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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 900.367 - PR (2006/0234233-8)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR:


Cuida-se de recurso especial no qual se alega violação ao artigo 159, do vetusto
Código Civil, interposto por Germano Plassmann Júnior em face do acórdão do C.
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, que restou assim ementado (fls. 435/436):

"AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CULPA CONCORRENTE


INEXISTENTE. CULPA EXCLUSIVA DA EMPREGADORA QUE
NÃO FISCALIZOU O USO ADEQUADO DE EQUIPAMENTOS DE
PROTEÇÃO. DANO MATERIAL NÃO CARACTERIZADO. DANO
MORAL. VALOR EXCESSIVO DA INDENIZAÇÃO. REDUÇÃO.
JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DA FIXAÇÃO DO
DANO MORAL.
1. Age com culpa exclusiva a empregadora que não fiscaliza o uso
adequado de equipamentos de proteção por seus empregados.
2. Se a parte promovente não sofreu prejuízo com o evento culposo,
isto é, não ocorreu diminuição no orçamento financeiro familiar, não
se pode falar em dano material, o qual deve ser comprovado com
efetividade.
3. O juiz, ao fixar o montante indenizatório, deve considerar os
critérios subjetivos da avaliação do dano moral, não se distanciando,
porém, do valor atribuído em casos análogos pela jurisprudência
dominante, já que ausentes no ordenamento positivo regras jurídicas
próprias.
4. Assim, o valor encontrado em primeiro grau - setenta e seis mil e
oitocentos reais - apresentou-se inadequado para a situação posta
nos autos, pelo que fica reduzido para quarenta e oito mil reais.
5. Os juros e a correção monetária devem incidir a partir da
sentença, porque foi o momento em que o direito do autor foi
valorado, contendo, obviamente, o custo da demora entre o fato e a
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fixação.
Recursos de apelação e adesivo parcialmente providos."

O recorrente ajuizou demanda contra Companhia Paranaense de


Energia Elétrica - COPEL postulando indenização por danos morais e patrimoniais em
razão da morte de seu genitor ocorrida durante o trabalho que prestava à ré.

A sentença de fls. 324/332 julgou parcialmente procedente o pedido


para condenar o empregador do falecido a indenizar o autor em danos morais.

Embargos de declaração foram aviados por ambas as partes, acolhidos


os da Companhia sem, contudo, alteração substancial da sentença.

A ré apelou postulando o reconhecimento de culpa exclusiva da


vítima ou, ao menos, a redução da indenização, recorrendo adesivamente o autor para
que se reconhecesse a culpa exclusiva da empregadora, a existência dos danos
materiais, a majoração dos danos morais e a incidência da correção monetária e dos
juros de mora desde o evento danoso.

Ambos os recursos foram parcialmente providos para reduzir a


indenização inicialmente fixada em R$ 96.000,00 (noventa e seis mil reais) para R$
48.000,00 (quarenta e oito mil reais), pela ré, e reconhecer a culpa exclusiva desta,
afastando a concorrente firmada na sentença, pelo autor.

Manejados embargos declaratórios pelas partes, foram acolhidos os da


Companhia para dispor sobre a verba honorária.

Resignando-se a ré com o resultado do julgamento na instância a quo,


sobreveio o presente recurso especial pelo autor, postulando o restabelecimento dos

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danos morais nos termos da sentença, o reconhecimento dos danos materiais e a
incidência da correção monetária e dos juros de mora desde a morte de seu pai.

É o relatório.

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RECURSO ESPECIAL Nº 900.367 - PR (2006/0234233-8)

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR


(Relator): Assiste parcial razão ao recorrente.

Inicialmente, cabe pontuar que a sentença de fls. 324/332 foi


prolatada em 31 de março de 2004, antes, portanto, das alterações promovidas na
Constituição da República pela Emenda Constitucional n. 45/04, de dezembro daquele
ano, embora os recursos de apelação tenham sido julgados já no ano de 2005.

