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Aula 02 - A Antropologia no Campo das Ciências Sociais

Na aula anterior você pôde entender por que o estudo da Antropologia da Religião é importante no âmbito da
Universidade. Agora, nesta aula, você vai aprender o que é Antropologia. Para tanto, você vai contar com a
ajuda de alguns personagens. Trata-se de um grupo de alunos da Universidade Católica de Brasília.
Acompanhe-os nessa jornada!

2.1 A Antropologia no Quadro das Ciências

É início das aulas e Pedro desceu lepidamente do ônibus, caminhou alguns passos e se encontrou com seus
amigos antes de chegar aos jardins verdes e ensolarados da universidade. Todos eram calouros, com exceção
de Laura e João, que haviam iniciado o curso no ano anterior.

O grupo se mostrava ansioso por iniciar as aulas e conversava sobre as disciplinas que iriam cursar. Pedro
adiantou-se e disse:

- Tenho uma disciplina chamada ‘Antropologia da Religião’. Esse termo “antropologia” é novo; não sei bem
do que se trata.

Maria, com os olhos atentos, mencionou que também cursaria a disciplina, mas na modalidade de educação a
distância.

João, imediatamente, falou:

- É uma disciplina da área das Ciências Sociais.

Laura, sorrindo, acrescentou:

- Você ajudou muito! A Sociologia, a História, a Psicologia Social, a Economia e tantos outros cursos, além
de serem da área, têm muitas de suas disciplinas no campo das Ciências Sociais. Mas, afinal, o que são as
Ciências Sociais?

Pedro olhava para um e para outro, querendo entender melhor essas novas palavras, já que iria cursar
“Antropologia da Religião”, que faz parte da “Antropologia” que, por sua vez, é da área das Ciências Sociais.
Balançou a cabeça e disse, de supetão:

- E daí?

João, como sempre muito sistemático, falou pausadamente:

- Vamos por partes.

Enquanto caminhavam em direção à biblioteca, o jovem dizia:

- O conhecimento científico é um tipo de conhecimento que é relativamente recente na história da humanidade,


não é mesmo?

Perguntou como se quisesse apenas criar uma sequência em sua argumentação. Antes não havia propriamente
uma hierarquia entre as várias formas de conhecimentos científicos de diferentes povos, como os chineses,
árabes, maias e outros. Contudo, com a expansão colonial europeia, a partir dos séculos XV e XVI, iniciou-se
um processo de criação de uma ‘ciência central’, abrangente e excludente. A ideia de ciência que temos hoje,
em grande parte, é fruto desse modelo que partiu da Europa e depois se fez presente em outros continentes.

2.2 Ciências Naturais e Ciências Sociais


Quando chegaram à biblioteca, Pedro, ainda interessado no assunto, perguntou:

- E a Antropologia nisso tudo?

Já dentro da biblioteca, dirigiam-se para uma sala de estudo em grupo. Maria, também caloura, que até o
momento permanecera apenas ouvindo, disse:

- O assunto está interessante! Que tal buscarmos informações em alguns livros e em algum sítio acadêmico na
Internet?

O grupo concordou, mas antes de se dispersarem para a pesquisa, João disse:

- Acho uma boa ideia, mas seria melhor acordarmos primeiro o que queremos pesquisar, qual nosso objetivo
de pesquisa, para depois nos dividirmos. Então, retomando o que estava falando, acrescento que nesse modelo
de ciência desenvolvido na Europa há uma divisão entre aquilo que chamamos hoje de ‘ciências da natureza’
e ‘ciências humanas’. Recordo-me das anotações que fiz das ideias de um famoso antropólogo brasileiro
chamado Roberto Damatta, não lembro bem do livro, mas ainda deve estar aqui no meu pendrive.

