Vous ne savez pas

125. Est-ce que votre espace de travail vous confronte à des problèmes de concentration ou de confidentialité ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

126. Est-ce que votre espace de travail vous confronte à des problèmes de personalisation du poste de travail ou d'intimité ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

127. Est-ce que votre espace de travail vous confronte à des problèmes de nuisance sonore ou d'ambiance thermique (froid,
chaleur, ventilation...) ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

128. Est-ce que votre espace de travail vous confronte à des problèmes de travail en groupe (réunion, briefing, etc.) ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

129. Est-ce que votre espace de travail vous confronte à des problèmes de postures ou de manutention ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

Vision globale sur les conditions de travail


130. Depuis quelques années, vos conditions de travail se sont-elles :
1. Améliorées 2. Elles sont restées inchangées 3. Dégradées

131. Vos conditions de travail se sont dégradées, selon vous en raison de :


1. Pression de votre responsable 2. Pression des objectifs
3. Mauvaise ambiance 4. Aménagement et équipement du poste de travail
5. Déménagement 6. Changement de poste
7. Dévalorisation des compétences 8. Absence de poste pérenne
9. Incitation à la mobilité 10. Pénibilité du travail
11. Intérêt du travail 12. Autres
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Conditions quelques années = "Dégradées"

132. Si 'Autre', précisez :


Remarques sur les conditions de travail
133. Remarques :

Santé générale perçue


134. Comparativement à d'autres personnes de votre âge, diriez-vous que votre santé est plutôt :
1. Meilleure 2. Identique 3. Moins bonne

135. Au cours des cinq dernières années, en raison de votre activité, diriez-vous que votre santé s'est :
1. Améliorée 2. Maintenue 3. Dégradée

136. Combien avez-vous eu d'arrêt de travail de longue durée (plus de 21 jours) ces cinq dernières années en lien avec votre
situation professionnelle ?
1. Zéro 2. Un 3. Deux 4. Trois et plus

137. Combien avez-vous eu d'arrêt de travail de courte durée (moins de 21 jours) ces cinq dernières années en lien avec votre
situation professionnelle ?
1. Zéro 2. Un 3. Deux 4. Trois 5. Quatre 6. Cinq et plus

138. Considérez-vous que vos conditions de travail vous permettent de déjeuner dans de bonnes conditions ?
1. Pas du tout d'accord 2. Plutôt pas d'accord 3. Plutôt d'accord 4. Tout à fait d'accord

139. Souffrez-vous d'un handicap physique qui vous gêne dans votre travail ?
1. Oui 2. Non

140. Ce handicap bénéficie-t-il d'une reconnaissance administrative ?


1. Oui 2. Non
La question n'est pertinente que si Handicap = "Oui"

Violences et intimidations
141. Au cours des 12 derniers mois, dans le cadre de votre activité professionnelle, avez-vous été confronté(e) à des agressions
verbales, menaces ou chantages ?
1. Jamais 2. C'est déjà arrivé 3. C'est arrivé plusieurs fois 4. Systématiquement

142. Ces agressions verbales, menaces ou chantages étaient le fait :


1. De votre responsable 2. D'un ou plusieurs collègues 3. D'un ou plusieurs subordonnés
4. D'un ou plusieurs clients
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Agression verbale Parmi "C'est déjà arrivé ; C'est arrivé plusieurs fois ; Systématiquement"

143. Au cours des 12 derniers mois, dans le cadre de votre activité professionnelle, avez-vous été confronté(e) à des violences ou
intimidations physiques ?
1. Jamais 2. C'est déjà arrivé 3. C'est arrivé plusieurs fois 4. Systématiquement

144. Ces violences ou intimidations physiques étaient le fait :


1. De votre responsable 2. D'un ou plusieurs collègues 3. D'un ou plusieurs subordonnés
4. D'un ou plusieurs clients
Vous pouvez cocher plusieurs cases.
La question n'est pertinente que si Violence physique Parmi "C'est déjà arrivé ; C'est arrivé plusieurs fois ; Systématiquement"
145. Vous est-il arrivé(e) qu'une personne ou plusieurs personnes se comporte(nt) systématiquement avec vous de la façon
suivante :
1. Fait comme si vous n'étiez pas là
2. Tient sur vous des propos désobligeants
3. Critique injustement votre travail
4. Vous charge de tâches inutiles ou dégradantes
5. Sabote votre travail, vous empêche de travailler correctement
6. Vous dit des choses obscènes ou dégradantes
Vous pouvez cocher plusieurs cases.

Situation psychologique liée au travail


146. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) désespéré(e) en pensant à l'avenir ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

147. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) seul(e) ?


