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NEUROPSICOLOGIA

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Apresentação

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Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento.

Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor foi criado este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais.

Com esses ideais em mente, nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada.

Em cada título é possível encontrar a abordagem de temas de forma abrangente, associada a uma leitura agradável e organizada, visando a facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina.

A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado.

Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos “Atenção”, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e o “Para saber mais”, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosida- des bem bacanas, para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustra-

tivos, que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-

-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da

palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria

palavra-chave do Glossário, em negrito.

Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance

do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz.

Boa leitura!

Prefácio

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A neuropsicologia é a ciência dedicada a estudar a expressão comportamental das disfunções cerebrais. Isso faz dela uma ciência interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar, permitindo a sua vinculação a uma série de disciplinas que a estudam sob diversos vieses.

No âmbito da educação, sua importância é ainda mais potencializada. Afinal de

contas, os principais sentidos dos seres humanos são despertados pelo sistema nervoso central, orientados pelos sensores cerebrais que levam as informações necessárias para cada atividade que o indivíduo necessita realizar.

A importância do estudo dessa matéria é delineada ao longo das unidades deste material.

Os mistérios do funcionamento de cada sentido e a relevância de qualquer um de- les para o processo do aprendizado são explorados nesta disciplina.

Na Unidade 1, o leitor conhecerá os conceitos básicos da neuropsicologia, estu- dará a visão do cérebro e do seu funcionamento no decorrer dos séculos, além de saber um pouco mais sobre a neuropsicologia no Brasil.

O estudo continua na Unidade 2, em que são apresentados temas como as fun- ções executivas (linguagem, atenção, memória, sensação, percepção, emoção, en- tre outros), além da formação de imagens, a simbolização e a conceituação. Outro assunto importante tratado na referida unidade é o funcionamento do sistema nervoso e o processo de aprendizagem.

Na Unidade 3, em que as funções neurológicas e os distúrbios de aprendizagem são abordados, questões como as causas das dificuldades, distúrbios e transtor- nos da aprendizagem; o tratamento para as dificuldades, distúrbios e transtornos de aprendizagem; a classificação das dificuldades de aprendizagem (dislexia, dis- grafia e discalculia); e o uso de instrumentos neuropsicológicos na avaliação dos distúrbios / dificuldades de aprendizagem são explorados de forma didática e di- reta, fomentando o debate acerca de cada assunto.

Finalmente, na Unidade 4, entram no cenário da discussão os distúrbios de apren-

dizagem ou de escolarização; as síndromes de déficit no desenvolvimento de funções mentais superiores; a síndrome de dificuldades de aprendizagem de habilidades

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motoras, o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), os distúr-

bios de linguagem e os seus tipos, os mecanismos neuropsicológicos e sociais das

dificuldades/distúrbios de aprendizagem – DA e a habilitação neuropsicológica.

O cérebro humano possui os seus segredos e fascínios. A cada dia, surgem novas descobertas acerca do seu incrível funcionamento.

Por esta razão, o seu aprendizado é sempre fascinante.

UNIDADE 1

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NEUROPSICOLOGIA: UM NOVO INSTRUMENTO

Capítulo 1
Capítulo 1

Introdução à neuropsicologia, 10

Capítulo 2
Capítulo 2

A visão do cérebro e de seu funcionamento no decorrer dos séculos, 14

Capítulo 3
Capítulo 3

A neuropsicologia no Brasil, 21

Capítulo 4
Capítulo 4

Avaliação neuropsicológica, 23

Glossário, 27

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1. Introdução à neuropsicologia

Ao iniciar os estudos sobre a neuropsicologia, é preciso esclarecer que esse conhecimento faz parte de um dos campos fundamentais da Neurociência, que vem despertando, há algum tempo, o interesse de estudiosos de várias áreas.

Caracterizada pela multidisciplinaridade, a neurociência reúne diversos saberes e pontos de vista sobre o funcionamento do Sistema Nervoso, além do interesse por mecanismos de aprendizagem, memória, atenção, linguagem e comunica- ção, estabelecendo, dessa forma, uma interface com a Psicologia.

