Anda di halaman 1dari 31
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CENTRAL DE CURSOS DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU CURSO DE MBA

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CENTRAL DE CURSOS DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU CURSO DE MBA EM NEUROEDUCAÇÃO

Deisy Boroviec

NEUROCIÊNCIA NA MÍDIA

Mato Grosso

2015

DEISY BOROVIEC

NEUROCIÊNCIA NA MÍDIA

Trabalho de Conclusão de curso apresentado como requisito para aprovação na pós-graduação Lato Sensu, do Curso de MBA em Neuroeducação, da Universidade Estácio de Sá, sob orientação da professora Raquel Fernandes Batista.

CUIABÁ MT

2015

1

Neuroeducação

Deisy Boroviec

Neurociência na mídia

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estácio de Sá, como requisito para a obtenção do grau de Especialista em Neuroeducação.

Aprovada em, 15 de agosto de 2015.

Examinadora

_____________________________________________

Professora Raquel Fernandes Batista

NOTA FINAL:

2

RESUMO

É um trabalho, como diriam os grandes mestres, pretensioso: ir além do diálogo entre

Paulo Freire e Sérgio Guimarães, registrado no livro “Educar com a mídia”, onde o

educador e o jornalista reconhecem que ambos são responsáveis pela informação na formação da sociedade. As ciências foram segregadas, mas não existe Educação sem Comunicação. Venho neste artigo científico corroborar o papel do comunicador enquanto formador de mentes pensantes. A Comunicação de massa funciona como uma escola paralela, tema de pesquisa na década de 1970, do sociólogo francês Louis Porcher. Como se trata de um trabalho de conclusão de curso de Neuroeducação, amplio a revisão bibliográfica, abrangendo a Neurociência na Mídia, ou seja, a importância do jornalista ter a consciência ética de uma matéria equilibrada entre

‘verdades’ divergentes, atento a possíveis patologias, levando em consideração a

corrente filosófica do Ceticismo, que nos leva à Ataraxia, suspendendo o juízo quando

há mais de uma verdade consistente.

 

Palavras-chave: Jornalismo, Educação, Neurociência, Comunicação de Massa.

3

ABSTRACT
ABSTRACT

It's a job, as would the great masters, pretentious: to go beyond dialogue between Paulo Freire and Sérgio Guimarães, recorded in the book "Educating with the media," where the educator and journalist recognize that both are responsible for the information in shaping society. The sciences were segregated, but there is no education without communication. I've been in this scientific paper corroborate the communicator's role as a trainer of thinking minds. Mass Communication functions as a parallel school, research topic in the 1970s, the French sociologist Louis Porcher. As this is a job completion course Neuroeducation, magnify the literature review, covering Neuroscience in media, the importance of the journalist be ethical awareness in a balanced matter of 'truths' divergent aware of possible pathologies, taking into account the philosophical current of Skepticism, which brings us to Ataraxia, suspending judgment when there is more than one consistent truth.

Keywords:
Keywords:

Journalism, Education, Neuroscience, Mass Communication.

4

SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO

…P.

07

  • 2 OBJETIVO

P.

09

  • 3 METODOLOGIA

.................................................................................................

P. 10

  • 4 REVISÃO DE LITERATURA

 

P.

11

  • 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

……P.

24

REFERÊNCIAS .....................

.........................................................................

…P.

26

ANEXOS

P.

27

5

Agradeço ao meu filho, Pedro Boroviec Carvalho Pinto, ceder meu tempo precioso, que deixei de dispensar a ele, e estive mergulhada em estudos para conquistar mais um (de)grau na minha vida mãe- profissional. Também agradeço aos professores da Educação à Distância e à Universidade que me proporcionaram esta oportunidade, bem como à minha orientadora, a professora Raquel Fernandes Batista.

6

“Doce ilusão! A nossa perfeição não cabe no

outro. Ela é uma roupa feita sob medida: só

cabe em nós mesmos.”

(Daniel Munduruku)

7

1 INTRODUÇÃO

Na formação do jornalista, uma das matérias da grade de disciplinas é a Psicologia. O acadêmico é instigado a pensar nas patologias, que de acordo com o

dicionário Priberam online é o “desvio do que é considerado normal do ponto de vista

fisiológico e anatômico e que constitui ou caracteriza uma doença. Atualmente não é usada mais a palavra doença, mas sim distúrbio (uma mudança no comportamento que advém do meio ambiente). Além da Psicologia, o jornalista, em formação universitária, é orientado em disciplinas como Economia, Antropologia, Semiótica, Sociologia etc. Todas as disciplinas convergem nas linguagens: audiovisual, áudio, escrita e a própria expressão do pensamento falado. Todas as mídias citadas se conectam virtualmente pela rede mundial de computadores, que nasceu dentro de uma universidade (FERRARI p. 14). Desde as pinturas rupestres, a escrita, a pintura, tipos móveis, a fotografia, a imagem em movimento - essa com experimentos registrados por Athanasius Kircher

no século XVII o homem tenta criar extensão de si mesmo, posso dar o exemplo do eco da voz, que é algo que a natureza nos fez pensar sobre como expandir nossa

capacidade motora. Um tema amplamente pesquisado, como no livro “Os meios de comunicações como extensões do Homem”, de Marshall McLuhan, por exemplo. No tempo dos egípcios e até em tempos mais próximos, como dos Munduruku no Brasil, a oralidade era a forma de transmitir conhecimento (MUNDURUKU p. 20). Depois das grandes navegações, a rede mundial de computadores é o avanço mais atual na globalização. Quando usamos essa última expressão, falamos de comunicação de massa, e aqui entra a motivação do homem em criar extensões do seu ser, para que seu pensamento chegue ao maior número de pessoas com um click, literalmente. Saímos da oralidade para os registros eternizados em rochas, pergaminhos, papéis, vídeos e agora em ‘núvem’. Todas as disciplinas que orientam o comunicador na faculdade, além de ensiná-lo sobre os meios, devem fazê-lo perceber que a palavra ou a imagem proferidas têm ‘poder’: de instigar os pensamentos alheios. Diferente do corpo-a-corpo que envolve Feromônios, a telecomunicação comunicação à distância tem que ser feita com mais responsabilidade ética porque quem recebe a informação, a percebe como verdadeira e não teremos como corrigi-la, já que não há um feedback real, nem

