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CURSO TÉCNICO INSTALADOR

DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA


Filipe Alexandre de Sousa Pereira · Manuel Ângelo Sarmento de Oliveira

2.a edição
AUTOR
Filipe Alexandre de Sousa Pereira
Manuel Ângelo Sarmento Oliveira

TÍTULO
Curso Técnico Instalador de Energia Solar Fotovoltaica

REVISÃO LITERÁRIA
Júlia Guimarães
Joana Moreira

EDITOR
Publindústria, Edições Técnicas
www.publindustria.pt

DISTRIBUIDOR
Engebook - Conteúdos de Engenharia e Gestão
Praça da Corujeira n.° 30 . 4300-144 PORTO
Tel. 220 104 872 . Fax 220 104 871 . E-mail: apoiocliente@engebook.com . www.engebook.com

DESIGN
Ana Pereira
Publindústria, Produção de Comunicação, Lda.

IMPRESSÃO
Arvato
janeiro 2015

DEPÓSITO LEGAL
383306/14

Copyright © 2015 | Publindústria, Produção de Comunicação, Lda.


Todos os direitos reservados a Publindústria, Produção de Comunicação, Lda. para a língua portuguesa.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, no todo ou em parte, sob qualquer forma ou meio,
seja electrónico, mecânico, de fotocópia, de gravação ou outros sem autorização prévia por escrito do autor.

CDU
621.383.51 - Elementos Fotovoltaicos, Células Solares
e Séries de Células Solares (Baterias/Painéis)

ISBN
978-989-723-082-0

ISBN (e-book)
978-989-723-083-7

Engebook – Catalogação da publicação


Família: Energia
Subfamília: Energia Solar
CURSO TÉCNICO INSTALADOR
DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA
5

AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, gostaríamos de agradecer ao Dr. Deodato Vicente e Sandra Saldanha da Weidmüller,
não só pela ajuda ao longo da realização do projecto, mas também pela cedência de informação. Aqui
fica o nosso especial agradecimento, pois sem eles a obra não seria possível e não estaríamos agora
perante esta 2.ª edição.

Ao Eng.° Bruno Serôdio e ao Dr. Nuno Pina, da Hager, pela cedência de informação, bem como pelo
apoio na edição desta obra, que se replicou nesta 2ª edição. A eles o nosso obrigado.

Gostaríamos de agradecer ao Dr. Luis Montes de Oca, ao Dr. Miguel Pujol e ao Dr. Alexandre Cruz,
da SMA Ibérica, pela cedência de informação, bem como pelo apoio nas duas edições desta obra.
A eles o nosso obrigado.

Ao nosso editor, Eng.° António Malheiro, pela sua generosidade, simpatia, empreendedorismo,
apoio e motivação.

Ao Eng.° Hugo Fonte, Dr. Paulo Silva e à Dra. Ana Paula Rosa, da SelfEnergy, pela sua disponibilida-
de, apoio e informação fornecida.

Queríamos ainda agradecer ao ex-director da Escola D. Sancho I, Benjamim Araújo, ao actual presi-
dente da CAP, Dr. António Pereira Pinto, ao director do curso de Electrotecnia, José Pereira Vilaça,
ao coordenador de grupo, Fernando Henrique e a todos os colegas de grupo de electrotecnia que
aí leccionam, pela ajuda e apoio demonstrados. A todos o nosso obrigado.

Filipe Pereira
Dedico esta obra aos meus pais, mulher e sogros, pelo carinho, paciência e por terem estado sem-
pre do meu lado mesmo nos momentos mais difíceis.

Manuel Sarmento Oliveira


Queria agradecer à minha mulher e aos meus filhos pelo apoio dado na realização desta obra, pois
sem eles não teria sido possível concretizar os objectivos a que me propus.
7

RESUMO
A energia é, como todos sabem, um bem escasso e não inesgotável que tem vindo a preocupar
a comunidade internacional no que respeita às suas reservas e à procura de novas fontes alter-
nativas. Em termos de fontes de energias fósseis (petróleo e carvão), a sua produção e utilização
têm um impacte ambiental que é necessário reduzir numa óptica de não comprometer o equilíbrio
climático do planeta. Por isso, assiste-se hoje a investigação e a grandes investimentos na área das
energias renováveis e no seu desenvolvimento.

A sociedade contemporânea portuguesa está extremamente dependente das fontes de energia


fósseis. As energias renováveis, como alternativa, são ainda um assunto pouco discutido, assistin-
do-se contudo à sua gradual disseminação, com escolas por todo o país a começarem a leccionar
cursos nesta área. Neste contexto e no que respeita à leccionação deste tipo de formação, existe,
porém, uma lacuna a nível de bibliografia em língua portuguesa, tanto para o formador como para
o formando.

Este manual, que se encontra agora na 2ª edição revista e actualizada, resulta sobretudo da neces-
sidade de preencher essa omissão no domínio da formação em energias renováveis. Segue os re-
ferenciais da Associação Nacional das Qualificações (ANQ) e do Instituto do Emprego e Formação
Profissional (IEFP) e vem responder às necessidades dos seguintes cursos:

– Curso Profissional “Técnico de Energias Renováveis” – Variante Solar;


– 522212 – Técnico/a Instalador/a de Sistemas Solares Fotovoltaicos.

Esta obra inclui material de apoio em ambiente online em www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip


de apoio ao formador/professor e engenheiro contendo powerpoints, tabelas, software e outros
materiais necessários às acções de formação.

Direcciona-se para os formandos dos cursos profissionais de energias renováveis e do IEFP e seus
formadores, constituindo uma mais-valia para os profissionais do sector, empresas, engenheiros
e estudantes de engenharia, sob uma óptica de resolução de problemas de dimensionamento e
instalação de sistemas fotovoltaicos. A obra permitirá também que os formandos destes cursos
procurem, de forma autónoma e crítica, o saber e os conhecimentos relativos a esta área específi-
ca das indústrias, consolidando e sedimentando as competências necessárias para a sua correcta
aplicação.

Ao longo das suas páginas, são abordados os seguintes temas:

– Energia solar;
– Sistemas solares fotovoltaicos;
– Módulos solares fotovoltaicos;
– Projecto de sistema solar fotovoltaico – selecção e dimensionamento;
– Projecto de sistema solar fotovoltaico – construção;
– Projecto de sistema solar fotovoltaico – instalação.

Os autores esperam ter conseguido um manual de fácil utilização, sobretudo por parte do aluno/
formando a quem se principalmente se destina, e que seja capaz de contribuir para uma aprendiza-
gem mais estruturada e eficaz. Para os colegas professores/formadores aguarda-se que os venha
a ajudar na orientação e programação das aulas, afirmando-se ainda como uma mais-valia na vida
profissional de técnicos e engenheiros do sector.
ÍNDICE

CAPÍTULO 1 – ENERGIA SOLAR 13 2. 3. Sistemas ligados à rede 77


2. 4. Equipamentos que constituem um sistema
1. Introdução 14 de venda à rede 77
1.1. Heliotecnia – generalidades 14 2.4.1.Inversor de venda à rede – generalidades 78
1.2. Radiação solar 14 2.5. Sistema solar fotovoltaico – constituição 80
1.2.1. Espectro da radiação solar 17 2.5.1. Esquemas de sistemas solares fotovoltaicos 80
1.2.2. Massa de ar 17 2.5.2. Conceitos eléctricos 82
1.2.3. Tipos de radiação solar 19 2.5.3. Fórmulas de potência 82
1.2.4. Constante solar S 21 2.5.4.Perdas de potência 83
1.3. Movimento Terra-Sol 24 2.5.5. Fórmulas de energia 83
1.3.1. Declinação do Sol 25 2.5.6. Quantidade de energia 84
1.3.2. Tempo solar e ângulo horário local 27 2.5.7. Resistência de um condutor 84
1.3.3. Coordenadas geográficas 30 2.5.8. Ligações de resistências 85
1.4. Orientação dos módulos solares 35 2.5.9. Aumento da resistência de um condutor com
1.4.1. Projecções estereográficas 35 a temperatura 85
1.5. Orientação e inclinação de superfícies absorsoras 39 2.5.10. Capacidade eléctrica 86
1.5.1. Captação máxima de energia solar – generalidades 40 2.5.11. Ligação de condensadores 86
1.5.2. Poder de emissão de um corpo 41 2.5.12. Ligação de baterias 87
1.5.3.Captação máxima de energia solar – Calor (Q) 43 2.5.13. Múltiplos e submúltiplos das unidades
1.5.4. Factores de que depende a quantidade de calor eléctricas 88
transferido entre sistemas 43 2.6. Módulos/células solares fotovoltaicas –
1.5.5. Captação máxima de energia solar – Trabalho (W) 44 efeito fotovoltaico 89
1.5.6. Captação máxima de energia solar – Radiação (R) 44 2.6.1. Semicondutores 91
1.5.7. Princípio da conservação de energia 45 2.6.2. Junção PN 91
1.5.8. Balanço de energia 45 2.6.3. Modelo equivalente de uma célula fotovoltaica 93
1.5.9. Captação máxima de energia solar – Ganho térmico 45 2.6.4. Modelo real de uma célula fotovoltaica 98
1.5.10. Captação máxima de energia solar – Perdas térmicas 46 2.7. Baterias de acumuladores – constituição e princípio de
1.5.11. Recursos de energia solar em Portugal 49 funcionamento 100
1.5.12. Formas de aproveitamento da energia solar 52 2.7.1. Modelo eléctrico de uma bateria 101
1.5.13. Medição da radiação solar 53 2.7.2. Baterias de acumuladores de chumbo-ácido 102
1.6. Sistemas solares – generalidades 55 2.7.3. Acumuladores de chumbo-ácido ventilados
1.6.1. Tipos de sistemas solares 56 (FVLA – Free Vented Lead Acid) 105
1.6.2. Colectores solares térmicos – generalidades 56 2.7.4. Acumuladores de chumbo-ácido selados
1.6.3. Módulos solares fotovoltaicos – generalidades 58 (VRLA – Valve Regulated Lead Acid) 106
1.6.4. Instalação de sistemas solares – generalidades 60 2.7.5. Acumuladores de chumbo-ácido selados
1.6.5. Potencial de aplicação dos sistemas solares 62 (VRLA) de gel 106
1.6.6. Ciclo de vida dos sistemas solares – retorno energético 64 2.7.6. Baterias AGM (Absorbent Glass Material) 106
1.6.7. Ciclo de vida dos sistemas solares – benefícios 2.7.7. Baterias de acumuladores alcalinas 107
e impactes ambientais 65 2.7.7.1. Baterias de níquel-cádmio (Ni-Cd) 107
1.7. Sistemas mistos de energia solar e outros tipos de energia 66 2.7.7.2. Bateria de níquel-hidretos metálicos
(Ni-MH) 108
Actividade teórico-prática 1 67 2.7.7.3. Baterias de iões de lítio 108
Actividade teórico-prática 2 68 2.7.7.4. Baterias de iões de lítio com electrólito
Teste de Avaliação 70 de polímero 109
Teste de Avaliação – Escolha múltipla 71 2.7.8. Características das baterias de acumuladores 109
2.7.8.1. Capacidade, Cn 109
2.7.8.2. Tempo de descarga, tn 110
CAPÍTULO 2 – SISTEMAS SOLARES 2.7.8.3. Densidade energética, em Wh 110
FOTOVOLTAICOS 73 2.7.8.4. Ciclos de vida 110
2.7.8.5. Auto-descarga 110
2. Tecnologia de sistemas solares fotovoltaicos 74 2.7.8.6. Profundidade de descarga
2.1. Sistemas isolados 74 (DOD – Deep of Discharge) 111
2.1.1. Com armazenamento 74 2.7.8.7. Tensão 112
2.1.2. Sem armazenamento 75 2.7.9. Tabela de comparação entre os tipos de
2. 2. Sistemas híbridos 76 baterias mais usuais em sistemas fotovoltaicos 113
ÍNDICE

2.7.10. Carga de uma bateria 114 2.10.9. Selectividade dos aparelhos de protecção 178
2.7.11. Descarga de uma bateria 114 2.10.10. Sistemas de terra de protecção 181
2.7.12. Associação de baterias de acumuladores 115 2.10.10.1. Condutores de terra 182
2.7.13. Problemas da ligação de baterias em paralelo 117 2.10.11. Verificação das instalações eléctricas 185
2.7.14. Precauções na instalação de baterias 118 2.10.12. Automatismos 189
2.7.15. Manutenção das baterias 118 2.10.13. Tubos para canalizações eléctricas 191
2.7.16. Escolha das baterias em função do tipo 2.10.14. Classes de isolamento dos equipamentos 193
de instalação 119 2.11. Aparelhos de medida 194
2.8. Regulador de carga 119 2.12. Isolamento térmico – introdução 196
2.8.1. Análise da folha de características de um
regulador 121 Teste de Avaliação 197
2.8.2. Tipos de reguladores 122 Teste de Avaliação – Escolha múltipla 198
2.8.3. Regulador série 123
2.8.4. Regulador paralelo ou ”shunt” 125
2.8.5. Estratégias para o controlo da carga 126 CAPÍTULO 3 – MÓDULOS SOLARES
2.8.6. Regulador MPPT 128 FOTOVOLTAICOS 201
2.8.7. Regulador de carga Night Light 132
2.8.8. Associação de reguladores em paralelo 133 3.1. Tipos de células fotovoltaicas 202
2.8.9. Esquema electrónico de um regulador solar 137 3.1.1. Rendimento - panorama actual 203
2.9. Inversores DC/AC 138 3.1.2. Curvas características das células fotovoltaicas 204
2.9.1. Inversores de onda quadrada 140 3.1.3. Factor de forma e rendimento 208
2.9.1.1. Princípio de funcionamento 142 3.1.4. Potência eléctrica 209
2.9.1.2. Sistemas de monitorização 143 3.1.5. Características dos módulos fotovoltaicos 209
2.9.2. Inversor auto-controlado 145 3.1.6. Potência produzida por um módulo fotovoltaico 212
2.9.3. Inversores DC-AC para sistemas autónomos 147 3.1.7. Associação de módulos fotovoltaicos em série 213
2.9.4. Características dos inversores para instalações 3.1.8. Associação de módulos fotovoltaicos em paralelo 213
autónomas 148 3.1.9. Associação mista de módulos fotovoltaicos 214
2.9.5. Classificação dos inversores autónomos 150 3.2. Cálculo e dimensionamento dos módulos solares
2.9.5.1. Inversores de onda quadrada 150 fotovoltaicos – noções 215
2.9.5.2. Inversores semi-sinusoidais 152 3.3. Manutenção e conservação 215
2.9.5.3. Inversores sinusoidais 152 3.4. Caixa de ligações dos módulos fotovoltaicos 216
2.9.6. Escolha do inversor para sistemas isolados 153 3.5. Díodos de desvio e díodos de fileira 218
2.9.7. Inversores com carregador 154 3.6. Pontos quentes, díodos de derivação e sombreamento 219
2.9.8. Dimensionamento de um gerador de apoio ao 3.7. Efeitos dos sombreamentos nos módulos fotovoltaicos 221
sistema fotovoltaico 155 3.8. Aspectos a ter em conta na escolha do módulo 223
2.9.9. Características dos inversores 156 3.9. Processo de construção de um módulo solar fotovoltaico 223
2.10. Instalação eléctrica (quadro eléctrico, cablagem, 3.9.1. Teste de células solares 224
protecções contra descargas atmosféricas, disjuntores, 3.9.2. Um simulador solar simples 224
fusíveis e outros elementos do circuito eléctrico) 158 3.9.3. Um porta-células simples 224
2.10.1. Condutores e cabos eléctricos 158 3.9.4. Medições corrente-tensão 225
2.10.2. Quadros eléctricos 162 3.9.5. Como ligar as células 225
2.10.2.1. Quadro eléctrico de entrada 162 3.9.6. Os vários modos de ligar as células solares em série 226
2.10.2.2. Aparelho de corte diferencial 164 3.9.7. Soldadura das células solares 226
2.10.2.3. Aparelho de corte magnetotérmico 165 3.9.8. Projectar a caixa 226
2.10.2.4. Protecção contra descargas 3.9.9. Corte do plástico 227
atmosféricas 166 3.9.10. Colar a caixa de plástico 227
2.10.3. Escolha do regime de neutro 167 3.9.11. Tapar a cobertura 228
2.10.3.1. Sistema TT 167 3.9.12. Instalação das células solares 228
2.10.3.2. Sistema TN 168 3.9.13. Construção de um módulo concentrador híbrido 229
2.10.3.3. Sistema IT 169 3.9.14. O suporte de protecção 229
2.10.4. Choque eléctrico 169 3.9.15. Isolamento e encapsulamento das células
2.10.5. Dispositivos de protecção 170 fotovoltaicas 230
2.10.6. Disjuntores de baixa tensão 171 3.10. Ensaio de um módulo solar fotovoltaico 231
2.10.7. Fusíveis 172
2.10.8. Análise de problemas eléctricos 173 Actividade Teórico-prática 1 232
ÍNDICE

Actividade Teórico-prática 2 232 4.26. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos de venda


Actividade Teórico-prática 3 233 à rede 293
Teste de Avaliação 233 4.27. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos autónomos 300
Teste de Avaliação – Escolha múltipla 234 4.27.1 Cargas eléctricas (consumos) 300
4.28. Escolha do regulador de carga 304
4.29. Dimensionamento de instalações fotovoltaicas em
CAPÍTULO 4 – PROJECTO DE SISTEMAS corrente contínua com tensões de 12 V/24 V/48 V 304
SOLARES FOTOVOLTAICOS (SELECÇÃO 4.30. Dimensionamento de instalações FV em corrente
E DIMENSIONAMENTO) 237 contínua com tensões de 12/24/48 V e em corrente alternada
230 V AC/50 Hz 308
4.1. Aproveitamento da energia solar fotovoltaica – 4.31. Dimensionamento de instalações FV em corrente
generalidades 238 alternada (230 V AC/50 Hz) 308
4.2. Hora de pico solar 239 4.32. Outro processo de cálculo para o dimensionamento
4.3. Estudo de viabilidade técnica – sombreamentos 239 de sistemas fotovoltaicos autónomos 310
4.3.1. Tipos de sombreamento 242 4.32.1. Sistema FV autónomo para alimentação de cargas
4.3.2. Perdas por sombreamento 243 em corrente alternada - caso prático I 310
4.4. Sistemas de múltiplos inversores 247 4.32.2. Sistema FV autónomo para iluminação externa -
4.5. Dimensionamento de cablagem para sistemas FV 249 caso prático II 316
4.6. Dimensionamento dos fusíveis de fileira 255
4.7. Dimensionamento dos fusíveis para protecção de baterias, Actividade Teórico-prática 1 320
regulador e inversor 256 Actividade Teórico-prática 2 320
4.8. Ligação dos módulos fotovoltaicos 257 Teste de Avaliação 322
4.9. Acoplamento electromagnético 260 Teste de Avaliação – Escolha múltipla 323
4.10. Equipamentos de corte e seccionamento 260
4.11. Protecção contra descargas atmosféricas de sistemas FV 262
4.12. Esquemas de sistemas solares fotovoltaicos a definir em CAPÍTULO 5 – PROJECTO DE SISTEMAS
projectos 262 SOLARES FOTOVOLTAICOS (CONSTRUÇÃO) 325
4.12.1. Protecção de sistemas isolados 262
4.12.2. Protecção de sistemas ligados à rede 265 5.1. Caracterização dos elementos constituintes 326
4.13. Ligação à terra e equipotencialização 265 5.1.1. Seguidores solares 326
4.14. Contador de energia e portinhola na microprodução 268 5.2. Tipos de estruturas de fixação dos módulos fotovoltaicos 328
4.14.1. Contador de energia 268 5.2.1. Caracterização técnica detalhada dos principais
4.14.2. Portinhola 269 componentes de uma estrutura de fixação em telhados 332
4.15. Legislação aplicável à microgeração 271 5.2.2. Montagem das estruturas de fixação em vários
4.15.1. Aspectos fiscais 272 tipos de telhados 333
4.15.2. Regimes de remuneração de microprodução 273 5.3. Caixas de ligação das cablagens dos sistemas FV 335
4.16. Minigeração para produção de energia com tarifas 5.4. Normas técnicas e legislação aplicável a sistemas
bonificadas 275 fotovoltaicos 337
4.17. Estudo económico 277 5.4.1. Módulos fotovoltaicos 338
4.18. Esquemas de instalação de sistemas de microgeração 5.4.2. Cablagens 338
fotovoltaica 280 5.4.3. Fusíveis de fileira 338
4.19. Dimensionamento de centrais fotovoltaicas de venda à 5.4.4. Díodos de bloqueio 339
rede com uma potência de 9 e 90 kW 282 5.4.5. Interruptor principal DC 339
4.20. Sistemas de venda à rede com inversores trifásicos de 5.4.6. Caixa de junção geral 339
elevada potência 282 5.4.7. Protecção contra descargas atmosféricas
4.21. Dimensionamento de uma central de minigeração para e sobretensões 340
uma instalação industrial com contrato em BTE – exemplo 1 285 5.4.8. Protecção de sistemas FV contra descargas
4.22. Dimensionamento de uma central de minigeração para atmosféricas em edifícios não protegidos 340
uma instalação de uma cooperativa com contrato em BTE– 5.4.9. Protecção de sistemas FV contra descargas
exemplo 2 286 atmosféricas em edifícios protegidos 341
4.23. Dimensionamento de uma central de minigeração para 5.4.10. Ligação à terra de equipamentos 341
uma instalação industrial com contrato em MT – exemplo 3 287 5.4.11. Contadores 341
4.24. Esquemas de sistemas híbridos 288 5.5. Normas e boas práticas na instalação de sistemas FV 342
4.25. Dimensionamento de sistemas de bombeamento de água 290 5.5.1. Equipamentos e elementos de segurança 342
ÍNDICE

Teste de Avaliação 347


Teste de Avaliação – Escolha múltipla 347

CAPÍTULO 6 – PROJECTOS DE SISTEMAS


SOLARES FOTOVOLTAICOS (INSTALAÇÃO) 349

6.1. Preparação das condições necessárias para a instalação 350


6.1.1. Etiquetas de aviso de segurança e normas a adoptar
nas inspecções de microgeração 350
6.2. Montagem dos módulos sobre a estrutura 352
6.3. Arranque do sistema solar fotovoltaico autónomo 352
6.4. Instalação do sistema solar fotovoltaico conforme plano de
instalação definido no projecto 352
6.4.1. Preparação das condições necessárias para a instalação 352
6.4.2. Normas e boas práticas na instalação de sistemas 353
6.4.3. Arranque do sistema solar fotovoltaico de ligação
à rede 354
6.4.4. Instalação de baterias 360
6.5. Manutenção de sistemas fotovoltaicos 362
6.5.1. Tipos de manutenção 362
6.5.2. Monitorização de instalações fotovoltaicas com o
Transclinics XI da Weidmüller 365
6.5.3. Tipos de avarias mais frequentes nos sistemas
fotovoltaicos 375
6.5.4. Manutenção de baterias e respectiva sinalização 377
6.5.5. Manutenção de seguidores solares 378

Actividade Teórico-prática 1 379


Actividade Teórico-prática 2 380
Teste de Avaliação 381
Teste de Avaliação – Escolha múltipla 382

ANEXOS 385
ANEXO I – Radiação solar em kWh/m2 em Portugal 387
ANEXO II – Coordenadas de locais em Portugal Continental 388
ANEXO III – Tabelas de referência para cálculo de
sombreamentos 389
ANEXO IV – Hiperligações para software de sistemas FV 391

Bibliografia 392
CAPÍTULO 1
ENERGIA SOLAR

Temas:
a. Heliotecnia
b. Aproveitamento da energia solar
c. Sistemas solares – introdução
d. Sistemas mistos de energia solar e outros tipos de energia

Objectivo(s):
– Caracterizar a energia solar.
– Identificar e caracterizar os diferentes tipos de radiação solar.
– Identificar as técnicas de captação máxima de energia solar.
– Decidir tecnicamente sobre a viabilidade da instalação de um sistema solar,
considerando as condições de captação de energia.
– Entender as aplicações e o funcionamento dos sistemas de produção de energia
(térmica e fotovoltaica), com recurso à energia solar.
– Reconhecer um sistema misto de produção de energia.
14 Capítulo 1 - Energia Solar

1. INTRODUÇÃO
Actualmente, a nossa economia tem uma elevada dependência de fontes de
energias tradicionais que exercem um impacte que é prejudicial ao equilíbrio
ecológico do planeta.

Os preços do petróleo, carvão e gás natural não param de subir à medida que
as suas reservas diminuem a cada dia que passa. O nosso país utiliza imensos
recursos na importação de energia, o que pode representar que esse capital
não seja investido noutras áreas muito mais benéficas para o país.

As energias renováveis são sem dúvida uma alternativa a este problema, uma
vez que o nosso país possui energia solar, eólica, biomassa e de ondas em
abundância. É ainda preciso ter em conta que da utilização de equipamentos
de energias alternativas, apenas advêm custos da sua manutenção, instalação
e compra.

No caso do solar fotovoltaico, esta é uma fonte de energia que, através das
suas células, converte directamente a radiação solar em energia eléctrica. Esta
fonte de energia para produção de electricidade (que tem como base as células
fotovoltaicas), apresenta as seguintes vantagens:

– É uma fonte de energia renovável;


– Não é poluidora;
– É economicamente competitiva e permite rápidos períodos de retorno de
investimento;
– Contribui para a redução da dependência energética externa de Portugal;
– A tecnologia existente no mercado está já suficientemente madura;
– Não exige grandes manutenções;
– etc.

1.1. Heliotecnia — generalidades


A luz, seja ela de origem solar ou gerada por um foco incandescente ou lumino-
so, é formada por um conjunto de radiações electromagnéticas de frequência
muito alta que estão agrupadas dentro de um intervalo ao qual chamamos de
espectro luminoso.

O Sol transfere energia para a Terra através da luz que nos envia, isto é, por ra-
diação. A radiação solar refere-se à radiação electromagnética emitida pelo Sol.

Devido à grande distância existente entre Sol e Terra, apenas uma parte míni-
ma dessa radiação atinge a superfície terrestre, que corresponde a uma quan-
tidade de energia de 1 x 1018 kWh/ano.

De toda a energia emitida pelo Sol (3,9 x 1026 J/s) apenas 1,8 x 1017 J/s chega ao
nosso planeta, devido ao facto deste se encontrar algo distanciado do astro-rei
(a distância entre o Sol e a Terra é de 150 milhões de quilómetros).

1.2. Radiação solar


As radiações electromagnéticas são ondas que se podem propagar no ar, água,
vidro e também no vazio. Dependem de uma grandeza importante que é a
frequência (f) (Unidade do SI: Hertz - Hz).

Qual é a natureza da radiação electromagnética?


R: A natureza da radiação electromagnética é ondulatória.
Capítulo 1 - Energia Solar 15

A frequência de uma onda é caracterizada, por exemplo, como um sinal de


uma estação de rádio de frequência modulada (FM). Na região do Porto, a Rá-
dio Comercial emite em FM na frequência de 97,7 MHz (megahertz).

A luz emitida por esta estação de rádio não se vê. Porquê?


R: Porque se trata de uma radiação electromagnética não visível.

Existem radiações electromagnéticas visíveis que são detectáveis pelos nos-


sos olhos. A estas chamamos de luz visível.

Existe ainda uma grande variedade de frequências (espectro de radiação elec-


tromagnética). Estas frequências permitem caracterizar uma radiação mas
também distinguir se uma zona do espectro é mais ou menos energética do
que a outra.
Fig. 1
Espectro electromagnético.

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Spectre.svg

Quando observamos directamente a luz vinda do Sol, ficamos com


a sensação de cor branca. Porquê?
R: Esta cor esbranquiçada é a junção das radiações de diferentes frequências a
que correspondem todas as cores visíveis do espectro electromagnético:

– Vermelho;
– Alaranjado;
– Amarelo;
– Verde;
– Azul;
– Anil;
– Violeta;
– etc.

Esta radiação também pode ser expressa pelo respectivo comprimento de


onda, Ȝ0, que se relaciona com a frequência f através da seguinte equação:

Em que:
c – Velocidade da radiação electromagnética no vazio
16 Capítulo 1 - Energia Solar

A energia emitida pelo Sol chega à Terra em forma de ondas electromagnéticas


que se espalham pelo espaço e em todas as direcções. Este efeito é denomi-
nado de radiação e tem como referência um fenómeno físico vibratório que se
representa por formas de onda.

A quantidade de energia transportada pelas ondas é proporcional à sua fre-


quência, que é o número de vezes que a onda se repete completamente por
unidade de tempo.

Se f Ĺ maior é a quantidade de energia que a onda transporta.

As radiações electromagnéticas propagam-se todas à mesma velocidade de


300.000 km/s no vazio, distinguindo-se pelo seu valor de período da onda. O
comprimento da onda é a distância entre 2 pontos iguais, como por exemplo,
a crista da onda.

A frequência é independente do meio em que a radiação se propaga.

A radiação electromagnética pode ser caracterizada pela sua frequência (f) e


pelo respectivo comprimento de onda (Ȝ).

A sua velocidade de propagação no vazio relaciona-se com estas grandezas do


seguinte modo: c = f x Ȝ.

Conhecendo a frequência ou o comprimento de onda da radiação é, também,


possível distinguir se uma zona do espectro electromagnético é mais ou me-
nos energética do que outra. Assim, a energia da radiação é:

– Directamente proporcional à sua frequência;

– Inversamente proporcional ao seu comprimento de onda.

Fig. 2
Frequências e comprimentos
de onda da radiação.

Fonte: Adaptado de Porto Editora


Capítulo 1 - Energia Solar 17

A radiação solar não chega unicamente sob a forma de luz visível, como vimos
anteriormente. Recebemos também radiação não visível para o olho humano.

A gama de radiações visíveis para os nossos olhos abrange valores de com-


primentos de onda entre 0,38 e 0,78 μm (1 μm = 1 micrómetro ou micra =
1 x 10-6 m).

Comprimentos de onda maiores que os da cor violeta são os dos raios infraver-
melhos, microondas e as ondas de rádio. Com comprimentos de onda meno-
res que os do violeta estão os ultravioletas, os raios X e raios gama.

Nota: 1 nm = 10-9 m

1.2.1. Espectro da radiação solar


A energia produzida pelo Sol transmite-se no espaço em forma de radiação
electromagnética. Esta radiação é um conjunto contínuo de ondas de diversos
comprimentos de onda, dos quais a luz visível é apenas uma pequena parte.

A figura que se segue mostra a distribuição da radiação solar extraterrestre e


denomina-se de “espectro da radiação”. A distribuição da radiação no espec-
tro solar, em função do comprimento de onda, está representada na tabela
sequinte.

Fig. 3
Ondas do espectro da radiação solar.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/geologia/testes/quiz.htm

Recorde

A radiação solar é formada por um con-


junto contínuo de ondas denominadas de
espectro.

0,38 / 0,78 Tabela 1


Comprimento de onda < 0,38 0,78 Distribuição do espectro da radiação solar que incide
(espectro radiação
da banda (μm) (ultravioleta) (infravermelho) na atmosfera extraterrestre.
visível)
Percentagem de energia Fonte: Thekaekara (NASA, 1973)
7% 47,3 % 45,7 %
na banda

1.2.2. Massa de ar
Quando a radiação solar atravessa a atmosfera sofre diversas alterações, devi-
do a vários factores, como por exemplo:

– Vapor de água;
– Ar;
18 Capítulo 1 - Energia Solar

– Partículas em suspensão;
– Sujidade;
– etc.

A massa de ar é uma porção individualizada do ar atmosférico que possui nas


suas características e propriedades as condições gerais do tempo dos locais
onde se formam. O deslocamento da massa de ar é provocado pela diferença
de pressão e temperatura entre as diversas áreas da superfície.

A massa de ar tem efeitos na radiação solar. O ângulo de incidência dos raios


solares através da atmosfera terrestre faz com que estes possuam um per-
curso com maior ou menor massa de ar atravessada, mudando esta com a
declinação da Terra em relação ao Sol.

Fig. 4
Massa de ar atravessada pela radiação solar.

Fonte: “Sistemas Fotovoltaicos – da Teoria à Prática”,


Josué Morais

Exercício Resolvido

Calcule o factor de massa de ar (AM) para


os seguintes ângulos de altura solar:

a. 18,5 °;
b. 67 °; Massa de ar AM = 1 se Ȋ = 0. Tal corresponde à posição solar no equador ao
c. 88 °. meio-dia, nos dias de equinócio da Primavera ou do Outono.

Resolução: Por exemplo, para uma latitude de 39 °N, a altura solar máxima é atingida no dia
21 de Junho, quando Ȋ= 74,3 °. Equivale a uma Massa de Ar de 1,039. No dia
a. 22 de Dezembro, atinge-se a altura solar mínima Ȋ = 27,7 ° e, respectivamente,
uma Massa de Ar de 2,151. Como média anual para a Europa, utiliza-se uma
b. Massa de Ar de 1,5.

c.

Fig. 5
Espectro solar com uma AM = 0 e uma
AM= 1,5 – comprimento de onda em função
da irradiância.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Recorde

Quanto maior for a massa de ar, maior


será a trajectória da radiação solar e, con- Analisando o gráfico anterior, observa-se que as perdas de energia serão maio-
sequentemente, a sua perda de energia. res para valores mais elevados de massas de ar. Para uma AM = 5,76, podere-
mos ter uma redução de energia que varia entre 51,8 a 85,4 %.
Capítulo 1 - Energia Solar 19

Exercícios

Exercício 1
A radiação amarela característica das lâmpadas de valor de sódio possui a frequência f = 5,093
x 1014 Hz. A velocidade de propagação desta radiação é de:

– No vazio: c = 3,000 x 108 m.s-1


– No ar seco: v = 2,795 x 108 m.s-1
– Na água: v = 2,250 x 108 m.s-1

Qual o comprimento de onda desta radiação no vazio, no ar seco e na água, expressa em


nanómetros?

Exercício 2
Qual a ordem de grandeza do comprimento de onda, reportado ao vazio, expressa em metros
e nanómetros:

a. De uma radiação verde, para a qual o olho humano é mais sensível: f = 5,400 x 1014 Hz;
b. De uma radiação de frequência f = 1,300 x 1013 Hz, típica das ondas hertzianas.

Exercício 3
No vácuo, as ondas electromagnéticas têm sempre o(a) mesmo(a)…

a. Período;
b. Frequência;
c. Intensidade;
d. Velocidade.

Exercício 4
Em cada uma das alternativas, qual das seguintes radiações é menos energética?

a. Luz vermelha e azul;


b. Radiação ultravioleta ou infravermelha;
c. Raios gama e raios X.

Exercício 5
A maior parte da radiação emitida pelo Sol é…

a. Luz visível;
b. Radiação UV;
c. Radiação IV;
d. Ondas hertzianas.

Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

1.2.3. Tipos de radiação solar


O resultado da decomposição da radiação solar incidente sobre um receptor
pode ser dividido em três componentes:

– Radiação directa: constituída por todos os raios que são recepcionados pelo
receptor em linha recta com o sol;
– Radiação difusa: é a luz solar recebida indirectamente, proveniente da acção
da difracção nas nuvens, nevoeiro, poeiras em suspensão e outros obstácu-
los presentes na atmosfera;
– Radiação albedo: parte da energia recebida sobre a superfície terrestre é
reenviada para o espaço sob a forma de energia reflectida. As nuvens, as
massas de gelo e neve e a própria superfície terrestre são razoáveis re-
flectores, reenviando para o espaço cerca de 30 a 40 % da radiação rece-
bida. A esta razão entre a radiação reflectida e incidente chama-se albedo.
20 Capítulo 1 - Energia Solar

Fig. 6
Radiação incidente na Terra.

Fonte: http://www.raplus.pt/termico3.GIF

De seguida é apresentada uma tabela de albedos para alguns tipos de superfície.

Superfície Albedo Superfície Albedo


Tabela 2
Alguns albedos para certos tipos
Relva 0,18 a 0,23 Asfalto 0,15
de superfície.

Fonte: “Sistemas Fotovoltaicos – da Teoria à Prática“, Pastos secos 0,28 a 0,32 Florestas 0,05 a 0,18
Josué Morais

Campos lavrados 0,26 Camada de neve fresca 0,80 a 0,90

Pastos (Julho/Agosto) 0,25 Área de urzes e areal 0,10 a 0,25

Terra estéril 0,17 Camada de neve velha 0,45 a 0,70

Superfície água
Pedregulhos 0,18 0,05
(ys > 45°)
Recorde Superfície água
Cimento liso 0,55 0,08
(ys > 30°)
Superfície água
Betão liso 0,30 0,22
A radiação directa é a radiação solar que (ys > 10°)
incide directamente na superfície. A radia-
ção difusa advém da dispersão da radiação
ao passar pela atmosfera. A radiação de al-
bedo é a parte da radiação solar reflectida Chamamos de radiação total à soma global das três radiações:
pela superfície terrestre.
Radiação total = Radiação directa + Radiação difusa + Radiação de albedo

Fig. 7
Tipos de radiação incidente na Terra.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/index.php/content/
view/18/30/

19%
Capítulo 1 - Energia Solar 21

Em termos gerais, o albedo é a quantidade de radiação solar reflectida por um


corpo ou uma superfície, sendo calculado como a razão entre a quantidade
de radiação reflectida e a quantidade de radiação recebida. Esta relação varia
fortemente com o tipo de materiais existentes à superfície.

O albedo varia também com a inclinação (ou obliquidade) dos raios solares:
quanto maior for essa inclinação, maior será o albedo.

Fig. 8
Variação do albedo com a inclinação
dos raios solares.

Fonte: http://withfriendship.com/images/h/39322/Albedo-
picture.jpg

O Sol emite radiações em toda a gama do espectro electromagnético, desde


os raios gama até às ondas de rádio.

