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ÍNDICE

GLOBALIZAÇAO

1. INTRODUÇãO

Ingressando em uma fase de transição, nosso país se encontra-se em uma


fase onde a globalização na economia e na política exercem influência com os
conseqüentes reflexos sociais do avanço tecnológico que a globalização tem
gerado desequilíbrio no mercado de trabalho e na crise de desemprego mundial.
Quando a crise de 29 quebrou o mundo, o tempo que as pessoas levaram
para detectar o início da crise, ou quando os negócios começarem a ficar ruins,
até que portadores de ações descobrissem que poderiam perder dinheiro ou ficar
pobres, se não vendessem suas ações rapidamente, foi de alguns dias para uns e
semanas para outros. O telefone era o meio de comunicação mais rápido, mas
demorava muito para se obter uma ligação.
Quando os países asiáticos começaram a dar sinais de quadra em final de
outubro de 1997, algumas horas todo o mundo já sabia e suas ações foram
vendidas em horas. Telefone celular, comunicação de bolsas de valores com
clientes ligadas a cabo, TV a cabo, Internet, agências de notícias, bancos e
financeiras ligadas 24 horas por dia. O dinheiro dá a volta em minutos.
Nos negócios ocorre um fato semelhante. Uma empresa globalizada de
hoje é a mesma multinacional de ontem só que “turbinada”. Já era uma empresa
com o capital sem pátria, com interesses próprios, seja lá em que país fosse sua
sede e o que importava, ou o que ainda continua importando é: produzir a
menores custos, conquistar mercados e proporcionar aos seus acionistas o melhor
lucro a valorização de suas ações.
Uma empresa globalizada que elege um país para investir, quer seja para
ampliar sua fábrica, quer seja para se instalar pela primeira vez no país, ou então
para montar um centro de distribuição regional, estará sendo uma boa coisa para
os trabalhadores que conseguem emprego na nova fábrica, para os governos que
recolhem mais impostos, para as pequenas empresas fornecedoras que
receberão encomendas para uma empresa sólida.
Assim, se a opção da direção de uma multinacional optar por construí-la em
outro país ou resolver mudar o centro de produção de seu estado para outro
distante.
Pode provocar o desemprego, se o produto fabricado não for competitivo,
pois, se isso ocorrer, é o empregador quem pode perder o emprego juntamente
com seus funcionários, visto que a competitividade e o livre mercado provocam
sempre um grande desemprego.
Sendo a globalização um sistema com objetivo de unificar mundialmente
os mercados, articula as empresas multinacionais, com evidente risco para a
soberania dos países, o que, coincidindo o interesse individual com o interesse
geral, obriga o Estado a se abster de intervir na vida econômica, prevalecendo a
lei da concorrência.
Para os neoliberais, o trabalho não difere de outras mercadorias, estando
essa filosofia baseada nas doutrinas da autonomia da vontade e da liberdade
contratual.
Emergendo como uma conquista da classe trabalhadora contra o pacto
original do liberalismo, inicialmente aparecendo com leis de exceção, ao largo das
relações privadas, o direito do trabalho tende a desaparecer em breve, diante da
idéia de liberdade em si mesma, que tem sua origem no mundo intelectual judaico-
cristão-grego, onde transitava a liberdade sem qualquer vínculo ou intervenção,
porque a razão de tudo.
A Globalização

