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Pró-Reitoria Acadêmica Escola de Saúde Curso de Psicologia Trabalho de Conclusão de Curso

DANÇA DO VENTRE: Uma alternativa no tratamento de mulheres com depressão

Autora: Raíla Franciele Silva Cardoso Orientador: MSc. Alexandre Cavalcanti Galvão

Brasília - DF

2016

RAÍLA FRANCIELE SILVA CARDOSO

DANÇA DO VENTRE: Uma alternativa no tratamento de mulheres com depressão

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília.

Orientador: MSc. Alexandre Cavalcanti Galvão

Brasília

2016

Trabalho de Conclusão de Curso de autoria de Raíla Franciele Silva Cardoso, intitulada “DANÇA DO VENTRE: Uma alternativa no tratamento de mulheres com depressão”, apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Psicóloga pela Universidade Católica de Brasília, em 11 de agosto de 2016, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada:

_______________ Prof. MSc. Alexandre Cavalcanti Galvão Orientador Psicologia UCB

_________________

______________________ Profª. Drª. Luciana da Silva Santos

__________

Psicologia UCB

Brasília

2016

Aos meus pais, Joaquim Pereira Cardoso e Maria das Dores de Sousa Silva, que sempre estão ao meu lado me apoiando e se esforçando para me dar suporte em tudo, da maneira que for possível. Amo vocês!

AGRADECIMENTO

À Deus por me permitir chegar onde estou, embora eu não saiba definir como anda a nossa relação eu tenho certeza de que ele habita dentro de mim e continua me guiando por caminhos do bem.

Aos meus pais por todo amor e todo apoio, eles me proporcionaram a oportunidade de estar em contato com a dança e com a psicologia, são eles que me dão todo suporte necessário para seguir os dois caminhos que meu coração escolheu.

À minha irmã Raniele, aos meus amigos da vida, os quais prefiro não citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém, aos colegas de curso que sempre me apoiaram, torceram por mim e acreditaram no meu trabalho, especialmente àqueles que me ajudaram com a revisão e formatação do trabalho (Rani, Grasi, Isabela, Silvana e Pedro), vocês foram fundamentais, e também à colega Elizângela que fez o possível para me ajudar com a amostra desta pesquisa.

Ao meu namorado Lucas pela parceria, motivação, cuidado e amor.

À minha cunhada Juliana pelo suporte de sempre.

A todos os professores que fizeram a diferença ao longo da minha vida e foram exemplos para mim.

Aos professores da Universidade Católica que me incentivaram a estudar o tema deste trabalho que tanto me interessa e me proporcionaram aprendizados sobre a Psicologia e sobre a vida ao longo da graduação, destacando a professora Cláudia Fukuda que me auxiliou com a escolha e interpretação de um dos instrumentos de pesquisa, a professora Luciana da Silva Santos, que aceitou gentilmente compor a banca examinadora deste trabalho e meu querido orientador Alexandre Cavalcanti Galvão que embarcou comigo nas minhas ideias e me auxiliou ao longo do delineamento de todo projeto de pesquisa, bem como em sua execução, além de ser um profissional que me inspira e vem contribuindo significativamente com minha formação profissional, me permitindo explorar as possibilidades e me fazendo perceber quem sou enquanto psicóloga, quem eu poderia ser, e quem eu quero ser. Foi muito gratificante ter ao meu lado um profissional tão humano.

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Aos psicólogos Roberto Menezes de Oliveira e Talita Vieira, responsáveis pelo Centro de Formação em Psicologia Aplicada (CEFPA) que gentilmente me cederam o espaço para realização da pesquisa e as secretárias Fátima e Janaína que sempre nos deram o suporte necessário.

A todas as alunas e colegas de profissão que se ofereceram para contribuir com minha pesquisa, ressaltando a importância de ter dados científicos acerca dos benefícios da Dança do Ventre, arte que promove experiências maravilhosas para nós.

Às participantes do grupo de pesquisa que se dispuseram a me encontrar duas vezes por semana e que confiaram na minha proposta de oferecer uma alternativa prazerosa para lidarem com seus sintomas.

Por fim agradeço de maneira geral a todos que acreditam no meu trabalho e, por vezes, se preocupam com meu bem estar fazendo a seguinte pergunta: o que você vai escolher a psicologia ou a dança? Sempre respondo com um sorriso no rosto da seguinte forma: enquanto eu puder conciliar as duas coisas, eu farei, não significa que sempre que falar de uma estarei falando da outra, basta saber que a Dança do Ventre e a Psicologia são conhecimentos, práticas e paixões que coexistem dentro de mim. Eu me sinto privilegiada por poder exercer três profissões que tanto gosto (bailarina, professora e agora psicóloga), e que me permitem estar em contato com tantas pessoas diferentes e com histórias de vida que sempre me proporcionam aprendizados.

Gratidão!

RESUMO

Referência: CARDOSO, Raíla Franciele Silva. DANÇA DO VENTRE: Uma alternativa no tratamento de mulheres com depressão. 2016. 47 folhas. Monografia da Graduação em Psicologia Universidade Católica de Brasília, Brasília DF, 2016.

O presente estudo teve como objetivos geral e específicos, respectivamente, examinar as contribuições da prática de dança do ventre na saúde e autoestima de mulheres que convivem com sintomas depressivos, além de oferecer uma alternativa prazerosa e não medicamentosa para o tratamento destes sintomas; exercitar a expressão corporal e fomentar autoestima de mulheres; identificar se a dança do ventre apresenta alguma melhora em quadro depressivo. Para isso, foi proposto realizar uma pesquisa qualitativa e quantitativa com caráter quase experimental, baseada no estudo de caso de três grupos, grupo 1 experimental, grupo 2 controle A e o terceiro grupo controle B, entretanto, devido a uma dificuldade com a amostra desejada, optou-se por realizar um estudo de casos múltiplos. A coleta de dados da pesquisa se deu por meio de entrevistas iniciais, intermediárias e finais onde foram aplicados os seguintes instrumentos: Inventário de Depressão de Beck BDI (para verificar a intensidade da depressão), desenho da figura humana do HTP (com o objetivo de verificar a autopercepção e como a mesma é projetada), foi utilizado também a Escala de Bem-Estar Subjetivo (EBES de Albuquerque e Tróccoli, 2004), e um questionário com perguntas abertas desenvolvido pela autora. O desenvolvimento da pesquisa contou também com registros de observação participante construídos a partir de cada encontro. A partir das aulas de dança do ventre e dos instrumentos utilizados, observou-se melhora na autoestima e disposição das participantes, contribuindo positivamente para o bem-estar e qualidade de vida das mesmas, e também na diminuição da recorrência dos sintomas depressivos.

Palavras-chave: Dança do Ventre. Depressão. Mulheres.

ABSTRACT

The current work has as general objective and specific, respectively, look for the contribution of belly dance practice in health and self steam of women who lives with depressive symptom, furthermore offer a pleasure alternative and a non drug for the treatment of the symptoms; exercise the body expression and build self steam of women; identify if the belly dance shows any improvement on depression. For this, was made a quality research and a quantitative research with experimental feature, base on the study of three studies groups: group 1 experimental, group 2 control “A” and the third group – control B. However, because of a difficulty on the sample wished, it was decided to conduct a study of multiple cases. The sample of data on the research was made by the initial interviews and the finals ones which were applied the follow instruments: Beck Depression Inventory BDI (to verify the intensity of depression), draw of the human figure of House Tree Person test (HTP) (with the objective on verify the self perception and how its project). Moreover was utilized the subjective well-being scale (EBES from Albuquerque and Tróccoli, 2004), is a questionnaire with open questions developed by the author. The research process depended too of participant’s observation registers built from each meeting. Since belly dance and the instruments used, was noticeself-esteem and mood development from the participants, bringing positively to their self-esteem, health quality and also fora decrease on depression symptoms.

Key words: Belly Dance. Depression. Women.

SUMÁRIO

SUMÁRIO

9

INTRODUÇÃO

10

12

A

DEPRESSÃO

17

 

21

24

24

25

26

Procedimento de análise de dados

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RESULTADOS

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DISCUSSÕES

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

39

41

ANEXOS

44

ANEXO

I

44

ANEXO

II

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ANEXO

III

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INTRODUÇÃO

O presente estudo é o Trabalho de Conclusão de Curso da Universidade Católica de Brasília. Intitulado DANÇA DO VENTRE: Uma alternativa no tratamento de mulheres com depressão, e orientado pelo MSc. Alexandre Cavalcanti Galvão.

O objetivo deste trabalho foi examinar as contribuições da prática de dança do ventre na saúde e autoestima de mulheres com sintomas depressivos, buscando também oferecer uma alternativa prazerosa e não medicamentosa para o tratamento da depressão; exercitar a expressão corporal e fomentar autoestima de mulheres; e identificar se a dança do ventre apresenta alguma melhora em quadro depressivo.

O presente tema é de meu interesse, uma vez que integra duas áreas de atuação pertinentes ao meu cotidiano, a Psicologia e a dança do ventre. Em termos de relevância social e científica, a prevalência da depressão é significativamente maior em mulheres, a Pesquisa Nacional de Saúde feita pelo IBGE, em 2013, afirma que de 7,6% das pessoas com idade igual ou superior a 18 anos que foram diagnosticadas com depressão, a ocorrência em mulheres é mais do que o dobro do que em homens. A depressão é um transtorno mental que tem se agravado e se expandido com o passar dos anos, diversos autores têm estudado sobre o assunto e a estimativa, segundo a Organização Mundial de Saúde, é que em 2020 a depressão esteja no topo da lista de doenças causadoras de ônus e morte.

