Edição Lisboa • Ano XXVII • n.º 9788 • 1,70€ • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • Director: David Dinis Adjuntos: Diogo Queiroz de Andrade, Tiago Luz Pedro, Vítor Costa Directora de Arte: Sónia Matos
Beyoncé A estrela pop que se tornou um ícone barroco
Cultura, 32
Fugas Viagem ao mundo dos resistentes sámi, os últimos nómadas da Europa
Cultura A obra provocadora de Artur Barrio, o vencedor do Grande Prémio EDP Arte
Cultura, 28/29
Relatório legitima a maior parte dos vínculos a prazo no Estado
Avaliação das Finanças indica a passagem aos quadros de um número limitado de “precários” • Autarquias de fora da regularização extraordinária • PCP, BE e sindicatos querem mais do Governo Destaque, 2 a 4 e Editorial
Campanha Marine Le Pen segue programa de Trump: meter a França em ordem p22/23
O clássico é de tudo ou nada para Sporting e FC Porto
Jogo importante na decisão do título opõe um Porto moralizado que já só depende de si próprio a um Sporting que não tem mais margem para errar p46
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Os terroristas que atacam os |
Mãe obrigada |
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a |
pagar para ver |
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Estados Unidos |
o |
filho que lhe |
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vêm |
dos EUA |
foi retirado |
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Lista de nacionalidades cujos cidadãos foram banidos por Donald Trump terá mais que ver com os negócios do que a segurança da nação p26/27 |
Encontros vigiados costumam ser um encargo da Segurança Social, mas uma mãe vai ter de pagar 60 euros para estar uma hora com o filho p12/13 |
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2 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
DESTAQUE
PRECÁRIOS NO ESTADO
Governo justifica parte significativa dos vínculos temporários
Relatório identifica 89.406 pessoas com vínculos de carácter temporário na administração central e nas empresas públicas. Governo avisa que há “muitos milhares de trabalhadores” que não se justifica que tenham vínculo
Raquel Martins
E m meados do ano passado, havia cerca de 90 mil pessoas a trabalhar para o Estado com contratos a prazo, em regime de prestação de serviços, inseridos em
contratos emprego-inserção, a fazer estágios ou com bolsas de
investigação. O relatório que fez o levantamento dos instrumentos de contratação de natureza temporária na Administração Pública, divulgado ontem, reconhece que ainda não é possível identificar em concreto qual a dimensão da precariedade no Estado
e avisa que a resposta só chegará no
final de Março, após uma análise mais detalhada de cada caso. Ainda assim,
e antevendo o resultado, o Governo
defende a existência de uma parte significativa das situações contratuais
temporárias, dando já a entender que nem todos os trabalhadores
serão abrangidos pelo programa de regularização extraordinária. Esta posição de partida contraria as expectativas do PCP e do BE que, on- tem, deixaram claro que é preciso dar resposta a todas as pessoas que satis- fazem necessidades permanentes dos serviços. Os bloquistas querem que sejam incluídos na contagem os tra- balhadores de empresas de trabalho temporário que exercem funções na administração central e local e nas empresas públicas. “Não seria acei- tável deixar qualquer caso de fora”, avisou o deputado José Soeiro. Os comunistas exigem que todos os trabalhadores identificados sejam integrados. Rita Rato, deputada do
PCP, reafirmou que “a um posto de trabalho permanente deve corres- ponder um vínculo efectivo”.
De manhã, antes da divulgação ofi- cial do documento — que aponta para a existência de 89.406 pessoas com vínculos de carácter temporário na administração central e nas empresas
públicas — o ministro do Trabalho,
Vieira da Silva, deixou o aviso de que
o relatório inclui inúmeras situações em que os vínculos temporários se justificam. “Não podemos confundir pessoas com vínculos inadequados, com outras situações, como as que existem na Segurança Social, onde
há equipas médicas que fazem veri- ficação de baixas, que têm a sua pro- fissão mas que têm uma avença [para prestar esse serviço]. E essas pessoas estão nestes números, como muitas outras”, disse à TSF. “Existem muitos milhares de tra- balhadores na Administração Pública que não se justifica que tenham vín- culo”, acrescentou mais tarde. O documento revela uma realidade diversificada de relações contratuais no Estado, com expressões diferentes de sector para sector. A contratação
a termo é a que tem maior peso nas
89.406 situações identificadas na ad-
ministração central e no sector em- presarial do Estado. O relatório dá
O Estado tem de olhar para si próprio ao espelho, porque não pode dar o exemplo se ele próprio for empregador precário
Catarina Martins Líder do BE
Há 116.391 trabalhadores com vínculos temporários no Estado
2895
Sector Empresarial Local
Fonte: Ministério das Finanças
Por tipo de vínculo
Contratos a termo resolutivo
76.669
Contratos de prestação de serviços
19.157
Contratos emprego-inserção e inserção+
Na Administração Central e Sector Empresarial do Estado
Estágios
793
Contratos emprego-inserção e inserção+
Contratos de prestação de serviços
12.834
Contratos a termo resolutivo
69.988
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 3
JORNAL PÚBLICO
PÚBLICO
conta de 69.988 contratos a termo resolutivo. Seguem-se prestações de serviços (12.834), bolsas de investiga- ção (3662), contratos emprego-inser- ção (1834) e estágios (793). Educação, Defesa, Ciência e Ensino Superior e Saúde empregavam 95% dos trabalhadores a contrato. No caso da Educação, que tem 26.133 contra- tos a termo, o documento refere que “o recrutamento de docentes através de contratos a termo resolutivo não corresponde, em princípio, a neces- sidades permanentes do sistema”; ainda assim, há medidas em curso para integrar até 3200 professores no quadro e contratar auxiliares (ver página seguinte). O PÚBLICO apurou que nesta área há situações, como os contratos para substituir mais de 10 mil professores de baixa prolongada, que não darão lugar à integração. Na Saúde, o problema coloca-se sobretudo nos hospitais EPE (10.336 contratos a termo), nomeadamente nos enfermeiros e auxiliares de acção
A um posto de trabalho
permanente tem que ue corresponder um vínculo efectivo
Rita Rato Deputada do PCP
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Greve: centenas de escolas fechadas, dizem os sindicatos |
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Ministro garante que escolas encerradas foram em “número reduzido” |
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S indicatos e directores coincidem na avaliação. Ontem houve muitas escolas que fecharam devido à greve de pessoal não-docente. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, contrapôs: “Relativamente aos números, a indicação que temos é que há um número reduzido de escolas |
“Penso que poderá ser uma das maiores greves dos últimos anos”, diz também o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, após ter feito um levantamento de norte a sul da situação no terreno: “O grosso das escolas está fechado”, diz, acrescentando que agora só espera que haja “consequências positivas” desta greve. A greve, convocada pelos sindicatos afectos à CGTP |
da Educação admitiu ser |
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preciso reforçar ainda mais |
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o escolas, porque, apesar de tecnicamente os assistentes operacionais serem em número adequado, é necessário dar resposta ao problema das muitas baixas médicas, disse. Mas os sindicatos questionam também os rácios que determinam pessoal não-docente nas |
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que viu a sua actividade lectiva afectada”, mas não adiantou números. Logo de manhã tanto |
o |
cálculo das necessidades |
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de pessoal não-docente nas escolas, uma vez que este só tem em conta o número de alunos, |
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Federação Nacional da Educação, afecta à UGT, como a |
e |
à UGT, tem na base, entre |
esquecendo as diferentes tipologias existentes e os vários serviços oferecidos pelas escolas. Os sindicatos afectos à UGT avaliam que para satisfazer as necessidades permanentes nas |
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outras razões, o combate à |
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|
a Federação Nacional dos |
precariedade entre o pessoal não -docente e a criação de carreiras especiais, de modo a valorizar as funções desempenhadas por estes funcionários nas escolas. |
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Trabalhadores em Funções Públicas apontaram para uma adesão à greve que rondava os 90% e de centenas de escolas encerradas por todo o país. “É provavelmente uma das maiores greves do pessoal não-docente”, disse ao PÚBLICO o presidente da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), José Abraão. “Só esperamos que |
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E |
realiza-se numa altura em |
escolas faltam colocar dois mil funcionários. Já a Federação Nacional dos Trabalhadores |
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que se multiplicam as queixas das escolas e dos pais devido |
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à |
falta de auxiliares, o que tem |
em Funções Públicas situa este número em cerca de quatro mil. O ministro considerou estes números “claramente excessivos”. C.V. |
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levado ao encerramento de vários serviços escolares, como bibliotecas e cantinas. |
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o Governo tire as suas ilações.” |
Na quinta-feira, o ministro |
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médica. Ora, no relatório, uma parte não quantificada destas contratações
é justificada com a necessidade de
responder à “elevada taxa de absen- tismo no sector da saúde” e às situ- ações decorrentes do facto de estes grupos profissionais serem constituí- dos maioritariamente por mulheres,
o que leva a ausências no âmbito da
protecção na parentalidade. Na Defesa, a quase totalidade dos 12.771 contratos a termo resolutivo corresponde a efectivos militares que prestam serviço em regime de volun- tariado e que, na perspectiva do Go- verno, “não podem ser consideradas como relações laborais precárias”. No caso das prestações de serviço,
uma fatia significativa diz respeito à área do Trabalho e da Segurança So- cial que declarou ter 4460 vínculos desta natureza. Os formadores con- tratados pelo IEFP representam 85% dos recibos verdes, com o relatório
a alertar que a flexibilidade das ac-
ções formativas exige que o perfil e
habilitações dos formadores tenham a mesma adaptabilidade. Há ainda
as situações de médicos contratados para verificação de baixas por doença que se limitam a prestar serviços. Olhando para estas justificações, que ao longo do relatório se esten- dem a outras áreas, poderá concluir-
se que haverá uma parte significativa de trabalhadores a ficar fora dos qua- dros do Estado. O relatório identifica quase 27 mil vínculos temporários nas câmaras, juntas de freguesia e sector empresarial local, dos quais mais de 12.700 são contratos empre- go-inserção, mas este sector ficará fo- ra do programa de regularização. A identificação dos que estão efectiva- mente em situação de precariedade no Estado só chegará no final de Mar- ço, quando as comissões de avalia- ção criadas junto de cada ministério analisarem em concreto se os traba- lhadores precários estão a satisfazer
necessidades permanentes. Ao mesmo tempo, os serviços que
recorrem a instrumentos de contrata- ção temporária “deverão fazer uma análise detalhada das necessidades futuras de emprego público”. Essa análise deve incluir uma projecção das saídas voluntárias (aposentação), as cessações dos contratos temporá- rios que venham a ocorrer e a dimen- são do mapa de pessoal. Com base nessa avaliação, será apresentado um programa de regu- larização extraordinária dos vínculos precários, que terá de estar definido no final do primeiro trimestre, e só nessa altura será possível ter uma ideia das vagas disponíveis e das pessoas que vão ser integradas. O concurso deverá ser o modelo a pri- vilegiar, mas como será aberto a todos os trabalhadores não há a garantia de que os precários serão seleccionados, embora a experiência na função pos- sa ser valorizada, dando vantagem a quem ocupou o lugar. com M.L.
raquel.martins@publico.pt
4 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
DESTAQUE
PRECÁRIOS NO ESTADO
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Escolas, tribunais, hospitais: o que os sindicatos pedem e o que o relatório diz |
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E ducação é o sector com mais trabalhadores com vínculos temporários. Mas há vários outros onde é |
responder a necessidades permanentes das escolas. Quanto ao pessoal não- -docente, segundo os dados apresentados pelo ministério no levantamento sobre a precariedade no Estado, o número de precários estará agora nos cerca de 5000. Destes, |
Público, António Ventinhas, |
de bolsa motivou críticas dos sindicatos e é uma das |
Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais estima que faltem 6000 funcionários auxiliares e administrativos no SNS. O relatório do Governo identificou 429 avençados e 1169 tarefeiros nas unidades de saúde do Sector Empresarial do Estado. Há também 10.336 contratados a termo, muitos dos quais a termo incerto, que o Governo justifica com os atrasos nas contratações e necessidades temporárias por absentismo que acabam por prolongar-se no tempo. Romana Borja-Santos Nas polícias faltam sobretudo efectivos Os únicos precários que o Governo admite ter entre as forças de segurança são praticamente só os vigilantes florestais dos incêndios, 955 |
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estima que faltam cerca de 200. |
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O |
dirigente destaca que este |
justificações de PCP e BE para terem apresentado, no mês passado, propostas de alteração à lei aprovada em Agosto, que está neste momento em discussão no Parlamento. Samuel Silva |
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ano foi aberto um concurso para |
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visível o peso dos precários. |
84 |
procuradores, o maior dos |
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Na educação há 15% de precários, muitos há anos |
últimos anos, mas alerta que têm que continuar a ser abertas vagas para compensar as saídas por reforma, bem como o défice existente. Há também uma falta preocupante de juízes nos tribunais administrativos e fiscais, que faz com que muitos processos se arrastem durante anos naquela jurisdição. A presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Manuela Paupério, fala num défice na ordem das “dezenas”. Mariana Oliveira Solução abrange 16% dos bolseiros na Ciência |
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2950 |
estão com horários anuais. |
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Cerca de 15% dos trabalhadores da rede dependente do |
As estruturas afectas à UGT defendem que são necessários mais dois mil. As ligadas à CGTP sobem este limiar para quase 4000. Clara Viana Faltam pelo menos 1600 profissionais nos tribunais Todos concordam que o défice mais grave de profissionais na área da Justiça ocorre com os funcionários judiciais responsáveis por tramitar os processos nos tribunais. O presidente do Sindicato dos |
São precisos mais enfermeiros do que médicos
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Ministério da Educação (ME) estavam a contrato a prazo em Setembro de 2016, segundo os dados constantes da última síntese estatística do emprego público. Na altura, de um total de 168.310 funcionários, 24.634 eram precários, um número que representa um acréscimo de 6177 em comparação com a situação existente em 2015. Segundo a Federação Nacional de Professores, estarão actualmente nas escolas mais de 20 mil docentes a contrato, que asseguram necessidades permanentes das escolas. Muitos deles estão nesta situação há mais de dez anos. Cerca de 3700 entrarão este ano no quadro por via de um processo de vinculação extraordinária e pela aplicação da directiva comunitária que impede a utilização abusiva de contratos a prazo. Apesar destas medidas, o ME insiste, no relatório sobre a precariedade no Estado, que por regra os docentes a prazo não visam |
O |
relatório do Governo sobre |
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Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, estima que faltam entre |
precariedade no Estado identifica um total de 3662 bolseiros que trabalham nas instituições de ensino superior, centros de investigação e laboratórios. Esta contabilidade foi apurada em |
civis que trabalham nas torres de vigia entre Maio e Outubro. |
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1400 |
e 1500 oficiais de justiça, um |
Tanto a Ordem dos Médicos como os sindicatos do sector dizem que não há falta de clínicos. Contrapõem que |
E |
as associações sindicais não |
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número que deverá descer este ano, já que no mês passado foi aberto um concurso para admitir 400 funcionários, que devem chegar nos próximos meses aos tribunais. No Ministério Público também existe carência de procuradores. O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério |
contestam. O problema é o mesmo a falta de efectivos na PSP e GNR. Pelas contas da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, fazem |
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30 |
de Junho, antes da entrada |
só faltam médicos no sector |
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em vigor de um regime jurídico de estímulo à contratação de investigadores doutorados que está previsto abranger 3000 cientistas. As bolsas de investigação são pagas apenas durante 12 meses e não incluem direitos de protecção laboral em caso de doença, por exemplo. O Governo quer transformá-las em contratos de trabalho com o novo regime legal. O diploma abrange, porém, apenas os bolseiros de pós- doutoramento, que totalizam 601 pessoas (16,4% dos bolseiros existentes). De fora ficam os bolseiros de doutoramento (2037 investigadores), bem como as bolsas de gestão de ciência |
público, por terem saído para |
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a |
reforma e para o privado. |
falta mais dois mil polícias, que |
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Ainda assim, há carências em algumas especialidades e em |
se juntariam aos quase 21 mil que já existem. O sindicato quer ainda um reforço substancial |
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zonas do país menos atractivas. |
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A |
contabilização oficial indica |
dos civis ao serviço da PSP. A Associação dos Profissionais da Guarda tem idêntica posição: fala num défice de cinco mil militares, num universo composto hoje em dia por 21 mil homens e cerca de um milhar de mulheres. O facto de |
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que faltam mais de 600 médicos de família. O próprio Governo estimou que nas especialidades hospitalares faltassem mais de 700 médicos, surgindo a medicina interna à cabeça. No caso dos enfermeiros, mesmo com as contratações recentes, os centros de saúde e hospitais precisariam de mais 30 mil profissionais para chegar à média da OCDE, indicam os dados da Ordem dos Enfermeiros e do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Já a Federação |
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o |
rácio agente de segurança por |
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cidadão ser em Portugal superior ao de outros países não faz desarmar os dirigentes sindicais, que dizem — e nisso não são contrariados pela tutela — que existem demasiados polícias e guardas adstritos a tarefas não- policiais. Ana Henriques |
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e de técnico de investigação. |
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A |
exclusão destes três tipos |
Nacional dos Sindicatos dos |
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6 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
POLÍTICA
Só Oeiras e Amadora querem participar na gestão da Carris
Das cinco câmaras, além de Lisboa, onde
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a |
Carris opera, só duas gostariam de gerir |
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a |
transportadora pública. Para Odivelas, |
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a |
opção actual é mais satisfatória. Loures |
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e |
Almada respondem sem responder |
Transportes
Sónia Sapage
A Carris não é só Lisboa. Também é
Amadora, Almada, Odivelas, Oeiras
e Loures, os cinco concelhos que são
abrangidos pela rede das suas car- reiras. Numa altura em que o Parla- mento se prepara — por iniciativa do PCP, que apresentará propostas de alteração —, para apreciar o diplo- ma que decretou a municipalização da gestão da empresa, o PÚBLICO perguntou aos cinco municípios se teriam interesse em “entrar” na Car- ris. Só Oeiras e Amadora, presididas por um independente e por uma so- cialista, admitiram a hipótese. O “sim” de Paulo Vistas, eleito presidente da Câmara de Oeiras em 2013, depois de ter assumido o mandato na sequência da prisão de
Isaltino Morais, foi claro. “A Câmara Municipal de Oeiras está disponível para participar na gestão da Carris, se isso se traduzir numa melhoria significativa dos serviços prestados
à população e numa melhor articu-
lação com os restantes sistemas de transporte”, assume o autarca. Para Carla Tavares, presidente da Câmara da Amadora, apesar de ser uma grande “mais-valia a entrega da gestão da Carris à Câmara de Lisboa”, por se manter a empresa na esfera pública, ao invés de ser privatizada, faz todo o sentido que a Amadora ve- nha a ter “um papel efectivo na ges- tão conjunta dos serviços de trans- portes públicos rodoviários”. Essa possibilidade, lembra a socialista, decorre da legislação em vigor e das regras comunitárias, de acordo com as quais “em 2018/2019 terão de ser lançados concursos públicos para os
transportes públicos rodoviários, pe-
lo que a Carris deverá fazer parte da
solução a encontrar ao nível da Área Metropolitana de Lisboa e, em par- ticular, no concelho da Amadora”. Em Odivelas, onde tanto a Carris como o Metro operam, Hugo Mar- tins (PS) mostra-se satisfeito com a
solução encontrada pelo Governo, incluindo com o plano de investi- mentos apresentado, e com a polí-
tica tarifária proposta. “Lisboa não
é uma ‘ilha’”, defende o autarca.
“Muitos dos utentes da Carris tam-
bém são munícipes dos concelhos limítrofes”. As respostas de Almada e Loures são mais vagas. “Trata-se de maté- ria demasiado importante em que a avaliação em curso e o interesse dos almadenses desaconselham respos- tas gerais, abstractas, descontextu- alizadas e a destempo em torno de ‘eventual’ cenário”, diz Joaquim Ju- das, presidente da Câmara de Alma- da (PCP), ao PÚBLICO. Sobre a disponibilidade da autar- quia de Loures para participar na gestão da Carris, Bernardino Soares
(PCP), em declarações à SIC, na quin- ta-feira à noite, afirmou que “é ma- téria que não está em cima da mesa neste momento e qualquer proposta nesse sentido teria de ser avaliada no momento em que fosse avaliada
e nas condições em que fosse apre-
sentada”. Ainda assim, Bernardino Soares defendeu que os municípios afectados por decisões relacionadas com alterações da rede de transpor- tes públicos devem ser envolvidos. Ontem, Pedro Santana Lopes re- feriu-se ao assunto da Carris na sua crónica no Correio da Manhã, dei-
A municipalização da gestão da Carris entrou em vigor na quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017
xando conselhos e recados. “A opo- sição não deve desejar, nesta matéria, crises na maioria e os partidos que compõem a maioria não devem ser egoís- tas na defesa da posições próprias de cada força política”, escreveu. Santana, para quem os transportes públi- cos — como o Metro
ou a Carris — devem ficar sob a alçada da Autoridade Metropo- litana, numa gestão in- tegrada, como “Madrid faz há 30 anos”, avisa:
“Não deve haver política
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 7
PATRICIA MARTINS
nem voluntarismo pessoal em ano de eleições que secundarize a lógi- ca do bom senso necessário para a construção de um quadro que deve
regular esta gestão para as próximas décadas”. O provedor da Santa Ca- sa da Misericórdia de Lisboa chama
a atenção para o facto de 2017 ser
ano de eleições autárquicas e de os interesses dos utentes poderem não se compatibilizar com politiquices. Faltam ainda 20 dias para o Parla- mento debater e votar as apreciações parlamentares sobre a municipali- zação da Carris. Mas o primeiro-mi- nistro decidiu e está decidido (e até apresentado publicamente em jeito
de inauguração). “A transferência es-
tá hoje consumada, está feita”, disse
António Costa a 1 de Fevereiro.
sonia.sapage@publico.pt
A oposição não
deve desejar, nesta nesta
matéria, crises s na maioria
Pedro Santana Lopes Provedor da Misericórdia de Lisboa
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Teria interesse em participar na gestão da Carris? |
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As respostas dos autarcas de Almada, Amadora, Loures, Odivelas e Oeiras |
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e |
as regras comunitárias, em |
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2018/2019 terão de ser lançados concursos públicos para os transportes públicos rodoviários, pelo que a Carris deverá fazer parte da solução a encontrar ao nível da Área Metropolitana de Lisboa. Nesse sentido, faz todo o sentido para a Câmara da Amadora que o serviço da Carris faça parte de uma solução intermunicipal, isto é, que o nosso município tenha um papel efectivo na gestão conjunta dos serviços de transportes públicos rodoviários. Será através do |
Hugo Martins Presidente da Câmara de Odivelas (PS) |
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A solução encontrada para |
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Carris é muito satisfatória, permitindo manter a empresa a |
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na esfera pública. É importante realçar que a entrega da Carris |
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à Câmara Municipal de Lisboa |
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Carla Tavares Presidente da Câmara da Amadora (PS) |
respostas gerais, abstractas, descontextualizadas e a destempo em torno de “eventual” cenário. |
possibilita que esta se mantenha como “operadora interna”. Caso contrário, estaria sujeita |
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a um concurso de concessão, |
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correndo o risco de ser entregue |
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É |
uma mais-valia a entrega da |
diálogo intermunicipal que vão ser encontradas as melhores soluções que sirvam os nossos munícipes |
Bernardino Soares Presidente da Câmara |
uma entidade privada. Temos plena confiança na capacidade da Câmara Municipal de Lisboa em assumir, com qualidade e eficácia, a gestão da Carris, vendo com muito agrado quer o plano de investimentos apresentado quer a |
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gestão da Carris à Câmara de Lisboa, porque se mantém na esfera pública, ao invés de ser privatizada, com uma gestão mais próxima dos munícipes. É também um passo importante para a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa. Estando a decisão e a gestão mais próximas, é uma grande mais-valia para os municípios. Na Amadora, a Carris tem um peso significativo nos transportes públicos rodoviários, nomeadamente com uma forte presença do seu serviço junto a dois dos mais importantes interfaces do concelho (Damaia e Reboleira), |
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e |
o serviço público de transportes. |
de Loures (PCP) |
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Paulo Vistas |
Há muitas formas de resolver esse problema, é preciso é |
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que haja vontade política para |
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o fazer. Nós estamos abertos |
a política tarifária proposta, |
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Presidente da Câmara de Oeiras (ind.)
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a discutir as soluções no sentido de garantir que haja, de facto, participação [nas decisões]. Quando se decide que uma carreira que passa por vários municípios tem menos autocarros ou mais autocarros, |
qual presta uma particular atenção às crianças e aos reformados. a
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[é afectados por essa decisão possam ser envolvidos nela. preciso] que os municípios |
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[A participação na gestão] |
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o |
que evidencia que muitos |
é |
matéria que não está em |
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dos seus utentes não são só de Lisboa mas também munícipes dos concelhos limítrofes. Existindo um excelente relacionamento institucional entre as autarquias de Lisboa |
Sim, a Câmara Municipal de Oeiras está disponível para |
cima da mesa neste momento |
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e |
qualquer proposta nesse |
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participar na gestão da Carris, se isso se traduzir numa melhoria significativa dos serviços prestados à população |
sentido teria de ser avaliada |
Este assunto foi, naturalmente, por diversas vezes, conversado com a Câmara Municipal de Lisboa e com o presidente Fernando Medina. Lisboa não é uma “ilha”, muitos dos utentes da Carris também são munícipes dos concelhos limítrofes e por isso temos a garantia firme de que a Câmara Municipal de Lisboa nada fará de costas voltadas para os restantes municípios e que Odivelas será sempre ouvida nas decisões que, de futuro, serão tomadas e que tenham impacto no nosso concelho. |
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no momento da avaliação e nas condições em que fosse apresentada. [Declarações |
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e |
da Amadora, fulcral na |
e |
numa melhor articulação |
prestadas à SIC Notícias] |
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intermunicipalidade dos transportes, estamos convictos de que o funcionamento da Carris continuará a ter em conta as necessidades dos nossos munícipes, sendo o município da Amadora chamado a participar sempre que a Câmara de Lisboa necessitar de tomar decisões que tenham impacto no nosso território. De acordo com a legislação em vigor |
com os restantes sistemas de transporte. |
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Joaquim Judas |
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Presidente da Câmara de Almada (PCP) |
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Trata-se de matéria demasiado importante em que a avaliação em curso e o interesse dos almadenses desaconselham |
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8 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
POLÍTICA
Marcelo “feliz” com hipótese de “pacto de regime” sobre descentralização
No dia em que o conselho geral da ANMP aprovou por unanimidade posição favorável à descentralização, o Presidente afirmou que o Governo poderá anunciar “qualquer coisa” nas próximas semanas
Presidência Leonete Botelho
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou-se ontem “muito feliz” com a possibi- lidade, cada vez mais próxima, de haver um “consenso de regime en-
tre forças partidárias independentes que à partida tinham posições muito diferentes” em matéria de descen- tralização. No dia em que o conse- lho geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) aprovou por unanimidade solicitar ao Governo o aprofundamento da descentralização de competências para as autarquias, o Presidente da República afirmou-se convicto de que “o Governo poderá anunciar qualquer coisa nas próximas sema- nas”, como pedira, e de que poderá “haver votação no Parlamento até ao fim deste mês ou no início do pró- ximo mês, muito longe das eleições autárquicas deste ano”. O chefe de Estado falava no final do encontro que promoveu com os presidentes de câmara de todo o país
a pretexto a comemoração dos 40
anos do poder local democrático — que, disse na intervenção aos autar-
cas, “só valem a pena se os próximos 40 forem melhores ainda”. Sem falar de descentralização no discurso — não era preciso, até por- que tem repetido os apelos para um “acordo de regime” nesta reforma —,
o chefe de Estado pediu aos autarcas
para olharem para o futuro com “o modo de ser autárquico, que é frater-
nal”, porque, independentemente
dos partidos ali representados, “aqui-
lo que os une é muito mais importan-
te que aquilo que os separa”. O optimismo de Marcelo era acompanhado pelo do presidente da ANMP: “Nós estamos prontos, temos total disponibilidade para aju- dar a encontrar soluções”, afirmou Manuel Machado aos jornalistas, à
margem do encontro. “As negocia- ções estão a ser construtivamente desenvolvidas, temos tido um rela- cionamento construtivo com todos os órgãos de soberania, incluindo o Presidente da República”, disse Ma- chado, sublinhando que o chefe de Estado tem ajudado com os “estímu-
Presidente convidou todos os presidentes de câmara do país para Belém, para comemorarem os 40 anos de poder local democrático
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Presidente desvaloriza pré-anúncio da Fitch |
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O Presidente desvalorizou ontem o facto de se ter antecipado ao fecho dos mercados, como mandam as regras europeias, quando anunciou que a agência Fitch tinha mantido o rating de Portugal. “Os operadores já sabiam desde ontem que não havia novidade, eu limitei-me a dizer que não havia novidade”, afirmou Marcelo aos jornalistas no final do encontro com os autarcas. O Presidente anunciou |
almoço em casa de um casal |
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de antigos sem-abrigo, quando |
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a revelada às 18h. “Os operadores anteviam o que se ia passar e eu considerei que era positivo haver a expectativa. As outras duas agências também se vão pronunciar e eu desde já digo que a expectativa que tenho notação da agência só foi |
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é |
que não haja um piorar do |
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juízo em relação a Portugal |
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e |
haja um compasso de |
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espera, aguardando a posição |
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a avaliação da Fitch ao início da tarde, à entrada para um |
das instituições europeias”, acrescentou. |
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los” e o “esforço de consensualizar soluções”. Consenso que diz ser fundamen- tal: “Um processo de transferência de competências de legislação inovado- ra para o poder local é de enorme im-
portância que seja consensualizada para ter durabilidade suficiente, para serem leis boas e bem estudadas”. “Estou esperançado que vai haver uma solução bastante equilibrada, consolidada e eficaz”, garantiu. E especificou quando disse ter “boas expectativas de que, atempadamen-
te antes das eleições autárquicas, se conclua o processo legislativo de for-
ma a que os próximos autarcas elei- tos saibam com o que contam”. Manuel Machado disse ainda que a ANMP espera que esta reforma seja implementada até ao fim da legisla-
tura, ou seja, até ao Outono de 2019,
o que representa uma antecipação
em dois anos no período estimado pelo Governo. Questionado sobre a ausência de propostas sectoriais da parte do Go- verno, que tem sido criticada por al- guns autarcas, o também presidente da Câmara de Coimbra desdramati- zou. “Havendo uma lei-quadro com amplo consenso, um compromisso
político na Assembleia da República e
a garantia do Governo de que, quan-
do estivermos na discussão final, es- tarão consolidados os decretos-leis nas áreas sectoriais de modo a todos confluírem no mesmo sentido, acre- dito que seja possível e sendo possí- vel é politicamente adequado”, disse.
leonete.botelho@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 9
Distritais aplaudem oposição de Passos à TSU
Partidos Sofia Rodrigues
Numa reunião com dirigentes distritais, líder do PSD lamentou que haja tantas notícias sobre candidatos para Lisboa
Os dirigentes distritais do PSD ex- pressaram apoio ao presidente do partido pela sua oposição à descida da taxa social única (TSU), acorda- da em Concertação Social, mas sem apoio à esquerda no Parlamento. Nu- ma reunião, nesta quinta-feira, na se- de do partido, os sociais-democratas falaram muito sobre autárquicas. E até Passos Coelho desabafou sobre Lisboa: ajudava se todas as semanas não houvesse notícias sobre pessoas convidadas. Na quinta-feira, o jantar de Passos Coelho com os líderes distritais, que se prolongou até à uma e meia da manhã, serviu para falar das autár- quicas mas também de política na- cional. Ao que o PÚBLICO apurou, houve um sentimento generalizado de que Passos Coelho esteve bem na posição contra que assumiu sobre a descida da TSU, fazendo com que os partidos que apoiam o Governo se comprometam mais uns com os ou- tros. Uma ideia que consideraram ter ficado reforçada com a declaração posterior do primeiro-ministro de que o PSD não faz falta. Na descrição de uma fonte, os dirigentes distritais mostraram satisfação por terem um líder que também sabe fazer oposi- ção, se quiser. Quanto às autárquicas, as distritais fizeram o ponto de situação sobre a escolha e apresentação de candida- tos. E foram referidos alguns proble- mas ainda por ultrapassar em coli- gações com o CDS, como o da Meda (Guarda) e de Santarém. Em Vila Real já é certo que não haverá nenhuma aliança com o CDS no distrito, ao contrário do que aconteceu em 2013. Em Lisboa, onde ainda não há can- didato, o líder do partido lamentou os muitos convites que têm sido noti- ciados e que não ajudam a trabalhar com serenidade. Um desses nomes foi o da vice-presidente Teresa Mo- rais. A deputada foi, no entanto, de- safiada a ser candidata em Sines.
srodrigues@publico.pt
Alterações reivindicadas implicam alteração estatutária
Simpatizantes do PS querem intervir mais no partido
Partidos Margarida Gomes
Promotores de petição online esperam recolher dez mil assinaturas e fazem apelo ao secretário-geral dos socialistas
Simpatizantes do PS lançaram esta
semana um apelo ao secretário-geral, António Costa, através de uma peti- ção online, para que o partido pro- ceda a uma alteração estatutária com vista à regulamentação da figura de simpatizante com direitos e deveres previamente estabelecidos. “Nós, cidadãos portugueses, pre- ocupados com a elevada abstenção que se tem verificado nos últimos anos em particular e solidários com
a causa socialista, com a qual nos
identificamos plenamente, pedimos
que se digne analisar da possibilida- de de o Partido Socialista proceder
à alteração estatutária, de modo a
permitir a nossa inscrição como seus simpatizantes, com direitos e deve- res previamente estabelecidos”, es- creveram. Luís Correia, um dos mentores da petição, diz que, apesar de a figura de simpatizante estar prevista nos estatutos, não tem competências de- finidas, nem direitos nem deveres. “Não há nenhum vínculo a nível de decisões, nem de participação acti- va”, constata. Adianta que “o que se pretende é fazer um enquadramento correcto do estatuto de simpatizante, atribuindo competências para que
as pessoas possam, ainda de uma maneira livre, participar em actos de decisão e governação de ordem interna e também no caso de deci- sões de âmbito global”. Apoiante de António Costa, a quem deixa elogios pela “inteligên- cia” e pelo “trabalho meritório na li- derança do partido”, o simpatizante não tem dúvidas que, enquanto os partidos não sofrerem um “abanão” para se libertarem das “lógicas apa- relhísticas”, os “jovens vão continuar a distanciar-se da política e os níveis de abstenção em actos eleitorais vão continuar a aumentar”. Assumindo-se sobretudo como simpatizante dos “ideais socialistas”, Luís Correia reconhece que as altera- ções profundas não se fazem de uma só vez, até porque a “tradição e a his- tória são valores muito enraizados e que devem de alguma forma ser mi-
nimamente respeitados”. Acredita, porém, que o PS será sensível a esta petição. “António Costa, que é uma pessoa muito inteligente, sabe que
determinadas situações são incontor- náveis e que é apenas uma questão de tempo”, afirma, acrescentando que esta iniciativa não é contra os objectivos do secretário-geral do PS, até porque o que se pretende é uma direcção mais eficaz, legitimada pelo maior número de apoiantes”. Os promotores desta iniciativa, pa- ra quem a “mudança é o segredo do sucesso”, querem ver a petição assi- nada por 10 mil pessoas e só depois será enviada ao líder do PS, António Costa.
margarida.gomes@publico.pt
POLÍTICA
Socialistas propõem descida dos salários dos administradores dos reguladores
Parlamento
Ana Brito
Salários de administradores das entidades reguladoras não devem ir além de 12 mil euros. Banco de Portugal e CMVM são excepções
O PS entregou ontem na Assembleia
da República uma proposta de alte-
ração à lei-quadro das entidades re- guladoras que visa uma “redução generalizada” dos salários dos ad- ministradores destas entidades. Pelas contas do grupo parlamentar, “no máximo, os ordenados dos admi- nistradores não deverão ultrapassar um valor à volta dos 12 mil euros”, revelou ao PÚBLICO o deputado Luís Moreira Testa, que coordena o grupo de trabalho criado na Comissão par- lamentar de Economia para analisar
os projectos de alteração à lei-quadro
das entidades reguladoras. Até agora, apenas o Bloco de Es- querda, Os Verdes e o CDS tinham entregado projectos de alteração à lei visando a redução salarial, mas o PS entregou hoje uma proposta que também será votada na próxima se- mana. Os montantes estabelecidos como tecto pretendem reduzir o ní- vel salarial, mas “salvaguardar que as entidades reguladoras vão conseguir contratar os profissionais altamente especializados de que necessitam”, frisou Moreira Testa. Os ordenados dos administradores das diversas en- tidades reguladoras oscilam entre 14 mil e 16 mil euros mensais.
Votação esperada para este mês
Na proposta socialista, os venci- mentos não poderão ultrapassar em mais de 30% o nível máximo da tabe- la de remuneração da função públi- ca (o 115), que está actualmente nos 6350,68 euros. A este valor acrescem despesas de representação que não poderão ir além de 40% do valor global da remuneração, explicou o parlamentar. Estas alterações, que não se apli-
cam aos actuais titulares dos cargos, mas a quem assumir novos mandatos (estão na calha, por exemplo, novos líderes para a ERSE e para a Anacom, cujos actuais presidentes terminam em breve os seus mandatos), deverão ser aprovadas “o mais rapidamente possível”. Deixam de fora o Banco de Portugal e a Comissão do Merca- do dos Valores Mobiliários (CMVM), assim como a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que “tem um nível salarial mais baixo e não é encarada como um verdadeiro regulador”,
adiantou. Já os outros dois têm be- neficiado de um estatuto de excep- ção por se englobarem num quadro regulatório europeu. Sobre os projectos de alteração do Bloco, d’Os Verdes e do CDS Luís
Moreira Testa frisou que “há diversas coisas que aproximam” os vários gru- pos parlamentares. “As diferenças são mais de fórmulas do que de con- teúdo”, pelo que o deputado acredi- ta haver espaço para consensos. En- quanto o BE pretende limitar o orde- nado dos administradores ao de um ministro, o CDS propõe como tecto
o vencimento do primeiro-ministro
(cerca de seis mil euros). Já Os Verdes propõem como tecto máximo o ven- cimento mais alto de cada entidade, acrescido de 40% para despesas de representação. O objectivo é que as propostas se-
jam votadas no grupo de trabalho na próxima semana e que, depois de a Comissão de Economia aprovar o texto substitutivo, este seja votado em plenário, ainda durante este mês. Outra alteração proposta passa por exigir que a comissão de vencimen- tos (que continuará a ser composta por um membro escolhido pelas Fi- nanças, outro pelo ministro da área correspondente e um representante do próprio regulador) apresente ao Governo e Parlamento “um relatório devidamente fundamentado” sobre
a remuneração proposta.
ana.brito@publico.pt
10 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
POLÍTICA
PÚBLICO & NOTÓRIO
“O PSD está em contramão com os portugueses”
Manuel Caldeira Cabral Ministro da Economia
“Não há outra oportunidade”
Paulo Macedo Presidente da CGD
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Bastidores |
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Um social- -democrata fotógrafo de Jerónimo |
Único Digital; Assuntos Económicos e Monetários; Emprego e Solidariedade; Energia; Ambiente; Negócios |
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Estrangeiros; Mercado Único |
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Protecção do Consumidor; Comércio Internacional; e |
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Estava no meio de alentejanos de Elvas que iam conhecer o Parlamento, naquelas visitas organizadas das escolas para explorarem a “Casa da Democracia”. Eis que lhes surge à frente o político que |
Justiça e Direitos Cívicos; Novas Tecnologias; Saúde Pública; Desenvolvimento Regional; Investigação & Inovação; Transportes; Direitos das Mulheres e Igualdade de Género. São muitas categorias, |
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é Jerónimo de Sousa. E como não é só Marcelo que gosta de tirar fotografias, lá encostou Jerónimo a cabeça a dois estudantes. Tudo normal até aqui. São conhecidas as potencialidades fotogénicas (se calhar mais telegénicas, a dançar) do secretário-geral do PCP, mas o Público & Notório ficou sem saber se na fotografia não ficou assim com um ar mais alaranjado. É que o fotógrafo de serviço foi o homem que estava junto ao elevador, José Matos Rosa. Também ele alentejano, mas secretário-geral do PSD. L.V. o ídolo de muitos do grupo: E o Óscar do cibermercado comum vai para |
não são? E cada uma tinha três nomeados. A má notícia é que houve apenas um português entre estes 54 eurodeputados. |
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A |
boa é que ganhou na sua |
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categoria. Foi o socialista Carlos Zorrinho, uma fera na defesa do mercado único digital. A.V. |
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Carreiras e o “rodízio das secções” |
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O |
coordenador autárquico |
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nacional do PSD, Carlos Carreiras, está debaixo de fogo amigo, acusado de inabilidade política na gestão do processo. Indiferente, o autarca de Cascais parece empenhado em fazer o “rodízio das secções”, fazendo o jogo do aparelho do partido, mesmo quando significa desperdiçar |
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candidatos que poderiam ajudar |
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A |
revista mensal The Parliament |
o |
partido. E qual é a vantagem |
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Magazine, dedicada ao |
desta estratégia? Se o resultado |
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Parlamento Europeu, já atribuiu os prémios com que distingue os eurodeputados que se evidenciaram em 18 áreas: |
das autárquicas for mau para o PSD, como muitos vaticinam, Carreiras não fica sozinho. Contará com o respaldo político das secções do partido. No PSD |
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Agricultura e Desenvolvimento Rural; Cultura, Educação e Desporto; Desenvolvimento |
já |
há quem diga: “Volta, Jorge |
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Moreira da Silva, que estás |
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Cooperação; Mercado |
perdoado!” M.G. |
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Caso da semana Matam-na mas a CPIRCGDGB não morre
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CPIRCGDGB. O que nasce com um nome destes tarde ou nunca se endireita e, a dois meses do fim do prazo de vida, a Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco (CPIRCGDGB) foi vítima de mais um golpe (quase) fatal. A CPIRCGDGB tem mostrado que é como as centopeias: pode ser muito golpeada, mas rabeia, vai sobrevivendo em modo morto- vivo. Esquerda e direita não se entendem nem sobre como deve ser feito o resto da discussão nem quanto a saber se já há material suficiente para perceber o que se passou no banco público desde 2000. Resultado: mais troca de acusações durante a semana. PSD e CDS acusam os três partidos que apoiam o Governo de “boicote” ao apuramento da verdade e de “construírem um novo muro” que não permite a transparência. Os três partidos da esquerda, sintonizados, responderam que a CPIRCGDGB não pode servir de “palco político” ao PSD. PS, PCP e BE chumbaram todas as audições pedidas pela direita; entre estas, algumas até |
tinham sido colocadas na lista pelo PCP ou pelo BE. O caso mais sonante foi o de Armando Vara. Do ex-administrador da Caixa pretendia-se sobretudo que esclarecesse a sua relação com a CGD e o BCP e os créditos concedidos a empreendimentos como Vale de Lobo. Vara pediu para ser ouvido para “salvaguardar” a sua “dignidade pessoal e profissional”. A esquerda ignorou o pedido e chumbou esta e outras audições. O PSD e o CDS agendaram-nas potestivamente. São 14. A comissão de inquérito que a esquerda nunca quis ainda não morreu, mas anda a sangrar e já ninguém acredita que saia dali um relatório consensual, como no caso do BES. Entretanto, o BE decidiu apresentar as suas próprias conclusões. PSD e CDS acusam- -no de estar a “condicionar” |
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o trabalho do relator, que |
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é socialista. Com tantas |
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divergências, acusações, trocas |
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baldrocas dificilmente haverá |
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um relatório que agrade a gregos |
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e |
troianos, à esquerda e à direita. |
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E |
ainda faltam dois meses para |
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que acabe. 60, 59, 58, 57 L.V. |
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Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 11
SOCIEDADE
Partículas radioactivas da central de Almaraz chegam ao rio Tejo
Águas registam níveis de trítio superiores às detectadas noutros rios do país, segundo o Laboratório de Segurança Radiológica. A 100 quilómetros da fronteira, o caudal tem mais 80% deste tipo de partículas
Nuclear
Lurdes Ferreira
Os efeitos do funcionamento da central nuclear de Almaraz, em
Espanha, embora dentro dos parâ- metros considerados normais para
a vida humana, sentem-se em Por-
tugal, nas águas do rio Tejo, é o que mostram os resultados da vigilância radiológica ambiental do país a cargo do Laboratório de Protecção e Segu- rança Radiológica (LPSR). As concentrações de partículas radioactivas, resultantes do funcio- namento de centrais nucleares (cé- sio, estrôncio e trítio), “são muito baixas [a nível nacional] e situam-se frequentemente abaixo dos valores da actividade mínima detectável, com excepção do rio Tejo, onde os valores de trítio são superiores ao valor normal, mas sem significado do ponto de vista dos efeitos radio- lógicos”, destacam os autores do úl- timo relatório anual sobre os níveis de radiação ambiental a que a po- pulação portuguesa está exposta. O documento foi divulgado no ano pas- sado, é relativo ao ano de 2014, e é o mais recente com o retrato do país. Os dados da recolha mensal de amostras de água em Vila Velha de Rodão, Valada do Ribatejo e no rio Zêzere e da recolha anual no Douro, Mondego e Guadiana, indicam, por exemplo, que a água do rio Tejo che- ga a Valada do Ribatejo com cerca de 80% menos de trítio do que quando passa em Vila Velha de Rodão, a lo-
calidade portuguesa mais próxima da central. Pelo caminho, o caudal do rio vai diluindo a concentração destas partículas radioactivas, por isso ligadas à actividade da central espanhola que precisa das águas do rio internacional para arrefecer os seus reactores. Face aos níveis de trítio em causa (1,5 a 9,8 becquerels por litro em Vila Velha de Ródão e 0,8 a 5,6 em Valada do Ribatejo), o director adjunto do LPSR, João Garcia Alves, explica que
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o |
chamado valor paramétrico para |
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o |
trítio estabelecido na lei de água |
para consumo humano é de 100 be- cquerels por litro. Os níveis regista- dos, neste caso, “são cerca de uma a
Lei da água
A lei da água para consumo humano, em vigor desde o ano passado, transpôs
para o direito nacional a directiva Euratom de 2013. Estabelece “que o controlo das substâncias radioactivas na água destinada ao consumo humano seja integrado nos processos já em rotina nas entidades gestoras dos sistemas de abastecimento” e, para o caso específico do controlo do trítio, passa a considerar os dados resultantes do programa de monitorização nacional ambiental do grau de radioactividade, levado a cabo pelo Laboratório de Segurança Radiológica. Não são abrangidas as
águas minerais naturais, de
nascente e as que forneçam sistemas particulares com menos de 50 pessoas.
duas ordens de grandeza inferiores ao valor paramétrico”, sublinha. A legislação citada é a de um diploma de Junho de 2016.