1. Evolução histórica
A palavra globalização tem sido bastante divulgada pelos meios de
comunicação dos últimos tempos.
Há diversas definições dadas ao termo.
Para Demétrio Magnoli “é o processo pelo qual o espaço mundial adquire
unidade”. Para o professor Luiz Roberto Lopez “implica uniformização de padrões
econômicos e culturais em âmbito mundial”.
Historicamente, a globalização propala-se como a economia mundial
unificada.
Como as operações de comércio exterior já passaram por diversas
doutrinas, primitivamente aparece o feudalismo, sistema de grandes propriedades
territoriais isoladas (feudos), pertencentes à nobreza e ao clero e trabalhadores
pelos servos da gleba, numa economia de subsistência. Em cada feudo, o senhor
fazia as leis, administrava a justiça, cunhava moedas, exigia impostos aos
mercadores que transitavam por suas terras e estipulava o tributo que os
camponeses, lires e servos tinham que pagar.
Logo após, seguiu-se o mercantilismo, doutrina econômica defensora do
acúmulo de divisas em metais preciosos pelo estado, por meio de um comércio
exterior de caráter protecionista, estimulado por meio de uma balança comercial
favorável que através dela se aumenta o estoque de metais preciosos, com ampla
intervenção do Estado na economia.
Sucedeu-lhe o liberalismo, doutrina econômica na qual se estabelece como
postulado o livre jogo das forças econômicas, o regime de livre concorrência. A lei
da oferta e da procura é a única que deve influir sobre a produção, o consumo e o
mecanismo dos preços. A intervenção do estado é totalmente repelida.
Depois veio o protecionismo, doutrina econômica que tem por base a
adoção de tarifas ou cotas, para restringir o fluxo das importações. Apóia-se no
princípio de que existe interesse em desenvolver nu país as suas forças
produtoras, pela criação de barreiras alfandegárias, para impedir a concorrência
da indústria estrangeira.
De uma luta entre liberalismo e protecionismo, vêm surgindo blocos
econômicos pautando o livre comércio entre os países membros e usando o
protecionismo contra os países não-membros. Tais blocos têm por objetivo a livre
circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países membros,
através da eliminação dos impostos alfandegários e da eliminação de restrições
não tarifárias. Ao mesmo tempo, buscam impedir que bens, serviços e fatores
produtivos originários de países não membros usufruam da eliminação das tarifas
alfandegárias e não alfandegárias.
Já que a globalização é ato de exprimir a mesma coisa que livre comércio,
ambos levam à supremacia das economias dos países de “primeiro mundo”, ou
seja, as potências econômicas sobre a economia dos “países emergentes”. A
globalização provoca a submissão desses países àqueles, pois globalização
implica concorrência, não existindo entre economias desiguais.
Considerando então, que países de economia avançada passam a liderar a
globalização, os países de economia em desenvolvimento ficam alijados da
globalização, isto é, de usufruir da economia mundial, restando-lhe pouco da
economia unificada, provocando o declínio da atividade econômica, o
desemprego, a alienação etc.
2. A criação de blocos regionais
A formação de blocos regionais é atualmente destacada na globalização
atual. Ao lado da União Européia, perfilam-se o NAFTA, a Bacia do Pacífico e, em
outra escala, o MERCOSUL, o Mercado Comum Centro Americano e mais outros
ainda menos significativos. Há também uma declaração política de países da
APEC projetando para as primeiras décadas do novo século a formação de uma
zona comercial, envolvendo países asiáticos e americanos.
O Tratado de Assunção assim o diz:
"Este Mercado Comum implica:
A livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países,
através, entre outros, da eliminação dos direitos aduaneiros e restrições não
tarifárias à circulação de mercadorias e de qualquer outra medida equivalente;
O estabelecimento de uma tarifa externa comum, a adoção de uma política
comercial comum em relação a terceiros Estados e a coordenação de posição em
foros econômicos-comerciais regionais e internacionais;
A coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados-
Partes a fim de assegurar condições adequadas de concorrência entre os
Estados-Partes ; e,
O compromisso dos Estados-Partes de harmonizar suas legislações, nas
áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração. (art. 1o,
2ª parte, letras "a" a "d")".
É de conhecimento geral que todos os países do MERCOSUL entendem
ser necessária a intervenção do Estado nas relações de trabalho através de sua
fiscalização do trabalho, mas não há consenso na aplicação das normas
trabalhistas. É necessário que haja uma harmonização das normas da tutela
trabalhista entre eles, com a criação da cata Social do MERCOSUL. Com esta
instituição, poderíamos deter o problema da mão-de-obra.
Vale consignar as palavras do Presidente Jacques Chirac, proferidas na
Conferência Internacional do Trabalho: "Para lograr que a mundialização aporte
benefícios para todos, nos países industrializados como nos países e transição;
nos países emergentes como nos países mais desfavorecidos, é preciso por a
economia a serviço do ser humano e não o ser humano a serviço da economia".

