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SAÚDE DO CUIDADOR DE IDOSOS: UM DESAFIO PARA O CUIDADO

THE CAREGIVER HEALTH OF ELDERLY PEOPLE: A CHALLENGE FOR CAUTION

Glauciane Drumond Mendes

Discente do curso de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UnilesteMG. glauciane.enfermeira@yahoo.com.br

Sílvia Mara Miranda

Discente do curso de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UnilesteMG. maracosta.reis@gmail.com

Maria Marta Marques de Castro Borges

Enfermeira. Mestre em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília. Docente do curso de Enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais– UnilesteMG.

RESUMO

A população brasileira com mais de 65 anos está em constante aumento, ocasionando maior número de idosos com algum tipo de doença crônica degenerativa, levando-os a se tornarem dependentes de cuidados. Geralmente são os membros da família, do sexo feminino, que ficam responsáveis por estes cuidados, são pessoas carentes de informações sobre os cuidados corretos que devem oferecer ao idoso, e ainda acumulam outras atividades fora de casa. Somados, podem levar o cuidador a sobrecarga, ocasionando o aparecimento de patologias que vão influenciar em sua tarefa. O objetivo dessa pesquisa foi refletir sobre a saúde do cuidador de idosos dependentes que negligenciam sua vida em prol do cuidado. Trata-se de um estudo bibliográfico descritivo retrospectivo, que utilizou bases de dados como BIREME, LILACS, SCIELO e BDENF. Foram selecionados nove artigos de enfermeiros de 2005 a 2008, dentre os quais foram categorizados segundo foco de sua pesquisa, como: perfil dos cuidadores; saúde dos cuidadores; capacitação do cuidador e cuidado domiciliar. O perfil de cuidadores apresentados é maioria mulheres, com baixa instrução e que acumulam outras atividades além de cuidar de idosos, e estão sujeitas a sofrer sobrecarga e algumas patologias. Relata-se que o cuidado domiciliar proporciona à família ficar mais próxima do idoso, além de evitar infecção hospitalar. Porém, várias mudanças ocorrem na vida dos familiares e cuidadores. É importante capacitá-los, e que tenham suporte dos serviços de saúde para assistência ao idoso a fim de oferecer-lhes melhor qualidade de vida. Os cuidadores estão sujeitos a sofrerem doenças em função desta atividade.

PALAVRAS-CHAVE: Cuidadores. Cuidados Domiciliares. Idosos dependentes.

ABSTRACT

The Brazilian population over 65 is rising, leading to a higher number of elderly people with some type of chronic degenerative disease, causing them to become dependent on care. These caregivers are usually family members, female, lacking information about the correct care that should provide the aged, and also accumulate other activities outside the home. Together, the caregiver can lead to overload, causing the appearance of diseases that will influence in their work. The objective of this research is to reflect on the health of caregivers of dependent elderly who neglect their lives for the sake of caution. This is a bibliographic descriptive retrospective study that used databases such as BIREME, LILACS, SciELO and BDENF. We selected nine articles written by nurses from 2005 to 2008, among which were classified according to focus of their research, such as: Profile of caregivers, caregivers' health, Training for caregivers and home care. The profile of caregivers reported is mostly

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women with low education and other activities that accumulate in addition to caring for the elderly, and are subject to suffering and disease burden. It is reported that home care provides the family to be closer to the elderly, and prevent cross infection. However, several changes occur in the lives of families and caregivers. It is important to train them, and have support services to health care to the elderly in order to offer them better quality of life. Carers are subject to diseases suffer from this activity.

