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JUSTIÇA SEJA FEITA


Deuteronômio 1.16,17; 10.17,18; 16.18-20

O tema da justiça social é amplamente apresentado na Bíblia. No Deuteronômio


encontramos não apenas diversas leis destinadas a regulamentar a vida do povo, mas
também recomendações quanto à aplicação correta e eficaz da lei. Os legisladores
são advertidos quanto à necessidade de retidão nos julgamentos.

Não obstante a máxima de que "todos são iguais perante a lei", sabemos que a
aplicação da lei nem sempre é igual para todos.

Uma pesquisa realizada na Região Metropolitana do Rio em 1996, pelo Centro de


Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da
Fundação Getúlio Vargas, juntamente com o Instituto Superior de Estudos da Religião
(ISER), indicou que cerca de 91% dos entrevistados responderam que, nó Brasil, a
aplicação das leis é mais rigorosa para alguns do que para outros. Apenas 8%
responderam que a aplicação se dá igualmente para todos.

A pesquisa revelou ainda que na visão de mais de 90% da população, os pobres são
tratados pela Justiça com maior rigor do que os ricos. A cor vem em seguida como
outro importante elemento discriminador (Tempo e Presença, nov-dez/96, no. 290).

Parcialidade e morosidade são, com certeza, duas reclamações que a maioria da


população tem contra a Justiça. As diversas passagens de Deuteronômio referentes
ao tema, são relevantes e atuais e devem ser consideradas com atenção. As
seguintes ideias podem ser destacadas para reflexão:

1 - A JUSTIÇA É UMA EXIGENCIA DE DEUS, O JUSTO JUIZ


Já no primeiro capítulo de Deuteronômio, encontramos a afirmação de que "o juízo é
de Deus" (1.17). Anteriormente, conforme Gênesis 18.25, Abraão já havia declarado a
sua confiança na justiça de Deus, a quem ele chama de "o Juiz de toda a terra". O
salmista, por sua vez, declara: "Justo és, Senhor, e retos os teus juízos" (SI 119.137).

Um dos atributos de Deus é a justiça. E uma das principais evidências de que Deus
não suporta a injustiça é a libertação de Israel da opressão egípcia.

O êxodo é a intervenção direta de Deus a favor do oprimido e injustiçado (Êx 3.7-9).


As leis dadas por Deus a Moisés objetivavam a construção de uma sociedade justa e
igualitária.

A exigência de Deus para que haja justiça na terra tem por base o fato de que Ele é o
"Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que
não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; que faz justiça ao órfão e à viúva, e
ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes" (Dt 10.17,18).

Segundo Moisés, "Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto" (Dt 32.4). 0
paradigma para a aplicação da justiça na terra, reside no próprio Deus, o Justo Juiz:
"Ele ama a justiça e o direito"(SI 33.5).

A exigência divina quanto à justiça pode ser vista também em Amós 5.24: "Corra o
juízo como as águas e a justiça como ribeiro perene".

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2 - A JUSTIÇA É A BASE PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA


SOCIEDADE ESTÁVEL E FELIZ
Deuteronômio 16.20 recomenda: "A justiça seguirás, somente a justiça, para que
vivas, e possuas em herança a terra que te dá o Senhor teu Deus". A preservação da
vida e a posse da terra, como se pode ver, estão vinculadas à existência de justiça.

O profeta Isaías declara que "o efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça repouso e
segurança" (Is 32.17).

Quando a justiça desaparece, o caos se estabelece na sociedade. Não há como negar


que uma das principais causas da violência reinante mo país hoje, seja a falta de
justiça social. A base para uma sociedade igualitária, estável e feliz é,
indiscutivelmente, a justiça.

Quando o Estado se omite no que concerne à garantia da justiça - e infelizmente isso


tem ocorrido em larga escala -, a paz e a tranquilidade se veem ameaçadas.

É dever do Estado assumir as suas prerrogativas no sentido de propiciar à sociedade


uma vida segura e feliz, pois, como diz Paulo, a autoridade é ministro de Deus para
promover o bem e castigar o que pratica o mal (Rm 13.1-7).

No contexto de Israel, a posse da terra e a tranquilidade para se viver, seriam


resultado da justiça social. Com certeza, no Brasil também não será diferente.
Enquanto não houver justiça social, continuará a existir sem-terra, sem-teto, sem-
emprego, sem-nada.

Em contrapartida, persistirá também um clima de crescente descontentamento, com


possíveis e indesejáveis consequências.

Entretanto, como sonhadores que somos, motivados pela utopia da Terra Prometida,
esperamos o tempo em que poderemos celebrar dizendo: "a justiça e a paz se
beijaram. Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar" (SI 85.10-13).

3 - A JUSTIÇA DEVE SER APLICADA COM IMPARCIALIDADE


O foco da atenção agora são o sistema judicial e os operadores da justiça. Tanto a
passagem de Deuteronômio 1.16,17, quanto 16.18-20, enfatizam a necessidade da
imparcialidade nos julgamentos.

A mesma recomendação já havia sido feita em Levítico 19.15. O que se espera da


Justiça é imparcialidade, equanimidade e eficiência. Mas, infelizmente, na prática, nem
sempre isso acontece. A pesquisa referida na introdução deste estudo confirma tal
afirmação. E, talvez, a sua própria experiência reforce esta constatação.

A reversão do quadro atual, em busca de um Judiciário mais imparcial, equânime e


ágil, implica, necessariamente, na adoção de políticas educativas direcionadas para o
exercício da cidadania. O povo precisa tomar consciência de seus direitos. Grande
parte da população os desconhece. A igreja pode desempenhar um importante papel
nessa tarefa de conscientização.

Outro aspecto a ser considerado é a necessidade de uma profunda reforma no


sistema Judiciário, tendo em vista o descompasso entre as leis existentes e a
complexidade e natureza dos problemas de hoje em dia. Vale lembrar que o atual
Código Civil Brasileiro vigora desde 1° de janeiro de 1917.

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Deve-se considerar ainda o excessivo formalismo existente no sistema judicial. O


advogado Miguel Pressburger, Coordenador do Instituto Apoio Jurídico Popular
(AJUP), e membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros, observa que o
ritualismo do processo causa pelo menos dois desastrosos efeitos:

"O primeiro efeito é o de criar verdadeira casta, daqueles que


dominam a linguagem e os códigos protocolares, diferenciada
do povo... O segundo efeito é o de possibilitar aos julgadores
não entrarem no mérito das questões que lhe são trazidas e
decidirem apenas levando em conta os aspectos formais.
Esses resquícios medievais não sofrem nenhum ataque eficaz
por parte do Poder Judiciário que, à primeira vista, deveria ser
o primeiro interessado em deles se libertar" (Tempo e
Presença, nov-dez/96, no. 290).

Como cidadãos, e acima de tudo cristãos, temos o dever de lutar contra toda forma de
injustiça. Somos desafiados a buscar a construção de uma sociedade fundada sobre o
reto juízo. O reino de Deus é justiça e paz (Rm 14.17; II Pe 3.13).

"Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham
desamparados. Abre a tua boca, julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos
necessitados" (Pv 31.8,9).

DISCUSSÃO
1. Na pesquisa mencionada na introdução deste estudo, 91 % dos entrevistados
responderam que a justiça brasileira é parcial. Quais as causas dessa parcialidade?
2. O que a sociedade deve fazer em prol de uma justiça mais ágil e imparcial?

AUTOR: ENEZIEL PEIXOTO DE ANDRADE

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