Em sete anos de vivências pessoais proporcionadas pelo contato com salas de aulas de dança do ventre, seja como praticante ou professora, pude observar o crescimento pessoal de mulheres que se interessam e se dedicam a essa arte. Cada mulher tem suas particularidades, sejam elas físicas, sociais ou afetivas. Nas aulas de dança do ventre, pode-se encontrar mulheres em faixas etárias variadas, desde crianças encantadas pelos movimentos corporais diferentes do que elas veem no cotidiano, a adolescentes e mulheres adultas descobrindo através da dança o significado pessoal de ser mulher, inclusive senhoras bem-dispostas que procuram nas aulas de dança reencontrarem seu lado feminino e reinventarem o significado da feminilidade em suas vidas. Essas mulheres também possuem estruturas corporais e biotipos diferentes.

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Em 2001, a Rede Globo de Televisão exibiu em sua programação a novela O Clone, que retratava um pouco da cultura oriental árabe. Em vários capítulos da trama foram mostradas cenas em que as personagens dançavam. Esse aspecto cultural particularmente despertou o interesse de mulheres brasileiras de diversas idades. Nessa época, houve uma difusão da prática da dança do ventre em todo o país, academias lotadas, abertura de estúdios de dança, turmas cada vez mais requisitadas e atrações de bailarinas em vários estabelecimentos e festas particulares. Na época da novela se via em todos os lugares mulheres utilizando adereços ou roupas que as personagens usavam.

Passados os efeitos causados pelo enredo, algumas mulheres abandonaram as aulas de dança, mas muitas delas permaneceram, pois encontraram sentido em tal modalidade. Por exemplo, muitas mulheres que me procuram para iniciar em uma turma de dança relatam que começaram a freqüentar aulas na época do clone e após desistirem, sentiram falta. Por isso, após anos, resolveram retomar a prática.

São inúmeros os motivos pelos quais as mulheres procuram aprender a dança do ventre, entre eles estão: busca pela feminilidade e autoestima, emagrecimento, movimentação do corpo, alívio do estresse, ter um momento seu, conhecer novas pessoas e admiração pela arte. Essas mulheres encontraram resultados satisfatórios que buscavam e outros que nem imaginavam.

Ouvindo relatos das minhas alunas e colegas sobre como elas se sentiram diferentes após poucas aulas de dança do ventre e como a dança tem melhorado suas rotinas e bem-estar, surgiu o interesse em pesquisar quais seriam as contribuições da prática da dança do ventre como terapêutica adjacente à psicoterapia no tratamento de mulheres em quadro depressivo, visando estimular a prática de tal atividade como auxílio no tratamento da depressão. Por meio da presente pesquisa, pretende-se verificar de que forma as particularidades da dança do ventre podem contribuir com o tratamento da depressão em mulheres. Como afirma Mendonça, Sousa e Fernandes (2012, p. 1025):

O conhecimento diferenciador de diferentes tipos de atividade física é ainda limitado, o que justifica o interesse em conhecer a influência da prática de diferentes tipos de exercício (hidroginástica, dança ou treino de força) em dimensões físicas e psicológicas.

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REVISÃO DE LITERATURA

O delineamento teórico e metodológico deste projeto se deu por meio de consulta ao portal de periódicos CAPES, em que inicialmente se buscou bibliografias pelas palavras chave: dança corpo-psicologia, dança do ventre-psicologia, terapêuticas corporais para depressão, dança do ventre-depressão, dança- psicologia, depressão, depressão-mulheres. A partir desse ponto foi feita uma avaliação de cada artigo encontrado por meio das palavras chave e selecionou-se alguns que o objeto de estudo se aproximavam com o tema do presente trabalho.

Na busca pelas palavras dança - corpo - psicologia, encontrou-se 135 escritos, destes, dois foram selecionados para compor o aporte teórico da pesquisa, um artigo de Spindler e Fonseca (2008) que considera as várias formas de viver no mundo traçando um paralelo com a dança contemporânea. E uma pesquisa de Mendonça; Sousa e Fernandes (2012) que compara a influência de diferentes exercícios físicos na composição corporal e dimensões psicológicas em mulheres.

Foram descartados artigos que tratavam de psicologia social, representações do feminino na mídia, construção social do corpo dentro das organizações, dança relacionada a gastos calóricos de universitários, psicologia e práticas sociais, dança e tecnologia, epistemologia, sentidos (olfato e paladar) e dança, subjetivação e dança, criação do corpo cênico e estados alterados de consciência, psicanálise e desenvolvimento de cantores líricos.

Outros artigos descartados possuíam acesso restrito à universidade do autor ou estavam retidos por motivo de patente requerido pelo autor, ou tratavam de dança e subjetividade do espectador, corporeidade de bailarinos profissionais, descoberta pessoal de atores e bailarinos, bailarinos clássicos e a insatisfação com o corpo, psicologia analítico - comportamental e esquizofrenia, dança terapêutica e estresse laboral, estética e ideologia da sexualização, educação superior em saúde, perturbações alimentares e bailarinos/ginastas, desenvolvimento infantil, estudos feministas, abordagem psicanalítica, ciências sociais, formação de professores, formação médica, educação inclusiva, bem-estar na velhice e antropologia,.

Desconsideramos também artigos que tinham como tema comportamento infantil, corporeidade e síndrome de down, autismo, estimulação psicomotora de

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deficientes visuais, satisfação pessoal e mountain bike, imagem corporal de mulheres com câncer, dança de casal e atividade física de lazer, travestilidade, arte circense, manifestações artísticas e culturais, erotismo, violência contra a mulher, estruturação subjetiva de adolescentes, masculinidade, nutrição, prática de Yoga, noção de corpo dentro da filosofia, metodologia para o ensino de dança utilizando a psicologia, distúrbios alimentares, intervenções corporais com foco psicanalítico com base em técnica de improvisação da dança contemporânea.

Pesquisando as palavras dança do ventre e psicologia, encontrou-se 11 trabalhos, dos quais apenas um foi selecionado, trata-se de um artigo de Reis e Zanella (2010), que apresenta os resultados de uma pesquisa que buscou compreender de que modo a dança do ventre (enquanto atividade estética) se concretiza, e como se dá sua mediação na constituição do sujeito. Foram descartadas produções em que os temas relacionavam-se com trabalho corporal de bailarinos associado ao ballet, análise do comportamento e esquizofrenia, arte bruxaria e canibalismo, análise contemporânea das ciências, manifestações artísticas e tendências culturais, violência contra a mulher, nutrição e estudo sobre a perspectiva feminina nas artes visuais baseado numa concepção histórico-cultural. Em terapêuticas corporais para depressão, encontrou-se 24 trabalhos, entretanto, todos foram descartados pelo fato dos temas estarem relacionados a desenvolvimento infantil, cuidados paliativos, comportamentos autolesivos de adolescentes, imagem corporal de idosos, saúde mental de trabalhadores, qualidade de vida de mulheres com fibromialgia, mães de bebês prematuros, imagem corporal de mulheres com câncer, itinerário terapêutico de trabalhadores com LER, dependência química, Programa Saúde Família, epidemiologia, ansiedade e análise do comportamento, envelhecimento, práticas terapêuticas no tratamento da sífilis, povos indígenas, antropologia da saúde, psicologia da saúde, depressão sob enfoque psicanalítico.

Buscando dança do ventre - depressão, localizou-se 8 artigos, todos foram desconsiderados, pois nenhum falava especificamente sobre o tema desta pesquisa e estavam relacionados com literatura, manifestações artísticas e tendências culturais, contos e mitos.

E pelas palavras chave dança e psicologia, localizou-se 41artigos, entre eles dois foram selecionados, entretanto, um deles já fazia parte do referencial teórico

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escolhido a partir das palavras chave dança corpo - psicologia, portanto, dos quarenta e um artigos localizados selecionou-se um de Lima (2011) que consiste em um estudo exploratório e qualitativo realizado com o objetivo de investigar efeitos terapêuticos em participantes do Grupo Baiadô: Pesquisa e Prática de Danças Brasileiras da Universidade Federal de Uberlândia.

Eliminou-se trabalhos que tinham como conteúdo danças circulares e qualidade de vida, danças de casal e relação conjugal, distúrbios alimentares em bailarino e bailarinas, psicologia positiva, seleção de parceiros através da dança, montagem coreográfica, arte e medidas socioeducativas, processo de criação em dança, desenvolvimento infantil, dança e psicodrama, dança na terceira idade, sentidos sensoriais e dança, danças sagradas e meditativas, a dança na subjetividade de jovens negros, expressão por meio de mitos, uso da argila como meio de expressão, incursões corporais com sujeitos com transtornos psíquicos graves, cognição, dança no desenvolvimento de cantores líricos, criação coreográfica por meio de imagens do inconsciente, terapia ocupacional, inclusão escolar, análise de espetáculos de dança contemporânea, estudo da interação entre o processo de criação em performance contemporânea e o processo de individuação à luz da psicanálise.

Foram encontradas algumas obras que poderiam complementar o referencial teórico deste projeto de pesquisa, mas estavam disponibilizados parcialmente e não poderiam atender às necessidades da autora. A partir da leitura e anotações feitas referentes aos artigos escolhidos, iniciou-se a busca de outras fontes. Realizaram-se novas buscas, desta vez por meio do portal de periódicos CAPES e também pelo Google Acadêmico, pesquisando as palavras-chave depressão, e depressão - mulheres.

Por meio da palavra chave depressão foram eleitos três artigos para subsidiar o referencial desta pesquisa: Porto (1999) que revê o conceito de depressão, seus sintomas e diferentes subtipos. Discutindo aspectos relativos ao desenvolvimento e às características da depressão, abordando também as fronteiras da depressão com outras patologias; Gongora (1981) que sistematiza os principais conceitos de depressão; e Teodoro (2010) que é um livro didático sobre o conceito de depressão, sua historicidade, dados demográficos, contextos em que ela ocorre, fala das causas e fatores que podem influenciar o desenvolvimento da depressão, relata quais os

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recursos terapêuticos possíveis de serem utilizados e finaliza com reflexões acerca do tema.

