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PROJETO ALTERNATIVO DE MÉRITO

DE PARQUE TECNOLÓGICO PARA A UFRGS

Porto Alegre, 9 de abril de 2010.

Contraprojeto elaborado pelo Fórum por um Projeto Alternativo de Parque e


apresentado ao Conselho Universitário.

1.OBJETO

O presente projeto tem por objetivo a criação do Parque Científico e


Tecnológico da UFRGS, que visa à implantação de um ambiente de inovação
científica e tecnológica nos campi da UFRGS, voltado para o desenvolvimento
socioeconômico e ambientalmente sustentável da população brasileira.

2. JUSTIFICATIVA

As universidades públicas têm como principais fundamentos o ensino


gratuito, a garantia de qualidade nas suas atividades e a interação social. Mas é
preciso igualmente que esteja atenta ao seu tempo, integrando os conhecimentos
acadêmicos e populares, respeitando a auto-determinação dos povos, buscando o
desenvolvimento social e a sustentabilidade ambiental. As universidades devem
sempre estimular a participação da sociedade na gestão democrática do
conhecimento, respeitando as particularidades regionais, no rumo da cooperação
mútua (academia-sociedade-governo) para uma vida digna e de qualidade para
todos.

A ciência e a tecnologia não são neutras e correspondem a distintas visões


de mundo, que orientam a forma de criação e aplicação de conhecimentos sob
determinada concepção de desenvolvimento. O senso geral é de que a tecnologia se
expresse e interaja sempre com as demandas pela melhoria da qualidade de vida
ao alcance de todos.

Contudo, a História tem nos mostrado o contrário. A tecnologia vem sendo


desenvolvida e reproduzida, quase exclusivamente para atender à competitividade
daqueles que a financiam. Acrescenta-se a isso a inexistência de limites ao
crescimento econômico com concentração de capital, fato que está levando o
Planeta, finito, à maior crise socioambiental da história. Quanto à concorrência
associada à tecnologia, o ambiente de negócios gera privatização do conhecimento
e, por conseqüencia, a exclusão social. Para Milton Santos (2000) “a
competitividade é ausência de compaixão”. Nesse contexto, a UFRGS, enquanto um
centro de excelência na produção do conhecimento e uma Instituição Pública de
Ensino Superior, tem a missão de não somente produzir ciência e tecnologia, mas
também de atuar na sua democratização e na difusão da sustentabilidade.

No Brasil e no mundo, a tecnologia tem papel fundamental em todas as


necessidades humanas quando tem alcance social. Entretanto, no que se refere à
economia, o País mantém-se atrelado a um modelo, de certa forma dependente, de
produção em alta escala para a exportação de commodities. Estas, apesar de
representarem 30 % a 40 % da balança comercial brasileira, trazem um círculo
vicioso à evolução econômica do País. O Brasil é fortemente marcado pela
desigualdade social tanto no que refere à distribuição de renda strito senso quanto
na repercussão das políticas públicas de Estado na vida dos trabalhadores.
Portanto, como empreendimento científico e social, o parque tecnológico tem a
potencialidade não só de fomentar a inovação científica e tecnológica, mas também
de inovar na sua difusão e popularização, garantindo retornos sociais dos seus
empreendimentos na forma de geração de riqueza, justiça e sustentabilidade.

3. CONCEITO DE PARQUE TECNOLÓGICO

Desenvolver um parque tecnológico em nossa universidade é permitir a


inovação não somente científica e tecnológica, mas também das formas com as
quais lidamos com a produção e difusão de conhecimento e sua adequação ao
contexto social no qual estamos inseridos. Por essa razão, não parece adequado ao
caráter das universidades públicas o conceito oficializado pela International
Association of Science Parks, pois ele refere-se a um modelo de parque tecnológico
que segue a lógica tradicional de desenvolvimento econômico seguida por países
dessenvolvidos e importada pelos em desenvolvimento. Segundo essa definição, há
um natural spin-off das tecnologias desenvolvidas, da cultura da inovação e da
competitividade em seu interior para a comunidade, consideradas per se positiva, e
não é função do parque tecnológico se preocupar com quem está consumindo essa
tecnologia ou para o quê exatamente ela será utilizada. Toma-se como premissa
que a técnica desenvolvida pelas empresas contribui naturalmente para o
desenvolvimento da sociedade, entendendo “empresa” e “sociedade” como
conceitos correspondentes e intercambiáveis. Essa definição corresponde a uma
lógica privatista de produção de conhecimento e tecnologia, e atrela a pesquisa a
interesses privados, impossibilitando o desenvolvimento científico autônomo da
universidade. Além disso, coloca o meio ambiente como uma variável secundária e
passiva no processo de inovação tecnológica, e a sociedade como mera receptora
do conhecimento desenvolvido pela Universidade.