Valores registados
No conjunto dos grandes rios portu- gueses os valores medidos no Dou- ro, Mondego, Guadiana e Zêzere são muito semelhantes entre si, tendo es-
tes como locais mais sensíveis as bar- ragens de Castelo de Bode e Aguieira:
a primeira abastece a região de Lis-
boa, a segunda tem ainda a pressão da herança ambiental das antigas mi-
nas de urânio. Já em relação ao Tejo a situação é outra. Os valores de césio
e estrôncio detectados são semelhan-
tes aos medidos nos outros rios, mas quanto aos valores de trítio em Vila Velha de Ródão e Valada do Ribatejo, são ligeiramente superiores. Dois outros dados: o efeito da cen- tral sente-se mais na água do Tejo do
que nos sedimentos do seu leito e os teores de trítio notaram-se ligei- ramente menos do que nos anos anteriores. O programa de monitorização ra- diológica ambiental e a consequente publicação de relatórios anuais (com dois anos de diferimento em relação
Tejo internacional tem partículas
às análises) insere-se nos compromis- sos do Portugal e das recomendações da Comissão Europeia/Comunidade Europeia da Energia Atómica (conhe- cida como Euratom) e está a cargo do Instituto Superior Técnico desde 2012, ano em que integrou o Institu- to de Tecnologia Nuclear, com o La- boratório de Protecção e Segurança Radiológica. Portugal tem três programas ac- tivos de vigilância para as suas três fontes de risco radioactivo de origem humana — antigas minas de urânio,
reactor nuclear de investigação de Sacavém, para além da central de Al- maraz, a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa. O último
relatório lembra, aliás, que o rio Te- jo conta na sua zona de influência no troço espanhol com mais do que uma central nuclear. A outra fica em Guadalajara, Trillo.
A presença destas centrais justifica,
para o laboratório, “um programa de monitorização mais detalhado, que inclui um maior número de locais e maior frequência de amostragem, ti-
pos de amostras (água, sedimentos e
plantas aquáticas) e de análises”. Vila Velha de Ródão foi seleccionado “co- mo local de amostragem representa- tivo para águas de superfície por ser o local no rio Tejo mais próximo da fronteira com Espanha”.
A monitorização feita no ano de
2014 concluiu que, no conjunto do país, “a população portuguesa resi- dente não esteve exposta a níveis de radioactividade significativamente mais elevados do que os do fundo radioactivo natural, não sendo neces- sário recomendar qualquer medida de protecção radiológica”.
lurdes.ferreira@publico.pt
12 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
SOCIEDADE
Mãe obrigada a pagar a instituição para ver filho que lhe foi retirado
Centros que fazem acompanhamento de encontros vigiados entre pais e crianças em perigo são habitualmente financiados pela Segurança Social. Mas há excepções:
neste caso mãe paga 60 euros de cada vez
Protecção de crianças Ana Dias Cordeiro
Uma situação “atípica” e que “não es-
tá prevista na lei” — assim é descrito,
por juízes e profissionais da protec- ção de crianças e jovens, o caso de uma mãe que vai ter de pagar para ver um dos dois filhos, gémeos, que lhe foram retirados há cinco anos, quando tinham apenas quatro me- ses. Uma das crianças foi entregue aos tios paternos. A outra está com uma irmã mais velha. Um dos pro- cessos corre no Tribunal de Família de Sintra e o outro está no Tribunal de Família de Lisboa. São processos de promoção e pro- tecção, que não podem ser consulta- dos pelo PÚBLICO por envolverem crianças, em que foi determinada uma medida de apoio junto de um familiar. Num dos casos, a mãe não vê o filho há mais de dois anos. No outro, há mais de três. O encontro com este último, marcado para os próximos dias na associação ComDig- nitatis, uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) de Mafra, resultou de uma decisão judicial. E terá sido decidido tendo como refe- rência o superior interesse da crian- ça, independentemente das razões que motivaram a retirada das crian- ças à mãe e, neste caso, também ao pai, separado da progenitora.
No ano passado, a juíza do Tri- bunal de Sintra solicitou o acompa- nhamento da visita e, na resposta enviada, a ComDignitatis disse es- tar “disponível” por que tem “licen- ciamento para o fazer”. No entanto, acrescenta, o protocolo que a insti- tuição tem com a Segurança Social “não abrange esta resposta, o que implica um custo para a execução do acompanhamento”.
Uma hora, 60 euros
A reunião entre mãe e filho, neste
caso, pressupõe a presença de dois técnicos, com um encargo de 30 eu- ros por hora por cada técnico. O en-
contro de uma hora teria assim um encargo total de 60 euros. A ComDig- nitatis explica que esse encargo se- rá acrescido de 25 euros por técnico por hora, “no caso de serem precisas
reuniões prévias de preparação da
mãe e da criança”, lê-se na carta en- viada em Novembro de 2016 à juíza que notifica as partes (neste caso, a mãe) para que digam se concordam.
A carta surgiu depois de a um reque-
rimento feito pela mãe para ver os filhos dez meses antes, em Janeiro de 2016. “Todos estes processos deviam ser gratuitos. Mas nós não vivemos num
Estado que permita isto”, diz o juiz Jo-
sé António Fialho, do Tribunal de Fa-
mília e Menores do Barreiro. E exem- plifica: “Em 2008, estivemos quase
a ter processos de adopção pagos,
porque a maior parte dos adoptantes não tinham apoio judiciário. Houve uma grande pressão e o legislador
acabou por introduzir os candidatos
à adopção nos artigos das isenções.”
O juiz desembargador Manuel Pin-
to Madeira, do Tribunal da Relação do Porto, instância a que chegam re- cursos de processos do Tribunal de Família e Menores do Porto e onde foi juiz entre 1998 e 2007, vai mais longe:
“A regra é haver apoio da Segurança Social para o cumprimento destas medidas e o apoio é gratuito, não é pago. A lei não prevê isto. É irregular,
no sentido em que não é normal.”
O juiz não conhece este caso, mas
considera que “está a ser posto em causa o direito da mãe em ver o filho, um direito constitucional que lhe es- tá consagrado”. E acrescenta: “É o Estado que tem de tomar conta das suas crianças e ter os meios para o acompanhamento dessas medidas, e isso cabe à Segurança Social.” Foi quebrado um dos princípios sobre os quais assenta a protecção das crianças? “A rede não é elástica. Como os casos vão aumentando, as
solicitações [para estes encontros] também vão aumentando. A questão
é saber se o juiz só tinha essa opção”, realça, por sua vez, o juiz José An-
A criança, que tem agora cinco anos, foi retirada aos país por ordem judicial e está institucionalizada
Todos estes processos deviam ser gratuitos. Mas nós não vivemos num Estado que permita isto
José António Fialho Juiz do tribunal de Família e Menores de Barreiro
tónio Fialho. “O normal é efectiva- mente que as pessoas não tenham de pagar por isso.”
“Primeiro e único caso”
A Comissão Nacional de Promoção
dos Direitos e Protecção das Crian- ças e Jovens (CNPDPCJ) não dispõe de dados suficientes para emitir um parecer sobre o caso, diz Joana Gar- cia da Fonseca, da equipa técnica. “Aquilo que esteve na origem desta decisão foi um processo judicial. Cer- tamente foram analisadas todas as hi-
póteses. Mas é efectivamente uma si- tuação atípica, porque habitualmen-
te este tipo de apoio é solicitado aos
serviços da Segurança Social”, con- sidera. A directora da ComDignitatis, Célia Salgado, explicou ao PÚBLICO
que este “é o primeiro e único caso” em que a sua associação solicita que
uma mãe suporte o encargo, já que
o centro de apoio só tem acordo de
cooperação com a Segurança Social para a preservação familiar — que sig-
nifica o acompanhamento e apoio
a pais de crianças em perigo para
evitar a retirada — e que é isso que faz. Já se candidatou ao apoio para as outras duas actividades habituais
— ponto de encontro e reunificação
familiar —, mas ainda não o faz como acontece com outros centro de apoio familiar e aconselhamento parental (CAFAP). “Temos licenciamento,
mas não temos protocolo de coope- ração”, esclarece Célia Salgado.
Dos 61 centros deste tipo existen- tes no país, com acordo de coopera- ção, apenas 12 desenvolvem a mo- dalidade ponto de encontro familiar (PEF), tendo uma capacidade para 280 famílias, informa o gabinete de
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 13
PAULO PIMENTA
A regra é haver
apoio da Segurança Social para o
cumprimento
destas medidas e
o apoio é gratuito
não é pago. A lei não prevê isto.
É irregular
Manuel Pinto Madeira Juiz do Tribunal da Relação do Porto
SOCIEDADE
61
Centros de apoio familiar
e aconselhamento parental,
existentes no país, têm
acordo de cooperação com
a Segurança Social
imprensa do Instituto da Solidarieda- de Social (ISS). “O encaminhamento para os centros licenciados, logo com pagamento de serviços, pode ocorrer por indicação do tribunal ou por op- ção da própria família”, acrescenta em respostas por email. Existem casos em que as associa- ções podem ter licenciamento para essa missão, mas não receberem fundos da Segurança Social e ter de ser o pai ou a mãe a suportar o en- cargo de ver o filho? “Relativamente
à comparticipação familiar devida
pela utilização dos serviços presta- dos, informa-se que no âmbito da cooperação com a Segurança Social
As visitas, quando benéficas para a crianças, devem ser gratuitas
Opinião Fernanda Salvaterra
a noção da situação de perigo
em que colocam as crianças e dos efeitos adversos que os seus comportamentos e estilos de vida têm no desenvolvimento dos filhos, porque eles próprios
foram, na grande maioria das vezes, negligenciados /ou maltratados na infância. E, por
último, é uma decisão complexa para os profissionais (psicólogos,
assistentes sociais, magistrados)
que avaliam a situação e tomam
a decisão final, tendo em conta o
superior interesse da criança, a protecção dos seus direitos e o seu
bem-estar físico e psicológico. É
uma decisão tomada em situações graves, que comprometem o desenvolvimento físico, social e emocional da criança e após ter sido dada a oportunidade à família de se recuperar. Embora os interesses das crianças e dos pais estejam intimamente ligados, são os interesses da criança que devem
prevalecer e são estes que devem nortear as decisões dos
profissionais, baseadas numa avaliação criteriosa, ouvindo a
criança, o que ela diz, mas também
o que não diz e se manifesta
de diversas formas no seu comportamento, avaliando o seu
desenvolvimento e a qualidade da vinculação. Sempre que os pais não são capazes ou não desejam mudar
o seu estilo de vida e o seu
comportamento em função
DANIEL ROCHA
das necessidades dos filhos, então à criança deve ser dada a oportunidade de ter outros pais, de ter uma nova família. Havendo laços afectivos já estabelecidos com outros familiares que estejam motivados e desejem assumir a parentalidade da criança, essa deve ser a opção, ou então, de ter uma nova família através da adopção. Apenas no caso da adopção plena os vínculos com a família de origem se quebram, quer do
ponto de vista social, quer jurídico; quando ficam aos cuidados de outros familiares, a questão da continuidade ou não, da relação com os pais, coloca-se. Esta é mais uma questão complexa, em que os interesses da criança e o interesse dos pais entram muitas vezes em conflito e que deve ser resolvida tendo em conta o bem-estar da criança, a curto, e, sobretudo, a longo prazo. A manutenção dos contactos só deve ser decidida se for benéfico para a criança, não deve ser a vontade dos pais a prevalecer. Nalgumas situações, em que a criança é confiada
a familiares, estes também
preferem o distanciamento dos pais biológicos e dos problemas destes (dependência de álcool ou estupefacientes, comportamentos
violentos, entre outros), para evitar
a desestabilização do seu seio
familiar.
Caso seja do entendimento dos profissionais que as visitas dos pais
trazem benefícios para a criança, então estas devem ser mediadas
e avaliadas por técnicos, com
formação específica, em locais próprios, proporcionadas pela Segurança Social, ou outras IPSS que dispõem deste tipo de resposta (CAFAP — ponto de encontro) de forma gratuita, dado que é no interesse da criança.
Psicóloga e investigadora do Instituto de Apoio à Criança, doutorada em Psicologia do Desenvolvimento
|
não há lugar ao pagamento pelos ser- |
A |
decisão de retirada de uma |
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viços [quando são] objecto do acor- |
criança à sua família de origem |
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do de cooperação”, responde o ISS. |
é |
sempre uma decisão difícil |
|
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A |
excepção são “as situações em que |
e |
complexa para todos os |
constitua opção da própria família o encaminhamento para um outro cen- tro sem que o mesmo seja detentor de acordo de cooperação”.
Apressar reencontro
Neste caso, a mãe, que falou ao PÚ- BLICO, diz que a opção foi-lhe apre- sentada pelo tribunal e que ela acei- tou pagar a quantia solicitada, por não querer adiar por mais tempo o reencontro com os filhos, depois da cessação dos contactos que, segun- do diz, foi proposta por técnicas da Segurança Social. O seu advogado, Gameiro Fernandes, considera ex- cessiva a influência dos profissio- nais da Segurança Social. Propõem uma medida de promoção e protec- ção. O Ministério Público pronuncia- se. O juiz decide. Questionado sobre essa observa- ção de que os tribunais de Família se baseiam quase exclusivamente nos relatórios da Segurança Social, o juiz Manuel Pinto Madeira diz: “Isso
é uma evidência, porque é à Segu-
rança Social que, nos termos da lei, cabe o acompanhamento das medi-
das e o apoio aos tribunais de Família
e Menores.” Concorda e lamenta que
“a maioria das situações” seja qua- se apenas decidida pelos relatórios da Segurança Social e com base nas declarações dos pais e de familiares
envolvidos. “Na minha opinião, os ju- ízes deviam utilizar outros meios de prova, externos à Segurança Social
e recorrer a entidades privadas, psi-
cólogos, pedopsiquiatras, no âmbito de todas estas medidas.”
acordeiro@publico.pt
intervenientes, mas ela deve ser tomada e não temida pelos profissionais, sempre que a criança
se encontra em situação de perigo.
É uma situação difícil, em primeiro
lugar para a criança que, embora esteja a ser vítima de negligência
grave e/ou maus tratos e/ou abusos de diversa ordem, que colocam em perigo o seu desenvolvimento saudável e harmonioso, ela está vinculada a esses pais. Sim, as crianças vinculam- se mesmo a pais maltratantes
e negligentes, pois é o único
modelo relacional que conhecem
e o único que lhes proporcionou
um mínimo de condições para a sua sobrevivência. A qualidade
da vinculação é que é distinta da das crianças que possuem pais, suficientemente bons, protectores
e sensíveis às necessidades dos
filhos. É também uma decisão difícil para os pais, que consideram os
filhos como propriedade sua e, algumas vezes, não têm sequer
14 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
SOCIEDADE
A reabertura dos tribunais está a saber a pouco para quem esperou dois anos
Justiça
Ana Henriques
Duas dezenas de edifícios passaram reabriram há um mês mas funcionam como meros balcões de atendimento
“Então, doutor, agora vamos fazer o julgamento em Murça?”. O advoga- do Daniel Faceira conta que teve de responder aquilo que os clientes não queriam ouvir: “Não é assim, vamos para Alijó”, apesar de a maioria dos intervenientes neste processo, rela- cionado com a disputa de uma parce- la de uma habitação, ser de Murça. E de o respectivo tribunal ter reaberto há um mês. Não houve volta a dar- lhe: há dois dias lá tiveram de ir todos para Alijó, a duas dezenas e meia de quilómetros. “As pessoas sentem-se desiludidas. E um bocadinho enga- nadas”, descreve o advogado. Um mês após os 20 tribunais encer- rados em 2014 terem voltado a abrir as portas, enquanto os presidentes das comarcas se debatem com falta de meios humanos, e também de ve- ículos de serviço, para corresponder às expectativas geradas, parte dos utentes dos tribunais sentem gorados os seus anseios: sem magistrados re- sidentes e por enquanto quase sem julgamentos, os imponentes edifícios têm funcionado como meros balcões de atendimento, tirando raras excep- ções. Não que fosse suposto haver já julgamentos: nos 20 tribunais só será obrigatório realizá-los para crimes ocorridos a partir de Janeiro deste ano — e desde que a sua moldura penal não ultrapasse os cinco anos de cadeia. Com um ou dois funcio- nários, neste primeiro mês uma das suas principais tarefas foi emitir cer- tificados de registo criminal. “Aqui as pessoas também se sen- tem desiludidas”, confirma, em Si- nes, a advogada Ana Vilhena. “Não chega. Queremos mais”, diz um co- lega mais velho, Agostinho Ferrei- ra. “Pretendemos que venha para cá tudo o que nos retiraram”: neste caso, as valências relacionadas com litígios laborais e familiares. Na rea- lidade, nenhuma promessa foi feita pelo Governo nesse sentido, apesar de todos os discursos oficiais a lou- var a reaproximação da justiça às populações: cuidadosa, a ministra
Tribunais, como o de Sintra (na foto), reabriram mas os utentes sentem gorados os seus anseios
Francisca van Dunem tem preferido usar o termo “reactivação” em vez de “reabertura”, como quem diz que as coisas não voltaram ao que eram antes do encerramento de 2014. E nunca deu mostras de ter embar- cado nas proclamações do programa do Governo no sentido de serem feitos julgamentos em todos os concelhos do país, algo de resto inédito em Portu-
Voluntário à força
A s recentes alterações à forma de organização dos tribunais implicam, nalguns casos, que
alguns juízes tenham prestar serviço em dois tribunais diferentes pelo menos até Julho. Um deles recusou-se. Mas o Conselho Superior da Magistratura entende que
o seu consentimento “não
é legalmente obrigatório”.
Manuela Paupério, da Associação Sindical de Juízes
Portugueses, diz existir uma “pressão sub-reptícia” sobre estes magistrados para aceitarem trabalho extra.
gal. Mas até os comunicados oficiais do conselho de ministros falam em
reabertura, e é por essas e por outras que há quem entenda que pôr uma coisa que dá pelo nome de juízo de proximidade no lugar de um tribunal
a sério não chega. “Os tribunais de-
vem ser tribunais — e não balcões de atendimento”, insiste o presidente do Sindicato dos Funcionários Judi- ciais, Fernando Jorge. Não é porém essa a principal pre- ocupação dos juízes que dirigem as comarcas. O de Setúbal, Manuel Se- queira, conforma-se mal com ter tido de ir buscar uma oficial de justiça ao tribunal de Grândola para atender cinco a seis pessoas por dia em Sines, uma média semelhante à de outros tribunais, como Armamar e Tabua- ço, no distrito de Viseu, mas mesmo
assim muito superior à dos quatro tri- bunais reabertos em Trás-os-Montes. Em Mesão Frio, a procura resumiu-se
a 11 pessoas num mês inteiro e em
Murça a 12 — muito embora neste úl-
timo tribunal tenham sido desempe- nhados 300 actos processuais. Porém, por muito que os funcioná- rios judiciais possam exercer algumas tarefas à distância, tramitando pro- cessos dos tribunais onde estavam antes para não ficarem desocupados, esse expediente de rentabilização de
recursos humanos não é válido para
todo o tipo de serviço, como assinala
o presidente da comarca de Aveiro,
Paulo Brandão. Está tudo de olhos postos na anunciada chegada de 400 novos oficiais de justiça, que poderá
vir a suceder já em Março. Ou não. Aquele magistrado faz ainda as contas ao tempo que os juízes perde- rão nas duas dezenas de quilómetros que separam Albergaria-a-Velha de Sever do Vouga, onde foi reactivado outro tribunal. Veículos de serviço não há: “Têm de usar carro próprio ou ir de táxi”. Em Leiria os proble- mas são da mesma ordem. “Temos um défice de cerca de 60 funcioná- rios judiciais, e apenas há um moto- rista para toda a comarca, necessá- rio para transporte de magistrados, funcionários e processos em todo o distrito”, descreve a presidente da comarca, Patrícia Costa. Mas nem tudo são reclamações.
Em Sines o mecanismo de videocon- ferência já foi posto a render: uma progenitora poupou uma viagem a Aveiro num processo de regulação do poder paternal. E em Abrantes, Mação e Ferreira do Zêzere a popu-
lação saiu ontem à rua, para aplaudir
o regresso da justiça.
ana.henriques@publico.pt
Sócrates avança com acção judicial contra Estado
Operação Marquês Claudia Carvalho Silva e Manuel Louro
“Manter inquérito aberto é uma violação escandalosa da lei e abuso inaceitável dos poderes do Estado”, diz ex-primeiro-ministro
“Se o Estado não arquiva nem acu- sa, acuso eu”, declarou José Sócrates logo no início da conferência de im- prensa que marcou para o início da noite de ontem, em Lisboa. O antigo primeiro-ministro entregou ontem uma acção contra o Estado — tinha anunciado esta intenção há cerca de seis meses, o que aconteceu agora. O motivo do processo é, segundo o anti- go primeiro-ministro, “a escandalosa violação dos prazos máximos legais de inquérito” da Operação Marquês. Sócrates diz ter uma “legítima suspei- ção de uma motivação política” por parte do Ministério Público. Sócrates fala de uma “campanha pública de difamação” contra si, con- siderando-a “permanente e maldo- sa”. Na conferência de imprensa, o
antigo primeiro-ministro recordou que o processo se baseia em “três an- damentos”: o primeiro relacionado com o Grupo Lena, que considera
Sócrates fala de uma “campanha pública de difamação” contra si, considerando-a “maldosa”
que “não passou de um monumental embuste”; o segundo com suspeitas em relação ao complexo de Vale de Lobo, que classifica como um “dispa- rate”; e, por último, novas suspeitas relacionadas com a PT, que, diz Só- crates, “comprovam a falsidade das anteriores” e são igualmente “falsas”. Ainda sobre os prazos da investiga- ção, o antigo governante garante que “manter o inquérito aberto é uma vio- lação escandalosa da lei e um abuso inaceitável dos poderes do Estado”. Por isso, conclui o ex-primeiro-mi- nistro, um “apagamento dos prazos é um apagamento da lei”.
claudia.silva@publico.pt
manuel.louro@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 15
Vários artefactos usados no ritual foram encontrados na praia
Líder religioso confirma ritual na praia em que grupo foi arrastado por onda
Acidente Maria José Santana e Sandra Rodrigues
Dirigente espiritual diz que os princípios da religião não foram respeitados. Mulher, de 34 anos, continua desaparecida no mar
Muito embora as autoridades poli- ciais não se pronunciem quanto à possibilidade de as pessoas que se encontravam na praia da Costa Nova, em Ílhavo, na noite de anteontem, estarem à beira do mar a fazer um ritual religioso — não obstante os
alertas emitidos —, a tese não levan- ta grandes dúvidas a quem pratica
o mesmo tipo de rituais, a que cha-
mam de “oferendas”. “Através das imagens que foram transmitidas pela comunicação social reconheci todos os artefactos como correspondentes à minha religião”, assegurou ao PÚBLICO o dirigente
espiritual de um terreiro (templo) si- tuado em Ílhavo, que, uma vez por ano (a 15 de Agosto), realiza um ritual semelhante na mesma praia. O dirigente Bàbá Ifáléké, que diz ser, também, representante dos Ter- reiros de Portugal — uma plataforma que congrega a maioria dos templos de umbanda e candomblé, e outras vertentes desta religião que sinte- tiza vários elementos das religiões africanas e cristãs, acredita que o grupo oriundo de Viseu e Tondela estaria a fazer uma “homenagem”
a Iemanjá — tida, por esta religião,
como rainha ou senhora dos mares —, “cujo dia, no Brasil, é celebrado a 2 de Fevereiro”.
“Mas em Portugal, uma vez que nesta altura é Inverno, optamos por celebrar a 15 de Agosto”, explicou. O dirigente espiritual disse desco- nhecer o grupo que acabou por ser atraiçoado pelas condições adversas do mar, mas não tem dúvidas em reconhecer que estas pessoas não cumpriram “os princípios que a re- ligião defende”. Quais? “O primeiro é a questão da segurança, depois, a poluição e, por último, o criar mis- ticismos em volta do nosso culto”, defendeu. “As autoridades tinham emitido um alerta, que não podia ser desres- peitado”, explicou. Ontem, as auto- ridades mantiveram as buscas em terra e no mar, tendo as operações sido suspensas às 18h30. Serão reto- madas hoje cerca das 7h. De acordo
com o comandante da Capitania do Porto de Aveiro, Carlos Isabel, duas das vítimas que foram transportadas para o hospital tiveram alta. O tercei- ro ferido foi transferido para o Hospi- tal de Viseu, área da sua residência. Uma mulher de 34 anos continua desaparecida. Belinda Carvalho é, juntamente com o marido, proprietária de uma loja de roupa, sapatos e malas de se- nhora no centro de Viseu, onde tam- bém residia. Tem duas filhas, entre os 3 e 15 anos. Ontem, o estabeleci- mento esteve todo o dia de porta fe- chada, facto que causou estranheza para alguns clientes que ali se dirigi- ram. Em Viseu, Belinda Carvalho é conhecida por ser uma pessoa activa no meio da moda, sendo responsá- vel pela realização de alguns desfiles
para dar a conhecer as colecções da sua loja.
maria.josé.santana@publico.pt
SOCIEDADE
Governo facilita acesso à nacionalidade a filhos de estrangeiros nascidos cá
Legislação Joana Gorjão Henriques
Regulamentação da Lei da Nacionalidade elimina prova linguística e entrega do registo criminal
O Governo quer tornar mais fácil o
acesso à nacionalidade a quem nas- ceu em Portugal, independentemen-
te da origem dos pais, ou pertença a
um país de língua oficial portugue- sa. A proposta de regulamentação da Lei da Nacionalidade que foi agora concluída pelo Ministério da Justiça elimina a prova de conhecimento de português para estrangeiros que nasceram num país com língua ofi-
cial portuguesa e a apresentação do certificado do registo criminal do país da naturalidade ou da naciona- lidade quando o candidato não tenha neles vivido após os 16 anos. Estes eram dois dos requisitos da lei mais criticados por várias associações e cidadãos que nasceram em Portugal e pertencem à chamada geração de “portugueses imigrantes”.
Segundo o comunicado enviado ontem pelo ministério, o diploma “agiliza e clarifica situações como
as dos netos de portugueses nasci- dos no estrangeiro” — apesar de não especificar detalhes, diz que torna “objetivos os termos em que é apre- ciada a existência de laços de efectiva ligação à comunidade nacional”. Além disso, o ministério garante que o procedimento de análise dos
pedidos de nacionalidade efectuados por filhos menores, cônjuges, uni- dos de facto ou adoptados “será mais simples, previsível e célere”. A Lei da Nacionalidade de 1981 já foi modificada várias vezes e a últi- ma alteração foi aprovada pelo Parla- mento em 2015. Faltava a regulamen- tação e o atraso levou a que o PSD e o BE apresentassem dois projectos para a alterar. O PSD defende que os netos de emigrantes nascidos no estrangeiro tenham nacionalidade portuguesa automática; os bloquistas defendem que, quem nasça em Por- tugal, independentemente da origem dos pais, deve ter logo direito à nacio- nalidade, como acontece nos Estados Unidos e no Reino Unido.
jgh@publico.pt
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16 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
LOCAL
Santos vai ter jardim vedado e a PSP atrás dos copos dos miúdos
O reforço da segurança e da limpeza inserem-se numa das quatro campanhas que a Junta de Freguesia da Estrela tem preparadas para desenvolver em prol “do respeito na noite de Santos”
Lisboa Margarida David Cardoso
Copos e mais copos. Nos canteiros,
na beira da estrada, por todo o lado. Para já nem falar nos urinóis ao ar
As queixas dos moradores de
Santos, em Lisboa, são constantes. Já se mudaram horários de bares, é proibida a venda de álcool a menores, mas os problemas persistem. Agora chega à promessa do presidente da Junta de Freguesia da Estrela: os po- lícias vão andar por aqui e a limpeza vai ser reforçada. E o jardim ficará ve- dado, para impedir o vandalismo. O autarca da Estrela, Luís Newton, não tem dúvidas de que “é dos copos que as pessoas mais se queixam”.
livre
Aos anos que Nuno Macedo ouve isto. “É a velha e eterna questão de Santos à noite”, anui este funcionário do quiosque Red no meio do Largo Vitorino Damásio, um local de en- contro de várias dezenas de jovens todas as noites. Ao final de uma tarde anunciada de temporal, as esplana- das estão recolhidas ou estendidas pela metade no Largo Vitorino Da- másio. “Pensar que isto à noite é um mar de copos, nem parece verdade”, repara Nuno. Mas a câmara não tinha proibido a venda de álcool para consumir na rua a partir da 1h? “Pois, essa lei aqui não tem efeito”, refere Bruno Cunha, de 29 anos, sócio do Restaurante Flor Vasco da Gama. O restaurante tem esplanada, o que lhe permite vender
bebidas no exterior, mas, nos bares à volta, os copos vêm para a rua com os seus consumidores. “O que acontece é que havia para aí dez caixotes do lixo aqui ao lado”, conta Bruno, a olhar para um terre- no em obras, envolto em tapumes. “Tiraram os caixotes dali e não colo- caram noutro lado”, diz. “Resolveria um bocado o problema” se a coloca- ção de caixotes do lixo não tivesse de ser da iniciativa dos proprietários, como acontece no Pérola Bar, que, quando abre portas ao início da noi- te, coloca um caixote à entrada. Uns passos mais à frente, o jardim do Largo de Santos, onde à noite tu- do acontecia e onde se acumulavam centenas de copos de plástico, surge agora vedado. Mas isso “não impede
São frequentes os actos de violência para com as equipas que chegam às ruas à hora a que termina, para muitos, “uma noite de excessos” diz Luís Newton, autarca da Estrela
JORNAL PÚBLICO
Há quem duvide de que as grades vão impedir a entrada no jardim do Largo de Santos
que o jardim seja vandalizado”, diz Bruno, com descrença. Facilmen-
te se salta o gradeamento e o lixo é passado sem dificuldade por entre as grades, adianta.
É para tentar evitar esse cenário
que, a partir da 1h da manhã de hoje,
a noite em Santos vai ter um refor-
ço da limpeza e da vigilância. Esta é
a garantia da junta, que anunciou a
presença de quatro agentes da PSP no Largo Vitorino Damásio e nas proximidades nas madrugadas de sábado e domingo. Haverá ainda um reforço das equipas de higiene urba- na da autarquia, que vão começar a trabalhar mais cedo. Numa zona da cidade de Lisboa marcada por uma forte movida noc- turna, frequentada principalmente
por jovens das escolas secundárias e faculdades próximas, a parceria com
a PSP pretende garantir “a protecção
da integridade física e do trabalho” das equipas de limpeza da autarquia, adiantou Newton. São frequentes os actos de violência, sejam física ou verbal, para com as equipas que che-
gam às ruas à hora a que termina, pa- ra muitos, “uma noite de excessos”, refere o autarca. “Os trabalhadores têm denunciado muitas situações em que são incomodados ou impedidos de trabalhar, o que também atrasa todo o seu trabalho”.
A presença dos agentes da PSP pre-
tende ainda assegurar “que há uma contenção no usufruto da noite e do espaço público”, notou Luís Newton, referindo-se às autoridades como um “dissuasor das práticas menos cívi-
cas”, como o lançamento de copos para a via pública.
O reforço da segurança e da limpe-
za inserem-se numa das quatro cam- panhas que a Junta da Estrela quer desenvolver em prol “do respeito na noite de Santos”. Esta primeira co- meça às 1h e termina às 5h de hoje. Vai decorrer “durante as próximas semanas”, referiu o autarca. Seguem-
se mais três campanhas de sensibi- lização, sempre em parceria com a PSP, com a intenção de dissuadir o consumos de substâncias ilícitas, o consumo de álcool por menores e a entrada em locais não permitidos.
margarida.cardoso@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 17
As obras para a nova Feira Popular de Lisboa arrancaram em Novembro
Câmara realoja morador que vive em barracão no terreno da nova Feira Popular
Lisboa
A água utilizada pelo homem é aquela que é “cedida para cultivo” das hortas do Bairro Padre Cruz
A Câmara de Lisboa quer realojar um
homem de 54 anos que vive, de for- ma precária, num barracão sem luz nem água no local onde vai nascer a nova Feira Popular, na freguesia de Carnide. De acordo com a proposta que vai ser debatida na quinta-feira, em reunião privada do executivo, no ter- reno para onde se projecta a nova feira “existe uma ocupação precária, por parte de um senhor que aí vive sozinho, num barracão sem luz” e sem água. A água utilizada pelo homem é aquela que é “cedida para cultivo” das hortas do Bairro Padre Cruz, es- pecifica o documento a que a agência
Lusa teve acesso, assinado pelos vere- adores Manuel Salgado (Urbanismo), José Sá Fernandes (Estrutura Verde)
e Paula Marques (Habitação). Os autarcas explicam que em cau- sa está um homem de 54 anos que,
“após uma situação de desemprego, ficou desprovido de recursos econó- micos, aguardando actualmente a atribuição do Rendimento Social de Inserção”, e acrescentam que o mo- rador apenas tem subsistido devido ao apoio de familiares. Na proposta, os vereadores da maioria socialista (que inclui os movimentos Cidadãos por Lisboa
e Lisboa é Muita Gente) apontam que a criação da nova Feira Popu- lar no local torna “absolutamente necessário proceder à demolição do referido barracão, libertando o local da ocupação precária, e per- mitindo assim completar o projecto em causa”. “É necessário, ainda, acautelar o realojamento do ocupante em cau- sa, que, na sequência da intervenção no local, ficará numa situação vul- nerável com a perda da habitação”, salientam. A Feira Popular de Lisboa foi cria- da em 1943 para financiar férias de crianças carenciadas e, mais tarde, passou a financiar toda a acção social da fundação O Século. Antes de ter funcionado em Entrecampos, onde fechou em 2003, a feira tinha estado
instalada em Palhavã. No final de 2015, mais de 12 anos depois do encerramento, a autarquia
anunciou que a Feira Popular iria voltar, inserida num parque urbano de quase 20 hectares em Carnide, confrontado a sul com a estação do
Metropolitano da Pontinha e a norte com o Bairro Padre Cruz. Os vereadores Manuel Salgado, José Sá Fernandes e Paula Marques adiantam na proposta que “o terreno
forma uma faixa lon-
gitudinal de largura irregular orien- tada no sentido nordeste-sudoeste, caracterizada por uma topografia com pendentes suaves, sendo que
a zona mais a sudoeste se apresenta
como a zona com melhor aproveita- mento para a implantação das áreas
principais do parque de diversões”.
O resto do terreno será destinado ao
parque verde. De acordo com a proposta, o ob- jectivo do município é que “a nova
Feira Popular de Lisboa, em estreita articulação com o parque verde que
a envolverá, seja objecto de fruição
pelo maior número possível de visi- tantes e vá ao encontro das expec- tativas dos mesmos, mormente dos lisboetas e daqueles que residem na grande área de Lisboa, seus princi- pais potenciais utilizadores e que, de uma forma geral, há muito anseiam pela existência de um equipamento deste género”.
existente (
)
LOCAL
PSD “estranha” que Ministério do Ambiente não tenha detectado poluição no rio Nabão
Ambiente
O PSD afirmou ontem “estranhar” que o Ministério do Ambiente “te- nha desmentido a existência de po- luição no rio Nabão”, em Tomar, e que “não revele qualquer plano de monitorização mais apertada para encontrar os prevaricadores”. No seguimento de uma pergunta colocada pelos deputados do PSD relativamente à poluição no rio Na- bão, em Tomar, distrito de Santa- rém, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, respondeu esta semana aos deputados Duarte Marques, Nuno Serra, Teresa Leal Coelho, Berta Cabral e Jorge Olivei- ra, “desmentindo a existência de poluição no rio Nabão”, informou
o PSD, em nota de imprensa. Depois dos problemas do rio Te- jo e do rio Almonda, tal como de alguns dos seus afluentes, surgem cada vez com mais frequência rela- tos e evidências de focos de polui- ção no rio Nabão, em particular no concelho de Tomar, pode ler-se na pergunta que os deputados do PSD enviaram ao Governo no dia 23 de Dezembro de 2016. Na resposta, o Governo, citado pela Lusa, refere ter sido “alertado pelo município de Tomar” para o “aparecimento de bancos de espu- ma e escurecimento das águas do rio Nabão”, tendo acrescentado que, das amostras recolhidas e análises efectuadas, as mesmas se encontra- vam “a cumprir com as condições de descarga previstas”.