Essa ciência tem como objetivo tanto o estudo do Sistema Nervoso normal, quanto do patológico, e visa a esclarecer os processos das doenças neurológicas e das doenças mentais.

O Sistema Nervoso (SN) realiza várias funções de extrema importância no corpo humano, porque, ao atuar em conjunto com outros órgãos, auxilia no funciona- mento do organismo.

Pode-se dizer, de maneira geral, que o SN é composto por córtex cerebral, tronco encefálico, cerebelo, medula, nervos e terminações nervosas. É dividido em:

Figura 1 – Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP)

 

Sistema

   
  • Nervoso

Sistema

 

Periférico

Nervoso

Sistema

 
  • Nervoso

 

Central

Sistema Nervoso

  • Somático Sistema Nervoso

Autônomo

Sistema Nervoso

  • Autônomo Simpático Sistema Nervoso

  • Autônomo Parassimpático Sistema Nervoso Autônomo

  • Visceral ou Entérico

O SNC é constituído de duas partes: o encéfalo e a medula espinhal. Controla o processamento de informações e dados, memórias, julgamentos, avaliações, comportamentos e soluções de problemas.

Já o SNP, que se divide em Sistema Nervoso Somático (SNS) e Sistema Nervoso Autônomo (SNA), realiza o trânsito da informação que sai do SNC e chega a di- versas partes do organismo, ou traz de volta algum comando.

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O SNA é formado por neurônios que regulam diversas funções do organismo e sobre as quais não há controle consciente. Tem como função manter a homeos- tase, como o controle da pressão arterial.

O SNA é dividido em Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático (SNAp), Siste- ma Nervoso Autônomo Simpático (SNAs) e Sistema Nervoso Autônomo Visceral ou Entérico.

Figura 2 – Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático contrai a pupila estimula a salivação contrai os brônquios
Figura 2 – Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático
contrai a pupila
estimula a salivação
contrai os brônquios
Nervo X
(vago)
reduz os batimentos
cardíacos
estimula o peristaltismo
e a produção de
secreções
estimula a vesícula biliar
promove a ereção
contrai a bexiga

O SNS é formado por neurônios que estimulam as ações motoras voluntárias e intencionais, como a movimentação do braço para pegar algum objeto.

Para a Educação, é importante conhecer o funcionamento do Sistema Nervoso, assim como as contribuições da neurociência no processo de aprendizagem.

Essas informações ajudam a tornar o ambiente pedagógico mais propício à re-

flexão e à solução de problemas.

12 Figura 3 – Sistema Nervoso Autônomo Simpático dilata a pupila inibe a salivação relaxa os
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Figura 3 – Sistema Nervoso Autônomo Simpático
dilata a pupila
inibe a salivação
relaxa os brônquios
acelera os
batimentos cardíacos
inibe os movimentos
peristálticos e a
produção de secreções
estimula a liberação de
glicose pelo fígado
estimula a produção de adrenalina
e noradrenalina
relaxa a bexiga
estimula o orgasmo e promove a ejaculação

São três os campos de investigação fundamentais da Neurociência:

a Neurofisiologia, que investiga as funções específicas do Sistema Nervoso;

a Neuroanatomia, que investiga a questão estrutural do Sistema Nervoso, buscando detalhes, macro e microscópio, do cérebro, dos nervos etc.; • a Neuropsicologia, que investiga as relações entre o comportamento humano

e o cérebro, buscando definir que campo específico desse órgão domina as

tarefas psicológicas.

Aqui, vamos nos limitar ao conhecimento da Neuropsicologia, sua história, sua importância e seus avanços.

O termo Neuropsicologia foi utilizado pela primeira vez em 1913, em uma confe- rência proferida por sir William Osler (1849-1919), nos Estados Unidos.

No entanto, a impressão do termo “neuropsicologia” foi atribuída ao psi- cólogo canadense Donald Olding Hebb (1904-1985), quando ele a usou no subtítulo de sua obra The Organiza- tion of Behavior: a Neuropsychological Theory, datada de 1949.

