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ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE

O designer e sua responsabilidade com o meio ambiente

O Designer e sua Responsabilidade com o Meio Ambiente

The Designer and his/her Responsibility towards the Environment

Ana Luisa Boavista Lustosa Cavalcante * Rejane Rossi Prado **

* Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). ** Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquito Filho" (UNESP).

Resumo

O Design, atividade profissional que desenvolve produtos para atender as necessidades humanas, deve compreender o conceito de sustentabilidade. Entretanto, mesmo com pesquisas realizadas, ainda não se tem uma ação concreta, e sim casos isolados de desenvolvimento de produtos sustentáveis. O ensino do Design requer também a capacidade de administrar o uso de processos e materiais, principalmente os que causam impactos ambientais. Dessa forma, a responsabilidade sobre os produtos deve ser ressaltada em todo o seu ciclo de vida. Este artigo demonstra os resultados obtidos da pesquisa citada, apontando e propiciando a propagação de conhecimentos em relação ao ciclo de um produto.

Palavras-chave: Ecodesign. Desenvolvimento Sustentável. Design do Ciclo de Vida. Meio Ambiente. Metodologia do Projeto.

Abstract

Design, a professional activity that develops products based on human needs, should take into consideration the concept of sustainability. However, although some research has been done, there is not any concrete action yet, but isolated cases of sustainable product developments. The teaching of Design also requires the ability to manage the use of materials and procedures, mainly the ones that cause environmental impact. This way, the responsibility over the products should be highlighted throughout their life cycle. This article demonstrates the results achieved by the mentioned research, pointing out and fostering the spread of knowledge related to the life cycle of a product.

Key words: Design. Sustainable Development. Life Cycle Design. Environment. Project Methodology.

1 Introdução

O Desenho Industrial é uma atividade profissional

que desenvolve projetos de produtos de utilização e de informação que se originam a partir de uma necessidade humana. Atualmente, o ensino desta atividade requer,

entre outras qualificações, a capacidade de administrar o uso de processos produtivos e de materiais, principalmente os que causam significantes impactos ambientais. Dessa forma, o conceito de responsabilidade sobre os produtos no meio ambiente deve ser aplicado pelos designers em todo o ciclo de vida de um produto.

A partir dos movimentos ecológicos, surgiram os

conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Educação Ambiental, seguidos de outros, adotados em âmbito empresarial, como: a Ecoeficiência, o Marketing Verde e a Responsabilidade Social, que agregam valor à imagem corporativa.

A responsabilidade na tomada de decisões quanto

às escolhas tecnológicas colabora na minimização do impacto ambiental provocado pelo ser humano na natureza.

A pesquisa teve por objetivo geral promover o

desenvolvimento da consciência ecológica e da responsabilidade do designer durante todo o Ciclo de Vida do Produto, compartilhada com outros participantes,

dentre eles, produtores de matéria-prima, convertedores de

materiais, fabricantes do produto acondicionado, distribuidores, recicladores, municipalidades e/ou entidadesencarregadas

da gestão de resíduos e beneficiários, como os consumidores

e usuários finais.

A hipótese formulada, no início da pesquisa, relatava

que a insuficiência de disciplinas de projeto, que abordasse os temas Ecodesign e Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis, não evidenciava a responsabilidade nos discentes, futuros profissionais. Esta pressuposição

pôde ser confirmada junto aos cursos da Unopar: o Seqüencial em Design de Movelaria, na introdução da disciplina Ecodesign; em projetos interdisciplinares do

curso de Graduação em Desenho Industrial e, futuramente, no projeto pedagógico deste curso de graduação com

a disciplina Design Sustentável.

A abordagem dos conceitos desta pesquisa teve

resultados satisfatórios e contribuiu para a divulgação da consciência ecológica a partir de projetos de extensão, de trabalhos acadêmicos, pelo interesse de discentes no desenvolvimento de Trabalhos de Conclusão de Curso de graduação em Desenho Industrial e na configuração do modelo desenvolvido nesta pesquisa – Rede de Interação Ecológica.

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2 Contexto da Pesquisa

Esta pesquisa teve por contextualização o estudo da consciência ecológica e do impacto ambiental. Este último causado pelo uso indevido de recursos pelo

profissional designer nas escolhas tecnológicas para o desenvolvimento de um produto. Partindo desses princípios, surgiram os questionamentos: Quais as bases de um design sustentável? Como estruturar a formação profissional do designer industrial de acordo com a consciência

ambiental?

