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APOSTILA

DE
ELETRÔNICA DIGITAL I
Professora Kattia Medeiros
2009/2

1
Introdução aos números

Número é um conceito matemático abstrato, mas bastante intuitivo. Pode-se definir como a
representação de uma coleção de objetos iguais ou quantidades. São indicados por símbolos
denominados algarismos ou dígitos e as palavras que os expressam são ditas numerais.

Seja, por exemplo, uma espécie de objeto representada pela letra grega alfa (α). A coleção
ααα é simbolizada por 3α, a coleção ααααα é indicada por 5α e assim sucessivamente.

Na tabela abaixo, a coluna (a) contém coleções sucessivas do objeto mencionado e a coluna (b) dá a
representação numérica usual.

Um fato notável ocorre a partir da quantidade 10: em vez de criado um novo algarismo,
foram usados dois já existentes. Esse artifício, que forma um sistema de numeração, é fundamental,
uma vez que os tamanhos das coleções são ilimitados e, portanto, seria inviável a definição de
infinitos símbolos diferentes.

A base de um sistema de numeração corresponde à quantidade de algarismos diferentes que


são usados. O sistema padrão de uso cotidiano é denominado decimal porque são usados dez
algarismos diferentes (01234567989).

(a) coleção (b) decimal (c) octal (d) hexadecimal (e) binário
0 0 0 0
α 1 1 1 1
αα 2 2 2 10
ααα 3 3 3 11
αααα 4 4 4 100
ααααα 5 5 5 101
αααααα 6 6 6 110
ααααααα 7 7 7 111
αααααααα 8 10 8 1000
ααααααααα 9 11 9 1001
αααααααααα 10 12 A 1010
ααααααααααα 11 13 B 1011
αααααααααααα 12 14 C 1100
ααααααααααααα 13 15 D 1101
αααααααααααααα 14 16 E 1110
ααααααααααααααα 15 17 F 1111
αααααααααααααααα 16 20 10 10000
ααααααααααααααααα 17 21 11 10001
αααααααααααααααααα 18 22 12 10010

Sistemas de numeração podem ser definidos com qualquer base, desde que maior que a
unidade. Na coluna (c) da tabela, são usados os mesmos algarismos do sistema decimal, mas apenas
até o 7. Isso forma o sistema de base oito ou octal de numeração. Portanto, 10 nessa base
corresponde ao 8 decimal, 11 ao 9, etc.

2
A coluna (d) da tabela mostra o sistema hexadecimal. Ele usa todos os algarismos do sistema
decimal mais a seis primeiras letras do alfabeto para formar a base de tamanho 16.

A menor base possível é constituída por dois dígitos diferentes, quase sempre representada pelos dois
primeiros algarismos do sistema decimal (0 e 1). É o sistema binário de numeração, conforme
exemplo da coluna (d) da tabela.

Formação do número

Pode-se facilmente concluir que a lei de formação de um número inteiro N corresponde à


seguinte identidade aritmética:

N = … + a2 b2 + a1 b1 + a0 b0 #A.1#. Onde ai são os algarismos e b é a base.

Exemplo: o número decimal 354 corresponde a 3 102 + 5 101 + 4 100. Por essa formação, no
caso de números decimais, costuma-se dizer que, da direita para a esquerda, o primeiro algarismo
indica unidade (100 = 1), o segundo indica dezena (101 = 10), o terceiro indica centena (102 = 100),
etc.

Identificação da base

De acordo com a convenção clássica, um número N em uma base b é representado na forma


Nb .

Exemplo: conforme a décima primeira linha da tabela acima, ocorrem as equivalências nas diferentes
bases: 1010 = 128 = A16 = 10102.

Na prática, os números decimais são escritos sem o índice porque formam a base usual. Em
Eletrônica Digital e em Informática são comuns notações para evitar caracteres subscritos de índices.
Exemplo: em linguagem C, base octal é identificada pelo prefixo 0 (035, 021, etc) e base
hexadecimal pelo prefixo 0x (0x11, 0xCC, etc). Números binários são normalmente escritos sem o
índice 2 da base porque a própria seqüência de dígitos 0 e 1 é, em geral, suficiente para identificá-
los. Naturalmente, faz-se alguma observação se houver possibilidade de confusão com a base
decimal.

Circuitos digitais operam com fundamentos no sistema binário de numeração. Os sistemas


octal e hexadecimal são usados para representar números binários de forma compacta. As suas bases
são potências inteiras de 2 (8 = 23 e 16 = 24), possibilitando, ao contrário da base 10, conversões
rápidas e fáceis.

3
Conversão de decimal para binário, octal e hexadecimal

Conforme mencionado na página anterior, a conversão de um número decimal para binário é


mais trabalhosa que a recíproca.

(a) (b) (c)


847 ÷ 2 = 423 resto 1 LSB (- sig)
423 ÷ 2 = 211 resto 1
211 ÷ 2 = 105 resto 1
105 ÷ 2 = 52 resto 1
52 ÷ 2 = 26 resto 0
26 ÷ 2 = 13 resto 0
13 ÷ 2 = 6 resto 1
6 ÷ 2 = 3 resto 0
3 ÷ 2 = 1 resto 1 MSB (+ sig)

Tab 01

O método usa divisões sucessivas por dois, conforme exemplo dado na Tabela 01, isto é, a
conversão do número decimal 847 para binário.

O quociente de cada divisão (coluna b) é o dividendo da próxima (coluna a). Os restos de


cada divisão são dados na coluna (c). A divisão deve prosseguir até o o quociente se tornar 1.

Então, o número binário convertido é dado pelo último quociente seguido dos restos em
ordem inversa. No exemplo dado,

847 = 1101001112.

No caso da conversão de um número decimal para octal ou hexadecimal, pode-se adotar


procedimento semelhante, com divisões sucessivas por 8 ou 16 respectivamente. Entretanto, é mais
prático transformá-lo em binário (divisões por 2 são mais rápidas) e convertê-lo para octal ou
hexadecimal conforme páginas posteriores.

Conversão para o sistema decimal

Desde que as operações aritméticas usuais são executadas em números decimais, a conversão
de qualquer base para a decimal é simples, bastando usar a lei de formação dada em #A.1# do tópico
anterior.

