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23.3.

2005 PT Jornal Oficial da União Europeia C 74/7

Parecer do Comité Económico e Social Europeu sobre a «Política no domínio do turismo e coope-
ração entre os sectores público e privado»

(2005/C 74/02)

Em 29 de Janeiro de 2004, o Comité Económico e Social Europeu decidiu, em conformidade com o


disposto no n.o 2 do artigo 29.o do Regimento, elaborar um parecer sobre «Política no domínio do turismo
e cooperação entre os sectores público e privado».
Foi incumbida da preparação dos correspondentes trabalhos a Secção Especializada de Mercado Único,
Produção e Consumo, que emitiu parecer em 14 de Julho de 2004 (relator: J. MENDOZA).
Na 411.a reunião plenária de 15 e 16 de Setembro (sessão de 15 de Setembro), o Comité Económico e
Social Europeu adoptou, por 148 votos a favor, 1 contra e 3 abstenções, o seguinte parecer:

1. Introdução em vista reforçar a competitividade e a sustentabilidade do


sector.

1.1 No quadro dos compromissos do Comité Económico e


Social Europeu em relação ao sector do turismo europeu, a 1.5 É importante assinalar que, apesar de as realidades da
Assembleia Plenária do CESE, na sessão de 29 de Outubro de evolução e da importância do turismo nos diversos países da
2003, adoptou o parecer «Para um turismo acessível a todas as Europa serem muito diferentes, a cooperação público-privado
pessoas e socialmente sustentável». manifesta-se em todos como um instrumento de reforço da
qualidade, sustentabilidade e competitividade do turismo.

1.1.1 O referido parecer foi posteriormente apresentado no 1.6 A audição pública realizada em Sevilha (Espanha), em
Fórum Europeu do Turismo de 2003 como contributo para a 15 de Abril de 2004, mostrou com mais clareza a existência de
melhoria do turismo em geral e do turismo acessível em parti- múltiplas e valiosas experiências bem sucedidas de cooperação
cular, no quadro do «Ano Europeu das Pessoas com Deficiência». público-privado e a necessidade de prosseguir essa via, a fim de
progredir na qualidade, na sustentabilidade e na competitivi-
dade do sector turístico. Esses objectivos serão ainda mais perti-
1.2 O parecer estabelece um quadro geral para análise, prin- nentes numa Europa alargada, onde a actividade turística terá
cípios e propostas para a definição do futuro do sector do indubitavelmente um papel importante.
turismo nas suas múltiplas e diversas facetas. Foram seleccio-
nados especificamente dez aspectos pertinentes, sendo propostas
dez iniciativas para cada um, resultando num conjunto de cem
iniciativas práticas que, individualmente e em conjunto, têm por
objectivo a configuração de um turismo sustentável e acessível
para o século XXI. 2. Definição dos intervenientes e dos sectores na indústria
do turismo: sector público e sector privado.

1.3 Tendo, portanto, fixado estes objectivos como refe- 2.1 O presente parecer não pretende fixar uma definição e
rência, o CESE, no seu novo parecer sobre «Política no domínio uma delimitação perfeitas dos sectores público e privado. A
do turismo e cooperação entre os sectores público e privado», pretende título indicativo e com o objectivo de orientar a análise,
definir as acções e as medidas a levar a cabo para possibilitar e optámos por apresentar em geral, de forma simples e com
concretizar na prática esses objectivos. Pretende igualmente carácter meramente enunciativo, os dois sectores, de forma a
analisar indivíduos, sectores, organizações, entidades e insti- explicar a sua posição em relação à cooperação no sector do
tuições que as executam, tanto com base nas suas próprias turismo.
responsabilidades e competências específicas, como em coope-
ração com os demais intervenientes
2.2 O sector público é constituído pelos vários níveis da
administração (local, regional, nacional e internacional), bem
1.4 O presente parecer tem por objectivo analisar e propor como pelos órgãos e instituições que deles dependem em
metodologias de cooperação entre os sectores público e grande medida e que são financiados por impostos ou pela tari-
privado, especialmente entre as administrações públicas e as fação pública. Isto abrange, portanto, uma vasta gama de insti-
empresas privadas e respectivas organizações empresariais, tuições, designadamente educativas e promocionais, incluindo
abrangendo, também, aspectos onde estão presentes outros algumas sob a forma de empresas privadas ou conjuntas, mas
agentes do sector do turismo: trabalhadores e respectivos sindi- com competências bem definidas. O seu papel na sociedade é
catos, organizações de consumidores, etc. Por último, pretende estritamente regulado e o objectivo principal é a promoção do
responsabilizar cada interveniente em relação às suas próprias bem público. Cabe citar neste âmbito a experiência de empresas
competências e simultaneamente encontrar os mecanismos e os públicas que actuam no mercado, como é o caso dos Paradores
instrumentos que permitam coordenar essa acção com a dos em Espanha e as Pousadas em Portugal. Em geral, o sector
demais intervenientes na política e na gestão do turismo, tendo público presta serviços básicos a desenvolver pelas empresas.
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2.2.1 É de referir em especial as entidades responsáveis pela 2.3.4 Embora não seja propriamente o objectivo do presente
informação e promoção do turismo, domínio em que a coope- parecer, considera-se oportuno chamar a atenção para o facto
ração é imprescindível para definir objectivos e acções comuns. de ser possível e desejável outros tipos de cooperação entre
instituições públicas de diferentes níveis e, ainda, entre
empresas de naturezas e titularidades diferentes, tanto sob a
forma de integração horizontal como vertical.
2.2.2 Para o sector público, as diversas formas de coope-
ração público-privado podem significar novas formas de finan-
ciamento de actividades, em especial na promoção, na reali-
zação de infra-estruturas, no reforço da qualidade e em várias
acções.
3. A situação actual