Dessarte, ante a pacífica orientação jurisprudencial desta e da


Suprema Corte, é mesmo da Justiça Estadual comum a competência para o julgamento
das ações indenizatórias movidas por sucessores das vítimas fatais de acidente de
trabalho em tais hipóteses. Nesse sentido:

"PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA. AÇÃO INDENIZATÓRIA


POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRABALHO. ACÓRDÃO
QUE REMETE OS AUTOS À JUSTIÇA DO TRABALHO. LIDE
SENTENCIADA ANTERIORMENTE À PROMULGAÇÃO DA
EMENDA CONSTITUCIONAL N. 45/2004. INAPLICABILIDADE À
ESPÉCIE. RECURSO ESPECIAL. PROVIMENTO. COMPETÊNCIA
RESIDUAL DA JUSTIÇA COMUM.
I. Compete à Justiça do Trabalho dirimir as controvérsias jurídicas
surgidas em razão da existência da relação laboral entre as partes.
II. Cabem, contudo, residualmente, ser processadas e julgadas pela
Justiça comum as ações de indenização que versem sobre a mesma
matéria, desde que tenham sido sentenciadas pelos Juízes de Direito
até a data da promulgação da EC N. 45/2004, caso dos autos.
Precedentes.
III. Recurso especial conhecido em parte e provido, para afastar a
competência da Justiça Obreira, devendo o TJRS prosseguir no
exame da apelação."
(4ª Turma, REsp 809.307/RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior,
unânime, DJU de 14.05.2007)
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"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO.
ACIDENTE DE TRABALHO. DANO MATERIAL E MORAL
CARACTERIZADOS. SENTENÇA JÁ PROLATADA.
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO.
I - A Segunda Seção desta Corte, ao apreciar o CC n° 51.712/SP, Rel.
Min. Barros Monteiro, deliberou acerca do estágio processual
delimitador da respectiva incidência da nova norma constitucional de
competência, considerando-se a "eficácia imediata mas, salvo
disposição expressa, não retroativa" (CC nº 6.967-7/RJ, Rel. Ministro
SEPÚLVEDA PERTENCE). Naquela oportunidade, fixou-se que "o
marco definidor da competência ou não da Justiça obreira é a
sentença proferida na causa. Se já foi ela prolatada pelo Juiz de
Direito por onde tramitava, a competência permanece na Justiça
comum estadual, cabendo o eventual recurso à Corte de segundo
grau correspondente. Se ainda não proferida a decisão, o feito deve,
desde logo, ser remetido à Justiça do Trabalho".
Agravo regimental improvido."
(3ª Turma, AgRg no Ag 691.994/SP, Rel. Min. Sidnei Beneti,
unânime, DJe de 03.10.2008)

Quanto à matéria de fundo, o óbito do genitor do recorrente ocorreu


no dia 7 de agosto de 1977, "em virtude de uma descarga elétrica sofrida pela vítima,
após a eletrização do sistema, de forma inadvertida por um dos funcionários da
requerida" (fl. 324).

A sentença recorrida, apreciando o pedido de danos materiais,


concluiu "que se o falecido Germano recebia o valor de CR$ 2930,00 (...) e a viúva
passou a receber, a título de benéfico [sic] previdenciário (pensão) o mesmo valor
(...), não há que se falar em diminuição do padrão de vida, não em virtude da conduta
da requerida" (fl. 330), para assim julgar improcedente o pleito indenizatório, quanto
a tais danos.

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O Tribunal Estadual, adotando fundamento similar, no sentido de "que
o rendimento mensal familiar não sofreu alteração com a morte do pai do apelado,
uma vez que sua mãe continuou a receber uma pensão que correspondia ao mesmo
valor dos rendimentos mensais do de cujus " (fl. 443), manteve a improcedência do
pedido de condenação em danos patrimoniais.

É de se observar que a ordem Constitucional vigente à época dos fatos


era a da Carta Política de 1967, devendo o julgamento da causa seguir-lhe as normas e
princípios.