A partir desses questionamentos, foram formuladas

as seguintes hipóteses relacionadas aos fatores sociais, econômicos e culturais brasileiros, que influenciam, direta ou indiretamente, nos problemas ecológicos, a saber: a) Problemas sociais, como a educação precária, a fome, o desemprego, a pobreza, as desigualdades sociais; b) Problemas econômicos, como a má distribuição de renda, por ser um País em Vias de Desenvolvimento Industrial (PVDI), a corrupção na gestão pública e na política; c) Problemas culturais que, segundo De Masi (2000), a cultura pode ser dividida em cultura ideal (língua, ideologias, preconceitos),

cultura material (bens imóveis e móveis) e cultura social (usos, costumes, tradições, inovações). Dessa forma, no Brasil, diante dos problemas apontados, os obstáculos ecológicos tornam-se mais difíceis de transpor, por conseqüência da necessidade primordial de solucionar problemas sócio-econômico-culturais. Para tanto, buscou-se enumerar instituições de ensino em design no Brasil que ministram em alguma disciplina os conceitos do Desenvolvimento Sustentável

e

instituições que desenvolvem pesquisas na área.

3

Fundamentação Teórica

Considera-se o sistema produtivo um subsistema da biosfera, uma organização particular de fluxos de matéria, de energia e de informação. Isto explica que, após

o seu descarte, o produto apenas perde seu valor econômico, porém não desaparece. Dentro de uma definição tradicional,

o produto deve ser fabricado com eficiência, utilizando-

se materiais e técnicas apropriadas, fácil de usar, seguro, econômico e atrativo. Com as crescentes questões

ecológicas, a definição contemporânea considera que

o designer deve ter consciência sobre o impacto que

os produtos projetados poderão provocar no ambiente, principalmente em relação ao desaparecimento das reservas naturais e a insistência em utilizar materiais incompatíveis e poluentes à vida no planeta. (MACKENZIE,

1991).

A minimização do impacto ambiental gera economia

a partir da separação, coleta e destinação de materiais,

respeitando a política dos três R´s (reciclagem, reutilização e redução). A sociedade verifica que, além de estar contribuindo com a qualidade de vida, pode também economizar ou até mesmo lucrar, como

acontece com algumas associações de moradores, comunidades e cooperativas 1 . O aumento de leis e normas voltadas à proteção ambiental provocado pelos movimentos ecológicos estimula a preocupação sobre o tema em classes formadoras de opinião da sociedade. Neste sentido, o estímulo ao envolvimento de universitários, como integrantes dessas classes, no processo de conscientização ambiental, visa a mudanças de hábitos, tanto no ambiente doméstico quanto no ambiente de trabalho. Este envolvimento desenvolve a consciência ecológica e a responsabilidade compartilhada do produto, como anteriormente enunciado – que, conforme Manzini (1991), estarão envolvidos no que pode ser tecnicamente possível com o que é ecologicamente necessário, a fim de fazer emergir novas propostas aceitáveis cultural e socialmente. A Educação Ambiental funciona na sociedade como elemento facilitador de atividades que possam estimular a reflexão crítica e a autocrítica, a análise e a ação (DIAS, 2000), promovendo meios para que a sociedade conheça e/ou reconheça a importância do tema para a qualidade da vida humana no planeta.

3.1 Movimentos Ecológicos no Brasil

Para ter um maior entendimento do início da preocupação com o Design Ecológico e com o Ecodesenvolvimento, que passou a ser intitulado de Desenvolvimento Sustentável, é preciso compreender como surgiram os movimentos ecológicos no Brasil, que ocorreram, quase que concomitantemente aos movimentos ecológicos europeus. Os efeitos negativos da intervenção humana no ambiente foram gerando, ao longo dos anos, grandes problemas e, conseqüentemente, inúmeras preocupações. Em síntese:

– A destruição do solo a partir do seu uso abusivo, provocando erosão, inundações e alterações climáticas;

– As intervenções na natureza que ameaçam a vida biológica nos oceanos, lagos e rios;

– O envenenamento da atmosfera com vapores prejudiciais;

– A criação e produção de armas destrutivas;