2.3 Por seu lado, o sector privado é constituído por


empresas, na maioria sob a forma de sociedades, cooperativas 3.1 A actual gama de relações possíveis entre os sectores
ou individuais, mas também (e de forma muito importante) público e privado apresenta quatro grandes cenários alternativos
pelos parceiros sociais, sindicatos e associações empresariais e possíveis que dificilmente ocorrerão na sua forma pura, mas que
de cidadãos enquanto actores e consumidores directamente indicam tendências na prática.
interessados no bem-estar da sociedade. Os seus interesses e
objectivos são essencialmente pessoais e individuais, mas
também abrangem o domínio social, na medida em que as suas
actividades afectam directa ou indirectamente a sociedade no 3.1.1 Antagonismo. Este cenário baseia-se em relações de
seu conjunto e são, pois, responsáveis perante a sociedade tanto confronto entre os sectores público e privado, em que cada um
pelos seus actos como pelas suas omissões. vê o outro, ou pensa que vê, como um opositor ou um obstá-
culo à concretização dos seus objectivos e interesses. Frequente-
mente, o sector privado vê o sector público como fonte de
distorção do seu objectivo de rentabilidade por inadequação
2.3.1 Cabe realçar que esta vasta gama de empresas também das infra-estruturas necessárias para o correcto desenvolvi-
pode ser classificada por dimensão (grandes empresas, micro- mento da sua actividade ou por baixa ou falta de qualidade dos
-empresas, pequenas e médias empresas (PME)). A dimensão serviços públicos destinados aos turistas ou empresas do sector
parece ser um factor pertinente para o estabelecimento de do turismo. Por vezes, as empresas vêem as instituições
domínios de cooperação e são as PME que mostram com mais públicas unicamente como colectoras de impostos, tributando
frequência maior vontade de cooperação, talvez por serem mais cada vez mais um sector que enfrenta uma forte concorrência
dependentes e, daí, precisarem de maior apoio para a conse- de preços e provocando distorção da concorrência face a
cução dos seus objectivos. Outro factor relevante também impostos diferentes entre países, regiões ou localidades, e soli-
poderá ser o seu âmbito de acção, dado que as empresas locais citam a harmonização de impostos, como por exemplo, o IVA
ou regionais estão mais dispostas a cooperar do que as grandes dos serviços turísticos. Ou seja, encaram o sector público como
empresas multinacionais, que tendem a ser mais rígidas pela algo a combater e que contribui apenas para uma quebra da
sua estrutura de gestão centralizada e uniforme e têm interesses competitividade do sector.
mais dispersos e distribuídos em diversos lugares ou destinos
turísticos.

3.1.1.1 Neste cenário possível de antagonismo entre as


relações público-privado, as instituições públicas podem consi-
derar o sector privado de turismo como uma fonte de
2.3.2 No que se refere aos agentes económicos e sociais, problemas, obstáculos e distorções dos seus objectivos públicos
podem ser classificados segundo os grupos sociais que repre- nos domínios do bem-estar social, da preservação e sustentabili-
sentam, designadamente empresários e trabalhadores. É patente dade dos recursos naturais, da coesão social e da responsabili-
a importância extraordinária que têm as suas associações na dade das empresas em relação às populações locais, etc.
constituição de uma parceria público-privado, dado que, apesar
de defenderem interesses fundamentalmente privados, os seus
interesses colectivos aproximam-se muito dos interesses
públicos, sendo, por isso, mais fáceis de coordenar. O profissio- 3.1.1.2 Em virtude destas relações, a tensão, os confrontos
nalismo dos seus representantes pode e deve ser um factor internos ou externos transcendem em maior ou menor grau a
essencial para a constituição bem sucedida de uma parceria. sociedade através dos meios de comunicação, criando-se um
clima de confronto e de contínuas acusações mútuas que não
ajudam qualquer dos sectores a alcançar os seus objectivos.