A Neuropsicologia trabalha com con- ceitos das Ciências do Comportamen- to, da Neurologia, da Neuroanatomia,

da Neuroquímica, da Neurofisiologia,

além de outras áreas afins. Portanto, a

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Neuropsicologia desenvolveu-se a par- tir da convergência entre pontos da Neurologia e da Psicologia, no que se refere ao estudo comum das consequências comportamentais causadas por lesões

cerebrais específicas. (BORGES; DAMASCENO, 2002).

A proposta da Neuropsicologia, nesse contexto, é compreender as funções mentais superiores, com base no comportamento cognitivo, emocional, motor, sensorial e social do sujeito, e investigar as suas diferentes funções cerebrais. (COSTA et al., 2004).

P

ARA SABER MAIS! A expressão “funções mentais superiores” foi criada pelo

fisiologista russo Ivan Pavlov (1849-1936) no começo do século XX.

Entendemos que as funções mentais superiores são constituídas no decorrer da história da pessoa e em sua relação com o mundo onde interage. O objetivo da Neuropsicologia é atentar para essas relações que ocorrem entre as funções psicológicas e sua base neurológica (OLIVEIRA, 1997, p. 83).

Dessa forma, a Neuropsicologia está voltada para a análise sistemática das al- terações de comportamento desencadeadas por lesões, doenças e malformações que acometem o cérebro nas várias fases do desenvolvimento humano, buscan- do reabilitar as funções cognitivas.

É importante destacar que, desde períodos remotos da História da humani - dade, o ser humano se interessa por compreender o funcionamento cerebral e as ligações que ocorrem entre o cérebro, as emoções e o processo de conhe - cer/aprender.

Ao longo da História surgiram movimentos que buscavam entender como se processa o conhecimento. As escolas que ganharam maior destaque foram o empirismo, o racionalismo e o intuicionismo.

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Os empiristas defendiam a ideia de que, a partir da experiência sensorial, o indi- víduo obtinha o conhecimento. Destacam-se entre os pensadores dessa corren-

te filosófica, John Locke (1632-1704), Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780)

e David Hume (1711-1776).

Os racionalistas consideravam que a razão era a base do conhecimento, indepen- dentemente de o indivíduo experimentar ou não qualquer tipo de sensação. Desta- cam-se entre os pensadores racionalistas, Platão (428/7-347 a.C.), René Descartes (1596-1650), Baruch Espinoza (1632-1677) e Immanuel Kant (1724-1804).

Já os representantes do intuicionismo acreditavam que o indivíduo tinha dentro

de si, e com facilidade de acesso, a intuição, que não necessitava das sensações

nem da razão para acontecer. O filósofo Henri Bergson (1859-1941) é um dos

defensores desse pensamento.

Todos os caminhos que os estudiosos buscaram para explicar como era possível realizar o processo de conhecimento restringiam-se às suas observações.

Com o passar dos anos, foi necessário criar métodos específicos e científicos

para analisar a origem, a aquisição e a produção do conhecimento.

A seguir, vamos mostrar alguns dos diversos pontos de vista de cientistas sobre o cérebro e seu funcionamento e as diferentes contribuições compartilhadas ao longo de vários períodos da História.

2. A visão do cérebro e de seu funcionamento no decorrer dos séculos

O interesse pelo cérebro humano sempre foi expresso por diversas áreas cientí-

ficas. Em muitos momentos da História do homem, observam-se registros que

indicam o desejo de aprender um pouco mais sobre o funcionamento cerebral.

Desde a Pré-História, existem evidências, pela prática da trepanação, de que nossos antepassados já compreendiam a importância do encéfalo para a vida (RODRIGUES; CIASCA, 2010).

P ARA SABER MAIS! O encéfalo faz parte do Sistema Nervoso Central (SNC). Ele é tudo que está dentro da caixa craniana. É formado pelo córtex cerebral (cérebro, ponte, hipotálamo, tálamo, bulbo e cerebelo).