Utilizando as palavras chave depressão mulheres, selecionou-se seis trabalhos: Vieira; Porcu e Rocha (2007), estudo que teve como objetivo analisar a efetividade do exercício físico como complemento terapêutico no tratamento da depressão; Martin; Quirino e Mari (2007), pesquisa que analisou o significado da depressão para mulheres diagnosticadas com essa doença e o contexto do atendimento realizado pelos psiquiatras que as acompanhavam; Andrade; Viana e Silveira (2006) que trata das particularidades dos transtornos psiquiátricos que acometem mais mulheres do que homens, bem como das respostas terapêuticas que têm sido obtidas;

A Pesquisa nacional de saúde 2013, IBGE: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas, que foi realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa em convênio com o Ministério da Saúde, apresentando resultados acerca dos temas percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas; Silva (2008), estudo que teve como objetivo verificar se a percepção da imagem corporal de mulheres com depressão fazendo uso de antidepressivos apresenta alteração/distorção; e Gonçales e Machado (2008), estudo que teve como objetivo compreender histórias de vida de mulheres com depressão.

Posteriormente, verificou-se a aba publicações artigos científicos, do site Central Dança do Ventre (www.centraldancadoventre.com.br) a fim de encontrar trabalhos específicos que tivessem relação com o tema desta pesquisa. No referido site foram encontradas 134 publicações, das quais 14 foram escolhidas para subsidiar teoricamente o presente trabalho, entretanto, 8 destes estavam disponibilizados apenas parcialmente e foram descartados.

Os artigos escolhidos foram dos autores Abrão e Pedrão (2005), um estudo

cujo objetivo era investigar os benefícios da dança do ventre para a saúde de mulheres que freqüentavam aulas de dança do ventre há pelo menos três meses; Marques (2008) que realizou um estudo com o objetivo de integrar um trabalho de

consciência corporal ao projeto “Uma Medida de Peso” existente a partir da parceria

entre o departamento de Nutrologia da Unifesp e o Núcleo de Extensão e Qualidade

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de Vida da Universidade São Marcos; Cornely (sem data) que é uma breve revisão a respeito das contribuições da dança do ventre para a autoestima e feminilidade de mulheres;

Braga (2008) que verificou a contribuição da prática de dança do ventre para a autoestima das mulheres e resgate do feminino; Figueiredo (2005) que discute os papeis ideológicos e as práticas sociais desempenhadas e reproduzidas na vida em sociedade, nesse sentido avaliam a mulher enquanto sujeito e sua relação com o próprio corpo antes e depois da prática de dança do ventre; e Salgueiro (2012), que em sua tese de doutorado apresenta e discute aspectos relacionados à transnacionalização da dança do ventre bem como sua difusão e influências sofridas em territórios europeus e norte-americanos. A autora discute ainda o caráter multicultural presente na dança do ventre a partir da apropriação feita pelas praticantes.

Outros trabalhos foram adicionados a partir das referências bibliográficas associadas aos artigos escolhidos: Koda (2011), que investigou a produção dos sintomas depressivos em mulheres atendidas em serviços de saúde pública, a partir da configuração de seus vínculos interpessoais, história de vida e contexto social; Barbanti (2010), que investigou a mudança na qualidade de vida de pacientes com depressão que participaram de atividades aeróbicas.

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A DEPRESSÃO

O termo Depressão tem sido frequentemente utilizado para designar estado de humor, sintoma, doença, conjunto de comportamentos, ou síndrome, sendo assim, encontra-se na literatura uma gama enorme de conceitos intitulados como depressão (GONGORA, 1981). A Pesquisa Nacional de Saúde realizada e divulgada pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013, p. 50), apresenta Depressão como "um distúrbio afetivo caracterizado, principalmente, pelo rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição das atividades" e complementa a definição do transtorno de humor com a informação de que "segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde - OMS (World Health Organization - WHO), a depressão é uma das principais doenças na carga global de doenças no mundo".

O conceito apresentado por Teodoro (2010, p 20), compreende depressão como "um transtorno mental, causado por uma complexa interação entre fatores orgânicos, psicológicos, ambientais e espirituais, caracterizado por angústia, rebaixamento do humor e pela perda de interesse, prazer e energia diante da vida", além disso, pode apresentar sintomas fisiológicos como alteração no ciclo normal de sono, no apetite, na atividade sexual, e ainda alterações comportamentais e de humor (PORTO, 1999).

De acordo com as estatísticas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), salientadas por Gonçales e Machado (2008), Martin, Quirino e Mari (2007), e Teodoro (2010), há uma estimativa de que mais de 400 milhões de pessoas encontra-se em quadros de depressão, número que tende a aumentar e atingir entre 15% e 20% da população mundial. A previsão é que até o ano 2020 a depressão ocupe o segundo lugar na lista de doenças causadoras de ônus e mortes, enquanto doenças cardíacas ocuparão o primeiro lugar.

A pesquisa do IBGE (2013), bem como os autores Yonkers e Steiner (apud SILVA, 2008), Koda (2011), Lopez e Murray (apud ANDRADE; VIANA; SILVEIRA, 2006) evidenciam que o risco e/ou a ocorrência de quadros depressivos em mulheres é duas vezes maior do que em homens, a prevalência da depressão em mulheres varia entre 1,5 e 3,0. A proporção é de 2 mulheres para cada homem que

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sofre com esse transtorno de humor. Kaplan e Sadock, Moreno; Dias; Kerr-Corrêa e Moreno (apud SILVA, 2008), Andrade; Viana e Silveira (2006) levantam hipóteses a respeito da predominância da depressão em mulheres, entre elas estão as diferenças e oscilações hormonais que as mulheres tem em relação aos homens, os impactos da gestação, modelos comportamentais e culturais perpetuados ao longo dos anos, histórico familiar, papeis sociais exercidos e estresse. Além disso, os autores apontam que há uma diferença também na forma como os sintomas e tratamento são encarados, pois as mulheres tendem a procurar ajuda médica com mais frequência e apresentam melhor adesão ao tratamento, seja relacionado a saúde mental ou não.

Os principais recursos empregados no processo terapêutico de pessoas com depressão referem-se a abordagens psicológicas e farmacológicas, no entanto, além dos trabalhos psicoterapêuticos que podem compreender em si as dimensões do inconsciente, do pensamento, do corpo ou do espírito, submetidas às particularidades das abordagens psicológicas existentes (TEODORO, 2010), e das intervenções medicamentosas por meio de antidepressivos, controle hormonal, fototerapia, terapia eletroconvulsiva, estimulação magnética transcraniana, estimulação do nervo vago, homeopatia e tratamento ortomolecular, são utilizadas práticas terapêuticas alternativas que podem complementar o tratamento, entre elas estão alimentação saudável, fitoterapia, florais, banho de sol, cuidado com a aparência, estilo de vida adotado, motivação, religiosidade, acupuntura, técnicas de controle da respiração, expressão de sentimentos por meio do choro ou do riso, terapia do abraço, música, trabalho corporal, aromaterapia, cromoterapia, trabalhos voluntários e contato com a natureza (TEODORO, 2010).

Outro recurso que apresenta benefícios é a pratica de atividades físicas, entre elas a dança que é parte do foco do presente trabalho. Diversas pesquisas têm demonstrado que a prática regular de atividades físicas exerce influência positiva sobre pessoas que se encontram em quadros de depressão, podendo ser um recurso não medicamentoso para auxiliar no tratamento deste transtorno de humor.

Um estudo feito por Vieira, Porcu e Rocha (2007), no Rio de Janeiro, propôs a prática de exercícios físicos baseados em hidroginástica, duas vezes por semana no período de seis meses, o grupo experimental foi composto por mulheres com

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diagnóstico de depressão realizado por médicos residentes em psiquiatria do Hospital Regional Universitário de Maringá.

Após as doze semanas de atividades, verificou-se melhora no quadro depressivo do grupo experimental que obteve média de 24,88 pontos na Escala de Hamilton para Depressão, enquanto o grupo controle apresentou escore de 30,22 na mesma escala (25 pontos para cima significa depressão grave, entre 18 e 24 pontos apresenta depressão moderada e de 7 a 17 representam depressão leve, segundo autores citados pelos responsáveis pela pesquisa).

O

estudo mostra

identificaram que

ainda dados de outras pesquisas realizadas que

Quando se verificou a prevalência da depressão em 3.707 pessoas que praticavam exercícios regularmente, apenas 8,24% sofreram quadros depressivos, enquanto em uma população de 157 sujeitos que nunca praticavam exercícios físicos, 16,8% dos indivíduos estavam em tratamento por quadros depressivos (VIEIRA; PORCU; ROCHA, 2007, p.

26).

Da mesma forma, Mendonça, Sousa e Fernandes (2012) desenvolveram uma pesquisa para averiguar comparativamente a influência de programas de exercícios físicos distintos (musculação, dança e hidroginástica) sobre a composição corporal, satisfação com a aparência física, satisfação com a saúde, autoestima e depressão em mulheres. O estudo foi realizado com a participação de mulheres, entre elas haviam mulheres ativas e sedentárias, com idade entre 18 e 56 anos, elas foram distribuídas em quatro grupos: sedentárias (GS; n=9), praticantes de musculação (GM; n=30), dança (GD; n=12) e hidroginástica (GH; n=15). No início e ao final da pesquisa as participantes foram submetidas a medidas antropométricas de dobras cutâneas (mm), estatura (m), massa corporal (kg), e responderam a escalas de avaliação da satisfação da aparência física, satisfação da saúde, autoestima e depressão. A análise dos dados obtidos mostrou que no quesito composição corporal, os grupos praticantes de musculação e dança apresentaram melhor perfil; em relação a aparência física, satisfação com a saúde e autoestima, os grupos de musculação, dança e hidroginástica demonstraram níveis de satisfação mais altos do que o do grupo de mulheres sedentárias; quando comparados os níveis de depressão, o os três grupos praticantes de atividades físicas apresentaram baixos níveis enquanto o grupo sedentário apresentou níveis mais altos.