• Exemplo de número binário: seja N = 11001001. Segundo a lei de formação mencionada, os


expoentes da base começam de zero a partir da direita,

N = 1 27 + 1 26 + 0 25 + 0 24 + 1 23 + 0 22 + 0 21 + 1 20 = 1 128 + 1 64 + 0 32 + 0 16 + 1 8 + 0 4 + 0 2
+ 1 1 = 201.

• Exemplo de número octal: Seja N = 3118. Assim,

N = 3 82 + 1 81 + 1 80 = 3 64 + 1 8 + 1 1 = 201.

4
• Exemplo de número hexadecimal: Seja N = C916. Então,

N = C 161 + 9 160 = 12 16 + 9 1 = 201 (lembrar que o dígito C corresponde a 12 em decimal. Ver


tabela do tópico anterior).

No caso de números fracionários, pode-se usar o mesmo procedimento, lembrando que, após
a vírgula, os expoentes são negativos e a lei de formação pode ser assim escrita:

N = … + a2 b2 + a1 b1 + a0 b0 + a−1 b−1 + a−2 b−2 + … #A.1# Onde os dígitos com índice negativo
estão após a vírgula.

• Exemplo de número binário fracionário: Seja N = 111,001. Então,

N = 1 22 + 1 21 + 1 20 + 0 2−1 + 0 2−2 + 1 2−3 = 1 4 + 1 2 + 1 1 + 0 0,5 + 0 0,25 + 1 0,125 = 7,125.

Conversão entre binário, octal e hexadecimal


Conforme já mencionado, a conversão entre essas bases é fácil devido à relação com
potências inteiras de base binária (2).

Octal Binário
0 000
1 001
2 010
3 011
4 100
5 101
6 110
7 111

Tab 01
Na conversão entre octal e binário, pode ser usada a Tabela 01, que mostra a equivalência
entre dígitos octais e binários já vista no primeiro tópico. Nessa tabela são acrescentados, onde
necessário, zeros à esquerda para formar grupos de três dígitos binários.

Adota-se a seguinte regra: cada dígito octal equivale a três binários conforme tabela e vice-versa.

Exemplo: seja N = 3118. Na conversão para binário, basta substituir cada dígito octal pelo grupo de
três binários da tabela. Portanto,

3118 = 011 001 001. Eliminando os espaços e zeros à esquerda, 11001001.

Na operação inversa, separam-se os dígitos binários em grupos de três dígitos, com adição, se
necessário, de zeros à esquerda para o último grupo da esquerda. E os dígitos octais são os
correspondentes na tabela. Assim,

11001001 = 011 001 001 = 3118.

5
Hexadecimal Binário
0 0000
1 0001
2 0010
3 0011
4 0100
5 0101
6 0110
7 0111
8 1000
9 1001
A 1010
B 1011
C 1100
D 1101
E 1110
F 1111

Tab 02

A conversão entre hexadecimal e binário usa procedimento similar ao anterior. Enquanto,


para a octal, são usados grupos de três dígitos binários (porque 8 = 23), para a hexadecimal, são
grupos de quatro (porque 16 = 24). Assim, cada dígito hexadecimal equivale a quatro dígitos binários
conforme Tabela 02 e vice-versa.

Exemplo: seja N = C916. Substituindo de acordo com a tabela,

C916 = 1100 1001. Eliminando espaços, C916 = 11001001.

Na operação inversa, basta separar os dígitos binários em grupos de quatro, com adição de
zeros à esquerda para o último, se necessário, e obter a equivalência na tabela.

11001001 = 1100 1001 = C916.

Outro exemplo: 110011 = 0011 0011 = 3316.

Para a conversão entre octal e hexadecimal, em vez de uma regra própria, é mais fácil usar
o procedimento indireto, com a conversão auxiliar para binário.

Exemplo: das conversões anteriores, conclui-se que 3118 = C916.

Operações elementares com números binários


Soma e subtração são operações aritméticas fundamentais, que podem ser feitas com números
de qualquer base. Este tópico trata dessas operações apenas com a base de interesse para os circuitos
digitais, isto é, o sistema binário.

6
1 1 0 1 1 Transporte
-------------------
1 1 0 1 1 +
1 0 1 1
-------------------
1 0 0 1 1 0 resultado

Tab 01
A soma de números binários é feita de forma similar à dos números decimais. Deve ser
considerado o dígito de transporte ("vai" algum dígito), que deve ser diferente de zero quando o valor
da soma excede o máximo que pode ser dado pela respectiva posição.

No caso de soma com apenas duas parcelas, os valores possíveis são:

0 + 0 = 0 transporte 0.
0 + 1 = 1 transporte 0.
1 + 0 = 1 transporte 0.
1 + 1 = 0 transporte 1.

Se há três dígitos para a soma, aplicam-se as regras acima em partes. Exemplo: 1 + 1 + 1 = 1


transporte 1.
O quadro da Tabela 01 dá o exemplo da soma dos números binários 11011 e 1011. Os dígitos
de transporte estão na linha superior e o resultado é dado na linha inferior.
1 1
0 0 0 -
1 1 1
-------------------
0 1 1 1 0 empréstimo
-------------------
1 0 0 0 1 resultado

Tab 02

Na subtração de números binários deve-se considerar o transporte negativo ("empréstimo")


de forma similar à dos números decimais. Para duas parcelas, os valores possíveis são:

0 − 0 = 0 empresta 0.
0 − 1 = 1 empresta 1.
1 − 0 = 1 empresta 0.
1 − 1 = 0 empresta 0.

Se há mais de dois dígitos, as regras acima são aplicadas em partes. No quadro da Tabela 02,
exemplo da subtração 11000 − 111. Os dígitos de empréstimo estão na penúltima linha e o resultado
na última.

1 1 0
1 1 x
1 0
-------------------
0 0 0 0 0
1 1 0 1 1
-------------------
1 1 0 1 1 0

7
Tab 03
A multiplicação de números binários é também similar à dos decimais. Deve-se considerar
as igualdades elementares:

0 × 0 = 0.
0 × 1 = 0.
1 × 0 = 0.
1 × 1 = 1.

Na Tabela 03, procedimento para 11011 × 10.

Os resultados intermediários (penúltima e antepenúltima linha) devem ser somados para o resultado
final. Notar que essa soma pode exigir dígitos de transporte de forma similar ao exemplo anterior.
Neste caso, todos eles são nulos e não estão indicados.

1 1 0 1 1 / 1 1
--------------
1 1 1 0 0 1
--------
0 0 0
0 0
--------
0 0 1
0 0
---------
0 1 1
1 1
------
0 0

Tab 04
A divisão de números binários pode ser feita de modo semelhante à divisão de decimais.

O quadro Tabela 04 dá o exemplo para a operação 11011 ÷ 11.

Os dois primeiros dígitos do dividendo são comparados com o divisor e, se for maior ou igual, é
escrito 1 no quociente. Esse valor é multiplicado pelo divisor e subtraído dos dois primeiros dígitos.

Ao resultado (00) é acrescentado o próximo dígito do dividendo (0). Desde que o valor é menor que
o divisor, o dígito 0 é acrescentado ao quociente.

O procedimento é repetido até o último dígito do dividendo, obtendo-se o resultado 1001 e resto 0.

8
Álgebra de Boole

Informações binárias

Na operação de circuitos digitais, o conceito de número binário pode ser estendido para
informação binária. Um conjunto de um ou mais dígitos binários pode indicar um número aritmético
ou qualquer outra informação, como caracteres alfabéticos, instruções de operação, sinais, etc.

A expressão inglesa bit (de binary digit) foi, na prática, adotada para indicar um dígito
binário. Também o byte, para indicar uma seqüência de 8 dígitos binários (8 bits).

Uma variável binária é uma variável cujos valores só podem ser dígitos binários. No
contexto de operação de circuitos lógicos, pode-se considerar variáveis de apenas um dígito (1 bit)
ou de vários.
A álgebra de Boole é um conjunto de postulados e operações lógicas com variáveis binárias
desenvolvido pelo matemático e filósofo inglês George Boole (1815-1864). As operações básicas
dos circuitos digitais são fundamentadas matematicamente nos seus conceitos, que inclusive
guardam alguma (mas não total) semelhança com a álgebra comum dos números reais.

Esta página apresenta algumas informações de forma resumida, sem entrar em detalhes como
demonstrações de teoremas e identidades. Outros conceitos e procedimentos relativos à álgebra de
Boole são dados ao longo das páginas sobre circuitos lógicos.

Variáveis e operadores básicos

Variáveis

Uma variável booleana representa um dígito binário, ou seja, só pode ter os valores 0 ou 1.
Matematicamente pode-se dizer que o domínio de uma variável é o conjunto

B = {0, 1} e uma variável genérica X é elemento desse conjunto, X B.

São comuns, para os valores 0 e 1, as designações falso e verdadeiro, respectivamente.


Deve-se notar que os dígitos de variáveis com mais de um dígito podem ser combinados em
operações booleanas. Exemplo: uma palavra de 8 bits permite 28 = 256 combinações para as
operações.
Operações básicas

As operações fundamentais da álgebra de Boole têm semelhança com operações aritméticas


comuns, inclusive alguns símbolos são idênticos, mas não são necessariamente coincidentes:

1) Operação OU

É similar à adição comum, mas a correspondência não é plena. Símbolo usual é o mesmo da adição.
Exemplo:

X = A + B (lê-se X igual a A ou B). Um outro símbolo, comum em linguagem de programação, é a


barra vertical (X = A | B).

9
2) Operação E

É similar à multiplicação comum e há correspondência, como poderá ser visto adiante. Símbolo
usual é o mesmo da multiplicação. Exemplo:

X = A · B (lê-se X igual a A e B). Muitas vezes, também de forma semelhante à álgebra comum, o
sinal de ponto é suprimido: X = AB. O e comercial (&) é um símbolo usado em algumas linguagens
(X = A & B).

3) Operação NÃO

Também denominada negação ou complemento, pode ser considerada similar ao negativo da


álgebra comum. Entretanto, não há correspondência plena porque a álgebra de Boole não usa sinal
negativo. Símbolo usual é uma barra acima (ou antes) da variável. Exemplo:

X = A (lê-se X igual a não A). Alguns outros símbolos são o sinal de exclamação (X = !A) e o
apóstrofo (X = A').

Postulados e algumas identidades

Os postulados da álgebra de Boole definem os resultados das operações básicas informadas


no tópico anterior.

1) Postulados da operação OU
0 + 0 = 0
0 + 1 = 1
1 + 0 = 1
1 + 1 = 1

Algumas referências escrevem postulados da adição. Mas lembrar que é adição booleana,
não equivale plenamente à adição comum porque, para esta última, 1 + 1 deve ser 0.

2) Postulados da operação E
0 · 0 = 0
0 · 1 = 0
1 · 0 = 0
1 · 1 = 1

Em algumas referências, são denominados postulados da multiplicação. Notar que há


equivalência plena com a multiplicação comum.

3) Postulados da operação NÃO


0 = 1
1 = 0

10
Omitindo as demonstrações, algumas identidades podem ser deduzidas a partir dos
postulados acima:

4) Da operação OU
X + 0 = X
X + 1 = 1
X + X = X
X + X = 1

5) Da operação E
X · 0 = 0
X · 1 = X
X · X = X
X · X = 0

6) Da operação NÃO
X = X’

A relação acima sugere uma semelhança com o negativo da álgebra usual, pois −(−x) = x.

Algumas propriedades e teoremas

1) Propriedade comutativa
A + B = B + A
A · B = B · A

2) Propriedade associativa

A + (B + C) = A + (B + C) = A + B + C
A · (B · C) = A · (B · C) = A · B · C

3) Propriedade distributiva

A · (B + C) = A·B + A·C

4) Teoremas de Morgan

A + B = A · B ( O complemento da soma é igual ao produto dos completo)

A·B=A+B ( O complemento do produto é igual a soma dos completo)

11
5) Outras igualdades

A + A·B = A
A + A·B = A + B
(A + B) · (A + C) = A + B·C

Função booleana e tabela de verdade

Uma função matemática genérica de um conjunto X para um conjunto Y,

f:X → Y, pode ser entendida como uma regra que define um elemento único y Y para cada
elemento x X. A notação prática mais comum é y = f(x). Pode-se também dizer que a função faz
um mapeamento de x para y.

O conjunto X é denominado domínio da função e o conjunto Y é o seu co-domínio.

x1 x2 x 3 y1 y 2

0 0 0 0 0
0 0 1 1 0
0 1 0 0 1
0 1 1 1 1
1 0 0 0 0
1 0 1 1 0
1 1 0 0 1
1 1 1 1 1

Tab 01
Seja agora o conjunto das variáveis booleanas B = {0, 1}. Se existem n variáveis, o conjunto de todas
as combinações possíveis é simbolizado por Bn (produto cartesiano).

Uma função booleana é o conjunto de todas as funções que fazem o mapeamento de m variáveis de
entrada para n variáveis de saída:

f: Bm → Bn.

Na prática, pode-se dizer que é uma função que estabelece uma relação entre um conjunto de m
variáveis de entrada com um conjunto de n variáveis de saída.

Desde que os valores das variáveis são discretos (apenas 0 e 1), o mapeamento da função pode ser
apresentado em forma tabular, denominada tabela de verdade da função. O quadro Tab 01 dá um
exemplo para três entradas e duas saídas.

12
Portas lógicas
Portas lógicas são dispositivos práticos que executam funções booleanas básicas, isto é, as
operações fundamentais OU, E, NÃO e algumas delas derivadas. Na atualidade, a sua
implementação é quase sempre em circuitos eletrônicos integrados, mas podem ser componentes
discretos, circuitos elétricos com relés, dispositivos óticos, circuitos hidráulicos ou mesmo
mecanismos.

Considerando circuitos elétricos ou eletrônicos, deve-se notar que os valores lógicos 0 e 1 são
representados por tensões ou correntes, normalmente em determinadas faixas. Exemplo: no caso de
tensão, 0 a 2V pode indicar o nível lógico 0 e 4 a 6 V pode indicar o nível lógico 1. Entretanto, na
análise lógica, esse dado não é levado em conta e os valores de entradas e saídas são sempre
referidos a 0 ou a 1.

Porta OU

Nesta porta, a saída S é igual à operação booleana OU entre os valores das entradas. No quadro
abaixo, Figura 01-a, o símbolo usual e, em 01-b, a tabela de verdade da função. A função booleana
(ou lógica) é S = A + B.

A B S
---------
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1

Fig 01-a Fig 01-b Fig 01-c

A Figura 01-c mostra um circuito simples com relés para a porta OU. Neste caso, 0 V é o
nível lógico 0 e +V é o nível lógico 1. As bobinas dos relés têm supostamente essa tensão nominal.
Desde que os contatos estão em paralelo, a tensão em S será +V (nível 1) sempre que pelo menos
uma das bobinas estiver com tensão (nível 1). Se ambas estiverem sem tensão (nível 0) a saída S será
desconectada de +V, ficando no mesmo potencial da terra (0) em razão do resistor R. Portanto, o
circuito opera conforme a tabela de verdade ao lado.

Porta E

A saída S é igual à operação booleana E entre os valores das entradas. Símbolo usual
conforme Figura 02-a e tabela de verdade em 02-b. A Figura 02-c mostra um circuito simples com
relés para a porta E. Agora, os contatos estão em série e a saída só terá nível 1 quando todas as
entradas forem também 1.

13
A função lógica é S = A · B.

A B S
---------
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1

Fig 02-a Fig 02-b Fig 02-c

Porta NÃO

Na porta NÃO, a saída S é igual à operação booleana de mesmo nome para a entrada A. Nas Figuras
03-a, 03-b e 03-c, símbolo usual, tabela de verdade e circuito elétrico simples para a função.

A função lógica é S = A ou S = A', em notação equivalente.

A S
------
0 1
1 0

Fig 03-a Fig 03-b Fig 03-c


A porta NÃO é também denominada inversor. Para simplificar os diagramas, o símbolo é
apenas um pequeno círculo se estiver junto de uma entrada ou saída de outra porta lógica.

Portas com mais de duas entradas

Em razão da operação que executa, a porta NÃO admite apenas uma entrada. As portas OU e
E (e outras delas derivadas) podem ter qualquer número n ≥ 2 de entradas.

A B C S A B C S
------------ ------------
0 0 0 0 0 0 0 0
0 0 1 1 0 0 1 0
0 1 0 1 0 1 0 0
0 1 1 1 0 1 1 0
1 0 0 1 1 0 0 0
1 0 1 1 1 0 1 0
1 1 0 1 1 1 0 0
1 1 1 1 1 1 1 1

Fig 04-a Fig 04-b Fig 04-c Fig 04-d


Nas Figura 04-a e 04-b, símbolo e tabela de verdade para porta OU de 3 entradas, S = A + B + C.
Nas Figuras 04-c e 04-d, dados similares para porta E de três entradas, S = A · B · C.

14
Portas NÃO OU, NÃO E, OU EXCLUSIVO e NÃO OU EXCLUSIVO

Porta NÃO OU

É uma porta OU com um inversor (NÃO) na saída, que, nos diagramas, pode ser representado
por um pequeno círculo conforme já comentado. Símbolo usual e tabela de verdade para duas
entradas nas Figuras 01-a e 01-b.

Expressão lógica segundo álgebra de Boole: S = (A + B) ou S = (A + B)' em outra notação.

Devido à ação do inversor, os resultados são complementares aos da porta OU.

A B S A B S
--------- ---------
0 0 1 0 0 1
0 1 0 0 1 1
1 0 0 1 0 1
1 1 0 1 1 0

Fig 01-a Fig 01-b Fig 01-c Fig 01-d

Porta NÃO E

De forma similar à anterior, apresenta resultados complementares aos da porta E devido ao inversor
na saída. Símbolo usual e tabela de verdade para duas entradas nas Figuras 01-c e 01-d deste tópico.

Função lógica: S = (A · B) ou S = (A · B)' em outra notação.

Porta OU EXCLUSIVO

A operação booleana OU não oferece plena equivalência com a soma aritmética comum. A
função OU EXCLUSIVO permite essa correspondência. Símbolo usual e tabela de verdade para duas
entradas nas Figuras 02-a e 02-b.

Expressão booleana: S = A B.

Obs: na realidade, a porta OU EXCLUSIVO é implementada como uma combinação de


portas básicas do tópico anterior. Entretanto, devido à sua importância, ela tem o símbolo próprio
aqui exibido e um operador especial para a expressão lógica ( ).

A B S A B S
--------- ---------
0 0 0 0 0 1
0 1 1 0 1 0
1 0 1 1 0 0
1 1 0 1 1 1

Fig 02-a Fig 02-b Fig 02-c Fig 02-d

15
Porta NÃO OU EXCLUSIVO

É a porta OU EXCLUSIVO com um inversor na saída, resultando em valores complementares aos da


anterior. Expressão lógica:

S = (A B) ou S = (A B)' ou A ⊗ B em outra notação. Símbolo usual e tabela de verdade nas


Figuras 02-c e 02-d.

Determinando circuitos a partir da tabela de verdade

Em geral, a primeira coisa que se faz no desenvolvimento de circuitos é determinar o que ele
deve fazer. Para circuitos lógicos, a tabela de verdade indica isso.

Tabela 01
Comb A B C S
0 0 0 0 1
1 0 0 1 0
2 0 1 0 1
3 0 1 1 0
4 1 0 0 1
5 1 0 1 1
6 1 1 0 1
7 1 1 1 0

A tabela ao lado representa um circuito de 3 entradas (A, B e C) e uma saída S.

A coluna Comb significa combinação. É apenas uma numeração seqüencial das combinações das
entradas para referências no texto.

Deseja-se desenvolver um circuito lógico que execute a tabela.

O procedimento a seguir descrito é possivelmente um dos mais simples, embora não seja o mais
eficiente.

Em primeiro lugar, consideram-se somente as combinações de saída não zero. Elas são as de
números 0, 2, 4, 5 e 6.

16
Figura 01
A cada combinação de saída não nula, corresponde um bloco E com número de entradas igual
ao da tabela (3 neste caso). Portanto, são 5 blocos E conforme Figura 01.

Em cada bloco E, são adicionados inversores (blocos NÃO) em cada entrada com valor zero
na combinação.

A saída de cada bloco E é ligada à entrada de um bloco OU. A saída desse bloco é a saída S
do circuito.

Conforme já dito, este método não é dos mais eficientes. Os circuitos são grandes demais e
podem ser mais simples, simplificação esta que é objeto dos próximos tópicos.

Diagramas de Veitch Karnaugh

O método de Veitch Karnaugh consiste em representar graficamente os valores das variáveis


de entrada e os correspondentes valores da saída. A simplificação é obtida pela observação dos
grupos formados.

Tabela 01
Comb A B S
0 0 0 0
1 0 1 1
2 1 0 1
3 1 1 1

Seja a tabela de verdade simples ao lado (Tabela 01), com apenas duas entradas e uma saída.

Na Figura 01 (a), são representados:

• quadrados acima da linha horizontal → A = 0


• quadrados abaixo da linha horizontal → A = 1
• quadrados à esquerda da linha vertical → B = 0
• quadrados à direita da linha vertical → B = 1

17
Figura 01
As saídas são marcadas pelas sobreposições.

Por exemplo, o quadrado inferior esquerdo é a sobreposição de A = 1 e B = 0, correspondendo à


combinação de número 2 da tabela. A saída respectiva é S = 1 e é indicada no quadrado.

Procede-se de forma análoga para as demais combinações da tabela de verdade.

Uma vez inseridas todas as saídas, devem ser identificados todos os pares não diagonais possíveis de
valores não nulos, mesmo que sobrepostos.

Há, portanto, dois pares possíveis:

Par 1: equivalente a A

Par 2: equivalente a B.

E a saída é uma função OU dos pares: S = A + B.

Esse resultado é um bloco OU simples, indicado em (b) da Figura 01.

Tabela 02
Comb A B S
0 0 0 0
1 0 1 0
2 1 0 0
3 1 1 1

Considera-se agora a tabela de verdade segundo Tabela 02 deste tópico.

18
Figura 02
A Figura 02 (a) exibe o diagrama de Veitch-Karnaugh para essa tabela de verdade.

Neste caso, não há formação de pares.

A saída S = 1 está isolada e deve ser entendida como uma função E das entradas sobrepostas, isto é,

S = A . B

O resultado é, portanto, um bloco E simples conforme (b) da figura.

Diagrama de Veitch Karnaugh para 3 variáveis


Comb A B C S
0 0 0 0 1
1 0 0 1 0
2 0 1 0 1
3 0 1 1 0
4 1 0 0 1
5 1 0 1 1
6 1 1 0 1
7 1 1 1 0

A tabela de verdade para o exemplo deste tópico é a mesma usada no tópico. Determinando circuitos
a partir da tabela de verdade desta página.

O diagrama para as três variáveis é dado em (a) da Figura 01.

O preenchimento é feito de modo similar ao do diagrama de duas variáveis já visto.

Exemplo: a combinação 0 tem A = 0, B = 0 e C = 0. É, portanto, a interseção de A, B e C. Marca-se


então 1 no quadrado correspondente porque a saída S tem esse valor segundo a tabela.

19
Figura 01
Outro exemplo: para a combinação 6, A = 1, B = 1 e C = 0. Portanto, A, B e C. E o quadrado é
marcado com o valor da saída conforme tabela (1).

No diagrama de duas variáveis, os grupos de valores 1 só podem se pares. Para três variáveis, podem
ser quadras e pares.

As seguintes regras devem ser observadas:

• quadras (e também pares) podem ser formadas por elementos não adjacentes se estiverem na borda
(neste caso, são considerados adjacentes).

• pares devem estar fora das quadras ou podem ter um elemento comum. Não valem os pares com os
dois elementos no interior de uma quadra.

No diagrama da Figura 01 (a) são identificados:

• par AB (interseção da área A com a área B).

• quadra C (toda na área C).

Portanto, a expressão lógica da saída é S = AB + C. O circuito corresponde é dado em (b) da


figura. Comparando com o circuito obtido para a mesma tabela de verdade no tópico Determinando
circuitos a partir da tabela de verdade, nota-se que a simplificação é considerável.

Cabe lembrar que o diagrama de Veitch-Karnaugh pode ser construído a partir da expressão
booleana no lugar da tabela de verdade. Para o circuito não simplificado do tópico mencionado
(Determinando circuitos a partir da tabela de verdade), a expressão lógica é:

S = A B C + A B C + A B C + A B C + A B C.

20
Basta, portanto, considerar cada parcela como saída 1 no diagrama e os demais quadrados nulos.

Diagrama de Veitch Karnaugh para 4 variáveis

Tabela 01
Comb A B C D S
0 0 0 0 0 0
1 0 0 0 1 1
2 0 0 1 0 1
3 0 0 1 1 1
4 0 1 0 0 0
5 0 1 0 1 1
6 0 1 1 0 0
7 0 1 1 1 1
8 1 0 0 0 1
9 1 0 0 1 1
10 1 0 1 0 0
11 1 0 1 1 1
12 1 1 0 0 1
13 1 1 0 1 1
14 1 1 1 0 0
15 1 1 1 1 1

Seja agora o exemplo, conforme Tabela 01 deste tópico, de uma tabela de verdade com 4
variáveis de entrada e uma saída.

Há 11 combinações com saída 1. Portanto, um circuito montado a partir da tabela, segundo


método já visto, teria 11 portas E de 4 entradas e uma porta OU de 11 entradas.

Por indução, conclui-se que o diagrama de Veitch-Karnaugh para 4 variáveis pode ter pares,
quadras e oitavas. São aplicáveis regras similares às vistas no tópico anterior.

21
Figura 01
O diagrama para a tabela é dado em (a) da Figura 01 deste tópico.

São identificados 3 grupos:

• par A B C

• quadra A C

• oitava D

Assim, a expressão booleana simplificada é:

S=ABC+AC+D

O circuito correspondente é dado em (b) da mesma figura.

Repetindo observação do tópico anterior, elementos nas bordas podem formar grupos. Isso deve ser
sempre verificado, pois uma única omissão invalida o resultado.

22
Figura 02

Nos exemplos da Figura 02 (que não têm relação com o circuito anterior), são identificados:

Em (a):

• quadra BD.

Em (b):

• quadra BD.
• par ABD.

Deve-se também observar que o maior grupo possível contém apenas uma variável. O segundo maior
contém duas variáveis e assim por diante. Portanto, para melhor simplificação, a identificação dos
grupos deve partir dos maiores para os menores.

OU exclusivo (XOR) de duas entradas

Em página anterior, foi dada a definição:

Função lógica tal que, no caso de duas entradas, o valor da saída é 1 se as entradas são diferentes e 0
se as entradas são iguais.

A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0
A tabela de verdade pode ser vista ao lado e a função lógica é simbolizada por:

S=A B
Muitas vezes ela é considerada elementar, mas, na verdade, é implementada com uso dos três blocos
realmente elementares.

Usando o procedimento dado em pode-se montar a expressão lógica e o circuito a partir da tabela
anterior:

S=AB+AB

23
Figura 01
A Figura 01 (a) mostra o circuito correspondente a essa expressão. Portanto,

A B=AB+AB
O símbolo do bloco, também já visto em páginas anteriores, é dado em (c) da mesma figura.

Considerando variáveis genéricas X, Y e Z, as propriedades da álgebra de Boole permitem escrever:

XX = 0
X+0=X
X (Y + Z) = XY + XZ

Portanto, na igualdade pode-se somar AA e BB no lado direito:

A B = AB + AB + AA + BB = A (A + B) + B (A + B) = (A + B) (A + B).

Outra propriedade (teorema de Morgan) diz que XY = X + Y. Assim, a expressão anterior fica:

A B = (A + B) (AB) #B.1#.

E o circuito para essa igualdade é exibido em (b) da Figura 01.

OU exclusivo (XOR) de três entradas

A tabela de verdade pode ser elaborada com uso da propriedade associativa da álgebra de Boole, que
também vale para a função:

S = A B C = (A B) C.

Com os valores de A B da tabela do tópico anterior, monta-se a tabela de verdade. Exemplo:

A B C S
0 0 0 0
0 0 1 1

24
0 1 0 1
0 1 1 0
1 0 0 1
1 0 1 0
1 1 0 0
1 1 1 1
0 0 = 0
0 1 = 1

Isso é o resultado da linha A=0, B=0, C=1.

Os resultados mostram claramente que a definição anterior para duas entradas (ver OU exclusivo
(XOR) de duas entradas) não pode ser mais válida:

A saída da última linha (111) é 1, embora as entradas sejam iguais.

Uma definição mais genérica de OU exclusivo é dada por:

Bloco lógico tal que a saída é 1 se o número de entradas 1 é ímpar e 0 nos demais casos. Essa
definição se aplica para qualquer número de entradas.

Figura 01
A expressão lógica pode ser deduzida da tabela de verdade conforme método dado em Eletrônica
digital IV-10:

S = A B C + A B C + A B C + A B C #A.1#.

O circuito correspondente e símbolo são dados na Figura 01.

Usando procedimento idêntico, pode-se ampliar o bloco para qualquer número de entradas.

Verifica-se agora se é possível simplificar o circuito.

25
Figura 02
A Figura 02 dá o diagrama de Veitch-Karnaugh para as três variáveis,
Não é possível formar pares nem quadras e, assim, conclui-se que o circuito não admite
simplificação.

A mesma situação deverá existir para um número maior de entradas.

Circuito NÃO OU exclusivo (XNOR)

A B C S
0 0 0 1
0 0 1 0
0 1 0 0
0 1 1 1
1 0 0 0
1 0 1 1
1 1 0 1
1 1 1 0
É o inverso do OU exclusivo e, portanto, a definição genérica é: bloco lógico tal que a saída é 1 se o
número de entradas 1 é par e 0 nos demais casos.

Ao lado a tabela de verdade para três entradas.

A expressão lógica da saída é

#A.1#

Evidentemente, o circuito interno é o mesmo anterior com o acréscimo de um bloco NÃO na saída.

Figura 01

26
Desde que é o inverso do OU exclusivo, também não deve haver simplificação conforme tópico
anterior.

O símbolo usual é mostrado na Figura 01 ao lado.

Display de 7 segmentos

O display de 7 segmentos é um dispositivo bastante usado para indicação de valores numéricos.

Figura 01
Desde que ele pode indicar dígitos de 0 a 9 (10 dígitos), a informação binária precisa ter 4 dígitos
binários, pois, com três, só oito valores poderiam ser exibidos.

Pode-se então imaginar um circuito conforme Figura 01.

Nesse circuito, ABCD são as quatro entradas binárias e abcdefg são as saídas para os sete segmentos
do display. A tabela de verdade é dada abaixo.

A B C D a b c d e f g
0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 0
1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 0 0
2 0 0 1 0 1 1 0 1 1 0 1
3 0 0 1 1 1 1 1 1 0 0 1
4 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 1
5 0 1 0 1 1 0 1 1 0 1 1
6 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 1
7 0 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0
8 1 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1
9 1 0 0 1 1 1 1 1 0 1 1
1 0 1 0 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø
1 0 1 1 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø
1 1 0 0 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø

27
1 1 0 1 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø
1 1 1 0 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø
1 1 1 1 Ø Ø Ø Ø Ø Ø Ø
A notação Ø indica valor indiferente (pode ser 0 ou 1), uma vez que não há valor a indicar acima da
combinação 9. O circuito que fornece as entradas deve evitar combinações nesses casos (algumas
vezes, as combinações que sobram, total de seis, são usadas para sinal negativo, sinal de erro e
outros).

Conforme mencionado na primeira página desta série, a informação binária não tem necessariamente
relação com o número binário que ela representa. Por exemplo, para a combinação 0, abcdef tem
1111110. Esse número binário não é igual ao dígito correspondente no display (0). Isso é, na
realidade, um código para o display de sete segmentos.

Um circuito lógico que converte uma entrada para o código do dispositivo é denominado
decodificador.

A própria entrada de 4 bits ABCD, que tem relação direta com o valor decimal, é também chamada de
código BCD.

Diagrama de Veitch Karnaugh para o decodificador do display

Foram dados exemplos de diagramas de Veitch Karnaugh para circuitos com várias entradas e uma
saída. Neste caso são sete, mas, desde que são eletricamente independentes, considera-se que cada
saída é um circuito e pode ser elaborado um diagrama para cada.

Figura 01
Saída a:

a = A + C + BD + BD

Saída b:

b = B + CD + CD

28
Figura 02
Saída c:

c=B+C+D

Saída d:

d = A + BD + CB + CD + BCD

Figura 03
Saída e:

e = BD + CD

Saída f:

f = A + CD + CB + BD

29
Figura 04
Saída g:

g = A + BC + BC + CD

Os valores indiferentes (Ø) devem ser inseridos. Como podem ser zero ou um, supõem-se valores
convenientes para formar grupos os maiores possíveis. Lembrar que, conforme página mencionada,
quanto maior o grupo, menor o número de variáveis e o circuito é mais simples.

Circuito do decodificador para o display

Na Figura 01 abaixo, os circuitos para os segmentos conforme diagrama anterior.

Figura 01

Exemplo de circuito integrado

É evidente que, com os integrados disponíveis, dificilmente alguém irá montar o circuito anterior.
Isso serve apenas para mostrar como funciona. A Figura 01 dá o diagrama de pinos do decodificador
para display CD4511BC da Fairchild Semiconductor.

30
Figura 01
Notar as entradas ABCD e as saídas acbdefg.

VDD: tensão de alimentação (3 a 15 V).


VSS: massa.
LT: teste.
BI: apagar ou modular por pulsos a intensidade dos segmentos.
LT: armazenar o código da entrada.

Entradas não permitidas (valor indiferente nas saídas) produzem saídas nulas.

A adição de interfaces analógicas nas saídas (transistores de potência e/ou outros) permite controlar
displays de grande porte, como os construídos com lâmpadas fluorescentes.

Blocos lógicos elementares - Tabelas para consulta

Nome E OU NÃO OU NÃO E NÃO Flip- Flip- Flip-


(AND) (OR) (NOT) exclusi (NAND OU Flop JK Flop D Flop T
vo ) (NOR)
(XOR)
Símb
olo

Notaç S = A . S = A + S = A S=A S = (A . S = (A - - -
ão B B B B) + B)
Tabel A B S ABS A S ABS ABS ABS J KQ D Q T Q
a de 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 Qa 0 0 0 Qa
verda
de 0 1 0 0 1 1 1 0 0 1 1 0 1 1 0 1 0 01 0 1 1 1 Qa
1 0 0 1 0 1 1 0 1 1 0 1 1 0 0 10 1
1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 1 0 1 1 0 1 1 Qa
Alguns blocos lógicos citados são formados por combinações de blocos elementares, mas são
assim considerados pela importância de suas funções. O bloco NÃO, se junto de outros, pode ser
indicado apenas por um pequeno círculo. Alguns símbolos podem diferir um pouco dos
apresentados na página devido a diferenças de softwares gráficos. A operação de flip-flops depende
também das entradas CK, PR e CL. Ver páginas correspondentes.

31
Circuitos Aritméticos

Introdução

Nas páginas anteriores foram vistos circuitos (ou blocos) que fazem operações lógicas
elementares (E, OU, NÃO) ou expressões delas derivadas.
Observar que operações lógicas não são equivalentes a operações aritméticas, apesar do uso
de alguns sinais aritméticos na álgebra de Boole. Vejamos um exemplo com a função OU.
A expressão lógica S = A + B (lê-se "S igual a A ou B") não equivale à expressão aritmética S = A +
B ("S igual a A mais B"). Basta ver a tabela de verdade do tópico anterior para concluir que a
correspondência falha para A = 1 e B = 1. Podemos dizer, no entanto, que a função OU
EXCLUSIVO é igual à soma aritmética. Mas a semelhança ainda é incompleta. Na operação de
soma, precisamos considerar também um dígito de transporte ("vai um") e a função mencionada não
tem esse recurso. Por essas considerações, podemos esperar que a operação de soma seja executada
por circuitos específicos (somadores), objetos dos próximos tópicos.
Observação sobre o dígito de transporte: a fim de preservar uniformidade com várias outras
fontes, mantemos aqui a notação inglesa, isto é, a letra C ("carry") para representá-lo. Mais
especificamente, usamos Cin ("carry" e "in") se for entrada de circuito e Cout ("carry" e "out") se for
saída.

Circuito meio somador


É um circuito com entradas para dois dígitos binários, uma saída para a soma dos mesmos e uma
saída para o dígito "vai um" C. E a tabela de verdade para isso deve ser conforme Tabela 01.

X Y S C É qualificado de "meio" porque


0 0 0 0 não há entrada para o dígito "vai
0 1 1 0 um", ou seja, ele pode apenas
1 0 1 0 iniciar uma soma, mas não pode
1 1 0 1 dar continuação a uma operação
anterior. É um arranjo básico para
Tab 01 a implementação de somadores
plenos que serão vistos mais
adiante.
A simplicidade da tabela de verdade permite concluir que a saída de soma é a função OU
EXCLUSIVO:

S=X Y

E a saída de "vai um" é a função


E:

C=X.Y

A Figura 01 mostra o diagrama


Fig 01 lógico do meio somador e a
representação em forma de bloco.

32
Na língua inglesa, o circuito é denominado "half adder".

Somador completo I
O meio somador não se presta à soma de números com mais de um dígito. A Figura 01 dá exemplos
de soma comum com 4 dígitos.