8

mesmo no novo mundo virtual. A credibilidade do audiovisual, do material impresso, bem como das informações virtuais, tem poderes de construir o conhecimento,

construir mitos e também de destruir reputações. Por isso, é importante que o jornalista tenha consciência que é um formador de mentes, mesmo daquelas que têm crivo próprio. A mensagem não pode ser ambígua,

nem mesmo subliminar. O papel do jornalista é de um ‘professor’ numa escola

paralela, pesquisada por Louis Porcher na década de 1970. A escola da vida, aquela

citada por Paulo Freire, quando ele diz que o ser humano precisa ‘aprender a ler o

mundo’. O objetivo deste artigo científico é mostrar que o jornalista tem o seu papel

neuroeducador, com enfoque nas habilidades sensoriais da visão e da audição, tanto a mídia impressa, virtual ou audiovisual, bem como a imagem, que tomaremos como foco neste trabalho.

9

2 OBEJTIVO

O objetivo deste trabalho é atualizar o estudo da Educação na Mídia e ampliar a análise para a importância do conhecimento das habilidades sensoriais e motoras, ou seja, como funciona o aprendizado humano por meio da Mídia dentro do nosso cérebro. Para o trabalho, usaremos dois importantes pesquisadores: Louis Porcher, que trata da ‘Escola Paralela’, para nós a Mídia atual; e Paulo Freire que se preocupou com a Teoria da Comunicação, sem explicitá-la, mas sempre analisando como as informações chegam à Escola e como a tecnologia pode ser uma aliada em vez do misoneísmo habitual das comunidades estudantis. O foco do trabalho é aliar sempre os novos meios de Comunicação à transmissão do Conhecimento e como isso ocorre por meio especificamente de dois sentidos: visão e audição.

10

3 METODOLOGIA

A palavra método, origina-se do grego méthodos, que significa caminho para

se chegar a um fim. Nesta pesquisa foi realizada uma revisão de literatura, que

“envolvem análise, avaliação e integração da literatura publicada, levando

frequentemente a importantes conclusões em relação às descobertas das pesquisas

até aquele momento” (LIBERALI,p. 39)

As bases de dados, desta revisão de literatura, são de acervo pessoal adquirido ao longo da vida acadêmica, que começou em 1993, na graduação, até este ano para complementar o trabalho proposto. Da bibliografia apresentada nas referências, os livros específicos adquiridos para este trabalho são quatro: divididos em Neurociências e Educação aliada à Mídia. O educador brasileiro Paulo Freire e o sociólogo francês Louis Porcher, serviram de base para o início da revisão literária na área da Educação na Mídia. Para Neurociências, os autores escolhidos foram Heber Maia e Silvia Ester Orrú, que fortaleceram o conhecimento biológico do ser humano, enquanto aprendiz. Para corroborar a revisão literária foram anexados artigos publicados em sites nacionais, bem como vídeos que comprovam o trabalho: entrevistas com especialistas, matérias de telejornais que foram analisadas a imparcialidade, ética e também a informação eficaz e eficiente: objetivo deste artigo.

11

4 REVISÃO DE LITERATURA

“Apesar de todos os avanços para uma educação mais justa e universal, os professores ainda vivem sob a égide das contradições, com maior ou menor intensidade, diante da imperiosa situação de educar para a diversidade, mas com as consequências e os desdobramentos deste ato, em razão da complexidade da sociedade contemporânea e, precipuamente, das carências da sua formação e do seu espaço de trabalho” (Cunha, Eugênio. 2013, p. 31).

Na Teoria do Conhecimento, segundo Aristóteles, é necessário usar as habilidades sensoriais. O caminho do meio é mais virtuoso, os excessos podem prejudicar: água demais afoga! Os acadêmicos de jornalismo devem conhecer o quanto atingem com a imagem e o texto, seja falado ou escrito.

“A comunicação é algo absolutamente necessário para que haja

conhecimento”. Nessa frase, o jornalista e educador Sérgio Guimarães começa o diálogo com Paulo Freire na década de 1980 (FREIRE, pg 15), quando a rede mundial de computadores e os celulares ainda não haviam ocupado espaço na sociedade

brasileira. Os dois educadores colocaram no livro “Educar com a Mídia” a preocupação com a formação do professor e do comunicador, ambos responsáveis

pelas ‘verdades’ que o cidadão, que está longe da informação, ‘engole’ sem processá- las e as assimila, sem ao menos duvidar ou questionar, na maioria das vezes. “Saiu na televisão”, é assim que popularmente se justifica uma ‘verdade’ construída.

“Uma coisa é, pessoalmente, eu passar a um grupinho de pessoas uma

determinada informação. Já se eu for dizer a mesma coisa numa emissora de televisão, a

impressão que tenho é de que a tendência natural das pessoas é acreditarem mais, como se a televisão estivesse passando um certificado de garantia ao meu dizer” (Freire, Paulo. p. 62).

Os dois autores, acima citados, responsabilizam os jornalistas e professores por fazerem com que quem recebe a informação seja levado a processar o axioma verbalizado. Julgar menos e questionar mais. Talvez essa seja a saída para o tema abordado. Retomando ao parágrafo anterior, devemos levar em consideração que se o cidadão duvidar e perquirir ou mesmo tentar processar a informação, com o parco conhecimento sobre o assunto, vai processar a informação de forma rasa. Portanto, é substancial que o comunicador seja didático sempre.