A superfície da Terra recebe anualmente um valor aproximado de 1,5 x 1018 kWh


de energia solar. Este valor é 10 mil vezes superior ao consumo mundial anual
de energia.

Para uma melhor compreensão, apresentamos de seguida os dados mais sig-


nificativos do Sol:

– Raio: 700 mil km (109 vezes maior do que o raio da Terra).


– Massa: aproximadamente 300 mil vezes mais do que a da Terra.
– Idade aproximada: 5 mil milhões de anos.
– Tempo de vida estimado: mais 8 mil milhões de anos.

334.000 vezes mais que Tabela 3


Massa 2,2 x 1027 ton. Dados característicos do Sol.
a Terra
Fonte: Seminários Weidmüller
Diâmetro 14 x 105 Km 110 vezes mais que a Terra

Distância à terra 15 x 107 Km

Núcleo Produz 90% energia e tem 320.000 Km de diâmetro

7 % radiação ultravioleta
Formato da radiação solar 47 % radiação visível
46 % radiação infravermelhos

Energia produzida por segundo 38 . 1025 J (W.s)

1.2.4. Constante solar S


A constante solar é a potência de radiação solar incidente num plano perpen-
dicular à direcção desta radiação, quando a Terra está à distância média do Sol.
A esta constante solar que alcança a unidade de área da superfície da Terra
chamamos de Constante Solar S.

Constante Solar, S = 1367 W/m2


22 Capítulo 1 - Energia Solar

Fig. 9
Constante solar S.

Fonte: http://solaris02.blogspot.com/2010/01/heliotecnia.html

Sabia que

A distância entre a Terra e o Sol é de apro-


ximadamente 149.597.870 quilómetros.
Esta distância denomina-se por unidade
astronómica (ua), que é usada para com-
parar as distâncias entre os planetas e o
Sol. A luz percorre uma distância entre o
Sol e a Terra em aproximadamente 8 mi-
nutos e 19 segundos.

Devido à excentricidade da órbita terrestre em torno do Sol, o nosso planeta


encontra-se mais próximo deste em Janeiro do que em Julho.

Fig. 10
Distância da Terra ao Sol nos meses
de Janeiro e Julho.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Recorde

Convém referir que irradiância é o fluxo


radiante incidente por unidade de área
de qualquer radiação electromagnética.
A sua unidade no Sistema Internacional A Terra descreve uma órbita elíptica em redor do Sol, em que ocupa os extre-
é W/m2.
mos da elipse. Quando está mais afastada do Sol (aproximadamente 1,017 ua)
denomina-se por afélio. Ao ponto que em a Terra se encontra a aproximada-
mente de 0,983 ua chama-se periélio.

Fig. 11
Órbita descrita pela Terra em redor do Sol.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Importante

O sentido de rotação da Terra inicia em


Oeste e termina em Este. Por isso, a
nossa perspectiva como habitantes do
planeta, é de que ele amanhece em Este
e anoitece em Oeste.

O movimento de translação da Terra em redor do Sol dura sensivelmente um


ano ou, com mais exactidão, 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.
Capítulo 1 - Energia Solar 23

Este movimento é efectuado em torno do seu próprio eixo realizando uma


volta por dia.

Exercícios

Exercício 6
De acordo com as grandezas e definições apresentadas abaixo, interligue-as de forma correcta.
Exercício Resolvido

Radiação solar Emissão de energia, proveniente do sol, sob forma de ondas electromagéticas
Calcule a velocidade angular da Terra em
Quantidade de energia que recebe, por segundo, cada metro quadrado de radianos por segundo e em graus por se-
Constante solar superfície exposta perpendicularmente aos raios do sol, na camada superior da gundo.
atmosfera.
Radiação directa Energia recebida na Terra, directamente do sol. Resolução:
Radiação difusa Parte da radiação solar dispersa, que acaba por atingir, indirectamente, a Terra.
A Terra descreve uma volta por dia. Uma
Radiação terrestre Radiação de grande comprimento de onda emitida pela Terra. rotação completa equivale a 360 ° e 2ʌ
radianos. Assim, podemos calcular a ve-
Tabela 4 locidade angular do planeta utilizando fac-
tores de conversão, tais como:
Exercício 7
A quantidade de 1367 W/m2 recebe o nome de: 1 Volta-dia x 2ʌ rad -> 1 Volta x 1 dia (24
horas) x 1 h (3600s) = 0,00007272 rad/s.
a. Constante de Einstein; 1 Volta-dia x 360 ° - 1 Volta x 1 dia (24 ho-
b. Declinação; ras) x 1 h (3600s) = 0,004167 °/s.
c. Afélio;
d. Constante Solar.

Exercício 8
A maior parte da radiação emitida pelo Sol é…

a. Luz visível;
b. Radiação UV;
c. Radiação IV;
d. Ondas hertzianas.
Soluções
Exercício 9
Uma radiação de 540 nm será… Soluções dos exercícios 6 - 11:
Exercício 6 - Estão interligadas de forma
a. Ultravioleta; correcta.
b. Infravermelha;
c. Visível; Exercício 7 - Resposta d);
d. Invisível.
Exercício 8 - Resposta a);
Exercício 10
Qual é o valor da radiação que incide com um ângulo de 78 ° sobre uma superfície de 1 m2 Exercício 9 - Resposta c):
situada no limite exterior da atmosfera terrestre? Visível novamente por estar compreendi-
da entre 380 nm (cor violeta) e 780 nm
a. Algo mais do que 1367 W/m2; (cor vermelha). Ver figura 2.
b. Exactamente 1367 W/m2;
c. 1367 W/m2 multiplicado pelo cos 12 °; Exercício 10 - Resposta c):
d. 1367 W/m2 multiplicado pelo sen 78 °. A perpendicular forma um ângulo de 90 °
com o plano ou a superfície. A diferença
Exercício 11 entre os 90 e os 78 ° (valor dado nas so-
O espectro da radiação solar é constituído por que tipo de radiações? luções) é de 12 °. Tem de se multiplicar
a constante solar pelo cosseno do ângulo
a. Visível e infravermelha; formado pela direcção da radiação solar e
b. Visível e ultravioleta; a perpendicular.
c. Visível;
d. Ultravioleta, visível e infravermelha. Exercício 11 - Resposta d).
24 Capítulo 1 - Energia Solar

1.3. Movimento Terra — Sol


Como todos sabemos, o planeta Terra descreve uma trajectória elíptica num
plano que é inclinado em relação ao plano do equador.

Fig. 12
Movimento Terra-Sol.

Fonte: Seminários Weidmüller

Devido à inclinação da Terra, a direcção norte-sul geográfica está desviada


da direcção norte-sul do campo magnético terrestre.

A Terra roda sobre si própria e completa uma rotação num dia, percorrendo
a sua trajectória num ano e 6 horas. De 4 em 4 anos acerta-se o calendário
com um ano bissexto.

O eixo de rotação, designado eixo polar, é quase perpendicular ao plano


da elíptica, formando um ângulo com a normal ao plano da órbita de valor
23 ° 27’.

Fig. 13
O dia e a noite no solstício de Junho.

Fonte: Curso de Instaladores Solares Térmicos - INETI, Lisboa

Recorde

Ao ângulo que forma o eixo da Terra com


o plano da elíptica, chamamos de decli-
nação.
Durante o solstício do Verão (23 de Junho) a declinação solar é de 23 ° 27’, a
duração do dia é maior que a da noite e o Sol, encontrando-se sobre o Trópico
de Câncer, nasce quase a NE (Nordeste) e põe-se quase a NW (Noroeste).
No solstício do Inverno (22 de Dezembro), a declinação é igual mas de valor
negativo: o Sol encontra-se sobre o Trópico de Capricórnio e a duração do dia
é inferior à da noite.

Posto isto, surge um termo muito importante em sistemas de energia solar,


que é a declinação solar. Define-se declinação como o ângulo entre a direc-
ção da radiação solar e o plano do equador. Este ângulo varia com o respecti-
vo dia do ano, entre os limites ± 23,7 °.
Capítulo 1 - Energia Solar 25

Fig. 14
Movimento Terra-Sol.

Fonte: Seminários Weidmüller

+ 23 ° 27’

- 23 ° 27’

O equador da Terra está inclinado cerca de 23 ° 27’ sobre o plano da órbita à


volta do Sol. Assim, durante a translação, a declinação varia de 23 ° 27’ norte
até 23 ° 27’ sul e vice-versa.

1.3.1. Declinação do Sol


Declinação do Sol é a distância angular do equador ao paralelo do astro. Pode
ser norte ou sul, consoante o Sol esteja acima ou abaixo do equador.

Fig. 15
Declinação solar.

Fonte: http://www.ancruzeiros.pt/ancastros-sol-dec.html

Fig. 16
Equinócios e solstícios.

Fonte: http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.
astro.110mb.com/equinociosesolsticios.jpg

A orientação da Terra em relação ao Sol possui quatro posições: dois equinó-


cios e dois solstícios. Cada uma destas posições indica a passagem de uma
nova estação do ano. Então, para cada posição, e em relação ao hemisfério
Norte, temos:

– Solstício de Verão: Hemisfério Norte da Terra inclinado para o Sol (21 de


Junho). Aqui a declinação é máxima (+ 23,7 °).
26 Capítulo 1 - Energia Solar

Exercício com resposta livre – Solstício de Inverno: Hemisfério Norte da Terra inclinado para o lado oposto
do Sol (21 de Dezembro). Aqui a declinação é mínima (-23,7 °).
– Equinócio de Outono: Intersecção do equador da Terra com o equador do
Como são originadas as estações no pla- Sol (22 de Setembro). Aqui a declinação é nula.
neta Terra? Em que zonas do planeta se – Equinócio da Primavera: O equador da Terra e o equador do Sol estão alinha-
denotam mais as diferenças entre as es-
dos (20 de Março). Aqui a declinação é nula.
tações? Em quais se notam menos?

Soluções disponíveis em: É de referir que o que foi referido acima para o hemisfério Norte, acontece
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip precisamente o oposto no hemisfério Sul. Dizemos que os dois hemisférios
são antagónicos.

Fig. 17
Equinócios e solstícios respectivamente
nos hemisférios Norte e Sul.

Fonte: Seminários Weidmüller

Fig. 18
A Terra nos solstícios.

Fonte: Apresentação sobre Radiação Solar, Professora:


Maria Carolina Farias, 2007/2008

Durante os equinócios da Primavera (21 de Março) e do Outono (22 de Setem-


bro), os dias são iguais às noites, porque a declinação solar é nula. Estes são
os únicos dias em que está correcta a afirmação: “O Sol nasce a Este e põe-se
a Oeste”.

Fig. 19
Movimento Terra-Sol.

Fonte: Seminários Weidmüller


Terra

Sol

Verão
Órbita Inverno
Capítulo 1 - Energia Solar 27

Fig. 20
Sol da meia-noite.

Fonte: Seminários Weidmüller

No referencial terrestre tudo se passa como se o Sol tivesse um movimento


aparente no horizonte à trajectória solar.

1.3.2. Tempo solar e ângulo horário local


O tempo tem como referência o meridiano de Greenwich. Daí a expressão Tem-
po Médio de Greenwich, TMG ou GMT (em inglês, Greenwich Mean Time).

Fig. 21
Meridiano do Fuso Horário Local, LSTM.

Fonte: http://pvcdrom.pveducation.org/SUNLIGHT/Images/
LSTM.gif

Para os outros locais, calcula-se o Meridiano do Fuso Horário Local, LSTM, de


acordo com a seguinte expressão:

Nota: A cada hora equivale uma rotação da Terra de 360 ° / 24 = 15 °.

A fórmula anterior não calcula com exactidão o tempo solar. É necessário utili-
zar a equação do tempo que é apresentada de seguida:

Em que:
B = (360/365) x (d – 81)
Sendo d – n.° de dias desde o início do ano.
28 Capítulo 1 - Energia Solar

Fig. 22
Curva da correcção do tempo.

Fonte:http://www.feiradeciencias.com.br/sala24/
image24/24_k12_2.gif

A rectificação do valor do tempo, TC, corrige a variação do LST num dado local,
tendo em conta a mudança da longitude nesse local, adicionando a equação
do tempo.

Nota: O factor 4 resulta do facto de a Terra rodar 1° em cada 4 minutos.

O tempo local solar, LST, pode ser determinado usando as fórmulas anteriores:

O ângulo horário, hS, transforma o tempo local solar, LST, no número de graus
em que o Sol se desloca no céu. O ângulo horário solar é 0 ° ao meio-dia solar.
Como referido anteriormente, a Terra desloca-se 15 ° por hora, sendo que o
ângulo solar é também de 15 ° por hora desde o meio-dia solar.

De manhã, o ângulo horário solar será negativo e de tarde positivo.

A distância entre o Sol e a Terra é de 150 milhões de quilómetros; como a luz


viaja cerca de 300 mil km/s, a radiação na Terra chega em 8 minutos. Senão
vejamos:

Portanto, temos:

Passando este valor para minutos, basta dividi-lo por 60 s, que correspondem
a 1 minuto:
Capítulo 1 - Energia Solar 29

Uma vez que a distância do Sol à Terra não é constante, a intensidade da ra-
diação solar fora da atmosfera apresenta diferentes valores durante o ano, que
oscilam entre 1,47 x 108 km e 1,52 x 108 km.
Fig. 23
Distância do Sol à Terra.

Fonte: Seminários Weidmüller

A irradiância E varia assim entre 1350 e 1420 W/m2, sendo o valor médio E0 =
1367 W/m2, considerando a constante solar. Quando penetra na atmosfera ter-
restre, a radiação solar é reflectida, dispersada (devido à poluição) e absorvida
(graças à camada de ozono, bem como ao oxigénio, ao dióxido de carbono e
vapor de água existentes na atmosfera), dando-se perdas na quantidade de
radiação solar a atingir a superfície terrestre. O valor da irradiância que chega
ao objecto terrestre é cerca de 1000 W/m2. A região Norte de Portugal tem um
valor médio de irradiância na ordem dos 500 W/m2, e no Sul temos um valor
médio na ordem dos 600 W/m2.

Na figura 24 é possível observar o espectro solar fora da atmosfera e na Terra.

Fig. 24
Espectro da radiação solar.

Fonte: “Energia Solar Fotovoltaica”, Cláudio Monteiro

Em resumo, a variação da radiação solar incidente na superfície da Terra depen-


de dos seguintes factores:

– Efeitos na atmosfera de absorção e também de reflexão;


– Variação da humidade, poluição, nuvens, etc.;
– Ângulo de incidência dos raios solares, que varia ao longo do dia, do ano, e
ainda com a latitude;
30 Capítulo 1 - Energia Solar

– Espessura da atmosfera;
– Duração do dia natural;
– Duração da radiação solar;
– etc.

Fig. 25
Potência da radiação solar, H.

Fonte: Seminários Weidmüller

1.3.3. Coordenadas geográficas


Com base na rede geográfica, podemos determinar as coordenadas, ou seja,
a latitude e a longitude de qualquer ponto situado sobre a superfície terrestre.
Para determinação da latitude, são considerados os paralelos, enquanto que
para a longitude levamos em consideração os meridianos.

Latitude
É o valor angular do arco de meridiano compreendido entre o equador e o pa-
ralelo do lugar de referência. Será sempre norte (N) ou sul (S).

Longitude
É o valor angular, junto ao eixo da Terra, do plano formado pelo prolongamen-
to das extremidades do arco de paralelo compreendido entre o meridiano de
Greenwich e o meridiano do lugar de referência, considerando-se este plano
sempre o paralelo ao plano do equador. A longitude será sempre leste (E) ou
oeste (W).

Fig. 26
Coordenadas geográficas.

Fonte: http://www.cartografia.eng.br/artigos/ncarto05.asp

A latitude é o ângulo (ij) formado pela vertical de um ponto geográfico consi-


derado e pelo plano do equador. Esta distância mede-se em graus, podendo
variar entre 0 e 90 ° para norte ou para sul. Por exemplo, Lisboa está à latitude
de 38 ° 4´N.
Capítulo 1 - Energia Solar 31

Fig. 27
Incidência dos raios solares nos
hemisférios da Terra.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Fig. 28
Parâmetros da latitude.

Fonte: http://www.sailtrain.co.uk/
navigation/images/latitude46.gif

Na figura 28 pode-se identificar que o valor da latitude em causa é de 46 ° N.

Declinação solar
É o ângulo formado pela linha Terra-Sol, ao meio-dia solar, com o plano equador.
A fórmula que permite obter esse valor com rigor (fórmula de Cooper), é:

Sendo n o número do dia do ano (n = 1 no dia 1 de Janeiro). Por exemplo, para


o dia 1 de Março, é n = 60.

De acordo com o que o leitor verificou atrás, a declinação į (Delta) é nula nos
equinócios (21 de Março e 23 de Setembro), e é positiva no Verão do hemisfé-
rio Norte e negativa no Inverno no mesmo hemisfério.

Fig. 29
Declinação solar.

Fonte: http://www.ideam.gov.co/radiacion.htm
32 Capítulo 1 - Energia Solar

Ângulo de inclinação
É o ângulo formado pelo plano da superfície captadora (por exemplo, um painel
fotovoltaico) e a horizontal do ponto que se considera.

Existem diferentes ângulos ideais de inclinação conforme a latitude do local de


montagem do sistema de energia solar.
Fig. 30
Inclinação de um módulo fotovoltaico.

Fonte: http://folhaazero.wordpress.com/
2008/10/19/trabalhando-com-carta-solar/

Altura solar
É o ângulo compreendido entre o raio solar e a projecção do mesmo sobre o
plano horizontal. A altura do sol (ȊS) pode-se determinar sabendo antecipada-
mente o valor do ângulo de declinação e o respectivo valor da latitude do local.

Eis as fórmulas de cálculo da altura solar:

ij – Latitude do lugar
įV – Ângulo de declinação solar
ȊV – Altura solar

Existe uma fórmula de cálculo para maior precisão:

hs: Ângulo horário solar (em graus)


Fig. 31
Variação da altura do Sol.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/
rede/energia/himalaya2005/home/guia2.pdf

Recorde

De referir que quanto maior for a latitude do lugar, menor será a altura solar,
O movimento relativo do Sol no céu repre-
senta-se mediante a sua altura em função logo, mais oblíquos incidirão os raios solares.
do horizonte e o seu azimute em função
da direcção sul. No solstício de Verão, a altura solar será mais elevada do que no solstício de
Inverno, visto que a declinação varia entre -23,45 e +23,45 °. A altura solar de-
terminará o ângulo de inclinação óptimo dos painéis solares e o azimute será
determinante na sua orientação.
Capítulo 1 - Energia Solar 33

Ângulo de incidência
É o ângulo (ȕ) formado pela radiação directa sobre a superfície captadora, a
linha solcaptador e a perpendicular ao captador (zénite do lugar).

Cálculo do ângulo de incidência:

Į – Inclinação do painel;
ij– Latitude geográfica;
įV – Declinação solar;
ȕ– Ângulo de incidência.

Fig. 32
Ângulo de incidência.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Fig. 33
Variação do ângulo de incidência.

Fonte: http://georuyluisgomes.no.sapo.pt/
images/temper_varia.ppt

Fig. 34
Variação do ângulo de incidência em função de algu-
mas estações do ano.

Fonte: http://georuyluisgomes.no.sapo.pt/
images/temper_varia.ppt
34 Capítulo 1 - Energia Solar

Ângulo de azimute
É o ângulo formado pela projecção horizontal da linha perpendicular à super-
fície captadora e a linha que passa por esta e o sul geográfico, chamado de
meridiano do lugar. Resumindo, este é o ângulo que define a direcção do mo-
vimento do sol. Ao meio-dia, o Sol está virado a sul no hemisfério Norte. O
ângulo de azimute indica quantos graus as superfícies do colector térmico ou
o painel fotovoltaico se desviam da direcção sul exacta. Na internet existe uma
hiperligação para determinar o azimute solar: http://dawnsun.net/astro/suncalc/

Fig. 35
Ângulo de azimute.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/
rede/energia/himalaya2005/home/guia2.pdf

Radiação solar recebida na Terra e orientação dos módulos solares


A orientação que maximiza a quantidade de radiação captada por uma superfí-
cie coincide com o sul geográfico. Caso o leitor esteja a verificar o sul com uma
bússola, deve corrigir essa orientação em 7 ° de este para oeste, pois o sul que
está a verificar é o sul magnético. Cada 15 ° de desvio para nascente ou poente
traduzem-se respectivamente num avanço ou atraso à captação de 1 hora.

Fig. 36
Posição do painel com orientação
ao sul geográfico.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/
rede/energia/himalaya2005/home/guia2.pdf

Ângulos característicos da radiação solar na Terra

Fig. 37
Ângulos característicos da radiação
solar na Terra.

Fonte: http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.ujaen.
es/investiga/solar/07cursosolar/home_main_frame/02_radia-
cion/01_basico/images/posi_sol.gif
Capítulo 1 - Energia Solar 35

1.4. Orientação dos módulos solares


A inclinação dos colectores deve optimizar a captação de radiação solar tendo
em conta a variação da altura solar ao longo do ano. Em Portugal, normalmen-
te, a inclinação dos painéis solares situa-se nos ± 35 °. Este ângulo denomina-
do de “ângulo óptimo” pode ser calculado de acordo com a seguinte fórmula:

Fig. 38
Posição do painel face à posição do Sol.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/
rede/energia/himalaya2005/home/guia2.pdf

Dada a dificuldade em alterar a inclinação da superfície absorsora ao longo do


ano, a sua inclinação, fixa, é determinada pelo tipo de utilização.

Tabela 5
Utilização Inclinação Orientação do painel face ao tipo
de necessidade na instalação.
Verão (hotéis de temporada) Lat - 15 ° Fonte: http://www.cienciaviva.pt/
rede/energia/himalaya2005/home/guia2.pdf
Inverno (aquecimento) Lat + 15 °

Anual (doméstico, outra não sazonal) Lat - 5 °

Quando orientamos o painel a sul, e que este seja dimensionado para o ano in-
teiro, retiramos 5 ° à latitude do local. Esta latitude pode ser obtida na internet,
ou através do software Solterm, caso o possa obter e tenha a localidade dis-
ponível com a respectiva latitude do lugar. Quando se pretende uma instalação
dimensionada para o Inverno, deve-se adicionar +15 ° à latitude do local. Para o
Verão, dever-se-á subtrair 15 ° ao valor da latitude do lugar.

1.4.1. Projecções estereográficas


O Sol efectua um conjunto de trajectórias num determinado lugar. Estas trajec-
tórias são apresentadas num diagrama de trajectória deste astro. O diagrama é
representado em duas dimensões, sendo que no eixo horizontal se represen-
tam os valores de azimute e no eixo vertical o valor da altura solar. Os ângulos
da posição solar medem-se em diferentes horas do dia, e estes formam uma
curva como podemos observar na figura do seguinte exercício. Poder-se-ão
representar várias curvas nos vários meses existentes num ano.

Este tipo de projecções permite analisar as perdas por sombreamento num


gerador fotovoltaico ou num conjunto de painéis solares térmicos.
36 Capítulo 1 - Energia Solar

Exercício Resolvido

Interprete a seguinte projecção estereográfica, devendo calcular qual a elevação máxima do Sol nos diversos meses e a elevação e azimute
em determinadas horas do dia.

Fig. 39
Projecção estereográfica.

Fonte: http://www.greencollarjobtraining-free.com/
images/sunpath.gif

Resolução:

É possível com a ajuda de um esquadro e de uma régua determinar os ângulos que determinam a posição do Sol nos diversos momentos
e meses do ano. Como exemplo, a 20 de Fevereiro, a altura solar máxima é de 35 °. O valor máximo de altura solar durante o ano acontece
em 21 de Junho, com 68 °.

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 encontra inclinado a 35 ° Sul. Latitude: 38 °01’ (= 38,01°) N, longitude


Determine o ângulo de altitude solar (altura solar) Ȋs e o ângulo de 7 °52’ (= 7,87 °) W.
azimute solar aS na cidade de Beja no dia 1 de Fevereiro, ao meio-dia
solar e 3 horas depois. Latitude: 38 °01’ (= 38,01 °) N, longitude 7 °52’ Exercício 3
(= 7,87 °) W. Que movimento(s) realiza o planeta Terra?

Nota: a. Apenas gira em redor do Sol;


Os ângulos de altura solar Ȋs e de altura solar aS podem ser expressos b. Gira sobre o seu eixo de oeste para este, cada vez que roda em
em função dos ângulos fundamentais: torno do Sol;
c. Apenas gira sobre si mesma, de oeste para este.
– Ângulo horário solar (em graus): hS = 15 ° X (tempo, em horas, d. Gira sobre o seu eixo de este para oeste, e cada vez que roda em
desde o meio-dia solar). É hS < 0 de manhã (antes do meio-dia so- torno do Sol.
lar) e hS > 0 de tarde (depois do meio-dia solar). Depende do local
e do instante considerados; Exercício 4
– Latitude ij (depende do local); No Verão, o Sol em Portugal…
– Declinação solar įS (depende do dia do ano).
a. Sai por nordeste, põe-se em noroeste, e a elíptica diurna é maior;
Exercício 2 b. Sai por sudeste, põe-se em sudoeste, e a elíptica diurna é pequena;
Calcular o ângulo de incidência num colector solar no dia 13 de Fe- c. Sai de oeste para este e não tem elíptica;
vereiro na cidade de Beja, às 16h00 m (hora local), em que este se d. Sai de este, põe-se em oeste e a elíptica é pequena.
Capítulo 1 - Energia Solar 37

Soluções

Exercício 1 360 ° = 24h; 1 h = 15 °; 1 min = 0,25 °; 1 ° = 4 min;


Para 1 de Fevereiro, tem-se n = 1 + 31 = 32. Da seguinte equação, 60 ° = 3600 min; 60’ = 1°, logo, 30’ = 0,5 °;
resulta:

hs = 0 + 15 ° x 4 = 60 °
Ȋs = 13,7 °
ȕ = 96,86 °

Donde se tira para a declinação solar įs = í17,3°. O valor do ângulo da altura solar é de 13,7 ° e o ângulo de incidência
é de 96,86 °.
Ao meio-dia solar é hS = 0, e, pela seguinte equação, tem-se:
Exercício 3
Resposta b). A Terra, cada vez que gira sobre si mesma na direcção
oeste-este, executa uma órbita em redor do Sol. Uma volta completa
Donde resulta Į = 34,7°. sobre o seu eixo dura 24 horas, enquanto que para circular em torno
Obtém-se a equação anterior a partir de relações trigonométricas. do Sol necessita de 365 dias, aproximadamente.
Para que seja hS = 0, da equação:
Exercício 4
Resposta a). Efectivamente, no Verão, o Sol surge por nordeste ocul-
tando-se em noroeste. Também no Verão, o arco da elíptica diurna é
maior que no Inverno. Ao meio-dia, o Sol alcança uma altura conside-
rável sobre o horizonte.
E da própria definição de ângulo de azimute solar, resulta aS = 0.
Em Portugal, no solstício de Inverno (21 de Dezembro) o sol nasce
Três horas depois do meio-dia solar, tem-se hs = 0 + 3 î 15 = 45° (pois relativamente próximo da orientação sudeste e põe-se relativamen-
a uma hora corresponde 360°/24 = 15°). Pela equação, te próximo da orientação sudoeste, variando o ângulo de azimute do
nascer e do pôr-do-sol com a latitude do lugar. Neste dia, o ângulo de
altura do Sol apresenta os valores mais baixos de todo o ano.

Nos equinócios (21 de Março e 21 de Setembro) o Sol nasce exacta-


Tem-se: mente na orientação este e põe-se exactamente na orientação oeste.
No solstício de Verão (21 de Junho) o Sol nasce relativamente próximo
da orientação nordeste e põe-se relativamente próximo da orientação
noroeste, variando o ângulo de azimute do nascer e do pôr-do-sol com
a latitude do lugar. Neste dia, o ângulo de altura do Sol apresenta os
valores mais altos de todo o ano.
Exercício 2
Devemos encontrar os seguintes valores:

– Declinação solar;
– Latitude geográfica;
– Inclinação;
– Orientação;
– Ângulo horário;
– Longitude;
– Altura solar.

Cálculo do valor do ângulo de declinação no dia 13 de Fevereiro.


Nota: n = 44 dias

O valor anterior dá negativo porque os ângulos que excedam os 180 °


e não ultrapassem os 360 ° dão sempre negativos.

O valor da latitude geográfica de 38° 01’ dever-se-á expressar em uni-


dades decimais.
Fig. 40
Nascer e pôr-do-sol.
Nota: O ângulo horário varia 15 ° por hora, sendo zero para o meio-dia
Fonte: “Conceitos Bioclimáticos para os Edifícios em Portugal”, Hélder Gonçalves
(hora solar) e negativo para a manhã. e João Mariz Graça
38 Capítulo 1 - Energia Solar

Exercícios

Exercício 5 Exercício 10
O meridiano… Qual é a latitude geográfica de um ponto situado sobre o equador?
a. 90 °;
a. Divide o dia em duas partes iguais: manhã e tarde; b. 1 °;
c. -50 °;
b. É a trajectória aparente que o Sol descreve no céu;
d. 0 °.
c. É uma linha imaginária traçada na direcção norte-sul;
d. Indica o grau de inclinação do colector solar em relação ao terreno. Exercício 11
Quando é negativo o ângulo horário?
Exercício 6
De que factores depende o ângulo de incidência da radiação solar? a. Antes do meio-dia solar;
b. Durante o meio-dia solar;
a. Da elíptica diurna, elíptica nocturna, meridiano, inclinação e a hora; c. Depois do meio-dia solar;
b. Orientação, ângulo horário, declinação, inclinação e latitude d. O ângulo horário não pode ser negativo.
geográfica;
c. Equação do tempo, elíptica, orientação, rotação da Terra sobre si Exercício 12
mesma e ângulo horário; Que três factores condicionam o valor do ângulo horário?
d. Não depende de nenhum factor.
a. A equação do tempo, a hora oficial e a longitude geográfica;
b. A hora oficial, o meridiano e a elíptica;
c. A inclinação, a longitude geográfica e o ângulo de incidência;
d. A equação do tempo, a elíptica e a declinação.

Exercício 13
Qual será o valor da declinação solar (Fórmula de Cooper) para o dia
13 de Maio?

a. 18.30 °;
b. 21.45 °;
c. 23.27 °;
d. 23.45 °.

Fig. 41 Exercício 14
Ângulo de incidência. Em que dia se encontra a Terra mais longe do Sol?
Fonte: KleanEnergie4Life, Lda.
a. 3 de Janeiro;
b. 7 de Outubro;
Exercício 7 c. 4 de Abril;
Que valor obtemos com a fórmula de Cooper? d. 6 de Julho.

a. A inclinação; Exercício 15
b. A orientação; Quando coincide o valor da declinação com o ângulo de inclinação do
c. O ângulo horário; eixo de rotação da Terra sobre o plano da sua órbita?
d. A declinação.
a. Sempre;
Exercício 8 b. No solstício de Verão;
No hemisfério norte, o ângulo de orientação deve ter a sua origem
c. No equinócio;
em…
d. Nunca.
a. Norte;
b. Este;
c. Sul;
d. Oeste.

Exercício 9
Como está colocado um colector solar ou painel fotovoltaico se o seu
ângulo de inclinação em relação ao terreno é nulo?

a. No chão;
b. Perpendicular ao solo; Fig. 42
c. Oblíquo ao solo; Declinação solar.
d. O ângulo de inclinação não pode ser nulo. Fonte: http://www.ideam.gov.co/radiacion.htm

Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip


Capítulo 1 - Energia Solar 39

Sombreamentos – inclinação dos colectores em função do uso


O sombreamento da instalação pode existir sempre que haja obstáculos em
seu redor e depende da sua orientação, distância e altura face à mesma.

No dia mais desfavorável do período de utilização:

– A instalação não deve ter mais de 5 % da superfície sombreada;


– É praticamente inoperante com 20 % da superfície coberta por sombras.

Fig. 43
Sombreamentos.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

1.5. Orientação e inclinação de superfícies absorsoras


A quantidade de radiação solar que é captada numa superfície é máxima quan-
do esta se encontra posicionada perpendicularmente à radiação devido a:

– Variação angular da absortância, Į e reflectância,ȡ;


Fig. 44
Variação angular da absortância e reflectância.

Fonte: “Guia 2 da Energia Solar”, Padre Himalaya

– Percurso realizado pela radiação na atmosfera.


Fig. 45
Percurso realizado pela radiação
na atmosfera.

Fonte: “Guia 2 da Energia Solar”, Padre Himalaya


40 Capítulo 1 - Energia Solar

1.5.1. Captação máxima de energia solar — generalidades


A radiação solar que atinge um corpo pode ser absorvida, reflectida ou transmi-
tida, verificando-se a Lei da Conservação de Energia:

Fig. 46
Energia total transportada pela
radiação incidente.

Fonte: Adaptado de Porto Editora

As pequenas fracções de energia incidente que são reflectidas, transmitidas e


absorvidas dependem dos seguintes factores:

– Das propriedades do corpo que recebe essa energia (do material de que é
feito, espessura, acabamento da superfície).

Um corpo opaco é aquele que não deixa atravessar por si radiação (IJ = 0),
isto é, apenas absorve ou reflecte: 1 = Į + ȡ Corpo negro

Uma superfície opaca a uma certa radiação (IJ = 0) e não reflectora da mesma,


(ȡ= 0), é uma boa absorvente da radiação. A título de exemplo, um fragmento
de madeira pintado de cor negra é opaco à radiação visível, pois reflecte-a de
uma forma muito limitada e absorve-a significativamente (Į = 1).

– Da frequência da radiação: Um corpo ou uma superfície podem receber um


valor significativo de radiação com uma certa frequência e não conseguirem
absorver determinadas radiações de outras frequências.

O vidro normal que todos conhecemos é transparente quando incidido de


radiações visíveis, e quase não absorve, mas é opaco à radiação infraverme-
lha (IV).

A título de exemplo, os espelhos que todos possuímos nas nossas habita-


ções são um reflector perfeito da luz visível (ȡvisível = 1).

Corpo opaco à radiação – não se deixa atravessar pela radiação;


Fig. 47 Corpo transparente à radiação – deixa-se atravessar pela radiação;
Tipo de corpos.

Fonte: Adaptado de Porto Editora

A superfície negra emite uma maior quantidade de radiação para o mesmo


intervalo de tempo: tem um maior poder emissor.
Capítulo 1 - Energia Solar 41

A experiência do dia-a-dia diz-nos que a superfície negra é também um bom


absorsor.

As superfícies brancas e metalizadas são más absorsoras na zona do visível;


absorvem pouca radiação, logo não a emitem: têm um menor poder emissor
na zona do visível.

Conclusão
Os corpos que têm boas características emissivas num dado comprimento de
onda são também bons absorsores (ou absorvedores) de radiação no mesmo
comprimento de onda.

Por outro lado, os maus emissores num determinado comprimento de onda


são igualmente maus absorvedores para o mesmo comprimento de onda.

1.5.2. Poder de emissão de um corpo


Poder de emissão ou emissividade (e) – Capacidade que um corpo tem para
emitir radiação. Depende da natureza das superfícies e toma valores entre 0 e 1.

Por convenção, os corpos que não emitem nenhuma radiação têm emissivi-
dade zero, enquanto que os corpos que emitem o máximo de radiação a uma
dada temperatura têm emissividade um. Vejamos o que acontece quando a
mesma radiação incide sobre duas superfícies diferentes, por exemplo, uma
branca e uma preta.

Fig. 48
Poder de emissão de um corpo.

Fonte: Adaptado de Porto Editora

Conclusão

Tabela 6
A emissão de um material depende da sua natureza e toma valores:

e=0 e=1

O corpo absorve todas as radiações incidentes


O corpo não absorve, logo não emite radiação
e também as emite

Só reflecte Não se dá reflexão da radiação - corpo negro

Porque é que os edifícios alentejanos são, tradicionalmente, caiados


de branco?
R: Como se sabe, as superfícies brancas absorvem pouca quantidade de radia-
ção incidente, reflectindo a sua maior parte. As casas alentejanas são caiadas
de branco de modo a evitar que as suas paredes exteriores absorvam radiação
42 Capítulo 1 - Energia Solar

e, consequentemente, energia solar. Deste modo, o seu interior torna-se mais


fresco. Este é só um exemplo de como, mesmo sem nos apercebermos dis-
so, aplicamos muitos conhecimentos da Física para tornar a nossa vida mais
confortável.

Fig. 49
Edifícios no Alentejo.

Fonte: Adaptado de Porto Editora

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 e. O corpo humano é opaco para a radiação visível, mas é parcialmen-


Leia atentamente, o texto que se segue: te transparente para os raios X. V

Quando a radiação incide sobre um corpo, parte dela é reflectida, ou- Exercício 2
tra é transmitida e a restante é absorvida. Um corpo diz-se transparen- Os irradiadores têm uma placa metalizada e encurvada por detrás da
te quando transmite uma percentagem da radiação que nele incide. resistência eléctrica. Suponha que um desses aquecedores está em
Se não houver essa percentagem de radiação transmitida, o corpo funcionamento numa sala. Complete a frase seguinte, com uma das
é opaco. No entanto, um corpo pode ser opaco para determinadas afirmações de A a C de modo a torná-la cientificamente correcta:
radiações e, ao mesmo tempo, transparente para outras.
“A placa metalizada do irradiador é encurvada para facilitar…
Indique, entre as afirmações seguintes, as verdadeiras e as falsas.

a. Uma superfície metalizada apenas transmite e absorve a radiação


electromagnética que nela incide;
b. Os gases que constituem a atmosfera terrestre são transparentes
para as ondas rádio e para a radiação visível;
c. Na estratosfera existe a camada de ozono que é transparente à
radiação ultravioleta, sendo opaca para a radiação visível;
d. O vidro é um material opaco para a radiação infravermelha e é
transparente para a radiação visível, Fig. 50
e. O corpo humano é opaco para a radiação visível, mas é parcialmen- Irradiador.
te transparente para os raios X.
Fonte: Adaptado de Porto Editora

Resolução:
a. a absorção da radiação visível emitida pelo aquecedor.”
a. Uma superfície metalizada apenas transmite e absorve a radiação b. a absorção da radiação infravermelha pelas paredes da sala.”
electromagnética que nela incide. F c. a reflexão da radiação emitida de modo a propagar-se em várias
b. Os gases que constituem a atmosfera terrestre são transparentes direcções na sala.”
para as ondas rádio e para a radiação visível. V
c. Na estratosfera existe a camada de ozono que é transparente à Resolução:
radiação ultravioleta, sendo opaca para a radiação visível. F
d. O vidro é um material opaco para a radiação infravermelha e é trans- A placa metalizada do irradiador é encurvada para facilitar a reflexão da
parente para a radiação visível. V radiação emitida de modo a propagar-se em várias direcções na sala.
Capítulo 1 - Energia Solar 43

Como se pode medir a quantidade de energia transferida entre dois corpos?