Cientes da necessidade de quebrar esse paradigma e da potencialidade da


nossa Universidade de ser pioneira num modelo alternativo de Parque
Tecnológico, o definimos como um espaço para o pleno exercício da interação
universidade/sociedade através do investimento na pesquisa, produção e difusão
da tecnologia, tendo por base o desenvolvimento socialmente justo e
ambientalmente sustentável. O PqT UFRGS, mais do que um mecanismo de
transferência do conhecimento desenvolvido pela Universidade para a Sociedade
no âmbito da tecnologia e da inovação, é um espaço onde Universidade e Sociedade
produzem conhecimento e a produção é referenciada nas necessidade sociais,
submetendo a elas as necessidade econômicas.
4. MISSÃO

Considerando que a implementação de um parque tecnológico deve atentar


para a função de uma universidade pública e que esta tem um potencial para ser
agente ativo na transformação social, a missão do parque tecnológico é de exercer
o papel como catalisador do desenvolvimento social, através do desenvolvimento
de tecnologias comprometidas com as necessidades da população brasileira.
Estabelecer o caráter de acesso livre ao conhecimento produzido e parcerias com
movimentos sociais emancipatórios e suas formas de associativismo permite
elaborar em conjunto um plano de desenvolvimento que leve em consideração as
principais demandas e carências sociais, traçando o caminho para supri-las. Para
que isto ocorra, é de fundamental importância criar mecanismos que aumentem a
interação e consagrem a parceria entre a universidade e a comunidade em geral.
Uma das dimensões principais ao se pensar a importância de um parque
tecnológico é o potencial para a inovação que ele tem em consonância com as
prioridades sociais. Neste contexto, trata-se não de uma mera transferência do
conhecimento universitário para as empresas, a fim de torná-las mais competitivas
ao desenvolverem produtos mais sofisticados através da ciência de ponta da
Universidade, mas de um espaço que garanta a livre circulação da inovação. É
necessário valorizar a inovação como produção de conhecimento, e não como valor
de mercado agregado ao produto. A publicização do conhecimento gerado pela
inovação gera um acelerado desenvolvimento científico e tecnológico, um intenso
aprendizado e troca de idéias entre os pesquisadores de diversas áreas e a garantia
de que todo o conhecimento gerado na universidade é público e pode ser utilizado
por todos.
Considerando o caráter público de nossa universidade e a sua missão de
democratizar e universalizar o acesso ao conhecimento, bem como aos meios de
produção de tecnologia, é necessário radicalizar no sentido de se colocar o sistema
de código aberto como um dos valores-base da inovação dentro de um Parque
Tecnológico. Nesse sentido, propõe-se um sistema aberto ao público, semelhantes
aos de Código Aberto dos softwares livres e das tendências mais atuais em
biotecnologia. Essa é uma tendência a nível internacional, nos mais expressivos
pólos de inovação no planeta, de priorizar a livre circulação do conhecimento e da
inovação, intensificando a produção de conhecimento inovador, em detrimento da
apropriação privada deste conhecimento produzido coletivamente.
Por último, frisa-se que o parque tecnológico tem papel fundamental na
execução de políticas públicas brasileiras. Como exemplo, há as patentes estatais
de medicamentos destinados a atender às necessidades da população brasileira
contempladas através do Sistema Único de Saúde, garantindo um acesso fácil e
barato pelo Estado a medicamentos de alta qualidade que atendem às
necessidades de toda a população.

5. OBJETIVOS DO PARQUE CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO

De maneira geral pode-se resumir os objetivos do Parque Científico e Tecnológico


da UFRGS como sendo:
1. Criar um organismo que funcione em interação direta com distintos setores da
sociedade, através de parcerias com movimentos sociais emancipatórios e suas
formas de associativismo, e não só com o Estado, o setor industrial e o setor
primário como tradicionalmente fica demarcado.