18 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ECONOMIA
BCP destaca “empenho” da Fosun no aumento de capital
Depois do aumento de capital do BCP, a chinesa Fosun, a angolana Sonangol, a EDP e a Interoceânico, os quatro grandes accionistas do banco, passaram a dominar 42,3% da instituição liderada por Nuno Amado
Banca Cristina Ferreira
A operação de aumento de capital do maior banco privado português terminou ontem com o reforço do eixo sino-angolano no topo da estru- tura accionista. Uma aliança entre a Fosun e a Sonangol que o próprio banco aplaude. Em declarações ao PÚBLICO, o administrador do BCP, Miguel Maia, lembrou que a procura dos investi- dores superou a oferta de títulos em mais de 20%. E considerou a opera- ção “um enorme sucesso, tendo em conta o contexto macroeconómico negativo”. O gestor evidenciou não só “o empenho da Fosun mas também a coesão e o suporte accionista dos restantes investidores ao BCP”: a Fosun subiu a sua presença de 17% para 23,5%, a Sonangol manteve a sua posição em 15%, o que aconte- ceu também com a EDP, agora com 2,1%, e com a holding luso-angolana Interoceânico com 1,7%. Para Miguel Maia, trata-se ainda do primeiro aumento de capital realiza-
1985
do por um banco europeu desde que a supervisão do sector (dos bancos com dimensão sistémica) passou a ser feita pelo BCE. O aumento de capital foi totalmen- te subscrito, o que implica a emissão de 14.169 milhões de novas acções. A operação acabou por ter uma adesão acima do esperado pelo próprio ban- co liderado por Nuno Amado, que tinha, à cautela, contratado a tomada firme das acções sobrantes com um sindicato bancário. De acordo com a informação divul- gada ao mercado, no exercício de di- reitos de subscrição foram subscritas proporcionalmente 13.943.683.125 acções, representativas de cerca de 98,4% do total de acções a emitir no âmbito da oferta. Para rateio ficaram disponíveis 225.682.455 acções, e os pedi- dos suplementares superaram a 3.463.624.516 acções, ou seja, exce- deram em cerca de 14,3 vezes a quan- tidade disponível. A procura total de capital, no montante de 1,3 mil mi- lhões de euros, representou cerca de 122,9% do montante da oferta. As novas acções, vendidas a 9,4 cêntimos cada uma, serão admitidas
à negociação na quinta-feira ou em
data aproximada, refere o comunica- do do BCP. Na sessão de ontem, as
acções registaram uma forte valoriza- ção, que chegou a superar os 7%, mas depois foram perdendo parte desses ganhos, fechando a subir 3,90%, pa- ra 0,17 cêntimos. Fechado o aumento de capital, o BCP ganha fôlego para liquidar junto do Estado a última parcela de 700 milhões de euros, do empréstimo obrigacionista de acções convertí- veis (CoCos), que chegou a totalizar três mil milhões de euros. Desde que em 2012 contraiu o financiamento público, o BCP já pagou ao Tesouro
à volta de mil milhões em comissões
e juros, o que equivale a mais de 33% do crédito que recebeu. Ao abandonar o suporte estatal, o BCP liberta-se ainda das restrições relacionadas com o apoio público, incluindo a proibição de distribui- ção de dividendos aos investidores. E deixa também de estar sujeito à obrigação de venda da operação na Polónia, onde controla o Millennium Bank. com Rosa Soares
cferreira@publico.pt
1993
Grupo Amorim
MSF
10
15%
Retrato das participações qualificadas (i.e., acima de 2%)
Fonte: BCP; PÚBLICO; BCP − A primeira década, de Miguel Figueira de Faria
Com a abertura dos primeiros dois balcões, um em Lisboa e outro no Porto, o BCP dava o seu pontapé de saída em Maio de 1986. A suportar a instituição estava um vasto conjunto de accionistas portugueses, liderados por Américo Amorim e pelo seu grupo familiar. Ao todo, eram 130 accionistas a título pessoal a que se juntavam mais outras 75 empresas. O o grupo Amorim evidenciava o peso da região norte, a que se juntavam outros como a Têxtil Manuel Gonçalves e a Cifial. Na altura, os três maiores accionistas concentravam 20% do capital, algo que demoraria muitos anos até se repetir. Este era o início de uma estrutura que não parou de se modificar até hoje.
A Fosun, liderada por Guo Guangchang, é o maior accionista do BCP
2002
CGD
8,4
Banca Intesa
7,4
Eureko
6,9
Banco Central Hispano*
Eureko
6
10
Cariplo
4,1
Têxtil Manuel Gonçalves
*Posição adquirida a Américo Amorim, após a ruptura do fundador com Jardim Gonçalves
25%
Américo Amorim acaba por vender a sua posição após um desentendimento com o presidente executivo, Jorge Jardim Gonçalves, sobre o que devia ser a estratégia do banco e a estrutura accionista. O BCP passa a ter uma blindagem dos estatutos que limita os direitos de voto a 10% do capital, e a presença de accionistas internacionais começa
a sentir-se. Dois anos depois, em
1995, e já depois de ter lançado a
Nova Rede, o BCP viria a absorver o Banco Português Atlântico, vencendo
a corrida no âmbito de uma oferta
pública de aquisição (OPA), e, com
isso, ganhando toda uma nova dimensão.
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 19
Nuno Amado passou a liderar um banco dominado a 23,5% pelo grupo chinês
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DUASPERGUNTASAMIGUELFIGUEIRADEFARIA |
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Estamos "no limiar de algo novo na história do sistema financeiro português" |
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M iguel Figueira de Faria, autor de BCP — A primeira década, diz que o banco resultou de um |
centrada a norte e caracterizada pela actividade exportadora da qual Américo Amorim representa um exemplo maior. Como vê o banco hoje? O BCP Millennium actual tem já pouco que ver com o projecto da “Primeira Década”. Numa 1.ª fase, a do crescimento por aquisição de outras instituições — a “digestão” do BPA parece ter sido muita complexa —, o projecto sofreu uma inevitável mutação. |
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compromisso entre o poder político e uma nova classe empresarial. Na sua fundação, o BCP tinha uma componente accionista repleta de investidores |
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nacionais. Hoje, isso é quase inexistente. Foi uma evolução natural? |
||
|
A |
criação do BCP faz parte de |
Numa 2.ª fase — na crise da sucessão — são conhecidas as dificuldades e muito agravadas com a intervenção evidente do poder político que nos conduz à |
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um contexto, o da geração de instituições derivadas da |
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reabertura à iniciativa privada. Foi uma oportunidade única para |
||
|
a |
formação de uma nova banca, |
fase actual, afastando a essência privada que presidiu à fundação. Em todo o caso, o BCP, a par do BPI, representa, ainda que por pouco mais tempo, os últimos exercícios de sobrevivência da grande banca comercial privada nacional. É motivo de reflexão estarmos no limiar de algo novo na história do sistema financeiro português: o da deserção dos |
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partindo do nada, em confronto com uma banca nacionalizada, pesada na sua inércia e gerida nos compromissos partidários no rateio dos lugares de administração. O BCP nasceu nesse contexto, resultando de |
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um compromisso entre o poder político — Governo do bloco |
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central liderado por Mário Soares |
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|
— |
e uma classe empresarial |
investidores portugueses do sector, pelo menos em posições de referência. Luís Villalobos |
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que emergia no ocaso forçado dos grandes grupos, sobretudo |
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2008
O Estado acaba por entrar no capital do BCP através do maior banco do sistema financeiro português, a Caixa Geral de Depósitos. Isto depois de o BCP ter comprado o Banco Pinto & Sotto Mayor ao banco público no meio da venda do império de António Champalimaud (e que levou ao reforço do Santander em Portugal ao ficar com o Totta & Açores e o Crédito Predial Português). Ao mesmo tempo, absorveu o Banco Mello, ficando esta família accionista de referência do BCP. Dos fundadores, destaca-se a Teixeira Duarte, e os accionistas internacionais vão reforçando a sua presença. A expansão leva o BCP para Moçambique, Polónia e Grécia.
Retrato dos três maiores accionistas
Fosun não tem parado de crescer em Portugal
E m pouco tempo, a Fosun tornou-se o investidor mais importante deste país asiático em Portugal. Os valores
aplicados rivalizam com os 2700 milhões desembolsados pela CTG na compra de 21% da EDP, mas, além disso, tem um portefólio mais vasto: o grupo segurador Fidelidade (onde o Estado, via Caixa Geral de Depósitos, ainda detém 15%), o grupo Luz Saúde (via Fidelidade, que adquiriu via OPA e após uma guerra de preços) e uma fatia de 5,3% da
REN (onde a chinesa State Grid é
o maior accionista com 25%).
A estes investimentos há que
juntar agora o BCP, onde entrou no final do ano passado, pagando 175 milhões de euros por 16,7%
do banco através de um aumento de capital reservado à Fosun. Isto depois de ter estado na corrida ao Novo Banco. Criada em 1992 em Xangai e controlada por Guo Guangchang (que detém 58% deste empresa),
a Fosun está cotada na bolsa de
Hong Kong, e tornou-se mais conhecida a nível internacional pela compra do Cirque du Soleil e do Club Med. L.V.
Luís Villalobos
Sonangol
Eureko
7,1
Teixeira Duarte
Este ano, negro para a economia 10 mundial, mostra as cicatrizes da guerra accionista que surgiu no seio do banco. Jardim Gonçalves sai, e
7
Joe Berardo
Sabadell
4,4
CGD
3,8
EDP
6,2
51,2%
Privado Financeiras (BPP)
2,3
Paulo Teixeira Pinto ocupa o cargo de CEO por pouco tempo, tal como Filipe Pinhal. O rosto dos novos accionistas, ligados ao “ataque” à estrutura do banco, é Joe Berardo, que hoje já não detém capital no banco. A liderança acabaria por ir parar às mãos de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, que, no Governo de José Sócrates, estavam ao leme da CGD. Nesta fase, o banco ganha um novo accionista: a petrolífera angolana Sonangol.
IPG
2,2
20 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ECONOMIA
Despesa com pessoal continuou a derrapar nos últimos meses do ano
UTAO calcula que défice público, excluindo as receitas extraordinárias de 2016, ficou nos 2,6% do PIB, em linha com aquilo que foi previsto e prometido pelo Governo
Finanças públicas Sérgio Aníbal
Para além da derrapagem na receita fiscal, foi na evolução das despesas com pessoal que o Governo revelou em 2016 mais dificuldades em cum-
prir o que estava previsto no Orça- mento, com as falhas nas previsões
a prolongarem-se pelos últimos três
meses do ano e já depois de o execu-
tivo ter revisto as suas estimativas. Na sua primeira análise aos dados da execução orçamental do total de
2016 apresentados pelo Governo na
semana passada, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) apre- senta dados que apontam para que
a meta de 2,4% para o défice apre-
sentada em Outubro e mesmo a re- cente promessa de um défice “não superior a 2,3%” sejam cumpridas.
Ainda assim, em alguns indicadores,
a execução ficou aquém das expec-
tativas. Do lado da despesa, o caso mais
evidente esteve nos custos assumidos com pessoal, assinala a UTAO. Quan- do se compara com as projecções fei- tas pelo Governo no início do ano quando apresentou a sua proposta de Orçamento do Estado para 2016, as despesas com pessoal acabaram por ficar 232 milhões de euros acima do previsto.
A existência de uma derrapagem
foi assumida pelo Governo em Outu- bro, quando apresentou o OE para
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2017 |
e a despesa com pessoal para |
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2016 |
foi revista em alta em 142 mi- |
lhões de euros. No entanto, apesar de faltarem nessa altura menos de três meses para o final do ano, a pre-
visão voltou a falhar, acabando por se verificar, como revelam agora os da- dos finais da execução orçamental, mais uma derrapagem de 91 milhões de euros.
A evolução das despesas de pesso-
al em 2016 esteve em destaque na re- cente visita do ministro das Finanças ao Parlamento para discutir os efeitos do regresso às 35 horas semanais no Estado. Mário Centeno, no entanto, garantiu que o aumento das despesas de pessoal se deveu a outros factores. Para além dos previsíveis efeitos da reversão da redução remuneratória,
Governo deverá ter atingido as suas metas orçamentais
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Fitch mantém rating em “lixo” |
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N um cenário em que observa uma moderação dos riscos internos da |
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economia, mas avisa para a |
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vulnerabilidade do país face |
|
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a |
acontecimentos externos, a |
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agência de notação financeira internacional decidiu não |
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realizar qualquer alteração ao rating atribuído a Portugal, mantendo-o no nível “lixo” em que se encontra desde o início da crise. No relatório publicado ontem |
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à |
noite sobre Portugal, a |
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agência — uma das quatro que são consideradas pelo BCE na sua análise de risco dos |
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títulos de dívida — mantém |
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|
o |
défice de BB+ com uma |
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tendência “estável”, o que significa que não está a antecipar para breve qualquer alteração na classificação atribuída. No relatório, a Fitch assinala a ocorrência de uma recuperação do ritmo de crescimento na segunda metade de 2016 e aponta para uma ligeira aceleração da economia em 2017, de 1,3% para 1,5%. No entanto, logo |
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a |
seguir, são destacados os |
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perigos que Portugal ainda enfrenta e que não permitem uma saída do rating do “lixo”, como o efeito negativo que pode resultar das “ameaças proteccionistas crescentes” ou da “volatilidade dos mercados” decorrente das eleições na Europa. Apesar de as regras europeias exigirem que as agências anunciem, sem fugas, as suas decisões relativamente aos ratings depois do fecho dos mercados bolsistas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha revelado de manhã que a Fitch mantinha o rating. S.A. |
|
o ministro falou de outros efeitos de
carácter extraordinário. Mas se as previsões para as despe- sas com pessoal e com a receita de impostos falharam, o Governo com-
pensou através de cortes noutras des- pesas, como o investimento (menos 956 milhões do que o previsto) ou os subsídios (menos 422 milhões), e conseguiu apresentar um défice que, tudo indica, irá cumprir aquilo que foi previsto em Outubro.
De acordo com as contas feitas pe-
la UTAO, o défice, excluindo as recei-
tas extraordinárias em 2016, deverá ter-se situado em 2,6% do PIB, um valor em linha com as mais recentes estimativas do Governo. Na semana passada, o Governo tinha apresentado os dados da exe- cução orçamental do total do ano
passado, mas os números que apre- sentou foram apenas em contabilida- de pública, um método contabilísti- co em que as despesas e receitas são registadas numa lógica de entrada e
saída de caixa. No entanto, o valor do défice que é apresentado a Bruxelas utiliza outra metodologia, a denomi- nada contabilidade nacional, em que
a lógica de registo é a do momento
em que é assumido o compromisso de despesa. Os técnicos da UTAO fizeram agora uma primeira estimativa da passa- gem de contabilidade pública para contabilidade nacional e a conclu-
são a que chegaram é que, retirando
o efeito das medidas temporárias,
se deverá ter registado “um défice em torno do limite definido para o
objectivo anual” pelo Governo. Isto significa, um défice de 2,6%. Em Outubro, quando apresentou
o OE para 2017, o Governo reviu a
sua meta para o défice de 2016 dos 2,2% iniciais para 2,4%, incluindo o efeito das receitas extraordinárias. Excluindo essas receitas, a estimativa correspondia a um défice de 2,6%, que, tudo indica, foi atingido. A UTAO nota que, face ao que era
previsto em Outubro, passou a ser incluída a receita relativa ao plano de regularização extraordinária de dívidas fiscais, com um valor próxi- mo de 550 milhões de euros.
sergio.anibal@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 21
A SEMANA
886 Há mais de dois anos que a Autoridade Tributária tem um grupo de 886 inspectores tributários estagiários “em período experimental”. Em Janeiro, entraram no terceiro ano de estágio e o Ministério das Finanças não aponta uma data para o fim do processo. Para a Associação Sindical dos
ECONOMIA
Profissionais da Inspecção Tributária e Aduaneira, o estágio arrasta-se por “inércia” do fisco. Os atrasos estão a gerar desconforto interno e já chegaram reclamações ao provedor de Justiça. No Parlamento, Mário Centeno foi esta semana confrontado com a situação dos estagiários
AS CINCO MAIS
Montepio
0,43
0,42
0,411
0,412
0,40
0,39
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
O PSI-20 teve ontem o fôlego
de que precisava para terminar a semana com um balanço
positivo. Por uma curta margem,
o principal índice da Bolsa de
Lisboa conseguiu uma ligeira valorização semanal (0,28%), mesmo com mais dias em queda do que em alta. Um dos focos de atenção coube ao BCP, por causa do fim do processo de aumento de capital. Ontem, no dia em que o BCP deu a conhecer os resultados da operação, as
Sonae
0,75
0,70
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
acções do banco liderado por Nuno Amado chegaram a subir mais de 7% e encerraram com um ganho de 3,9%, prolongando
a trajectória ascendente desde o
fim dos direitos de negociação. Nas contas da semana, os títulos acumularam uma valorização de 9,52%, para 0,1679 euros cada. O melhor desempenho da semana teve, porém, outra protagonista: a Pharol (ex- Portugal Telecom SGPS), com uma subida superior a 15% no
Navigator
3,600
3,525
PSI- 20
BCP
0,200
0,175
somatório das últimas cinco sessões. Já o pior desempenho coube aos CTT (-16,62%), que tem vindo a desvalorizar-se em bolsa depois da revisão em baixa dos resultados do ano passado. A
queda dos títulos na segunda-feira (-14%) obrigou a CMVM a proibir as vendas a descoberto durante todo o dia seguinte. Na última semana, os mercados na Europa
e nos Estados Unidos foi reagindo
à boleia de alguns indicadores
económicos e decisões. E no meio
Pharol
0,340
0,315
0,290
0,252
0,291
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
do rebuliço das duas primeiras semanas de Donald Trump como presidente, a reunião de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos foi uma delas. O encontro não trouxe novidades, trouxe confirmações: as taxas de juro de referência vão manter-se inalteradas. Ontem chegaram mais dados económicos (a criação de 227 mil postos de trabalho
em Janeiro) que ainda tiveram
impacto positivo no desempenho das bolsas na Europa. P.C.
AS CINCO MENOS
CTT
Sonae Capital
0,675
0,650
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
Mota-Engil
1,500
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
EDP
2,60
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
Corticeira Amorim
8,0
Valor das acções em euros
27 Jan.
30
31
1 Fev.
2
3
A FIGURA PAULO MACEDO
Foi a figura da semana e bastaram três dias. A estreia de Paulo Macedo à frente da Caixa Geral de Depósitos aconteceu na quarta-feira. Arrancou com uma carta aos trabalhadores do banco público, em co-autoria com o presidente do conselho de administração, Rui Vilar. Num tom optimista falou do “relançamento da instituição” que considera ser “uma referência no financiamento da economia nacional”. Mas
fez questão de deixar um aviso
à navegação: “Se falharmos,
dificilmente nos será dada outra oportunidade equivalente.” No segundo dia, Paulo Macedo foi compondo a sua equipa, nomeadamente na gestão não
executiva. Nomeou três mulheres, s, cumprindo as determinações do Banco Central Europeu (BCE), e dois estrangeiros, entre outros, como o ex-governante João Amaral Thomaz. Nas funções
executivas, a escolha de Carlos Albuquerque para o pelouro da
terá de esperar, uma
supervisão s
vez que o ex-quadro do Banco
de Portugal terá um período de
para desempenhar
interregno, i
“funções “
num projecto de
solidariedade s
social ligado ao
sobreendividamento”. s
A semana terminou com a
primeira aparição pública como presidente da Caixa. No final de uma visita a uma agência
do banco em Lisboa, o antigo ministro da Saúde sublinhou que “o maior compromisso da Caixa é para com os seus depositantes”. E abriu a porta a possíveis alterações ao plano elaborado pelo seu antecessor, António Domingues, com Bruxelas. “O conselho de administração entrou
há dois dias. Irá analisar e verá aspectos para complementar o plano”, revelou. Pedro Ferreira Esteves
22 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
MUNDO
A prioridade de Marine Le Pen é “dar a palavra ao povo”
A candidata da extrema-direita lança a sua campanha à presidência. Se ganhar, negociará de imediato com Bruxelas o regresso de quatro soberanias: monetária, legislativa, orçamental e territorial
Presidenciais em França Clara Barata
Referendar muito e o mais cedo
possível sobre a saída de França do euro e também da União Europeia,
e com o objectivo de mudar a Cons-
tituição francesa para nela inscrever os princípios da “prioridade nacio-
nal”, a versão da política da “América primeiro” de Donald Trump. Estas são as primeiras medidas prometi- das por Marine Le Pen, se for eleita Presidente da República, no progra- ma eleitoral que vai apresentar hoje em Lyon. A líder da Frente Nacional (FN), um partido nacionalista e de extre- ma-direita, disse em entrevista ao Le Monde esta semana querer “dar
a palavra ao povo e criar a demo-
cracia de proximidade”. Para isso, pretende alargar o domínio de in- tervenção dos referendos, reduzir
o número de deputados e senadores,
introduzir a proporcionalidade inte- gral na Assembleia, com um “prémio de governabilidade” de 30% para o partido que tiver a maioria — uma medida que deveria beneficiar o seu partido —, em vez do actual sistema de eleição em duas voltas. Além disso, ter uma Le Pen no Eliseu significaria iniciar “imediata- mente” com Bruxelas o processo de
“negociação para o regresso de qua- tro soberanias a França: monetária,
legislativa, orçamental e territorial”. Que é como quem diz, iniciar o “Fre- xit”, a saída de França da União Eu- ropeia, seguindo os passos do Reino Unido. “Seis meses após a minha elei- ção, organizarei um referendo sobre
a saída da UE. Se obtiver ganhos na
negociação, vou sugerir aos franceses
que fiquemos na UE. Se não, acon- selhá-los-ei a sair”, disse ao Monde. As sondagens dão consistentemen- te a vitória de Le Pen na primeira vol- ta das presidenciais, a 23 de Abril, sempre com cerca de 25% dos votos
— a única constante que se tem man-
tido numas eleições que estão a ser
um turbilhão de imprevistos. Porém, na passagem à segunda volta, perde, seja com François Fillon — o candida- to da direita, que parece estar a ser li- quidado pelo escândalo em torno do emprego fictício da mulher como sua assistente parlamentar —, seja com
Emmanuel Macron, o ex-ministro da Economia do Governo socialista que concorre como independente (“nem de esquerda nem de direita”). Num estudo da empresa IFOP, de ontem, Le Pen ganha a primeira volta com 25% dos votos, seguida de Ma- cron com 20,5%. Fillon fica-se apenas por 18,5%. Na segunda volta, Macron consegue 63%, e ela apenas 37%.
Eleitores fiéis
Marine Le Pen tem um eleitorado fiel: entre os que votaram nela para a
presidência em 2012, 82% continuam dispostos a votar nela hoje, concluiu um estudo feito pelo Centro de In- vestigação Política do Instituto Supe-
rior Sciences Po. Bem ao contrário do que aconteceu com os que votaram em François Hollande. Desde Dezem- bro, a líder frentista perdeu apenas 2% dos seus eleitores para Fillon, e 3% para Macron, e ganhou, em com- pensação, 5% do primeiro e 3% do segundo, explica Pascal Perrineau, professor da Sciences Po, num arti- go no Monde sobre este inquérito. O balanço é positivo para a candidata da extrema-direita. Se nas presidenciais de 2012 os eleitores mais pobres, com uma si- tuação de emprego mais precária, deram o seu voto a François Hollan- de, conclui outro estudo, de Florent Gougou e Vincent Tiberj, que o publi- cam em livro em Março, a partir des-
sa votação houve uma transferência maciça desses votos para a FN. Hoje, 41% dos operários, 33% dos assalariados, 34% dos desemprega- dos, 39% dos que não têm qualquer diploma, 33% das pessoas que vivem em habitação social e 44% dos que afirmam “ter uma vida difícil com os
rendimentos familiares” apoiam Ma- rine Le Pen, dizem os autores do livro
La Déconnexion électorale, que será editado pela Fundação Jean-Jaurès. Desiludidos com a política econó- mica virada à direita de Hollande, estes eleitores seguiram o discurso
proteccionista de Marine Le Pen. Ao mesmo tempo que prega contra os imigrantes muçulmanos, Le Pen diz que eles roubam os empregos. O dis- curso contra a “mundialização”, as
Marine Le Pen tem um programa assente na “prioridade nacional” — a sua versão da “América primeiro” de Trump. Em baixo, Emmanuel Macron
fábricas que saem de França, levan- do os empregos, é também uma for- ma de criar desconfiança em relação aos estrangeiros. O inimigo pode ser tanto a UE como os muçulmanos, os imigrantes, os terroristas contra os quais é preciso cerrar fronteiras. Do seu programa económico cons- tam ideias como aquilo que Le Pen classifica como “proteccionismo in- teligente”, ou seja, quer introduzir uma “contribuição social” que não será mais do que uma taxa de 3% sobre os bens e serviços importa- dos, com os quais espera arrecadar no mínimo 15 mil milhões de euros. Esta soma servirá para financiar um
ROBERT PRATTA/REUTERS
subsídio de 80 euros para aumentar
o poder de compra, que será atribuí-
do “a todos os que ganharem salários baixos e reformas de menos de 1500 euros líquidos”, disse ao Monde. Mas se François Fillon está em ris-
co de se ver afastado devido ao caso
do emprego fictício — não será o pri- meiro a ver-se em apuros na Justiça francesa por causa disso, o problema
é recorrente —, Marine Le Pen está
a ser visada por uma investigação
da entidade anticorrupção da UE exactamente pelo mesmo proble- ma. Tudo indica que a sua assistente no Parlamento Europeu não vive em
Bruxelas, como deveria, e sim em Paris, trabalhando a partir da sede da FN em Nanterre. No entanto, terá recebido cerca de 300 mil euros em ajudas de custo como se vivesse na capital belga.
cbarata@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 23
Fillon prometeu “resistir”, quando muitos esperavam que desistisse
Clara Barata
Multiplicam-se os apelos a François Fillon para que desista de ser o can- didato da direita às eleições presiden- ciais francesas. As suspeitas sobre a sua honestidade multiplicam-se: a polícia fez ontem buscas no Senado, em Paris, à procura de informação relacionada com o trabalho desem- penhado pelos seus dois filhos mais velhos, que empregou quando era senador pela região de Sarthe, en- tre 2005 e 2007. Mas Fillon recusa retirar-se. Num vídeo colocado no Facebook, o candidato do partido Os Republi- canos diz “compreender os proble- mas” provados pelas revelações de que terá dado um emprego fictício à sua mulher, Penelope Fillon, como sua assistente parlamentar, durante vários anos, custando ao erário pú- blico francês perto de 900 mil eu- ros. Mas prometeu “resistir” — ainda que aquilo que muitos apoiantes e companheiros de partido lhe es- tejam a pedir seja exactamente o contrário. Fillon barrica-se na sua indigna-
ção, diz-se vítima de uma conspira- ção. Divulgou este vídeo de três mi- nutos após uma reunião com vários notáveis do partido e de telefonemas que incluíram Nicolas Sarkozy, diz a rádio Europe 1. Ter-se-á sentido re- confortado na sua posição, mas uma sondagem Harris Interactive para a revista Atlantico diz que 33% dos elei-
tores de Os Republicanos preferiam
que ele fosse substituído por Alain Juppé, o candidato derrotado nas primárias do centro-direita. Só 13% gostaria de ver Sarkozy regressar co- mo salvador do partido. Juppé tem-se recusado a ser re- pescado — embora haja quem diga que estaria disposto a reconsiderar, se Fillon fosse à televisão dizer que desistia, apelando a Juppé para que o substituísse. Mas há uma forte oposi- ção interna ao ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac, de um sector mais
à direita deste partido de profundas
divisões. Um dos principais rostos dessa oposição é François Baroin, que Nicolas Sarkozy tinha anunciado que seria o seu primeiro-ministro, se ganhasse as presidenciais outra vez. Para os sarkozystas, o regresso de Juppé não seria uma boa notícia. Para Laurent Wauquiez, outro jovem lobo da direita de Os Republicanos, que Sarkozy pôs na vice-presidência do partido, a possível candidatura de François Baroin seria a ascensão de
um rival da sua geração, por isso não
a suporta. E Alain Juppé, bom, é de-
masiado moderado para o seu gosto.
As perspectivas de manutenção de Fillon, no entanto, não são boas. Uma sondagem IFOP para a revista
Paris Match e a televisão Itelé, divul- gada ontem, dá-o em terceiro lugar na primeira volta das presidenciais, com 18,5%, atrás de Marine Le Pen e Emmanuel Macron. A dinâmica não
é de vitória. O documentário transmitido pela televisão France 2 na quinta-feira, que recuperou uma entrevista de 2007 de Penelope Fillon ao jornal britânico The Telegraph, em que diz que “nunca foi assistente, ou qual- quer coisa do género” do seu ma- rido, não ajudaram à sua imagem. À data dessa entrevista, Penelope Fillon já trabalhava há pelo menos quatro anos como assistente parla- mentar do marido. Na entrevista, que deu sentada num café de Paris, disse que do que gostava mesmo era de estar na sua casa no campo, a cuidar dos filhos e com os seus livros. Nunca, acrescen- tou, tinha “tratado da comunicação” de François Fillon.
CURSO LIVRE
O Mundo Atual num Enquadramento Económico-Financeiro Programa de Formação Universitária para Seniores
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O |
curso tem como principal objetivo transmitir conhecimentos nas áreas |
|
de |
Economia, Gestão e Finanças refletindo sobre temáticas do mundo atual. |
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O |
curso é constituído por 3 módulos: |
I – Pobreza e Desigualdade;
II – Economia e Finanças;
III – Ética e Responsabilidade Social nas Organizações
CALENDÁRIO
O curso decorrerá entre 7 de março e 8 de junho de 2017, às terças e quintas,
das 15h00 às 17h00 horas, no Auditório 5 do Quelhas, ISEG.
DESTINATÁRIOS
Prioritariamente, candidatos com idade superior a 50 anos, com formação mínima correspondente ao Ensino Secundário ou equivalente.
CANDIDATURAS
As candidaturas serão formalizadas online, entre 6 e 24 de fevereiro
de 2017, com um limite máximo de inscrições de 60 e mínimo de 25.
CUSTO
150€
MAIS INFORMAÇÕES
Núcleo de Formação ao Longo da Vida Reitoria da Universidade de Lisboa email: seniores@ulisboa.pt www.ulisboa.pt/seniores
24 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
MUNDO
Europeus tentam encontrar tom certo para lidar com Donald Trump
Cimeira Maria João Guimarães
Angela Merkel foi prática sobre a relação da UE com Presidente dos EUA:
cooperar em certos temas, agir sozinha noutros
Os líderes europeus têm interesse em ter uma boa relação transatlântica, disse na cimeira europeia informal
de La Valetta (Malta) a chanceler ale- mã, Angela Merkel. “Sempre que seja possível”, acrescentou.
O Presidente dos Estados Unidos
foi um dos principais assuntos da ci- meira, embora não estivesse na agen- da oficial; foram ainda discutidos o “Brexit” e um acordo com a Líbia por causa dos refugiados. Os europeus ainda não sabem como lidar com o novo fenómeno. “Haverá coisas que a União Eu- ropeia e os Estados Unidos podem continuar a fazer juntos, como a luta contra o terrorismo internacional, e haverá áreas em que teremos de tra- balhar mais sozinhos, como investir na Defesa, apostar em acordos co- merciais internacionais ou cooperar mais com África e zonas de origem de refugiados e imigrantes”, decla- rou Merkel. Notou o Frankfurter All- gemeine Zeitung que a chanceler não deu muito tempo a este tema.
O primeiro-ministro português,
António Costa, declarou que os mem- bros da UE têm “vontade comum de prosseguir uma excelente relação de
A chanceler alemã admitiu que tem de investir mais em Defesa
amizade com os EUA, mas também uma atitude de firmeza clara” quanto
a Trump, disse, citado pela Lusa. A reunião teve, durante a manhã, a presença da primeira-ministra britâ-
nica, Theresa May, que se apresentou como a única líder que se encontrou já com o novo Presidente america- no, e trouxe uma mensagem: Trump quer, para continuar a apoiar a NA- TO, que todos os países cumpram
o compromissos de gastar mais de
2% do seu orçamento, algo que só fazem três países além dos EUA e Reino Unido. Fontes governamentais britânicas dizem que May aconselhou os restan-
tes líderes a evitar um confronto com Trump que apenas iria “beneficiar os que querem prejudicar” a Europa, segundo o site Politico. No final da reunião da manhã, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, comentou que “não há dúvidas” de que Londres será “muito útil” no forjar de uma rela- ção com Trump. Mas nem todos os líderes europeus apreciaram a posição de May, e o Pre- sidente francês, François Hollande, disparou uma farpa indirecta: “Mui- tos países têm de perceber que o seu futuro está primeiro na União Euro- peia e não em sabe-se lá que relação bilateral com os Estados Unidos”. Já a Presidente da Lituânia, Da- lila Grybauskaite, comentou que não via necessidade de ter May
como “ponte”: “Comunicamos com os EUA todos os dias princi- palmente pelo Twitter”, declarou. Um diplomata dizia ao Financial Times que este novo modo de operar deixava os europeus confusos. “Não sabemos se cada tweet é uma acção política real ou uma piada.”
Merkel e May passearam entretan- to por La Valetta e a chanceler gos- tou do que ouviu: “Estou satisfeita por ouvir Theresa May dizer que quer uma Europa forte”, afirmou Merkel. “Agora cabe-nos determinar quão forte”. Os europeus chegaram ainda a acordo face a um plano para impedir mais saídas de migrantes e refugiados da Líbia, apesar de dúvidas de que funcione (o país tem três governos)
e das consequências (os traficantes
são conhecidos pela sua brutalida- de): A UE vai dar mais 200 milhões de euros ao país.
mguimaraes@publico.pt
Sobreviventes denunciaram homicídios e violações em massa
Violência inédita contra uma minoria já massacrada
Birmânia Ana Fonseca Pereira
ONU denuncia atrocidades cometidas durante ofensiva militar contra os rohingya. Aung San Suu Kyi promete investigação
“Que tipo de ódio pode levar um homem a matar um bebé que chora
pelo leite da mãe, ou uma mãe a ter de presenciar a sua morte enquanto
é violada em grupo pelos soldados
que a deviam proteger? Que tipo de ‘operação de limpeza’ é esta?” Zeid Ra’ad al Hussein, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, não escondeu a indigna- ção ao apresentar o resultado da in- vestigação às atrocidades cometidas nos últimos meses pelo Exército bir- manês contra a minoria rohingya — homicídios e violações em massa que
podem constituir uma campanha de “limpeza étnica”. A ONU diz que os rohingya — mi- noria muçulmana sem direito a ci- dadania e sujeita a todo o tipo de abusos — são uma das etnias mais perseguidas do mundo. Mas Hussein sublinha que os relatos recolhidos pelos investigadores que enviou ao Bangladesh, onde 66 mil pessoas procuraram refúgio, “sugerem que
a violência recente atingiu um nível
sem precedentes”. Tudo começou depois de 9 de Outubro, quando um grupo rohin- gya atacou postos militares na fron-
teira contra o Bangladesh. A puni- ção das autoridades foi imediata e
concentrou-se no Norte do estado de Rakhine (Noroeste), vedada desde então pelo Exército e onde nem os investigadores da ONU foram autori- zados a entrar. Mas os testemunhos de 204 sobreviventes entrevistados destapam o suficiente — “a matança de bebés, crianças, mulheres e ve- lhos, o fogo aberto sobre as pessoas em fuga, aldeias inteiras queimadas,
detenções em massa, violações e vio- lência sexual maciça sistemática, a destruição deliberada de comida”, lê-se no relatório divulgado ontem. Há horrores de todas as formas. Da
mãe que viu o filho de oito meses ser degolado enquanto ela era violada,
a outra a quem mataram a filha de
cinco anos que a tentava defender dos violadores. Das rajadas de metra- lhadora disparadas dos helicópteros,
a famílias inteiras atiradas para casas
a arder. Centenas terão morrido. “A perseguição étnica é semelhan- te à que vimos noutros contextos descritos como de limpeza étnica”,
disse Linnea Arvidsson, a chefe da
missão, citada pela Reuters. Hussein tem poucas dúvidas de que foram ou estão a ser cometidos crimes contra
a humanidade e pediu uma “reacção
internacional robusta”. O Governo birmanês, de que Aung San Suu Kyi é a líder de facto, acusava até agora os rohyngias de mentir, de- fendo a legitimidade da ofensiva. On-
tem, contudo, a Nobel da Paz falou
com Hussein e prometeu lançar uma investigação às denúncias. “Pedi-lhe que use todos os meios possíveis pa- ra pressionar os militares a pôr fim a esta operação”, revelou Hussein.
apereira@publico.pt
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Breves |
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França |
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Homem que tentou atacar soldados baleado em Paris |
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Um homem tentou atacar com uma catana militares de sentinela junto ao Carrousel du Louvre, em Paris. Foi baleado pelas forças de segurança e está vivo, mas em estado grave. O chefe da polícia da cidade, Michel Cadot, falou na hipótese de “terrorismo” e disse que o suspeito, que feriu um militar num braço, gritou “Alla’hu Akbar!” (Deus é grande, em árabe) antes de ser atingido. |
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Japão |
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Fukushima está a libertar níveis- -recorde de radiação |
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A |
Tepco, operadora de |
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Fukushima, anunciou que há níveis-recorde de radiação numa parte da central nuclear; um buraco na estrutura de confinamento do reactor pode |
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estar na origem do problema. Numa parte da estrutura |
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de confinamento está a ser libertada “radiação que pode chegar aos 530 sieverts por hora”. Uma pessoa exposta |
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esta radiação morre |
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instantaneamente. |
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Angola |
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José Eduardo dos Santos reafirma saída do poder |
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O |
presidente do MPLA e |
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chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, confirmou ontem oficialmente que não será candidato ao cargo nas eleições gerais deste ano, deixando o poder em Angola ao fim de 38 anos. Foi reafirmado que avança João Lourenço como cabeça de lista do partido. |
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Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 25
MUNDO
EUA respondem ao teste balístico iraniano com novas sanções a Teerão
Diplomacia
Rita Siza
A ordem congela os bens e impede os contactos com 12 entidades e 13 indivíduos. Irão desvaloriza “ameaças inúteis de um inexperiente”
Dois dias depois de o conselheiro na- cional de segurança da Casa Branca, Michael Flynn, ter posto o Governo de Teerão de “sobreaviso” para as consequências do seu ensaio balís- tico com mísseis de médio alcance,
o departamento do Tesouro dos Es-
tados Unidos anunciou a aplicação de novas sanções financeiras ao Irão. A ordem abrange 12 entidades, entre as quais empresas sediadas no Irão, Emirados Árabes Unidos, Lí- bano e China, e ainda 13 indivíduos, incluindo membros das Guardas Re- volucionárias da República Islâmica, que as autoridades norte-americanas acusam de contribuírem para a pro- liferação de armas de destruição ma- ciça ou de apoiarem e promoverem actividades terroristas. A partir de ontem, ficam congelados todos os seus bens e impedidos os contactos com os EUA. “O Irão está a brincar com o fogo
— parece que ainda não se deu con- ta de como o Presidente Obama foi ‘bonzinho’. Mas eu não”, tweetou o Presidente norte-americano, Donald Trump, provavelmente em resposta ao encolher de ombros do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano às ameaças de Michael Flynn após
o teste militar do passado domingo.
Mohammad Javad Zarif sublinhou que o seu Governo não tem “qual- quer intenção” de accionar os seus meios militares contra nenhum país, excepto em “legítima defesa”, no ca- so de ser atacado. “Não sabemos se aqueles que se queixam podem dar
a mesma garantia”, retorquiu. Um dos conselheiros do Líder Su- premo do Irão, ayatollah Ali Khame- nei, voltou ontem a desvalorizar as acções de Washington e a retórica in- flamada do Presidente Trump, garan- tindo que a República Islâmica não se impressionava com as “tiradas sem fundamento” nem cedia às “ameaças inúteis de uma pessoa inexperiente”. Ali Akbar Velayati repetiu as garan- tias de Zarif sobre a legalidade das acções militares de Teerão e lembrou
O conselheiro nacional de segurança, Michael Flynn, avisou o Irão
Desregulação de Wall Street avança
O edifício regulatório que foi construído a partir das ruínas do Lehman Brothers com o objectivo de conter
os excessos dos bancos e prevenir outra crise como a que atirou a economia para a recessão em 2008 já está a ser desfeito pelo Presidente
dos EUA, Donald Trump — que ontem deu o primeiro passo para a “desregulação” da actividade de Wall Street e para o desmantelamento da agência federal de protecção dos consumidores de serviços financeiros.
“A lei Dodd-Frank é um desastre. Vamos dar-lhe uma grande volta”, disse Trump, que prometeu reformar o sistema de regulação do sector financeiro e anular as restrições sobre a concessão de crédito, a constituição
de fundos e outros veículos financeiros ou o funcionamento do mercado de derivados. Além disso, a Casa Branca vai rever uma “regra fiduciária” da Administração Obama que obrigava os conselheiros financeiros a assegurar os interesses dos seus clientes que estejam na reforma, impedindo-os de investir em produtos de risco.
que o Irão não precisa de pedir per- missão aos EUA para desenvolver um programa de segurança interna. Para muitos analistas, o ensaio balístico serviu principalmente para Teerão testar a reacção do novo ocu- pante da Casa Branca, que em duas semanas de mandato se multiplicou em declarações e acções considera- das hostis pela linha dura do regime
— da directiva a proibir a entrada de
cidadãos iranianos e de outros países muçulmanos nos EUA, à prometida colaboração de Trump com o Gover- no de Israel ou com a Rússia. Numa carta enviada a Trump, um grupo de legisladores, republicanos e democratas, exigiram uma “resposta agressiva” às acções provocatórias do Irão. “Os líderes iranianos têm de sentir a pressão para desistirem ime- diatamente destas actividades alta- mente desestabilizadoras”, escreve- ram, sugerindo a imposição de san- ções adicionais a Teerão. Fontes da
Administração, citadas pelos media americanos sob anonimato, garan- tem que, além das sanções, Trump
já mandou estudar outras medidas
para punir o Irão.
Se o Governo de Teerão não teme
o endurecimento da posição norte-
americana, o mesmo não acontece com a população do país, preocupa- da com a escalada da tensão. “Já dis-
se aos meus filhos para verificarem os passaportes. Se formos atacados, temos a hipótese de fugir de carro para a Turquia. Estamos fartos”, explicava à Reuters um professor reformado.
rsiza@publico.pt
26 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
MUNDO
Afinal, de onde vêm os terroristas que atacam nos EUA?
