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Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO, CONTABILIDADE E ECONOMIA

Curso: Bacharelado em Administração de Empresas
Disciplina a Distância: Introdução à Economia

Texto de Apoio
Aula 9 - Desenvolvimento Regional
Objetivo
Conhecer e entender as razões da existência de desigualdades regionais e
buscar elementos que a reduzam.

Orientações de Estudo

1º Passo Assista a videoaula.

Realize uma leitura geral do texto de apoio para conhecer o
2º Passo objeto de estudo; após, destaque as palavras desconhecidas e
sublinhe os parágrafos que lhe parecem apresentar maior
importância no contexto abordado.

3º Passo Esquematize as principais idéias do texto.

Realize as leituras e atividades sugeridas nos links
4º Passo “Conhecendo Mais” e “Leituras Complementares”, interagindo
com os materiais sugeridos.

5º Passo Faça o exercício de aprendizagem desta aula.

Esclareça suas dúvidas com o professor, postando mensagens
6º Passo
no fórum ou comparecendo aos encontros presenciais.

Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 1

explicar as razões da existência de desigualdades regionais e buscar elementos que a reduzam. Esse ramo da economia busca. embora existam menções mais antigas relacionando o espaço como uma variável econômica importante. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. INTRODUÇÃO A Economia Regional é um campo da economia que passou a se consolidar após a década de 1950.br 1. Segundo Ferreira (1989). Assim. principalmente. Existem várias teorias a esse respeito. a persistência e o aprofundamento das desigualdades ao longo do tempo fizeram com que a Economia Regional passasse a ser uma das áreas mais estudadas. Para entender o fenômeno da concentração espacial da atividade econômica e descobrir formas de reduzir as desigualdades. as desigualdades regionais tenderiam a desaparecer. Entretanto. sendo que cada uma enfatiza determinados aspectos como sendo os principais responsáveis pelo desenvolvimento regional. já que a perfeita mobilidade dos fatores levaria a uma convergência de renda per capita entre as regiões. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 2 . tanto em pesquisas teóricas quanto empíricas. o descaso dos economistas clássicos em relação à distribuição espacial das atividades econômicas relaciona-se com os seus pressupostos de que as desigualdades seriam eliminadas com o tempo. deixando sem sentido o seu estudo. de acordo com esse pressuposto. CONTABILIDADE E ECONOMIA ECONOMIA REGIONAL Adelar Fochezatto Doutor em Economia - PPGE/FCE/UFRGS adelar@pucrs. é preciso conhecer os fatores que tendem a ocasionar o crescimento econômico regional.

1988). de regiões polarizadas ou de regiões de planejamento. Assim. neste contexto. penetrando através de sua aparência” (BREITBACH. já que não há controle sobre elas em nível regional. Assim. é preciso separá-la do contexto nacional e de outras regiões. Isto faz com que o conceito de homogeneidade seja estatístico.1. e a área de abrangência depende dos objetivos de cada estudo regional. Para estudar uma região específica. A área de abrangência de um estudo regional “[. em geral utiliza-se um ou mais dos seguintes métodos de regionalização: delimitação de regiões homogêneas. Regiões homogêneas As regiões denominadas homogêneas são aquelas compostas por características semelhantes. CONTABILIDADE E ECONOMIA 2. a fim de desenvolver os potenciais locais.. geralmente é definida como uma área geográfica subnacional. 2. DEFINIÇÃO DE REGIÃO E METODOS DE REGIONALIZAÇÃO Antes de estudar os fatores responsáveis pelo desenvolvimento regional. segundo Souza (1997). já que as realidades regionais são mutáveis. é necessário definir o que é uma região.. Uma região. Assim. Deve-se deixar claro que os graus de similaridades entre regiões são relativos. Para isso. ele não é único e nem fixo. o conceito de região é bastante flexível. o desenvolvimento regional depende de políticas capazes de minimizar o impacto de políticas nacionais desfavoráveis e de atrair investimentos. “uma região homogênea é aquela cujas partes componentes apresentam entre si características as mais parecidas possíveis com relação a um dado conjunto Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 3 . Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. Também. no contexto da Economia Regional.] deve ser capaz de desvendar uma realidade. bem como os principais métodos de regionalização. Assim. já que é praticamente impossível encontrar regiões iguais. as políticas econômicas nacionais podem ser consideradas exógenas.