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Nas pesquisas relatadas acima é notória a importância da prática de atividades físicas para a qualidade de vida e para o bem-estar físico e mental de mulheres com depressão. A respeito da eficácia de alongamentos e exercícios aeróbicos como terapêutica complementar, foi realizada uma pesquisa por Barbanti (2010), que constatou que houve uma melhora gradativa nos níveis de depressão e qualidade de vida do grupo experimental praticante de caminhada em relação ao grupo praticante de musculação fitness e o grupo de alongamento.

A concepção de qualidade de vida refere-se a aspectos mais abrangentes do que apenas a ausência de doenças, como enfatiza Barbanti (2010). Há pessoas (leigas ou não) que descrevem saúde a partir da ideia de que a ausência de patologias constitui o estado saudável de um indivíduo, conforme Barbanti (2010) articula em seu texto baseando-se em Minayo (2000), “qualidade de vida é uma noção eminentemente humana que se aproxima do grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental” (p.3). A autora explora ainda outras definições para qualidade de vida, todas elas abrangem seu sentido voltando-se para a amplitude de aspectos que compõem a subjetividade de cada ser.

Com base nos resultados obtidos pode-se obter segurança para implantar e desenvolver os Programas de Atividades Físicas como Complemento no Tratamento da depressão que permitam o controle e a remissão dos sintomas da mesma (BARBANTI, 2010, p. 13).

Dessa forma, percebe-se que a prática de atividades físicas, proporciona bem estar físico e é uma forma de enfrentar os sintomas da depressão, seja qual for a atividade realizada, colocar o corpo em movimento é um auxilio aos tratamentos tradicionais.

Há uma frase popular que diz que “quem dança seus males espanta” (autor

desconhecido).

Importante recurso no combate à depressão, a dança é capaz de interferir

de forma bastante eficaz no estado emocional de quem a pratica, [

...

]

De

acordo com os conceitos da bioenergética, o corpo enrijecido é fruto do

bloqueio das manifestações emocionais. Desta forma, a pessoa precisa trabalhar a expressão corporal, o fluxo energético e a autoaceitação, sentindo-se livre para ser quem é e permitindo-se ser espontaneamente conduzida pela música (TEODORO, 2010, p. 179-180).

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A DANÇA DO VENTRE

Sabendo da validade da prática de atividades físicas por que abordar a dança do ventre neste estudo? Há uma dificuldade em remontar com veracidade o histórico da dança do ventre, pois encontra-se fontes não confiáveis e divergentes a respeito de seu surgimento, propagação e desenvolvimento.

A dança do ventre surge em várias culturas, há indícios de que possa ter surgido no antigo Egito por volta de 7.000 a.C, onde eram realizadas por sacerdotisas para rituais de fertilidade e adoração, e também existem pesquisadores que acreditam que ela tenha surgido com um povo mais antigo, os sumérios, proveniente de um ritual sagrado (PENNA, 1993, apud CORNELY, sem data, p. 3).

“Com a invasão árabe e a consequente mistura de culturas, a dança do ventre foi disseminada para outros países, graças à tradição de viajante e mercador do povo árabe” (SABONGI, 2003 apud ABRÃO; PEDRÃO, p. 244. 2005). Além disso, trata-se de uma arte milenar que vem crescendo e se aprimorando ao passar dos anos, ela:

Coloca a mulher em contato com as energias positivas. É uma dança sagrada, é trabalhada e desenvolvida para sustentar as fragilidades, afagar nossos sofrimentos, realçar o brilho opaco dos nossos corações agitados pela rotina e resgatar a identidade feminina (NAHID; TAKUSI, 2000 apud ABRÃO; PEDRÃO, p.245, 2005).

Por proporcionar esse contato mais íntimo da mulher com ela mesma, cada vez mais têm crescido a procura por espaços que ofereçam a prática da Dança do Ventre. Com a rotina agitada e as responsabilidades que são exigidas diariamente, há necessidade de um momento próprio, enquanto mulher, no qual se possa respirar, aprender, relaxar, cuidar da saúde física e mental. Em nossa sociedade há uma impressão de que a dança do ventre é uma dança que explora a sensualidade (às vezes até confundida com a sexualidade) feminina. Muitas pessoas podem distorcer o sentido maior que a dança do ventre carrega e a perceber pelo viés da sexualidade. Segundo Sabongi (2003, apud ABRÃO; PEDRÃO, 2005), o enfoque da dança do ventre inicialmente não era a sedução, mas a exaltação de energias concentradas no útero e ligadas à criação. Em alguns aspectos individuais pode até ser que a mulher ressignifique sua

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sexualidade por meio da dança do ventre, mas o cerne é o caráter artístico dessa modalidade de dança.

Entretanto Reis e Zanella (2010) salientam que no processo de desenvolvimento e propagação cultural, a dança do ventre deixou de ter a referida função sagrada e progressivamente passou a ser reconhecida como herança cultural árabe, tornando-se uma expressão artística adaptada para palcos e sofrendo alterações culturais por parte dos lugares em que era praticada. Sendo assim, hoje a dança do ventre é vista como arte, onde a bailarina, ao passo que é artista, pode ocupar esse lugar como criadora e ao mesmo tempo como o resultado da obra, pois a dança do ventre diferente de outras modalidades não segue rigorosamente uma sequência de passos. A bailarina é livre para coreografar ou improvisar suas performances.

Ainda hoje, a dança do ventre para muitas pessoas apresenta um caráter significativamente religioso, mítico e/ou mágico, entretanto, essa visão será deixada de lado para se pensar a dança do ventre num caráter experimental como método de auxílio ao tratamento da depressão.

Abrão e Bueno (1999 apud ABRÃO; PEDRÃO, 2005) falam da dança do ventre como alternativa para se trabalhar a livre expressão corporal, a sexualidade e a saúde de mulheres em grupo. Devido ao caráter flexível e ao mesmo tempo sistemático desta modalidade, é possível que haja um melhor entendimento de questões relacionadas com o corpo e a mente. A mulher que participa de aulas de dança do ventre desenvolve sua coordenação motora e também sua autopercepção, conhecendo assim o próprio corpo.

A dança, de um modo geral, é extremamente importante como meio de diálogo, de reflexão e de possibilidades de revisão de conceitos, pois o respeito a si próprio e ao outro está presente em sua prática (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998 apud ABRÃO; PEDRÃO, 2005, p. 244).

A dança do ventre oferece às mulheres, conforme a nossa experiência, a oportunidade de estar em contato consigo mesmas. Por meio da prática é possível perceber-se diferente. Por ser uma dança que trabalha a feminilidade, ela traz uma série de benefícios como aumento da autoestima, interação social, aumento da circulação sanguínea, queima de calorias, melhora da consciência corporal, contribui com o bem-estar físico e mental, estímulo da criatividade, reforço da memória,

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aperfeiçoamento da coordenação motora, melhora da postura, facilita a expressão corporal, cria e fortalece vínculos, entre outras coisas.

É a relação de poder que a Dança do Ventre tem de recuperar a essência feminina que faz com que a mulher, a partir de uma realidade ideológica institucionalizada, se veja de forma diferente; ela aceita seu corpo e passa a amá-lo, aceita sua situação de mulher, conhece o próprio corpo através dos movimentos da Dança do Ventre, e constrói uma relação de bem-estar

consigo mesma e com a feminilidade (

...

)

(FIGUEIREDO, sem data, p. 5).

Aspectos psicossociais positivos podem ser potencializados por meio da inserção e convivência com um grupo de mulheres que estejam nas mesmas condições emocionais, auxiliando nas respostas psicológicas e estratégias de enfrentamento frente à depressão. Esse contato abre espaço para a troca de experiências a respeito das vivências pessoais e também sociais, proporcionando uma ação terapêutica (MARTINSEN ET AL., 1989 e CHEICK ET AL., 2003, apud VIEIRA, PORCU E ROCHA, 2007).

No âmbito emocional, a dança do ventre intervém na percepção e sentimentos da mulher, estimulando a feminilidade, a suavidade, a beleza e a sensibilidade, ao mesmo tempo em que desenvolve confiança e segurança em si mesma. Da mesma forma, permite explorar sentimentos reprimidos favorecendo a expressão desses afetos. Aspectos cognitivos também são afetados pela prática da dança do ventre, memória, concentração, atenção, propriocepção e coordenação motora são estimuladas, segundo Nahid; Takusi (2000 apud ABRÃO; PEDRÃO,

2005)

Abrão e Pedrão (2005) realizaram um estudo com o objetivo de investigar os benefícios da dança do ventre para a saúde de mulheres que frequentavam aulas de dança do ventre há pelo menos três meses. A pesquisa foi realizada numa academia de dança e ginástica localizada no interior de São Paulo, o grupo experimental foi constituído por 12 mulheres com faixa etária entre 16 e 40 anos. Após a aplicação do questionário e a análise de conteúdo feita a partir das respostas obtidas, os autores constataram que a dança do ventre é um artifício que proporciona benefícios para a educação integral e sexual, e que promove a valorização da vida, em aspectos individuais e também coletivos, beneficiando tanto a saúde física como a mental, resultando em contribuições à promoção de saúde e qualidade de vida das mulheres praticantes. Os autores ressaltam que a dança do ventre cria e fortalece vínculos afetivos, e um dos benefícios pessoais observados através da pesquisa é a

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diminuição da ocorrência de doenças infecciosas nas mulheres participantes, “isso

leva ao entendimento de que esse tipo de dança alia-se ao sistema imunológico na

luta contra essas doenças, incluindo, também, outras, não infecciosas, como a depressão e a ansiedade” (p. 247). Ressaltam a importância da realização de outros estudos que sejam mais específicos para comprovar os resultados procedentes da prática da dança do ventre.