– A concentração de atividades industriais e comerciais em áreas superlotadas. Segundo Ramos (1981 apud VIOLA, 1987), os movimentos ecológicos são herdeiros da cultura socialista. Em sua maioria, são movimentos pacifistas, portadores de valores e interesses universais que ultrapassam as fronteiras de classe, sexo, raça e idade, sendo incorporados por uma parte da humanidade, excluindo os agentes sociais que ocupam posições dominantes do complexo militar-industrial-científico de muitos países portadores de uma lógica predatória. A maioria dos ecologistas é favorável ao desenvolvimento ecologicamente equilibrado, utilizando com prudência,

2 Não entrando aqui no mérito da discussão sobre a precária qualidade de vida de muitas pessoas que necessitam deste tipo de geração de renda.

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porém, as tecnologias contemporâneas, rejeitando somente as devastadoras e predatórias. O consumo elevado do Primeiro mundo faz com que estes tenham um comportamento menos ecológico dos Segundo e Terceiro mundos. No Terceiro, é necessário um processo de desenvolvimento ecologicamente auto- sustentável e socialmente justo, utilizando tecnologias apropriadas, que elevariam o nível de consumo material das massas populares menos favorecidas, ao mesmo tempo em que se racionalizaria o consumo das classes médias e altas. Na América Latina, o Brasil se destacou por iniciar os movimentos ecológicos quase que paralelamente aos do Primeiro Mundo na Europa, porém em menor escala. Com o afrouxamento dos controles estatais sobre a

organização da sociedade civil, no governo do presidente Ernesto Geisel, iniciaram-se os movimentos ecológicos no Brasil, a saber:

– De 1974 a 1981: a fase Ambientalista, caracterizada pela existência de dois movimentos paralelos apolíticos: os movimentos de denúncia da degradação ambiental nas cidades e nas comunidades rurais;

– De 1982 a 1986: a fase de Transição, caracterizada pela função e politização dos movimentos de denúncia dos ambientalistas;

– A partir de 1986: a fase Ecopolítica que tem o objetivo de elaborar uma plataforma extensa e precisa para a Constituinte. Muitos eventos foram realizados até que a formação do Partido Verde (PV carioca), com personalidades

como Fernando Gabeira, Carlos Minc e Litz Vieira, inicia um processo de repercussão nacional de coligação com

o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PSB (Partido

Socialista Brasileiro). O Município do Rio de Janeiro torna-se o eixo do movimento ecológico brasileiro, estendendo-se depois para Santa Catarina, conforme Viola (1987). Atualmente, engloba todos os estados brasileiros, ganhando força de partido político. Devido à grande diversidade regional do Brasil, existe uma complexidade nas relações dos movimentos ecológicos, mesmo no sul e no sudeste do Brasil que

é o espaço inicial de atuação do movimento ecológico. Considera-se que seis fatores explicam a emergência e o desenvolvimento do movimento ecológico no Brasil até

1986: 1 - o caráter internacionalizado devido à degradação sócio-ambiental foi processado nas quatro décadas anteriores; 2 - o Brasil como um país ascendente do Terceiro mundo, com forte internacionalização do seu sistema produtivo e de comunicação; 3 - a intensidade de degradação contrapartida do crescimento econômico; 4 - o caráter predatório da visão de mundo e das políticas

do regime autoritário; 5 - processo de transição democrática,

iniciado com a liberalização (a partir de 1974); 6 - e, a democratização (a partir de 1982). Percebe-se que a conscientização de uma sociedade para a questão ecológica nasce da percepção do aumento da degradação ambiental, sugerindo mudanças de atitudes e costumes, ou seja, é uma construção sócio- cultural, uma construção do saber. Essa mudança deve atingir todos os níveis sociais e econômicos, e para alcançar mudanças culturais significativas deve-se

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trabalhar em mudanças sócio-econômicas e políticas, embora se reconheça que os problemas sociais brasileiros são inúmeros e de complexa resolução.