2 Regiões polarizadas A delimitação de regiões polarizadas nasceu da teoria de François Perroux sobre o desenvolvimento regional polarizado. O objetivo da regionalização. que caracterizam essas regiões como heterogêneas. Geralmente. distingui-las”.] distinguir os impactos diferenciados de medidas. ações e políticas sócio-econômicas. Essas regiões são compostas por pólos de crescimento e desenvolvimento localizados em um determinado ponto do espaço. imprescindível que os atributos utilizados na regionalização Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 4 . CONTABILIDADE E ECONOMIA de atributos relevantes. 1989). simplesmente. 2. que possuem em seu interior indústrias motrizes e dinâmicas que se distinguem pelos efeitos exercidos por toda a região. consolidação e dinamismo sócio-econômico dessas regiões. Diferentemente das regiões homogêneas.. De acordo com Ferreira (1989). a partir de seu valor médio. resultante da interdependência econômica.. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. escolhidos para homogeneizar as várias regiões”. pois se baseiam no princípio da interdependência e da interação entre seus subespaços constituintes.. 1989).. quando se visa utilizar instrumentos específicos de políticas de desenvolvimento diferenciados por regiões e quando se procura evidenciar as disparidades e desequilíbrios entre regiões ou. O número de grupos ou segmentos que se deve adotar irá depender dos objetivos da regionalização. é promover uma “[. política e social entre suas subunidades geográficas. (FERREIRA.] maior integração. caracterizam-se pela heterogeneidade. utilizando este critério. o critério mais utilizado para identificar o grau de igualdade entre regiões é escolher uma variável (ou mais de uma) e. tornando. pois. é justamente a diferenciação dos subespaços. O critério de regiões homogêneas deve ser adotado quando o objetivo é “[. dividir as regiões em grupos. (FERREIRA.

(FERREIRA. Essas regiões são delimitadas utilizando os mesmos métodos mencionados para a delimitação de regiões homogêneas e polarizadas. Para isso. Portanto. avaliando os efeitos diretos e indiretos de ações dos pólos. Em função dos objetivos que se pretende alcançar a partir de sua delimitação. Regiões de planejamento O conceito clássico de regiões de planejamento é que essas são áreas geográficas cujos subespaços dependem de uma decisão ou objetivo do setor público ou privado. Assim. pode gerar informações de extrema importância para o estabelecimento de estratégias de desenvolvimento regional. é possível estimular outras atividades e subespaços dependentes. CONTABILIDADE E ECONOMIA garantam a coerência das análises. 2. p. a delimitação das regiões polarizadas tem como principal finalidade identificar o grau de interdependência existente entre o pólo de crescimento e as áreas ao seu redor e permitir pressupor fluxos hipotéticos que poderão ocorrer em determinadas condições. 526). 1989. essas regiões são delimitadas a partir de uma determinada finalidade. medidas e uso dos instrumentos de política sócio-econômica sugeridos pelos planejadores regionais”. sendo esses utilizados para identificar os limites geográficos das regiões em que se pretende aplicar as estratégias propostas. estão condicionadas a objetivos pré-definidos de políticas de desenvolvimento regional. ações. as regiões de planejamento podem ser denominadas de diversas Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 5 . quando bem aplicado.3. já que. ou seja. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. Esse tipo de regionalização. são utilizadas técnicas de análise de fluxos intra-regionais e inter-regionais como os modelos gravitacionais e de interação espacial.

a indústria tornou-se obsoleta. para o caso brasileiro. Assim. como regiões agrícolas. da riqueza e dos recursos naturais em determinados pontos geográficos. Assim. Após a recuperação. A principal razão da delimitação de regiões de planejamento são as disparidades no desenvolvimento regional. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 6 . com alguns centros se consolidando como pólos. vem se observando que os efeitos adversos dessa crise manifestaram-se diversamente no espaço. o crescimento do emprego industrial mostrou-se bastante desigual. necessitando de reconversão. CONTABILIDADE E ECONOMIA formas. DINÂMICA ESPACIAL NO BRASIL A abordagem da economia em nível nacional como um espaço homogêneo passou a ceder lugar a análises regionalizadas. demandando uma intervenção governamental diferenciada. essas regiões acabam se caracterizando por ser um tipo particular de regiões homogêneas. subdesenvolvidas ou em desenvolvimento. De fato. industriais. o objetivo principal das regiões de planejamento é a aplicação de alguma estratégia de desenvolvimento com o intuito de reduzir as desigualdades regionais. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. sendo essas geradas pela concentração das atividades. enquanto que. em outras regiões. na década de 1930. desde a Grande Depressão. o desemprego foi muito maior do que em outras. 3. etc. devido ao agravamento dos desequilíbrios regionais no interior do país. estagnadas ou dinâmicas. Em algumas regiões.

o padrão locacional da economia brasileira apresenta três períodos distintos. se deu em torno da economia do café. Neste período.1. Esta mudança no padrão Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 7 . tendo São Paulo como centro e as demais regiões como periferia. pecuária e café. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. causando um aprofundamento das desigualdades regionais. A concentração ocorreu em São Paulo e. Com o surgimento das primeiras indústrias. tendo começado na década de 1970 e continuado até hoje. nele. O terceiro período é de desconcentração espacial da produção. impediram uma maior integração econômica nacional. com isso. enquanto que as demais regiões diminuíram. Formou-se uma nova divisão inter-regional do trabalho. Na opinião de Diniz e Lemos (1986). associadas às dificuldades de transporte. O primeiro período foi até meados do século XIX e caracterizou-se por um desenvolvimento descontínuo devido aos ciclos econômicos da cana-de-açúcar. a concentração econômica teve sua origem e seu auge. cada região se inseriu com determinadas atividades especializadas no conjunto da economia nacional. De acordo com Cano (1975). CONTABILIDADE E ECONOMIA 3. O segundo período foi até 1970 e. algodão. em sua fase inicial. as características cíclicas e nômades das atividades econômicas. começou um movimento migratório para aquela região. Dentro da divisão inter-regional do trabalho. Ao longo do processo de industrialização por substituição de importações a região de São Paulo aumentou a sua participação no produto interno bruto. esta divisão inter-regional do trabalho produziu um modelo de integração nacional e de especialização regional. começou a haver uma ampliação de atividades urbanas e. Panorama histórico De acordo com Diniz (1986). este padrão apresentou uma diversificação no centro e uma especialização e fragmentação na periferia.

Para compreender a dinâmica espacial recente das atividades econômicas. também. via políticas de incentivos fiscais. Isto se deve. tornando a localização industrial mais livre. b) possibilidade de operar eficientemente com plantas industriais menores. 3. inaugurando um período de intensa “guerra” fiscal. para um novo. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 8 . no médio e no longo prazo. principalmente no que se refere à importância relativa dos setores produtivos na economia e à força de trabalho requerida pelas novas empresas. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. é necessário analisar a mobilidade do capital produtivo e os fatores que afetam a sua localização. e c) o desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicações. A tendência é que. reduzindo os custos relativos de entrada e saída do mercado. baseado na produção em massa e em grande escala. CONTABILIDADE E ECONOMIA espacial das atividades produtivas num primeiro momento foi fortemente influenciada pelo setor público federal. mudanças no padrão geográfico das atividades econômicas. investimentos públicos diretos na produção ou em infra-estrutura. a dinâmica espacial da produção passou a ser influenciada principalmente por incentivos fiscais concedidos pelos governos estaduais. Esta mudança tem provocado alterações profundas. Dinâmica recente O período do início da década de oitenta até os dias atuais pode ser caracterizado como de transição de um modelo produtivo. pois as empresas podem mais facilmente se deslocar no espaço em direção aos fatores locacionais mais convenientes. Pode-se dizer que as novas tecnologias acentuam a mobilidade do capital.2. baseado na diferenciação da produção e com plantas industriais menores e mais flexíveis. aos seguintes fatores: a) aumento da produtividade dos fatores de produção. Nos anos mais recentes. principalmente. ocorram.

Isto porque a dinâmica e o padrão do desenvolvimento de uma economia regional depende. facilidade e custo baixo na obtenção de informações. Se existem relações comerciais. facilidade de locomoção. a abertura das economias também é um fator importante. poucas unidades produtivas podem atender toda a demanda. conseqüentemente. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. a especialização produtiva de uma região deve-se a três fatores principais. atividades de lazer. existência de infra- estrutura. etc. mais especializada. O modelo de Heckscher-Ohlin diz que as regiões se especializarão na produção de produtos que utilizem intensivamente os recursos abundantes na região. ou seja. Se a escala mínima eficiente de um setor for grande. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 9 . existência de mão-de-obra qualificada. Exemplos de economias externas são: existência de instituições de ensino e pesquisa. De acordo com Kim (1995). tais como matéria-prima e energia. CONTABILIDADE E ECONOMIA Além destes. referindo-se à escala mínima em que um determinado setor pode operar eficientemente. a distribuição das atividades econômicas no tempo e no espaço é diretamente afetada por estas relações. O terceiro está associado às economias externas. a fatores existentes numa região ou a fatores que emergem do padrão de desenvolvimento regional. O primeiro está associado à disponibilidade de recursos. das relações comerciais que ela estabelece. qualidade de vida. em maior ou menor grau. há especialização. O segundo está associado às economias de escala. então há complementaridades em termos de produção entre os países ou regiões e. em grande medida. relações tecnológicas com outras firmas. e uma aberta. ou seja. Sendo assim. a tendência é de este setor ser pouco disperso espacialmente. Uma economia fechada tende a ser mais diversificada.

À medida que eles caem. atuarão no sentido da reversão da concentração. por exemplo. violência. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. esta dinâmica internacional baseia-se em três fatores: a) a diminuição das barreiras artificiais ao comércio. Segundo Krugman e Venables (1995). b) a redução dos custos de Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 10 . CONTABILIDADE E ECONOMIA Em tese. os fluxos comerciais aumentam. congestionamento do trânsito. A partir de um determinado momento. Estes fatores. resultando num desenvolvimento desigual entre as regiões (KRUGMAN e VENABLES. 1995). no sentido de acentuar a concentração de atividades afins. e o avanço tecnológico propicia a instalação de plantas eficientes em escala menor. juntamente com outros. possibilitando um aumento do número de plantas industriais. emerge um processo de diferenciação regional em que algumas atividades econômicas se destacam e tendem a definir um determinado padrão e uma determinada estrutura produtiva. como o crescimento populacional e os avanços tecnológicos. ao aumento relativo do salário. No atual estágio verifica-se um grande movimento de capital produtivo em direção aos países em desenvolvimento. com isso. a concentração industrial passa a gerar des-economias de aglomeração devido. pode-se explicar a dinâmica da localização das atividades econômicas pela variação dos custos e das possibilidades de transporte. começam a atuar. em busca de condições mais vantajosas de produção. Num primeiro estágio. etc. e. poluição do ar. aos poucos. ocorrida a partir do final dos anos 80. O crescimento populacional amplia o mercado consumidor. proporcionando um mecanismo de “causação acumulativa ascendente”. O resultado disto será a concentração industrial em uma região (centro) e a especialização das outras regiões (periferia) em atividades específicas. economias de aglomeração. conseqüentemente. enquanto os custos de transporte estão muito elevados. Esta diferenciação leva a região a se especializar naquelas atividades específicas e. pelo pouco comércio inter-regional. as regiões se caracterizam pela auto-suficiência e.

Pouca atenção tem sido dada às mudanças estruturais da economia brasileira e sua integração crescente no Mercosul e no mercado mundial. e a baixa mobilidade do trabalho fez com que aumentasse o diferencial de salários. foi o controle da inflação. e c) o aumento das diferenças salariais devido à baixa mobilidade do fator trabalho entre países. O esgotamento do modelo de desenvolvimento por substituição de importações. a incorporação de tecnologias modernas nos processos produtivos e o aumento da abertura externa constituem-se nas principais fontes propulsoras destas mudanças. com especializações regionais. aumentando os custos de oportunidade das empresas em continuar produzindo nos locais em que estes são mais elevados. está havendo uma tendência à re-aglomeração das atividades produtivas em torno do eixo Belo Horizonte - Porto Alegre. A persistente busca deste objetivo fez com que preocupações com o desenvolvimento econômico e outras questões com ele relacionadas ficassem praticamente esquecidas neste período. a tendência histórica de concentração econômica em São Paulo. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 11 . No Brasil. Com isto. o principal objetivo das políticas econômicas. Em suma. está dando lugar a uma configuração mais dispersa. possivelmente. sendo esta nova tendência. a redução das barreiras comerciais e dos custos de transporte diminuiu os custos da comercialização de produtos. Conforme Diniz (1995). o momento atual caracteriza-se pela abertura de novos mercados e por um grande fluxo de capitais produtivos nacionais e internacionais em busca de localização estratégica e baixos custos de produção. um reflexo da instalação do Mercosul. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. Segundo este autor. desde o início da década de oitenta até o Plano Real. CONTABILIDADE E ECONOMIA transporte e comunicação.

que criam efeitos de encadeamento sobre outros setores e regiões. O resultado disso provavelmente será o de grandes mudanças estruturais com as economias do Centro-Sul. com intensidades variáveis. diferenciais de salários. mesmo que as taxas de crescimento sejam diferentes entre regiões. ao mesmo tempo em que as regiões perdem determinados setores econômicos. 4. segundo Souza (1997).] manifesta em pontos ou pólos de crescimento. p. FATORES DE CRESCIMENTO REGIONAL 4. intensificando-se em atividades de serviços e de tecnologias mais avançadas. Isto porque. caracteriza-se pela presença de indústrias motrizes. Assim. 146). CONTABILIDADE E ECONOMIA Nesta perspectiva. o crescimento dos pólos acaba beneficiando toda a economia por causa dos canais de integração regional. Desta forma. a tendência é que as desigualdades regionais continuem demandando maior atenção dos formuladores de políticas públicas e daqueles que se ocupam da análise econômica regional. elas contabilizam investimentos em outros setores. (PERROUX. que instalam novas plantas em outras regiões. O pólo de crescimento.. e as demais regiões do Brasil com atividades produtivas tradicionais.. ocasionando intensos fluxos migratórios. as economias regionais estão passando por uma mudança em seu padrão produtivo. Por isso. de renda per capita e de qualidade de vida ainda persistirão. Ele se “[. 1955. Teoria dos pólos de crescimento A teoria dos pólos de crescimento parte do pressuposto de que o crescimento econômico não ocorre de forma homogênea em todo o território. expande-se por diversos canais e com efeitos finais variáveis sobre toda a economia”. Dias (2001) enfatiza que as indústrias motrizes Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 12 .1. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO.

especialmente as de comércio e serviços. 4. regiões com essas características acabam atraindo novas indústrias devido às vantagens locacionais geradas a partir dos pólos de crescimento.2. o desenvolvimento de uma região depende do crescimento de seu setor exportador. Essas inovações. os mercados internos das regiões por si só não são capazes de sustentar altas taxas de crescimento. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 13 . Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. redução dos custos e expansão dos lucros. De acordo com essa teoria. CONTABILIDADE E ECONOMIA caracterizam-se por inovações tecnológicas e por recorrer a métodos cada vez mais eficientes de produção. de acordo com a teoria schumpeteriana. É necessário buscar demanda adicional nos mercados externos para expandir a produção. com isso. são essenciais para o desenvolvimento regional. sendo a expansão da demanda externa o determinante principal do crescimento regional. Elas tendem a beneficiar toda a economia através da melhoria da infra-estrutura local. Teoria da base exportadora A teoria da base exportadora enfatiza o papel das exportações no crescimento econômico regional. gerar economias de escala. da qualificação da mão-de-obra e do aumento do empreendedorismo. O pressuposto básico desta teoria é que o crescimento das exportações provoca um efeito multiplicador sobre as demais atividades econômicas não voltadas para a exportação. A demanda externa é uma forma de ampliar o mercado para os produtos domésticos e. Segundo essa teoria. Assim.

5. ao criar o termo "economias externas" (Marshall. Essa tendência à concentração das atividades e das populações tinha sido observada por Adam Smith. A reversão deste processo ocorre quando as deseconomias tornam-se superiores às economias de aglomeração que. a concentração de firmas da mesma indústria em uma dada localidade gera ganhos que são internalizados pelas empresas da área. aumentando a concentração econômica. Porto Alegre: FEE/UFRGS. quando discutiu a divisão do trabalho (Smith. Esta concentração gera uma dinâmica do tipo centro-periferia em que o centro é representado pela região com concentração industrial e a periferia pelas regiões fornecedoras de produtos e fatores.3. como postula a teoria da polarização. Economias e deseconomias de aglomeração Como foi visto anteriormente. e por Marshall. passou a ocorrer a partir da década de 1980. A. REFERÊNCIAS BARQUERO. 2001. CONTABILIDADE E ECONOMIA 4. Enquanto não surgirem deseconomias de aglomeração. conforme a expressão de Cano (1985). o livre jogo das forças de mercado concentra as firmas no espaço. p. ao referir-se a São Paulo. Estes benefícios não estão presentes em localizações dispersas. o crescimento ocorre com mais intensidade em determinados pontos do espaço e concentrando-se em algumas atividades. 231). Desenvolvimento endógeno em tempos de globalização. 1983. p. Neste caso. 1982. traduzidas por custos superiores aos benefícios. o centro torna-se a "locomotiva" das regiões periféricas. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 14 . 53). Segundo este autor. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. no caso brasileiro.

Estratégias de desenvolvimento regional: o caso do Rio Grande do Sul. 2002 Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 2002. Acesso em: 10 abr. In: HADDAD. Porto Alegre: FEE.gov. Clélio Campolina. In: SCHWARTZMAN. Disponível em: <http://www. Carlos Maurício de C. BNDES. FERREIRA. Economia regional: textos escolhidos.). Produção teórica em economia regional: uma proposta de sistematização.). 2004. Espaço. Economia regional: teorias e métodos de analise. regiões e economia regional. Porto Alegre. 2004.br/files/Producao_Teorica_em_Economia_ Regional. Carlos Maurício de C. Acesso em: 25 mar.bndes.br/conhecimento/notatec/ntec09. Luiz Ricardo Mattos Teixeira. Fortaleza: ETENE.pdf>. CAVALCANTE. Vinod. Paulo Roberto (Org.ba. Estudo sobre o conceito de região. Jul. Belo Horizonte: Cedeplar. CONTABILIDADE E ECONOMIA BREITBACH. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1989. Global-Local: interdependências e desigualdade ou notas para uma política tecnológica e industrial regionalizada no Brasil. FERREIRA.). DUBEY. Métodos de regionalização. Disponível em: <http://www. Áurea Corrêa de Miranda. 1989. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. Jacques (Org. Paulo Roberto (Org. DINIZ.gov. DIAS.pdf>. Definição de economia regional. 1977. Fortaleza: ETENE. Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Econômicas.desenbahia. 2001. Bahia: UFBA. In: HADDAD. Nilton Rocha. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 15 . 1988. Economia regional: teorias e métodos de analise.

Harry W. Rio de Janeiro: Zahar. Sérgio. Fernanda Queiroz. 2003. RICHARDSON. 1997. 1986/1998. Adelar. São Paulo: Atlas. SPEROTTO. Porto Alegre. e BOISIER. Madri: Pirámide. Harry W. Santa Cruz do Sul: EDUNISC. CONTABILIDADE E ECONOMIA FOCHEZATTO. Evolução da estrutura produtiva da região do Vale do Rio Pardo. Fortaleza: ETENE.). Nali de Jesus (Org. 1989. Harry W. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO.). 1977. Rio de Janeiro: Zahar. Elementos de economia regional. Teoria del crescimento regional. Introdução à economia. SOUZA. Thompson A. Nali de Jesus de. HADDAD. RICHARDSON. Paulo Roberto. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. ANDRADE. Curso de Ciências Econômicas. Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 16 . In: SOUZA (Org. In: SOUZA. RICHARDSON. Economia regional: teorias e métodos de análise. Evolução econômica e social da região do Vale do Rio Pardo. 1975. Teorias do Desenvolvimento regional e urbano. 2002. (Texto não publicado). 1973. 2. Economia regional. Economia regional. ed.

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. CONTABILIDADE E ECONOMIA ANEXOS MAPA DOS COREDES Conselhos Regionais de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul No COREDE No COREDE 1 Alto Jacuí 13 Missões 2 Alto da Serra do Botucaraí 14 Nordeste 3 Campanha 15 Noroeste Colonial 4 Central 16 Norte 5 Centro Sul 17 Paranhana-Encosta da Serra 6 Fronteira Noroeste 18 Produção 7 Fronteira Oeste 19 Serra 8 Hortênsias 20 Sul 9 Jacuí Centro 21 Vale do Caí 10 Litoral 22 Vale do Rio Pardo 11 Médio Alto Uruguai 23 Vale do Rio dos Sinos 12 Metropolitano do Delta do Jacuí 24 Vale do Taquari Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 17 .

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO. CONTABILIDADE E ECONOMIA Mapa alternativo Inclui o nome dos COREDES Médio Alto Uruguai Norte Fronteira Noroeste Nordeste Produção Noroeste Colonial MIssões Alto Jacuí Alto da Hortênsias Serra do Botucaraí Serra Vale do Taquari Central Litoral Fronteira Oeste Vale do Rio Pardo Jacuí Centro Centro Sul Campanha Sul Vale do Caí Paranhana – Vale do Encosta da Serra Rio dos Sinos Metropolitano do Delta do Jacuí Introdução à Economia Desenvolvimento Regional 18 .