Damatta menciona algo sobre essa distinção:

Nossas reconstruções, assim, diferentemente daquelas realizadas pelos cientistas naturais, são sempre parciais,
dependendo de documentos, observações, sensibilidade e perspectivas. (...) O problema não é o de somente
reproduzir e observar o fenômeno, mas substancialmente o de como observá-lo. (DAMATTA, 1983, pp.21-
22)
Enquanto caminhava em direção à entrada da sala de estudos em grupo, João vasculhava sua mochila
procurando o pendrive. Ao sentarem nas cadeiras ao redor de uma mesa circular, Maria abriu sua mochila,
retirou seu notebook e disse para João procurar o arquivo que continha as ideias desse antropólogo Roberto
Damatta. João prontamente conectou o dispositivo e procurou o mencionado arquivo. Disse, logo em seguida:

- Está aqui! Vejam o esquema que montei das ideias da primeira parte do livro Relativizando: uma introdução
à antropologia social, intitulada “A Antropologia no quadro das Ciências”:

Estudo de fenômenos e fatos que se repetem, têm uma constância e, nesse sentido, podem ser considerados
fenômenos simples e isoláveis. São fenômenos que estão perto de nós, mas radicalmente diferente de nós (o
objeto de estudo é completamente diferente do pesquisador). Estudo de fenômenos complexos, situados
em planos de causalidade e determinação complicados. São fenômenos que estão bem perto de nós (muitas
vezes é difícil, senão impossível, separar realmente o objeto de estudo do pesquisador).
Geralmente, os fenômenos observados são reproduzidos em laboratórios ou similares em vista de uma
comprovação empírica. Não é fácil isolar causas e motivações exclusivas.
Seus resultados são, na maior parte, materializados em tecnologias que trazem, com relativa agilidade,
consequências e impactos na sociedade. Seus resultados, por não poderem ser reproduzidos ‘em
laboratório’, não trazem de imediato tanto impacto quanto os resultados das Ciências da Natureza, mas tendem
a produzir modificações no comportamento social. Em geral, seus resultados práticos são vistos fora do campo
científico e tecnológico: filmes, teatro, novelas romances etc.
Pode-se presenciar, por exemplo, os modos de reprodução de formigas, pois o fenômeno pode ser criado em
laboratório. Não é possível reproduzir a matéria-prima das Ciências Sociais. Mas pode ser observada (por
exemplo, funerais, aniversários, rituais de iniciação, trocas comerciais etc.).
Maria e Pedro coçaram a cabeça e olharam o esquema de um lado e de outro. Pensavam apenas, sem falar,
mas seus gestos corporais expressavam bem as dúvidas e inquietações. Pedro rompeu com o silêncio e
perguntou:

- Quer dizer então que a Antropologia é uma disciplina das Ciências Sociais, e que esta área difere das Ciências
Naturais, mas ambas formam o conhecimento científico?
Laura, como já havia cursado Antropologia da Religião e Metodologia Científica, e, portanto, estava por
dentro da formação do conhecimento científico, sorriu e disse:

- É isso mesmo. O fato de haver essa divisão é mais didática, pois no fundo pergunto-me se há alguma ciência
que não seja humana ou social. Mesmo os cursos com disciplinas majoritariamente da área das Ciências da
Natureza e Exatas também não são cursos que nascem e desenvolvem-se a partir do ser humano e de suas
relações, da busca de melhor viver? Certamente que sim!

Maria olhou para Laura, e Pedro e fez uma observação:

- Mas tem muita gente que pensa e age como se o seu curso fosse melhor e mais importante que os outros.
Como se fosse mais científico que outros. A ideia de que essas áreas são interdependentes e que na verdade
formam um único conhecimento, o conhecimento científico, é muito importante, pois evita comparações
ingênuas e preconceituosas que de nada ajudam na formação de um ambiente acadêmico sério e aberto à
interação entre diferentes áreas e, consequentemente, entre diferentes cursos.

Para Refletir...

O conhecimento humano expresso nas duas imagens abaixo deve ser hierarquizado frente ao critério do bem
viver coletivo e individual? Por que em algumas relações sociais ainda se insiste em tais hierarquizações?

Laura retomou a palavra e disse:

- Lembram do que o João falou sobre a história do conhecimento científico? Que é relativamente novo? Então,
não vamos nos esquecer de que existem outros importantes tipos de conhecimentos que também nos ajudam
ou podem nos ajudar no bem viver, assim como a Ciência. São eles: a Filosofia, a Teologia, o conhecimento
mítico, o conhecimento artístico.