KEY WORDS: Caregivers. Home care. Dependent elderly.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento no Brasil vem aumentando rapidamente. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) entre 1950 a 2025, a população de idosos no país crescerá dezesseis vezes contra cinco vezes o crescimento populacional total, colocando o nosso país como a sexta maior população idosa do mundo. De 1960 a 1980, observou-se no Brasil uma diminuição de 33% na fecundidade; nesse período a expectativa de vida aumentou em oito anos. Essa realidade é considerada como uma resposta às mudanças dos indicadores de saúde, como acesso aos serviços de saúde e avanços tecnológicos (BRASIL, 2006). “Embora as políticas públicas desenvolvidas em prol desta nova população enfatizem estratégias para que gozem de mais saúde, observa-se que, em estudos nacionais, até 40% dos adultos com 65 anos de idade ou mais reportam incapacidade” (SMELTZER; BARE, 2005, p. 200). Cançado e Horta (2002) citam que o processo de envelhecer coloca a tona uma quantidade relevante de problemas na visão, audição, cognição e comportamento, atividade do sistema nervoso simpático, função pulmonar, renal e na densidade óssea. Entender esses efeitos como parte do processo do envelhecimento é importante, porém devem-se colocar tais fatores como adventos de complicações futuras. Potter e Perry (2002) dizem que, aproximadamente 80% das pessoas adultas com mais de 65 anos têm, pelo menos, um diagnóstico de doença crônica. A ascensão da expectativa de vida e a consequente presença de doenças crônicas e degenerativas acarretam o aumento do número de idosos que se tornam dependentes e requerem cuidados, que implicam no auxílio em vestir-se, alimentar- se, usar medicamentos, enfim, nas atividades de vida diária (MACARENHAS; BARROS; CARVALHO, 2006). Neste contexto, Ramos (2002) comenta que a capacidade funcional, ou seja, a habilidade para realização de atividades da vida diária surge como um novo paradigma de saúde, muito importante para o idoso. Saúde em uma nova concepção passa a ser o resultado de bem estar físico, mental, social, familiar e econômico. Considerando que, quando o domicílio passa a ser um local de cuidados, as portas se abrem para as diferenças e modificações no âmbito familiar, mudando o cotidiano de todos que habitam naquele mesmo teto (SENA et al, 2006). Moreira e Caldas (2007) assinalam que a família vem, na maioria das vezes, como uma totalidade, onde cada integrante desempenha uma função que influencia no todo. Então, quando um desse grupo adoece e deixa de cumprir com sua função, a organização dessa família sofre mudanças que desencadeiam conturbações, obrigando à redistribuição de papéis. Dentre esses surge o idoso, que perde seu papel na família e aquele que ganha a função de cuidador.

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Segundo Brasil (2006), em uma família, seus membros assumem responsabilidades para que haja o funcionamento da mesma, já na família de um idoso existe o cuidar, que está ligado ao desenvolvimento da afeição, alimentação, da atenção e a vigilância constante. O cuidador domiciliar tem como objetivo incentivar a independência da pessoa, diminuindo possíveis agravamentos devido à incapacidade ou doença. Visa, então à promoção e/ou manutenção da saúde (MACARENHAS; BARROS; CARVALHO, 2006). O cuidador é aquele que assume a responsabilidade de dar suporte ou incentivar a realização das atividades da vida diária, tendo em vista a ascensão da qualidade de vida do idoso cuidado (SENA et al, 2006). Ao cuidador são atribuídas tarefas que, na maioria das vezes, não são acompanhadas de orientação adequadas. Carente destas, a qualidade de vida do cuidador sofre um impacto. Porém, qualidade de vida e sobrecarga são ocorrências distintas e devem ser abordadas com diferentes meios de medidas (AMENDOLA; OLIVEIRA; ALVARENGA, 2007). Cuidar de um idoso é uma tarefa intensa, visto que esta condição é imposta a uma pessoa que não possui apenas essa atividade e acaba conciliando-a com outros afazeres, como o cuidado com filhos, casa, trabalho e outras (SCHOSSLER; CROSSETTI, 2008). Cuidar de um idoso por um longo tempo exige dedicação constante do cuidador, fazendo com que sua saúde corra riscos, principalmente para aquele que o cuidado é prestado somente por ele, fazendo-o se sentir sobrecarregado. Tal fato compromete o autocuidado (GONÇALVES et al, 2006). Existem interferências relevantes no processo de cuidar do idoso, principalmente naqueles com baixo nível de cognição, que dependem de cuidados especiais, expondo assim o cuidador a um estresse maior (GONÇALVES et al, 2006). Dificuldades acarretam o desgaste físico evidenciado por dores no corpo, advindas do esforço para realização de ações que variam de acordo com o peso e dependência da pessoa cuidada (SENA et al, 2006). O cuidador descreve que sua rotina faz com que se prive de necessidades básicas humanas, fato que se dá devido à falta de outra pessoa para auxiliá - lo nas ações de cuidado (SHOSSLER; CROSSETTI, 2008). Segundo Amendola, Oliveira e Alvarenga (2007) existe um predomínio das mulheres cuidadoras que são casadas, donas de casa e com média de 50,5 anos. A inserção da mulher no mercado de trabalho, mesmo que em passos lentos e a diminuição das taxas de natalidade contribuem para que o número de pessoas disponíveis para o cuidado de idosos seja reduzido, sendo que a mulher é o principal sujeito cuidador (YAMADA; DELLAROZA; SIQUEIRA, 2006). É necessário compreender que cuidar é tarefa nobre, porém complexa, o que em determinadas situações torna essa missão ameaçadora à saúde de quem cuida (BRASIL, 2008). Portanto, os cuidadores tornam-se carentes de orientação e necessitam de suporte dos profissionais. Nesta concatenação de motivos é relevante que haja uma reflexão dos profissionais para que tenham uma visão mais ampla sobre o processo de envelhecimento e quanto à qualidade de vida do cuidador de idosos, que expõe sua saúde em risco e em prol do cuidado. A saúde do cuidador de idosos tem sido um tema muito abordado ultimamente, devido ao aumento da população com mais de 65 anos; portanto torna-se importante correlacionar este fato à responsabilidade das equipes de saúde e seus

