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APC 2003015009352-5

Órgão : QUINTA TURMA CÍVEL


Classe : APC - APELAÇÃO CÍVEL
Num. Processo : 2003 01 5 009352-5
1ºApelante(s) : FAZENDA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL E
2º Apelante TERRITÓRIOS
LOJA MAÇÔNICA DUQUE DE CAXIAS Nº 13 (Recurso Adesivo)
Apelado(a)(s) : OS MESMOS
Relator Des. : ASDRUBAL NASCIMENTO LIMA
Revisora Desa. : HAYDEVALDA SAMPAIO

EMENTA

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – IPTU –


MAÇONARIA – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA –
POSSIBILIDADE – INTELIGÊNCIA DO PARÁGRAFO
ÚNICO DO ARTIGO 8º DA LEI COMPLEMENTAR Nº
363/2001.
1. “A maçonaria é uma religião, no sentido estrito do
vocábulo, isto é na “ harmonização da criatura ao Criador. É
religião maior e universal”

ACÓRDÃO
Acordam os Senhores Desembargadores da Quinta Turma Cível
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, ASDRUBAL NASCIMENTO
LIMA - Relator, HAYDEVALDA SAMPAIO – Revisor(a) e JOÃO TIMÓTEO - Vogal,
sob a Presidência do Senhor Desembargador ROMEU GONZAGA NEIVA em
CONHECER. NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS. UNÂNIME, de acordo com a
ata do julgamento e notas taquigráficas.
Brasília (DF), 15 de março de 2004.

Desembargador ROMEU GONZAGA NEIVA


Presidente

Desembargador ASDRUBAL NASCIMENTO LIMA


Relator

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RELATÓRIO

Trata-se de apelação interposta contra sentença proferida nos autos da


Ação de Embargos à Execução proposta por Loja Maçonica Duque de Caxias nº 13 em
desfavor da Fazenda Pública do Distrito Federal, a qual julgou procedente o pedido formulado
na inicial, declarando a inexigibilidade do crédito tributário que deu origem à execução, em
face do manto da imunidade que paira sobre o imóvel em questão, nos moldes do artigo 150,
inciso VI, alínea b da CF.

A Fazenda Pública do Distrito Federal apelou da sentença, alegando


em suas razões de apelação que o Decreto nº 16.100/94, longe de estabelecer condições à
imunidade prevista no texto constitucional, apenas dispõe que compete ao interessado
comprovar administrativamente, perante o Fisco, que preenche os requisitos necessários para
o enquadramento da entidade e via de conseqüência do respectivo imóvel no referido
benefício.

Assevera que a ora apelada, em momento algum pleiteou o


reconhecimento de sua imunidade perante a autoridade fiscal do Distrito Federal.

Sustenta que o requerimento administrativo se mostra imprescindível


para que o Poder Público possa aferir se o contribuinte preenche ou não os requisitos
indispensáveis à fruição da imunidade, visto que seria impossível ao Fisco, proceder a uma
constante e interminável diligência às propriedades locais com o objetivo de verificar a
ocorrência concreta de eventuais isenções e imunidades.

Aduz que o MM. Juiz de Direito entendeu que as lojas maçonicas são
abarcadas pelo conceito de templo, entretanto, a ora apelada não logrou comprovar, no
presente feito, a sua condição de entidade imune, tendo em conta que as lojas maçonicas, não
são consideradas templo para fins de gozo da referida imunidade.

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Afirma que conforme documento de fl. 9, a finalidade declarada pela


ora recorrida, não demonstra qualquer tipo de difusão de uma religião, de um culto, no
imóvel objeto da execução fiscal, que não pode ser considerado um templo para os fins
pretendidos.
Esclarece que as salas de reuniões da maçonaria não são e nunca
poderão ser templos, mesmo porque, maçonaria não é religião, as reuniões da entidade não
são cultos e a sede em que se reúne não é templo religioso.

Requer seja julgado improcedente o pedido inicial , invertendo o ônus


da sucumbência.
Em contra-razões, enfatizando os argumentos anteriormente
esposados, pela manutenção da sentença.