A trepanação é uma das maneiras que nossos ancestrais encontraram para curar dores de cabeça, transtornos de ordem mental ou até mesmo abrir cami- nhos para a saída de espíritos maus. Essa técnica consiste em fazer pequenas incisões no crânio de indivíduos vivos para propiciar a saída do que gerava in- cômodo.

15 Figura 4 – Seções do cérebro lobo parietal lobo frontal lobo occipital lobo temporal ponte
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Figura 4 – Seções do cérebro
lobo parietal
lobo frontal
lobo occipital
lobo temporal
ponte
medula oblonga (bulbo)
cerebelo
medula espinal

É interessante observar que, nesse perío- do da História da humanidade, o signifi-

cado simbólico da cabeça parecia ser o de

“guardar” a solução dos males que afligiam

nossos ancestrais.

Os estudiosos da Antiguidade, na impossi- bilidade de analisar cérebros vivos, come- çaram a observar e a dissecar os cérebros mortos e, com isso, contribuíram com re-

gistros preciosos e acertados que fizeram

a diferença na compreensão do funciona- mento do cérebro (METRING, 2011).

Nos séculos IV a II a.C, o povo egípcio acre- ditava que a alma e a mente eram uma coisa só. Apesar de terem conhecimento sobre os sintomas dos danos cerebrais, atribuíam ao coração a localização da sede da alma, enquanto o cérebro era descartado do corpo quando a pessoa falecia.

Na Grécia antiga os pensadores divergiam sobre a percepção do cérebro e suas fun- ções. Segundo Demócrito (470-360 a.C.), o

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pensamento se localizava no cérebro. Platão (428/7-347 a.C.), no entanto, des- crevia a medula como a parte mais importante do corpo. Uma parte dela era o cérebro e a outra, a medula espinhal. Ambas constituíam a força de vida sobre a qual atuava a alma: a parte da racionalidade estava localizada no cérebro, e a parte irracional, na medula espinhal.

Hipócrates (469-379 a.C.), considerado o “pai da Medicina”, acreditava que o cérebro era o órgão da razão e do julgamento, a sede da inteligência.

Para Aristóteles (384-322 a.C.), o centro do intelecto e da vida era o coração. Quando este fazia muito esforço mental era resfriado pelo encéfalo. Esse pensa- dor entendia o cérebro como um órgão cuja função não era tão importante para o corpo. Além disso, ele desconhecia o sistema vascular.

Durante o Império Romano, o médico e filósofo Cláudio Galeno, também conhe- cido como Élio Galeno ou Galeno de Pérgamo (129-200 d.C), realizou muitos experimentos relevantes para a Medicina e concluiu que o Sistema Nervoso era composto por uma parte de consistência macia (cérebro), uma parte de consis- tência mais endurecida (cerebelo) e compartimentos onde havia a passagem de fluidos, os ventrículos (RODRIGUES; CIASCA, 2010).

P ARA SABER MAIS! Sobre ventrículos. Disponível em: <http://www.sistemanervoso. com/pagina.php?secao=1&materia_id=12&materiaver=1–> Acesso em: jan. 2015.

Segundo Galeno, os nervos tinham origem no cérebro e na medula e conduziam

os fluidos destes para a periferia do corpo. Entre tantas descobertas relevantes,

Galeno também provou que as artérias transportavam sangue – e não ar, como até então se acreditava. Concluiu, também, que o cérebro era a sede das sensa- ções, a partir do qual se formavam as memórias. O cérebro, portanto, era a base da sensação, do movimento e do intelecto.

P ARA SABER MAIS! As teorias sobre o corpo humano defendidas por Galeno domi- naram a Medicina por quatorze séculos, quando só então alguns de seus aponta- mentos foram contestados.

No século XVIII, o matemático, filósofo e fisiologista René Descartes (1596-1650)

propôs o dualismo entre o corpo e a mente, ao restabelecer a ideia de que eram

formados por substâncias distintas.