Primeira resposta: não vêm dos sete países árabes muçulmanos cujos cidadãos foram banidos de entrar no país por três meses. Segunda:
também não são refugiados
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EUA |
de particular é ter ensaiado nos úl- |
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Sofia Lorena |
timos anos uma reaproximação a Washington e aos europeus contra |
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Os factos são tantos que é difícil de- cidir por onde começar. Desde o 11 de Setembro, 12 pessoas estiveram por trás de atentados jihadistas nos Estados Unidos que fizeram vítimas, num total de 94 mortos — nenhum dos atacantes nasceu ou imigrou de um dos sete países incluídos na or- dem do Presidente, Donald Trump, e cujos cidadãos estão agora impe- didos de entrar no país. Há várias bases de dados: na de Alex Nowras- teh, do Cato Institute, que contabi- liza ataques entre 1975 e 2015, já encontramos 17 nascidos nestes países envolvidos em atentados ou conspirações, mas nenhum matou uma só pessoa. Os 12 terroristas dos tais ataques pós-Setembro de 2001 eram todos americanos ou residentes legais nos EUA e há anos que os principais aca- démicos concordam que o maior ris- co vem mesmo de dentro. O mes- mo, aliás, acontece nos atentados na Europa, embora alguns atacantes tenham passado por países na lista de Trump. É verdade que Iémen, Iraque, Lí- bia, Síria, Somália e Sudão têm em comum estarem em guerra ou terem no seu território grupos terroristas activos que representam uma ame- aça que transborda das suas frontei- ras por integrarem a chamada “jihad global”. Daesh, Al-Qaeda, milícias Al- Shabab. O Sudão, a Líbia de Khadafi ou o Iraque de Saddam, esteve anos na lista de “Estados que patrocinam terrorismo” do Departamento de Es- tado, mas Barack Obama retirou-o. Falta um país, o Irão, que não está em guerra nem tem grupos terroris- tas activos. É verdade que a Repú- blica Islâmica financia organizações que os EUA consideram terroristas, como o Hamas ou o Hezbollah, mas estas não constituem ameaça direc- ta aos EUA e aos americanos no in- terior do seu país. O que o Irão tem |
a |
vontade de muitos no Partido Re- |
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publicano e na nova Administração. Isso e ser o país do Médio Oriente onde os cidadãos mais simpatizam com os EUA, de acordo com todas as sondagens. Dos 17 cidadãos dos países incluí- dos na ordem que estiveram por trás de planos ou ataques sem vítimas mortais entre 1975 e 2015, nenhum era líbio ou sírio — de acordo com um estudo de Nowrasteh, do CA- TO, (Terrorismo e Imigração: Uma Análise de Risco, de Setembro) seis eram iranianos, seis sudaneses, dois somalis, dois iraquianos e um iemenita. |
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Sem negócios |
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Tentemos de novo. Iémen, Iraque, |
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Irão, Líbia, Síria, Somália e Sudão têm em comum serem países árabes |
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muçulmanos. Há outras análises. |
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Num texto de opinião publicado no New York Times, Norman L. Eisen |
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Richard W. Painter, presidente e |
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vice-presidente do grupo Citizens for Responsability and Ethics, e advogados responsáveis pela ética na Casa Branca de Barack Obama e George W. Bush, respectivamente, escrevem que os países da lista “são |
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relativamente pobres” e “têm em comum serem lugares onde a orga- nização Trump praticamente não tem negócios”. Antes de ser eleito, Trump pro- meteu “banir os muçulmanos” da sua América. Mas nos primeiros dias da entrada em vigor da ordem pre- sidencial que lançou o caos nos ae- roportos americanos, na sexta-feira 27 de Janeiro, o chefe de Estados e os seus aliados insistiram que esta suspensão temporária de entrada não tem nada que ver com religião. “[Pelo contrário,] o que fizemos foi focar-nos no perigo”, afirmou |
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o |
ex-mayor de Nova Iorque Rudy |
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Giuliani. |
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Países de origem dos atacantes ou suspeitos de atentados nos EUA desde 2001*
Fonte: CATO Institute, NYTimes, New American Foundation, New American's International Security Program
PÚBLICO
Os 12 terroristas
dos ataques pós-11 de Setembro eram todos americanos ou residentes legais nos EUA e os principais académicos concordam que o maior risco vem mesmo de dentro
A nova Administração insiste até
que esta lista é do tempo de Obama — de facto, os sete já estavam numa lista de países descritos como “mo- tivando preocupações” e quem os ti- vesse visitado a partir de 2010 estava excluído do ESTA, o programa que inclui 40 países, quase todos euro- peus, que permite entrar sem visto
para estadias até 90 dias nos EUA. Se estes países motivavam precauções, essas já estavam tomadas. Mas vamos aos motivos invocados por Trump na sua ordem e sublinha- dos em declarações públicas na úl- tima semana: no decreto, citam-se “centenas de indivíduos nascidos no estrangeiro condenados ou implica- dos em crimes relacionados com ter-
rorismo”. Nowrasteh, do think tank conservador, só encontra uma justifi- cação para esta referência, uma lista compilada pelo senador Jeff Sessions que diz conter 580 “condenações re- lacionadas com terrorismo” de pelo menos 380 imigrantes desde 2011.
O problema, escreve Nowrasteh
no CATO, é que a lista do republica- no do Alabama (nomeado procura- dor-geral por Trump) está cheia de erros, baseando-se em condenações por conspiração para cometer cri- mes fora dos EUA (só 6,8% seriam planos para atacar nos EUA) e em casos que começaram com dicas que sugeriam alguma actividade terrorista, mas de facto se prova- ram erradas (42%).
E a Arábia Saudita?
“Hoje não é dia 12 de Setembro de 2001”, lembra a Trump Faiza Patel, do Centro Brannon para a Justiça da Faculdade de Direito da Univer- sidade de Nova Iorque. E se fosse? Trump cita na ordem os atentados de Nova Iorque e Washington, os maiores de sempre em solo ame- ricano, que fizeram 2983 mortos (de um total de 3432 nos 40 anos analisados por Nowrasteh). Ora, os terroristas que desviaram os aviões nasceram em três países e nenhum
está na lista de Trump: 15 eram sau-
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 27
Nos atentados de 11 de Setembro participaram 15 sauditas, dois egípcios e dois terroristas dos Emirados Árabes Unidos
ditas, dois egípcios e dois vinham dos Emirados Árabes Unidos. Numa entrevista no mesmo dia em que assinou o decreto a banir
a entrada de cidadãos destes sete
países por três meses e de todos os refugiados por quatro (para os sírios, por tempo indeterminado), Trump deu uma entrevista à ABC em que voltou a justificar a sua me- dida com o 11 de Setembro e juntou- lhe o atentado de San Bernardino, em Dezembro de 2015, quando o ca- sal Syed Rizwan Farook e Tashfeen Malik matou 14 pessoas numa festa de Natal do Departamento de Saúde Pública da cidade californiana. “Viram o que acontecem em San Bernardino? Viram o que aconte- ceu no World Trade Center, ok?
Quer dizer, isto é um exemplo. As pessoas não falam disto.” Então, os atacantes do 11 de Setembro vieram da Arábia Saudita, do Egipto e dos Emirados; Farook nasceu nos EUA
e a sua mulher, que entrou no país
com um visto para quem está noivo
ou noiva de um americano, nasceu no Paquistão e viveu quase toda a vida na Arábia Saudita.
Cubanos e 1970
Entre 1975 e 2015, “as probabilida- des de um americano ser morto num ataque terrorista cometido por um estrangeiro foram de 1 em 3,6 mi- lhões por ano”, escreve Nowrasteh. “Terrorismo de cidadãos estrangei- ros é um risco”, admite o analista, um “risco controlável, tendo em conta os enormes benefícios da imi- gração e os custos do terrorismo”. Quanto aos refugiados, a sua in- clusão “responde a uma ameaça-fan- tasma”, escreve. Nas últimas quatro décadas, só 20 dos 3,25 milhões de refugiados acolhidos nos EUA esti- veram envolvidos em algum crime ligado a terrorismo. Três america- nos foram mortos por refugiados, todos nos anos 1970 — os atacantes eram cubanos.
slorena@publico.pt
MUNDO
Mais de cem mil vistos foram revogados à luz do decreto sobre imigração e refugiados de sete países assinado por Donald Trump
O perigo do populismo no combate ao jihadismo
Opinião Felipe Pathé Duarte
Justificada numa acção de combate ao terrorismo, a ordem executiva anti-imigração de Trump poderá não ter o efeito desejado. É muito provável até
que potencie a violência jihadista
e aumente a vulnerabilidade
dos Estados Unidos da América. Na precipitação de cumprir a campanha eleitoral, o Presidente norte-americano pareceu incidir
mais na exclusão racial e religiosa do que na segurança interna. Trump assumiu uma postura populista, que pode ser óbice
à sensatez e ao pragmatismo
requeridos no combate ao terrorismo. Esta medida não atinge o centro de gravidade do jihadismo, potencia-o. Nestes termos, a ordem executiva anti- imigração pode ser caracterizada em três adjectivos: inútil, contraproducente e, por isso, perversa.
1. Inútil
A ordem executiva bloqueia
a entrada de cidadãos de sete
países predominantemente muçulmanos por 90 dias — Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen. Abrange cidadãos que já residam legalmente em solo norte-americano. Suspende também a entrada de todos os
refugiados nos EUA por 120 dias (e indefinidamente, no caso de refugiados sírios). Esta medida
é inútil e incongruente, porque
se virmos a história recente apercebemo-nos de que desde 2001 nenhum atentado terrorista nos EUA foi imputado a estes países. Mas o mesmo não acontece com a Arábia Saudita, o Egipto ou o Paquistão — três países muçulmanos que não constam na lista e que abrigaram jihadistas que
atacaram os EUA. Se entrarmos
na lógica de Trump, faltam ainda países como a Nigéria, Argélia,
Tunísia, Qatar
saíram terroristas considerados ameaças à segurança dos EUA. Mais ainda. Fruto do constrangimento operacional a
que o Daesh está a ser acometido, os ataques com “lobos solitários”
e jihadistas de natureza autóctone
(radicalizados internamente) têm sido mais frequentes. Esta dimensão operacional funciona como uma espécie de reduto
estratégico funcional. E a prova é que os últimos grandes atentados de inspiração jihadista nos EUA foram perpetrados por cidadãos nascidos nos EUA, como o caso de San Bernardino (2015) e Orlando (2016). A inutilidade da ordem torna-se mais evidente quando vemos que a ameaça terrorista é
mais interna que externa.
países de onde
É na inevitável polarização das sociedades que nasce a radicalização
2. Contraproducente
Um dos efeitos desta medida
poderá ser a progressiva alienação de Estados de maioria muçulmana que são parceiros no combate ao terrorismo. A colaboração com os Estados da nacionalidade dos terroristas é fundamental. Se não for em jeito de guerra por procuração (como no caso do Irão), dita o bom senso que a externalidade da ameaça terrorista obriga à cooperação com a origem.
Os governos de George W. Bush e Obama fizeram-no. Caso contrário,
é complicado perceber o alcance
das redes e das estruturas, ou quais são as intenções e os planos. Estes
países são a linha da frente. Ora, a ordem executiva anti- imigração trará retaliações. Muitos países muçulmanos vão ser pressionados internamente para
rejeitar pedidos de Washington.
Veja-se o caso da Jordânia ou da Turquia — a braços com fluxos migratórios provindos da guerra na Síria —, que justificam a cooperação, por os EUA estarem
a receberem refugiados sírios.
Ancara e Amã são cruciais no combate ao terrorismo jihadista, assim como outros Estados
muçulmanos do Médio Oriente.
3. Perversa
O Daesh é uma organização política
híbrida que se reifica na violência. Responde a uma estratégia subversiva global de longo prazo, da qual a acção terrorista é apenas uma faceta operacional. Parte de uma componente ideológica bárbara e revolucionária, que combina mobilização de massas com tácticas de guerra assimétrica. Para eles, o islão encontra- se sob ameaça. Esta é a base propagandística para a adesão. Nada disto é verdade: o islão não
está sob ameaça, nem é o mesmo que jihadismo. Mas, ao contrário dos predecessores, Trump parece
não estar consciente disso. E isso
é muito perigoso. Ver este conflito
como sendo eminentemente religioso é legitimar um jihadista perante um muçulmano. É fomentar a propaganda do Daesh,
Al-Qaeda e quejandos. Esta medida soube-lhes a vitória, porque a exclusão racial e religiosa pode criar ressentimentos onde o vírus da narrativa jihadista pode ser inoculado, dando margem a mais recrutamento. É na inevitável polarização das sociedades que nasce a radicalização, sabemos. Mas a violência fruto da radicalização aumenta quando a polarização é institucionalizada. Através do medo, gerado pela violência indiscriminada, alteram-
se as dinâmicas políticas. Assim está a acontecer no Ocidente. Este
é um dos objectivos estratégicos de longo prazo do jihadismo. Ainda estamos a tempo de o reverter.
Professor e investigador universitário — UAL/Observare
28 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
CULTURA
Grande Prémio EDP para a obra radical de Artur Barrio
O artista, que nasceu em Portugal mas foi com dez anos para o Rio de Janeiro, tem um trabalho provocador que questiona a própria noção de obra de arte, usando materiais como sangue, lixo e fezes
Artes plásticas
Isabel Salema
A 20 de Abril de 1970, 14 trouxas en-
sanguentadas foram descobertas nas margens do rio Arrudas, no parque municipal de Belo Horizonte, no Bra- sil. Era segunda-feira de manhã e os visitantes do parque começaram a amontoar-se em volta dos embrulhos de pano manchados de sangue. A po- lícia foi chamada e a cena registada em fotografias e em filme de 16mm. Não se trata da descrição de um crime, mas de um dos projectos do artista luso-brasileiro Artur Barrio, que ontem foi anunciado como ven- cedor do Grande Prémio EDP Arte 2016. “Choque”, “radical”, “deste- mor”, “resistência” foram as pala- vras mais ouvidas pelo PÚBLICO para descrever o trabalho do artista cuja carreira de 50 anos tem passado essencialmente pelo Brasil. O prémio atribuído pela Fundação EDP tem o valor de 50 mil euros e completa-se com uma exposição re- trospectiva e um ambicioso catálogo. Mas, tal como na última edição, que distinguiu Ana Jotta, o júri interna- cional não procurou um nome óbvio para o mais relevante prémio de ar- tes plásticas português e a escolha é surpreendente. Foi feita por “unanimidade”, ex-
plicou em conferência de imprensa António Mexia, presidente executivo da EDP, e justifica-se “pelo interes-
se e relevância histórica” do artista. Uma unanimidade “simpática”. “Foi bom e é importante”, disse no MAAT,
o museu da EDP em Lisboa.
Natural do Porto, onde nasceu em 1945, o artista foi ainda criança, aos dez anos, viver para o Rio de Janeiro
com a família. Ele próprio define-se como um “nómada”, vivendo actu-
almente entre o Rio de Janeiro, Gaia
e Malta. Mas Artur Barrio, 72 anos,
manteve sempre a nacionalidade portuguesa, o que permitiu ao júri distingui-lo com este prémio destina- do a artistas portugueses ou a artistas
estrangeiros a residir em Portugal. Mexia, que fez parte do júri, disse ainda que o Grande Prémio EDP tem sido atribuído “independentemente
de o artista ser mais ou menos conhe- cido no mercado português”, procu- rando quem “pelo seu percurso mar- cou a diferença”. A escolha acentua “que é um português indiscutível, com uma carreira internacional”, afirmou o presidente da EDP, antes de passar a palavra a Artur Barrio. “Detesto falar em público. É como
ir ao quadro negro. Fico em pânico”,
começou por dizer num discurso com um perfeito sotaque brasileiro, que logo terminou dizendo como se sentia honrado e que o prémio era um incentivo à continuação do seu trabalho.
Completa surpresa
“Aqui sou brasileiro, lá sou portu- guês”, afirmara ao PÚBLICO numa entrevista feita na véspera do anún- cio, acrescentando que a questão da nacionalidade é completamente irre- levante para a sua prática artística. “O prémio é uma completa surpresa, como foi com todos os prémios. Vai ser um bafafá, uma fofoca”, ironizou. Barrio foi o vencedor do Prémio Ve- lázquez de Artes Plásticas de 2011, concedido a artistas ibero-america- nos pelo Ministério da Cultura de Espanha. Depois de Ana Jotta há três anos (o prémio é trienal), Artur Barrio é
o sétimo artista a receber o Grande
Prémio EDP, numa linhagem que in- clui Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004),
Eduardo Batarda (2007) e Jorge Mol- der (2010). “É uma honra estar ao lado do grande Mário Cesariny.” Artista multimédia, com um tra-
balho que vai do texto e do desenho
à performance, as suas obras mais
conhecidas, intituladas Situações,
são resultado de acções do artista com uma forte componente políti- ca. Situação T/T1 — a obra descrita
no arranque deste texto — explica- se no contexto de luta contra a di-
DR
Artur Barrio
em Lisboa
esta semana:
o artista luso- -brasileiro, de 72 anos, vive entre o Rio de Janeiro, Gaia e Malta
Ao lado, à esquerda, uma das trouxas de Situação T/T1; na página da direita, Livro de Carne, também dos anos 70
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 29
JORNAL PÚBLICO
tadura brasileira nos anos 1960 e 1970. Denunciava o “desovamento” de corpos de pessoas assassinadas pelos esquadrões da morte, em muitos casos ao serviço da ditadura militar. Já 4 Dias, 4 Noites, também de 1970, é uma experiência-limite em que Barrio percorreu as ruas do Rio de Janeiro sem se alimen- tar ou dormir durante quatro dias seguidos. Nenhuma destas acções, como ex- plicou ao PÚBLICO, são repetidas. “Nunca refaço. São efémeras e não se perpetuam.” Uma situação, co- mo aconteceu com as Trouxas En- sanguentadas, outro nome por que é conhecida Situação T/T1, “pode ter um desdobramento, mas nunca monto e desmonto”. A palavra “situ- ação”, esclarece, não tem nenhuma filosofia especial por trás, e alguns dos espectadores, como aconteceu em Belo Horizonte, podem nem per-
ceber que estão perante uma obra de arte. Provocador, usa também a palavra “choque” para descrever o efeito destas acções. Ao incluir materiais como sangue, fezes ou carne, Artur Barrio conce- de-lhes um estatuto de material ar- tístico, questionando as categorias
tradicionais da arte. Se a primeira obra em Belo Horizonte foi cuida- dosamente registada, já a segunda resultou num caderno-livro de 400 páginas que permanece em branco
e selado. Os cadernos-livros são outro dos meios fundamentais para perceber
a sua obra, num artista que recusa
a prática de atelier. “Não tenho ate-
lier. Tive um, há muitos anos, quan- do estava em Aix [-en-Provence, em França], e correu muito mal”, disse ao PÚBLICO. Artur Barrio viveu lar- gas temporadas fora do Brasil a partir dos anos 70 — passou por Portugal em 1974 durante a Revolução de Abril —, tendo regressado ao Rio em 1994, já depois do sucesso crítico interna- cional, que começou, na sua opinião, com a exposição Out of Actions: Be- tween Performance and the Object, no MOCA em Los Angeles.
Um júri poderoso
O júri do Grande Prémio EDP des-
te ano foi formado por Hans Ulrich
Obrist, ensaísta e director artístico da Serpentine Gallery (considerado
o homem mais poderoso do mundo
da arte pela ArtReview), Suzanne Cot- ter, directora do Museu de Serralves, Chus Martínez, directora do Instituto de Arte de Basileia, Emília Tavares, curadora do Museu do Chiado, e Nu- no Crespo, curador e crítico de arte (do PÚBLICO). Mais da casa, além de Mexia, o júri incluiu também Pedro
Gadanho, director do MAAT, e João Pinharanda, antigo programador ar-
tístico da EDP e actual adido cultural em Paris.
O director do MAAT definiu o novo
premiado como “um espírito acuti- lante em permanente questiona- mento do quotidiano”. A exposição retrospectiva de Artur Barrio será, segundo Gadanho, em finais de 2019,
no novo edifício do MAAT ou na Cen- tral Tejo: “Dependendo da forma co- mo o trabalho evoluir, será discutido qual o contexto mais adequado.” O director espera que o MAAT possa apresentar não só uma retrospectiva, mas também trabalhos novos.
A rir, Barrio disse que sofre de
O prémio tem sido atribuído independentemente de o artista ser mais ou menos conhecido no mercado português
António Mexia Presidente executivo da EDP
“preguiça criativa” e que é avesso a muito planeamento. “Só trabalho no momento. Eu parto do zero. Chego
aqui e faço.” Em contexto institucio- nal, o seu trabalho tem passado por intervenções directas nas paredes das galerias, a que chama Experiên- cias, numeradas pelo artista, tal co- mo as Situações. Embora nas últimas décadas a ac- tividade artística de Artur Barrio se desenvolva no Brasil, também tem sido possível ver o seu trabalho em
Portugal — mais recentemente, no Museu de Serralves, no Porto, onde
O artista visto do Brasil:
“Contundência poética e resistência política”
“Julgo que é bastante sintomático que um dos primeiros trabalhos de Artur Barrio, no Museu de Arte Mo- derna (MAM) do Rio de Janeiro em
1970, seja de crítica institucional em
época o crítico e ensaísta brasileiro Luiz Camillo Osorio explica ao PÚ- BLICO que elas aparecem num mo- mento muito importante em que a ditadura militar apertava o cerco no Brasil: “O modo como [Artur Barrio]
sai da instituição para actuar na rua, nas praças e [nos] jardins públicos mostra destemor e uma necessidade de comunicação directa com as pes- soas, uma vontade de acção directa no mundo.” As Situações articulam “contundência poética e resistência política”. O curador e crítico de arte, que já foi director do MAM, diz que não se pode falar de uma redescoberta de Barrio nos anos 90, porque “a sua obra sempre se manteve actuante no
contexto brasileiro”. “O que houve
a partir desta década”, admite, “foi
uma maior evidência internacional.” E, embora o artista tenha vivido na Europa em boa parte dos anos 1970,
a sua produção ficava à margem do
circuito oficial. “Foi com uma maior
circulação da arte brasileira — apesar de português, a sua vinculação maior
é com a cena brasileira — a partir dos anos 1990 que a sua obra começou
a ser mais vista e a ter o reconheci- mento merecido. Neste aspecto, a exposição individual em Serralves em 2000 e a Documenta de Kassel
em 2002 foram fundamentais na consolidação deste reconhecimen- to internacional.” I.S.
|
a |
sua última exposição foi em 2012. |
plenos anos de chumbo da ditadura |
|
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E |
se em 2011 foi o nome que o Bra- |
militar”, explica ao PÚBLICO Marta |
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sil levou à Bienal de Veneza, Barrio não deixou de ser contabilizado pela DGArtes, o organismo do Ministério da Cultura que apoia a internacio- nalização dos artistas portugueses, como um dos sete artistas portugue- ses presentes na Bienal de São Paulo de 2010 (Chus Martínez era uma das curadoras). |
Mestre, a curadora portuguesa do Instituto Inhotim, o maior centro de arte contemporânea ao ar livre da América Latina, numa conversa por email a propósito do Grande Prémio EDP de Arte atribuído ao artista luso- brasileiro. Logo aqui, na obra Manifesto Con- tra o Júri, Artur Barrio diz ao que |
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Contra a obra de arte João Fernandes, subdirector do Mu- |
vem: “Quer mostrar-nos — ideia que vem exercitando até hoje — que não existe um campo limitado para a arte. |
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seu Rainha Sofia em Madrid e comis- |
A |
sua obra é sempre radical, inaugu- |
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sário da última exposição de Barrio |
ra uma forma distinta de expressão |
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em Serralves, estava na assistência da conferência de imprensa e mostrou- |
[as Situações], que se intensifica em registos. Algumas das Situações são |
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se muito contente com o prémio. “A radicalidade de Artur Barrio situa-o sempre fora das convenções que os prémios geralmente reconhecem. É |
admiravelmente pulsantes para as artes visuais.” Artur Barrio recusa as linguagens padronizadas impostas pelo merca- do, continua a curadora que também |
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bom que essa radicalidade possa ser reconhecida num espaço mais insti- |
já |
trabalhou no MAM do Rio de Ja- |
|
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tucionalizado.” |
neiro, recusa “o didactismo na arte”. |
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O subdirector do Museu Rainha Sofia
vai também mostrar a obra de Barrio numa retrospectiva do museu espa- nhol já no próximo ano, uma expo- sição, tal como no caso português, resultado do Prémio Velázquez atri- buído por Espanha. “A obra de Artur Barrio constitui,
na sua singularidade radical, um ca- so muito particular do modo como
a arte pode renunciar à sua objec-
tualidade, numa crítica particular das suas condições de produção, circulação e consumo na sociedade contemporânea. Barrio não produz ‘obras de arte’”, escreveu Fernandes
para a exposição no Porto. Os seus projectos “impossibilitam a sua rea- propriação por parte de um sistema da arte ainda comprometido com a circulação fetichista do objecto ou do documento”.
isabel.salema@publico.pt
Quer ser “dinamite”, “uma palavra perfeita para Barrio”, que Marta Mes-
tre vai buscar à crítica brasileira Lígia Canongia, autora de um livro sobre
o artista.
Sobre o que significam as Situa- ções no contexto da arte brasileira da
30 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
CULTURA
Um rei maquiavélico e uma rainha condenada, no palco do São Carlos
Anna Bolena está de volta a Lisboa, numa encenação de Graham Vick com direcção musical de Giampaolo Bisanti. O maestro diz-se “abençoado” por ter a soprano Elena Mosuc numa “ópera de génio” de Donizetti
Ópera
Mário Lopes
O plano inclinado do palco em várias
cenas acentua a desigualdade de for- ças e a inevitabilidade da queda. Tal como o denuncia o cavalo dourado em posição de ataque, patas diantei- ras erguidas, que monta Enrico, ou seja, Henrique VIII, perante o trote daquele outro, prateado, em que se senta uma Anna Bolena ainda igno-
rante do destino que lhe está traçado. “O céu e a terra têm que saber que te amo”, dissera antes o monarca, rei lascivo e maquiavélico de barba ruiva
e vestuário flamejante, à sua amante,
Giovanna Seymour (Jane Seymour), mulher torturada pela culpa mas in-
capaz de se deter perante ela. “Gemo
e choro, mas o amor não é sufocado
pelo meu pranto”, confessará no iní- cio do II Acto. Esta é a história de Anna Bolena, segunda mulher de Henrique VIII,
rei de Inglaterra entre 1509 e 1547, fundador da Igreja Anglicana e cé- lebre pela mortandade provocada nas mulheres que desposou (seis no total). Esta não é verdadeiramente
a história de Anna Bolena. É a An-
na Bolena de Gaetano Donizetti, a tragédia lírica, desviada da verdade histórica em favor de maior impacto dramático, que transformou o gran- de compositor do bel canto num dos mais célebres e requisitados do seu tempo. Estreada em Milão em 1830, foi a primeira ópera daquele que vi- ria a ser conhecido como o Ciclo das
Três Rainhas, completado com Maria Stuarda e Roberto Devereux (conde de Essex e amante de Isabel I). Anna Bolena chegou a Portugal quatro anos depois da estreia, mar- cando a reabertura do São Carlos, então Real Teatro, depois da pausa nas suas actividades provocada pelas Guerras Liberais. Teve a sua última apresentação naquele palco em 1984
e ali regressa agora numa produção
de Graham Vick — a estreia é hoje, às 20h, repetindo-se à mesma hora nos próximos dias 6, 9 e 14; dia 12 será apresentada às 16h. A direcção musical é de Giampaolo Bisanti, ma- estro principal do Teatro Petruzelli de Bari e que, no São Carlos, dirigiu,
O baixo turco Burak Bilgili é Enrico VIII — ou Henrique VIII, o monarca inglês que desposou seis mulheres, incluindo Anna Bolena
na última temporada, a Messa de Re- quiem de Verdi. O baixo turco Burak Bilgili é Enrico VIII, Jennifer Holloway é Giovanna Seymour e Anna Bolena será interpretada pela romena Elena Mosuc, uma das mais respeitadas so- pranos do nosso tempo. Em conversa com o PÚBLICO no intervalo do ensaio geral de anteon- tem, Giampaolo Bisanti explica que, se esta ópera teve vida menos cons- tante em palco depois “da grande
difusão que se seguiu à estreia”, ou, mais tarde, depois de, em 1957, “ter sido tocada por Maria Callas”, tal se deve “à dificuldade, nos nossos dias, de encontrar os cantores certos”. Diz sentir-se, por isso, “abençoado” por Elena Mosuc se ter juntado à produ- ção. “Ela é, sem dúvida, umas das
melhores belcantistas para Anna Bolena neste momento.” No dia em que assistimos ao ensaio, Elena não estava presente. “É tão difícil que quis ter dois dias [de folga] antes da estreia”, explicou o maestro, acres-
“[Elena Mosuc] é, sem dúvida, umas das melhores belcantistas para Anna Bolena”, diz Giampaolo Bisanti
centando: “Mas cantou toda a ópe- ra ontem [quarta-feira] e fez um tra- balho incrível, tal como o Coro [do Teatro Nacional de São Carlos] e a
Orquestra [Sinfónica Portuguesa], que são excelentes, muito sensíveis a esta música.” Em declarações à Lusa, Elena Bo- luc classificou o papel de Anna Bo- lena como um de “absoluta prima donna”, dado tratar-se de um “papel muito acrobático, exigindo a utiliza- ção de todos os registos”. Giampa- olo Bisanti concorda. E acrescenta outra razão pela qual a exigência é maior na ópera de Donizetti. “Em Norma [de Bellini], como em Mada- ma Butterfly’ [de Puccini], a grande cena surge no início. Mas em todas as óperas da série Tudor [o Ciclo das Três Rainhas], como noutras óperas de Donizetti, a grande cena chega no fim, quando tem de enfrentar o reci- tativo e ária e, principalmente, a ca-
valetta [Coppia iniqua]. Exige drama e agilidade. É muito, muito difícil.” A orquestra, como sempre no repertó- rio do bel canto, “será uma acompa- nhante dos cantores, porque a voz está sempre em primeiro lugar”: “O mais importante é respeitar o volu- me e os equilíbrios na relação com o palco.” E é precisamente ao elaborar sobre essa relação que o maestro nos dirá que considera Anna Bolena uma das melhores óperas entre as mais de sete dezenas criadas por Donizetti. “É uma das suas óperas de génio por- que reúne o dramatismo e a atmosfe- ra ao poder da música e ao respeito pelo bel canto.” Um rei maquiavélico, a sua aman- te, uma rainha a caminho da tragé- dia. Anna Bolena, a de Donizetti.
REGULAMENTO DA EXPOSIÇÃO / CONCURSO
/ A Exposição / Concurso está integrada na 2ª Bienal
1
Internacional de Arte de Gaia 2017, organizada por
Artistas de Gaia – Cooperativa Cultural, CRL, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.
2
estrangeiros. A participação no concurso implica a aceitação incondicional deste Regulamento e das decisões do Júri.
3
obra inédita, de sua autoria e propriedade, numa das
/ Podem participar todos os artistas portugueses ou
/ Cada concorrente pode participar com apenas uma
seguintes áreas: pintura, desenho, escultura, cerâmica ou fotografia.
4
qualquer técnica e material, não pode exceder os 170 cm em qualquer das suas dimensões e deve ser entregue em condições de ser exposta.
5
assinada, deve ser acompanhada dum PORTFOLIO composto por currículo resumido do autor, uma FOTOGRAFIA (EM FORMATO A4, DE BOA QUALIDADE, que reproduza a obra no seu todo) e uma MEMÓRIA DESCRITIVA DO TRABALHO a concurso. Estes elementos devem ser enviados pelo correio, em suporte físico, de modo a serem rececionados ATÉ AO DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2017 (sexta-feira) no seguinte endereço postal:
/ A FICHA DE INSCRIÇÃO, devidamente preenchida e
/ A obra a concurso, de temática livre, realizada em
ARTISTAS DE GAIA – COOPERATIVA CULTURAL, CRL 2ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE DE GAIA 2017 CENTRO COMERCIAL DOURO RUA GENERAL TORRES, 1220 – LOJA 46 4400-164 VILA NOVA DE GAIA PORTUGAL
OS PORTFOLIOS NÃO SERÃO DEVOLVIDOS.
6
no ponto anterior, e rececionados dentro do prazo, será realizada a pré-seleção por um JÚRI DE PRÉ-SELEÇÃO.
/ A partir dos dados recebidos, conforme especificado
Artistas Gaia – Cooperativa Cultural, CRL.
32 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
CULTURA
Beyoncé vezes dois, ou a rainha da cultura pop a contar a sua história
”Está a tornar a vida dela em arte” e a controlar o que se diz de si — é Beyoncé como produto cultural, enquanto celebridade, mulher e citadora. Um anúncio pessoal da maior estrela da pop bateu recordes
Música Joana Amaral Cardoso
O último ano foi rico na arte da sur-
presa — na política, no desporto, no lançamento de álbuns, filmes ou séries e nas perdas e nos ganhos da cultura popular. Mas se Beyoncé foi uma mestra no lançamento do seu single e do seu álbum-filme em 2016, a sua revelação de 2017 coroou-a não só como a rainha do Instagram com
a imagem mais popular de sempre
da rede social, mas também como uma rainha da cultura pop. Porque comunicou não um produto cultural de Beyoncé, mas Beyoncé como pro- duto cultural enquanto celebridade,
mulher, activista e citadora exímia. Isto tudo porque Beyoncé está grá- vida de gémeos. Do “Brexit” às vitórias no Euro- peu de Futebol e de Donald Trump, os últimos 12 meses foram pródigos em tentar contrariar a tese de que vivemos numa era em que nada se esconde e tudo se prevê. Foi também
o ano “em que Beyoncé se tornou ne-
gra” para muitos observadores por-
que lançou um vídeo, Formation, de forte iconografia e mensagem Black Lives Matter, actuou no Super Bowl com referências aos Black Panthers
e no final editou um álbum, Lemo-
nade, que se tornava um marco na
estratégia promocional da indústria. De surpresa e esmagador. Agora, fez um anúncio pessoal, de uma segunda gravidez de duas crianças do marido
|
e |
rapper Jay-Z, uma Elizabeth Taylor |
|
e |
um Richard Burton versão power |
couple musical do século XXI, que integrou na sua narrativa enquanto artista. É uma narrativa que tenta controlar ao máximo, sempre. Beyoncé cantora, Beyoncé actriz, Beyoncé ícone da feminilidade ne- gra, Beyoncé mulher, Beyoncé aspi- racional, tudo parte da história que uma megaestrela. Desde o filme de
2013 Life is but a dream, autobiográ- fico e controlado pela própria, até esta imagem posta no Instagram e outras que publicou no seu site, a cantora regista e anuncia mais um capítulo da sua história. Para além do tema de conversa mais etéreo sobre
a vida de “famosos” e os mexericos
em torno de um romance, esta é a história que uma megaestrela, em tudo devedora da cartilha redigida por Madonna e Michael Jackson nos anos 80, quer contar de si própria. Isto, agora, “é o que qualquer cele- bridade quer verdadeiramente: ser discutida, mas conforme as suas condições”, escreve Elahe Izadi no Washington Post.
Artista desde os sete anos, cujo pai era o seu manager e a mãe a respon- sável pelo guarda-roupa, integrou
a vida privada na sua produção ar-
tística ou vice-versa. Lemonade era
Esta operação “é o que qualquer celebridade quer verdadeiramente:
ser discutida, mas conforme as suas condições”
atravessado por referências à vida conjugal; o último trabalho de Jay-Z, poderosíssimo produtor, também. A primeira gravidez, ao invés de uma fotografia furtiva para a imprensa de mexericos, foi anunciada em palco nos prémios da MTV em 2011. “Pensei muito em como a revelar”, disse. Agora, escolheu uma imagem do jovem fotógrafo em ascensão Awol Erizku, misturada com outras — de- baixo de água, numa otomana, num carro — e um poema da poeta de origem somali Warsan Shire, citada em Lemonade, que a associa a uma “vénus negra”. Isso além da profusa iconografia que peritos e amadores em todo o mundo tentam interpre- tar. A cantora que actuou na posse de Barack Obama em 2013 divulgou
a imagem da gravidez no primeiro
dia do Black History Month, o mês dedicado ao percurso dos negros nos EUA, e essa imagem “é arte”, diz a crítica musical Anne Midgette no Wa- shington Post, “porque transcende o momento: porque dá uma voz poten- te a uma experiência universal”. Da Virgem de Guadalupe ao roco- có, passando pela arte fúnebre ou pela iconografia secular de fertili-
dade e feminilidade, a pose como a Primavera de Boticelli, a composição dos retratos dos mestres flamengos ou de Pierre & Gilles, o busto de Ne- fertiti e as imagens subaquáticas, o trabalho (cuja autoria completa está ainda por confirmar) é complemen- tado pelo poema I have three hearts, de Shire. “Estas imagens são como uma grande obra dela, investida em descentralizar a branquitude” da cul- tura, defende no seu podcast o pro- fessor do departamento de Estudos
de Género do Centro Rutgers, Kevin Allred, responsável pelo seminário Politizando Beyoncé. “Beyoncé está sempre a criar mo- mentos”, prossegue Allred, e “está a tornar a vida dela em arte”. Beyoncé também “hipnotiza a América”, co- mo escreveu a BBC, “na Suíça das redes sociais”, o Instagram. O mo- mento é de tensão política e a notícia afastou milhões de olhos e ouvidos dessa actualidade para um momento de cultura pop. Na quarta-feira, a sur- presa de Beyoncé gerou meio milhão de tweets em 45 minutos. Nas redes sociais, continua a ser muito “gostada” mas também alvo do enfado de quem está saturado do efeito Beyoncé. “Validação do exibi- cionismo generalizado em curso”, critica o Libération, que considera que tentar associar causas raciais ou de género à cantora é “atribuir a Beyoncé uma dedicação de cidadã total, não muito compatível com a sua auto-estima crescente”. Ontem também surgiram críticas a uma pos- sível cópia da imagética escolhida pe-
la cantora M.I.A., de véu e num leito
de flores, no seu novo vídeo POWA,
e avolumaram-se as piadas sobre o
barroco do anúncio do casal. Nos próximos meses, a Beyon- cé cantora irá actuar dia 12 nos Grammys, nomeada para nove pré-
mios da indústria musical dos EUA, confirmou o seu pai à televisão ame- ricana. Sobre as duas datas no festi- val de Coachella, ainda nada se sabe. Sempre um manager, Mathew Know- les falou sobre o anúncio de quarta- feira de forma desempoeirada. “Pen- so que foi uma estratégia. Acho que vêm aí mais coisas.”
joana.cardoso@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 33
CULTURA
Os Memória de Peixe no Eurosonic, onde Portugal foi o país-tema
Há um plano para internacionalizar a cultura portuguesa
Política cultural Vítor Belanciano
Cultura e Negócios Estrangeiros vão articular a Acção Cultural Externa. Para 2017 estão previstas 1300 acções, em 75 países
A palavra que mais se ouviu on-
tem no Palácio da Ajuda, durante a apresentação da estratégia de Acção Cultural Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e do Ministério da Cultura (MC), foi “ar- ticular”. Tudo parece passar por aí. Congregar esforços e recursos entre todos os organismos e serviços públi- cos com actuação internacional nas áreas da cultura, eis o objectivo da estratégia do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do ministro da Cultura, Luís Filipe
Castro Mendes, para melhorar a visi-
bilidade da cultura e da criação artís- tica portuguesa no estrangeiro. O orçamento para a Acção Cultural Externa será o equivalente, segundo Castro Mendes, a 10% do orçamento do conjunto dos organismos envol- vidos. Entre estas entidades, o governan-
te distinguiu as que apoiam acções de
artistas portugueses no estrangeiro, como a DGArtes, que recentemente subsidiou uma operação artística de Vhils em Banguecoque, e as que rea- lizam as suas próprias actividades de internacionalização, caso do Teatro Nacional Dona Maria II, que estará este ano no Festival de Avignon.
O recente Eurosonic, que teve este
ano Portugal em destaque, foi nome- ado como exemplo de promoção da marca Portugal através da acção do AICEP, tendo sido também destacada
a campanha de comunicação inter-
nacional Portuguese Music Festivals, destinada à divulgação do país como destino de festivais de música. Segundo Augusto Santos Silva, a Acção Cultural Externa contemplará
em 2017 cerca de 1300 acções, que incidirão em 75 países de cinco con- tinentes, estando previstos apoios a actividades de tradução e ilustração de autores portugueses no estrangei- ro, à edição de obras de autores por- tugueses noutros idiomas, à interna- cionalização das artes, à co-produção cinematográfica, à participação em festivais de música, teatro ou cinema ou a mostras de fotografia e cultura portuguesa. No contexto dos incentivos estão contemplados os prémios instituídos
por Portugal, como o Prémio Camões
e o Prémio Luso-Espanhol de Arte e
Cultura, a que se acrescenta o novo Prémio Luso-Brasileiro de Literatura
Infanto-Juvenil. Todas as iniciativas previstas para 2017 foram definidas
a partir de eixos transversais de pro- gramação, privilegiando temas inspi- rados em matérias de actualidade e
do desenvolvimento como a coesão
e a integração das comunidades, o
exercício das liberdades e direitos,
o debate sobre os preconceitos ra-
ciais e a discriminação em função do género ou o desenvolvimento sustentável.
vbelanciano@publico.pt
Encontros da Imagem de Braga sem direcção
Fotografia Sérgio B. Gomes
Depois de quatro edições sob a direcção de Ângela Ferreira, os Encontros da Imagem podem mudar de rumo
Ângela Ferreira deixou de ser di- rectora artística dos Encontros da Imagem de Braga, depois de a sua lista ter perdido, a 15 de Dezembro, as eleições para a direcção da En- contros da Imagem — Associação Cultural, órgão do qual também fazia parte. A única lista concorrente desse acto eleitoral, liderada por Carlos Fontes, professor e um dos funda- dores dos Encontros com Rui Prata, em 1987, venceu o escrutínio (no- ve votos contra cinco). No entanto, depois uma assembleia geral extra-
ordinária anteontem, convocada por um grupo de associados que invocou a nulidade das anteriores
eleições, tanto os órgãos sociais co- mo a direcção eleita em Dezembro foram destituídos, permanecendo em gestão corrente até nova vota- ção, ainda sem data agendada. Para além de Fontes, faziam parte da lis- ta vencedora Rui Pires (fotógrafo) e José Luís Dias (contabilista). Ângela Ferreira foi anunciada pu- blicamente como directora do fes- tival em 2012 por Rui Prata, depois de este ter estado 25 anos à frente dos Encontros da Imagem. Ferreira, que também é fotógrafa, assumiu
a curadoria geral das últimas qua-
tro edições, com uma intenção de “rejuvenescimento” e “internacio- nalização” do festival. Assumindo,
em declarações ao PÚBLICO, que ainda não tomou uma decisão so- bre se se vai candidatar às próximas
eleições para a direcção da associa- ção que gere os Encontros, Ângela
Ferreira mostra-se “tranquila” com
o trabalho feito e lamenta que a sua
“visão e contributo” para o festival tenham sido interrompidos. “Espe-
ro, contudo, que se possa devolver ao projecto a dignidade merecida e
que se reacenda uma solução capaz de contribuir para a defesa de um futuro radioso para os Encontros”, afirmou ainda.
sgomes@publico.pt
34 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
CLASSIFICADOS
Edif. Diogo Cão, Doca de Alcântara Norte, 1350-352 Lisboa pequenosa@publico.pt
Tel. 21 011 10 10/20 Fax 21 011 10 30 De seg a sex das 09H às 19H Sábado 11H às 17H
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COMARCA DE ÉVORA
MONTEMOR-O-NOVO - JUÍZO DE COMP. GENÉRICA - J1
VENDA POR NEGOCIAÇÃO PARTICULAR
Processo n.º 436/16.5T8MMN Insolvente: António José da Rocha
ANÚNCIO DE VENDA
Faz-se saber que nos autos acima identificados, nos termos do
artigo 164.º do CIRE, procede-se à venda por negociação parti- cular do imóvel apreendido no âmbito do processo acima iden- tificado e que consta da relação de bens integrados na massa insolvente que abaixo se descreve:
• Fração autónoma designada pela letra “F” correspondente a
uma habitação no 2.º andar direito, do prédio urbano sito na Rua da Boavista/Travessa Cruz das Almas, n.º 6, na freguesia e con- celho de Vendas Novas, descrito na Conservatória do Registo
Predial de Vendas Novas sob o n.º 2958-F e inscrito na respecti-
|
va |
matriz urbana sob o artigo 8214 da dita freguesia; |
|
O |
valor mínimo de venda do bem é de € 41.820,00. |
|
O |
bem será vendido no estado em que se encontra. |
|
As |
propostas deverão ser formuladas por escrito, em sobrescrito |
fechado com a identificação do processo e dirigido ao “Adminis- trador Judicial Dr. António Seixas Soares” Pct. D. Nuno Álvares
Pereira, n.º 20 - 1.º andar, sala AF, 4450-218 Matosinhos, até ao dia 20 de Fevereiro de 2017, e deverão conter a identificação completa do proponente, acompanhadas de fotocópias do bi- lhete de identidade e cartão de contribuinte fiscal e/ou certidão comercial da empresa. As propostas serão abertas na semana seguinte. Os bens serão vendidos no estado em que se encontram. Nos termos do artigo 815.º do CPC, os proponentes devem jun-
tar à sua proposta como caução, um cheque à ordem da “Massa
Insolvente de António José da Rocha”, no montante correspon- dente a 20% do valor da proposta para aquisição do bem. Contactos ou informações pelo telefone 936 260 000 ou aseixas. soares@gmail.com
O Administrador de Insolvência Público, 04/02/2017
CENTRO COMERCIAL COLOMBO
AVENIDA DAS ÍNDIAS (PISO 0, JUNTO À PRAÇA CENTRAL) HORÁRIO: 2.ª FEIRA – DOMINGO: 10H – 24H
MAIS INFORMAÇÕES:
loja.publico.pt
|
210 111 010
Insolvência de “Sandra Isabel da Silva Coelho e de Marcelino Marques Faria”
Processos n.ºs 1860/16.9T8BRR e 1366/14.0TBMTJ na Comarca de Lisboa, Barreiro - Inst. Central - 2.ª Sec. Comércio - J4 e J2 de Barreiro
Por determinação dos Exmos. Administradores das Insolvências proce- der-se-á à venda através de proposta por carta fechada, do bem que a seguir se identifica:
Verba Única: Fracção autónoma designada pela letra “F” do prédio sito
na Rua Mártires do Tarrafal, n.º 409 em Montijo, descrito na Conserva- tória do Registo Predial com o n.º 1649, inscrito na matriz da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro sob o artigo 6129, com o valor-base de € 52.705,88. REGULAMENTO:
1 - Serão consideradas as propostas de valor não inferior a 85% do
supra-indicado, recebidas, em envelope fechado, até às 17 horas do
dia 16 de Fevereiro de 2017.
