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Cidade notícias do dia Grande Florianópolis sábado e domingo, 29 e 30 de maio de 2010 3

Armação. Moradores do Campeche também estão preocupados

Ressaca faz danos


Editorial.
Drogas: o
consumidor
em outras praias financia o crime
O
tráfico e o consumo de drogas em Santa Cata-
rina crescem em proporções alarmantes. To-

arquivo pessoal/nd
Danilo Duarte dos os dias nossos veículos de comunicação
redacao@noticiasdodia.com.br divulgam notícias sobre mortes, roubos, sequestros e as-
sassinatos, e na maioria dos casos a explosão da violência
Nas praias próximas à Armação e da criminalidade têm relação direta com o narcotráfico.
do Pântano do Sul, no Sul da Ilha,
em Florianópolis, a tensão entre os
A tragédia das drogas está infiltrada na sociedade, atin-
moradores é grande. A preocupa- gindo todas as classes. Já não é um problema das populações
ção é que a força das ondas cause mais pobres, moradores da periferia, dos morros e das favelas.
um fenômeno semelhante ao que A droga, indistintamente, contamina também famílias bem-
ocorre na Armação, onde a ressa- sucedidas, que habitam bairros nobres e prédios de alto luxo.
ca já destruiu mais de uma dezena Está dentro das casas, nos colégios, nas repartições públicas,
de casas e praticamente evacuou a nos clubes e ruas da cidade. Não podemos mais permanecer
orla. Segundo os moradores, as on-
calados, como meros espectadores desta dramática situação.
das avançaram cerca de cinco me-
tros sobre a areia nos últimos anos. O Grupo RIC quer propor uma reflexão à socieda-
Entre as praias de Campeche e de catarinense. A questão das drogas, apesar de com-
Armação do Pântano do Sul, as on- plexa, não é um problema “dos outros”, mas de todos
das fortes destroem casas e constru- nós, e cabe à própria sociedade encarar essa verdade de
ções há mais de uma semana. Clari- Antes. Trecho da praia do Campeche há alguns anos, com muro intacto frente. Afinal, se há traficantes e drogas é porque exis-
ce Gomes, 53, mora há 18 anos no tem consumidores, e estes são também responsáveis
edu cavalcanti/nd

local e conta que os estragos estão


pela onda de criminalidade, porque financiam o tráfico.
sendo maiores a cada ano. “O terre-
no já diminuiu cinco metros no ano Os poderes públicos, a mídia e as instituições não go-
passado por causa do avanço do vernamentais têm se empenhado nos últimos anos em
mar e agora tenho medo que isso se promover campanhas educativas. O Estado, de sua par-
repita”, diz Clarice. te, tem travado uma luta sem tréguas contra o crime
Para tentar conter os prejuízos, organizado. Mas isso não é o bastante. O consumidor
o casal de empresários Danilo Ho- – usuário eventual ou viciado – tem de tomar consciên-
landa, 47, e Joce Holanda, 45, está
cia de que está ajudando o assassino a puxar o gatilho.
recuando a casa. Pelas contas dele,
o mar já avançou cerca de dez me- Temos de deixar a hipocrisia de lado: o consumi-
tros nos últimos 25 anos. dor de drogas não é apenas vítima, mas também res-
ponsável pelas mortes, corrupção e violência, alimen-
Causas. tando uma cadeia sem fim de crimes. A vasta rede de
consumidores financia o poder dos traficantes, fazendo
De acordo com o oceanólogo aumentar as estatísticas policiais. Hoje, 90% dos homi-
Argeu Vanz, da Epagri (Empresa
cídios cometidos no Brasil estão relacionados ao tráfico.
de Pesquisa Agropecuária e Ex-
tensão Rural de Santa Catarina), Depois. No mesmo local, força das ondas já danifica construções na orla As famílias precisam fazer a sua parte, tratando e resgatan-
órgão oficial responsável pelo mo- do a autoestima dos que, infelizmente, se deixam corromper
nitoramento do tempo no Estado,
a interferência humana – como a Barra da Lagoa já foi atingida pelas drogas. Mas cabe papel relevante aos nossos legislado-
res, que devem propor, sim, leis diferenciadas para usuários e
construção dos molhes na Barra da traficantes. Para os traficantes, todos os rigores da lei, aplica-
Lagoa e na Armação do Pântano do Técnicos da Defesa Civil ob- mais alto da escala utilizada pelo da exemplarmente. Para os consumidores, igualmente, penas
Sul – é um dos itens a ser considera- servam o comportamento do mar sistema de Defesa Civil no muni-
socioeducativas mais rígidas. Hoje, infelizmente, estes são
do como causa da intensificação da na Barra da Lagoa, onde a ressaca cípio. No último fim de semana,
ressaca no Sul da Ilha.“O fenôme- já destruiu algumas construções um posto de salva-vidas e parte considerados dependentes e gozam de absoluta tolerância.
no de transporte da areia de praia à beira do mar. Já na Armação, a de um restaurante também foram É preciso que a sociedade constranja o consumidor,
acontece normalmente e já ocorria, prefeitura iniciou na sexta-feira a destruídos. a exemplo do que fazem alguns países desenvolvidos,
embora de forma mais lenta do que construção de uma grande barrei- O diretor da Defesa Civil, Máxi- onde os condenados cumprem pena vestindo unifor-
agora”, explica. ra de pedras para tentar conter o mo Seleme, embarcou para Brasília me laranja, sejam eles cidadãos comuns ou celebridades.
Outro fator é a repetição com avanço do mar. em busca de recursos financeiros São penalizados publicamente para servir de exemplo,
que os ciclones que atingem o litoral Na quinta-feira, a Defesa Civil para tentar conter os estragos na
obrigados a dar a sua parte à sociedade, trabalhando em
de Santa Catarina. Neste ano foram da Capital entregou um laudo téc- Ilha. “Estamos fazendo o trabalho
registrados quatro ciclones, metade nico sobre a situação que é possível, dentro escolas, creches e entidades sociais. No Brasil, são tra-
deles só neste mês. Um novo ciclo- na Barra da Lagoa para das limitações que te- tados apenas como doentes, não lhes imputando cul-

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ne extratropical age este fim de se- o prefeito Dário Ber- mos”, afirma Leal. pa alguma como corresponsáveis pela criminalidade.
mana na costa gaúcha, provocando ger. “É preciso agora Na Armação, come- Éprecisoqueoscatarinensesreflitamsobreisso,estimulan-
chuva em Santa Catarina. aguardar a elaboração casas foram çou na sexta-feira a ser do o debate, a reflexão e o aperfeiçoamento da nossa legislação.
de um plano de ação interditadas na erguido um muro de Quem sabe, com estas medidas, em breve tempo a sociedade
O transporte de areia emergencial”, explica o Barra da Lagoa; contenção. A obra deve
possa, enfim, sentir que a guerra do tráfico não está perdida.
já ocorria, mais de forma
técnico do órgão, Mar-
cos Leal. 5
delas foram
durar três meses e con-
sumir R$ 12 milhões.
mais lenta que agora.” Segundo Leal, há Os caminhões com to-
12 casas interditadas enquadradas pela neladas de pedras for-
Argeu Franz, oceanólogo na Barra da Lagoa, cin- Defesa Civil com mam filas no acesso ao
co delas em risco 4, o risco máximo. balneário.