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Cena Lusófona n .º 9 Mar ç o 2010 ISSN 1645-9873
Cena Lusófona
n .º 9 Mar ç o 2010
ISSN 1645-9873

Rua Ant ó nio Jos é de Almeida n .º 2, 3000 - 040 COIMBRA Portugal telf. e fax (+351) 239 836 679 | teatro@cenalusofona . pt | www . cenalusofona . pt

distribui çã o gratuita

setepalcos

cenalusofona . pt distribui çã o gratuita setepalcos Teatro em Cabo Verde à conversa com Francisco

Teatro em Cabo Verde

distribui çã o gratuita setepalcos Teatro em Cabo Verde à conversa com Francisco Pell é encontro
distribui çã o gratuita setepalcos Teatro em Cabo Verde à conversa com Francisco Pell é encontro
distribui çã o gratuita setepalcos Teatro em Cabo Verde à conversa com Francisco Pell é encontro

à conversa com

Francisco Pellé

encontro

internacional

sobre políticas

de intercâmbio

rostos da cena

à conversa com Francisco Pell é encontro internacional sobre políticas de intercâmbio rostos da cena Odete

Odete M ô sso

Colec ção Cena Lus ó fona As Virgens Loucas de ANTÓNIO AURÉLIO GONÇALVES Cabo Verde
Colec ção Cena Lus ó fona
As Virgens Loucas
de ANTÓNIO AURÉLIO GONÇALVES
Cabo Verde
Teatro do Imaginário Angolar
de FERNANDO DE MACEDO
São Tomé e Príncipe
Supernova
de ABEL NEVES
Portugal
As Mortes de Lucas Mateus
de LEITE DE VASCONCELOS
Moçambique
Teatro I e II
obra dramatúrgica
de JOSÉ MENA ABRANTES
(dois volumes)
Angola
Mar me quer
de MIA COUTO e NATÁLIA LUIZA
Portugal / Moçambique
Teatro
obra completa
NAUM ALVES DE SOUZA
Brasil
Revista setepalcos
(esgotados números 0, 1 e 2)
N.º 3 – Setepalcos especial sobre TEATRO BRASILEIRO
N.º 4 – Setepalcos especial sobre TEATRO GALEGO
N.º 5 – Setepalcos especial sobre RUY DUARTE DE CARVALHO
N.º 6 – Setepalcos especial sobre TEATRO EM CABO VERDE
Floripes Negra
Floripes na Ilha do Príncipe, em Portugal e no mundo
de AUGUSTO BAPTISTA
Álbum Fotográfico / Reportagem / Ensaio
edições.cena
À venda na sede da Cena Lusófona e noTea-
tro da Cerca de São Bernardo,em Coimbra,
ou via encomenda postal, após solicitação
por telefone, fax, ou e-mail.
postal, após solicitação por telefone, fax, ou e-mail. editorial Numa recente entrevista ao Jornal de Letras,

editorial

Numa recente entrevista ao Jornal de Letras, o embaixador de Portugal na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, recorda uma ideia defendida por Eduardo

Prado Coelho:“a estreita articulação que deve existir entre a política da língua e

a política de cultura, que devem ser concebidas e activadas como as duas faces da

mesma moeda”. “Em matéria de língua, nada se faz sem uma sólida base cultural”, concorda o ex-Ministro da Cultura, acrescentando: “o motor de qualquer estratégia de pro- moção da língua portuguesa está, digamos, fora dela: está na literatura, no cinema, no teatro, na música, no audiovisual, etc. Está nos contactos, nas itinerâncias e nas parcerias que, nestas áreas, têm que ser contínuas, estruturais e exemplares”.

Definida nestes termos, a centralidade da cultura numa política de promoção da língua afasta a perspectiva da imposição em relação ao outro, seja ao outro falante de língua diferente, seja ao outro falante de uma mesma língua num

outro país. A prática cultural implica diálogo, curiosidade e disponibilidade para conhecer o que o outro tem para nos dar. Exclui vias de sentido único, paternalis- mos e caridades serôdias. Só o carácter regular e continuado de experiências de efectivo intercâmbio e de parceria real entre os diversos países pode gerar frutos duradouros e consistentes. No caso da língua portuguesa, o espaço em que tal intercâmbio tem de começar por ser feito, reforçando os laços de interconhecimento e as possibilidades de cooperação, é, obviamente, o espaço da CPLP. Se não soubermos cuidar bem deste universo, se não formos capazes de nos entender entre nós (que até fala- mos a mesma língua), se não formos capazes de questionar no terreno a validade dos pressupostos estereotipados que mantemos uns sobre os outros, como podemos sequer pensar noutro tipo de internacionalização? Foi por acreditarmos que este esforço será tanto mais eficaz quanto puder ser partilhado pela sociedade civil que criámos a Cena Lusófona. Foi por sabermos que as políticas da língua portuguesa têm ficado demasiado fechadas – da con- cepção à concretização – nos gabinetes ministeriais e em cimeiras redundantes que nos pareceu oportuno organizar o Encontro Internacional sobre Políticas de Intercâmbio.

A qualidade das intervenções e do debate, expressa nos documentos publicados

neste cenaberta (que aqui ficam, como possíveis bases de trabalho para outros encontros e iniciativas futuras), disfarça duas ausências de peso no Encontro: a do Instituto Camões e a da CPLP. O primeiro encontrava-se à data numa (longa)

fase de transição e com isso justificou a sua falta – tem agora uma nova direcção

e é cedo para perceber qual o rumo que se pretende que siga.A CPLP informou-

-nos que não poderia fazer-se representar, já depois do Encontro. Muito melhor do que nós conseguiríamos fazer, Zulu Araújo, Presidente da Fundação Cultural

Palmares e representante do Brasil na Comunidade, define a situação actual: “há uma dificuldade muito grande dentro da CPLP na área da cultura, em termos de continuidade, de sequência, de sistemática, de um programa, de um plano de trabalho”. Para além destes documentos, o jornal inclui dois exemplares testemunhos das potencialidades de um intercâmbio regular: o de Odete Môsso e o de Francisco Pellé, ambos participantes no I Estágio Internacional de Actores da Cena Lusó- fona, em 1997/98.

A primeira dirige hoje a Associação Burbur, sedeada no Porto, que desenvolve

parcerias com diversas instituições do universo lusófono,“num dar e receber continuado, que prossegue”. Diz ela:“acho que corresponde ao que a Cena queria que surgisse, propondo novos desenvolvimentos, novos intercâmbios teatrais no

seio da lusofonia, para que essas iniciativas possam reverter em favor dos nossos países de origem”. Francisco Pellé saiu do Encontro de Coimbra, por iniciativa própria, com uma responsabilidade acrescida. Propôs-se organizar um segundo encontro interna- cional e garantiu mesmo o apoio do Ministério da Cultura do Brasil. Director do Harém Teatro, em Teresina, Piauí, Pellé é também responsável, desde 2008, pela organização do FestLuso. No âmbito deste festival, já acolheu grupos de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé. Num Estado onde não havia “um entendimento do que era lusofonia”, onde o termo “soava estranho aos ouvidos”,

o actor brasileiro salienta a importância, no seu próprio percurso,“da criação destas redes de relacionamento, da criação e de interacção dentro do espaço lusófono”.

“Aarte éocoraçãodacultura–éprecisolembrá-lo?”,perguntaManuelMariaCarrilho

É capaz de ser melhor.

É capaz de ser melhor. A Cena Lus ó fona é uma estrutura fi nanciada por:

A Cena Lusófona é uma estrutura nanciada por:

A Cena Lus ó fona é uma estrutura fi nanciada por: cenaberta fi cha t é
A Cena Lus ó fona é uma estrutura fi nanciada por: cenaberta fi cha t é

cenaberta cha t é cnica

Director António Augusto Barros | Coordenação e Fotografia Augusto Baptista | Redacção Augusto

Baptista, Patrícia Almeida, Pedro Rodrigues, Sandra Nogueira | Concepção gráfica Ana Rosa Assunção

| ISSN 1645-9873 | N.º 9 distribuição gratuita | Tiragem 2500 exemplares | Impressão Tipografia Ediliber |

Propriedade Cena Lusófona, Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, Rua António José de Almeida, n.º 2, 3000 - 040 COIMBRA, PORTUGAL | Tel. e Fax (+351) 239 836 679

| teatro@cenalusofona.pt | www.cenalusofona.pt

cenaberta Março 2010 setepalcos Teatro em Cabo Verde Já nas bancas, o último número da

cenaberta

cenaberta Março 2010 setepalcos Teatro em Cabo Verde Já nas bancas, o último número da setepalcos

Março 2010

cenaberta Março 2010 setepalcos Teatro em Cabo Verde Já nas bancas, o último número da setepalcos

setepalcos

Teatro em Cabo Verde

cenaberta Março 2010 setepalcos Teatro em Cabo Verde Já nas bancas, o último número da setepalcos

Já nas bancas, o último número da setepalcos é integral- mente dedicado ao teatro em Cabo Verde. Esta edição da revista da Cena Lusófona inclui entrevistas, reportagem, lista de dramaturgia cabo-verdiana publicada, relação de estudos sobre teatro e artes performativas e, por fim, de- talhados e importantes inventários dos espaços cénicos e dos grupos de teatro em actividade no país. Enfim, uma revista que é um documento incontornável para todos aqueles que, na lusofonia e no mundo, querem saber do teatro em Cabo Verde, hoje. No editorial, António Augusto Barros, presidente da Cena Lusófona, tece o historial das relações da Cena com a realidade teatral de Cabo Verde, desde 1995, ano da realização do primeiro estágio de formação, dirigido por Cândido Ferreira no Mindelo (S. Vicente). Assinala que, com o passar dos anos, por acção do Mindelact, do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, do Juventude em Marcha e de outros grupos em Santiago e demais ilhas, o panorama teatral se afirma renovado. O

que faz crescer os desafios, seja a nível go- vernativo, seja a nível da comunidade teatral, na formação, no apoio aos grupos, na dota- ção de meios, na criação de infra-estrutu- ras, na defesa dos espaços, com destaque hoje para o emblemático Éden Park, em S. Vicente. Em “Desafios do Desenvolvimento do Teatro em Cabo Verde”, Manuel Veiga, então Ministro da Cultura de Cabo Verde, felicita a revista “pelo levantamento feito e pelo trabalho implementado”, enumera medidas “no sentido de facilitar e de pro- mover o desenvolvimento da arte e da cul- tura” e, em relação ao Cine-Teatro Éden Park, infra-estrutura em defesa da qual a comunidade cultural cabo-verdiana se tem unido, revela “disponibilidade para a pro- cura de uma solução partilhada” e que “o edifício já faz parte de um pacote de es- paços que serão declarados patrimónios nacionais pelo Governo”. Além destas boas notícias, a setepalcos acolhe entrevistas aos directores de dois dos mais conhecidos grupos teatrais de Cabo Verde: Jorge Martins, do “Juventude em Marcha”, e João Branco, do “Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo”. João Branco, também coordenador do Min- delact, discorre sobre a organização do Festival Interna- cional de Teatro do Mindelo, aborda as várias frentes em que se desdobra a sua actividade, enquanto encenador,

director teatral, formador, investigador. E faz uma avalia- ção do actual momento do teatro nas ilhas. Jorge Martins fala das origens e do trajecto do seu velho grupo, um caso de rara popularidade em Santo Antão e em todo o país, também na comunidade cabo-verdiana no mundo.

A “Inventariação dos espaços cénicos de Cabo Verde”

resulta de um extenso levantamento de espaços teatrais empreendido no terreno, coordenado por José António Bandeirinha, a fim de “servir, em primeira instância, actores, encenadores e companhias que possam estar interessados em conhecer as condições de acolhimento para determinada produção, em qualquer local de Cabo

Verde.” Este dossiê integra, ilha a ilha, fichas dos espaços

e dados caracterizadores: medidas, lotação, contactos, plantas, fotografias.

Outro importante instrumento de trabalho integrado na revista é a “Inventariação dos grupos teatrais de Cabo Verde”, um banco de dados que divulga grupos – os seus

endereços, directores, inserção por ilhas, opções teatrais, historial, elenco – o que “poderá ajudar na criação de en- laces entre companhias, seja a nível nacional, seja sobre- tudo no contexto da lusofonia e mesmo numa escala mais vasta”. Como um fio condutor de toda a revista, destaca-se a reportagem “Viagem À Brava Pela Rota do Fogo”, um tes- temunho na primeira pessoa da mais recente presença da Cena Lusófona no arquipélago. Em Setembro de 2009, Augusto Baptista deslocou-se a Cabo Verde, onde con- cluiu a recolha de informação para o inventário dos espa- ços cénicos, contactou inúmeras personalidades do meio teatral e acompanhou de perto a edição do Mindelact 2009 (S. Vicente, 10 a 20 de Setembro). A par da reportagem, são apresentados depoimentos e testemunhos de gente de palco, experiências muito diversas no espaço e no tem- po da cena cabo-verdiana: José Domingos (actor, Brava), Leonor Odeth (actriz, Fogo), Flávio Hamilton (actor, S. Vicente), Camilo Torassa (encenador, Brava), Luís Pires (encenador, Fogo).

OdramaturgoAbelNevesassinaumtextoevocativodoes-

pectáculo “As Águas”, representado pelo grupo “Burbur”, aquando da VI Estação da Cena Lusófona (2003). Por fim, além de um afloramento à “Dramaturgia caboverdeana”, de Odete Môsso, são divulgadas compilações de vários es- tudos sobre cultura, teatro e artes performativas de Cabo Verde e vários “Nomes da Dramaturgia de Cabo Verde”, com as respectivas notas biográficas, elaboradas por Sílvia

Brito e Sandra Nogueira.

elaboradas por Sílvia Brito e Sandra Nogueira. Número zero Novembro de 1995 Número um Dezembro de

Número zero Novembro de 1995

Brito e Sandra Nogueira. Número zero Novembro de 1995 Número um Dezembro de 1996 N ú

Número um Dezembro de 1996

Número zero Novembro de 1995 Número um Dezembro de 1996 N ú m e r o

Número dois Março de 1998

r o d o i s M a r ç o d e 1 9 9

Número três Setembro de 1998 [Teatro Brasileiro]

9 9 8 Número três Setembro de 1998 [Teatro Brasileiro] Número quatro Maio de 2003 [Teatro

Número quatro Maio de 2003 [Teatro Galego]

Brasileiro] Número quatro Maio de 2003 [Teatro Galego] Número cinco Julho de 2006 [Ruy Duarte de

Número cinco Julho de 2006 [Ruy Duarte de Carvalho]

Número quatro Maio de 2003 [Teatro Galego] Número cinco Julho de 2006 [Ruy Duarte de Carvalho]
cenaberta encontro internacional sobre políticas de intercâmbio O Encontro Internacional sobre Pol í ticas de

cenaberta

cenaberta encontro internacional sobre políticas de intercâmbio O Encontro Internacional sobre Pol í ticas de Interc

encontro internacional sobre políticas de intercâmbio

O Encontro Internacional sobre Pol í ticas de Interc â mbio, organizado pela Cena Lus ó fona, reuniu em Coimbra mais de trinta estruturas de cria çã o e programa çã o e institui -

çõ es o ciais dos v á rios paí ses de l í ngua portuguesa e da regi ã o autó noma da Galiza , Espanha .