3. A soberania e os Estados Membros


Haverá, certamente, perdas para os Estados, decorrentes de uma
flexibilização necessária, também na soberania de cada Estado-membro, mas não
se trata de uma perda da soberania, como não se quer uma perda de soberania,
como não se quer uma perda de direitos das partes contratantes, mas a
viabilidade de flexibilizar para melhor lucrar, daí o entendimento de Paulo Borba
Casella (“Mercosul- Exigências e Perspectivas”, p. 210).
A posição doutrinária e jurisprudencial guarda a primazia do direito
nacional sobre os tratados internacionais, devendo, certamente, com a necessária
globalização que se inicia pela integração dos países e legislação supranacional
conseqüente, avançar no sentido da própria Convenção de Viena sobre Direito
dos Tratados que não admite o término do Tratado por mudança de direito
superveniente e afirma que uma parte não pode invocar as disposições de seu
direito interno para justificar o descumprimento de um tratado.
Assim, para equilibrar o direito do trabalho entre países do mesmo, grupo,
será necessário flexibilizar-se não só as normas legais que disciplinam esses
direitos, como também que haja uma flexibilização na própria soberania dos
Estados-membros, viabilizando a vigência de tratados internacionais sobre a lei
interna de cada país.
4. A OIT, a elaboração de normas e a globalização
A liberalização do comércio internacional poderá muito bem falhar se os
efeitos benéficos forem lentos em se fazer sentir para os trabalhadores ou se, ao
contrário, for associada, na mente do público em geral, a um aumento das
desigualdades ou das condições precárias. A globalização não pode ser deixada
aos seus próprios desígnios. O processo econômico, resultante da liberalização do
comércio, deve ser acompanhado por progresso social. A fim de justificar as
expectativas colocadas sobre si, a OIT deverá garantir maior universalidade na
aplicação de suas normas fundamentais e ser mais seletiva em suas novas
normas.
5. O Sindicalismo
O sindicalismo no Brasil, nasceu no final da década de 1970, com a crise do
regime militar. As novas lideranças dos trabalhadores conduziram um movimento
de ruptura das estruturas sindicais tradicionais, organizadas por Getúlio Vargas
segundo um modelo corporativo inspirado na legislação trabalhista do fascismo
italiano. Esse movimento foi deflagrado na região industrial do ABCD paulista,
onde se concentrava a produção de automóveis e autopeças. A mais importante
central sindical do país, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), surgiu a partir
dessa base, que continuou a representar o seu centro político e foco de
recrutamento de lideranças.
Entretanto, nos últimos anos, a onda de inovação tecnológica atingiu as
montadoras automobilísticas instaladas no Brasil. A exposição do mercado interno
à concordância externa e os novos investimentos internacionais no setor
impulsionaram a automação das linhas de montagem e a ampliação da
produtividade.
6. O desemprego
Por muito tempo, as curvas do desemprego acompanharam os ciclos
econômicos.
Na década de 1970, esse compasso se rompeu. De lá para cá , as taxas de
desemprego crescem paulatinamente e o máximo que as fases de crescimento
econômico conseguem fazer é reduzir a marcha incessante e assustadora da
destruição de postos de trabalho. Essa tendência evidencia-se claramente na
Europa, mas atinge também o Japão e a América Latina.
Em dezenas de países da América Latina, Ásia e África, os camponeses
continuam a ser conduzidos no rumo das cidades, enquanto se expande a
agricultura moderna e cresce a demanda de mão-de-obra na indústria, no
comércio e nos serviços.
A automação da produção elimina postos de trabalho de duas formas. De
forma direta, torna redundantes trabalhadores de baixa qualificação, tanto nas
linhas de montagem quanto nas funções de controle. Mas a automação também
elimina empregos indiretamente. Nos países ricos, onde a inovação tecnológica é
mais intensa, o crescimento da produtividade média da indústria funciona como
meio de seleção de investimentos rentáveis.
A revolução tecnológica combina-se com a globalização econômica e
reorganiza a paisagem industrial do planeta.
O que tem originado o desemprego no Brasil?
Desde 1991, o Brasil começou a abrir a sua economia. Nossas empresas