3.2 A Responsabilidade do Designer e o Meio Ambiente

O designer é um profissional que atua na resolução

de problemas originados a partir de necessidades humanas, sendo essas comunicacionais ou de uso, de significativa variedade. Como apontado por Hori e Santos (2002), a diversidade no design pode ser categorizada por três áreas distintas: a industrial, a artesanal e a experimental, onde se devem quebrar

paradigmas em relação à cultura material, partindo para uma consciência ecológica baseada em conceitos da Educação Ambiental, do Desenvolvimento Sustentável

e da Ecoeficiência e, ainda, do estudo e análise do

Ciclo de Vida do Produto. O processo criativo, inerente

à profissão, visa a otimizar qualidade, durabilidade,

aparência e custos referentes a cada produto, serviço, ambiente ou informação, produzindo inovação de acordo com as necessidades humanas e a qualidade de vida.

A adequação do Design aos questionamentos

ambientais contemporâneos, conforme Alcântara (2002), se mostra óbvia. Sendo este profissional um dos responsáveis pelo desenvolvimento de projetos, ele atende e cria demandas de mercado a partir de tomadas de decisão quanto à escolha de processos e materiais. “É responsável pela determinação das características que constituirão os produtos, [ou seja, das escolhas

tecnológicas], assim como pela elaboração de estratégias

de disponibilização de produtos no mercado” (ALCÂNTARA,

2002, p. 1). Percebe-se sua importância diante da

possibilidade de modificar parâmetros de consumo atuais, voltando-se a um consumo sustentável.

Para um ensino de design de acordo com a consciência ecológica, responsável em relação ao meio ambiente, deve-se levar em consideração os conceitos básicos a seguir, após uma breve premissa filosófica sobre responsabilidade.

O termo responsabilidade, do latim responsus

(originário de respondere: responder) significa, “em ética,

a noção de que um indivíduo deve assumir seus atos,

reconhecendo-se como autor destes e aceitando suas

positivas ou negativas”. (JAPIASSÚ;

MARCONDES, 1996, p. 325). Esta noção está, rigorosamente, ligada à de liberdade, pois o indivíduo, quando livre, possui plena consciência de seus atos. O livre-arbítrio é a faculdade do indivíduo de determinar, com base apenas na sua consciência, a sua própria conduta. Este é um sentido ético que trata do direito de escolha pelo indivíduo, independentemente de fatores externos. Tratando-se de responsabilizar o profissional de design em relação às questões ambientais, porém, torna-se inerente argumentar sobre o termo consciência. Do latim conscientia: conhecimento de algo partilhado com alguém se deve a percepção imediata mais ou menos clara, pelo sujeito, daquilo que se passa nele mesmo ou fora dele. (JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 51).

conseqüências, [

]

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3.3 Conceitos para um Design Sustentável

O Ecodesign ou Design Sustentável trabalha com a

finalidade de diminuir o impacto ambiental causado pela

ação do ser humano no planeta. Conforme Fry (1999 apud

BARBOSA, 2002, p. 8-9), o papel do designer é trabalhar continuamente para criar o desejo da sustentabilidade.

O Desenvolvimento Sustentável, de acordo com a

Comissão Brundtland, é aquele que atende às necessidades

do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades. Lemos (2001) considera este conceito complexo, envolvendo as seguintes dimensões:

ambiental, econômica, cultural, tecnológica, social e política. Exigindo mudanças profundas na forma de

pensar, agir, produzir e consumir; vontade política para implementar as mudanças; e participação democrática nas decisões que envolvem as mudanças necessárias, abrange o esgotamento dos recursos naturais, os limites da biosfera para assimilar resíduos e poluição e as questões sociais. “O empresário deve se conscientizar que o compromisso com o desenvolvimento sustentável já não é apenas para a sua sobrevivência neste contexto. Aqueles que o entendem assim já estarão dando um passo à frente nesta nova competitividade” (CASABIANCA, 1998, p. 40).

A Ecoeficiência é o conceito difundido para a

prestação de serviços com performance econômica e ambientalmente corretas, segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. A proteção ambiental deixa de ser um simples ideal tornando-se uma necessidade real para a participação e permanência no mercado. Para Larica (2003), Ecoeficiência é fruto da percepção na qual a questão ambiental deve ser compreendida como uma oportunidade para que as organizações aumentem a produtividade e a rentabilidade, por meio da redução dos impactos ambientais. Uma expressão criada, em meados da década de 90 do século XX, é a Produção mais Limpa (PmaisL) 2 que visa à eficiência das empresas e à competitividade de seus produtos, melhorando a compatibilização dos processos produtivos com os recursos naturais do planeta, usando eficientemente a energia, a água e as matérias-primas. Esta ação está sendo implantada no Brasil, desde 1995, pelo Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL) 3 , e foi estabelecido através de um projeto de cooperação internacional entre UNIDO 4 /UNEP e o SENAI-RS. Este Projeto tem o objetivo de implantar e disseminar o conceito de técnicas de produção mais limpa no Brasil, visando a comprometer os empresários, principalmente da indústria, com a minimização dos resíduos industriais. O Consumo Sustentável deriva da