No plano institucional , estiveram presentes Ant ó nio Pedro Pita ( Ministé rio da Cultura de Portugal ), Zulu Ara ú jo ( Minist ério da Cultura do Brasil / Funda çã o Cultural Pal-

mares ), Fernando Saldanha (Secretaria de Estado da Cultura da Guin é- Bissau ), Jos é Amaral ( Secretaria de Estado da Cultura de Timor- Leste e Embaixada de Timor- Leste em

Portugal ), Jorge Barreto Xavier ( Minist é rio da Cultura de Portugal / Direc çã o - Geral das Artes) e Maria Jos é Azevedo Santos ( C â mara Municipal de Coimbra ).

Do lado das estruturas de criaçã o e de programa ção , marcaram presen ç a A Escola da Noite Grupo de Teatro de Coimbra , a Cena Lusó fona , o Centro Dram á tico de É vora , a

Companhia de Teatro de Braga , a Filipe Crawford Produ çõ es , o Teatro Meridional e o Teatro O Bando ( Portugal ) ; o Har ém Teatro , a Talu Produçõ es, o Drag ã o 7 e a Coope -

rativa Cultural Brasileira ( Brasil ) ; o Elinga Teatro ( Angola ) ; a Associa çã o Burbur ( Cabo Verde ) ; o Centro de Intercâmbio Teatral de Bissau ( Guin é- Bissau ) ; a Revista Galega

de Teatro e o Sarabela Teatro ( Galiza).

Destaca - se ainda a participaçã o de uma dezena de festivais dos vá rios pa íses de l íngua portuguesa: a Bienal de Marionetas de É vora , o Encontro de Teatro Ibé rico de É vora ,

os Encontros da Lusofonia de Torres Novas , o FITEI Festival Internacional de Teatro de Expressã o Ib érica e o Festival Internacional de Má scaras e Comediantes ( Portugal ) ;

o FESTLIP Festival de Teatro de L í ngua Portuguesa do Rio de Janeiro , o Circuito de Teatro Portuguê s de Sã o Paulo e o FestLuso Festival de Teatro Lus ó fono de Teresina ,

Piau í ( Brasil ) ; o Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda ( Angola ) ; a Mostra Internacional de Teatro de Ourense ( Galiza).

A t í tulo individual , participaram ainda no Encontro o dramaturgo Abel Neves ( Portugal ), o actor Rog ério Boane ( Mo çambique ), o actor, dramaturgo e encenador C á ndido

Paz ó e o encenador Manuel Guede Oliva ( Galiza).

debates

Os debates foram divididos em quatro painéis temáticos, de acordo com aqueles que são os principais eixos de intervenção do programa Cena Lusófona: “Palcos para o intercâmbio:

os espaços cénicos nos países da CPLP”, “Circuito teatral lusófono: festivais, intercâmbios

e circulação regular entre os países de língua portuguesa”, “Criação e difusão da drama-

turgia de língua portuguesa: centros de documentação e edição teatral” e “Dar e receber:

co-produções e formação artística entre agentes culturais no espaço da CPLP”. De uma forma unânime, os participantes reconheceram a importância das actividades desen- volvidas pela Cena Lusófona desde 1996 no domínio do intercâmbio entre os países de língua portuguesa, congratulando-se com o regresso ao activo da associação e salientando a neces- sidade de aprofundar o trabalho já realizado. No capítulo dos espaços cénicos, constata-se a especificidade de cada um dos países presen- tes. É unanimemente reconhecida, no entanto, a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os espaços teatrais na CPLP e a relevância do inventário actualmente a ser desen- volvido pela Cena Lusófona para a definição e concretização de políticas que potenciem a existência de mais espaços qualificados, em particular nos países africanos e em Timor-Leste. Quanto à circulação teatral entre os países de língua portuguesa, todos os festivais e estru- turas de programação manifestaram a sua disponibilidade para cooperarem entre si e com a Cena Lusófona, no sentido de aumentar a presença de artistas e espectáculos lusófonos nos seus próprios programas.Vários dos festivais presentes, como o FestLuso, o Circuito de Teatro Português de São Paulo e o Festival de Teatro e Artes de Luanda, destacaram mesmo a matriz e o impulso da Cena Lusófona como influência decisiva para a criação dos respectivos projectos. No domínio da criação e da difusão da dramaturgia, defende-se o papel fundamental do Teatro como instrumento de divulgação e até do ensino da língua portuguesa, em particular em países onde ela convive com outras línguas nacionais (em todos os países africanos e em Timor-Leste) e/ou sofre a pressão de línguas estrangeiras, em face da sua localização geográfica (de uma forma muito clara em Timor-Leste, mas também em Moçambique e na

Guiné-Bissau). Neste contexto, marcado ainda por um significativo desconhecimento das dra-

maturgias dos outros países lusófonos, é urgente a definição e a concretização de um plano de divulgação da dramaturgia de língua portuguesa.

À semelhança do que aconteceu no painel dedicado aos festivais, também no capítulo da for-

mação e das co-produções se destaca a disponibilidade manifestada pelas diversas estruturas de criação presentes para a cooperação internacional no espaço lusófono. A generalidade dos participantes tem aliás uma vasta experiência neste domínio, grande parte adquirida no âmbito do programa Cena Lusófona ao longo dos últimos treze anos. O interesse em articu- lar as diversas relações bilaterais entretanto aprofundadas e em desenvolvimento, tomando a

Cena Lusófona como interface, foi unanimemente reconhecido.

Cena Lusófona como interface, foi unanimemente reconhecido. conclusões Este Encontro foi realizado num contexto de

conclusões

Este Encontro foi realizado num contexto de descoincidência entre os vários acordos de coope- ração assinados ao nível governamental e a aplicação concreta desses princípios - um contexto marcado pela distância entre os discursos e as instituições oficiais e os agentes que estão no terreno.A ausência do Instituto Camões e da CPLP, apesar dos reiterados convites feitos pela organização, não contribuiu para que esta situação fosse ultrapassada.

Regista-se, pela sua relevância, a partilha deste diagnóstico entre os agentes culturais e três das instituições oficiais representadas: o Director Regional da Cultura do Centro falou da “lentidão estratégica” e da “hesitação metodológica” que têm marcado muito da actuação dos governos nacionais neste domínio; o Director-Geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, criticou a lentidão dos processos de decisão no seio da CPLP e o desperdício de energias, salientando a necessidade de ultrapassar a perspectiva do “se não for eu a fazer, não interessa que se faça”; o representante do Ministério da Cultura do Brasil reconheceu a “dificuldade muito grande da CPLP na área da cultura” e em assumir-se como espaço privilegiado para a articulação das diversas iniciativas de intercâmbio e cooperação. Salienta-se, ainda, a disponibilidade e o interesse demonstrado pelos Governos da Guiné-Bissau

e de Timor-Leste no reforço dos laços de intercâmbio teatral entre os países de língua por-

tuguesa e o apelo directo feito por ambos ao apoio da Cena Lusófona e dos restantes países nesse sentido. Neste contexto, a Cena Lusófona extrai do Encontro Internacional sobre Políticas de Inter- câmbio as seguintes conclusões:

.A Cena Lusófona encontra nos diversos agentes culturais e nas instituições oficiais o reconhe- cimento da actividade desenvolvida e do interesse dos projectos que tem em curso;

. O reforço dos meios financeiros de que actualmente dispõe pode permitir-lhe voltar a as- sumir o papel de interface e de estrutura de articulação entre os projectos de intercâmbio

e cooperação desenvolvidos pelos parceiros dos vários países lusófonos, de acordo com o

interesse unanimemente manifestado;

. O envolvimento dos agentes culturais na definição e na concretização das políticas públicas de cooperação é fundamental para o sucesso destas iniciativas. Exige-se, a este respeito, a divulgação pública dos acordos de cooperação assinados entre os diferentes países de língua portuguesa e, em particular, entre Portugal e o Brasil;

. Reconhece-se a insuficiência da acção cultural da CPLP enquanto organização multinacional e a necessidade de dar cumprimento às decisões que têm sido tomadas ao nível das suces- sivas reuniões do Conselho de Ministros da Cultura;

. Saúda-se a aposta do Brasil no reforço da CPLP, definida pelo representante do seu Governo como prioridade para 2010, e exorta-se os restantes países a acompanhar este investimento. A articulação de esforços e vontades entre Angola, Brasil e Portugal no que diz respeito à acção cultural a desenvolver no âmbito da CPLP é determinante para o sucesso desta inter- venção, que deve ser democrática, participada e solidária;

. É unanimemente reconhecida a importância da realização regular deste tipo de encontros entre instituições governamentais e estruturas de criação e programação artística, registan- do-se com particular satisfação a disponibilidade manifestada pela Fundação Palmares, do Brasil, e pela Direcção Regional da Cultura do Centro para apoiarem a realização das duas

próximas edições.

e pela Direcção Regional da Cultura do Centro para apoiarem a realização das duas próximas edições.
Março 2010 intervenções Nos tr ê s dias do Encontro Internacional sobre Pol í ticas

Março 2010

Março 2010 intervenções Nos tr ê s dias do Encontro Internacional sobre Pol í ticas de

intervenções

Nos tr ê s dias do Encontro Internacional sobre Pol í ticas de Interc âmbio muitas foram as intervençõ es apresentadas . Na impossibilidade de inserir todo esse importante documental , publicamos na í ntegra a transcri ç ã o das interven ç õ es de Ant ó nio Pedro Pita , Zulu Ara ú jo e Ant ó nio Augusto Barros, aquando da sess ão de encerramento. Em rela ção a todas elas mant é m - se o tom e o ritmo da oralidade.

todas elas mant é m - se o tom e o ritmo da oralidade . "(

"( )

tro que estamos a terminar, mas acho ainda mais importante os encontros que estamos a começar."

acho importante o encon-

ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

Ant ó nio Pedro Pita

Director Regional da Cultura do Centro

intercâmbio cultural entre os países de língua portuguesa tem sido objecto de várias resoluções oficiais,
intercâmbio
cultural entre os países
de língua portuguesa tem sido
objecto de várias resoluções
oficiais, projectos de intervenção
e iniciativas pontuais. Permanece,
contudo, a sensação de que há
muito por fazer na aproximação e no
inter-conhecimento entre os agentes
culturais dos diversos países e na ca-
pacidade de articular meios e vontades
em nome deste interesse comum.
Quando caminhamos para a celebração
do 15º aniversário da CPLP (em 2011),
e num momento em que vários dos oito
palcos lusófonos (aos quais se jun-
ta, como parceiro
e desde os próprios princípios do pensamento europeu.
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Esse outro foi primeiro, como todos sabem, um outro eu, um alter-ego de que tantos filósofos falaram ao longo do tempo e que tanto tentaram utilizar. Esse outro é final- mente aquele com (ou aquele sem) o qual eu não posso construir relação. E esse outro, independentemente de ser outro eu, esse outro sem o qual eu não posso construir relação, institui-se em toda a sua diversidade, em toda a sua

pluralidade cultural, política e artística. E isso, que é uma condição, é também uma dificuldade, é também por vezes um problema. Mas também, por ser uma dificuldade e um problema, é uma admirável instância, é um admirável con- vite a pensar. Eu sei que este advérbio de modo não exis- te, mas é um convite a agir e a pensar outramente. Daí que mais do que uma política de intercâmbio, a questão que me parece aqui nuclear é intercâmbio como política – e isto não é um jogo de palavras –, o intercâmbio como princípio de actuação teórica e política. Como definir, como colocar este intercâmbio enquanto princípio de organização política? Bom, também as conclusões foram claras a esse respeito. Quando falamos de resistência, alguns de nós, infelizmente

Queridas amigas, queridos amigos, queria dizer-vos em

significa que já estão velhos –, dão à palavra resistência

primeiro lugar que, estando já marcada uma reunião com a Senhora Ministra da Cultura para amanhã, eu aproveitarei

conotação admirável que ela teve em outros tempos (que nalguns casos mantém validade hoje). Mas resistência

a

para lhe comunicar já as primeiras conclusões, que vão ser

é

também – no sentido em que se fala de resistência de

agora refinadas mas das quais já é possível extrair não só intenções, mas estratégias e práticas. Falo de estratégias e

materiais – ver se um determinado tecido, uma determina- da estrutura, um determinado conjunto tem, em si mesmo,

práticas culturais, estratégias e práticas artísticas (eu con-

consistência suficiente. É disso que se trata neste momento:

tinuo a distinguir cultura e arte, mas não é disso que vamos

a

Cena Lusófona tem a história rica e a história produ-

falar agora), mas também de estratégias e práticas políticas. Do que foi dito, já há a percepção de uma coisa e outra.

tiva que já foi referida – as notícias da sua morte, também aqui, foram manifestamente exageradas –, mas aquilo de que

Em segundo lugar, gostaria de fazer uma coisa que só quem está, de certo modo, de fora, é que pode fazer – a quem está dentro,organizando e participando como elemento interessa-

trata agora é saber como relançar, com esse passado de

resistência, no sentido de que eu falei, para a consolidação. Tornar regulares estes encontros parece uma boa solução e

se

do

numa iniciativa, não fica bem fazê-lo.Tendo acompanhado

dar à Cena Lusófona e às actividades de todos aqueles que

um

pouco o decurso dos trabalhos,quer do seu ponto de vista

lhe estão associados uma visibilidade comum parece-me tam-

logístico, quer do seu ponto de vista, digamos, substancial, eu creio que é devida uma palavra de muito sincera felicitação à Cena Lusófona pelo modo como este encontro decorreu em termos organizativos e em termos substanciais. Creio que foi

bém uma boa solução. Eu não posso falar senão em nome de uma pequena estrutura da cultura que é esta minha Direcção Regional. Não poderei fazer muita coisa, mas gostaria que pudéssemos encontrar uma ou duas hipóteses a este respei-

verdadeiramente exemplar o modo como um número apesar

to. Uma delas é a de disponibilizar as nossas capacidades de

de

tudo razoável de pessoas se encontrou e desencontrou

informação, para tudo o que tem a ver com o noticiário, não

q.b. nestes praticamente quatro dias de trabalho verdadeiro. Mas gostaria também de agradecer a própria iniciativa da organização, tópico que até agora escapou. Puxando agora

da Cena, mas de todas as estruturas associadas à Cena. Eu

vou fazer durante o próximo ano de 2010 uma grande trans- formação nas nossas estruturas informáticas e vai nascer um

da

minha prerrogativa de responsável, eu gostaria, falando

novo portal. Eu sei que a Cena Lusófona e a maior parte das

não só como Director Regional de Cultura, mas também, neste evento, como representante da Senhora Ministra da Cultura, de agradecer à Cena Lusófona a própria iniciativa. Acho que é, que foi, que será, um encontro com consequên- cias. Gostaria que essas consequências se pudessem esta-

instituições associadas dispõem também de recursos virtuais significativos, mas ponderaria incluir no site, no futuro portal, uma informação que reunisse, que desse um pouco a ima- gem da existência de todas a entidades que se agregam em torno da Cena Lusófona, nessa constelação de que a Cena

bilizar, até porque, como foi dito (e isto passa por todas as conclusões), há uma ideia, uma conclusão, que se foi cons- truindo ao longo destes dias de trabalho: a consolidação desse comum. No que diz respeito à constelação lusófona, este comum não é óbvio e por vezes passa mesmo desper- cebido. Essa constelação dá-nos uma construção de mundos verdadeiramente singular, que não me parece que muitas outras constelações culturais consigam definir e construir.

