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GUIDELINES ON WRITING A PHILOSOPHY PAPER

James Pryor

Assoc. Prof.

Philosophical writing is different from the writing you'll be asked to do in other courses. Most of the strategies described below will also serve you well when writing for other cour- ses, but don't automatically assume that they all will. Nor should you assume that every writing guideline you've been given by other teachers is important when you're writing a philosophy paper. Some of those guidelines are routinely violated in good philosophical prose (e.g., see the guidelines on grammar, below).

What Does One Do in a Philosophy Paper?

1. A philosophy paper consists of the reaso- ned defense of some claim

Your paper must offer an argument. It can't consist in the mere report of your opinions, nor in a mere report of the opinions of the philosophers we discuss. You have to defend the claims you make. You have to offer reasons to believe them. So you can't just say:

My view is that P.

You must say something like:

My view is that P. I believe this because

or:

I find that the following considerations convincing argument for P.

Similarly, don't just say:

Descartes says that Q.

Instead, say something like:

provide a

Descartes says that Q; however, the following thou- ght-experiment will show that Q is not true

or:

Descartes says that Q. I find this claim plausible, for the following reasons

There are a variety of things a philosophy paper can aim to accomplish. It usually begins by putting some thesis or ar- gument on the table for consideration. Then it goes on to do one or two of the following:

Criticize that argument; or show that certain argu- ments for the thesis are no good

Defend the argument or thesis against someone el- se's criticism

COMO SE ESCREVE UM ENSAIO DE FILOSOFIA

James Pryor

Universidade de Princeton

Escrever, em filosofia, é diferente do que se pede ao estu- dante para redigir noutros cursos. A maior parte das estraté- gias descritas abaixo será útil também quando o estudante precisar de escrever ensaios noutras disciplinas, mas não se deve presumir automaticamente que o seja, nem que as ori- entações dadas por outros professores serão necessariamente úteis quando se escreve um ensaio de filosofia; algumas dessas orientações são rotineiramente desconsideradas na boa prosa filosófica (por exemplo, veja-se as regras de gra- mática, abaixo).

O Que Se Faz Num Ensaio De Filosofia?

1. Um ensaio de filosofia consiste numa de- fesa argumentada de uma afirmação.

Os ensaios dos estudantes devem oferecer um argumento. Não podem consistir na mera exposição das suas opiniões, nem na mera apresentação das opiniões dos filósofos discu- tidos. É preciso que o estudante defenda as afirmações que faz e que ofereça razões para se pensar que são verdadeiras. Assim, o estudante não pode simplesmente dizer:

A minha opinião é que P.

Deve antes dizer algo como:

A minha opinião é que P. Penso isto porque

ou:

Penso que as considerações seguintes argumento convincente em defesa de P.

oferecem um

Da mesma forma, o estudante não deve dizer simplesmente:

Descartes afirma que Q.

Ao invés, terá de dizer algo como o seguinte:

Descartes afirma que Q; contudo, a seguinte experi- ência mental mostrará que não é verdade que Q

Ou:

Descartes afirma que Q. Julgo que esta afirmação é plausível, pelas seguintes razões

Um ensaio de filosofia pode ter vários objectivos. Geralmen- te começamos por apresentar algumas teses ou argumentos para consideração do leitor, passando de seguida a fazer uma ou duas das coisas seguintes:

Criticar o argumento, ou demonstrar que certos ar- gumentos em defesa da tese não são bons.

Defender o argumento ou tese contra uma crítica.

Oferecer razões para se acreditar na tese.

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Offer reasons to believe the thesis

Offer counter-examples to the thesis

Contrast the strengths and weaknesses of two oppo- sing views about the thesis

Give examples which help explain the thesis, or which help to make the thesis more plausible

Argue that certain philosophers are committed to the thesis by their other views, though they do not come out and explicitly endorse the thesis

Discuss what consequences the thesis would have, if it were true

Revise the thesis, in the light of some objection

No matter which of these aims you set for yourself, you have to explicitly present reasons for the claims you ma- ke. Students often feel that since it's clear to them that some claim is true, it does not need much argument. But it's very easy to overestimate the strength of your own position. After all, you already accept it. You should assume that your audi- ence does not already accept your position; and you should treat your paper as an attempt to persuade such an audience. Hence, don't start with assumptions which your opponents are sure to reject. If you're to have any chance of persuading people, you have to start from common assumptions you all agree to.

2. A good philosophy paper is modest and

makes a small point; but it makes that po-

int clearly and straightforwardly, and it offers good reasons in support of it

People very often attempt to accomplish too much in a phi- losophy paper. The usual result of this is a paper that's hard to read, and which is full of inadequately defended and poor- ly explained claims. So don't be over-ambitious. Don't try to establish any earth-shattering conclusions in your 5-6 page paper. Done properly, philosophy moves at a slow pace.

3. Originality

The aim of these papers is for you to show that you unders- tand the material and that you're able to think critically about it. To do this, your paper does have to show some indepen- dent thinking. That doesn't mean you have to come up with your own theory, or that you have to make a completely original con- tribution to human thought. There will be plenty of time for that later on. An ideal paper will be clear and straightfor- ward (see below), will be accurate when it attributes views to other philosophers (see below), and will contain thought- ful critical responses to the texts we read. It need not always break completely new ground. But you should try to come up with your own arguments, or your own way of elaborating or criticizing or defending some argument we looked at in class. Merely summarizing what others have said won't be enough.

Oferecer contra-exemplos à tese.

Contrapor os pontos fortes e fracos de duas pers- pectivas opostas sobre a tese.

Dar exemplos que ajudem a explicar a tese, ou a torná-la mais plausível.

Argumentar que certos filósofos estão comprometi- dos com a tese por causa dos seus pontos de vista, apesar de não a terem explicitamente afirmado ou endossado.

Discutir que consequências a tese teria, se fosse verdadeira.

Rever a tese à luz de uma objecção qualquer.

É necessário apresentar explicitamente as razões que

sustentam as nossas afirmações, independentemente de quais destes objectivos tenhamos em mente. Os estudantes geralmente sentem que não há necessidade de muita argu- mentação quando uma dada afirmação é para eles evidente; mas é muito fácil sobrestimar a força da nossa própria posi- ção. Afinal de contas, já a aceitamos. O estudante deve pre- sumir que o leitor ainda não aceita sua posição e tratar o ensaio como uma tentativa de persuadir o leitor. Por isso, não se deve começar um ensaio com pressupostos que quem não aceita a nossa posição vai com certeza rejeitar. Se que- remos ter alguma hipótese de persuadir as pessoas, temos de partir de afirmações comuns, com as quais todos concordam.

2. Um bom ensaio de filosofia é modesto e

defende uma pequena ideia, mas apresen- ta-a com clareza e objectividade, e oferece boas razões em sua defesa.

Muitas vezes, as pessoas têm demasiados objectivos num ensaio de filosofia. O resultado disto é, normalmente, um ensaio difícil de ler e repleto de afirmações pobremente explicadas e inadequadamente defendidas. Portanto, deve- mos evitar ser demasiado ambiciosos. Não devemos tentar chegar a conclusões extraordinárias num ensaio de 5 ou 6 páginas. Feita adequadamente, a filosofia avança em peque- nos passos.

3. Originalidade

O objectivo dos ensaios escolares é demonstrar que o estu-

dante entende o problema e é capaz de pensar criticamente

sobre ele. Para que isto aconteça, o ensaio do estudante tem

de revelar algum pensamento independente.

Isto não significa que o estudante tem de apresentar a sua própria teoria, ou que tenha de dar uma contribuição com- pletamente original para o pensamento humano. Haverá muito tempo para isso no futuro. Um ensaio bem escrito é claro e directo (veja abaixo), rigoroso ao atribuir opiniões a outros filósofos (veja abaixo), e contém respostas pondera-

das e críticas aos textos que lemos. Não é necessário inovar sempre. Mas o estudante deve tentar trabalhar com os seus pró- prios argumentos, ou a sua maneira de elaborar, criticar ou defender algum argumento que viu nas aulas. Não basta simplesmente resumir o que os outros disseram.

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THREE STAGES OF WRITING

1. Early Stages

The early stages of writing a philosophy paper include e- verything you do before you sit down and write your first draft. These early stages will involve writing, but you won't yet be trying to write a complete paper. You should instead be taking notes on the readings, sketching out your ideas, trying to explain the main argument you want to advance, and composing an outline.

Discuss the issues with others

As I said above, your papers are supposed to demonstrate that you understand and can think critically about the material we discuss in class. One of the best ways to check how well you understand that material is to try to explain it to someone who isn't already familiar with it. I've discovered time and again while teaching philosophy that I couldn't really explain properly some article or ar- gument I thought I understood. This was because it was really more problematic or complicated than I had reali- zed. You will have this same experience. So it's good to discuss the issues we raise in class with each other, and with friends who aren't taking the class. This will help you understand the issues better, and it will make you re- cognize what things you still don't fully understand. It's even more valuable to talk to each other about what you want to argue in your paper. When you have your ideas worked out well enough that you can explain them to someone else, verbally, then you're ready to sit down and start making an outline.