percepção de que, se todos consumissem tanto quanto os cidadãos dos países ricos, logo os recursos naturais se acabariam. A respeito da sustentabilidade no consumo, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU 5 propõe o uso de serviços e produtos, que respondam às necessidades básicas de toda a população

e proporcionem melhoria na qualidade de vida, reduzindo

ao mesmo tempo o uso dos recursos naturais e de materiais tóxicos, a produção de lixo e as emissões de poluição em todo ciclo de vida (de um produto), sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Para o Coselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA-IBAMA) o impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de material ou energia resultante de atividades (principalmente as explorações e transformações) humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde,

a segurança e o bem estar da população, as atividades

sociais e econômicas, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade (e a permanência) dos recursos ambientais. (RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro de 1986) 6 . A Ecologia Industrial, segundo Larica (2003, p.176-7):

é uma estratégia de reaproveitamento de sobras de produção, que visa à criação de um Ciclo de Produção Fechado, com a participação de várias empresas. A idéia é diminuir e, se possível, eliminar o desperdício de material e energia, utilizando o fluxo de material descartado em uma empresa como fonte de matéria- prima valiosa para outra empresa.

Considera-se o sistema produtivo um subsistema da biosfera (litosfera, hidrosfera e atmosfera), isto é, uma organização particular de fluxos de matéria, de energia e informação. Neste sentido, são levados em consideração dois conceitos-chave: o metabolismo industrial que se fundamenta na conservação da matéria. Estabelece que a quantidade de matéria que transita na biosfera mantém-se constante, não desaparecendo após o seu descarte apenas perdendo o seu valor econômico; a desmaterialização da produção, que se fundamenta na redução quantitativa da matéria, aumenta

a produtividade dos recursos. (ERKMAN, 1998 apud

GRIMBERG; BLAUTH, 1998). A Educação Ambiental é o aprendizado para compreender, apreciar, saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade. Educação Ambiental é o processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente

e adquirem conhecimentos, valores, habilidades,

experiências e determinação que os tornem aptos a agir e resolver problemas ambientais, presentes e

2 “Significa a aplicação de uma estratégia econômica, ambiental e técnica, integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência de uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem dos resíduos gerados, com benefícios ambientais e econômicos para os processos produtivos”. (disponível em <http://www.pmaisl.com.br/>, acessado em 22/

07/2005).

3 Disponível em <http://srvprod.sistemafiergs.org.br/portal/page/portal/sfiergs_senai_uos/senairs_uo697>, acesso em 23/07/2005.

4 United Nations Industrial Development Organization. Disponível em < http://www.unido.org/en/doc/11088>. Acesso em 24/07/2005.

5 “criada na Assembléia Geral da ONU em 1992, visando assegurar continuidade a Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92)”, disponível em <http://www.onu-brasil.org.br/busca.php#>, acesso em 21/07/2005).

6 Disponível em <http://www.lei.adv.br/001-86.htm>, acesso em 23/07/2005.

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futuros. (DIAS, 2000) É um conceito de significante propriedade no estabelecimento da consciência ecológica para a responsabilidade. Este conceito desperta a consciência para a questão da perda do valor econômico ou de uso, o que é considerado lixo. Oferece condições de aprender como funciona o ambiente e adquirir a consciência do simples ato da separação do lixo doméstico ou do reaproveitamento de resíduos, fazendo com que um determinado material retorne ao seu ciclo de produção, após ter sido utilizado e descartado, para que novamente possa ser transformado em um bem de consumo, economizando energia, preservando recursos naturais e ainda gerando benefícios sociais, como a geração de renda. Devido à preocupação com a rápida escassez de matérias-primas e o aumento do impacto ambiental, ambos causados por avanços tecnológicos sem um devido e criterioso estudo sobre a nocividade dessas tecnologias no meio ambiente, surgiu a proposta de um modelo que possa conciliar o desenvolvimento tecnológico com a conservação ambiental. Surge uma lacuna em relação à inexistência de uma “Rede de Interação Ecológica” (CAVALCANTE et al., 2002) ou, como já mencionado, o “Ciclo de Produção Fechado” (LARICA, 2003, p. 176-7) entre empresas fabricantes, que utilizam insumos e processos de produção, onde conseqüentemente ocorrem sobras, refugos e desperdícios de matérias que, por sua vez, podem ser reutilizadas por outras empresas ou organizações produtoras, sendo produzidas, de acordo com Hori e Santos (2002), artesanal, industrial ou experimentalmente.