12

...

sofrimento

das pessoas não por causa da coisa mesma, mas por causa do

olhar das pessoas”. A frase é de outro educador, o mineiro Rubem Alves (ALVES -

vídeo anexo), que ressalta: “Nas nossas escolas não há o desenvolvimento da sensibilidade”. Ele coloca no monólogo gravado pela TV Câmara, intitulado “Espantos”, que a função do professor é de ‘espantar’, assim como fazem os

jornalistas com os telespectadores e com os leitores, no sentido de chamar a atenção

do aluno para o assunto discutido, assim Alves desdobra: “O objetivo da escola é desenvolver a inteligência”. O educador mineiro emenda: “O mundo acadêmico é um lugar perigoso. Dá medo. É muito mais seguro ficar moendo os pensamentos dos outros”. Nessa

afirmação, é percebida a necessidade de moer e de remoer, mas também ir além, como demanda o filósofo alemão Arthur Schopenhauer:

“Também se pode dizer que há três tipos de autores: em primeiro lugar, aqueles que escrevem sem pensar. Escrevem a partir da memória, de reminiscências, ou diretamente a partir de livros alheios. Essa classe é a mais numerosa. Em segundo lugar, há os que pensam enquanto escrevem. Eles pensam justamente para escrever. São bastante numerosos. Em terceiro lugar, há os que pensaram antes de se pôr a escrever. Escrevem apenas porque pensaram. São raros” (SCHOPENHAUER – 2013 p. 57).

Tentar delinear as próprias ideias sobre o ‘aprender’ e sobre lidar com a mídia, tanto para quem a faz, quanto para quem a consome. Para enriquecer esta revisão bibliográfica, é importante acrescentar que Sérgio Guimarães decidiu deixar o Instituto de Linguística Aplicada da Universidade do Franche-Comté, em 1977, onde seu doutorado seria orientado por Louis Porcher, para ir à campo. Ele foi para Angola ser um membro da UNESCO. Guimarães viajou pelo mundo dos menos favorecidos economicamente conhecendo a realidade e contribuindo de forma efetiva para um futuro menos pesado. Atualmente, ele retornou o doutorado, na Universidade de Buenos Aires, mais forte e com habilidades empíricas, que só a vida pode nos conceder. Os dois ambientes caminham juntos: escola e comunicação. Mas é fundamental casá-los e espantar com competência, como cita Ruben Alves no vídeo, anexo em link neste trabalho. Nisso, a Educação à Distância têm se mostrado importante. Uma experiência que começou no Brasil na década de 1970, com a TV Educativa do Rio de Janeiro, mantida pelo Ministério da Educação, que produziu em parceria com a TV Globo, o

13

programa infantil “Sítio do Pica Pau Amarelo”, baseado numa obra do renomado

escritor brasileiro Monteiro Lobato; e em São Paulo, junto com a Fundação Padre Anchieta, o “Telecurso 1º e 2º graus”. Ambos os trabalhos marcaram o início da TV Pública brasileira e o ensino à distância (MONTEIRO, p. 30 2011). O que corrobora que trabalhos elaborados com áudio e vídeo despertam mais atenção.

“Trabalhos artísticos estimulam o foco de atenção de qualquer aprendente, pois demandam proficuamente a concentração, servindo como mediação pedagógica” (Cunha, Eugênio. 2013 p. 26).

As duas experiências citadas, no parágrafo anterior, marcam o início do uso do audiovisual no Brasil para ensinar por esse meio. Atualmente contamos com a comunicação televisionada e escrita na rede mundial de computadores. Jovens e adultos recebem informações o dia inteiro pelas redes sociais. O que ainda não foi calculada é a quantidade de informações falsas que viajam por todos os continentes. É possível criar um perfil falso na internet, bem como uma página ou um portal. São correntes fakes do inglês falso. O audiovisual é tão forte que cria virais ou memes, este último é um termo introduzido pelo biólogo queniano Richard Dawkins, usado para as informações que se espalham rapidamente pela rede termo originado no livro Selfishie Gene, de 1976. Os dois conceitos fake e meme são deste século e estão sendo aprendidos todos os dias, nem sempre investigados, averiguados, são simplesmente ingeridos pelo pensamento. Enquanto Platão insistia numa verdade única e fora do mundo real, ou seja, no mundo das ideias, seu discípulo Aristóteles acreditou no aprendizado por meio das habilidades sensoriais e por ser um filho de médico, aplicou mais as habilidades biológicas do ser. Platão tinha pensamento matemático, em sua escola estava

estampado: ‘Se não souber aritmética, aqui não entra’. A matemática é lógica,

enquanto não encontramos soluções prontas para a biologia. Essa grande divisão de pensamento nos acompanha no mundo ocidental até hoje. No século XVII foram levantadas duas correntes: Racionalista e Empirista, tão filosóficas, mas tão humanas, logo biológicas. Ainda na Era Helenística, houve uma preocupação maior com o ser interior, o que veio de influência oriental. Valorizar o ser humano e o comportamento em relação ao próximo e ao meio ambiente. O acadêmico de jornalismo chega à

universidade com o conjunto de experiências vividas até ali, desde a ‘escola paralela’

14

à escola formal. A partir desse momento, ele vai conhecer as linguagens midiáticas:

impresso (literário e jornalístico), rádio, cinema, tv e a internet que reúne todas as

mídias e ainda possibilita a interatividade; tudo ‘do outro lado do balcão’. O foco deste

artigo científico é o audiovisual, lembrando que a imagem é a habilidade sensorial que traz mais resultados empíricos, confirmado por cientistas da área e impresso em livros, a exemplo de Collaro:

“A visão é o sentido que nos fornece o maior número de informações, por isso, o ser humano é considerado extremamente visual. O olho funciona como uma máquina fotográfica e a retina como um filme. A pupila iguala-se à função de um diafragma e a parte branca do olho (esclerótica) assemelha-se à caixa da câmara, que não permite a entrada dos raios luminosos” (COLLARO – p. 25)

Sendo

a

imagem

uma

habilidade tão poderosa, o jornalista deve ter

discernimento quanto ao uso da mesma. Como já citado em artigo anterior (BOROVIEC pg 6), a necessidade de ‘casamento’ entre imagem e texto é fundamental. Eles se complementam, um não deve explicar o outro. O mais importante: a forma ética como a informação audiovisual é processada pelos profissionais e transmitida a um grande número de pessoas. Os jornalistas ao longo da vida profissional compreendem que a liberdade de expressão vai até onde começam seus deveres com a linha editorial do veículo em que trabalha, ou o direito do outro.