Make an outline

Before you begin writing any drafts, you need to think about the questions: In what order should you explain the various terms and positions you'll be discussing? At what point should you present your opponent's position or ar- gument? In what order should you offer your criticisms of your opponent? Do any of the points you're making presuppose that you've already discussed some other po- int, first? And so on. The overall clarity of your paper will greatly depend on its structure. That is why it is important to think about these questions before you begin to write. I strongly recommend that you make an outline of your paper, and of the arguments you'll be presenting, before you begin to write. This lets you organize the po- ints you want to make in your paper and get a sense for how they are going to fit together. It also helps ensure that you're in a position to say what your main argument or criticism is, before you sit down to write a full draft of your paper. When students get stuck writing, it's often because they haven't yet figured out what they're trying to say. Give your outline your full attention. It should be fa- irly detailed. (For a 5-page paper, a suitable outline mi-

TRÊS ESTÁGIOS DE REDAÇÃO

1. Primeiros Estágios

Os primeiros estágios de redacção de um ensaio de filosofia incluem tudo o que o estudante faz antes de se sentar para escrever o seu primeiro esboço. Estes primeiros estágios envolvem a escrita, mas o estudante ainda não vai escrever um ensaio completo. Pelo contrário, o estudante deve fazer anotações de leituras, rascunhos das suas ideias, tentativas para explicar o argumento principal que deseja avançar, e deve criar um esboço.

Discuta as questões com os outros

Como foi dito anteriormente, espera-se que ensaios dos estudantes demonstrem que ele entendeu o assunto que discutiu nas aulas e, mais ainda, que pode pensar criti- camente sobre esse assunto. Uma das melhores maneiras de verificar a nossa compreensão da matéria das aulas é tentar explicá-la a quem não está ainda familiarizado com ela. Eu descobri repetidamente, enquanto ensinava filosofia, que não conseguia explicar adequadamente uma questão ou argumento que julgava ter entendido bem. Isto aconteceu porque o problema era mais com- plexo do que eu tinha percebido. O estudante terá a mesma experiência. Por isso, é bom que troque conside- rações com colegas e com amigos que não assistem às aulas, o que o ajudará a compreender melhor o que dis- cutimos nas aulas e a identificar o que ainda não com- preendeu inteiramente. Será ainda mais proveitoso que os estudantes tro- quem considerações entre si sobre o que querem discutir nos seus ensaios. Quando as ideias do estudante estive- rem suficientemente bem trabalhadas para que ele possa explicá-las oralmente, então ele estará pronto para se sentar e fazer um esboço.

Faça um esboço de trabalho

Antes de começar a escrever um rascunho, você precisa pensar sobre o que vai escrever: em que ordem deve ex- plicar os diversos pontos a serem abordados? Em que pontos deve apresentar a posição ou argumento contrá- rios? Em que ordem deve expor a crítica que faz aos ar- gumentos ou posições contrárias? O que pretende discu- tir pressupõe outra discussão anterior? E assim por dian- te.

A clareza geral do seu ensaio dependerá em grande parte da sua estrutura. Por isso, é importante pensar sobre estas questões antes de começar a escrever. Eu recomendo fortemente que, antes de começar a escrever, o estudante faça um esboço do ensaio e dos ar- gumentos que vai apresentar, o que lhe será útil para or- ganizar os pontos que quer abordar e para lhes dar uma direcção. Este procedimento também ajuda o estudante a assegurar-se de que pode dizer qual é seu argumento principal ou crítica, antes de se sentar para escrever um rascunho completo. Geralmente, quando os estudantes têm dificuldade em escrever, é porque ainda não com- preenderam bem aquilo que estão a tentar dizer. Dê toda a atenção ao esboço, que deve ser bem deta-

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ght take up a full page or even more.) I find that making an outline is at least 80% of the work of writing a good philosophy paper. If you have a good outline, the rest of the writing process will go much more smoothly.

Start Work Early

Philosophical problems and philosophical writing require careful and extended reflection. Don't wait until two or three nights before the paper is due to begin. That is very stupid. Writing a good philosophy paper takes a great deal of preparation. You need to leave yourself enough time to think a- bout the topic and write a detailed outline. Only then should you sit down to write a complete draft. Once you have a complete draft, you should set it aside for a day or two. Then you should come back to it and rewrite it. Se- veral times. At least 3 or 4. If you can, show it to your friends and get their reactions to it. Do they understand your main point? Are parts of your draft unclear or con- fusing to them? All of this takes time. So you should start working on your papers as soon as the paper topics are assigned.

2. Write a Draft

Once you've thought about your argument, and written an outline for your paper, then you're ready to sit down and compose a complete draft.

Use simple prose

Don't shoot for literary elegance. Use simple, straight- forward prose. Keep your sentences and paragraphs short. Use familiar words. We'll make fun of you if you use big words where simple words will do. These issues are deep and difficult enough without your having to muddy them up with pretentious or verbose language. Don't write using prose you wouldn't use in conversa- tion: if you wouldn't say it, don't write it. You may think that since your TF and I already know a lot about this subject, you can leave out a lot of basic explanation and write in a super-sophisticated manner, like one expert talking to another. I guarantee you that this will make your paper incomprehensible. If your paper sounds as if it were written for a third- grade audience, then you've probably achieved the right sort of clarity. In your philosophy classes, you will sometimes en- counter philosophers whose writing is obscure and com- plicated. Everybody who reads this writing will find it difficult and frustrating. The authors in question are phi- losophically important despite their poor writing, not be- cause of it. So do not try to emulate their writing styles.

Make the structure of your paper obvious

You should make the structure of your paper obvious to the reader. Your reader shouldn't have to exert any effort

lhado. (Para um ensaio de 5 páginas, um esboço adequa-

do deve ter uma página inteira ou mesmo mais.)

Eu acho que fazer um esboço de trabalho representa pelo menos 80% do trabalho de escrever um ensaio de fi- losofia. Se faz um bom esboço, o resto do processo de

escrita será muito mais tranquilo.

Comece logo a trabalhar

Os problemas filosóficos e a redacção filosófica exigem cuidado e reflexão complementares. O estudante não de-

ve esperar até duas ou três noites antes da data de entrega

para começar a escrever. Isto é tolo. Escrever um bom ensaio de filosofia exige um grande esforço de prepara- ção. O estudante precisa dar a si mesmo tempo suficiente para pensar sobre o tópico e escrever um esboço detalha- do. Só então estará pronto para escrever um rascunho

completo. Concluído o rascunho, abandone-o por um ou dois dias. Só então deve retomá-lo e reescrevê-lo várias vezes. Pelo menos 3 ou 4. Se puder, mostre-o aos seus amigos e observe as suas reacções. Eles compreendem os seus pontos principais? Há partes no seu rascunho obscu- ras ou confusas para eles? Tudo isso leva tempo. Assim, o estudante deve co- meçar a trabalhar nos seus ensaios assim que os tópicos estejam determinados.

2. Escreva um rascunho

Se o estudante já reflectiu sobre o seu argumento e criou um esquema para o ensaio, então está pronto para se sentar e escrever um rascunho completo.

Use uma linguagem simples

Não aposte na elegância literária. Use um estilo simples e directo; mantenha frases e parágrafos curtos e escolha palavras familiares. Se usar palavras rebuscadas onde as simples dariam conta do recado, os professores riem-se de si. As questões da filosofia são suficientemente pro- fundas e difíceis sem que o estudante tenha de as enla- mear com um linguagem pretensiosa ou verborreica. Não

escreva num estilo que não usaria coloquialmente: se não se diz assim, não o escreva assim. O estudante pode pensar que, uma vez que o profes- sor de filosofia já sabe muito sobre o tema do ensaio, po-

de deixar de lado boa parte da explicação básica e escre-

ver num estilo super-sofisticado, como um especialista que fala com outro. Garanto que este procedimento tor- nará o seu trabalho incompreensível. Se o seu ensaio soar como se tivesse sido escrito para uma audiência da terceira classe, então provavelmente tem a clareza adequada. Nas aulas de filosofia o estudante encontra por vezes filósofos cujo estilo é obscuro e complicado. Todos os que lêem este tipo de texto acham-no difícil e frustrante. Os autores em questão são filosoficamente importantes, apesar de a sua prosa ser má, e não por causa dela. As-

sim, não tente imitar esse tipo de prosa.

Torne óbvia a estrutura de seu ensaio

A estrutura do seu ensaio tem de ser óbvia para o leitor.

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to figure it out. Beat him over the head with it. How can you do this? First of all, use connective words, like:

because, since, given this argument

thus, therefore, hence, it follows that, conse- quently

nevertheless, however, but

in the first case, on the other hand

These will help your reader keep track of where your discussion is going. Be sure you use these words correc- tly! If you say "P. Thus Q." then you are claiming that P is a good reason to accept Q. You had better be right. If you aren't, we'll complain. Don't throw in a "thus" or a "therefore" to make your train of thought sound more lo- gical than it really is. Another way you can help make the structure of your paper obvious is by telling the reader what you've done so far and what you're going to do next. You can say things like:

I will begin by

Before I say what is wrong with this argument, I want to

These passages suggest that

I will now defend this claim

Further support for this claim comes from

For example

These signposts really make a big difference. Consi- der the following two paper fragments:

We've

just seen how X says that P. I will now pre-

sent two arguments that not-P. My first argument is

My second argument that not-P is

X might respond to my arguments in several

ways. For instance, he could say that However this response fails, because

Não obrigue o leitor a despender energias para a compre- ender. Ofereça as suas ideias de bandeja. Como se pode fazer isso? Antes de mais nada, use conectivos como os seguin-

tes:

Porque, uma vez que, dado o argumento.