1. Sob a forma de calor – Q


É a energia interna em trânsito entre sistemas a diferentes temperaturas ou
a quantidade de energia transferida entre sistemas a temperaturas distintas.

2. Sob a forma de trabalho – W


É uma medida de quantidade de energia transferida entre sistemas cujos pro-
cessos envolvem forças e movimentos.

3. Sob a forma de radiação - R

1.5.3. Captação máxima de energia solar — Calor (Q)


A transferência de energia cessa quando os dois corpos ficam à mesma tem-
peratura. Nesta situação os dois corpos encontram-se em equilíbrio térmico.

Fig. 51
A transferência de energia como calor faz-se: Transferência de energia.

I - da mão para o gelo II - da água para a mão Fonte: Adaptado de Porto Editora

1.5.4. Factores de que depende a quantidade de calor transferida


entre sistemas
Massa dos corpos
– A quantidade de calor é directamente proporcional à massa da substância
que se aquece (ou se arrefece).

Variação de temperatura
– A quantidade de calor é directamente proporcional às variações de tempe-
ratura.

Nome dos materiais Capacidade Térmica Másica (J/ Kg °C) Tabela 7


Capacidade térmica mássica
das substâncias.
Água 4185

Álcool etílico 2500

Gelo 2100

Alumínio 910

Vidro 700

Aço 500

As quantidades de calor (Q) fornecidas (ou cedidas) por um corpo são directa-
mente proporcionais à sua massa (m) e à variação de temperatura (ǻș).
44 Capítulo 1 - Energia Solar

Em que:
Q – Quantidade de calor fornecida (J – Joule)
Exercício Outras unidades – caloria (cal): 1 cal = 4,18 J e 1 Kcal = 4,18 KJ

c – Carga térmica mássica (J/Kg x K)


Complete o diagrama de energia para m – Massa do corpo (Kg)
uma lâmpada de incandescência em fun- 'T – Notação que traduz a variação da temperatura (em Kelvin - K), sendo:
cionamento:
– 'T = Tfinal – Tinicial
– Quando Tfinal > Tinicial ļ O corpo recebe calor (Q > 0)
– Quando Tfinal < Tinicial ļ O corpo cede calor (Q < 0)

1.5.5. Captação máxima de energia solar — Trabalho (W)


Como se mede a rapidez com que a energia é transferida entre sistemas?

Potência
Fig. 52 Pm = ǻE / ǻt
Diagrama de energia de uma
lâmpada incandescente.
1 Watt = 1 Joule / 1 segundo
Fonte: Adaptado de Porto Editora
ǻE = Pm x ǻt
ǻE = energia transferida
Se fornecermos ao sistema 50 J de ener- ǻT = intervalo de tempo em que a energia é transferida
gia e se a lâmpada tiver uma perda de 15 J,
qual será o valor da energia útil?
1.5.6. Captação máxima de energia solar — Radiação (R)
A radiação apresenta-se como uma forma de transferência de calor em que a
Soluções disponíveis em: energia é transferida de um objecto para outro sem que o espaço entre ambos
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip seja, necessariamente, aquecido. No caso da atmosfera, a fonte de calor é o
Sol. A energia radiante solar percorre o espaço sob a forma de ondas electro-
magnéticas e aquece a superfície terrestre sem causar um aumento signifi-
cativo da temperatura do ar. De facto, diferentes corpos absorvem energia de
forma diferenciada.

De notar que, quanto menor for o comprimento de onda, maior é a energia


transportada:

Fig. 53
Frequências e comprimentos
de onda da radiação.

Fonte: http://www.carlosfelgueiras.hpg.com.br/Cursos/Pdi/
cor-espectro.jpg
Capítulo 1 - Energia Solar 45

1.5.7. Princípio da Conservação da Energia

Esta expressão traduz o Princípio da Conservação de Energia: “a quantidade


de energia que temos no final de um processo é sempre igual à quantidade
de energia que temos no início desse mesmo processo”. Ou seja, a energia
não se cria nem se destrói; apenas se transfere. A energia total do Universo é
sempre constante.

1.5.8. Balanço de energia


A conversão térmica da energia solar baseia-se na absorção de radiação numa
superfície absorsora e na transferência desta energia, sob a forma de calor,
para o elemento que irá adquirir a energia útil.

Fig. 54
Absorção de radiação numa superfície absorsora.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

A temperatura atingida no corpo que recebe a energia útil é originada do balan-


ço entre a quantidade de radiação absorvida e as perdas térmicas existentes.
A temperatura, ou a energia útil, é maximizada acumulando a quantidade de
radiação absorvida na superfície absorsora e diminuindo as perdas térmicas do
conjunto.

O elemento que recebe a energia útil pode circular através do absorsor, remo-
vendo a energia (caso de um colector solar térmico com circuito hidráulico) ou
permanecer no absorsor (caso de forno solar), aumentando gradualmente a
temperatura do conjunto e, consequentemente, as perdas térmicas.

Fig. 55
Balanço entre a quantidade de radiação
absorvida e as perdas térmicas existentes.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

1.5.9. Captação máxima de energia solar — Ganho térmico


A quantidade de radiação solar absorvida na superfície absorsora é fundamen-
tal para a quantidade de energia útil adquirida e depende das características da
superfície e da porção de radiação que a atinge.

Quando se utiliza uma cobertura sobre o absorsor, esta deve ter uma elevada
transmitância, IJ. A porção de radiação absorvida pelo absorsor depende da
sua absortância, Į.
46 Capítulo 1 - Energia Solar

Fig. 56
Ganho térmico.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

A quantidade de radiação solar disponível na superfície absorsora pode ser


“amplificada", utilizando reflectores que permitam a concentração da radiação,
aumentando, naturalmente, a energia útil extraída do conjunto.

Fig. 57
Superfície absorsora utilizando reflectores
que permitam a concentração da radiação.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

1.5.10. Captação máxima de energia solar — Perdas térmicas


As perdas térmicas numa superfície ou corpo podem ocorrer de três modos:

– Por radiação, quando o calor se propaga para o exterior através da emissão


de radiação a partir das superfícies;
– Por condução, quando o calor se propaga para o exterior através das super-
fícies;
– Por convecção, quando o calor se propaga para o exterior através do esva-
ziamento de ar sobre as superfícies.

Fig. 58
Perdas térmicas.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

Princípio:
Qualquer objecto exposto à radiação solar “Q” aquece. Simultaneamente, ve-
rificam-se perdas por radiação, convecção e condução, que aumentarão com a
temperatura do corpo.

Chega um momento em que as perdas térmicas, “Qp”, se igualam aos ganhos


devidos ao fluxo energético incidente, atingindo-se a temperatura de equilíbrio,
“tc”. Assim, no equilíbrio tem-se:
Capítulo 1 - Energia Solar 47

Se conseguirmos extrair continuamente uma parte do calor produzido mudare-


mos as condições do equilíbrio anterior, ficando:

Qu => Energia extraída do corpo ou energia útil.

As perdas térmicas por condução podem ser diminuídas através do isolamento


térmico do conjunto e da redução da área superficial por onde estas perdas se
sucedem.

Fig. 59
Perdas térmicas por condução.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

O material usado no revestimento térmico do conjunto deve ser resistente à


humidade, bem como às temperaturas que possam ocorrer.

Existe uma variedade enorme de materiais que podem ser usados no isola-
mento térmico, desde materiais mais elementares e acessíveis (tais como pa-
pel de jornal ou esferovite), a materiais mais elaborados, tais como lã de vidro,
lã de rocha, poliestireno expandido, aglomerado de cortiça, etc.

As perdas térmicas por convecção podem ser minoradas através da limitação


do escoamento de ar sobre a superfície absorsora ou mesmo através da inser-
ção da superfície absorsora em vácuo, caso em que estas perdas se eliminam.

Fig. 60
Perdas térmicas por convecção.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

As perdas térmicas por radiação podem ser minoradas através da utilização


de uma cobertura transparente (em plástico ou vidro), através da minimização
da área da superfície absorsora ou mesmo através do uso de uma superfície
absorsora selectiva.

O vidro ostenta uma elevada transmitância no espectro da radiação solar e uma


reduzida transmitância para maiores comprimentos de onda no infravermelho
(espectro de emissão da superfície absorsora).

Fig. 61
Perdas térmicas por radiação.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya


48 Capítulo 1 - Energia Solar

A utilização de uma cobertura transparente sobre a superfície absorsora per-


mite, assim, a criação do efeito de estufa, diminuindo as perdas por radiação.

Já a utilização de reflectores possibilita a concentração da radiação solar sobre


uma superfície absorsora, originando uma menor área do absorsor para a mes-
ma quantidade de energia absorvida.

Dado que as perdas térmicas são proporcionais à área superficial, absorsores


com área mais reduzida apresentam menores perdas térmicas.

Fig. 62
Reflectores para concentração da radiação.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya

As superfícies selectivas apresentam, para uma mesma absortância, menores


valores de emitância, İ.

Deste modo, as perdas térmicas por radiação são inferiores em absorsores


que apresentam um revestimento por superfície selectiva.

Exercício Resolvido

Exercício de aplicação sobre balanço térmico Q = Q1 + Q2 + Q3


1. Calcule a energia necessária para transformar 500 g de gelo,
a -20 °C, em água líquida à temperatura de 18 °C. Q1 = mgelo x Cgelo x ǻș ĺ Q1 = 0,500 x 2,09 x 103 x [0-(-20)] ĺ Q1 =
20900 J
Dados:
Q2 = mgelo x DHfgelo ĺ Q2 = 0,500 x 3,33 x 105 ĺ Q2 = 166500 J

Q3 = mgelo x Cágua x ǻș ĺ Q3 = 0,500 x 4,18 x 103 x (18 – 0) ĺ Q3 =


37620 J

Resolução:
Q = 20900 + 166500 + 37620 ĺ Q = 225020 J

mgelo = 500 g = 0,500 kg


și = - 20 °C
2. Calcule a massa de líquido, de capacidade térmica mássica 1800
șf = 18 °C
J.kg -1.°C-1 e à temperatura de 60 °C, que deve ser misturada com
Cgelo = 2,09 x 103 J.kg-1.K-1
12 g de água, à temperatura de 18 °C, para que a temperatura final
Cágua = 4,18 x 103 J.Kg-1.K-1
DHf gelo = 3,33 x 105 J.K-1 da mistura seja de 40 °C. Considere que não há perdas do sistema
para o exterior e que é desprezável o calor transferido para o reci-
piente que contém a mistura líquida.

Resolução:

m = 0,03 kg = 30 g
Fig. 63
Capítulo 1 - Energia Solar 49

1.5.11. Recursos de energia solar em Portugal


Portugal é dos países da Europa com maior índice global anual de radiação solar
de 1650 ± 150 kWh/m2, como se pode observar pelas figuras 64 e 65.

Pela análise das figuras referidas anteriormente, verifica-se que existe uma irra-
diância mais elevada a sul de Portugal. Quando perto do equador, esta excede
os 2300 kWh/m2, ainda que no sul da Europa não ultrapasse os 1900 kWh/m2.
Quando comparadas as distribuições globais de irradiação solar de dois perío-
dos distintos, é possível notar uma variação geral.

Sem dúvidas que Portugal é um país com uma radiação solar excelente, e neste
momento, com as tecnologias existentes no mercado, esta pode ser aproveita-
da para numerosas aplicações, de forma a diminuirmos o consumo energético
nacional e, consequentemente, a dependência dos combustíveis fósseis.

Fig. 64
Radiação global anual em Portugal.

Fonte: www.esteconforto.com/imagens/radiacaoportugal.jpg

Fig. 65
Atlas europeu de radiação solar.

Fonte: http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgi
50 Capítulo 1 - Energia Solar

Actividade Quando orientamos o painel a sul, e que este seja dimensionado para o ano
inteiro, retiramos 5 ° à latitude do local. Esta latitude pode ser obtida na inter-
net, ou através do software Solterm, caso o possa obter e tenha a localidade
Quais são as zonas da Europa com maior disponível com a respectiva latitude do lugar.
potencial fotovoltaico? Quais as que têm
menos? A que se devem essas diferenças?
Acha que Portugal tem um bom potencial Quando se pretende uma instalação dimensionada para o Inverno, devem-se
fotovoltaico? Explique a sua resposta. adicionar +15 ° à latitude do local. Para o Verão dever-se-ão subtrair 15 ° ao valor
da latitude do lugar.
Soluções disponíveis em:
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
A radiação solar recebida num local depende muito da radiação incidente e
também da respectiva estação do ano, bem como do ângulo de inclinação do
painel na instalação a efectuar.

A radiação num painel solar pode ser melhorada se o colocarmos na horizontal


(menor ângulo de incidência) em vez de na vertical (maior ângulo de incidên-
cia). Mas existe um ângulo intermédio que terá uma melhor eficiência se o
painel estiver entre as duas situações descritas anteriormente. Este ângulo
tem a designação de ângulo óptimo.

Nos sistemas fotovoltaicos e solares térmicos, normalmente o projectista uti-


liza este ângulo óptimo como sendo o valor médio anual. Em caso de dúvida
ou na falta de valores, o projectista pode considerar o valor da latitude igual ao
ângulo de inclinação.

Uma nota importante a reter é a seguinte:

– Os painéis fotovoltaicos devem estar orientados para sul caso a instalação


seja efectuada no hemisfério norte;
– Os painéis fotovoltaicos devem estar orientados para norte caso a instala-
ção seja efectuada no hemisfério sul.
– De seguida, é apresentado um mapa com os valores médios de energia
recebida em Portugal Continental.

Fig. 66
Valores médios de energia recebida
em Portugal Continental.

Fonte: http://www.cidadesolar.pt/
imagens/grandes/mapa_indice_kWh.jpg
Capítulo 1 - Energia Solar 51

Existe um site na internet muito útil aos projectistas e que será de uma enor-
me ajuda ao leitor nos trabalhos a realizar nesta área. Nele é possível efectuar
o cálculo da radiação solar e o seu aproveitamento para um local especificado
pelo utilizador. Os parâmetros a introduzir no site foram os estudados até ago-
ra. Eis o endereço:

http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/apps3/pvest.php#

Com esta ferramenta, podemos determinar os seguintes parâmetros:

– Gh - Radiação horizontal mensal e também a radiação diária;


– Gopt - Ângulo óptimo de inclinação dos respectivos painéis;
– T24h - Temperaturas médias e mensais;
– Radiação com um ângulo escolhido pelo utilizador;
– Estimativa de produção do sistema fotovoltaico;
– NDD - Número de dias com temperatura elevada;
– G (40) – Radiação com a indicação introduzida, neste caso 40 °(Wh/m2);
– Iopt – Inclinação óptima (°C);
– etc.

Fig. 67
Visão geral do site que permite efectuar
o cálculo da radiação solar e do seu aproveitamento.

Fonte: PVGIS

O site permite efectuar estes cálculos não só para a Europa como também
para o continente africano.

De seguida são apresentados alguns resultados aí obtidos para Lisboa, Porto e


Faro, bem como o significado de cada um dos parâmetros referidos.

Tabela 8
Radiação e temperatura anual em Lisboa.

Fonte: Seminários Weidmüller


52 Capítulo 1 - Energia Solar

Gh – Radiação horizontal em Watt-hora por metro quadrado;


Gopt – Radiação na inclinação óptima em Watt-hora por metro quadrado;
G90 – Radiação na inclinação a 90 ° em Watt-hora por metro quadrado;
Iopt – Inclinação óptima;
TL – Radiação difusa (Link Turbidity);
D/G – Razão da radiação difusa/global;
TD – Temperatura média de dia em °C;
T24h – Temperatura média nas 24 h em °C;
NDD – Número de °C por aquecimento.

Tabela 9
Radiação e temperatura anual no Porto.

Fonte: Seminários Weidmüller

Tabela 10
Radiação e temperatura anual em Faro.

Fonte: Seminários Weidmüller

1.5.12. Formas de aproveitamento da energia solar


Como sabemos, a energia solar tem imensas aplicações. Sem dúvida que este
tipo de energia não polui, não produz ruído, sendo utilizada em sistemas com
uma elevada fiabilidade e com extensa durabilidade.

A energia solar pode ser aproveitada para produção de água quente e de ener-
gia eléctrica, para energia hídrica (é proveniente da evaporação da água e pos-
teriormente transformada em chuva), etc.

De seguida é apresentada uma figura que indica alguns tipos de aproveitamen-


to de energia solar.
Capítulo 1 - Energia Solar 53

Fig. 68
Potência da radiação solar, H.

Fonte: Seminários Weidmüller

1.5.13. Medição da radiação solar


Uma forma muito útil de medir a radiação solar é construir um “aparelho ca-
seiro de medição” solar a partir de uma célula fotovoltaica calibrada, em que o
princípio de funcionamento está baseado no processo solar fotovoltaico.

Este medidor terá de possuir um aparelho de medida (que será um amperíme-


tro com uma boa precisão), e uma resistência variável com um valor de 1 Ÿ.

Fig. 69
Esquema de montagem de um aparelho
de mediação da radiação solar.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Uma vez montado o aparelho, há que expor a célula solar directamente ao Sol,
sendo importante que o dia em questão não tenha nuvens que impeçam a
necessária claridade. Esta experiência deverá ser feita às 12.30 horas (Inverno)
ou 13.30 horas (Verão), que coincidem com as horas do dia com maior valor de
radiação solar, virada a sul (a célula).

O passo seguinte é calibrar o aparelho com uma escala; por exemplo, quando
o amperímetro estiver no fundo da escala, teremos a máxima radiação solar,
ou seja, 1000 W/m2.

Como continuação, podemos efectuar uma escala até o amperímetro chegar


ao valor 0, que será a origem. Esta escala não é nada mais do que elaborar uma
folha de papel milimétrico (por exemplo) e retirar valores da radiação em função
da escala do amperímetro.

Também podemos inclinar a célula num sentido ou noutro, sendo que deste
modo é possível observar a importância que tem o ângulo de inclinação da célu-
la. Por exemplo, 0 °, 15 °, 30 °, 35 °, 45 °, 60 °, etc. Esta prática pode ser repetida
54 Capítulo 1 - Energia Solar

e, se anotarmos os resultados nas diferentes estações do ano, poderemos


saber qual é o ângulo mais favorável para a nossa instalação fotovoltaica.

No final desta experiência, conseguiremos obter algumas curvas, em que cada


uma representará um tipo de ângulo de inclinação. Desta forma, o leitor ficará
a perceber como se poderá efectuar uma medição da radiação solar, sem re-
correr a outro tipo de equipamentos mais sofisticados.

Para a medição da radiação solar existem outros tipos de aparelhos que foram
construídos para esse efeito, como por exemplo:

– Piranómetro: Este aparelho mede a irradiação solar sobre uma superfície


plana, com uma elevada exactidão.

Fig. 70
Piranómetro.

Fonte: www.hukseflux.com/products/solarRadiation/lp02.html

– Actinógrafo: Aparelho que mede e também regista a radiação global.

Fig. 71
Actinógrafo.

Fonte: http://www.meteochile.cl
/instrumentos/inst_museo.html

– Heliógrafo: Aparelho que mede e regista o número horas de Sol. Em geral


estamos interessados em conhecer a quantidade de energia por unidade de
área e por unidade de tempo que chega a um determinado lugar da superfí-
cie da Terra, o que chamamos de insolação do lugar. A insolação pode variar
de acordo com o lugar, com a hora do dia e com a época do ano.

Fig. 72
Heliógrafo.

Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/15/
Heliografo.jpg
Capítulo 1 - Energia Solar 55

– Pirheliómetro: Aparelho que mede e regista a radiação directa normal.

Fig. 73
Pirheliómetro.

Fonte: http://www.meteochile.cl/
instrumentos/inst_museo.html

Existe outro tipo de equipamentos disponíveis para medir o valor da radiação


incidente, que usam fotocélulas como elemento de detecção. Têm a desvanta-
gem de não possuírem uma resposta espectral apropriada.

1.6. Sistemas solares — generalidades


A conversão térmica da energia solar pode ser utilizada numa enorme varieda-
de de aplicações e de temperaturas.

Fig. 74
Aplicações da energia solar.

Fonte: “Guia 3 da Energia Solar”, Padre Himalaya


56 Capítulo 1 - Energia Solar

1.6.1. Tipos de sistemas solares


Existem duas formas diferentes de utilizar a energia solar:

- Activa: transformação dos raios solares noutras formas de energia: térmica


ou eléctrica;
- Passiva: aproveitamento da energia para aquecimento de edifícios ou pré-
dios, através de concepções e estratégias construtivas.

Existem vários tipos de tecnologia para o aproveitamento e conversão da ener-


gia solar:

- Colector solar;
- Painel fotovoltaico;
- Outras tecnologias térmicas activas;
- Tecnologias passivas.

1.6.2. Colectores solares térmicos — generalidades


Tipos de colectores solares

Fig. 75
Aplicações da energia solar.

Fonte: Apresentações do INETI

Um colector solar é constituído não só pela superfície absorsora mas também


por elementos de protecção térmica e mecânica da mesma.

Fig. 76 Colector plano


Aplicações da energia solar.

Fonte: “Guia 6 da Energia Solar”, Padre Himalaya

Existem colectores de:

Baixa temperatura
– Polipropileno (A);
– Placa plana (B);
– Tubos de vácuo (C);
– Média temperatura;
– Colectores cilíndrico-parabólicos;
– Alta temperatura;
Capítulo 1 - Energia Solar 57

– Helióstatos;
– Discos parabólicos.

Fig. 77
Tipos de colectores (B) (C) (A),
respectivamente.

Fonte: Apresentações do INETI

Captadores de polipropileno
São compostos por uma grande quantidade de diminutos tubos do referido
material pelos quais circula a água a aquecer.

Características principais:
– Temperatura de trabalho na ordem dos 25-35 °C.
– Não possuem coberta exterior, isolante, ou caixa, apresentando perdas
grandes.
– Recomendados para aquecimento de piscinas exteriores no Verão.
– Pela sua composição toleram bem a passagem de águas agressivas (água
de piscina com cloro) mas aguentam mal tensões mecânicas (geladas) e
vincos superficiais.

Captadores de placa plana


Actualmente são os mais difundidos comercialmente.

Características principais:
– Temperatura de trabalho na ordem dos 50-70 °C.
– Possuem coberta exterior, absorsor, caixa e isolante.
– Recomendados para produzir água quente para muitas aplicações: AQS,
aquecimento por piso radiante, pré-aquecimento do fluído de entrada de
uma caldeira ou esquentador, etc.

Captadores de tubos de vácuo


Características principais:

– Temperatura de trabalho que pode chegar a superar os 100 °C.


– Formados por 10-20 tubos de vidro em cujo interior se realizou o vácuo. No
interior de cada um deles há uma tubagem de cobre soldada a uma placa
rectangular que absorve a radiação solar e cede calor ao fluído que circula
nas tubagens.
– Recomendados para produzir água quente para aproveitamento em proces-
sos industriais ou em instalações de aquecimento por radiadores e ainda
para a refrigeração através de máquinas de absorção.

Comparando com os colectores de placa plana são mais caros e requerem


mais trabalho e cuidados na sua instalação.
58 Capítulo 1 - Energia Solar

Eficiência de colectores de baixa temperatura

Fig. 78
Curvas de rendimento de colectores
solares-térmicos.

Fonte: ISQ

1.6.3. Módulos solares fotovoltaicos — generalidades


Efeito fotovoltaico
O efeito fotovoltaico é um fenómeno que transforma a energia luminosa em
energia eléctrica recorrendo a células fotovoltaicas.

Fig. 79
Funcionamento de célula solar fotovoltaica.

Fonte: ISQ

É importante referir que uma célula fotovoltaica não armazena energia eléctrica.

A célula fotovoltaica permite a conversão directa de energia luminosa em ener-


gia eléctrica e o seu funcionamento é semelhante ao de um díodo fotossensí-
vel, baseando-se nas propriedades dos materiais semi-condutores.

Fig. 80
Célula fotovoltaica.

Fonte: http://elee.ist.utl.pt/realisations/
EnergiesRenouvelables/FiliereSolaire/
PanneauxPhotovoltaiques/Cellule/
Technologie.htm
Capítulo 1 - Energia Solar 59

A célula é composta por duas camadas de material semicondutor dopadas de


forma diferente:

– Na camada N existe um excesso de electrões periféricos;


– Na camada P existe um défice de electrões.

Existe uma diferença de potencial entre estas duas camadas. Os electrões


periféricos (camada N), ao captarem a energia dos fotões, saltam a barreira de
potencial, criando assim uma corrente contínua. Para a condução desta corren-
te existem dois eléctrodos nas camadas do semicondutor.

Componentes dos módulos FV


Após construídas as células fotovoltaicas, estas são aplicadas entre uma placa
de tedlar que se encontra no fundo e um vidro temperado na parte superior.
São encapsuladas por camadas finas de EVA (Etileno, Vinil, Acetato), que ga-
rantem a resistência e estabilidade à radiação ultravioleta. A face que será ex-
posta à radiação solar adquire um vidro temperado com baixo teor de ferro, que
assegura uma elevada eficiência na condução da energia solar. Para protecção
da parte anterior ao encapsulamento, são revestidas a tedlar, altamente resis-
tente às agressões de agentes ambientais externos (humidade, poeira, chuva,
ventos, etc.). Normalmente, um módulo é emoldurado em alumínio para pro-
porcionar o aperfeiçoamento e facilitar a sua instalação.

Fig. 81
Constituição interna de um módulo FV.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda.

Nota: E.V.A. – Etileno, Vinil, Acetato é o nome técnico que é dado a um mate-
rial de borracha e com uma densidade macia e textura normalmente lisa.

De seguida, são apresentadas áreas empíricas por kW e por tipos de células.


60 Capítulo 1 - Energia Solar

Tabela 11
Áreas empíricas ocupadas por painéis Tipo de células Área necessária (m2 / kWp)
fotovoltaicos em função da sua tecnologia.
Silício monocristalino 7 - 9 m2

Silício policristalino 8 - 11 m2

Disseleneto de Cobre-Índio-CIS 11 - 13 m2

Cádmio Telúrio 14 - 18 m2

Silício amorfo 16 - 20 m2

1.6.4. Instalações de sistemas solares — generalidades


Existem dois tipos de sistemas solares térmicos:

– Circulação natural ou termossifão (aconselhável para pequenas instalações);


– Circulação forçada (para instalações médias ou grandes).

O sistema em termossifão consiste normalmente num conjunto de colectores


ligados a um depósito bem isolado e posicionado a um nível mais alto do que
estes. Não são necessárias bombas circuladoras, pois a circulação de água faz-
se por convecção natural, induzida pela diferença de densidade entre a água
quente e fria.

A água no colector fica menos densa ao ser aquecida, deslocando-se para a


parte superior do circuito (dentro do depósito). A água mais fria (mais densa)
desloca-se para a parte mais baixa do circuito (à entrada do colector). Uma vez
no colector, o ciclo começa de novo e a circulação continua desde que haja
radiação solar. O caudal de circulação aumenta com a maior intensidade de
radiação solar e a água a utilizar é retirada da parte superior do depósito solar.

Fig. 82
Sistema em termossifão.

Fonte: Farinha Mendes & António Joyce, INETI


Capítulo 1 - Energia Solar 61

Fig. 83
Esquema em termossifão.

Fonte: http://www.painelsolartermico.com/wp-content/
uploads/2009/07/sistemas-solares-termicos.jpg

Os sistemas de circulação forçada são assim descritos pela existência duma


bomba circuladora para forçar a circulação do fluido de transferência nos co-
lectores. Esta bomba é comandada por uma unidade de controlo que reage à
diferença de temperatura entre a água à saída dos colectores e a temperatura
da água na parte mais baixa do depósito. Para prevenir a circulação inversa,
no caso da temperatura do fluido nos colectores ser inferior à temperatura no
depósito, devem ser instaladas válvulas de anti-retorno.

Fig. 84
Sistema de circulação forçada.

Fonte: Farinha Mendes & António Joyce, INETI

Fig. 85
Esquema em circulação forçada.

Fonte: http://www.painelsolartermico.com/wp-content/
uploads/2009/07/sistemas-solares-termicos.jpg
62 Capítulo 1 - Energia Solar

As instalações de sistemas solares de energia fotovoltaica podem ser distin-


guidas em dois tipos:

– Sistemas de venda à rede;


– Sistemas autónomos (com armazenamento).

Nos primeiros, toda a energia produzida pelos módulos fotovoltaicos é vendida


à rede.

No segundo tipo de instalação, toda a energia produzida é armazenada em


baterias para posterior consumo. Este tipo de sistemas fotovoltaicos será abor-
dado em pormenor no próximo capítulo.

1.6.5. Potencial de aplicação dos sistemas solares


Prevê-se que o crescimento do mercado fotovoltaico a que se tem assisti-
do nos últimos anos se mantenha no curto prazo. As políticas de incentivos
seguidas por diversos países, bem como a adaptação da indústria produtora
de sistemas fotovoltaicos às maiores necessidades do mercado, repercutem-
-se numa estimativa de volume de produção próximo dos 11 GW já em 2010
(contra apenas 1 GW em 2002). A electricidade gerada não chegará a 30 TWh
(Terawatt-hora), o que representa menos de 0,15 % da produção total de elec-
tricidade estimada para o mesmo ano.

Por outro lado, este crescimento será na sua grande maioria suportado pelos
subsídios, o que quer dizer que o mercado não será ainda auto-suficiente em
2011. Para que o nível desejado de autonomia do mercado seja alcançado, é
preciso que os preços da energia fotovoltaica atinjam a semelhança com a
rede, ou seja, que estejam ao nível dos preços praticados junto do consumidor.

A partir desse ponto, a energia fotovoltaica poderá competir directamente com


as outras formas de produção, pelo que um enorme mercado se abrirá. Será,
no entanto, necessário que os preços dos sistemas sejam reduzidos em 40 %
para que se chegue a essa situação. Os compromissos de Portugal são:

– Protocolo de Quioto: 27 % de aumento nas emissões de CO2 no ano de


2012 quando comparado com 1990.
– Directiva 2009/28/CE: 31 % é a quota portuguesa em energia renovável no
consumo final de energia em 2020.
– Programa Governo: 1500 MW solar.

A paridade entre o custo da electricidade produzida por fotovoltaicos e o preço


de venda em baixa tensão será atingida nos países do Sul da Europa em mea-
dos da década de 2010-2020.

A Iniciativa Solar, promovida pela Associação Europeia da Indústria Fotovoltaica


(em inglês, European Photovoltaic Industry Association (EPIA)), prevê que em
2020, 12 % da electricidade europeia seja proveniente de sistemas fotovol-
taicos o que, no caso de Portugal, significará cerca de 6000 MWp instalados
nesse ano, implicando um forte crescimento da capacidade instalada (aproxi-
madamente 45 % ao ano entre 2010 e 2020). Este objectivo faz apelo a:

– Novas fábricas com capacidades de produção de 1 GW/ano;


– Redução dos custos de fabrico (produção integrada);
– Aumento da eficiência (Investigação & Desenvolvimento).
Capítulo 1 - Energia Solar 63

Na avaliação do potencial de aplicação de energia solar térmica devemos ter


em conta dois aspectos. O primeiro consiste na confrontação da situação por-
tuguesa com países europeus de dimensões geográfica, populacional e econó-
micas semelhantes às nossas. O segundo aspecto consiste numa avaliação de
potencial baseada na procura, isto é, no levantamento do número de famílias,
equipamentos sociais (como piscinas, pavilhões gimnodesportivos, hospitais,
lares de idosos), e equipamentos privados como hotéis que necessitam de
água quente sanitária (AQS), a que se juntam os consumos de energia na in-
dústria para aquecimento de água quente de processo (AQP).

Fig. 86
Distribuição do potencial de instalação
de equipamento solar térmico por sector
de actividade.

Fonte: www.aguaquentesolar.com

A utilização da energia solar em larga escala pode criar o desenvolvimento de


novos produtos, como por exemplo a utilização, a concepção e o desenho de
materiais recentes. Esta também pode permitir a utilização das fachadas dos
edifícios e a divulgação e aprendizagem dos conceitos bioclimáticos.

Existe neste momento um novo paradigma energético:

– Consciencializar/poupar;
– Eficiência energética como prioridade;
– Explorar as energias renováveis.

O potencial actual de aplicação de sistemas solares térmicos activos em dife-


rentes sectores é:

Área de colectores Contribuição energética Tabela 12


O potencial actual de aplicação
Sector Aplicação de sistemas solares térmicos em Portugal.
E útil E final
[m2]
[Mtep/ano] [Mtep/ano] Fonte: “Fórum Energias Renováveis em Portugal”

Doméstico AQS 7.468.112 0,424 0,583

AQS 244.669 0,021 0022


Indústria e Serviços
AQP 6.907.095 0,448 0,527

Total - 14.619.876 0,893 1.13

Nota: Tep corresponde a um hipotético petróleo que liberta na sua combustão


um calor correspondente a 10 GCAL/tonelada, ou 41,9 GJ/tonelada.
64 Capítulo 1 - Energia Solar

A energia solar pode contribuir significativamente para atenuar a nossa actual


dependência dos combustíveis fósseis e os impactes ambientais a eles associa-
dos, por forma a cumprirmos o Protocolo de Quioto.

Como temos visto ao longo deste capítulo, pode-se concluir que a energia solar
térmica activa – caso seja adicionada a outras formas de aplicação como clima-
tização, produção de electricidade por via térmica, e muitas outras, reúne um
potencial enorme num país como o nosso.

Alguns desafios para o futuro


– Integração de energia solar em edifícios: calor e electricidade;
– Conceito “Vehicle to Grid” – V2G, como apoio à maior introdução de fotovol-
taico (e outras renováveis) na rede eléctrica;
– Fotossíntese artificial: processo em que se pretende “copiar” a fotossíntese
que ocorre nas plantas. A partir de energia solar, água e CO2 produzir carbo-
idratos e oxigénio.

Portugal possui pois um conjunto de recursos energéticos renováveis que devem


ser utilizados como forma de assegurar o abastecimento energético, diminuir os
impactes ambientais da produção de energia, alterar o paradigma energético e
criar oportunidades de desenvolvimento sustentável.

1.6.6. Ciclo de vida dos sistemas solares — retorno energético


Qual o ciclo de vida dos painéis solares térmicos?
R: Os sistemas solares térmicos têm uma vida útil de cerca de 20 anos com
poupança de energia, cuidando simultaneamente do ambiente. Contudo, neces-
sitam de uma manutenção preventiva anual, para que durem o tempo previsto
sem perderem eficiência.

Tempo de retorno energético [anos] = consumo energético no fabrico


e deposição final [MJ] / poupança energética [MJ/ano]

A “poupança” energética é calculada como a diferença entre a energia consu-


mida pelo sistema anterior à instalação do kit solar (esquentador a gás natural
ou resistência eléctrica) e a energia consumida pelo sistema de apoio desse
mesmo kit (a gás natural ou a electricidade). Adopta-se um rendimento de 96
% para resistências eléctricas e de 65 % para esquentadores a gás natural.
Pondera-se, ainda, que toda a electricidade consumida seja de origem térmica-
fóssil.

Fig. 87
Impacte das medidas de eficiência térmica
(habitação – agregado familiar médio-alto).

Fonte: PNAEE 2008 – 2015; ERSE


Capítulo 1 - Energia Solar 65

Nota: Consumo de energia final/habitação calculado com base nos consumos


dos escalões de consumo doméstico de electricidade e de gás natural, para
uma família de 4 pessoas. Solar térmico 4 m2.

Tabela 13
"Kit" solar com apoio "Kit" solar com apoio
Tempo de retorno energético.
Taxa de reciclagem a gás natural a electricidade
dos metais e vidro substituindo um esquentador substituindo uma resistência Fonte: “Solar Térmico Activo, Energias Renováveis
a gás natural eléctrica em Portugal”, Manuel Collares Pereira e Maria João
Carvalho, INETI
0% 1 ano e 8 meses 2 anos e 5 meses

50 % 1 ano e 2 meses 1 ano e 9 meses

100 % 9 meses 1 ano e 1 mês

Tabela 14
"Kit" solar com apoio Tempo de retorno ambiental,
"Kit" solar com apoio a gás natural
Taxa de reciclagem a electricidade em termos de efeito de estufa.
substituindo um esquentador a gás
dos metais e vidro substituindo uma resistência
natural Fonte: “Solar Térmico Activo, Energias Renováveis
eléctrica em Portugal”, Manuel Collares Pereira e Maria João
Carvalho, INETI
0% 1 ano e 9 meses 7 meses

50 % 1 ano e 2 meses 5 meses

100 % 7 meses 2 meses

Tempo de retorno ambiental [anos] = emissões de GEE no fabrico


e deposição final [Gg CO2 eq] / poupança de GEE [Gg CO2 eq/ano]

A poupança em emissões corresponde à diferença entre as emissões do sistema


de aquecimento anterior à instalação do kit solar e as emissões do sistema de
apoio desse kit.