2 - A abertura das propostas será efectuada imediatamente após a hora indicada no número anterior.
3 - Os envelopes contendo as propostas deverão ter a indicação na
frente “Proposta de compra por carta fechada - Insolvências de San- dra Isabel da Silva Coelho e de Marcelino Marques Faria - Processos 1860/16.9T8BRR e 1366/14.0TBMTJ”, deverão ser acompanhadas de
um cheque/caução de 5% do valor proposto, à ordem da massa insol-
vente, e ser enviadas para o Administrador de Insolvência:
Dr. Pedro Ortins de Bettencourt, Praceta Aldegalega, n.º 21, R/C Esq.º, 2870-239 Montijo
4 - As propostas deverão conter: nome ou denominação do proponen-
te; morada; número de contribuinte; representante, em caso de pessoa
colectiva, indicação de telefone e/ou email de contacto e valor ofere- cido por extenso.
5 - Os imóveis serão vendidos no estado físico e jurídico em que se
encontram, livres de ónus e encargos, sendo da responsabilidade do comprador todos os custos relacionados com a venda.
6 - A aceitação ou não aceitação da proposta será comunicada ao pro-
ponente de maior valor no prazo máximo de 30 dias após a abertura de propostas.
7 - A escritura notarial será efectuada em data e hora a avisar ao com-
prador com a antecedência mínima de 15 dias.
8 - Se não for possível realizar a escritura na data fixada, por razões ine-
rentes ao comprador, este perderá o sinal já entregue e atrás referido.
9 - Se por motivos alheios à vontade do Administrador de Insolvência,
nomeadamente exercício do direito de remissão ou de preferência, de- cisão de Comissão de Credores ou decisão judicial, a venda for consi- derada sem efeito, as quantias recebidas serão devolvidas em singelo. Esclarecimentos adicionais poderão ser prestados pelo Administrador de Insolvência, através do endereço de correio electrónico: pob.pob. aj@gmail.com
Público, 04/02/2017
Insolvência de “Maria do Rosário Beirão de Matos” e de “Mário Rui Pereira Daniel”
Processos n.ºs 3528/16.7T8BRR e 21331/16.2T8SNT na Comarca de Lisboa, Barreiro - Inst. Central - 2.ª Sec. Comércio - J2 de Barreiro e na Comarca de Lisboa Oeste, Sintra - Inst. Central - Sec. Comércio - J2 de Sintra respectivamente
Por determinação dos Exmos. Administradores das Insolvências proceder-se-á à venda através de proposta por carta fechada, do bem que a seguir se identifica:
Verba Única: fracção autónoma designada pela letra “A”, corres- pondente à moradia, com acesso pela Praceta Rio Este, do prédio
sito na Praceta Rio Este, lote 14, Redondos, descrito na Conserva- tória do Registo Predial de Seixal com o n.º 1978, inscrito na matriz da freguesia de Fernão Ferro sob o artigo 10689, com o valor-base de € 135.000,00. REGULAMENTO:
1 - Serão consideradas as propostas de valor não inferior a 85% do supra-indicado, recebidas, em envelope fechado, até às 17 horas do dia 16 de Fevereiro de 2017.
2 - A abertura das propostas será efectuada imediatamente após a hora indicada no número anterior.
3 - Os envelopes contendo as propostas deverão ter a indicação
na frente “Proposta de compra por carta fechada - Insolvências de
Maria do Rosário Beirão de Matos e de Mário Rui Pereira Daniel
- Processos 3528/16.7T8BRR e 21331/16.2T8SNT”, deverão ser
acompanhadas de dois cheques/caução de 5% do valor proposto,
sendo um à ordem da massa insolvente de Maria do Rosário Beirão
de Matos e outro à ordem de massa insolvente de Mário Rui Pereira
Daniel, e ser enviadas para o Administrador de Insolvência:
Dr. Pedro Ortins de Bettencourt, Praceta Aldegalega, n.º 21, R/C Esq.º, 2870-239 Montijo
4 - As propostas deverão conter: nome ou denominação do propo- nente; morada; número de contribuinte; representante, em caso de pessoa colectiva, indicação de telefone e/ou email de contacto e valor oferecido por extenso.
5 - Os imóveis serão vendidos no estado físico e jurídico em que se encontram, livres de ónus e encargos, sendo da responsabilidade do comprador todos os custos relacionados com a venda.
6 - A aceitação ou não aceitação da proposta será comunicada
ao proponente de maior valor no prazo máximo de 30 dias após a
abertura de propostas.
7 - A escritura notarial será efectuada em data e hora a avisar ao
comprador com a antecedência mínima de 15 dias.
8 - Se não for possível realizar a escritura na data fixada, por ra-
zões inerentes ao comprador, este perderá o sinal já entregue e atrás referido.
9 - Se por motivos alheios à vontade do Administrador de Insol-
vência, nomeadamente exercício do direito de remissão ou de
preferência, decisão de Comissão de Credores ou decisão judicial,
a venda for considerada sem efeito, as quantias recebidas serão
devolvidas em singelo. Esclarecimentos adicionais poderão ser prestados pelo Adminis- trador de Insolvência, através do endereço de correio electrónico:
pob.pob.aj@gmail.com
Público, 04/02/2017
UMA GUERRA DE FEITIOS DENTRO DA GUERRA CIVIL AMERICANA.
14. Motins em Nova Iorque
Fragilizados pelas perdas humanas, Lincoln decreta a conscrição e o regimento de Blutch
e Chesterfield é enviado para Nova Iorque para supervisionar o recrutamento.
Contudo, os conscritos decidem revoltar-se e os nossos heróis são obrigados a mudar de lado para sobreviver. Não perca a colecção “Os Túnicas Azuis”. Uma BD humorística que tem
a Guerra de Secessão como pano de fundo. São 15 títulos para coleccionar com
Colecção Colecç de 15 livros. PVP unitário: 6,95 €. Preço total da colecção: 104,25 €. Periodicidade semanal às quartas-feiras.
De De 9 9 de de Novembro de 2016 a 15 de Fevereiro de 2017. Limitado ao stock existente. A compra do produto implica a aquisição do jornal.
Público Classificados • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 35
TRIBUNAL DA COMARCA DE LISBOA OESTE
Sintra - Juízo de Comércio - Juiz 1 Processo: 8861/15.2T8SNT
Insolvência de Pessoa Coletiva Insolvente: Farmácia Claro Russo, Sociedade Unipessoal, Lda Administrador Judicial: Dr. José Augusto Machado Ribeiro Gonçalves
ANÚNCIO
(VENDA MEDIANTE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA)
José Augusto Machado Ribeiro Gonçalves, nomeado administrador judicial no âmbito do processo supra-men-
cionado:
FAZ SABER que nos autos acima identificados foi designado o dia 16 de fevereiro de 2017, pelas 15:30 horas, para
a abertura de propostas em carta fechada que sejam entregues até esse momento, no seu domicílio profissional,
sito na Avenida D. João II, Lote 1.06.2.5B, Parque das Nações, 1990-095 Lisboa, pelos interessados na compra da seguinte verba:
Algueirão - Mem Martins - SINTRA
VERBA ÚNICA: Estabelecimento Comercial de Farmácia, denominado por “Farmácia Claro Russo - Sociedade Unipessoal, Lda.”, NIPC 509393950, instalado no prédio urbano, sito na Rua Abade de Faria, n.º 2-A, correspon- dente à fração autónoma designada pela letra “B”, correspondente ao rés do chão direito, descrito na 1.ª CRP de Sintra sob o n.º 5250, da freguesia de Algueirão em Mem Martins, incluindo o Alvará n.º 3173, emitido pelo Infarmed em 15/06/1976, e atualizado em 27/08/2010; todos os bens que integram o estabelecimento comercial e
o direito ao arrendamento do mencionado prédio, de que são proprietários de raiz Emídio Ramos Russo e Maria
Albertina Duarte Claro Russo, com o valor de renda mensal, em 2015, de 500€, com um valor base de venda de
€ 760.246,33.
As propostas em carta fechada deverão conter a indicação do processo de insolvência, o número da verba a licitar,
devendo delas constar o nome, morada, fotocópia do documento de identificação civil e fotocópia do cartão de contribuinte do proponente. Os proponentes devem ainda juntar à sua proposta, como caução, um cheque visado
/ bancário à ordem da Massa Insolvente de Farmácia Claro Russo, Sociedade Unipessoal, Lda., no montante
correspondente a 20% do valor da proposta, ou garantia bancária do mesmo valor. As propostas deverão ainda ser dirigidas ao administrador judicial em envelope fechado com indicação exterior do número e nome do processo.
A verba é vendida no estado físico, jurídico e documental em que se encontra.
As propostas deverão ser efetuadas por valor igual ou superior a 85% do valor-base de venda. Nota: O bem poderá ser visto no local, no dia 07 de fevereiro de 2017 das 15h00 às 16h00, mediante marcação prévia a estabelecer com o escritório do administrador judicial. Informações adicionais poderão ser obtidas junto do escritório do administrador judicial, via email josegoncalves. admin@gmail.com, telefone 234 371 181 ou fax 234 371 188.
Público, 04/02/2017 - 2.ª Pub.
VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Anúncio de Venda por Proposta em Carta Fechada
O Administrador Judicial (AJ) vai proceder à venda conjunta, na modalidade
de proposta em carta fechada, nos termos das disposições do CPC, de parti- cipações sociais correspondente à verba única do Auto de Arrolamento e de Apreensão de Participação Social de 6 de Janeiro de 2014, junto aos autos do Processo 3325/11.6TBFAR J2 Secção Comércio/Olhão Comarca Faro, em
que foi declarada a insolvência de António Martinez Modas Lda, titular NIPC 502589922, e verbas 1 e 2 do Auto Arrolamento e Apreensão de Participações Sociais de 6 de Janeiro de 2014, junto aos autos do Processo 961/13.0TBFAR
J2 Secção Comércio/Olhão Comarca Faro, em que foi declarada a insolvência
de Pereira & Graciete Lda, titular NIPC 500215200. As propostas, devidamente identificadas com nome, NIF/NIPC, endereço, te- lefone e fax do(s) proponente(s) e com o nr. do processo de insolvência, deve- rão ser recepcionadas pelo AJ até às 17 horas do dia 16 de Fevereiro de 2016 no seu escritório sito na Rua Pedro Homem Mello, 55 - 8.º, 4150-599 Porto. Naquele mesmo dia e hora no escritório do AJ serão abertas as propostas recebidas sendo a participação adjudicada à melhor proposta, que exceda o valor mínimo adiante indicado, nos termos das disposições legais.
Segue-se a descrição das participações sociais que serão vendidas, livres de ónus e encargos:
Verba Única Auto Arrolamento Apreensão de António Martinez Moda Lda Quota com o valor nominal de 28.431,48 EUR, representativa de 57% do ca- pital social da sociedade comercial por quotas, com a firma Afonso, António
& Glória Lda, titular do NIPC 500010170, correspondente a sua inscrição na
Conservatória Registo Comercial de Faro, com o capital social de 49.879,78 EUR, com sede na Rua Tenente Valadim 20, R/C, em Faro.
|
O |
valor mínimo para a venda é de 28.431,48 EUR (vinte e oito mil quatrocentos |
|
e |
trinta e um euros e 48/100). |
Verba 1 Auto Arrolamento Apreensão de Pereira & Graciete Lda. Quota com o valor nominal de 9.477,16 EUR, representativa de 19,00% do
capital social da sociedade comercial por quotas, com a firma Afonso, António
& Glória Lda, titular do NIPC 500010170, correspondente a sua inscrição na
Conservatória Registo Comercial de Faro, com o capital social de 49.879,78 EUR, com sede na Rua Tenente Valadim 20, R/C, em Faro.
O valor mínimo para a venda é de 9.477,16 EUR (nove mil quatrocentos e
setenta e sete euros e 16/100). Verba 2 Auto Arrolamento Apreensão de Pereira & Graciete Lda. Quota com o valor nominal de 9.477,16 EUR, representativa de 19,00% do
capital social da sociedade comercial por quotas, com a firma Afonso, António
& Glória Lda, titular do NIPC 500010170, correspondente a sua inscrição na
Conservatória Registo Comercial de Faro, com o capital social de 49.879,78 EUR, com sede na Rua Tenente Valadim 20, R/C, em Faro.
O valor mínimo para a venda é de 9.477,16 EUR (nove mil quatrocentos e
setenta e sete euros e 16/100). As ofertas de valor inferior ao indicado serão registadas para posterior apre- ciação/decisão. Os proponentes devem juntar às suas propostas, como caução, um cheque visado à ordem de Massa Insolvente de António Martinez Moda Lda, no mon- tante correspondente a 20% do valor proposto.
Fernando Silva e Sousa - Administrador Judicial
Rua Pedro Homem Mello, 55 - 8.º, 4150-590 Porto T 226171446 F 226171563 adj@fernandosilvaesousa.com
Público, 04/02/2017 - 2.ª Pub.
EMPREGO
INSCREVA-SE EM
EMPREGO.PUBLICO.PT
EM PARCERIA COM
COMARCA DE LISBOA OESTE
Juízo de Comércio de Sintra - Juiz 5 Processo: 22116/13.3T2SNT
Insolvência de Pessoa Singular Insolvente: Armando António Prates Dias Administrador Judicial: Dr. José Augusto Machado Ribeiro Gonçalves
ANÚNCIO
(VENDA MEDIANTE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA)
José Augusto Machado Ribeiro Gonçalves, nomeado administrador judicial no âmbito do processo supra-mencionado:
FAZ SABER que nos autos acima identificados foi designado o dia 16 de fevereiro de 2017, pelas 15:00 horas, para a abertura de propostas em carta fechada que sejam entregues até esse momento, no seu domicílio profissional, sito na Avenida D. João II, Lote 1.06.2.5B, Parque das Nações, 1990-095 Lisboa, pelos interessados na compra da seguinte verba:
União de Freguesias de Cacém e São Marcos - SINTRA VERBA ÚNICA: Prédio urbano, destinado a habitação, sito na Urbanização de São Marcos, Impasse Cidade de Vitória, 1, r/c B, correspondente à fração autónoma designada pela letra “C”, do prédio descrito na Conservatória do Registo Predial de Agualva - Cacém sob o n.º 129, freguesia União de Freguesias do Cacém e São Marcos e inscrito na Matriz sob o artigo 1096 daquela União de Freguesias (anterior artigo 486 da freguesia de São Marcos), com um valor-base de venda de € 50.000,00. As propostas em carta fechada deverão conter a indicação do processo de insolvência, o número da verba a licitar, devendo delas constar o nome, morada, fotocópia do documento de identificação civil e fotocópia do cartão de contribuinte do proponente. Os proponentes devem ainda juntar à sua pro- posta, como caução, um cheque visado / bancário à ordem da Massa Insolvente de Armando António Prates Dias, no montante correspondente a 20% do valor da proposta, ou garantia bancária do mesmo valor. As propostas deverão ainda ser dirigidas ao administrador judicial em envelope fechado com indicação exterior do número e nome do processo. As verbas são vendidas no estado físico, jurídico e documental em que se encontram. As propostas deverão ser efetuadas por valor igual ou superior a 85% do valor-base de venda. Nota: O imóvel poderá ser visto no local, no dia 07 de fevereiro de 2017 das 11h00 às 12h00, mediante marcação prévia a estabelecer com o escritório do administrador judicial. Informações adicionais poderão ser obtidas junto do escritório do administrador judicial, via email josegoncalves.admin@gmail.com, telefone 234 371 181 ou fax 234 371 188.
Público, 04/02/2017 - 2.ª Pub.
CERTIFICO, PARA EFEITOS DE PUBLICAÇÃO:
Que neste Cartório de Lisboa, do Notário Gonçalo Rodrigo Barreiros Rodrigues Soares Cruz, sito na Rua Joaquim António de Aguiar, 45, r/c esquerdo, foi outorgada em dois de fevereiro de dois mil e dezassete, de folhas cento e vinte e oito a folhas cento e trinta do livro de notas para escrituras diversas número Vinte e Três A, uma escritura de justifica- ção notarial na qual MARIA TERESA E SILVA PACHECO CARAMELO ESPADA FEIO, NIF 139331808, natural da freguesia de São Sebastião da Pedreira, concelho de Lisboa, casada com Luís Joaquim Nunes Espada Feio sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Rua de Campolide, número 51, quarto direito, em Lisboa, ANA ISABEL GAMA E SILVA,
NIF 133664112, natural da freguesia de São Sebastião da Pedreira, concelho de Lisboa, nascida em dezasseis de Fevereiro de mil novecentos e cinquenta e três, divorciada, resi- dente na Rua do Largo, número 56, terceiro esquerdo, Estoril, Cascais, que interveio por si
e na qualidade de procuradora de BERNARDO JOSÉ DA GAMA E SILVA, NIF 102824932, natural de Moçambique, devidamente autorizado para a prática deste ato pela sua mulher Margarida Maria Rocha Pereira do Nascimento, NIF 164604219, natural da freguesia da Lapa, concelho de Lisboa, com quem é casado sob o regime da comunhão de adquiridos, residente em 26 kalima Street, The Gap, Queensland 4061, Austrália, declararam que com exclusão de outrem são donos, na proporção de metade para Maria Teresa e Silva Pacheco Caramelo Espada Feio, de um quarto para Ana Isabel Gama e Silva e de um quarto para Bernardo José da Gama e Silva e legítimos possuidores do prédio urbano sito no Bairro de Campolide, na Rua D. Carlos de Mascarenhas, números 33 e 35, freguesia de São Se- bastião da Pedreira, concelho de Lisboa, descrito na Conservatória do Registo Predial de Lisboa sob o número três mil cento e cinquenta e nove, da referida freguesia, com o registo de aquisição a favor do de cujus José Maria Henriques nos termos da inscrição Ap. 4 de 1929.05.31, inscrito na matriz predial urbana da freguesia de Campolíde sob o artigo 9. Que o referido de cujus, José Maria Henriques, é bisavô das primeiras outorgantes e re- presentado. Que as sucessivas transmissões do Imóvel, a título de herança, e as respetivas partilhas verbais, do Senhor José Maria Henriques para os seus herdeiros legitimários Ludovina da Conceição Henriques (sua mulher), Emília da Conceição Henrique e Silva, Alice Henriques Lopes, António Henriques e Américo Henriques (seus filhos) e destes, por sua vez, para os seus herdeiros legitimários Luizette Henriques e Silva Pacheco Caramelo, José Henriques
e Silva (a quem sucedeu sua mulher Maria Cecília da Gama e Silva), Manuel Crispim Hen-
riques, Raul Crispim Henriques e Alice Crispim Henriques Kitt, e destes, por último, para os seus atuais herdeiros legitimários Maria Teresa e Silva Pacheco Caramelo Espada Feio, Ana Isabel da Gama e Silva e Bernardo José da Gama e Silva, nunca foram, por desleixo, formalizadas e registadas. Que o imóvel se encontra inscrito na matriz em nome de Maria Cecília da Gama e Silva, Raul Crispim Henriques, Luizette Henriques e Silva Pacheco Caramelo, Alice Crispim Henriques Kítt e herança de Manuel Crispim Henriques, de quem os justificantes são sucessores. Que os justificantes são os possuidores nas referidas proporções do prédio acima descrito porque lhes foi adjudicado em partilhas verbais, por óbito dos seus pais, também eles herdeiros do Senhor José Maria Henriques e o Imóvel veio à sua posse desde janeiro de mil novecentos e sessenta, na qual se encontra há mais de vinte anos, de forma pública e pacífica, por herança dos seus progenitores, embora, e não obstante os inúmeros esforços
já efetuados nesse sentido, não tenham qualquer possibilidade de comprovar pelos meios
normais a sua aquisição, por herança, do aludido Imóvel. Que essa posse em nome próprio, pacífica, contínua e pública há mais de vinte anos, conduziu à aquisição do imóvel por USUCAPIÃO, que invocam, justificando o seu direito de propriedade para efeitos de registo predial, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial.
Lisboa, 02 de fevereiro de 2017
O Notário Gonçalo Rodrigo Barreiros Rodrigues Soares Cruz
Conta registada sob o n.º 46
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ASSEMBLEIA-GERAL DA ADMNISTRAÇÃO CONJUNTA DA AUGI 43
Hoje, dia vinte e um de Janeiro de 2017, pelas onze horas, realizou-se, no Salão do Grupo Desportivo do Casal do Sapo, Quinta do Conde, Sesimbra, a Assembleia de Administração Conjunta da Augi 43, convocada para as dez horas, conforme con-
vocatória de seis de Janeiro de dois mil e dezassete, cuja fotocópia se anexa sob o n.º 1 à presente ata. Encontravam-se presentes:
|
a) |
Os membros da Comissão de Administração: |
|
1) |
Presidente: Filinto Cordeiro Pedro, |
|
2) |
Tesoureiro: Henrique Oliveira António. |
|
b) |
O representante da Câmara Municipal de Sesimbra (CMS), Sr. José Alexandrino, |
de acordo com o documento que se anexa sob o n.º 2 à presente ata, a assessoria jurí- dica, representada pelos Srs. José Manuel Bernardo e Mónica Bernardo, Advogados
|
e |
a equipa técnica de engenharia, representada pelo Sr. Eng. Carlos Gonçalves. |
|
c) |
Estiveram presentes 25,08% dos titulares interessados na Augi 43, que tem 412 |
lotes, conforme lista de presenças e votação que se anexa sob o n.º 3 à presente ata.
O Tesoureiro da Comissão de Administração da Augi 43, Sr. Henrique Oliveira An-
tónio, abriu os trabalhos da presente Assembleia, tendo, de imediato, pedido ao
representante da CMS, Sr. José Alexandrino, para conduzir os trabalhos da mesma, ao que não houve qualquer oposição.
O Sr. José Alexandrino deu início aos trabalhos, mas de imediato, pelo interessado,
Senhor Engenheiro Carlos Cesário, foi apresentado um requerimento à mesa, que se anexa à presente acta sob o n.º 4, requerendo que a ordem de trabalhos constante da convocatória fosse alterada, passando o ponto n.º 3 para primeiro ponto, por querer saber se há numerário em conta, porque se houver pode haver candidatos
para a lista. Este pedido foi colocado à discussão tendo após a mesma, sido aprovado por unanimidade dos presentes. De seguida o senhor José Alexandrino apresentou o ponto n.º 3, ponto de situação das disponibilidades financeiras, esclarecendo e informando o seguinte:
a) Na última assembleia - 12.11.2016, foi feita a apresentação das contas intercalares
do ano de 2015 e as mesmas foram aprovadas;
b) Desde Novembro de dois mil e dezasseis e até hoje, 21 de Janeiro de dois mil e
dezassete, o saldo da conta bancária à ordem é de duzentos e um mil oitocentos e cinquenta e sete euros e seis cêntimos;
c) As dívidas que existem rondam o montante de mil e cem euros, valor a pagar às
AUGIS 40 e 40-A das Courelas da Brava, logo que se conheça o valor exato a pagar
a cada uma delas, que será de mais ou menos de metade para cada uma delas;
d) Do valor existente na conta bancária, a quantia de 45.364,80€ (quarenta e cinco
mil trezentos sessenta e quatro euros e oitenta cêntimos), referente a taxas devidas,
valor que o Sr. Presidente da Câmara, Sr. Arquiteto Augusto Pólvora, admitiu que
a AUGI retivesse para que esta fizesse os trabalhos de alcatroamento das ruas que foram sugeridas, pela própria Câmara Municipal de Sesimbra;
e) O referido alcatroamento não foi efetuado por, entretanto, ter falecido o Sr. Sa-
bino e, em sequência, a CA ter pedido a demissão e os respetivos elementos terem
entendido que após tal pedido já não tinham legitimidade suficiente para dar cum- primento ao concertado com a Câmara Municipal de Sesimbra;
f) Todos os compromissos da AUGI 43 estão pagos;
g) Assim, ou a nova CA avança para e execução das vias sugeridas, ou então, entrega
à Câmara Municipal o valor (45.364,89€);
h) Todas as contas da Augi têm suporte documental e informático;
i) Há um encargo padrão desde 2006, data em que o IVA era de 19% (dezanove por
cento) e hoje é de 23% (vinte e três por cento);
j) Também hoje o valor do encargo médio é de cerca de 80€ (oitenta euros) o metro
quadrado de STP, face ao IVA e à alteração de STP e consequente aplicação do RT- CRAU - Regulamento de taxas e cedências relativas à administração urbanística;
k) Houve na AUGI 43 um aumento de STP em cerca de 3.000m2 (três mil metros
quadrados) que têm de multiplicar-se pelo valor do encargo padrão;
l) Há interessados na AUGI que ainda não outorgaram a escritura de aquisição dos
seus respetivos direitos; m) O Anexo IV, que é um documento a anexar ao Alvará, pelo que, constitui uma condicionante ao loteamento e uma imposição aos herdeiros de AXL, para satisfa-
ção das expectativas dos interessados que ainda não outorgaram as respetivas escri- turas e que podem e devem fazê-lo;
n) A CA que venha a ser eleita tem 201.857,06€ (duzentos e um mil oitocentos cin-
quenta e sete euros e seis cêntimos) e mais de 3.000.000,00€ (três milhões de euros) para dinamizar o respetivo recebimento;
o) Até à primavera deste ano, mantém-se a expectativa de serem notificados todos os
interessados da AUGI 43 que tenham contrato de fornecimento de água, para que
possam efetuar as ligações das suas construções à rede esgotos de águas residuais;
p) O encargo padrão foi estipulado, por estimativa, em 2006 e as contas serão ajus-
tadas e acertadas a final (contas finais).
3) Quanto ao ponto um, da OT o Sr. José Alexandrino apresentou o enquadramen-
to legal disposto na lei das AUGIS e de seguida questionou a Assembleia sobre a existência de listas para a CA.
a) Entretanto nas mesas foi posto um documento que apresentava duas candidatu-
ras, uma para a CA e outra para a CF;
b) Agradeceu ao Sr. Filinto Pedro, presidente cessante, que foi o único que se ofere-
ceu para colaborar com ele, após o óbito do Sr. Sabino;
c) Agradeceu à sua filha e aos advogados a muita ajuda que lhe prestaram;
d) E, por último, agradeceu ao Sr, José Alexandrino, representante da CMS, dizen-
do que foi uma pessoa extraordinária, em toda a ajuda que lhe prestou, essencial- mente após o óbito do Sr. Sabino. Por nada mais haver a tratar, o Sr. José Alexandrino, com a anuência do presidente da CA cessante deu por encerrada a presente assembleia, sendo a presente acta ainda assinada pela CA cessaste.
Assinaturas Ilegíveis
36 • Público Classificados • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
Vendas em Lisboa, Porto, Madeira - Ver publicação de 05 de Fevereiro Condições das Vendas - Abertura de propostas: Av.ª 05 de Outubro, N.º 10, 1050-056 Lisboa, dia 14 de Fevereiro a partir das 14h30
INSOLVÊNCIA
JOSÉ ANTÓNIO MOURA
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 14500/15.4T8LSB - J1 do Trib. Comarca de Lisboa - Barreiro - Inst. Central QUINTA DO CONDE - 3, N.º 2685 2975-375 QUINTA DO CONDE PRÉDIO URBANO - FRAÇÃO “A” - RÉS DO CHÃO, PARA CO- MÉRCIO, COM UMA DIVISÃO E DUAS CASAS DE BANHO CRP - 1535 | Matriz - 2731 - A (urbano) Valor mínimo de venda - € 43.095,00
INSOLVÊNCIA
ZEFERINO & DIAS, LDA.
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 1008/08.3TBOLH do Trib. da Comarca de Faro - Olhão - Inst. Central ESTRADA NACIONAL N.º 125, FREGUESIA DE QUELFES, CONCELHO DE OLHÃO FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “E”, AFETO À HABITAÇÃO, HABITAÇÃO NASCENTE CRP - 4977 | Matriz - 7117 (urbano) Valor mínimo de venda - € 168.600,00
INSOLVÊNCIA
LUÍS FILIPE RODRIGUES TEIXEIRA
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIA- ÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CAR- TA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 1452/13.4TJPRT - J1 da Comarca do Porto Trib. Porto - Inst. Local - Secção Cível RUA MANUEL FRANCISCO DE ARAÚJO, ÁGUAS SANTAS - MAIA FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “V” NO SEGUN- DO ANDAR DIREITO, DESTINADA A HABITAÇÃO, DO TIPO T-3 CRP -267 | Matriz - 5739 - V (urbano) Sem valor mínimo de venda - As propostas ficarão em registo de oferta
INSOLVÊNCIA
ALDINA DOS SANTOS GABRIEL
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FE- CHADA dos imóveis apreendidos no Processo de Insolvência n.º 1848/12.9TBPBL do J1 do Trib. Leiria - Inst. Central - 1.ª Sec. Comércio URBANIZAÇÃO DE SANTA LUZIA, FREGUESIA E CONCELHO DE POMBAL FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “E” NO SEGUNDO ANDAR, DESTINADA A ESCRITÓRIO, COM ÁREA BRUTA PRIVATIVA DE 382,62 M2, E ÁREA BRUTA DEPENDENTE DE 22,16 M2 CRP - 17398 | Matriz - 6070 - E (urbano) Valor mínimo de venda - € 255.000,00
INSOLVÊNCIA
DAMASAVES, LDA
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 3601/15.9T8OAZ da Comarca de Aveiro, Trib. Oliveira de Azeméis - Inst. Central - 2.ª Secção Comér- cio - J2
MANINHO DAS ALMAS DA MOURA/OUTEIRO, FREGUESIA DE LOUREIRO PRÉDIO RÚSTICO - TERRENO PARA CONSTRUÇÃO - COM ÁREA TOTAL 3800M2 CRP - 2576 | Matriz - 1570 (Rústico) Valor mínimo de venda - € 94.190,00
INSOLVÊNCIA
LUCÍLIA DIAS ANTUNES
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 4636/15.7T8VFX do Trib. Comarca Lis- boa Norte - V. F. Xira - Inst. Central - Sec. Comércio RUA SOEIRO PEREIRA GOMES, N.º 15, FREGUESIA DE ALGUEIRÃO-MEM MARTINS, CONCELHO DE SINTRA PRÉDIO URBANO EM REGIME DE PROPRIEDADE HORIZONTAL, CORRESPONDENTE A CASA DE HABITA- ÇÃO NO TERCEIRO ANDAR DIREITO DO PRÉDIO URBANO CRP - 3621 | Matriz - 3925 (urbano) Valor mínimo de venda - € 53.100,00
INSOLVÊNCIA
HENRIQUE MANUEL FREDERICO MONTEIRO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 715/16.1T8AMT da Comarca do Porto Este Trib. da Comarca do Porto Este - Amarante - Inst. Central - Sec. Comércio - J1 AVENIDA CENTRAL DE PORTELA N.º 215, REBORDOSA, PAREDES METADE INDIVISA DA FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “AI” NO SEGUNDO ANDAR ESQUERDO, NO CORPO QUATRO, DESTINADA A HABITAÇÃO CRP - 3079 | Matriz - 3314 - AI (urbano) Valor mínimo de venda - € 31.875,00
INSOLVÊNCIA
PAULO JORGE PEREIRA DOS SANTOS FERREIRA
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIA- ÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insol- vência n.º 3019/16.6T8VFX - J2 da Comarca de Lisboa Norte Trib. Comarca Lisboa Norte - V. F. Xira - Inst. Central - Sec. Co- mércio - J2 AVENIDA CABO DA BOA ESPERANÇA, LOTE N.º 66 FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELAS LETRAS “AP” NO OITAVO ANDAR IDENTIFICADA PELA LETRA “B”, DESTINADA A HABITAÇÃO, DO TIPO T-3 CRP - 630 | Matriz - 9 - AP (urbano) Valor mínimo de venda - € 56.875,48
INSOLVÊNCIA
JOÃO CANDEIAS, LDA.
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 810/13.9TBCTB do Tribunal de Com. de Castelo Branco, Inst. Central RUA HUGO CORREIA PARDAL, N.º 9, FREGUESIA E CONCELHO DE CASTELO BRANCO FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “D”, NO RÉS DO CHÃO, COMPOSTA POR UM ESTABELECIMENTO IDENTIFICADO PELO N.º 3, COM UMA DIVISÃO E UMA CASA DE BANHO, DESTINADA A COMÉRCIO CRP - 2969 | Matriz - 12303-D (urbano) Valor mínimo de venda - € 37.100,00
INSOLVÊNCIA
ANTÓNIO PEREIRA COUTO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis apreendidos no Proces- so de Insolvência n.º 5181/06.7TBAVR do Trib. Aveiro - Inst. Central - 1.ª Sec. Comércio LOCALIZADO JUNTO AO CAMINHO DONA MARIA, LOTE D, FREGUESIA DE BUARCOS, CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ FRAÇÃO AUTÓNOMA “AO” - 3.º ANDAR DIREITO FRENTE CRP - 246 | Matriz - 3208 - AO (urbano) Valor mínimo de venda - € 58.335,50 RIO DE BAIXO, LOCALIZADO JUNTO AO CAMINHO DONA MARIA, LOTE D, FREGUESIA DE BUARCOS, CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ FRAÇÃO AUTÓNOMA “H” - GARAGEM NA CAVE CRP - 246 | Matriz - 3208 - H (urbano) Valor mínimo de venda - € 5.720,50
INSOLVÊNCIA
HELDER ANTÓNIO CONCEIÇÃO CARAPAU
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FE- CHADA dos imóveis apreendidos no Processo de Insolvência n.º 3539/16.2T8VFX - J2 da Comarca de Lisboa Norte - V. F. Xira - Inst. Central - Sec. Comércio - J2 ORJARIÇA - CALÇADA DE S. PEDRO, N.º 2, TORRES VEDRAS PRÉDIO URBANO COMPOSTO DE CASA DE CAVE, RÉS DO CHÃO E PRIMEIRO ANDAR, DESTINADA A HABITAÇÃO, COM GARAGEM E LOGRADOURO CRP - 525 | Matriz - 4231 - (urbano) Valor mínimo de venda - € 169.150,00 “MONTE DETRÁS DOS MONTES”, SITO EM SÃO DOMINGOS, DA UNIÃO DAS FREGUESIAS DE SÃO DOMINGOS E VALE DE ÁGUA PRÉDIO MISTO, SENDO A PARTE URBANA COMPOSTA DE EDI- FÍCIO DE RÉS DO CHÃO, DESTINADA A HABITAÇÃO E PARTE RÚSTICA COMPOSTA POR CULTURA ARVENSE CRP - 495 | Matriz Urbana - 1404 - Matriz Rústica - 12 Sec. Y Valor mínimo de venda - € 130.400,00
INSOLVÊNCIA
ILDA GRACIANA SENTIEIRO FERREIRA LIBIANO JOÃO PAULO OLIVEIRA LIBANIO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIA- ÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis apreendidos no Processo de
Insolvência n.º 1761/16.0T8VNF da Comarca de Braga, Trib. V.
N. Famalicão - Inst. Central - 2.ª Sec. Comércio - J3 RUA ALMIRANTE REIS, N.º 116, PÓVOA DE VARZIM FRAÇÃO AUTÓNOMA “CO”, CORRESPONDENTE A UM T4 NO
2.º ANDAR ESQUERDO, BLOCO TERCEIRO, PARA HABITAÇÃO
CRP - 4649 | Matriz - 3 - CO (urbano) Valor mínimo de venda - 70.613,00 € RUA ALMIRANTE REIS, N.º 116, PÓVOA DE VARZIM FRAÇÃO AUTÓNOMA “P”, CORRESPONDENTE A UM APARCA- MENTO NA CAVE COBERTO E FECHADO, BLOCO DOIS CRP - 4649 | Matriz - 3 - P (urbano) Valor mínimo de venda - € 5.826,00
INSOLVÊNCIA
JOSÉ ROSA CARMO E MARIA SANTANA CARMO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis e da quota, apreendidos no Processo de Insolvência n.º 541/13.0TBELV 1.º Juízo do Tribunal Judicial de Judicial de Elvas IMÓVEIS VERBA 1 RUA DE SANTO ANTÓNIO, N.º 15, 7350-132 ELVAS FRAÇÃO “C” NO PISO UM, COMPOSTA POR GARAGEM, COM ENTRADA PRIVATIVA POR PORTA PARA ESCADA COMUM, COM ÁREA BRUTA PRIVATIVA DE 45,00 M2 CRP - 674 | Matriz - 2402 - C (urbano) Valor mínimo de venda - € 3.570,00 VERBA 2 OLIVAL ÀS CALDELAS, LOTE 24, 7350-002 ELVAS DIREITO DO USUFRUTO DO PRÉDIO URBANO, COMPOSTO POR LOTE DE TERRENO DESTINADO A CONSTRUÇÃO URBANA, COM ÁREA DE 805,00 M2 CRP - 1232 | Matriz - 2313 (urbano) Valor mínimo de venda - € 4.080,00
INSOLVÊNCIA
EDELFRIDE FRANCISCO ALVES DOS SANTOS
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 3655/15.8T8STS da Comarca do Porto, Trib. Santo Tirso - Inst. Central - 1.ª Sec. Comércio - J3 TRAVESSA DO RAMALHÃO, N.º 154 DA FREGUESIA DE ERMESINDE, CONCELHO DE VALONGO, FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “G” NO SEGUNDO ANDAR ESQUERDO, DESTINADA A HABITA- ÇÃO, DO TIPO T-3 CRP - 539 | Matriz - 6347 - G (urbano) Sem valor mínimo de venda
- As propostas ficarão e, registo de oferta TRAVESSA DO RAMALHÃO, N.º 154 DA FREGUESIA DE ERMESINDE, CONCELHO DE VALONGO, FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “Q” NA CAVE, DESTINADA A APARCAMENTO, COM ÁREA BRUTA PRIVATIVA DE 14,20 M2 CRP - 539 | Matriz - 6347 - Q (urbano) Sem valor mínimo de venda
- As propostas ficarão e, registo de oferta
INSOLVÊNCIA
ANA MARIA SILVA ROSA PATROCÍNIO JOSÉ DOS SANTOS PATROCÍNIO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis apreendidos no Proces- so de Insolvência n.º 196/16.0T8ELV da Comarca de Porta- legre - Elvas - Inst. Local - Secção Cível - J2 OLIVAL DA SAIBREIRA”, SITO EM ALCÁÇOVA, DA UNIÃO DAS FREGUESIAS DE CAIA, SÃO PEDRO E ALCÁÇOVA, CONCELHO ELVAS PRÉDIO MISTO, SENDO A PARTE URBANA COMPOSTA DE CASA DE RÉS DO CHÃO, DESTINADA A HABITAÇÃO CRP - 54 | Matriz Urbana - 1210/ Matriz Rústica - 50 Valor mínimo de venda - € 78.200,00 CASALINHOS DE ALFAIATA - TRAVESSA DOS CUNHADOS, DA FREGUESIA DE SILVEIRA, CONCELHO DE TORRES VEDRAS PRÉDIO URBANO COMPOSTO POR CASA DE RÉS DO CHÃO, DESTINADO A HABITAÇÃO, COM ANEXO DESTINADO A ARRECADAÇÃO E LOGRADOURO CRP - 4956 | Matriz - 6626 (Urbano) Sem valor mínimo de venda - As ofertas ficarão em registo de oferta
INSOLVÊNCIA
ROSÁLIA DE FÁTIMA GOMES GONÇALVES
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIA- ÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de In- solvência n.º 5458/16.3T8VNF - J3 da Comarca de Bragança Trib. Comarca de Braga - V. N. Famalicão - Inst. Central N.º 77 DA RUA PORTELA DE CIMA, FREGUESIA DE RIBEIRÃO, V. N. FAMALICÃO DIREITO À MEAÇÃO NA FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELAS LETRAS “AQ” NO SEGUNDO ANDAR F, DESTINADA A HABITAÇÃO, DO TIPO T-3 CRP - 1467 | Matriz - 3850 - AQ (urbano) Valor mínimo de venda - € 40.400,00
INSOLVÊNCIA
MARIA TERESA RAIMUNDO DE CARVALHO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 189/16.7T8VFX do Trib. Loures - Instância Central Sec. Comércio - J2 PRACETA DOS CARVALHAIS, N.º 2, SÃO JOÃO DOS MONTES, VILA FRANCA DE XIRA DIREITO À SUPERFÍCIE DA FRAÇÃO AUTÓNOMA “D”, COR- RESPONDENTE A UM T3, NO 1.º ANDAR ESQUERDO CRP - 326 | Matriz - 3503 - D (urbano) Sem valor mínimo de venda
- As propostas ficarão em registo de oferta
INSOLVÊNCIA
MARIA EMÍLIA ALVES REIS RAMIRO MANUEL TEIXEIRA MOREIRA
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO- CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA do imóvel apreendido no Processo de Insolvência n.º 10189/12.0TBVNG da Comarca do Porto Trib. V. N. Gaia - Inst. Local - Secção Cível - J4 RUA DO CERRO, N.ºS 20, 40 E 58, DA FREGUESIA DE CANIDELO, CONCELHO DE VILA NOVA DE GAIA DIREITO E ACÇÃO NA HERANÇA ILÍQUIDA E INDIVISA POR ÓBITO DE RUTE GRAÇA DA CRUZ MOREIRA, FILHA DOS INSOLVENTES, NA FRAÇÃO AUTÓNOMA DESIGNADA PELA LETRA “E” NO PRIMEIRO ANDAR DIREITO TRASEIRAS, DO CORPO A, DO TIPO T2, DESTINADA A HABITAÇÃO CRP - 2621 | Matriz - 6686 - E (urbano) Sem valor mínimo de venda
- As propostas ficarão em registo de oferta
INSOLVÊNCIA
CARLA FILOMENA FARIA COSTA VELOSO JOSÉ PAULO DE SOUSA VELOSO
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGO-
CIAÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis apreendidos no Processo de Insolvência n.º 135/15.5T8STR da Sec. Com. J2 do Trib. J. Com. de V. F. de Xira - Inst. Central BECO MADRE TERESA DE CALCUTÁ, N.º 1 - AZAMBUJA PRÉDIO URBANO - FRAÇÃO “B” - LOJA B NA CAVE PARA COMÉRCIO E UMA ARRECADAÇÃO NA SUBCAVE CRP - 1559 | Matriz - 3782 - B (urbano) Valor mínimo de venda - € 74.800,00
BECO MADRE TERESA DE CALCUTÁ, N.º 1 - AZAMBUJA PRÉDIO URBANO - FRAÇÃO “C” - LOJA C NA CAVE PARA COMÉRCIO E UMA ARRECADAÇÃO NA SUBCAVE CRP - 1559 | Matriz - 3782 - C (urbano) Valor mínimo de venda - € 74.800,00
INSOLVÊNCIA
MARIA MADALENA CALÇADA RAMOS
Ouvidos os Credores proceder-se-á à VENDA POR NEGOCIA- ÇÃO PARTICULAR por OBTENÇÃO DE PROPOSTAS EM CARTA FECHADA dos imóveis apreendidos no Processo de Insolvência n.º 2529/15.7T8VFX da Comarca de Lisboa Norte, Trib. Comarca Lisboa Norte - V. F. Xira - Inst. Central - Sec. Co- mércio - J2 RUA DE MOÇAMBIQUE, LOTE N.º 2, LOURINHÃ FRAÇÃO AUTÓNOMA N, CORRESPONDENTE A UMA GARA- GEM NO RÉS DO CHÃO COM O N.º 14 CRP - 3788 | Matriz - 4713 - N (urbano) Valor mínimo de venda - € 9.000,00 RUA DE MOÇAMBIQUE, LOTE N.º 2, LOURINHÃ FRAÇÃO AUTÓNOMA U, CORRESPONDENTE A UMA HABITA- ÇÃO NO 1.º ANDAR ESQUERDO A, COM 2 TERRAÇOS (UM A SUL E OUTRO A POENTE COM CHURRASQUEIRA), UMA DIVISÃO PARA ARRUMOS NO RÉS DO CHÃO COM O N.º 1 CRP - 3788 | Matriz - 4713 - U (urbano) Valor mínimo de venda - € 80.000,00
• SERÃO ACEITES AS PROPOSTAS APRESENTADAS EM ENVELOPE FECHADO, CONTENDO NO SEU EXTERIOR INDICAÇÃO DO PROCESSO, ENVIADAS ATÉ 48 HORAS ANTES DA ABERTURA DE PROPOSTAS OU, ENTREGUES PESSOALMENTE NA DATA E HORA DE ABERTURA DE PROPOSTAS.