“É impossível pensar o problema dos meios sem pensar a questão do poder. O que vale dizer: os meios de comunicação não são bons nem ruins em si mesmos. Servindo-se de técnicas, eles são o resultado do avanço da tecnologia, são expressões da criatividade humana, da ciência desenvolvida pelo ser humano. O problema é perguntar a serviço ‘do que’ e a serviço ‘de quem’ os meios de comunicação se acham. E essa é uma questão que tem a ver com o poder e é política, portanto.” (FREIRE – p. 32).

Quanto ao aspecto ético do profissional que não é dono de um veículo, deve ser feita uma escolha pela forma da transmissão do fato, de forma que não ridicularize ou mesmo destrua a vida do entrevistado como aconteceu no caso Escola Base em São Paulo quando uma família investiu numa escola e por causa de uma desconfiança de uma mãe, a escola foi depedrada e os donos quase linchados porque

15

aparecerem na televisão antes do caso ser investigado, o assunto foi tema da monografia, que se tornou livro (RIBEIRO 1995) - , bem como não incite à violência e ao preconceito. Pois uma imagem mau usada pode influenciar na decisão da comunidade que a assiste. É o caso de um meme que se espalhou, alguém criou um fake sobre o assunto que resultou no linchamento de uma moradora do Guarujá em São Paulo (SBT Rio vídeo anexo). Qualquer informação mal interpretada pode se tornar uma tragédia de grandes proporções como as duas acima citadas, a primeira quando a internet pelo celular ainda não existia no Brasil. A Ética e o bom senso de um comunicador pode salvar vidas, inclusive, quando o assunto é informar o cidadão os meios legais, bem como a necessidade de verificar as fontes de informação. O jornalista deve se preocupar com a vida assim como um médico. Ele é o teleprofessor citado por Sérgio Guimarães:

“Há uma desproporção evidente, por outro lado, entre o público que atingido

pelas escolas e o que tem acesso aos meio; entre a ação de um professor que passa um

ano se relacionando com quarenta crianças a de teleprofessores que, num dia apenas, entram em contato com cinco, 6 milhões” (FREIRE, p. 49)

Por isso voltamos o que foi abordado na introdução: a confluência de todas as disciplinas dão noção ao universitário do que ele enfrentará na profissão. Está anexada, neste trabalho, uma matéria sobre um trabalho de alunos do interior de Minas Gerais que apresentaram para escola um texto erótico (Jornal Alterosa vídeo anexo). A imparcialidade pregada pelo jornalismo não parece ter sido respeitada na reportagem e nem mesmo na chamada da matéria: apresentadora e repórter dão um ‘tom’ de reprovação a um material considerado pornográfico para pré-adolescentes.

O que percebemos é que realmente a diretora da escola, bem como os professores, não se atentaram ao conteúdo que era destinado aos adultos. A autora do livro ouvia presencialmente a declamação feita pelos alunos e percebeu o constrangimento, que foi parar nos ouvidos dos pais. Nesta reportagem especificamente, percebemos que a visão do mundo, ou como diria Paulo Freire: a leitura do mundo, foi feita de forma moralista e

preconceituosa, procurando um culpado e o ‘apedrejamento’ moral do responsável.

Aparentemente sem argumentos, a diretora da escola preferiu não comentar o assunto. Até mesmo os docentes parecem não ter tido justificativa para o que fizeram.

16

Não se atentaram que poderiam transformar uma experiência, aparentemente, negativa em algo que mexesse com as habilidades sensoriais e motoras dos alunos de forma positiva: mostrar que há parte íntimas no corpo, que existe a pedofilia, existe a evolução, considerada natural do ser humano, mostrar como se defender do que pode ser ruim, bem como aproveitar o que é bom. A partir da matéria citada, percebemos o direcionamento do pensamento do telespectador. Leitura pornográfica não é para adolescentes! Mas onde está escrito isso?! Por que não tratar o assunto, que gerou constrangimento, com mais naturalidade, já que a pornografia ou textos eróticos existem. A matéria inflamou ainda mais o sentimento dos pais contra a escola. Nesse aspecto, os jornalistas envolvidos deveriam usar o Ceticismo da Era Helenística. Há duas verdades consistentes: foi constrangedor, mas o assunto é próprio da natureza humana, das necessidades fisiológicas de que os adolescentes terão de pensar como lidar com o assunto. Reprimir talvez seja um ato de frear o processamento da informação e aí a escola vai desenvolver alunos repetidores, adeptos ao mimetismo, telespectadores que acreditam que tudo que é falado na TV é verdade! Faltou instigar o pensamento sobre o assunto.

“Um dos grandes problemas da educação é a insistência em punir o erro e não transformá-lo em mudanças, descobrimentos e saberes” (Cunha, Eugênio. 2013 – p.

64)

Para mostrar que é possível transformar obstáculos na escola em grandes experiências, anexei outra matéria realizada em Várzea Grande, pela TV Assembleia Legislativa de Mato Grosso, sobre uma professora da rede pública de Educação que em vez de proibir o uso dos celulares em sala de aula, criou um aplicativo para ensinar Geografia. Atualmente, a aula que era considerada cansativa e sem atrativos, é a mais popular do Colégio (ALMEIDA 2014 - vídeo anexo). Transferir conhecimento é difícil, sem paciência e dedicação não é possível. O professor e o comunicador tem que entender o papel estimulador da aprendizagem para saber transferir o conhecimento. No uso dos aplicativos de celulares os alunos usam três habilidades sensoriais: tato, visão e audição.

“Logo, o desenvolvimento é uma reação do sujeito aos estímulos do meio ambiente, similar a um reflexo mecânico da aprendizagem” (Orrú, Silvia Ester. 2011 – p.