2.3.3 O sector social oferece uma vasta gama de associações


e instituições privadas de diversos tipos, que, tal como os repre-
sentantes dos agentes económicos e sociais, têm como objec- 3.1.1.3 É evidente que esse cenário não parece ser o mais
tivo a defesa de interesses privados e colectivos. Incluem asso- adequado para obter um desenvolvimento social, económico e
ciações de consumidores, entidades ecologistas e associações de ambiental sustentável e competitivo do turismo, nem da pers-
vizinhos. São geralmente bons colaboradores nas parcerias pectiva do consumidor e da população local nem da do empre-
desenvolvidas em torno do sector do turismo e, por vezes, são sário, que pretende aproveitar a capacidade do turismo de gerar
capazes de mobilizar os outros agentes. e distribuir riqueza.
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3.1.2 Coexistência. Neste cenário, as entidades públicas e 3.1.4.2 Uma das actividades que expressa com maior
as empresas privadas toleram-se mutuamente, trabalham de frequência este nível de cooperação é a criação de produtos
forma autónoma para conseguir os respectivos objectivos, turísticos, de forma conjunta, entre os sectores público e
respeitam as respectivas competências, cumprem os seus privado. Há produtos criados em cooperação que obtêm grande
deveres jurídicos e sociais e respeitam os direitos dos demais sucesso.
agentes turísticos. É um ambiente de tolerância mútua, que
embora represente uma evolução em relação ao cenário ante-
rior, é claramente insuficiente para desenvolver o turismo 3.2 Ao analisar a actual situação, verifica-se que na prática
sustentável que consideramos adequado para o século XXI. É existem os quatro cenários descritos, umas vezes na sua forma
um cenário bastante frequente em destinos em que o turismo pura, mas em geral combinando elementos e criando situações
não é a actividade principal, servindo apenas para completar os intermédias e diversificadas. O presente parecer considera que a
rendimentos obtidos noutros sectores, ou em povoações ou cooperação é um objectivo possível e desejável para o sector
cidades com economias diversificadas em que o turismo repre- turístico da Europa e do mundo, na medida em que reforça a
senta apenas uma pequena percentagem da actividade econó- competitividade e a sustentabilidade do turismo. Há também
mica local. que reconhecer e promover as boas práticas que, na Europa e
em todo o mundo, estão a ser levadas a cabo no sector do
turismo, umas por iniciativa do sector público e muitas outras
fomentadas e criadas pelo sector privado.
3.1.3 Coordenação. Este ambiente caracteriza-se pela exis-
tência de uma certa coordenação de políticas, estratégias e
acções dos diferentes agentes públicos e privados que actuam
no turismo. Cada um deles tem os seus próprios objectivos, 3.3 Em geral, podemos dizer que, nos destinos turísticos ou
mas compreende que a coerência e a informação mútua dos actividades em que a cooperação público-privado está na base
dois sectores resultam num melhor cumprimento dos objec- da melhoria de qualidade, do planeamento do desenvolvimento,
tivos de cada um, beneficiando, assim, a sociedade. O principal da resposta a uma situação de crise e em diversos casos seme-
instrumento deste cenário é a informação e comunicação, tanto lhantes, a eficácia e a rentabilidade das acções aumentam
de políticas como de acções, entre os diversos intervenientes do bastante e são reforçadas pela competitividade do destino ou
sector enquanto actores no turismo. Essa comunicação pode actividade.
ser realizada mediante instrumentos de participação sob a
forma de grupos de trabalho, fóruns, reuniões informativas, etc.
Pressupõe um nível superior de cooperação público-privado e, 3.3.1 Por outro lado, as situações de confronto, a falta de
na nossa opinião, promove a consecução do objectivo de coordenação ou a simples ignorância da realidade que, por
sustentabilidade económica, social e ambiental do turismo. Tem vezes, surgem voluntária ou inconscientemente, apenas
tendência para existir em situações ou destinos tipicamente agravam os problemas, atrasam as soluções, reduzem a compe-
turísticos, em que o turismo se desenvolve de forma adequada, titividade e são um obstáculo à rentabilidade.
com actores públicos e privados conscientes da importância do
turismo para as suas populações.
3.3.2 Diversos estudos mostram e confirmam que o turista
se apercebe de que a qualidade dos serviços recebidos durante
uma viagem ou umas férias depende em 50 % dos serviços
3.1.4 Cooperação. Este cenário pressupõe que, apesar de prestados pelas entidades públicas e que os restantes 50 %
cada interveniente público ou privado manter os seus próprios dependem dos serviços prestados pelo sector privado, essencial-
objectivos, há objectivos comuns ao nível das intervenções e mente empresas, através dos seus trabalhadores. A medida dos
das estratégias ou até mesmo das políticas. Tal exige coerência indicadores de qualidade apreendidos pelos turistas e a sua
nos objectivos e uma visão da actividade turística muito ponderação no resultado final da percepção da qualidade do
evoluída que é difícil de alcançar, sendo necessária a aplicação produto total foram examinados em diversos estudos reali-
contínua de critérios de sustentabilidade económica, social e zados, por exemplo, pelo município de Calvià em Espanha, no
ambiental, a curto, médio e longo prazos. Consideramos que âmbito dos planos de excelência turística.
este é o cenário mais evoluído que o novo conceito de turismo
sustentável deve atingir se quiser sobreviver enquanto indústria
geradora de benefícios nos domínios económico, social e
ambiental. 3.4 É encorajador notar a tendência contínua no sentido da
cooperação em detrimento do antagonismo, que foi talvez mais
comum nos primeiros anos do turismo enquanto indústria, em
períodos de forte crescimento, sem limites de ocupação dos
3.1.4.1 Podem utilizar-se diversos instrumentos para essa melhores lugares da costa ou das paisagens naturais. Foram
cooperação: empresas conjuntas, entidades patronais, tempos em que a procura da rentabilidade a curto prazo enco-
fundações, instituições conjuntas, conselhos, parcerias, etc. bria outros condicionantes de sustentabilidade, que até o sector
Todavia, em todos eles o intercâmbio de experiências, de público não foi capaz de ter em consideração nem incorporar
conhecimentos, de projectos empresariais de investimento a na sua estratégia e desenvolver a sustentabilidade em coope-
longo prazo constituem elementos essenciais para realizar a ração com o sector privado.
cooperação e a optimização dos esforços. É importante assi-
nalar que essa cooperação tem o seu expoente máximo ao nível
local, onde os interesses públicos e privados se aproximam 3.4.1 A consciência social sobre os factores e as limitações a
mais concreta e directamente. É ao nível local que se pode criar longo prazo, em especial no que se refere à conservação dos
o enquadramento adequado para que o turismo seja o recursos naturais, tem vindo a aumentar, e a forma de actuar
promotor do desenvolvimento local, criador de emprego de no turismo é hoje em dia muito mais coerente com objectivos
qualidade e socialmente sustentável. comuns do que no passado.
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4. Objectivos da cooperação público-privado actual grande importância, tendo ambos os sectores interesse na
melhoria da formação e da profissionalização dos seus trabalha-
dores.
4.1 Em termos gerais, os objectivos básicos de todo o
processo de cooperação só podem ser o fomento e a integração
dos objectivos próprios de cada interveniente nas suas acções,
nas suas estratégias e no planeamento da sua própria actividade
que está na base da sua presença na sociedade de hoje e do 4.2.2 Sociais. Não é possível fixar objectivos para a coope-
futuro. Cada interveniente deve apresentar os seus objectivos, ração público-privado se não se tiver em conta os objectivos
individuais e colectivos, e procurar integrá-los nos dos demais sociais que devem estar subjacentes a todas as actividades
intervenientes. humanas. Mais concretamente, o desenvolvimento local e a
criação de postos de trabalho estão na base dos objectivos do
turismo e, por conseguinte, da cooperação no sector.
4.2 É possível distinguir diversos tipos de objectivos para a
cooperação no sector turístico.