Para Descartes, a alma era a coisa pensante que transcende o corpo (PINHEIRO, 2005), e a mente uma entidade espiritual, composta por capacidades mentais, que se encontra fora do cérebro.

A natureza da alma era indivisível, definida como substância consciente ou pen- samento e interagia com o corpo, cuja natureza era divisível.

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Apesar de suas diferenças, corpo e alma, segundo Descartes, interagiam por meio da glândula pineal, que se localizava no cérebro.

Entre os séculos XVII e XVIII a atenção se voltou para a substância cerebral que era dividida em substância branca e cinzenta. A substância branca tinha

ligações com os nervos do corpo e, por meio de fibras nervosas, levava e trazia

informações para a substância cinzenta (RODRIGUES; CIASCA, 2010).

David Hartley (1705-1757) tomou como base a Teoria das Vibrações, de Isaac Newton, para desenvolver a ideia de que a sensação era um processo físico. Ele acreditava que as vibrações geravam alterações nos nervos. A medula espinhal, o cérebro e os nervos, segundo Hartley, eram formados por uma só substância.

Segundo Albrecht von Haller (1707-1777), a substância branca do cérebro e do cerebelo estava localizada na base do movimento e das sensações.

Foi durante o século XVIII que as teorias localizacionistas começaram a se des- tacar e o médico austríaco Franz Joseph Gall (1758-1828) despontou como um importante autor dessa corrente de pensamento.

A ciência da Frenologia, criada por Gall, estabeleceu a relação entre as medidas das saliências do crânio e os traços de personalidade, que ele denominou de faculdades.

Para Gall o cérebro era constituído por vinte e sete faculdades mentais e morais e, a partir das proeminências cerebrais externas, haveria a possibilidade de identi-

ficar as diferenças individuais. Posteriormente, Johann Spurzheim (1776-1832),

um dos seguidores de Gall, acrescentou mais dez faculdades às já existentes.

P ARA SABER MAIS! Para conhecer e interagir com o Mapa Frenológico de Gall/Spur- zheim acesse o link: <http://www.cerebromente.org.br/n01/frenolog/frenmap_port. htm> Acesso em: jan. 2015.

Um opositor da teoria de Gall foi o fisiologista Jean Marie Pierre Flourens (1794- 1867) que, na mesma época, defendeu a ideia de que o cérebro não tinha regiões únicas para comportamentos específicos. Ele sugeriu que todas as regiões ce- rebrais estavam envolvidas em cada uma das funções mentais. Detectou, tam- bém, a importância do cerebelo nos movimentos motores e das funções vitais na medula.

Apesar de seus acertos e de ter demonstrado que as afirmações da Frenologia

eram equivocadas, Flourens é pouco lembrado.

A visão da Neuropsicologia, como estudo do comportamento e sua relação com a anatomia e o funcionamento cerebral, avançou com alguns alunos de Gall, como Jean-Baptiste Bouillaud (1796-1881), Pierre Paul Broca (1824-1880), en- tre outros.

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Ainda na linha localizacionista, o médico cirurgião Paul Broca (1824-1880), ao realizar o estudo de caso de um paciente, observou que o hemisfério cerebral esquerdo tinha relação com a linguagem e com a ideia da dominância manual. Hoje, essa região é conhecida como Área de Broca. Essa descoberta possibilitou maior entendimento sobre os estudos da dinâmica região-função.

O médico psiquiatra, anatomista e neuropatologista Karl Wernicke (1848-1905) investigou as lesões localizadas na parte posterior esquerda do lobo temporal superior e propôs um modelo de como o cérebro se organizava em relação à linguagem, considerando que os danos nessa área, hoje conhecida por Área de Wernicke, resultavam em déficits de compreensão.

Karl Wernicke identificou, dessa forma, que nem todos os déficits de linguagem

eram gerados a partir de danos à Área de Broca.

A Área de Wernicke é responsável pela organização e associação das palavras e ajuda a compreender o que as outras pessoas estão dizendo. É uma área impor- tante para a elaboração do discurso.