4 Metodologia

Os modelos metodológicos adotados foram a análise teórico-empírica (TACHIZAWA; MENDES, 1998) e a pesquisa qualitativa social (DESLANDES et al, 1994). A

primeira abordagem gerou uma análise interpretativa de dados primários e secundários, baseada em fundamentos teóricos e metodológicos do Design, do Ecodesign, da Educação Ambiental e do Desenvolvimento Sustentável. Posteriormente a esta fase de leitura crítica e reflexão, a metodologia foi então direcionada à atuação em campo a partir de projetos de extensão e pesquisas qualitativas.

A pesquisa, após devidas adequações metodológicas,

obteve-se a seguinte formatação: em uma primeira etapa foram realizadas a identificação e a delimitação do tema,

quando foram especificados os problemas, desenvolvidos estudos exploratórios e formuladas as hipóteses.

Concomitantemente, foram levantados dados bibliográficos, feitos compilações e fichamentos de textos, anteriormente selecionados e organizados, com leitura crítica dos documentos encontrados, verificando se estes respondem ou se contrapõem às perguntas e hipóteses formuladas. Na etapa seguinte, foi realizado o mapeamento de instituições de ensino superior em Design no Brasil e organizada uma listagem dessas instituições. Tais procedimentos possibilitaram um planejamento para a coleta de dados primários, tendo por objetivo saber sobre a existência ou não de pesquisas e/ou ensino sobre o tema Ecodesign ou Design Sustentável.

A etapa quatro foi a pesquisa de campo que, a partir de

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formulário encaminhado, via internet, aos Departamentos de cursos de Desenho Industrial das instituições de ensino superior nacionais, e associações afins, obtiveram-se informações a respeito da existência ou não de disciplinas e/ou pesquisas sobre o Ecodesign e o que é abordado em seu conteúdo programático. Tal formulário teve amostragem de 30 instituições de ensino em design brasileiras, significando mais da metade, dentre as quais, apenas 03 utilizavam, em 2003, os conceitos do Ecodesign na graduação. Em relação às pesquisas científicas, o número foi mais significativo, conforme verificação no Congresso Brasileiro e Internacional de Pesquisa & Desenvolvimento em Design, em Brasília, onde foram publicados 31 artigos sobre a temática ambiental, em 2002, ao contrário do Primeiro ano desse congresso, em 1994, quando foram publicados apenas 04 artigos sobre o tema. Isso é um dado relevante que remete o aumento da preocupação com as questões ambientais pelo profissional designer. Em 2004, registrou-se uma queda na produção de artigos, quando apenas 17 foram publicados.

5 Discussão, Conclusão e Desdobramentos

Em se tratando da sustentabilidade e de conhecer

as bases filosóficas para o ensino em design de acordo com uma atuação ecológica, pode-se dizer que os conceitos de responsabilidade e consciência estão no cerne da Educação Ambiental, ou seja, constituem a essência para uma atuação profissional com ética social, cultural e ambientalmente corretas, dentro do possível atualmente, sem prejudicar as vidas futuras.

A estrutura da formação de um designer industrial,

de acordo com Desenvolvimento Sustentável, deve prover plena capacitação para as escolhas tecnológicas no desenvolvimento de um produto, que se originou de uma necessidade real e não induzida pelo mercado, vislumbrando o seu ciclo de vida e o consumo sustentável,

e permitindo uma educação continuada, atualizando-

se em relação a novas possibilidades tecnológicas.

