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Arlindo Blume

Perito Criminal - PR

O termo “CRIMINALÍSTICA”, lançado em fins do século passado com HANS GROSS e a escola alemã
em toda a sua complexidade, compreende “... não somente o estudo dos vestígios concretos, materiais
do crime – objeto da técnica policial – mas também o exame dos indícios abstratos, psicológicos do
criminoso, na medida em que esta ciência pode ser distraída da psicologia geral, considerando que a
investigação judiciária, para a descoberta do autor de um crime, utiliza freqüentemente os primeiros e não
pode desprezar os outros. Sem dúvida, afirma VIOTTI, o estudo metódico da técnica policial,
representado pela descoberta, reunião e apreço das provas materiais do delito, não é menos complexo no
ponto de vista da investigação criminal do que o exame das provas relativas à pessoa do delinqüente”.

HANS GROSS nasceu na Áustria, em Graz, a 26 de dezembro de 1847 e faleceu em 09 de dezembro de


1915. Estudou Direito e no início foi juiz de instrução, tendo exercido este cargo por algum tempo na
região da alta Estiria.
Foi também promotor de Justiça e, a partir de 1890, professor de Direito Penal em Czemowitz. Em 1903,
lecionou a mesma disciplina em Praga e desde 1905, na Universidade de Graz.

GROSS é reconhecido como fundador da Criminologia e também da Criminalística, termo por ele criado.
Reconheceu desde cedo, no exercício profissional, a completa ineficiência dos métodos de investigação
então empregados na polícia de sua terra natal. Como tais métodos dependessem de informantes e
confissões, os resultados geralmente eram obtidos pelo castigo corporal e pela tortura.

THORWALD, discorrendo sobre a formação de GROSS como magistrado, ressalta:- Verificou que deviam
ser feitos alguns trabalhos de investigação, e que esses trabalhos cabiam ao juiz de instrução. Embora
tivesse estudado uma série de livros de textos legais na Universidade, nada aprendera sobre
Criminologia. Por outro lado, diferentemente da maioria dos juízes daquele tempo, tinha imaginação.
Percebeu claramente que a Criminologia deveria ter novos fundamentos; era necessário começar de
novo, com novas idéias e usar técnicas científicas modernas. Como advogado, nada sabia de ciências
puras e aplicadas. Começou a estudar todos os livros e revistas que podia obter e logo chegou à
conclusão, que quase todas as novas realizações da tecnologia e da ciência podiam ser utilizadas, com
vantagem, na solução de casos criminais. Pôs-se a aprender química, física, botânica, zoologia,
microscopia e fotografia. Durante vinte anos trabalhou em silêncio, reunindo conhecimentos e
experiência, resumidos num livro que foi o primeiro manual de criminologia científica e que tornou o nome
de GROSS conhecido em todo o mundo “.

Trata-se de uma obra clássica, editada em 1893, sob o título “Handbuch für Untersuchunbsrichter”
(Manual para Juízes de Instrução), muitas vezes reeditada e traduzida para vários idiomas. A segunda
edição, que data de 1895, foi traduzida para o russo, espanhol, francês e inglês. A partir da 3ª edição,
lançada em 1898, GROSS acrescentou à sua obra o sub-título “Als System der Kriminalistik” (Como
Sistema de Criminalística). A 4ª edição apareceu em 1904 e foi traduzida para o italiano pelo Professor
MÁRIO CARRARA, da Universidade de Turim, com aditamentos autorizados pelo autor e sob o título
“Guia Prático para a Instrução de Processos Criminaes”.

A versão italiana foi traduzida para o português e publicada em Portugal no ano de 1909. A 5ª e 6ª
edições datam de 1907 e 1913, respectivamente. Segue-se a 7ª edição que veio a lume em 1922, já após
a morte do autor, sob os cuidados do Procurador Geral ERWIN HÖPLER, de Viena. A 8ª edição deste
manual apareceu após o término da Segunda Guerra Mundial, em fascículos, tendo sido revisada e
complementada pelo Professor ERNST SEELIG que, além de colaborador de GROSS, foi também o seu
sucessor na direção do Instituto de Criminologia da Universidade de Graz.

O “Manual para Juízes de Instrução” havia sido complementado em 1898 pelo próprio autor, com a obra
“Die Kriminal Psychologie” (A Psicologia Criminal) e ampliada novamente com a “Coletânea de Temas
Criminalísticos”.

HANS GROSS criou ainda em 1899, o “Arquivo de Antropologia Criminal e de Criminalística” (Archiv für
Kriminal-Antropologie und Kriminalistik) que, em junho de 1944, já contava com 114 volumes.