MÉTODO

Participantes

Participaram da pesquisa três mulheres com idades de 22, 32 e 59 anos, residentes em cidades do entorno do Distrito Federal, possuindo renda familiar na faixa salarial de 1.000 a 3.000 reais mensais. Elas relataram que moram com pelo menos mais duas pessoas, e convivem com um grupo social restrito, composto por parentes e poucos amigos. Quanto ao estado civil, duas são solteiras, mas atualmente se encontram em relacionamentos, e a outra é viúva.

Em relação à escolaridade: uma está cursando o ensino superior, uma está cursando o ensino fundamental e a outra concluiu o quinto ano do ensino fundamental e não voltou a estudar. Verificou-se que duas das participantes estão no mercado de trabalho e a outra estuda.

As participantes relataram conviver com sintomas depressivos há mais de cinco anos e uma delas nunca fez uso de medicamentos antidepressivos. Somente duas delas já tiveram acompanhamento psicológico e apenas uma praticava atividade física (caminhada) no momento da entrevista inicial.

As participantes da pesquisa deveriam atender aos seguintes critérios:

Critérios de inclusão: ter mais que 18 anos, estar em tratamento psicoterapêutico individual ou grupal no CEFPA, apresentar sintomas depressivos, caso necessário, fazer uso de medicação prescrita por psiquiatra, a participante deveria se comprometer a permanecer no tratamento psicoterápico e psiquiátrico

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durante a pesquisa, caso houvesse desistência do acompanhamento seria também desligada do grupo de pesquisa.

Critérios de Exclusão: mulher com idade menor que 18 anos; apresentar as seguintes comorbidades, além da depressão: sintomas psicóticos, uso ou abuso de substâncias psicoativas (álcool ou drogas ilícitas), transtorno de personalidade borderline, transtorno maníaco ou hipomaníaco configurando um transtorno bipolar , não poder praticar atividade física por recomendação médica; desistência do tratamento psicoterápico e psiquiátrico durante o período da pesquisa.

Instrumentos e Materiais

Foram utilizados os seguintes instrumentos: Inventário de Depressão Beck BDI (para verificar a intensidade da depressão), desenho da figura humana do HTP (com o objetivo de verificar a autopercepção e como a mesma é projetada), Escala de Bem-Estar Subjetivo (EBES de Albuquerque e Tróccoli, 2004), Questionário de Prontidão para a Atividade Física - PAR-Q (com o objetivo de identificar a necessidade de avaliação clínica e médica antes do início da atividade física), e um questionário com perguntas abertas utilizado nas entrevistas iniciais e finais (Anexo II e III).

O Inventário de Depressão de Beck: BDI-II é um teste psicométrico que mede a intensidade da depressão, ele foi desenvolvido para uso com pacientes de faixa etária entre 17 e 80 anos de idade. Trata-se de uma escala de autorrelato composta por 21 itens. É um teste com fidedignidade comprovada, validado no Brasil e está classificado como teste favorável pelo SATEPSI.

O Desenho da figura humana do HTP: é um teste projetivo de personalidade no qual o indivíduo é convidado a fazer o desenho de uma pessoa e em seguida responde um inquérito a cerca desse desenho. É um teste validado no Brasil e está classificado como teste favorável pelo SATEPSI.

A Escala de Bem Estar Subjetivo: é uma escala composta por 62 itens que medem afetos positivos, afetos negativos e satisfação-insatisfação com a vida. Todos os itens da EBES foram analisados pela Teoria de Resposta ao Item (TRI) e os resultados demonstraram validade de construto da EBES.

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Procedimento de coleta de dados

Trata-se de um estudo de casos múltiplos, método de análise qualitativa que permite avaliar os dados de forma individual, e compará-los, possibilitando melhor aprofundamento nos fenômenos em questão.

A coleta de dados do presente estudo foi composta por entrevistas iniciais, intermediárias e finais onde foram aplicados os testes psicológicos: Inventário de Depressão Beck BDI (para verificar a intensidade da depressão), desenho da figura humana do HTP (com o objetivo de verificar a autopercepção e como a mesma é projetada), foi utilizado também o instrumento Escala de Bem-Estar Subjetivo (EBES de Albuquerque e Tróccoli, 2004), e um questionário com perguntas abertas desenvolvido pela autora. O desenvolvimento da pesquisa contou também com registros de observação participante construídos a partir de cada encontro.

Participaram do estudo apenas três mulheres com idade de 22, 32 e 59 anos, todas convivem com sintomas depressivos há mais de cinco anos. Uma participante fez a entrevista inicial, contudo não compareceu às aulas de dança.

Inicialmente, agendamos uma data e horário para entrevista individual, oportunidade na qual foi lido e assinado o TCLE (Anexo I) e o PAR-Q, e aplicados os instrumentos da pesquisa.

As participantes que permaneceram no desenvolvimento do trabalho tiveram aulas de dança do ventre as terças e quintas pelo período de dez semanas, cada encontro teve duração de 50 minutos. Ao final da quinta e décima semana, realizou- se entrevistas individuais para reaplicação dos instrumentos da pesquisa.

Conforme autorização dos psicólogos responsáveis Roberto Menezes de Oliveira (coordenador do CEFPA) e Talita Vieira, as aulas de dança do ventre foram realizadas no Centro de Formação em Psicologia Aplicada, localizado no campus I da Universidade Católica de Brasília. Foi-nos cedida uma das salas de atendimento que possui espelhos, este fundamental para as aulas de dança do ventre.

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Procedimento de análise de dados

Os dados obtidos foram analisados de forma descritiva e comparativa. A interpretação dos resultados obtidos a partir da aplicação do Inventário de Depressão de Beck: BDI-II se deu por meio da classificação do escore total de acordo com a determinação dos escores para cada nível de depressão estabelecido pelo teste.

A interpretação dos resultados do HTP considera aspectos relacionados ao desenho feito e ao inquérito respondido pelo indivíduo, a partir das especificações estabelecidas pelo manual do teste se faz uma avaliação do conteúdo do desenho e das respostas dadas ao inquérito.

A interpretação dos resultados obtidos pela Escala de Bem Estar Subjetivo foi feita de maneira comparativa logo após somar os pontos referentes aos aspectos positivos, aspectos negativos e satisfação-insatisfação com a vida.

RESULTADOS

As participantes, que chamaremos de Anne, Lucy e Mary, ao responderem o questionário relataram suas histórias de vida e a convivência com os sintomas depressivos.

Anne (22 anos, nome fictício) declarou que as mulheres de sua família têm histórico de depressão e cada uma delas tem desenvolvido estratégias ao longo do tempo para lidar com tais sintomas. Ela conta que percebe a presença de sintomas depressivos desde a época em que estava no ensino fundamental e atribui seu excesso de baixa autoestima ao bulling que sofreu na escola ao longo do ensino fundamental e médio, pois era “feinha”. Anne relata ainda que se sentia deslocada

por não ter namorado na época, e por não fazer parte dos grupos sociais da escola,

ela interagia por meio de redes sociais virtuais utilizando perfis falsos, pois julgava

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não ser uma pessoa legal. Ela sentia prazer em assistir desenhos (anime), jogar no computador, ler e escrever.

Com o surgimento dos sintomas depressivos, ela deixou de fazer atividades como ler, encontrar pessoas, conversar, sair, estudar, além de parar de se preocupar com suas responsabilidades e se sentir desmotivada para dar continuidade a qualquer atividade que pensasse em fazer. Segundo ela, seu ciclo de sono sofreu grandes alterações, embora dormisse bastante não se sentia descansada.

Atualmente, Anne sente prazer ao jogar jogos de tabuleiro e jogos online, conversar com os amigos, estar em companhia do namorado, fazer o percurso de casa até a parada de ônibus, assistir séries e filmes, comer e dormir.

Anne conta que ao longo do tempo adquiriu estratégias para lidar com os sintomas (assim como sua mãe, avó e tias). Logo que saiu do ensino médio decidiu ver a si mesma de forma diferente e adotar novas posturas. Mudou a cor dos cabelos, fez tatuagens, colocou piercings e passou a usar seu segundo nome para identificar a nova pessoa que ela queria ser, pois o primeiro nome remetia a

lembranças ruins. Anne conta que antes acreditava ser tudo aquilo que os colegas de escola diziam que ela era, mas hoje se vê como uma mulher madura e mais segura do que há uns anos, se sente pronta para enfrentar novos desafios e se

considera “mulher suficiente” para fazer o que quer.

Em relação a seu corpo, ela diz que tem épocas que se gosta e se acha bonita, e outras em que mudaria tudo se pudesse. Nessa segunda ocasião, ela muda a cor do cabelo para ver um resultado imediato, mas relata que gostaria de mudar o busto, quadril, cintura, pernas e principalmente a postura, pois esta faz com

que ela pareça estar sempre “pra baixo”.

Quando foi perguntado sobre a qualidade de seu sono, Anne relatou que tem dificuldade para dormir e geralmente acorda de madrugada, principalmente quando dorme sozinha, mas quando dorme com o namorado consegue descansar melhor, entretanto se sente sonolenta a maior parte do tempo e muitas vezes isso a impede de realizar tarefas do cotidiano.

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Na entrevista intermediária, onde reaplicamos os instrumentos de pesquisa, Anne relatou que não houve qualquer mudança na qualidade de seu sono, continua dormindo muito, porém descansa pouco. Suas fontes de prazer tem sido jogos, leitura, companhia dos amigos e namorado, comer e sair. Ela diz se perceber agora (após as cinco semanas de aula de dança do ventre) mais leve e mais solta, seu corpo responde mais rápido do que antes a qualquer coisa que ela se proponha a fazer.