Outro autor localizacionista, o psicólogo Karl Spencer Lashley (1890-1958), atri-

buía funções específicas a regiões cerebrais. Essa ideia ficou conhecida como

Lei da Ação das Massas. Seus experimentos com animais evidenciaram a capa- cidade do cérebro de se compensar quando havia perda, e essa compensação estava relacionada com o tamanho da lesão, e não com sua localização.

Figura 5 – Localização da área de Wenicke e da área de Broca lobo parietal lobo
Figura 5 – Localização da área de Wenicke e da área de Broca
lobo parietal
lobo frontal
área de Wernicke
lobo occipital
área de broca
lobo temporal
ponte
medula oblonga (bulbo)
cerebelo
medula espinal
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No fim do século XVIII, após o cérebro ter sido exaustivamente estudado, pre- dominava a discussão sobre a localização das funções cerebrais. Os cientistas já haviam identificado que havia o mesmo padrão de saliências e sulcos no cé- rebro, na superfície cerebral, e que o encéfalo era dividido em lobos ou lóbulos.

P ARA SABER MAIS! O cérebro é dividido em dois hemisférios – esquerdo e direito – e em lobos – áreas específicas para determinada forma de processamento.

Finalmente, nos anos 1990, com os avanços tecnológicos, o cérebro passa a ser observado em funcionamento, e isso contribuiu para o esclarecimento de quais

regiões cerebrais específicas estariam ativas durante diferentes funções mentais.

Em decorrência dos avanços das técnicas de neuroimagem que possibilitaram a

confirmação das interações entre as funções cognitivas e as áreas cerebrais, os anos 1990 ficaram conhecidos como a “Década do cérebro”.

Os pesquisadores Roger Sperry (1913-1994) e Michael Gazzaniga (1939-), estu- diosos do corpo caloso, descobriram que a separação dos hemisférios cerebrais produzia dois meio-cérebros, cada um com percepções, pensamentos e consciência independentes. Em 1981, o neuropsicólogo Sperry foi um dos ganhadores do Prê- mio Nobel de Fisiologia e Medicina por seus estudos sobre a lateralização cerebral.

No fim do século XX e início do século XXI, Alexander Romanovich Luria (1902-

1977) e Lev Semenovitch Vygotsky (1896-1934) apresentaram uma proposta diferente da abordagem localizacionista. Eles se basearam em três princípios centrais das funções corticais:

• a plasticidade; • os sistemas funcionais dinâmicos; • a perspectiva a partir da mente humana.

Luria é considerado por muitos estudiosos “o pai da Neuropsicologia”. Ele inves- tigou casos de pacientes com lesões no Sistema Nervoso Central e demonstrou que as funções mentais superiores estão organizadas em sistemas funcionais

complexos. Seu objetivo era identificar precocemente o local onde ocorriam as

lesões e oferecer a reabilitação adequada ao paciente.

A teoria de Luria tem sido a base para o estudo da relação entre o comporta- mento e o cérebro, visando a compreender as funções cerebrais. Conhecer a obra desse autor é condição essencial para investigar não só os problemas de aprendizagem de crianças e adolescentes, mas também para elaborar novas ações de reabilitação (RODRIGUES; CIASCA, 2010).

Luria considera que o cérebro está dividido em três unidades funcionais bási-

cas. Cada uma delas teria uma função específica, e o processo cognitivo, assim

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como qualquer forma de atividade psicológica, dependeria da coesão e da ope- ração simultânea entre essas unidades.

As três unidades funcionais, ou sistemas funcionais, descritas por Luria são indispensáveis a qualquer tipo de atividade mental. São elas:

Primeira unidade – As estruturas dessa unidade estão localizadas no tron- co cerebral e têm relação com a atenção, o estado de vigília e a regulação da atividade cerebral. Essa unidade garante que o organismo se mantenha em atividade e esteja atento às mudanças de direcionamento do comportamento para se adequar a novas situações. Envolve o sistema reticular ativador e as camadas do córtex.