Tais obras proporcionam aos criminalistas atuantes e aos peritos criminais, preciosas informações no
âmbito geral da Criminologia e também da Criminalística.

Como professor notável de direito penal, saído da prática da procuradoria e da judicatura, dotado
predominantemente de talento para as ciências positivas, HANS GROSS é reconhecido mundialmente
como fundador da Criminologia e da Criminalística.
Entre outros vultos da moderna investigação criminal, destaca-se o nome de EDMOND LOCARD, um dos
pioneiros da Criminalística na França. Seus métodos são universalmente reconhecidos e lhe valeram a
alcunha de “Pai da Moderna Criminologia”.
Filho de uma família abastada e culta, EDMOND LOCARD nasceu em Saint-Chamond a 13 de dezembro
de 1877. Cursou o Colégio dos Dominicanos em Oukkins e bacharelou-se em Ciências e Letras. Estudou
Medicina a conselho do seu pai, mas sob a influência de sua mãe, que afirmava que nenhum homem
seria completo sem conhecimentos jurídicos, estudou Direito e alcançou o grau de licenciatura.

De uma cultura extraordinária, adquirida pela leitura de uma variedade de assuntos, os seus vastos
conhecimentos se estenderam a todos os domínios da atividade humana. Além do vernáculo, falava
fluentemente cinco línguas, lia sem dificuldade onze idiomas estrangeiros, inclusive o sânscrito e o
hebraico.

A par de grande filatelista, LOCARD se interessava também pela grafologia, música, arte e botânica e,
sobretudo, pelos seres humanos.

Até os trinta e três anos, não havia ainda se dedicado a uma profissão regular. Foi orientado para a
Medicina Legal por JEAN ALEXANDRE LACASSAGNE, legista famoso na época e que fora um dos seus
mestres na Faculdade de Medicina.
Doutorou-se em 1902, apresentando a tese “La medicine legale sous le Grand Roy, publicada sob o título
La Medicine Judiciaire en France ou XVII Siécle”.

Apaixonado não só pelos assuntos relacionados à Medicina Legal, mas também pelos problemas dos
criminosos habituais e dos indícios deixados pelos delinqüentes nos locais de crime, LOCARD passou a
estudar inúmeras obras de Criminologia e fez contato com peritos renomados na época. Viajou por
diversos países europeus, à busca de novas técnicas de investigação criminal, as quais, desde logo,
divulgou através de conferências e publicações.

Tornou-se discípulo de RUDOLPH ARCHIBALD REISS, mestre famoso e criador do Instituto de Polícia
Científica da Universidade de Lausanne. Foi aluno de ALPHONSE BERTILLON, insigne criador da
chamada “Fotografia Sinalética” e do “Sistema Antropométrico de Identificação”, conhecido como
“Bertillonage” e que se irradiou para o mundo, a partir do Serviço de Identidade Judiciária da Prefeitura de
Polícia de Paris.

Com o desígnio de agora pôr em prática tudo o que aprendera, EDMOND LOCARD procurou o Chefe de
Polícia Regional de Lyon, HENRY CACAUD, solicitando sua ajuda, para que pudesse organizar – algo
inédito - um serviço que contasse com uma equipe permanente de cientistas, que empregassem todos os
recursos de sua sabedoria, em busca de meios para detectar o crime. LOCARD era inteligente e
persuasivo. CACAUD convenceu-se dos seus argumentos e deu-lhe uma oportunidade, cedendo-lhe
duas pequenas peças de sótão, sob os beirais do telhado do Palácio da Justiça.

Foi assim que, a 10 de janeiro de 1910, realizava-se o sonho de LOCARD, com a criação do “Laboratório
de Polícia” ou, segundo outros, do “Laboratório de Polícia Técnica” de Lyon, o primeiro do gênero em todo
o mundo.

Os estudos realizados por LOCARD sobre as impressões digitais, levaram-no a demonstrar em 1912, que
os poros sudoríparos que se abrem nas cristas papilares dos desenhos digitais, obedecem também aos
postulados da “imutabilidade” e da “variabilidade”; criou assim a técnica microscópica de identificação
papilar a que deu o nome de “Poroscopia”.
No domínio da documentoscopia, LOCARD criou o chamado “Método Grafométrico”, baseado na
avaliação e comparação dos valores mensuráveis da escrita. Apresentou notáveis contribuições no
tocante à falsificação dos documentos escritos e tipográficos , ao grafismo da mão esquerda e à
anonimografia. Interessou-se, além do mais, pela identificação dos recidivistas, publicando artigos e obras
neste domínio.