• A PROPOSTA TERÁ DE VIR ACOMPANHADA DE CHEQUE DE 10% À ORDEM DA MASSA, SOBRE O VALOR DA OFERTA, A TÍTULO DE CAUÇÃO.
Deverão, ainda, as propostas a apresentar vir dirigidas ao Processo de Insolvência, instruídas com o endereço e contactos do proponente e fotocópia do B.I. /C.C. (no caso de se tratar de pessoa singular) ou de cartão de identificação de pessoa coletiva (no caso de se tratar de pessoa coletiva) do respetivo proponente sob pena de aquelas que não cumprirem este requisito serem liminarmente rejeitadas. Até oito dias antes da abertura de propostas, facultar-se-á o acesso ao interior do imóvel, bastando para tal contactar o escritório do Administrador de Insolvência Dr. Ademar Leite, através do Tel. 916041621.
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SAIR
CINEMAS
Lisboa
Cinema City Alvalade Av. de Roma, nº 100. T. 218413040 Silêncio M14. 17h40, 21h20, 23h50; A Morte de Luís XIV 13h20 ; Manchester by the Sea M14. 18h30; Elementos Secretos M12. 13h10, 15h50, 18h40, 21h35, 00h15; Lion - A Longa Estrada Para Casa M12. 21h30; A Mãe é que Sabe M12. 13h30; Zeus M12. 15h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h15, 15h55, 18h35, 21h25, 00h05; A Dançarina 00h30; Cantar! M6. 11h (V.Port./2D); Ozzy M6. 11h30 (V.Port./2D); Ovelhas e Lobos M6. 11h20
(V.Port./2D)
Cinema Ideal Rua do Loreto, 15/17. T. 210998295 Vida Activa: O Espírito de Hannah Arendt M12. 17h20; Silêncio M14. 14h30; Ama-San M12. 19h45; Uma Discussão com 50 Anos M12. 22h CinemaCity Campo Pequeno Centro de Lazer. T. 217981420 Resident Evil: Capítulo Final M16. 13h50, 21h40 (2D), 00h30 (3D); Passageiros 19h10; Silêncio M14. 15h40, 17h50, 21h20, 23h45; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h15, 15h45, 18h30, 21h10, 23h50; Elementos Secretos M12. 13h40, 16h10, 18h45, 21h40, 00h20; Manchester by the Sea M14. 21h35; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h10, 19h25, 00h25; Fragmentado M16. 13h20, 16h, 18h50, 21h45, 00h15; Rogue One: Uma História de Star Wars 21h; Ozzy M6. 11h15, 13h45, 15h45, 17h35 (V.Port./2D) ; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h10, 15h55, 18h40, 21h25, 00h10; O Herói de Hacksaw Ridge M14. 24h; Beleza Colateral 13h05, 19h40; Cantar! M6. 11h25, 17h15 (V.Port./2D); O Herói da Quinta 11h30 (V.Port./2D); Vaiana M6. 11h20, 15h10 (V.Port./2D); Ovelhas e Lobos M6. 11h15, 15h20 (V.Port./2D) Cinemas Nos Alvaláxia Estádio José Alvalade. T. 16996 Rogue One: Uma História de Star Wars 12h45, 15h40, 18h35, 21h30, 00h25; Resident Evil: Capítulo Final M16. 14h, 16h40, 19h10, 21h50, 00h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h10, 16h, 18h50, 21h40, 00h30; Fragmentado M16. 13h10, 15h50, 18h30, 21h20, 24h; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 12h30, 15h20, 18h10, 21h, 23h50; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h35, 16h15, 18h40, 21h10, 00h10; Silêncio M14. 13h50, 17h20, 20h50, 23h35; Elementos Secretos M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h10; O Nome do Medo M16. 21h35, 23h55; Cantar! M6. 11h15, 13h50, 16h20, 18h55 (V.Port./2D); Beleza Colateral 14h30, 16h50, 19h15, 22h, 00h15; A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas M18. 21h25, 00h15; Assassin’s Creed M14. 19h, 21h45, 00h20; Ozzy M6. 11h, 13h20, 15h30, 17h50 (V.Port./2D); Aqui Há Gato! M6. 11h, 13h40, 15h50 (V.Port./2D) Cinemas Nos Amoreiras Av. Eng. Duarte Pacheco. T. 16996 SilêncioM14. 13h30, 17h30, 20h50, 00h10; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h, 15h50, 16h20, 18h40, 19h10, 21h30, 22, 00h20; FragmentadoM16. 12h50, 15h30, 18h20, 21h10, 23h50; Cantar! M6. 13h40 (V.Port./2D); Manchester by the Sea M14. 12h30, 15h20, 21h20, 00h15; O Divã de Estaline M12. 18h30;MoonlightM16. 13h10, 15h40, 18h10, 21h, 23h30;ElementosSecretosM12. 12h40, 16h, 18h50, 21h40, 00h25 Cinemas Nos Colombo Av. Lusíada. T. 16996 Aqui Há Gato! M6. 13h05, 15h20, 17h50 (V.Port./2D); Assassin’s Creed M14. 19h; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 12h30, 15h25, 18h20, 21h15, 00h20; xXx:
O Regresso de Xander Cage M12. 13h,
15h50, 21h50, 00h35; La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h40, 18h35, 21h30, 00h25; Fragmentado M16. 12h40, 15h30, 18h15, 21h, 23h50 ; Elementos Secretos M12. 13h10, 16h, 18h50, 21h40, 00h30; Ozzy M6. 13h20, 16h10, 18h30 (V.Port./2D); Silêncio M14. 13h40, 17h10, 20h45, 00h15; Nos Limites da Lei M16. 20h55, 23h40; Resident Evil: Capítulo Final M16. 20h50, 23h30; Resident Evil:
Capítulo Final M16. Sala Imax 13h30, 16h20, 18h45, 21h20, 24h (3D) Cinemas Nos Vasco da Gama Parque das Nações. T. 16996 xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h, 15h30, 18h10, 21h10, 23h50; Silêncio M14. 13h40, 17h30; Elementos Secretos M12. 13h10, 15h50, 18h40, 21h30, 00h30; Cantar! M6. 11h, 14h (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h40, 18h30, 21h20, 00h10; Fragmentado M16. 13h20, 16h, 18h50, 21h40, 00h20; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 16h30, 19h30, 22h20; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h, 24h
Cinemateca Portuguesa R. Barata Salgueiro, 39 . T. 213596200 Fim-de-Semana M16. 15h30; À Beira do Fim M12. 15h30; Cinco Covas no Egipto 21h30 Medeia Monumental Av. Praia da Vitória, 72. T. 213142223 La La Land: Melodia de Amor M12. 11h40, 14h10, 16h40, 19h10, 21h45, 00h10; Manchester by the Sea M14. 12h30; Silêncio M14. 15h15, 18h15, 21h30; Moonlight M16. 13h20, 15h30, 17h40, 19h50, 22h, 00h15; O Divã de Estaline M12. 11h50, 13h50, 15h50, 17h50, 19h50; Fragmentado M16. 21h50, 00h15 Nimas Av. 5 Outubro, 42B. T. 213574362 As Asas do Desejo M12. 14h, 16h30, 19h,
21h30
UCI Cinemas - El Corte Inglés Av. Ant. Aug. Aguiar, 31. Toni Erdmann 16h30; Aliados M14. 13h45; Miss Sloane - Uma Mulher de Armas M12. 14h05, 17h, 21h40, 00h30; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h35, 16h20, 19h05, 21h15, 21h50, 00h30; Rogue One: Uma História de Star Wars 13h40; Silêncio M14. 13h55, 17h30, 18h20, 21h10; O Herói de Hacksaw Ridge M14. 18h50; Lion - A Longa Estrada Para Casa M12. 13h40, 16h30, 19h10, 21h45, 00h20; Nos Limites da Lei M16. 00h10; Moonlight M16. 14h, 16h45, 19h20, 21h55, 00h25; O Primeiro Encontro M14. 18h55; Beleza Colateral 21h50; Patriots
Day - Unidos Por Boston M12. 14h10, 17h15, 21h20, 00h15; Homenzinhos M12. 16h20; Resident Evil: Capítulo Final M16. 13h55, 21h30, 00h10; Eu, Daniel Blake M12. 19h15; Ozzy M6. 14h05, 16h25 (V.Port./2D); Fragmentado M16. 13h50, 16h30, 19h05, 21h40, 00h20; Elementos Secretos M12. 13h30, 16h15, 19h, 21h45, 00h30; O Divã de Estaline M12. 14h15, 16h2, 21h30, 23h55; A Morte de Luís XIV 16h40, 21h35; Viver na Noite M16. 00h15; xXx:
O Regresso de Xander Cage M12.
00h10; Manchester by the Sea M14. 14h20, 17h20, 21h25, 00h20
Almada
Cinemas Nos Almada Fórum Estr. Caminho Municipal, 1011. T. 16996 Cantar! M6. 13h35, 16h15, 19h10 (V.Port./2D); Assassin’s Creed M14. 13h10, 16h05, 18h55, 21h45, 00h30; La La Land:
Melodia de Amor M12. 12h35, 15h30, 18h30, 21h30, 00h25; Elementos Secretos M12. 12h50, 15h40, 18h20, 21h10, 00h05; Beleza Colateral 21h50, 00h15; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h20, 16h, 18h40, 21h20, 24h; Fragmentado M16. 13h, 15h50, 18h50, 21h40, 00h30; Manchester by the Sea M14. 15h15, 18h15, 21h15,
Em estreia
lazer@publico.pt
Elementos Secretos De Theodore Melfi. Com Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst. EUA. 2016. 127m. Drama. M12. Início da década de 1960. A disputa pela corrida espacial entre os EUA e a União Soviética é uma evidência e nenhum dos países está disposto a perder a oportunidade de colocar o primeiro homem no espaço. Numa época em que os computadores eram ainda muito rudimentares, foram as extraordinárias capacidades de cálculo matemático de três mulheres afro-americanas que definiram as complexas trajectórias que tornaram possível colocar em órbita da Terra o astronauta John Glenn.
Fragmentado De M. Night Shyamalan. Com Haley Lu Richardson, Kim Director, James McAvoy. EUA. 2016. 117m. Terror, Thriller. M16. Diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade, Kevin tem dentro de si 23 identidades distintas. Um dia, rapta três raparigas que aprisiona numa cave. Depois de várias tentativas de fuga, percebem que só entendendo intimamente cada uma das facetas de Kevin poderão encontrar uma forma de sair dali com vida. Mas ele parece esconder uma 24.ª personalidade que espera o momento certo para se revelar
Moonlight De Barry Jenkins. Com Mahershala Ali, Shariff Earp, Duan Sanderson. EUA. 2016.
111m. Drama. M16.
Chiron esforça-se para sobreviver aos maus-tratos da mãe e à constante perseguição das crianças do bairro pobre onde nasceu. Mas, apesar de todas as dificuldades, ainda vai encontrando rostos amáveis que lhe ensinarão o amor e o ajudarão a escapar a um destino de criminalidade quase inevitável.
Patriots Day - Unidos Por Boston De Peter Berg. Com Melissa Benoist, Michelle Monaghan, Mark Wahlberg, J.K. Simmons, Kevin Bacon, John Goodman. EUA. 2016. 130m. Drama. M12. Baseado em factos reais, um filme que ficciona os eventos de 15 de Abril de 2013, quando duas bombas de fabrico artesanal explodiram durante a maratona de Boston, EUA. O atentado, que fez cinco mortos e 280 feridos no total, foi perpetrado por Dzhokhar Tsarnaev e Tamerlan Tsarnaev, dois irmãos norte-americanos de origem tchetchena.
Uma Discussão com 50 Anos De Martin Scorsese, David Tedeschi. EUA/JAP/GB. 2014. 137m. Documentário. M12. Com realização de Martin Scorsese e David Tedeschi, Uma Discussão com 50 Anos é um documentário sobre a influente The New York Review of Books, uma publicação quinzenal que teve início em 1963, quando Robert Silvers, Barbara Epstein e alguns amigos comuns decidiram criar um novo tipo de revista que olhasse a cultura, a economia, a ciência ou a política de um modo original e subversivo.
00h20; Aqui Há Gato! M6. 13h (V.Port./2D); Passageiros 20h55, 23h45; Ozzy M6. 13h15, 15h45, 18h10 (V.Port./2D); Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 12h30, 15h25, 18h25, 21h25, 00h25; Nos Limites da Lei M16. 13h30, 16h10, 18h35, 21h, 23h40; Resident Evil:
Capítulo Final M16. 12h45, 15h20, 18h, 20h50, 23h30; Silêncio M14. 13h40, 17h10, 20h45, 00h10; Resident Evil: Capítulo Final M16. Sala 4DX - 13h45, 16h20, 19h, 21h50, 00h10 (3D); Moonlight M16. 12h55, 15h35, 18h25, 21h05, 23h50
Amadora
CinemaCity Alegro Alfragide C.C. Alegro Alfragide. T. 214221030 Ozzy M6. 11h25, 13h50, 15h50, 18h10 (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 13h15, 15h45, 18h30, 21h10, 21h35, 23h50; Elementos Secretos M12. 13h25, 16h, 18h45, 21h40, 00h20; Aqui Há Gato! M6. 11h15, 13h25, 16h15, 17h35 (V.Port./2D); Moonlight M16. 13h40, 15h25, 19h10, 21h25, 23h40; Silêncio M14. 13h05, 15h50, 17h50, 21h; Resident Evil: Capítulo Final M16. 11h10, 13h15, 19h50, 22h (2D), 00h15 (3D); Beleza Colateral 20h; Passageiros 21h55; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h10, 15h55, 18h40, 21h25, 00h10; Nos Limites da Lei M16. 00h30; O Herói de Hacksaw Ridge M14. 00h10; Lion - A Longa Estrada Para Casa M12. 19h20; Assassin’s Creed M14. 00h25; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 19h55, 22h05, 00h25; Fragmentado M16. 13h40, 16h10, 18h50, 21h30, 24h; Manchester by the Sea M14. 16h10; Vaiana M6. 11h25, 15h10 (V.Port./2D); Cantar! M6. 15h25, 17h45 (V.Port./2D); O Herói da Quinta 11h15, 13h25 (V.Port./2D); Ovelhas e Lobos M6. 11h30, 17h40 (V.Port./2D) UCI Dolce Vita Tejo C.C. da Amadora, Estrada Nacional 249/1, Venteira. T. 707232221 Cantar! M6. 13h45, 16h05 (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 13h40, 16h20, 19h, 21h35, 00h15; Resident Evil:
Capítulo Final M16. 14h20, 16h45, 19h25, 21h50, 00h25; Fragmentado M16. 14h, 16h30, 19h05, 21h40, 00h10; Rogue One: Uma História de Star Wars 21h10, 24h; Assassin’s Creed M14. 19h10, 21h40, 00h15; Ozzy M6. 11h30, 13h55, 16h10, 18h40 (V.Port./2D); Silêncio M14. 14h, 17h30, 21h10; Nos Limites da Lei M16. 16h35, 19h15, 21h30, 23h55; Vaiana M6. 13h35 (V.Orig.2D); Passageiros 00h05; Manchester by the Sea M14. 21h20; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h35, 16h15, 19h, 21h45, 00h10; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 14h10, 16h40, 19h20, 21h50, 00h20; Elementos Secretos M12. 13h50, 16h30, 19h10, 21h45, 00h25; Aqui Há Gato! M6. 14h15, 16h25, 18h50 (V.Port./2D)
Barreiro
Castello Lopes - Fórum Barreiro Campo das Cordoarias. T. 212069440 Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h05, 15h55, 18h35, 21h20, 24h; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h25, 16h, 18h40, 21h15, 23h50; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h10, 23h40; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 21h20, 23h45; Vaiana M6. 11h (V.Port./2D); Cantar! M6. 13h20, 15h50, 18h20 (V.Port./2D); Ozzy M6. 13h, 15h10, 18h10 (V.Port./2D)
Casais
Cinemas Nos CascaiShopping CascaiShopping-EN 9. T. 16996 Aqui Há Gato! M6. 12h50 (V.Port./2D); xXx:
O Regresso de Xander Cage M12. 15h, 18h, 20h50, 23h30; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 12h35, 15h30, 18h35, 21h30, 00h20; Silêncio M14. 13h20, 16h40,
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 41
20h40, 24h; Nos Limites da Lei M16. 21h45, 00h05; La La Land: Melodia de
Amor M12. 12h30, 15h20, 18h15, 21h10, 00h10; Elementos Secretos M12. 13h, 15h40, 18h20, 21h, 23h40; Ozzy M6. 12h45, 15h10, 17h20, 19h30 (V.Port./2D); Resident Evil: Capítulo Final M16. 13h10, 15h50, 18h45, 21h20, 23h50 O Cinema da Villa - Cascais Avenida Dom Pedro I, Lote 1/2 (CascaisVilla Shopping Center). T. 215887311 Cantar! M6. 11h, 15h50 (V.Port./2D)
; O Herói da Quinta 11h, 14h, 16h40
(V.Port./2D); Manchester by the Sea M14. 19h, 21h40; Silêncio M14. 12h, 15h05, 18h, 21h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 11h45, 14h20, 16h50, 19h25, 21h50; Elementos Secretos M12. 11h45, 14h20, 16h50, 19h20, 21h50; Moonlight M16. 13h30, 19h10, 21h30
Caldas da Rainha
Orient Cineplace - La Vie Caldas da Rainha La Vie Caldas da Rainha Shopping Center. Ozzy M6. 13h10, 15h10 (V.Port./2D); xXx:
O Regresso de Xander Cage M12. 14h40, 17h, 19h20, 21h40, 24h; Silêncio M14. 15h, 18h10, 21h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h05; Resident Evil: Capítulo Final M16. 17h10, 19h30, 21h50, 00h15; Cantar! M6. 12h40 (V.Port./2D); Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h20, 16h, 18h40, 21h30,
00h10
Carcavelos
Atlântida-Cine
|
R. |
Dr. Manuel Arriaga, CC. Carcavelos. |
|
T. |
214565653 |
Silêncio M14. 15h, 21h15; La La Land:
Melodia de Amor M12. 15h, 17h30, 21h30
Sintra
Cinema City Beloura Beloura Shopping, R. Matos Cruzadas, EN 9, Quinta da Beloura II, Linhó. T. 219247643 Vaiana M6. 11h10, 13h35, 17h35 (V.Port./2D); Cantar! M6. 11h10, 13h30, 15h40 (V.Port./2D); Ozzy M6. 11h35, 13h35, 15h35, 17h30 (V.Port./2D); Ovelhas e Lobos M6. 11h30, 15h25 (V.Port./2D)
; Silêncio M14. 17h45, 21h20,
23h55; Fragmentado M16. 13h30, 16h, 18h50, 21h55, 00h30; Aqui Há Gato! M6. 11h25, 13h25, 18h (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 13h, 15h40, 18h40, 21h25, 00h05; Beleza Colateral 20h; Moonlight M16. 13h10, 15h20, 19h40, 21h50, 24h; Lion - A Longa Estrada Para Casa M12. 21h35; Resident Evil: Capítulo Final M16. 20h, 22h; Rogue One: Uma História de Star Wars 19h; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 21h45, 00h05; Silêncio M14. 15h50; Passageiros 00h25; Manchester by the Sea M14. 00h10; Elementos Secretos M12. 13h05, 15h45, 18h30, 21h30,
00h10
Castello Lopes - Fórum Sintra Loja 2.21 - Alto do Forte. T. 219184352 Elementos Secretos M12. 13h05, 15h50, 18h40, 21h30, 00h10; Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h, 15h40, 18h30, 21h20, 24h; La La Land:
Melodia de Amor M12. 15h45, 18h20, 21h25; Fragmentado M16. 13h10, 15h30, 18h20, 21h40, 00h15; Silêncio M14. 15h, 18h, 21h; Cantar! M6. 11h, 13h15, 15h35, 18h30 (V.Port./2D); xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 15h20, 21h45, 00h05; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h15, 23h50; Trolls M6. 11h (V.Port./2D); Vaiana M6. 11h (V.Port./2D); O Herói da Quinta 11h, 13h15 (V.Port./2D); Ozzy M6. 11h, 13h (V.Port./2D); Aqui Há Gato! M6. 11h, 13h15, 18h (V.Port./2D); O Nome do Medo M16. 00h20; Nos Limites da Lei M16. 00h20
Leiria
Cinema City Leiria
Rua Dr. Virgílio Vieira Cunha. T. 244845071
Ozzy M6. 11h30, 13h35, 15h40 (V.Port./2D); xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 11h15, 13h20, 15h30, 17h40, 21h45, 00h30; Silêncio M14. 17h45, 21h20; Fragmentado M16. 13h30, 16h, 18h55, 21h40, 00h10; Elementos Secretos M12. 13h10, 15h50, 18h30, 21h30, 00h15; Resident Evil: Capítulo
Final M16. 13h50, 19h50, 22h (2D), 00h25
(3D); Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h10, 15h55, 18h40, 21h25, 00h10; La La Land: Melodia de Amor M12. 16h, 18h50, 21h35, 00h20; Vaiana M6. 11h25, 17h55 (V.Port./2D); Cantar! M6. 11h20, 15h35 (V.P./2D); Porquê Ele? M12. 00h05; Ovelhas
e Lobos M6. 13h40 (V.P./2D)
Cineplace - Leiria Shopping
CC Leiria Shopping, IC2. T. 244826516
xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 14h30, 19h20, 21h40, 24h; La La Land:
Melodia de Amor M12. 13h20, 16h, 18h40, 21h30, 00h10; Cantar! M6. 17h (V.Port./2D); Resident Evil: Capítulo Final M16. 14h50, 17h10, 21h50, 00h05 (2D), 19h30 (3D); Ozzy M6. 13h10, 15h10, 17h10, 19h10 (V.Port./2D); Elementos Secretos M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h10; Patriots
Day - Unidos Por Boston M12. 16h20, 19h, 21h40, 00h20; Silêncio M14. 15h, 18h10, 21h20; Ovelhas e Lobos M6. 13h50 (V.P./2D)
Loures
Cineplace - Loures Shopping Quinta do Infantado, Loja A003. Ozzy M6. 13h10, 15h20, 17h20
(V.Port./2D); xXx: O Regresso de Xander
Cage M12. 19h20, 21h40, 24h; Cantar! M6. 17h10 (V.Port./2D); Resident Evil:
Capítulo Final M16. 14h50, 19h30, 21h50, 00h15; Elementos Secretos M12. 13h20, 16h, 18h40, 21h30, 00h10; Silêncio M14. 15h, 18h10, 21h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h05; Fragmentado M16. 14h10, 16h40, 19h10, 21h40, 00h10; Assassin’s Creed M14. 21h10, 23h40; Ovelhas e Lobos M6. 12h50 (V.Port./2D); Aqui Há Gato! M6. 13h, 15h10, 17h10, 19h10 (V.Port./2D)
Montijo
Cinemas Nos Fórum Montijo C. C. Fórum Montijo. T. 16996 La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h40, 18h30, 21h15, 00h05; Fragmentado M16. 13h20, 16h,
18h40, 21h30, 00h10; Ozzy M6. 13h, 15h15, 17h25, 19h35 (V.Port./2D); Patriots Day
- Unidos Por Boston M12. 12h40, 15h30,
18h20, 21h10, 24h; xXx: O Regresso de
Xander Cage M12. 13h15, 15h50, 18h15, 21h05, 00h20; Silêncio M14. 13h10, 17h, 21h, 23h30; Resident Evil: Capítulo Final M16.
21h45, 00h15
Odivelas
Cinemas Nos Odivelas Parque
|
C. |
C. Odivelasparque. |
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T. |
16996 |
Ozzy M6. 13h, 15h, 17h10, 19h10 (V.Port./2D); Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h, 15h40, 18h30, 21h20, 24h; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h20, 15h50, 18h20, 21h10, 24h; Silêncio M14. 13h30, 17h, 20h50, 23h35; La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h30, 18h15, 21h, 23h50; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h30, 24h
Oeiras
Cinemas Nos Oeiras Parque
C. C. Oeirashopping. T. 16996
Cantar! M6. 12h45, 15h20, 18h10 (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 12h40, 15h35, 18h35, 21h30, 00h25; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h, 23h40; Fragmentado M16. 13h, 15h40, 18h20, 21h10, 23h55; Elementos Secretos M12. 12h50, 15h45, 18h40,
21h40, 00h30; Moonlight M16. 13h10, 15h50, 18h30, 21h20, 24h; Vaiana M6. 10h40 (V.P./2D); Manchester by the Sea M14. 12h30, 15h25, 18h25, 21h25, 00h30; Silêncio M14. 13h05, 16h40, 20h50,
00h20
Miraflores
Cinemas Nos Dolce Vita Miraflores
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C. |
C. Dolce Vita - Av. das Túlipas. |
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T. |
707 CINEMA |
Cantar! M6. 15h10, 17h40 (V.Port./2D); Rogue One: Uma História de Star Wars 22h; Assassin’s Creed M14. 21h20, 23h50; Ozzy M6. 15h20, 18h20 (V.Port./2D); xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 21h10, 23h40; Resident Evil:
Capítulo Final M16. 15h30, 18h30, 21h30, 24h; Aqui Há Gato! M6. 15h, 17h20, 19h30
(V.Port./2D)
Torres Novas
Castello Lopes - TorreShopping Bairro Nicho - Ponte Nova. T. 249830752 Vaiana M6. 10h55 (V.Port./2D); Cantar! M6. 13h10, 15h40, 18h10 (V.Port./2D); Assassin’s Creed M14. 13h, 15h30; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 18h20, 21h10, 23h40; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h15,
15h50, 18h30, 21h20, 23h45; Resident Evil:
Capítulo Final M16. 21h30, 24h
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ASESTRELAS DO PÚBLICO |
Jorge Mourinha |
Luís M. Oliveira |
Vasco Câmara |
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A Desaparecida, o Aleijado |
mmmmm |
– |
– |
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As Asas do Desejo |
mmmmm |
mmmmm |
mmmmm |
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Ama-San |
mmmmm |
mmmmm |
– |
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Elementos Secretos |
mmmmm |
– |
– |
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Fragmentado |
– |
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– |
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La La Land |
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Moonlight |
mmmmm |
mmmmm |
mmmmm |
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Patriots Day |
mmmmm |
mmmmm |
– |
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Silêncio |
mmmmm |
mmmmm |
mmmmm |
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Uma Discussão com 50 Anos |
mmmmm |
– |
mmmmm |
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a Mau m mmmm Medíocre mm mmm Razoável mmm mm Bom mmmm m Muito Bom mmmmm Excelente |
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Torres Vedras
Cinemas Nos Torres Vedras C.C. Arena Shopping. T. 16996 Silêncio M14. 13h30, 17h, 20h45, 24h; La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h40, 18h30, 21h30, 00h20; Ozzy M6. 14h, 16h15 (V.Port./2D); Patriots Day - Unidos Por
Boston M12. 12h40, 15h30, 18h20, 21h10,
00h05; Resident Evil: Capítulo Final M16. 19h, 21h45, 00h25; Fragmentado M16. 13h15, 16h, 18h40, 21h20, 00h10
Santarém
Castello Lopes - Santarém Largo Cândido dos Reis. T. 243309340 Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h, 15h40, 18h30, 21h20, 24h; La La Land: Melodia de Amor M12. 16h, 18h40, 21h30, 00h10; Elementos Secretos M12. 13h15, 16h10, 18h50, 21h40, 00h15; xXx:
O Regresso de Xander Cage M12. 21h10,
00h20; Silêncio M14. 14h, 17h30, 21h, 23h30; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h40, 00h05; Vaiana M6. 13h20 (V.Port./2D); Cantar! M6. 13h20, 15h50, 18h20 (V.Port./2D); O Herói da Quinta 11h20 (V.Port./2D); Ozzy M6. 11h, 13h30, 16h15, 18h20 (V.Port./2D)
Setúbal
Auditório Charlot Av. Dr. António Manuel Gamito, 11. T. 265522446 La La Land: Melodia de Amor M12. 21h30; O Divã de Estaline M12. 16h Cinema City Alegro Setúbal C.C. Alegro Setúbal. T. 265239853 Porquê Ele? M12. 21h50; Assassin’s
Creed M14. 19h30, 00h20; O Nome
do Medo M16. 00h05; Elementos Secretos M12. 13h15, 15h45, 18h30, 21h30, 00h10; Vaiana M6. 11h10 (V.Port./2D); Ozzy M6. 11h25, 13h30, 15h30, 17h30 (V.Port./2D); Ovelhas e Lobos M6. 11h20 (V.Port./2D); Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 13h10, 15h55, 18h40, 21h25, 00h10; La La Land:
Melodia de Amor M12. 13h35, 16h10, 18h50, 21h35, 00h15; La La Land: Melodia de Amor M12. 21h30; O Divã de Estaline M12. 16h; Cantar! M6. 11h10, 13h30, 16h15, 18h50 (V.Port./2D) ; Silêncio M14. 13h05, 15h40, 18h35, 21h10, 23h55; xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 13h15, 15h25, 17h35, 21h55, 00h20; Fragmentado M16. 13h25, 16h, 19h, 21h40, 00h15; Beleza Colateral 22h; Resident Evil: Capítulo Final M16. 19h45, 21h45 (2D), 17h40, 24h (3D); Aqui Há Gato! M6. 11h30, 13h40, 15h40, 20h (V.Port./2D)
Seixal
Cineplace - Seixal Qta. Nova do Rio Judeu. xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 14h40, 17h, 19h20, 21h40, 00h10; Cantar! M6. 16h50 (V.Port./2D); Resident Evil: Capítulo Final M16. 14h30, 19h10, 21h40, 23h55; Fragmentado M16. 14h, 16h30, 19h, 21h30, 24h; Ozzy M6. 13h10, 15h10, 17h10, 19h10 (V.Port./2D); Silêncio M14. 15h, 18h10, 21h20; La La Land: Melodia de Amor M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h05; O Herói da Quinta 12h40 (V.Port./2D); Assassin’s Creed M14. 21h10, 23h40; Nos Limites da Lei M16. 21h50, 00h15; Aqui Há Gato! M6. 13h50, 15h50, 17h50, 19h50 (V.Port./2D)
Faro
Cinemas Nos Fórum Algarve C. C. Fórum Algarve. T. 289887212 Ozzy M6. 10h50, 13h20 (V.Port./2D); Silêncio M14. 12h40, 16h05; La La Land: Melodia de Amor M12. 12h50, 15h35, 18h20, 21h20, 00h05; Fragmentado M16. 13h, 15h45,
SAIR
18h40, 21h30, 00h10; Elementos Secretos M12. 13h10, 15h55, 18h30, 21h10,
23h45; Cantar! M6. 10h50 (V.Port./2D); xXx:
O Regresso de Xander Cage M12. 15h25,
18h, 21h, 23h35; Resident Evil: Capítulo Final M16. 19h20, 21h40, 24h;
Albufeira
Cineplace - AlgarveShopping Estrada Nacional 125 - Vale Verde.
Patriots Day - Unidos Por Boston M12. 16h10, 18h50, 21h30, 00h10; xXx:
O Regresso de Xander Cage M12.
14h40, 17h, 21h40, 23h55 (2D), 19h20 (3D); Assassin’s Creed M14. 21h10, 23h40; Ozzy M6. 13h10, 15h10, 17h10, 19h10 (V.Port./2D); Elementos Secretos M12. 13h20, 16h, 18h40, 21h20, 24h; Silêncio M14. 18h10, 21h20; Moonlight M16. 14h50, 17h10, 19h30, 21h50, 00h15; Aqui Há
Gato! M6. 14h10, 16h10 (V.Port./2D); La La Land: Melodia de Amor M12. 13h30, 16h10, 18h50, 21h30, 00h05; Resident Evil:
Capítulo Final M16. 14h40, 17h10, 19h30, 21h50, 00h20; Fragmentado M16. 14h10, 16h40, 19h10, 21h40, 00h10; Vaiana M6. 14h40 (V.Port./2D); Cantar! M6. 13h50 (V.Port./2D); O Herói da Quinta 12h50
(V.Port./2D)
Olhão
Algarcine - Cinemas de Olhão C.C. Ria Shopping. T. 289703332 xXx: O Regresso de Xander Cage M12. 15h30, 19h30, 21h30, 23h45; Nos Limites da Lei M16. 19h30; La La Land:
Melodia de Amor M12. 15h30, 18h30, 21h30, 23h45; Cantar! M6. 13h15, 17h30 (V.Port./2D); Ozzy M6. 13h15, 15h15, 17h15 (V.Port./2D); Silêncio M14. 21h30
Tavira
Cinemas Nos Tavira
R. Almirante Cândido dos Reis. T. 16996
Ozzy M6. 11h, 13h10, 15h40, 18h05 (V.Port./2D); Silêncio M14. 14h, 17h30, 21h, 00h10; La La Land: Melodia de Amor M12. 12h40, 15h20, 18h10, 21h05, 23h50; Patriots
Day - Unidos Por Boston M12. 12h45, 15h35, 18h20, 21h10, 00h05; Fragmentado M16. 12h55, 15h30, 18h30, 21h30, 00h10; Resident Evil: Capítulo Final M16. 21h20,
23h45
TEATRO
Lisboa
A Barraca Largo de Santos, 2. T. 213965360 PREC no Prato! Comp.: Astronauta - Associação Cultural. Com António Leite, Francisco Leite Silva, Simão Barros. De 3/2 a 4/2. 6ª e Sáb às 21h30. Casino Lisboa Alameda dos Oceanos Lote 1.03.01 - Parque das Nações. T. 218929000
A Incrível Fábrica dos Oceanos De Ana
Rangel. Enc. Carlos Artur Thiré. De 14/1 a 4/2. Sáb às 16h30 (Auditório dos Oceanos). Os Dias Realistas Enc. Marcos Barbosa. Com Catarina Furtado, João Reis, Manuela Couto, Paulo Pires. De 11/1 a 19/3. 4ª às 21h30. 5ª a Sáb às 21h30. Dom às 17h. M/12.
Chapitô
R. Costa do Castelo, 1/7. T. 218855550
ATM - Atelier de Tempos Mortos Com Jorge Cruz, Ramon de Los Santos, Susana Nunes e Tiago Viegas. Comp.: Chapitô. Enc. Cláudia
Nóvoa e José Carlos Garcia. De 2/2 a 26/3. 5ª
a Dom às 22h.
Estrela Hall
Rua da Estrela, 10. T. 213961946
A Cantora Careca Enc. João Telmo. De 26/1
a 11/2. 5ª a Sáb às 21h. Dia 5/2 às 16h.
Hospital Júlio de Matos Av. Brasil, 53. T. 217917000
42 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
SAIR
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 43
FICAR
CINEMA
Operação Eye in the Sky TVC1, 21h30
A coronel Katherine Powell,
oficial da inteligência militar com sede em Londres (Inglaterra), comanda uma arriscada missão para capturar vários membros do grupo terrorista Al-Shabaab, em Nairobi. Mas quando, através das imagens conseguidas por drones, Powell se apercebe que eles possuem coletes armadilhados que indicam que se estão a preparar para um atentado suicida, os planos mudam e a resolução imediata é abatê-los. As ordens são para bombardear
o local onde estão reunidos,
até Steve Watts, o piloto de um dos drones utilizados para reconhecimento, se dar conta de um detalhe perturbador: a existência de uma menina dentro da zona demarcada. De Gavin Hood, com Helen Mirren, Aaron Paul e Alan Rickman.
A Namorada do Meu Melhor Amigo AXN White, 22h Dustin recorre ao seu melhor amigo, Tank, para o ajudar a
reconquistar Alexis, a rapariga dos seus sonhos que pôs fim
à relação após cinco semanas
de namoro. Tank é especialista em reatar relações e passa a vida a ser solicitado por amigos abandonados pelas respectivas namoradas. O plano é simples:
Tank convida-as para sair e oferece-lhes o pior encontro romântico da vida delas,
transforma-lhes essa noite num inferno. Mas com Alexis o seu método parece não resultar,
e Tank vê-se dividido entre a
lealdade para com o seu melhor
amigo e a atracção que sente pela
rapariga
com Kate Hudson.
De Howard Deutch,
Quem Tramou Roger Rabbit? TVC2, 22h Resultado da mistura de criaturas de animação com actores de carne e osso, Quem Tramou Roger Rabbit? foi um dos filmes mais populares da década de 1980. O coelho Roger Rabbit desconfia da sua sensual mulher, Jessica (voz de Kathleen Turner), e contrata o detective humano Eddie Valliant (Bob Hoskins) para a vigiar. Mas Roger acaba acusado de homicídio e tem de enfrentar a ira do juiz Doom (Christopher Lloyd). De Robert Zemeckis, ganhou três dos seis Óscares para os quais foi nomeado:
efeitos visuais, efeitos sonoros e montagem.
DANÇA
Souls RTP2, 22h15 Uma peça de um dos mais aclamados coreógrafos da dança contemporânea, Olivier Dubois, que coloca seis bailarinos,
oriundos de seis países africanos, numa viagem através da vida e da morte. Um diálogo intimista,
a um ritmo lento, com o qual
Dubois explora a habilidade de cada pessoa para mudar o seu destino e até o do mundo. “Imagine que nós, seis milhões de seres humanos, decidimos simultaneamente dar um passo na direcção oposta à rotação da Terra ”
SÉRIE
Rods n’ Wheels Discovery, 21h Em estreia, uma nova oficina que promete apaixonar os fãs
de restauro de carros clássicos.
A proposta é para seguir o
trabalho da oficina Da Rod Shop, fruto do esforço dos sonhadores Billy Derian e Steve Reck, dois veteranos amigos que conseguiram converter o seu amor pela mecânica em toda uma referência para os amantes da cultura do motor do Sul da Califórnia.
DOCUMENTÁRIO
Conspirações Secretas Discovery, 21h30 Uma série documental que analisa alguns dos momentos mais enigmáticos das mais famosas instituições dos Estados Unidos. Neste episódio, os fundadores americanos que usaram o sexo como instrumento de diplomacia e aquele que ridicularizou, secretamente, Jesus.
INFANTIL
Impy na Terra da Magia (v. port.) SIC, 10h30 Em Tikiwu, a paradisíaca ilha habitada pelo professor Horatio Tibberton e as suas criaturas falantes, é o dia de aniversário
de Impy e o doce dinossauro está ansioso. O dia acaba por ser uma grande decepção. É então que, ciumento e muito aborrecido, Impy resolve mudar a sua vida. E tem a sua oportunidade quando conhece Barnaby, um empresário de poucos escrúpulos.