A figura anterior compreende os valores do tempo de retorno ambiental para as


condições da troca de um esquentador a gás natural por um kit solar com apoio a
gás natural e a substituição de uma resistência eléctrica por um kit solar com apoio
eléctrico.

1.6.7. Ciclo de vida dos sistemas solares — benefícios


e impactes ambientais
Em termos de produção de electricidade, os painéis fotovoltaicos devolvem a
energia empregue na sua construção em cerca de quatro anos (central), e emitem,
relativamente a uma central térmica convencional, cerca de 20 % menos de CO2
para a mesma quantidade de electricidade produzida.

Os impactes ambientais mais importantes ocorrem nas fases de produção, cons-


trução e desmantelamento dos sistemas. Na construção de células fotovoltaicas
utilizam-se diversos materiais perigosos para o ambiente e para a saúde. Alguns
tipos de células (por exemplo, CdTe e CIS) utilizam matérias-primas raras, o que,
em caso de fabrico em grande escala, pode contribuir para a depleção de recursos
naturais.

A gravidade dos impactes associados à implementação deste tipo de sistemas de-


pende de factores como a sua dimensão, eficiência e natureza da área de implan-
tação. Um dos principais impactes da instalação de grandes parques fotovoltaicos
resulta da ocupação do solo agrícola e das alterações causadas aos ecossistemas
e à paisagem em termos visuais. Os sistemas de pequena dimensão, sobretudo
66 Capítulo 1 - Energia Solar

quando instalados em telhados ou fachadas, têm impactes visuais reduzidos.


Por sua vez, o desmantelamento dos painéis fotovoltaicos pode representar
um risco para o ambiente, devido à perigosidade dos materiais que os consti-
tuem, embora existam já empresas que fazem a sua reciclagem.

Os módulos solares fotovoltaicos e os solares térmicos são recicláveis?


R: Sim, quando chegam ao fim de vida útil os painéis podem ser desmonta-
dos. As células (a parte mais importante e mais cara num módulo FV) podem
ser reprocessadas e reutilizadas. Os demais materiais, como vidro, caixilho,
cablagem, etc., seguem o habitual circuito de reciclagem existente. As células
solares de alguns módulos FV não têm chumbo, sendo por isso ecológicas.

De seguida é apresentado um ciclo de vida dos módulos fotovoltaicos.


Processo
Fig. 88 Reciclagem de de produção Produção
ção
Ciclo de vida dos módulos fotovoltaicos. painéis fotovoltaicos liza de painéis
uti
Re
Fonte: http://a34.idata.overblog.com/556x431/1/23/41/67/Li- em fim de vida Matérias-primas fotovoltaicos
berty9/cycle_de_vie_panneaux_photovolitaique_silicium_cou-
che_mince.jpg

Processo Painéis
de reciclagem

Instalação

OS
de painéis

AN
Recolha

25
Produção de
de painéis
energia verde

Recolha de Utilização
painéis fotovoltaicos Desinstalação de Produção de de painéis
painéis em fim de vida energia verde
em fim de vida fotovoltaicos

1.7. Sistemas mistos de energia solar e outros tipos de energia


Sistemas híbridos de produção de energia eléctrica são sistemas que combi-
nam duas ou mais fontes de produção de energia. Estas poderão ser de ori-
gem renovável (tais como energia eólica, energia solar, energia da biomassa,
energia hídrica, etc.), podendo ser complementadas com fontes de produção
de energia ditas mais usuais, que consomem combustíveis fósseis (como os
geradores a diesel).

De seguida são apresentados alguns dos sistemas híbridos mais utilizados em


sistemas de pequena dimensão.

Fig. 89
Sistema híbrido para pequenos consumos.

Fonte: http://www.savoiapower.com/Images/sistema.gif
Capítulo 1 - Energia Solar 67

Fig. 90
Sistema híbrido para consumos
em rede monofásica.

Fonte: http://www.stecasolar.com/index
php?main|cat4a83e5e34411f_0|4

Legenda:
A – Módulos fotovoltaicos;
B – Controlador solar Steca Power Tarom;
C – Baterias;
D – Inversor sinusoidal Steca HPC;
E – Registador de dados PA Steca Tarcom;
F – Sensor de corrente (shunt) da Steca PA HS200;
G – Consumidores (230 VAC);
H – Controlo remoto Steca PA 15;
I – Gerador diesel;
K – Rede pública de energia eólica.

Actividade Teórico-prática 1

Objectivo: Construir a projecção estereográfica de um dado local. horárias do mundo. A hora legal de Portugal Continental coincide com
o tempo universal coordenado (UTC) no período compreendido entre
Programa de simulação: Para poderem construir essa mesma projec- a 1 hora UTC do último domingo de Outubro e a 1 hora UTC do último
ção necessitarão de recorrer a um programa de simulação disponível atra-
domingo de Março seguinte (hora de Inverno).
vés da seguinte hiperligação:

http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html A hora legal coincide com o tempo universal coordenado aumentado


de sessenta minutos no período compreendido entre a 1 hora UTC
Introdução: A projecção estereográfica difere de local para local. Para a do último domingo de Março e a 1 hora UTC do último domingo de
podermos realizar necessitamos de conhecer a latitude e longitude do Outubro (hora de Verão).
local e também a zona horária. Ao realizar esta projecção deverá o aluno
também especificar as características do gráfico, como por exemplo, as
cores das linhas, espessura, os tipos de linhas, etc.

Procedimentos: De seguida explicar-se-á passo a passo como poderão


realizar uma projecção estereográfica. Fig. 92
SunChart Program.
1. Deve-se especificar a localização do lugar através das suas coordena- Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html
das geográficas. Caso a localização se encontre no hemisfério Sul ou
para oeste do meridiano de Greenwich, é necessário indicar os valo- 3. Aqui deveremos especificar quais os dados que pretendemos apre-
res das coordenadas com valores de latitude e longitude negativos. sentar, desde a hora solar bem como as trajectórias entre solstícios de
Junho a Dezembro.

Fig. 81
SunChart Program.
Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html

Fig. 93
2. Outra informação importante é o fuso horário do lugar em função do SunChart Program.
UTC (Tempo Universal Coordenado). Esta sigla representa o fuso ho- Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html
rário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas
(Continua)
68 Capítulo 1 - Energia Solar

Actividade Teórico-prática 1 (Continuação)

4. Neste passo poderemos escolher as opções do gráfico a apresentar, 6. Aqui poderemos escolher o tipo de ficheiro a apresentar, isto é, a
tais como tipo de linha, cor, espessura, estilo, etc. projecção será mostrada em formato PDF ou em formato de imagem
(PNG).

Fig. 96
SunChart Program.
Fig. 94 Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html
SunChart Program.
Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html 7. Para finalizar a projecção, devemos clicar no botão “create chart” .
Em seguida aparecerá a seguinte página, onde poderemos descarre-
5. Neste passo poderemos adicionar opções de texto ao gráfico, tais gar a projecção.
como o título a adicionar à projecção estereográfica a apresentar.

Fig. 95
SunChart Program. Fig. 97
Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html SunChart Program.
Fonte: http://solardat.uoregon.edu/SunChartProgram.html

Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

Actividade Teórico-prática 2

Objectivo: Descobrir qual o valor da radiação incidente num dado


local em Portugal.

Programa de simulação: Para poderem obter esse valor necessi-


tarão de recorrer a um programa de simulação disponível através da
seguinte hiperligação (ver Fig. 98).

1. Inicialmente deveremos indicar qual o continente pretendido,


como Europa ou África.

Fig. 98
Site do PVGIS.
Fonte: PVGIS
(Continua)
Capítulo 1 - Energia Solar 69

Actividade Teórico-prática 2 (Continuação)

2. Depois, deverá indicar qual a região que pretende, seguida da tecla


“search”, como é apresentada na figura seguinte;

Fig. 100
Gráfico referente à produção anual em kWh/m2/dia
de um sistema fotovoltaico.

Fig. 99
Site do PVGIS.

3. Agora poderemos seleccionar na página a opção “Monthly radia-


tion”, que nos permite saber a radiação mensal e inclusive a média
anual nessa região.

4. De seguida, poder-se-á seleccionar as opções para apresentação


de gráficos. Estes dados poderão ser apresentados em vários for-
matos. No final selecciona-se “calculate”. Fig. 101
Ângulos de inclinação óptimos ao longo de um ano
de um sistema fotovoltaico.
5. Por último, aparecerão os seguintes dados e gráficos:

Month Hh Hopt H (90) Iopt T24h NDD

Jan 1930 3230 3310 64 9.8 231

Feb 2530 3610 3220 54 10.5 195

Mar 4110 5190 3880 43 13.0 115

Apr 4900 5250 3050 26 13.8 116

May 6030 5860 2730 16 16.2 35

Jun 6820 6320 2550 7 19.5 3

Jul 6660 6320 2680 11 21.0 1 Fig. 102


Temperatura média diária para um dado local.
Aug 6230 6500 3350 22 21.3 2

Sep 4760 5720 3890 38 19.3 22

Oct 3250 4510 3820 52 16.6 78

Nov 2030 3200 3120 61 12.5 205

Dec 1550 2590 2680 64 10.3 230

Year 4240 4860 3190 34 15.3 1233

Tabela 15
Dados referentes à produção de um sistema fotovoltaico.

Nota: A fonte das imagens é PVGIS


Fig. 103
Número de dias por cada °C de aumento de temperatura.
Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
70 Capítulo 1 - Energia Solar

Teste de Avaliação

1. O que é o plano da elíptica? 20. Observe a projecção estereográfica da seguinte figura.

2. Quais as energias que nos envia o Sol?

3. Como se denomina o elemento proveniente do Sol que faz com que


surja uma força electromotriz numa célula fotoeléctrica?

4. Qual é o valor da velocidade da luz?

5. Que potência energética recebe a superfície da Terra?

6. Que energia radiante em pleno Sol chega à superfície terrestre?

7. O que se entende por radiação directa?

8. O que é a reflexão? Fig. 104


Projecção estereográfica.

9. O que é a insolação? Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”, Miguel Moro Vallina, Paraninfo

10. O que é a irradiância? Quais são os valores de azimute e altura solar em Gijón, Espanha,
em 20 de Abril às 10 horas? Qual é altura solar mínima durante todo
11. O que é a radiação? o ano?

12. O que mede um piranómetro? 21. Utilize o software Sun Chart Program, referido na actividade prática
1. Construa a projecção estereográfica da sua cidade. Depois calcule:
13. Que ângulo forma o plano da elíptica em relação ao eixo de rotação
da Terra? Este ângulo é constante ou variável? Porque é que ocorre a. A altura solar máxima durante o ano;
essa variação? b. Altura e azimute em 21 de Março às 8 h da manhã (hora solar);
c. Altura mínima solar durante o ano;
14. Quais são as coordenadas que descreve a posição do Sol no céu? d. Calcule a altura e azimute solar na data e hora em que realizou este
Faça um esboço mostrando a localização e definição gráfica das co- exercício. Compare estes valores com o estimado.
ordenadas.
22. Visualize os gráficos de irradiação fornecidos pelo PVGIS para a cida-
15. Qual é a diferença entre irradiância e irradiação? de do Porto. Qual é a irradiação diária média horizontal em Junho? E
a irradiação diária com 90 ° de inclinação? Porque é que o primeiro
16. Indique quais são os principais instrumentos utilizados para medir valor é maior do que o segundo? Porque é que no Inverno ambos os
a intensidade da radiação solar e descreva o que sabe sobre cada valores tendem a igualar-se?
um deles.

17. O que são os solstícios? Quais as suas características no hemisfério


Norte e no hemisfério Sul? Em que datas ocorrem? Qual é a posição
do Sol num hemisfério e no outro?

18. Olhe para a posição que o Sol terá no momento (se o dia estiver
ensolarado) e, com a ajuda de uma bússola, tente estimar os valores
da elevação e azimute. Aponte esses valores e a hora solar, e depois
compare-os com os de uma carta solar.

19. Em Janeiro a declinação é de aproximadamente -19,9 °. Tendo em


Fig. 105
conta a latitude da cidade onde reside, calcule a altura solar máxima
Gráfico de radiação anual para vários ângulos de inclinação
que alcançará o Sol nessa data. de um dado sistema fotovoltaico.
Fonte: PVGIS
(Continua)
Capítulo 1 - Energia Solar 71

Teste de Avaliação (Continuação)

23. Calcule o factor de massa de ar (AM) para os seguintes ângulos de 25. Que tipos de radiação solar incidem sobre um gerador fotovoltaico
altura solar: num dia nublado? E num dia de sol depois de nevar?

a. 16 °; 26. Utilize o PVGIS e simule os valores de radiação ao longo de um ano


b. 45 °; para a cidade onde reside. Comente os gráficos obtidos. Que con-
c. 70 °. clusões tira? Acha que a cidade onde reside tem um bom potencial
fotovoltaico?
24. Tendo em conta os valores acima, o aumento do factor da massa
de ar (AM) traduz um aumento ou uma redução da energia rece-
bida? Para que ângulo de altura solar, o valor de AM é mínimo? Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

Teste de Avaliação - Escolha múltipla

1. As coordenadas angulares que definem a posição do Sol no céu são: c. É igual à radiação directa;
d. É parte da radiação reflectida pela atmosfera terrestre.
a. O azimute e o raio de curvatura;
b. A longitude e a latitude; 6. O azimute solar…
c. A altura solar e a longitude;
d. A altura solar e o azimute. a. Toma como referência o valor de 0 ° da direcção norte no nosso
hemisfério;
2. A massa de ar (AM) é: b. Marca a altura solar sobre o horizonte;
c. É o ângulo formado pelo meridiano do Sol e o do lugar desde onde
a. Uma medida da perda energética que a radiação sofre ao passar se mede, adoptando a direcção sul como referência de 0 °;
pela atmosfera. d. Todas as respostas anteriores são falsas.
b. Inversamente proporcional ao seno da altura solar;
c. Exprime a relação entre o comprimento que tem de efectuar a 7. O ponto da órbita terrestre em que o nosso planeta se encontra
radiação solar até chegar à superfície terrestre e o que teria de mais afastado do Sol denomina-se de:
percorrer se estivesse perpendicular a ela;
d. Todas as respostas anteriores estão correctas. a. Zénite;
b. Afélio;
3. Das seguintes superfícies, qual é a que reflecte com maior propor- c. Perigeu;
ção a luz solar? d. Periélio.

a. Cimento; 8. A declinação…
b. Asfalto;
c. A neve recentemente caída; a. Varia entre -24,45 ° e 23,45 °;
d. As superfícies anteriormente referidas reflectem todas por igual. b. É o ângulo que forma o eixo da Terra com o plano da elíptica;
c. Influencia o ângulo da altura solar;
4. As datas do ano que a Terra está numa posição tal que a duração d. Todas as respostas anteriores são verdadeiras.
do dia e da noite é a mesma, denomina-se por:
9. As projecções estereográficas…
a. Solstício;
b. Equinócio; a. Mostram a trajectória do Sol em termos da sua altura solar com
c. Noite polar; o plano da elíptica;
d. Nenhuma das anteriores. b. Permitem conhecer a altura solar máxima do Sol numa determinada
data;
5. A radiação de albedo: c. Representam várias linhas, em que cada uma delas corresponde
a uma data do ano;
a. É produzida como consequência da difusão de parte da radiação d. Todas as respostas anteriores estão correctas.
solar incidente, causada pelas partículas de poeira e contaminação;
b. É parte da radiação que não alcança a superfície da Terra, ao ser
reflectida pelas camadas superiores da atmosfera terrestre; Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
CAPÍTULO 2
SISTEMAS SOLARES FOTOVOLTAICOS

Temas:
a. Tecnologia de sistemas solares fotovoltaicos
b. Sistema solar fotovoltaico – constituição
c. Funcionamento e regulação
d. Normas técnicas e legislação aplicável
e. Manutenção e conservação – princípios

Objectivo(s):
– Reconhecer a constituição e funcionamento de sistemas solares fotovoltaicos.
– Identificar e caracterizar os constituintes num sistema solar fotovoltaico.
– Identificar a função dos constituintes do sistema solar fotovoltaico.
– Reconhecer e aplicar as normas técnicas e legislação específica.
– Identificar as tecnologias utilizadas nos sistemas solares fotovoltaicos.
– Identificar os circuitos primários e secundários num sistema solar fotovoltaico.
– Relacionar os tipos de válvulas existentes num sistema solar
fotovoltaico com a sua localização específica no sistema.
– Identificar todos os aspectos a ter em conta no projecto de um sistema solar fotovoltaico.
– Identificar todos os aspectos a ter em conta no dimensionamento de um sistema
solar fotovoltaico.
– Reconhecer a importância do isolamento térmico num sistema solar fotovoltaico.
74 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2. TECNOLOGIA DE SISTEMAS SOLARES FOTOVOLTAICOS


Os sistemas fotovoltaicos podem ser classificados em três tipos:

– Sistemas isolados ou autónomos com e sem armazenamento;


– Sistemas híbridos em conjugação com mais uma fonte de energia para além
da fotovoltaica;
– Sistemas de ligação à rede.

2.1. Sistemas isolados

2.1.1. Com armazenamento


Os sistemas isolados são sistemas constituídos por um conjunto de painéis,
um regulador de carga, uma ou mais baterias e um inversor. Os reguladores de
carga são os responsáveis pelo controlo da carga das baterias. Por sua vez, as
baterias deverão ter capacidade suficiente para alimentar as cargas durante a
noite ou durante dias com baixos valores de radiação.

Aos sistemas isolados podemos ter associada outra fonte de energia e, nesse
caso, estamos perante um sistema híbrido. Esta energia é considerada muitas
das vezes como uma energia de apoio. A grande desvantagem destes siste-
mas para grandes potências reside na utilização de imensas baterias, o que vai
elevar o custo da instalação e também da própria manutenção das mesmas.

Os módulos solares fotovoltaicos produzem energia eléctrica em corrente con-


tínua a partir da energia obtida pela exposição solar. A tensão contínua a utilizar
deverá ser escolhida tendo em conta a potência do sistema.

De seguida é apresentada uma tabela que indica qual o valor da tensão a utilizar
no sistema em função da potência total a instalar. São também apresentados
esquemas de instalações FV isoladas com armazenamento.

Tabela 16 Potência do Consumo (W) Tensão do Sistema Solar FV (V)


Tensão num sistema FV
em função da potência a instalar. < 1500 12

1500 - 5000 24 ou 48

> 5000 120 ou 300

Fig. 106
Sistema FV isolado com armazenamento
de 24 V para cargas DC.

Fonte: Bornay Energia


Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 75

Fig. 107
Sistema FV isolado com armazenamento
de 48 V para cargas DC.

Fonte: Bornay Energia

Fig. 108
Sistema FV isolado com
armazenamento de 12 V para cargas DC.

Fonte: Bornay Energia

2.1.2. Sem armazenamento


Num sistema autónomo sem armazenamento de energia com cargas em DC
ou AC (corrente contínua e/ou alternada), os receptores consomem de imedia-
to a energia produzida pelos módulos fotovoltaicos. Este tipo de sistemas é
muito usual em bombeamento de água.

Têm a vantagem de serem mais baratos, pois não utilizam as baterias para
armazenamento de energia. Como solução em algumas indústrias e edifícios,
poderá ser utilizado um sistema de comutação à rede eléctrica, caso não exista
radiação no momento, que se torna mais eficaz e que permite uma redução de
custos aos particulares ou empresas.
76 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 109
Sistema autónomo sem armazenamento
e com sistema de comutação.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

2.2. Sistemas híbridos


Os sistemas híbridos consistem na combinação de sistemas fotovoltaicos com
outras fontes de energia que asseguram a carga das baterias na ausência de
sol. As fontes de energia de auxílio podem ser a diesel, gás ou mesmo gerado-
res eólicos. Estes sistemas têm de estar equipados com sistemas de controlo
mais eficientes do que os modelos isolados de pequena dimensão.

No caso dos sistemas PV/Diesel, o gerador a diesel deverá passar a funcionar


quando as baterias atingirem o seu nível mínimo de carga, deixando de funcio-
nar quando atingirem um nível de carga aceitável.

Existem também instalações de sistemas híbridos a nível doméstico para ali-


mentação de cargas em corrente alternada e/ou em corrente contínua.

Fig. 110
Sistema híbrido isolado 12 VDC.

Fonte: FFSolar

Legenda:
1 - Bateria;
2 - Módulo(s) solar(es);
3 - Regulador solar;
4 - Aerogerador;
5 - Regulador para aerogerador.

Fig. 111
Sistema híbrido isolado.

Fonte: Bornay Energia


Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 77

Fig. 112
Diagrama de blocos de um sistema isolado.

Fonte: Futursolutions

2.3. Sistemas ligados à rede


Os sistemas com ligação à rede eléctrica podem ser integrados no Regime
Produtor - Consumidor ou Regime Produtor. Um sistema de ligação à rede
eléctrica permite a venda de energia eléctrica às companhias distribuidoras de
energia (neste caso a EDP). Toda a energia gerada é enviada directamente para
a rede, não sendo necessárias as baterias, o que torna o sistema mais simples
e com menos manutenção.

Com a publicação do Decreto-Lei 363/2007, os microprodutores tinham a pos-


sibilidade de, a partir de fontes de energias renováveis, produzir electricidade
para injectar na rede pública. No entanto, não podem ultrapassar os 50 % da
potência contratada até um máximo de 3,68 (regime bonificado) ou 5,75 kW
(regime geral). Este regime foi substituído para o Decreto-Lei 25/2013.

2.4. Equipamentos que constituem um sistema de venda à rede


Uma instalação solar conectada à rede é constituída por 5 equipamentos
básicos:

– Módulos FV: São os responsáveis pela captação da radiação solar e da


geração de energia eléctrica;
– Inversor: Este equipamento tem como função básica a conexão à rede
eléctrica mas também transforma a corrente contínua em corrente alterna-
da, e decide quando deve injectar na rede a energia produzida;
– Contador bidireccional: É o equipamento responsável pela contagem da
energia eléctrica produzida pelo sistema fotovoltaico durante o seu período
de funcionamento;
– Portinhola: Caixa de ligações que permite a interligação dos cabos do con-
sumidor e do produtor e que contém as respectivas protecções;
78 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

– Elementos de protecção: Protegem a instalação e os equipamentos em


caso de curto-circuitos, descargas atmosféricas ou sobrecargas.

2.4.1. Inversor de venda à rede — generalidades


Os inversores utilizados para a conexão à rede eléctrica dispõem de um con-
trolo da tensão da rede, da onda de saída, do sincronismo entre o sinal gerado
com a rede eléctrica e dispositivos de protecção.

Sabia que...
Os inversores devem cumprir as normas directivas comunitárias de segurança
eléctrica e compatibilidade electromagnética (ambas devem ser certificadas
pelo fabricante).
O inversor actua como uma fonte de cor-
rente, aplicando ao circuito uma corrente De referir que a injecção na rede pode ser feita em BT ou em MT, recorrendo a
de trabalho e conferindo ao módulo o pon-
um transformador BT/MT. Também na ligação de sistemas FV à rede eléctrica,
to de máxima potência na curva caracterís-
tica. Analisando o circuito desde o gerador tem de se ter em conta que o inversor do sistema deve possuir uma caracte-
fotovoltaico, o inversor comporta-se como rística técnica de segurança a que chamamos de EES (Electronic Solar Switch).
uma carga (idealmente, comportar-se-á
como uma resistência). Se faltar a tensão na rede eléctrica, o sistema FV deve ser desligado automa-
ticamente por acção do EES, evitando assim que se esteja a injectar energia
na rede. Esta característica advém do facto, referenciado anteriormente, de o
inversor trabalhar com o clock da rede.

Fig. 113
Diagrama de blocos de um sistema
de microprodução fotovoltaico ligado à rede.

Fonte: FF Solar

Normalmente, num sistema fotovoltaico de venda à rede, a potência de pico


nunca é entregue na sua totalidade à rede, pois existem perdas e os módulos
não produzem a sua potência de pico. De seguida, é apresentado um diagrama
com as perdas que ocorrem num sistema FV de venda à rede com uma potên-
cia pico de 1 kW.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 79

Fig. 114
Diagrama de perdas de um sistema FV
de venda à rede.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Fig. 115
Diagrama de ligação à rede.

Fonte: Futursolutions
80 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.5. Sistema solar fotovoltaico — constituição

2.5.1. Esquemas de sistemas solares fotovoltaicos


Fig. 116
Esquema de instalação de sistema
de microprodução ligado à rede.

Fonte: Futursolutions

Legenda:
QAC - Quadro de Protecção AC;
QG - Quadro Geral;
RESP - Rede Eléctrica de Serviço Público;
LA - Ligador Amovível.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 81

Fig. 117
Diagrama de blocos de um sistema
de microprodução ligado à rede.

Fonte: Weidmüller

Analisando os esquemas de ligações anteriores, verifica-se que temos de ter


em conta as protecções dos sistemas FV e híbridos, visto que podemos ter
valores de tensão ou de corrente elevados em algumas partes dos circuitos
eléctricos.

As protecções mais habituais são contra as sobretensões à saída do siste-


ma FV, com o uso de descarregadores de sobretensões e de fusíveis de filei-
ra contra correntes inversas. Nos sistemas ligados à rede, os inversores que
possuírem transformador de isolamento não necessitam de protecções DST
(Descarregador de Sobretensões), pois já possuem esse tipo de protecção.
Isto significa que não é necessária a protecção DST antes e depois do inversor.
Caso o inversor não possua esta característica, aí sim, deve-se utilizar DST an-
tes e depois do inversor, como se pode verificar na figura anterior.

De seguida é apresentado um esquema de microgeração de uma instalação


híbrida (FV + eólica) de ligação à rede eléctrica nacional.
Fig. 118
Esquema de instalação de sistema
de microprodução ligado à rede.

Fonte: Futursolutions

Legenda:
QAC - Quadro de Protecção AC;
RESP - Rede Eléctrica de Serviço Público;
QG - Quadro Geral;
LA - Ligador Amovível.
82 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.5.2. Conceitos eléctricos


A electricidade é o fluxo de electrões que circulam através de materiais condu-
tores (como por exemplo o cobre). Os electrões obtêm energia através de uma
fonte (gerador, módulo fotovoltaico, bateria, etc.) e transferem-na para uma car-
ga (lâmpada, motor, resistência, etc.). De seguida, esses mesmos electrões re-
gressam à fonte de energia, que lhes deu energia, para repetirem todo o ciclo.

O gerador não cria cargas eléctricas.

Consideremos o seguinte circuito, que exemplifica como se processa o senti-


do destes electrões que originam a passagem de corrente eléctrica.

Fig. 119
Sentidos real e convencional
da corrente eléctrica.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Fig. 120
Sentido do fluxo dos electrões.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

A força electromotriz é a energia transformada de uma forma não eléctrica


em eléctrica. Tem como unidade de grandeza o Volt e é o que normalmente
chamamos de tensão.

Analisemos de seguida os conceitos eléctricos e as fórmulas mais importantes.

Lei de Ohm
Tensão (U) Intensidade (I) Resistência (R)
Tabela 17
U=RxI I =U/ RT R=U/I

Unidade: Volt (V) Unidade: Ampere (A) Unidade: Ohm (ȍ)

2.5.3. Fórmulas de potência


A potência é uma das unidades mais importantes para determinar a capacida-
de de produção do elemento fotovoltaico de uma instalação. Esta é igual ao
produto da tensão pela intensidade de corrente.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 83

1. Num circuito de corrente contínua (CC):

P = V x I (W)
P = R x I2 (W)
P = V2/R (W)

Em que:
P é a potência, em Watt
V ou U é a tensão aplicada, em Volt
I é a corrente que circula, em Ampere

2. Num circuito monofásico de corrente alternada (CA) resistivo:

Utilizam-se as mesmas fórmulas do circuito de corrente contínua.

3. Num circuito monofásico de corrente alternada (CA) indutivo:

a. Potência activa (P)


P = U x I (W)
b. Potência reactiva (Q)
Q = U x I x cosij(VAr)
c. Potência aparente (S)
S = U.I (VA)

4. Num circuito trifásico de corrente alternada (CA) resistivo:

P =—3 x U x I (W)

5. Num circuito trifásico de corrente alternada (CA) indutivo:

a. Potência activa (P)


P = —3 x U x I x cosij (W)
b. Potência reactiva (Q)
Q = —3 x U x I x senij (VAr)
c. Potência aparente (S)
S = —3 x U x I (VA)

2.5.4. Perdas de potência


Os condutores eléctricos oferecem uma certa resistência à passagem da cor-
rente de electrões e isto traduz-se em perdas de potência que deverão ser
tidas em conta no dimensionamento de sistemas. Estas perdas de potência
transformam-se em calor. A esta transformação chamamos de Efeito de Joule.

2.5.5. Fórmulas de energia


A unidade de energia é o Joule, mas como é muito pequena utiliza-se o kilowatt/
hora (kWh)
1 J = 1 W por segundo(s) = 1W.1 s
1 kWh = 1000 W.1h = 1000.3600 s = 3.600,00 J

1. Num circuito de corrente contínua:


84 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2. Num circuito monofásico de corrente alternada (CA) resistivo:

3. Num circuito monofásico de corrente alternada indutivo:

4. Num circuito trifásico de corrente alternada resistivo:

5. Num circuito trifásico de corrente alternada indutivo:

a. Energia activa (W)

b. Energia reactiva (WQ)

c. Energia aparente (WS)

2.5.6. Quantidade de energia


Se tivermos de manter uma lâmpada acesa durante 3 horas com uma potência
de 60 Watt, a energia consumida será igual a:

Se, para além disso, quisermos alimentar com a mesma fonte uma televisão
que consome 50 Watt e que funcione durante 4 horas, o consumo de energia
do televisor será:

Se W1 e W2 forem os únicos consumos de energia durante um dia, a energia


diária total consumida será:

Estes conceitos eléctricos são de extrema importância uma vez que, como se
verá mais adiante, iremos necessitar de a eles recorrer no dimensionamento
de sistemas fotovoltaicos.

2.5.7. Resistência de um condutor


Os condutores eléctricos – para que conduzam bem a corrente eléctrica –
devem ter uma resistência muito pequena. O valor da resistência de um
condutor é directamente proporcional ao coeficiente de resistividade (ȡ) do
material, e inversamente proporcional à sua secção.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 85

Em que:
ȡ – Coeficiente de resistividade, em Ÿ x m/mm2;
L – Comprimento, em metros;
S – Secção, em mm2.

2.5.8. Ligações de resistências


As resistências ou receptores podem ser ligados de três formas. A saber:

– Ligação em série;
– Ligação em paralelo;
– Ligação mista.

Ligações em série Tabela 18

Fórmulas Circuito

RT = R1 + R2 + R3+……
U = RT x I
I = U/RT
U = U1 + U2 + U3+……
U1 = R1 x I
U2 = R2 x I
U3 = R3 x I

Características:
- Várias tensões;
- Uma só intensidade;
- A resistência total é igual à soma das resistências parciais.

Ligação em paralelo Tabela 19

Fórmulas Circuito

1/RT = (1/R1) + (1/R2) + (1/R3) +….


IT = I1 + I2 + I3 +….
I1 = U/R1
I2 = U/R2
I3 = U/R3

Características:
- Uma só tensão;
- Várias intensidades de corrente;
- O inverso da resistência total é igual à soma dos inversos das resistências parciais.

2.5.9. Aumento da resistência de um condutor com a temperatura


O movimento de electrões num condutor dá lugar a um aquecimento como
consequência da sua própria resistência. Este efeito, denominado efeito de
Joule, tem os seguintes resultados:

– Aquecimento do condutor;
– Aumento da sua resistência;
– Queda de tensão com a temperatura.
86 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

O aquecimento do condutor tem como aplicação efectiva o uso nas resistên-


cias dos aquecedores que transformam a energia eléctrica em energia calo-
rífica. Ao subir a temperatura do condutor, também aumenta o valor da sua
resistência, determinada pela seguinte equação:

Em que:
R20 – Resistência a 20 °C, em Ÿ;
t – Temperatura final, em °C;
Į – Coeficiente de temperatura do material.

Tabela 20 Resistividade (ȡ) a 20 °C


Materiais Coeficiente de temperatura (a)
(ȍ. mm2 /m)
Alumínio (Al) 0,029 0,00037

Cobre (Cu) 0,018 0,00039

Ferro (Fe) 0,120 0,00047

Prata (Ag) 0,016 0,00037

Constantan 0,50 

Níquel 0,40 

Manganina 0,43 

A resistência do condutor aumenta o valor do coeficiente Į, por cada ohm e


grau que se aumente a sua temperatura.

2.5.10. Capacidade eléctrica


Define-se capacidade eléctrica como a aptidão que têm os condutores separa-
dos por um isolante para armazenarem cargas eléctricas.

C = Q/U (F)

sendo:
F – Faraday;
Q – Quantidade de electricidade em Coloumb:
U – Tensão em Volt.

2.5.11. Ligação de condensadores


A ligação dos condensadores é igual ao que verifica nas resistências, ou seja,
em série, em paralelo e misto.

Tabela 21 Ligação em série

Fórmulas Circuito

1/CT = 1/C1 + 1/C2 + 1/C3+…


Q = Q1 = Q2 = Q3=….

Características:
- O inverso da capacidade total é igual ao somatório dos inversos das capacidades parciais;
- Todos os condensadores levam a mesma carga a que corresponde um condensador;
- A descarga faz-se ao mesmo tempo em todos eles.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 87

Tabela 22
Ligação em paralelo

Fórmulas Circuito

CT = C1 + C2 + C3 +….
QT = Q1 + Q2 + Q3 +….

Características:
- A capacidade total é igual à soma das capacidades parciais;
- A carga total é igual à soma das cargas parciais.

2.5.12. Ligação de baterias


Há várias formas de ligar as baterias em função da grandeza que se quer au-
mentar, ou seja, a tensão (U) ou a intensidade (I). De acordo com os vários
tipos de ligação, poderemos ter:

– Ligação em série para aumentar a tensão;


– Ligação em paralelo para aumentar a intensidade;
– Ligação mista (série/paralelo) para aumentar a tensão e a intensidade.

Ligação em série de baterias Tabela 23

Fórmulas Circuito

ET = E1 + E2 + E3 + …
IT = I1 = I2 = I3 = …

Características:
- A finalidade deste tipo de ligação é aumentar a tensão da instalação;
- Mantém-se o valor da intensidade que cada bateria fornece à instalação;
- Todas as baterias ligadas em série deverão ter as mesmas características.

Ligação em paralelo de baterias Tabela 24

Fórmulas Circuito

ET = E1 = E2 = E3 = …
IT = I1 + I2 + I3 = …

Características:
- A tensão disponível nos bornes de cada bateria é igual;
- O valor total da intensidade total é igual à soma das intensidades de corrente parciais fornecidas por
cada bateria;
- Este tipo de ligação utiliza-se quando se pretende aumentar o valor da corrente fornecida
à instalação.
88 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Tabela 25 Ligação mista de baterias

Fórmulas Circuito

ET = E1 + E2 + E3 + …
IT = I1 + I2 + I3 = …

Características:
- A finalidade deste tipo de ligação é aumentar os valores da tensão e corrente a fornecer às cargas.

2.5.13. Múltiplos e submúltiplos das unidades eléctricas


Tabela 26
Unidade eléctrica Múltiplos e submúltiplos Símbolo Equivalências
1 MV = 1.000 KV =
Megavolt MV
1.000.000 V
Kilovolt kV
Tensão eléctrica 1 kV = 1.000 V
Volt V
1V
Milivolt mV
1 mV = 0,001 V
Kiloampere kA 1 kA = 1.000 A
Intensidade Ampere A 1A
Miliampere mA 1 mA = 0.001 A
1 Mȍ = 1.000 ȍ =
Megaohm Mȍ
1.000.000 ȍ
Resistência Kilohm kȍ
1 kȍ = 1.000 ȍ
Ohm ȍ

Faraday F 1F
Capacidade Microfaraday ȝF 1 ȝF = 0,000001 F
Nanofaraday nF 1 nF = 0,000000001 F
1 W; 1 KW = 1000 W
Activa W
1 VAR (voltampere-
Potência Reactiva VAr
reactivo)
Aparente VA
1 VA (voltampere)
Activa kWh 1 kWh
Energia Reactiva kArh 1 kVArh
Aparente kVAh 1 kVAh
Reactância indutiva Ohm ȍ XL = 2 ʌ.f.L

Rectância capacitiva Ohm ȍ XC = 1/ (2 ʌ.f.C)

Impedância Ohm ȍ Z = ¥R2 + X2

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 Energia:
Calcule a potência total instalada numa casa alimentada em corrente WT (DIA) = P x t = 0,145 x 4=0,58 kWh/dia;
contínua, que tem instaladas 5 lâmpadas de 11 W e 5 de 18 W; de- WT (MÊS) = WT (DIA) x NDIAS_MÊS = 0,58 x 30 = 17,4 kWh/mês.
termine também a energia consumida durante 4 horas ao longo de
um mês.
Exercício 2
Potência: Determinar a intensidade de corrente absorvida por um receptor mo-
P1 = 5 x 11 = 55 W; nofásico de potência 2000 W, ligado a 230 V.
P2 = 5 x 18 = 90 W;
PT = P1 + P2 = 55 + 90 = 145 W = 0,145 kW. P= U x I => I = P/U => I = 2000/230 = 8,696 A
(Continua)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 89

Exercícios Resolvidos (Continuação)

Exercício 3 Exercício 6
Calcule a resistência de um condutor de cobre que tem uma secção Determine a intensidade de corrente de uma rede trifásica se a po-
de 1,5 mm2, e um comprimento de 120 m. tência é de 50 kW.
Nota: Resistividade do cobre:ȡ = 0,0172
P = (—3 x U x I) /1000 => I = (1000 x P) / (—3 x U)
I = (1000 x 50) / (—3 x 400) = 72,169 A
R =ȡ x (L/S) = 0,0172 x (120/1,5) = 1,376 :

Exercício 4 Exercício 7
Determine a resistência do condutor do exercício anterior a 35 °C, se Determine a capacidade e a carga total de 3 condensadores de 20 μF
a 20 °C tem uma resistência de 1,376 :. ligados em série com uma tensão aplicada de 20 V.