Tudo o que o insigne mestre estudou no campo da Criminalística, aliado à sua experiência pessoal,
achava-se exposto em sua obra clássica, o “Traité de Criminalistique”, em seis volumes, publicado entre
os anos de 1931 a 1940. O resumo do que se contém nesta obra acha-se condensado no manual de
“Technique Policière” cuja segunda edição foi traduzida para o castelhano, sob o título de “Manual de
Técnica Policiaca”.

LOCARD dirigiu o Laboratório de Polícia Técnica de Lyon até o ano de 1950, quando se aposentou com
um acervo de quarenta anos de trabalho ininterrupto. No dia de sua morte – 4 de maio de 1966 - aos 89
anos de idade, EDMOND LOCARD estava praticamente sem nenhum vintém, refere FRANÇOIS CORRE.
Nunca aceitou um cargo público e os seus projetos de pesquisa consumiram quase toda a fortuna da
família. Para equilibrar o seu orçamento nos últimos anos de vida, viu-se na contingência de vender, um
por um, os selos raros de sua coleção e, para manter a sua equipe de colaboradores, inteirava com os
seus próprios recursos, os escassos salários que o governo lhes pagava.

Foi um espírito eclético, uma personagem rara, segundo ALEXANDRE AMOUX, que finaliza dizendo:- “...
o ser mais diversificado e completo que a Providência colocou no nosso caminho”.

Coube ao Dr. OTÁVIO EDUARDO DE BRITO ALVARENGA, ex-diretor do Instituto de Criminalística de


São Paulo, fazer o necrológio de EDMOND LOCARD, no II Congresso Nacional de Criminalística,
realizado em 1966, ocasião em que foi conferido ao finado, o diploma de Membro Honorário e a medalha
deste certame.

Na sua produção científica, há a destacar a publicação de cerca de trinta obras especializadas, entre as
quais o “Traité de Criminalistique”, “L’Expertise des Documents Écrits, ”Les Falsifications”, “La Police et
les Méthodes Scientifiques”, “Technique Policière”.

Cumpre finalmente assinalar que EDMOND LOCARD foi agraciado com vinte e duas condecorações
francesas e estrangeiras, entre elas a de Comendador da Legião de Honra. Além de fundador do
Laboratório de Polícia Técnica de Lyon, figura entre os fundadores da Academia Internacional de
Criminalística e dos conselhos técnicos da “INTERPOL”.

Que a vida e a obra de EDMOND LOCARD sirvam de exemplo e de estímulo à nova geração de Peritos
Criminais que operam neste imenso país.

Até o início deste século (XX), não se cogitava ainda no Brasil da adoção de métodos científicos na
investigação criminal através de instituições especializadas junto às organizações policiais.

Em 1913, por iniciativa do Dr. RAFAEL DE SAMPAIO VIDAL, quando Secretário de Justiça e Segurança
do Estado de São Paulo, foi convidado o Professor RUDOLPH ARCHIBALD REISS, diretor do Laboratório
de Polícia Técnica e titular da cátedra de Polícia Científica da Universidade de Lausanne, a fim de realizar
uma série de conferências didáticas para as autoridades policiais daquele Estado. O Professor REISS,
considerado na época um dos mais eminentes mestres da Policiologia, veio ao nosso país acompanhado
do Dr. MARC BISCHOFF, que além de assistente-secretário, foi seu sucessor na cátedra e na direção do
Laboratório de Polícia Técnica de Lausanne.

A estadia deste mestre de renome internacional no Estado de São Paulo e no Distrito Federal, onde
também realizou excelentes preleções, foi das mais proveitosas, segundo informa MANOEL VIOTTI. Este
autor salienta em seu comentário, o nome do Dr. VIRGÍLIO DO NASCIMENTO, que muito se distinguira
nos cursos prelecionados, a ponto de captar a estima e consideração do mestre, que o levava em sua
companhia para aperfeiçoar-se na Universidade de Lausanne.

Em 1925, fundou-se a Delegacia de Técnica Policial em São Paulo, a qual foi transformada no ano
seguinte em Laboratório de Polícia Técnica, por iniciativa do Dr. CARLOS DE SAMPAIO VIANA,
considerado um dos pioneiros do estudo técnico-policial no país.
Em janeiro de 1933, o Gabinete de Identificação do Rio de Janeiro, sob a direção do Professor
LEONILDO RIBEIRO, eminente mestre da Medicina Legal, foi transformado num verdadeiro Instituto,
ocasião em que também foi criado o Laboratório de Polícia Técnica e Antropologia Criminal, inaugurado
no dia 20 de junho daquele ano.