Quando foi perguntado como ela se vê como mulher e o que vê quando olha

no espelho, ela respondeu que “com certeza não se vê independente e crescida,

mas que se vê pronta para coisas que não estava antes, se sente um pouco mais segura por ser maior de idade, e que agora é mulher suficiente para fazer o que quer”, na última aplicação Anne respondeu que se vê confusa em relação a que carreira seguir, e que vê no espelho uma pessoa que ainda precisa trabalhar muito em aspectos diferentes, que deveria se importar menos com a opinião alheia e trabalhar mais em busca de seus objetivos.

Na entrevista final, Anne disse que continua não tendo uma boa qualidade de sono, mas que nos dias em que ia para a aula de dança se sentia mais relaxada e descansava melhor. Atualmente, sente prazer em sair com os amigos, em momentos de lazer com a família e/ou namorado, e ao praticar seus hobbies (ler, jogar, assistir séries, filmes e desenhos).

Em relação à autopercepção corporal, ela conta que notou diminuição na circunferência de sua cintura e quadril e os percebe mais desenhados.

Quando foi perguntado como ela se vê como mulher e o que vê ao olhar no espelho ela disse que ainda não se acha independente o suficiente, mas que está aprendendo a ser uma mulher adulta, relatou ainda que tem que cuidar melhor de si mesma.

Com relação às aulas de dança do ventre, Anne conta que achou a experiência ótima, gostou da forma como as aulas foram conduzidas sem “correria” e isso permitiu que ela sentisse melhor os movimentos trabalhados, e aprendesse melhor, diferente de uma experiência que ela teve anteriormente com aulas de dança do ventre. Relata ainda que se sente mais disposta e que notou uma melhora em seu fôlego.

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Anne relata que o namorado notou que ela está diferente há mais ou menos duas semanas, segundo ele, a dança faz bem para ela e a deixa bem humorada, ela disse que após ele dizer isso, ela também se percebeu assim.

Lucy (32 anos, nome fictício) convive com sintomas depressivos há 12 anos, ela relata que houve uma piora após o nascimento do primeiro filho (11 anos). Com o passar do tempo ela foi se recuperando e se esforçando para levar uma vida social normal. Na segunda gestação sentiu-se mal de novo e dessa vez os sintomas estavam mais intensos e ela decidiu procurar um médico, começou então a tomar remédios naturais, entretanto estes não faziam o efeito esperando, então quando o filho completou cinco meses de vida ela parou de amamentar para começar o tratamento medicamentoso. Lucy faz uso de Escitalopram há quase 2 anos. Ela relata que “todo dia é uma luta para conviver com a depressão, alguns dias são mais fáceis, outros não”.

Ela conta que antes da depressão sentia prazer em sair com amigos, dançar e participar de eventos sociais entre outros, mas com o surgimento dos sintomas passou a se isolar, deixou de ter vida social, pois não sentia vontade de sair de casa para fazer nada, além disso, não tinha a mínima vontade de cuidar de si mesma ou dos filhos. Lucy relata que com o passar do tempo e pelo tratamento, está conseguindo lidar melhor com a depressão, atualmente sente prazer em cuidar dos filhos e acrescenta que houve um período em que ela não conseguia cuidar do bebê e tinha muitos pensamentos negativos em relação a ele.

Em relação a seu corpo, ela diz que logo que surgiram os sintomas depressivos ela emagreceu bastante, e um tempo depois engordou, e hoje está bem com seu corpo, pois se considera mais saudável. Relata ainda que na maior parte do tempo se sente “bonita e chique”, mas àsvezes se vê como a “gata borralheira”, percebe que está acima do peso, mas isso não é um problema. Na ocasião, Lucy praticava caminhadas três vezes por semana e considera boa sua qualidade de sono.

Na entrevista intermediária, Lucy afirmou que continua com o tratamento medicamentoso receitado pela psiquiatra. Ela diz que não houve alterações significativas em sua qualidade de sono, pois continua dormindo bem. Suas fontes de prazer têm sido ficar com os filhos, sair de casa e trabalhar.

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Em relação a sua autopercepção corporal, Lucy diz se perceber mais solta, mais vaidosa, e acrescenta que agora se sente mais corajosa para enfrentar seus medos. Ela diz que queria estar mais magra, mas está contente com seu corpo.

Foi perguntado como ela se vê enquanto mulher e o que vê ao se olhar no espelho. Ela respondeu que se vê mais bonita, alegre e vaidosa, relata que há três

semanas voltou a usar maquiagem, sente vontade de se arrumar, colocar roupas bonitas e se anima para sair de casa. Lucy relata que o namorado e um vizinho notaram a mudança na autoestima dela, nas palavras do vizinho ela “está mais pra frente”.

Na entrevista final, em relação às aulas de dança do ventre, Lucy conta que foi uma experiência muito boa, que após cada aula ia para casa sentindo a alma leve e com a sensação de dever cumprido. Acrescenta que se sentiu tão bem quanto ou melhor do que se sente quando faz caminhada (Lucy interrompeu a prática da caminhada no período das 5 semanas iniciais de aula de dança).

Lucy conta que com as aulas de dança do ventre se sente mais disposta do que se sentia antes, se sente revigorada, e relata que sentia tonturas com frequência, com intervalo máximo de um dia, e após o inicio das aulas observou que agora há intervalos de pelo menos uma semana sem sentir tonturas.

Ela relatou ainda, que mudou muito desde o inicio das aulas de dança, se

sente melhor em todos os aspectos. Antes ficava muito apreensiva quando precisava sair de casa, tinha a sensação de que poderia passar mal ou que coisas

ruins poderiam acontecer, agora se sente uma pessoa “normal”, não tem receio de

sair de casa.

A mudança mais significativa para Lucy, foi em sua autoestima segundo ela,

sua vaidade mudou “extremamente”, pois agora ela sente vontade de se arrumar e

se sentir sempre bonita.

Mary (59 anos, nome fictício) tem convivido com sintomas depressivos há cinco anos, a pouco menos de um ano procurou um médico psiquiatra no Hospital São Vicente de Paula que lhe receitou tratamento medicamentoso com o fármaco Neozine e lhe deu um encaminhamento para o Centro de Atenção Psicossocial CAPS.

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Ela relata que tem uma família grande. Casou-se aos 14 anos e teve 9 filhos, dos quais 4 são adotivos. Mary conta que ficou viúva há dois meses, seu marido tinha esquizofrenia e há alguns anos sofreu um acidente que o tornou dependente fisicamente e o incapacitou de fazer uma série de atividades, fazendo com que ela se tornasse a principal provedora da casa. Ela relata ainda que uma das filhas também foi diagnosticada com esquizofrenia.

Por conta das consequências do acidente do marido, a vida sexual de Mary foi interrompida aos 27 anos, ela diz que não se sente realizada como mulher devido a isso e hoje percebe que viveu trinta e três anos em função de sua família.

Com o surgimento dos sintomas depressivos, Mary deixou de sair de casa com frequência e conta que quando sai não sente vontade de retornar para casa, além disso, não sente satisfação ao realizar atividades que lhe davam prazer como trabalhar, sair de casa, conversar e participar de grupos da igreja. Ela acrescenta que não sente vontade de fazer nada e que se pudesse não sairia da cama.

Em relação ao seu corpo, conta que se sente mal por estar “um pouco

gordinha”, ela diz gostar de seu “bumbum grande”, mas mudaria a “barriga caída”, nunca praticou atividade física e ficou animada com a proposta de fazer aulas de dança, ela disse que gostou da ideia e achava que as aulas a fariam se sentir estimulada com a vida e “ajudariam a cabeça”, entretanto Mary desistiu de participar da pesquisa alegando não ter disponibilidade para comparecer às aulas logo no início da prática.

O Inventário

de Depressão de Beck mede a intensidade da depressão,

classificando o escore total do sujeito em quatro níveis de acordo com suas

respostas. Os níveis são mínimo, leve, moderado e grave.

Tabela 1 Resultados do Inventário de Depressão de Beck

 

PRIMEIRA

SEGUNDA

TERCEIRA

APLICAÇÃO

APLICAÇÃO

APLICAÇÃO

ANNE

30

26

16

LUCY

8

4

2

33

Na tabela 1, observa-se que na aplicação dos instrumentos de pesquisa anterior às aulas de dança, a participante Anne obteve escore total de 30 pontos no Inventário de Depressão de Beck, atingindo nível moderado (20 - 35) de depressão, na aplicação realizada após a quinta semana de aula ela obteve escore de 26 pontos se encontrando ainda no nível moderado, e na entrevista posterior às aulas de dança, Anne obteve escore total de 16 pontos atingindo nível leve (12-19) de depressão. Na primeira aplicação Lucy obteve escore 8 e na segunda aplicação obteve escore 4, e na ultima aplicação o escore foi 2, em todas as aplicações os resultados se encontram no nível mínimo de depressão, discutiremos esses dados posteriormente.

O HTP (House, Treeand Person Casa, Árvore, Pessoa) é um teste projetivo de personalidade que avalia possíveis patologias a partir do conteúdo dos desenhos (localização, tamanho, forma das linhas, dentre outros). Aplicamos apenas o desenho da figura humana na primeira e na última entrevista. Verificou-se que Anne possui personalidade com forte aspecto de insegurança, retraimento e depressão, além de ansiedade considerável. Lucy apresentou traços de personalidade que remetem a retraimento, dependência e necessidade de controle. Em ambos os casos não houve diferenças significativas da primeira entrevista para a segunda em relação ao HTP.

A Escala de Bem-Estar Subjetivo avalia três fatores que compõem o bem- estar subjetivo de um indivíduo, são eles: afetos positivos, afetos negativos e satisfação-insatisfação com a vida.