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profissionais. Ser cuidador hoje é constituir uma classe autônoma. Partindo deste pressuposto, foi estabelecida como estratégia norteadora desta pesquisa a reflexão

sobre a saúde do cuidador de idosos dependentes como um desafio para o cuidado. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo bibliográfico, caracterizado como de natureza descritiva retrospectiva, a fim de refletir sobre a saúde do cuidador de idosos como um desafio para o cuidado. Utilizou-se a base de dados da BIREME, SCIELO, LILACS e BDENF para pesquisa de artigos publicados por enfermeiros no Brasil, de 2005 a 2008, idioma português, tipo de publicação artigo de revista científica. A busca dos artigos foi realizada em fevereiro de 2009. Usando-se os descritores de assunto:

cuidadores, cuidadores de idosos, idoso. Obteve-se dez artigos e um foi excluído por não se enquadrar nos critérios de categorização estabelecidos. A amostra foi definida em nove artigos e foram organizados segundo os aspectos de abordagem da pesquisa, sendo categorizados como: Perfil dos cuidadores; Saúde dos cuidadores; Capacitação do cuidador e Cuidado domiciliar.

RESULTADOS

Através da análise dos artigos foi possível identificar e delimitar categorias temáticas relacionadas aos cuidadores. Entre as categorias encontradas, as que mais se destacaram em quantidade foram artigos sobre saúde do cuidador, que é o foco deste estudo e sobre o cuidado domiciliar. O QUADRO. 1 demonstra a caracterização dos artigos de acordo com o autor, ano de publicação, tipo de pesquisa, objetivos, instituição do primeiro autor, revista publicada e a categoria. Foi feita leitura e análise dos artigos selecionados, visando ordenar as informações e contribuições dos estudos sobre a saúde do cuidador de idosos como um desafio para o cuidado. Os artigos foram escolhidos dentro do critério de que os autores fossem enfermeiros, independente do nível de graduação. Dentre eles pôde-se observar que cinco são de enfermeiras docentes ligadas a uma universidade de enfermagem. O critério de inclusão caracterizou artigos publicados nos últimos três anos, visto que em 2005 o Ministério da Saúde criou o Pacto pela Vida, no qual foram estabelecidas seis prioridades, sendo três delas voltadas ao planejamento de saúde para a pessoa idosa.

No ano de 2006 houve uma mobilização maior quanto à assistência à saúde do idoso, como a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), Portaria GM n° 2528 de 19 de outubro de 2006, que define a atenção à saúde dessa população e à Política Nacional de Atenção Básica; Portaria GM n°648 de 28 de março de 2006 que se caracteriza por desenvolver um conjunto de ações de saúde no âmbito coletivo e individual que abrange a promoção e a proteção à saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. Sugere assim uma visão holística dos profissionais quanto à saúde do idoso e despertando-nos a preocupação no que se refere à manutenção e identificação de fatores que interferem na saúde do cuidador de idosos. Sobre o foco deste estudo, que é a saúde do cuidador, foram apresentados dentro da categorização dos artigos três autores: Shossler e Crossett (2008);

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Amendola, Oliveira e Alvarenga (2008); Rodrigues, Watanabe e Derntl (2006). Todos põem a tona esta questão. O cuidado domiciliar aparece como objeto norteador de três dos autores, Thober, Creutzber e Viegas (2005); o perfil é descrito por todos os autores, porém apenas um autor objetiva este assunto que é Gonçalves et al (2006). Já a capacitação dos cuidadores aparece em dois autores: Martins et al (2007) e Moreira e Caldas (2007). Os artigos foram todos publicados em revistas de enfermagem. Três das pesquisas foram realizadas por universidades do estado de São Paulo, quatro do Sul do país, uma de Minas Gerais e uma do estado do Rio de Janeiro.

