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Acórdão do Tribunal Central Administrativo Norte

 

Processo:

Processo:
Processo:

00636/09.4BEPRT

Secção:

1ª Secção - Contencioso

Administrativo

Data do Acordão:

Data do Acordão:
Data do Acordão:

03-02-2012

Tribunal:

Tribunal:
Tribunal:

TCAN

Relator:

Maria Fernanda

Antunes Aparício

Duarte Brandão
Duarte Brandão

Duarte Brandão

Descritores:

ESTATUTO DISCIPLINAR DL N.º 24/84 DEVER CORRECÇÃO PROCESSO DISCIPLINAR

) A violação do dever de correcção não se manifesta somente através de actos e palavras, mas também através de um comportamento, de uma atitude de desrespeito, de afronta que foi o que ocorreu no caso em apreço; B) Viola o seu dever de correcção, previsto no artigo 3.º, n.º 4, alínea f) e n.º 10 do ED (Decreto-lei n.º 24/84, de 16 de Junho) o colaborador que, com o intuito de afrontar os seus superiores hierárquicos, medindo forças com os mesmos, abandona o serviço uma hora antes do previsto no seu horário de trabalho, sendo certo que aqueles já lhe haviam reafirmado por escrito que o mesmo deveria de cumprir o seu horário de trabalho por completo;

No que concerne ao dever de correcção, não se vislumbram factos onde possa tal dever ter sido infringido, porquanto na acusação em momento algum se refere ter havido uma postura menos correcta ou alguma atitude de falta de respeito por quem quer que seja; sendo que a ausência só por si não implica directamente a violação do dever de respeito.

05302/09

05302/09
05302/09
 

Secção:

Secção:

CA - 2.º JUÍZO

Data do Acordão:

Data do Acordão:
Data do Acordão:

22-11-2012

Relator:

ANA CELESTE

CARVALHO
CARVALHO

CARVALHO

Descritores:

PROCESSO DISCIPLINAR, GUARDA PRISIONAL, DEVERES DE OBEDIÊNCIA E CORREÇÃO, PEDIDO DE REDUÇÃO DA ORDEM A ESCRITO

Configura a prática da infração disciplinar por violação do dever de correção em relação a

 

colega e ao seu superior hierárquico, a adoção de atitudes menos corretas, como o responder

de forma agressiva e mal educada, falando alto e protestando por estar a ser acordado e

 

entrar em situação conflitual.

 

. Apurando-se que o arguido agiu livre, consciente e deliberadamente, quanto à prática das

 

infrações disciplinares, por violação dos deveres de obediência e de correção, não existem

 

motivos para pôr em crise a valoração dos factos feita pelo instrutor do processo disciplinar,

designadamente no tocante ao elemento da culpa.

 

Mas ainda que se entenda que o Recorrido violou o dever de correção, é certo que do processo disciplinar, designadamente do Relatório Instrutor, não resulta que o tenha feito com negligência grave ou grave desinteresse pelo cumprimento de deveres profissionais, nem tão-pouco tais imputações foram alegadas ou provadas.

Configura a prática da infração disciplinar por violação do dever de correção em relação a colega e ao seu superior hierárquico, a adoção de atitudes menos corretas, como o responder de forma agressiva e mal educada, falando alto e protestando por estar a ser acordado e entrar em situação conflitual.

00344/08.3BEPRT

00344/08.3BEPRT
00344/08.3BEPRT
 

Secção:

1ª Secção - Contencioso

 

Administrativo

Data do Acordão:

Data do Acordão:
Data do Acordão:

18-02-2011

Tribunal:

Tribunal:
Tribunal:

TAF do Porto

Relator:

Lino José Baptista

Rodrigues Ribeiro
Rodrigues Ribeiro

Rodrigues Ribeiro

Descritores:

PROCESSO DISCIPLINAR APRECIAÇÃO DAS PROVAS PENAS DE SUSPENSÃO E DE MULTA CONTROLE JUDICIAL DE CONCEITOS INDETERMINADOS.

Os factos consubstanciam a violação do dever de correcção. Foram dadas como provadas condutas que demonstram gravidade e desrespeito pelos colegas de profissão e pela dignidade do trabalho desenvolvido, porque praticadas no local de trabalho, por funcionário com bastantes anos de casa, por motivo fútil (conforme se demonstra das declarações das testemunhas) e sem que sequer o Autor tenha presenciado directamente os factos que constituíram a motivação para a prática do ilícito disciplinar;

Pela facticidade, dada como provada, a gravidade da infracção e a censura ético - jurídica do arguido atingem acentuada gravidade. Face aos factos dados como provados, o arguido atentou contra um dever fundamental, de correcção, perante um colega. O arguido tem de ter um contacto exemplar com os colegas. É certo que estamos perante um funcionário que é um fiscal e não um licenciado ou técnico superior com um outro grau de exigência comportamental. O mesmo comportamento tem um grau de culpa diferen

Se qualificássemos a violação do dever de correcção como desrespeito «grave» de um colega, que ocorreu no local de

serviço ou em serviço público, teríamos que enquadrá-la na pena de demissão. Só que essa pena não poderia ser aplicada por falta do pressuposto delimitador desse subtipo de infracção, ou seja, por não estar demonstrado que a infracção inviabiliza a manutenção da relação funcional. E tendo ocorrido no local de serviço, também fica excluída a possibilidade de subsunção na infracção punida com a pena de inactividade.

O dever de correcção previsto nesta norma consubstancia-se na obrigatoriedade do trabalhador, em serviço, tratar com cortesia, boa educação, polidez e urbanidade os utentes, os superiores hierárquicos e os demais trabalhadores dos serviços públicos. No relacionamento entre trabalhadores do mesmo serviço, a exigência de um tratamento educado e urbano é mesmo uma condição essencial ao regular funcionamento da Administração. Como ensina Marcello Caetano, «este dever não impõe ao funcionário que mantenha relações de intimidade, amizade ou cordialidade, sequer, com os outros funcionários, superiores ou não. Apenas exige que, em serviço, ponha de banda ressentimentos, inimizades ou rivalidades, tendo em mente que não estão em causa as pessoas, mas o exercício de funções cujo desempenho regular e harmonioso é indispensável ao regular funcionamento da Administração e, por conseguinte, à satisfação dos interesses públicos» (cfr. Manual. Vol. II, pág. 724). Dada a descrição legal da infracção, pode dizer-se que verificada a incorrecção da conduta, está legitimada a possibilidade de em abstracto haver lugar à aplicação da pena de multa, sem que a Administração tenha que provar que tal conduta revela «negligência» ou «má compreensão dos deveres funcionais». Todavia, se o comportamento do infractor demonstrar «grave negligência» ou «grave desinteresse» no cumprimento dos deveres funcionais e o juízo de censura desse comportamento assumir particular intensidade, revelando-se intolerável ou inaceitável, segundo a compreensibilidade de um empregador normal, pode ser adequado enquadrar a infracção no âmbito as infracções punidas com a pena de suspensão.

Há um despeito de um colega de profissão, presenciado por outros trabalhadores, mas não se pode dizer que assumiu uma intensidade tão grave que só uma pena de suspensão é capaz de corrigir e melhorar a conduta do arguido.

00121/04.0BEPRT

00121/04.0BEPRT
00121/04.0BEPRT
 

Secção:

1ª Secção - Contencioso

Administrativo

Administrativo

Data do Acordão:

Data do Acordão:
Data do Acordão:

28-09-2006

Tribunal:

Tribunal:
Tribunal:

TAF do Porto

Relator:

Drº Carlos Luís

Medeiros de Carvalho
Medeiros de Carvalho

Medeiros de Carvalho

Descritores:

PODER DISCIPLINAR. NATUREZA. PODERES PRONÚNCIA TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS.

ART. 71º CPTA
ART. 71º CPTA

ART. 71º CPTA

Sumário:

I. O exercício da acção disciplinar, mormente, a decisão de instaurar ou não procedimento, envolve e dota o detentor deste dum poder que, para além da observância de critérios de legalidade, comporta ainda juízos de apreciação sobre a conveniência e oportunidade no seu exercício à luz dos interesses do serviço, juízos esses que só o próprio serviço estará em condições de apreciar e ponderar, explicitando-os e fundamentando-os. II. Em matéria do exercício da acção disciplinar não podemos de deixar de considerar como vinculada a actividade da Administração em matéria da competência da entidade para a instauração do processo, ou a actividade da

 

mesma quando, no momento liminar, avalia da situação veiculada para apurar se houve ou não infracção disciplinarmente censurável e decide pelo arquivamento do auto, participação ou queixa, fundando-o em inexistência de infracção disciplinar por os factos não integrarem qualquer violação de deveres que impendam sobre o(s) agente(s) ou funcionário(s) visado(s), em existência de circunstância dirimente ou que exclua a responsabilidade disciplinar, em amnistia, em prescrição. III. Sobre o auto, participação ou queixa disciplinar apresentados ou deduzidos recai sobre a Administração o dever de decidir, de emitir pronúncia sobre aquele registo que desencadeou procedimento administrativo [arts. 50.º, 27.º, n.º 1, al. a) do ED], não estando a Administração subtraída ao cumprimento do referido dever. IV. As acções administrativas especiais de condenação à prática do acto devido têm por objecto sempre a pretensão do interessado e, nessa medida, mesmo em face dum acto de recusa (recusa de emissão de decisão favorável ou recusa de apreciação do requerimento) este meio contencioso dirige-se não à anulação contenciosa daquele acto de recusa mas, ao invés, à condenação da Administração na prolação dum acto que, substituindo aquele, emita pronúncia sobre o