viveram protegidas durante muitos anos, pela chamada proteção à indústria
nacional, para que ela pudesse se fortificar e desenvolver.
Durante as décadas de 1960 e 1990, vivemos sob o regime da reserva de
mercado, quando empresas nacionais e multinacionais instaladas aqui, ficavam
“protegidas” dos produtos importados que sofriam restrições de importação e até
mesmo a proibição, e quando era importado, o produto recebia uma taxação muito
forte.
Os preços neste período eram aprovados pelo governo através de um
departamento chamado “CIP”. Funcionava assim, a empresa multinacional ou
nacional obtinha um telex do governo, autorizando o aumento. Aí as novas tabelas
entravam em vigor. Ninguém trabalhava com custos e competição.
Os empregos se mantinham porque não havia competição, perdas com
entrada de concorrentes no mercado, redução de margens de ganho etc., mas era
uma economia irreal.
Outra situação ímpar em todo o mundo era que as multinacionais instaladas
aqui gozavam de uma proteção devido à loucura da inflação brasileira, onde só
trabalhava com lucro quem soubesse administrá-la. Raramente, as pessoas da
matriz entendiam alguma coisa do que diziam os relatórios. Sabiam as
multinacionais lidar muito bem com a inflação.
Com o lançamento do programa brasileiro da qualidade e produtividade em
1988, o Brasil começou a se preparar para enfrentar os concorrentes estrangeiros
e para a abertura das importações.
Tudo que se viu, de lá para cá, foi um grande avanço na melhoria de nossa
produtividade, melhor qualidade, mais eficiência da empresa brasileira, mas, com
isso, temos menos empregos disponíveis e a impressão de desemprego.
O desemprego que ocorreu num setor industrial perdeu para outro que
recebeu investimento de uma nova indústria que lá se instalou e, assim por diante.
Assim, chegando a abertura econômica necessária e, ainda mais o zerar da
inflação, muita coisa aconteceu no Brasil; a competição se instalou em todos os
setores, empresários mais velhos e cansados de tantos planos econômicos
desistiram de lutar contra a entrada forte da concorrência nacional e estrangeira
em todos os setores, os preços precisaram passar por um cálculo de contabilidade
de custos muito mais rigoroso e com menores margens de retorno.
Se o empresariado sempre resistiu ideologicamente ao intervencionismo
estatal, cedeu, invariavelmente a ela em troca de uma proteção que teve, como
efeito, no plano institucional, o que alguns chamaram de cartorialização e outros
de privatização do Estado e da ordem. Como conseqüência, essa realidade
produziu, como conseqüência, um regime extremamente autoritário de relações de
trabalho, além de ser concentrador e excludente do ponto de vista salarial e da
distribuição de renda.
É o desemprego, então, a fase mais cruel do “rolo compressor” da
globalização e do neoliberalismo, enquanto estratégias da classe dominante e
conservadora.
Assim, a mesma audácia deve ser utilizada pelos que têm consciência de
que essa doutrina representa hoje o inimigo fundamental da democracia social,
dos direitos básicos de cidadania, dos direitos fundamentais dos trabalhadores,
enquanto direitos sociais contra o desemprego.
Para a dispensa do empregado há dois sistemas de proteção, o amplo e o
restrito. O amplo surge através de medidas impeditivas do desligamento imotivado
do trabalhador, que se expressam pela figura “estabilidade no emprego”. Por outro
lado, o restrito, surge mediante sanções econômicas, destinadas a dificultar a
dificultar a ruptura do contrato de trabalho, com a imposição de indenização a ser
paga pelo empregador ao empregado imotivadamente dispensado da empresa.
6.1. O desemprego estrutural
Consiste no alijamento de massas da população no mercado de trabalho
por períodos longos, distinguindo-se do desemprego conjuntural provocado pelas
fases de recessão do ciclo econômico. Os jovens são particularmente atingidos
pelo desemprego estrutural, que elimina as portas de acesso às grandes
corporificações e cria uma descontinuidade entre o aprendizado profissional e o
ingresso na carreira.
A criação acelerada de novos empregos consiste em geração de postos de
trabalho mais mal remunerados. Os tradicionais e almejados empregos nas
corporações industriais são substituídos por empregos.