4.2.1 Sectoriais. Tal como já foi referido de diversas formas 4.2.2.1 O facto de o turismo ser uma actividade económica
e em várias ocasiões, o sector e a indústria de turismo têm uma fundamentalmente de serviços pessoais permite que qualquer
importância estratégica para a concretização de vários objec- nova actividade turística gere novos postos de trabalho.
tivos que estão no centro da própria razão de ser das políticas Todavia, um turismo de qualidade e sustentável só é possível
da União Europeia, da sua vontade de construir uma Europa com empregos de qualidade.
melhor, hoje e para o futuro das gerações vindouras.

4.2.1.1 O desenvolvimento turístico, pelas suas consequên-


cias directas nas condições económicas, sociais e ambientais do 4.2.2.2 A melhoria da realidade social das comunidades
meio onde se produz, pode e deve constituir um instrumento locais que recebem o turismo deve ser indubitavelmente um
privilegiado de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos dos objectivos de uma cooperação eficaz entre os sectores
europeus; mas para assegurar o cumprimento a longo prazo público e privado. As alterações recentes e futuras à Política
deste potencial e para torná-lo real, o turismo deve observar Agrícola Comum prevêem mudanças para várias regiões euro-
determinados requisitos de sustentabilidade que todos os inter- peias, que terão de se adaptar, e a promoção de quintas de
venientes —instituições públicas e privadas, empresas e utiliza- férias talvez possa ser um elemento de diversificação da activi-
dores — devem respeitar. O objectivo fundamental da coope- dade, combinando a manutenção da actividade tradicional com
ração público-privado pode e deve ser a viabilidade e a compe- uma nova actividade, a turística, com rendimentos adicionais.
titividade do sector do turismo a longo prazo. Da mesma forma, conviria estudar a promoção do turismo nas
zonas afectadas pela reconversão industrial, no sector mineiro
ou de actividades similares, enquanto nova forma de actividade
turística. O Comité Económico e Social Europeu pretende
4.2.1.2 Cabe referir em especial que a cooperação público- elaborar parecer de iniciativa, abordando e desenvolvendo
-privado se revelou muito eficaz na gestão de situações de concretamente essa alternativa para as zonas afectadas.
declínio e mesmo de crise turística em destinos maduros que
vêm ameaçada a sua continuidade como geradores de riqueza.
A necessária actuação em conjunto de todos os intervenientes
aumenta a eficácia e a visibilidade das acções realizadas.
4.2.2.3 A preservação do património cultural, arqueológico
e arquitectónico é possivelmente um dos objectivos de carácter
4.2.1.3 Isso é aparente em situações de crise, como o 11-S social em que a cooperação público-privado se pode expressar
em Nova Iorque e o muito recente 11-M em Madrid, em que é melhor, como foi o caso da rede de Paradores em Espanha e
necessário instar todos os actores públicos e privados activos e das Pousadas em Portugal, cujos projectos representaram a
com capacidade de decisão a unirem-se para atenuar os efeitos recuperação de numerosos monumentos colocados ao serviço
negativos destas tragédias no turismo. da actividade turística, criando uma riqueza indubitável no seu
enquadramento. Desta forma, conjugou-se a conservação de
bens de utilidade pública em mãos públicas com o objectivo da
4.2.1.4 Uma das áreas em que as alianças e a cooperação sua valorização e utilização. O mesmo se pode dizer dos
público-privado se podem revelar eficazes no domínio sectorial espaços naturais, que são sinónimo, para várias pequenas e
será no sector dos transportes, no qual a proliferação das médias empresas, de oportunidade de negócio. No entanto,
companhias aéreas de baixo custo conduziu a uma redução essas acções não são necessariamente realizadas por empresas
geral dos custos dos transportes. As alianças público-privado públicas. Há várias exemplos de recuperações e valorizações
deverão salvaguardar as condições de qualidade do serviço, de cuidadas de palácios e monumentos em geral por entidades
emprego e.de segurança neste tipo de ofertas. privadas que se tornaram rentáveis graças ao turismo, tal como
é o caso da visita organizada no âmbito da audição realizada
em Sevilha. A integração dos novos países na Europa, países
4.2.1.5 Se a formação dos profissionais que trabalham num com um património extraordinário a reabilitar, representa uma
sector é um objectivo claro em todas as actividades humanas, possibilidade nova e valiosa de combinar a actividade turística e
no caso do turismo é ainda mais evidente na medida em que o a preservação do património, e as diversas formas de coope-
turismo tem uma componente clara e importante de relações ração público-privado têm um papel muito importante a
humanas. A cooperação público-privado neste campo reveste desempenhar nesse objectivo.
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4.2.2.4 A cooperação público-privada em outros sectores 4.2.4.1 A prevenção ambiental é um dos domínios em que
também pode beneficiar a actividade turística. Assim, por a cooperação público-privado pode revelar-se um instrumento
exemplo, quanto ao valor da gastronomia como elemento de de acção para a concretização do objectivo de qualidade do
riqueza e património cultural e turístico, o fomento daquela ambiente. Acontecimentos recentes, como o desastre do Pres-
cooperação na melhoria da evolução agroalimentar de quali- tige, revelaram não só a necessidade da prevenção ambiental,
dade e das denominações de origem, terá repercussão futura na mas também a necessidade de aquela ser desenvolvida tanto
oferta turística. pelo sector privado como pelo sector público.