João ouvia a conversa e olhava concomitantemente a tela do computador, que apresentava, além do esquema,
outras anotações sobre o referido assunto, com base no antropólogo Damatta. Numa tentativa de síntese
mencionou:

- Concordo com você Laura. Nesse mesmo capítulo, o Roberto Damatta chama nossa atenção para o fato de
que a distinção entre as ‘Ciências Naturais’ e as ‘Ciências Sociais’ é que na primeira a natureza não pode falar
diretamente com o pesquisador, ao contrário da segunda: cada sociedade humana conhecida é um espelho em
que nossa própria existência se reflete. Para ele, as ‘Ciências da Natureza’ são mais simples e se repetem, já
as ‘Ciências Sociais’ são mais complexas e complicadas, por dependerem de vários aspectos. O fato de a
Antropologia Social lidar com a dimensão cultural e simbólica nos informa da complexidade de seu objeto de
estudo, bem como da importância de seus estudos, que podem nos ajudar a compreender e propor mudanças
de comportamento social. Embora este último aspecto seja, para o autor, algo difícil, pois é mais fácil para os
grupos sociais mudarem ou trocarem de objetos e bens do que trocarem de valores simbólicos e políticos.

Pedro e Maria ouviam atentos, e Pedro disse:

- De fato, é mais fácil trocar de aparelho celular do que, por exemplo, mudar de hábitos politicamente
incorretos como beber uma cerveja e depois dirigir um carro. A ‘Lei seca’ serve de exemplo do que você está
falando. Os estudos da Antropologia, dos costumes de um povo ou grupo, nos ajudam a melhor compreendê-
lo e, se for o caso, modificar esses costumes, não é?

João confirmou, dizendo que estudar ‘objetos’ como os hábitos e costumes de um grupo humano é
extremamente desafiante, pois depende de uma série de fatores sociais e individuais que se modificam
conforme o contexto e o momento em que ocorrem as ações.

Laura pediu a palavra e afirmou:


- É isso mesmo João! Destaco ainda, conforme o antropólogo Damatta, que os fatos de as ‘Ciências Sociais’
não produzirem resultados que possam ser generalizados, tal como as ‘Ciências Naturais’, e de não terem
consequências práticas na mesma proporção não tornam um tipo de conhecimento inferior ao outro. A
Antropologia envolve fatos complexos que dependem de condições de percepção e interpretação do
pesquisador. Os seres humanos não se separam por espécies, mas pela organização de suas experiências, por
sua história e pelo modo como classificam suas realidades internas e externas. Desse modo, quando vemos
um costume diferente, acabamos reconhecendo-o pelo contraste em relação ao nosso próprio costume.

Os fatos sociais são irreproduzíveis em condições controladas e, por isso, quase sempre fazem parte do
passado. São eventos a rigor históricos e apresentados de modo descritivo e narrativo, nunca na forma de uma
experiência. (DAMATTA, 1983, p. 21)
2.3 O que é Antropologia?

Maria sorriu e exclamou:

- Puxa! Vejam como discutir academicamente um assunto nos obriga a ver diversos ângulos de uma questão!
Diante da simples pergunta do Pedro – o que é Antropologia –, afirmamos isso, afirmamos aquilo. Tudo para
preparar uma resposta. Mas até agora não dissemos, afinal, o que é Antropologia!

Pedro também sorriu e disse:

- Tô curioso e até entendo que, para uma melhor compreensão, é necessário, academicamente falando, ver as
relações de algo com o todo e como essa parte se constitui nesse todo, senão teremos uma visão muito parcial
e ingênua das coisas. Mas agora acho que já temos uma visão panorâmica para falar especificamente sobre o
que é Antropologia. Não é mesmo?

João e Laura também sorriram, dizendo:

- É isso mesmo! Bem vindos à universidade! Bem vindos ao debate acadêmico!

- Ok, galera! Vamos fazer o seguinte – disse Pedro– a Maria tinha proposto que buscássemos informações
aqui na biblioteca em alguns livros e em algum sítio acadêmico na Internet, e o João nos advertiu que antes
seria melhor acordarmos o que queremos pesquisar, qual nosso objetivo de busca e depois nos dividirmos.
Acho que já temos mais claro o que queremos. Então vamos lá?