Segunda unidade – Encontra-se nos lóbulos occipital, parietal e temporal. É responsável por receber, analisar e armazenar as informações recebidas por meio dos órgãos dos sentidos, gerando um sistema de conexões complexas. Todas as informações captadas, das mais simples às de maior complexida-

de, ficam armazenadas na memória e podem ser acessadas pelo indivíduo a

qualquer momento.

Terceira unidade – É constituída no lóbulo frontal. Esta unidade é respon- sável por programar, regular e controlar as atividades do indivíduo gerando e construindo intenções e ações, tanto internas quanto externas. Responde pelas tarefas complexas, acompanha as ações que estão em desenvolvimento e compara as intenções iniciais com os efeitos das ações.

Figura 6 – Lobos cerebrais lobo parietal lobo frontal lobo occipital lobo temporal cerebelo ponte medula
Figura 6 – Lobos cerebrais
lobo parietal
lobo frontal
lobo occipital
lobo temporal
cerebelo
ponte
medula oblonga (bulbo)
medula espinal
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P ARA SABER MAIS! Localização dos lobos cerebrais: o lobo occipital está localizado na região ao fundo do cérebro; o temporal, na região acima das orelhas; o parietal,

na região acima do lobo temporal e o anterior ao lobo occipital; o frontal encontra-se na

região anterior da caixa craniana.

É importante destacar que as relações entre as três unidades funcionais ocor- rem durante toda a nossa vida e que elas interagem com o contexto histórico cultural em que o indivíduo está inserido (OLIVEIRA; REGO, 2010).

O interesse no funcionamento cerebral desencadeou muitas hipóteses, teorias

e reflexões que foram discutidas e rediscutidas no decorrer dos anos. Alguns

estudos foram aprimorados e outros, a partir de novos experimentos, foram descartados. No entanto, todos os apontamentos sobre o processo de conhecer melhor o cérebro e seu funcionamento foram relevantes, porque criaram condi- ções para novas pesquisas sobre o assunto. Com o surgimento das Neurociências e o desenvolvimento das tecnologias, muito

foi descoberto sobre o conhecimento do cérebro e de suas funções. Alguns avanços

significativos contribuíram para os conhecimentos neuropsicológicos, tais como:

neuroimagem – tomografia e ressonância magnética, que permitem observar o cérebro em atividade.

pesquisas laboratoriais – possibilidade de padronizar instrumentos com amostragem específica de cada país.

aplicação dos conhecimentos genéticos ao comportamento – identifica- ção de alterações neurológicas e comportamentais a partir do estudo da ge- nética do indivíduo.

3. A neuropsicologia no Brasil

No Brasil, como área específica de estudo, a Neuropsicologia é relativamente re- cente, embora sua fundamentação científica resulte de décadas de investigação

e conhecimento.

Na década de 1980, já aconteciam pesquisas em vários estados e instituições do Brasil, mas os estudiosos trabalhavam de maneira individualizada e não havia o compartilhamento dos conhecimentos.

Em 1988, a Neuropsicologia foi oficialmente reconhecida no Brasil com a fun- dação da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp). No entanto, em 2007, para se adequar ao novo Código Civil, foi designada como Associação Brasileira Multidisciplinar de Neuropsicologia, mantendo o nome fantasia de Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp, 2015).

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NEUROPSICOLOGIA

86 NEUROPSICOLOGIA O livro apresenta uma abordagem inovadora para o estudo da Neuropsicologia como um novo

O livro apresenta uma abordagem inovadora para o estudo da Neuropsicologia como um novo instrumento. O autor aborda quais são as funções neurológicas e os distúrbios de aprendiza- gem atuais, além de contemplar os distúrbios de aprendizagem ou de escolarização.

86 NEUROPSICOLOGIA O livro apresenta uma abordagem inovadora para o estudo da Neuropsicologia como um novo
86 NEUROPSICOLOGIA O livro apresenta uma abordagem inovadora para o estudo da Neuropsicologia como um novo