Lusófona é um pouco o elemento agregador e disseminante. Por outro lado, instituir regularidades parece-me fundamen- tal. Creio que para um encontro deste género, a regulari- dade anual será, talvez, excessivamente trabalhosa. Se em 2011 ponderarmos fazer uma reunião como esta aqui em Coimbra, eu colocaria alguns dos recursos, incluindo finan- ceiros (e aqui estou a correr todos os riscos), da minha Di- recção Regional na organização – com a Cena Lusófona, se

O

outro, de que o Rui Madeira falou muito, antes de ser

a Cena Lusófona assim o entendesse e o aceitasse – de uma

a grande, a verdadeira descoberta cultural efectiva do séc. XX, foi uma muito complicada e por vezes falsa construção

iniciativa como esta. Isto para marcar como acho impor- tante o encontro que estamos a terminar, mas acho ainda

filosófica, desde os princípios da modernidade europeia

mais importante os encontros que estamos a começar.

desde os princípios da modernidade europeia mais importante os encontros que estamos a começar. cenaberta 5
" No pr ó ximo ano , a CPLP vai ser uma prioridade do Minist

" No pr ó ximo ano , a CPLP vai ser uma prioridade do Minist é rio da Cultura . "

ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

Zulu Ara ú jo

Presidente da Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura do Brasil

Eu sou da Bahia, da cidade de Salvador, uma cidade do Brasil que possui a singularidade de ter a maior população negra fora do continente africano. Por conta disso, também sou um militante do movimento negro brasileiro. Sou arquitecto

e trabalho na produção cultural há aproximadamente 30

anos. Em 2003, quando da posse do Governo Lula, o Ministro Gilberto Gil me convidou para que fosse director de

Promoção,Intercâmbio e Divulgação da CulturaAfro-brasilei- ra na Fundação Cultural Palmares. Depois, em 2007, eu fui indicado, também pelo Ministro Gil, para ser Presidente da Fundação Palmares. A Fundação Palmares é uma das insti- tuições do Ministério da Cultura do Brasil, que é composto de uma área central, com um conjunto de secretarias na-

cionais, e um conjunto de instituições que nós chamamos de finalísticas, que são as fundações e os institutos. Temos

a Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), que é dirigida

pelo Sérgio Mamberti (creio que todos vocês conhecem),

a Fundação da Biblioteca Nacional, que trata da questão do

livro e da literatura, a Fundação Casa Rui Barbosa, que é uma instituição de pesquisa, o Instituto do Património His- tórico e Artístico Nacional, que trata do património mate-

rial e imaterial, e agora o IBRAM – o Instituto Brasileiro de Museus, que cuida de museus, além da Fundação Cultural Palmares, que tem 21 anos de existência e cuida da cultura afro-brasileira.

A gente cuida dessa cultura no plano do intercâmbio, do fo-

mento, do desenvolvimento e na área de estudos e pesqui- sas. Além, evidentemente, da área de comunicação: a gente estabelece uma ponte entre os media e as ferramentas de comunicação para fortalecer a cultura de origem negra no Brasil. A Fundação foi criada em 1988, no centenário da

abolição da escravatura no Brasil. Ela tem como missão cen- tral o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial no Brasil, por via da cultura. Como nós somos da diáspora

– não somos africanos nem fomos colonizadores – temos

uma situação singular: nós vivemos a colonização no seu lado mais duro, fomos escravizados durante 400 anos no

Brasil e isso trouxe consequências graves. Representamos hoje metade da população brasileira (50,06%, segundo o último estudo do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística). Mas este quadro histórico brasileiro levou

a uma exclusão muito grande, mesmo após o período da

escravatura. Nesse sentido, o Governo brasileiro – particu-

larmente a partir de 2001, quando é realizada em Durban, na África do Sul, a terceira Conferência Mundial Contra o Racismo, Intolerância e Xenofobia – assume que há racismo no País e que, consequentemente, há discriminação. O Go-

verno assina a declaração de Durban e passa a implementar um conjunto de políticas, de acções afirmativas, no senti- do reparatório, compensatório, de inclusão e, no final, de promoção de igualdade racial. Por conta disso, inclusive, o Governo Lula criou um Ministério que se chama Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPPIR), directamente vinculado à Presidência da República. Eu estou dizendo isto, porque o “normal” seria que fosse a FUNARTE a estar aqui representada. Dentro do Ministério da Cultura, é esta Fundação que é responsável por cuidar das linguagens artísticas.Vocês aqui trabalham com teatro. Essa Fundação cuida do teatro, dança, literatura, circo, artes visuais, enfim, um conjunto de linguagens artísticas. Estou aqui por duas razões: a primeira é que uma parte do Ministério da Cultura (incluindo o Sérgio Mamberti, da FUNARTE) está cuidando da Ordem do Mérito Cultural, que é um evento de carácter internacional que nós realiza- mos anualmente no Brasil, com a presença do Presidente da República. Ele está agora coordenando as conferências sectoriais da área (no próximo ano, nós vamos ter a se- gunda Conferência Nacional de Cultura, onde a gente vai

fazer um balanço da nossa administração nos últimos oito anos). Então ficava muito difícil para o Mamberti vir até cá. Segundo porque eu estava aqui ao lado, em Lisboa, partici- pando de um encontro do África.cont, uma proposta feita pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, pelo Ministério da Cultura, pela Câmara de Lisboa e pela Fundação Gulben- kian, aqui de Portugal.

A minha presença aqui tem também o sentido de o Brasil

reconhecer a importância que a Cena Lusófona possui. Eu

já conhecia a Cena Lusófona, por conta do Márcio Meirelles

– vocês não sabem, mas eu fui director do Grupo Cultural Olodum durante 10 anos e vi nascer o Bando de Teatro Olodum, no âmbito da Directoria da qual eu fazia parte. Depois tive mais informações através do Sérgio Mamber-

ti, e mais ainda a partir da Tânia Pires, porque este ano a

Fundação Cultural Palmares, a FUNARTE e a Directoria de Relações Internacionais do Ministério apoiaram o Festival

de Teatro de Língua Portuguesa. Eu estive inclusivamente na

abertura, com o Sérgio Mamberti e o Marcelo Dantas. Dia- logámos e apoiámos também várias actividades dentro do Teatro Olodum, seja porque ele é uma das entidades mais importantes da cultura negra brasileira, seja porque trabalha com a questão do combate ao racismo através do teatro. Recentemente, nós apoiámos um espectáculo chamado “Áfricas”, muito interessante, feito para as crianças, uma

coisa muito bonita. Então, além de conhecer, eu creio que

– e é em nome do Ministério da Cultura que eu digo isto

– há a necessidade de a gente retomar a CPLP como um

ponto fundamental nas relações culturais entre estes oito países. O Brasil tem feito um esforço muito grande nesse sentido. Eu sou representante do Brasil na CPLP na área da Cultura e não posso deixar de reconhecer a fala do meu amigo António Augusto Barros como absolutamente verda- deira: há uma dificuldade muito grande dentro da CPLP na área da Cultura, em termos de continuidade, de sequência, de sistemática, de um programa, de um plano de trabalho para a área da cultura. Não cabe aqui discutir as razões, porque não é o fórum mais adequado, mas eu sei que vocês sofrem as consequências disso. Estamos tramitando desde 2004, com um conjunto de pro- postas chamado“Portfólio de Projectos da CPLP”,do qual a Cena Lusófona faz parte.A Fundação Cultural Palmares fez um investimento grande na construção deste projecto do “Portfólio”. Conseguimos aprová-lo depois de três cimeiras de Ministros da Cultura e agora estamos na etapa final, para realizar o que chamamos de Conferência Mundial de Doa- dores.Uma das dificuldades do Portfólio é que ele tem como escopo da sua governança a sociedade civil e quando a socie- dade civil está no escopo da governança isso passa a ter algu- mas dificuldades entre nós, que somos da área institucional. Não preciso aprofundar o tema, mas há dificuldades, tenho de ser muito sincero. Para nós, o Portfólio só funcionará se for assim: estrutura de governança profissionalizada, com quem é da área,com metas a cumprir,que não dependam da mudança do ministro ou do secretário da cultura – também connosco a rotatividade nessa área é muito grande.

Nós já fizemos um comité de pontos focais: três reuniões, três grupos distintos.Absolutamente distintos, que não dia- logaram entre si, para que vocês tenham uma ideia. Este é

um problema sério, mas acho que nós temos obrigação de ajudar a resolvê-lo – nós, Ministério da Cultura do Brasil. Em relação aos temas que foram aqui tratados, a minha presença aqui é para reiterar que o Brasil, no que estiver ao alcance do seu Ministério da Cultura, contribuirá, por um lado, para apoiar a Cena Lusófona, e, por outro lado, para apoiar as gestões dentro da CPLP no sentido de que nós possamos retomar esse diálogo, num sentido mais produ- tivo e mais saudável. O desrespeito no campo da cultura é algo que provoca estragos muito grandes.A gente trabalha com sensibilidades. Enviar um convite para uma instituição

e não receber resposta, eu sei quanto isso incomoda e

quanto isso é desrespeitoso para com o trabalho que nós fazemos. Quero dizer que vou levar isto formalmente ao conhecimento do Ministro da Cultura, para que ele possa adoptar as medidas que considerar cabíveis, para que pelo menos no caso do Brasil, ao ser convidado a participar nes- tas actividades, estejamos presentes na sua inteireza, inclu- sive com a nossa representação aqui na CPLP.

Diria ainda que fiquei muito simpático com a ideia do Francisco Pellé de fazer um encontro da Cena Lusófona no FestLuso do Piauí. A Palmares tem um excelente diálo- go com a Presidente da Fundação Cultural do Piauí, Sónia Terra, uma pessoa também muito batalhadora, que passou por imensas dificuldades e foi objecto de campanhas e di- famações, justamente por ser afro-brasileira. A Palmares pode assumir aqui, em público, o compromisso de contri-

buir e colaborar com uma actividade dessas em Piauí. Estou

a dizer isto formalmente: o Francisco pode me procurar

quando chegar ao Brasil, porque a gente tem um convénio em andamento com a Fundação Cultural do Piauí e pode- mos ampliá-lo ou fazer outro, o que seria muito interes- sante para nós. No próximo ano, a CPLP vai ser uma prioridade do Minis- tério da Cultura, por meio da Fundação Palmares – nós vamos nos dedicar à CPLP. O Ministério das Relações Exteriores estará fazendo um Congresso Internacional da Língua Portuguesa no Brasil, com a intenção do fortaleci- mento da língua portuguesa, porque assinámos o acordo ortográfico, apesar de alguns “senões”. Para concluir, eu quero agradecer o convite que foi feito. Estou aqui com muito prazer, muito à vontade. A Palmares trabalha nesta área, tendo como foco o fortalecimento das manifestações culturais de origem negra e particularmente

a área do teatro e da performance. Nesse sentido, temos

três linhas de trabalho. Uma é a performance negra, o edital

nacional na área do teatro, fotografia e dança, voltado para

a comunidade negra. Agora estamos com um edital de um

milhão de dólares, que será feito regionalmente para a ca- pacitação e promoção de espectáculos.Aproxima-se agora um outro, que estamos firmando com a Petrobrás, também

na área das artes visuais – teatro, cinema e dança – que é o

Juventude Negra, na ordem de um milhão e trezentos mil dólares. E acabámos de fazer um agora, que foi muito inte- ressante, chamado Ideias Criativas.A gente fez o edital que

pagava 15 mil dólares na área do individual e 30 mil dólares

na área colectiva. O curioso é que quase 80% dos trabalhos

vencedores foram da área de teatro – muito interessante.

Quero colocar a Fundação Palmares à disposição da Cena Lusófona. Enquanto representante da Palmares e da CPLP,

gostaria de poder ajudar nessa interlocução e para tanto solicitaria, desde já, que a gente pudesse ter um diálogo mais permanente, com troca de ideias, que, quando fos- sem feitas solicitações à CPLP, elas também chegassem até

à gente lá na Palmares, para que a gente pudesse ajuizar,

tomar as medidas necessárias. A Palmares está à inteira disposição.A gente tem 21 anos de existência, funciona em

Brasília, capital do País, tem representações em sete esta- dos brasileiros, aqueles onde temos uma população negra grande e organizada: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas e Maranhão.

Muito obrigado e sucesso para a Cena Lusófona.

Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas e Maranhão. Muito obrigado e sucesso para a

" Temos realmente de nos interrogar se Portugal est á a investir na CPLP como deveria ."

se Portugal est á a investir na CPLP como deveria ." ptistaBaAugusto Ant ó nio A
ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

Antó nio A . Barros

Presidente da Cena Lusófona

Quero expressar a minha satisfação pela forma como os trabalhos decorreram. Ficámos realmente muito satisfeitos porque a actividade ao longo de dez anos foi muito intensa e em todos os países alguma coisa frutificou, algumas se- mentes ficaram.Aquilo que foi a nossa morte anunciada só não aconteceu porque de todo o lado nos foram chegando notícias, estímulos para que continuássemos, numa rede muito vasta que se criou. Vocês são representantes de mui- tas dessas coisas e provavelmente poderíamos multiplicar esta plateia por muitas mais pessoas que não puderam estar aqui e que constituem essa rede informal, mas substantiva, de troca, de intercâmbio na Comunidade. Foi isso que fez com que não morrêssemos. Como já disse, a Cena Lusó- fona está a relançar o projecto com muito poucos recursos. Chegámos a hesitar, face ao apoio obtido, mas entendemos, perante esses apelos e estímulos, que surgiam de todo o lado, que tínhamos até quase obrigação de continuar. Às vezes não me sinto muito português. Não gosto de bacalhau e penso: será que isto afecta a minha identidade portuguesa? No projecto da Cena Lusófona eu realmente nunca me senti muito português e nunca senti que este projecto fosse especialmente português. Ele teve o apoio do Ministro Manuel Maria Carrilho (não me canso de elo- giar a sua lucidez), mas penso que na altura estávamos sin- tonizados nesta questão: é preciso que Portugal dê uma resposta responsável à CPLP e às exigências da CPLP. Não foi por acaso que saiu no último cenaberta a declaração aprovada na Cimeira do Estoril, a primeira reunião de Mi- nistros da Cultura da CPLP. Continua a ser um documento muito importante, pelo conjunto de princípios e pelo plano de acção que contém. Se tivesse sido realmente implemen- tado, a realidade hoje seria muito diferente. Na CPLP temos andado em ritmos desencontrados. O Mi- nistro Manuel Maria Carrilho tinha vontade de construir uma estratégia cultural dentro da Comunidade e tinha ideias mui- to claras sobre a importância da cultura para a formação da Comunidade, mas quase não se encontrou com o Ministro Gilberto Gil, que, depois de aquele se ter ido embora, veio também com uma ideia muito clara e uma vontade muito forte de fazer Comunidade. Este desencontro foi fatal. Eu diria que o projecto, tal como foi feito na primeira fase (com os Estágios Internacionais de Actores, o primeiro ci- clo de co-produções entre todos os países, as Estações), configurava um programa (desenhado em sintonia com o Ministro Carrilho) que não pretendia ser especialmente português, pretendia ser um programa digno da CPLP, as- sumido por todos os países.Também não é por acaso que na acta dessa primeira cimeira consta o apoio à Cena Lusó-

fona. É só uma frasezinha, mas isso constituiu, por parte dos Ministros da Cultura de todos os países, um apoio unânime

e declaradamente consensual. Em 2000, a Cena Lusófona

tinha já quatro anos de actividade e tinha mostrado o que era e o que era o seu projecto. Desde então, passou-se muita coisa. De repente, a Cena Lusófona deixou de ser apoiada. Não sei porquê, porque não houve explicações. Se calhar, o melhor que posso es- perar é que ela seja uma semente: essa primeira fase pode perfeitamente ser a matriz de um projecto que a CPLP possa desenvolver, numa nova etapa (se a houver), em que Portugal, Brasil e Angola estejam realmente harmonizados na vontade político-cultural de fazer Comunidade. Quando essa harmonia acontecer, tudo isto pode ser diferente. Eu ainda estou meio “abananado” com a intervenção do Zulu Araújo. Não foi um discurso da grande eloquência, dos grandes princípios teóricos, apelando a "irmandades históricas", mas foi muito claro, muito incisivo, em relação ao compromisso brasileiro, actual e futuro, com a CPLP. Deixou uma missão difícil ao meu amigo António Pedro Pita, que deu a sua resposta como Director Regional da Cultura, mas eu não posso esquecer que ele representa aqui a Senhora Ministra da Cultura, por designação. Sei que não tem instrumentos para falar mais (a Senhora Ministra também está a chegar ao poder), para dar uma resposta à altura do compromisso que o Governo brasileiro colocou nesta cimeira. Este compromisso brasileiro exige uma res- posta portuguesa e exige se calhar também uma resposta de Angola (espero que sim, que se criem condições para isso). Temo, no entanto, o ambiente que se tem criado nos últi- mos tempos, com algumas manobras de diversão, extrema-

mente preocupantes, quanto ao papel português em relação

à CPLP e ao seu futuro. De alguma maneira, tivemos aflora-

ções disso neste encontro.Abordou-se aqui a questão da diáspora – fala-se agora muito na diáspora quando falamos

da CPLP, aqui em Portugal. Eu fico muito preocupado: de que se fala quando se fala na diáspora portuguesa? Na diás- pora dos emigrantes – naVenezuela, em França, nos Estados Unidos, na Suíça? Esta diáspora preocupa-me, reconheço-a

– os emigrantes, o problema da emigração – mas não é

disso que estamos a falar. De que se fala quando se fala da diáspora? De alguns artistas que eventualmente estarão no

estrangeiro e que pertencem a uma segunda ou terceira geração de portugueses? É uma mania muito portuguesa

a de ficarmos muito orgulhosos de pessoas que tenham

ainda uma raiz de nona geração em Portugal. É um bocado estranha esta doença portuguesa, esta nossa necessidade de ir buscar coisas que não têm sentido para aquilo que nós somos como país hoje e para quem somos hoje. Falar desta diáspora quando se fala da CPLP parece-me, portanto, uma manobra de diversão. Há uma outra manobra de diversão que tem aparecido recorrentemente: de repente, a CPLP já não vale, é um conceito ultrapassado, é muito fechado, hermético, provoca vícios, paternalismos. Agora temos de falar é de todo o continente africano. Isso é que é moderno, ou mesmo pós- -moderno. Podemos mesmo já esquecer a CPLP. Falávamos nisso ontem à noite, a propósito do projecto África.cont, e do compromisso de instituições de grande relevância (des- de logo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português) num projecto de tal envergadura e de tal investimento, quando nunca foi feito um investimento semelhante na cul- tura, no domínio da CPLP.Temos realmente de nos inter- rogar se Portugal está a investir na CPLP como deveria. Também me parece perigoso aquilo que, não por acaso, citei na Sessão de Abertura: depois de, em diversas cimei- ras, os Ministros da Cultura terem falado no Instituto In- ternacional da Língua Portuguesa e na dificuldade que ele tem para se implantar no terreno, aparece de repente no programa para a cultura do novo Governo português uma outra coisa para fazer o mesmo – a Academia de Língua Portuguesa.Tudo isto é muito estranho e eu acho que pre- cisa de clarificação. Nós aqui estamos num terreno abaixo (isto passa-se tudo a um outro nível), mas é claro que não podemos ser estranhos a isso. Somos gente de cultura, somos artistas.Tal como tem sido definida, a política da língua subestima claramente o papel

das artes e do teatro, em particular. Não me sinto nada identificado com a política portuguesa para a língua – essa política do exclusivismo, da defesa a toda a força do por- tuguês, esquecendo as línguas nacionais, o diálogo com as outras línguas. Citei o Eduardo Lourenço porque ele co- locava como questão essencial para a existência da CPLP, da comunidade, a utopia da partilha, aprofundar o conheci- mento do outro. Interessa-me pouco a diáspora. Interessa-me, nos países da CPLP, conhecer o outro, o africano, as suas línguas (que são uma parte da sua cultura), interessa-me a sua cultura na sua globalidade. Por isso, na Cena Lusófona, nós temos

o projecto dos Narradores Orais. Interessa-me muito o

narrador guineense, o djidiu, que até fala na sua língua; a tradição destes djidius ou griots atravessa toda a África – o

Mali, a Guiné Conacri, o Senegal, todo o antigo reino do Mali. Interessa-me muito conhecer essa cultura. Quando estou na CPLP, não estou como português, mas sim como

artista, como homem de teatro que se interessa por conhe- cer dados culturais fundamentais, que são importantes para

o nosso trabalho como artistas. Não me identifico com o

falante. Identifico-me com Fernando Pessoa: “a Língua Por- tuguesa é a minha Pátria”, não é outra coisa. Através da língua, os artistas de teatro buscam outras coi- sas. O Peter Brook fez o mesmo, na sua procura da essen- cialidade em países africanos, da essencialidade do espaço, do gesto essencial do actor, da corporalidade essencial,

da comunicação essencial com os públicos. Ele fê-lo onde poderia ir pela sua língua e sua influência: não foi para a

Guiné, não foi para Angola, não foi para Moçambique; foi para o Mali, para a Nigéria, e depois foi para a Índia, porque ele é um falante do inglês e do francês. Foi através desses países que ele tomou contacto com o mundo. Eu pretendo tomar contacto com o mundo através dos países da CPLP

e não me sinto nada fechado. Como disse, procurando os

djidius na Guiné Bissau, eu estou a procurar uma parte mui-

to significativa de África, muito maior. Esse conhecimento do outro é muito importante para as pessoas de teatro. Com todo o respeito pelas intenções do projecto África. cont, temo que seja pretexto para uma manobra de di- versão que faça esquecer o papel que Portugal deveria ter na consolidação de uma estratégia cultural na CPLP: estar lado a lado com o Brasil e com os outros países, sendo mo- tor da Comunidade.

O projecto da Cena Lusófona é um projecto à medida desta

utopia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Não confundir com a estrutura CPLP, que está condicio- nada por estas hesitações, por estes desencontros, por es-

tes desacertos de ritmo. Não podemos levar muito a sério esta estrutura enquanto isto for assim. Mas temos de levar

a sério a Comunidade, temos essa responsabilidade. Os

Estados não são coisas de brincar: todos eles se compro- meteram a fazer da CPLP prioridade de Estado. Nós, como cidadãos, temos de exigir que os Estados sejam sérios. Sinto-me cidadão da CPLP: quando estou nos outros países, estou em casa. Esta relação com toda a gente fez-me sentir assim. Eu assumo as minhas responsabilidades, a Cena Lusó- fona não pode estar alheia e tem assumido as suas. Acho que ao nível político essas responsabilidades têm também de ser assumidas e nós, na nossa pequenina contribuição,

temos de ajudar a fazê-lo.

têm também de ser assumidas e nós, na nossa pequenina contribuição, temos de ajudar a fazê-lo.
Mário Moutinho, Creusa Borges e Marília de Lima Filipe Crawford, José Amaral e Raul Atalaia
Mário Moutinho, Creusa Borges e Marília de Lima Filipe Crawford, José Amaral e Raul Atalaia

Mário Moutinho, Creusa Borges e Marília de Lima

Mário Moutinho, Creusa Borges e Marília de Lima Filipe Crawford, José Amaral e Raul Atalaia Ânxeles

Filipe Crawford, José Amaral e Raul Atalaia

de Lima Filipe Crawford, José Amaral e Raul Atalaia Ânxeles Cuña Bóveda Fernando Saldanha e José

Ânxeles Cuña Bóveda

Crawford, José Amaral e Raul Atalaia Ânxeles Cuña Bóveda Fernando Saldanha e José Russo Anacleta Pereira

Fernando Saldanha e José Russo

Ânxeles Cuña Bóveda Fernando Saldanha e José Russo Anacleta Pereira Um retrato do Encontro l Sessão

Anacleta Pereira

Um retrato do Encontro l

e José Russo Anacleta Pereira Um retrato do Encontro l Sessão de abertura fotografia de Augusto

Sessão de abertura

fotografia de Augusto Baptista

l Sessão de abertura fotografia de Augusto Baptista Sessão de encerramento " Painel III: Criação e

Sessão de encerramento

"

de Augusto Baptista Sessão de encerramento " Painel III: Criação e difusão da dramaturgia de língua

Painel III: Criação e difusão da dramaturgia de língua portuguesa

Lugar aberto à palavra, o Encontro Internacional de Políticas de Intercâmbio

( Coimbra, 3 a 6 de Dezembro de 2009) foi plataforma para cruzamento

de experi ê ncias e para projecçã o de novas iniciativas teatrais nos palcos da lusofonia . A par disso, no Bar do Teatro da Cerca de S . Bernardo , em mais uma sess ã o de " A Cena no Caf é", o Encontro acolheu a imagem de Faz ê di Conta e rendeu - se ao humor das hist ó rias de C á ndido Paz ó.

Documentá rio realizado por Patr í cia Poçã o , “ Faz ê di Conta centra -se na edi çã o de 2007 do Mindelact (Mindelo, Cabo Verde ). A realizadora , acom- panhando a equipa do Teatro Meridional , mostra -nos o Festival atrav é s de depoimentos dos seus obreiros e protagonistas . O lme foi apresentado por Miguel Seabra, director do Meridional, grupo que faz das liga çõ es ao universo dos paí ses da CPLP uma das suas principais linhas de trabalho e que tem diversas ac çõ es concretizadas no â mbito da Cena Lus ó fona: as produçõ es Mar me quer ” (2001) e Gera ção W ” (2004) e as digress õ es ao Brasil (1998), Cabo Verde (1999) e Timor -Leste (2002).

C á ndido Paz ó é autor , encenador e actor com um largo curr í culo teatral, na Galiza e no mundo . Conhecido també m como humorado narrador oral ,

Paz ó brindou a assist ê ncia, constitu í da por participantes no Encontro e

p úblico em geral , com uma sessã o de O Espect áculo da Palavra ”, t í tulo gen é rico das suas contadas ”.

Dos diversos painé is de discuss ã o , das sess õ es plená rias do Encontro , de

" A Cena no Caf é", de tudo , en m , aqui ca um retrato .

de tudo , en fi m , aqui fi ca um retrato . "A Cena no
de tudo , en fi m , aqui fi ca um retrato . "A Cena no

"A Cena no Café": Miguel Seabra

ca um retrato . "A Cena no Café": Miguel Seabra Sessão de abertura João Aidos, José

Sessão de abertura

"A Cena no Café": Miguel Seabra Sessão de abertura João Aidos, José Amaral e Natália Luiza
"A Cena no Café": Miguel Seabra Sessão de abertura João Aidos, José Amaral e Natália Luiza

João Aidos, José Amaral e Natália Luiza

de abertura João Aidos, José Amaral e Natália Luiza "A Cena no Café": Cándido Pazó Anacleta

"A Cena no Café": Cándido Pazó

e Natália Luiza "A Cena no Café": Cándido Pazó Anacleta Pereira e José António Bandeirinha Abel

Anacleta Pereira e José António Bandeirinha

Luiza "A Cena no Café": Cándido Pazó Anacleta Pereira e José António Bandeirinha Abel Neves cenaberta

Abel Neves

cenaberta Por um teatro diverso e uno ptistaBaAugusto Marca o discurso com um timbre musical

cenaberta

cenaberta Por um teatro diverso e uno ptistaBaAugusto Marca o discurso com um timbre musical .

Por um teatro diverso e uno

ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

Marca o discurso com um timbre

musical . Talvez

a mesma musi-

calidade de jeito

e fundo apren-

dida nos textos de Nelson Rodrigues quando , h á mais de uma d é cada , vindo do Brasil, do distante Piauí, terra nordestina entre o Maranh ão e o Cear á, partici- pou no Está gio Internacional de Actores organizado em Portugal pela Cena Lus ó fona.