Assim, mesmo sob a égide da ultrapassada Constituição, já se


entendia que a obrigação de indenizar do empregador independia de eventual
cobertura do sinistro por seguro ou previdência, porquanto a indenização devida aos
familiares da vítima fundava-se no direito comum, dissociado das regras do direito
previdenciário ou securitário. Nesse sentido o verbete n. 229, do Supremo Tribunal
Federal, julgados do extinto Tribunal Federal de Recursos e desta Corte,
consentaneamente. Confira-se:

"Recurso extraordinário. A indenização acidentaria não exclui a de


direito comum, em caso de dolo ou culpa grave do empregador.
Súmula 229. Não cabe deduzir, do montante dessa indenização de
direito comum, o valor da indenização, com apoio na legislação da
infortunística. Dissidio de jurisprudência demonstrado. Divergência
do acórdão com a Súmula 229. Recurso extraordinário conhecido e
provido para, afastada a carência da ação, determinar se prossiga na
demanda ajuizada."
(STF, 1ª Turma, RE 107.861/SP, Rel. Min. Néri da Silveira, unânime,
DJU de 13.09.1991)
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"INDENIZAÇÃO POR MORTE DO SERVIDOR NO TRABALHO.
AÇÃO FUNDADA NO DIREITO COMUM." A INDENIZAÇÃO
ACIDENTARIA NÃO EXCLUI A DO DIREITO COMUM, EM CASO
DE DOLO OU CULPA GRAVE DO EMPREGADOR". (SÚMULA
229 DO STF). FUNDANDO-SE NO DIREITO COMUM, EM FACE
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DA CULPA GRAVE DO EMPREGADOR, A AÇÃO NÃO E DE
ACIDENTE DO TRABALHO, MAS DE REPARAÇÃO CIVIL. SENDO
A PARTE RE AUTARQUIA FEDERAL, A COMPETÊNCIA PARA
JULGAR A AÇÃO E DA JUSTIÇA FEDERAL DE 1. INSTÂNCIA."
(TFR, 3ª Turma, AG 43.492/MG, Rel. Min. Carlos Madeira, DJU de
04.02.1983)
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"RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DO TRABALHO.
INDENIZAÇÃO PELO DIREITO COMUM. SUBSTITUIÇÃO DE
PECÚLIO POR PENSIONAMENTO. ART. 1.537, II, DO CÓDIGO
CIVIL.
- São independentes as verbas correspondentes à indenização pelo
direito comum, as de natureza trabalhista e as previstas na legislação
previdenciária.
- Pensionamento devido na forma do disposto no art. 1.537, II, do
Código Civil. Segundo a orientação traçada pelo STJ, a pensão
arbitrada deve ser integral até os 25 anos, idade em que, pela ordem
natural dos fatos da vida, a vítima constituiria família, reduzindo-se,
a partir de então, essa pensão à metade, até a data em que, também
por presunção, o ofendido atingiria os 65 anos.
Recurso especial conhecido e provido parcialmente."
(4ª Turma, REsp 133.527/RJ, Rel. Min. Barros Monteiro, unânime,
DJU de 24.02.2003)
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"CIVIL. RESPONSABILIDADE. ACIDENTE. MORTE. DANO
MORAL. INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM. SÃO
CUMULÁVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E
DANO MORAL ORIUNDOS DE UM MESMO FATO, A TEOR DA
SUMULA N.37, DESTE TRIBUNAL. NÃO CABE DEDUZIR DA
INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM, COM BASE NO ART. 159
DO CÓDIGO CIVIL, O VALOR RECEBIDO DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO ACIDENTÁRIA. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO."
(3ª Turma, REsp 45.740/RJ, Rel. Min. Paulo Costa Leite, unânime,
DJU de 09.05.1994)
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"DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. HOMICÍDIO
OCORRIDO EM PLATAFORMA DE EXPLORAÇÃO DE
PETRÓLEO. MORTE DE EMPREGADO DE FIRMA
EMPREITEIRA. INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM. CULPA DA
PETROBRÁS RECONHECIDA EM PRIMEIRO E SEGUNDO
GRAUS. AUSÊNCIA DE VIGILÂNCIA QUE PERMITIU A
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INTRODUÇÃO DE ARMA DE FOGO NO LOCAL. ENUNCIADO N.
37 DA SÚMULA/STJ. RECURSO DESACOLHIDO.
I - AS INDENIZAÇÕES ACIDENTARIAS E DE DIREITO COMUM
SÃO AUTÔNOMAS E CUMULÁVEIS. A PRIMEIRA, IMPOSTA
SEGUNDO CRITÉRIO OBJETIVO, E EXIGÍVEL DO ÓRGÃO
PREVIDENCIÁRIO NOS CASOS DE INFORTÚNIOS LABORAIS
NÃO DECORRENTES DE DÓLO DA VÍTIMA. JÁ A SEGUNDA SE
MOSTRA DEVIDA POR QUALQUER PESSOA, EMPREGADORA
OU NÃO, QUE POR CULPA, MESMO QUE LEVE, OCASIONE OU
CONTRIBUA PARA A OCORRÊNCIA DO EVENTO DANOSO.
II - "SÃO CUMULÁVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO
MATERIAL E DANO MORAL ORIUNDOS DO MESMO FATO"
(ENUNCIADO N. 37 DA SUMULA/STJ).
III - COMPROVADA DESÍDIA IMPUTÁVEL A EMPRESA ESTATAL,
QUE, TENDO CONTRATADO EMPREITEIRA PARA EXECUÇÃO
DE SERVIÇOS EM UMA DE SUAS PLATAFORMAS DE
EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO, DEIXOU DE TOMAR AS
PROVIDÊNCIAS QUE LHE INCUMBIAM PARA GARANTIR
PROTEÇÃO E SEGURANÇA AOS TRABALHADORES, IMPÕE-SE
CARREAR-LHE A OBRIGAÇÃO DE REPARAR OS DANOS
CAUSADOS EM RAZÃO DE TAL CONDUTA.
IV - OS DEPENDENTES ECONÔMICOS DE VÍTIMA FATAL DE
ACIDENTE, OCORRIDO QUANDO ESSA SE ENCONTRAVA NO
EXERCÍCIO DE SUA ATIVIDADE LABORATIVA, PODEM
DEMANDAR TERCEIRO, NÃO EMPREGADOR, QUE TENHA
CONCORRIDO COM CULPA PARA CAUSAÇÃO DO SINISTRO,
BUSCANDO HAVER INDENIZAÇÃO FUNDADA NO DIREITO
COMUM (ART. 159, CC)."
(4ª Turma, REsp 36.884/RJ, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira,
unânime, DJU de 21.02.1994)