44 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
CRIANÇAS
DR
Começa amanhã o Indie Júnior Allianz — 1.º Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto
CINEMA
Porto
Indie Júnior Allianz — 1.º Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto Teatro Rivoli (R. do Bonjardim 143). T. 223392200 Amanhã, às 16h30. Gratuito, mediante levantamento de bilhete Começa amanhã o Indie Júnior Allianz e vai até dia 12 de Fevereiro. Durante oito dias podem ser vistos mais de 60 filmes de 20 países, para crianças e jovens, organizados em programas para famílias, escolas e público em geral. A sessão de abertura, no Rivoli, faz-se com a comédia Até o Céu Leva Mais ou Menos 15 Minutos, uma viagem cómica de Camila Battistetti. “Quem nunca ficou trancado no carro com crianças com sono vai finalmente poder ter esta experiência limite”, descreve a organização. Este primeiro dia do festival conta com a apresentação especial da actriz Patrícia Queirós. Ao longo da semana, as sessões de cinema distribuem-se por mais dois
espaços: a Biblioteca Municipal Almeida Garrett e o Cinema Trindade. Fazem parte
da programação filmes de animação, ficção
e documentário inseridos numa selecção
criteriosa, tendo em conta o público a que se destina: +3 anos, +6 anos, +10 anos, +13 anos e +16 anos; no caso das escolas: pré-
escolar, 1.º, 2.º e 3.º ciclos e secundário. A encerrar, no dia 12, às 16h, no Rivoli, haverá
a cerimónia de entrega de prémios e a
exibição de um dos filmes vencedores. Também lá estará a actuar a Orquestra Juvenil da Bonjóia, interpretando temas musicais ligados ao cinema.
TEATRO
Barreiro
A Menina do Mar Auditório Municipal Augusto Cabrita (Avenida Escola de Fuzileiros Navais — Parque da Cidade). T. 212070578 Hoje, às 16h. Para maiores de 6 anos. Preço: 3€ Adaptação do livro de Sophia de Mello Breyner sobre a amizade entre um rapaz e
uma menina que vive no mar. Ela é bailarina
da da Gra Grande Raia, uma rainha dos mares que
mant mantém sob vigilância. Já o rapaz tem o
desejo de conhecer o fundo do oceano.
Integrada no Ciclo Palmo e Meio, a peça
inter interpretada pela companhia Teatro da
Terra, Terra, n numa encenação de Maria João Luís.
ESPECTÁCULOS
Braga
Theatro Circo (Avenida da Liberdade, 697).
253203800
2532
Hoje Hoje (à (às 16h) e amanhã (10h). Para crianças
até até aos ao 5 anos. Preços: 5€ (c/descontos)
Um Um es espectáculo de música e marionetas
para par bebés. Onde também entra o
mar. ma Daí o título Conchas, numa co-
produção pr luso-norueguesa. Aqui se
conta co a história de viajantes, pintados
na na tela, te reais e imaginários, procurando
privilegiar e envolver o público. A grande
inspiração foi o mar e todo o seu universo,
Conchas
uma vez que é, por excelência, o elemento comum a Portugal e Noruega. Partindo da memória colectiva dos dois países, o
cruzamento entre a música e as marionetas,
a
vida ao espectáculo. Além de explorar a memória colectiva comum aos dois países,
expressão dramática e corporal deram
funde foneticamente amente as as respectivas respectivas línguas, línguas,
apresentando novos novos sons sons e e palavras. palavras.
LEITURAS
Lisboa
Revista Triciclo
Livraria Its’a Book (Rua Forno do Tijolo
n.º 30 – A). T. 914587805
Hoje, às 16h
Na nova livraria Its’a Book, é
lançada uma nova nova revista revista infantil, infantil,
de nome Triciclo, clo, que que adopta adopta a a
designação da microeditora que
a
cria e produz. z. Com Com uma uma edição edição
limitada (80 exemplares), xemplares), neste neste
primeiro número,
os leitores são
convidados a passar o dia com o André
(24 horas, uma por
cada página), entretidos
através da realização
de vários passatempos. atempos.
Os autores, Ana na Braga, Braga,
Inês Machado e e Tiago Tiago
Guerreiro, dizem em que que
o
sairá daqui a seis eis meses, meses,
próximo número, mero, que que
não será exclusivamente
de passatempos. os. Até Até
lá, vão organizar
oficinas de ilustração
na mesma livraria
(dia 25 de Fevereiro ereiro e e
4 de Março, 16h) 6h) para para
crianças dos 5 5 aos aos 10 10
anos. Os adultos tos terão terão
de esperar por 11 de
Março. A Triciclo clo é é
impressa em risografia
a
14 euros.
duas cores e custa custa
lazer@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 45
JOGOS
CRUZADAS9788
Horizontais: 1. Não continuar. Peixe de água doce. 2. Corrigir. Prefixo (mon- tanha). 3. Coisa nenhuma. Parar. 4. Qualquer símbolo de uma vitória. Caminhava para lá. 5. Irritar-se. Bário (s.q.). 6. Redução das formas linguísticas “de” e “a” numa só. Bichano. 7. Esférico. Naquele lugar. 8. Haste horizontal da charrua. Ouro falso. 9. Espécie de farinha que se extrai da parte central das hastes de várias palmeiras. Capa que desce, normalmente, quase até aos pés, com cabeção e capuz. 10. Grávida. Erva-doce.
11. Autores (abrev.). Apelido. Enredo.
Verticais: 1. Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cin- co. Pequena lasca. 2. Gostar muito. Conserta. 3. Contorno. Magistrado supe- rior das antigas repúblicas de Veneza e Génova. 4. Gordo. Alguns. 5. Símbolo do rad (Física). Madeira muito rija, pesada e muito escura, utilizada em marcenaria de luxo. Existe. 6. Neste lugar. Palavra italia- na que significa líder. 7. Sem preparação. Neste momento. 8. Malhadouro. Tornar volumoso ou balofo. 9. Grupo de pesso- as em círculo. Tareia (gíria). 10. Redução
de para. Impresso para preencher. 11. Grande artéria. Não ferida.
Depoisdoproblemaresolvidoencontre o título de um filme com Kevin Spacey (3 palavras).
Solução do problema anterior:
Horizontais: 1. Seral. Rosca. 2. Exir. Aurora. 3. Nem. FBI. Rir. 4. Gal. Imita. 5. PERIGO. Xe. 6. As. Ai. COISA. 7. TEM. Enodoar. 8. Insere. PR. 9. Noutro. Sai. 10. Sã. Cavaco. 11. Roda. Orlar. Verticais: 1. Sen. Pata. Sr. 2. Exegese. NÃO. 3. Rimar. Mio. 4. Ar. Lia. Nuca. 5. Giesta.
6. Abio. Nervo. 7. RUIM. Coroar. 8. Or. Ixode. Cl. 9. Sorteio. Soa. 10. Cria. Sapa. 11. Aar.
Barril. Provérbio: Coisa ruim não tem perigo.
BRIDGE
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Dador: Sul |
distribuição dos trunfos, faltará entra- das no morto para poder reduzir os seus trunfos. |
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|
Vul: Todos |
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A boa linha de jogo: Ás de copas e copa |
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NORTE |
cortada, espada para o Rei e nova copa |
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♠ KQ |
cortada. Ás de paus e de volta ao mor- |
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|
♥ A754 |
to na Dama de espadas para verificar a |
||||||
|
♦ J10532 |
distribuição dos trunfos. Se todos assis- |
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|
♣ 82 |
tiram até aqui, então basta vir à mão no |
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|
OESTE |
ESTE |
Rei de paus e acabar de destrunfar. Mas, os trunfos estão encostados em Este e agora tudo o que há a fazer é apresentar |
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|
♠ 6 |
♠ J542 |
o Valete e o 10 de ouros firmes (baldan- |
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|
♥ 1098 |
♥ KQJ63 |
do o Rei e a Dama de paus se Este não cortar). Se Este cortar alguma vez, tere- mos a possibilidade de recortar e acabar de destrunfar. Considere o seguinte leilão: |
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♦ AKQ |
♦ 94 |
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♣ 1097543 |
♣ J5 |
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|
SUL |
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♠ A109873 |
Oeste |
Norte |
Este |
Sul |
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♥ 2 |
1♦ |
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|
♦ 876 |
passo |
1♥ |
passo |
2♣ |
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|
♣ AKQ |
passo |
3♥ |
passo |
? |
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|
Oeste |
Norte |
Este |
Sul |
O que marca com a seguinte mão? ♠J6 ♥6 ♦AQJ97 ♣AKJ95 |
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1♠ |
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|
passo |
1ST |
passo |
2♠ |
Resposta: As copas não são automa- ticamente a denominação do contra- to final só porque o parceiro deu salto. Esta é uma boa mão com vazas rápidas, portanto justifica falar novamente. Mas, porque não sugerir um trunfo diferente, só para o caso em que o parceiro pos- sa ter apoio num dos naipes pobres. Marque 4 paus. |
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|
passo |
3♠ |
passo |
4♠ |
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Todos passam |
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|
Leilão: Qualquer forma de Bridge. |
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Carteio: Saída: A♦. Oeste joga Ás, Rei e Dama de ouros (Este balda um pau) e depois o 10 de copas. Como continua- ria? |
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|
Solução: Sul não terá qualquer pro- blema se o Valete de espadas cair, por- tanto tem de se precaver contra a pos- sibilidade de esse Valete poder estar à quarta em Este (se ele estiver à quarta em Oeste, não haverá forma de poder cumprir esta partida). |
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|
Para o poder capturar terá de ser num final em que Sul deverá ter o mesmo nú- mero de trunfo que Este e que tenha a |
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|
mão no morto. Se fizer a vaza com o Ás de copas e jogar de imediato o Rei e a Dama de espadas, para constatar a má |
João Fanha/Pedro Morbey (bridgepublico@gmail.com) |
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SUDOKU
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Problema |
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7350 |
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Dificuldade: |
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Fácil |
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Solução do |
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problema 7348 |
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Problema |
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7351 |
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Dificuldade: |
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Difícil |
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Solução do |
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problema 7349 |
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© Alastair Chisholm 2008 and www.indigopuzzles.com
46 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
DESPORTO
FC Porto tenta assumir comando uma volta após rasteira do “leão”
Treinador do Sporting assume Palhinha enquanto prepara surpresa para Nuno Espírito Santo, que aposta num “dragão” altamente motivado para recuperar a liderança perdida em Alvalade
Futebol Augusto Bernardino
Jorge Jesus sabe que o clássico de hoje no Dragão pode encerrar a der- radeira oportunidade de reduzir o
fosso para os dois rivais na corrida pelo título, admitindo uma pruden- te navegação à vista — encara um dia de cada vez, para no final tirar ilações — com uma postura ao es- tilo muito próprio do treinador do Sporting: desafiadora e a lembrar que não constitui propriamente uma novidade para o “leão” impor leis em casa do FC Porto. Do lado portista, Nuno Espírito Santo exultava, na conferência da véspera, com o dado novo nesta equação do título: o facto de ter deixado de depender de terceiros.
|
O |
treinador do FC Porto aproveitou |
|
o |
ensejo para deixar uma mensagem |
sobre os mistérios do futebol, em que assume não acreditar piamen- te, pelo menos no que diz respeito ao adversário de hoje, que alega co- nhecer bem. Jesus concorda em parte com uma certa familiaridade, mas lembra que nem ele nem o técnico portista con- seguem ler a mente um do outro. “O treinador do FC Porto tem alguma razão no que diz. Conhecemo-nos bem uns aos outros. Mas nem eu conheço a cabeça dele, nem ele a minha”. A esta declaração, Jesus junta a possibilidade de uma pequena sur- presa. “Pode surgir qualquer coisa
de diferente. São duas equipas com um conhecimento táctico muito evoluído”, confirma, mostrando-se identificado com a realidade portis- ta e revelando apenas o que já to- dos pareciam adivinhar no que diz respeito à vaga deixada pelo castigo de William Carvalho: uma janela de oportunidade para João Palhinha. “Se não acontecer nada até lá ”, sugere, cruzando os dedos enquanto elogia a preponderância do campeão europeu William, mas deixando es- paço para Palhinha — “importante” trunfo para o futuro — se impor. “É verdade que o William Carvalho tem sido um elemento nuclear neste ano
e meio. Não vamos esconder o va-
Corona e Marvin Zeegelaar poderão reencontrar-se esta noite, no Estádio do Dragão
lor do jogador. Mas o Palhinha é um jovem que tem sido importante. Se jogar, de certeza que vai estar bem, pois já deu indicações na Madeira. Confiamos nele, até porque é um jovem para o futuro do Sporting”, considera Jorge Jesus, consciente dos riscos envolvidos a um nível de exigência tão elevada. “Se tivermos que dar um passo atrás, para depois
exclamou, assu-
mindo a titularidade de Palhinha.
Os clássicos têm sempre uma importância acrescida. Neste momento estamos por baixo do FC Porto, mas não é novidade ir ganhar ao Dragão
Jorge Jesus
Sporting
dar dois à frente
”,
Pressionar mais o Benfica
Mas o duelo do Dragão está longe de resumir-se à simples troca de um dos pilares na estratégia do “leão”. Nuno Espírito Santo está quase no ponto pretendido, mas precisa de manter o garrote para explorar a fundo a notória quebra de rendimento do líder Benfi- ca. Daí o rótulo de importân- cia vital associado à conquista
|
Estádio do Dragão Porto |
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FC Porto 4-4-2 |
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Maxi
Casillas
Felipe Marcano
Herrera
Danilo
Palhinha A. Silva
Zeegelaar
R. Semedo Coates
Rui Patrício
A. Telles
Óliver |
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G. Martins Schelotto |
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|
Sporting 4-4-2 |
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|
Árbitro: Hugo Miguel Lisboa |
||
dos três pontos frente ao Sporting. Resultado que colocaria (proviso- riamente ou não) o FC Porto na li- derança da Liga, tornando a pressão sobre as “águias” praticamente insu- portável e rasgando a ferida aberta na confiança do rival. Liderança, essa, que os “dragões” perderam precisamente há uma vol- ta, quando não conseguiram con- servar a vantagem de um golo na deslocação ao Estádio de Alvalade, perdendo uma oportunidade de ouro para capitalizar a estrondosa goleada (3-0) infligida à Roma, em pleno Olímpico, a caminho da fase de grupos da Champions. Assim, perante esta poderosa in- jecção de confiança, fundamental para o revigorar de um FC Porto cada vez mais próximo da máxima força, e com o reforço Soares a ali- mentar a imprevisibilidade do ata- que portista, Jorge Jesus responde de forma assertiva, na tentativa de manter o adversário em sentido. “Pensamos que temos todas as possibilidades de vencer no Dra- gão”, declarou, feliz pela cartada jogada por Bruno de Carvalho numa altura em que pairava a incerteza
sobre o futuro do central Coates (as- sinou até 2022) e da pérola Gelson (renovou). “São dois jogadores fun- damentais. O Coates estava empres- tado e neste momento parece que
já não é assim. O presidente tomou
esta medida para dar estabilidade, conjugando interesses individuais e colectivos. É muito importante es- ta renovação”, enfatiza, mantendo
o foco na fórmula adoptada para a
aproximação ao topo da tabela. “Neste momento temos que pen-
sar jogo a jogo e tentar ser melhor
que os adversários, pois depende- mos de terceiros. No final, faremos contas”, inspira, pondo a questão
da dependência em perspectiva.
“Todas as equipas têm momentos de oscilações, umas por uns moti-
vos, outras por outros. O Sporting
tem que trabalhar de baixo para cima, pois tem dois concorrentes muito fortes à frente. A partir daí, dependemos apenas de nós e do que fizermos jogo após jogo”.
augusto.bernardino@publico.pt
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 47
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CLASSIFICAÇÃO |
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I LIGA |
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Jornada 20 |
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2-0 |
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Paços Ferreira-V. Guimarães Desp. Chaves-Boavista FC Porto-Sporting Arouca-V. Setúbal Benfica-Nacional 16h, SPTV 20h30, SPTV amanhã, 16h, SPTV amanhã, 18h, BTV |
|||||
|
Belenenses-Tondela |
amanhã, 20h15, SPTV 2.ª feira, 19h, SPTV 2.ª feira, 21h, SPTV 2.ª feira, 21h, SPTV |
||||
|
Marítimo-Moreirense |
|||||
|
Sp. Braga-Estoril |
|||||
|
Feirense-Rio Ave |
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|
J |
V |
E |
D |
M-S |
P |
|
1. Benfica 19 |
14 |
3 |
2 |
41-12 |
45 |
|
2. FC Porto 19 |
13 |
5 |
1 |
37-10 44 |
|
|
3. Sporting 19 |
11 |
5 |
3 |
35-20 38 |
|
|
4. Sp. Braga 19 |
11 |
3 |
5 |
30-16 36 |
|
|
5. V. Guimarães 20 |
10 |
5 |
5 |
29-22 35 |
|
|
6. V. Setúbal 19 |
8 |
4 |
7 |
20-18 |
28 |
|
7. Marítimo 19 |
8 |
4 |
7 |
17-16 |
28 |
|
8. 6 Desp. Chaves 19 |
9 |
4 |
21-19 |
27 |
|
|
9. Rio Ave 19 |
8 |
3 |
8 |
24-26 |
27 |
|
10. Boavista 19 |
6 |
6 |
7 |
22-23 |
24 |
|
11. Arouca 19 |
7 |
3 |
9 |
19-24 |
24 |
|
12. Belenenses 19 |
6 |
5 |
8 |
13-18 |
23 |
|
13. Paços de Ferreira 20 |
5 |
5 |
10 21-32 20 |
||
|
14. Feirense 19 |
5 |
4 |
10 15-33 |
19 |
|
|
15. Moreirense 19 |
5 |
3 |
11 |
18-30 |
18 |
|
16. Estoril 19 |
4 |
3 |
12 |
13-24 |
15 |
|
17. Nacional 19 |
3 |
4 |
12 |
15-29 |
13 |
|
18. Tondela 19 |
3 |
4 |
12 15-33 |
13 |
|
|
Próxima jornada Benfica-Arouca, Tondela-Feirense, V. Setúbal-Desp. Chaves, Estoril-Paços Ferreira, V. Guimarães-FC Porto, Nacional-Belenenses, Moreirense-Sporting, Boavista-Sp. Braga, Rio Ave-Marítimo |
|||||
|
II LIGA |
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Jornada 25 Benfica B-Vizela Portimonense-Académica Sp. Braga B- Sp. Covilhã Santa Clara-Fafe Olhanense-FC Porto B |
2-1 |
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11h15h, SP-TV1 |
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15h30 |
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|
18h |
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amanhã, 11h15, SPTV |
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|
Sporting B-Famalicão amanhã, 15h, SportingTV |
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Ac. Viseu-Gil Vicente Leixões-V. Guimarães B Desp. Aves-Varzim Freamunde-Cova Piedade Penafiel-União Madeira |
amanhã, 15h |
||||
|
amanhã, 15h |
|||||
|
amanhã, 15h |
|||||
|
amanhã, 15h |
|||||
|
amanhã, 15h |
|||||
|
J |
V |
E |
D |
M-S |
P |
|
1. Portimonense 24 |
17 |
5 |
2 |
47-17 |
56 |
|
2. Desp. Aves 24 |
15 |
7 |
2 38-19 |
52 |
|
|
3. Académica 24 |
11 |
7 |
6 |
25-18 40 |
|
|
4. Santa Clara 24 |
11 |
6 |
7 26-27 39 |
||
|
5. Benfica B 25 |
10 |
8 |
7 30-28 38 |
||
|
6. Varzim 24 |
9 |
8 |
7 31-29 |
35 |
|
|
7. Penafiel 24 |
10 |
5 |
9 32-31 |
35 |
|
|
8. Sp. Braga B 24 |
8 |
10 |
6 34-28 34 |
||
|
V. Guimarães B 9. 10 24 |
3 |
11 33-31 |
33 |
||
|
Cova da Piedade 10. 9 24 |
6 |
9 25-29 33 |
|||
|
11. 7 Sp. Covilhã 24 |
10 |
7 25-24 |
31 |
||
|
União Madeira 12. 8 24 |
7 |
9 24-26 |
31 |
||
|
Vizela 13. 6 25 |
12 |
7 25-25 30 |
|||
|
Gil Vicente 14. 6 24 |
11 |
7 |
17-19 |
29 |
|
|
15. Fafe 24 |
7 |
7 |
10 30-35 28 |
||
|
16. Famalicão 24 |
7 |
7 |
10 25-31 |
28 |
|
|
17. FC Porto B 24 |
7 |
7 |
10 25-32 28 |
||
|
18. Ac. Viseu 24 |
6 |
9 |
9 23-28 |
27 |
|
|
19. Leixões 24 |
6 |
8 |
10 22-22 |
26 |
|
|
20. Sporting B 24 |
7 |
5 |
12 30-40 26 |
||
|
21. Freamunde 24 |
4 |
10 |
10 19-25 |
22 |
|
|
Olhanense 22. 3 24 |
4 |
17 24-46 |
13 |
||
|
Próxima jornada Famalicão-Sp. Braga B, Vizela-Sporting B, União Madeira-Académica, FC Porto B-Freamunde, Cova Piedade-Penafiel, Sp. Covilhã-Portimonense, Fafe-Olhanense, Benfica B-Desp. Aves, Varzim-Leixões, Gil Vicente-Santa Clara, V. Guimarães B-Ac. Viseu |
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MELHORES MARCADORES |
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I Liga |
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16 golos Bas Dost (Sporting) |
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12 golos André Silva (FC Porto) |
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10 golos Marega (V. Guimarães) |
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II Liga |
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15 golos Pires (Portimonense) |
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|
9 golos Luís Barry (Desp. Aves) |
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ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Sousa Cintra é um dos mais mediáticos apoiantes da candidatura do actual presidente
Desta vez, Bruno de Carvalho é o candidato da continuidade
Sporting
Marco Vaza
Actual presidente
“leonino” apresentou a sua
candidatura e mostra-se
disponível para debater
com Madeira Rodrigues
Pela terceira vez, Bruno de Carva-
lho vai enfrentar um acto eleitoral
no Sporting, mas o sufrágio que vai
ocorrer a 4 de Março próximo vai ser
uma estreia para o dirigente. Depois
de se ter apresentado como a opção
de ruptura face a gestões anteriores,
Bruno de Carvalho apresenta-se pela
primeira vez como o candidato da
continuidade depois de um primeiro
mandato de quatro anos como pre- sidente “leonino”. Ontem, perante
um auditório Artur Agostinho, em Alvalade, repleto de apoiantes, de um antigo presidente (Sousa Cintra) a elementos das claques organizadas, Bruno de Carvalho repetiu o seu dis- curso habitual do antes e do agora. Antes de 2013, era um “pesadelo”, agora é o “rumo certo”. Num discurso com cerca de meia
hora e frequentemente interrompi-
do para aplausos vindos da plateia, Bruno de Carvalho recordou o que
encontrou no Sporting depois de ter
sucedido a Godinho Lopes, em 2013. “O Sporting estava sem dinheiro para
salários e a sua credibilidade andava pelas ruas da amargura”, resumiu o presidente-candidato, reforçando o orgulho que sente no que conseguiu fazer em quatro anos, mas entregan- do aos sócios “leoninos” a responsa- bilidade de avaliarem nas urnas o seu trabalho: “Passados quatro anos, o Sporting está no rumo certo. É tempo de prestar contas e compete aos só- cios avaliar o trabalho realizado.” Como lhe competia, Bruno de Carvalho defendeu as suas propos-
COMPOSIÇÃODALISTA
CONSELHO DIRECTIVO
Presidente Bruno de Carvalho Vice-Presidentes José Vicente Moura (Modalidades) Carlos Vieira (Área financeira, administrativa e Património) António Rebelo (Sócios/Expansão/Núcleos/ Comercial e Marketing) Vogais Rui Caeiro (Modalidades) Bruno Mascarenhas (Núcleos) José Quintela (Comunicação) Alexandre Godinho (Património) Luís Roque (Expansão) Luís Gestas (Modalidades) Luís Loureiro (Comunicação)
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente Jaime Marta Soares Vice-Presidente Eduarda Proença de Carvalho Secretários Miguel de Castro, Luís Pereira, Tiago Abade
CONSELHO FISCAL E DISCIPLINAR
Presidente Nuno Silvério Marques Vice-Presidente Óscar Figueiredo Vogais Vicente Caldeira Pires, Vítor Vale, Miguel Fernandes, Jorge Gaspar, Fernando Carvalho
tas, qua já antes apresentara num documento com 111 medidas pa- ra mais um mandato, contra as do candidato opositor, Pedro Madeira Rodrigues, apostando no que consi- dera ser “uma equipa sólida, compe- tente e com provas dadas”, porque “não há tempo para experiências e amadorismos”. “2013 já parece mui- to distante, mas nós sabemos o que
encontrámos e o que custou inverter
o rumo”, reforçou. Reconhecendo que a equipa de fu-
tebol está a ter uma época abaixo das previsões, Bruno de Carvalho diz que
a frustração acaba por ser um sinal
de que as expectativas dos adeptos subiram. “Este sentimento de desa- lento é positivo, porque o desalento crónico deu lugar à crença e à am- bição. A resignação acabou e isso é uma enorme reconquista”, disse o presidente “leonino”. “A nossa lista ao conselho leonino é agregadora e transversal, com alguns bastante crí- ticos que não hesitaram em confiar em nós”, destacou. Bruno de Carvalho mostrou-se ain- da disponível para debates durante a campanha depois do repto lançado por Pedro Madeira Rodrigues através de uma nota de imprensa: “Estamos disponíveis para fazer um debate. Não vi nota de impressa de nenhum lado da barricada, mas garantida- mente que esse debate será feito.”
mvaza@publico.pt
DESPORTO
Dique dos “castores” pára ambição do Vitória
|
P. |
Ferreira |
2 |
|
Pedrinho 59’, Whelton 70’ |
||
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V. |
Guimarães |
0 |
Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira
P. Ferreira Defendi, Bruno Santos, Monteiro, Gégé, Christian a79’, Mateus a21’ (Filipe Melo, 58’), Vasco Rocha, Barnes Osei (Medeiros, 58’), Pedrinho, Minhoca (Phellype, 80’), Whelton. Treinador Vasco Seabra
V. Guimarães Douglas, João Aurélio, Josué, Pedro Henrique, Konan, Bernard a28’, Zungu a33’ (Texeira, 77’), Hernâni, Hurtado (Joseph, 68’), Raphinha (Marega, 61’), Rafael Martins. Treinador Pedro Martins
Árbitro Tiago Martins (AF Lisboa)
Futebol
O Paços de Ferreira venceu ontem
(2-0) o V. Guimarães, no arranque
da 20.ª jornada da Liga, e afastou-se da zona de risco, deixando os mi- nhotos longe do pódio, que pode- riam repartir provisoriamente com
o Sporting em caso de vitória.
Apesar da estreia do goleador Rafael Martins, que atirou Marega
para o banco, a primeira parte ter- minou em branco, com o V. Guima- rães empenhado em conquistar uma vantagem que o aliado vento esteve
perto de oferecer, ao transformar um alívio de Pedro Henrique num lance de aperto para os “castores”. Os minhotos desperdiçaram quatro ocasiões, duas das quais flagrantes, com Raphinha e Hernâni desastra- dos, a penalizarem a equipa. Fustigados, os pacenses mal conseguiam fazer chegar a bola a Whelton, ansiando pela mudança de campo, que alterou radicalmente os dados do jogo. Pedrinho e Whel- ton (sexto golo em cinco jogos), aos 58’ e 70’, foram letais e assegura- ram a vitória após oito partidas sem vencer. O árbitro Tiago Martins teve dois lances polémicos para ajuizar, pri- meiro na área do V. Guimarães e depois na dos locais, ambos com Bruno Santos e Konan como prota- gonistas, não assinalando penálti em nenhum dos casos.
48 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
DESPORTO
Jogo em Wembley em Outubro passado: Bengals contra Redskins
O incrível potencial internacional do Super Bowl
Futebol americano
O campeão da NFL vai ser encontrado amanhã, em Houston, mas a “exportação” da competição tem vindo a ganhar força
Imaginem este cenário: é 2025 e os London Monarchs estão a lutar pe-
la glória com os Green Bay Packers
no Super Bowl. Ou olhemos um pouco mais para a frente, para um despique entre os Berlin Barons e os Dallas Cowboys, no Arizona, em 2029. Estas imagens são, claro, ficção para já, mas poderão vir a aproximar-se da realidade à medi- da que ganha força a estratégia de expansão global da NFL (National Football League). Ao longo da última década, a NFL realizou jogos da época regular no Reino Unido, uma política que é ago-
ra seguida no México, e o sucesso da experiência em Londres faz da cida- de a mais forte candidata a acolher
a primeira equipa do campeonato
norte-americano em território es-
trangeiro. “Há uma lógica de cresci- mento que diz que se continuarmos
a angariar adeptos e a ver crescer a
paixão pelo jogo, no limite, a melhor
forma de expressão desse interes-
se é criar uma equipa própria”, de- fende Mark Waller, vice-presidente executivo da NFL, em declarações
à agência Reuters. O dirigente, de resto, não esconde
a vontade de alargar os “tentáculos”
do futebol americano a países como
o Canadá ou paragens mais longín-
quas como a Alemanha e a China. Até porque, em 2015, a NFL esten- deu o seu compromisso de fazer jo- gos da época regular fora de portas até 2025 — e esse acordo abriu-lhe as portas do Estádio de Wembley no ano passado. “De cada vez que jogamos a nível internacional e acrescentamos paí- ses à nossa lista sentimos mais con- fiança nesta estratégia de exportar
encontros da época regular como forma de levar aos adeptos uma ver- dadeira experiência da NFL”, pros- segue Waller. Este caminho, porém, esconde algumas curvas e lombas a dada altura. “A nossa principal di- ficuldade é encontrar equipas que estejam prontas para prescindir de um jogo em casa e ir jogá-lo no es- trangeiro, porque cada uma só tem garantidas oito partidas em casa na temporada regular”. Enquanto os fãs da NFL se prepa-
ram para o grande acontecimento da época, o Super Bowl de amanhã
à noite em Houston, com o título a
ser decidido entre os New England
Patriots e os Atlanta Falcons, para já está fora de equação “hospedar” um dos maiores eventos desportivos do mundo fora dos EUA. Para já
“Eu acredito piamente que nunca devemos dizer nunca. Acredito que
venha a ser uma possibilidade, mas não uma realidade no curto prazo”, anota Mark Waller, lembrando que há muitas cidades no país que aco-
lhem equipas da NFL e que nunca receberam o Super Bowl. E é a essas
possíveis sedes do encontro decisivo que será dada prioridade. Reuters
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Breves |
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Futebol |
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|
Morreu Amândio de Carvalho, antigo “vice” da federação |
|
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Amândio de Carvalho, antigo vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), morreu ontem aos 79 anos, vítima de doença prolongada. A morte do ex- dirigente foi anunciada pela FPF — que já decretou um |
|
|
minuto de silêncio, a observar nas competições sob a sua égide — numa nota em que o actual presidente, Fernando Gomes, expressa um “voto de profundo pesar”. “A sua |
|
|
competência profissional |
|
|
e |
capacidade de liderança |
|
deixaram marcas positivas na FPF e contribuíram para engrandecer o futebol”, afirmou. Amândio de Carvalho foi vice-presidente da FPF em |
|
|
dois ciclos: entre 1983 e 1986 |
|
|
e |
entre 1998 e 2011. |
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Futebol |
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Vítor Pereira perde e TSV complica vida na II Liga alemã |
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Vítor Pereira sofreu ontem a primeira derrota no comando do TSV 1860 Munique, da segunda divisão alemã, após ceder no terreno do Arminia Bielefeld, por 2-1, em jogo da 19.ª jornada. Depois do triunfo alcançado na estreia, |
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perante o Greuther Furth (2-1), |
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o |
técnico português acabou |
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derrotado no campo do |
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antepenúltimo classificado e pode mesmo terminar a ronda em zona de despromoção, se |
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o |
Karlsruher e o Erzgebirge |
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Aue vencerem. Com um “bis” (12’ e 38’), Klos fez os golos do Arminia Bielefeld, enquanto pelo meio (13’) o dinamarquês Gytkjaer apontou o golo dos bávaros. Na próxima jornada, |
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|
o |
1860 Munique recebe |
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justamente o Karlsruher, que também está envolvido na luta pela manutenção. |
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Planisférico El-Hadary já é o mais velho da CAN e quer ser o mais velho do Mundial
Futebol
Marco Vaza
O veterano guarda-redes do Egipto vai tentar amanhã um quinto título de campeão africano. Não se dá é bem com Manuel José
Não é nenhum segredo que os guar- da-redes são, por regra, os jogadores com mais longevidade competitiva. Ainda neste último Europeu, Ga- bor Kiraly, o “homem do pijama”, guardou as redes da Hungria com 40 anos e 74 dias. Em Mundiais,
oito dos dez jogadores mais velhos são guarda-redes. Lidera esta lista o guardião colombiano Faryd Mondra- gón, que, com 43 anos e três dias,
cumpriu cinco minutos num jogo do Mundial 2014. Mas o lugar de Mon- dragón estará seriamente em risco. Há um egípcio de 44 anos que con- tinua no topo das suas capacidades
e que quer prolongar a sua longevi-
dade até 2018. Chama-se Essam El-
Hadary, já é o jogador mais velho da
história da Taça das Nações Africanas
e quer continuar até ao Mundial da
Rússia, em 2018. Mas não se pense que El Hadary tem um papel residual para fazer bom ambiente na selecção e que vê do banco os feitos da selecção egípcia que vai amanhã disputar a final da CAN 2017, no Gabão, com os Cama- rões. O quarentão egípcio não só é o titular da baliza dos “Faraós” como tem sido decisivo. Na verdade, até começou como suplente, mas foi só
Aos 44 anos, El-Hadary ainda projecta voos mais altos
durante os primeiros 25 minutos do primeiro jogo da fase de grupos. Uma lesão do titular Ahmed El-Shenawy, do Zamalek, fez com que Hadary en- trasse em campo. Cinco jogos, quatro vitórias, qua- tro jogos sem sofrer golos e dois pe- náltis defendidos, incluindo aquele cobrado pelo guarda-redes do Burki- na Faso e cuja intervenção de Hada- ry apurou o Egipto para mais uma oportunidade de enriquecer o seu palmarés continental — é a selecção com mais títulos de campeão africa- no, sete, sendo que Hadary esteve em quatro, o primeiro dos quais em 1998. E num continente em que os guarda-redes não têm grande repu- tação, Hadary é consistentemente considerado um dos melhores africa-
nos da sua posição, tendo sido eleito, por exemplo, como o melhor guarda- redes da CAN em três ocasiões. Neste percurso de grande longe- vidade, Hadary praticamente nunca saiu do futebol egípcio — conta ape- nas uma curta passagem pelos suíços
do Sion em 2008, que gerou bastante polémica com aquele que tinha sido
o seu clube da década anterior, o Al-
Ahly. E que motivou um azedar de
relações com o treinador português Manuel José, um distanciamento
que se mantém até hoje. Na altura,
o técnico algarvio chegou a dizer
que Hadary (a quem tinha tirado a
braçadeira de capitão) “era capaz de vender a família por dinheiro”, com
o guarda-redes a anunciar a intenção
de processar o treinador. Recente- mente, Manuel José reforçou a sua vi- são, chamando a Hadary “o Pinóquio do Egipto” por se ter ido embora sem dizer a ninguém e poucos dias antes de um jogo. Hadary respondeu com um “ainda bem que o Al-Ahly não o voltou a contratar”. Ganhando ou não mais um título de campeão africano, o que Hadary quer mesmo é estar num Mundial de futebol pela primeira vez. Para já, o Egipto, que não se apura desde 1990, está bem encaminhado, com duas vitórias em dois jogos na terceira fase das qualificações africanas, lideran- do o seu grupo de apuramento.
Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias e campeonatos de futebol periféricos
Ver mais em www.publico.pt/planisferico
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 49
Inglaterra tenta o jackpot na lotaria do Torneio das Seis Nações
Râguebi
David Andrade
A selecção inglesa é a favorita a vencer a segunda competição desportiva mais antiga da Europa
Desde que, no ano 2000, a Itália foi admitida no restrito grupo de cinco países que disputavam a segunda competição desportiva mais antiga da Europa, apenas superada pelo torneio de Wimbledon em ténis, a Inglaterra apenas por uma vez (2000
e 2001) conseguiu vencer o centená-
rio Torneio das Seis Nações de forma consecutiva. Depois de conquistar
o Grand Slam (vitórias em todos os
jogos) no ano passado, o XV da Rosa parte como favorito e, se os ingleses
repetirem o feito da última edição e terminarem o torneio 100% vitorio- sos, garantem uma proeza histórica:
18 vitórias consecutivas, igualando um recorde da Nova Zelândia. Os anos vão passando, mas o filme repete-se. A história recente do Seis Nações tem mostrado que apostar num vencedor é dar um tiro no escu-
ro e a 116.ª edição da competição vol- tará a ser um investimento de risco para quem gosta de ganhar dinheiro nas casas de apostas. À partida, País de Gales e Irlanda são os conjuntos com argumentos para destronar a Inglaterra, mas a França, em fase de renovação, é imprevisível. A Escócia
e a Itália, apesar de terem consegui-
do encurtar a distância para os rivais, estarão, se a lógica prevalecer, fora da luta pelo primeiro lugar. Depois do descalabrado no Mun- dial 2015, em que foi afastada na fa- se de grupos, a Inglaterra entregou
a Eddie Jones a tarefa de recons-
truir um conjunto desacreditado e
o australiano, depois do excelente
trabalho na selecção do Japão, não demorou a recolocar o XV da Rosa no topo do râguebi mundial. Os ingleses terminaram o ano de 2016 com um registo de 13 vitórias consecutivas, mas Jones optou por um discurso
prudente: “Devemos estar confian- tes, mas cautelosos. Cautelosos com
a realidade que vamos encontrar.” A primeira selecção que vai tentar quebrar a longa série de invencibi- lidade inglesa é a França, que vai entrar hoje em Twickenham com um ponto de interrogação em ci-
HENRY BROWNE LIVEPIC/REUTERS
Treino da selecção inglesa, ontem, no Estádio de Twickenham
ma. Após um Mundial 2015 medí- ocre, a federação francesa apostou em Guy Novès, antigo treinador do Toulouse, mas a renovação impos- ta pelo experiente técnico tarda em produzir resultados: Novès perdeu seis dos dez jogos em que liderou “les bleus”. Vencedora em 2014 e 2015, a Ir- landa terá no jogo de abertura um teste de fogo, mas, se sobreviver ao confronto com a guerreira Escócia
em Edimburgo, o XV de Joe Schmidt ficará numa posição privilegiada: dos
quatro jogos que restam, três serão em Dublin e na última jornada rece- be a Inglaterra. Na despedida de Vern Cotter como seleccionador escocês, a Escócia vai causar muitas dores de cabeça à con- corrência, mas dificilmente conse- guirá ganhar pela primeira vez o Seis Nações: o último triunfo da Escócia na competição foi em 1999, quando apenas participavam cinco países. Sem Warren Gatland — Rob How- ley será o técnico interino —, o País de Gales é a selecção com mais estre-
Portugal defronta a Roménia no Jamor
A pós as vitórias recentes frente à Bélgica, Suíça e Brasil, Portugal tem hoje, no Campo de Honra do Estádio
Nacional, um treino conjunto com a Roménia. A partida, às 15h, será dividida em quatro partes de 20 minutos e não contará para o ranking da World Rugby. Com o objectivo de preparar o segundo jogo no Rugby
Europe Trophy 2016-17 (dia 18 de Fevereiro, contra a Polónia), Martim Aguiar, seleccionador
português, vai testar novas opções: entre os 25 convocados,
há vários estreantes. Apesar de contar com os regressos do pilar Francisco Fernandes (Béziers) e do defesa Cyrille Andreu (Aubenas), Portugal voltará a estar desfalcado e com uma equipa composta quase em exclusivo por jogadores do campeonato nacional. Por lesão ou imposição dos clubes franceses em que alinham atletas nacionais, ficam de fora Julien Bardy, José Lima, Pedro Bettencourt, Mike Tadjer, Adérito Esteves, Anthony Alves ou Gonçalo Uva.
antes (sete) e, apesar de ter três jogos fora, terá a vantagem de receber em Cardiff os dois principais rivais: Irlan- da e Inglaterra. Crónica candidata ao último lu- gar, a Itália continua a ser liderada por Sergio Parisse, mas mostrou em Novembro, já com o irlandês Conor O’Shea como seleccionador, ser ca- paz de passar do oito ao 80 numa semana: vitória sobre a África do Sul e derrota frente a Tonga.
dandrade@publico.pt
CALENDÁRIO
1.ª jornada
Escócia-Irlanda hoje, 14h25, Murrayfield Stadium
Inglaterra-França hoje, 16h50, Twickenham Stadium
Itália-País de Gales amanhã, 14h, Stadio Olimpico
2.ª jornada
Itália-Irlanda 11 de Fevereiro, 14h25, Estádio Olímpico
P. Gales-Inglaterra 11 de Fevereiro, 16h50, Principality Stadium França-Escócia 12 de Fevereiro, 15h, Stade de France
3.ª jornada
Escócia-P. Gales 25 de Fevereiro, 14h25, Murrayfield Stadium Irlanda-França 25 de Fevereiro, 14h50, Aviva Stadium
Inglaterra-Itália 26 de Fevereiro, 15h, Twickenham Stadium
4.ª jornada
P. Gales-Irlanda 10 de Março, 20h05, Principality Stadium
Itália-França 11 de Março, 13h30, Stadio Olimpico
Inglaterra-Escócia 11 de Março, 16h, Twickenham Stadium
5.ª jornada
Escócia-Itália 18 de Março, 12h30, Murrayfield Stadium
França-País de Gales 18 de Março, 14h45, Stade de France
Irlanda-Inglaterra 18 de Março, 17h, Aviva Stadium
DESPORTO
Portugal vence Israel de forma tranquila
Ténis
Pedro Keul
João Sousa e Gastão Elias ganharam os dois singulares do primeiro dia da eliminatória da Taça Davis
Foi com uma atitude positiva e sem entrar em pânico que João Sousa e Gastão Elias venceram os singulares do primeiro dia da eliminatória da Taça Davis com Israel, a decorrer nos courts cobertos do Clube Internacio- nal de Foot-Ball, em Lisboa. O núme- ro um português deu uma lição de como jogar em terra batida ao jovem Yshai Oliel, enquanto Elias cedeu o set inicial antes de entrar em modo “activo” e ser paciente até encontrar
o seu melhor ténis para derrotar o lí-
der da selecção israelita, Dudi Sela. “Foi um primeiro set complicado, em que não entrei bem, senti algu- mas dificuldades em activar-me, es- tava muito apático e a este nível isso paga-se caro. Mesmo assim, estava tranquilo porque sabia que, se jogas- se a um nível razoavelmente bom, tinha mais armas para este piso e que seria uma questão de tempo até pas- sar para a frente do marcador”, disse Elias (76.º no ranking ATP), depois
de vencer Sela (75.º), por 1-6, 6-2, 6-4
e 6-2, em 2h30m. Antes, Sousa (41.º) dominou Oliel, número quatro do ranking mundial
júnior, em hora e meia: 6-1, 6-1 e 6-2. “É um jogador que não tinha tanta experiência na Taça Davis, mas sa- bíamos que era perigoso, um júnior que vinha fazendo bons resultados. Estava consciente que tinha de impor
o meu ténis e fiz um excelente encon-
tro. Ele não teve muitas oportunida- des, mas teve uma atitude exemplar para um jovem de 17 anos”, adiantou
o vimaranense.