Coeficiente Į do cobre = 0,00039 Capacidade:


R35 = R20 x [1+Įx (t-20)] = 1,376 x [1+0,00039 x (35-20)] = 1,384 :

Exercício 5
Determine a potência de um circuito trifásico com tensão de 400 V e
uma intensidade de corrente de 20 A. Carga total: QT = CT x U = 6,67 x 20 = 133,4 Coulomb
Tensão parcial em cada condensador: UP = U/3 = 20/3 = 6,66 V
P = (—3 x U x I) /1000 = (—3 x 400 x 20) /1000 = 13,856 kW Carga total da ligação em série: QT = Q1 = Q2 = Q3 = 133,4 Coulomb

2.6. Módulos/células solares fotovoltaicas — efeito fotovoltaico


A célula fotovoltaica funciona quando a luz incide sobre certas substâncias e
desloca electrões que, circulando livremente de átomo para átomo, formam
Exercícios
uma corrente eléctrica.

São os fotões com uma faixa de luz visível que fazem com que exista a agitação Exercício 1
e que os electrões da banda de valência passem para a banda de condução. Determine a resistência total ou equiva-
lente de uma ligação de 3 lâmpadas de
A célula fotovoltaica é uma aplicação prática do efeito fotoeléctrico descoberto incandescência ligadas em paralelo com
40 W cada sob a tensão de 230 V.
em 1887 pelo físico alemão Heinrich Rudolf Hertz (1857-1894) e explicado em
1905 por Albert Einstein (1879-1955). Exercício 2
Determine o valor da resistência equiva-
Quando a luz incide sobre certas substâncias, descola electrões que, circu- lente ou total de um conjunto de 4 lâmpa-
lando livremente de átomo para átomo, formam uma corrente que pode ser das incandescentes ligadas em série com
60 W cada sob a tensão de 230 V.
armazenada.

As células fotovoltaicas são feitas de Silício (Si) que tem número atómico 14. Soluções disponíveis em:
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
A sua distribuição electrónica é 2,8,4. Significa que possui quatro electrões de
valência, procurando ligar-se com 4 átomos de Si de maneira a ficar quimica-
mente estável.

O Si, como substância simples, não conduz corrente eléctrica pois não possui
electrões de valência.

Assim, adicionam-se ao Si, dois tipos de elementos: o Boro (B) e o Fósforo (P).

O Boro tem o número atómico 5.

A sua distribuição electrónica é 2,3. Significa que possui três electrões de va-
lência e, ao forçar-se a adição com o Si, fica com um electrão desemparelhado,
o que se designa por lacuna.
90 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

O Fósforo tem o número atómico 15.

A sua distribuição electrónica é 2,8,5. Significa que possui cinco electrões de


valência e, ao forçar-se a adição com o Si, fica com um electrão desemparelha-
Importante do mas desta vez em excesso.
À junção Si-P chama-se junção (-) pois existe um “excesso” de electrões de-
O efeito fotoeléctrico consiste na emis- semparelhados.
são de electrões quando se ilumina um
material. O efeito fotovoltaico é uma apli- À junção Si-B chama-se junção (+) pois existe um “défice” de electrões desem-
cação desta propriedade que possibilita parelhados.
que haja uma produção de energia eléc-
trica a partir da luz.
O facto de termos estas duas camadas faz com que exista uma diferença de
potencial que vai fazer com que os electrões libertados por efeito fotoeléctrico
se movam.

Nota: O Si teve de ser dopado com P uma vez que, para se dar o efeito foto-
eléctrico, o electrão tem de estar fracamente atraído ao núcleo (electrão de-
semparelhado).

Fig. 121
Célula fotovoltaica elementar
e dopagem dos semicondutores.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/index.php/
content/view/271/202/

Neste processo, são utilizados materiais semicondutores como o silício, o


arsenieto de gálio, telurieto de cádmio ou disselenieto de cobre e índio. A cé-
lula de silício cristalina é a mais usual. Actualmente, cerca de 96 % de todas
as células solares do mundo têm como semicondutor mais utilizado o silício.

O efeito fotovoltaico é um fenómeno que transforma a energia luminosa em


energia eléctrica recorrendo a células fotovoltaicas.

O material utilizado nas células fotovoltaicas deve ter um grau de pureza


o mais elevado possível. Para o conseguir, é necessário realizar sucessi-
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 91

vas etapas na produção química. O silício apresenta-se normalmente como


areia.

O cristal de silício puro não possui electrões livres e, portanto, é um fraco


condutor eléctrico. Para modificar este facto, normalmente acrescentam-se
percentagens de outros elementos. Este processo é designado por dopagem.

Ao incidir a luz sobre a célula fotovoltaica, os fotões que a integram chocam com
os electrões da estrutura do silício, dando-lhes energia e consequentemente
transformando-os em condutores. Devido ao campo eléctrico gerado na união
P-N, os electrões são orientados e fluem da camada P para a camada N.

Por meio de um condutor externo, conecta-se a camada negativa à positiva,


gerando-se assim um fluxo de electrões (corrente eléctrica). Enquanto a luz
continuar a incidir na célula, o fluxo de electrões manter-se-á. A intensidade da
corrente gerada variará proporcionalmente conforme a intensidade da radia-
ção solar incidente na célula fotovoltaica.

Se não estiver nenhuma carga ligada à célula fotovoltaica, a tensão obtida aos
seus terminais denomina-se de tensão em circuito aberto da célula solar (VOC).

Cada electrão que sai do módulo fotovoltaico é substituído por outro que re-
gressa por exemplo da bateria. O cabo de ligação entre o módulo fotovoltaico
e a bateria contém o fluxo de electrões, de modo a que, quando um electrão
abandona a última célula do módulo e se encaminha para a bateria, outro elec-
trão entra na primeira célula do módulo fotovoltaico a partir da bateria.

2.6.1. Semicondutores
Os bons condutores oferecem pouca resistência, ao passo que os electrões
livres opõem uma resistência elevadíssima. Por sua vez, os semicondutores
apresentam resistência intermédia em ambos os extremos, isto é, entre a
camada isolante e a camada condutora. Subdividem-se da seguinte forma:

– Semicondutores intrínsecos;
– Semicondutores extrínsecos.

Quando se aplica uma diferença de potencial a um semicondutor intrínseco,


este terá um valor de corrente muito baixo que é proporcional ao valor da
sua temperatura embora, dado o seu reduzido valor, nunca se considere o
mesmo.

Como os valores de corrente produzidos nos semicondutores intrínsecos


são muito baixos, foi elaborada uma outra forma de conseguir valores mais
elevados. Para isso acontecer foram inseridas impurezas no semicondutor,
dopando-o, o que, como foi referido atrás, não é mais do que introduzir um
cristal de silício numa atmosfera de fósforo ou de boro. Dependendo do ma-
terial inserido, dizemos que o semicondutor será doador ou receptor e, desta
forma, criar-se-á o semicondutor extrínseco.

2.6.2. Junção PN
Mediante a dopagem do silício com o fósforo, obtém-se um material com
electrões livres ou um material com portadores de carga negativa (silício tipo
N). Realizando o mesmo processo, mas acrescentando boro ao invés de fósfo-
ro, obtém-se um material com características inversas, ou seja, um défice de
electrões ou um material com cargas positivas livres (silício tipo P).
92 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Cada célula solar é composta por uma camada fina de material tipo N e outra
com maior espessura de material tipo P (ver figura abaixo).

Nesta junção, os electrões livres migram do lado P para o lado N.

Fig. 122
Junção PN (díodo).

Fonte: http://www.eletronica24h.com.br/cursoeletronica/
cursoEN1/aulas/images/Aula02_03a.gif

Fig. 123
Curva característica
de uma junção PN (díodo).

Fonte: www.prof2000.pt/users/lpa/

Pela análise do gráfico da figura 123, pode-se afirmar que:

– Se Vd = 0V, não existe polarização;


– Se Vd > 0V, existe polarização directa, em que Vd | 0,7 V;
– Se Vd < 0V, existe polarização inversa.

A junção trabalha tal como um díodo, pois a utilização de uma diferença de


potencial com o potencial positivo aplicado no material do tipo P diminui a bar-
reira de potencial e possibilita que a corrente atravesse a interface, enquanto
que a aplicação de uma diferença de potencial inversa aumenta a barreira de
potencial e não possibilita a passagem de corrente. A figura a seguir ilustra a
curva característica de um díodo de silício.

Fig. 124
Característica I-V de um díodo de silício.

Fonte: FER - Fontes de Energia Renováveis.


“Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias, Projecto e
Instalação, Volume III”. Projecto parcialmente financiado pela
Comissão Europeia, designadamente através do programa
ALTENER, 2004.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 93

Quando o díodo é ligado a um circuito de modo a que o potencial seja positivo Exercício
no ânodo dopado com impurezas do tipo P, e negativo no cátodo dopado com
impurezas do tipo N, o díodo está directamente polarizado. Neste caso em
específico é aplicável a curva característica do primeiro quadrante. A partir de Das seguintes afirmações apresentadas,
escolha a correcta, assinalando-a com uma
uma tensão definida (a tensão limiar de condução nesta situação é de 0,7 V), a cruz.
corrente passa a fluir.
Uma junção PN directamente polari-
Se o díodo for polarizado inversamente, a corrente é impossibilitada de circular zada:
nesta direcção. Neste caso aplica-se a curva característica do terceiro quadran-
te. Na eventualidade de o díodo ultrapassar a tensão de rotura VZK, este poderá Conduz porque não há zona neu-
tra e a resistência é nula
ficar destruído.
Conduz porque a zona neutra es-
treita e a resistência diminui
É importante referir que uma célula fotovoltaica não armazena energia
eléctrica. Não conduz porque a zona neutra
alarga e a resistência aumenta

Nota: Quando a junção PN está polarizada directamente, a corrente eléctrica Não conduz porque a zona neutra
(ao passar pela zona neutra ou zona de depleção, que apresenta uma certa estreita e a resistência diminui
resistência) origina uma queda de tensão ('u = R x I). Não conduz porque a zona neutra
aumenta e a resistência diminui
2.6.3. Modelo equivalente de uma célula fotovoltaica
O comportamento de uma célula fotovoltaica é equivalente ao de um díodo de Soluções disponíveis em:
junção PN. O modelo desta célula não é nada mais, nada menos do que uma www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
fonte de corrente.

Fig. 125 Célula fotovoltaica e modelo equivalente


ideal alimentando uma carga Z.

Fonte: “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Rui M.G. Castro

Exercício
A fórmula da corrente que atinge a carga é dada pela seguinte equação:
Das seguintes afirmações apresentadas,
escolha a correcta, assinalando-a com uma
cruz.

Na fórmula anterior, IS <=> IL, I0 representa a corrente de saturação do díodo e A queda de tensão na junção PN quan-
m representa o factor de idealidade do díodo, que apresenta um valor entre 1 do conduz deve-se:
e 2. VT é obtido através da seguinte fórmula:
Ao material semicondutor P

Ao material semicondutor N

Nesta fórmula, k é a constante de Boltzman (k = 1,38 x 10-23), t é a temperatura À resistência eléctrica da zona
da célula (°K) e q é a carga do electrão (q = 1,38 x 10-23 C). neutra
Ao excesso de lacunas
Analisemos agora o comportamento da célula fotovoltaica, escurecida e ilumi- do material semicondutor P
nada. Ao excesso de electrões
do material semicondutor N
Uma célula fotovoltaica sobre a qual não incide radiação solar é representada
representada pelo circuito equivalente de um díodo e correspondente curva Soluções disponíveis em:
I-V, na Figura 126. www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
94 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 126
a) Diagrama de circuito equivalente;
b) Curva característica da célula em total escuridão.

Fonte: FER - Fontes de Energia Renováveis.


“Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias, Projecto e
Instalação, Volume III”. Projecto parcialmente financiado pela
Comissão Europeia, designadamente através do programa
ALTENER, 2004.

V = VD

Na expressão que indica qual a variação da intensidade da corrente ID que se


fecha através de um díodo com a diferença de potencial aos terminais deste,
V é a equação de Shockley:

Em que:
I0 - É a corrente inversa máxima de saturação do díodo;
V - É a tensão aos terminais da célula;
m - É o factor de idealidade do díodo (díodo ideal: m = 1; díodo real: m > 1);
Vt - É designado por potencial térmico Vt = Kt / q;
T - É a temperatura absoluta da célula em °K (0 °C = 273,16 °K);
q - É a carga eléctrica do electrão (q = 1,6 x 10-19 C).

A corrente I que se fecha pela carga é obtida através da equação:

Fig. 127
Deslocamento das curvas I-V
de uma célula exposta à obscuridade.

Fonte: “Materiais e processos de fabricação de células


fotovoltaicas”, Almir Ghensev

O valor da corrente de saída da célula é dado por:

Ao iluminarmos a célula, surgirá uma corrente eléctrica, (IL), gerada pela ab-
sorção dos fotões que será tanto mais elevada quanto maior for a intensidade
da radiação solar.

Uma célula fotovoltaica sobre a qual incide radiação solar é apresentada pelo
circuito equivalente de um díodo e respectiva curva I-V, representada na fi-
gura seguinte.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 95

Fig. 128
a) Diagrama de circuito equivalente;
b) Curva característica da célula irradiada.

Fonte: FER - Fontes de Energia Renováveis.


“Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,
Projecto e Instalação, Volume III”. Projecto parcialmente
financiado pela Comissão Europeia, designadamente através
do programa ALTENER, 2004.

Na presença de radiação solar, a curva característica do díodo é desviada pela


intensidade de corrente IL na direcção da polarização inversa (quarto quadran-
te no diagrama da curva I-V representada na figura 128).

Fig. 129 a)
Deslocamento das curvas I-V,
sob condição de incidência de radiação solar

Fonte: “Materiais e Processos de Fabricação de Células


Fotovoltaicas”, Almir Ghensev

Fig. 129 b)
Deslocamento das curvas I-V,
sob condição de incidência de radiação solar

Fonte: “Materiais e Processos de Fabricação de Células


Fotovoltaicas”, Almir Ghensev

Quanto maior a intensidade da incidência luminosa sobre uma célula fotovoltai-


ca, maior é o deslocamento da curva I-V sobre o seu eixo de referência.

Os dois parâmetros alcançados da intercepção da curva com o sistema de


eixos para uma dada radiação e temperatura, permitem descrever uma célula
fotovoltaica de uma determinada área e designam-se por corrente de curto-
circuito, ICC (V = 0), em que:

A tensão máxima aos terminais da célula por tensão em circuito aberto é VCA (I
= 0), em que:
96 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 Nota: IS = IL
Esboce a característica I-V para uma célula fo-
tovoltaica de silício cristalino de 12 x 12 cm2
com os seguintes valores obtidos experimen- Em resumo, pode-se afirmar que a célula se comporta como um díodo quan-
talmente: do escurecida, havendo condução no 1.° quadrante do gráfico apresentado;
quando a célula está sob a radiação solar comporta-se como uma fonte de
H (W A ș Vco corrente, conduzindo no 4.° quadrante.
ICC (A)
/ m2) (m2)) (°C) (V)

Teste 450 0,0144 25 1,30 0,58 As condições nominais de teste STC, normalizadas para a realização das me-
didas dos parâmetros característicos da célula, e designadas por condições
de referência são:
Tabela 27

Radiação incidente: Hr =1000 W/m2


Resolução:
Temperatura: șr = 25 °C <-> Tr = 298,16 K
A corrente inversa máxima de saturação do
díodo pode ser calculada a partir das condi- Nota: As grandezas referenciadas pelo índice superior r são consideradas
ções de curto-circuito e de circuito aberto. medidas nas condições de referência – STC.
Assim, a partir da equação VCA = m x VT x ln
[1 + (IS/I0)] e tendo em conta a equação ICC Já a corrente de curto-circuito é função da radiação incidente, podendo o seu
= IL, vem:
valor ser calculado a partir de:
I0 = 4,4 x 10-10 A

Nota: m = 1 (considerando o díodo ideal);

Tendo em conta a equação: O rendimento nas condições de referência é a relação entre a potência de
pico e a potência da radiação incidente:

a corrente que se fecha pela carga é dada por:

em que:
A figura seguinte representa a característica A - área da célula. Naturalmente que, para outras condições de funcionamen-
I-V da célula fotovoltaica para as condições
to, será:
de referência.

em que:
G - radiação solar incidente por unidade de superfície.

O quociente entre a potência de pico e o produto VrCA e IrCC chama-se factor


de forma:

Fig. 130
Curva I-V de uma célula solar fotovoltaica.
Fonte: “Introdução à Energia Fotovoltaica”,

Rui M.G. Castro Para as células do mesmo tipo, os valores de VrCA e IrCC são aproximadamente
constantes, mas a forma da curva I-V pode variar de forma considerável. As
A análise da curva I-V é essencial para a ca- células em uso comercial apresentam um factor de forma entre 0,7 e 0,85.
racterização de um módulo fotovoltaico, pois
a partir dela é possível obter os principais pa-
Nas condições de referência, o potencial térmico vale:
râmetros que estabelecem a sua qualidade e
desempenho.
(Continua)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 97

Exercícios Resolvidos (Continuação)

Exercício 2
(retirado de: “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Rui M. G. Castro) Nas condições de referência, o potencial térmico vale:

Considere a célula fotovoltaica representada na figura 131 que tem


uma área de 100 cm2 e uma potência de pico de 1,4 Wp. Através de
ensaios experimentais, registaram-se os seguintes valores medidos
nas condições de referência STC (os valores são típicos para o mesmo Substituindo valores, obtém-se:
tipo de células):

c. Para obter a característica I-V traça-se a curva:

Por seu turno, a característica P-V obtém-se fazendo: P = V x I.


Os resultados obtidos (em condições STC) mostram-se na figura 132.

Fig. 131
Curva I-V de uma célula típica de silício cristalino;
resultados experimentais.
Fonte: “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Rui M.G. Castro

Condições de referência: șr = 25 °C, Gr = 1000 W/m2; A = 0,01 m2


[CREST]
Fig. 132
– Corrente de curto circuito IrCC = 3,15 A; Curvas I-V e P-V da célula típica de silício cristalino; condições STC.
– Tensão de vazio VrCA = 0,59 V; Fonte: “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Rui M.G. Castro
– Potência máxima PrMÁX. = 1,40 W;
– Corrente no ponto de potência máxima IrMÁX. = 2,91 A; d. O cálculo da potência máxima obriga primeiro à determinação
da tensão máxima, VrMÁX., resolvendo, por um método iterativo, a
– Tensão no ponto de potência máxima VrMÁX. = 0,48 V.
equação:
Calcule:
a. As grandezas características do módulo – rendimento máximo e
factor de forma;
b. Os parâmetros característicos do modelo de um díodo e três parâ-
metros – m, I0 e IS;
c. As características I-V e P-V;
d. Os valores máximos de tensão, corrente e potência.
A solução é VrMÁX. = 0,48 V.
Resolução:
A correspondente corrente máxima é:
a. A área da célula de 1,4 Wp é 0,01 m2. O rendimento máximo nas
condições de referência e o factor de forma calculam-se então,
respectivamente, por:

E a potência máxima vem:

b. Os parâmetros característicos da célula fotovoltaica são constan-


tes (m) ou calculados para as condições de referência (I0 e ICC). Estes resultados constituem uma boa aproximação dos valores obti-
dos por via experimental.
98 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Exercícios Resolvidos
 

Exercício 3
(retirado de: “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Rui M. G. Castro) A corrente de saturação inversa escreve-se como:

Considere de novo a célula fotovoltaica do exercício 2 com uma área de


100 cm2 e uma potência de pico de 1,4 Wp.

Trace as curvas I-V parametrizadas em função de:

a. Temperatura da célula (25, 50 e 75 °C), considerando a radiação Para radiação constante e temperatura variável, a característica I-V
constante e igual à radiação de referência Gr = 1000 W/m2; traça-se pela curva:
b. Radiação incidente (1000, 700, 450, 300 e 100 W/m2), consideran-
do a temperatura constante e igual à temperatura de referência
șr = 25 °C.

Use o modelo de um díodo e três parâmetros.


b. O potencial térmico e a corrente de saturação inversa são invarian-
tes com a radiação, permanecendo nos seus valores de referência.
Resolução:
A corrente de curto-circuito depende da radiação incidente através de:
a. O potencial térmico varia com a temperatura e, nas hipóteses admiti-
das no desenvolvimento do modelo de um díodo e três parâmetros,
a corrente de saturação inversa varia com a temperatura e com
o potencial térmico. Admite-se que a corrente de curto-circuito é
invariante com a temperatura. O potencial térmico nas condições À temperatura constante, a característica I-V parametrizada em fun-
de referência é: ção da radiação obtém-se traçando a curva:

VrT = 25,7 x 10-3 V

Para a temperatura T (K) vale:

2.6.4. Modelo real de uma célula fotovoltaica


Existe também o modelo real da célula fotovoltaica. Este é apresentado na
figura que se segue.

Fig. 133
Diagrama completo do circuito equivalente.

Fonte: “Laboratórios de Energia Solar Fotovoltaica”,


Manuel Oliveira e Filipe Pereira, Publindústria

O circuito equivalente de uma célula fotovoltaica, contém as resistências RS e


RP que modelizam respectivamente as perdas de tensão e de corrente.

– Resistência em série (RS): esta é a resistência da própria célula, que junta a


resistência eléctrica do material com a resistência dos contactos metálicos,
denominadas de perdas por efeito de Joule.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 99

– Resistência em paralelo (RP): resistência que advém do próprio processo de


fabrico e que caracteriza as correntes parasitas que circulam na célula devido
principalmente a pequeníssimas imperfeições na estrutura do material.

Estas resistências são responsáveis pelo “rebaixamento” da curva característi-


ca da célula solar. De referir que o valor de RP é maior do que o de RS. A resis-
tência paralela RP (ou shunt RSH) e a resistência série RS, têm ambas influência
na redução do factor de forma, assim como valores muito elevados de RS e va-
lores muito baixos de RP provocam uma redução na corrente de curto-circuito
ICC e na tensão em circuito aberto VCO.

A corrente que chega à carga é determinada através da seguinte expressão:

Fig. 134
Influência da resistência em série (RS)
na célula fotovoltaica.

Fonte: “Laboratórios de Energia Solar Fotovoltaica”,


Manuel Oliveira e Filipe Pereira, Publindústria

Fig. 135
Influência da resistência em paralelo (RP)
na célula fotovoltaica.

Fonte: “Laboratórios de Energia Solar Fotovoltaica”,


Manuel Oliveira e Filipe Pereira, Publindústria
100 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7. Baterias de acumuladores — constituição e princípio


de funcionamento
A bateria é um elemento essencial nos sistemas fotovoltaicos, e não só. Permi-
tindo o armazenamento de energia eléctrica, revela-se importantíssima. Se for
produzida imensa energia durante o dia, como é que a poderíamos utilizar du-
rante a noite? E se depois de vários dias com energia, não armazenada, o que
se faria nos dias seguintes sem sol? Sem dúvida que a bateria é muitíssimo
importante neste tipo de situações. A um conjunto de acumuladores ligados
em série chamamos de bateria de acumuladores.

De seguida é apresentado o símbolo eléctrico de uma bateria.

Fig. 136
Símbolos eléctricos
representativos de uma bateria.

Fonte: Wikipédia

Fig. 137
Esquema básico de um
acumulador de energia eléctrica.

Fonte: http://cepa.if.usp.br/e-fisica/
imagens/eletricidade_magnetismo/basico/cap11/fig221.gif

Um acumulador é – de uma forma muito simplista – um vaso com dois eléc-


trodos interligados por um electrólito. Um electrólito é uma substância que,
quando dissolvida em água, produz uma solução capaz de conduzir a electri-
cidade.

Os eléctrodos podem ter como materiais constituintes:

– Zinco;
– Cobre;
– Prata;
– Chumbo.

No circuito externo à bateria, a corrente eléctrica é proveniente da circulação


dos electrões. No seu interior, a corrente é resultante da circulação dos iões de
um eléctrodo para o outro. A descarga da bateria acontece quando a reacção
química abrandar, até que a bateria não consiga fornecer corrente eléctrica aos
eléctrodos.

As baterias de acumuladores podem ter diversas aplicações, tais como: ener-


gia solar, eólica, telecomunicações, etc.

A elevada qualidade das matérias-primas das formulações, dos processos de


fabrico e dos componentes constitui uma garantia a nível de:
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 101

– Boa aceitação de carga;


– Pequena auto-descarga, inferior a 3 %/mês;
– Manutenção reduzida;
– Ausência de componentes metálicos no exterior para além dos terminais;
– Segurança contra curto-circuitos externos;
– Muito bom comportamento eléctrico;
– Elevada fiabilidade;
– Longa durabilidade.

2.7.1. Modelo eléctrico de uma bateria

Fig. 138
Circuito eléctrico equivalente
de uma bateria.

Fonte: Luis Horácio Vera, Escola de Engenharia


da Universidade Federal do Rio de Janeiro

O modelo eléctrico da bateria da figura 138 é composto por uma fonte de


tensão ideal Vi e por uma resistência interna Ri. Esta resistência possui um
comportamento dinâmico ao longo dos processos de carga e descarga. Assim,
a tensão medida nos bornes de uma bateria é influenciada pelo sentido da
corrente da bateria.

Quando a bateria se encontra em repouso, isto é, em circuito aberto, possui


uma tensão diferente nos regimes de carga e descarga. Durante as interrup-
ções de carga e descarga e ainda da descarga, a tensão de circuito aberto VCA
tem uma variação linear com o estado de carga.

Durante a carga, a tensão da bateria VB é dada por:

Sendo a corrente de carga da bateria dada por:

Para a descarga, vem:

Sendo a corrente de descarga da bateria:

Analisando as equações anteriores, pode-se obter uma equação para o proces-


so de carga e descarga de uma bateria:
102 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7.2. Baterias de acumuladores de chumbo-ácido


Os elementos mais importantes de uma bateria de acumuladores de chumbo-
-ácido, são:

– Placa positiva: formada por chumbo esponjoso;


– Placa negativa: composta de dióxido de chumbo (PbO2);
– Separadores: a sua missão é separar as placas de distintas polaridades;
– Electrólito: solução diluída de ácido sulfúrico;
– Carcaça: normalmente constituída de polietileno, onde estão situados todos
os elementos;
– Terminais de conexão.

As baterias consistem em células, sendo que cada uma delas possui uma ten-
são nominal de 2 V. As células ligam-se em série e agrupam-se numa armação
comum para proporcionar a tensão de saída desejada. Por exemplo, 6 células
ligadas em série perfazem uma tensão nominal de 12 V. Em sistemas fotovol-
taicos de grande potência, ligam-se células individuais ou baterias de bloco em
série e paralelo, segundo as necessidades do sistema.

Fig. 139
Pormenor em corte de uma
bateria de chumbo-ácido.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

De seguida é apresentada a constituição de uma bateria de chumbo-ácido.

Fig. 140
Constituição de uma
bateria de chumbo-ácido.

Fonte: http://www.autosil.pt/abrir/tecnologias/
bateria_chumbo_acido#arranque
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 103

O processo de fabrico de uma bateria de chumbo-ácido é apresentado na figu-


ra que se segue.

Fig. 141
Processo de fabrico do chumbo
à placa e da placa à bateria.

Fonte: http://www.autosil.pt/abrir/tecnologias/
bateria_chumbo_acido#arranque

Fig. 142
Processo de fabrico do chumbo
à placa e da placa à bateria.

Fonte: http://www.autosil.pt/abrir/tecnologias/
bateria_chumbo_acido#arranque

Recorde

As baterias são constituídas por: placa po-


sitiva, placa negativa, separadores, elec-
trólito, carcaça e terminais de conexão.
104 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

A reacção química que ocorre no seu interior é a seguinte:

Na descarga dos eléctrodos, chega-se ao estado de sulfato de chumbo,


2SO4Pb, com formação de água, como consequência da descida da densi-
dade do electrólito.

Na carga do acumulador, o sulfato de chumbo transforma-se em peróxido (PbO2)


no cátodo e no chumbo esponjoso (Pb) no ânodo, com regeneração do ácido
sulfúrico, o que traz consigo uma subida da densidade do electrólito.

Fig. 143
Princípio de funcionamento das
baterias chumbo-ácido.

Fonte: Autosil

DESCARGA

Temperatura [°C] Densidade [g/cm3]


4 4
50 ° 1,190

45 ° 1,194 A densidade do electrólito é sempre referenciada a uma temperatura-padrão


40 ° 1,198 de 25 °C.

35 ° 1,202 Para uma temperatura maior do que 25 °C, a densidade diminui e vice-versa.
30 ° 1,206 Para um aumento de 5 °C, a densidade diminui em 0,004 g/cm3. Se a tempe-
ratura diminui em 5 °C, a densidade aumentará em 0,004 g/cm3. A tabela 28
25 ° 1,210
mostra a densidade do electrólito em função da temperatura.
20 ° 1,214

15 ° 1,216
As baterias de chumbo-ácido podem ser subdivididas nos três seguintes tipos:

10 ° 1,222 – Estacionárias monobloco – formadas por um só bloco com 12 V, de menor


5° 1,226 capacidade que as transparentes ou herméticas de um vaso;
– Estacionárias de 1 vaso – baterias separadas em vasos com uma tensão
0° 1,230
de 2 V;
– Estacionárias herméticas – 2, 4, 6, 12 V, denominadas também como ba-
Tabela 28
Densidade do electrólito em função terias sem manutenção uma vez que são seladas. Estas não têm um bom
da temperatura comportamento em descargas profundas.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 105

2.7.3. Acumuladores de chumbo-ácido ventilados


(FVLA – Free Vented Lead Acid)
Esta bateria possui as seguintes características: Importante

– É o tipo de bateria mais comum dos acumuladores de chumbo-ácido;


– A sua instalação deve ser feita em locais com ventilação; Quanto mais lenta for a carga de uma ba-
teria, melhor será a sua reacção química e
– Necessita de enchimento com água em intervalos de tempo regulares; também a sua capacidade. Logo, conse-
– É construída também para sistemas fotovoltaicos (com placas mais es- guir-se-á extrair mais energia da mesma.
pessas);
– Possui uma duração limitada;
– Tem uma durabilidade de 3 a 8 anos para 100 a 800 ciclos completos, nos
modelos convencionais;
– Pode ter uma durabilidade entre 15 a 16 anos nas baterias estacionárias (à
temperatura de 25 °C).

Fig. 144
Esquema de construção de um elemento
de bateria de chumbo-ácido.

Fonte: Seminários Weidmüller

Fig. 145
Baterias com o eléctrodo positivo
em forma de tubo e com conteúdo transparente.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo
106 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7.4. Acumuladores de chumbo-ácido selados


(VRLA – Valve Regulated Lead Acid)
Este tipo de baterias tem as seguintes características:

– Recombinação dos gases produzidos durante o seu funcionamento, redu-


zindo as perdas de água;
– Maior durabilidade;
– Capacidades mais elevadas;
– Inexistência de derrames.

Fig. 146
Bateria selada ou
estanque tipo VRLA.

Fonte: Seminários Weidmüller

Bateria selada

2.7.5. Acumuladores de chumbo-ácido selados (VRLA) de gel


Características mais relevantes deste tipo de bateria:

– Recombinação dos gases produzidos durante o seu funcionamento, reduzin-


do as perdas de água;
– Reduzida sulfatação das placas;
– Possui maiores ciclos de vida (mais de 1000 ciclos de carga/descarga);
– Isento de manutenção;
– É sensível a sobrecargas, necessitando de um controlador de carga adequado.
Fig. 147
Acumuladores de chumbo-ácido
selados (VRLA) de gel.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,


Miguel Moro Vallina, Paraninfo

2.7.6. Baterias AGM (Absorbent Glass Material)


Este tipo de baterias representa o último passo na evolução das baterias de
chumbo-ácido. Em vez de utilizar um gel, uma bateria AGM utiliza um separa-
dor especial de microfibras de vidro muito poroso para envolver o electrólito.
Basicamente, uma bateria AGM utiliza a tecnologia VRLA, fazendo tudo o que
as de gel fazem mas de uma forma superior. No entanto, uma vez que es-
tas baterias também são seladas, o carregamento deve ser controlado com
cuidado.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 107

Fig. 148
Constituição de uma bateria AGM.

Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/
2/2f/AGM_inside.jpg

2.7.7. Baterias de acumuladores alcalinas

2.7.7.1. Baterias de níquel-cádmio (Ni-Cd)


Os eléctrodos deste tipo de bateria são fabricados com níquel e um compos-
to de cádmio. As baterias de níquel-cádmio são pequenas, leves e robustas.
Possuem um elevado débito de potência e possibilitam um grande número de
ciclos de carga e de descarga.

Características mais relevantes:

– Elevado número de ciclos de carga e descarga. Se tiver um manuseamento


adequado, a bateria NiCd pode chegar a 1000 ciclos de carga e descarga;
– Boa performance de carga. As baterias de NiCd permitem recarregamentos
em baixas temperaturas;
– Não são afectadas pelas descargas profundas;
– O preço é baixo em comparação com outras baterias. A bateria NiCd é a que
tem menor custo por ciclo;
– Baixa densidade de energia, comparada com as baterias mais modernas.
– É necessário descarregar este tipo de baterias para prevenir o efeito de
memória;
– A NiCd contém metais tóxicos que não podem ser abandonados no meio
ambiente. Alguns países estão a limitar o uso destas baterias;
– Têm uma alta taxa de auto-descarga, pelo que as baterias necessitam de
ser carregadas periodicamente quando armazenadas.
Fig. 149
Bateria de níquel-cádmio.

Fonte: http://www.tecnibat.com/media/content/products/
baterias_nicd.png
108 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7.7.2. Bateria de níquel-hidretos metálicos (Ni-MH)


É composta por hidretos metálicos em vez de cádmio, uma vez que estes têm
um elevado rendimento, mas apresentam um preço mais elevado. É usada nos
veículos híbridos.

Vantagens:
– A bateria Ni-MH é duas vezes mais rentável que uma bateria de chumbo.
– A sua vida útil é superior a aproximadamente 1000 ciclos.
– Não possui o denominado efeito de memória (vício das baterias).
Inconvenientes:
– Custo bastante elevado.
– Sensibilidade a baixas temperaturas e acima de 40 °C.

Fig. 150
Bateria de níquel-hidretos metálicos.

Fonte: http://disciplinas.ist.utl.pt/qgeral/electrotecnica/
laurailharco/AULA_TEORICA_20.pdf

2.7.7.3. Baterias de iões de lítio


A bateria de ião de lítio requer uma baixa manutenção, sendo esta uma van-
tagem que a maioria das outras baterias não tem. Não existe o denominado
efeito de memória e nenhum ciclo programado é exigido para prolongar a vida
da bateria.

Características mais relevantes deste tipo de bateria:

– Densidade da energia elevada – potencial para capacidades ainda maiores;


– Auto-descarga relativamente baixa;
– Manutenção reduzida – nenhuma descarga periódica é necessária; sem
memória;
– Requer um circuito de protecção – o circuito da protecção limita o valor da
tensão e da corrente;
– Bateria sujeita ao envelhecimento, mesmo se não estiver em uso (colocar a
bateria num lugar fresco e a 40 % do seu estado de carga, reduz o efeito de
envelhecimento);
– Funcionam normalmente numa gama de temperaturas entre -40 e os +80 °C.
– A eficiência ainda não é muito boa, devido à dispersão de energia na forma
de calor.

Fig. 151
Bateria de ião de lítio.

Fonte: http://www.autosil.pt/public/upload/PRODUTOS/
LITIO/LITIO_FICHAS/moblife_24V20Ah.pdf
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 109

2.7.7.4. Baterias de iões de lítio com electrólito de polímero


A bateria de iões de lítio com polímero difere dos outros tipos de baterias
no modelo de electrólito usado. Este electrólito assemelha-se a um filme de
género plástico que não conduz electricidade, mas que permite uma troca de
iões (átomos electricamente carregados ou grupos de átomos). O electrólito
de polímero substitui o separador poroso tradicional, que é embebido com
electrólito.

A tensão de uma bateria de lítio-polímero varia entre os 2,7 V (descarregada) e


os 4,23 V (totalmente carregada), tendo estas baterias de ser protegidas da so-
brecarga através da limitação da sua tensão máxima a não mais de 4,235 V por
cada célula. A sobrecarga destas baterias pode fazer com que se incendeiem
ou expludam. A descarga tem de ser interrompida assim que a tensão caia
abaixo de aproximadamente 3,0 V por célula (em série), ou a bateria poderá não
voltar a conseguir ter a sua carga máxima e apresentar dificuldades em man-
ter a sua tensão durante a carga. Isto pode ser evitado, à semelhança do que
ocorre com outras variedades de baterias de ião-lítio afectadas pela subtensão
e sobretensão, através de circuitos de controlo.

Características mais relevantes deste tipo de bateria:

– Segurança melhorada - mais resistentes à sobrecarga; menos possibilidade


de vazamento de electrólito;
– É uma bateria cara - uma vez produzida em grande escala, o polímero de ião
de lítio tem o potencial para um custo mais baixo;
– Incluem um custo de fabrico potencialmente mais reduzido, uma maior ro-
bustez, e a adaptabilidade a diferentes formatos;
– Não suportam curto-circuitos. Sujeitas a um curto-circuito ficam irremedia-
velmente inutilizadas.