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413 Autor ano Tipo de Objetivo Instituição Revista Publicada Categoria Pesquisa Thober; 2005 Quantitativa Identificar o

413

Autor

ano

Tipo de

Objetivo

Instituição

 

Revista Publicada

Categoria

Pesquisa

 

Thober;

 
  • 2005 Quantitativa

Identificar o nível de dependência de idosos no domicilio e compreender percepções

Universidade

 

Revista

Brasileira

Cuidado

Creutzber;

Qualitativa

o cuidador sobre os cuidados decorrentes.

Federal

do

Rio

de Enfermagem.

 

Domiciliar.

Viegas.

descritiva.

Grande do Sul.

 

Rodrigues;

 
  • 2006 Qualitativa

Conhecer o significado de saúde para idosos cuidadores de cônjuges idosos; as

Universidade de São

Revista da Escola

Saúde

dos

Watanabe;

exploratória

possíveis mudanças ocorridas na sua saúde após assumir o papel de cuidador e

Paulo

de Enfermagem da

cuidadores.

Derntl.

como eles (as) cuidam da sua própria saúde.

USP.

Sena et al.

 
  • 2006 Qualitativa

Conhecer o cuidar no domicilio e as pessoas que participam de sua construção,

Universidade

 

Cogitare

Cuidado

exploratória

bem como os valores e conhecimentos que sustentam as atividades cuidativas.

Federal

de

Minas

Enfermagem

 

Domiciliar

descritiva

Gerais

 

Mascarenhas;

 
  • 2006 Descritiva

Caracterizar os cuidadores familiares de pessoas matriculadas no Departamento de

Escola

de

Revista Mineira de

Cuidado

Barros; Carvalho.

exploratória

Atendimento Domiciliar de uma Cooperativa de Trabalho Médico do interior de São

Enfermagem

 

de

Enfermagem.

Domiciliar

Paulo, verificar as dificuldades enfrentadas no processo de cuidar e sugerir assuntos e atividades que poderiam ser desenvolvidas para melhorar o cuidado prestado e a qualidade de vida.

Ribeirão Preto.

Gonçalves et al

 
  • 2006 Descritiva

Traçar o perfil da família cuidadora de idoso.

Universidade

 

Revista

Texto

&

Perfil

dos

diagnostica

Federal

de

Santa

Contexto-

cuidadores.

avaliativo.

Catarina

Enfermagem.

 

Martins et al.

 
  • 2007 Qualitativa

Identificar e classificar as necessidades de saúde e de educação, apresentadas

Universidade do Sul

Revista

Texto

&

Capacitação

exploratória

pelos cuidadores familiares de idosos, baseado na Classificação Internacional das

de Santa Catarina

Contexto-

de cuidador.

descritiva

Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC).

Enfermagem.

 

Moreira; Caldas

 
  • 2007 Revisão

Discutir a importância do papel do cuidador informal no cuidado do idoso

Universidade

 

Escola

Ana

Nery

Capacitação

Bibliográfica

dependente; compreender o papel vivenciado por esse familiar, focalizando-o como

Estadual

do

Rio

de

R. Enfermagem.

 

de cuidador.

sujeito ativo do processo do cuidar; e avaliar as ações e propostas direcionadas a esse cuidador.

Janeiro.

 

Schossler;

 
  • 2008 Qualitativa

Conhecer a percepção do cuidador domiciliar sobre o cuidado de si, através da

Universidade

 

Revista

Texto

&

Saúde

dos

Crossett

exploratória

Teoria do Cuidado Humano de Jean Watson.

Federal

do

Rio

Contexto-

cuidadores.

descritiva.

Grande do Sul.

Enfermagem.

 

Amendola;

 
  • 2008 Descritiva

e

Avaliar a associação entre a percepção da qualidade de vida dos cuidadores

Escola

de

Revista

Texto

&

Saúde

dos

Oliveira;

transversal

familiares de pacientes dependentes atendidos pelo Programa Saúde da Família e

Enfermagem da

Contexto-

cuidadores.

Alvarenga

as características sóciodemograficas e de saúde, grau de sobrecarga percebida e grau de independência funcional.

Universidade de São Paulo.

Enfermagem.

 

QUADRO 1 Caracterização dos artigos publicados por enfermeiros sobre cuidador de idosos encontrados na Biblioteca Virtual de Saúde no período de 2005 a 2008.