7. Conseqüências à soberania no mundo globalizado


Contém a globalização conceitos de interdependência e interações sociais,
políticas e econômicas que, sem dúvida, não são necessariamente desconhecidas
para o mundo, a não ser nas suas dimensões atuais.
Historicamente, os conquistados acabavam, com raras exceções, sendo
internacionalizados e dependentes" econômica e politicamente dos
conquistadores, os quais, ao estabelecerem qualquer tipo de domínio que durasse
um período relativamente longo, criava-se uma interação, no mínimo, cultural
entre colonizador e colonizado.
A diferença no processo é que existia um fato gerador mais tangível e
explícito que podia ser; a dominação política, a conquista de espaço territorial, a
busca de riquezas existentes, a disponibilidade de mão-de-obra escrava etc.
A dificuldade de se determinar o fato gerador foi se acentuando, quando
este passou para o campo das idéias e assim, não mais o fato gerador, mas as
conseqüências adquiriram razão de ser das discussões sobre globalização.
São, portanto, fato gerador, os saltos tecnológicos e do conhecimento
humano que estão vivendo um processo de evolução exponencial, mas seus
reflexos é que tenderão a gerar profundas modificações sociais, políticas e
econômicas.
Houve guerras, experiências ideológicas e distribuição pouco homogênea, o
que fez com que ocorressem transformações com custos sociais tão imensos,
levando a uma falta de perspectivas de futuro, insegurança, drogas, guetos sociais
e, como na idade média, ainda continuam existindo a fome e as doenças sem
cura.
Ocorre que uma importante parcela dos homens mora em casas que os
protegem mais das intempéries, come mais abundantemente, trabalha menos, é
mais amparada por legislações que os protegem e tem uma vida útil maior,
identificando-se, então, do ponto de vista econômico, um problema de distribuição
de renda entre países e internamente entre as camadas sociais cuja solução não
parece mais inviável, como se imaginava ser.
Também aparentemente, o ser humano não está mais feliz e vive em um
mundo com mais incertezas, porém, a globalização, como a tecnologia, não
podem ser vistas como um mal em si mesmas.
Os seus reflexos sociais, econômicos e políticos serão decorrentes da
forma que serão aplicados estes fatores. Tudo levará a crer que a globalização
acabará sendo fruto da democracia e do capitalismo, até porque não existe
atualmente outro regime econômico preponderante.
O capitalismo, que tinha como base o egoísmo natural do homem, tornou-
se extremamente selvagem na revolução industrial. Com o tempo, foi obrigado a
ser bem mais humano e seus abusos são, nos dias de hoje, extremamente
controlados pela sociedade, enquanto que o socialismo e o comunismo, que
tinham como premissas um homem mais altruísta, por outro lado, se mostraram
mais cruéis e ineficazes. Tanto que suas experiências se mostraram mais
frustrantes e bem mais dolorosas.
Deverá a globalização levar os sistemas individuais já existentes a uma
interação muito maior.
Se notarmos, esta interação sistêmica já existe em certos setores,
especialmente nas relações de comércio exterior, mesmo e apesar da existência
de mecanismos de proteção, de barreiras alfandegárias e subsídios.
As safras boas ou más de determinados produtos já interferem nas
economias dos países que têm uma interdependência comercial.
Também a variação de uma moeda influencia a economia dos países que
a adotam como referência de padrão há algum tempo.
Os efeitos das oscilações nas bolsas de valores ou de mercadorias também
já não são novidade. Isto tem reflexos econômicos, mas causa impactos também
políticos e sociais.
Por outro lado, as ações políticas ou as grandes guerras deste século
sempre causaram impacto que iam muito além dos países envolvidos, o que nos
evidencia que o mundo caminha para um grande macrosistema.
Com mais de meio século e com o fruto do trabalho, homens adquiriram a
casa própria, um emprego bem remunerado, médico e creche na fábrica, respeito
pelos vizinhos, filhos já se formando doutores e aposentadoria e até condições de
usufruir de lazer. Ocorreram também, mudanças nem sempre tão perceptíveis,
tais como:
• O país abriu o seu mercado para o exterior;
• Chegaram os robôs e a informática, diminuindo o emprego ou exigindo melhor
formação técnica dos funcionários;
• Vieram os programas de qualidade total, reengenharia etc. e geralmente a
exigência de quadros funcionais ou exigências de melhor formação;
• As indústrias começaram a terceirizar uma série de serviços antes feitos nas
fábricas. Hoje, estão contratando fornecedores que praticamente se
incorporam na linha de produção;
• Além disso, estão utilizando a visão internacional ou globalizada de produção e
buscando peças mais baratas e melhores em suas unidades no exterior;
• As indústrias estão fugindo das grandes cidades, onde a qualidade de vida
piora, a poluição é mais controlada e o custo do terreno torna-se naturalmente
mais caro.
Dependerá, portanto, a globalização econômica das vantagens
comparativas, ou seja, as coisas estão acontecendo fruto do progresso ou da
tirania das circunstâncias. Como aconteceram outras mudanças: as elites do café
desapareceram, aboliu-se a escravidão...Essa é a inexorável lógica da dinâmica
social.
Portanto, o cenário otimista passa por investimentos não disponíveis no
país e por uma coordenação política difícil de ser articulada.
Por outro lado, pensando em de forma pessimista, algo drástico do ponto
de vista político ou econômico que possa levar a uma rápida deterioração não é
um cenário que, politicamente, possa-se visualizar em curto prazo.
Um cenário mais plausível será um meio termo em que os ajustes,
negativos ou positivos, aconteçam ao longo dos próximos anos, com altos custos
sociais, politicamente complicados, negociados fisiologicamente, mas sem
derrapadas econômicas fatais.
Evidentemente, o custo social do desemprego, a redução das vendas em
alguns setores, os juros altos, a concorr6encia às vezes predatória dos
importados, estão presentes e não raro servem como pano de fundo para distorcer
algumas análises.
Uma coisa é inegável, algo está acontecendo com a nossa economia e
aparentemente não de forma negativa. Se por um lado temos um mercado
crescendo, por outro, ele se torna mais competitivo e dentro de uma nova
realidade.
Este estado de coisas têm um histórico complicado, fundamentalmente em
decorrência de algumas variáveis que estavam atreladas a este modelo e que são
bastante conhecidas.
Planejar ainda não reaprendemos, isto virá com o tempo. Ainda não
conseguimos nos esquecer do eterno mudar que existia com a inflação, ou seja,
durante algum tempo continuaremos na inércia do processo em que fomos
educados, ou pior deseducados.
Qualquer executivo com quarenta anos foi educado em um mercado com
as características distorcidas e os de trinta anos somente agora começam a
conviver com uma economia estável, onde se possa fazer planejamento para mais
de um mês.
Os de cinqüenta anos têm de puxar muito pela memória para lembrar da
época em que houve estabilidade monetária.
Em função desta situação, ficou a impressão de ser mais fácil conviver com
uma inflação alta, sem grandes cobranças de criatividade, com o controle de
preços e sem concorrência externa.
8. O espaço globalizado
Origina a globalização um novo tipo de cidades, cujas funções e atividades
estão associadas muito mais ao mercado mundial que à economia nacional. Essa
“cidades mundiais” como Nova Iorque, Londres, Tóquio, Frankfurt, Cingapura
abrigam os centros financeiros e as sedes macrorregionais das corporações
globais. Uma parcela crescente da sua economia urbana e a melhor parte da sua
oferta de empregos depende, direta ou indiretamente, dos ciclos dos negócios
globais.
O PIB, na globalização, pode crescer aceleradamente enquanto a renda
média da população permanece estagnada ou retrocede.
Sendo a globalização ao mesmo tempo uma fonte de acumulação de novas
riquezas e um dínamo de produção de pobreza e marginalização social, os
mercados globalizados excluem imensas parcelas da população mundial, não só
na África ou na América Latina, mas também na Ásia dos Dragões, na Europa
comunitária e na América anglo-saxônica e, sendo o espaço geográfico o espelho
do movimento de segregação econômica e social, ele se manifesta em escala
mundial e nacional e, de modo mais evidente, nas escalas regionais e locais.
3. Conclusão
Até praticamente 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o mundo vivia na
clima da Guerra Fria. De um lado, havia o bloco de países capitalista,
comandados pelos Estados Unidos , de outro, o de países socialistas, liderado
pela ex-União Soviética, configurando uma ordem mundial bipolar ou um sistema
de polaridades definidas.
As reformas iniciadas por Gorbatchev,, na ex-União Soviética, em 1985,
através da perestroika e da glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo
real e, conseqüentemente, essa ordem mundial bipolar. A queda do Muro de
Berlim, com a reunificação da Alemanha, a eleição de Lech Walesa (líder do
partido Solidariedade)para a presidência da Polônia, em 1990, que representou o
término do domínio absoluto do Partido Operário Unificado Polonês sobre a
sociedade polonesa , e muitos outros acontecimentos do Leste Europeu alteraram
profundamente o sistema de forças até então existente no mundo.
De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema
de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O
confronto ideológico (capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa
econômica entre países e blocos de países.
O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas
pessoas perplexas por imprevisibilidade a curto prazo, foi o sistema capitalista,
que pôde expandir-se praticamente hegemônico na organização da vida social em
todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assim, o capitalismo
mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadiu os espaços geográficos
que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente planificada
ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista.
Nas palavras de Otávio Ianni, sociólogo brasileiro que já há algum tempo
vem estudando a questão da globalização:
"O capitalismo tinge uma escala propriamente global. Além das suas expressões
nacionais, bem como dos sistemas e blocos articulando regiões e nações países
dominantes e dependentes, começa a ganhar perfil mais nítido o caráter global do
capitalismo. Declinam os estados-nações, tanto os dependentes como os
dominantes. As próprias metrópoles declinam, em benefício de centros decisórios
dispersos em empresas e conglomerados ".(Otávio Ianni, A sociedade global,
p. 39.)
A globalização não é um acontecimento recente. Ela se iniciou já nos
séculos XV e XVI, com a expansão marítimo-comercial européia,
consequentemente a do próprio capitalismo e continuou nos séculos seguintes. O
que diferencia aquela globalização ou mundialização da atual é a velocidade e
abrangência de seu processo, muito maior hoje. Mas o que chama a atenção na
atual é sobretudo o fato de generalizar-se em vista da falência do socialismo real.
De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado.
No contexto de um país subdesenvolvido, os efeitos da globalização têm
sido desastrosos. Um exemplo ilustrativo foi o ocorrido com o México, que viveu
sua pior crise, financeira em dezembro de 1994. O país fora, até então, o melhor
aluno do FMI e do Banco Mundial; fez a desregulamentação da economia, a
abertura econômica ao exterior e a política de privatizações de suas empresas
estatais.
De um dia para outro bilhões de dólares de capital especulativo foram
transferidos de suas bolsas de valores para outras praças. A crise financeira
resultante teve as conseqüências típicas desse quadro: inflação, recessão,
aumento do desemprego e falências de empresas.
No mundo globalizado, a competição e a competitividade entre as
empresas tornaram-se questões de sobrevivência. Entretanto, como o poder das
empresas (quanto ao domínio de tecnologias, de capital financeiro, de mercados,
de distribuição etc.) é desigual, surgem relações desiguais entre elas e o mercado.
Algumas sairão vitoriosas e outras sucumbirão. Muitos setores da economia estão
oligopolizados e até mesmo monopolizados, dificultando a entrada de novos
competidores. Desse modo, a noção de livre mercado é relativa. Muitos setores da
atividade econômica já tem "dono" e dificilmente permitiram a entrada de novos
produtores. A globalização da economia e das finanças beneficia, assim,
amplamente o grande capital, as grandes corporações transnacionais.
Inserido nessa nova conjuntura, nessa nova ordem econômica, o Brasil fez
a abertura econômica para o exterior, tem aplicado a política de privatizações e
empenha-se em desregulamentar sua economia, oferecendo vantagens às
transnacionais para que aqui se instalem. Em alguns seguimentos da economia,
como as indústrias farmacêuticas, da borracha, do fumo e a automobilística, existe
um domínio absoluto das transnacionais. Cerca de 44% do total das exportações
de manufaturados brasileiros são das transnacionais. Somos uma das economias
mais internacionalizadas do mundo e caminhamos a passos largos para que essa
característica se acentue, em vista do processo de globalização que estamos
vivendo.
O desafio que esse quadro nos impõe é o de definir uma política de controle
da ação dessa corporações e dos capitais de curto prazo, principalmente daqueles
que possuem enorme poder econômico e político, e centro de decisão sediados
no exterior. Com a globalização econômica, a temática prioritária no campo
empresarial passou a ser a competitividade. Nesse caminho, a necessidade de se
impor em um mercado sem fronteiras fez com que as economias substituíssem o