1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

148. Au cours des 7 derniers jours, avez-vous eu des trous de mémoire ?


1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

149. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) découragé(e) ou avez-vous eu le "blues" ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

150. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) tendu(e) ou sous pression ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

151. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous laissé(e) emporter contre quelqu'un ou quelque chose ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

152. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) ennuyé(e) ou peu intéressé(e) par les choses ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

153. Au cours des 7 derniers jours, avez-vous ressenti des peurs ou des craintes ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

154. Au cours des 7 derniers jours, avez-vous eu des difficultés à vous souvenir des choses ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

155. Au cours des 7 derniers jours, avez-vous pleuré facilement ou vous êtes-vous senti(e) sur le point de pleurer ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

156. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) agité(e) ou nerveux(se) intérieurement ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

157. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) négatif (ve) envers les autres ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

158. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous senti(e) facilement contrarié(e) ou irrité(e) ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent

159. Au cours des 7 derniers jours, vous êtes-vous fâché(e) pour des choses sans importance ?
1. Jamais 2. De temps en temps 3. Assez souvent 4. Très souvent
160. Remarques sur la situation psychologique liée au travail :

Satisfaction globale
161. Quel est votre niveau de satisfaction générale par rapport à votre situation professionnelle prise dans sa globalité ?
1. Pas du tout satisfait 2. Plutôt pas satisfait 3. Plutôt satisfait 4. Tout à fait satisfait

Caractéristiques individuelles
162. Sexe
1. Féminin 2. Masculin

163. Dans quelle classe d'âge vous situez-vous ?


1. Moins de 25 ans 2. 25 à 29 ans 3. 30 à 34 ans 4. 35 à 39 ans 5. 40 à 44 ans 6. 45 à 49 ans
7. 50 à 54 ans 8. 55 à 59 ans 9. 60 ans et plus

164. Quelle est votre situation familiale ?


1. Vous vivez en couple sans enfant à charge résidant à domicile
2. Vous vivez en couple avec un ou des enfant(s) à charge résidant à domicile
3. Vous vivez seul(e) sans enfant à charge résidant à domicile
4. Vous vivez seul(e) avec un ou des enfant(s) à charge résidant à domicile

165. Nombre d'enfants à charge (vous et votre conjoint si vous vivez en couple) :

166. Quel est le niveau du diplôme le plus élevé que vous ayez obtenu ?
1. DEA, master, doctorat, diplôme d'ingénieur 2. Bac + 3 ou bac + 4 (licence, maîtrise, etc.)
3. Bac + 2 (BTS, DEUG, etc.) 4. Bac
5. CAP, BT, BET, BEP 6. BE, BEPC, classe de collège et seconde
7. Sans diplôme

167. Depuis combien de temps travaillez-vous au sein du groupe France Télécom ?


1. Depuis moins de 1 an 2. Depuis 1 à 4 ans 3. Depuis 5 à 9 ans 4. Depuis 10 à 14 ans
5. Depuis 15 à 19 ans 6. Plus de 20 ans
168. Quel est votre service d'affectation ?
1. UI (Unité d'Intervention)
2. UAT (Unité d'Assistance Technique)
3. AD (Agence Distribution)
4. AVSC (Agence Ventes et Service Clients)
5. CCOR (Centre Clients Orange et Renseignements)
6. AE (Agence Entreprises)
7. Agence Pro ou PME
8. UPR (Unité Pilotage Réseau)
9. CSRH (Centre Support RH), UFR (Unité de Facturation Recouvrement ), USEI (Unité de Service Informatique) ou CSP
comptable
10. Etat Major d'OPF (DT, Portails, TPCI, DFMGP)
11. OBS / SCE (Orange Business Services)
12. NCPI (Network and Carriers), DSI (Système d'Information Groupe) ou Direction "Opérateurs"
13. IMG (Marketing, Recherche et Développement)
14. Fonctions Supports (RH, Finances, Communication, Secrétariat Général, Achats)
15. Autres Fonctions Groupe (LOB, NAC, Stratégie, Présidence)
16. Filiales

169. Quel est votre métier actuel ?


1. Technique informatique 2. Technique réseaux 3. Innovation et prospective
4. Contenus et production de contenus multimédia 5. Client 6. Gestion support

170. Depuis combien de temps exercez-vous ce métier ?


1. Depuis moins d'1 an 2. Depuis 1 à 3 ans 3. Depuis 3 à 4 ans 4. Depuis 5 à 9 ans 5. Depuis 10 ans et plus

171. Quel est votre régime de temps de travail ?


1. Régime horaire 2. Régime au forfait 3. Régime dirigeant

172. Quel est votre niveau de rémunération (salaire net mensuel, hors primes liées aux résultats et hors intéressement) ?
1. Moins de 1500 euros 2. Entre 1500 et 1999 3. Entre 2000 et 2499 4. Entre 2500 et 2999 euros
5. Entre 3000 et 3499 euros 6. Entre 3500 et 3999 euros 7. Plus de 4000 euros

173. Êtes-vous à temps complet ou à temps partiel ?


1. Temps complet 2. Temps partiel

174. Quel est votre statut ?


1. AFO - Agent FOnctionnaire 2. CDI ou Agent Contractuel à durée indéterminée
3. CDD ou Agent Contractuel à durée déterminée

Remarques générales
175. Remarques, précisions générales
176. Date de saisie

177. CODE CONFIDENTIEL TECHNOLOGIA, à indiquer obligatoirement (attention il ne s'agit pas du


code Alliance, mais de celui envoyé par Technologia avec les tirets)