A respeito das hipóteses formuladas a partir dos fatores

sociais, econômicos e culturais brasileiros, anteriormente citadas, e que influenciam nos problemas ecológicos, podemos discernir sobre a falta de incentivos à educação,

a miséria que assola mais da metade da população terrestre,

e, por ser o Brasil um País em Vias de Desenvolvimento

Industrial que recebe, desde o início de sua industrialização, tecnologias não apropriadas a sua população e a sua

capacidade tecnológica. Evidencia-se, também, a má distribuição de renda, em que, segundo pesquisa realizada em 1999, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a diferença entre os mais pobres e os mais ricos no Brasil é na ordem de 74 para 1.

A base do problema reside nos seguintes fatores: (i)

falta de conhecimento sobre Educação Ambiental a respeito dos danos que podem ser causados contra a

natureza a partir de atitudes insustentáveis; (ii) preconceitos, como exemplo em relação ao reaproveitamento do lixo;

e (iii) aceitação de imposições de consumo de países

fortemente industrializados a partir do processo de globalização e, onde se devem rever usos, costumes, tradições e as necessidades ou não de inovações. Como desdobramentos futuros estão sendo

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desenvolvidas, concomitantemente, uma pesquisa e uma

extensão universitárias intituladas respectivamente:

“Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis”

e “Exploração e Aplicação de Resíduos Industriais - a

Prática do Desenvolvimento Sustentável na Comunidade”.

A metodologia utilizada é baseada na Pesquisa-Ação

(THIOLLENT, 1996), na qual os fundamentos teóricos e metodológicos do design e do desenvolvimento sustentável estão sendo adotados, tanto para desenvolver o manejo de resíduos industriais, como também no desenvolvimento de produtos sustentáveis. Nesta pesquisa-ação está em processo de formatação o Modelo teórico desenvolvido:

“Rede de Interação Ecológica” (CAVALCANTE et al., 2002), resultante da pesquisa anterior, para posterior implantação, em um segmento do mercado na cidade de Londrina. Este modelo visa a estudar e a aplicar o manejo de resíduos sólidos que possam ser reaproveitados ou reciclados em diversos segmentos de mercado. Diante da preocupação existente em relação à rápida escassez de matérias- primas, o aumento do impacto ambiental e a nocividade de tecnologias no ambiente, surge a proposta de um modelo econômico que possa conciliar o desenvolvimento tecnológico com a conservação ambiental. Por isso, a rede de interação entre organizações que desenvolvem atividades produtoras na região é um programa de interação para minimizar o impacto ambiental e otimizar a qualidade ambiental e, em conseqüência, a qualidade de vida. Considera-se, portanto, que a sustentabilidade torna- se uma atuação estratégica para a preservação ambiental e, conseqüentemente, para a manutenção da dignidade e da qualidade de vida, tanto da geração atual como da futura.

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O designer e sua responsabilidade com o meio ambiente

Este artigo é uma síntese da pesquisa “Ecodesign - O Designer e a Responsabilidade sobre os Produtos no Meio Ambiente” realizada na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), com apoio da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular (FUNADESP) e do Programa de Iniciação Científica da UNOPAR. Agradecemos a UNOPAR; ao Prof. Hélio H. Suguimoto, ao Curso de Desenho Industrial e aos discentes egressos do Curso de Desenho Industrial da Unopar: Beatriz Correa Boock, Catarina Carozzi Silveira, Vanessa Zerbetto Loni, Wanderley Moura Junior, por tanto esmero e dedicação ao tema.

Moura Junior, por tanto esmero e dedicação ao tema. Ana Luisa Boavista Lustosa Cavalcante* Mestre em

Ana Luisa Boavista Lustosa Cavalcante*

Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ). Docente / Pesquisadora, Curso de Desenho Industrial, Universidade Norte do Paraná (UNOPAR).

e-mail: <ana.cavalcante@unopar.br>

Rejane Rossi Prado

Mestranda, Programa de Pós-graduação em Desenho Industrial da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC/UNESP). Especialista em Design de Móveis pela UNOPAR.

e-mail: <rrp_design@yahoo.com.br>

* Endereço para correspondência:

Rua Arapongas, 79 – Jardim Dom Bosco – CEP 86060-440 Londrina, Paraná, Brasil.

Dom Bosco – CEP 86060-440 Londrina, Paraná, Brasil. CAVALCANTE, A. L. B. L.; PRADO, R. R.

CAVALCANTE, A. L. B. L.; PRADO, R. R. / UNOPAR Cient., Ciênc. Exatas Tecnol. , Londrina, v. 4, p. 57-63, nov. 2005

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