47)

17

A autora, acima citada, reforça o processo de evolução do conhecimento a partir da estimulação das habilidades sensoriais e corrobora a plasticidade neural da aprendizagem, inclusive, em idade avançada.

“Na perspectiva da abordagem histórico-cultural, o aluno é um sujeito ativo e de seu processo de formação e desenvolvimento intelectual, social e afetivo” (Orrú, Silvia Ester. 2011 pg 64)

O Educador tem que ter em mente que além das disciplinas curriculares, é importante entender as necessidades regionais e individuais, que leva em consideração a parte biológica do ser. Como Rubem Alves alertou: ensinar coisas do mar para os homens que moram à beira da praia e coisas das montanhas para quem mora lá.

“O problema pra mim, da escola, é que ela não está ligada com os problemas que são vivenciados no dia-a-dia pelas crianças e pelos adolescentes” (ALVES – vídeo anexo)

A distância do ensino clássico behaviorista é muito grande, da proposta de Vigotsky que se aproxima mais ao que os autores contemporâneos colocam, ou seja, que deve haver interação entre os personagens de uma história: professor x aluno ou repórter e entrevistado. No segundo caso, o repórter precisa entender o contexto, por

isso o estudo de Antropologia na faculdade de Jornalismo. “Ensinar a lidar com essas situações é ensinar o cotidiano, é ensinar a estar mais bem preparado para a vida”

(CUNHA, pg 18). Levi Vigotsky colocou a interação do indivíduo, ou seja, interagir por meio

da linguagem. Ele instituiu quatro pensamentos chaves: interação, mediação, internalização, e ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal). Vigotsky foi um pensador importante em sua área e época, foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e das condições de vida. Veio a ser descoberto pelos meios acadêmicos ocidentais muitos anos após a sua morte, que ocorreu em 1934. Para haver a mudança, o novo posicionamento deve começar pelos

Educadores, como diz Cris Poli, em um de seus programas ‘Super Nani’: “Se os educadores não mudarem, não há como se esperar a mudança das crianças” (Super

Nani - vídeo anexo). Da mesma forma, o filósofo brasileiro, Mário Sérgio Cortella

18

corrobora o que a apresentadora expõe: “Nossa escola é o reflexo de nossa sociedade” (CORTELLA – vídeo anexo).

“Nesta perspectiva, o professor contribuirá como um mediador na

reconstituição e na melhora da vivência emocional de seu aluno para que seu ser, muitas

vezes revelando em suas ações, transcenda as reações afetivas imediatas para outras mais duradouras” (Orrú, 2011, p. 30).

Em Mato Grosso o Parlamento do Estado discute dois sistemas de Educação: Ciclado e Seriado, no primeiro, o ensino é voltado para formação humana; no segundo, para progressão em séries. Desde 2001 o sistema de educação Ciclada é usado no Estado. Durante oito audiências públicas realizadas até o dia 26 de junho de 2015 (BOROVIEC 2015 vídeo anexo), deputados foram ao interior ouvir os pais, professores e coordenadores das escolas. A princípio, foi constatada a insatisfação dos pais que veem seus filhos seguirem os estudos, mas são analfabetos funcionais. Os professores reclamaram que perderam a autoridade em sala de aula. A imprensa parecia tender ao sistema ‘Seriado’, sem mostrar o real problema, por falta

de tempo para se aprofundar no assunto, o que é comum para quem conhece o meio jornalístico (SBT vídeo anexo). Com as discussões promovidas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso a percepção mudou: o que falta é o devido investimento do Executivo no modelo de ensino que requer um atendimento multidisciplinar (psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo etc). A necessidade da participação dos pais também foi o foco das reclamações dos professores. Mas aí

voltamos para a ‘escola paralela’ de Porcher. Ele afirma, e foi constatado pelos deputados envolvidos nas discussões sobre a escola Ciclada, que as crianças de pais que tiveram menos acesso à informação formal, ou seja, à escola, são alunos que têm mais dificuldade de acompanhar os estudos. Nesse aspecto, o sociólogo francês apresenta a influência do ‘mass media’ na formação do ser humano. Os pais das crianças mato-grossenses parecem não ter escolaridade, mesmo que o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha apontado que o número do analfabetismo no Brasil está em 18% da população, menor em relação às pesquisas anteriores, o próprio site da administração pública federal se mostra mais visual e didático nos últimos anos, prova de que o analfabetismo funcional está intrínseco à nossa sociedade, esta, que tem o conhecimento do mundo por meio do audiovisual: televisão e internet.

19

“O êxito desta terceira cultura está, sem dúvida, relacionado não só com razões tecnológicas e sociológicas precisas (não sendo aqui o lugar indicado para as estudar) mas também com motivos etnopsicológicos profundos que dizem respeito ao inconsciente colectivo e ao poder humano de conservação de mitos” (PORCHER, p. 12).

A leitura de ‘mitos’ que fazemos é a responsabilidade do jornalista que

trabalha, principalmente em televisão, reconhecer que a palavra e a imagem vão chegar como verdadeiras e o que este artigo defende é levar conhecimento,

questionamento e instigação ao telespectador. Até porque os cidadãos não têm discernimento exato sobre o editorial dos veículos. Fatalmente concordam ou discordam da informação que chegou até eles, mas não fazem a leitura de que o veículo tem dono e o pensamento do dono prevalece sobre a ideologia de seus colaboradores (profissionais da Comunicação). Muitos acadêmicos de jornalismo também chegam ao mercado de trabalho sem essa visão e tratam seus trabalhos com

a ‘imparcialidade’, que lhes foi ensinada e é exigida pela Fenaj (Federação Nacional

de Jornalistas), sem perceber seus atos falhos, pois carregam julgamentos implícitos

da carga da escola paralela, bem como percebem ao longo do tempo a linha editorial exigida. Para isso é importante que na busca pela imparcialidade e pela ética o

jornalista aufira que constrói a história e leva a ‘verdade’ para muitas famílias. Dessa