Tabela 2 Resultados da Escala de Bem-Estar Subjetivo

 

PRIMEIRA

SEGUNDA

TERCEIRA

APLICAÇÃO

APLICAÇÃO

APLICAÇÃO

ANNE

     

Afetos positivos

 
  • 41 29

 

55

Afetos negativos

 
  • 86 47

 

49

Satisfação

com

a

 
  • 16 20

46

vida

LUCY

     

Afetos positivos

 
  • 94 86

 

100

34

Afetos negativos

 

56

  • 38 33

 

Satisfação

com

a

36

  • 35 49

 

vida

Na escala acima observamos que houve diminuição nas pontuações atribuídas aos afetos negativos, enquanto a pontuação dada aos afetos positivos e à satisfação com a vida teve um aumento. Notamos também que houve baixa nas pontuações dadas aos afetos positivos na segunda aplicação da EBES, fato que convém ser investigado posteriormente.

Constatamos que nos fatores mensurados pela Escala de Bem-Estar Subjetivo, afetos negativos e satisfação com a vida, foram os que tiveram influência mais significativa com a prática de aulas de dança do ventre.

Nos registros feitos a cada aula pela autora, observou-se que Anne estava sempre tranqüila e disposta aparentemente, esteve ausente em algumas aulas e em outras chegou atrasada devido a problemas com o meio de transporte utilizado para chegar a Universidade. Já Lucy se mostrou tímida ou envergonhada ao executar os movimentos propostos, apesar de que com o passar das aulas ela se “soltou” mais, mas ainda assim a timidez foi um fator que atrapalhou seu rendimento.

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DISCUSSÕES

Conforme descrito na apresentação dos resultados deste trabalho, a participante Mary desistiu de participar das aulas de dança do ventre, após a quinta semana de prática da pesquisa entramos em contato com a mesma para saber se ela tinha interesse em participar das aulas na segunda fase do trabalho, ela alegou que não compareceu às aulas, pois se sentia desanimada e desmotivada para sair de casa, na ocasião ela disse que estava se sentindo muito triste por estar completando três meses que seu marido havia falecido. Mary disse que tinha interesse em participar das aulas de dança, entretanto não compareceu.

O ato de não comparecer às aulas, se sentir desmotivada e desanimada para sair de casa, além de poder fazer parte do processo de luto que ela está vivenciando, é pertinente ao quadro depressivo e, como descreve Teodoro (2010), faz parte dos sintomas que “compõem o quadro depressivo e afeta diversas áreas da vida do paciente, comprometendo suas atividades pessoais e sociais” (p. 23).

Os dados obtidos a partir da aplicação dos instrumentos de pesquisa nos possibilitam afirmar que há diferenças notáveis na autoestima das participantes, verificadas antes e depois das dez semanas de aulas de dança do ventre, o que afeta a forma como elas lidam com os sintomas depressivos. Em sua tese, Salgueiro (2012) fala dessa mudança que a prática da dança do ventre oferece, dentre os benefícios que a dança proporciona às mulheres “a elevação da auto-estima é a grande promessa da dança do ventre e, de fato, muitas mulheres se acham mais bonitas enquanto dançam ou depois que começaram a praticar a dança” (p. 170).

Nos dois primeiros momentos de testagem, Anne atingiu nível moderado de depressão de acordo com os parâmetros do BDI, na última testagem ela apresentou escore mais baixo atingindo nível leve de depressão, já o HTP evidenciou traços de sua personalidade que estão de acordo com o que nos foi mostrado por ela na entrevista inicial, embora alguns anos tenham se passado desde a época do ensino fundamental e médio onde ela teve experiências ruins tanto sociais quanto individuais, ainda hoje Anne carrega consigo algumas características que remetem ao passado, como se aquilo que não foi vivido naquela época precisasse de alguma

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forma ser experimentado, e isso de certa forma causa ansiedade em relação ao futuro, mas também ao presente, nota-se que ela almeja ter uma vida diferente, mas especificamente almeja se sentir diferente e ao que parece tem se esforçado para não ficar apenas esperando as coisas acontecerem. Os sintomas depressivos presentes em sua vida fazem com que ela tenha certa dificuldade para colocar seus planos em ação, bem expressar como seus sentimentos.

Por meio da EBES, observou-se que o fator afetos positivos teve uma queda na segunda aplicação comparada à primeira, mas a pontuação deste fator na terceira aplicação foi superior às aplicações anteriores. No fator satisfação com a vida também houve pontuação crescente nas três aplicações realizadas. Inversamente proporcional aos afetos positivos e à satisfação com a vida, à pontuação atribuída aos afetos negativos tiveram uma baixa considerável da primeira para a terceira aplicação.

É possível que Anne não tenha apresentado resultados mais significativos devido às suas ausências nas aulas de dança, pois de acordo com seus próprios relatos a dança a deixa mais disposta e com humor melhor.

Lucy, por sua vez, atingiu nível leve de depressão com de acordo com o BDI, apresentando apenas quatro pontos de diferença da primeira aplicação para a segunda, fato curioso posto que ela faz uso de medicamento receitado por sua psiquiatra para tratamento de depressão, e dois pontos de diferença da segunda para a terceira aplicação.Outro dado importante obtido através do BDI foi a presença de ideação suicida, Lucy relatou que recorrentemente tinha pensamentos de morte, mas não tinha coragem de executá-los. Teodoro (2010) destaca que muitos pesquisadores alertam para o fato de que cerca de 80% dos deprimidos têm ideação suicida, sendo que entre 10% e 15% das pessoas com depressão põem fim à própria vida”, e mesmo que a pessoa diga que não tem coragem de passar ao ato do suicídio, a existência do pensamento suicida já é um fator de risco.

Na segunda entrevista foi perguntado a ela sobre essa discrepância de dados

em relação ao que é “esperado” de uma pessoa com sintomas depressivos. Lucy

demonstrou surpresa e em seguida se mostrou aliviada, afirmou que não foi sincera

com as respostas na primeira aplicação dos instrumentos de pesquisa, segundo ela,

deu respostas “ideais”, porque queria se convencer de que estava tudo bem, por

37

medo de afirmar a existência de “coisas ruins”, e acabar tornando-as reais. Disse ainda que ninguém nunca percebeu essa característica dela.

A interpretação de suas respostas dadas ao inquérito do desenho da pessoa do HTP bem como o conteúdo do próprio desenho, apontam para dois fatores interessantes que se correlacionam ao mesmo tempo em que se contrapõem, a

dependência e a necessidade de controle. Em relação a um dos aspectos do desenho da figura humana feito por Lucy, Beck (2003) dá uma interpretação interessante que corrobora as características gerais observadas, ele aponta que

determinada forma de fazer o desenho demonstra que o sujeito “apresenta uma

profunda necessidade de ocultar sentimentos de inadequação e insegurança com uma sugestão de prontidão para enfrentar tudo direta e firmemente” (p. 59). Ao pensar na justificativa de Lucy para ter omitido seus reais afetos na primeira vez que respondeu o Inventário de Depressão compreende-se essa dualidade de sentimentos, ela precisa se sentir no controle ao passo que é dependente (de algo ou alguém) para se sentir segura.

Nas respostas dadas à EBES observou-se que na primeira aplicação, Lucy atribuiu alta pontuação aos afetos positivos, na segunda aplicação os números totalizaram uma pontuação um pouco menor, e na terceira aplicação a pontuação superou a da primeira, demonstrando que após as aulas de dança do ventre houve mudança por parte de Lucy na percepção dos aspectos positivos de sua vida.

Em relação à satisfação com a vida também se observa que na primeira aplicação houve uma boa pontuação, na segunda aplicação houve diferença de um número a menos, e na terceira, a pontuação superou a da primeira aplicação assim como aconteceu com os aspectos positivos.

Em contrapartida, aos itens correspondentes aos afetos negativos foi atribuída uma pontuação considerável na primeira aplicação que diminuiu progressivamente até se tornar a pontuação mais baixa obtida, resultado que era esperado já que os números correspondentes aos aspectos positivos e satisfação com a vida aumentaram da primeira para a terceira aplicação.

Ambas

participantes

relataram

ter

havido

alguma

mudança

em

sua

autoestima após mais ou menos duas semanas praticando aulas de dança do

ventre.

Anne afirmou que

com

as

aulas de

dança ela

passou a

se

sentir mais

38

“feminina e poderosa”, no caso de Lucy houve impactos notáveis, ela passou a frequentar as aulas com o rosto maquiado, com cabelos soltos, e usando roupas que, segundo ela, a faziam se sentir mais bonita.

Outro efeito das aulas de dança que foi percebido e relatado pelas duas participantes foi a leveza e a sensação de estarem “mais soltas”. Conforme destaca Marques (2008), “os movimentos da dança do ventre são predominantemente redondos estimulando por um lado a sensualidade e por outro favorecendo a flexibilidade, leveza e soltura das articulações(p. 3). Anne destacou que sentia seu corpo mais alongado e flexível após as aulas, e que percebeu o fortalecimento de sua musculatura.

Nas aulas em que trabalhamos movimentos lentos notava-se um semblante sereno nas duas participantes, era ressaltada a importância de respeitar os limites do corpo dentro do movimento combinado com a respiração lenta. Por vezes Anne e Lucy faziam associações dos treinos de aula com a forma de viver o cotidiano. Lucy costumava comentar que nos momentos em que estava estressada e tinha muitas coisas para fazer, lembrava da paciência que era necessária nas aulas em que elas executavam movimentos lentos, a partir daí ela percebeu que estava se tornando uma pessoa “mais calma” disposta a viver um momento de cada vez. Anne relatou que houve uma melhora na sua maneira de respirar e nos dias de aula era mais fácil relaxar o corpo e descansar, embora não tenha observado grandes mudanças na qualidade do sono.