Dessarte, devido é o pensionamento aos sucessores da vítima e, sendo


o caso de filho do extinto, até o dia em que completou vinte e cinco anos de idade.
Veja-se:

"CIVIL E PROCESSUAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE


DE TRABALHO COM VÍTIMA FATAL, ESPOSO E PAI DOS
AUTORES. ACÓRDÃO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. DANO
MORAL. FIXAÇÃO. RAZOABILIDADE. DIREITO DE ACRESCER
ASSEGURADO. TERMO AD QUEM. IDADE DE FORMAÇÃO
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UNIVERSITÁRIA. VIÚVA. CASAMENTO. DECISÃO
CONDICIONAL. DESCABIMENTO. RESSARCIMENTO.
NATUREZA. HONORÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CONDENAÇÃO.
I. Não padece de nulidade o acórdão que enfrenta, suficientemente, as
questões essenciais controvertidas, apenas com conclusões
desfavoráveis às pretensões da parte ré.
II. Dano moral fixado em parâmetro razoável, inexistindo abuso a
justificar a excepcional intervenção do STJ a respeito.
III. O beneficiário da pensão decorrente de ilícito civil tem direito de
acrescer à sua quota o montante devido a esse título aos filhos da
vítima do sinistro acidentário, que deixarem de perceber a verba a
qualquer título. Precedentes do STJ.
IV. O pensionamento em favor dos filhos menores do de cujus tem
como limite a idade de 24 (vinte e quatro) anos dos beneficiários,
marco em que se considera estar concluída a sua formação
universitária, que os habilita ao pleno exercício da atividade
profissional. Precedentes do STJ.
V. Honorários advocatícios incidentes sobre a condenação, assim
consideradas as verbas vencidas e doze das prestações vincendas.
VI. Recurso especial conhecido em parte e parcialmente provido."
(4ª Turma, REsp 530.618/MG, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior,
unânime, DJU de 07.03.2005)
------------------------------------------------
"CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. MORTE DECORRENTE DE
ACIDENTE DE TRÂNSITO. SEGURO OBRIGATÓRIO. DEDUÇÃO
DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. MORTE DO PAI. PENSÃO
DEVIDA AO FILHO. TERMO FINAL.
I - A verba recebida pelos autores da indenizatória, a título de seguro
obrigatório, deve ser deduzida do montante da indenização.
Precedentes.
II - Tratando-se de ressarcimento de dano material, a pensão pela
morte do pai será devida até o limite de vinte e quatro anos de idade
quando, presumivelmente, os beneficiários da pensão terão concluído
sua formação, inclusive em curso universitário, não mais subsistindo
vínculo de dependência.
III - Recurso especial conhecido e parcialmente provido."
(4ª Turma, REsp 106.396/PR, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, unânime,
DJU de 14.06.1999)