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Categorizando os autores por foco de sua pesquisa, Gonçalves et al (2006), apresentam sobre o perfil dos cuidadores que, em sua maioria, são mulheres de meia idade, com baixo grau de instrução e que acumulam o papel de cuidadora, mãe e dona de casa. Segundo Sena et al (2006), este fato é resultado da divisão do trabalho entre homem e mulher, mantido muito tempo por convencionalismo da sociedade. O cuidado para a mulher tem sido até hoje o foco de sua existência, relacionado ao fato de que dão à luz e ficam ligadas a todos os aspectos de vida e cuidado. Martins et al (2007), trazem que esse predomínio se dá, comprovadamente, porque a população de mulheres prevalece na composição do planeta. Essa afirmação segue também às normas culturais que esperam do homem o sustento e autoridade e da mulher o cuidado com os filhos, com a casa e com a pessoa idosa. Em seu estudo ainda sobre o perfil dos cuidadores, Gonçalves et al (2006) trazem que, apesar dessa grande prevalência do gênero feminino na classe de cuidadores de idosos, observa-se que há uma ascensão da participação de homens de diferentes idades, entre eles netos, esposos e filhos, representando um total de 15,7% em sua pesquisa. O autor traz ainda que mais de 50% dos cuidadores são casados, 37,3% solteiros ou separados e 3,4% viúvos. Evidencia também que a maioria dos cuidadores não tem tempo para trabalhar fora do domicílio, além de que os cuidadores geralmente abandonam seus empregos em prol do cuidado ao idoso que, comumente, exige constância. Gonçalves et al (2006), relatam em seu estudo que 16,5% dos cuidadores dizem ser portadores de hipertensão arterial (HA) e outros problemas cardiovasculares, seguido de problemas osteomusculares relatado em 9,5% dos entrevistados e diabetes mellitus (DM) em 6,9% do cuidadores. Tais relatos são devido à dedicação prolongada ao cuidado, que não se limita aos idosos apenas; 56,3% dos cuidadores que se dedicam permanentemente ao cuidado têm filhos, cônjuge, netos, entre outros. Portanto, mais pessoas dependem destes. Esta realidade contribui para a sobrecarga do cuidador. Os autores trazem que 56,6% dos cuidadores contam com a ajuda de parentes para a dispensação do cuidado, porém 28,4% não recebem nenhuma ajuda. A primeira situação é um fator positivo, no qual vem como um facilitador ao cuidador principal, diminuindo a possibilidade de sobrecarga. Neste contexto Rodrigues, Watanabe e Derntl (2005) afirmam que no mundo atual há um estímulo ao comprometimento às ações relacionadas a cuidados de longa duração na sociedade. A categoria cuidado domiciliar apresenta que se tratando da relação entre cuidador e família, o domicílio trata-se do lócus do cuidado (SENA et al, 2006). A assistência domiciliar para Mascarenhas, Barros e Carvalho (2006) é uma resposta à particularização da assistência prestada no domicílio; incorporada à probabilidade da família manter-se no controle, nas tomadas de decisões relacionadas ao cuidado, à diminuição dos custos comparando-se com hospitais; além do risco diminuído de infecção e o maior envolvimento familiar no planejamento de ações e execução de cuidados. Existem duas definições para cuidadores: formais e informais. O cuidador informal é um membro ou pessoa próxima à família sem nenhum tipo de preparação ou formação técnica e/ou remuneração. O cuidador formal é o profissional de saúde