Em (a) de dois números decimais


e, em (b), de dois números
binários (não há equivalência
entre eles). Notar que o
procedimento é basicamente o
mesmo para ambas as bases.

Consideramos (para o caso b, é


Fig 01 claro) um somador para cada par
de dígitos.
Podemos então concluir que o meio somador só pode ser usado para o par de bits menos
significativos (mais à direita). Para cada um dos demais pares, deve existir entrada do "vai um" (Cin)
da saída de "vai um" (Cout) da soma do par anterior.

O circuito da Figura 02 executa a


função de somador completo
("full adder" em inglês).

O par de dígitos X e Y é somado


por um meio somador e o
resultado intermediário S1 é
somado com a entrada de "vai um
" (Cin) por um segundo meio
Fig 02 somador.

A saída de "vai um" (Cout) global do circuito é obtida por um bloco OU que recebe as saídas de "vai
um" de ambos os meio somadores. A operação do circuito pode ser confirmada pela tabela de
verdade Tab 4.1.

X Y Cin S1 C1 S C2 Cout A tabela do meio somador (Tab


0 0 0 0 0 0 0 0 3.1 do tópico anterior) pode ser
0 1 0 1 0 1 0 0 usada para obter os valores
1 0 0 1 0 1 0 0 intermediários (S1, C1 e C2) e o
1 1 0 0 1 0 0 1 final S.
0 0 1 0 0 1 0 0
0 1 1 1 0 0 1 1 Os valores de Cout podem ser
deduzidos pela soma aritmética
1 0 1 1 0 0 1 1
das entradas X, Y e Cin.
1 1 1 0 1 1 0 1
Tab 01

33
Uma vez obtidos esses valores, se analisamos em função de C1 e C2, vemos que correspondem à
função OU, o que corresponde ao circuito apresentado.

Somador completo II
Da Tabela 01 do tópico
anterior, podemos tirar a
expressão de Cout em função
das entradas X, Y e Cin:

Cout = XYCin + XYCin +


XYCin + XYCin

A Figura 01 é o diagrama de
Veitch-Karnaugh para essa
Fig 01
expressão.
O diagrama permite a
simplificação com os três pares
formados:

Cout = XY + CinX + YCin

E o respectivo circuito é dado


na Figura 02.

Fig 02

Para a saída de soma S, o


diagrama é dado na Figura 03.

Não há simplificação possível


e, equivale ao circuito OU
EXCLUSIVO de 3 entradas:

S = X Y Cin ou

Fig 03 S = (X Y) Cin

Com essa expressão e o


circuito anterior (Figura 02),
podemos montar o diagrama de
um somador completo (Figura
04).
É um arranjo distinto do
somador completo do tópico
anterior, mas executa função
idêntica.
Fig 04

34
Exemplo: somador de 4 dígitos
Os somadores completos vistos anteriormente permitem a formação de conjuntos para somar
números de quaisquer quantidades de dígitos.

A Figura 01 dá um arranjo para a


soma de dois números binários de
4 dígitos (X3X2X1X0 e
Y3Y2Y1Y0), de acordo com o
procedimento aritmético da
Figura 01 do tópico Somador
completo I. O resultado é o
número S3S2S1S0 mais "vai um"
(Cout) se houver
O bloco 0 pode ser um meio
Fig 01 somador ou um somador
completo com Cin = 0.

Complementos
O conceito de complemento é usado quando há necessidade de representação de números negativos
no processamento digital. Consideramos, por exemplo, que trabalhamos com números binários de 8
dígitos (ou bits) e desejamos representar apenas números inteiros.

Se não há necessidade de números negativos, os 8 bits podem representar, em binário, números de


00000000 a 11111111 (0 a 255 em decimal ou 0 a 28 - 1). Totalizando portanto 256 números.

Um método de indicar números negativos é considerar o bit mais significativo (mais à esquerda)
como bit de sinal: 0 indica nulo ou positivo e 1, negativo.

Assim, no conjunto considerado de 8 bits, o maior positivo é 27 - 1 = 127. Com o zero, temos agora
127 + 1 = 128 para zero e positivos. Sobram portanto 128 para os negativos e o menor deve ser -128.

O complemento de um é uma das formas de se obter o correspondente negativo para um número na


convenção de sinais mencionada. É obtido pela simples inversão de todos os dígitos no número,
como se a função lógica NÃO fosse aplicada a cada. Exemplo:

Seja o número decimal 45. Em binário de 8 bits: 00101101. Complemento de 1: 11010010. Ora, se o
complemento indica o negativo do número, a soma de ambos deve ser nula: +45 + (-45) = 0. Mas se
fizermos a soma 00101101 + 11010010, encontraremos 11111111. Para obter zero, precisamos
somar 1 e desprezar o dígito "vai um " (Cout). O método foi usado em máquinas mais antigas.

O complemento de dois é obtido pela adição de 1 ao complemento de um. Exemplo para o número
45:

Em binário de 8 bits: 00101101. Complemento de 1: 11010010. Adicionando 1, temos o


complemento de 2: 11010010 + 1 = 11010011. Se agora somamos o número e o seu complemento de
dois: 00101101 + 11010011 = 100000000. Esse resultado pode ser considerado zero porque o 1 à

35
esquerda é o "vai um" (Cout) e não mais pertence ao conjunto de 8 bits (é a nona posição na
seqüência da direita para a esquerda).

Portanto, o complemento de dois é um método mais consistente e certamente o mais usado nas atuais
máquinas digitais. Observar, por exemplo, o complemento de dois de zero (00000000) = 11111111 +
1 = 100000000. O resultado, como seria esperado, é também zero, de acordo com o comentário do
parágrafo anterior.

Subtração
Podemos construir circuitos para subtração de forma bastante similar aos de adição já vistos.
Teremos então o "meio subtrator" e o "subtrator completo". Entretanto, se adotada a convenção de
sinal do tópico anterior, é mais comum o uso de somador e complemento, isto é, a subtração de dois
números equivale à soma do primeiro com o complemento do segundo.

O circuito da Figura 01 é o
somador de 4 bits do tópico
Exemplo: somador de 4
dígitos com portas NÃO nas
entradas Y. Fazendo Cin do
somador 0 igual a 1, esse valor
é somado ao complemento de
1 da entrada Y, resultando no
seu complemento de 2, que é
somado com X. Portanto,
temos na saída o resultado de
X - Y.

Fig 01

36