A culpa do empregador, outrossim, foi aferida pelo Tribunal


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paranaense em razão da ausência de disponibilização ao falecido do Equipamento de
Proteção Individual (EPI), consignando que, "da análise do conjunto probatório dos
autos, não se logrou encontrar provas de que a apelante entregou os Epis ao pai do
apelado e, mesmo se assim o tivesse feito, inexistiu demonstração de fiscalização e
uso por parte de seus funcionários" (fl. 441).

De outro lado, no que concerne aos danos morais, esta Corte tem o
entendimento segundo o qual o lapso de tempo entre estes e a persecução de sua
reparação não é causa de sua extinção, salvo, por óbvio, se o ocorrer a prescrição, mas
há de ser tal transcurso, todavia, considerado na fixação de seu montante, de modo a
reduzi-lo, posto que o impacto da perda, quando proposta a demanda, já se atenuara.
Nesse sentido:

"EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL.


RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS. DEMORA NA
PROPOSITURA DA AÇÃO. REFLEXO NA FIXAÇÃO DO
QUANTUM INDENIZATÓRIO. PRECEDENTES.
1. A demora na busca da reparação do dano moral é fator influente
na fixação do quantum indenizatório, a fazer obrigatória a
consideração do tempo decorrido entre o fato danoso e a propositura
da ação.
2. Embargos de divergência acolhidos."
(C.E. EREsp 526.299/PR, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, unânime,
DJe de 05.02.2009)

Ocorrida a morte do pai do autor no ano de 1977, sendo a ação


proposta somente em 2001, aproximadamente vinte e quatro anos depois, portanto, e a
fixação da reparação em definitivo pelo Tribunal Estadual na quantia de R$ 48.000,00
(quarenta e oito mil reais), não há a necessária irrisão para o fim de ensejar a
excepcional intervenção desta Corte na questão, resultando entendimento em sentido
contrário em inobservância no que insculpido no verbete n. 7, da Súmula.

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Nesses termos, tenho que o julgado merece reforma para condenar a


ré ao pagamento dos danos materiais, sendo irretocável o julgado vergastado no que
concerne à reparação moral.

Ante o exposto, conheço parcialmente do presente recurso especial e,


nesse extensão, dou-lhe provimento para condenar o recorrido ao pagamento de
indenização por danos materiais no equivalente ao valor mensal recebido pelo morte
do pai do autor, acrescidos de todos os consectários legais e contratuais como se no
exercício da profissão estivesse, até o dia em que completou o recorrente 25 (vinte e
cinco) anos de idade, exclusive.

A correção monetária incidirá desde quando os valores deveriam ter


sido pagos, contando-se mês a mês.

Os juros de mora, de 0,5% (meio por cento) até o dia anterior à


vigência da Lei 10.406/02 e de 1% (um por cento), ambos ao mês e não capitalizados,
a partir de 11 de janeiro de 2003, a contar desde o evento danoso, nos termos do
verbete n. 54, da Súmula desta Casa.

Custas e honorários pelo recorrido em 10% (dez por cento) sobre o


valor total da condenação, considerando-se mínima a sucumbência do autor, nos
termos dos artigos 20, § 3º, e 21, parágrafo único, do Código de Processo Civil,
apurando-se o quantum debeatur a título de danos patrimoniais na fase de
liquidação.

É como voto.

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