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Art. 37 ....

Ele fala em fundações, associações e sociedade, e podemos entender como pessoa jurídica de direito privado.

Esse artigo quer dizer que essas pessoas jurídicas poderão figurar no pólo ativo de ação penal. Mas como a pessoa jurídica é uma ficção jurídica, ela terá de ser representada por uma pessoa natural que com ela tenha ligação.

Quem a representará na ação penal?

Aquela pessoa que o contrato ou estatuto disser, ou se não disser nada, pelos seus diretores ou sócios-gerentes.

Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.

Esse artigo trata da decadência do direito de queixa ou representação, que, se operada, gera a extinção da punibilidade (art. 107, IV, do CP).

O ofendido sofre a decadência da queixa; e o representante legal sofre a decadência da representação.

A decadência é de 6 meses, que são contados de 2 momentos:

- do dia em que se sabe quem é o autor do crime;

- no caso da ação privada subsidiária, contados do dia em que se esgotar o prazo para oferecer denúncia.

#Esse prazo de 6 meses é contado com base no art. 10 do CP.

Ex: “A” foi preso em flagrante em 4 de maio. Até o dia 13 é preciso terminar o inquérito (10 dias). A partir do dia 14 se inicia o prazo de 6 meses para a ação penal privada subsidiária.

Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31.

Esse artigo só veio alertar que o prazo decadencial de 6 meses também se aplica ao CADI, tanto para representá-lo na propositura da ação quanto para continuar uma ação penal já em curso.

Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial.

Essa representação de que trata o artigo é a representação da ação penal pública condicionada.

Quando se fala em ação penal condicionada, a dúvida que fica surge é como ocorre o procedimento da representação, e esse artigo vem nos explicar.

Primeiro de tudo é que a representação, ou seja, a manifestação de vontade de ofendido de ver o infrator ser processado, é um direito.

O CPP acabou sendo maleável e deixou que esse direito fosse exercido não só pelo ofendido, pessoalmente, mas por procurador com poderes especiais.

Ex: advogado. Ele deve receber uma procuração com cláusula “

...

poderes para

oferecer representação à ação penal

...

”.

A forma da representação pode ser escrita ou oral, tanto pelo ofendido como pelo procurador.

Outra coisa é que o CPP facilitou o destinatário da representação. Ele não se limitou apenas à autoridade policial, que vai num primeiro momento ter contato com a investigação dos fatos.

Ele deixou que o direito de representação fosse exercido perante o juiz, o MP ou a autoridade policial.

§ 1 o A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida.

Esse § 1º é do texto original do CPP e acaba complicando as coisas. Ele fala em assinatura autenticada, o que dá a entender que será preciso reconhecer firma em cartório.

Talvez essa norma seja paradoxal se comparada com o caput, que tenta facilitar as coisas. Mas como não foi revogado, presume-se válido.

Se o ofendido comparecer à delegacia para exercer o direito de representação de forma oral, o teor de sua manifestação será reduzido a termo, a fim de garantir uma segurança tendo um documento escrito.

Se então ele apresenta representação escrita, mas não coloca sua assinatura ao final autenticada, ou do representante legal ou procurador, o teor do documento também será reduzido a termo.

Esse documento reduzido a termo deverá ser feito perante o juiz ou autoridade policial, e o Ministério Público atuará como fiscal do ato caso o ofendido tenha apresentado a ele a representação.

§ 2 o A representação conterá todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria.

Essa representação é como se fosse uma petição. Portanto, nela tem que constar as informações necessárias para que a investigação apure melhor os fatos e o autor da infração penal.

Isso tem que ser apresentado de forma clara, para que não recaia investigação em pessoa inocente.

- Apuração do fato: aconteceu isso na rua X, no horário Y, no bairro Z etc. - Autor da infração penal: uma pessoa de cabelos brancos, alto, magro, sério etc. § 3 o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à autoridade que o for.

Assim

que

o

ofendido,

seu representante ou procurador oferecer a

representação, ou esta for reduzida a termo, a autoridade policial irá abrir o inquérito. Se o caso não for de competência daquela autoridade policial, a representação será remetida à autoridade competente. Ex: tráfico interestadual de drogas – a representação vai para a polícia federal.

§ 4 o A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito.

Uma coisa que se deve deixar clara é que o juiz não investigada nada; ele só julga.

Mas mesmo assim o CPP trouxe a previsão de apresentação de representação perante o juiz.

Assim que o juiz recebe a representação, ele a remete para autoridade policial abrir o inquérito e apurar os fatos e a autoria.

