CASO PRÁTICO SOBRE FILIAÇÃO
I
Em Fevereiro de 2000, Eduarda, filha de Antónia e Bento, casou-se com
Fernando.
Em Março de 2002, no âmbito de um processo de natureza criminal,
Fernando foi condenado por infligir maus tratos ao cônjuge em 2001, tendo-lhe sido
aplicada a pena acessória de proibição de contacto com a vítima, incluindo o
afastamento da casa de morada de família, durante um ano e meio.
Em Fevereiro de 2003, Eduarda passou a viver em união de facto com
Guilherme na casa de morada da família.
Em Maio de 2004, Eduarda foi mãe de Helena. Guilherme declarou o
nascimento, tendo na mesma ocasião indicado que Eduarda era a mãe, que o pai era
ele próprio, e não Fernando, e que o declarante assumiria os direitos e deveres
paternais assim que fosse dissolvido o casamento de Eduarda.
A paternidade de Helena encontra-se estabelecida relativamente a
Guilherme? Em caso negativo, como pode tal paternidade vir a ser estabelecida?
RESOLUÇÃO
Á luz dos factos mencionados H é descendente de E no 1º grau de linha reta, pelo
que se entende a necessidade do estabelecimento da maternidade, em resultado do
nascimento de H – no âmbito de um enquadramento geral de estabelecimento da
filiação. O regime aplicável consta dos artigos 1803º a 1825º, como nos é indicado
no artigo 1796º,o que nos permite, desde logo, obter duas ligações: existem dois
modos diferentes de estabelecimento da maternidade (declaração da maternidade e
reconhecimento judicial) ora o que releva para o caso será a declaração de
maternidade, dado que houve registo com a consequente declaração.
A declaração de maternidade – artigos 1803º a 1807º- é o modo normal de
estabelecimento e consiste na indicação da maternidade, podendo ser efetuada pela
mãe ou terceiros com legitimidade como disposto no artigo 97º Nº1 b) do CRC
(código registo civil), neste caso a maternidade é indicada no registo e, assumindo
que ainda não passou um ano, considera-se estabelecida ao abrigo do artigo 1804º.
sendo mais exigentes no primeiro. cabe apurar em que termos deve ser estabelecida a paternidade em relação a G. Neste caso parece ter relevância. nada nos indica que não terá surgido uma nova reconciliação. a filiação (ato voluntário de assunção de poderes paternais) e reconhecimento judicial da paternidade – nos termos dos artigos 1826º a 1874º. pelo que deverá ser em relação a este que a paternidade deve ser estabelecida. a presunção funciona em relação ao marido da mãe. visto que não se afigura possível analogia entre os dois institutos: os requisitos solenes do casamento (nomeadamente o registo) não se assemelham aos requisitos da união de facto. nos termos do Artigo 1832º Nº 1 e 2. o estabelecimento de paternidade comporta três: a presunção.No tocante ao estabelecimento da paternidade. a própria mencionasse que F não era o pai de H. isto porque não estamos perante ou divórcio ou situação litigiosa. Note-se que ao contrário do estabelecimento de maternidade que comporta dois modos. Esclarecidas as possíveis questões quanto á presunção e entendendo que cessou em relação a F.2 e 3 para cessar essa mesma presunção e atribuir os poderes paternais a G. o efetivo pai da criança. por se tratar de um estabelecimento da filiação fora do casamento. Em suma. conforme está estabelecido nos termos do artigo 1826º. á partida. importa salientar que á luz dos factos. a presunção e a filiação. e assim atribuir a paternidade a G. surgem assim duas figuras possíveis: a perfilhação e o . E poderia fazer cessar a presunção se. como descrito no artigo 1832º Nº1. No entanto. entende-se que F terá poderes de paternidade atribuídos por presunção. visto já terem passado trezentos dias do fim da coabitação do casal. Ora. já que o seu casamento com E não fora dissolvido. entende-se que seja fulcral o momento da conceção para a atribuição da paternidade. Outra questão que poderia ser aqui discutida. Importa ainda salientar que.. o que levaria – conforme os factos – uma posição favorável para G. ainda a propósito do funcionamento da presunção. No entanto o facto de existir uma sentença judicial que indique o afastamento de F da casa de morada de família. reside na possibilidade do alargamento do sistema da presunção á união de facto. e que será necessário o reconhecimento de E. logo não é possível a aplicação do artigo 1829º Nº2 b). Seguindo o regime constante no artigo 1847º. H é descendente de G no 1º grau de linha reta. no entanto. o que significa que F seria presumido como pai da criança. entende a regência que tal aplicação do artigo seria excessivo. artigo 1798º.
já que foi identificada a mãe. será de referir que a declaração de G se traduziu numa limitação dos efeitos – nomeadamente dos poderes paternais. parece afigurar a perfilhação. Não se verifica assim a invalidação da perfilhação – apenas são desconsideradas essas restrições. artigo 1850º. que lhe são atribuídos por lei – o que reporta á aplicação do artigo 1852º. mencionado no artigo 1849º.reconhecimento judicial. que consiste num ato livre e pessoal. Assim em termos gerais. tem-se por presumido o consentimento e a capacidade. Como solução iminente. bem como a forma. entendida como declaração no registo civil – artigo 1853º a). . e então tb Estando respeitados os termos impostos pelo artigo 1855º. tem-se a perfilhação por realizada e a paternidade estabelecida em G.