4.3 Por último, os possíveis objectivos de uma cooperação


4.2.2.5 A aplicação generalizada do Código Ético do público-privado eficaz devem ser coerentes com o conceito de
Turismo, aprovado há alguns anos pela Organização Mundial sustentabilidade que abarca, por um lado, três aspectos da
do Turismo, poderá ser um bom objectivo da cooperação economia, sociedade e natureza, e, por outro lado, três prazos
público-privado. (curto, médio e longo), e a participação de todos os interve-
nientes no sector do turismo enquanto elemento essencial e
integrador. A cooperação tem por base a política e as acções de
desenvolvimento sustentável.
4.2.3 Económicos. A evidência de que o factor económico
é essencial no âmbito turístico é consensualmente aceite. Tal
como já se indicou, a indústria turística revelou-se um forte
5. Princípios e critérios de cooperação
motor de geração de emprego e riqueza em praticamente todo
o mundo, mas de forma intensiva na Europa e inclusivamente
ainda mais concentrada nos países da área do Mediterrâneo. Os 5.1 São vários os princípios que devem reger as relações de
objectivos da sustentabilidade, no que se refere a este factor, cooperação entre o sector público e o sector privado no que se
implicam a necessidade de uma visão económica a longo prazo, refere ao turismo.
não a curto ou a médio prazo, o que significa apresentar os
produtos turísticos em termos de competitividade, hoje e no 5.1.1 Princípio de competências. É claro que para estabe-
futuro, com capacidade de gerar benefícios a curto, médio e lecer uma parceria sólida e duradoura os diversos agentes
longo prazos e emprego estável e de qualidade durante todo o envolvidos devem poder realizar de forma autónoma os seus
ano. A procura e a manutenção da competitividade e da renta- próprios objectivos, fixados por mútuo acordo. Para tal devem
bilidade económica do sector do turismo serão, pois, objectivos ver as suas competências reconhecidas, seja sob a forma de
comuns de uma cooperação eficaz. mandato jurídico específico, de delegação de poderes ou
simplesmente de representação formal ou informal.

4.2.3.1 As tecnologias de informação e comunicação (TIC) 5.1.2 Princípio da co-responsabilidade. Os diversos interve-
são outro domínio dos objectivos económicos do sector que nientes devem estar directa ou indirectamente relacionados ou
exige cooperação devido à necessidade de uma resposta que envolvidos na situação subjacente à constituição da parceria.
associe os objectivos dos destinos turísticos, normalmente
representados pelo sector público, aos da actividade económica 5.1.3 Princípio do voluntariado. Só quem escolher livre-
de vendas de serviços turísticos, geralmente representados pelas mente participar de forma activa numa parceria fica abrangido
empresas. A informação turística acessível a todos, incluindo as pelas suas disposições.
regiões periféricas, é um instrumento necessário para a compe-
titividade do sector.
5.1.4 Princípio da democracia. As regras da tomada de
decisões e de representação devem ser bem claras e cumprir os
princípios da democracia participativa.
4.2.3.2 No âmbito dos objectivos económicos da coope-
ração, há que ter em conta que a intervenção do sector público 5.2 Os critérios de acção das parcerias para garantirem a
deve ser exercida, por um lado, evitando a concorrência desleal consecução eficaz dos objectivos incluem:
e, por outro lado, no sentido da uniformização de situações de
concorrência, como por exemplo a fiscalidade, que propiciam
um mercado não transparente. 5.2.1 Critério de concretização de objectivos, que devem ser
explícitos, concretos e, se possível, quantificados em termos
económicos, cronológicos e consensuais.