O CPP só quis facilitar o acesso do ofendido às investigações penais.

§ 5 o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.

Como a doutrina diz muito, o inquérito policial é dispensável caso haja materialidade e indícios suficientes de autoria.

Se na representação o ofendido oferecer os elementos que já possibilitam a propositura da ação penal, o MP vai dispensar o inquérito, pois não há mais o que investigar.

Assim que o MP receber a representação, ele oferecerá a denúncia em 15 dias.

Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia.

Esse artigo trata da situação na qual um juiz ou um tribunal conhece de uma situação que se constitui em crime de ação pública, incondicionada ou condicionada; o artigo fala do gênero, sem distinção.

Ex: em mais um dia de expediente forense, o juiz está em seu gabinete proferindo despachos e sentenças em seus montes de processos e se depara com um fato suspeito, como por exemplo, assinatura falsa de advogado.

Assim, a primeira pessoa que o juiz terá de lembrar é o Ministério Público. Sabendo desse fato, ele remeterá ao MP cópias e outros documentos necessários para a apuração desse crime, sob pena de responsabilidade funcional.

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

A denúncia e a queixa são as peças inaugurais da ação penal. É como se fosse a petição inicial do processo.

Ela vai ser a principal peça do processo, que vai nortear a atuação do juiz, da própria acusação e da defesa.

Nela deve conter:

  • - exposição do fato e suas circunstâncias: como aconteceu, quando aconteceu, quais as consequências disso etc.

  • - qualificar o acusado: isso vai ajudar a identificar a pessoa envolvida no crime, a fim de evitar a imputação de acusação em pessoa inocente.

  • - ou esclarecer outra forma de identificar o acusado: caso o MP ou ofendido tenha dificuldade em indicar o acusado, ela vai indicá-lo por outras formas (ex:

cor da pele, altura, peso, cor do cabelo).

  • - classificação do crime: é um furto, um roubo, uma receptação? É preciso detalhar. Se houver erro na classificação, isso não prejudicará a denúncia.

  • - rol de testemunhas quando necessário: quando no fato houve pessoas que

presenciaram o fato, é importante que as testemunhas sejam arroladas para posteriormente serem ouvidas.

Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir da ação penal.

O princípio que está por trás deste artigo é o da indisponibilidade, não podendo o MP desistir da ação penal.

Isso não impede que o MP peça a absolvição do acusado, recorra a teu favor ou impetre habeas corpus.

O que não pode é o MP desistir da ação penal, e por consequência, desistir de um recurso interposto.

Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal.

A queixa pode ser oferecida por quem tenha procuração. Ex: advogado. O advogado deve ter em mãos procuração com poderes específicos para oferecer a queixa, como manda o art. 44.

Nessa procuração devem constar o nome do querelante (ofendido) e o fato criminoso, em regra geral.

Na procuração só não vai ser preciso mencionar o fato criminoso se esse esclarecimento depender de diligências a serem requeridas perante o juiz.

OBS:

não

é

o nome do querelado que deve constar; é o do querelante,

do

ofendido.

 

Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos subsequentes do processo.

Pode parecer absurdo, mas não é. Isso serve para corrigir eventuais falhas na peça de acusação do querelante.

No caso do art. 29 do CPP, nas ações penais privadas subsidiárias é perfeitamente coerente que o MP intervenha nos autos, não só para aditar a queixa, mas até mesmo para tomar frente no caso.

Mas aqui, por estar em jogo um assunto mais delicado, o MP, como atuante específico do processo penal, virá para verificar se está tudo certo na queixa- crime.

Então, mesmo quando a ação privada for privativa do ofendido, o MP pode aditar e intervir em todos os termos subsequentes à queixa.

Em resumo, o MP pode:

  • - aditar a queixa

  • - intervir nos termos subsequentes da queixa.

Há uma discussão na doutrina sobre este artigo. Na hipótese de ação penal privada, o MP figura como custos legis, e o aditamento se limita a corrigir eventuais vícios formais da queixa.

Então, quando o MP vai aditar essa queixa, obviamente ele não pode querer incluir mais réus.

Isso porque o que rege a ação penal privada é o princípio da oportunidade, e o MP não pode substituir a vontade do ofendido.

Porém, a doutrina trabalha com a hipótese da omissão do querelante: e se o querelante deixou de incluir um dos réus na queixa-crime?

É preciso analisar se essa omissão foi voluntária ou involuntária.

Se a omissão do querelante é voluntária: há renúncia tácita do direito de ação, que se estenderá aos co-autores e partícipes. Ou seja, ninguém vai responder por nada, devido ao princípio da indivisibilidade.