Loja Maçonica Duque de Caxias nº 13 também apelou da sentença


alegando em suas razões de apelação , em síntese, que deve ser reformada a sentença no
tocante à fixação dos honorários advocatícios que foram fixados em R$ 500,00 ( quinhentos
reais), visando a majoração dos mesmos.

A Fazenda Pública do Distrito Federal em resposta à apelação adesiva


interposta pela Loja Maçonica Duque de Caxias nº 13, pleiteia a manutenção dos honorários
fixados na sentença.

É o relatório.

V O T O (S)

O Senhor Desembargador ASDRUBAL NASCIMENTO LIMA - Relator

Conheço dos recursos, presentes os pressupostos de admissibilidade.

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Pleiteia o 1º apelante a reforma da sentença que julgou procedentes os


embargos à execução, declarando a inexigibilidade do crédito tributário que deu origem à
execução, em face do manto da imunidade que paira sobre o imóvel em questão, a teor do
disposto no artigo 150, inciso VI, alínea b da Constituição Federal.

A questão resume-se em saber a natureza das lojas maçonicas, para


que se possa decidir quanto a imunidade tributária.

Rizzardo de Camino discorre sobre o tema:

“A maçonaria é uma religião, no sentido estrito do vocábulo, isto é na


“ harmonização da criatura ao Criador. É religião maior e universal”.
No mesmo sentido é a lição de Joaquim Gervásio de Figueiredo:
“Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento,
tem um aspecto externo, visível, consistente em seu cerimonial,
doutrinas e símbolos, e outro aspecto interno, mental e espiritual,
oculto sob as cerimônias, doutrinas e símbolos e acessível só ao
maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja
capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo.”

A Drª Sandra de Santis quando do julgamento da APC nº


2000015002122-8 assim se pronunciou sobre o assunto:

“A imunidade é forma qualificada de não incidência que decorre da


supressão da competência impositiva sobre certos pressupostos
previstos na Constituição, como nos ensina Misabel Derzi. Culto é o
conjunto de práticas destinadas ao aperfeiçoamento dos sentimentos
humanos. E, considerando que é denominado templo o local onde se
reúnem os maçons periodicamente a fim de praticar as cerimônias
ritualísticas para melhorar o caráter, a vida espiritual, meditar sobre a
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missão do homem na vida, recordando-lhe os valores eternos cujo


cultivo lhes permite acercar-se da verdade, não se pode chegar a
conclusão diversa daquela exarada pelo MM. Juiz na sentença
recorrida.”

Da mesma forma manifestou-se o Des. João Mariosi quando prolatou


seu voto em caso análogo:

“O argumento de que a parte é carecedora de ação, por não ter-se


habilitado previamente junto à autoridade competente parte de uma
falácia igonoratio elenchi. Na verdade, se se depender de habilitação
junto à autoridade administrativa para se dizer que um templo é um
templo, estar-se-ia atribuindo à Administração Pública o critério para
afirmar a templacidade de um prédio.

Se há necessidade de se afirmar que um prédio é um templo, a


autoridade já observou o aspecto de sua utilização, quando conferiu o
habite-se. Do contrário teríamos que buscar o definiens ou o
signficiado da coisa, admitindo um princípio dialético de acordo
prévio. Isto seria uma falácia Aequivocum. O direito, quando tem
uma pretensão herurísitica procura uma generalização de evidência,
mas parte sempre da certeza, que é subjetiva.

Se se faz necessário um acordo prévio sobre os termos, como entidade


religiosa, benefício constitucional e templo, o Estado passa a ser o
Leviatan bíblico que também coordena o religioso. Estaríamos diante
de um estado teocrático, fora do qual não haveria salvação nem
religião. Com efeito religião advém de re+ eligere ou de re + ligare?
Templum é o lugar de oração ou de contato divino. No entanto o que
é divino? Divus significa Júpiter o primeiro dos deuses, que era filho
de Kaos e que se união com a Thêmis a Justiça da normas, a qual

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pariu as horas e as moiras, entre aquelas esta a outra Justiça, cuja


missão era ficar entre os súditos e juízes, a Diké.

Ora, o templo da embargante-apelante tem raízes no templo de


Salomão, quer quanto a forma, quer quanto a destinação.