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com vínculos empregatícios ou outro tipo de remuneração. São responsáveis pelas ações de cuidado dividido em turnos. Nas pesquisas de Mascarenhas, Barros e Carvalho (2006) e Sena et al (2006) o cuidador familiar, sujeito desta pesquisa, é aquele que cuida do idoso debilitado, geralmente fragilizado em função da situação de cronicidade ou até mesmo do próprio avanço da idade, acarretando um estado de perda de sua capacidade funcional, levando-o a depender de alguém para o auxilio ou realização de atividades da vida diária. Sena et al, (2006) colocam que, quando o domicílio passa a ser o principal local do cuidado, mostra-se então o cotidiano da vida daquela família e das pessoas que habitam sobre aquele teto. Thober, Creutzberg e Viegas (2005) trazem em sua pesquisa que as maiores mudanças no cotidiano deste cuidador acontece na vida pessoal e profissional do mesmo. Para o cuidado, em sua maioria é necessário dedicação total, o que exige deste cuidador todo o seu tempo, suas forças e emoções. Por se tratar de um processo que ocorre normalmente de forma repentina, os cuidadores sentem-se coagidos a harmonizar as atividades familiares, pessoais e até profissionais ao cuidado com o dependente e, com isso, padecem e correm o risco de ficarem sobrecarregados (MACARENHAS; BARROS; CARVALHO, 2006). A falta de apoio de um familiar é fator que dificulta o cuidado domiciliar e o auto cuidado do cuidador (SENA et al 2006; THOBER; CREUTZBERG; VIEGAS 2005). Porém, autores apontam que, para os cuidadores, uma das dificuldades mais relatadas no cuidado domiciliar é a falta de recurso financeiro (MACARENHAS; BARROS; CARVALHO, 2006; SENA et al, 2006; THOBER; CREUTZBERG; VIEGAS, 2005). Mascarenhas, Barros e Carvalho (2006) em sua pesquisa relatam que, além da falta de dinheiro, um dos fatores condicionantes de dificuldades relatadas pelos cuidadores é a impossibilidade de trabalhar fora, a falta de atividades de lazer, além da falta de independência do idoso na higiene, alimentação e mobilidade. A falta de estrutura física nos domicílios é relatado por Sena et al (2006) como um dificultador de cuidados de acordo com o discurso dos cuidadores de sua pesquisa. Thober, Creutzberg e Viegas (2005) dizem que a falta de condições de mover- se sozinho do idoso é um gerador de dificuldades, pois muitos cuidadores não possuem um bom condicionamento físico para a realização adequada desses movimentos. A falta de preparo dos mesmos traz sentimentos de ansiedade e estresse, até que este aprenda a maneira certa, o que geralmente acontece depois de errar. Sena et al (2006) descrevem sobre mais um dificultador do cuidado domiciliar; que cuidadoras filhas relatam ter uma relação tumultuada com os pais cuidados por terem sido criadas em um regime muito rígido e fechado. Tais dificuldades relatadas exigem a compreensão do ato de vigília do cuidador. Em mesma pesquisa de Sena et al, (2006) as cuidadoras relatam que, apesar de tantos dificultadores, o cuidado no domicílio possibilita que o cuidador e o idoso assistido permaneçam no ambiente familiar. Thober, Creutzberg e Viegas (2005) relatam que os motivos que levam um familiar a assumir o cuidado domiciliar são, em sua maioria, as questões de obrigação moral, religiosa e cultural.

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O cuidado é visto, muitas vezes, como um dom, que dignifica o cuidador e o faz sentir melhor. Porém, estes personagens tendem a se sobrecarregar para que a assistência ao idoso seja prestada de modo integral, mesmo não tendo uma orientação técnica para que preste um cuidado de qualidade que não interfira na sua saúde. Dentro deste contexto surge uma nova preocupação, que é o foco dos autores da categoria capacitação do cuidador domiciliar de idosos. Moreira e Caldas (2007) afirmam que os serviços de saúde não estão organizados a fim de ser base para a assistência prestada pelo cuidador. Martins et al, (2007) trazem que o cuidado domiciliar do idoso exige uma reorganização dos serviços de saúde no que se diz respeito à educação e promoção, o que possibilitaria um maior envolvimento e identificação das reais necessidades da família além da intensificação de vínculos. Para isso Moreira e Caldas (2007) propõem que os profissionais, antes de prestar assistência a esses cuidadores, devem buscar um conhecimento prévio sobre a realidade de cada família, possibilitando traçar, então, um planejamento específico. Segundo Moreira e Caldas (2007) a educação em saúde tem uma forte relação entre realidade e anseio de melhoria do cotidiano das famílias, pois com a colaboração da equipe multiprofissional, seu conhecimento científico e visão holística é possível estimular a autoconfiança do cuidador, além de propiciar a este uma maior segurança na realização do cuidado. Moreira e Caldas, (2007) relatam que os cuidadores têm dificuldade em obter informações sobre os cuidados a serem prestados ao idoso, como em uma consulta, por exemplo, no qual o foco é a patologia. Tal fato deveria ser repensado pelos profissionais médicos que gozam de plena capacidade para orientações de nível direcionado à promoção e manutenção da saúde, além da prevenção de doenças. Esta realidade ocasiona aos cuidadores sentimentos de ansiedade que apenas depois do erro, e possível agravamento é que vão aprender o adequado cuidado para aquele idoso. Martins et al, (2007), em sua pesquisa sobre necessidades educativas das cuidadoras de idosos, relataram que a maior preocupação delas era em relação ao risco de complicações, levando-se a concluir que este fato se dá à falta de conhecimentos básicos e insegurança. Quando indagadas sobre o conhecimento do diagnóstico do idoso cuidado, foram unânimes em dizer que “sim”, porém o autor coloca à tona a preocupação quanto à percepção dessas cuidadoras direcionada ao que de fato se trata. Além disso, as cuidadoras não têm nenhum tipo de orientação quanto ao cuidado a ser prestado. Por mais simples que este seja, tem que haver uma atenção por parte das equipes de saúde. Nesta mesma pesquisa foi constatado que todas as entrevistadas tinham interesse em receber orientações que pudessem somar com seus conhecimentos práticos na hora do cuidar, favorecendo a saúde do idoso.