Ele é Pell é, Fran- cisco Pell é, actor , director do Grupo Har é m de Teatro e fundador do Festi- val de Teatro Lus ó- fono, FestLuso . Homem do sertão e de palco, quer que

a Cena seja uma

liga de inquieta-

ções que ajude na construção de um teatro de língua

portuguesa, diverso

e uno.

Março 2010 Desse extenso Brasil, diz-me de onde vens. Venho do Piauí, nasci lá. O

Março 2010

Março 2010 Desse extenso Brasil, diz-me de onde vens. Venho do Piauí, nasci lá. O Piauí

Desse extenso Brasil, diz-me de onde vens.

Venho do Piauí, nasci lá. O Piauí é um Estado do Nordeste, entre o Maranhão

e o Ceará, e a sua capital é Teresina.

Teresina tem uma particularidade inco- mum: é a única capital no Nordeste que não é banhada pelas águas do Atlântico, é uma cidade de sertão. Eu pratica- mente sou um homem de sertão, um homem do centro, do ciclo do gado, do leite.

Um homem do sertão, do ciclo do gado e do leite, como vem parar ao palco? Comecei em grupos de teatro amador do Piauí, ainda na década de 80, pre- cisamente em 1983, 1984. Em 1985, eu e mais quatro amigos saídos de escolas instituímos a companhia de que faço parte, o Grupo Harém de Teatro. De lá para cá a gente vem tendo 24 anos de um percurso muito bom. Apesar de ter esse tanto de ano, não fizemos mui- tos espectáculos. A gente passa muito tempo com um espectáculo só, em digressão, em temporada, porque as condições de produção de uma peça de teatro na minha região elas são muito dificultosas, os recursos são poucos, e então a gente prefere investir na lon- gevidade dos espectáculos.

Quando e como a tua vida de actor se cruza com a Cena Lusófona?

A actividade do Grupo Harém de Teatro

rola desde 1985 até eu conhecer a Cena Lusófona, em 1997. Então foi feita pela Fundação Joaquim Nabuco e o gover- no do Estado do Piauí uma selecção de actores para participarem num es- tágio, uma parceria entre o governo português, a Cena Lusófona, o governo brasileiro. Em complemento desse está- gio de actores lusófonos estava prevista uma acção junto à Expo 98. Participei nessa selecção entre acto- res da região nordeste e tive a grata surpresa de ser seleccionado para vir para cá, eu e a actriz, também bailarina, Christianne Galdino, que é do Recife, do Ballet Popular do Recife.

Nessa selecção participaram muitos candidatos? Primeiro houve uma selecção com 30 a 40 pessoas da cidade de Teresina. Des- tas foram seleccionadas seis pessoas e depois a gente apresentou um currí- culo. Com base no currículo é que foi

feita a selecção final, através da Funda- ção Joaquim Nabuco. Eu não sei que meios foram utilizados nesse processo, conquanto eu fui a pessoa escolhida, com a Christianne Galdino. Claro que também houve, nesse interim, inte- resses dos governos dos Estados em mandar actores. O Piauí foi o primeiro

a manifestar esse interesse e, de facto,

a apoiar a vinda, com o pagamento das passagens, ajudas de custo…

Feita a selecção, vieste logo pa- ra Portugal? Eu cheguei cá ainda em 97, no dia 3 de Novembro se iniciou o trabalho. E passámos onze meses num processo de formação, eu e outros actores do espaço lusófono: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e

Príncipe, Timor Leste, Portugal, Brasil.

E tivemos aqui duas importantes forma-

ções. A primeira, com o encenador Ro- gério de Carvalho, permitiu que a gente se debruçasse sobre a nossa actividade,

sobre o acto de ser actor. Foram horas, muitas horas de labuta, no Estúdio do Teatro Trindade, em Lisboa, um ritmo de trabalho até então desconhecido, particularmente para mim e para al- guns actores de África. A gente vinha de um tipo de trabalho, de uma cena mais amadora, ensaia aqui poucas horas

e tal, não tínhamos aquele ritmo.

Imagino que não terá sido fácil a adaptação. Ao começo do trabalho sentimos mui- to a carga de exigências, também físi- cas. Às vezes pensava “será que vou re- sistir?” A gente resistiu, e daí saiu uma dramaturgia, construída nesse trabalho pelos próprios actores, que se chamou “A Fronteira”.

Construído o espectáculo, hou- ve apresentações públicas? Nós encenámos “A Fronteira”, depois fizemos uma digressão. Começámos por Lisboa, pelo Teatro Estúdio de Al- mada, e fizemos uma digressão pelas cidades do Porto, Évora, Montemor, Coimbra. Uma experiência fabulosa. Também pela descoberta de uma dra- maturgia própria. Estávamos acostuma- dos a ter uma dramaturgia pronta, já construída, sem preocupação de nos atermos a isso.

Culminada essa fase, o que vos estava reservado? Num segundo momento de formação, aqui em Coimbra, n'A Escola da Noite, tivemos a oportunidade de trabalhar com o encenador luso-brasileiro José Caldas. Também um trabalho bastan- te importante. Foi escolhido “O Beijo no Asfalto”, peça pela qual tenho um grande apreço, que eu sou fã do Nel- son Rodrigues e principalmente deste texto. Tivemos a oportunidade de tra- balhar até o corpo musical, tirarmos do Nelson Rodrigues a musicalidade que não víamos. Alcançávamos só aquela coisa mesmo pensada e familiar nos textos do Nelson Rodrigues. Mas Zé Caldas mostrou-nos como aquela coisa caótica e séria do Nelson tinha uma musicalidade não só brasileira, uma musicalidade universal, portuguesa, afri- cana, brasileira. Então o resultado foi um espectáculo muito dinâmico que faria até hoje temporada em qualquer lugar do mundo. Uma pena, que sen- timos muito: tantas horas, dias, tantos

minutos trabalhados e nós fizemos o espectáculo apenas uma vez. Era um espectáculo que as pessoas precisariam ver, mas eram as condições que de mo- mento nós tínhamos e que a Cena nos podia oferecer, até porque se estava aproximando a terceira fase do estágio.

Em que consistiu essa nova fase? Correspondia à nossa participação na Expo 98. Saímos de Coimbra no final de Março de 98 e, em Abril, já está- vamos em Lisboa para começar o tra- balho dos Olharapos com o Cândido Ferreira e uma equipa muito bacana do Departamento de Animação da Expo. Esta terceira fase permitiu-nos um trabalho mais aberto de improvisação, apresentando uma personagem, um objecto, sei lá o quê, que se chamava Olharapos. Ficámos mais uns três a quatro meses nessa animação da Expo, com esses bonecos. Também foi muito interessante.

Findo o estágio, regressas ao Piauí, retomas o trabalho na tua companhia? Mesmo estando aqui, já tinha a me despertar o interesse de manter um permanente diálogo, com os portugue- ses, os africanos. Fiz a montagem de uma peça já com um dizer, um sabor de lusofonia: “Mal de Amor”. Essa peça foi encenada para o festival Sementes, realizado em Almada pelo Teatro Ex- tremo. Então a gente fez esse texto cabo-verdiano, com uma encenação do Paulo Duarte e um elenco formado por mim, o Paulo Duarte, aqui de Portu- gal, a Sílvia Lima e a Odete Môsso, de Cabo Verde. Foi a primeira experiência conjunta de uma pequena co-produção com as gentes lusófonas. E isso me des- pertou para que quando eu voltasse ao Piauí pudesse, de uma forma mais sistemática, conduzir esse processo de aproximação, de trocas e diálogos, no espaço lusófono. De lá para cá eu venho trabalhando isso.

E de que modo tens cultivado esse diálogo lusófono? Particularmente ele se deu mais próxi- mo com o Teatro Extremo, de Alma- da. Já realizámos três co-produções, também tivemos trocas de residências técnicas entre actores, técnicos, direc- tores. O Paulo Duarte teve no Piauí uma residência na minha companhia, durante seis meses. Logo em seguida, o director artístico do Harém, Arimatan Martins, veio à residência no Teatro Extremo. Dessa residência surgiu a encenação dos “Saltimbancos”, um espectáculo do Chi- co Buarque de Hollanda para crianças. Depois nós realizámos a co-produção primeira, “Dois perdidos numa noite suja”, do Plínio Marcos. Recentemente realizámos uma nova co-produção, aí saindo do eixo do Extremo e partindo já para outras pessoas, com a encena-

ção do Rogério de Carvalho de um texto chamado “Dança Final”, com o Paulo Duarte e a Cármen. Estamos a trabalhar num terceiro texto, mais um Plínio Marcos: “Quando as Máquinas Param”.

E o FestLuso surge quando? Neste interim, senti o desejo, desde 2003, de realizar um evento na minha cidade, que é uma cidade carente, principalmente de iniciativas na área de teatro, de levar a Teresina a dis- cussão sobre, vá lá, a preservação, a divulgação, as trocas, no espaço da lusofonia. E me surgiu a ideia de cons- truir um festival em que pudéssemos fazer a aproximação de pessoas: pes- quisadores, directores, estudiosos do teatro de língua portuguesa. E até 2004, 2005, tentámos a realização desse festival. Mas as condições do Brasil não eram oferecidas naquele momento. A situação se foi restabe- lecendo, após governos de não muito interesse por um processo cultural no país, nos foi permitindo avançar neste projecto. No ano de 2005 a gente conseguiu até um patrocinador, um grande patroci- nador nacional. Mas a poucos dias de assinarmos o contrato de patrocínio, estoura-se um grande escândalo no Brasil, que foi o escândalo do men- salão e tal e aquelas coisas. O festival foi suspenso. Já tínhamos todos os grupos contratados, as conferências, uma grade de programação definida e tivemos que abortar esse processo. De lá para cá, até 2008, quando de facto conseguimos realizar a primeira edição do projecto, foi uma permanente bata- lha de idas e vindas, principalmente para Brasília. No meu próprio grupo de teatro já não se acreditava que pudéssemos realizar o festival. De certa forma houve até um desgaste com aquele meu intuito de realizar esta actividade lá no Estado.

Uma teimosia que acabou por compensar. Em 2008, de uma maneira surpreen- dente, a gente consegue realizar o 1.º Festival de Teatro Lusófono para coroar 10 anos de idas e vindas e o importante espaço que o Piauí conquistou na luso- fonia. Interessante é que até então só eu no Piauí usava o nome lusofonia. A própria imprensa piauíense não tinha um en- tendimento do que era lusofonia, acha- vam o termo até um pouco estranho, soava estranho aos ouvidos. O que é um festival de teatro lusófono? Então a primeira fase do projecto foi perguntar a várias personalidades, ao povo, a in- telectuais, a várias camadas, o que era a lusofonia? Aí tivemos respostas, das mais catedráticas, académicas, à res- posta do povo. Mas, enfim, concretizámos o projecto em 2008, em Agosto.

cenaberta Porquê Agosto? Escolhemos o mês de Agosto por um planejamento estratégico. A gente viu

cenaberta

cenaberta Porquê Agosto? Escolhemos o mês de Agosto por um planejamento estratégico. A gente viu um

Porquê Agosto? Escolhemos o mês de Agosto por um planejamento estratégico. A gente viu um

Isso exige muita circulação. Exactamente. O ano passado foi levado à cena um texto de Júlio Conde, drama-

montou o texto, o Júlio esteve lá. A par-

espaço nesse mês aí, já encerrando prati- camente a programação de festivais do

turgo brasileiro; o grupo de Angola já

primeiro semestre do ano para dar início

tir

do festival estas coisas estão saindo

ao segundo, que não tem muito festival,

do

âmbito da relação Brasil-Portugal e já

porque Teresina é uma cidade muito

estão pegando noutros eixos.

quente, temperaturas de 42, 43 graus a

Pelo meu lado, estive em Cabo Verde.

chegar ao mês de Setembro, Outubro,

estive também em Angola, em visita

Novembro. Então, até para o conforto das pessoas que pudéssemos trazer, re-

ao Grupo de Teatro Serpente. E tam- bém temos agendadas algumas viagens

solvemos que ficasse no final de Agosto,

no

começo de 2010, para ver, conversar,

que ainda não estaria tão insuportavel- mente quente.

trocar, já na perspectiva da realização do 3.º FestLuso.

A

primeira fase deste projecto foi re-

activar contactos com pessoas que eu já conhecia daqui, através de carta,

Esses caminhos, como os desco- briste?

telefone, de amigos, em Angola, Cabo Verde, Moçambique… Tivemos a ajuda

e a colaboração inestimável de duas

pessoas que deram uma contribuição muito grande à realização deste even- to: o Rogério de Carvalho e o José Cal- das.

Depreendo que o festival tam- bém obrigue, a ti e a muita outra

A Cena Lusófona serviu como ponte

para que eu pudesse estabelecer muitos contactos. Outros foram construídos através de amizades. Uma pessoa, lá num certo país, indica, nos dá o endereço, a gente vai. Mas, se não tivesse participado desse estágio, provavelmente estaria no Piauí tratando de outras questões do meu grupo, fazendo teatro com certeza, mas não com a visão que tenho hoje da

2010 haja participação desses dois países, se não ao nível de grupos pelo menos através de actores, técnicos e estudiosos do teatro que se possam fazer presentes dentro da discussão lá do Piauí.

Do que disseste, concluo que tem sido mais fácil o intercâm- bio com Cabo Verde, Angola… Em Cabo Verde há uma relação cons-

truída desde o primeiro festival com

o Centro Cultural do Mindelo. Nesta

segunda edição já se conseguiu trazer outro grupo, que apresentou um espec- táculo também muito interessante, sobre a contemporaneidade…

E no caso de Angola? Na edição de 2009 houve três espectácu- los apresentados por grupos de Luanda, dois grupos com três espectáculos. O Teatro Serpente levou dois espectáculos e um grupo de jovens, que é o Núcleo de Teatro Estrelas do Horizonte, levou um espectáculo também muito interessante.

Moçambique tem estado pre- sente no FestLuso? De Moçambique hou- ve a presença do M’Beu, do Maputo. De S. Tomé também tivemos a presença do grupo de teatro do Celsio [Gaspar], que já esteve aqui em Coimbra noutros es-

tágios. A questão de S. Tomé e, particu- larmente, da Guiné- -Bissau e de Timor- -Leste centraram os debates de uma mesa importante do festi- val, procurando ca- minhos que garan- tam uma presença maior nesses países. Quando falo de pre- sença, falo de apoios técnico e artístico na reestruturação de um conceito de teatro. A actriz Lucélia Santos, que tem participado activamente deste nosso festival, já fez uma primeira investida em Timor-Leste, na área do cinema, agora estamos trabalhando com ela na área do teatro para que se possa

lá desenvolver, em conjunto com outras

parcerias, do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura do Brasil, um programa de oficinas técnicas e artísticas capitaneadas pelo Festival Lusófono.