forma, é interessante que o profissional se coloque como mediador entre a informação e o telespectador deixando claro que não há verdade absoluta sobre o caso e que o único axioma é o fato ocorrido, as explicações do mesmo podem ser muitas e não podem ser deduzidas e sim mostradas com as diversas abordagens. O objetivo é que o telespectador construa seu próprio conhecimento não a partir de uma única fonte de informação, mas que saiba busca-las em outros veículos e até respaldo em histórias semelhantes. Entra aqui, a escolha de concepções de métodos escolhidos, as formas de ensinar: “ensinar a criança montar o quebra cabeça ou deixá-la agir para montá-lo?” e “Como o ser humano elabora seus conhecimentos?”. Devemos trabalhar com o

condicionamento clássico de Pavlov?! Fiquei indagando mentalmente, neste momento, como foi concebida a avaliação escolar da nossa geração de 1980. Retomando a ideia de Rubem Alves que as universidades criam atores pensantes, tem um vídeo interessante sobre a Heurística, onde Eduardo Pinheiro fala sobre a troca de pensamentos por meio do debate. “A conversa interior continua depois que a

20

conversa com outro termina” (PINHEIRO - vídeo anexado). O autor do vídeo aponta que “No Brasil as pessoas não conhecem a Língua (Pátria) – o que bem percebemos - então como elas vão argumentar?”. A retórica é a arte de se expressar bem. Sócrates, mostrava para as pessoas que elas não sabiam de nada. Na ironia socrática, ironia positiva, ele dizia que nada sabia, mas percebia a ignorância alheia. Seria uma forma alternativa para não dar respostas prontas. Como dizia Paulo Freire sobre uma escola construída a partir de sua ideologia: “Ela se obriga a deixar de ser um espaço preponderantemente fabricador de memórias repetitivas, para ser um espaço comunicante e, portanto, criador” (FREIRE, p. 46). Psicologia de desenvolvimento que significa o encontro, entre a Filosofia e a Biologia, promovido por Jean Piaget: a aprendizagem é construída internamente, dependendo do nível de conhecimento e como o ser humano elabora o conhecimento. A visão é interacionista a partir do sujeito com o meio. Todos já nascem com o conhecimento, o mestre realiza o parto, segundo Sócrates. É a Maiêutica, referindo-

se à parteira, o filósofo ajuda no conhecimento. Ironia socrática “Só sei, que nada sei”. No filme infantil ‘Matilda’ (Direção de Danny DeVito – EUA - 1996) percebemos que os pais e o irmão da menina são alienados pela comunicação audiovisual massificada. Eles ficam envolvidos pela distração proporcionada pela tv americana, enquanto a menina percebe conhecimentos além daquela casa. Matilda busca informações fora do mundo familiar. No caso desse filme, quem conhece a linguagem cinematográfica autoral europeia, entende o comentário de Porcher no livro

‘A escola paralela’ em que ele comenta que um francês não conseguiria assistir a

programação das tvs dos EUA e vice e versa. São linguagens distintas. O Europeu implantou a televisão com linguagem e tecnologia diferentes dos Estados Unidos. Nos EUA o sistema NTSC (National Television System Committee), na França Secam (Séquentiel Couleur à Mémoir), na Alemanha PAL (Phase Alternating Line), no Brasil Pal-M. Mas não vamos fugir do foco deste trabalho. Atualmente o Sistema é Digital. A

TV Europeia sempre mostrou mais preocupação no desenvolvimento de conteúdo, enquanto a americana em tecnologia.

...

Se

formos por aí, a informação veiculada pelos meios de comunicação de

massa é apenas para consumo das ‘massas’, sem a categoria do conhecimento escolar”

(FREIRE, p. 47).

21

As distintas linguagens (conteúdos) são estudadas nas Teorias da Comunicação, que pesquisam os efeitos, as origens e o funcionamento do fenômeno Comunicação Social em seus aspectos tecnológicos, sociais econômicos, políticos e cognitivos. As principais são: Hipodérmica, Funcionalista, Teoria do Agendamento, Gatekeeper e Newsmaking (PENA, p. 15). Normalmente são abordadas pela psicologia, filosofia e sociologia. Aqui neste trabalho incluímos a neurociência, que é o estudo científico do Sistema Nervoso Central (SNC). É a abordagem biológica do SNC na comunicação. Nesse aspecto, este artigo se atreveria a instigar o pensamento

em uma nova Teoria da Comunicação: aquela que envolve o aspecto biológico do ser

humano, portanto uma ‘Teoria da Neurocomunicação’. A nova teoria proposta é com

base da Neurociência na Mídia, que já é tema de estudos no Brasil.

“Quanto mais a gente usa o nosso cérebro, mais ele vai se definindo. As conexões que a gente não usa vão sendo eliminadas. Aprender muda o cérebro. Somos capazes de modificar a nossa estrutura cerebral até o último dia de nossas vidas. Vários estudos já comprovaram isso” (PELAJO 2013 vídeo anexo)

A Teoria da Neurocomunicação é baseada no poder cognitivo que o audiovisual pode produzir. Aqui podemos citar a própria universidade Estácio de Sá com sua Educação à Distância. Cursos preparatórios para concursos e até para a universidade, a exemplo das aulas do Poliedro pelo canal do youtube. Lembrando que a função de todos citados, nos remetem à década de 1970, com os experimentos do Telecurso, mencionado na introdução deste trabalho. Até aqui colocamos trabalhos específicos com o objetivo claro de ‘Educar”. Mas vale lembrar, que os teleprofessores são todos os envolvidos na Comunicação audiovisual: novelas, programas de auditório, telejornal, animações, programas de entrevistas, propagandas etc.

“Sherazade educa o califa com seus contos em 1001 noites

...

Quando o

homem tem conhecimento raso, os mitos não devem ser usados porque serão mal

interpretados. Elementos míticos

Preconceitos: mitos não são criação popular, são

... transmissão popular. São perpetuados através da comunicação popular, poucos entendem. Os contos de fadas são de destinação universal, não exclusivamente para crianças. Anoitece, todo mundo coloca sua cadeira na calçada para ouvir histórias. Nem as crianças são alienadas. Todo conto de Fada eminentemente tem o personagem central:

o ser humano” (GALVÃO 2013 vídeo anexo).