Fig. 152
Bateria de iões de lítio com
electrólito de polímero.

Fonte: http://www.clean-auto.com/IMG/jpg/
batterie_LMP_avestor.jpg

2.7.8. Características das baterias de acumuladores


Importante
2.7.8.1. Capacidade, Cn
A capacidade de uma bateria mede-se
– É a quantidade de electricidade do acumulador em Ampere-Hora (Ah), em em Ampere-hora (Ah) e tem a designação
condições de temperatura standard (CTS), 25 °C. O valor desta capacidade de Cn, em que o índice n indica a hora de
é o produto da corrente de descarga vezes o tempo de descarga (quando descarga.
medida experimentalmente), e depende da corrente utilizada, da tensão fi-
nal de descarga permitida e da temperatura a que foi realizado o teste.
110 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7.8.2. Tempo de descarga, tn

– C10 – Tempo de descarga de 10 horas (baterias estacionárias);


– C20 – Tempo de descarga de 20 horas (baterias de arranque);
– C100 – Tempo de descarga de 100 horas (baterias “solares”).

Temos uma relação directa entre a capacidade e o tempo de descarga da bate-


ria, que é expressa por:

De seguida, é dado um exemplo e interpretação:

Tabela 29 Capacidade em Ah
Capacidade versus tempo de descarga Bateria Descarga a 1,75 V/elemento a 25 °C
de uma bateria de acumuladores. qualquer
10 h 8h 5h 3h 1h
Fonte: Seminários Weidmüller
150 Ah 150 Ah 144 Ah 129 Ah 106 Ah 72 Ah
C10 15 A x 10 h 18 A x 8 h 25,8 A x 5 h 35,3 A x 3 h 72 A x 1 h

Analisando esta tabela, conclui-se o seguinte:

– Quanto maior for a corrente de descarga, menor é o valor da energia total


fornecida pelo acumulador;
– Quanto menor for o tempo de descarga, menor será a carga total fornecida
pela bateria e, consequentemente, mais reduzida será a sua eficiência;
– O tempo de vida útil é penalizado;
– Quanto mais lentas forem a carga e descarga, maior será a durabilidade da
bateria.

2.7.8.3. Densidade energética, em Wh


É o valor da energia que uma bateria pode fornecer por unidade de volume, para
uma taxa de descarga específica.

2.7.8.4. Ciclos de vida


É uma característica especificada pelo fabricante para determinadas condições
de utilização. Indica o número de vezes que podem ser feitas as operações de
carga e descarga da bateria. Quando uma bateria não consegue apresentar uma
carga superior a 80 % da carga nominal, poder-se-á considerar que o seu ciclo
de vida terminou.

2.7.8.5. Auto-descarga
Este efeito é causado pelo processo electroquímico interno e assemelha-se ao
efeito causado por uma pequena carga ligada à bateria.

As baterias de iões de lítio perdem, tipicamente, 8 % da sua capacidade no


primeiro mês e 2 % nos meses seguintes. Em muitos casos, o índice de des-
carga diminui após algum tempo devido, por exemplo, à deposição química nos
ânodos de lítio.

De forma a reduzir o efeito de auto-descarga, recomenda-se que as baterias que


não estejam a ser usadas sejam armazenadas a baixas temperaturas.

A bateria que possui menor taxa de auto-descarga é a do tipo chumbo-ácido.


Exibe uma auto-descarga inferior a 5 % ao mês (podendo chegar a 2 % para
sistemas bem dimensionados).
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 111

A altas temperaturas, a auto-descarga é elevada para todos os tipos de baterias.


Tipicamente, a taxa pode ser o dobro a cada 10 °C de aumento. A auto-descarga
é fortemente influenciada pela presença de substâncias contaminantes no elec-
trólito, como iões Fe, Mg, etc.

Por isso, a pureza dos materiais utilizados na produção das baterias é de vital
importância para diminuir a auto-descarga.

A auto-descarga de uma bateria não deve ser superior a 3 %/mês nos acumula-
dores solares.

2.7.8.6. Profundidade de descarga (DOD – Deep of Discharge)


Um parâmetro muito importante e que determina a vida útil de uma bateria
de chumbo-ácido é a profundidade de descarga. Na prática, uma bateria po-
deria ser descarregada até que a tensão entre o terminal positivo e negativo
atingisse 0 V. Nesse caso, teria sido retirada toda a energia armazenada na
mesma. Mas, nestas condições de descarga, a bateria rapidamente iria per-
der sua vida útil.
Importante

O problema das descargas “profundas” é a formação de estruturas irreversí-


veis de cristais de sulfato de chumbo. Assim, uma forma de proteger as ba- O fabricante de baterias deve fornecer
terias e garantir uma elevada vida útil (de várias centenas ou até milhares de dados sobre o número máximo de ciclos
ciclos), é estabelecer um valor-limite de descarga. Este limite evita que seja (carga e descarga da bateria) durante a
sua vida útil. Este valor está relacionado
retirada toda a carga presente nas placas. A profundidade de descarga é a com a profundidade máxima de descarga
percentagem de carga retirada da bateria numa determinada descarga, consi- da bateria.
derando que 0 % da profundidade de descarga se dá quando não se descar-
rega nada, ou seja, quando a bateria permanece 100 % carregada. 100 % de
profundidade de descarga dá-se quando retiramos toda a carga da bateria até
atingir o potencial final de descarga estabelecido, geralmente 1,75 V/elemento.
Esta função é realizada pelo regulador de carga que veremos em pormenor no
decorrer desta obra.

Na figura seguinte é apresentada uma curva com a profundidade de descarga


e o número de ciclos de carga.

Fig. 153
Profundidade de descarga
e o número de ciclos de carga.

Fonte: http://www.ilhavela.com.br/artigos/baterias.pdf

É ainda apresentada uma tabela que também nos dá uma indicação da profun-
didade de descarga, de acordo com o tipo de bateria utilizado.
112 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Tabela 30 Tipo de bateria Profundidade de descarga


Profundidade de descarga
por tipo de bateria
Estacionária Pb/ácido 0,6
Fonte: Seminários Weidmüller
De arranque Pb/ácido 0,4

Sem manutenção Pb/ácido 0,5

Alcalina Ni/Cd 1

2.7.8.7. Tensão
Nas baterias de chumbo-ácido são definidas quatro importantes tensões na
sua operação:

– Tensão nominal: O valor de tensão nominal para um elemento ou para a


Importante
bateria, é definido pelo sistema electroquímico utilizado vezes o número
de unidades elementares ligadas em série, sendo que geralmente está
impresso na carcaça da bateria. No caso de um elemento de bateria de
No dimensionamento de um sistema FV chumbo-ácido, este valor é de 2,0 V e, no caso de uma bateria de 6 ele-
autónomo, o número de dias de autono- mentos, é de 12,0 V.
mia de uma bateria deverá estar compre-
endido entre 3 e 8.
– Tensão de flutuação: É a tensão que é aplicada ao banco de baterias para
evitar a auto-descarga. Nas baterias submetidas à tensão de flutuação cor-
recta circula uma corrente chamada de corrente de flutuação, que compen-
sa as perdas devidas às reacções da auto-descarga. A maioria das baterias
de chumbo-ácido possui uma tensão de flutuação na ordem de 2,20 a 2,25
V/elemento a uma temperatura ambiente de 25 °C.
– Tensão de carga: A tensão de carga é a tensão que se aplica nos casos em
que há um conjunto de baterias interligadas em série/paralelo (banco de
baterias) com tensões individuais que diferem. A finalidade da carga é a de
nivelar individualmente as tensões de cada bateria e também o seu estado
de carga.
– Tensão final de descarga: É o menor valor de tensão que é permitido a um
elemento da bateria chumbo-ácido atingir durante uma descarga. Normal-
mente, o valor da tensão final de descarga é de 1,75 V/elemento. Se este
valor baixar, existe o risco de se danificar a bateria irreversivelmente, devido
à sulfatação das placas ou à inversão de polaridade das mesmas, podendo-
-se até inutilizá-la.

De seguida é apresentada uma bateria com as características mais relevantes


do fabricante.
Tabela 31
Bateria.
Modelo Características
Fonte: Movitrom Lda

- Bateria monobloco tubular chumbo-ácido;


- 12 Volt;
- 105 Ah (C 100) 95 Ah (C20) 75 Ah (C5);
- Ciclo de vida é 1200;
- Dimensão em mm: L308, I174, h220.

3 TG 12 NH

Apresentamos agora uma tabela com as tensões mais usuais em baterias de


chumbo-ácido.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 113

Baterias mais usuais Tabela 32


Tensões mais usuais em baterias
As baterias de chumbo/ácido de chumbo-ácido.

Tensões Fonte: KleanEnergie4life, Lda

2V 6V 12 V 24 V

2.7.9. Tabela de comparação entre os tipos de baterias


mais usuais em sistemas fotovoltaicos

SLI modificada de OPzV ciclo


Gel/AGM sem OPzS ciclo profundo Tabela 33
electrólito líquido profundo
manutenção Tabela de baterias.
(ou de arranque)
Nota: OPzV – Bateria de gel; OPzS – Bateria de electrólito
líquido
Tipo
* Quer dizer que quando a bateria faz 20% da sua descarga,
esta realiza 1000 ciclos.

Placas tubula-
Placas tubulares
Placas mais ro- Sem manutenção res com electrólito
Construção com electrólito
bustas que as SLI selada líquido em caixas
de gel
transparentes
Baixa manutenção, Sabia que
Baixa
construção robusta,
Baixas perdas de manutenção,
carrega bem a
Propriedades água, baixa taxa Sem manutenção aguenta
correntes baixas,
de auto-descarga descargas Uma bateria de chumbo-ácido é a que
aguenta descargas
profundas apresenta um número de ciclos de vida
profundas
mais limitado que poderá variar entre os
Tensão unitária 12 V 12 V 2V–6V 2V–6V 100 e os 800 ciclos, equivalente a 3 e 8
anos de vida.
Capacidade (Ah) 6 – 260 Ah 10 – 130 Ah 200 – 12.000 Ah 20 – 2.000 Ah
Taxa de auto-
2–4% 3–4% <3% 2–4% 
descarga mensal
30 % - 800 30 % - 3000 30 % - 4500
% DOD - Ciclos 20 % - 1000 *
50 % - 300 80 % > 1000 80 % > 1200
(aproximado) 40 % - 500
(pode ser menor)

Períodos 3 meses Monitorização 3 meses


Sem manutenção
de manutenção aproximadamente e limpeza anual aproximadamente

Exercício Resolvido

Analise o seguinte gráfico para determinar em quantos ciclos a capaci-


dade da bateria irá diminuir quando reduzida a 80 % da sua capacida-
de nominal, se a bateria utilizada tiver uma profundidade de descarga
de 50 %.

Resolução:

Utilizando a curva correspondente com uma profundidade de descar-


ga de 50 %, verifica-se que quando a bateria atinge os 610 ciclos de
carga e descarga, a sua capacidade diminuirá em cerca de 80 % a
capacidade nominal da mesma.
Fig. 154
Relação entre a temperatura de trabalho da bateria e a capacidade
da mesma para vários valores de corrente fornecidos.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”, Miguel Moro Vallina, Paraninfo


114 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.7.10. Carga de uma bateria


As baterias ácidas são constituídas por células, sendo que cada célula tem uma
tensão de aproximadamente 2 V (uma bateria de 12 V é constituída por 6 célu-
las individuais). Quando a célula está completamente carregada, a sua tensão
é sensivelmente de 2,12 V e, quando completamente descarregada, a tensão
ronda aproximadamente os 1,8 V.

Uma bateria de 12 V vai ter uma tensão na ordem dos 12,7 V quando completa-
mente carregada e uma tensão de 10,8 V quando descarregada, o que dá uma
variação total de tensão de 1,9 V.

Durante a carga das baterias, de forma a optimizar a sua durabilidade, estas


deverão carregar no máximo 10-20 % da sua capacidade nominal por hora (por
exemplo, uma bateria de 100 Ah deverá carregar um máximo de 20 Ah).

O processo de carga das baterias não é todo igual, isto é, nas primeiras 4 horas
a bateria carrega cerca de 80 % da sua capacidade e nas 3 horas subsequentes
carrega os restantes 20 %. Durante o ciclo de carga a tensão individual de cada
célula não é igual, tendo valores ligeiramente diferentes. Estes valores podem
ser corrigidos efectuando a equalização da bateria, que deverá ser executada
periodicamente com uma duração entre 2 e 16 horas.

Na seguinte tabela é apresentada a relação existente entre a tensão aos ter-


minais da bateria e o seu nível de carga. As cores explicam o que foi referido
relativamente à profundidade máxima de descarga das baterias não ultrapassar
os 80 %.

Tabela 34 Nível de carga Tensão numa bateria de 12 V Valor da tensão por célula
Relação entre a capacidade
e a tensão das baterias
100 % 12.7 2.12
Fonte: http://www.windsun.com/Batteries/Battery_FAQ.htm
90 % 12.5 2.08

80 % 12.42 2.07

70 % 12.32 2.05

60 % 12.20 2.03

50 % 12.06 2.01

40 % 11.9 1.98

30 % 11.75 1.96

20 % 11.58 1.93

10 % 11.31 1.89

0% 10.5 1.75

2.7.11. Descarga de uma bateria


Se se verificar uma descarga muito rápida numa bateria ocorrerá a denominada
sulfatação, isto é, a formação de sulfato de chumbo sobre as placas devido a
uma descarga excessiva da bateria.

Quando uma bateria descarrega, os iões de sulfato do ácido “coligam-se” com


o chumbo e o dióxido de chumbo das placas e a densidade do ácido (electrólito)
diminui.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 115

Quando a bateria está a descarregar, o enxofre que se encontra no ácido sul-


fúrico (que constitui o electrólito), desmembra-se e desloca-se até às placas.
Quando inicia a descarga, a tensão da bateria decresce momentaneamente
para um valor que deriva da resistência interna da bateria.

Devido ao fenómeno de cristalização originado pelas reacções químicas que


ocorrem internamente nas baterias, a tensão desce até ao ponto conhecido
por “coup de fouet”, nos primeiros 3 a 10 % da descarga.

De seguida é apresentada uma figura com curvas de carga e descarga numa


bateria.

Fig. 155
Curvas de carga e descarga numa bateria.

Fonte: http://wiki.xtronics.com/images/c/cc/Bat_volt.gif

2.7.12. Associação de baterias de acumuladores


A associação de baterias de acumuladores é realizada quando se pretende:

– Maior capacidade global de armazenamento;


– Tensões mais elevadas, no caso da ligação em série.

Na ligação das baterias em série deve-se ter em conta que estas devem ser
todas iguais (com as mesmas características).

Fig. 156
Bateria de acumuladores ligados em série e paralelo.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda


116 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Na associação em série verifica-se:

Na ligação em paralelo verifica-se:

Um aspecto a ter em conta aquando da associação de baterias, tanto em


série como em paralelo, é que todas as baterias tenham as mesmas carac-
terísticas e que preferencialmente sejam do mesmo fabricante. Isto porque,
ao estarem conectadas, se existir uma bateria que forneça menos corrente,
esta influenciará o outro grupo de baterias, que terá uma vida útil muito baixa.

Deve ser referido que, no caso de serem aplicadas baterias do tipo VRLA
num sistema, será necessário um correcto dimensionamento, devido ao are-
jamento e ventilação no local de instalação. Para isso devem ser respeitadas
as Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão (RTIEBT), sec-
ção 551.8.

A regulação de carga para baterias torna-se importantíssima, visto que é


necessário um controlo da carga e descarga das mesmas. A durabilidade
das baterias dependerá das descargas profundas, sendo essencial que estas
nunca descarreguem mais de 60 % da sua carga total. Para manter a bateria
acima de um nível mínimo de carga (evitando a descarga máxima), usam-se
reguladores de carga, construídos propositadamente para efectuarem essa
tarefa (figura 157).

Fig. 157
Gráfico do controlo de carga/descarga
de uma bateria.

Fonte: “Sistemas Fotovoltaicos,


da Teoria à Prática”, Josué Morais

Mesmo com a bateria carregada, se se sucederem vários dias nublados,


poderá ser atingida a descarga máxima da bateria. Em sistemas fotovol-
taicos autónomos, o ciclo de cargas e descargas das baterias não é linear,
tal como o tempo que faz, aliás. De seguida é apresentada a figura 158
que nos indica os ciclos de carga e descarga num sistema fotovoltaico
autónomo.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 117

Fig. 158
Ciclos de carga e descarga num sistema
fotovoltaico autónomo.

Fonte: “Sistemas Fotovoltaicos, da Teoria à Prática”,


Josué Morais

2.7.13. Problemas da ligação de baterias em paralelo


Em sistemas fotovoltaicos, o principal problema de ligar as baterias em para-
lelo é que as baterias em bom estado podem ser descarregadas através das
que estão em mau funcionamento. Mesmo que todas as baterias sejam do
mesmo tipo, pode haver diferenças de valor das correntes e originar correntes
parasitas.

De seguida, deixamos duas dicas na ligação de baterias:

– Deverão evitar sempre os paralelos de 12 V. Neste caso não deverão efectu-


ar mais do que dois paralelos.
– Utilizar sempre as baterias de 2 V de grande capacidade, evitando assim
os paralelos. Só será necessário interligá-las em série para obter o valor da
tensão da instalação do lado DC.

Exercício Resolvido

Numa instalação FV calculou-se que o banco de baterias deveria ter das baterias. Logicamente, o valor obtido pelo quociente deverá ser
uma tensão de 24 V e uma capacidade de 740 Ah. Quantas e que arredondado às unidades.
tipo de baterias escolheria se apenas tivesse disponíveis as baterias
monobloco mencionadas na tabela? Desenhe o esquema de ligação Para a bateria 6RO120, vem:
do banco de baterias de acordo com o pedido no enunciado. 740/169 = 4,38 | 5

Para a bateria 6RO140, vem:


Tipo Capacidade Ah C100 740/187 = 3,96 | 4
6 RO 120 169
Para a bateria 6RO150, vem:
6 RO 140 187 740/200 = 3,70 | 4

6 RO 150 200 A primeira opção seria descartada pois é necessária mais uma bate-
ria. Em relação à segunda e terceira opções, são ambas válidas, mas
Tabela 35
é aconselhável escolher a bateria 6RO140, pelo facto de ser mais
barata e também pelo valor da capacidade final, que no terceiro caso
seria de 800 Ah.
Resolução:
Em conclusão, são necessárias 4 baterias em paralelo do tipo
Para calcular o número de baterias necessárias em paralelo de forma 6RO140 para obter uma capacidade de 748 Ah, conforme indica a
a obter a capacidade do banco de baterias, realiza-se o quociente seguinte figura:
entre a capacidade do banco e a capacidade nominal de cada uma
(Continua)
118 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Exercício Resolvido (Continuação)

Como consequência, se necessitarmos de associar 2 blocos em série


de 4 baterias do tipo 6RO140 em paralelo, serão necessárias 8 bate-
rias do tipo 6RO140.

Na figura que se segue é apresentado o esquema de instalação do


banco de baterias para se obter uma capacidade de 748 Ah e uma ten-
são de 24 V. Como outra possibilidade, poder-se-á utilizar o esquema
da figura 156.
x

Fig. 159
Bloco de 4 baterias em paralelo para se obterem 748 Ah.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Agora, para obter a tensão de 24 V, é necessário realizar o quociente


entre a tensão do banco de baterias e a tensão nominal de cada uma.
Como se trata de baterias monobloco, a tensão da bateria será de 12 V.

24/12 = 2

Fig. 161
Instalação do banco de baterias.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Fig. 160
Instalação do banco de baterias.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

2.7.14. Precauções na instalação de baterias


Ao efectuar a instalação de baterias dever-se-ão ter em conta as seguintes
precauções:

– Instalá-las em locais ventilados;


– Protegê-las das intempéries;
– Revestir os bornes com vaselina para evitar a oxidação;
– Evitar que as baterias estejam expostas ao calor excessivo e que fiquem em
locais onde se produzam faíscas ou chamas, isto porque poderiam originar
explosões devido ao hidrogénio que libertam.

2.7.15. Manutenção das baterias


– Manter limpos os topos das baterias para evitar possíveis curto-circuitos
resultantes da acumulação de pó húmido e de sujidade;
– Conferir se os terminais dos cabos estão bem apertados;
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 119

– Conferir o nível do electrólito. Se necessário, abrir as cápsulas de ventilação


e repor o nível máximo de electrólito com água destilada;
– Medir as tensões do bloco e de cada célula, assim como a densidade do
ácido das células (para a carga máxima, com uma corrente de descarga nula
ou aproximadamente nula);
– Promover uma carga total e intensiva a 2,4 V por célula, mantendo a gasei-
ficação do electrólito por várias horas (carga de equalização), de forma a
misturar a solução electrolítica (com excepção das baterias de gel).

2.7.16. Escolha das baterias em função do tipo de instalação


As baterias tubulares estacionárias são mais utilizadas nas instalações com
descargas profundas e nas instalações em que se necessite de uma capa-
cidade elevada. Um exemplo típico de aplicação é a instalação em sistemas
autónomos para vivendas.

Caso a instalação seja de pequena dimensão e de difícil acesso – o que implica


uma difícil manutenção – aconselha-se a instalação de baterias de gel, verifi-
cando que estas não irão produzir ciclos de descarga profundos. Um exemplo
típico de aplicação pode ser uma instalação solar fotovoltaica autónoma para
uma pequena torre de telecomunicações localizada numa serra.

Aquando da escolha das baterias, é importante ter em conta o efeito da tem-


peratura sobre as mesmas. A capacidade aumenta à medida que a temperatu-
Sabia que
ra sobe e diminui à medida que esta baixa. Se o local da instalação for propício
a temperaturas na ordem dos 0 °C, devemos escolher uma bateria com uma
capacidade mais elevada do que a calculada, para que não ocorram problemas Num sistema fotovoltaico isolado, duran-
no seu funcionamento. te o dia, a energia eléctrica que é produ-
zida pelos módulos alimenta o consumo
e o excesso de energia carrega a bateria.
2.8. Regulador de carga Durante a noite, ou em dias nublados
Nas instalações fotovoltaicas e também nas eólicas autónomas, a função do (em que os módulos não geram energia
regulador é a de proteger os acumuladores contra as sobrecargas. ou que a energia gerada não é suficien-
te para alimentar o consumo), a bateria
O regulador também impede que a bateria continue a receber carga do painel descarrega-se.
solar uma vez que este tenha alcançado a sua carga máxima, o que previne
que a bateria se venha a deteriorar por meio de gaseificação ou aquecimento,
o que encurtaria muitíssimo a sua vida útil.

Outra função do regulador é prevenir a bateria contra descargas profundas, com


o objectivo de evitar que se esgote o seu excesso de carga, provocando uma
diminuição da sua capacidade. Para além desta função, um regulador de carga
assegura o funcionamento de um sistema no ponto de máxima eficiência.

Neste tipo de equipamentos, podem ser visualizados os seguintes parâ-


metros:

– Estado e funcionamento do regulador;


– Valores instantâneos do voltímetro e amperímetro.
– etc.

A maioria dos reguladores permite inicialmente que toda a corrente produzida


pelo campo gerador fotovoltaico passe para a bateria. Assim, quando esta se
aproxima do seu estado final de carga, fornecem-se correntes intermitentes
destinadas a mantê-la num estado de “flutuação”. Além disso, alguns regula-
dores sobrecarregam a bateria periodicamente (cargas de compensação) para
homogeneizar todas as células e diminuir a estratificação do electrólito.
120 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Para além de vigiar e controlar o estado da carga da bateria para maximizar o


seu tempo de vida útil, a maioria dos reguladores de carga dispõe de funções
adicionais como alarmes, compensação por temperatura de bateria, monitori-
zação e indicadores.

Dado que os módulos têm uma tensão nominal maior que a bateria, se não
existisse regulador, esta poderia produzir sobrecargas.

O motivo para que esta tensão nominal dos módulos seja assim deve-se fun-
damentalmente a duas razões:

– Atenuar possíveis diminuições da tensão devido ao aumento da temperatura.


– Assegurar a carga correcta da bateria. Para isso a tensão VOC do módulo de-
verá ser maior que a tensão nominal da bateria.

Fig. 162
Regulador de carga da Steca.

Fonte: Steca

Os reguladores funcionam habitualmente por controlo da tensão medida nos


terminais da bateria, directamente relacionada com o estado de carga da mes-
Recorde
ma e devem ser configurados especificamente em função do tipo de bateria,
aplicação e condições climatéricas.
Sempre que se deparar com um termo
ou com uma designação desconhecida, Numa instalação fotovoltaica, um regulador é seleccionado em função da ten-
investigue, procurando na internet ou con- são do sistema e da corrente de curto-circuito do campo gerador fotovoltaico
sultando o seu professor/formador.
em condições normais de medida, aplicando-se um factor de segurança de
normalidade de 1,25, já que em algumas circunstâncias a intensidade radiante
poderá ultrapassar os 1000 W/m2.

Os interruptores dos reguladores actuais são na maioria dos casos dispositivos


sólidos (mosfet ou transístores de potência) que se caracterizam por precisa-
rem de menor potência de activação, serem mais pequenos e poderem operar
num maior número de ciclos face aos reguladores mais simples baseados em
relés electromecânicos, menos utilizados hoje em dia.

Exercícios

Complete o próximo texto com as seguintes palavras: profunda, consumo, tensão, desce, interrupção, regulador.

Para evitar a descarga _____________, o regulador desliga o _____________ quando a ____________ da bateria___________ abaixo de um
determinado nível. Antecipadamente à______________ de consumo, o ___________ avisa o utilizador, emitindo sinais luminosos e acústicos.

Solução: disponível em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip


Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 121

2.8.1. Análise da folha de características de um regulador


(fabricante: Steca Solar)

Tabela 36
Folha de características
de um regulador de carga da Steca.

Fonte: Steca

Atenção

Tensão de regulação Os valores de corte recomendados para


A nível de tensão, existem 4 parâmetros necessários para o regulador, baterias de chumbo-antimónio de 12 V de
que são: tensão nominal situam-se entre os 14,22
e os 14,82 V.

1. Tensão de corte de sobrecarga, VSC, é a tensão máxima que o regulador


permite que a bateria atinja. Quando o regulador detecta que a tensão nos
bornes da bateria alcança este valor, interrompe a ligação entre o gerador
fotovoltaico e a bateria ou interrompe gradualmente a corrente média que o
gerador fotovoltaico entrega à bateria.

A tensão final de carga deve assegurar a carga correcta da bateria. Permitir-


se-ão sobrecargas controladas da bateria para evitar que o electrólito se
estratifique ou ainda para realizar cargas de compensação.
Importante

2. Tensão de recarregamento de carga, Vrc, é o valor de tensão ao qual o


regulador volta a ligar o gerador fotovoltaico à bateria. Para baterias de chumbo-ácido com 12 V de
tensão nominal, os valores típicos de utiliza-
3. Tensão de corte de descarga profunda, Vsd, é o valor de tensão da bateria dos para Vsd situam-se entre os 11,0 e 11,5
V. Usualmente, selecciona-se um Vsd para
abaixo do qual se interrompe o abastecimento de electricidade às cargas de que a descarga da bateria não seja superior
consumo. a 75-80 % de profundidade de descarga.

A tensão de desconexão da carga de consumo do regulador deverá ser


definida para que a interrupção de fornecimento de electricidade às cargas
se produza quando o acumulador tiver alcançado a profundidade máxima
de descarga permitida.

4. Tensão de recarregamento da descarga, Vrd, é o valor de tensão ao


qual se estabelece de novo o consumo à bateria.
122 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 163
Tensões de regulação de um regulador.

Fonte: Adaptado de “Sistemas Fotovoltaicos,


da Teoria à Prática”, Josué Morais

A maior parte dos reguladores permite o ajustamento das tensões de regulação


para adequar os níveis de corte ao tipo de bateria utilizado na instalação fotovoltai-
Exercício
ca. Estes ajustes devem ser realizados por pessoal qualificado e não deverão ser
acessíveis ao utilizador.

Faça a correspondência entre as seguin- Os reguladores de carga deverão estar protegidos contra curto-circuito na linha
tes afirmações: de consumo e contra a possibilidade de desconexão acidental da bateria com o
gerador fotovoltaico.
1 - Tensão de A - Tensão mínima da
corte de bateria à qual se
sobrecarga desconecta o consumo
As perdas de energia por dia originadas pelo auto-consumo do regulador em con-
dições normais de operação devem ser inferiores a 3 % do consumo diário.
B - Tensão à qual o
2 - Tensão de
gerador fotovoltaico
corte de O regulador de carga deve ter obrigatoriamente assinaladas as seguintes
volta a carregar a
sobrecarga
bateria informações:
C - Tensão à qual
3 - Tensão de
recarregamento
o regulador volta a – Tensão nominal (V);
fornecer consumo – Corrente máxima (A);
de carga
à bateria
– Fabricante e número de série;
4 - Tensão de D - Tensão máxima que – Polaridade dos terminais e ligações.
recarregamento o regulador permite que
de descarga a bateria alcance
Os reguladores comerciais mais frequentes no mercado oscilam entre os 5 e os
Tabela 37 50 A para tensões de 12 e 24 V.

Solução: disponível em: Compensação com a temperatura


www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip Alguns reguladores corrigem as tensões de sobrecarga da bateria com a tempera-
tura para ter em conta a dependência da tensão final de carga com a temperatura.

Esta tensão final de carga para baterias de chumbo-ácido corrige-se entre 5 mV/°C
para -5 mV/°C por célula.
Caso prático
Normalmente, e salvo se se opere a temperaturas abaixo de zero, nunca se cor-
Qual é a tensão final de carga de uma rige a temperatura da tensão de corte por descarga profunda, sendo conveniente
bateria de chumbo-ácido a 20 e a 40 °C? ajustar a densidade do electrólito segundo as condições locais de temperatu-
ra ambiente (aumentando-a para ambiente frios ou diminuindo-a em ambientes
Nota: O fabricante indica-nos que a ten- quentes).
são final da carga a 25 °C é de 14,5 V.

Solução: disponível em: 2.8.2. Tipos de reguladores


www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip Os reguladores podem ser de tipo série, paralelo ou shunt e ainda MPPT. A dife-
rença reside na forma como interrompem a circulação da corrente.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 123

No regulador série, este corta a corrente deixando os módulos FV em circuito


aberto, enquanto o regulador paralelo dissipa a corrente excedente por meio de
uma resistência de dissipação. A utilização deste regulador deve ser feita para
valores de potência na ordem dos 40 a 50 W.

Nota: Os reguladores de carga utilizados para os módulos fotovoltaicos são dife-


rentes dos utilizados para aerogeradores. Para estes existem reguladores eólicos
específicos. Nunca se deve ligar um aerogerador ao regulador de carga solar!

Todos os reguladores modernos dispõem de um amperímetro, de um voltímetro


e de um sensor de temperatura que regula automaticamente o valor máximo da
tensão de carga, possuindo ainda um díodo de bloqueio que impede (por exem-
plo de noite), que a corrente saia da bateria no sentido dos módulos FV. Como
de noite, a tensão na bateria pode ser superior à dos painéis, o díodo evita assim
essa circulação da corrente inversa.

Este mesmo díodo consegue suportar uma queda de tensão do painel de 0,5
a 1 V, pelo que é conveniente colocar módulos FV de forma a produzir-se mais
tensão. É aconselhável a instalação destes equipamentos em locais bem are-
jados, devido à dissipação de potência e às temperaturas que poderão ser
atingidas.

A escolha da tecnologia do regulador – shunt ou paralelo, série ou MPPT –, é fei-


ta em função da potência do sistema e do tipo de bateria a carregar. O regulador
shunt que dissipa a energia dos painéis em caso de sobrecarga da bateria está
melhor adaptado aos sistemas de menor potência, enquanto que o regulador
série se aplica mais a sistemas de maior potência.

2.8.3. Regulador série


Este regulador tem esta designação pelo facto de o interruptor de controlo elec-
trónico S1 ficar em série com o gerador fotovoltaico. Quando é atingida a tensão
do limite de carga máxima, o controlador interrompe a entrega de potência por
parte dos módulos FV através do controlo S1 que pode ser um relé ou um se-
micondutor, evitando desta forma a sobrecarga e voltando-se a ligar quando a
tensão da bateria diminui.

Este tipo de regulador inclui também outro interruptor entre a bateria e o consu-
mo, S2, que evita a descarga da mesma, cortando o abastecimento de energia
quando se alcança a tensão de corte por descarga profunda. Este é utilizado em
instalações onde se aplicam intensidades mais elevadas.

A seguir está representado o esquema interno de um regulador série.

Fig. 164
Regulador série.

Fonte: "Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,


Projecto e Instalação”, Projecto GreenPro
124 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 165
Regulador série.

Fonte: http://www.phocos.com/ppi/acrobat/
Datasheet_CML_V2_ENG.pdf

Fig. 166
Gráfico de funcionamento de
um regulador série.

Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

Este tipo de regulador interrompe a entrega de energia à carga quando a ba-


teria atingir o limiar de profundidade de descarga máxima. Possui um díodo
Atenção
colocado em série com o gerador FV, que tem como objectivo evitar descargas
da bateria para o painel.
Nesta técnica de controlo, a carga e re-
carga da bateria dependem de uma se- Trabalha normalmente com tensões na ordem dos 12, 24 e 48 V. A sua princi-
lecção correcta dos valores de tensão de pal vantagem reside no facto de ser muito utilizado em sistemas de grandes
corte. Se a tensão de corte de sobrecarga
potências, sendo que o regulador paralelo iria ter de utilizar dissipadores enor-
for demasiado elevada, produzir-se-ão fe-
nómenos de gasificação excessiva, per- mes, o que obrigaria a instalar sistemas de refrigeração.
das de electrólito e sobreaquecimento.
Se, caso contrário, a bateria nunca che- Tem como desvantagem o facto de, quando a bateria está carregada, a energia
gar à carga máxima (tensão de corte de eléctrica que o gerador FV produz se perde.
sobrecarga baixo), podem ser originados
fenómenos de sulfatação e estratificação
do electrólito. Nos reguladores série disponíveis comercialmente podemos encontrar várias
técnicas de controlo:

– Controlo série simples (on/off), o regulador de carga corta o consumo se


a tensão na bateria alcançar o valor da tensão de corte de descarga profunda
e põe em circuito aberto o campo fotovoltaico se a tensão da bateria superar
o valor da tensão de sobrecarga.
– Controlo série dos estados, semelhante ao caso anterior, com a única di-
ferença que a regulação da tensão final da carga ocorre a duas voltagens,
primeiro uma tensão elevada de compensação, e posteriormente uma ten-
são de flutuação. O mesmo acontece com a corrente de carga: inicialmente
carrega-se a corrente máxima e logo depois reduz-se.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 125

– Controlo série linear, aplica-se uma tensão constante à medida que a


bateria se aproxima de VSC. Uma resistência variável dissipa o excedente
energético que produz os painéis e que não se utiliza para carregar a ba-
teria.
– Controlo por modulação de largura de impulsos PWM (Pulse With
Modulation), um pouco antes de se alcançar o valor da tensão de corte
de sobrecarga, aplicam-se pulsos de corrente com uma frequência variá-
vel para que a bateria receba uma tensão de carga constante do gerador.

2.8.4. Regulador paralelo ou shunt


O regulador paralelo funciona por dissipação do excesso de energia através
de um transístor ou Mosfet, colocado paralelo ao gerador e ao sistema de
baterias. Normalmente, este tipo de reguladores traz um bom dissipador tér-
mico, possuindo um díodo de bloqueio para evitar as correntes inversas.

Este regulador é utilizado em sistemas autónomos de pequenas potências,


pois na presença de valores elevados de potência ter-se-iam de requerer
grandes dissipadores térmicos.

Analisando a figura abaixo, verifica-se que este regulador fica com o inter-
ruptor de controlo S1 em paralelo com o gerador FV, e daí a designação de
paralelo. Este, ao controlar a carga da bateria, vai momentaneamente curto-
-circuitar os módulos fotovoltaicos.

Quando a tensão aos bornes da bateria atinge o valor da tensão de sobrecar-


ga VSC, o regulador deriva parte da corrente que chega à bateria ao invés de a
interromper, deixando passar apenas uma quantidade de corrente que evita a
auto-descarga. A tensão da bateria mantém-se num valor equivalente à carga
de flutuação, permitindo uma carga mais completa das baterias e um melhor
aproveitamento da energia que o campo fotovoltaico produz.

Neste regulador e no anterior, o interruptor S2 vai preservar a bateria, isto é,


vai controlar a corrente que se dirige para a carga.

Quando anoitece, o regulador shunt permite que os módulos FV fiquem em


curto-circuito, evitando correntes inversas vindas do mesmo. Alcançada a
tensão de corte por sobrecarga, o gerador fotovoltaico entra em curto-circuito
através do dispositivo de dissipação e o resto da corrente consome-se como
corrente de curto-circuito no campo gerador fotovoltaico, transformando-se
em calor.

Fig. 167
Regulador paralelo ou shunt.

Fonte: "Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,


Projecto e Instalação”, Projecto GreenPro
126 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 168
Regulador paralelo ou shunt.

Fonte: http://www.phocos.com/ppi/acrobat/
Datasheet_CM_ENG.pdf

Fig. 169
Gráfico de funcionamento de
um regulador paralelo ou shunt.

Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

Tal como no caso dos reguladores série, nos reguladores paralelo também
existem distintas técnicas de controlo:

– Controlo paralelo (on/off), o campo fotovoltaico desliga-se quando se al-


cança VSC. Este tipo de controlo não costuma ser utilizado em reguladores
com correntes superiores a 20 A por problemas de dissipadores de calor.
– Controlo paralelo linear (díodo zener), paralelo à bateria instala-se um
díodo zener, cuja tensão de polarização inversa coincide com VSC, para que
quando a bateria alcance este valor de tensão, o díodo conduz, desviando a
quantidade de corrente que for necessária para manter a bateria em carga
flutuante.
– Controlo PWM paralelo, conduz a corrente de carga até à bateria, utilizan-
do dispositivos de alta frequência, mantendo-se a VSC.

2.8.5. Estratégias para o controlo da carga


Controlo da carga “on/off” e controlo com tensão constante (VC)/PWM
O controlador “on/off” pode ser comparado a um interruptor que liga e des-
liga, ou seja, o carregamento da bateria através deste método consiste em
permitir a entrega à bateria de toda a corrente gerada pelo módulo FV até um
determinado valor (set-point) denominado de tensão de regulação (VR). Ao ser
atingido o valor VR, interrompe-se a corrente na carga levando a um decréscimo
da diferença de potencial entre os pólos da bateria. O gerador FV permanecerá
desligado até que a tensão de regulação de histerese (VRH) seja alcançada, po-
dendo mesmo assim fornecer energia novamente ao acumulador. A figura 170
ilustra o funcionamento destes pontos de ajuste.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 127

Fig. 170
Intervenção do regulador nos pontos
de ajuste da carga.

Fonte: “Estratégias de Controle de Carga em Pequenos


Sistemas Fotovoltaicos”, Luis Guilherme Monteiro e
Roberto Zilles

Na carga da bateria com o controlo a uma tensão constante, a corrente gerada


é regulada pelo controlador de modo que a tensão aos terminais da bateria seja
garantidamente constante, a partir do ponto VC. Esta estratégia permite evitar
que o controlador forneça mais energia para o acumulador do que aquela que
este seja capaz de receber. As figuras 171 e 172 ilustram melhor a filosofia de
operação de um controlador de carga “on/off” e PWM para um ciclo diário de
carga e descarga de uma bateria.

Fig. 171
Controlo “on/off”.

Fonte: “Estratégias de Controle de Carga em Pequenos


Sistemas Fotovoltaicos”, Luis Guilherme Monteiro e
Roberto Zilles

Controlo “on/off”

Fig. 172
Controlo PWM.

Fonte: “Estratégias de Controle de Carga em Pequenos


Sistemas Fotovoltaicos”, Luis Guilherme Monteiro e
Roberto Zilles
128 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Controlo de descarga “on/off”


Os métodos mencionados atrás protegem as baterias contra os efeitos da so-
brecarga. Porém, descargas profundas podem danificar e encurtar o tempo de
vida das mesmas. Por este motivo, o controlador de carga deve também prote-
ger a bateria contra os efeitos da descarga profunda através de pontos de ajuste
da tensão. Ou seja, quando uma bateria atinge a descarga profunda, o regulador
de carga regula de forma a atingir um valor limite chamado de desconexão por
baixa tensão (LVD - Low Voltage Disconnect), que é a tensão à qual a carga é
desligada da bateria para prevenir a descarga máxima). As cargas (lâmpadas,
rádio, televisão) devem ser desligadas automaticamente. Porém, quando a ba-
teria voltar a carregar suficientemente, a carga deve ser ligada de novo a partir
do ponto de ajuste denominado de LVDH (Low Voltage Disconnect Hysteresis),
que é a diferença entre o ajuste LVD e a tensão à qual permite que a carga seja
novamente ligada pelo utilizador, conforme indica a figura 173.

Fig. 173
Intervenção do regulador de carga nos
pontos de ajuste de descarga.

Fonte: “Estratégias de Controle de Carga em Pequenos


Sistemas Fotovoltaicos”, Luis Guilherme Monteiro
e Roberto Zilles

2.8.6. Regulador MPPT


Quando a radiação solar diminui nos módulos FV, a tensão nos módulos tam-
bém baixa. Os reguladores estudados até agora não permitiam aproveitar a
energia produzida pelos módulos FV (embora em pouca quantidade) e, sendo
assim, o ponto MPPT (visto atrás), não seria alcançado.

Este regulador permite aproveitar a energia produzida do gerador PV, situando


o ponto MPP na máxima potência, mantendo um valor de tensão superior ao
da bateria que, desta forma, irá carregar. Trata-se de um regulador que não
desperdiça energia.

Por outro lado, e de modo a efectuar esta operação, o regulador necessita tam-
bém de um conversor DC/DC que ajuste o valor da tensão e pesquise o ponto
MPPT. Na figura seguinte pode-se verificar isto mesmo.

Fig. 174
Regulador MPPT.

Fonte: "Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,


Projecto e Instalação”, Projecto GreenPro
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 129

Esta regulação é efectuada pelo regulador MPPT no conversor que, a cada


cinco minutos, percorre a curva característica I-U do gerador fotovoltaico e
determina qual o ponto de máxima potência MPPT.

O conversor DC/DC é então regulado de modo a tomar a máxima potência


disponível do gerador fotovoltaico, ajustando por outro lado o sinal de saída
em função da tensão de carga da bateria. Este tipo de conversores já vem de
fábrica com o conversor no interior do próprio regulador. Este regulador só é
utilizado para potências superiores a 200 W, não sendo justificada a sua empre-
gabilidade em potências mais baixas.

Os conversores DC/DC mais utilizados são os do tipo Buck e Cuk. Nas seguin-
tes figuras pode-se analisar este tipo de conversor.

Fig. 175
Regulador MPPT.

Fonte: www.altestore.com/store/descfiles/outback/
flexware/flexmax_60.jpg

Fig. 176
Conversores Buck de subida e de descida, respectiva-
mente.

Fonte: http://www.alltek.com/tw/c_application/6power_01.htm

Fig. 177
Conversores Cuk sem transformador e conversor
buck-boost de subida e de descida, respectivamente.

Fonte: http://www.alltek.com/tw/c_application/6power_01.htm

Fig. 178
Conversores Cuk com transformador.

Fonte: http://www.alltek.com/tw/c_application/6power_01.htm
130 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

O conversor da figura 178 é utilizado para converter uma tensão DC (corren-


te contínua) noutra tensão DC, de polaridade oposta e de igual valor.

Um bom regulador de tensão para baterias que tenha como fonte energé-
tica um painel fotovoltaico ou um aerogerador do tipo PMG faz uso obriga-
tório desta tecnologia.

De outro modo, haveria perdas desnecessárias que se manifestam sempre


sobre a forma de calor.

Este sistema MPPT faz uso da técnica usada nas fontes comutadas. Basi-
camente, numa fonte de alimentação comutada, a tensão de entrada (se
for AC), é rectificada e filtrada por um condensador. Depois é enviada para
um circuito transistorizado onde é comutada a uma frequência elevada e
aplicada num transformador, normalmente em ferrite.

No secundário deste obtém-se uma tensão dependente do número de es-


piras do enrolamento e da largura do impulso. Pode-se projectar estas uni-
dades para diversas tensões de entrada e igualmente para qualquer tensão
de saída.

Outra vantagem é que a tensão de saída é regulada electronicamente atra-


vés de uma malha ou por acoplamento magnético, fotoeléctrico, etc. No
caso de um carregador MPPT, a tensão de entrada é DC, sendo então dis-
pensadas a rectificação e a filtragem.

A tensão do painel (ou aerogerador de magnetos permanentes), envia para


o regulador uma tensão que é variável, dentro de certos limites.

Por exemplo, um módulo fotovoltaico de 120 W debita uma corrente de


7,1 A com uma tensão de 16,9 V. Se aplicarmos à saída do módulo direc-
tamente para carregar uma bateria de 12 V, vamos deparar-nos com vários
problemas.

A bateria, se estiver muito descarregada, só terá algo como 10,5 V. Nesta


condição, o painel fornece a corrente máxima de 7,1 A; no entanto, a potên-
cia entregue à bateria é só de aproximadamente 10,5 x 7,1 = 75 W, sendo
que os restantes 45 W se transformam em calor nas próprias pastilhas de
silício.

Mesmo quando a bateria está quase carregada com uma tensão de cerca
de 13,8 V (baterias de chumbo), existem algumas perdas. Assim, é possível
utilizar uma bateria de maior tensão, esta não carregaria em condições de
céu nublado onde a tensão de saída é menor.

Como corrigir esta situação?


R: Utilizando um regulador de carga MPPT.

A tensão de entrada é variável. No entanto, a tensão de saída é absoluta-


mente regulada de acordo com as necessidades da bateria de modo a man-
ter a corrente de carga sempre no máximo. A “agilidade” deste controlador
permite ter uma tensão de entrada mesmo inferior à tensão necessária
para carregar a bateria, tornando-se num conversor DC para DC elevador ou
redutor, consoante as necessidades.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 131

Basicamente, o oscilador que controla a etapa comutadora de potência va-


ria a frequência e largura de impulso para que a tensão de saída se mante-
nha inalterada para a carga das baterias de chumbo.
Assim, teremos sempre uma pequena perda energética que se fica a dever
ao facto de a eficiência destes reguladores se situar entre os 92 a 97 %,
podendo no entanto os ganhos ser bastante superiores.

De seguida, é apresentado um esquema de ligações de um regulador para-


lelo, bem como a ligação de um regulador num sistema FV isolado.

Fig. 179
Regulador paralelo inserido num sistema fotovoltaico.

Fonte: Seminários Weidmüller

Fig. 180
Esquema de ligações de um regulador num sistema
fotovoltaico isolado com cargas em DC.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda


132 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 181
Esquema de ligações de um regulador num
sistema fotovoltaico isolado com cargas em DC e AC.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,Tomás Diaz


Corcobado - Guadalupe Carmona Rubio, MCGraw-Hill

Importante

Na ligação das cargas (ou inversor), deve-


se utilizar o esquema de ligações que se
segue, de forma a não descarregar a bate-
ria e fazer com que o inversor só seja ligado
caso haja carga nesta.

Fig. 182
Esquema de ligações para que o inversor só
funcione enquanto houver carga na bateria.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

2.8.7. Regulador de carga Night Light


São reguladores de carga com função de luz nocturna, isto é, consiste num
regulador que é programável para ligar à saída do dispositivo por um número
de horas ajustável a partir do anoitecer.

Esta função de luz nocturna poderá ser anulada caso a protecção da bateria
contra excesso de descarga esteja activada, a fim de evitar uma descarga ex-
cessiva e possíveis danos à bateria.

Fig. 183
Função de luz nocturna.

Fonte: Phocos
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 133

O meio da noite é detectado automaticamente como o meio entre o anoitecer


e o amanhecer, não sendo necessário nenhum ajuste da hora no controlo. É
possível que o controlador leve alguns dias até “identificar” o meio da noite.
Este método pode causar algumas imprecisões mas evita a necessidade de
qualquer reajuste do relógio. Dependendo do local, o meio da noite do contro-
lador pode ser diferente da meia-noite real.

O controlador reconhece o dia e noite baseado na tensão em circuito aberto do


módulo fotovoltaico.

Fig. 184
Curva de tensão em circuito aberto
de um módulo fotovoltaico.

Fonte: Phocos

Os dois níveis de tensão antes/após a barra diagonal são válidos respectiva-


mente para os sistemas de 12 e 24 V.

Para descobrir o valor correcto, recomendamos medir a tensão em circuito


aberto do módulo fotovoltaico quando o interruptor crepuscular chegar ao nível
em que o controlador deve ligar/desligar. Este valor (o mais próximo possível)
pode então ser programado conforme as descrições de programação indicadas
pelo fabricante.

2.8.8. Associação de reguladores em paralelo


Se estamos perante uma instalação pequena, normalmente utiliza-se um regu-
lador solar ligado entre os módulos fotovoltaicos e as baterias. Por outro lado,
poderá acontecer o caso de estarmos perante instalações de grande dimen-
são. Sendo assim, os módulos FV terão de ser agrupados com o respectivo re-
gulador e posteriormente fazer-se a ligação de todas as saídas dos reguladores
ao banco de baterias, isto é, os reguladores são ligados em paralelo.

Fig. 185
Ligação em paralelo de reguladores.

Fonte: “Energía Solar Fotovoltaica: Cálculo de una Instalacion


Aislada” , Miguel Pareja Aparicio, Marcombo
134 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Quando se ligam strings simétricas, devem-se utilizar reguladores com as


mesmas características. Por exemplo, se tivermos 20 strings que produzem 1
A cada, ligam-se 10 strings com um regulador de 10 A e um outro regulador de
10 A com outras 10 strings.

Para se obter o número de reguladores para ligar em paralelo, realiza-se o quo-


ciente entre a corrente máxima do regulador (IREGULADORES) e a corrente de cada
regulador (IREG) através da seguinte equação:

Em que:
IGERADOR_FOTOVOLTAICO = ICC X Número de strings

Nota: O relé que interrompe ou permite a passagem de corrente dos módulos


para a bateria deverá suportar esta intensidade de corrente.

Nota: O factor 1,1 deve-se a uma margem de segurança para evitar que o re-
gulador trabalhe no limite da corrente máxima que deve suportar.

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 Para o SOLSUM 6:


Dispõe-se de um gerador FV com 10 strings, em que cada uma pode
fornecer 1,35 A em curto-circuito e uma tensão de 24 V. Que regula-
dor elegeria de acordo com a seguinte tabela? Quantos reguladores
seriam necessários? Desenhe o esquema de ligações finais da ins- Para o SOLSUM 8:
talação.

Tipo Tensão do Corrente Preço


sistema (V) máxima (A) Para o SOLSUM 10:

SOLSUM 6 12/24 IP22 6 A 45 Υ

SOLSUM 8 12/24 IP22 8 A 50 Υ


De acordo com os valores obtidos, escolher-se-iam os reguladores de
SOLSUM 10 12/24 IP22 10 A 62 Υ carga SOLSUM 8 ou SOLSUM 10. Para elegermos um deles, dever-
se-á ponderar o aspecto económico. Sendo assim, para o regulador
SOLSUM 8, temos:
Tabela 38
Reguladores disponíveis. Preço total = número de reguladores x preço unitário = 2 x 50 ¼ =
100 ¼
Resolução:
Para o SOLSUM 10, temos:
Há que calcular em primeiro lugar a corrente que será fornecida pelo Preço total = número de reguladores x preço unitário = 2 x 62 ¼ =
gerador FV e, depois, a corrente que deverá suportar. Assim sendo, 124 ¼
vem:
Pela questão económica, utilizar-se-iam dois reguladores SOLSUM 8.
IGERADOR_FOTOVOLTAICO = ICC X Número de strings = 1,35 x 10 = 13,50 A Sendo assim, o esquema final da instalação será:
IREGULADORES = IGERADOR_FOTOVOLTAICO X 1,1 = 13,50 x 1,1 = 14,85 A

Depois, dever-se-á calcular o número de reguladores que serão uti-


lizados para cada string, de acordo com os modelos descritos na
tabela 38.
(Continua)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 135

Exercícios Resolvidos (Continuação)

Exercício 2
Um conjunto de 20 módulos FV pode fornecer uma corrente de
0,8 A cada um e uma tensão de 24 V. Qual o número de regula-
dores necessários para a instalação? Que marca e referência de
reguladores escolheria?

Resolução:

2 reguladores (por exemplo, o regulador PR1010 da STECA com LCD).

Fig. 186
Instalação com dois reguladores.

Fonte: “Energía Solar Fotovoltaica: Cálculo de una Instalacion Aislada”,


Miguel Pareja Aparicio, Marcombo

De seguida são apresentados esquemas de reguladores solares, com a res-


pectiva explicação de funcionamento e montagem. Assim, o leitor poderá abor-
dar mais exaustivamente este tema dos reguladores solares e realizar projec-
tos nesta área.

O primeiro esquema a ser apresentado refere-se à construção de um regula-


dor solar apenas para módulos fotovoltaicos. O esquema seguinte já poderá
receber duas fontes de energia (sistema híbrido), como por exemplo energia
fotovoltaica e energia eólica.

Fig. 187
Esquema electrónico de um regulador solar.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/
index.php/content/view/22/36/
136 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Características dos equipamentos a utilizar para este regulador solar:

– 1 painel solar com VOC = 18 V (36 células);


– O painel solar deve ter uma corrente de curto-circuito (ICC) de 0 a 1 A no
máximo;
– 1 bateria com 12 V de tensão nominal;
– A bateria deve ter uma capacidade de 0,1 a 50 Ampere/hora.

Procedimentos a adoptar na montagem e ajuste do circuito:

– Ligue a entrada do painel FV e a bateria de 12 V aos terminais da bateria


(a bateria deve estar com carga para facilitar o alinhamento);
– Coloque o painel solar com uma inclinação óptima, directamente para o
sol, e verifique a tensão da bateria com um voltímetro. Ajuste o potenci-
ómetro 20T (100 k:) até o led de Full começar a piscar e rode o potenci-
ómetro até a bateria chegar à tensão desejável;
– Coloque o painel ao sol; quando a bateria chegar ao estado de carga má-
xima, o led começa a piscar inicialmente com períodos curtos. À medida
que a bateria continua a carregar, o led passa a ter períodos longos de
iluminação com alguns períodos curtos em off.

Controlador de carga para um painel solar e um aerogerador


Se existirem várias fontes de energia (aerogeradores, por exemplo), es-
tamos perante um sistema híbrido, isto é, além da fonte solar existe uma
outra fonte de energia. Com este circuito pode-se controlar o estado on/off
da outra fonte de energia que, neste caso, será a energia eólica.

A função do controlador de carga para os painéis solares é monitorizar a


tensão da bateria e, logo que alcança a sua carga máxima, o controlador
desliga a entrada de tensão proveniente das fontes de carga. Tal não pre-
judica os módulos FV, mas desperdiça a potência eléctrica que está a ser
gerada. A energia acaba por aquecer os transístores no controlador.

Este tipo de controlador não é ideal para um gerador eólico, uma vez que o
shunt das entradas gera uma corrente enorme que pode inclusive danificar
o controlador. Se o aerogerador estiver a produzir uma grande quantidade
de energia, desligar simplesmente a ligação pode destruir o circuito.

A solução ideal é carregar as baterias até ao seu máximo e, logo que este
seja atingido, comutar essa energia para outros sectores; se este desvio for
útil, melhor ainda. Neste caso concreto, o desvio é feito para lâmpadas que
– uma vez carregadas as baterias – ficam ligadas directamente à produção
do aerogerador.

As fontes de energias ligadas como apoio (aerogerador, por exemplo), ser-


virão para carregar a bateria caso esta se encontre com a sua carga em
valores mínimos. Daí que, na prática, não se ligam os aerogeradores ao
regulador solar juntamente com os painéis, pois estaríamos a sobrecarregar
os componentes à entrada do regulador com correntes elevadas (solar +
eólica).

No capítulo seguinte tal será abordado com mais exaustão. O esquema e


disposição dos componentes deste regulador solar para o sistema híbrido
podem ser analisados na figura que se segue.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 137

2.8.9. Esquema electrónico de um regulador solar Fig. 188


Esquema electrónico de um regulador
solar para sistema híbrido.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/index.php/content/
view/123

O esquema anterior mostra um circuito simples de um regulador da carga. A


tensão de entrada da bateria sofre uma redução através de um divisor de ten-
são constituído por um par de resistências de 3,3 k: (utilize uma resistência
de 3,3 k: em paralelo se o LM339 tiver uma diferença de potencial de 1,5 V),
assim que os pontos de desligar forem ajustados para os níveis desejados.

Os pontos reais de desligar dependem em particular das baterias. O ideal é


começar em 14,5 V para a carga completa, e 11,8 V para descarregada. Neste
caso, as resistências variáveis devem ser ajustadas para se obterem 7,25 V em
TP-A e 5,9 V em TP-B.

O leitor necessitará provavelmente de verificar a tensão da bateria com carga e


sem carga para determinar os pontos exactos do valor de tensão a ajustar. As
saídas do controlador são anuladas, e dirigem a corrente para um dos FET de
potência IFR510, que serve como excitador do relé (Relay Out).

Se usar um relé de comutação, a segunda saída pode ser usada para comutar
uma pequena ventoinha em DC com 12 V, para que desloque o hidrogénio da
bateria de forma a impedir o perigo de explosão ao carregar as baterias.

Os dois botões de pressão permitem comutar manualmente a saída quando


a tensão da bateria estava na zona nula entre os pontos. Momentaneamente
pressionando um dos botões, o estado da saída inverter-se-á e irá parar. A
resistência de 1 k: impede um curto-circuito inoperante se alguém decidir
pressionar ambas as teclas simultaneamente.

Fig. 189
Disposição dos componentes electrónicos
na placa de circuito impresso do regulador solar
para um sistema híbrido.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/
index.php/content/view/123
138 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

A energia de entrada é proveniente de diversas fontes: de módulos solares e


também de um pequeno aerogerador com saída em corrente contínua (C.C.).
Como já foi referido atrás, estas fontes de energia produzem diferentes valores
de tensão e de corrente, logo não podem ser ligadas juntas. Cada uma das
fontes deve ter um díodo em série com o borne positivo (normalmente de cor
vermelha).

Assim, enquanto a bateria está a ser carregada, o valor de cada uma das fontes
é colocado à tensão de funcionamento da bateria. Cada díodo permite a pas-
sagem de corrente que cada uma das fontes está a gerar. Caso haja uma troca
de polaridades ou exista uma corrente em sentido inverso, o díodo bloqueia a
passagem dessa corrente. A ligação negativa (cabo de cor preta) de cada fonte
de energia é ligada à terra.

Com o circuito em funcionamento, sempre que as baterias recebem carga, o


led vermelho acende. Se a carga máxima for atingida, acende o led verde e o
relé dispara, desviando a corrente proveniente dos módulos FV e do aerogera-
dor neste caso para as lâmpadas.

Fig. 190
Ligações eléctricas do regulador solar
para um sistema híbrido.

Fonte: http://www.electronica-pt.com/
index.php/content/view/123

2.9. Inversores DC/AC


No geral, as habitações em Portugal possuem equipamentos em que a tensão
de funcionamento é de 230/400 VAC 50 Hz, que é a tensão da rede eléctrica
nacional em baixa tensão. Existem também aparelhos e mesmo equipamentos
domésticos que trabalham em corrente contínua (DC ou AC), mas que têm o
problema de serem mais caros.

Ora, com o esquema de ligações apresentado na figura 190, é possível ligar


um inversor, para não só satisfazer o consumo em DC como também em AC.

Como a saída para consumos do regulador é feita em corrente contínua (DC),


logo necessitaríamos de um equipamento que fizesse a conversão dessa ten-
são contínua para um valor de tensão em corrente alternada (230/400 VAC) e
ajustá-lo para a frequência e o nível de tensão da rede a que está ligado. A esse
equipamento chamamos de inversor ou ondulador.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 139

Este equipamento tem um símbolo eléctrico que o identifica. Este está repre-
sentado na seguinte figura.

Fig. 191
Símbolo eléctrico do inversor.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

De seguida, é apresentado um esquema de ligações com um inversor DC/AC


inserido num sistema fotovoltaico.

Fig. 192
Inversor DC/AC inserido num sistema FV.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Alguns inversores funcionam também como reguladores de carga das bate-


rias. Neste caso, não seria necessária a utilização de um regulador na instala-
ção. De seguida, é apresentado um exemplo de uma instalação sem regulador
de carga.

Fig. 193
Ligação de um inversor-regulador numa instalação
fotovoltaica autónoma a 12 VDC. Depois da
conversão DC em AC, pode carregar as baterias
da instalação.

Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,Tomás Diaz


Corcobado - Guadalupe Carmona Rubio, MCGraw-Hill
140 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

As cores standard utilizadas nos condutores que existem no inversor são as


seguintes:

No lado DC, teremos:

– Condutor do pólo positivo – vermelho;


– Condutor do pólo negativo – preto.

Do lado AC, teremos:

– Condutor de terra – amarelo e verde;


– Neutro da instalação – azul;
Importante
– Fase da instalação – castanho ou preto.

A variação de frequência no inversor A constituição de um inversor DC/AC é normalmente feita por transístores e
pode produzir harmónicos (ondas cujas tiristores que são capazes de cortar muitas vezes por segundo (50 ciclos por
frequências são múltiplas) de 50 Hz. Es- segundo) a corrente contínua, produzindo uma série de impulsos e simulando
tes harmónicos, independentemente do
valor que tenham, podem influenciar em
a característica fundamental que tem a corrente contínua.
demasia o sinal, distorcendo-o e combi-
nando os seus valores. Um inversor DC/AC deve possuir determinadas qualidades que serão muito
benéficas tanto em instalações FV como em sistemas híbridos:
Devido a este problema, os inversores
deverão ter margens de variação de fre-
quência muito curtas.
– Arranque automático;
– Sinalização adequada;
– Segurança;
– Baixa distorção de harmónicos;
– Eficiência bastante razoável;
– Capacidade de resistir a picos de potência;
– Estabilização da tensão;
– Possibilidade de ligação em paralelo com mais inversores;

Os sistemas fotovoltaicos com uma potência instalada até 5 kWp (ou com uma
dimensão inferior a 50 m2), são construídos normalmente para sistemas mono-
fásicos. Para sistemas de potência superior, a alimentação terá de ser trifásica,
e é ligada ao sistema de alimentação trifásico.

De referir que a tensão de arranque do inversor deve ser sempre ajustada


para o valor máximo.

2.9.1. Inversores de onda quadrada


Estes tipos de inversores são normalmente constituídos por tiristores, e têm
aplicação em sistemas de grande potência. Têm também a particularidade de
serem controlados pelo clock da rede a que estão ligados, isto porque os tiris-
tores apenas conseguem comutar para o estado condução (On) mas não con-
seguem por si só desligarem-se. Daí a necessidade de intervenção da tensão
da rede para os bloquear.

De referir que este inversor não deve ser utilizado em sistemas isolados (siste-
mas que não são ligados à rede eléctrica), onde possam existir cargas que não
são puramente resistivas. Por exemplo, não se poderia ligar este inversor a um
sistema isolado que tivesse como cargas electrodomésticos que incorporam
motores eléctricos (carga indutiva).

Os dispositivos mais modernos com tiristores possuem impulsos de disparo


que são controlados por um microprocessador.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 141

Os desvios da forma de onda original em relação à onda sinusoidal da rede


provocam o aparecimento de componentes harmónicos e também, em si-
multâneo (consultar normas IEC 100-3-2 e 1000-3-3 (DIN VDE 0838)), um
consumo de potência reactiva. Para solucionar este problema, é necessário
utilizar filtros à saída do inversor (equipamentos de eliminação de conteúdo
harmónico).

Este tipo de inversor possui um transformador de 50 Hz isolador da rede


eléctrica nacional.
Fig. 194
Inversor DC/AC de onda quadrada
comutada pela rede.

Fonte: http://www.pvresources.com/en/inverter.php

Resumidamente, um inversor possui dois tipos de aplicações:

a. Sistemas isolados;
b. Sistemas ligados à rede eléctrica.

No primeiro caso, o inversor é constituído basicamente pelos seguintes


componentes:

Fig. 195
Diagrama de blocos de um inversor
para sistemas isolados.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Oscilador: Este circuito é o que gera a frequência da corrente alternada da saí-


da. Este valor varia normalmente entre os 50 a 60 Hz. Pode ser configurado de
acordo com a frequência do cristal, o qual se divide pelo factor correspondente
até se obter o valor pretendido.

Conversor DC/AC: Equipamento que recebe a tensão contínua que vem dos
acumuladores e também a frequência do oscilador, gerando com ele uma onda
sinusoidal.

Protecções: Circuito destinado a “vigiar” o consumo de corrente alternada


para bloquear o excesso de corrente produzida. Nos inversores mais moder-
nos, esta operação é feita automaticamente.

No segundo caso, o inversor possui um circuito de sincronização de fase entre


a sua saída de corrente alternada e a rede eléctrica a que se encontra ligado.
Este tipo de inversor é constituído basicamente pelos seguintes componentes:
142 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 196
Diagrama de blocos de um Inversor
para sistemas ligados à rede.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Conversor DC/AC: A diferença deste conversor para o anterior reside no facto


de este possuir um elemento de sincronização de fase com a rede eléctrica.

Transformador de isolamento: Componente de isolamento galvânico entre a


saída em corrente alternada e a rede de distribuição. Pode ser um transforma-
dor monofásico ou trifásico, segundo a configuração da instalação.

Sincronizador: Este bloco faz a sincronização entre a tensão enviada pelo con-
versor DC/AC e a tensão da rede de distribuição, o qual recebe inicialmente a
tensão da rede através do transformador de isolamento e inicia o disparo do
inversor. Esta operação repete-se a cada ciclo, em coincidência com a passa-
gem por zero da onda sinusoidal.

Controlo: Bloco auxiliar do conversor, encarregue das entradas de arranque/


paragem, configuração, etc., e as saídas destinadas a transmitir informações
do sistema. Este tipo de controlo possui um ecrã no visor do inversor que per-
mite, através de software, apresentar dados de funcionamento, bem como os
valores de corrente injectados na rede eléctrica.

Visualizador: Conjunto de componentes optoelectrónicos, tais como led, dis-


plays LCD, displays 7 segmentos, etc., destinados a mostrar informações da
situação no momento do inversor.

Com o objectivo de fornecer à rede eléctrica nacional o maior valor de potência


possível, o inversor deve funcionar no ponto MPP do gerador fotovoltaico. Este
ponto MPP muda de acordo com as condições meteorológicas adjacentes. No
inversor, o sistema de MPP garante que este é sempre ajustado ao seu ponto
MPP durante o funcionamento.

2.9.1.1. Princípio de funcionamento


Nos equipamentos actuais está-se a utilizar para o controlo dos dispositivos
programáveis o microcontrolador ou o DSP (processamento digital de sinal),
que registam as medidas e as condições de entrada e saída para realizar o
controlo da ponte do inversor.

Com este controlo, pretende-se alcançar sempre o ponto máximo de potência


que se vai modificando em função do nível da radiação e temperatura. Desde o
gerador fotovoltaico pode-se conseguir que se trabalhe no seu ponto máximo
de potência mediante o uso de conversores DC/DC, que depois se conectarão
ao circuito inversor para obter a tensão que será injectada na rede.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 143

Quando se fala no ponto de máxima potência, é utilizada a sigla MPPT (Maxi-


mum Power Point Tracking), que corresponde aos valores da tensão máxima
(UMÁX.) e corrente máxima (IMÁX.). O circuito de controlo realiza as medidas dos
valores da corrente e da tensão (UPV e IPV) conforme indica a figura abaixo e
permite obter o sinal de controlo que controla o conversor DC/DC para adaptar
a potência de saída à carga.

Fig. 197
Diagrama de blocos do controlo do ponto
de máxima potência num inversor.

Fonte: http://www.freescale.com/webapp/sps/site/overview.
jsp?code=PVENERGYSOL

Também se utilizam transformadores de isolamento de baixa frequência


de saída a 50 Hz ou de alta frequência, se estiver a utilizar-se o conversor
DC/DC. Este transformador tem como função a não conexão entre o gera-
dor FV e a rede eléctrica.

2.9.1.2. Sistemas de monitorização


A crescente variedade dos inversores disponíveis no mercado levou mui-
tos fabricantes a oferecerem sistemas externos de aquisição de dados ex-
ternos com múltiplas interfaces de comunicação. Neste tipo de sistemas,
podem-se visualizar diversas informações sobre a instalação fotovoltaica,
tais como: a potência gerada pelo sistema FV, a corrente produzida pelo
campo gerador FV, a potência entregue à rede de potência de saída para a
rede, análise de falhas, gráficos de historial de produções, etc.

A função de sinalização de defeitos permite a emissão de sinais de alarme


acústicos ou visuais, assim como a transmissão de mensagens por com-
putador, e-mail e/ou internet.

Com os sistemas de monitorização é-nos permitida a visualização em


ecrãs ou displays LCD (no próprio inversor) mediante aplicações em SCA-
DA ou com a criação de páginas web com informação da instalação.

Deixamos, de seguida, o exemplo de um sistema de monitorização da


SMA.
144 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 198
Exemplo de um sistema de monitorização.

Fonte: http://www.sunwize.com/info_center/pdf/
sma_webbox.pdf

Fig. 199
Diagrama de blocos da ligação de um
sistema de monitorização.

Fonte: http://www.ecoapp.net/upload/product/attachment/
3def184ad8f4755ff269862ea77393dd.pdf

Fig. 200
Esquema de ligações do sistema
de monitorização.

Fonte: http://download.sma.de/smaprosa/dateien/
11567/SWebbox20-SE-BPT101210.pdf

Legenda:
1 - Girar a seta do interruptor rotativo NetID
para o NetID do sistema FV;
2 - Cabo de rede azul (crossover) e
cabo de rede vermelho ( patch);
3 - Transformador com adaptador para tomada .
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 145

2.9.2. Inversor auto-controlado


Este inversor, comutado pela rede, tem como responsáveis pela comutação da
corrente os seguintes semicondutores:

– MOSFET (transístor de potência por efeito de campo de óxido de metal);


– GTO (tiristor com bloqueio assistido pela porta, até 1 kHz);
– IGBT (transístor bipolar de porta isolada);
– Transístores de junção bipolar.

Estes inversores podem ou não possuir um transformador de baixa ou alta fre-


quência (LF ou HF) na saída. A utilização de um inversor com transformador de
isolamento significa que a instalação fica com a protecção de pessoas contra
contactos indirectos, sem necessidade de recorrer a dispositivos diferenciais Fig. 201
Vista do interior do sistema
(esquema TN-C). de monitorização.

Fonte: http://solarthief.com/forum/index.php?topic=93.0
Este tipo de transformador reduz também as interferências electromagnéticas.
De referir ainda que este tipo de inversores pode ser utilizado tanto em siste-
mas isolados como em sistemas ligados à rede eléctrica nacional.

As necessidades de potência reactiva deste tipo de inversores são relativa-


mente baixas, que requerem contudo um controlo dos harmónicos produzidos
pelas altas frequências de comutação dos semicondutores.

A tensão gerada pelo inversor deverá ser praticamente sinusoidal, com uma
taxa máxima de distorção harmónica em percentagem e para qualquer condi-
ção de funcionamento de:

– Harmónicas de ordem par: 4/n %;


– Harmónicas de ordem 3: 5 %;
– Harmónicas de ordem ímpar (> = 5): 25/n %.

Fig. 202
Inversor DC/AC auto-controlado
com transformador.

Fonte: http://www.pvresources.com/en/inverter.php

Deixamos aqui uma sugestão para analisarem o seguinte site, que tem bastan-
te informação sobre todos os componentes que constituem um inversor solar.

http://focus.ti.com/docs/solution/folders/print/349.html
146 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 203
Inversor DC/AC da SMA:
Sunny Boy 3300/3800.

Fonte: www.sma-america.com

É apresentado de seguida um esquema com um diagrama de blocos da cons-


tituição interna do mesmo inversor da SMA – Sunny Boy.

Fig. 204
Diagrama de blocos do Inversor DC/AC
da SMA – Sunny Boy 3300/3800.

Fonte: www.sma-america.com

Fig. 205
Pormenor de um Inversor DC/AC
da SMA – Sunny Boy 3300/3800.

Fonte: www.sma-america.com

Podem também ser consultados manuais dos fabricantes, tais como:

– SMA;
– Fronius;
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 147

– KACO;
– Conergy AG;
– SIEMENS AG;
– etc.

De seguida é apresentada uma tabela de comparação de inversores com e


sem transformador de isolamento.

Tabela 39
Com transformador Sem transformador
Comparação entre inversores
com e sem transformador.
– A tensão do gerador fotovoltaico deve ser
– A tensão de entrada e de saída estão Fonte: “Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,
significativamente superior ao valor de Projecto e Instalação”, Projecto GreenPro
electricamente isoladas;
pico da tensão da rede, ou é necessário
Características – Muito difundido;
usar conversores elevadores DC/DC;
– Fundamentalmente inversores;
– Maioria dos inversores de fileira e inte-
– Centralizados.
grados (módulos AC).
– Possibilidade de ligação em tensão reduzi-
– Maior eficiência (para os dispositivos que
da de segurança (UDC < 120 V, segurança
não possuam conversor DC/DC);
contra contactos directos salvaguardada);
– Menor peso;
– Forte experiência operacional;
Vantagens – Menor volume;
– Menores interferências electromagné-
– Instalação DC reduzida para inversores
ticas;
de cadeia de módulos e integrados (mó-
– Não é necessária a ligação equipotencial
dulos AC).
do gerador fotovoltaico.
– Uso de dispositivos adicionais de pro-
tecção: circuito de protecção sensível
– Perdas no transformador (perdas magné- à corrente de defeito DC integrado no
ticas e óhmicas); inversor;
Desvantagens
– Maior peso; – Flutuação do ponto operacional;
– Maior volume. – Instalação completa com protecção de
isolamento classe II;
– Maiores interferências electromagnéticas;

2.9.3. Inversores DC-AC para sistemas autónomos


Um gerador fotovoltaico produz corrente contínua. Em sistemas fotovoltaicos
autónomos, quando temos consumos em corrente alternada, necessitamos
de um dispositivo que converta a corrente contínua gerada pelos módulos em
corrente alternada.

Este dispositivo é o inversor, que é um aparelho electrónico com a função bá-


sica de transformar a corrente contínua em alternada, para além de ajustar a
frequência e a tensão eficaz para os consumos que queremos satisfazer.

Nas instalações fotovoltaicas autónomas, o inversor liga-se directamente aos


bornes da bateria, uma vez que as correntes solicitadas são geralmente dema-
siado elevadas para o controlador de carga (especialmente no arranque de uma
carga de 230 V). A ligação directa com a bateria implica que o inversor possua
um sistema integrado de controlo de profundidade da descarga.

Os inversores são geralmente monofásicos a 50 Hz, com tensões nominais de


entrada de 12 ou 24 V e com um leque amplo de potências disponíveis, desde
uns poucos watts até vários quilowatts.
148 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Os inversores deverão estar obrigatoriamente identificados com a seguinte


informação:

– Potência nominal (VA ou W);


– Tensão nominal de entrada (V);
– Tensão (VRMS) e frequência (Hz) nominais de saída;
– Fabricante e número de série;
– Polaridade e terminais.