trabalho humano pela eficiência e perfeição da alta tecnologia, muitas vezes
gerando desemprego ou realocando trabalhadores para funções mais nobres.
Existem, atualmente, 800 milhões de pessoas desempregadas em todo o
mundo. Nos países subdesenvolvidos, a situação é ainda pior. É longo o caminho
que precisam percorrer para atingir o nível de automação do Primeiro Mundo e,
além disso, amargam com freqüência dois tipos de desemprego: conjuntural --
causado pelo arrocho no crédito e taxa de câmbio que limita as exportações -- e
estrutural --provocado pela mudança no processo de produção ou no mix de bens
e serviços produzidos em certos momentos. Este último, resultante da substituição
das pessoas pelas máquinas.
No Brasil, grande parte da força de trabalho, representada por 60 milhões
de pessoas, não está preparada para lidar com a era da automação. "A
globalização, as novas tecnologias e a formação profissional alijam uma série de
pessoas. Os profissionais não estão acompanhando o desenvolvimento
tecnológico, as mudanças de mentalidade e de comportamento", avalia a
coordenadora do Departamento de Desenvolvimento Gerencial do Ietec, Maria
das Graças Reggiani Almeida. Além disso, mais de 50% dos brasileiros podem ser
considerados analfabetos, se considerado o atual padrão mundial de
alfabetização: capacidade de ler e interpretar um manual de instruções. Para obter
uma mão-de-obra qualificada e evitar o desemprego friccional --decorrente de um
desajuste entre qualidade da mão-de-obra e oferta de trabalho--, o país necessita
de investimentos na área de educação. A reforma agrária é, na visão de
economistas, outra premissa fundamental para barrar o desemprego. O governo
deve devolver a oportunidade de retornar ao campo àqueles que saíram para a
cidade grande em busca de uma melhor condição de vida.
A população brasileira economicamente ativa tem um dos mais baixos
índices de escolaridade entre os países em desenvolvimento. O trabalhador
brasileiro, em média, freqüenta o curso básico durante 3,2 anos.
O sonho do emprego estável nas grandes indústrias virou pesadelo frente à
estrutura do capitalismo atual. A política do "full employment" (pleno emprego)
está sendo substituída pela do "employ hability" (contratação de acordo com as
habilidades do empregado).
A redução dos empregos nas indústrias também está relacionada com
mudanças organizacionais.
Os administradores estão diminuindo os cargos de chefia, a pirâmide da
empresa e estão terceirizando grande parte das atividades. Nas empresas
modernas, multiplica-se a idéia de que é melhor subcontratar serviços a contratar
gerentes. Nos trabalhos que não sejam essenciais, a ordem é terceirizar. O
objetivo da indústria moderna é conseguir o máximo de autonomia com o mínimo
de intervenção humana.
Respondendo a tantas mudanças, o mercado sugere a necessidade de um
novo perfil profissional.
As empresas não mais precisam de profissionais eminentemente técnicos,
e sim de pessoas voltadas para processos de interpretação, elaboração e
transformação. O profissional de sucesso não é mais aquele especializado em
determinado assunto. Hoje, é preciso ter uma visão globalizada para atender a um
consumidor mais exigente. "Para obter esta qualificação profissional, entretanto,
deve partir das empresas a iniciativa de oferecer treinamentos, pagar cursos de
informática e inglês e promover seminários internacionais". No entanto, isso pode
levar a uma disputa desigual. A empresa precisa investir na qualificação de seus
funcionários, para que haja promoção do desenvolvimento do profissional.
Neste caso, o profissional deve tomar a iniciativa sempre que possível.
A importância dos cursos extracurriculares assume dimensões
surpreendentes. O domínio de idiomas e conhecimento em informática passam a
ser tão fundamentais quanto o diploma universitário. As universidades brasileiras
não correspondem, como antes, à necessidade e ao futuro do estudante. Em
contrapartida cresce a procura por cursos de inglês, espanhol e informática. As
empresas começam a apostar no processo de educação continuada. "O
profissional precisa estar sintonizado a essa nova tendência do mercado e as
empresas precisam investir nessa qualificação”.

4. Bibliografia

BELTRAN, Ari Possidonio. Flexibilização, Globalização, Terceirização e seus


impactos nas relações de trabalho. Revista LTr 61 (4): 490-495

CALDAS, Ricardo W. "Introdução à globalização: noções básicas de economia,


marketing & globalização". Celso Bastos Editor, São Paulo, 1998.

MACIEL, José Alberto Couto. “Desempregado ou supérfluo? Globalização”. Ed.


LTR , 1998.

Jornais : A TRIBUNA, FOLHA DE SÃO PAULO