22

Conhecendo que os axônios mandam respostas pelas habilidades motoras e os dendritos recebem informações pelas habilidades sensoriais devemos entender que a mensagem jornalística é recebida de forma única pelo indivíduo do latim indivisível. A percepção de cada um é singular, neurologicamente, processamos e elaboramos a informação em períodos diferenciados em cada ser humano. A estudiosa em Neurociências Inês Cozzo, é uma pesquisadora que já usa o termo Neurocomunicação (COZZO vídeo anexo). Ela explica que aprendemos por ensaio, repetição e velocidade. Ela acrescenta que cada um tem um tempo diferente. Inês corrobora o que já foi dito por Schopenhauer e Freire: transmitir conhecimento depende do entendimento do outro, ou seja, a informação chega e é processada e cada elabora o que resultou da informação recebida (COZZO vídeo anexo).

“O

desenvolvimento

motor

acontece

quando

mudanças

no

comportamento motor ao longo do tempo, e este interage e interfere com o meio ambiente”

(Apostila Mitzi MBA Neuroeducação)

Neste momento, retomaremos um vídeo sugerido na disciplina Processo de Aquisição Linguagem e Aprendizagem da professora Angélica Chico, onde o estudioso Bazzoni (vídeo anexo) fala das mudanças nos modelos comunicativos da escola, as mudanças que vieram após a década de 1960, quando o filho do operário foi estudar com o filho do intelectual, este último já chega à escola dominando a linguagem padrão, ou seja, a linguagem de quem economicamente domina a nação. A teoria sociointeracionaista, de Vygostky, volta com a construção de sentidos, o professor passa a ser um uma ‘bússola’ para o aluno. Assim é o teleprofessor que

todos dias informa, de forma transparente que a imparcialidade é algo difícil quando carregamos uma carga de vida, com a idade que temos. O jornalista deve estar ciente de seu perfil formador de opiniões e principalmente colocar o telespectador a questionar as informações que chegam até ele. Para fechar o desenvolvimento deste artigo, a Teoria da Neurocomunicação é o respeito pelo próximo, ou amor ao próximo como Jesus Cristo ensinou. Um jornalista ético tem que tomar o cuidado inclusive do abuso do

‘politicamente correto’ que foi bem interpretado em artigo recente de Rita Almeida sobre a briga, que virou memes, de duas figuras conhecidas no Brasil: o jornalista Ricardo Boechat e o religioso Silas Malafaia sobre a homossexualidade, onde o

primeiro sugere uma ‘rola’ para o segundo:

23

“Mas o que a polícia politicamente correta pretende é tentar evitar o equívoco e

o conflito antes que ele aconteça e faz isso às custas da burocratização da linguagem, do empobrecimento dos nossos laços e da chatice generalizada” (ALMEIDA – 2015 artigo anexo).

Ser um bom comunicador é expressar com respeito biológico aos outros seres humanos, aos animais e ao meio ambiente. Essa é a proposta da Neurocomunicação:

“Precisamos, constantemente, travar batalhas contra o preconceito, contra as

acomodações existentes, contra, muitas vezes, o distanciamento existente entre a teoria

e a prática” (Orrú, Silvia Ester. 2011 p. 11).

24

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando conhecemos a Neurociência, temos que ter claro que, para uma pessoa desenvolver com qualidade a leitura e a escrita, ela necessita ter muitas habilidades, principalmente as cognitivas e as motoras, que serão o embasamento para o desenvolvimento das outras capacidades necessárias. Percebemos que os conflitos internos são necessários para a maturidade. Esses embates surgem de opiniões divergentes. O desenvolvimento cognitivo acontece por meio dessas trocas. Seria como sair da ‘Caverna de Platão’ e perceber que há um mundo fora da nossa mente. Da mesma forma, podemos aplicar o Ceticismo: onde há mais de uma verdade consistente. Devemos organizar, estruturar e explicar a partir das experiências, mas não ficar nos ‘achismos’, buscarmos registros científicos para consolidar axiomas formados pela nossa máquina de pensar (Cérebro). Os signos e as articulações básicos é o princípio da Linguagem que caminha associada à Educação para favorecer o cidadão na vida pública. Portanto, o jornalista de seguir com a humildade de Sócrates: ‘Só sei que nada sei’; dessa forma produzir a maiêutica em seu público alvo: construir o conhecimento ouvindo o que tem a dizer a sabedoria popular, sempre aliada ao conhecimento científico. O bom comunicador não é pedante ao ponto de acreditar que é o dono da verdade. Deve abrir seu conhecimento para entender como pensa o outro e neste momento de 2015 em que vivemos uma democracia no Brasil, por meios políticos, e aproveitar a democracia verdadeira que rede mundial de computadores nos proporciona para avaliar cada informação que chega até nós e só repassa-la se realmente for de interesse público. Há como driblar o Editorial que nos engessa muitas vezes nas redações. Usemos a ‘eminência parda’ – éminence grise, do francês que é um poderoso articulador que atua nos ‘bastidores’ da Comunicação.

Sejamos comunicadores com respeito às diferenças, sem estereotipar a diversidade. Devemos respeitar as limitações alheias tanto quando estamos perguntando, da mesma forma quando estamos transmitindo as informações. As tvs

públicas começam a construir uma história no Brasil, a de levar às massas que além

dos ‘Direitos’ que aprenderam a reivindicar, essas devem também lembrar dos ‘Deveres’, que ficaram esquecidos na década passada. São 27 anos de Constituição

25

democrática, tempo em que ainda regulamentamos muitos direitos e aprendemos os deveres. Agora aliados a um novo instrumento que é a Neurociência na Mídia.