O capitão português Nuno Mar- ques não escondeu o contentamen- to pelo 2-0 no final do primeiro dia, mas avisou: “O dia correu bem, mas ainda não ganhámos nada. Amanhã [hoje] há um par superimportante.” Sousa e Elias serão as apostas lógicas de Marques para hoje (15h). Do lado de Israel estão anunciados Jonathan Erlich e Daniel Cukierman, mas ain- da pode haver alterações.
pkeul@publico.pt
50 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ESPAÇO PÚBLICO
Artur Barrio
O artista plástico luso-brasileiro Artur Barrio ganhou, com alguma surpresa, o Grande Prémio EDP Arte 2016, destinado a artistas consagrados portugueses ou estrangeiros a residir em Portugal. Barrio é o sétimo artista a receber este prémio trienal, no valor de 50 mil euros, que dá ainda direito a uma exposição retrospectiva e a um catálogo. A obra radical de Barrio é pouco conhecida em Portugal, já no Brasil é vista pela contundência poética e resistência política. J.J.M.
Marine Le Pen
Não há surpresas quanto ao que pretende fazer a líder da Frente Nacional caso ganhe as presidenciais francesas: negociará de imediato com Bruxelas o regresso das soberanias monetária, legislativa, orçamental e territorial. A ascensão ao poder de um partido de extrema-direita em França, depois do “Brexit”, representaria a machadada final no projecto europeu. E fragilizaria ainda mais a Europa que sente a ameaça de Putin e não sabe que relação Trump quer ter com ela. J.J.M.
Precários? Preparem-se para uma desilusão
David Dinis
Editorial
S ão só 59 páginas. É preciso lê-las devagarinho, porque têm muitos quadros com informação e diferentes conceitos e contextos. Mas vale
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a |
pena o esforço de ler o relatório que |
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o |
Governo ontem apresentou sobre |
os trabalhadores ditos “precários” do Estado. Não só porque ficamos com um bom retrato da complexidade das várias funções do Estado, mas também porque ficamos com a ideia de que precários não há muitos. Ou há, mas é assim que fazem sentido. É essa a versão do Governo.
Área a área, o que se lê é uma
longa justificação da utilidade dos contratos a prazo. E a justificação legal para a sua contratação, com
a minúcia de nos remeter para os
artigos das leis que abrem espaço a essas contratações. Seja nas áreas onde isso será mais pacífico (como nos voluntários das Forças Armadas),
ou nos casos mais polémicos — e é aqui que vale a pena apontar o caso da Saúde. A ideia que todos temos, que mais se discute na praça pública,
é a de que os hospitais funcionam com enormes dificuldades
e pouquíssimos médicos e
enfermeiros, certo? E que há muitos precários que lá trabalham, com contratos ilegais que deviam ser, na verdade, contratos permanentes. Certo? Não, não é isso que diz o Governo.
Ora anote, por exemplo, esta passagem do relatório (respire fundo): “Em resultado da situação
particular que envolve a prestação de cuidados de saúde, quer em termos de penosidade, quer pelos fatores de risco que lhe estão associados,
é elevada a taxa de absentismo no
setor da saúde, fator que, associado
à morosidade que subjaz à realização das necessárias juntas médicas, pode implicar que os trabalhadores permaneçam numa situação de ausência temporária durante um largo período temporal, não raras vezes durante três anos, o que implica, durante este período, que
a sua substituição seja assegurada
através do recurso ao regime do contrato de trabalho a termo resolutivo incerto.” Dirão o Bloco e o PCP que não. E dirão que não a cada parárafo que
lerem destas 59 páginas. “A cada posto de trabalho permanente terá que corresponder um posto de trabalho efectivo”, disse ontem Rita Rato (do PCP). “Há muitos milhares de casos em que não se justifica um contrato de trabalho permanente”, disse o ministro Vieira da Silva. O Governo diz que agora vai avaliar tudo caso a caso (sabendo que neste documento isso está praticamente feito). E talvez junte a isto dados fundamentais como tempo médio destes contratos, necessidades dos serviços, critérios de escolha e disponibilidade orçamental. Mas, lendo este relatório, ou o Governo abre os cordões à bolsa (e muda o seu conceito sobre o que é o mercado laboral) ou a esquerda vai ter uma grande desilusão.
david.dinis@publico.pt
As cartas destinadas a esta secção devem indicar o nome e a morada do autor, bem como um número telefónico de contacto. O PÚBLICO reserva-se o direito de seleccionar e eventualmente reduzir os textos não solicitados e não prestará informação postal sobre eles.
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CARTASAODIRECTOR
Os valores conservadores serão criminosos?
Estamos a viver uma situação política muito interessante, desde que Donald Trump foi eleito Presidente dos EUA. A pressão brutal feita nos jornais e nas TV daquele país e no mundo para que vencesse Hillary Clinton não convenceu o eleitorado. Em vez de democraticamente terem aceitado o veredicto do povo, resolveram impedir a sua acção ou destruir a sua imagem. Por ocasião da nomeação de um juiz para o Supremo Tribunal naquele país, o lead da notícia passada num dos principais canais da TV de Portugal anunciou depois do nome do designado juiz a menção “antiaborto”, “antieutanásia”.
Tenho seriíssimas dúvidas de que, se tivesse sido nomeado outro juiz, a favor da eutanásia e do aborto, essas referências fossem mencionadas em lead — ou seja, o que está aceite como normal e aceitável nas TV e jornais são os valores de esquerda. Os valores conservadores, designadamente o do direito à vida, são considerados como criminosos. Como conservador, tenho apenas de lamentar que os que pensam como eu em todo o mundo não tenham conseguido defender os seus valores com a mesma tenacidade e eficácia com que a esquerda impôs os seus. Manuel Martins, Alandroal
Perigoso e excêntrico
Quer se queira, quer não, o mundo vai entrar numa fase
bastante complicada, pois a eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos foi um incidente perigoso e malévolo. Este novo Presidente criou um enorme descontentamento, decepção e uma insatisfação não só para a maior parte do povo norte-americano mas também para o mundo, e principalmente para a Europa. Com Trump na Presidência dos Estados Unidos, o mundo vai entrar em conflitos. Tomaz Cardoso Albuquerque, Lisboa
Os ciclistas e os sinais de trânsito
É absolutamente inacreditável, mas é verdade. Como se nada de anormal estivessem a fazer,
os ciclistas continuam a circular nos passeios, a percorrer as ruas em sentido contrário e a não respeitar qualquer sinal de trânsito, incluindo os próprios semáforos. Nos passeios são os peões que se têm de desviar para não serem atropelados. Tudo isto acontece porque a noção de civismo e a noção de respeito pelo outro são pouco existentes em Portugal. A associação de ciclistas que há pouco tempo tanto se manifestou contra o uso obrigatório do capacete deveria preocupar- se empenhadamente com a problemática que refiro e fazer a sensibilização junto dos ciclistas para o cumprimento das regras de trânsito. Os ciclistas não são, de todo, os donos dos passeios. Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 51
Aung San Suu Kyi
Um relatório da ONU revela as atrocidades cometidas nos últimos meses pelo Exército birmanês contra a minoria rohingya. Há um pouco de tudo, numa escala de horrores difícil de aceitar sobretudo quando quem está por detrás do Governo é nem mais nem menos que a Nobel da Paz. Perante o relatório, Suu Kyi prometeu uma investigação, mas a verdade é que a sua passividade tem permitido que continue a perseguição mesmo após a saída dos militares do poder. J.J.M.
Os artigos publicados nesta secção respeitam a norma ortográfica escolhida pelos autores
François Fillon
O candidato da direita francesa, François Fillon, mantém-se teimosamente na corrida apesar do desgaste criado num primeiro momento pela revelação de que terá dado um emprego fictício à mulher que custou quase 900 mil euros ao erário público, e num segundo por ter dado emprego aos dois filhos. Os apelos para que se retire aumentam, mas, e apesar do impacto nas sondagens, Fillon resiste e mantém a tese de que foi vítima de conspiração. Até onde resistirá? J.J.M.
ESCRITO NA PEDRA
A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio; não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar Fernando Pessoa (1888-1935), poeta
SEM COMENTÁRIOS AVIÃO JAPONÊS SOBREVOA CRIANÇAS EM MANILA
EMPUBLICO.PT
Quando a raiva cresce
O livro Era Uma Vez Uma Raiva veio de São Paulo. Por isso pedimos a duas crianças brasileiras que nos emprestassem a voz e o sotaque para mais um dos nossos Livros para Escutar. Os irmãos Maria Clara Amaral, de nove anos, e Enzo Amaral, de 13, leram para nós o livro de Blandina Franco e José Carlos Lollo.
http://www.publico.pt/multimedia/video/
A Europa a provocar Trump
Em resposta ao lema “America First” (América em primeiro lugar) usado pelo Presidente dos Estados Unidos, a Europa reagiu. O primeiro país foi a Holanda, na quinta-feira foi a vez de Portugal e já humoristas de outros países reagiram. http://www.publico.pt/multimedia/
Madhav Naryan, ou uma tradição feminina no Nepal
Na aldeia de Panauti, no Nepal, um grupo de mulheres enxuga-se após ter
mergulhado no rio Triveni. O banho sagrado
é uma das tradições do Festival Madhav
Naryan, onde durante um mês mulheres
solteiras e casadas fazem jejum e estudam
o livro sagrado de Swasthani, dedicado à Deusa Swastania e ao Deus Shiva. http://www.publico.pt/multimedia/
Os caaabóis
Miguel EstevesCardoso Ainda ontem
A imagem do hipster subiu ao povo, na expressão de Pedro Homem de Mello. O povo, sábio até na indolência, adaptou apenas os traços largos. Começou por apontar
na direcção de Júlio Dinis, mas, desanimado pelas exigências do penteado, acabou por escolher uma barba low
maintenance à Antero de Quental.
É assim que os jovens procuram
distinguir-se dos avós que, sendo saloios vaidosos, ostentam suíças hirsutas, usando
como espelho de bolso uma lata de atum Tenório. Completam a indumentária uma camisola
de gola alta e jeans justinhos que desmaiam nas canelas para dar espaço a uns lustrosos botins de aprendiz de vaqueiro.
O silêncio assenta-lhes bem, mas a alma
deles é generosa de mais para alinhar em
conspirações puramente estéticas. Num centro comercial uma mãe, acompanhada por uma filha adolescente, pergunta a
um destes falsos hipsters onde é que fica
o elevador. Ele diz: “Não sei.” E depois,
enojado pela própria falta de cooperação, acrescenta escusadamente: “Não deve ser muito longe daqui.” E, nisto, olha à volta, para ilustrar o sentido do que disse.
A adolescente, mal vira as costas, diz à
mãe, sem olhar para ela: “Mais um que é
cool até abrir a boca.” Cool Até Abrir A Boca
é CAAAB. Os rapazes que são CAAAB são os caaabóis.
A crueldade daquelas palavras faz medo.
Por alguma razão tentam convencer-nos desde pequeninos que quando não temos nada para dizer mais vale ficarmos calados. Quem diria que isso era um bom conselho?
Assim sendo, já não é tão mau ser-se cool até abrir a boca.
52 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ESPAÇO PÚBLICO
Mais uma vez:
o ascenso do “trumpismo” nacional
José Pacheco Pereira
A direita detesta o seu lado revolucionário e anticonservador, mas aceita-o mais do que admite
F alar de Donald Trump é a coisa mais importante sobre a qual se pode falar nestes dias. Tudo o resto parece menor e é efectivamente menor, e sinto-me quase escapista se falar de política doméstica face ao que está a acontecer ao mundo. Problemas na “geringonça”? Certamente que há, mas valem pouco. As
desventuras de Passos Coelho no PSD? Sem dúvida que as há, mas também há muita imaginação criadora sobre o seu isolamento no PSD, pelo menos no aparelho do PSD. Os “afectos” do senhor Presidente? Esses enchem o mundo e são muito inócuos. As peripécias da banca? Sem dúvida que são importantes, irão ao nosso bolso, mas temos tempo para voltar a elas. A confusão do “Brexit”? Bom, aqui começamos a tocar em coisas mais importantes. A perplexidade europeia face ao ascenso de gente como a senhora Le Pen? Bom, aqui começamos a ter de falar muito a sério. O crescente caos no mundo, entre uma Rússia ascendente, um Irão enervado, uma China a preparar uma variante qualquer da “tortura chinesa” para os americanos? Sim, aqui já não é só preocupações, começamos a sentir o perigo. Perigo mundial, como há muito tempo não se via. E aqui já estamos claramente no domínio de Trump e dos efeitos da sua revolução. É por isso que falar de Trump é a coisa mais importante sobre a qual se pode falar nestes dias. E como falamos para Portugal, quando muito com efeitos caseiros, é de Trump em Portugal que tem interesse falar. Isto, porque Trump é a mais grave consequência de muitos anos de desleixo político em nome de uma certa “economia” política, da crise da social-democracia, que se impôs depois de 2008, e que pode ter efeitos muito perigosos, mas pode também ter efeitos benéficos. Trump polariza, a seu favor e contra, e esse efeito polarizador maximizará os seus apoiantes, mas também fará sair de uma longa letargia os seus adversários. Trump teve a vantagem de não permitir qualquer benefício da dúvida e de ser tão claro no sentido da sua intervenção, que provocou uma imediata reacção negativa, que, um pouco por todo o lado, tem vindo em crescendo. Esse fenómeno é global e não permite muitas hesitações. Theresa
KEVIN LAMARQUE/REUTERS
May viu isso, quando as suas ambiguidades na visita que fez a Trump a obrigaram a ter de usar no Parlamento britânico uma linguagem condenatória que tinha evitado
usar nos EUA. A conversa irritada que teve
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primeiro-ministro australiano com Trump |
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e |
o cancelamento da visita do Presidente |
do México mostram que a paciência com
Trump não existe em quase lado nenhum. Se
é assim em cima, é muito mais em baixo. Será que são “radicais”, como acusa
a direita portuguesa aos que não dão
qualquer benefício de dúvida a Trump? Na
linguagem simplista que, quer queiramos quer não, faz algum sentido na política redutora dos nossos dias, Trump é de esquerda ou de direita? A resposta é
muito clara: Trump é de direita, de uma direita agressiva e pouco democrática, proteccionista e pouco liberal, que da política quer a opinião das massas, mas não quer os procedimentos da democracia e o primado da lei, ou seja, usa a demagogia,
Trump chegou à presidência num período de radicalização da direita e de destruição do centro
a irmã perversa
da democracia,
para um caminho
perigosamente
autoritário. Vejamos
o seu programa:
proteccionismo
e nacionalismo
económico,
desregulação, fim de toda a legislação gerada depois da crise de 2008 para
travar os excessos financeiros da banca, baixa dos impostos sobre os negócios, fim de qualquer regulamentação que limite a actividade das empresas e
de Wall Street, fim de mecanismos de almofada contra a pobreza como era o
Obamacare, etc., etc. Ou seja, um programa que, com excepção do proteccionismo
e nacionalismo económico, é da direita,
incluindo a direita liberal. Há uma divergência com uma direita que se tornou internacionalista e partidária do livre comércio, da procura de salários baixos com a deslocalização das empresas, e a
quem não agrada o “rasgar” dos tratados
de comércio, mas para eles Trump reserva
o seu comportamento de bullying, que até
agora parece ter dado alguns resultados. Depois há as questões de costumes, os
direitos das mulheres, dos homossexuais,
o aborto e o planeamento familiar, o papel
crescente das Igrejas evangélicas na vida política, um grupo de questões que são típicas da agenda da direita. E, por fim, um dos aspectos mais importantes, está o estilo autoritário de permanente ameaça, vingança ou retaliação, no limiar da legalidade e dos
procedimentos aceitáveis em democracia. Estranhamente, não vejo muitos protestos contra factos que roçam a ilegalidade, como seja o convite para se “irem embora” aos mil funcionários do Departamento de
Estado que assinaram um documento de
divergência da política de Trump usando um
mecanismo previsto pela própria lei interna, isto é, usando um direito garantido até hoje pelo departamento de que são funcionários. De facto, se retirarmos o seu proteccionismo e o consequente isolacionismo americano, que explica a sua aproximação a Putin, que aplaude com todas as mãos; as suas reservas quanto à NATO, que Putin também aplaude com os pés e com as mãos, a política de Trump segue um padrão típico da direita em matérias de política interna. O que sobra do intervencionismo americano é errático
e incoerente: o combate total ao ISIS, não se sabe como, mas certamente com os
russos, após a legitimação do governo de Assad, a aproximação aos ultras israelitas,
a belicosidade com o Irão e a China, que também não afectam o quadro geral dos
interesses russos, e afastamento dos seus aliados tradicionais na Europa e na Ásia. Se exceptuarmos a aproximação à Rússia, o resto é muito pouco coerente, mas traduz
o desinteresse que Trump tem pela política
internacional. Neste contexto, Trump é um problema para a direita, que detesta o seu lado revolucionário e anticonservador, mas
que o aceita muito mais do que o pode
admitir. Aliás, é interessante verificar que, quase sem excepção, os artigos escritos
à direita em Portugal sobre Trump têm
como motivação muito mais a crítica aos críticos de Trump do que a crítica a Trump. Embora não possa garantir ter lido todos, ainda estou para ver um artigo, comentário, declaração vindo da direita portuguesa que seja apenas contra Trump. E não faltam motivos. O que há é ataques aos que atacam Trump, e depois desgosto com a personagem, mas a economia da indignação vai para os “radicais” que o atacam, muitas vezes colocados no mesmo plano. Outra variante é dizer que Trump está a fazer o mesmo que fez Obama ou Clinton, só que gabando-se, em vez de esconder a mão, como eles fizeram. Na aparência pode ser verdadeiro, como é o caso do muro com o México que já existia, mas toda a gente sabe que, no domínio simbólico da política, o muro de Trump, “pago” pelos mexicanos como sinal da sua culpa colectiva, é uma coisa completamente diferente do de Obama. Do mesmo modo, há uma diferença abissal entre “banir” a entrada de
imigrantes ilegais, e ter todo o cuidado com
a imigração de zonas de conflito, e “banir”
as entradas de países muçulmanos porque são muçulmanos. E mesmo assim “banir” só os países muçulmanos onde Trump não tem negócios, e não aqueles como a Arábia Saudita que efectivamente exportaram mais
terroristas para os EUA e para todo o Médio Oriente. Trump chegou à presidência americana num período de geral radicalização da direita e de destruição do centro. Trump e
a direita portuguesa partilham os inimigos.
Ora, na lógica dos mecanismos redutores da política dos dias de hoje, essa direita vai- se encostar cada vez mais a ele, tanto mais quanto Trump pareça ir perder, porque os
seus adversários são os seus, e os inimigos dos meus inimigos meus amigos são. A comunidade de adversários é, em tempos de crise, um poderoso factor de aproximação. Será muito pouco bonito de ser ver, mas vai- se ver, ou melhor, já se está a ver.
Historiador. Escreve ao sábado
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 53
O papel de Passos
São José Almeida A Semana Política
Passos parece ter acordado da sua letargia expectante e assumiu comportamento de líder na oposição activo
E stará o líder do PSD a fazer oposição destrutiva ou Pedro Passos Coelho está apenas a fazer aquilo que cabe ao partido que tem a maior bancada parlamentar na Assembleia da República e que foi primeiro-ministro entre 2011 e 2015? Depois de um ano fora do Governo, após as oposições
internas se manifestarem descontentes com
a estratégia do líder do PSD e os putativos
candidatos a líder do partido se começarem
a insinuar, Passos parece ter acordado
da sua letargia expectante e assumiu um
comportamento de líder na oposição activo
e
que no Parlamento apoia o Governo do PS. Mostrou essa nova atitude a propósito
da revogação parlamentar do decreto-lei do Governo que baixava a TSU para os
empregadores. E para quem queira dar atenção ao que foi dizendo ao longo de um ano, assim como ao contexto do debate sobre o acordo de concertação social, não o fez porque agora tenha decidido desdizer o que disse e fez quando foi primeiro-ministro. Fê-lo porque não acredita na estratégia e na proposta do Governo para a política orçamental. Fê-lo porque discorda da forma como está a ser feito o ajuste do salário mínimo nacional. Fê-lo porque não aceita que o PSD surja aos olhos do país como o que ele mesmo considera que seria uma muleta do Governo. No actual contexto de radicalização política que caracteriza a vida política ocidental e que tem em Portugal o pano de fundo da nova bipolarização política nascida da inédita experiência parlamentar estreada por António Costa, surgem novos patamares de afrontamento entre o primeiro-ministro e
o principal líder na oposição.
de confronto com a maioria de esquerda
A nova atitude de Passos excitou as
críticas. Um fenómeno que é claramente
insuflado pelo potenciar da superficialidade, bem como pelo acirrar da intolerância e até do tradicional sectarismo primário que caracterizam o debate político português. Se é previsível que a esquerda no poder tente capitalizar — às vezes com demagogia
— a atitude oposicionista de Passos, como
aconteceu no caso da TSU, menos previsível seria ver uma crítica quase sistemática
vinda de personalidade da família política
de Passos. Mas a fila de candidatos à cadeira de poder que significa ser líder do PSD e
a normal vontade que assiste a quem a
pretende disputar, de certo modo, legitimam essa crítica. Muito tem sido dito sobre a atitude de Passos como líder na oposição. Nomeadamente pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e pelo conselheiro de Estado Luís Marques Mendes. Importa ter em conta que Mendes foi líder do PSD (2005-2007), tal como uma década antes o foi Marcelo (1996-1999). E
se as declarações públicas do Presidente da República vão no sentido oficial de defender
o papel de um líder de oposição que
funcione como tal, as posições de Mendes sobre o PSD são assumidas enquanto um político que veste o fato de comentador, mas cuja opinião tem de ser analisada no
contexto do seu percurso político e da sua ligação partidária. Curiosamente, nem Marcelo nem Mendes foram primeiros- ministros, uma função que Passos já desempenhou. Passos tem uma
Pode-se
discordar dele, mas se há coisa que Passos tem é um projecto para
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o |
país, e até já |
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o |
praticou |
gestão governativa
a defender e tem de
agir hoje na oposição
em coerência com esse passado. Pode- se discordar dele, mas se há coisa que Passos tem é um
projecto para o país,
e até já o praticou. Seguem-se novos episódios de tensões
parlamentares
que desafiarão
a capacidade do
primeiro-ministro
de sobreviver na geometria variável que a fragilidade eleitoral do PS nas últimas legislativas o obrigam. É provável que, de novo, se venha
a colocar a possibilidade de ver o PSD a votar
ao lado do BE, do PCP e dos Verdes contra o Governo. Mas há uma área de importância maior cuja reforma se aproxima: a descentralização. E o discurso público do Governo e do PSD tem sido, neste domínio, de negociação. Resta esperar para ver se Passos é líder na oposição só para “chatear” ou se mostrará que sabe negociar e entrará também em consenso em nome do interesse nacional.
Jornalista. Escreve ao sábado sao.jose.almeida@publico.pt
ESPAÇO PÚBLICO
Finlândia: prometer o céu de graça
Francisco Louçã
O assunto anda por aí: a promessa de um rendimento básico universal (RBI), pago a toda a gente toda a vida, seja rico ou pobre, empregado ou desempregado, criança ou adulto (mas o Estado deixa de pagar o resto). Tudo se vai tornar fácil, portanto, é chapa garantida. Na Finlândia,
já começou com um subsídio a alguns
desempregados. Na Suíça, já se votou em
referendo. Em França, o candidato socialista promete que vai ser desta.
O único problema é que nada disto bate
certo. Em França, Benoît Hamon promete num dia e despromete noutro — e, como vai a feijões, é tudo promessa gratuita. Na Suíça, a ideia foi votada mas derrotada. Na Finlândia,
se a proposta serve de exemplo, o seu objectivo é reduzir o pagamento do subsídio de desemprego para menos de metade.
O leitor e a leitora já conhecem a minha
reserva sobre esta política, por duas razões.
A primeira é que não se promete o céu de
graça e só vejo motivos para estranhar que os promotores do RBI se irritem por lhes
pedirem contas — afinal, querem fazer uma promessa de distribuir dinheiro mas acham aborrecido que se lhes pergunte de onde vem o maná. A conta é aliás fácil de fazer, com dez milhões de habitantes em Portugal:
se o RBI entre nós fosse o de Hamon, 750 euros, isso custaria 105 mil milhões, mais de 60% do PIB. Portanto, duplicando os
impostos e despedindo todos os professores, bombeiros, enfermeiras, médicas, polícias, tropas e nem pensar em gastar um cêntimo com as funções que esperamos que o Estado cumpra, seria possível pagar a factura.
A segunda razão é que desconfio dessa
ilusão da sociedade plana, em que não se reconhecem diferenças de classe social e, portanto, a protecção social é anulada e mercadorizada. A experiência finlandesa é a esse respeito impressionante. Na Finlândia, o salário médio é de 3400 euros por mês, e o subsídio de desemprego responde a este nível. O Governo inventou uma experiência em que dois mil desempregados recebem só 560 euros por mês, durante dois anos, para ver como reagem a ofertas de emprego. A sua vida é
comparada a um grupo de desempregados que recebe os subsídios legais. Diz o relatório do Governo: “O objectivo
da proposta legislativa é aplicar o RBI para saber se este pode ser usado para reformar
a Segurança Social, especificamente para
reduzir as armadilhas dos incentivos em relação ao trabalho.” Aqui estão revelados todos os preconceitos sobre os desempregados preguiçosos mas, sobretudo, uma estratégia bem definida: o que se está a testar é se o empobrecimento dos desempregados muda a sua atitude perante o que lhes ofereçam — e portanto se aceitam a redução dos seus rendimentos para voltarem a trabalhar. Ou o que se pretende é a cura de que os portugueses já ouviram falar, reduzir os salários. No relatório da Segurança Social
finlandesa sobre a experiência reconhece- se que esta aumentará a pobreza infantil e que, ao alterar o modelo de protecção social, os desempregados ficarão a perder: “Surpreendentemente, os desempregados seriam os maiores perdedores. Para eles, rendimento básico substituiria apenas parcialmente o
rendimento existente” (p. 41). Mas esse é
o objectivo. A política neoliberal procura
reduzir a Segurança Social e encontrou este filão: prometendo tudo a todos, e será pouco
pois a restrição orçamental é mais dura do que a ideologia, reduz os rendimentos dos
desempregados, abate os salários, poupa nas pensões e anula as despesas públicas com
a saúde e educação. O mercado, portanto,
ganharia em todos os campos. Na Finlândia, o RBI é usado não para prometer a bonança, mas para conseguir o empobrecimento dos desempregados e para baixar os salários dos empregados. O céu não é de graça, sobretudo quando se vai a caminho do inferno.
Por Ricardo Cabral, Francisco Louçã e António Bagão Félix
Ricardo Cabral escreve à 2.ª e 5.ª, António Bagão Félix à 3.ª e 6.ª e Francisco Louçã à 4.ª e sáb.
54 • Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ESPAÇO PÚBLICO
Donald Trump e o laicismo radical
Feliciano Barreiras Duarte
Reduzir a polémica do véu e do burquíni aos fundamentos religiosos ocidentais é um erro grave
“Uma rapariga de biquíni é como ter uma pistola carregada em cima da mesa de café — não há nada de errado, mas é difícil parar de pensar nisso.” Garrison Keillor
A s recentes decisões do novo Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, sobre imigração e outras matérias associadas a este fenómeno metajurídico apesar de não serem uma surpresa, são decisões que bem podem ser consideradas como ilustrativas do que é,
do que significa e pretende o laicismo
radical. Política, jurídica, económica
e sociologicamente estas decisões
vão provocar ondas de choque mais
profundas do que se imagina, no médio
e longo prazo. São decisões que vão
ter impactos negativos sobretudo para
a ordem global e muito para o direito
internacional. E veremos o que ainda virá do novel Presidente americano em matéria de proibição ou não dos véus islâmicos, burquíni e afins. Porque a ONU e a Amnistia Internacional assumem que a proibição do burquíni e afins é discriminatória. Concordo plenamente. Mesmo que provavelmente esteja em minoria. Aliás,
vou mais longe. Deixem o burquíni, os véus integrais e seus derivados em paz. Nos últimos dias, semanas e meses, na nossa Europa laica e cada vez mais radical
e tolerante só formalmente no que diz
respeito à religião, têm vindo a aumentar
|
o |
número de países, a proibirem a burqa |
|
e |
afins — países como a Holanda, a |
Alemanha, a Bélgica, a Bulgária e outros,
quando, por exemplo, em países como a Holanda tal proibição só afectará cerca de 150 mulheres. O mais ridículo é que na Holanda em simultâneo foram proibidos não só as burqas, mas também capacetes
e passa-montanhas nos transportes e
edifícios públicos. Isto acontece, quando na Alemanha o Supremo Tribunal de Justiça impôs aulas de natação a uma rapariga muçulmana. Ser mulher muçulmana, para os padrões europeus e ocidentais, nunca foi fácil no mundo. Antes pelo contrário.
E é curioso que na Europa, ao contrário
do que seria expectável, também não. Essa condição no território da liberdade também se perdeu. Há quem sustente que não se podem aprovar leis sobre
A diabolização
dos burquínis
a pretexto da
liberdade e da igualdade de género é um perigo. O
laicismo radical
é uma doença
a igualdade de
género e depois
admitir que a mulher, por ser muçulmana, use burqa e véu. O
burquíni e a ordem pública é um excelente tema para pôr à prova
o laicismo radical
em conjunto com o
fundamentalismo
islâmico — até porque a procissão ainda
vai no adro. Com
manifestações
de arrogância e de deslumbrada insolência. Despe- te para seres moderna(o) e
progressista! É um erro clássico aprovar a proibição do véu, da burqa e do burquíni em nome da detestável não ideologia da modernidade progressista! A proibição dos burquínis é chão que deu uvas no proibicionismo radical e falso em nome de
um igualitarismo serôdio. Enquanto esta polémica persiste na Europa — sobretudo em França e na Alemanha —, na Austrália
o burquíni é um símbolo de inclusão. Isso
mesmo, de inclusão! Aliás, são vários os tipos de véus islâmicos: a burqa, o niqab (no Paquistão, Arábia Saudita), o chador (sobretudo no Irão), a Al-amina, o hijab (é
o tipo mais ocidentalizado) e o burquíni
(em vários países já vendeu mais de 700
mil!). A diabolização das burqas e dos burquínis a pretexto da liberdade e da igualdade de género é um perigo. Até porque aguardo [saber] a que chamam poderes pátria cosmopolita, sobretudo como instrumento de estímulo à prática do multiculturalismo em comparação com radicalismos laicos e religiosos. É que tal é um caminho muito perigoso. O laicismo radical é uma doença como é o fundamentalismo islâmico. Talvez nalguns aspectos ainda pior. A relação do Estado
com o vestuário e a nudez e a estética deve merecer atenção. Muita atenção. Deve ou não o Estado intrometer-se na
forma como as pessoas se vestem? E com
a apresentação estética no dia-a-dia?
Será que o Estado, os poderes públicos devem ter que ver com a maneira como
as pessoas se vestem e saem de casa? Uma ironia de vida. Parece que a boa moral obriga a andar-se despido(a), sobretudo as mulheres! Quem diria! Após décadas
a lutar pela liberdade da mulher! A
padronização comportamental por via do burquíni é uma falácia para todos. Sobretudo de menorização das mulheres —como se não soubessem decidir o que vestir e como vestir. E não nos venham com as histórias de que são os maridos que lhes impõem essa indumentária. É um
erro coagi-las em não se vestirem, como é um erro impor-lhes como se vestem. Aliás,
é pior do que aquilo que alguns dos seus
maridos lhes impõem. O fundamentalismo islâmico é diferente do fundamentalismo religioso e sobretudo do fundamentalismo laico. Só falta países como a França impor a reciprocidade em
função do fundamentalismo religioso e do fundamentalismo laico. A história da
Público • Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 • 55
liberdade e da emancipação das mulheres está cheia de episódios e de exemplos de perseguição e imposição às mulheres em relação a várias coisas. Sobretudo como se vestem! É curioso agora a ideologia de se impor o que se pode fazer para se poder viver em determinados territórios da democracia dos direitos, liberdades e garantias. Tanto é errado o laicismo radical como
o fundamentalismo islâmico. A ideia na
prática de que o inferno são os outros é um perigo. A indumentária republicana imposta é uma provocação! É uma forma de proibir famílias e pessoas de irem, por exemplo, à praia. Vergonhosa essa república, jacobina, laica e radical, em que sobretudo os esquerdistas radicais, intolerantes, laicos, usando o corpo de Marianne, deixam que lhes caiam as máscaras da tolerância e do respeito pelo direito à diferença. Nós, europeus
e ocidentais, queremos que os “olhos”
aceitem tudo o que é diferente, mas desde que venha de nós. Mas “nós” não aceitamos o que é diferente e vem deles. Daí que o secularismo radical, por
exemplo, francês, esteja a dar sinal de vida negativo. Tudo isto criou o medo no corpo das mulheres e alimentou a percepção de o véu ser uma espécie de
inimigo legal e o burquíni e a burqa sinal de tortura! Qualquer cidadão, homem ou mulher, tem direito de ir para a praia como lhe aprouver! Até de chapéu-de- chuva e boné! Um burquíni não é um atentado à segurança! Isso é demagogia pura. Reduzir a polémica do véu e do burquíni aos fundamentos religiosos europeus e ocidentais é um erro grave.
É só olhar e conhecer o mundo real. No
meio de tudo isto, desta polémica, de certa forma os jihadistas podem dizer que as mulheres no mundo cristão não são respeitadas! Aliás, o francês Rachid Nekkaz paga desde 2010 as multas dos burquínis. Já gastou 250 mil euros em multas. Entre a França e a Bélgica quase 1500 multas. Depois de todas estas decisões, da nossa Europa, grande timoneira da ideologia do politicamente
correto, não nos queixemos, por exemplo, de decisões como a da Índia de impor
a observação das tradições locais e de
dizer às mulheres ocidentais para naquele país serem recatadas nos atos e nas vestimentas, evitando saídas à noite e indumentária à base das saias. Ou então, por ironia (será mesmo?), ter em conta
o que se vai passando na China com o
facequíni.
Deputado e presidente da Comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social
ESPAÇO PÚBLICO
O mundo ao contrário
Manuel Loff
Para eles, entender que
a desigualdade subsiste
é uma declaração
“politicamente correta”
É curiosa esta indignação de uma certa direita com Donald Trump. Creio que há mais preocupação em não pragmatizar antes do tempo (quando se começar a, pensando bem, dar-lhe razão) do que há sinceridade. Trump representa o que a extrema- direita sempre representou para os conservadores
tradicionais: as questões são as mesmas,
o tom é que é umas oitavas acima. O
partido que o elegeu foi o Republicano
e não uma qualquer liga supremacista.
Alguns dos nossos neocon pátrios têm usado um argumento que já indicia o caminho: mais do que caricaturar Trump
(como se a personagem requeresse sequer
caricatura
porque se vota nele. Eu estou plenamente de acordo, mas duvido que partilhemos um enunciado de causas socioeconómicas que estas direitas entendem ser curativas ou inevitáveis. O triunfo de Trump resulta, entre outros fatores, de um esforço de manipulação da realidade que, em muitos casos, não está mais do que um degrau acima do discurso
da maioria dos governos ocidentais. O mais preocupante é este tom de preparação para
a guerra. Trump proclama aos quatro ventos
que o mundo inteiro se aproveita da América
— mas a “vítima” tem desde a Guerra do
Golfo de 1991 a maior presença militar planetária da sua história. Ao seu lado, Steve Bannon, o novo homem forte da política
de segurança americana e o mais temido dos ideólogos da ultradireita que chegou ao poder, dizia há menos de um ano que “dentro de cinco-dez anos entraremos em guerra no mar do Sul da China. Não tenham dúvidas”. Que os chineses “cheguem aqui
e, na nossa cara, (
é um antigo mar territorial deles” (Breitbart
News, 10.3.2016) parece-lhe intolerável — mas a verdade é que são os americanos que têm há décadas bases militares à volta de toda a costa chinesa (Japão, Coreia do Sul, Austrália, Filipinas, autorização para usar
instalações militares tailandesas, malaias,
indonésias
chineses não têm base alguma fora do seu território (e muito menos no Canadá, ou no México ou em qualquer ilha do Pacífico,
),
importante é perceber
)
nos digam que aquele
)
e que, pelo contrário, os
por exemplo). Da mesma forma, lembremo- nos de que, só nos últimos cinco anos, os americanos bombardearam a Síria, a Líbia,
o Iraque ou o Iémen, e desde há 17 anos que estão em guerra no Afeganistão — mas, para Trump, são os árabes e os muçulmanos de todo o planeta que querem entrar nos EUA para atentar contra a segurança dos americanos. A partir de agora, mais do que já o era,
Mais do que já o era, o discurso oficial de Washington é o do choque das civilizações:
há um islão e uma China expansionistas
o discurso oficial
em Washington
é o do choque de
civilizações: “Há um islão e uma China expansionistas, motivados, arrogantes. E que pensam que o Ocidente judaico-cristão está na defensiva” (S. Bannon). Preparemo-nos, portanto! A inversão
descarada da representação das relações de força, num contexto geral de ideias simplistas
(que caibam num tweet) e de teorias da conspiração, é a estratégia central desta forma peculiar de construir consensos:
não há racismo, há é imigrantes (os mais pobres e os mais explorados em qualquer mercado de trabalho) e refugiados que querem abusar das prestações sociais e que colocam bombas; a escassez de recursos do Estado não é culpa dos ricos que impunemente fogem ao fisco e conseguem que se legisle a seu favor, os pobres é que
abusam. Esta mesma lógica está presente nas questões de moral social: não são as
mulheres ou as minorias de orientação sexual que continuam a sofrer ofensas e ataques, são as feministas e os ativistas dos direitos humanos que querem impor uma “doutrina totalitária de género” à maioria da sociedade. O simples enunciado do raciocínio que acabo de fazer suscita em qualquer neoconservador (Trump é apenas um deles) a enésima inversão da realidade: para eles, entender que a desigualdade (de género, social, étnica) subsiste é simplesmente uma declaração “politicamente correta”, isto é, a demonstração de que existe uma “ditadura cultural de esquerda” em todo o Ocidente. Foi contra ela que o norueguês Anders Breivik matou 77 pessoas
Historiador
Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
BARTOON LUÍS AFONSO
ORESPEITINHONÃOÉBONITO
A saída limpa e o défice sujo
João Miguel Tavares
A ntónio Costa nunca perde uma oportunidade para sublinhar que a famosa saída limpa do programa de assistência da troika, em Maio de 2014, foi uma
fraude, e que Pedro Passos Coelho
e Maria Luís Albuquerque andaram
a fazer o teatrinho do bom aluno.
Ainda recentemente afirmou isso mesmo numa entrevista à RTP, a propósito da situação em que se encontra a Caixa Geral de Depósitos: “O que aconteceu no passado foi maquilhar uma situação que permitisse anunciar
uma saída limpa. Assim que a saída limpa aconteceu, começaram
a surgir os problemas.” Essa
ideia já tinha sido expressa em Março de 2016: “A saída limpa saiu muito cara a Portugal, tal a forma como o governo anterior escondeu e adiou a resolução de problemas fundamentais no sector financeiro.” E também em Dezembro de 2015, em pleno caso Banif: a venda do banco
não aconteceu quando deveria só para a saída limpa não ser perturbada. Daqui podemos tirar duas conclusões. Conclusão um: “a saída limpa de 2014 foi maquilhada” é um dos mantras políticos favoritos de António Costa. Conclusão dois: António Costa não aprecia maquilhagens. Eu compro parcialmente a conclusão número um. Admito que muitos problemas, em particular os da banca, foram empurrados
com a barriga para Portugal fazer
o número do país cumpridor
em 2014, e conseguir uma
saída do programa à irlandesa,
e não à grega. Mas se compro
parcialmente a conclusão número um, tenho alguns problemas com a consistência da conclusão número dois. Será que António Costa não gosta mesmo de contas maquilhadas, em geral, ou apenas censura maquilhagens alheias, enquanto despeja o stock inteiro
da Sephora sobre as suas próprias contas? Expliquem-me, por favor, como é que um homem tão íntegro na sua matemática macroeconómica, tão defensor da transparência das contas do Estado, tão naturista no princípio da nudez das finanças públicas, consegue apresentar um défice de 2,3% para 2016, ao mesmo
As receitas extraordinárias têm sido o balão de oxigénio de todos os ministros das Finanças, sem excepção
tempo que garante nunca ter sido obrigado a executar qualquer plano B e o seu ministro das Finanças jura a pés juntos que a redução do horário de trabalho da função pública para as 35 horas custou zero euros aos cofres do Estado? Isto não é maquilhagem? Claro que não — e Michael Jackson nunca fez uma operação plástica na vida. Não é por acaso que a defesa que António Costa fez dos seus próprios números há uma semana
no Parlamento foi uma desgraça.
É porque este 2,3%, “o défice mais
baixo da democracia”, não significa coisa alguma para qualquer pessoa ou instituição que olhe com seriedade para as contas do país. É
por isso que os ratings das agências não mexem e continuamos com a cabeça enfiada no lixo. O Fórum para a Competitividade garantiu que sem Peres, sem medidas pontuais e sem cortes brutais no investimento público — ou seja, se
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o |
PS tivesse realmente cumprido |
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seu magnífico programa de |
governo —, o défice em 2016 teria
ficado nos 3,4%. De estrutural este défice tem zero. Dir-me-ão:
não é a primeira vez que isto
acontece. Com certeza. As receitas extraordinárias têm sido o balão de oxigénio de todos os ministros das Finanças, sem excepção. Só que à medida que os anos passam
e a dívida do país aumenta — e ela
aumentou uns espantosos 9,5 mil milhões de euros só em 2016 —, a situação vai-se agravando de forma dramática. A saída de 2014 não foi tão limpa quanto a venderam, de facto. Mas enquanto este governo andar por aí vamos ter défices sujos todos os anos.
Jornalista
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