Logo, portanto, por conseguinte, segue-se que, consequentemente.

Não obstante, todavia, mas.

No primeiro caso, por outro lado.

Estes recursos ajudam o leitor a não perder a direcção da sua argumentação. Certifique-se que usa as palavras correctamente! Se disser "P. Portanto Q.", está a afirmar que P é uma boa razão para se aceitar Q. É melhor que isso seja mesmo assim. Se não for, os professores protes- tam. Não atire de qualquer maneira um "portanto" ou um "consequentemente" para fazer o seu pensamento parecer mais lógico do que realmente é. Outro recurso que pode ajudá-lo a tornar óbvia a es- trutura do seu trabalho é dizer ao leitor o que já fez até o momento e o que vai fazer em seguida. Pode dizer algo como o seguinte:

Começarei por

Antes de dizer o que está errado com este argu- mento quero

Estas passagens sugerem que

Vou

Esta afirmação é também apoiada por

Por exemplo

agora defender esta afirmação

Estes indicadores fazem uma grande diferença. Con- sidere os seguintes dois fragmentos de ensaios:

Acabámos de ver como X diz que P. Vou agora a-

presentar dois argumentos a favor de não-P. O pri- meiro argumento é

Another way that X might respond to my argu-

O

segundo argumento a favor de não-P é

ments is by claiming that

X

pode responder aos meus argumentos de várias

This response also fails, because

formas. Por exemplo, poderia dizer que

So we have seen that none of X's replies to my

argument that not-P succeed. Hence, we should reject

X's claim that P. I will argue for the view that Q. There are three reasons to believe Q. Firstly Secondly Thirdly The strongest objection to Q says However, this objection does not succeed, for the following reason

Isn't it easy to see what the structure of these papers is? You want it to be just as easy in your own papers. A final thing: make it explicit when you're reporting your own view and when you're reporting the views of some philosopher you're discussing. The reader should never be in doubt about whose claims you're presenting in a given paragraph. You can't make the structure of your paper obvious if you don't know what the structure of your paper is, or if your paper has no structure. That's why making an outli- ne is so important.

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Todavia esta resposta falha, porque

X também poderia responder a meu argumento a-

firmando que Esta resposta também falha, porque Assim, vimos que nenhuma das respostas aos

meus argumentos a favor de não-P foi bem sucedida. Consequentemente, devemos rejeitar a afirmação de X de que P. Vou defender a ideia de que Q. Há três razões para se pensar que é verdade que Q. Primeiramente Em segundo lugar Em terceiro lugar

A objecção mais forte a Q é que

Todavia, esta objecção não é bem sucedida, pela seguinte razão

Veja-se como é fácil reconhecer a estrutura destes en- saios. A estrutura dos ensaios dos estudantes deve ser i- gualmente fácil. Uma observação final: deixe sempre muito claro quando expõe suas opiniões ou, ao contrário, quando a-

Be concise, but explain yourself fully

To write a good philosophy paper, you need to be conci- se but at the same time explain yourself fully. These demands might seem to pull in opposite direc- tions. (It's as if the first said "Don't talk too much," and the second said "Talk a lot.") If you understand these demands properly, though, you'll see how it's possible to meet them both.

We tell you to be concise because we don't want you to ramble on about everything you know about a gi- ven topic, trying to show how learned and intelligent you are. Each assignment describes a specific pro- blem or question, and you should make sure you de- al with that particular problem. Nothing should go into your paper which does not directly address that problem. Prune out everything else. It is always bet- ter to concentrate on one or two points and develop them in depth than to try to cram in too much. One or two well-mapped paths are better than an impene- trable jungle. Formulate the central problem or question you wish to address at the beginning of your paper, and keep it in mind at all times. Make it clear what the problem is, and why it is a problem. Be sure that e- verything you write is relevant to that central pro- blem. In addition, be sure to say in the paper how it is relevant. Don't make your reader guess.

One thing I mean by "explain yourself fully" is that, when you have a good point, you shouldn't just toss it off in one sentence. Explain it; give an example; make it clear how the point helps your argument. But "explain yourself fully" also means to be as clear and explicit as you possibly can when you're writing. It's no good to protest, after we've graded your paper, "I know I said this, but what I meant "

was

ce. Part of what you're being graded on is how well you can do that. Pretend that your reader has not read the mate- rial you're discussing, and has not given the topic much thought in advance. This will of course not be true. But if you write as if it were true, it will force you to explain any technical terms, to illustrate s- trange or obscure distinctions, and to be as explicit as possible when you summarize what some other philosopher said. In fact, you can profitably take this one step fur- ther and pretend that your reader is lazy, stupid, and mean. He's lazy in that he doesn't want to figure out what your convoluted sentences are supposed to mean, and he doesn't want to figure out what your argument is, if it's not already obvious. He's stupid, so you have to explain everything you say to him in simple, bite-sized pieces. And he's mean, so he's

Say exactly what you mean, in the first pla-

presenta a opinião de algum filósofo que estiver discu- tindo. O leitor não deve ficar em dúvida sobre a autoria das afirmações que faz em um dado parágrafo. O estudante não conseguirá tornar óbvia a estrutura do seu ensaio se não souber que estrutura é essa, ou se o ensaio não tiver nenhuma. Por isso é tão importante fazer um esboço de trabalho.

Seja conciso, mas explique-se completamen- te

Para escrever um bom ensaio de filosofia, precisamos de ser concisos. Ainda assim, temos de explicar completa- mente os nossos pontos de vista. Pode parecer que estas exigências nos empurram em direcções opostas (é como se a primeira dissesse "Não fale muito," e a segunda dissesse "Fale muito") mas, se as compreender adequadamente, verá que é possível a- tender a ambas.

Os professores insistem na concisão porque não querem ver o estudante a divagar a respeito de tudo o que conhece de um determinado tema, tentando mostrar como é inteligente e culto. Cada ensaio de- ve tratar de uma única questão ou problema especí- fico. Certifique-se de que trata efectivamente desse problema em particular. O que não se referir espe- cificamente ao problema a ser tratado não deve constar do seu ensaio. Elimine tudo o resto. É sem- pre melhor concentrar-se em um ou dois pontos e desenvolvê-los em profundidade do que falar de tu- do. Um ou dois caminhos claros funcionam melhor que uma floresta impenetrável. Formule, no início do artigo, o problema ou questão central que deseja tratar, e mantenha-o em mente o tempo todo. Esclareça qual é o problema, e por que razão é um problema. Certifique-se de que diz apenas o que é relevante para o tema central e de que informa ao leitor da relevância do que vai tratar. Não o obrigue a adivinhar.

que quero dizer com "explique-se completamente" é que, quando temos um tópico para explorar, não devemos simplesmente atirá-lo numa frase. Expli- que-o; dê um exemplo; esclareça de que forma esse tópico ajuda o seu argumento. Mas "explique-se completamente" também sig- nifica ser tão claro e explícito quanto possível quando estiver a escrever. Não é uma boa ideia pro-

testar, depois de o professor ter corrigido o seu arti- go, dizendo "Eu sei que disse isso, mas o que "

queria dizer é

de. Parte da nota que receberá terá sido em função da capacidade para dizer o que quer dizer. Faça de conta que o leitor não leu o material que está a discutir, e que não reflectiu muito sobre ele, o que obviamente não será verdade. Mas, se o estudante escrever como se isto fosse verdade, sen- te-se forçado a explicar termos técnicos, ilustrar distinções estranhas ou obscuras, e ser tão claro quanto possível quando resumir o que os outros fi- lósofos disseram. Será bastante útil levar este primeiro passo mais além e fingir que o seu leitor é preguiçoso, tolo e

Diga exactamente o que preten-

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not going to read your paper charitably. (For exam- ple, if something you say admits of more than one interpretation, he's going to assume you meant the less plausible thing.) If you understand the material you're writing about, and if you aim your paper at such a reader, you'll probably get an A.

Use plenty of examples and definitions

It is very important to use examples in a philosophy pa- per. Many of the claims philosophers make are very abs- tract and hard to understand, and examples are the best way to make those claims clearer. Examples are also useful for explaining the notions that play a central role in your argument. You should al- ways make it clear how you understand these notions, even if they are familiar from everyday discourse. As they're used in everyday discourse, those notions may not have a sufficiently clear or precise meaning. For ins- tance, suppose you're writing a paper about abortion, and you want to assert the claim "A fetus is a person." What do you mean by "a person"? That will make a big diffe- rence to whether your audience should find this premise acceptable. It will also make a big difference to how per- suasive the rest of your argument is. By itself, the follo- wing argument is pretty worthless:

A fetus is a person. It's wrong to kill a person. Therefore, it's wrong to kill a fetus.

For we don't know what the author means by calling a fetus "a person." On some interpretations of "person," it might be quite obvious that a fetus is a person; but quite controversial whether it's always wrong to kill persons, in that sense of "person." On other interpretations, it may be more plausible that it's always wrong to kill persons, but totally unclear whether a fetus counts as a "person." So everything turns here on what the author means by "person." The author should be explicit about how he is using this notion. In a philosophy paper, it's okay to use words in ways that are somewhat different from the ways they're ordina- rily used. You just have to make it clear that you're doing this. For instance, some philosophers use the word "per- son" to mean any being which is capable of rational thought and self-awareness. Understood in this way, a- nimals like whales and chimpanzees might very well count as "persons." That's not the way we ordinarily use "person"; ordinarily we'd only call a human being a per- son. But it's okay to use "person" in this way if you ex- plicitly say what you mean by it. And likewise for other words.

Don't vary your vocabulary just for the sake of

maldoso. Preguiçoso, porque não quer se esforçar para descobrir o que as suas frases embrulhadas querem dizer, nem qual é seu argumento, se não não for completamente evidente. Tolo, porque terá de explicar-lhe, de forma simples e pormenorizada, tudo o que disser. Maldoso, porque não vai ser ca- ridoso ao ler seu artigo. (Por exemplo, se disser qualquer coisa que permita mais de uma interpreta- ção, ele vai presumir que dissemos a menos plausí- vel.) Se o estudante compreende a matéria sobre a qual está a escrever, e se direcciona seu artigo para este tipo de leitor, provavelmente conseguirá ter uma nota muito elevada.

Use muitos exemplos e definições

É muito importante usar exemplos num ensaio de filo- sofia. Boa parte das afirmações que os filósofos fazem são muito abstractas e de difícil compreensão, e os e- xemplos são a melhor forma de as tornar mais claras. Os exemplos são também úteis para explicar os con- ceitos que ocupam um papel central no argumento do estudante. Procure deixar clara a maneira como os en- tende, mesmo que sejam recorrentes em discursos do dia-a-dia. Tal como são usados no dia-a-dia podem não ter um significado suficientemente claro ou preciso. Por exemplo, suponha que está a escrever um ensaio sobre o aborto, e quer sustentar que "Um feto é uma pessoa." O que quer dizer com "pessoa"? O que quer dizer com "pessoa" vai determinar fortemente se esta premissa se- rá ou não aceitável para o leitor. Também fará uma grande diferença no efeito persuasivo do seu argumento. Em si, o seguinte argumento não tem valor:

Um feto é uma pessoa. É errado matar uma pessoa. Logo, é errado matar um feto.

Não tem valor porque não sabemos o que o autor pre- tende dizer ao afirmar que um feto é uma pessoa. Se- gundo algumas interpretações de "pessoa", pode ser ób- vio que um feto seja uma pessoa. Em contrapartida, será bastante controverso se, no mesmo sentido de "pessoa", matar for sempre algo errado. Segundo outras interpre- tações, é mais plausível que seja sempre errado matar pessoas, mas totalmente confuso se um feto pode ser en- tendido como "pessoa." Assim, tudo resulta no que o autor pretende dizer com "pessoa". O autor tem de ser explícito a respeito do uso desse conceito. Num ensaio de filosofia, podemos dar às palavras um sentido diferente do usual, mas teremos de deixar claro que estamos a fazer isso. Por exemplo, alguns filó- sofos usam a palavra "pessoa" significando qualquer ser capaz de pensamento racional e auto-consciência. En- tendido desta forma, animais como baleias e chimpan- zés podem perfeitamente ser entendidos como "pesso- as". Não é este o significado que comummente damos a esta palavra; comummente, só os seres humanos são "pessoas". Mas está muito bem usar "pessoa" neste sen- tido, se esclarecermos o que queremos dizer com este termo. O mesmo acontece com quaisquer outras pala- vras deste género que usemos nos nossos ensaios.

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variety

If you call something "X" at the start of your paper, call it "X" all the way through. So, for instance, don't start talking about "Plato's view of the self," and then switch to talking about "Plato's view of the soul," and then swit- ch to talking about "Plato's view of the mind." If you me- an to be talking about the same thing in all three cases, then call it by the same name. In philosophy, a slight change in vocabulary usually signals that you intend to be speaking about something new.

Using words with precise philosophical mea- nings

Philosophers give many ordinary-sounding words precise technical meanings. Consult the handouts on Philosophi- cal Terms and Methods to make sure you're using these words correctly. Don't use words that you don't fully un- derstand. Use technical philosophical terms only where you need them. You don't need to explain general philoso- phical terms, like "valid argument" and "necessary tru- th." But you should explain any technical terms you use which bear on the specific topic you're discussing. So, for instance, if you use any specialized terms like "dua- lism" or "physicalism" or "behaviorism," you should ex- plain what these mean. Likewise if you use technical terms like "supervenience" and the like. Even professio- nal philosophers writing for other professional philoso- phers need to explain the special technical vocabulary they're using. Different people sometimes use this special vocabulary in different ways, so it's important to make sure that you and your readers are all giving these words the same meaning. Pretend that your readers have never heard them before.

Presenting and assessing the views of others

If you plan to discuss the views of Philosopher X, begin by figuring out what his arguments or central assumpti- ons are. See my tips on How To Read a Philosophy Pa- per for some help doing this. Then ask yourself: Are X's arguments good ones? Are his assumptions clearly stated? Are they plausible? Are they reasonable starting-points for X's argument, or ought he have provided some independent argument for them? Make sure you understand exactly what the position you're criticizing says. Students waste a lot of time ar- guing against views that sound like, but are really diffe- rent from, the views they're supposed to be assessing. Remember, philosophy demands a high level of precisi- on. It's not good enough for you merely to get the gene- ral idea of somebody else's position or argument. You have to get it exactly right. (In this respect, philosophy is more like a science than the other humanities.) A lot of the work in philosophy is making sure that you've got your opponent's position right. You can assume that your reader is stupid (see abo- ve). But don't treat the philosopher or the views you're discussing as stupid. If they were stupid, we wouldn't be looking at them. If you can't see anything the view has going for it, maybe that's because you don't have much

Não diversifique o vocabulário em benefício da variedade.

Se

referimos algo como "X" no começo do ensaio, temos

de

continuar a referir-nos a isso como "X". Por exemplo,

não comece por falar sobre "a perspectiva de Platão so-

bre o ego", mudando para "a perspectiva de Platão sobre

a alma", e depois para "a perspectiva de Platão sobre a

mente". Se se refere à mesma coisa nos três casos, use só um nome. Em filosofia, uma ligeira mudança no vocabu-

lário indica geralmente a intenção de nos referirmos a outra coisa.

Como usar palavras com significados filosófi- cos precisos?

Os filósofos dão a muitas palavras comummente usadas significados técnicos precisos. Certifique-se de que usa essas palavras correctamente. Não use palavras que não compreende bem. Use termos filosóficos técnicos somente quando fo- rem necessários. Não há necessidade de explicar termos filosóficos gerais como "argumento válido" e "verdade necessária". Mas deve explicar quaisquer termos técnicos

cujo uso conduza ao tópico específico que está a discutir. Assim, por exemplo, se usar quaisquer termos especiali- zados como "dualismo" ou "fisicalismo" ou "behavio- rismo," deve explicar o seu significado. Proceda da mesma forma se usar termos técnicos como "sobreveni- ência" e outros semelhantes. Mesmo quando os filósofos profissionais escrevem para outros filósofos profissionais têm de explicar o vocabulário técnico especial que estão

a usar. Pessoas diferentes às vezes usam o vocabulário

especial de diferentes formas, por isso é importante ter certeza de que os nossos leitores dão a estas palavras o

mesmo significado. Faça de conta que seus leitores nun-

ca as ouviram antes.

Como apresentar e avaliar pontos de vista alheios

Se temos em mente discutir as opiniões do filósofo X,

temos de começar por descobrir quais são os seus argu- mentos ou pressupostos centrais. Para alguma ajuda nes-

se sentido, vejam-se as indicações que dou em Como Ler um Texto Filosófico.

http://filosofiaeeducacao.no.sapo.pt/jpryorcomoseleumen

saiodefilosofia.html

De seguida, pergunte a si mesmo: os argumentos de

X são bons? Os seus pressupostos são apresentados com

clareza? São plausíveis? São pontos de partida razoáveis

para o argumento de X, ou ele deveria ter oferecido al- gum argumento independente? Certifique-se de que entende exactamente o que a po- sição que está criticando diz. Os estudantes perdem mui-

to tempo a argumentar contra opiniões que parecem indi-

car o que supõem estar sendo afirmado, mas na verdade dizem outra coisa. Lembre-se: a filosofia exige um alto

nível de precisão. Não basta simplesmente entender a i- deia geral da posição ou argumento de alguém. Temos de compreender rigorosamente o que está a ser dito. (Neste

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experience thinking and arguing about the view, and so you haven't yet fully understood why the view's propo- nents are attracted to it. Try harder to figure out what's motivating them. Philosophers sometimes do say outrageous things, but if the view you're attributing to a philosopher seems to be obviously crazy, then you should think hard about whether he really does say what you think he says. Use your imagination. Try to figure out what reasonable posi- tion the philosopher could have had in mind, and direct your arguments against that. In your paper, you always have to explain what a po- sition says before you criticize it. If you don't explain what you take Philosopher X's view to be, your reader cannot judge whether the criticism you offer of X is a good criticism, or whether it is simply based on a misun- derstanding or misinterpretation of X's views. So tell the reader what it is you think X is saying. Don't try to tell the reader everything you know about X's views, though. You have to go on to offer your own philosophical contribution, too. Only summarize those parts of X's views that are directly relevant to what you're going to go on to do. Sometimes you'll need to argue for your interpretati- on of X's view, by citing passages which support your in- terpretation. It is permissible for you to discuss a view you think a philosopher might have held, or should have held, though you can't find any direct evidence of that view in the text. When you do this, though, you should explicitly say so. Say something like:

Philosopher X doesn't explicitly say that P, but it seems to me that he's assuming it anyway, becau- se

Quotations

When a passage from a text is particularly useful in sup- porting your interpretation of some philosopher's views, it may be helpful to quote the passage directly. (Be sure to specify where the passage can be found.) However, di- rect quotations should be used sparingly. It is seldom ne- cessary to quote more than a few sentences. Often it will be more appropriate to paraphrase what X says, rather than to quote him directly. When you are paraphrasing what somebody else said, be sure to say so. (And here too, cite the pages you're referring to.) Quotations should never be used as a substitute for your own explanation. And when you do quote an au- thor, you still have to explain what the quotation says in your own words. If the quoted passage contains an argu- ment, reconstruct the argument in more explicit, straight- forward terms. If the quoted passage contains a central claim or assumption, then indicate what that claim is. You may want to give some examples to illustrate the author's point. If necessary, you may want to distinguish the author's claim from other claims with which it might

aspecto, a filosofia está mais próxima da ciência do que as outras humanidades.) Boa parte do trabalho em filoso- fia consiste em certificarmo-nos de que compreendemos bem a posição de quem discordamos. Podemos presumir que o nosso leitor é tolo (veja-se acima), mas não devemos tratar o filósofo ou as posições que estamos a discutir como tolas. Se o fossem, não esta- ríamos a discuti-las. Se não conseguimos ver nenhuma plausibilidade na posição que estamos a refutar, talvez não tenhamos muita experiência em pensar e argumentar sobre ela e ainda não compreendemos inteiramente por que motivos os seus proponentes a defendem. Procure esforçar-se um pouco mais para descobrir o que os moti- va.

Os filósofos às vezes dizem coisas perturbadoras, mas se a opinião que você está atribuindo a um filósofo parece obviamente louca, então deve reflectir melhor e descobrir se ele realmente diz o que você acha que diz. Use a imaginação. Tente descobrir que opinião razoável

o filósofo poderia ter tido em mente, e dirija seus argu-

mentos contra ela. Nos nossos ensaios temos sempre de explicar qual é a perspectiva X que queremos criticar, antes de fazê-lo. Se não o fizermos, o leitor não poderá julgar se a crítica que oferecemos a X é boa, ou se apenas se baseia em uma má interpretação ou má compreensão do ponto de vista de X. Assim, diga ao leitor o que acha que X afirma. Contudo, não tente dizer ao leitor tudo que sabe sobre

o ponto de vista de X. O estudante também tem de ter

espaço para oferecer sua própria contribuição filosófica. Resuma apenas aquelas partes da posição de X que são relevantes para o que pretende fazer. Às vezes precisamos de argumentar em defesa das nossas interpretações do que X diz, citando passagens que a confirmem. E é aceitável que queiramos discutir uma opinião que julgamos ser de um filósofo, ou que po- deria ter sido, apesar de nos textos desse filósofo não ha- ver nenhuma indicação directa desse ponto de vista. Quando fizermos isto, todavia, devemos explicitamente dizer que o fazemos. Diga algo como:

O filósofo X não afirma explicitamente que P, mas parece que o presume porque

Citações

Quando uma passagem de um texto for particularmente útil para apoiar a sua interpretação do ponto de vista de algum filósofo, pode ajudar se citar directamente a pas- sagem. (Especifique de onde retirou a passagem.) Toda- via, as citações directas devem ser usadas com parcimó- nia. Raramente é necessário citar mais do que umas pou- cas frases. Frequentemente será mais apropriado parafra- sear o que X diz, do que citá-lo directamente. Quando parafraseamos o que outra pessoa disse, temos de nos certificar que é claro que estamos a fazer isso (e também neste caso temos de citar as páginas onde se encontram

as passagens que estamos a parafrasear). As citações nunca devem ser usadas com um substi- tuto da nossa própria explicação. Quando citamos um au- tor, temos de explicar o que a citação diz com as nossas próprias palavras. Se a passagem citada contém um ar- gumento, temos de o reconstruir em termos mais explíci- tos e directos. Se a passagem citada contém uma afirma-

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be confused.

Paraphrases

Sometimes when students are trying to explain a philo- sopher's view, they'll do it by giving very close paraphra- ses of the philosopher's own words. They'll change some words, omit others, but generally stay very close to the original text. For instance, Hume begins his Treatise of Human Nature as follows:

All the perceptions of the human mind resolve themselves into two distinct kinds, which I shall call impressions and ideas. The difference betwixt these consists in the degrees of force and liveli- ness, with which they strike upon the mind, and make their way into our thought or consciousness. Those perceptions, which enter with most force and violence, we may name impressions; and un- der this name I comprehend all our sensations, passions, and emotions, as they make their first appearance in the soul. By ideas I mean the faint images of these in thinking and reasoning.

Here's an example of how you don't want to paraphrase:

Hume says all perceptions of the mind are resol- ved into two kinds, impressions and ideas. The di- fference is in how much force and liveliness they have in our thoughts and consciousness. The perceptions with the most force and violence are impressions. These are sensations, passions, and emotions. Ideas are the faint images of our thin- king and reasoning.

There are two main problems with paraphrases of this sort. In the first place, it's done rather mechanically, so it doesn't show that the author understands the text. In the second place, since the author hasn't figured out what the text means well enough to express it in his own words, there's a danger that his paraphrase may inadvertently change the meaning of the text. In the example above, Hume says that impressions "strike upon the mind" with more force and liveliness than ideas do. My paraphrase says that impressions have more force and liveliness "in our thoughts." It's not clear whether these are the same thing. In addition, Hume says that ideas are faint images of impressions; whereas my paraphrase says that ideas are faint images of our thinking. These are not the same. So the author of the paraphrase appears not to have un- derstood what Hume was saying in the original passage. A much better way of explaining what Hume says he- re would be the following:

Hume says that there are two kinds of 'percepti- ons,' or mental states. He calls these impressions and ideas. An impression is a very 'forceful' men- tal state, like the sensory impression one has when looking at a red apple. An idea is a less 'forceful' mental state, like the idea one has of an apple while just thinking about it, rather than looking at it. It is not so clear what Hume means here by 'forceful.' He might mean

ção ou pressuposto principal, temos de indicar qual é. Pode ser que queiramos usar exemplos para ilustrar a po- sição do autor. Por vezes, é necessário distinguir a opini- ão do autor de outras com as quais pode ser confundida.

Paráfrases

Às vezes, quando os estudantes tentam explicar o ponto de vista de um filósofo, fazem-no através de paráfrases muito próximas às próprias palavras do filósofo. Mudam algumas palavras, omitem outras, mas geralmente ficam muito próximos do texto original. Por exemplo, Hume começa o seu Tratado Sobre o Entendimento Humano da seguinte forma:

Todas as percepções da mente humana se dividem em dois tipos distintos, a que irei chamar impres- sões e ideias. A diferença entre eles consiste no grau de força e vivacidade com que afectam a mente e entram no nosso pensamento ou consci- ência. Àquelas percepções que entram com mais força e violência podemos chamar impressões; e sob este nome eu abranjo todas as nossas sensa- ções, paixões e emoções, tal como primeiro sur- gem na alma. Por ideias entendo as imagens mais fracas destas impressões no pensamento e no ra- ciocínio.

Aqui está um exemplo de como não se deve parafrasear:

Hume diz que todas as percepções da mente se dividem em dois tipos: impressões e ideias. A di- ferença está na intensidade da força ou vivacidade que têm nos nossos pensamentos e na nossa cons- ciência. As percepções com maior força e violên- cia são impressões: são as sensações, paixões e emoções. As ideias são imagens fracas de nosso pensamento e raciocínio.

Há dois problemas principais com paráfrases deste tipo. Em primeiro lugar, são feitas mecanicamente. Não de- monstram que o autor compreendeu o texto. Em segundo lugar, uma vez que o autor ainda não compreendeu bem

o que o texto quer dizer de modo a expressá-lo pelas suas

próprias palavras, há o risco de inadvertidamente alterar

o significado original do texto. No exemplo acima, Hu-

me diz que as impressões "afectam a mente" com mais força e vivacidade do que as ideias. Mas a paráfrase diz que as impressões têm mais força e vivacidade "nos nos- sos pensamentos". Não é óbvio que isto seja a mesma coisa. Além disso, Hume diz que as ideias são imagens fracas das impressões; mas a paráfrase diz que as ideias são imagens fracas do nosso pensamento, o que não é a mesma coisa. Assim, o autor da paráfrase parece não ter compreendido o que Hume diz. Um modo muito melhor de explicar o que Hume diz aqui seria o seguinte:

Hume afirma que há dois tipos de "percepções" ou estados mentais, a que chama impressões e i- deias. Uma impressão é um estado mental muito "forte", como a impressão sensorial que alguém tem ao olhar uma maçã vermelha. Uma ideia é um estado mental menos "forte", como a ideia que se

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Anticipate objections

Try to anticipate objections to your view and respond to them. For instance, if you object to some philosopher's view, don't assume he would immediately admit defeat. Imagine what his comeback might be. How would you handle that comeback? Don't be afraid of mentioning objections to your own thesis. It is better to bring up an objection yourself than to hope your reader won't think of it. Explain how you think these objections can be countered or overcome. Of course, there's often no way to deal with all the objecti- ons someone might raise; so concentrate on the ones that seem strongest or most pressing.

What happens if you're stuck?

Your paper doesn't always have to provide a definite so- lution to a problem, or a straight yes or no answer to a question. Many excellent philosophy papers don't offer straight yes or no answers. Sometimes they argue that the question needs to be clarified, or that certain further questions need to be raised. Sometimes they argue that certain assumptions of the question need to be challen- ged. Sometimes they argue that certain answers to the question are too easy, that is, they won't work. Hence, if these papers are right, the question will be harder to answer than we might previously have thought. These are all important and philosophically valuable results. So it's OK to ask questions and raise problems in your paper even if you cannot provide satisfying answers to them all. You can leave some questions unanswered at the end of the paper. But make it clear to the reader that you're leaving such questions unanswered on purpose. And you should say something about how the question might be answered, and about what makes the question interesting and relevant to the issue at hand. If something in a view you're examining is unclear to you, don't gloss it over. Call attention to the unclarity. Suggest several different ways of understanding the vi- ew. Explain why it's not clear which of these interpreta- tions is correct. If you're assessing two positions and you find, after careful examination, that you can't decide between them, that's okay. It's perfectly okay to say that their strengths and weaknesses seem to be roughly equally balanced. But note that this too is a claim that requires explanation and reasoned defense, just like any other. You should try to provide reasons for this claim that might be found convincing by someone who didn't already think that the two views were equally balanced. Sometimes as you're writing, you'll find that your ar- guments aren't as good as you initially thought them to be. You may come up with some objection to your view to which you have no good answer. Don't panic. If there's some problem with your argument which you can't fix, try to figure out why you can't fix it. It's okay to change your thesis to one you can defend. For example, instead of writing a paper which provides a totally solid defense of view P, you can instead change tactics and write a pa-

tem de uma maçã quando pensamos sobre ela sem a ver. Não é claro o que Hume quer dizer com "forte". Pode querer dizer que

Antecipe objecções

Tente antecipar objecções ao seu ponto de vista e res- ponda-lhes. Por exemplo, se você objectar contra a opi- nião de algum filósofo, não presuma que ele admitiria imediatamente que estava enganado. Imagine qual pode- rá ser a contra-objecção desse filósofo. E como poderá responder a essa contra-objecção? Não tenha receio de mencionar objecções à sua pró- pria tese. É melhor que nós mesmos apresentemos objec- ções do que pressupor que o leitor não vai pensar nelas. Explique como acha que estas objecções podem ser con- traditas ou superadas. Certamente não é possível, com frequência, responder a todas as objecções que se possa levantar. Assim, concentre-se naquelas que parecem mais fortes ou mais importantes.

O que acontece se ficarmos encravados?

Os nossos ensaios nem sempre têm de dar uma solução definitiva para um problema, ou uma resposta directa, do tipo sim ou não, para o problema levantado. Muitos en- saios excelentes de filosofia não oferecem respostas di- rectas. Às vezes argumentam que o problema precisa de ser clarificado, ou que certos problemas adicionais preci- sam de ser levantados. Outras vezes, argumentam que certos pressupostos precisam de ser desafiados. Outras vezes, ainda, argumentam que certas respostas ao pro- blema são fáceis demais, isto é, não funcionam. Assim,

se estes ensaios estiverem correctos, o problema será de

resolução muito mais complexa do que poderíamos ter pensado. Estes resultados são todos importantes e filoso- ficamente valiosos. Portanto, não há problema em fazer perguntas e le- vantar problemas nos nossos ensaios, mesmo que não possamos dar respostas satisfatórias a todos. Podemos deixar algumas perguntas não respondidas no final do ensaio. (Mas temos de deixar claro para o leitor que al- gumas questões ficarão propositadamente sem resposta.)

E devemos dizer algo sobre como a questão poderia ser

respondida, e o que torna a questão interessante e rele-

vante para o tema em causa.

Se alguma coisa na abordagem que estamos a inves- tigar não ficou clara, não a devemos disfarçar. Pelo con- trário, devemos chamar a atenção para a falta de clareza

e sugerir diferentes formas de a compreender. Temos a-

inda de explicar por que razão ainda não se pode dizer quais destas interpretações é a correcta. Se apresentamos duas opiniões e, após um exame cuidadoso, não conseguimos decidir entre elas, tudo bem. Não há problema em dizer que os pontos fortes e fracos destas opiniões têm igual força, mas note-se que

isto também é uma afirmação que exige explicação e defesa ponderada, como qualquer outra. Devemos a- presentar razões que a apoiem, mas estas razões têm de ser suficientemente boas para eventualmente persuadir quem não acha que as duas opiniões têm igual força. Às vezes, ao escrever, descobrimos que os nossos ar- gumentos não são tão bons como pareciam no início. Po- demos ter encontrado uma objecção a um argumento a

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per which goes like this:

One philosophical view says that P. This is a plausi- ble view, for the following reasons However, there are some reasons to be doubtful whether P. One of these reasons is X. X poses a pro- blem for the view that P because It is not clear how the defender of P can overcome this objection.

Or you can write a paper which goes:

One argument for P is the 'Conjunction Argument,' which goes as follows At first glance, this is a very appealing argument. However, this argument is faulty, for the following reasons One might try to repair the argument, by But these repairs will not work, because I conclude that the Conjunction Argument does not in fact succeed in establishing P.

Writing a paper of these sorts doesn't mean you've "given in" to the opposition. After all, neither of these papers commits you to the view that not-P. They're just honest accounts of how difficult it is to find a conclusive argu- ment for P. P might still be true, for all that.

3. Rewrite, and Keep Rewriting

Now you've written a complete draft of your paper. Set the draft aside for a day or two. Then come back to the draft and re-read it. As you read each sentence, say things like this to yourself:

"Does this really make sense?" "That's totally uncle- ar!" "That sounds pretentious." "What does that me- an?" "What's the connection between these two sen- tences?" "Am I just repeating myself here?" and so on.

Make sure every sentence in your draft does useful work. Get rid of any which don't. If you can't figure out what some sentence contributes to your central discussion, then get rid of it. Even if it sounds nice. You should never introduce any points in your paper unless they're important to your main argument, and you have the room to really explain them. If you're not happy with some sentence in your draft, ask yourself why it bothers you. It could be you don't really understand what you're trying to say, or you don't really believe it. Make sure your sentences say exactly what you want them to say. For example, suppose you write "Abortion is the same thing as murder." Is that what you really mean? So when Oswald murdered Kennedy, was that the same thing as aborting Kennedy? Or do you mean something different? Perhaps you mean that abortion is a form of murder. In con-

que não conseguimos dar uma boa resposta. Não é caso para entrar em pânico. Se há uma dificuldade com o nos- so argumento que não conseguimos resolver, temos de tentar descobrir por que razão não podemos fazê-lo. Não há problema em mudar a nossa tese para outra que seja defensável. Por exemplo, ao invés de escrever um ensaio que apresenta uma defesa inteiramente sólida da perspectiva P, podemos mudar de ideias e escrever um ensaio que seja mais ou menos assim:

Segundo uma perspectiva filosófica, P. Esta perspec- tiva é plausível, pelas seguintes razões Todavia, há algumas razões para duvidar se será verdade que P. Uma destas razões é X. X levanta um problema à opinião de que P porque Não é claro como o defensor de P pode superar esta objecção.

Ou podemos escrever um ensaio da seguinte forma:

Um argumento a favor de P é o "Argumento da Conjunção", que funciona como se segue À primeira vista, este argumento é bastante atraen- te. Todavia, falha pelas seguintes razões Podemos tentar corrigir o argumento, da seguinte maneira Mas estas correcções não funcionam, porque Concluo que o Argumento da Conjunção na verda- de não consegue estabelecer que P.

Escrever um ensaio desse tipo não significa que nos "rendemos" à posição contrária. Afinal, nenhum destes ensaios nos compromete com a perspectiva não-P. São apenas justificações honestas da dificuldade de se en- contrar argumentos conclusivos a favor de P. Mas pode ser que mesmo assim P seja verdade.

3. Reescreva, e continue a reescrever

Depois de termos escrito um rascunho completo do nosso ensaio devemos deixá-lo de lado por um dia ou dois. Então, devemos retomá-lo e relê-lo. À medida que for lendo cada frase, diga a si mesmo coisas como:

"Esta afirmação realmente faz sentido?" "Isto não está claro!" "Isto é pretensioso." "O que quer isto dizer?" "Qual é a conexão entre estas duas frases?" "Estou a re- petir-me?", e assim por diante.

Certifique-se que todas as frases do seu rascunho fazem falta e livre-se daquelas que não fazem falta. Se não consegue identificar a contribuição de uma frase qualquer para a sua discussão central, livre-se dela, ainda que pareça boa. Nunca devemos inserir questões a mais nos nossos ensaios, a menos que sejam importantes para o argumento principal e que haja espaço para explicá-las. Se não estiver satisfeito com alguma frase, pergunte a si mesmo por que razão essa frase o incomoda. Pode ser que não tenha entendido bem o que está a tentar dizer, ou que não acredite realmente no que está a afirmar. Temos de nos certificar de que nossas frases dizem exac- tamente o que queremos dizer. Por exemplo, suponha-se que escrevemos "O aborto é o mesmo que assassinato". É isso realmente o que pretendemos dizer? Então, quando Oswald

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versation, you can expect that people will figure out what you mean. But you shouldn't write this way. Even if your TF is able to figure out what you mean, it's bad writing. In phi- losophical prose, you have to be sure to say exactly what you mean. Also pay attention to the structure of your draft. When you're revising a draft, it's much more important to work on the draft's structure and overall clarity, than it is to clean up a word or a phrase here or there. Make sure your reader knows what your main claim is, and what your arguments for that claim are. Make sure that your reader can tell what the point of every paragraph is. It's not enough that you know what their point is. It has to be obvious to your reader, even to a lazy, stupid, and mean reader. If you can, show your draft to your friends or to other students in the class, and get their comments and advice. I encourage you to do this. Do your friends understand your main point? Are parts of your draft unclear or confusing to them? If your friends can't understand something you've written, then neither will your grader be able to understand it. Your paragraphs and your argument may be perfectly clear to you but not make any sense at all to someone else. Another good way to check your draft is to read it out loud. This will help you tell whether it all makes sense. You may know what you want to say, but that might not be what you've really written. Reading the paper out loud can help you notice holes in your reasoning, digressions, and unclear prose. You should count on writing many drafts of your paper. At least 3 or 4!! Check out the following web site, which illustrates how to revise a short philosophy paper through several drafts. Notice how much the paper improves with each revision:

Writing tutor for Introductory Philosophy Courses

http://www.williams.edu/acad-

depts/philosophy/jcruz/writingtutor/

Minor Points

Beginning your paper

Don't begin with a sentence like "Down through the ages, "

There's no need to

warm up to your topic. You should get right to the point, with the first sentence. Also, don't begin with a sentence like "Webster's Dictio- "

Dictionaries aren't good philoso-

nary defines a soul as

mankind has pondered the problem of

phical authorities. They record the way words are used in everyday discourse. Many of the same words have different, specialized meanings in philosophy.

Grammar

It's OK to end a sentence with a preposition. It's also OK to split an infinitive, if you need to. (Sometimes the easiest way to say what you mean is by splitting an infi- nitive. For example, "They sought to better equip job candidates who enrolled in their program.") Efforts to

assassinou Kennedy, ele estava a fazer o mesmo do que a abortar Kennedy? Ou queremos dizer outra coisa qualquer? Talvez queiramos dizer que o aborto é uma forma de assas- sinato. Numa conversa, é razoável esperar que alguém en- tenda o que queiramos dizer, mas não deve escrever dessa maneira. Ainda que o nosso professor de filosofia consiga entender o que queremos dizer, está mal escrito. Na redac- ção filosófica, é preciso dizer exactamente o que se preten- de.

Procure, ainda, prestar atenção à estrutura de seu esboço. Quando for revê-lo, é muito mais importante trabalhar na estrutura e clareza geral do trabalho do que ocupar-se em apagar uma frase ou palavra. Certifique-se de que seu leitor sabe qual é sua afirmação principal e quais são seus argu- mentos a favor dela. Temos de garantir que os nossos leito- res são capazes de dizer qual é o ponto principal de cada parágrafo. Não basta que nós o saibamos. É preciso que seja óbvio para o leitor, mesmo para um leitor preguiçoso, tolo e maldoso. Se puder, mostre o rascunho do seu ensaio a amigos ou colegas de curso e recolha alguns argumentos e conselhos. Recomendo vivamente que o faça. Os seus amigos compre- endem os seus pontos principais? Há trechos obscuros ou confusos para os outros no seu rascunho? Se os seus amigos não são capazes de compreender tudo que escreveu, o pro- fessor também não o será. Os seus parágrafos e seu argu- mento podem parecer perfeitamente claros para si e não fazer sentido para mais ninguém. Outra maneira boa de verificar seu rascunho é lê-lo em voz alta, o que o ajudará a perceber se é coerente. Nós po- demos saber o que queremos dizer, mas o que pretendemos dizer pode não estar realmente escrito. Ler o ensaio em voz alta ajuda-nos a perceber falhas no nosso raciocínio, digres- sões e trechos obscuros. Saiba que precisará de escrever muitos rascunhos de seu artigo. Pelo menos 3 ou 4! Leia o seguinte website:

http://www.williams.edu/acad-

depts/philosophy/jcruz/writingtutor/

que ilustra como se revê um ensaio breve de filosofia, com- pondo-o a partir de vários rascunhos. Veja como o artigo se torna progressivamente melhor.

Questões Menores

Começar a escrever

Não comece com frases do tipo "Ao longo dos tempos, a

Não há

necessidade de aquecimento. Vá directo ao ponto, na primei- ra frase. Não inicie igualmente o artigo com frases do tipo "O di-

Os dicionários não

são boas autoridades no campo da filosofia. Eles registam a maneira como as palavras são usadas no dia-a-dia, mas mui- tas destas palavras têm significados diferentes, especializa- dos, na filosofia.

cionário Webster define alma como

humanidade tem reflectido sobre o problema do

".

".

Gramática

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Não devemos evitar repetições, se para as evitarmos obscurecemos o texto. Falar de Aristóteles, e depois de "o estagirita" e depois de "o discípulo de Platão" só para

avoid these often end up just confusing your prose.

Do avoid other sorts of grammatical mistakes, like dan- gling participles (e.g., "Hurt by her fall, the tree fell ri- ght on Mary's leg before she could get out of the way"), and the like.

You may use the word "I" freely, especially to tell the reader what you're up to (e.g., "I've just explained why

Now I'm going to consider an argument that

").

Don't worry about using the verb "is" or "to be" too much. In a philosophy paper, it's OK to use this verb as much as you need to.

Secondary readings

For most classes, I will put some articles and books on re- serve in Robbins Library for additional reading. These are optional, and are for your independent study. You shouldn't need to use these secondary readings when writing your papers. The point of the papers is to teach you how to analyze a philosophical argument, and present your own arguments for or against some conclusion. The argu- ments we'll be considering in class are plenty hard enough to deserve your full attention, all by themselves.

Can you write your paper as a dialogue or story?

No. Done well, these forms of philosophical writing can be very effective. That's why we read some dialogues and stori- es in Philosophy 3. But these forms of philosophical writing are extremely difficult to do well. They tempt the author to be imprecise and to use unclear metaphors. You need to master ordinary philosophical writing before you can do a good job with these more difficult forms.

Mechanics

Aim to make your papers less than or equal to the assigned word limit. Longer papers are typically too ambitious, or repetitious, or full of digressions. Your grade will suffer if your paper has these defects. So it's important to ask your- self: What are the most important things you have to say? What can be left out? But neither should your papers be too short! Don't cut off an argument abruptly. If a paper topic you've chosen asks certain questions, be sure you answer or address each of

não repetir o nome de Aristóteles em nada ajuda a com- preender o texto.

Evite deselegâncias gramaticais que dificultam a com- preensão, como frase passivas ("A doutrina da imortali- dade da alma foi aceite por Platão desde muito cedo" é muito mais difícil de perceber do que a activa: "Desde muito cedo que Platão aceitou a doutrina da imortalida- de da alma.")

Podemos usar livremente a primeira pessoa nos nossos ensaios, sobretudo para marcar a diferença entre o relato do que dizem os outros filósofos e o que nós pensamos do que eles dizem. É mais claro dizer "Julgo que o cogi- to de Descartes é uma falácia subtil" do que dizer "Jul- gamos que o cogito de Descartes é uma falácia subtil".

Procure usar frases declarativas e assertivas simples, evite perguntas de retórica, exageros e hipérboles. É mais claro dizer "Julgo que este argumento está errado." do que dizer "Será que alguém pensa que este argumen-

to está certo?".

Procure usar claramente os conectivos lógicos da lin- guagem. É mais claro dizer "Se a vida não tem sentido, não há valores morais" do que dizer "Considerando que

a vida não tem sentido, somos forçados a concluir por

necessidade que a existência de valores morais tem de ser uma ilusão". Domine o uso das conjunções (e), dis-

junções (ou), condicionais (se…, então…), negações (não) e bicondicionais (…se, e só se,…). Domine tam- bém o uso dos quantificadores (todos, alguns, pelo me- nos um, um e um só, etc.).

Leituras secundárias

Na maioria das disciplinas, há leituras complementares. Trata-se de leituras opcionais, e devem ser fruto de estudo independente. Não precisamos de usar estas leituras complementares quando estamos a redigir um ensaio. O objectivo do ensaio é ensinar o estudante a analisar um argumento filosófico e a apresentar os seus próprios argumentos a favor ou contra uma dada conclusão. Os argumentos que estudamos nas aulas são, por si, suficientemente complexos para merecer toda a atenção do estudante.

Podemos escrever o ensaio como um diálogo ou um conto?

Não. Bem feitas, essas formas de redacção filosófica podem ser bastante eficientes. É por isso que nas aulas estudamos alguns diálogos e contos. Mas são extremamente difíceis de se fazer bem. É fácil cair na imprecisão e no uso de metáfo- ras pouco claras. É preciso dominar os métodos comuns de redacção filosófica antes de se conseguir fazer um bom trabalho com estas formas mais difíceis.

Observações técnicas

Procure manter-se dentro do limite de número de palavras; nem mais, nem menos. Ensaios muito longos são tipicamen- te demasiado ambiciosos, ou repetitivos, ou cheios de di- gressões. A classificação dos estudantes sofrerá negativa- mente se os ensaios tiverem qualquer um destes defeitos. Por isso, é importante perguntar a si mesmo quais são as coisas mais importantes que tem de dizer, e o que pode ser deixado

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those questions. Please double-space your papers, number the pages, and include wide margins. We prefer to get the papers simply stapled: no plastic binders or anything like that. Include your name on the paper. And don't turn in your only copy! (These things should be obvious, but apparently they're not.)