26

Referências
Referências

ARISTÓTELES. Arte Poética. São Paulo, Martin Claret, 2006. BARROS, Aidil Jesus de Paes de. Um guia para a inicialização científica, São Paulo:

McGraw-Hill, 1986. CALAZANS, Flávio Mario de Alcântara. Propaganda Subliminar e multimídia. Ed. Summus São Paulo, 2006. COLANGELO, Adriano. Mil anos de Arte. 1987 COLLARO, Antônio Celso. Produção Gráfica: a arte da mídia impressa, Pearson Prentice Hall, 2007. COLLARO, Antônio Celso. Produção Visual e Gráfica, Summus Editorial, 2005. CUNHA, Eugênio. Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar idéias e práticas pedagógicas; 2 ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2013.

Dicionário online Priberam:< http://www.priberam.pt/dlpo/patologias >

FREIRE, Paulo. Educar com a Mídia, Editora Paz e Terra, 2012. FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital, Editora Contexto, 2010. LIBERALI, R. Metodologia Científica Prática: um saber-fazer competente da saúde à educação. 2ª ed. rev ampliada Florianópolis: Postmix,2011. MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Editora Cultrix, 1998. RIBEIRO, Alex. Caso Escola Base: os abusos da imprensa, Editora Ática, 1995.

MAIA, Heber (Org.). Neurociências e desenvolvimento cognitivo, 2ª Edição, Rio de

Janeiro: Wak Editora, 2011.

MONTEIRO, Carlos Barros. Para que serve a TV Legislativa no Brasil e no

Mundo, São Paulo: Editora Biografia, 2011.

MUNDURUKU, Daniel. Das coisas que aprendi, Editora Escrita Fina, 2015.

ORRÚ, Silvia Ester. Autismo: o que os pai devem saber?; 2. Ed. Rio de Janeiro, PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Editora Contexto, 2005 PORCHER, Louis. A escola paralela. Livros Horizonte Lda; 1974. SCHOPENHAUER, Arthur; (1788-1860). A arte de escrever, Porto Alegre: L&PM,

2013.

27

Anexos

ALMEIDA, Priscila. Reportagem sobre Aplicativo de Geografia para a TV

Assembleia, veiculada no dia 3 de novembro de 2014:

<https://www.youtube.com/watch?v=MSP0JLOm7W8&feature=youtu.be > ALMEIDA, Rita. Artigo sobre dois comunicadores brasileiros Malafaia e Boechat:

ALVES, Rubem. Espantos Canal do youtube da TV Câmara, 2014:

MEMORIAS-RUBEM-ALVES,-O-PROFESSOR-DE-ESPANTOS.html> Aprendendo a aprender, animação:

Aristóteles Vida e Obra: <http://www.youtube.com/watch?v=CwKeyqNLA3s > Behaviorismo parte 1 <http://www.youtube.com/watch?v=ykHZkCUVI0s> Boroviec, Deisy. Matéria sobre a oitava Audiência Pública do Ensino Ciclado em Mato Grosso, exibida no dia 26 de julho de 2015:

Boroviec, Deisy. Não entendeu?! Quer que eu desenhe?!, 2014:

NHE_> Convivência, animação: <https://www.youtube.com/watch?v=u5651tdwyXo > Cortella, Mário Sérgio. Entrevista Coletiva da TV Assembleia de Mato Grosso, 16 de abril de 2015: <https://www.youtube.com/watch?v=LPDKvMiI948> Cozzo, Inês. Entrevista realizada em maio de 2012:

Família e Escola, animação: <https://www.youtube.com/watch?v=2amwEMxSGms>

28

Galvão, Lúcia Helena. Palestra "O Simbolismo dos Contos de Fadas", veiculado em 15 de novembro de 2013: <https://www.youtube.com/watch?v=nLkWoeHaNmA > Gomes, Camila Almeida. Como os contos de fadas ajudam no desenvolvimento infantil, veiculado em 2 de setembro de 2011: <https://www.youtube.com/watch?v=oiace1SAIv4

procurar-uma-rola-%2F4%2F33804 > Ivan Illich Vida e Obra:

0A8A > Jornal Alterosa matéria: Estudantes de 10 e 11 anos são obrigados a ler poesia

pornográfica em escola:

Lev Vigotsky Vida e Obra: http://www.youtube.com/watch?v=YJla-2t-HRY Mary Jones: http://www.abpmc.org.br/site/wp-content/uploads/2011/06/jones.pdf Morte e vida Severina: https://www.youtube.com/watch?v=_gGnN4It8Dc Mundo Feito à Mão: http://www.youtube.com/watch?v=aRn_RSGZMa8 Munduruku, Daniel. Entrevista Coletiva da TV Assembleia de Mato Grosso, 5 de maio de 2015: https://www.youtube.com/watch?v=yXiGSP8SSDU O que é PNL com Edmar Oneda: http://www.youtube.com/watch?v=OlKumXiDU3E Pelajo, Christiane. Cérebro molda suas funções e capacidade pelo constante uso, veiculado em 19/03/2013: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2013/03/cerebro-molda- suas-funcoes-e-capacidade-pelo-constante-uso.html Pinheiro. Eduardo. O Que Aprendi Com Heurística, 1º de outubro de 2013:

Saussure Vida e Obra: http://www.youtube.com/watch?v=WiURWRFcQsc SBT Entrevista no SBT sobre o Ciclo de Formação Humana -21 de novembro de 2013: https://www.youtube.com/watch?v=8atFGbilv-g SBT Rio. Mulher é espancada no Guarujá após boato de internet, veiculado 6 de maio de 2014: https://www.youtube.com/watch?v=iqJNhkV0eiw Sociedade Brasileira de PNL: http://pnl.com.br/siteHome/home Socrates Vida e Obra:

Super Nani Cris Poli: http://www.youtube.com/watch?v=T9LmbLwMIbc Univesp O que é linguagem, veiculado em 2010 (1/2):

29

Univesp O que é linguagem, veiculado em 2010 (2/2):

Vídeo Dica Unicarioca: http://www.youtube.com/watch?v=e2iejPfoZFY Bazzoni, Cláudio. A concepção da lingugem, veiculado em 4 de setembro de 2009: