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ÍNDICE

1. Prefácio ..................................................................................................................02

2. Apresentação ...................................................................................................... 03

3. Etapas do texto jornalístico ............................................................................ 06

4 Dicas e normas gramaticais ............................................................................ 10

5. Regras de acentuação e uso da crase ............................................................ 20

6. Padrões e Convenções ...................................................................................... 24

7. O que se deve evitar ......................................................................................... 30

8. Uso da imagem nos veículos impressos .................................................... 40

9. Glossário jornalístico ....................................................................................... 47

10. Bibliografia .................................................................................................... 59


Prefácio

O afastamento de professores de sala de aula, por diversos motivos,


nos faz contratar professores substitutos, para ministrarem as disciplinas
de responsabilidade desses docentes, por, no máximo, dois semestres.
Um desses professores substitutos é a professora Mônica Reis, que
apresentou como projeto de atividade a elaboração de um Manual de
Redação. Um desafio aceitado pelos alunos tão logo foi feita a proposta.
Ao final do primeiro semestre de 2002, o Manual estava pronto,
aprovado pelo Departamento de Jornalismo para fazer parte da página
da Faculdade de Comunicação Social, com a possibilidade de ser impresso.
Apesar de pronto, a intenção é a de atualizarmos permanentemente,
pois sempre há o que acrescentar, principalmente com o dinamismo do
nosso curso.
Esperamos, com isso, ter dado mais um importante passo para
consolidar o trabalho que os professores da Faculdade de Comunicação
Social da UERJ, em especial do curso de Jornalismo, têm feito pela melhoria
da formação de nossos alunos. Assim como acreditamos estar colaborando
cada vez mais com os anseios dos futuros profissionais.

João Pedro Dias Vieira


Chefe do Departamento de Jornalismo
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Manual de Redação e Estilo

Apresentação

Noticiar os fatos aos seus leitores constitui um importante dever social


do jornalista. Levar ao conhecimento da população acontecimentos de
utilidade pública exige, porém, uma sólida formação social e rígidas normas
quanto à utilização de seu principal instrumento de trabalho: a língua.
Grandes veículos de comunicação, visando adequar o uso lingüístico
ao público que pretende alcançar, lançam manuais de redação e estilo:
verdadeiros mapas pelos quais os jornalistas devem se guiar na difícil tarefa
de bem informar.
Mas qual é a utilidade do Manual de Redação e Estilo?
Se o dicionário é o pai dos burros como ironicamente já diz o jargão
popular, o Manual de Redação e Estilo é o pai dos ignorantes, que
desconhecem as técnicas, os padrões e os procedimentos do texto
jornalístico.
De burros e ignorantes, quem consulta dicionários e manuais não têm
nada. São escritores, que estão sempre procurando a maneira correta de se
expressar, de tornar o texto mais claro, objetivo, direto, conciso. Como já
dizia Carlos Drummond de Andrade, “escrever é a arte de cortar palavras”.
É preciso ter poder de síntese.
Desta forma, como escrever um bom lead? Como saber se a expressão
a parte tem ou não crase? Foi com esse objetivo que desenvolvemos o
Manual de Redação e Estilo da Uerj. Nossa intenção é que a partir de
agora ele seja o fiel escudeiro, o amigo inseparável, o livro de cabeceira de
todos que se alimentam da ética jornalística e tem por objetivo exercer
com dignidade a profissão.
Um manual de redação não é uma cartilha a ser seguida sempre à risca
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pelos usuários. Ele se destina, especialmente, a guiá-los em cada passo do

Manual de Redação e Estilo


dia-a-dia da profissão e a estabelecer as resoluções e ideologias próprias
de cada veículo ou instituição.
Nesta primeira edição, o Manual de Redação e Estilo da Uerj traz
propostas básicas a serem seguidas pelos alunos de jornalismo na
construção dos jornais produzidos pela faculdade.
Temos também que levar em conta que, apesar de integrarmos um
ambiente acadêmico, estamos lidando com um público jovem, com o
qual nos comunicaremos numa linguagem menos formal.
Por isso pretendemos que o Manual seja uma ferramenta eficiente
para sanar dúvidas e desfazer discordâncias. Sendo assim, a criatividade de
alunos e professores passa a ter um veículo capaz de diminuir o esforço
gasto com definições de regras, além de proporcionar um incremento no
tempo útil dedicado à produção de idéias e trabalho inovadores.
O público que tem acesso às publicações elaboradas pela Universidade
é bastante variado. Dessa forma, para que possa atingir o maior número
de leitores possível, é necessário que haja um denominador comum em
relação principalmente, à linguagem. Do contrário, correríamos o risco de
excluir parte dos leitores a quem as notícias interessam.
A clareza do texto é muito importante, já que temos de pensar que o
leitor poderá não compreender a matéria e o jornalista não estará presente
para explicar, correndo o risco de a notícia ser deturpada.
Definir o que é notícia é bastante complexo. Requer uma decisão do
jornalista. Neste ponto, o jornalismo não tem como ser imparcial. Use o
bom senso e coloque-se no lugar do leitor, tanto para saber se a informação
vale ou não como notícia, quanto para determinar os dados que o texto
jornalístico deve conter.
A partir de agora, você está convidado a descobrir e aprender nas
páginas a seguir as etapas do texto jornalístico, palavras e expressões que
devem ser evitadas, padrões e convenções que darão uma cara ao seu
veículo, dicas gramaticais, regras de acentuação e muito mais. Bom trabalho!
Etapas do texto jornalístico

Reunião de pauta – define quais Redação – ação de escrever o


assuntos serão abordados e o espaço texto, a partir das informações
que eles terão na edição do dia. apuradas.
Participam das reuniões de pauta o
editor-chefe e os chefes das diversas Edição – supervisão da matéria que
editorias. A pauta jamais é um o repórter escreveu. A revisão,
elemento fechado, pois a realidade geralmente realizada pelo redator
pode impor a necessidade de abor- pode ser relativa ao uso da língua
dagem de novos assuntos. portuguesa ou ao conteúdo do
texto. Títulos, sub-títulos, que
Apuração – levantamento e che- posição a matéria vai ocupar nas
cagem de uma notícia. O repórter, páginas da edição são atribuições do
orientado pelo chefe da editoria ou editor. O repórter não só pode
pelo chefe de reportagem sai para como deve sugerir títulos.
cobrir um fato considerado de
relevância para os leitores. Alguns Fechamento – quando a for-
tipos de apuração são feitas por matação da página está quase
telefone e, até mesmo, por meio acabada e a matéria sofre as últimas
eletrônico. A reportagem pode adaptações para ser impressa.
concentrar-se não apenas num
acontecimento factual. Ela pode Lead – palavra que em inglês
abordar um tema considerado significa “guia”, tem por finalidade
importante, mas não urgente. A isso orientar a leitura, seduzindo o leitor
dá-se o nome de matérias frias. a partir de suas primeiras linhas. No
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lead clássico o repórter deve De maneira geral, o título deve
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responder as seguintes perguntas: conter a idéia do parágrafo inicial,


QUEM faz O QUÊ; COMO; sem repetir exatamente as palavras
ONDE; QUANDO e POR QUÊ. e a construção inicial do texto. Deve
se usar sempre um verbo de ação,
OBS: Caso a matéria seja muito da seguinte forma:
complexa, admite-se que o parágrafo
seguinte (sublead) contenha alguns dos 1. fatos no presente ou passado
itens do sexteto essencial. O bom próximo: nesses casos os verbos
lead é aquele que prende a atenção usados no título devem estar no
do leitor. O que ele apresenta, o resto presente.
da matéria deve detalhar, sem Ex: “Malan anuncia aumento de
omissão. O espaço e a posição das impostos para cobrir CPMF”.
informações dependem da im- (O GLOBO, 17/04/2002)
portância das mesmas. Graficamente,
recomenda-se que o lead tenha de 2. fatos no passado mais distante:
quatro a cinco linhas de 75 toques verbo do título no passado,
(duas ou três frases). principalmente quando o título
contêm algum elemento que situe a
Pirâmide invertida – nesta notícia no tempo.
disposição a matéria tem as Ex: “Inflação em 1976 foi de 35%”.
principais informações no início do
texto e as menos importantes nos 3. fatos que vão acontecer: pode-
demais parágrafos em ordem se usar o presente se a data ou época
decrescente de importância. estiverem indicadas no título.
Quando o futuro é distante, aban-
Título – é a “propaganda” da dona-se o presente.
notícia. Deve concentrar-se no fato
que mais desperta a atenção do 4. situações de impasse ou inde-
leitor. Não deve prometer mais do cisão: o melhor título é aquele que
que contém ou afirmar algo que não represente de forma mais dramá-
exista na matéria. tica a perplexidade do momento.
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Entretítulo – não deve ser usado

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em textos pequenos (até quatro
parágrafos), a não ser quando o
assunto muda ou para chamar a
atenção para algo muito im-
portante. Não deve ultrapassar uma
linha de 35 toques. Deve ser colado
entre cada dois parágrafos.
Dicas e normas

Concordância Hífen
Nominal – quando o adjetivo O hífen (-) é usado:
concorda com o substantivo em a) para ligar os elementos de pala-
gênero e número. vras compostas ou derivadas por
Verbal – quando o verbo concor- prefixação.
da com o sujeito em pessoa (1ª, 2ª Ex: couve-flor, segunda-feira,
ou 3ª) e em número (singular ou guarda-marinha, super-homem,
plural). pré-escolar, ex-presidente.
b) para unir pronomes átonos a
Segundo a nor ma culta, são verbos.
aceitáveis três tipos de concor- Ex: infor maram-me, retive-o,
dância: A rígida (ou gramatical), a mostrá-la-ei.
atrativa (por proximidade) e a c) para, no fim da linha, separar um
ideológica (idéia subentendida). vocábulo em duas partes.
Ex: enfermei-/ro, enfer-/meiro,
Observações en-/fermeiro
A concordância atrativa só é d) hífen em prefixos: ver tabela na
aceitável quando o sujeito com- página 22.
posto está invertido.
A concordância atrativa ou Palavras compostas, emprego do
ideológica só é aceitável se o núcleo hífen
do sujeito simples estiver no plural. Usa-se hífen em palavras com-
postas:
Casos especiais 1 – quando a associação dos ele-
Olhar tabela na página 21. mentos ganha um sentido diferente
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daqueles exprimidos nos com- Algumas palavras que causam
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ponentes isolados. dúvidas: Instituto Médico-Legal,


Ex: arco-íris; pára-choque; pé-de- maus-tratos, manga-larga, infra-
meia. estrutura e marcha-a-ré. Vaivém,
dona de casa, estado de sítio, fim
2 – quando o primeiro elemento
de semana.
tem função adjetiva.
Ex: anglo-brasileiro; austro-
Plural das palavras compostas
húngaro; greco-romano.
1) sem hífen
3 – nas combinações, quando ele Terminadas em:
exprime relação, acordo. E: pontapés; L: girassolis; M:
Ex: Brasil-Argentina, combinado lobisomens
Rio-São Paulo.
2) com hífen
4 – a ligação é de tempo ou espaço.
a) Quando os dois termos variam
Ex: Estrada Rio-Petrópolis;
– substantivo + substantivo
período 2000-2002.
Ex: couves-flores
5 – à-toa, quando é uma locução – substantivo + adjetivo
adjetiva, como nos exemplos: Ex: cachorros-quentes
Sempre foi um homem à-toa (sem
– numeral + substantivo
utilidade, sem função ou valor); o
Ex: segundas-feiras
rádio só precisou de um conserto
à-toa (fácil, sem esforço). A locu- b) Quando o primeiro varia
ção adverbial não tem hífen: o alu- – palavra composta com preposição
no discutia à toa (em vão). Ex: pés-de-moleque; grãos-de-bico
– substantivo + substantivo com
Observações valor de adjetivo (invariável)
Emprega-se o hífen em dia-a-dia Ex: bombas-relógio; peixes-espada;
quando se refere à rotina diária, ao canetas-tinteiro.
cotidiano. Já dia a dia é cada dia ou
todos os dias, como em: O curso c) Quando o segundo varia
se aprimora dia-a-dia. – verbo + substantivo
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Ex: guarda-chuvas; beija-flores. Aurélio, há plurais de compostos

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– reduplicação formados em desacordo com os
Ex: reco-recos; lambe-lambes. preceitos acima. Em dois casos não
– advérbio + adjetivo há qualquer dúvida: quando o pri-
Ex: abaixo-assinados; auto-falantes. meiro termo é verbo ou palavra
invariável (guarda-roupa, grão-du-
– prefixo + substantivo
que, vice-líder), só o segundo va-
Ex: super-homens; vice-reis.
ria; quando há uma preposição li-
– adjetivos compostos
gando o primeiro ao terceiro ter-
Ex: greco-romanos; azul-claros;
mo (pão-de-ló, mulato-sem-cabe-
sócio-político-econômicos.
ça), só o primeiro varia. Nos de-
mais casos, é recomendável a con-
d) Quando nenhum dos dois varia
sulta a dicionários e ao Vocabulário
– cor + substantivo
Ortográfico da Língua Portuguesa
Ex: azul-piscina; verde-garrafa.
(onde há a grafia e classe gramatical
– verbo + termos invariáveis Ex: de aproximadamente 450 mil pa-
bota-fora; cola-tudo. lavras). Mas, mesmo assim, pode
– expressões substantivadas não se encontrar uma só e inequí-
Ex: disse-me-disse; chove-não- voca forma.
molha.
– verbo + verbo Regência
Ex: sobe-e-desce; leva-e-traz. Os verbos são intransitivos
quando exprimem uma idéia
Importante completa, não pedindo comple-
A consulta a diferentes gramá- mento. São transitivos quando
ticas e dicionários comprova que exigem complemento. Os transitivos
não há consenso, entre os gramáti- diretos não pedem preposição, os
cos e lingüistas, para a formação indiretos sim. Essa ligação com os
do plural em palavras compostas. complementos é a regência.
Celso Cunha e Lindley Cintra reite- Uso das preposições:
ram que a questão não é fácil. Em A, ANTE, ATÉ, APÓS
vários dicionários, como o Novo COM, CONTRA
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DE, DESDE, Verbos e exemplos
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EM, ENTRE Ajudar


PARA, PER, PERANTE, POR, Ex: Eles ajudam (T.D.) os mais
SEM, SOB, SOBRE, pobres (O.D.)
TRÁS Assistir (=ver)
Ex: Os torcedores assistiam (T.I.)
* verificar relação na página seguinte ao jogo (O.I.)
Assistir (= ajudar, socorrer)
Regência Nominal Ex: A enfermeira assiste (T.D.) o
Refere-se ao nome (substantivo doente (O.D.)
ou adjetivo).
Aspirar (= cheirar)
Todo complemento nominal tem
Ex: Aspiraram (T.D.) um ar puro
preposição.
(O.D.)
Fez referência a
Aspirar (= desejar)
Tem necessidade de
Ex: O governador aspira (T.I.) a
Está próximo a/de
cargos mais altos (O.I.)
É ávido por
Gostar
Ex: Você gostou (T.I.) de estudar
Regência Verbal
(O.D.)
Primeiramente, deve-se analisar a
transitividade do verbo Obedecer
Os alunos sempre obedeciam (T. I.)
T.D. – transitivo direto / O.D. –
ao professor (O.D.)
objeto direto.
Preferir (T.D. e Bitransitivo)
T.I. – transitivo indireto / O.D. – Ex: Ela preferiu o outro emprego
objeto indireto (O.D.) / Eles preferem Rock (O.D.)
Bitransitivo – que pede simulta- a Jazz (O.I.)
neamente dois complementos: Referir
objeto direto e objeto indireto; Ex: O patrão se referiu (T.I.) a você
biobjetivo, transitivo direto e indi- (O.I.)
reto, transitivo relativo (ex.: o verbo Ver
dar, em dar agasalho aos pobres) Ex: Ele viu (T.D.) o acidente (O.D.)
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Preposição precaução, prevenção, protesto,

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É muito comum o uso impró- queixa, revolta (do).
prio das preposições, e a clareza
Preposição de: amante, ávido, certo,
de uma informação, não raro,
chegada, digno, escasso, estreito,
depende de seu uso inequívoco.
grande, medo (de ou a), notícia,
Abaixo, segue uma lista de subs-
receio, saudade, uso, vinda,
tantivos, adjetivos e advérbios e
zombaria.
suas respectivas preposições (do
“Novo manual de português”, de Preposição em: apoiado, bacharel,
Celso Pedro Luft) – de uso mais confiado, crente, doutor, entendido,
freqüente na língua. fé, for mado, hábil, indeciso,
interesse (em ou por), lento,
Preposição a: acostumado, amor, mediano, negligente, obstinado,
benéfico, contíguo, devido, favo- perito, permanência, versado.
rável, fiel, guerra, horror, igual, leal,
Preposição entre: acordo, colisão,
necessário, nocivo, oblíquo, paralelo,
entendimento, harmonia, igualdade,
proveitoso, rebelde, sensível, surdo,
junção, ligação, oscilação, pacto,
temível, último, útil, viagem, volta
relação, união, vínculo.
(a ou para).
Preposição para: apto (para ou a),
Preposição com: analogia, bom,
bom, cedo, convite, ida, licença
bondoso, caridoso, casado, con-
(para ou de), jeito, mudança, partida,
formado, contente, encontro,
queda, traduzido (para ou em),
franco, furioso, generoso, (in)-
virado, voltado.
compatível, (in)tolerante, junto,
liberal, mau, misericordioso, na- Preposição por: amor, apaixonado,
moro, parentesco, severo, solícito, carinho, doido, empenho, esforço,
tolerante, triste, zangado. felicitações, gosto, lamento, louco,
luta, morto, notável, permuta, reza,
Preposição contra: acusação,
troca, veneração.
antídoto, conspiração, fúria, guerra,
impotente, investida, litígio, luta, Preposição sobre: acordo, artigo
manifestação, objeção, pecado, (capítulo, ensaio, escrito, livro),
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balanço, curso, decisão, dúvida, vocação”, e sim “O momento em
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explicação, fala, hegemonia, idéia, que descobri minha vocação”.


influência, juízo, lição, meditação,
opinião, predomínio, reflexão, Pontuação
silêncio, superioridade, trabalho, Caso 1
versão, vitória. 1. Emprega-se a vírgula para sepa-
rar termos e orações de igual valor
Atenção: (regra básica).
1.Não se faz a contração da pre-
2. Não se emprega a vírgula quando
posição de com artigo ou pronome
o conectivo E tem valor aditivo.
pessoal quando estes ligam o sujeito
e um verbo no infinitivo. 3. Emprega-se a vírgula quando o
Ex: “a dificuldade de ela andar”. conectivo E tem valor adversativo.
4. Emprega-se a vírgula quando o
2.O sentido é alterado quando as
conectivo E liga orações com
preposições a e de mudam de lugar
sujeitos diferentes.
nas expressões “ir de encontro a”
(chocar-se) e “ir ao encontro de” 5. Emprega-se dois pontos para
(aproximar-se, achegar-se). enumerar, explicar e citar.

3. a) A distinção ao uso de onde e 6. O conectivo E, no final de uma


aonde ocorre pelo sentido de enumeração, tem valor de ter-
movimento que rege a preposição minalidade.
a. Assim, use: “Aonde você vai?”; Exemplos:
“Você quer chegar aonde?”; “O (1) O diretor, o coordenador e o
Brasil é o país onde cresci”. inspetor se reuniram ontem à tarde.
b)Outro erro freqüente é usar onde Eles chegaram cedo, discutiram
com idéia de tempo, causa, motivo muito, resolveram tudo.
etc, quando o emprego correto é (2) Eles decidiram alterar o projeto
apenas com referência a lugar: “A e contratar mais técnicos.
escola onde estudei”. Não escreva Eles decidiram alterar o projeto,
“O momento onde descobri minha e contrataram mais técnicos.
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* nesse caso a vírgula é opcional 5. A conjunção pois, com valor

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porque se entendem outros causal ou explicativo, pode ou não
valores além do aditivo. vir antecedida de vírgulas.
Exemplos:
(3) Já são quatro horas da tarde, e a
(1) Ele trabalha muito, porém, não
reunião ainda não terminou.
foi promovido.
(4) Os alunos reclamaram, e a
Ele trabalha muito; logo,
direção atendeu. será promovido.
(5) Foram chamados vários funcio- (2) Ele trabalha muito; não foi,
nários: André, Luíza, Júlio César. porém, promovido.
(6) Foram chamados vários fun- Ele trabalha muito; será,
cionários: André, Luíza, e Júlio César. portanto, promovido.
(3) Ao serem introduzidos numa
Caso 2 empresa, os computadores podem
1. Emprega-se vírgula ou ponto-e- acarretar duas conseqüências, que
vírgula antes dos conectivos estão estreitamente relacionadas:
adversativo e conclusivo. uma, de natureza econômica, é a
2. As conjunções adversativas e redução de custos; a outra, de
conclusivas, quando deslocadas, implicações sociais, é a demissão de
devem ficar entre vírgulas. funcionários.
(4) Ele dedica-se à empresa; deverá,
3. Emprega-se o ponto-e-vírgula
pois, ser promovido.
somente entre termos e orações
(5) Ele deverá ser promovido, pois
coordenadas, para indicar uma se dedica à empresa.
pausa maior do que a vírgula. Ele deverá ser promovido pois
Normalmente é usado para separar se dedica à empresa.
os itens de uma enumeração,
especialmente, quando ela já tem Caso 3
separação por vírgulas. 1. Emprega-se a vírgula quando o
4. A conjunção pois deve ficar adjunto adverbial está deslocado.
entre vírgula quando tem o valor 2. Emprega-se a vírgula quando a
conclusivo. oração adverbial está deslocada.
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3. Emprega-se a vírgula para Ontem, a direção da empresa
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separar orações reduzidas. se reuniu.


4. Pode-se ou não separar com
vírgula quando o advérbio está Caso 4
deslocado numa frase curta. 1. Em um discurso direto, emprega-
se dois pontos e colocam-se aspas.
Exemplos: 2. Não se empregam vírgulas, dois
(1) O técnico analisou o problema no pontos, aspas, quando o discurso é
seu último relatório. indireto.
No seu último relatório, o
3. No discurso direto, a oração
técnico analisou o problema.
deslocada fica entre vírgulas ou
O técnico, no seu último
entre travessões.
relatório, analisou o problema.
(2) Eles resolveram o problema, 4. Emprega-se o travessão em
quando a direção autorizou. caso de diálogos.
Quando a direção autorizou,
eles resolveram o problema. Exemplos:
Eles, quando a direção autorizou, (1) O presidente afirmou: “a
resolveram o problema. situação está bastante difícil”.
(2) O presidente afirmou que a
* oração subordinada adverbial situação estava bastante difícil.
temporal: se a frase começa por (3)A situação, afirmou o presidente,
ela, a vírgula é obrigatória; se ela está bastante difícil.
está no fim da frase, a vírgula é “A situação – afirmou o pre-
facultativa. sidente – está bastante difícil”.

(3) Encerrado o prazo, a direção Caso 5


adotou novas medidas. 1. Coloca-se o aposto entre
A reunião, chovendo muito, vírgulas.
será transferida.
2. A oração subordinada adjetiva
(4) Ontem a direção da empresa
se reuniu. explicativa fica entre vírgulas.
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3. A oração subordinada adjetiva (2) Paulo, vem cá!

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restritiva pode ou não ser separada (3) Parece que os palestrantes
por vírgula; em caso de ambi- chegaram.
güidade não deve. (4) Os palestrantes, parece que
chegaram.
Exemplos:
(1) Dra. Mônica Reis, coordenadora Caso 7
do projeto, visitará nosso setor 1. Termos do tipo ou melhor, a saber,
amanhã. digo, aliás, por exemplo, isto é e outros
(2) Dra. Mônica Reis, que é coor- que aparecem no meio da frase
denadora do projeto, visitará nosso devem ficar entre vírgulas.
setor amanhã.
2. A vírgula também é utilizada
(3) Não gosto do projeto que vocês
para marcar a omissão do verbo.
apresentaram.
Os funcionários desta empresa
Exemplos:
que trabalharam muito devem ser
(1) Houve a necessidade de um
aumentados.
confronto, ou melhor, de um
enfrentamento.
Caso 6
(2) O diretor não nos entende nem
1. Não se separa por vírgula o
nós, a ele.
sujeito do verbo.
2. Emprega-se a vírgula para separar
o vocativo do verbo. (o sujeito é
oculto, e o modo é imperativo).
3. Não se emprega vírgula em
frases curtas em ordem direta.
4. Emprega-se a vírgula para marcar
o deslocamento de um termo.

Exemplos:
(1) Paulo vem cá.
Regras de acentuação
e uso da crase
Acentuação
Acentuam-se Observações Exemplos
Século, ávido, decrépito, Câmara,
Todas as palavras
súbito, cômodo, quiséssemos,
proparoxítonas.
faríamos.
Água, mágoa, área, superfície,
Proparoxítonas Antônio, inócuo, iníquo, cônscio,
Incluem-se nesta regra as
tênue, série, míngua, cartório,
palavras terminadas em ditongos
miséria, lábio, aéreo, vácuo, oblíquo,
crescentes.
abstêmio, relíquia, ambíguo,
deságüe, bilíngüe.
Móvel, estável, Aníbal, hífen, elétron,
Nélson, açúcar, fêmur, revólver,
As paroxítonas terminadas em l, látex, tórax, júri, cútis, vírus, bônus,
n, r, x, i, is, u, us, ei, eis, um, pônei, fósseis, fôsseis, fórum, álbuns,
uns, ão, ãos, ã, ãs, ps . órgão, órgãos, acórdão, acórdãos,
órfã, órfãs, ímã, ímãs, bíceps,
fórceps.
a) As paroxítonas terminadas em Nêutrons, elétrons, prótons, cólons,
Paroxítonas ons mantêm o acento, inexistente hifens, viagens, liquens, homens,
no caso de ens . nuvens.
b) Os prefixos terminados em i ou Semi-automático, anti-séptico, super-
r não têm acento. homem, inter-regional.
c) Pode-se ainda considerar a
regra inversa: acentuam-se todas
Casa, antenas, fome, condes, lucro,
as paroxítonas, à exceção das
Carlos, falam, imagem, origens.
terminadas em a, as, e, es, o, os,
am, em e ens .
Pará, Satanás, café, revê, invés,
As terminadas em a, as, e, es, vocês, complô, cipó, compôs, avós,
o, os, em e ens . porém, também, contém, retêm,
reféns, convéns, parabéns.
a) Não se acentuam as oxítonas
terminadas em i, is, u e us Parti, Paris, Edu, tatu, Perus, tabus.
precedidas de consoante.
Oxítonas
b) Acentua-se o porquê tônico. O porquê da crise.
c) As formas verbais oxítonas em
a, e e o , seguidas de lo, la, los e Amá-lo, fazê-la, compô-los, dispô-las,
las , recebem acento. Se a letra repô-las-ia, descrevê-los-íamos, matá-
final for i , precedida de consoante lo; pedi-las, parti-lo, segui-los, impedi-
ou vogal não-pronunciada, não la
existe acento.
Os monossílabos tônicos
Já, gás, fé, crê, pés, mês, Jô, Jó, nós,
terminados em a, as, e, es, o e
pôs, dá-lo, fá-lo-ia, vê-las, pô-los.
os
a) O acento permanece nos Pós-operatório, pré-história, Pró-
prefixos pós, pré e pró . Memória.
Monossílabos
b) Os monossílabos em i, is, u,
Vi, quis, cru, nus, bem, vens.
us, em e ens não têm acento.
Não sei por quê. / Para quê? / O quê
c) O quê tônico é acentuado. da questão. / Um quê maiúsculo. /
Um quê de mistério.
Idéia, papéis, chapéu, mausoléus,
a) Os ditongos abertos éi, éis,
heróis, anzóis, réis, rói, sóis, céus,
éu, éus, ói e óis.
véu.
Os ditongos ai, au e ui, porém,
Incaico, arauto, gratuito (úi).
não têm acento.
Encontros b) O hiato ôo , quando no fim da
vocálicos palavra, recebe acento, mesmo
Enjôo, vôo, vôos, abençôo, zôo, zôos.
que se trate do plural ou de
redução.
22
Manual de Redação e Estilo

Acentuação
Acentuam-se Observações Exemplos
d) Nos grupos gue, guem, gues,
Apazigúe, argúem, averigúes, argúi,
gui, guis, que, quem e ques ,
argúis, obliqúe, obliqúem, obliqúes;
acentua-se o u tônico. Se a
averigua (gúa), apaziguas (gúas),
terminação for gua ou qua , não
obliqua (qúa) e obliquas (qúas).
existe acento.
e) Nos Hiatos, têm acento o i e Caída (ca-í-da, i isolado na sílaba),
o u tônicos, acompanhados ou ateísta (ate-ís-ta, grupo is isolado na
não de s , que não formem sílaba), juíza, raízes, proíbe, truísmo,
ditongo com a vogal anterior e saúde, miúdo, reúnem, Criciúma,
estejam isolados na sílaba. feiúra.
a) Não se acentuam o i nem o u Raul, Ataulfo, ruim, amendoim,
se formarem sílaba com l, m, n, r Coimbra, caindo, Constituinte,
e z (porque não estarão isolados oriundo, diurno, sairmos, atrairdes,
Encontros
da outra vogal na sílaba) ou se poluir, juiz, raiz, bainha, campainha,
vocálicos
forem seguidos de nh . moinho.
b) Mesmo que se trate de
palavras oxítonas, o i e o u deste Caí, Jundiaí, Havaí, saí, Tambaú,
caso (isolados da outra vogal na Jaú, Itaú, baús, Crateús, teiú
sílaba) são acentuados.
c) A regra vale também para as
Distraí-lo, substituí-la, atraí-los-á,
formas verbais seguidas de lo, la,
subtraí-las-emos.
los e las .
d) Não se acentua, nas palavras
Saara, xiita, Mooca.
paroxítonas, a vogal repetida.
e) Mesmo precedidos de vogal, os Saiu, contribuiu, possuiu, instituiu,
ditongos iu e ui não têm acento. pauis (de paul).

Persiste nas seguintes palavras:


côa e côas (verbo coar ou
substantivo, sinônimo de
coação); fôrma (para diferenciar
de forma); pára (verbo e prefixo,
como em pára-quedas), mas
não em paras nem param; péla
e pélas (verbo pelar ou
sinônimo de bola); pêlo e pêlos
(cabelo); pélo (verbo pelar);
pêra (fruta, barba e interruptor),
Acento
mas não em peras; Pêro (nome
diferencial
ou fruta); pôde (para diferenciar
de pode, com som aberto); pólo
e pólos (parte da Terra e jogo);
pôr (verbo, para diferenciar de
por, preposição); têm (verbo,
plural) e vêm (verbo, plural). Os
vocábulos pôla, pôlas, pôlo e
pôlos mantiveram o acento,
mas não são de uso jornalístico.

O sinal foi abolido, no entanto, em Ele (antes, êle), selo, aquele, toda,
todos os demais casos. ovo, fosse, almoço, esteve.
À, às, àquela, àquelas, àquele,
Acento grave Existe apenas nas crases àqueles, àquilo, àqueloutro,
àqueloutros, àqueloutra, àqueloutras
Se numa abreviatura se
Séc. (século), págs. (páginas), côn.
Abreviaturas mantém a sílaba acentuada da
(cônego).
palavra, o sinal permanece
Agüentar, seqüestro, tranqüilo,
lingüiça, qüinqüênio, eqüino,
Usa-se quando o u depois do q Repare que só existe trema antes
Trema freqüente, conseqüência, agüei,
ou g for pronunciado. de e e i .
Birigüi, ambigüidade, eqüestre,
Anhangüera.
23
Uso de Crase

Manual de Redação e Estilo


Casos Obrigatório Proibido Facultativo
Quando admitirem artigo e o
Se não houver ambas as Nomes próprios referentes a
termo regente pedir
Antes de palavras femininas condições. Ex: Danificaram a pessoas. Ex: Refiro-me
preposição. Ex: Devemos
estrada (a ou à) Gabriela.
obedecer às leis.
Quando estiver subentendida Ex: viajar a convite, traje a
a locução prepositiva à moda rigor, passeio a pé, sal a
Antes de palavras masculinas
de . Ex: Escreveu um texto à gosto, tv a cabo, barco a
Machado de Assis. remo, carro a álcool.
Antes de verbos Ex: Estava disposto a ajudar.

a) Pronomes de tratamento
senhora e senhorita . Ex: Peço
à senhora que não vá agora.
Na maioria deles, por não
b) Pronomes relativos a qual admitirem artigos. Ex: Possessivos femininos. Ex:
Antes de pronomes ou as quais , quando o verbo Respondi a todas as cartas. Não me referi (a ou à) sua
exigir preposição. Ex: Esta é a Não é o salário a que aspiro. mãe.
moça à qual me referi. Referiram-se a nós
c) Pronomes demonstrativos
a, aquele, aqueles, aquelas.
Ex: Fui àquela loja./ A cena é
igual à que vi ontem.
Quando não forem definidas
Antes de palavras no plural pelo artigo. Ex: Discutiam a
portas fechadas.
Quando admitir artigo. Ex:Vou Quando não admitir artigo. Ex:
Antes de nomes de lugares
à Bahia. Vou a Lisboa.
Adverbiais femininas. Ex: às
pressas; à noite; à vontade.
Adverbiais formadas por Locuções de instrumento ou
Prepositivas femininas. Ex: à
Locuções elementos repetidos. Ex: gota meio. Ex: (a ou à) mão; (a ou
custa de; à beira de; à moda
a gora; cara a cara. à) vela.
de.
Conjuntivas femininas. Ex: à
medida que; à proporção que;
Depois da palavra para. Ex: O
Indicação de horas Ex: Chegamos às dez horas. jogo foi adiado para as 22
horas.
Quando não houver
Quando houver modificadores.
Antes de casa e terra modificadores. Ex: Chegamos
Ex: Fomos à casa de Joana.
a casa e descansamos.
Se aparecer determinada. Ex:
Se não estiver determinada.
Expressão a distância Olhei o local à distância de
Ex: Olhei o local a distância.
uns 50 metros
Padrões e convenções

Os padrões de editoração • Entidades, organizações políticas


utilizados para este Manual são em e instituições ligadas ao Estado e
sua maioria adotados univer- suas subdivisões, departamentos e
salmente, com algumas exceções e repartições, quando a palavra tiver
características próprias. valor de substantivo próprio (obs:
quando a referência é inde-
terminada, não específica, a palavra
Maiúsculas
tem valor de substantivo comum,
O uso da letra maiúscula é
assim sendo, tem a inicial minúscula).
indispensável em:
Ex.: “O representante da Prefei-
• Aberturas de parágrafos e frases,
tura não foi ao encontro de prefei-
citações e nomes próprios.
turas de todo o país.”
• Nomes e sobrenomes de pessoas;
• Períodos, episódios e momentos
apelidos; pseudônimos.
históricos.
• Lugares, endereços, regiões, Ex.: a Revolução Francesa, a Semana
acidentes geográficos, edifícios, de Arte Moderna, a Guerra de
prédios e monumentos, estabele- Canudos.
cimentos públicos ou particulares,
• Festas e datas religiosas, come-
estádios, ginásios, autódromos,
morações cívicas e tradicionais. Ex.:
hipódromos, aeroportos, ferrovias,
Quarta-Feira de Cinzas, o Dia da
rodovias, cemitérios.
Independência (o carnaval é
• Instituições da sociedade como a exceção).
Igreja, a Imprensa, a Justiça.
• Eventos esportivos e culturais. Ex.:
• Os nomes dos poderes Executivo, os Jogos Olímpicos, o Festival de
Legislativo e Judiciário. Gramado.
26
• Títulos de jornais, revistas, não se abrevia.
Manual de Redação e Estilo

produções culturais ou artísticas. Ex.: cinco toneladas, 450 mil


quilômetros.
• Nomes de impostos e taxas.
• Só se abreviam pesos e medidas
• Nomes de comendas e ordens.
do sistema decimal.
Ex.: quilo (kg), metro (m), tonelada
Minúsculas
(t), quilômetro (km). Os demais (libra,
Usam-se em:
hectare, alqueire...) sempre por extenso
• Unidades político administrativas.
e com equivalente no sistema decimal.
Ex.: país, estado, município.
• As abreviaturas de pesos e
• Gentílicos de povos e grupos étnicos.
medidas não fazem plural nem são
Ex.: os franceses, os astecas, os carajás.
seguidas de ponto.
• Formas de tratamento. Ex.: 25 km, e não 25 “kms”.
Ex.: senhor, senhora, sr., sra, dona.
• Títulos pessoais e cargos; pro- Datas
fissões e profissionais. • Amanhã e ontem têm preferência
Ex.: o presidente A, o dentista B, o sobre os dias da semana.
deputado C. Ex.:“Acontecerá amanhã” e não
“acontecerá nesta sexta-feira”.
• Títulos honoríficos como cidadão
honorário, cidadão benemérito. • O que acontecerá nos próximos
• Nomes de ciências, disciplinas, sete dias deverá ser referido pelo dia
ramos do conhecimento. da semana e não do mês.
• Deve ser evitado o uso da palavra
Pesos e medidas anteontem.
• Só se abreviam pesos e medidas
se a quantidades estão todas em
Horas e tempo
algarismos.
• Abreviar hora (h). Os minutos não
Ex.: 45t, 3000 km.
têm abreviatura. Ex.: 18h30, 6h15.
• Se as quantidades estão por • Usa-se meio-dia no lugar de 12h
extenso, ou pelo menos uma parte, e meia-noite em vez de 24h.
27
• Para expressar a duração de um Cefet – Centro Federal de Edu-

Manual de Redação e Estilo


fato, escreve-se por extenso. cação Tecnológica no caso do Rio,
Ex.: “O incêndio durou sete horas.” completado com Celso Suckow da
Fonseca)
Siglas mais usadas Cepuerj – Centro de Produção
Alerj – Assembléia Legislativa do da Universidade do Estado do
Estado do Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Ames – Associação Municipal dos CET-Rio – Companhia de
Estudantes Secundaristas Engenharia de Tráfego
Andes – Sindicato Nacional dos Ciee – Centro de Integração
Docentes de Instituições de Ensino Empresa-Escola
Superior CLT – Consolidação das Leis
Anatel – Agência Nacional de Trabalhistas
Telecomunicações Comlurb – Companhia Municipal
Aneel – Agência Nacional de de Limpeza Urbana
Energia Elétrica Coppe-UFRJ – Coordenação dos
ANP – Agência Nacional de Petróleo Programas de Pós-Graduação da
Asep – Agência Reguladora de Universidade Federal do Rio de
Ser viços Públicos Concedidos Janeiro
(estadual) Coren – Conselho Regional de
BC – Banco Central (a sigla oficial Enfermagem
é Bacen) CPI – Comissão Parlamentar de
BNDES – Banco Nacional de De- Inquérito
senvolvimento Econômico e Social CPF – Cadastro de Pessoa Física
CAp – Colégio de Aplicação (da (do Imposto de Renda)
UFRJ ou da Uerj, no caso, Fernando Crea – Conselho Regional de
Rodrigues da Silveira) Engenharia, Arquitetura e
Capes – Coordenação de Aper- Agronomia
feiçoamento de Pessoal de Nível Cremerj – Conselho Regional de
Superior Medicina
CAT – Central de Apoio ao Detran – Departamento de
Trabalhador Trânsito
28
ECT – Empresa Brasileira de INPI – Instituto Nacional de
Manual de Redação e Estilo

Correios e Telégrafos Propriedade Industrial


Embrapa – Empresa Brasileira de INSS – Instituto Nacional de
Agropecuária Seguridade Social
Enem – Exame Nacional do Ipea – Instituto de Estudos
Ensino Médio Avançados em Educação
Faetec – Fundação de Apoio à IPTU – Imposto Predial e
Escola Técnica Territorial Urbano
Feema – Fundação Estadual de ITA – Instituto Tecnológico da
Engenharia do Meio Ambiente Aeronáutica
Fesp – Fundação Escola de Serviço MEC – Ministério da Educação
Público Nuseg – Núcleo Superior de Es-
FGTS – Fundo de Garantia por tudos Governamentais (da Uerj)
Tempo de Serviço OAB – Ordem dos Advogados do
FGV – Fundação Getúlio Vargas Brasil
Fies – Financiamento Estudantil PMRJ – Polícia Militar do Estado
Finep – Financiadora de Estudos do Rio de Janeiro
e Projetos PUC – Pontifícia Universidade
GED – Gratificação de Estímulo Católica
à Docência Radiobrás – Empresa Brasileira de
Ibama – Instituto Brasileiro do Radiodifusão
Meio Ambiente e dos Recursos Rioluz – Empresa Municipal de
Naturais Renováveis Iluminação Pública
IBGE – Fundação Instituto Bra- Senac – Serviço Nacional de
sileiro de Geografia e Estatística Aprendizagem Comercial
IME – Instituto Militar de En- Senai – Ser viço Nacional de
genharia Aprendizagem Industrial
Inca – Instituto Nacional do Sesu – Secretaria de Educação
Câncer Superior (do MEC)
Inmetro – Instituto Nacional de Sine – Sistema Nacional de
Metrologia, Normalização e Empregos
Qualidade Industrial SMTU – Superintendência Muni-
29
cipal de Transportes Urbanos Siglas dos Estados

Manual de Redação e Estilo


STJ – Superior Tribunal de Justiça
AC – Acre
TCE – Tribunal de Contas do
AL – Alagoas
Estado
AM – Amazonas
TRE – Tribunal Regional Eleitoral
AP – Amapá
TRT – Tribunal Reginal do
BA – Bahia
Trabalho
CE – Ceará
TS – Tribunal Superior
DF – Distrito Federal
TST – Tribunal Superior do
ES – Espírito Santo
Trabalho
GO – Goiás
Ubes – União Brasileira dos
MA – Maranhão
Estudantes Secundaristas
MG – Minas Gerais
UEE – União Estadual dos
MS – Mato Grosso do Sul
Estudantes
MT – Mato Grosso
Uenf – Universidade Estadual do
PA – Pará
Norte Fluminense
PB – Paraíba
Uerj – Universidade do Estado do
PE – Pernambuco
Rio de Janeiro
PI – Piauí
UFF – Universidade Federal
PR – Paraná
Fluminense
RJ – Rio de Janeiro
UFRRJ – Universidade Federal
RN – Rio Grande do Norte
Rural do Rio de Janeiro
RO – Rondônia
UGF – Universidade Gama Filho
RR – Roraima
UNE – União Nacional dos
RS – Rio Grande do Sul
Estudantes
SC – Santa Catarina
Unicamp – Universidade de
SE – Sergipe
Campinas
SP – São Paulo
UniRio – Universidade do Rio de
TO – Tocantins
Janeiro (federal)
Uppe – União dos Professores
Públicos no Estado
O que se deve evitar

Ao escrever textos jornalísticos, é implicam juízos de valor –


preciso estar atento a algumas regras bonito/feio, verdadeiro/falso,
simples que tornam a leitura mais certo/errado – devem ser
agradável, objetiva e de fácil deixados de lado. Que tal usar
entendimento. Veja algumas dicas: adjetivos que enfatizem com
1. Evite lead com tom oficioso. É precisão o sentido do subs-
mais importante identificar o tantivo, como redondo, qua-
acontecimento com clareza. No drado, amarelo, azul.
lugar de “A governadora 4. Não abuse dos recursos
Benedita da Silva vai anunciar estilísticos.
nesta sexta-feira o novo secre-
tariado”, prefira “O novo Atenção aos erros gramaticais e
secretariado será anunciado ortográficos mais freqüentes:
nesta sexta-feira pela gover- 1. “Mal cheiro”, “mau-humora-
nadora Benedita da Silva”. do”. Mal opõe-se a bem e mau,
2. Não repita palavras ou ex- bom. Assim: mau cheiro (bom
pressões da linguagem oral na cheiro), mal-humorado (bem-
reprodução de declaração humorado). Igualmente: mau
textual. Edite o que foi falado humor, mal-intencionado, mau
adequando às nor mas gra- jeito, mal-estar.
maticais, sem alterar o sentido 2. Entre “eu” e você. Depois de
da declaração. preposição, usa-se mim ou ti:
3. Lembre-se da imparcialidade Entre mim e você./Entre eles e ti.
do jornalista. Adjetivos que 3. “Há” dez anos “atrás”. Há e
32
atrás indicam passado na frase. Vai amanhã ao cinema./Levou
Manual de Redação e Estilo

Use apenas há dez anos ou dez os filhos ao circo.


anos atrás. 8. Atraso implicará “em” punição.
4. “Entrar dentro”. O certo: Implicar é direto no sentido de
entrar em. Veja outras redun- acarretar, pressupor: Atraso
dâncias: Sair fora ou para fora, implicará punição./Promoção
elo de ligação, monopólio implica responsabilidade.
exclusivo, já não há mais, ganhar 9. Não viu “qualquer” risco. É
grátis, viúva do falecido. nenhum, e não “qualquer”, que
5. Preferia ir “do que” ficar. se emprega depois de negativas:
Prefere-se sempre uma coisa a Não viu nenhum risco./
outra: Preferia ir a ficar. É Ninguém lhe fez nenhum
preferível segue a mesma reparo./Nunca promoveu
nor ma: É preferível lutar a nenhuma confusão.
morrer sem glória. 10. A feira “inicia” amanhã.
6. O certo é exceção, ao invés de Alguma coisa se inicia, se
exceção. Confira mais alguns inaugura: A feira inicia-se
exemplos; entre parênteses está (inaugura-se) amanhã.
a grafia correta: paralizar 11. O time empatou “em” 2 a 2. A
(paralisar), beneficiente (bene- preposição é por: O time
ficente), xuxu (chuchu), pre- empatou por 2 a 2. Repare que
vilégio (privilégio), vultuoso ele ganha por e perde por. Da
(vultoso), cincoenta (cinqüenta), mesma forma: empate por.
zuar (zoar), frustado (frustrado), 12. O processo deu entrada “junto
calcáreo (calcário), advinhar ao” STF. Processo dá entrada
(adivinhar), benvindo (bem- no STF. Igualmente: O jogador
vindo), ascenção (ascensão), foi contratado do (e não “junto
pixar (pichar), impecilho (empe- ao”) Guarani. /Cresceu muito
cilho), envólucro (invólucro). o prestígio do jornal entre os (e
7. Chegou “em” São Paulo. Ver- não “junto aos”) leitores./Era
bos de movimento exigem a, e grande a sua dívida com o (e
não em: Chegou a São Paulo./ não “junto ao”) banco./A
33
reclamação foi apresentada ao Assim: Já foi infor mado

Manual de Redação e Estilo


(e não “junto ao”) Procon. (cientificado, avisado) da
13. “Cerca de 18” pessoas o sau- decisão. Outra forma errada: A
daram. Cerca de indica arre- diretoria “comunicou” os
dondamento e não pode apa- empregados da decisão.
recer com números exatos: Opções corretas: A diretoria
Cerca de 20 pessoas o sauda- comunicou a decisão aos
ram. empregados./A decisão foi
14. Ministro nega que “é” negli- comunicada aos empregados.
gente. Negar que introduz 18. O pai “sequer” foi avisado.
subjuntivo, assim como em- Sequer deve ser usado com
bora e talvez: Ministro nega que negativa: O pai nem sequer foi
seja negligente./O jogador avisado./Não disse sequer o
negou que tivesse cometido a que pretendia./Partiu sem
falta./Ele talvez o convide para sequer nos avisar.
a festa./Embora tente negar, vai 19. Comprou uma TV “a cores”.
deixar a empresa. Veja o correto: Comprou uma
15. A artista “deu à luz a” gêmeos. TV em cores (não se diz TV “a”
A expressão é dar à luz, apenas: preto e branco). Da mesma
A artista deu à luz quíntuplos. forma: Transmissão em cores,
Também é errado dizer: Deu desenho em cores.
“a luz a” gêmeos. 20. “Haja visto” seu empenho... A
16. Comeu frango “ao invés de” expressão é haja vista e não
peixe. Em vez de indica varia: Haja vista seu empenho./
substituição: Comeu frango em Haja vista seus esforços./Haja
vez de peixe. Ao invés de vista suas críticas.
significa apenas ao contrário: Ao 21. É hora “dele” chegar. Não se
invés de entrar, saiu. deve fazer a contração da
17. Já “foi comunicado” da de- preposição com artigo ou
cisão. Uma decisão é co- pronome, nos casos seguidos
municada, mas ninguém “é de infinitivo: É hora de ele
comunicado” de alguma coisa. chegar./Apesar de o amigo tê-
34
lo convidado.../Depois de 16. Multas são aplicadas.
Manual de Redação e Estilo

esses fatos terem ocorrido... 17. Prisões preventivas são


decretadas ou pedidas.
Cuidado com as impropriedades da 18. Os estados são separados por
linguagem. As formas corretas são: divisas.
1. Funcionários públicos da ativa 19. Os países são demarcados por
recebem vencimentos. fronteiras.
2. Servidores aposentados recebem 20. O aumento entra em vigor no
proventos e benefícios. dia 1º.
3. Viúvas e herdeiros de apo- 21. As passagens estarão mais caras
sentados recebem pensões. a partir do dia 1º.
4. Trabalhadores regidos pela CLT
recebem salários. É preciso ficar atento às palavras
5. Deputados, senadores, prefeitos homônimas, ou seja, que têm grafia
e vereadores recebem subsídios ou ou pronúncia semelhantes, mas com
vencimentos. significados diferentes. As mais
6. Presidente da República e conhecidas são:
governadores recebem subsídios e 1. Abjeção (baixeza) e objeção
ajudas de representação. (contestação)
7. Nos orçamentos, a Despesa é 2. Acender (pôr fogo) e ascender
fixada e a Receita, estimada. (subir, elevar-se)
8. Funcionários da justiça são 3. Acidente (desgraça, aconteci-
serventuários. mento casual) e incidente (episódio)
9. Juiz não dá parecer. Vota, dá 4. Amoral (destituído do senso de
sentença ou julga. moralidade) e imoral (desonesto)
10. Habeas-corpus são requeridos. 5. Aresto (decisão judicial) e arresto
11. Mandados de segurança são (apreensão de bens por decisão
impetrados. judicial)
12. Recursos são interpostos. 6. Acerto (ajuste) e asserto
13. Sentenças são proferidas. (afirmação)
14. Apela-se da decisão do juiz. 7. Acento (sinal gramatical) e
15. Injunções são feitas. assento (banco)
35
8. Área (superfície) e ária (cantiga) 24. Vez (ocasião) e vês (v. ver)

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9. Arrear (pôr arreios) e arriar 25. Viagem (substantivo, jornada) e
(abaixar) viajem (conjugação do verbo viajar)
10. Bucho (estômago) e buxo (planta)
11. Cartucho (canudo de papel) e Se na época da Reforma Religiosa,
cartuxo (diz respeito à Cartuxa, no século XVII, foi imposto o In-
ordem religiosa) dex com a lista de livros proibidos,
12. Caça (v. caçar _ perseguir, catar, também na redações dos jornais
buscar), cassa (tecido) e cassa (v. circulam listas de palavras e expres-
cassar _ tornar sem efeito os direitos sões proibidas. Confira mais algu-
políticos) mas:
13. Cela (aposento de presos ou 1. abusar de menor
religiosos) e sela (arreio) 2. aduzir
14. Cem (numeral) e sem (pre- 3. agente da lei
posição) 4. agente do mal
15. Ratificar (confirmar, validar) e 5. ainda ontem
retificar (corrigir, emendar) 6. alavancagem, alavancar
16. Recrear (dar recreio a) e recriar 7. altas personalidades
(tornar a criar) 8. a nivel
17. Remição (ato de remir) e 9. a partir no lugar de em (o correto
remissão (indulgência) é “As passagens ficaram mais caras
18. Ruço (pardo) e russo (da na segunda-feira”, e não “... a partir
Rússia) de segunda-feira”)
19. Sede (lugar), sede (necessidade 10. apelos insistentes
de beber; v. ser) e cede ( v. ceder) 11. a rigor
20. Soar (ecoar) e suar (transpirar) 12. Arma no lugar de Força (as
21. Tacha (prego) e taxa Forças Armadas são constituídas
(imposto) por Forças: Exército, Marinha e
22. Tachar (censurar) e taxar (fixar Areonáutica. O Exército é que é
preço; tributar) composto por Armas: Infantaria,
23. Tráfego (trânsito, transporte) e Cavalaria, Artilharia etc)
tráfico (comércio) 13. assessor direto
36
14. autoridades policiais ação, acionar, processar etc?)
Manual de Redação e Estilo

15. ataúde 38. delito


16. atear fogo 39. decúbito
17. até porque 40. defasagem
18. ato tresloucado 41. denso (em frases que incluem
19. a Câmara vetor (quem veta é o palavras como “instigante”)
Executivo. Câmara rejeita) 42. desafeto
20. breve alocução (expressão 43. desafio aberto
redudante, pois alocuação é sempre 44. descartar
breve) 45. disposição em (o certo é dis-
21. brincadeira à parte posição para/disposição de)
22. canais competentes 46. a até
23. carinhosamente chamado 47. efetivo da PM
24. causa mortis 48. elaborar (em lugar de estudar,
25. causídico preparar, discutir etc)
26. celeuma 49. elemento (em lugar de pessoa,
27. chefe da nação (a não ser quando homem, ladrão etc)
se tratar de nação indígena) 50. em termos de
28. choque espetacular 51. encontrou a morte
29. colocar, colocação 52. enfermidade
30. comparsa 53. entrar pela madrugada
31. comunicado de que 54. equacionamento de problema
32. confidenciar 55. erva maldita
33. confessar-se (por declarar-se, 56. excessivamente nervoso,
dizer-se) visivelmente nervoso
34. confirmar presença 57. fazer entrega de
35. consenso geral (por consenso) 58. físico avantajado
36. crise acirrada, acirramento da 59. flexibilização
crise 60. foi colhido por (pela morte, por
37. dar entrada na Justiça, ingressar exemplo)
na Justiça com, entrar na Justiça (que 61. fone (para abreviar telefone,
tal usar impetrar, requerer, mover use tel)
37
62. frei por frade (“Frei Estevão nasceu em)

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declarou... O frade revelou...”) 86. onde (no lugar de em que)
63. frisar 87. penalizar (por punir)
64. genitor 88. pleito (que não seja eleição)
65. gesto extremo 89. poetisa (use a poeta, o poeta;,
66. gol espetacular substantivo comum-de-dois)
67. implantar (por criar, instituir, 90. polaco (o adjetivo referente à
construir, estabelecer, iniciar) Polônia é polonês)
68. implementar 91. por razões
69. implementos (a não ser quando 92. por sua vez
se tratar dos agrícolas) 93. portar arma
70. implicar em (somente aceito na 94. porte elétrico
acepção de “envolver”: “Implicou-o 95. posicionamento
no roubo das bicicletas”) 96. postular
71. inconformado 97. praça de guerra
72. indivíduo (use apenas na acepção 98. precioso líquido
culta da palavra) 99. profissional do volante
73. instigante 100. questionado, questionamento
74. junto com (nos casos em que for 101. rapto (quando for no sentido
possível usar somente “com”) de seqüestro)
75. larápio 102. remover corpos
76. lavrar o auto 103. residência
77. magistrado 104. Revolução de 64 (use movi-
78. mal súbito mento militar)
79. manter encontro, manter reunião e 105. sendo que
outras manutenções indébitas 106. sinalizar (em se tratando de
80. matrimônio economia)
81. meliante 107. sistemática do decreto
82. militar, em lugar de policial militar 108. sofrer alteração
83. molestar menor 109. soldado do fogo
84. muito embora 110. telinha, quando estiver se
85. natural de (por nascido em, ou referindo à televisão (TV)
38
111. tititi
Manual de Redação e Estilo

112. todos são unânimes em dizer


113. tudo começou
114. verdadeira praça de guerra
115. vias de fato
116. viatura (em lugar de carro, da
polícia ou não)
117. violento terremoto

NÃO COMPLIQUE; DESCOMPLIQUE.


Em vez de... Use...
coletivo ônibus
colisão batida
contundido machucado
esposa mulher
falecer morrer
familiares parentes
mansão ou residência casa
miserável pobre
pelo contrário ao contrário
povo (sociedade) população, sociedade
óbito morte
raça (humana) etnia
rezar (para evangélicos) orar
sanitário ou toalete banheiro
viatura carro
39

Manual de Redação e Estilo


CACOETES DE LINGUAGEM QUE DEVEM SER EVITADOS
abrir com chave de ouro chegar a um extrapolar pergunta que não quer
determinador comum calar
antes de mais nada com direito a familares inconsoláveis preencher uma lacuna
aparar as arestas confortável mansão fazer por merecer prejuízos incalculáveis
ataque fulminante congestionamento fazer uma colocação quebrar o protocolo
monstro
atirar/lançar farpas conseqüências fonte inesgotável requintes de crueldade
imprevisíveis
a todo o vapor consternar-se fortuna incalculável respirar alividado
profundamente
a toque de caixa corações e mentes gerar polêmica rota da colisão
atuação impecável coroar-se de êxito Iimportância vital ruído ensurdecedor
(imprevisível, intocável)
avançanda tecnologia correr por fora inflação galopante sal da terra
a voz rouca das ruas debelar as chamas inserido no contexto ser o azarão
bater de frente com desabafar (como inundar (quando não se sonora (estrepitosa)
alguém sinônimo de dizer) referir a enchente) vaia
caixinha de surpresas detonar um processo jóia da coroa tirar uma resolução
calorosa recepção disparar (como líder carrismático trair-se pela emoção
sinônimo de dizer)
caloroso abraço dispensar apresentação literalmente tomado trocar figurinhas
calorosos aplausos do Oiapoque ao Chuí luz no fim do túnel usina de idéias
caminho já trilhado duras (pesadas) críticas na vida real verdadeiro tesouro
cardápio da reunião em nivel de no fundo do poço via de regra
carreira brilhante enquanto (quando óbvio ululante visivelmente
significar condição de) emocionado (nervoso)
carreira meteórica erro gritante os quatro cantos do vítimas fatais
mundo
catapular escoriações pavoroso incêndio vitória esmagadora
generalizadas
causar espécie estrondoso (fulgurante, perda irreparável
retumbante) sucesso
Uso da imagem
nos veículos impressos

O conteúdo e o visual da publicação devem definir de forma clara o


perfil do veículo para que este seja compatível com o seu público alvo,
isto é, as matérias e reportagens devem ser pertinentes ao interesse do
público e a parte gráfica deve ter um estilo que agrade aos seus leitores,
com elementos em plena sintonia com as expectativas deles. Assim, o
uso da ilustração, como fotos, mapas, gráficos, vinhetas ou infográficos,
é importante para a publicação. Elas tornam o veículo mais leve, agra-
dável e peculiar, criando uma identidade visual própria, diferente das
outras publicações.
As imagens são informação. Elas mostram a notícia a partir de um
ângulo especial, o ângulo do repórter fotográfico. Mas, embora seja uma
pessoa que está tirando a foto, ou seja, apesar da foto ser um recorte da
realidade feito pelo fotógrafo, ela é tida pelos
Foto 1
leitores como imparcial e idônea: se está na
foto é verdade!
A fotografia complementa e dá vera-
cidade à notícia, ela é importante para
confirmar a informação. Por exemplo: em
uma reportagem sobre manifestações é
necessário o uso de alguma foto que possa
dar dimensão do evento, uma foto
dramática, tentando comover o
leitor através da situação mostrada
(foto 1), ou uma foto sobre um mo-
mento significativo (foto 2). Foto 2
42
Fotos podem ser utilizadas para situar o leitor no espaço descrito pela
Manual de Redação e Estilo

reportagem. Uma reportagem sobre uma agência de publicidade, onde


a notícia é a tecnologia utilizada por ela para desenvolver um determinado
comercial, pode conter fotos das salas da agência, fotos dos programas
de computador utilizados no
Quadro 1 produto, e da equipe que tra-
balha (quadro 1).
Casos como a foto 3 são
importantes devido á força da
imagem, não é preciso dizer
nada. A foto é totalmente
compreensível, além de ser
car reg ada em emoção. É a
típica foto que vende a matéria, apenas o leitor vai ler a reportagem
para saber o que houve e quais as proporções. Essa reportagem ainda
conta com uma seqüência de fotos (quadro
2) para contar a história da forma mais Foto 3
precisa, através imagens, pois as palavras
podem levar o leitor a criar uma imagem,
que provavelmente vai ser diferented a
imagem real. Assim, fotos raras, momentos
da realidade chocantes, devem entrar na
edição das reportagens, pois chamam a
atenção do leitor para a matéria.

Quadro 2
43
Edição da Reportagem

Manual de Redação e Estilo


A edição consiste em adaptar a reportagem ao espaço disponível. E
por isso nem sempre é possível colocar várias fotos. O importante é que
o equilíbrio da página é estético. A qualidade e a informação contida na
foto são os fatores que determinam qual será utilizada. A reportagem
com foto acaba tendo mais importância do que sem ela.

Fotografando
É importante ressaltar que a foto cria expectativa no leitor, ela chama
atenção e vende o produto que está nas bancas. A fotografia é a testemunha
ocular de total credibilidade e o ato de fotografar é físico-mecânico, o
que a torna imparcial. Existem casos onde a foto é mais interessante do
que a reportagem. E, às vezes, a foto é utilizada para levantar, melhorar, a
qualidade da matéria.
Quanto mais opções o editor tiver na hora de escolher a foto que vai
entrar na matéria, melhor será a sua edição. Por isso, o repórter fotográfico
deve tirar sempre fotos horizontais e verticais (fotos 4 e 5), de diversos
ângulos (fotos 6,7,8 e 9) e nos modos sintético (resumo do Lead da matéria,
foto 10), descritivo (geral do local, situando todos os presentes no local,
foto 11) e pormenorizada (detalhes, foto 12).

Legendas
O texto que acompanha a foto é chamado de legenda. Ele não explica
a foto, a foto tem que se explicar. Mas, ele pode e deve trazer uma
informação não contida na foto, como o nome da pessoa que aparece,
ou o que aconteceu depois do momento em que a foto foi tirada.

Ilustrações
Para fins didáticos dividiremos as ilustrações em duas linhas. Ilustração
independente da matéria e ilustração complementar de matéria. A primeira
seria as Charges, os cartuns e os quadrinhos, que possuem conteúdo próprio.
44
A ilustração complementar seria toda aquela que acompanha um texto,
Manual de Redação e Estilo

seja para decorá-lo, enriquecê-lo ou acrescentar seu conteúdo.

Charges, Cartuns e quadrinhos.


Charges: Sempre tratam de um assunto que é ou foi notícia em um
período recente. Destacam-se pelo conteúdo muitas vezes político e
polêmico. (figura 1) Na grande maioria das vezes trazem celebridades,
políticos, pessoas conhecidas do grande público como protagonistas. É
bastante autoral, ou seja, exprime muitas vezes o ponto de vista do chargista.
Recebe um tratamento de destaque. Geralmente é uma sub-seção do
primeiro caderno (no caso dos jornais). Não tem formato e tamanhos
definido,. sua periodicidade acompanha a do veículo. Se este é diário, a
publicação da charge também será diária.
Cartum: É de conteúdo lúdico, atemporal. Não tem compromisso com
a realidade. O humor está presente em quase todas as peças. Não tem
formato e tamanhos definidos. Não tem um protagonista fixo.(figura 2)
Este pode ser qualquer pessoa, animal ou objeto. O local e a periodicidade
de publicação varia conforme o veículo.

Quadrinhos: Como o Cartum, é de conteúdo lúdico, atemporal, não


tem compromisso com a realidade, e prima pelo humor. Porém, salvo
algumas exceções, possui um leque de personagens que são protagonistas
fixos. (figura 3) Geralmente é um esquete com começo meio e fim ou um
capítulo de uma pequena novela. O local e a periodicidade de publicação
varia de acordo com o veículo, sendo que pode estar atrelado a um caderno
específico, como um semanário infantil.

Por ser independentes, essas ilustrações estão sujeitas a poucas convenções.


Porém deve-se atentar para o local onde essas ilustrações estarão dispostas
no veículo. Um cartum ou quadrinho não fica bem ao lado de uma coluna
policial. Tampouco uma charge política não deve estar num caderno de
45
cultura. A linha editorial do veículo também deve ser observada. Se este

Manual de Redação e Estilo


for uma revista de esportes, por exemplo, o Cartum deve preferencialmente
ter esse tema.

Ilustrações complementares
As ilustrações que complementam um texto devem ter uma conexão
física com ele para que o leitor possa interligá-los. Devem estar na mesma
página, conectados por legendas ou por elementos gráficos de editoração,
como ícones e barras coloridas que os identifiquem como parte de um
todo comum.
Algumas dessas ilustrações podem ter caráter meramente decorativo.
(figura 4) Várias podem ser suas justificativas. Aliviar o bloco de texto para
tornar a leitura mais agradável, identificar graficamente o assunto do texto
sem necessidade de se iniciar a leitura, (figura 5) substituir a falta de uma
eventual fotografia, ou simplesmente enriquecer o texto (figura 6). Outras
servem de ícones para pequenos textos ou para ilustrar situações hipotéticas
ou de um passado que não fora devidamente ilustrado (figura 7).

Infográficos
Chamaremos de infográfico toda ilustração que se destine a explicar ou
destacar algum aspecto do texto a ele anexado. São exemplos de
infográficos: mapas, gráficos numéricos, simulação de situações, maquetes
e plantas de edificações, tabelas personalizadas e etc..(figuras 8, 9, 10, 11).
Os infográficos devem sempre conter uma informação relevante ou
uma informação já detalhada no texto, mas que precise de uma solução
gráfica para ser melhor interpretada.
Os mapas podem ser meramente geográficos ou estarem em um
contexto histórico. Vários mapas podem ser usados em seqüência para
representar uma situação, como o avanço de um exército durante anos ou
o aumento de uma área desértica através dos séculos. Se não importarem
muito ao contexto, detalhes geográficos como relevo, pequenas nuances
de rios e fronteiras podem ser suavizadas ou até mesmo descartadas. As
localidades que não tiverem importância no contexto não precisam ser
assinaladas. Além das linhas de fronteiras, o uso de cores para diferenciar
as áreas é essencial. O uso desse recurso deve estar sempre associado a
legendas, que devem estar próximas ao mapa. Quando é necessário que
se dê à idéia de movimento, podem ser usadas setas, que também podem
ter cores e legendas próprias.(figura 12)
Gráficos numéricos são muito usados em matérias de economia,
sociologia, e até saúde. Os mais usados são os de linhas, barras, colunas e
pizza. Neles podem ser usados elementos que os identifiquem melhor
com o texto. Exemplo: num gráfico sobre saúde que fale da média de
remédios consumidos por faixa etária, podem ser usadas ilustrações de
pílulas como unidade de valor, e uma legenda traduzir que cada pílula
daquela equivale a 10 gramas de remédio. (figura 13)
Ilustrações podem ser usadas na dramatização de situações das quais é
relevante que se descreva detalhadamente o ocorrido a partir de um relato.
Num seqüestro, por exemplo, a ação dos banidos é simulada através de
quadrinhos. É importante que o ilustrador seja o mais fiel possível ao
relato, não dando margem à outras interpretações do fato.
48
Manual de Redação e Estilo

Glossário jornalístico

agilidade – Qualidade essencial do “Para entender o caso”, ficha técnica,


jornalismo. A agilidade de um jornal cronologia, glossário). Nesses casos,
se mede por sua capacidade de redija o texto em tópicos separados.
fazer o produto mais informativo,
analítico, completo e rigoroso no artigo – Gênero jornalístico que
menor tempo possível. O traz interpretação ou opinião do
planejamento ajuda a garantir a autor. Sempre assinado. Pode ser
qualidade do jornal todos os dias, escrito na primeira pessoa. Um
mas o jornalista deve estar pronto jornal se reserva o direito de não
para modificar tudo o que tiver sido publicar artigo que, na opinião de
planejado, quando as condições o sua assessoria jurídica, veicule
exigirem. calúnia, difamação ou injúria, ou
possa, por qualquer outro motivo
arte – Tudo o que puder ser legal, dar margem a processo
apresentado na forma de tabelas, judicial com base na legislação em
mapas, quadros e gráficos não deve vigor. Embora a responsabilidade
ser editado na forma de texto. A jurídica pelo artigo caiba a quem o
tendência do jornalismo é a uti- assina, a responsabilidade jorna-
lização cada vez maior de artes, lística e política cabe ao jornal.
principalmente coloridas, que Decisão quanto à publicação ou
atraem mais o leitor do que o texto. não de artigo compete à Direção
Admite-se que algumas artes con- de Redação.
tenham apenas texto, quando
houver necessidade de destacar barriga – Publicação de grave erro
informação verbal (artes do tipo de informação. Quando um jornal
49
erra, reconhece o erro. Quando reprodução integral de um do-

Manual de Redação e Estilo


outro veículo de informação erra, cumento, diálogo, pequena en-
o jornal noticia quando o lapso tem trevista pingue-pongue, comentário,
grande importância jornalística. aspecto pitoresco da notícia etc.

bigode – Designa o fio, origi- broche – É a foto ou ilustração


nalmente mais grosso no centro e aplicada sobre outra foto ou ilus-
fino nas pontas, que separa textos, tração maior, em região de pouca
títulos, fotografias etc. Não ocupa informação visual. Funciona como
toda a largura do material que informação complementar. Use
separa. com critério e parcimônia. Também
é chamado de destaque.
boneca/boneco – Modelo gráfico
simulado de um jornal, caderno, li- caderno – Cada um dos conjuntos
vro ou revista a ser impresso. Sua de folhas dobradas, com no
função é permitir uma visualização mínimo quatro páginas, que
do conjunto formado por textos, compõem o jornal. Um jornal usa
fotos e outros elementos gráficos intensivamente o recurso de criar
nas páginas. É confeccionado no cadernos e subcadernos para aten-
mesmo formato em que se pretende der a interesses específicos de seus
imprimir. leitores, seguindo uma tendência do
jornalismo contemporâneo
boneco fotográfico – Jargão conhecida como segmentação.
editorial que designa fotografia de
uma pessoa em que aparecem seu calhau – Determinados anúncios
rosto, em geral de frente, e parte do referentes ao próprio jornal pre-
seu tronco. parados com antecedência para
preencher, sempre que necessário,
box – Texto curto que aparece espaços em branco de uma página
cercado por fios, em associação criados pela falta de material pre-
com outro texto, mais longo. Pode visto (jornalístico ou de publici-
ser texto de serviço, biografia, dade). Faça tudo o que puder para
50
evitar seu uso. Também se diz pejo- signa o trabalho – ou pessoa que o
Manual de Redação e Estilo

rativamente de texto muito “frio” executa – de reescrever textos para


ou considerado ruim. A expressão publicação. Em um jornal, o texto
vem do francês caillou, prova- é copidescado de preferência pelo
velmente derivado do gaulês *calia- próprio autor. Quando for ine-
vo, e significa pedra solta, seixo. vitável que outro jornalista o faça, a
assinatura do autor deve ser su-
”calhau” informativo – Pequeno primida se as alterações forem pro-
texto noticioso sem grande urgência fundas e não puderem ser comu-
de publicação que os editores e nicadas a ele. Textos de colabora-
editores-assistentes devem ter à mão dores devem ser copidescados
para preencher, em caso de apenas para adequação às normas
necessidade, espaços em branco da gramática e deste manual, salvo
deixados em uma página por falta exceções definidas pela Secretaria de
de material previsto ou para acertar Redação.
a modulação.
cruzar informação – Significa
chamada – Texto curto na Primeira confrontar informação originária de
Página que resume as informações determinada fonte com uma fonte
publicadas pelo jornal a respeito de independente. Assim, cruzar com
um assunto. Remete o leitor para as uma fonte significa possuir duas
páginas que trazem a cobertura origens para uma infor mação.
extensiva. Mais do que qualquer Cruzar com duas fontes, três.
outro, é um texto jornalístico que Qualquer infor mação de cuja
exige frases curtas, secas, veracidade não se tenha certeza deve
substantivas. Deve dar ao leitor idéia ser cruzada, exceto em cir-
de completude. Recomenda-se cunstâncias excepcionais previstas
evitar o excesso de palavras como neste manual.
ontem, que, segundo, afirmou.
”deadline” – Palavra inglesa que
copidesque – Palavra aportu- significa prazo final – em jornalismo,
guesada do inglês copydesk. De- para o fechamento de uma edição.
51
diagramação – Consiste no deve usar todos os recursos gráficos

Manual de Redação e Estilo


trabalho de compor títulos, textos, e jornalísticos de que dispõe.
gráficos, fotos, mapas e ilustrações
na página, de forma equilibrada e edição extra – Fato de excepcional
atraente, buscando criar um ca- importância jornalística pode
minho de leitura segundo a hie- justificar uma edição extraordinária:
rarquia dos assuntos determinada um jornal menor que o habitual,
pelo editor. Dentro dos limites do sobre tema específico, distribuído
projeto gráfico do jornal, o dia- mais tarde que a edição do dia. O
gramador deve procurar criar des- progresso dos meios eletrônicos de
taques e contrastes entre os ele- comunicação tornou a edição extra
mentos visuais da página para torná- supérflua, exceto em situações nas
la jornalisticamente eficaz e quais a TV e o rádio não podem
plasticamente agradável. prestar informação completa. Foi o
caso das listas de preços tabelados
edição – É o processo através do no Plano Cruzado em 1986 e da
qual o material jornalístico chega à Guerra do Golfo em 1991.
forma final em que aparece aos
olhos do leitor. A palavra é usada fac símile – Do latim fac simile,
também para designar o jornal ou isto é, fazer igual. Designa repro-
conjunto de exemplares de um certo dução idêntica de um documento.
dia. O processo de edição Um jornal procura publicar fac
pressupõe escolha e hierarquia dos símile do todo ou de parte de do-
temas e sua apresentação gráfica ao cumento sempre que presume
leitor. Editar é escolher os temas existir curiosidade do leitor sobre
mais importantes da pauta, seu aspecto ou autenticidade.
organizar o material jornalístico com
o objetivo de explicitar essa hierar- “feature” - Gênero jornalístico que
quia ao leitor, conceber as páginas e vai além do caráter factual e
seu conjunto de forma a apresentar imediato da notícia. Opõe-se a
de maneira lógica e harmônica as “hard news”, que é o relato obje-
notícias do dia. Para isso o editor tivo de fatos relevantes para a vida
52
política, econômica e cotidiana. Um gaveta – Material jornalístico “frio”,
Manual de Redação e Estilo

“feature” aprofunda o assunto e preparado com antecedência. O


busca uma dimensão mais atem- editor deve sempre manter textos
poral. Define-se pela forma, não de gaveta para usar em caso de
pelo assunto tratado. Pode ser um emergência.
perfil, uma história de interesse
humano, uma entrevista. gravata – É a frase que vem logo
abaixo do título de uma arte e que
fechamento – Conclusão do tem a função de explicar o que ela
trabalho de edição. Em um jornal, apresenta. A palavra serve também
quem fecha deve estar tão preo- para designar o fio que separa o
cupado com a qualidade da edição título do corpo de uma tabela.
quanto com o cumprimento do
cronograma industrial. Deve se “hard news” – Em inglês, tem o
dispor a reabrir a edição sempre que sentido de notícia importante.
um imprevisto relevante o exigir, Designa o relato objetivo de fatos
mas apenas com autorização da e acontecimentos relevantes para a
Secretaria de Redação. O atraso no vida política, econômica e cotidiana.
fechamento prejudica a impressão Opõe-se a “soft news” e “feature”,
e distribuição do jornal. textos mais leves e saborosos que
não precisam ter relação imediata
fluxo – O processo industrial exige com a descrição de um aconte-
que cada seção ou editoria não ape- cimento (por exemplo, um perfil).
nas seja fechada dentro de um horá-
rio-limite, mas também que seu fe- importância da notícia – Critérios
chamento tenha um fluxo adequado. elementares para definir a
Se todas as páginas de uma editoria importância de uma notícia:
forem fechadas apenas no prazo final, a) Ineditismo (a notícia inédita é mais
surgirão dificuldades na impressão. O importante do que a já publicada);
fluxo lento de uma editoria prejudica b) Improbabilidade (a notícia menos
o das que fecham mais tarde, afetando provável é mais importante do que a
a circulação do jornal. esperada);
53
c) Interesse (quanto mais pessoas legenda – Recurso essencial de edi-

Manual de Redação e Estilo


possam ter sua vida afetada pela ção. A legenda não é colocada sob
notícia, mais importante ela é); a foto apenas para descrevê-la, em-
d) Apelo (quanto maior a curio- bora não possa deixar de cumprir
sidade que a notícia possa despertar, essa função. Por ser um dos primei-
mais importante ela é); ros elementos da página que atrai o
e) Empatia (quanto mais pessoas leitor, merece tanto cuidado quanto
puderem se identificar com o os títulos. Deve ser atraente e con-
personagem e a situação da notícia, quistar a atenção. A boa legenda
mais importante ela é). também esclarece qualquer dúvida
que a foto possa suscitar. Não deve
Ao levar em consideração esses simplesmente descrever aquilo que
critérios, não esqueça que as qualquer leitor pode ver por si só.
reportagens de um jornal devem A legenda fotográfica deve atender
atender às necessidades de in- à curiosidade do leitor, que deseja
formação de seus leitores, que saber o que ou quem aparece na fo-
for mam um gr upo particular to, o que está fazendo, onde está.
dentro da sociedade. Esses inte- Sempre que for cabível, deve usar
resses mudam e o jornal participa verbo no presente (o presente do
de modo ativo desse processo. momento em que a foto foi tirada).

janela – Nome dado em um jornal, lead – Palavra aportuguesada do


à “feature” ou “side” editado entre inglês “lead”, conduzir, liderar. O
fios, formando quadro. O texto, jornalismo usa o termo para re-
em itálico, é acompanhado de título sumir a função do primeiro pará-
em duas linhas, linha-fina e foto ou grafo: introduzir o leitor no texto e
arte. O termo também é usado, prender sua atenção. Há dois tipos
mais raramente, para designar o básicos de lide: o noticioso, que
espaço que se abre numa página ou responde às questões principais em
em texto para aplicar selo, capitular, torno de um fato (o quê, quem,
foto ou anúncio. quando, como, onde, por quê), e o
54
não-factual, que lança mão de ordem direta (sujeito, verbo e
Manual de Redação e Estilo

outros recursos para chamar a predicado).


atenção do leitor.
O caráter condutor do lide se aplica Atenção agora para o que você
para quem lê e para quem escreve. deve evitar no lide:
Se ao produzir um texto você não a) Esconder o fato principal em
avança, fica preso nos primeiros meio a informações como loca-
parágrafos, é muito provável que lização geográfica, horário, am-
o problema esteja no lide – ele o bientação e idade – todas elas
conduziu a um caminho errado de recomendadas neste manual, o que
estr utura de texto. Você não não quer dizer que todas devam ser
consegue mais escrever. O leitor, fornecidas de uma só vez;
possivelmente, não conseguirá mais b) Usar, sem explicar, nome, palavra
ler. Nesses casos, o melhor é refazer ou expressão pouco familiar à
o lide. Elabore seu lide de modo média dos leitores;
que um título atraente e infor- c) Começar com advérbio ou
mativo seja feito a partir dele com gerúndio;
naturalidade. Não deixe para quem d) Começar com declaração entre
vai titular o texto (pode até ser você aspas, fórmula desgastada pelo uso
mesmo) a tarefa de decifrar o indiscriminado. Reser ve-a para
raciocínio do autor e juntar infor- casos de declarações de impacto:
mações dispersas. “Não acredito no livre mercado”,
Em um jornal, o lide noticioso deve: disse o empresário.
a) Sintetizar a notícia de modo tão Para o segundo tipo de lide, o não-
eficaz que o leitor se sinta infor- factual, não existe receita. É fácil fazer
mado só com a leitura do primeiro um lide burocrático. Mas conquistar
parágrafo do texto; a atenção do leitor e ao mesmo
b) Ser tão conciso quanto possível. tempo informá-lo é um desafio.
Procure não ultrapassar cinco linhas
de 70 toques (lauda) ou de 80 toques manchete – É a principal notícia
(terminal de computador normal); do dia e deve receber o título mais
c) Ser redigido de preferência na importante da Primeira Página. Este
55
deve obedecer, de acordo com o ciosa. Suprimir ou inserir uma infor-

Manual de Redação e Estilo


impacto da notícia, à seguinte mação no texto pode alterar o signi-
gradação, em ordem decrescente: ficado da notícia. Não use desses
a)três linhas em seis colunas; expedientes.
b) duas linhas em seis colunas;
c) uma linha em seis colunas; “off the record” – Em inglês, fora
d) duas linhas em quatro colunas; dos registros. Designa informação
e) três linhas em três colunas; de fonte que se mantém anônima.
f) uma linha em cinco colunas; O oposto de “off ” é a informação
g) duas linhas em três colunas; “on”, em que a fonte aparece
h) quatro linhas em duas colunas; identificada. No Brasil, a maioria
i) uma linha em quatro colunas. das informações “off the record”
são publicadas.
módulo – Cada um dos formatos Basicamente, há três tipos de
fixos que são usados na paginação informação “off the record”:
de um jornal. O jornal trabalha com a) “Off ” simples - Obtido pelo
três módulos básicos: jornalista e não cruzado com outras
a) Módulo 100 - Texto de uma fontes independentes;
coluna. Seu tamanho reduzido exige b) “Off ” checado - Informação
redação concisa, direta inteligente; “off ” cruzada com o outro lado
b) Módulo 200 - Texto de duas co- ou com pelo menos duas outras
lunas. Admite um maior deta- fontes independentes;
lhamento da notícia; c) “Off ” total - Informação que,
c) Módulo 300 - Texto de três a pedido da fonte, não deve ser
colunas. Reserve-o para notícias publicada de modo algum, mesmo
realmente importantes. que se mantenha o anonimato de
quem passa a informação. O “off ”
notícia – Puro registro dos fatos, total ser ve só para nor tear o
sem opinião. A exatidão é o ele- trabalho jornalístico.
mento-chave da notícia, mas vários
fatos descritos com exatidão podem olho – Recurso de edição mais
ser justapostos de maneira tenden- usado em um jornal para anunciar
56
os melhores trechos de textos lon- publicação. Quanto mais específica
Manual de Redação e Estilo

gos e arejar sua leitura. Em geral tem puder ser a explicação, melhor.
apenas três linhas de texto cen-
tralizadas, nas quais se destacam fra- página aberta – Aquela na qual
ses relevantes e sugestivas do artigo, ainda falta material jornalístico ou
entrevista ou transcrição. Para ganhar de publicidade.
espaço, admitem-se alterações
pequenas e supressão de palavras. página americana – Designação
dada a páginas quase inteiramente
ouvir o outro lado – Todo fato ocupadas por anúncio, com exceção
comporta mais de uma versão. de uma faixa reser vada para a
Registre sempre todas as versões Redação, que se estende no alto pela
para que o leitor tire suas conclusões. largura das seis colunas e de cima a
Quando uma infor mação é baixo na coluna da direita (páginas
ofensiva a uma pessoa ou entidade, pares) ou da esquerda (páginas
ouça o outro lado e publique as ímpares). É frequente nas edições
duas versões com destaque de fim-de-semana. Esse formato
proporcional. de página, que dificulta a edição de
Se a versão ofensiva aparece em fotos e artes, exige criatividade de
título, publique a do outro lado editores e diagramadores.
também em título ou pelo menos
em linha-fina. Dar destaque pro- página dupla – Duas páginas de
porcional é, por exemplo, dedicar tamanho padrão usadas para um
para o outro lado um box de uma mesmo assunto ou anúncio. Podem
coluna dentro de um texto de três ser ou não as páginas centrais de um
colunas. A resposta a uma acusação, caderno.
crítica ou opinião divergente jamais
deve ser ocultada no final de um página espelhada – Aquela que
texto ou omitida. Se não for possível fica ao lado de uma outra. Noti-
ouvir o outro lado no mesmo dia, o ciário que ocupa mais de uma pá-
texto deve ser submetido à Direção gina de jornal deve ser colocado, de
de Redação, que decidirá sobre a preferência, em páginas espelhadas.
57
página ímpar – As notícias mais uma página, a partir do qual o arte-

Manual de Redação e Estilo


importantes são editadas nas páginas finalista ou diagramador executam
de número ímpar porque, em tese, elas o produto final.
atraem mais atenção visual do leitor do
que as páginas de número par. registro – Alguns fatos merecem
ser publicados no jornal, mas não
portrait – É o boneco fotográfico demandam maior investigação ou
em que também aparecem objetos investimento de reportagem. O
ou situações relacionados com as registro pode ser feito de forma
atividades do personagem da foto. rápida no interior de um texto ou
como uma notícia curta.
Primeira Página – Como vitrine
do jornal, ela expõe os principais retranca – Termo genérico para
assuntos da edição. Deve ser repre- designar cada unidade de texto em
sentativa de todas as editorias. O jornal. Mais especificamente,
texto precisa ser exemplar em qua- designa o código (em letras e nú-
lidade, concisão e clareza. Fotos e meros) com que se localiza um texto
artes (de preferência em cores) têm nos diagramas de qualquer página
prioridade. É feita por uma equipe de uma edição.
exclusiva. Seu conteúdo é discutido
em reuniões vespertinas diárias. A sangrar – Recurso gráfico que
definição de seu desenho e da consiste em deixar que se invada
manchete é feita pela Secretaria de com texto, foto ou ilustração o
Redação e submetida à Direção de espaço externo às margens ou
Redação. Os editores devem se coluna da página do jornal ou
esforçar para que os assuntos de sua revista.
área estejam presentes na Primeira
Página com frequência. suíte – Do francês suite, isto é, série,
seguimento. Em jornalismo, designa
rafe – Do inglês rough, que pode a reportagem que explora os des-
ser traduzido por rascunho. Esboço dobramentos de notícia publicada
de desenho, arte ou diagramação de na edição anterior. Em um jornal,
toda suíte deve rememorar os fatos deve esgotar o assunto de que trata.
anteriormente divulgados. Deve ser curto, objetivo e combinar
as qualidades do bom texto com as
sumário – Pequenos textos de da boa legenda. Textos-legendas
Primeira Página reunidos no quadro têm sempre título em maiúsculas.
com fundo colorido normalmente Dependendo da foto, o título pode
editado na parte inferior da capa. fugir ao padrão sujeito ativo/verbo
O termo serve para designar cada no presente. Eventualmente, o título
uma das unidades informativas (que pode recorrer a trocadilho ou outras
podem ter título e texto, apenas formas de humor.
título ou apenas texto) ou o conjunto
delas (o quadro todo). Todos os ca- tiragem – Total de cópias pro-
dernos da edição são nele represen- duzidas por um jornal ou revista em
tados por seus logotipos. uma edição. Diferencia-se da
circulação paga, que é o total de
suplemento – Termo tradicional exemplares da edição vendidos. A
para designar caderno temático com tiragem é a soma da circulação paga
periodicidade semanal. com a circulação por cortesia mais
o encalhe.
tablóide – Formato de jornal cuja
mancha tem aproximadamente a vinheta – Originalmente, pequenos
metade do formato standard. A área elementos decorativos desenhados
de impressão corresponde a 32 cm por miniaturistas medievais nas
por 24,9 cm. Apenas na Região Sul margens dos manuscritos. Os
do Brasil esse formato teve algum motivos provinham de plantas
sucesso, mas muitos cadernos de como videiras, daí o nome (vignette,
grandes jornais diários recorrem a ele. em francês, é o diminutivo de vigne,
videira ou vinha). A expressão
texto-legenda – Também cha- designa hoje a forma gráfica usada
mado de foto-legenda. Legenda para caracterizar uma seção na
ampliada que, em combinação com página de jornal ou revista. Também
a foto ou ilustração a que se refere, é empregada em rádio e televisão.
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Manual de Redação e Estilo

Bibliografia

Folha de São Paulo, Manual de Redação, São Paulo, 2001


O Estado de São Paulo, Manual de Redação e Estilo, 1997
O Globo, Manual de Redação e Estilo, 2000
Jornal do Brasil, Normas de Redação, 1988
Folha Dirigida, Manual de Redação, 2002
O Dia, Manual de Redação, 2000