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Minhas

anarquias. 3.

Acordo querendo acordar de novo, o mesmo dia, a mesma hora, a mesma luz a queimar
meus olhos semicerrados e tocar o corpo trmulo. Desejo coisas demais, dessas coisas
desimportantes feito topar consigo mesmo na esquina e perder-se na fila da padaria. E
na volta j no sei quem foi e muito menos quem voltou.

Acordo querendo desacordar, ir mil lugares, distncias infinitas, parado feito pssaro
noturno ensimesmado. Estanque feito dana que no dana, palavra que no diz, rio
que no corre. Mal-ditos que atropelam a lngua. No sei quem diz, no sei quem v.
Quero apenas acordar de novo e andar atnito em minha cela sem ar.

Acordar de novo com o bailar da bailarina vagando entre meu tempo estendido. Baile
que repousa chave da minha sepultura em peito ofegante. Para que eu absorva com
fome de corpo todo pequenas mortes e renasa aqum e alm de mim. Pulsa, ressoa,
intrpida bailarina que atravessa com velocidade intensiva, fulgurao embebida em sol
de meio-dia.

Despertar calculado, estriado, enumerado; tranquei o fantasma no guarda-roupa e
acordar to pouco, gota de orvalho em floresta esquecida. Preciso acordar de novo, e
de novo, e de novo. Baila bailarina, me perco, me encontro nos golpes de ar que tocam
o ocaso, o acordar, esse tempo outro e a pele contaminada de ferrugem e minsculos
demnios de um olho s.



[ para a menina-bailarina da palavra-poesia ]



Igor D.
22/08/17
[ primeiro rascunho ]