2. Integrar todas as unidades da universidade na construção deste Parque e não


apenas as com “vocação para inserção no setor produtivo”, uma vez que o Parque
Tecnológico da UFRGS abrange questões para além do setor produtivo. As relações
éticas, bioéticas e econômicas exigem reflexão profunda acerca das pesquisas a
serem encampadas pela UFRGS através do Parque, englobando, assim, todas as
áreas de conhecimento da Universidade.

3. Promover e apoiar atividades de investigação partindo da construção de núcleos


de pesquisa que envolvam estudantes da UFRGS da graduação e pós-graduação, e
que estes núcleos possam se estender para fora da universidade a fim de ampliar
os horizontes da própria investigação e assegurar a sintonia entre os fins da
pesquisa e os interesses sociais.

4. Otimizar a interação entre os setores da academia e a agricultura familiar, tão


carente de incentivos e tão fundamental para garantir alimentação a toda
população do país, fomentando essa forma de produção com ênfase na
agroecologia. Esta vem provando ser a forma de desenvolvimento ambientalmente
e economicamente sustentável.

5. Estabelecer relações de troca com a sociedade no que tange à produção de


conhecimento e acesso ao mesmo.

6. Promover o crescimento do interesse da maioria da população pela produção de


ciência e tecnologia do país, tratando-a não apenas como consumidora e/ou
usuária do produto, mas também como um sujeito-referência na definição da
produção.

7. Contribuir para a formação integral do estudante envolvido com as pesquisas


geridas pelo Parque.

8. Contribuir para a promoção de uma cultura de sustentabilidade, participação,


solidariedade e planejamento racional, como forma de resolver as demandas
socioeconômicas, envolvendo a Comunidade Universitária e a sociedade civil
organizada.

9. Contribuir para a maior compreensão de que o desenvolvimento da sociedade


não é restrito à esfera econômica, sendo necessário levar em conta as questões
sociais e ambientais em todas as pesquisas desenvolvidas no Parque Tecnológico.

10. Adotar uma postura conservacionista em relação ao valor intrínseco e


científico da diversidade genética local, garantindo a proteção contra qualquer
risco de patente privada e assegurando que os empreendimentos fomentados pelo
Parque não acarretarão em dano à mesma.
11. Desenvolver e apoiar atividades de formação de recursos humanos voltadas
para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do Estado do Rio Grande do
Sul.

12. Desenvolver estudos e promover ações no tratante ao impacto social,


econômico e ambiental dos empreendimentos e das pesquisas a serem feitos no
parque, mediante a atuação de um conselho que englobe a bioética e a bio-
segurança, eleito democraticamente e com participação de representantes da
sociedade civil não empresariais.

6. NATUREZA DOS EMPREENDIMENTOS DO PARQUE TECNOLÓGICO

A Universidade está inserida numa sociedade plural, onde o mercado é a


relação econômica predominante, mas não a única existente. Na medida em que a
Universidade é o espaço da inovação e da exploração da fronteira das
possibilidades, deve, necessariamente, se abrir para o que surge na sociedade em
termos de novas relações, justamente no momento onde o mercado mostra seus
limites tanto na capacidade de sustentar uma economia estável como produzir a
inclusão social.

Tanto no campo quanto na cidade têm surgido de forma ainda incipiente


mas vigorosa agentes econômicos que se pautam pela solidariedade, pela
cooperação e pelo respeito ao meio-ambiente. Essas atividades são certamente
espaços de inovação social e econômica que devem ser apoiadas pela Universidade
e estar presentes no Parque Tecnológico.

7. ESTRUTURA ORGANIZATIVA DO PARQUE

Quando discutimos a constituição de uma nova unidade na UFRGS, como


lócus específico de potência de C&T, precisamos inovar no modo de gestão e trazê-
la como referência de representatividade da comunidade universitária e dos
setores assentados no parque. Nesse sentido, o modelo de gestão das IFES,
marcado pela proporcionalidade, precisa ser superado: uma gestão democrática e
paritária para as três categorias da universidade é, portanto, fundamental.

Da mesma forma, há necessidade de superarmos o modelo de privatização


interna representado pelas fundações de apoio, constituindo um modo de gestão
financeira por dentro da instituição. Sendo assim, o Parque Tecnológico deve
possuir um conselho gestor administrativo e de gestão de recursos, representativo
da comunidade que ali trabalha.