4.2.4 Ambientais. O turismo é uma indústria, possivel- 5.2.2 Critério de pertinência. Os objectivos fixados devem
mente a única, com a particularidade de o seu produto básico ser importantes para todos os intervenientes, seja directa ou
ser o «atractivo natural», integrado por um conjunto de indirectamente.
elementos nos quais a percepção da natureza, da sua variedade
de ambientes e paisagens, da sua diversidade biológica e, conse-
quentemente, do seu respeito ambiental, desempenham um 5.2.3 Critério de controlo dos resultados. É importante que
papel essencial na qualidade e adequação do produto que os os intervenientes vejam claramente os resultados da sua partici-
utilizadores, os turistas, procuram. É perfeitamente possível e pação numa parceria. Se assim não for, perdem o interesse e
desejável que os actores públicos e privados determinem como abandonam a parceria.
objectivo da cooperação a manutenção de condições que asse-
gurem a sustentabilidade dos recursos naturais e a sua utili- 5.2.4 Critério de proporcionalidade. É imprescindível que
zação racional e sustentável, garantindo a sua capacidade de haja proporcionalidade entre a dimensão dos desafios e o
gerar lucros. envolvimento dos intervenientes.
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6. Instrumentos e formas de associação e cooperação nos objectivos comuns de sustentabilidade e competitividade.


Isso implica um conjunto de aspectos positivos, dos os quais a
possibilidade de eliminação de erros estratégicos ou a inte-
6.1 Para descrever instrumentos e formas de associação é
gração dos melhores instrumentos de gestão sustentável parece
necessário, antes de mais, definir o âmbito espacial eficaz em
ser alguns dos seus melhores efeitos. As redes surgem como
que a cooperação tem sentido, o que significa analisar e definir
instrumentos complementares e alternativos às formas organi-
o âmbito em que o repto se manifesta, em que é possível
zadas de representação de cidades, empresas ou instituições. As
encontrar uma solução, em que se possam reunir as competên-
tecnologias da informação e da comunicação fomentam as
cias de todos os intervenientes. O âmbito será, portanto, local
redes, permitindo uma relação informal, instantânea e valiosa
se o problema for unicamente local e se existirem a esse nível
entre as componentes das redes.
as competências para encontrar e aplicar soluções. O mesmo se
aplica aos níveis regional e nacional.
7.3 Nem sempre a constituição de redes se faz sem
6.2 Outra característica fundamental é a da generalidade. É problemas e aspectos negativos: por vezes surgem conflitos de
importante que todos os agentes possam contribuir de alguma interesses que dificultam a cooperação e também por vezes os
forma para a solução, seja mediante instrumentos, informações membros mais fortes da rede são os que obtêm maiores benefí-
ou coordenação de actividades. cios.

6.3 Formas concretas de parceria poderão ser:


7.4 No que se refere aos empresários, tal como para as
cidades, a formação de redes representa um forte instrumento
6.3.1 De tipo informal: os agentes envolvidos constituem de informação e troca de informações tendo em vista o reforço
um grupo informal, em alianças estratégicas, um grupo de da competitividade das empresas e do seu peso face às insti-
trabalho, um fórum ou algo similar, mas sem qualquer persona- tuições públicas.
lidade jurídica. As decisões são tomadas por maioria, mas não
são vinculativas nem representam obrigações para as partes
integrantes, excepto as assumidas voluntariamente. 7.5 Diversos projectos turísticos concretos estão articulados
em redes, designadamente o Programa URB-AL da União Euro-
peia, que tem por objectivo a constituição de redes de cidades
6.3.2 De tipo formal: seja sob a forma de parcerias,
para trabalhar múltiplos aspectos da economia, sociedade e
fundações, empresas públicas, empresas mistas, associações, etc.
urbanização, aspectos que por vezes se centram no intercâmbio
Regem-se por estatutos que estipulam as condições dos acordos
de experiências turísticas de sustentabilidade.
e a sua execução.

6.3.3 O espírito de cooperação entre os actores económicos


e sociais na definição de um quadro de relações laborais estável
e com direitos, bem como o desenvolvimento da negociação 8. Experiências bem sucedidas de cooperação público-
colectiva proporcionam elementos com consequências positivas -privado no âmbito do turismo europeu
para a competitividade, a rentabilidade e a eficiência social e
económica do turismo. O mesmo acontece com os processos
de diálogo social entre actores económicos e sociais com a 8.1 Durante a audição pública realizada em Sevilha, no dia
participação das administrações e instituições públicas, quando 15 de Abril de 2004, foram analisadas diversas experiências
os temas a desenvolver requerem essa estrutura tripartida. bem sucedidas de cooperação público-privado, sendo de referir
as seguintes:

7. O papel das redes de agentes turísticos: de cidades, de 8.1.1 Turismo de Barcelona: a experiência baseia-se na
empresários, de projectos concretos constituição, em 1993, da empresa TURISMO DE BARCE-
LONA pela Cámara de Comercio de Barcelona, o Ayunta-
miento de Barcelona e a Fundación Barcelona Promoció, com o
7.1 Num mundo globalizado como o nosso, a actividade
objectivo de fomentar a promoção da cidade de Barcelona no
económica só pode ser realizada segundo critérios de relação
domínio turístico. Nos dez anos decorridos desde então, a
com os demais actores. Esse mesmo princípio aplica-se a
Turismo de Barcelona reforçou a imagem e a realidade turística
cidades e, neste caso, aos destinos e actores do sector turístico.
da cidade. Essa evolução positiva traduz-se no aumento da
Peritos neste tema indicam que a nova economia global se arti-
oferta e da procura, na melhoria da ocupação hoteleira e de
culará territorialmente em torno de redes de cidades, procu-
outros indicadores. Todavia, o aspecto mais relevante poderá
rando agir de forma coordenada. Apesar de numa primeira fase
ser o facto de a dotação orçamental institucional ter passado,
os destinos turísticos seguirem estratégias competitivas para a
nesse período, de 70 % a 20 % do orçamento total, sendo os
recolha de financiamento, para o aumento de vendas, para
restantes rendimentos gerados pela própria actividade da
serem elementos essenciais na informação que flui pelo mundo,
Turismo de Barcelona de intermediação turística do mercado
ou seja, para serem melhores, mais competitivos e crescerem
da habitação. A criação de diversos produtos turísticos bem
mais, numa fase posterior percebe-se a necessidade de estabe-
sucedidos, como o Barcelona Bus Turistic, o Barcelona Card, o
lecer relações de complementaridade com outros destinos para
Barcelona Pass, entre outros, e de programas como o Barcelona
a promoção e actuação conjuntas face a governos nacionais e/
Convention Bureau, o Barcelona Shopping Line, etc., merece
/ou organismos internacionais.
uma referência especial. O sucesso da experiência deve-se sem
dúvida alguma à cooperação estreita entre a indústria turística e
7.2 Cada vez mais se considera necessário o intercâmbio de as instituições públicas, que se uniram numa aliança para
experiências entre destinos turísticos mundiais para colaborar melhorarem a realidade turística de Barcelona.
23.3.2005 PT Jornal Oficial da União Europeia C 74/13

8.1.2 ICTE Instituto para a Qualidade Turística Espa- com o apoio da Comissão Comunitária Francesa (COCOF) e de
nhola: neste caso, a experiência remonta à criação, no início programas públicos para a formação e o auxílio à renovação de
dos anos 90, de diversos instrumentos activos ao serviço da centros de férias filiados em associações como «Centro Turistico
procura da qualidade culminando, no ano 2000, na criação do Giovanile» (CTG) em Itália.
Instituto para a Qualidade Turística Espanhola, em resposta à
ameaça evidente que os destinos turísticos emergentes no Medi-
terrâneo, nas Caraíbas, entre outros, representavam para a lide- 8.4 Existem sem dúvida na Europa e no mundo várias
rança da indústria turística espanhola. Optou-se por uma clara outras experiências bem sucedidas de cooperação público-
estratégia de qualidade integral tendo em conta a necessidade -privado, nomeadamente aquelas incluídas no valioso contributo
de integrar todos os actores que intervêm na actividade turís- da publicação da Organização Mundial do Turismo e na da
tica. As empresas vinculadas do sector estão presentes em todas Comissão Canadiana de Turismo intitulada «Cooperação e
as suas acções: hotéis, restaurantes, agências de viagem, trans- parceria no turismo: uma perspectiva mundial», editada em
portes, turismo rural, golfe, estações balneares, municípios e 2003. Nessa publicação são apresentados dezoito casos bem
províncias, etc. A situação actual caracteriza-se pela partici- sucedidos de cooperação no turismo a nível mundial, que
pação no sistema integral de qualidade turística espanhola de devem ser tidos em conta pela sua importância na demons-
mais de 250 associações empresariais, da administração tração de boas práticas.
pública, das Comunidades Autónomas e dos municípios, de
mais de três mil empresas turísticas que recebem assistência
técnica e de 463 empresas e entidades certificadas em qualidade
turística. Tal como em Barcelona, o ICTE representa um
modelo bem sucedido de cooperação público-privado na
procura desse elemento essencial na actividade turística que é a 9 Promoção da cooperação ao nível europeu
qualidade integral.

9.1 A Europa alargada apresenta um quadro muito dinâ-


mico em todos os domínios e em especial no turístico, no qual
se registam várias mudanças, tanto na estrutura da oferta como
8.1.3 Outras experiências apresentadas na audição de da procura. A Cimeira de Lisboa atribuiu-se o objectivo estraté-
Sevilha: o modelo de cooperação público-privado da Andaluzia, gico para os próximos anos de se tornar na economia baseada
que existe há já duas décadas e que se traduziu na celebração no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo,
de cinco acordos de concertação que abrangem os sectores de capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com
produção e, entre eles, o turismo. O modelo inclui a partici- mais e melhores empregos, e com maior coesão social. A
pação entre a administração pública da Comunidade Autó- consecução deste objectivo ambicioso exige uma ampla coope-
noma, a Confederação de Empresários da Andaluzia e as ração a nível institucional e ao nível dos sectores público e
Centrais Sindicais Maioritárias Andaluzas, Unión General de privado, capaz de assumir esse desafio de forma consensual. O
Trabajadores (U.G.T.) e Comisiones Obreras (CC.OO.), o que turismo já provou ser uma indústria geradora de emprego e de
permitiu estabelecer um clima de confiança e estabilidade bem-estar e deve continuar a sê-lo para a Europa dos 25 e do
necessário à actividade turística. futuro alargamento. Como cenário concreto para o desenvolvi-
mento do princípio de cooperação no âmbito europeu, o CESE
propõe à Comissão que analise a possibilidade de ser consti-
tuído um Conselho Consultivo Europeu de Turismo.