Maria disse que procuraria sobre “o que é Antropologia” na Internet. Pedro disse que procuraria no ‘pai dos
burros’ (que na verdade significa o contrário do que aparentemente quer dizer, isto é, só quem quer aprender
mesmo é que consulta e pesquisa no dicionário, logo a expressão mais exata seria ‘pai dos sábios’).

Laura tomou a palavra e disse:

- Em que dicionário você irá procurar, Pedro?

Ele respondeu:

- Em qualquer um que eu encontrar, como o Aurélio, o Houaiss... Qualquer um.

Mas Pedro percebeu que aquela pergunta tinha uma razão de ser. Quem explicou foi o João:

- Na universidade, precisamos consultar, sempre que possível, a fonte bibliográfica apropriada, isto é, que
tenha um caráter científico comprovado. Assim, no caso dos dicionários, embora esses dois que você citou
sejam boas fontes, há dicionários especializados em algumas áreas, como dicionários de Filosofia, Botânica
etc. E para o caso específico que estamos discutindo, há dicionários de Ciências Sociais.

Laura complementou:
- Isso vale não só para livros, revistas ou qualquer material impresso, mas também para consultas virtuais,
para materiais encontrados na Internet. Cada área e curso, geralmente, conta com livros clássicos, periódicos
e outros que têm o aval da comunidade científica. O material publicado nessas fontes é previamente apreciado
por uma equipe de especialistas na área. Nas revistas, também chamadas de ‘periódicos’, a gente pode ver
quem são esses especialistas no ‘Conselho Editorial’. Geralmente são doutores ou reconhecidos
pesquisadores. Um estudo acadêmico deve ter, direta ou indiretamente, referência a essas obras, pois são o
que há de mais legitimado no momento. Na Internet, alguns sítios na área de Ciências Sociais, especialmente
na Antropologia, são o do DAN – UnB; o do Museu Nacional – UFRJ; o da Associação Brasileia de
Antropologia – ABA, e de forma geral, o Scielo. O Google é uma ferramenta de busca muito usada, mas para
esses fins que mencionamos sugiro que busque o Google acadêmico.

Enquanto ouvia, Maria rapidamente acessou o verbete ‘antropologia’, e inúmeros links abriram-se em sua
tela. Ela disse:

- Vejam só! Como escolher entre essas dezenas de links? Que critério utilizar? Vocês têm razão. Precisamos
ter referências acadêmicas.

Pedro e Laura afastaram-se para procurar, na estante de dicionários, um dicionário especializado. Enquanto
isso, Maria conversava com João:

- Veja só o que diz o dicionário Houaiss sobre ‘antropologia’: “ciência do homem no sentido mais lato, que
engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características
raciais, costumes sociais, crenças etc.”

Nesse momento, chegaram Pedro e Laura com o Dicionário de Ciências Sociais (1986). No verbete
‘antropologia’, encontraram sete páginas sobre o termo e suas divisões, como ‘antropologia cultural’,
‘antropologia política’ etc.

Após lerem todo o verbete sobre antropologia, destacaram as seguintes partes:

Inicialmente a antropologia era uma disciplina global, singularizada pela junção de traços biológicos e
características históricas e sócio-culturais. Ou estava inteiramente voltada para o passado, como revela a
importância das técnicas arqueológicas; ou inteiramente dominada pelo biologismo, que tipificava o
cientificismo reinante na época. Assim, as especulações sobre a vida social e cultural do homem se
subordinavam ao plano biológico (ou plano natural), o que conduzia as reduções indiferenciadas de tudo o
que era cultural a uma questão de biologia ou clima. A antropologia geral, deste modo, era uma ciência na
medida em que especulava e afirmava em suas teorias uma origem e uma explanação cabal e irredutível para
os fenômenos de diferenciação entre homens e sociedades, reduzindo tudo a um problema de meio geográfico
e de traços genéticos dados em grandes unidades biológicas, as raças (SILVA, 1986, p. 58).
João comentou as consequências desse trecho, com base nas informações do dicionário. Destacou que essa
perspectiva antropológica, em alguns países como a França, a Inglaterra, os Estados Unidos, aAlemanha e a
Itália, gerou interpretações racistas ou serviu também para criar interpretações que explicassem os tipos de
comportamento criminoso ou desviante. Segundo essas teorias preconceituosas, poderíamos observar nas
feições de um criminoso a sua criminalidade.