Em Coimbra, nestes dias, tens estado a participar no Encontro Internacional Sobre Políticas de Intercâmbio. Reconheces im- portância a esta iniciativa, para conhecimento e articulação de acções teatrais à escala da luso- fonia?

ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

gente, a andar em ping-pong en- tre Brasil, Portugal…? Até 2008 desloquei-me muito entre o Brasil e Portugal, mais precisamente en-

tre o Brasil e o Teatro Extremo. A partir

de 2008 o processo começou a se esten-

der até África: Cabo Verde, Angola. Para a edição do FestLuso temos dois processos de residência de actores ango- lanos, um deve estar a chegar no começo

do ano, para fazer uma residência no nos-

so grupo. É um actor do Núcleo de Teatro

Estrela do Horizonte, de Luanda, um jo- vem de 21 anos. Também, dentro da nova co-produção que nós vamos fazer com o Harém, a proposta é que a actriz Sílvia Lima venha do grupo de Cabo Verde, do Mindelo. E há companhias de Angola que têm contactos com outros grupos da região nordeste, que se encontraram no festival e já estão discutindo trocas.

importância da criação destas redes de relacionamento, de criação e de inter- acção dentro do espaço lusófono.

Nas duas edições do FestLuso houve participação de muitos grupos da lusofonia?

Intuito do festival é que haja participação

de grupos da lusofonia, como também

atender a uma grande demanda de parti- cipação de grupos do Piauí nestes eventos. Temos uma carência de eventos teatrais no meu Estado, na área internacional e até nacional. O festival está permitindo que, além do Harém Teatro, outros grupos

do Piauí possam conhecer e fazer tro- cas com grupos de Cabo Verde, Angola, Moçambique, S. Tomé, Portugal. Ainda não conseguimos ter a participação de dois países: Guiné-Bissau e Timor-Leste. Mas a gente tem trabalhado para que em

O que a Cena nos tem permitido, nestes

dias que cá estamos, é compartilhar ex- periências. Falar, falar, ouvir, ouvir, dar e receber. Mas, no meu entender, posso estar errado, a Cena deveria ser uma entidade não só de estar ajudando nas co-produções, nessas questões todas, mas que ela fosse o elemento aglutina- dor de todas estas acções que estamos construindo isoladamente em cada lugar. Claro que são acções válidas. De resto, a grande maioria das pessoas neste encon- tro tem uma ligação directa, conhece o trabalho da Cena. Mas eu acho que, nes- ta reestruturação da Cena, ela deveria funcionar como entidade aglutinadora de todas estas acções que acontecem nos países lusófonos. Ela seria uma chance- laria, nos daria uma chancela, o seu know- -how, até na elaboração dos projectos, nos contactos, na indicação técnica, pro- fissional, desses eventos. Na realidade, sinto falta disso. São propostas para serem discutidas, inclusivamente falei sobre isso e acho que se pode construir uma atitude nestes parâmetros. Mas o importante, neste primeiro encontro, nesta reestruturação, nesta Fénix que renasce, é que nos permitiu estar aqui, dizer o que estamos fazendo, ouvir o que os nossos parceiros e os nossos camara- das também estão fazendo neste espaço. Eu acho que nós saímos daqui de certa forma municiados de novos argumentos, de ideias, de contactos, de interligação nesta rede e, acredito, a gente agora pode, de uma forma muito mais simples,

realmente construir uma rede na lusofo- nia que atinja os objectivos da divulgação e da preservação de um teatro diverso e uno, um teatro de língua portuguesa.

Na tua perspectiva importaria dar nexo à multidão de vontades individuais, discutir, procurar dinamizar acções numa perspec- tiva de conjunto. É isso? Sem que a Cena tenha ingerência nos projectos que estão sendo desenvolvidos, seria positivo que tivéssemos, através e construída na Cena, uma linha de pensa-

mento, de atitudes e de inquietações a que pudéssemos recorrer. Eu acho que have- ria um fortalecimento nas acções que estão sendo desenvolvidas, que por sinal não são poucas. Hoje, se formos a fazer uma avaliação das diversas acções isola- das, talvez nem nós saibamos, nós que

já estamos há dez anos envolvidos nisto,

talvez nem saibam outras pessoas da Cena que estão envolvidas nisto há mais tempo, o que globalmente está aconte- cendo nestas trocas. Sinto que falta uma liga nesta questão e essa liga ela pode ser

dada através da Cena Lusófona.

e essa liga ela pode ser dada através da Cena Lusófona. Esta conversa de Francisco Pell

Esta conversa de Francisco Pell é com Augusto Baptista ocorreu em Coimbra , aquan - do do Encontro Internacional sobre Polí ticas de Interc âm - bio ( Dez . 2 0 0 9) .

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PR

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AB PR DR AB Março 2010 cenas breves Coimbra Cena Lusófona no Mercado do Quebra Costas

Março 2010

AB PR DR AB Março 2010 cenas breves Coimbra Cena Lusófona no Mercado do Quebra Costas

cenas

breves

Coimbra Cena Lusófona no Mercado do Quebra Costas

A Cena Lusófona marcará presença em 2010 no Mercado Quebra Costas, Coimbra, com um ponto de venda das suas publicações e a orga- nização de uma sessão especial de "A Cena no Café", já no próximo mês de Abril.

de "A Cena no Café", já no próximo mês de Abril. O Mercado é uma iniciativa

O Mercado é uma iniciativa dos comerciantes

da rua Quebra Costas, no centro histórico da cidade de Coimbra, e da associação cultural

Arte à Parte, e tem este ano a sua quarta edição. Ocorre entre Março e Novembro, todos os se- gundos sábados de cada mês, e visa dinamizar esta zona comercial da cidade com actividades culturais diversificadas.

A Cena Lusófona participará em todas as edi-

ções com uma banca especializada em publica- ções de teatro onde poderão ser adquiridas, em condições especiais, não só as suas próprias edições (colecção "Cena Lusófona", revista sete- palcos, o Álbum "Floripes Negra"), como publi- cações de outros grupos de teatro da cidade, que a ela se queiram associar. Para o dia 10 de Abril está agendada uma sessão especial de "A Cena no Café", na qual será feita a apresentação pública do sexto número da revista setepalcos, dedicado ao Teatro em Cabo Verde. A programação completa do Mercado do Que- bra Costas pode ser consultada (e acompanha- da) através do site www.mercadoquebracostas.

com.

- da) através do site www.mercadoquebracostas. com. Rio de Janeiro FESTLIP aceita inscrições Tânia Pires,

Rio de Janeiro FESTLIP aceita inscrições

com. Rio de Janeiro FESTLIP aceita inscrições Tânia Pires, directora do FESTLIP Estão abertas as

Tânia Pires, directora do FESTLIP

Estão abertas as inscrições para a terceira edi- ção do Festival de Teatro de Língua Portuguesa (FESTLIP), que decorrerá no Rio de Janeiro en- tre 14 e 25 de Julho de 2010. Os grupos interes- sados, de todos os países de língua portuguesa, podem apresentar as suas propostas até 20 de Abril.

O FESTLIP é organizado pela Talú Produções e

tem como objectivos promover o intercâmbio entre grupos teatrais da comunidade da língua

portuguesa, valorizar os seus processos de criação

e as artes cénicas e incentivar as manifestações

culturais na cidade do Rio de Janeiro, este ano com possíveis desdobramentos nas cidades de São Pau-

lo

e de Belo Horizonte.

As

candidaturas serão avaliadas por uma equipa

composta por "profissionais de destaque na área

teatral" e pelos produtores do festival. Serão se- leccionados 14 espectáculos, em representação do maior número possível de países de língua por- tuguesa.

O regulamento completo do Festival e os requi-

sitos das candidaturas podem ser consultados em

www.talu.com.br/festlip.

podem ser consultados em www.talu.com.br/festlip. São Paulo Dragão 7 apresenta “Inês de Castro” Creusa

São Paulo Dragão 7 apresenta “Inês de Castro”

São Paulo Dragão 7 apresenta “Inês de Castro” Creusa Borges, directora do Dragão 7 O mais

Creusa Borges, directora do Dragão 7

O mais recente espectáculo do Grupo Dragão 7, “Inês de Castro – até o fim do mundo”, es- treado em Fevereiro, mantém-se em cena em São Paulo até 18 de Abril.

Encenado por Creusa Borges, directora do grupo,

o espectáculo é uma adaptação livre de "Men-

sagens de Inês de Castro", de Francisco Cân-

dido Xavier e Caio Ramacciotti. Trata da "trágica história de amor do par romântico mais célebre

da cultura portuguesa: Dom Pedro I e Inês de Cas-

tro". O texto de apresentação destaca "o amor que venceu os séculos, saído de uma Idade Média, onde a paixão, morte, sangue, dor, coração, ódio,

crime, poder, razão de Estado, violência, loucura, amor e beleza constituem, afinal, o que é a essên-

cia da história da humanidade nos seus sucessos

e fracassos".

O Grupo Dragão 7 tem 21 anos de actividade

regular, fundamentalmente dirigida ao público es- tudantil. Fazem parte do seu reportório autores tão importantes da dramaturgia e da literatura brasileiras e portuguesas como Martins Pena, Gil Vicente, Castro Alves, Carlos Alberto Soffredini, Caio Ramacciotti e Sergio Thales, entre outros. Mantém em cartaz, desde há 17 anos, o espectá- culo "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente.

No historial do grupo incluem-se várias digressões

a Portugal e uma deslocação a Cabo Verde.

Responsável, desde 2006, pela organização do Cir- cuito de Teatro Português de S. Paulo, o Dragão 7

foi uma das estruturas representadas no Encontro

sobre Políticas de Intercâmbio, tema central do

presente cenaberta.

de Intercâmbio, tema central do presente cenaberta . Vigo, Galiza ESAD discute Dramaturgia A Escola Superior

Vigo, Galiza ESAD discute Dramaturgia

A Escola Superior de Arte Dramática da Galiza (ESAD), sede em Vigo, organiza ao longo do primeiro semestre de 2010 três ciclos de con- ferências sobre teatro.

O Ciclo “Memórias do Teatro” assume como ob-

jectivo “recuperar a história recente” do Teatro Galego, proporcionando aos alunos da Escola um contacto directo com “as vivências, as experiên-

cias, as lembranças, os problemas e as expecta-

tivas das pessoas” de teatro. Este ciclo integra a participação do actor Anton Durán Morris, da actriz e encenadora Dorotea Bárcena, Xúlio Lago, director do Teatro do Atlântico (14 de Abril), do dramaturgo, actor e encenador Cándido Pazó (12

definida pela organização da Conferência. Para além do documentário da Cena Lusófona (agen- dado para os dias 25 e 31 de Março, às 17h00 e às 19h00, respectivamente), a Mostra inclui uma selecção de 15 filmes produzidos em vários países

de

Maio).

de língua portuguesa – Angola, Brasil, Guiné-Bis-

O

Ciclo “Dramaturxias.con” pretende criar um

sau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.Todos os

espaço de “encontro, comentário, análise e re- flexão em torno das tendências contemporâneas

documentários serão exibidos no Centro Cultural do Banco do Brasil.

da

escrita dramática” na Galiza. O elenco de con-

A

programação cultural associada à Conferência

ferencistas integra Maria Xosé Queizán, Gustavo

Manuel F.Vieites, investigador e articulista do jor-

da

CPLP inclui ainda a exposição “Língua viagem –

Pernas (28 de Abril) e Raúl Dans (26 de Maio).

em português todos se encontram” (uma parceria do Itamaraty com o Museu da Língua Portuguesa

nal “Faro de Vigo” no campo da literatura dramáti-

ca galega, dirige um Curso de Literatura Dramática

(16 de Março a 25 de Maio), dando “uma visão do que tem sido a criação dramática galega, desde o

final do séc. XIX, até ao séc. XXI”.

galega, desde o final do séc. XIX, até ao séc. XXI”. Porto TNSJ tem novo Centro

Porto TNSJ tem novo Centro de Documentação

Com a recente abertura do seu novo Centro de Documentação, o Teatro Nacional de São João (TNSJ) passa a disponibilizar importante acervo especializado em artes performativas, que inclui livros, publicações periódicas, vídeos, fotografias, programas de espectáculos e outra documenta- ção.

RD
RD

Situado numa das salas do Mosteiro de São Bento

da Vitória, o novo espaço de consulta e pesquisa

está aberto ao público de segunda a sexta-feira, entre as 14h30 e as 18h. O Centro reúne um espólio com mais de quatro mil livros (teatro, dança, dicionários, enciclopédias), cerca de mil números de publicações periódicas nacionais e internacionais, 150 exemplares de vídeos, mais de 300 dossiers fotográficos, 300 textos cénicos, entre muitos outros documentos. Neste espaço, com uma "cenografia funcional" desenhada pelo arquitecto Nuno Lacerda Lopes,

os utilizadores podem consultar documentação,

visionar filmes, beneficiar de atendimento espe- cializado e obter a reprodução de documentos.

O TNSJ desenvolveu para este Centro de Docu-

mentação uma ferramenta de pesquisa específica – o CINFO –, que procura ter em conta "não só

o rigor documental derivado das normas inter-

nacionais adoptadas, mas também a flexibilidade necessária para uma utilização nos mais diversos contextos de actuação", lê-se na página da inter- net do Centro (www.tnsj.pt/home/index-cinfo.

php).

inter - net do Centro (www.tnsj.pt/home/index-cinfo. php). Brasília “Narradores Orais” na Conferência da CPLP O

Brasília “Narradores Orais” na Conferência da CPLP

O documentário “Narradores Orais da Ilha do

Príncipe”, realizado por Ivo M. Ferreira para a Cena Lusófona, será exibido no âmbito da pro-

gramação cultural da “Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial – VI Reunião Extraordinária do Conse- lho de Ministros da CPLP”, que decorre em Bra- sília entre 25 e 30 de Março, sob a organização

do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O filme integra a Mostra DOC-Língua Portuguesa, uma das vertentes da vasta programação cultural

de São Paulo), vários espectáculos musicais (sem- pre com a participação de um artista brasileiro, em dueto com um artista de outro país lusófono)

e seis mesas redondas com a participação de es-

critores, críticos e académicos dos vários países da Comunidade. Nestes debates, serão discuti-

dos temas como “A língua portuguesa e o outro:

a convivência do português com outras línguas e

dialectos”, “A difusão da língua portuguesa na In- ternet”, “Mercados e feiras: a inserção da língua portuguesa no mundo”. Entre as personalidades convidadas estão nomes como Lídia Jorge (Por- tugal), Mário Lúcio (Cabo Verde), Paulina Chiziane (Moçambique), Luis Cardoso de Noronha (Timor- -Leste), Odete Semedo (Guiné-Bissau), Ondjaki (Angola), Waldemar Ferreira Neto (Brasil), Maria Nazaré Dias de Ceita (São Tomé e Príncipe), Abel Barros Baptista (Portugal), Carmem Tindó (Brasil), entre outros.