How You'll Be Graded

You'll be graded on three basic criteria:

1. How well do you understand the issues you're writing about?

2. How good are the arguments you offer?

3. Is your writing clear and well-organized?

We do not judge your paper by whether we agree with its conclusion. In fact, we may not agree amongst ourselves about what the correct conclusion is. But we will have no trouble agreeing about whether you do a good job arguing for your conclusion. More specifically, we'll be asking questions like these:

Do you clearly state what you're trying to accomplish

in your paper? Is it obvious to the reader what your

main thesis is?

Do you offer supporting arguments for the claims you make? Is it obvious to the reader what these argu- ments are?

Is the structure of your paper clear? For instance, is it clear what parts of your paper are expository, and what parts are your own positive contribution?

Is your prose simple, easy to read, and easy to un- derstand?

Do you illustrate your claims with good examples? Do you explain your central notions? Do you say exactly what you mean?

Do you present other philosophers' views accurately and charitably?

The comments I find myself making on students' philosophy papers most often are these:

"Explain this claim" or "What do you mean by this?"

or "I don't understand what you're saying here"

"This passage is unclear (or awkward, or otherwise hard to read)" "Too complicated" "Too hard to fol- low" "Simplify"

"Why do you think this?" "This needs more support" "Why should we believe this?" "Explain why this is

a reason to believe P" "Explain why this follows from what you said before"

"Not really relevant"

"Give an example?"

Try to anticipate these comments and avoid the need for them!

de fora. Mas o seu ensaio também não deve ser demasiado curto! Não corte abruptamente um argumento. Se o tópico que escolheu levanta certos problemas, assegure-se de que lhes responde. Use espaço duplo nos ensaios, numere as páginas e in- clua margens largas. Um ensaio académico não deve ter capas de plástico, fotografias com cores, etc.; deve valer pela sofisticação do conteúdo e pela sobriedade da apresentação. Coloque o seu nome no ensaio, e guarde uma cópia para si! (Estas coisas deveriam ser óbvias, mas aparentemente não são.)

Como Será Classificado

Os estudantes são classificados com base em três critérios básicos:

1. Qual é o grau de compreensão dos assuntos do en- saio?

2. Que qualidade têm os argumentos que oferece?

3. A redacção é clara e bem organizada?

Os professores não avaliam o seu trabalho a partir de uma possível concordância com sua conclusão. Pode ser que venhamos a discordar entre nós sobre qual seria a melhor conclusão, mas não teremos dificuldade em concordar que tenha feito um bom trabalho argumentando a favor de sua conclusão. Mais especificamente, faremos perguntas como as se- guintes:

O estudante afirma claramente o que pretende com seu artigo? A sua tese principal é óbvia para o lei- tor?

O estudante oferece argumentos que apoiem as suas afirmações? É óbvio para o leitor quais são esses argumentos?

A estrutura do ensaio é clara? Por exemplo, é fácil perceber que partes de seu artigo são exposições de ideias e que partes são sua própria contribuição po- sitiva?

A prosa é simples, fácil de ler e de fácil compreen- são?

O estudante ilustra as suas afirmações com bons exemplos? Explica as noções principais? Diz exac- tamente o que quer dizer?

O estudante apresenta as opiniões de outros filóso- fos de forma precisa e caridosa?

Os comentários que mais frequentemente tenho feito aos artigos dos meus estudantes são os seguintes:

"Explique esta afirmação" ou "O que quer dizer com isto?" ou "Não compreendo o que está a dizer aqui".

"Esta passagem não está clara (ou confusa, difícil de ler)." "Complicado demais." "Difícil de acompa- nhar." "Simplifique."

"Por que razão afirma isto?" "Há necessidade de argumentos mais fortes aqui." Por que razão deve- mos acreditar no que diz?" "Explique por que razão isto é uma razão para se acreditar em P." "Explique

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Your paper should do some philosophical work

A kind of complaint that is common in undergraduate philo-

sophy papers goes like this:

Philosopher X assumes A and argues from there to B. B seems unattractive to me. Philosopher X just assumes A and doesn't give any argument for it. I don't think A is true. So I can just reject A and the- reby avoid B.

This line of thought may very well be correct. And the stu- dent may very well be right that Philosopher X should have given more argument for A. But the student hasn't really philosophically engaged with Philosopher X's view in an interesting way. He hasn't really done much philosophical work. It was clear from the outset that Philosopher X was assuming A, and that if you don't want to make that assump- tion, you don't need to accept X's conclusion. If this is all you do in your paper, it won't be a strong paper and it will get a mediocre grade, even if it's well-written. Here are some more interesting things our student could

have done in his paper. He could have argued that B doesn't really follow from A, after all. Or he could have presented reasons for thinking that A is false. Or he could have argued that assuming A is an illegitimate move to make in a debate about whether B is true. Or something else of that sort. The-

se would be more interesting and satisfying ways of enga- ging with Philosopher X's view.

Responding to comments from me or your TF

When you have the opportunity to rewrite a graded paper, keep the following points in mind. Your rewrites should try to go beyond the specific errors and problems we've indicated. If you got below an A-, then your draft was generally difficult to read, it was difficult to see what your argument was and what the structure of your paper was supposed to be, and so on. You can only correct these sorts of failings by rewriting your paper from scratch. (Start with a new, empty window in your word processor.) Use your draft and the comments you received on it to cons- truct a new outline, and write from that. Keep in mind that when I or your TF grade a rewrite, we may sometimes notice weaknesses in unchanged parts of your paper that we missed the first time around. Or perhaps those weaknesses will have affected our overall impression of the paper, and we just didn't offer any specific recom- mendation about fixing them. So this is another reason you should try to improve the whole paper, not just the passages we comment on. It is possible to improve a paper without improving it enough to raise it to the next grade level. Sometimes that happens. But I hope you'll all do better than that. Most often, you won't have the opportunity to rewrite your papers after they've been graded. So you need to teach yourself to write a draft, scrutinize the draft, and revise and rewrite your paper before turning it in to be graded.

por que razão isto se segue do que disse antes."

"Irrelevante."

"Dê um exemplo."

Tente antecipar estes comentários e evite que o professor os tenha de fazer!

Responder a comentários do professor

Quando tiver a oportunidade de reescrever um artigo corri-

gido pelo professor, mantenha as seguintes observações em mente. Os textos que reescrever devem tentar superar os erros específicos e problemas indicados pelo professor. Se teve uma nota baixa, então seu rascunho estava, de um modo geral, difícil de ler, era difícil reconhecer o seu argumento, a estrutura do ensaio, e assim por diante. Só pode corrigir falhas como essas refazendo totalmente o trabalho. (Abra um novo documento no seu processador de texto.) Use o rascunho e as observações do professor para construir um novo esboço, e escreva a partir dele. Tenha em mente que quando o seu professor dá uma nota

a um ensaio reescrito ele pode reparar em falhas que deixou escapar na primeira leitura, em partes que não foram altera- das. Talvez estas falhas afectem a impressão geral de seu trabalho, mas o professor não deu nenhuma recomendação específica de como corrigi-las. Por isso, tente melhorar todo

o trabalho, não apenas as passagens que o professor comen-

tou. É possível melhorar um ensaio sem que esta melhoria se- ja suficiente para garantir uma nota superior à primeira. Às vezes isso acontece. Mas espero que consiga fazer melhor. Normalmente, não terá a possibilidade de reescrever seus ensaios depois de terem sido corrigidos. Por isso, precisa se

disciplinar para escrever um rascunho, examiná-lo cuidado- samente, revê-lo e reescrevê-lo antes de o entregar ao pro- fessor.

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Acknowledgements

I don't want to claim undue credit for this work. A lot of the suggestions here derive from writing handouts that friends and colleagues lent me. (Alison Simmons and Justin Broac- kes deserve special thanks.) Also, I've browsed some other writing guidelines on the web, and occasionally incorporated advice I thought my students would find useful. Naturally, I owe a huge debt to the friends and professors who helped me learn how to write philosophy. I'm sure they had a hard time of it. If you're a teacher and you think your own students would find this web site useful, you are free to point them here (or to distribute printed copies). It's all in the public good. Full licensing details are here.

http://creativecommons.org/licenses/by-nd-nc/1.0

Philosophy Dept. http://web.princeton.edu/sites/philosph/

This work is licensed under a Creative Commons License URL:

http://www.princeton.edu/~jimpryor/general/writing.html Last updated: 12:50 PM Mon, Feb 17, 2003 Created and copyrighted by: James Pryor jimpryor@princeton.edu

Agradecimentos

Não quero atribuir crédito falso a este trabalho. A minha contribuição consistiu, na sua maior parte, em coligir e or- ganizar sugestões de outras pessoas. Boa parte dos conselhos que apresento aqui foi tomada de empréstimo dos aponta- mentos de amigos e colegas. (Alison Simmons e Justin Bro- ackes merecem crédito especial.) E é de esperar que eu tenha encontrado alguns destes conselhos ao ler outros guias deste género na Internet. Tenho muita pena de não ter registado essas dívidas.

James Pryor Tradução de Eliana Curado sofista_@hotmail.com

Nota do director: A CRÍTICA agradece a autorização do autor para traduzir e publicar este ensaio.

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