Cornely (sem data) concorda que a maneira como uma mulher que dança amadoramente ou profissionalmente, se percebe no mundo, dentro e fora das salas de aula de dança, externa confiança em si mesma, pois o fato de estar em frente a um espelho experimentando novas possibilidades de poses e posturas corporais iniciam um processo de autoconhecimento que proporcionam um olhar diferenciado para questões pessoais que se relacionam com a percepção e aceitação do próprio corpo e a sua representação corporal no mundo.

39

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo examinar as contribuições da prática de dança do ventre na saúde e autoestima de mulheres em tratamento para depressão. Os resultados obtidos correspondem às expectativas sintetizadas nos objetivos específicos, sendo assim, os dados sugerem uma melhora na autoestima das participantes após poucas semanas de aulas de dança do ventre, além de mostrar que a dança pode ser uma alternativa prazerosa e não medicamentosa para o tratamento de sintomas depressivos, atuando como facilitadora da expressão corporal.

A proposta inicial do trabalho era realizar uma pesquisa qualitativa e quantitativa com caráter quase experimental, baseada no estudo de caso de três grupos, grupo 1 experimental, grupo 2 controle A e o terceiro grupo controle B. Para isso seriam formados três grupos, cada um composto pela quantidade de 5 mulheres com idade entre 18 e 39 anos escolhidas aleatoriamente, que apresentassem quadro depressivo diagnosticado e estivessem em tratamento psicoterapêutico individual ou em grupo no CEFPA.

Os grupos 1 e 2 teriam dois encontros semanais ao longo de 10 semanas, em dias previamente definidos. O grupo experimental teria aulas de dança do ventre pelo período de cinco semanas, cada encontro com duração de 50 minutos, enquanto o grupo controle A faria caminhada por 30 minutos precedida por alongamento, e relaxamento ao final, o grupo controle B não seria submetido a nenhuma das atividades nas primeiras cinco semanas, mas deveria ser avaliado para comparação de dados da pesquisa. Nas cinco semanas seguintes seriam oferecidas aulas de dança do ventre às integrantes dos grupos controles A e B, e o grupo experimental daria continuidade às aulas de dança.

Ao final da quinta semana de atividades, realizaríamos entrevistas individuais para reaplicação dos instrumentos da pesquisa com as participantes do grupo experimental e do grupo controle A, e ao final da décima semana, haveria outras entrevistas com todas as participantes.

40

Entretanto, conforme citado anteriormente, participaram do estudo apenas duas mulheres, pois houve desistência da terceira participante. Dessa forma, não foi possível fazer o estudo comparativo entre grupos, optando-se por realizar um estudo de casos múltiplos utilizando os procedimentos previstos para o grupo experimental.

Dessa forma verificamos que a prática de aulas de Dança do Ventre oferece diversos benefícios às mulheres e pode atuar como uma alternativa no tratamento de sintomas depressivos, visto que as participantes relataram que ocorreram mudanças relacionadas à autoestima e à percepção sensorial do próprio corpo, além disso, ambas apresentaram melhora nos fatores mensurados pelos instrumentos utilizados na coleta de dados.

Anne e Lucy apresentaram diminuição nos níveis de depressão de acordo com o BDI, em relação aos fatores verificados pela EBES, afetos negativos e satisfação com a vida, foram os que tiveram influência mais significativa com a prática de aulas de dança do ventre, e de acordo com as observações feitas pela autora a cada aula, contatou-se que as duas participantes se beneficiaram com as aulas de dança, entretanto, devido às faltas e atrasos Anne não obteve melhoras tão notáveis quanto Lucy.

Consideramos que os resultados observados a partir deste estudo de casos são significativos, mas não completamente satisfatórios, uma vez que enfrentamos algumas dificuldades para conseguir participantes suficientes para compor nossa amostra, atribuímos essa dificuldade às especificidades do nosso objeto de estudo:

a depressão. Sabe-se que uma pessoa que se encontra em quadro depressivo não se sente motivada a realizar atividades, ainda mais se essas atividades incluem sair de casa e se relacionar com outras pessoas.

Ainda assim consideramos que seria interessante o uso da metodologia proposta para realizar um novo estudo de acordo com o desenho inicial da pesquisa. Visto que a dança do ventre pode oferecer diversos benefícios que podem atuar em conjunto com tratamentos psicológicos e psiquiátricos.

41

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44

ANEXO I

ANEXOS

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

A Senhora está sendo convidada a participar do projeto: A dança do ventre no tratamento da depressão sob responsabilidade do Professor Alexandre Cavalcanti Galvão e aluna Raíla Franciele Silva Cardoso.

O objetivo desta pesquisa é: examinar as contribuições da prática de dança do ventre na saúde e autoestima de mulheres em tratamento para depressão, esta pesquisa justifica-se, pois através de sua realização pode-se oferecer uma prática prazerosa e alternativa dos tratamentos tradicionais, que pode contribuir para uma melhora na autoestima de mulheres e fortalecimento de vínculos sociais, funcionando como terapêutica complementar no tratamento da depressão.

A senhora receberá todos os esclarecimentos necessários antes e no decorrer da pesquisa e lhe asseguramos que seu nome não aparecerá, sendo mantido o mais rigoroso sigilo por meio da omissão total de quaisquer informações que permitam identificá-la. A Senhora pode se recusar a responder qualquer questão (no caso da aplicação de um questionário) ou deixar de executar quaisquer atividades que lhe traga constrangimento, podendo desistir de participar da pesquisa em qualquer momento, sem nenhum prejuízo para a senhora.

A sua participação será da seguinte forma, inicialmente, serão aplicados alguns testes psicológicos e será feita uma entrevista individual, depois serão formados três grupos de forma aleatória para a realização de duas atividades físicas, sendo que o início dessas atividades são escalonadas. O tempo estimado para sua realização é de 5 a 10 semanas, sendo que em cada semana teremos dois encontros com duração de cinquenta minutos cada.

Os resultados da pesquisa serão divulgados na Universidade Católica de Brasília, podendo ser publicados posteriormente. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão sobre a guarda do pesquisador.

45

Este projeto possui os seguintes benefícios: trabalha a feminilidade, possibilita o aumento da autoestima e interação social, aumento da circulação sanguínea, queima de calorias, melhora da consciência corporal, contribui com o bem estar físico e mental, estimula a criatividade, reforça a memória, aperfeiçoamento da coordenação motora, melhora da postura, facilita a expressão corporal, cria e fortalece vínculos, entre outras coisas, e apresenta os seguintes riscos dores musculares ocasionadas pelos exercícios praticados ou outras dores relacionadas à má-postura durante a execução dos movimentos ensinados em aula, que serão minimizados por meio de alongamentos. Caso sinta uma dor muito intensa, a senhora será encaminhada para a clínica de fisioterapia da Universidade Católica de Brasília É de nossa responsabilidade a assistência integral caso ocorra danos que estejam diretamente ou indiretamente relacionados à pesquisa. Esta pesquisa não lhe trará custos e é de nossa responsabilidade o ressarcimento de custeio de despesas relacionadas à pesquisa. Se a Senhora tiver qualquer dúvida em relação à pesquisa, por favor entre em contato com Raíla, via telefone: 83718542, ou com o Prof. Alexandre Cavalcanti Galvão, pelo e-mail alexandregalvao.ucb@gmail.com

Este projeto foi Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB, número do protocolo 54808716.4.0000.0029. As dúvidas com relação à assinatura do TCLE ou os direitos do sujeito da pesquisa podem ser obtidos no CEP/UCB pelo telefone: (61) 3356-9784. O CEP da UCB está localizado na sala L02, no endereço Campus I - QS 07 Lote 01 EPCT Águas Claras Brasília DF.

Este documento foi elaborado em duas vias, uma ficará com o pesquisador responsável e a outra com o voluntário da pesquisa.

______________________________________________

Nome / assinatura

____________________________________________

Pesquisador Responsável

Nome e assinatura

46

Brasília,

de __________

de

_________

ANEXO II

QUESTIONÁRIO INICIAL

  • 1. Qual a sua idade?

  • 2. Em que cidade em mora atualmente?

  • 3. Com quem mora?

  • 4. Quem são as pessoas com quem convive?

  • 5. Qual o seu grau de escolaridade?

  • 6. Atualmente trabalha ou está de licença?

  • 7. Em qual faixa econômica encontra-se sua família (ex. 1000,00, 2000,00...)

  • 8. Conte-me um pouco sobre você e sua história de vida?

  • 9. Conte-me como é um dia comum seu e um dia de final de semana.

10. Desde quando tem convivido com os sintomas depressivos? 11. Está fazendo uso de algum medicamento? 12. Como é a qualidade do seu sono? 13. Em que os sintomas depressivos te atrapalham? 14. Que tipo de atividade te dava prazer antes da depressão? 15. Quais as atividades que você deixou de fazer? 16. Em quais atividades você ainda sente prazer atualmente? 17. Há diferença entre a sua autopercepção corporal antes e depois da depressão? 18. Como você se vê como mulher? 19. Como percebe o seu corpo? 20. O que gosta em seu corpo? 21. O que gostaria de mudar em seu corpo? 22. Já praticou algum tipo de atividade física ou pratica atualmente? Qual?

23. O que você espera das aulas de dança?

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ANEXO III

QUESTIONÁRIO FINAL

  • 1. Você está fazendo uso de algum medicamento?

  • 2. Como está a qualidade de seu sono?

  • 3. Em quais atividades você sente prazer atualmente?

  • 4. Há diferença na sua autopercepção corporal antes e depois das aulas de dança?

  • 5. Como você se vê como mulher hoje?

  • 6. O que você vê quando olha no espelho?

  • 7. Como percebe seu corpo?

  • 8. Como foi a experiência de ter aulas de dança nessas cinco semanas?

  • 9. Algo em você está diferente?