A Conferência Internacional sobre o Futuro da

Língua Portuguesa, recorde-se, resulta de um com- promisso assumido pelo Governo Brasileiro na

XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros

da CPLP (Praia, 20 de Julho de 2009). Esta edição

é constituída por duas partes.

A primeira, aberta ao público (25 a 27 de Março),

tem a participação de delegações governamentais

e de representantes da sociedade civil dos países

da CPLP, entre os quais académicos, escritores, jornalistas, editores, empresários e intelectuais. Nela serão debatidos temas particularmente rele-

vantes para a valorização e crescente projecção da língua portuguesa no cenário internacional, como

o reforço do ensino do Português, a sua implan-

tação em fóruns multilaterais, o estado de desen- volvimento do Acordo Ortográfico e as formas de difusão pública da língua. Na segunda parte (29 e 30 de Março), competirá

às delegações oficiais dos governos dos países da

CPLP analisar as propostas passíveis de compor um programa de acções em matéria de projecção

da língua portuguesa.Daqui sairá,espera-se,um do-

cumento a encaminhar àVI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da Comunidade (31 de

Março).

do Conselho de Ministros da Comunidade (31 de Março). Narradores Orais da Ilha do Príncipe Estreia
do Conselho de Ministros da Comunidade (31 de Março). Narradores Orais da Ilha do Príncipe Estreia

Narradores Orais da Ilha do Príncipe

Estreia Rubem Fonseca nos palcos portugueses

Na obra do escritor brasileiro Rubem Fonseca se centra a próxima co-produção entre A Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga, uma trilogia construída a partir de mais de duas deze- nas dos seus contos.A estreia está marcada para 15 de Abril, no Teatro da Cerca de S. Bernardo, Coimbra.

DR

AB

DR AB cenaberta cenas breves Rubem Fonseca – galardoado com o Prémio Camões em 2003 –

cenaberta

DR AB cenaberta cenas breves Rubem Fonseca – galardoado com o Prémio Camões em 2003 –

cenas

breves

Rubem Fonseca – galardoado com o Prémio Camões em 2003 – nasceu em Minas Gerais em 1925, mas vive no Rio de Janeiro desde os oito anos. O seu universo literário é fortemente

marcado pelo quotidiano e pela violência latente das grandes cidades, num registo em que o hu- mor negro e a trama de policial servem, afinal,

a profunda humanidade das personagens que o

habitam. Formado em Direito e com uma (curta) carreira de polícia, Rubem conviveu muito de perto com as tragédias humanas que povoam os seus textos. Vem talvez daí a sua recusa tanto em

justificar ou relativizar as diferentes formas de violência social, quanto em produzir discursos universais e moralistas: “a complexidade dos homens – dos seus comportamentos, dos seus afectos, dos seus instintos – dá-se mal com as fórmulas simples em que tantas vezes a quere- mos resumir”, sustentam os organizadores da co-produção. Adiantam que a obra de Rubem Fonseca “merece uma leitura abrangente, capaz de descobrir e dar a conhecer as continuidades, as complementaridades, os cruzamentos, os pontos de contacto entre os seus oito romances

e

Com dramaturgia e encenação de António Au- gusto Barros, o espectáculo envolve um elenco de 15 actores, entre os quais o moçambicano Rogério Boane e o brasileiro Allex Miranda, ambos ex-estagiários de acções da Cena Lusó- fona e actualmente elementos da Companhia de Teatro de Braga. Depois da temporada em Coimbra (segunda quinzena de Abril), o espectáculo viaja para o Theatro Circo, em Braga, onde fica em cena a

partir de 7 de Maio.

as várias dezenas de contos que publicou”.

de 7 de Maio. as várias dezenas de contos que publicou”. RD Rubem Fonseca Timor -
RD
RD

Rubem Fonseca

Timor-Leste Governo de Timor-Leste projecta Escola de Artes

O Secretário de Estado da Cultura de Timor-

-Leste, Virgílio Smith, através de comunicação apresentada no recente Encontro Internacio- nal sobre Políticas de Intercâmbio, anunciou o propósito de criar uma Escola deArtes no seu país.

Na referida comunicação, lida por José Amaral, representante oficial do Secretário de Estado da Cultura no Encontro, é salientada a importância do teatro para o ensino da língua portuguesa:

“o teatro pode ser uma das actividades através

das quais o ensino da língua portuguesa e o seu

correcto e total uso podem ser alcançados (

).

A expressão, a interpretação, a compreensão e

a 'reincarnação' são momentos de assimilação sistemática do português”.

Reconhecendo as carências com que também a

nível cénico o país se confronta – “em Timor- -Leste não existem grupos de teatro oficiais, escolas profissionais de teatro, nem tão pouco actores formados” – o Secretário de Estado destaca “a força de vontade dos timorenses em aprender e a força de vontade dos 'malais' (estrangeiros) em ensinar”. Neste contexto,

o Governo Timorense aprovou, em 2009, a

Política Nacional para a Cultura, “onde se inicia

o projecto de uma escola de Artes em Timor-

-Leste, bem como o contínuo empenho nas relações de cooperação internacional, em espe- cial com a CPLP”.

de cooperação internacional, em espe - cial com a CPLP”. José Amaral Deste modo, “pretende-se no

José Amaral

Deste modo, “pretende-se no ano de 2010 ini- ciar uma formação artística em teatro e música aos agentes culturais dos distritos de Timor- -Leste e aos restantes colaboradores das áreas remotas que, muitas vezes, não têm acesso a televisão nem a rádio”, assinala Virgílio Smith na sua comunicação, publicada na íntegra na versão

on-line do cenaberta.

publicada na íntegra na versão on-line do cenaberta . Portugal Espectáculo assinala 50 anos de carreira

Portugal Espectáculo assinala 50 anos de carreira de Orlando Worm

A Companhia Portuguesa de Bailado Contem- porâneo (CPBC) organiza no próximo dia 22 de Abril, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, um espectáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Orlando Worm.

Orlando Worm destacou-se como desenhador de luz para dança e teatro, sendo hoje uma das

mais prestigiadas e reconhecidas personalidades nas artes do espectáculo em Portugal, com um vasto currículo nacional e internacional. Nas- cido em Odivelas, em 1938, colaborou na ilu- minação e criou luzes para os mais diversos espectáculos – no Coliseu dos Recreios, para

o Grupo Experimental de Ópera de Câmara,

Ballet Gulbenkian, Teatro Nacional de D. Maria

II, Teatro Nacional de S. Carlos, Grupo Teatral

"Os Cómicos", Teatro da Cornucópia, Teatro

da Trindade, Teatro S. Luiz, A Escola da Noite,

Teatro Nacional da Croácia (Zagreb), entre vários outros. Foi técnico-chefe na Fundação Calouste Gulbenkian e Director Técnico do Teatro Nacional de S. Carlos, do Centro Cul- tural de Belém e do Teatro Camões.

Formador de várias gerações de técnicos e de- senhadores de luz em Portugal, Worm dirigiu até ao momento três oficinas de iluminação no âmbito das actividades da Cena Lusófona, em Moçambique (1997) e em S. Tomé e Príncipe (2002 e 2006).

A CPBC, da qual foi fundador e é actualmente

coordenador técnico, foi criada em 1998, sob Direcção Artística de Vasco Wellenkamp. Es- treou-se no Festival Internacional de Niterói, no Brasil, e tem apresentado o seu trabalho em várias cidades portuguesas, no Brasil, em Es- panha e na Alemanha. Tem actualmente como

directora artística a bailarina e figurinista Liliana Mendonça.

O espectáculo tem entrada livre. As reservas

devem ser feitas através do mail isabel.worm@

sintraquorum.pt.

ser feitas através do mail isabel.worm@ sintraquorum.pt. Galiza Revista Galega de Teatro destaca teatro português
ser feitas através do mail isabel.worm@ sintraquorum.pt. Galiza Revista Galega de Teatro destaca teatro português

Galiza

Revista Galega de Teatro destaca teatro português

Recentemente publicado , o n .º 61 da Revista Galega de

Teatro ( RGT) dá forte protagonismo à actividade teatral em

l í ngua portuguesa .

Para além da reportagem sobre o Encontro Internacional sobre Políticas de Inter- câmbio, destaque para o artigo de Rui Ângelo Araújo (programador do Teatro de Vila Real) e para a cobertura do Festival Internacional de Teatro de Almada (FITA), através dos artigos de Manuel Sesma e Antón Lamapereira. O primeiro ensaia uma definição do teatro português, “entre e paixão pela palavra e a procura de novos estilos”, enquanto Lamapereira analisa um dos espectáculos que marcou a mais recente edição do FITA: “Dieu comme patient”, encenado por Mathias Langhof.

O número inclui ainda várias comunicações apresentadas na mesa redonda orga-

nizada pela Escola Superior de Artes Dramaticas de Galiza, com o tema “Reperto- rios e creación de públicos”. Ánxeles Cuña Bóveda, directora do Sarabela Teatro, uma das participantes, assinalou as dificuldades do sector, as estratégias a adoptar e os principais projectos em curso no seu grupo.

Como habitualmente,a RGT prossegue com a publicação de uma peça de teatro.De-

sta vez,a escolha recaiu sobre a dramaturga do Québec,Suzanne Lebeau,com o texto

“O Ogrocho”. Dirigida por Antón Lamapereira e editada pela associação “Entre Bambalinas”, a

Revista Galega de Teatro publica, desde 1995, informações sobre teatro e dança

na Galiza e dedica uma atenção particular às artes cénicas no universo da língua

portuguesa.

e dança na Galiza e dedica uma atenção particular às artes cénicas no universo da língua
Março 2010 Quatro ensaios para uma política teatral Editado pela Cotovia no fi nal de

Março 2010

Março 2010 Quatro ensaios para uma política teatral Editado pela Cotovia no fi nal de 2009,

Quatro ensaios para uma política teatral

Editado pela Cotovia no nal de 2009, “ Quatro ensaios à boca de cena ”, de Fernando Mora Ramos , Am é rico Rodrigues , Jos é Luí s Ferreira e Manuel Portela , com prefá cio de Jos é Gil , d á um relevante contributo para a discuss ã o sobre as pol í ticas culturais em Portugal , salien - tando a centralidade da cria çã o art í stica e dissecando o que tem sido ( e o que pode ser ) a actua çã o do Estado nesta mat é ria . A internacionaliza çã o , em particular no espa ç o da lusofonia , é um dos aspectos em an á lise .

Partindo das suas experiências profissionais, os autores reflectem sobre o papel da criação artística, começando por elencar vários equívocos da política cultural em Portugal: a desvalorização da figura da companhia de teatro (e do seu papel de transmissão intergeracional, de formação, de contexto e de “fermento” para a inovação), a desconsideração das diferenças entre projec- tos profissionais de criação artística e projectos de animação cultural (F. M. Ramos); a ficção que é a “Rede de Teatros” do país, face à falta de condições orçamentais e de critérios que definam a sua missão de serviço público (A. Rodrigues); a valorização absoluta dos “cruzamentos disciplinares” em detri- mento do aprofundamento de e em cada área artística (J. L. Ferreira); e “a ab-

sorção das práticas artísticas no conjunto das indústrias culturais”, que implica

“a erosão da [sua] função crítica e emancipatória” (M. Portela).

Neste contexto, avançam algumas propostas concretas. Encenador e direc- tor do “Teatro da Rainha”, Fernando Mora Ramos defende a criação de “uma primeira rede de serviço público teatral”, assegurando a cobertura da glo-

balidade do território nacional. Sugere a identificação de um conjunto de 12

a 15 “regiões dominantes”, onde, com as estruturas de criação aí sedeadas

as autarquias, sejam instalados “pólos culturais determinantes” que funcio- nem como “um factor de dinamização geral”. Algo de que se aproxima José Luis Ferreira, coordenador do Departamento de Relações Internacionais do Teatro Nacional de S. João, ao sugerir “um domínio público de estruturas de criação e difusão com pólos de excelência e uma vocação de cobertura territo- rial”, complementada com a criação de “núcleos mistos” espalhados pelo país –“teatros de dimensão municipal, com projecção regional e ambição nacio- nal e internacional”. O director do Teatro Municipal da Guarda, Américo Rodrigues, salienta a necessi- dade de que Governo e autarquias assumam as suas responsabilidades no financiamento dos principais teatros do país “de forma solidária”. Manuel Por- tela, ex-director do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, reivindica uma atenção particular “à natureza e à qualidade artística” das propostas e à “qualidade da gestão específica” de cada projecto. Quanto à internacionalização, Mora Ramos escreve que ela permanece dominada pelo “pára-quedismo circunstancial e a acentuação dos factores efémeros”

e condenada, por isso, “à inconsequência precária

e

e condenada, por isso, “à inconsequência precária e do fortuito”: o que faz mais sentido, defende,

do fortuito”: o que faz mais sentido, defende, é o “desenvolvimento de intercâmbios regulares nos territórios em que o português se fala”. A efectiva internacionalização só será conseguida “num quadro gerador de regularidades e quando a troca é real, isto é, quando a percepção que [os meus anfitriões] tenham do teatro português corresponda a um de- sejo real de o conhecer e que portanto se gerem projectos específicos, um intercâmbio franco e afectivo baseado nas surpresas das línguas, na universali- dade do teatro e na concretização de relações reais, interpessoais e projec- tuais”. No prefácio do livro, José Gil revela-se optimista: “ouso esperar que, depois da sua recepção pública, nada será como dantes no mundo do teatro”. Para

todos aqueles que têm tentado forçar a porta de um debate sempre recusado, este optimismo talvez pareça exagerado. Mas nem por isso ele deixa de ser necessário.

A par do trabalho diário que vamos fazendo, ele é, aliás, tudo o que nos resta.

que vamos fazendo, ele é, aliás, tudo o que nos resta. Pedro Rodrigues |\||||\ na estante

Pedro Rodrigues

|\||||\ na estante
|\||||\
na estante

Últimas aquisições do Centro de Documentação e Informação da Cena Lusófona

A Cidade: uma trilogia

Lula Anagnostáki, Colecção Livrinhos de Teatro da

Cotovia / Artistas Unidos, 2008.

A

celebração do dia: 365 textos: Programa

de

Rádio Cultura FM

Cyro del Nero. Theatron, 2008.

A dança dos encéfalos acesos

Maira Spanghero. São Paulo: Itaú Cultural, 2003.