A equipe de saúde deve vir, segundo Moreira e Caldas (2007), como mediadora para fazer com que os familiares aceitem a cronicidade da doença e que dividam com profissionais especializados suas angústias e dúvidas, de modo a oferecer suporte e promover o envolvimento entre cuidadores e idosos cuidados. Os autores trazem que o preparo do cuidador tecnicamente não é o bastante, é preciso estruturar intervenções que sigam a pretensão moral e a origem dos sentimentos de repúdio que acomete o cuidador de idosos.

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Este sentimento de abandono implica diretamente à condição de saúde dos cuidadores. Sena et al (2006) colocam que a ausência da família e a carência de suporte oferecido pelos serviços de saúde dificultam e sobrecarregam o cuidar e diminuem a qualidade de vida dos cuidadores. Esta ausência confirma o vazio sentido pelo cuidador do idoso, sendo que a presença de um familiar ou de um suporte possibilitaria a eles olhar para si e ascender a possível melhoria da sua qualidade de vida (SHOSSLER; CROSSETTI, 2008). Moreira e Caldas (2007) pontuam em sua pesquisa que a família vem, na maioria das vezes, como um conjunto, aonde cada integrante desempenha uma função que influencia no todo. Quando um membro então perde a capacidade de assumir seu papel, surge o cuidador, que perde sua identidade, pois ele agora vive para o cuidar do idoso, colocando em risco o seu ser. Segundo Amendola, Oliveira e Alvarenga (2008), a presença de um companheiro vem como um facilitador para o cuidador, diminuindo o sentimento de solidão e fazendo-o sentir-se apoiado. Porém em mesma pesquisa há relatos de que companheiros largaram suas esposas pelo fato de terem que receber em suas casas os pais das mesmas que se encontravam debilitados e incapacitados de viverem sozinhos. A família tem seu papel destacado na relação entre a dispensação do cuidado e sobrecarga do cuidador. Shossler e Crossetti (2008) destacam um relato de sua pesquisa em que o cuidador enfatiza a impossibilidade de descansar e passear, por não contar com a presença e ajuda fundamental da família na participação do cuidado ao idoso. A presença familiar cria uma relação de confiança, favorecendo um ambiente de união e solidariedade entre os seus. Schossler e Crossetti (2008) em outra oportunidade afirmam que a condição de cuidador muitas vezes é desempenhada por apenas uma pessoa, por esse não ter com quem compartilhar o seu compromisso de cuidado do idoso, sente-se então sobrecarregado. Esta condição mostra que o cuidador do idoso carece ser visto como alguém que também tem necessidades que devem ser atendidas e, portanto, deve estar fixado no contexto de cuidado, quando se está empenhado a outro. O autor traz também que ter uma pessoa com quem possa dividir suas tarefas permite que o cuidador organize sua vida e possa ter a autonomia e liberdade na realização de suas necessidades e o cuidado de si. Com o estender do período e o ato de cuidar do idoso, formam-se ações repetitivas e desenvolve, no cuidador domiciliar, fadiga física pela saturação das atividades, o que o leva aos limites deste cuidado. Nesta mesma pesquisa cuidadores relatam que seu possível adoecimento se dá devido à dispensação de cuidado ao idoso, destacando a irritabilidade e tensão como problemas de saúde mais diagnosticados no cuidador do idoso (SCHOSSLER; CROSSETTI, 2008). “Dispensar cuidado a alguém que esteja doente ou dependente envolve esforço mental, físico e psicológico” (RODRIGUES; WATANABE; DERNTL, 2006 p.

494).

Devido à dedicação, muitas vezes prestada ao idoso debilitado, o cuidador se esquece de cuidar dele mesmo. Mascarenhas, Barros e Carvalho, (2006) dizem que o cuidador por diversas vezes negligencia sua própria saúde em função dos cuidados rotineiros a serem prestados, uma vez que seu tempo está tomado em função do outro.

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Os cuidadores de idosos em pesquisa de Rodrigues, Watanabe e Derntl, (2006) relacionam suas complicações de saúde ao fato da prestação de cuidados. Há relatos como cansaço, perda de peso, além de expressões como “a partir do momento em que me vi cuidador, perdi a chance de aproveitar a vida enquanto podia”, refletindo atualmente na perda de auto-estima. Amendola, Oliveira e Alvarenga (2008) dizem que, quanto maior a idade, menor a condição de autonomia do idoso, visto que pacientes mais velhos demandam cuidados que sobrecarregam fisicamente o cuidador. Autores trazem também que a capacidade funcional do idoso está diretamente ligada à condição de qualidade de vida do cuidador, ou seja, se o cuidador sente-se cansado e sobrecarregado esta condição refletirá no cuidado a ser prestado. (AMENDOLA; OLIVEIRA; ALVARENGA, 2008; RODRIGUES; WATANABE; DERNTL, 2006). Em pesquisa sobre a saúde de idosos que cuidam de idosos, Rodrigues, Watanabe e Derntl (2006) expressam que o desgaste físico e mental causados pelo cuidar, embutido junto às preocupações do cotidiano e também as próprias limitações ou incapacidades deste cuidador tornam a vida em si mais difícil, ocasionando danos maiores à saúde segundo a fala de seus entrevistados. Talvez por isso os cuidadores de pacientes mais velhos estejam menos satisfeitos com o ambiente físico, condições de moradia, recursos financeiros, serviços de saúde e transporte, meios referentes à condição estrutural pública ofertada aos idosos e seus respectivos cuidadores, o que expõe a pesquisa de AMENDOLA; OLIVEIRA; ALVARENGA, 2008. Mesmo com todas essas interferências na condição de saúde e qualidade de vida pessoal do cuidador, Rodrigues, Watanabe e Derntl (2006) apresentam em sua pesquisa que cuidadores ainda sentem prazer em cuidar e ver a melhora de seu ente querido a partir de seus cuidados. Em estudo feito por Gonçalves et al, (2006) o cuidar compromete o autocuidado, como se constata com os resultados à pergunta se eles (cuidadores) têm tempo para cuidar de si: 22,5% disseram não ter, 43,1% tiveram que reduzir seu tempo de diversão, 33,6% relatam estar sempre cansados e 22,4% dos cuidadores tinham percebido sua saúde prejudicada. Moreira e Caldas (2007) falam que cuidadores de idosos tendem a sofrer acidente vascular encefálico (AVE) e isolamento social, decorrentes do acúmulo de responsabilidades, perdas de companheiro (para os cônjuges cuidadores), distúrbios comportamentais, alterações na relação familiar e com amizades, além da sobrecarga psicológica caracterizadas com ansiedades, insegurança e medo. Rodrigues, Watanabe e Derntl (2006) relataram a partir de sua pesquisa que cuidadores relacionam a saúde com a condição de poder realizar “coisas” e que quando não se pode fazê-las não se tem saúde e também a manutenção da capacidade funcional, autonomia, estar de bem com a vida independente da idade, são fatores que eles relacionam a ter saúde. E mais, eles têm noção da importância da atividade física para a manutenção da saúde, porém sentem-se impedidos de realizá-las. Contudo, cuidar é uma tarefa sublime, mas árdua e que exige do cuidador dedicação, controle emocional exacerbado e autocuidado, para que não caia na condição de incapacidade que o seu ente assistido se encontra.

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419 CONCLUSÃO
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CONCLUSÃO

Este estudo abordou a temática -saúde do cuidador de idosos- trazendo o perfil do cuidador informal que atualmente constitui uma rede autônoma. Constata- se que a maioria são mulheres de meia idade e que carecem de orientação, sendo que esta deveria ser oferecida como suporte pelos profissionais dos serviços de saúde. É importante que haja estratégias dentro destes serviços e que se veja o cuidador como sujeito, acarretando um reconhecimento da rede como base do processo de cuidar com qualidade dos idosos incapacitados e do cuidador que se torna negligente com sua própria saúde. Muitos cuidadores reconhecem que, depois de assumir este papel, não têm mais tempo de se cuidarem, de se divertirem, que estão sempre cansados. Estes relatos põem à tona que o processo do cuidado do idoso no domicílio interfere diretamente na vida social do cuidador, que perde seu próprio “ser” e vive em função do outro, até que um venha a falecer. Doenças são percebidas pelos cuidadores e relatadas pelos mesmos que se descobrem depressivos, ansiosos, com dores musculares, cefaléias constantes, insônia, além de portadores de doenças crônicas como D.M e H.A, devido ao cuidado prestado e a sobrecarga deste cuidador. Espera-se que outras pesquisas sejam realizadas nesta temática, visando apresentar soluções a fim de diminuir a carga deste cuidador de idosos e elaborando ações para que este seja inserido no meio social e possa resgatar a sua qualidade de vida.

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