Pelo princípio da oportunidade ou conveniência, o querelante pode optar se vai oferecer ou não a queixa-crime.

Agora, se ele optar por oferecer, ele deve incluir todos os agentes da infração penal, por conta do princípio da indivisibilidade. Ele não pode escolher um e livrar outros.

Se a omissão do querelante é INvoluntária: o MP vai pedir a intimação do querelante para a inclusão dos outros réus por meio de aditamento.

Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos.

Esse artigo vai tratar do prazo que o MP tem que observar para oferecer a denúncia.

Se o réu estiver preso, sua liberdade de locomoção está prejudicada, logo, o prazo é pequeno para oferecer a denúncia: 5 dias.

Esse prazo de 5 dias vai contar da data em que o MP receber o inquérito policial no órgão. Assim que receber já começa a contar o prazo, pois a data do termo de vista pessoal já é o início do prazo.

Se cair em final de semana ou feriado, haverá prorrogação para o dia útil seguinte.

Se passar esse prazo de 5 dias e o MP não oferecer a denúncia, haverá constrangimento ilegal, devendo o réu ser solto.

Já se o réu estiver solto ou tiver pago a fiança, o prazo é de 15 dias para o MP oferecer a denúncia. E esse prazo também será contado do recebimento do inquérito.

O artigo ainda diz no final

que

se

o

réu estiver

solto ou afiançado e

o MP

precisar devolver o inquérito para a autoridade policial

a

fim

de novas

diligências, o prazo de 15 dias será contado quando o MP receber os autos

novamente.

Ou seja, não vai ser contado quando o MP enviar o inquérito para autoridade. Não faz sentido essa interpretação.

§ 1 o Quando o Ministério Público dispensar o inquérito policial, o prazo para o oferecimento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a representação.

Como o inquérito policial é dispensável, o MP pode oferecer denúncia se tiver em mãos elementos de materialidade e indícios suficientes de autoria.

Nesse caso, o MP vai contar o prazo do recebimento das peças de informação ou da representação.

O que são peças de informação? São documentos que não fazem parte do inquérito. Ex: investigação feita pelo próprio MP.

Nesse caso, a materialidade e os indícios suficientes de autoria estão contidos nessas peças de informação, e são elas que vão lastrear a ação penal.

Outro caso é a representação. Quando o MP receber a representação do ofendido, é daí que se o conta o prazo para oferecer a denúncia.

É a mesma coisa do art. 39, § 5º, do CPP.

§ 2 o O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo.

O MP tem a faculdade de poder aditar a queixa, podendo fazer no prazo de 03 dias contados do dia em que receber os autos.

Se o MP se mantiver inerte dentro dos 03 dias, entende-se que ele não tem o que aditar e o processo segue normalmente.

Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que devam ou possam fornecê-los.

Essa é uma regra que não é muito usada na prática, pois pra tudo o MP pede para o juiz, que profere decisão determinando a providência.

O MP tem o poder de requisitar diretamente para qualquer autoridade ou funcionário documentos complementares ou novos elementos de convicção para se juntar aos autos.

O MP irá fazer uma análise da conveniência e oportunidade quando é dito que ele irá julgar necessário maiores esclarecimentos.

Julgando-os necessário, ele deve requisitar as autoridades para obter aquilo que será importante para embasar a ação penal.

Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade.

O artigo trata do princípio da indivisibilidade, segundo o qual a vítima deve propor a ação penal privada contra todos os agentes da infração penal.

Se a vítima escolhe alguns infratores apenas, estará renunciando ao direito de ação contra os outros, o que implicará na extinção da punibilidade de todos os agentes, até mesmo aqueles que ela escolheu processar.

Por que isso? Porque o legislador quis evitar o sentimento de vingança da vítima em querer punir alguns e outros não.

Além de que não querer processar alguns dos infratores pode gerar suspeita de recebimento de dinheiro para seu favorecimento, o que é inaceitável.

Nas

ações penais privadas, o MP

indivisibilidade.

irá atuar como fiscal do princípio da

Sendo assim, poderia o MP aditar a queixa no lugar da vítima caso ela não incluísse todos os infratores na ação?

Nestor Távora e Nucci dizem que o MP deve pedir ao juiz que intime a vítima para fazer o aditamento.