A Luta dos grupos teatrais de São Paulo

por políticas públicas para a cultura: os cinco primeiros anos da Lei do Fomento ao

Teatro

Iná Camargo Costa e Dorberto Carvalho. São Paulo:

Cooperativa Paulista de Teatro, 2008.

Agosto em Osage Tracy Letts. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Qui- mera, cop. 2008.

Auto da Geração Humana Gil Vicente [adapt. António Lopes Ribeiro]. Lisboa:

Teatro Nacional D. Maria II, [imp.1978].

B. B. Bestas Bestiais

Virgílio Almeida. Colecção Teatro Contemporâneo. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II, 2007.

Blackbird

David Harrower. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II /

Ed. Bicho do Mato, 2005.

Bloco mágico e lua e outros poemas Armindo Bião. Salvador: P&A Gráfica e Editora, 2008.

Cenas Suspensas: Teatro de Marionetas do

Porto

Ângelo Fernandes [concepção e ed. Gráfica]. Porto:

Campo das Letras / Festival Internacional de Expressão Ibérica, 2006.

Colônia Cecília (Um pouco de ideal e de po- lenta) Renata Pallottini. Ed. Achiamé, cop. 2001.

D. João ou o Banquete de Pedra

Molière [trad. Nuno Júdice]. Colecção Campo do Teatro. Porto: Campo das Letras, 2006.

Derivas: Conferências do Departamento

de Línguas e Culturas – Universidade de

Aveiro

António Manuel Fereira e Paulo Alexandre Pereira

[coord.]. Aveiro: Universidade de Aveiro, 2006.

Derivas: Conferências do Departamento de Línguas e Culturas – Universidade de

Aveiro

António Manuel Fereira e Paulo Alexandre Pereira [coord.]. Aveiro: Universidade de Aveiro, 2007.

Ego: um ensaio em teatro Mick Gordon e Paul Broks. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Quimera, cop. 2006.

Elinga Teatro - Performances do Teatro Angolano: Kimpa Vita e outras cenas José Mena Abrantes. Luanda: Nandyala, 2009.

Etnocenologia e a cena baiana: textos reu-

nidos

Armindo Bião. Salvador: P&A Gráfica e Editora, 2009.

Harper Regan Simon Stephens. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Quimera, cop. 2008.

Húmus 3 Sigrid Nora [org.]. Caxias do Sul: Lorigraf, 2007.

José Cayolla: um aristocrata do teatro Jorge Ribeiro. Porto: Campo das Letras / Festival In- ternacional de Expressão Ibérica, 2008.

Menina Júlia: tragédia em um acto August Strindberg. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Quimera, 2009.

O ano do pensamento mágico

Joan Didion. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Bi- cho do Mato, cop. 2007.

O Café

Carlo Goldoni [trad. Isabel Lopes e Fernando Mora Ramos]. Colecção Teatro Nacional São João. Porto, Campo das Letras, 2008.

O Camareiro

Ronald Harwood. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II

/ Quimera, cop. 1980.

O Cerejal: Comédia em quatro actos

Anton Tchékhov [trad. António Pescada]. Colecção

Teatro Nacional São João. Porto: Campo das Letras,

2007.

O Palco da Ilusão

Miguel Ângelo Coso Marín, Juan Sanz Ballesteros e David Castetillejo. Porto: Campo das Letras / Festival

Internacional de Expressão Ibérica, 2007.

O que é dramaturgia

Renata Pallottini. Ed. Brasiliense, 2005.

O Saque

Joe Orton [trad. Luísa Costa Gomes]. Colecção Cam- po do Teatro. Porto: Campo das Letras, 2007.

Os vivos, o morto e o peixe-frito Ondjaki. Nova Expansão, 2009.

Platónov: Peça em quatro actos Anton Tchékhov [trad. António Pescada]. Colecção

Teatro Nacional São João. Porto: Campo das Letras,

2008.

Próximo ato: questões de teatralidade con-

temporânea

Fátima Saadi e Silvana Garcia [org.]. Itaú Cultural,

2008.

Quatro ensaios à boca de cena: para uma política teatral e da programação Fernando Mora Ramos et al. Lisboa: Cotovia, 2009.

Recriações: A tragetória do Mambembe - Música e Teatro Itinerante Neide das Graças de Souza Bortolini et al. [org.]. Ouro Preto: Universidade Federal de Ouro Preto, 2009.

Teatro de cordel e formação para a cena:

textos reunidos Armindo Bião. Salvador: P&A, 2009.

Teatro O Bando: Afectos e reflexos de um

trajecto

João Brites [dir.]. Palmela: Cooperativa de Produção Artística Teatro de Animação O Bando, 2009.

Vermelho Transparente Jorge Guimarães. Colecção Teatro Contemporâneo. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II, 2007.

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS (Números mais recentes)

ARTEFILOSOFIA. Ouro Preto: Instituto de Filoso- fia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, n.º 7 (Out. 2009).

Artistas Unidos [dir. Jorge Silva Melo]. Lisboa: Ar- tistas Unidos, n.º 23 (Jun. 2009).

Cadernos do GIPE-CIT Salvador: Programa de Pós-Graduação em Artes Cénicas / Escola de Teatro – Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, n.º 23 (2009).

Camarim São Paulo: Cooperativa Paulista de Teatro, n.º 44 (2.º sem. 2009).

Folhetim Teatro do Pequeno Gesto, n.º 28 (2009).

Ouvir Ou Ver Uberlândia: Departamento de Músi- ca e Artes Cénicas da Faculdade de Artes, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade de Uberlândia, n.º 4

(2008).

RGT – Revista Galega de Teatro [dir. Antón Lamapereira]. Pontevedra: A. C. “Entre Bambalinas”, n.º 61 (Inv. 2009).

Sinais de Cena Lisboa: Associação Portuguesa de Críticos de Teatro / Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa, n.º 2 (Dez. 2009).

Vinte e um por vinte e um [dir. Jorge Louraço Figueira]. Porto: Escola Superior Artística do Porto, n.º 1 (2006).

AUDIOVISUAL

Cartografia: Rumos Itaú Cultural Dança 2006 / 2007 São Paulo: Itaú Cultural – Núcleo de Artes Cénicas,

2007 [inclui um DVD com entrevistas a artistas / con-

vidados, um DVD Videodança e 5 DVD’s de obras co- reográficas].

Cenas de uma tarde de verão Música e arranjos de Carlos Zíngaro. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II / Ministério da Cultura, cop. 1997 [CD-ROM].

O Leque de Lady Windermere

Óscar Wilde. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II, cop.

1993 [CD-ROM].

O Leque de Lady Windermere Óscar Wilde. Lisb oa : Teatro Nacional D. Maria II, cop.
cenaberta Março 2010 ROSTOS DA CENA Odete Môsso O teatro come ç ou por ser

cenaberta

cenaberta Março 2010 ROSTOS DA CENA Odete Môsso O teatro come ç ou por ser brincadeira

Março 2010

cenaberta Março 2010 ROSTOS DA CENA Odete Môsso O teatro come ç ou por ser brincadeira

ROSTOS DA CENA

Odete Môsso

O teatro come ç ou por ser brincadeira de menina para se transformar numa

s é ria op ç ã o de vida . É deste trajecto , deste seu trajecto , que a actriz Odete

M ô sso fala ao cenaberta . A hist ó ria contada em discurso directo come ç a

em Cabo Verde na ilha da Boavista , transita para S . Vicente , para o Sal , mais tarde ancorou em Portugal . E continua .

Nasci em S.Vicente,mas até aos cinco anos vivi em João Galego, na ilha da Boavista. João Galego é uma pequena vila no interior da ilha e, como não havia luz eléctrica, à noite as crianças juntavam-se à porta da nossa vizinha, Ti Mimi, a ouvir histórias. Lembro-me de andar sempre agarrada às saias de uma amiga mais velha, Zenaida, e vim a saber pela minha mãe que a Zenaida e a minha prima, Mana Titi, faziam teatro. Pode ser que venha daí o meu gosto de brincar ao teatro.

ptistaBaAugusto
ptistaBaAugusto

Em S.Vicente preparava peças com a ajuda da minha avó, mãe da minha mãe, e representava na minha casa para os meus colegas.A estrutura da casa,com uma marquise aberta para um jardim, ajudava os meus intentos. Usava

o interior da casa como bastidores,a marquise com uma

cortina era o palco e,no quintal,em cadeiras,sentava-se

o público.Toda a família participava, sobretudo a minha

avó: preparava a roupa e fazia-me os caracóis, para eu ficar parecida com as princesas das minhas histórias. Na escola primária não aconteceu nada ligado a teatro. Mas,quando fui para o quinto ano,tinha uma professora que resolveu organizar uma peça de teatro.Eu fazia par-

te do grupo,fiz a peça e adorei.Depois houve uma altura

em que me dediquei à dança: ensaiava e representava

com os colegas nos terraços e nos quintais das casas. No liceu, organizei um grupo e representávamos na sala dos Salesianos. O grupo chamava-se “Os Acadé- micos”: era eu, o Hermes, o Costa, a Salete, a Inês…

A primeira peça foi um sucesso. O texto era de um

livro antigo da escola primária, daqueles que tinham histórias da cegonha e do lobo, muita moral. Depois fizemos outra peça: “As Feras”, drama em um acto de Manuel Laranjeira. Também correu bem e acabámos por fazer uma versão filmada, no tribunal de S.Vicente, com a televisão cabo-verdiana. Houve ainda uma outra tentativa, associada às comemorações do dia do liceu, que correu mal. As actividades foram no ginásio, toda a gente estava à espera duma banda, nós a lutarmos contra o barulho… Entretanto acabei de estudar, saí de S.Vicente e fui para Espargos, ilha do Sal, dar aulas. Tinha alunos da minha

idade ou até mais velhos. Com os meus alunos tentei algumas experiências,fizemos apresentações de danças, não de teatro.

Voltei para S.Vicente, mas logo parti para a Suécia. Na altura queria fazer Belas-Artes.Não correu como espe- rava e voltei para casa. Isto foi em 1992. Pouco depois

o Manuel Estevão, que pertenceu ao grupo teatral “Os

Alegres”, convidou-me para trabalhar com ele poemas

de autores cabo-verdianos. Mais tarde, também ele me

convidou para participar na peça “Sofias”, do Centro Cultural Português. Também por essa altura, integro “AsVirgens Loucas”,espectáculo encenado no Mindelo pelo Cândido Ferreira, no âmbito da acção da Cena Lusófona. Este trabalho com o Cândido foi muito importante.To- mei consciência das minhas insuficiências.É depois disto

que se abre a possibilidade de eu e a Sílvia Lima integrar- mos o Estágio Internacional deActores,promovido pela Cena Lusófona em Portugal, no final de 1997.

A

primeira fase do estágio passei-a em Lisboa, com

o

Rogério de Carvalho e também com os ateliers no

Teatro Trindade. Aí fizemos “A Fronteira”. Depois, com

o encenador José Caldas, em Coimbra, preparámos e

representámos “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Ro- drigues. A terceira parte do Estágio foi em Lisboa, na EXPO, com o projecto “Olharapos”.

O Estágio foi um tempo de efervescência criativa, com

gente vinda de todos os lados da lusofonia. Para além

do que aprendi durante o estágio, tomei consciência de

que precisava de uma aprendizagem mais estendida no tempo e mais sistematizada, o que só numa escola de teatro seria possível. Decidi tirar um curso de teatro, mas não numa escola qualquer: queria ser aluna do Ro- gério de Carvalho.Na altura,ele dava aulas naAcademia Contemporânea do Espectáculo e eu pus as minhas coisas na mala e vim para o Porto. Eu e a Sílvia Lima.

Terminei o curso em 2001, mas a prova final só a fiz em 2002. Para realizar a prova simplificava ter um grupo

e eu também queria trabalhar textos lusófonos. No

Porto, dos grupos que eu conhecia, ninguém fazia esse trabalho. E assim surgiu a associação Burbur: eu, a Sílvia Lima, o João Paulo, o Flávio Hamilton, o César e, mais tarde, o Rui Duarte.A nossa prova de fim de curso foi a primeira peça da Burbur:“As Águas”, a partir de Chi- quinho Baltazar Lopes.Depois dessa peça já fizemos“O Intruso”, o “Capitão Ambrósio” e “O amoroso em Três

Partes”. Além do teatro, trabalhamos outros projectos:

de vídeo, de rádio, de literatura, em que a Burbur se relaciona com organizações, centros de estudos das faculdades, instituições privadas e estatais, ligadas às artes ou às letras.

A Burbur é um claro exemplo da influência da Cena

Lusófona no meu trabalho. Todo o projecto Burbur, centrado na intervenção teatral e cultural, eu acho que corresponde ao que a Cena queria que surgisse: uma prática multiplicada e multiplicadora, protagonizada por muitos interventores na lusofonia. Quando a Cena faz Estações, Estágios, quando envolve tanta gente na formação, no fundo está a propor que os destinatários originem novos desenvolvimentos, promovam novos intercâmbios teatrais no seio da lusofonia, também

para que essas iniciativas possam reverter em favor dos nossos países de origem.

E é muito isso que eu procuro fazer.Toda a acção que

desenvolvo dentro da Burbur, a lusofonia, a ligação de Cabo Verde com Portugal, Moçambique, Brasil, Angola, Guiné-Bissau, Timor, S. Tomé e Príncipe, exprime in- fluências da Cena e traduz-se em retorno favorável ao seu programa. Há aqui um dar e receber continuado e

recíproco, que não está terminado, que prossegue.

e recíproco, que não está terminado, que prossegue. Texto de Augusto Baptista , com base em

Texto de Augusto Baptista , com base em conversa com Odete M ô sso, no Porto .

Odete Môsso (S.Vicente,CaboVerde,1970) além das capacida-

des técnico-profissionais alcançadas por via da prática teatral e dos muitos estágios e workshops em que participou, cursou Interpretação na Academia Contemporânea do Espectáculo (Porto) e é licenciada em Ciências Psicológicas (Universidade do Porto). Com diversas participações em televisão e cinema, centra no teatro a sua actividade principal.“AsVirgens Loucas” (encenação de Cândido Ferreira), “Sofias” (encenação de Lambert Carrozi), “O Beijo no Asfalto” (encenação de José Caldas),“A Fronteira”,“Cais Oeste”,“TioVânia”,“Os Negros” (encenação de Rogério de Carvalho),“As Águas” (encenação

de José Carretas),“Pioravante Marche” (encenação de Joana

Providência), “O Intruso” (encenação de Rui Duarte) são

algumas das peças que protagonizou. Actualmente frequenta

o mestrado em Estudos Literários Culturais e Interartes

(Faculdade de Letras, Universidade do Porto). Preside à

Associação Burbur.

Estudos Literários Culturais e Interartes (Faculdade de Letras, Universidade do Porto). Preside à Associação Burbur .