Laura, tomando a palavra, disse:

- Em uma aula que tive de Direito, a professora mencionou algo nesse sentido. Essas ideias serviram para
algumas teorias médicas, como a de Lombroso (1835-1909), que contribuiu para uma antropologia criminal
que tinha como base a ideia de que existe uma relação direta entre o atavismo e o delinquente nato. O que
distingue criminosos e não-criminosos seriam anomalias e estigmas de origem atávica ou degenerativa.

Pedro, complementou dizendo:


- O conde Gobineau também dizia para D. Pedro II que um dos grandes problemas para o sucesso da sociedade
brasileira era ser uma sociedade mestiça. Igual perspectiva era defendida pelo cientista natural da Universidade
de Harvard, L. Agassiz, quando visitou o Brasil no século XIX.

Então Pedro leu no Dicionário de Ciências Sociais: “Para os antropólogos racistas europeus e norte-
americanos da época, a mistura das raças era um grave perigo a ser evitado, provocando demora na formação
da raça pura,que deveria ser a verdadeira espinha dorsal da nação” (SILVA, 1986).

Maria, espantada com essas ideias, disse que compreendia agora o porquê de um trecho mencionar que o
desenvolvimento da Antropologia se deu sobretudo a partir do momento em que ela se separou da Biologia
ou de uma perspectiva predominantemente biológica. Com base no mesmo dicionário, destacou que essa
separação oportunizou “a descoberta da cultura (e da sociedade) como fenômenos humanos singulares,
dotados de lógica e autonomia próprias, que poderiam variar independentemente do plano biológico ou
geográfico”.

Dando continuidade a seu raciocínio, Maria chamou atenção para outro trecho do dicionário:

“costumes antigos” e “exóticos”, como as formas de casamento, as nomenclaturas de parentesco, as leis civis
e criminais, os sistemas de organização do poder, as maneiras de enterrar os mortos ou o modo pelo qual a
paternidade era assumida, esses estudiosos descobriram a dinâmica de certas formas culturais, formas que,
uma vez institucionalizadas como moralidade, regulavam e davam sentido a práticas sociais complexas. Não
seriam, portanto, as práticas utilitariamente orientadas pelo estômago ou pela raça que determinavam a
invenção de costumes "bizarros" e "primitivos", mas seriam os conjuntos dos costumes como instituições e
como fontes de oralidade e valor que orientariam as práticas humanas. Suas variações eram problemas muito
mais complexos do que poderiam imaginar os filósofos sociais do período anterior, dominado pelo
universalismo típico da Revolução Francesa. Esses estudos indicavam que, se os homens, afinal, não eram
mesmo iguais, eles também não eram inteiramente diferentes ou grosseiramente superiores e inferiores
(SILVA, 1986, p. 59).
João olhou para o relógio e disse:

- O tempo passa rápido, não é mesmo? Especialmente quando estamos fazendo algo interessante. É fascinante
conhecermos mais de nós mesmos e da sociedade. As Ciências Sociais nos ajudam nesse sentido.

Laura sorriu, dizendo:

- Engraçado é que, após lermos e comentarmos esses trechos do verbete de antropologia, começam a aparecer
muitas questões.

Maria interrompeu a fala e disse, enfaticamente:

- É isso mesmo! Por exemplo: como iniciaram os estudos da Antropologia? Quais foram os primeiros e
principais antropólogos? Em que basearam suas teses? Tudo isso começou a me causar curiosidade.
Certamente devo procurar saber mais sobre alguns aspectos da história da Antropologia a fim de compreender
melhor essas novas informações que obtivemos.

João, sorriu e completou:

- Não se preocupe que nas aulas de Antropologia da Religião vocês ‘conversarão com’ Malinowski, Mauss,
Franz Boas, Durkheim, Margaret Mead, Lévi-Strauss, Geertz e tantos outros.

Então Pedro animou-se:

- Vamos lá!
Caminharam em direção ao bloco da universidade em que se concentra a maior parte dos cursos da área de
Ciências Sociais aplicadas.

Enquanto caminhavam, conversavam e se deleitavam com os horizontes vicejantes e reluzentes que se


abriam nas passarelas a serem construídas pelo saber e pelo sabor do conhecimento.