Já Tourinho Filho entende que é possível, sim, o MP aditar no lugar da vítima. Mas veja: o princípio da indivisibilidade só será aplicado, com a consequente renúncia do direito de ação, quando o autor deliberadamente não incluir todos os infratores na ação privada. Se o autor não incluir algum por desconhecê-lo, por exemplo, não haverá ofensa ao princípio da indivisibilidade. Foi o que o STJ diz, no HC 34.764:

“A impossibilidade de inclusão no pólo passivo da demanda, em razão do desconhecimento por parte da querelante de outros envolvidos na conduta tida como delituosa, afasta eventual ofensa ao princípio da indivisibilidade da ação penal”.

um

caso

também

no

STF

onde

houve

ofensa

ao

princípio

da

indivisibilidade quando a vítima incluiu apenas um dos autores da ofensa.

O caso envolvia a coluna jornalística do jornalista Ricardo Boechat, que acabou proferindo palavras que ofenderam a honra da vítima.

Na ação privada, foi incluído no pólo passivo apenas o jornalista Boechat, sem incluir outras duas pessoas responsáveis pela coluna.

O caso chegou ao STF, que reconheceu a renúncia ao direito de queixa quanto a estes dois autores, e foi certificada a extinção da punibilidade contra todos eles (HC 88.165/RJ).

Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá.

É a ideia já apresentada: se houve a inclusão de apenas alguns infratores no pólo passivo da queixa-crime de modo deliberado, significa que a vítima está renunciando ao direito de ação, o que resulta na extinção da punibilidade de todos os réus.

Isso porque a renúncia em relação a um autor do crime a todos se estende. Ou todos se dão bem, ou todos se dão mal.

É a chamada extensabilidade da renúncia, nos dizeres de Noronha.

Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.

A renúncia deve ser expressa e colocada em declaração escrita. Se admite ainda que esse direito de renúncia seja exercido pelo representante legal ou procurador do ofendido, desde que tenha poderes especiais para tanto. O ato de renúncia é unilateral e independe da vontade do ofensor.

Embora o artigo fale apenas em renúncia expressa, é válida também a renúncia tácita, que se verifica com gestos da vítima em não ter interesse em prosseguir com ação penal.

Ex: reconciliação com o ofensor.

No caso Boechat também houve renúncia tácita quanto aos outros dois jornalistas.

A Lei 9.099/95, no seu art. 74, parágrafo único, traz uma interpretação de que a composição civil automaticamente geraria a renúncia ao direito de queixa.

Em relação a este artigo da 9.099, o Ministro do STJ Raul Araújo decidiu monocraticamente no AREsp 367.221/SP que o contrário não é possível: no caso houve renúncia ao direito de queixa, mas a indenização por danos morais se manteve.

Outra disposição parecida com essa é o art. 104, parágrafo único, do CP, que diz, na parte final:

Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime.

Parágrafo único. A renúncia do representante legal do menor que houver completado 18 (dezoito) anos não privará este do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o direito do primeiro.

Esse artigo encontra-se tacitamente revogado porque o maior de 18 anos é absolutamente capaz, conforme o CC. O STF chegou a editar a Súmula 594, que também não tem mais aplicação:

“Os

direitos

de

queixa

e

de

representação

podem

ser

exercidos,

independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal”.

Essa súmula e esse parágrafo deve ser lido com o art. 34 do CPP, que diz que se o ofendido for menor de 21 e maior de 18, a queixa pode ser exercida por ele ou seu representante.

A súmula 594 foi redigida na década de 70 e levava em consideração essa idade.

Então, como havia essa legitimidade concorrente, a renúncia feita pelo representante legal da pessoa entre 18 e 21 anos não excluirá o seu direito de queixa.

Da mesma forma que a renúncia feita pela pessoa entre 18 e 21 não prejudicava o direito de queixa do representante legal.

Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.

Perdão é ato de benevolência da vítima que implica na desistência da ação penal privada.

Quando a vítima oferece o perdão a um dos querelados, esse perdão aproveita a todos, a não ser que algum querelado recuse.

Diferente da renúncia, o perdão é ato bilateral e depende da concordância do réu.

OBS: o perdão JUDICIAL não depende da concordância.

O marco principal para se falar em renúncia e perdão é o recebimento da queixa: antes do recebimento se dá a renúncia; após o recebimento se dá o perdão.

A súmula 594 foi redigida na década de 70 e levava em consideração essa idade. Então,

Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal, mas o perdão concedido por um, havendo oposição do outro, não produzirá efeito.

Esse dispositivo encontra-se superado por conta do Código Civil.

Art. 53. Se o querelado for mentalmente enfermo ou retardado mental e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os do querelado, a aceitação do perdão caberá ao curador que o juiz lhe nomear.

Como o perdão do ofendido na ação penal privada é ato bilateral, que depende da concordância do querelado, o CPP se preocupou na concordância daquele que não tem condições de aceitá-lo.