 

caso concreto ou que

venha a dar satisfação à pretensão deduzida. V. Não estamos aqui

face a um “processo

feito a um acto”, visto

estarmos em presença dum processo de plena jurisdição cujo objecto diz respeito à pretensão material do interessado, à relação material controvertida que se constituiu e que remete para o tribunal o dever de analisar e decidir do mérito daquela pretensão. VI. Nessa medida mostra-se desnecessária a dedução de pedido de anulação, de declaração de nulidade ou de inexistência do acto de indeferimento porquanto resulta directamente da pronúncia condenatória a eliminação da ordem jurídica daquele acto (art. 66.º, n.º 2 do CPTA). VII. A dedução duma pretensão condenatória à prolação de acto devido não se reconduz unicamente àquelas situações em que o

“acto devido” é um acto

cujo conteúdo se mostra legalmente “pré- determinado” por

exercido ao abrigo de poderes estritamente vinculados, mas também às situações em que a Administração age no âmbito de poderes discricionários. VIII. Dado o exercício do poder de decisão de instaurar ou não o procedimento disciplinar não ser, nos termos legais, totalmente vinculado quanto a todo o seu possível conteúdo temos que sobre a Administração não impende um dever

 

estrito de praticar um acto com um único/exclusivo e determinado conteúdo e, nessa medida, não assiste o direito a exigir a prática de acto a instaurar automaticamente com a queixa/participação o procedimento disciplinar contra o visado. IX. Não integrando ou preenchendo minimamente os factos participados previsão normativa susceptível de constituir ilícito disciplinar a decisão de arquivar, não instaurando procedimento disciplinar, mostra-se a

adequada e devida “in casu”, improcedendo,

desta feita, a pretensão material deduzida. X. Face à natureza deste tipo de processo temos que, salvo pretensão de condenação da

Administração à prática de acto conforme a exigências formais previstas na lei, os vícios formais de que padeça o acto administrativo recusado/omitido tenderão a ser relevados quando

substancialmente legal, até por efeito do próprio princípio do

“aproveitamento” de

actos administrativos

formalmente ilegais.

Como refere o Dr. Manuel Leal-Henriques (in: “Procedimento Disciplinar”,

3ª edição, p. 41) no dever de correcção “(

...

)

o servidor deve exercer as suas

funções com total respeito pelos utentes do serviço, pelos colegas e pelos superiores

hierárquicos (

...

)”.

Trata-se dum dever que se prende e encontra seu fundamento nas

necessidades da própria vida social, porquanto esta reclama de cada

um o cumprimento das chamadas normas de “cortesia” ou de “boa educação” consagradas nos usos e costumes. Assim, estando os funcionários ou agentes integrados num serviço, entendido como unidade de trabalho, não é de todo indiferente para o utente e para aqueles que ali prestam funções o tipo de relações que ali são estabelecidas interna e externamente. Nessa medida, o dever em referência traduz-se na obrigação dos funcionários e agentes actuarem, tanto entre si (por relação a superiores, inferiores e colegas) como em relação ao público utente, com bom trato, com correcção normalmente exigida. Como refere a este respeito o Prof. Marcello Caetano “(…) este dever

não impõe ao funcionário que mantenha relações de intimidade, amizade ou cordialidade, sequer com outros funcionários superiores ou não. Apenas exige que, em serviço, ponha de banda ressentimentos, inimizades ou rivalidades, tendo em mente que não estão em causa as pessoas mas o exercício de funções, cujo desempenho regular e harmónico é indispensável ao regular funcionamento da Administração e, por conseguinte, à satisfação dos interesses públicos. As rixas ou divergências pessoais não devem reflectir-se na marcha dos serviços ou na sua

disciplina (…)” e reportando-se ao dever por referência com os utentes

do serviço refere “(…) o dever de urbanidade para com o público implica a diligência em escutar e receber as pretensões e reclamações apresentadas e, bem assim, a prestação solícita das informações que não contendam com o dever de

sigilo profissional (…).”

Para além disso, temos que se o funcionário ou agente deve tratar com correcção os demais funcionários e utentes dos serviços públicos, por maioria de razão, deve abster-se de ofendê-los, ferindo a sua honra, consideração e dignidade, traduzindo-se a infracção a estes valores na violação do dever de respeito.

Para além disso, temos que se o funcionário ou agente deve tratar com correcção os demais funcionários e utentes dos serviços públicos, por maioria de razão, deve abster-se de ofendê-los, ferindo a sua honra, consideração e dignidade, traduzindo-se a infracção a estes valores na violação do dever de respeito.

Para que ocorresse tal violação e constituição em responsabilidade disciplinar por violação dos deveres de correcção e de respeito era necessário que o escrito em questão se traduzisse em falta de respeito e de consideração pelas qualidades intelectuais, morais ou profissionais da A., o que, efectivamente, não descortinamos.