Num país em que a religião, também oriunda dos templos de Salomão,


já foi religião de Estado e cujos membros eram servidores públicos,
como se pode negar este fato à embargante?

O direito, também denominado legitimidade, está presente. Observe-


se que o termo legitimidade do CPC, nada tem de comum com o
termo legítimo dos léxicos da língua portuguesa.

O que se busca neste caso é a imunidade tributária. A imunidade não


se confunde com isenção tributária. A imunidade não pode ser
condicionada por qualquer norma infra constitucional.”

Cabe ainda ressaltar que o artigo 8º, § único da Lei Complementar nº


363/2001 assim dispõe:
“Ficam isentos do pagamento do imposto sobre a propriedade predial
e territorial urbana – IPTU os imóveis construídos e ocupados por
templos maçonicos e religiosos, de qualquer culto, ficando remidos os
respectivos débitos inscritos e não inscritos na dívida ativa, ajuizados
e por ajuizar”.

Tendo em vista que os estudiosos consideram a maçonaria como “


religião” no sentido estrito da palavra, deve ser mantida a senteça hostilizada.
Quanto aos honorários, entendo que estes não merecem ser majorados
tendo em vista a singeleza da causa, e o preceito do § 4º do artigo 20 do Código de Processo
Civil.
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Por todo o exposto, nego provimento a ambos os recursos, mantendo “


in totum” a r. sentença hostilizada.

É como voto

A Senhora Desembargadora HAYDEVALDA SAMPAIO - Revisora

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos recursos.

Cuida-se de Embargos à Execução Fiscal opostos por LOJA


MAÇÔNICA DUQUE DE CAXIAS N.º 13 em desfavor da FAZENDA PÚBLICA DO
DISTRITO FEDERAL, ao argumento de que goza da imunidade tributária prevista no artigo
150, inciso VI, letra “b”, da Constituição Federal.

O MM. Juiz julgou procedentes os embargos, declarando a


inexigibilidade do crédito tributário que deu origem à execução, nos termos do artigo 150,
inciso VI, letra “b”, da Constituição Federal, com a condenação do Embargado ao pagamento
das custas processuais e honorários advocatícios, fixados em R$ 500,00 (quinhentos reais).

Em seu inconformismo, o DISTRITO FEDERAL insiste na assertiva


de que a Apelada, para gozar do referido benefício, deveria ter formulado pedido
administrativo, para comprovação de que o imóvel, que se pretende isentar da cobrança do
IPTU, serve de templo para cultos. Assevera, ainda, que a Apelada não logrou demonstrar a
sua condição de imune, bem como a destinação religiosa do imóvel tributado, considerando
que a maçonaria não constitui uma religião, de acordo com seu ato constitutivo, a fim de que
possa gozar da referida imunidade. Requer o conhecimento e provimento do recurso para
reformar a r. sentença, julgando improcedente o pedido.

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A Embargante, por sua vez, interpôs recurso adesivo, pleiteando a


majoração dos honorários advocatícios.

O ponto nodal da questão consiste em saber se as lojas maçônicas são


abarcadas no conceito de templo, e se, em tais circunstâncias, há ou não necessidade de
requerimento administrativo.

A jurisprudência desta Corte de Justiça tem orientado no sentido de


que a maçonaria é uma sociedade de cunho religioso, guardando suas lojas conotação de
templo, contida no artigo 150, inciso VI, alínea “b” da Constituição Federal, e como tal, deve
gozar da imunidade tributária.

Confira-se:

“EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - IPTU - MAÇONARIA -


RELIGIÃO - IMUNIDADE TRIBU-TÁRIA - LEI
COMPLEMENTAR DISTRITAL - ISENÇÃO – HONORÁ-RIOS
ADVOCATÍCIOS - VALOR EXARCEBADO. 1. A IMUNIDADE É
FORMA QUALIFICADA DE NÃO INCIDÊNCIA, QUE DECORRE
DA SUPRESSÃO DA COMPETÊNCIA IMPOSITIVA SOBRE
CERTOS PRESSUPOSTOS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO. A
MAÇONARIA É UMA SOCIEDADE DE CUNHO RELIGIOSO E
SUAS LOJAS GUAR-DAM A CONOTAÇÃO DE TEMPLO
CONTIDA NO TEXTO CONSTITU-CIONAL, DEVENDO,
PORTANTO, FICAR IMUNES AOS IMPOSTOS. 2. ADEMAIS, O
PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 8º DA LEI COMPLE-
MENTAR Nº 277, DE 13 DE JANEIRO DE 2000, ACRESCIDO
PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 363, DE 19 DE JANEIRO DE
2001, AMBAS DO DISTRITO FEDERAL, PREVÊ A ISENÇÃO DE
IPTU DE IMÓVEIS CONSTRUÍDOS E OCU-PADOS POR
TEMPLOS MAÇÔNI-COS. 3. REDUZ-SE O VALOR DA VERBA

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DOS HONORÁRIOS ADVO-CATÍCIOS QUANDO A SINGELEZA


DA CAUSA, O VALOR DO EXECUTIVO FISCAL E O PRECEI-
TO DO PARÁGRAFO 4º DO ARTIGO 20 DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL O AUTORIZAREM. 4. DADO PARCIAL
PROVIMENTO. UNÂNI-ME.” (APC e RMO 20000150021228,
TJDF, Terceira Turma Cível, Rela. Desa. Sandra de Santis, DJ
03.04.2002, pág. 38).

“TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. RE-CONHECIMENTO PELO


PODER PÚBLICO. MAÇONARIA. ENTIDA-DE RELIGIOSA. A
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PARA AS ENTIDA-DES
RELIGIOSAS, DENTRE ESTAS AS LOJAS MAÇÔNICAS,
DECORRE DA LETRA CONSTITUCIONAL E DISPENSA
QUALQUER PROCEDI-MENTO ADMINISTRATIVO PARA QUE
EXISTA E PRODUZA TODOS OS SEUS EFEITOS. APELO
PROVIDO. UNÂNIME.” (APC 5176599, TJDF, Primeira Turma
Cível, Rel. Des. Valter Xavier, DJ 19.09.1999, pág. 44).

O douto Magistrado, a propósito, frisou:

“Trata-se de questão de alta indagação, cuja complexidade emerge da


própria natureza semi-secreta da maçonaria, o que dificulta o iter a ser
trilhado na busca do seu caráter religioso. A par disso, não se mostra
possível destacar a natureza dos ritos praticados pela entidade autora
tão-somente pela leitura dos seus atos constitutivos.
Ressalte-se que tal questão começa a ser debatida nos tribunais, não
tendo a Suprema Corte se manifestado a respeito do tema. Todavia,
apresenta-me razoável o entendimento segundo o qual as lojas
maçônicas são abarcadas no conceito de templo.”

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Mostra-se prescindível, no presente caso, requerimento administrativo


para reconhecimento da imunidade tributária. Estando especificada a destinação religiosa do
prédio, a imunidade independe de requerimento.

Cabe lembrar, ainda, que a Constituição Federal, no artigo 150, inciso


VI, alínea “b”, ao estabelecer a imunidade tributária em relação aos templos de qualquer
culto, não estabeleceu condições, sendo certo que “a imunidade tributária concedida
constitucionalmente aos templos religiosos não está sujeita a qualquer condição implementada
por qualquer outra norma de hierarquia inferior. Diferentemente do que se passa com a
isenção, nem sempre é ocioso enfatizar, a imunidade tributária não é favor legal, nem está
sujeita a qualquer requerimento” (APC e ROM 4593097, TJDFT, Quinta Turma Cível, Rel.
Des. Waldir Leôncio Júnior, DJU 27.05.1998, pág. 76).

Quanto aos honorários advocatícios, a r. sentença não merece reparos,


eis que fixados com moderação e razoabilidade, tendo em vista a singeleza da causa, nos
termos do § 4º, do artigo 20, do Código de Processo Civil.

Ante o exposto, nego provimento aos recursos.

É como voto.

O Senhor Desembargador JOÃO TIMÓTEO - Vogal

Com a Turma.

DECISÃO

Conhecido. Negou-se provimento aos recursos. Unânime.

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