8.2 Como exemplo de política local, o CESE considera posi-


tivo que, no quadro da audição em Sevilha sobre a cooperação 9.2 Esse conselho podia contemplar, na sua composição, a
entre os sectores público e privado, o presidente da câmara presença das instituições europeias (Comissão, Parlamento,
dessa cidade tenha lançado novo apelo aos actores económicos Comité Económico e Social Europeu e Comité das Regiões), do
e sociais e ao sector do turismo em geral tendo em vista a Conselho Europeu para a Juventude, de representantes dos
elaboração de um pacto que previa a plena participação de Estados-Membros, representantes de organizações patronais e
todos os intervenientes na concepção, elaboração, planeamento, sindicais de forma paritária, bem como de organizações euro-
execução e avaliação da política de turismo na sua esfera. Essa peias de consumidores, ambientalistas, pessoas com deficiência,
iniciativa pode ser uma referência, em conjunto com outras já turismo social, universidades e peritos de prestígio reconhecido.
em curso, para as grandes cidades e localidades de qualquer
dimensão para fomentar a cooperação ao nível local.
9.3 O Conselho Consultivo Europeu de Turismo proposto
poderá receber e analisar os dados sobre a evolução e perspec-
tivas do turismo, propor linhas de apoio e colaboração com a
8.3 Existem também várias experiências bem sucedidas de acção da Comissão, facilitar uma referência de cooperação a
cooperação no domínio do turismo social destinadas a desenvolver pelos diferentes agentes do sector nos demais
promover o acesso a férias e a turismo ao maior número domínios turísticos da União e ainda planear a convocatória do
possível de pessoas. É o caso do cheque-férias gerido em França Fórum Europeu do Turismo e o seguimento dos acordos cele-
pela Agência Nacional de Cheques-férias (ANCV) e na Hungria brados nesse quadro.
pela Sociedade Nacional do Lazer. É também o caso dos
programas de turismo sénior do Instituto Nacional para o
Aproveitamento do Tempo Livre dos Trabalhadores (INATEL) 9.4 Se a Comissão aprovar esta proposta, o CESE está
em Portugal, e o Programa Turismo da terceira idade do Insti- disposto a colaborar na sua execução, de forma a o referido
tuto Nacional de Serviços Sociais (INSERSO) de Espanha, da conselho estar constituído e plenamente em vigor no Fórum
promoção de centros de alojamento para jovens em Bruxelas Europeu do Turismo de 2005.
C 74/14 PT Jornal Oficial da União Europeia 23.3.2005

10. Considerações finais instituições podem definir as linhas e os critérios de cooperação


a articular com as iniciativas desta natureza ao nível dos
10.1 Vivemos num mundo globalizado e, ao mesmo tempo, Estados, regiões e localidades, e entre sectores e âmbitos territo-
especializado, que nos obriga a repensar continuamente os riais entre si, na União Europeia.
modelos vigentes das nossas actividades económicas, sociais, de
articulação do território e de construção das cidades. A activi- 10.5 Quanto ao CESE, pretende contribuir para a coope-
dade turística não escapa a essa necessidade e apresenta a todos ração no sector turístico fomentando o encontro, o diálogo e o
os intervenientes vários desafios de qualidade, sustentabilidade consenso entre os representantes do turismo, em particular
e competitividade. entre os actores económicos e sociais, as administrações dos
Estados, das regiões e das localidades, sem esquecer as entidades
10.2 Consideramos que apenas através de uma atitude
e as associações implicadas num turismo sustentável: asso-
essencialmente cooperativa dos diferentes actores públicos e
ciações de consumidores e organizações ambientalistas,
privados será possível enfrentar os desafios difíceis que se
economia social e pessoas com deficiências. Da mesma forma,
colocam a toda a actividade humana, em especial ao turismo,
preservaremos a nossa cooperação com a Organização Mundial
pelo seu carácter estratégico, pela sua configuração essencial de
do Turismo (OMT) e o Centro Internacional do Turismo Social.
prestação de serviços ao Homem e pela sua essência de inter-
Assim, o CESE reitera a sua oferta de servir de ponto de
câmbio cultural.
encontro para os que concebem o turismo como um direito da
10.3 A cooperação público-privado é cada vez mais um pessoa, que deve ser considerado não só sob os seus aspectos
elemento imprescindível e presente nas acções positivas no industriais e de actividade económica, mas deve ser também
domínio do turismo. Há que incentivar e fomentar de diversas apreendido como um factor de realização pessoal e humana e
formas esse progresso, a única forma de realizar os objectivos de compreensão, de aproximação e de paz entre os indivíduos
do sector. Cabe a todos os actores incluir essa vertente nas suas e os povos.
acções face às transformações importantes a que assistimos
neste mundo. 10.6 O CESE apoiará anualmente, com uma declaração, o
Dia Mundial do Turismo estabelecido pela OMT (Organização
10.4 O CESE continua a considerar positiva a iniciativa da Mundial de Turismo). Assim, neste momento, o presente
Comissão Europeia de manter a realização anual do Fórum parecer é considerado a «Declaração de Sevilha sobre a política
Europeu do Turismo, como cenário a partir do qual, numa de turismo e a cooperação entre o sector público e o sector
perspectiva europeia, com a participação dos actores do sector, privado», o contributo do CESE para este evento e para o
principalmente económicos e sociais, as administrações e as Fórum Europeu do Turismo de 2004, em Budapeste.

Bruxelas, 15 de Setembro de 2004.

O Presidente
do Comité Económico e Social Europeu
Roger BRIESCH