É o caso do querelado mentalmente enfermo ou retardado.

Neste caso, o juiz irá nomear um curador para este querelado que irá aceitar o perdão:

  • - querelado SEM representante legal

OU;

  • - interesses do representante colidem com o do querelado.

Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos, observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto no art. 52.

Esse dispositivo encontra-se superado por conta do Código Civil.

Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.

O artigo fala apenas em “procurador”. Isso significa que não precisa ser advogado para aceitar o perdão em nome do querelado.

O que será preciso é que esse representante tenha uma procuração em mãos outorgando especificamente o poder de aceitar perdão.

Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual expresso o disposto no art.

50.

O art. 50 diz que a renúncia tem que estar em declaração assinada pelo ofendido, representante ou procurador.

É um perdão concedido fora do processo, que deverá ser feita em declaração expressa.

Art. 57.

A renúncia tácita e o perdão tácito admitirão todos os meios de

prova.

Por ser dificultoso na prática verificar atos que revelem o desinteresse no ajuizamento ou prosseguimento da queixa-crime, a renúncia e perdão tácitos admitirão todos os meios de prova em direito admitidos.

Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação.

Para haver perdão do ofendido, ele deverá apresentar uma declaração expressa que será juntada aos autos.

Havendo a juntada, o juiz intimará o querelado para dizer se aceita o perdão dentro de 03 dias.

Na mesma intimação, deve-se informar ao querelado que se ele ficar quieto se presumirá que ele aceitou o perdão.

Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a punibilidade.

Aceito o perdão pelo querelado, seja de forma expressa, seja porque escoou o prazo de 3 dias, o juiz irá extinguir a punibilidade, pelo art. 107, inciso V, do Código Penal.

Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo constará de declaração assinada pelo querelado, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.

O querelante pode se equivocar e aceitar o perdão do querelante por declaração em carta remetida diretamente ao querelante.

Assim acontecendo, essa declaração pode ser juntada aos autos para que o juiz extinga a punibilidade.

Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar- se-á perempta a ação penal:

Este artigo trata da perempção, que é a sanção penal aplicada ao querelante diante de sua desídia.

Conforme art. 107, inciso IV, do Código Penal, a perempção é causa de extinção da punibilidade.

I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos;

Vai se punir a desídia do querelante caso a ação penal privada se inicie e o querelante deixe de dar andamento por 30 dias seguidos (dias corridos).

Se o querelante estiver representado por advogado, obviamente que o impulso processual cabe ao seu patrono.

II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;

Se o querelante morrer ou ficar incapaz para os atos da vida civil, em 60 dias, o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão deve comparecer em juízo para

prosseguir no processo, observando-se a ordem de preferência trazida no art.

36.

Qual seria essa preferência? O cônjuge em primeiro lugar, e assim por diante.

Veja ainda que essa preferência também se aplica ao querelante incapaz, não sendo escolhido o seu eventual curador nomeado.

III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais;

Quando o querelante faltar a alguma audiência de instrução, por exemplo, na qual ele deveria comparecer, o juiz poderá reconhecer a perempção e a extinção da punibilidade. Claro que se ele justificar sua ausência, o juiz não irá considerar a perempção.

O STF já enfrentou o tema no tocante à audiência do art. 520 do CPP nos casos de crimes contra a honra.

Nesse caso, considerou que a ausência do querelante na audiência reconciliatória não implica em perempção, pois é uma audiência que antecede o recebimento ou rejeição da queixa-crime.

Quanto à ausência de pedido de condenação nas alegações finais (memoriais), na prática é recorrente a incidência deste artigo nos tribunais locais.

#E se o querelante pedir a absolvição do querelado?

R: O juiz vai analisar as peculiaridades do caso para ver se absolve ou declara a perempção.

IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

Se o querelante for uma pessoa jurídica que se dissolver, se ninguém vier a substituí-lo na ação penal privada, ocorrerá a perempção, com a consequente extinção da punibilidade do ofensor.

Ex: pessoa jurídica pode ser vítima do crime de calúnia que, regra geral, é um crime processado por ação penal privada. Se ela se extinguir no meio da ação, poderia vir um sócio no pólo ativo e tomar frente ao caso.

#E havendo a extinção da pessoa jurídica, qual o prazo para que o sucessor tome o caso?

R: Por analogia, é possível aplicar o art. 60, inciso II, do CPP, que dá o prazo de 60 dias.

Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de ofício.

Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de cinco dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final.

Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de

óbito,

e

depois

punibilidade.

de

ouvido

o

Ministério Público, declarará extinta a