2.9.4. Características dos inversores para instalações autónomas


Capacidade de sobrecarga
Um inversor deve ser capaz de proporcionar potências “pico” várias vezes su-
periores à sua potência nominal e durante períodos de tempo limitados. Desta
forma, poderá arrancar com elevados picos de corrente de arranque (por exem-
plo motores), sem ter de o sobredimensionar para o funcionamento normal.

O inversor seleccionado para uma instalação autónoma deve arrancar e operar


todas as cargas de corrente alternada da referida instalação, especialmente
as que exijam correntes de arranque elevadas, sem interferir no seu correcto
funcionamento nem no resto das cargas.

Fig. 206
Gráfico da potência fornecida por um inversor
de 550 W em função do tempo.

Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

Recorde

A capacidade de sobrecarga de um inver-


sor define-se como a capacidade do mes-
mo para entregar maior potência que a
nominal durante certos intervalos de tem-
po. A potência nominal é a potência espe-
cificada pelo fabricante que o inversor é
capaz de entregar de forma permanente.

Rendimento
O rendimento de inversor consiste na relação entre as suas potências de saída
e de entrada, dependendo da potência e da temperatura de funcionamento. Há
que considerar que, se um inversor com uma determinada potência nominal
Atenção
funciona unicamente a uma fracção da referida potência, o seu rendimento
baixa de forma considerável.
O rendimento de um inversor não é cons-
tante em toda a escala da sua potência O rendimento de conversão DC/AC em inversores autónomos também depen-
de funcionamento, variando em função da de do tipo de carga (resistiva, capacitiva ou indutiva) ligada a este, ou seja, é
potência consumida, sendo muito baixo a
baixas potências e aumentando de forma
caracterizado pelo factor de potência cosij.
progressiva à medida que a potência au-
menta. A curva de rendimento cai rapida- Observa-se que as curvas de rendimento para cargas indutivas (por exemplo,
mente para pequenas potências. motores) são diferentes das curvas para cargas resistivas (cosij = 1). Com
cargas indutivas, a tensão e a corrente não estão em fase, o factor de potên-
cia é diferente da unidade e a potência activa entregue pelo inversor pode ser
reduzida aos 30 %.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 149

Fig. 207
Curva de potência em função da potência AC
de saída a diferentes factores de potência (cosij)
de um inversor autónomo.

Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

Importante

O factor de potência define-se como o


quociente entre a potência activa (W) e
a potência aparente (VA) à saída do inver-
O rendimento de um inversor com cargas resistivas deverá ser superior aos sor.
limites especificados na seguinte tabela:

Rendimento a 20 % Rendimento Tabela 40


Tipo de inversor Tipo de inversor Rendimentos de inversores com cargas resistivas.
da potência nominal à potência nominal
Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D
PNOM ” 500 VA > 70 % Onda sinusoidal
Onda sinusoidal
PNOM ! 500 VA > 80 %

Onda não sinusoidal > 80 % > 85 % Onda não sinusoidal

Estabilidade de tensão Importante


O inversor deve manter uma tensão de saída aproximadamente constante para
o circuito de consumo, e independente da potência que se exige a cada mo-
Como nota fundamental não devemos
mento, para que os aparelhos ligados a este não se danifiquem. esquecer a importância da eficiência. Por
exemplo, um inversor de 1500 W com um
Nos inversores sinusoidais, a regulação do inversor deve assegurar que a ten- rendimento de 92 %, implica que este,
são esteja nas seguintes margens, qualquer que seja a condição de funciona- para fornecer esses 1500 W, vai absorver
da bateria aproximadamente 1630 W.
mento:

Distorção harmónica THD


A distorção harmónica é um parâmetro utilizado para indicar o conteúdo em
harmónicos da onda de tensão de saída do inversor (frequências distintas de
50 Hz). Refere-se pois à qualidade da onda produzida, que será melhor quanto
menor for o valor do parâmetro THD.

Regulação em frequência
Um inversor autónomo deve manter a frequência de funcionamento constante.
No caso dos inversores sinusoidais, a regulação do inversor deverá assegurar
que a frequência de saída esteja numa margem de 50 Hz ± 2 % para qualquer
condição de operação.

Possibilidade de ligar inversores em paralelo


Nas aplicações onde existe uma grande variabilidade no consumo é difícil en-
contrar um só inversor que tenha um rendimento elevado em todas as classes
de consumo. A utilização de dois ou mais inversores ligados em paralelo pode
melhorar o rendimento de forma considerável, sempre e quando estejam pre-
parados para esta ligação.
150 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Arranque automático
Os inversores devem ser capazes de arrancar automaticamente quando detec-
tarem que alguma carga foi activada e de se desligar quando detectarem que
não existem cargas ligadas à sua saída. Desta forma, evita-se que o inversor
esteja sempre em funcionamento na ausência de consumos que exijam ener-
gia. Isto consegue-se mediante um sistema automático de detecção de ligação
de qualquer carga.

Sabia que...
Auto-consumo
Quando um inversor não tem carga ligada, tem sempre um pequeno consu-
mo de potência. Este consumo deverá ser menor ou igual a 2 % da potência
A maioria dos inversores inclui um sis- nominal de saída. As perdas de energia diária originadas pelo auto-consumo
tema standby para reduzir estas perdas do inversor, serão inferiores a 5 % do consumo diário de energia. A maioria
quando o inversor trabalha em vazio (sem
qualquer carga ligada).
dos inversores inclui um sistema standby para reduzir estas perdas quando o
inversor trabalha em vazio (sem carga ligada).

Segurança
Os inversores utilizados nas instalações fotovoltaicas autónomas deverão estar
protegidos face às seguintes situações:

– Desligar da bateria;
– Curto-circuito na saída da corrente alternada;
– Sobrecargas que excedem a duração e limites permitidos pelo inversor;
– Sobreaquecimento dos componentes devido a condições adversas de ope-
ração. O inversor deverá parar a operação ou limitar a potência de operação
a determinados níveis de segurança;
Exercício
– Inversão de polaridade: os inversores estarão protegidos contra a alteração
da polaridade da entrada DC.
Indique quais as mais importantes carac-
terísticas de funcionamento dos inverso- 2.9.5. Classificação dos inversores autónomos
res autónomos utilizados nas instalações Os inversores autónomos podem classificar-se em função da onda de tensão
fotovoltaicas.
de saída:
Solução disponível em:
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip – De onda quadrada;
– De onda modificada ou semi-sinusoidal;
– De onda sinusoidal (semelhante à onda da rede eléctrica).

Fig. 208
Formas de onda de inversores
fotovoltaicos autónomos.

Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

2.9.5.1. Inversores de onda quadrada


São os mais baratos. A onda de saída tem um grande conteúdo em harmóni-
cos indesejados que geram ruídos e perdas de potência. Não regulam bem a
tensão de saída. Costumam ser utilizados com pequenas cargas indutivas ou
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 151

resistivas (por exemplo, televisor, computador, pequenos aparelhos eléctri-


cos, …), mas não são indicados para motores.

Fig. 209
Inversor de onda quadrada.

Fonte: ATERSA

Características físicas Tabela 41

CP 150 CP 300 CP 600

Comprimento 220 mm 430 mm 430 mm

Largura 120 mm 210 mm 210 mm

Altura 1230 mm 190 mm 190 mm

Peso 4,5 Kg 10 Kg 15,7 Kg

Tabela 42
Características eléctricas

CP 150 CP 300 CP 600


Potência nominal 150 W 300 W 600 W
Tensão nominal
12,24, 48 V 12, 24, 48 V 12, 24, 48 V
de entrada
Tensão nominal
220 V 220 V 220 V
de saída
Frequência nominal 50 Hz (ou 60 Hz 50 Hz (ou 60 Hz 50 Hz (ou 60 Hz
de saída em modelos de 12 V) em modelos de 12 V) em modelos de 12 V)
Escala de factor
> 0,85 ... < 1 > 0,8 ... < 0,9 > 0,8 ... < 0,9
de potência
Variações de tensão
+ 30 % - 16 % + 30 % - 16 % + 30 % - 16 %
de entrada
Variações de tensão
±6% ±6% ±6%
de saída
Escala de frequência
<±2% <±2% <“2%
de saída
Rendimento 100 %
potência nominal 92 % > 90 % > 90 %
(casa =1)
Potência de arranque 300 W 750 W 1500 W
Em sobrecarga
200 W em 3s 500 W em 5s 1000 Wem 5s
admissível
Escala de temperaturas -10 ... + 40 °C -10 ... + 40 °C -10 ... + 40 °C
152 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.9.5.2. Inversores semi-sinusoidais


A sua utilização está bastante generalizada, dado que são os que oferecem me-
lhor relação qualidade/preço. Embora a sua saída não seja uma onda sinusoidal
pura, aproxima-se bastante dela. Podem alimentar quase todos os tipos de
consumo, embora não se recomende a sua utilização em aparelhos electróni-
cos delicados. Apresentam uma distorção harmónica em torno dos 20 % e os
seus rendimentos são superiores a 90 %.

Fig. 210
Inversor semi-sinusoidal.

Fonte: Samlex

Tabela 43
SAMLEX SI - 50 HP SAMLEX SI - 140 HP SAMLEX SI - 300 HP
Características técnicas da família de inversores
semi-sinusoidais de um fabricante.
Potência nominal 50 140 300
Fonte: Manuais do curso fotovoltaico ASIF e Master-D

(W)

Tensão nominal
12 12 12
entrada (V)
Corrente nominal
4,2 11,7 25
entrada (nA)
Tensão nominal
220 220 220
de saída (V)
Frequência
50 50 50
de saída (Hz)

Factor de carga (casa) 1 1 1

Dimensões (mm) 100 x 20 x 33 140 x 115 x 38 350 x 155 x 55

Peso (Kg) 0,25 0,7 1,1

2.9.5.3. Inversores sinusoidais


São os que utilizam uma forma de sinal à saída sinusoidal pura. São indicados
para trabalhar com aparelhos electrónicos sensíveis e actualmente impõem-se
relativamente aos restantes modelos, mesmo nas aplicações mais simples.
Não apresentam problemas em relação à distorção de harmónicos ou estabili-
dade da tensão e o seu custo é maior que o dos inversores de onda quadrada
ou sinusoidal.

Considerar-se-á que um inversor é uma onda sinusoidal se a distorção harmóni-


ca total da tensão de saída for inferior a 5 % quando o inversor alimenta cargas
lineares desde 20 até 100 % da potência nominal.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 153

Fig. 211
Características de um inversor
de onda sinusoidal.

Fonte: MORNINGSTAR

Fig. 212
Inversor de onda sinusoidal.

Fonte: MORNINGSTAR

2.9.6. Escolha do inversor para sistemas isolados


A escolha da potência do inversor deve basear-se na potência nominal das car-
gas, sendo que também deveremos considerar uma potência extra de reserva.

Potência nominal do inversor ¦ potências nominais


das cargas AC + Potência extra de reserva Exercício

A potência extra de reserva é dimensionada em função do número de cargas


com elevadas potências no arranque que poderão entrar em funcionamento Faça a correspondência entre as seguin-
tes afirmações:
coincidente, e da capacidade do inversor em sustentar esta sobrecarga. Esta
solução permite diminuir a capacidade do inversor e assim reduzir substancial-
A – Relação entre
mente os respectivos custos. 1 – Inversor de
potências de saída
onda quadrada
e entrada
Um pormenor importante na escolha de um inversor para um sistema isolado 2 – Inversor B – Distorção
prende-se com o valor da potência máxima que deverá suportar um regime de semi-sinusoidal harmónica total elevada
funcionamento contínuo. Este regime é delimitado pelo fabricante.
3 – Rendimento C – Estabilidade da
de um inversor tensão de saída
Sendo assim, dever-se-á escolher um inversor cuja potência nominal ou de
saída seja igual à potência total de todo o consumo de corrente alternada da 4 – Inversor D – Melhor relação
sinusoidal qualidade/preço
instalação. Também terá de se ter em conta o valor da tensão do sistema em
corrente contínua (12, 24 ou 48 V). Tabela 44

Sendo assim, analisemos alguns parâmetros que são importantes na escolha Solução: disponível para download em
de um inversor para sistemas autónomos: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

– Potência máxima em regime contínuo (PC): este parâmetro indica-nos o valor


da potência que o inversor proporciona em grande parte da sua utilização;
– Potência máxima permitida em curtos períodos (PMCP): este parâmetro in-
dica-nos o valor da potência que e o inversor fornece excepcionalmente
durante alguns minutos;
– Potência máxima extrema (PME): este parâmetro informa o utilizador que o
inversor poderá (normalmente em alguns segundos), fornecer uma potência
máxima extrema;
– Tensão disponível em baterias (VN_BAT).
154 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

De seguida é apresentada uma folha de características de três inversores, em


que se podem verificar estas características analisadas na escolha do inversor
para sistemas autónomos.

Tabela 45
Folha de características de
três inversores.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Importante

Só para grandes potências é que se utili-


zam vários inversores ligados em paralelo.

2.9.7. Inversores com carregador


Um inversor/carregador é um inversor que tem também um carregador de
bateria e um relé de transferência interno. Quando os terminais da entrada
de um inversor/carregador recebem energia de uma fonte exterior de cor-
rente alternada verificam se existe carga disponível nas baterias. Caso não
exista carga suficiente, passam directamente a energia da rede pública, car-
regando simultaneamente as baterias.

Este tipo de inversores permite ligações em monofásico, monofásico em


paralelo e trifásico.
a) b)
Fig. 213
Configuração da ligação
de inversores
em monofásico (a),
monofásico em paralelo (b)
e em trifásico (c).

Fonte: SMA

c)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 155

Dois exemplos de inversores com carregador são o SMA Sunny Island ou o


Steca Xtender.

Este tipo de inversores possui contactos que podem ser programados para mui-
tas aplicações. Estes reagem muito rapidamente, por exemplo, na disponibili-
dade da rede, na tensão de bateria, etc. Também podem ser programados com
um temporizador, ou ligados em horários concretos (durante a noite, o fim-de-
semana, etc.), permitindo dar ordem de arranque a um gerador de apoio. Este
gerador de apoio poderá ser a diesel, um aerogerador, a rede eléctrica, etc.
Fig. 214
Inversores com carregador da Steca Xtender
(figura da esquerda) e da SMA Sunny Island
(figura da direita).

Fonte: Steca solar e SMA

Fig. 215
Esquema de ligações do inversor
da SMA Sunny Island com gerador de apoio.

Fonte: SMA

Fig. 216
Esquema de ligações do inversor Xtender
da Steca Solar com pormenor da ligação
de um gerador de apoio.

Fonte: Steca Solar

Legenda:
1 – Comutador principal (ON/OFF);
2 – Conector de captação da temperatura da bateria;
3 – Duplo conector para comunicação de dados com outros
periféricos;
4 – Comutador para o início ou fim da comunicação com outros
periféricos;
5 – Suporte de uma pilha do tipo Ião Lítio 3,3V (CR-2032), desti-
nado à alimentação permanente do relógio interno;
6 – Ponte de programação do controlo remoto (ligado/desligado);
7 – Entrada de comando, para a abertura/fecho de um contacto
ou pela presença/inexistência de tensão;
8 – Contacto auxiliar;
9 – Leds de activação dos contactos auxiliares 1 e 2;
10 – Pontes de selecção de fase;
11 – Bornes de conexão do pólo positivo da bateria;
12 – Bornes de conexão do pólo negativo da bateria;
13 – Bornes de conexão de uma fonte de tensão alternativa
(exemplo: gerador diesel ou a rede pública);
14 – Bornes de conexão da saída de tensão do inversor em AC.
2.9.8. Dimensionamento de um gerador de apoio
ao sistema fotovoltaico
Quando existe numa habitação ou empresa um gerador a diesel, este poderá
ser aproveitado para utilização como gerador de apoio a um sistema FV.

De seguida, será explicado como efectuar o dimensionamento de um desses


geradores para interligação com um sistema solar fotovoltaico.
156 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Um gerador a gasóleo possui um PCI (Poder Calorífico Inferior) de 10200 kCal/


kg. Este valor corresponde a 10,02 kWh/litro.

Para efectuarmos o cálculo da produção do gerador, dever-se-á utilizar a seguin-


te fórmula:

Produção = 10,02 x 0,45 x 0,70 = 3,16 kWh/litro

Nota:
0,45 – Valor usual do rendimento de um motor a diesel;
0,70 – Valor usual do rendimento de um gerador eléctrico.

Se o utilizador gastar 20 litros de gasóleo por mês, o valor da produção mensal


será:

Produção = 20 x 3,16 = 63,2 kWh/mês

Conclusão: Se o utilizador só quer gastar metade do gasóleo, então poder-se-á


dimensionar um sistema fotovoltaico para o melhor mês (Junho ou Julho).

2.9.9. Características dos inversores


Um dos aspectos mais importantes na selecção de um inversor tem a ver com
a sua eficiência de conversão, isto é, o seu rendimento.

A sua eficiência é o quociente entre a potência à saída do inversor com a po-


tência de entrada. Esta eficiência é dada por:

Ș = (Potência de saída efectiva, PAC) / (Potência de entrada efectiva, PDC)

O valor mais usual deste rendimento apresenta resultados entre 0,86 e 0,95
(86 a 95 %). De seguida é apresentada uma tabela com as características mais
importantes na análise de um inversor quanto à sua aplicabilidade num sistema.

Exercício Resolvido

Dimensionou-se um gerador FV e o banco de baterias de uma insta- – 4 lâmpadas de 7 W durante 4 horas;


lação isolada para uma vivenda no Norte do país, com uma tensão de – 2 lâmpadas de 7 W durante 3 horas;
12 V. Se os equipamentos a alimentar funcionam a 230 VA, qual seria – 6 lâmpadas de 5 W durante 1 hora;
o inversor escolhido de acordo com a tabela de inversores que se
– 1 televisão de 45 W durante 5 horas;
segue? Desenhe o esquema de ligações final da instalação.
– Outros electrodomésticos com uma potência de 100 W durante
1 hora.
Tipo Tensão (V) Potência de saída (W)
Resolução:
MWP - 100 12V DC / 230 VAC 100

MWP - 150 12V DC / 230 VAC 150 Em primeiro lugar dever-se-á calcular qual a potência que o inversor
DC/AC deverá suportar. Este valor é obtido multiplicando o valor da
MWP - 250 12V DC / 230 VAC 250 potência de cada equipamento pela quantidade de cada um. Assim
sendo, temos:
Tabela 46
Reguladores disponíveis.

A instalação isolada é composta pelos seguintes equipamentos a ali-


mentar:
(Continua)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 157

Exercício Resolvido (Continuação)

Analisando os inversores disponíveis na tabela anterior, rapidamente


se excluíam os inversores MWP-100 e MWP-150, uma vez que têm
uma potência de saída inferior à dos equipamentos a conectar. Em
consequência, eleger-se-ia o inversor MWP-250 por este apresentar
um valor de potência superior aos modelos atrás referidos.

O esquema final da instalação ficaria de acordo com o que é apresen-


tado na figura 217.

Fig. 217
Instalação de um sistema isolado
com um inversor DC/AC.

Fonte: “Energía Solar Fotovoltaica: Cálculo de una


Instalacion Aislada”, Miguel Pareja Aparicio, Marcombo

Parâmetro Símbolo Unidade Descrição

Potência nominal DC PnDC W Potência fotovoltaica para a qual é dimensionado o inversor.

Potência máxima PnDC MÁX. W Máxima potência fotovoltaica que é admissível pelo inversor.
fotovoltaica
Potência nominal AC PnAC W Potência AC que o inversor pode fornecer permanentemente.

Máxima potência AC PAC MÁX. W Máxima potência AC do inversor.

Factor de potência cos ij W Parâmetro de controlo da potência reactiva deve ser superior a 0,9.

Potência de ligação PON W Especifica a potência fotovoltaica de arranque para a qual é iniciada a operação do inversor.

Potência de desligamento POFF W Especifica a potência fotovoltaica para qual o inversor se desliga.

Potência em standby Pstandby W Especifica a potência do inversor em modo standby (modo de vigília), quando não está em operação e
fora do período nocturno.
Potência em modo nocturno Pnoite W Especifica a potência do inversor no período nocturno.

Tensão nominal DC UnDC U Tensão fotovoltaica para a qual é dimensionado o inversor.

Intervalo de tensão MPP UMPP U Especifica o intervalo de tensão de entrada no qual o inversor procura o ponto MPP.

Tensão máxima DC UDC MÁX. U Tensão fotovoltaica máxima à entrada do inversor.

Tensão de desligamento UDC OFF U Tensão fotovoltaica mínima para a qual o inversor ainda opera.

Tensão nominal AC Un AC U Tensão de saída AC do inversor (normalmente 230 V).

Corrente nominal DC In DC A Corrente fotovoltaica para a qual é dimensionado o inversor.

Corrente máxima DC IDC max A Corrente máxima fotovoltaica na entrada do inversor.

Corrente nominal AC In AC A Corrente AC que é injectada pelo inversor na rede à potência nominal.

Corrente máxima AC IAC max A Corrente máxima AC à saída do inversor.

Taxa de distorção K % Factor de qualidade da corrente ou da tensão fornecida (calcula-se a partir do rácio entre o valor RMS
harmónica das componentes harmónicas e a fundamental), deve ser inferior a 5 %.
Nível de ruído dB (A) Dependendo do tipo e da classe de desempenho, o ruído em operação pode atingir diversos níveis -
isto deve ser tomado em conta ao escolher a localização do inversor.
Intervalo de temperatura T °C Dependendo do tipo e da classe de desempenho, existem vários intervalos de temperaturas; para ter
em atenção ao escolher a localização do inversor (por exemplo um sótão ou no exterior).

Tabela 47
Características dos inversores.
158 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.10. Instalação eléctrica (quadro eléctrico, cablagem,


protecções contra descargas atmosféricas, disjuntores,
fusíveis e outros elementos do circuito eléctrico)
2.10.1. Condutores e cabos eléctricos
Os condutores utilizados nas instalações eléctricas são geralmente de cobre
(figura 218) ou de alumínio. O condutor eléctrico pode ser dividido em:
Fig. 218
Condutor de cobre não isolado unifilar.
– Condutor nu: é um condutor que não possui qualquer isolamento eléctrico
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa contínuo.
– Condutor isolado: é o conjunto constituído pela alma condutora(1) reves-
tida de uma ou mais camadas de material isolante que garantem o seu
isolamento eléctrico.

Nota: (1) A alma condutora pode ser constituída por um único fio (unifilar) ou
por um conjunto de fios (multifilar).

Cabo isolado é o condutor isolado que tem uma bainha, ou o conjunto de con-
dutores isolados devidamente agrupados, dotados de uma bainha, trança ou
Fig. 219 outra envolvente comum.
Condutor de cobre isolado multifilar.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Fig. 220
Constituição de um condutor.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

As instalações eléctricas de corrente alternada (AC) podem ser monofásicas ou


trifásicas. As cores normalizadas do isolamento para identificação dos condu-
tores são as seguintes:

– Azul claro para o neutro;


– Castanho, preto ou cinzento para a fase;
– Verde e amarelo para o condutor de protecção (PE).

Fig. 221
Cores normalizadas dos condutores
para corrente alternada.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Nas instalações de corrente contínua (DC), as cores mais utilizadas são o ver-
melho (associado ao condutor positivo) e o preto (condutor negativo).
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 159

Fig. 222
Cores normalizadas dos condutores
em corrente contínua.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Segundo as RTIEBT, as secções dos condutores dos circuitos das instalações


de locais de habitação devem ser determinadas em função das potências pre-
visíveis, sendo os seus valores mínimos indicados na seguinte tabela:

Tabela 48
Natureza dos circuitos Secção (mm2)
Secções mínimas dos condutores
dos circuitos em locais de habitação
Iluminação 1,5
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
Tomadas 2,5

Termoacumuladores 2,5

Máquina de lavar e de secar roupa ou lavar loiça 2,5

Fogões 4

Climatização ambiente 2,5

A secção que se utiliza nos condutores para ligação de aparelhos móveis ou


portáteis de baixa potência poderá ser de 0,75 ou mesmo de 0,5 mm2 no caso
de condutores extraflexíveis (as pontas de prova dos multímetros utilizam con-
dutores deste tipo). Fig. 223
Condutores isolados em condutas circulares (tubos)
embebidas nos elementos da construção,
A vida útil dos condutores e do seu isolamento dependerá do esforço térmico em alvenaria.
que vierem a suportar, isto é, do aquecimento provocado pela passagem de
corrente de serviço (IB) (d 70 °C para o policloreto de vinilo – PVC e d 90 °C para Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

o polietileno reticulado – XPLE ou o etileno- propileno – EPR).

Tabela 49
Secção do condutor (mm2) Intensidade da corrente (A) Correntes admissíveis, em amperes,
paradois condutores carregados isolados
a policloreto de vinilo (PVC).
1,5 17,5

2,5 24

4 32

6 41

10 57

16 76

25 101

35 125

50 151

70 192

95 232

120 269
160 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

No lado esquerdo, estão representadas algumas características dos conduto-


res e dos cabos isolados.

No quadro seguinte apresentam-se símbolos utilizados nas designações in-


ternacionais de cabos eléctricos. Estes símbolos obedecem ao Documento
de Harmonização HD - 361 do CENELEC, tendo sido adoptado como Norma
Portuguesa com o número NP-2361.

Fig. 224
Exemplos de designação
de condutores e cabos.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Tabela 50
Designação simbólica de condutores
e cabos isolados até 450/750 V,
segundo o HD 361.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
Nota: A tensão estipulada de um cabo é a tensão para a qual este está previs-
(1) Exemplo: Cabo de tensão nominal 06 /1 kV, constituido por
4 condutores rígidos multifilares de cobre, 10 mm2 de secção, to. Para cabos de baixa tensão, é designada por U0 /U, em que U0 é o valor efi-
isolados a policloreto de vinilo, uma bainha composição de regu-
larização, uma armadura de duas fitas de aço e uma exterior de
caz da tensão entre a alma condutora e o potencial de referência (normalmente
uma composição de policloreto de vinilo - H 1 V Z4 V - R 4 x 10. a terra), e U é o valor eficaz da tensão entre fases.

Exemplo: Um cabo cuja tensão estipulada é 300/500 V, pode ser utilizado em


circuitos em que a tensão não exceda 300 V entre qualquer condutor e a terra
e 500 V entre fases.

De seguida são apresentados os cabos mais utilizados na ligação à rede públi-


ca de distribuição.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 161

Exemplo V V (frt) 5 G 6 0,6/1 h

Símbolo 

- Cobre Sem letra


Material dos condutores - Alumínio multifilar L
- Alumínio maciço
- C ondutores rígidos Sem letra
Grau de flexibilidade - Condutores flexíveis F
- Condutores extra-flexíveis FF
- Borracha de etileno-propileno B
- Etileno acetato de vinho G
- Papel P
Material do isolamento
- Policloreto de vinilo - PVC V
- Polietileno - PE E
- Polietileno reticulado - XLPE X
- Blindagem individual HI
- Blindagem colectiva H
Blindagem - Blindagem de estanque:
- Individual 1HI
- Colectiva 1H
- Magnéticos:
- Fitas de aço A
- Fios de aço R
- Barrinhas de aço M
- Trança de aço galvanizado 1Q
Revestimentos metálicos para protecção mecânica
- Não magnéticos:
- Fitas 1A
- Fios 1R
- Barrinhas 1M
- Trança de cobre Q
- Cableados ou torcidos Sem letra
Forma de agrupamento dos condutores isolados - Dispostos paralelamente D
- Cabos auto-suportados S
- Não metálico:
- Borracha de etileno-propileno B
- Etileno acetato de vinilo G
- Papel P
- Policloreto de vinilo - PVC V
Material das bainhas
- Polietileno - PE E
- Polietileno reticulado - XLPE X
- Metálico:
- Alumínio L
- Chumbo C
- Retardante ao fogo (frt)
- Resistente ao fogo (frs)
- Baixa opacidade dos fumos libertados (Is)
Comportamento ao fogo - Baixa corrosividade dos (Ia)
fumos libertados
- Baixa toxidade dos fumos libertados (It)
- Isento de halogéneos (zh)

Composição - Número de condutores

- Ausência de condutor X
verde/amarelo
- Existência de condutor verde/amarelo G
2
- Secção do condutor (mm )
Tensão estipulada Uo/U kV

Tabela 51
Designação simbólica de condutores e cabos isolados para tensões acima de 0,6/1 KV.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
162 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 225
Cabos mais utilizados na ligação
à rede pública de distribuição.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

2.10.2. Quadros eléctricos


Um quadro eléctrico é um conjunto de equipamentos convenientemente agru-
pados (incluindo as suas ligações, estruturas de suporte e invólucro), destina-
dos a proteger, a comandar ou a controlar instalações eléctricas.

É nos quadros eléctricos que se encontram os dispositivos para a protecção


dos circuitos eléctricos contra sobreintensidades (curtos-circuitos ou sobre-
cargas) e para a protecção das pessoas contra contactos directos e indirectos.

2.10.2.1. Quadro eléctrico de entrada

Fig. 226
Quadro eléctrico e
respectivo símbolo.

Fonte: Hager

Cada instalação eléctrica deve ser dotada de um quadro de entrada. Este deve-
rá estar dentro do recinto servido pela instalação eléctrica, tanto quanto possí-
vel junto ao acesso normal deste e do local de entrada de energia.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 163

No caso de uma instalação eléctrica servir diversos pisos de um mesmo edi-


fício, cada um deles deverá ter um quadro que aí desempenhe a função de
quadro de entrada. O código de protecção mínimo do quadro de entrada é IP20
e IK03.

O quadro deve ser instalado em local adequado e de fácil acesso, para que
os aparelhos nele montados fiquem, em relação ao pavimento, em posição
acessível (entre 1 m e 1,80 m). No caso de existirem quadros parciais de distri-
buição, os mesmos deverão ter origem no quadro de entrada.

Fig. 227
Diagrama de blocos da instalação
de uma habitação.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

O quadro de entrada deve estar dotado de um dispositivo de corte geral que


interrompa simultaneamente todos os condutores activos (fases e neutro).

A função de interrupção pode ser assegurada pelo disjuntor de controlo de


potência contratada sempre que este exista no local.

A corrente mínima para o aparelho de corte deve ser pelo menos correspon-
dente à potência prevista para a instalação, tendo um mínimo de 16 A.

Por sua vez, os quadros devem ser equipados com barramento de fase, de
neutro, bem como barramento ou ligador de terra devidamente identificado.

Fig. 228
Barramento de terra.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

O pente de alimentação permite a alimentação directa da fase e neutro a partir


de um aparelho com dispositivo de chegada/partida pela parte superior.

Fig. 229
Pente de alimentação.

Fonte: Hager
164 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Se não existir uma portinhola nem quadro de coluna (instalação colectiva dos
prédios), a instalação tem origem nos ligadores de entrada do aparelho de cor-
te (de entrada) se estiver a jusante do contador.

Fig. 230
Diagrama unifilar de um quadro
eléctrico de entrada.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Leitura da informação técnica no diferencial

2.10.2.2. Aparelho de corte diferencial

Fig. 231
Informação técnica sobre um
interruptor diferencial Interruptor
e respectiva simbologia. diferencial de 2
Fonte: Hager pólos, com 40 A
de corrente nominal

Corrente diferencial
300 mA (média
sensibilidade)

Intensidade
nominal
de 40 A

Simbologia:

Disjuntor diferencial

Interruptor diferencial
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 165

2.10.2.3. Aparelho de corte magnetotérmico Fig. 232


Informação técnica sobre um disjuntor
magnetotérmico e respectiva simbologia.

Fonte: Hager

Poder de corte
Intensidade (3000 A)
nominal

Disjuntor
magnético

Simbologia:

Disjuntor

De salientar que a protecção contra sobreintensidades apenas deverá ser efec-


tuada nos condutores de fase.

Quadro eléctrico Tabela 52


Simbologia dos equipamentos
mais usuais nos quadros eléctricos.
Fusível
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
Disjuntor

Disjuntor diferencial

Interruptor diferencial

Fig. 233
Quadro de entrada
monofásico de uma habitação.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
166 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 234
Esquema unifilar do quadro eléctrico de
entrada, com diâmetros de tubos,número
de condutores, secções e disjuntores.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

No que se refere ao regime de neutro para estas instalações, o esquema de


ligações típico é o esquema TT (ligação das massas à terra em associação com
o aparelho diferencial).

A protecção de pessoas contra contactos indirectos é tipicamente realizada por


meio de aparelhos diferenciais (ID – Interruptor Diferencial ou DDR – Disjuntor
Diferencial) de sensibilidade adequada.

A selecção da sensibilidade (,ǻn) do aparelho diferencial deve ter em conta os


valores máximos da resistência de terra previsível e ainda as tensões limite
convencionais (UL = 25 V para cozinhas, casas de banho, locais húmidos e mo-
lhados em geral; e UL = 50 V para os restantes casos).

2.10.2.4. Protecção contra descargas atmosféricas


Para a protecção contra sobretensões usa-se um descarregador de sobreten-
sões (DST) a instalar à entrada da instalação (a montante ou a jusante do dis-
positivo diferencial).

É uma protecção recomendada quando as instalações forem alimentadas por


redes aéreas de distribuição em BT (condutores nus ou torçadas) e quando a
segurança de bens e/ou a continuidade de serviço forem relevantes.

Fig. 235
Ligação de um descarregador
de sobretensões.

Fonte: Hager
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 167

Tensão limite Tabela 53


Corrente residual- Valor máximo da Valor máximo da
convencional de Selecção da sensibilidade
Sensibilidade diferencial estipu- resistência de resistência de do aparelho diferencial.
contacto UL = 50 V
lada (Iǻn) terra UL = 50 V terra UL = 25 V
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
Aplicável às insta-
20 A 2,5 ȍ 1,25 ȍ
lações em locais
10 A 5ȍ 2,5 ȍ de habitação,
Baixa tipo insdustrial,
5A 10 ȍ 5ȍ
sensibilidade comercial e outros
3A 17 ȍ 8,3 ȍ não classifica-
dos como locais
1A 50 ȍ 25 ȍ
especiais.
500 mA 100 ȍ 50 ȍ Tensão limite
Média convencional de
300 mA 167 ȍ 83,3 ȍ
sensibilidade contacto UL = 25 V
100 mA 500 ȍ 250 ȍ
Aplicável às
30 mA 1670 ȍ 833 ȍ
instalações e
Alta sensibilidade 12 mA 4170 ȍ 2083 ȍ locais especiais.
6 mA 8330 ȍ 4167 ȍ
Valores máximos da resistência de terra em função da sensibilidade do aparelho de protecção diferen-
cial, por exemplo, se for de 500 mA:
R x Iǻ ” 50 V R ” 50 / 0,5 R ” 100 ȍ
R x Iǻ ” 25 V R ” 25 / 0,5 R ” 50 ȍ

Nota: Na medida do possível, a resistência de terra não deve exceder 100 ȍ

2.10.3. Escolha do regime de neutro

2.10.3.1. Sistema TT
T – Ligação directa do neutro à terra de serviço;
T – Massas ligadas directamente à terra de protecção.

Fig. 236
Sistema TT.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

O sistema TT é o mais comum, sendo aplicado na generalidade das alimenta-


ções de energia eléctrica.

Vantagens:

– Mais simples no estudo e na concepção;


– Fácil localização dos defeitos.

Desvantagem:

– Corte da instalação ao primeiro defeito de isolamento.

Nota: Deverá ser efectuado o teste periódico ao disjuntor ou interruptor diferencial.


168 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.10.3.2. Sistema TN
T – Ligação directa do neutro à terra de serviço;
N – Massas ligadas directamente ao neutro.

TN-C – Condutor neutro (N) e de protecção (PE) comuns (PEN)

Fig. 237
Sistema TN-C.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Sistema TN-C
Utiliza-se fundamentalmente em certas instalações industriais e em redes
onde é difícil conseguir boas ligações à terra ou não é viável a utilização de
dispositivos diferenciais.

Vantagens:

– O esquema TN-C representa uma economia para a instalação porque elimi-


na a necessidade de um condutor;
– Os aparelhos de protecção contra sobreintensidades podem assegurar a
protecção contra contactos indirectos.

Desvantagens:

– Corte da instalação ao primeiro defeito de isolamento;


– Precauções acrescidas para não ser cortado o condutor neutro que também
é de protecção;
– Maiores riscos de incêndio devido às elevadas correntes de defeito.

TN-S – Condutor neutro (N) e de protecção (PE) separados

Fig. 238
Sistema TN-S.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 169

2.10.3.3. Sistema IT
I – Neutro isolado da terra ou ligado à terra por impedância
de valor elevado;
T – Massas ligadas directamente à terra de protecção.

Fig. 239
Sistema IT.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

É o sistema mais indicado quando se pretende evitar o corte automático ao


primeiro defeito. As salas de operações nos hospitais são um exemplo de apli-
cação.

Vantagem:

– Este sistema assegura a melhor continuidade de serviço em exploração.

Desvantagem: Sabia que

– É aconselhada uma monitorização adequada do sistema.


Fibrilação: É causada pela passagem da
2.10.4. Choque eléctrico corrente eléctrica pelo coração, o que pro-
voca no músculo cardíaco uma “desorga-
A corrente eléctrica agirá sobre o corpo de três maneiras: nização” completa.

– Por contracção dos músculos (tetanização);


– Por queimaduras;
– Por acção sobre o coração.

Fig. 240
Reacções do corpo humano
face à corrente eléctrica.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Legenda:
(1) Habitualmente nenhuma reacção;
(2) Habitualmente nenhum efeito fisiopatológico perigoso;
(3) Habitualmente nenhum risco de fibrilação;
(4) Fibrilação possível (probabilidade até 50%);
(5) Risco de fibrilação (probabilidade superior a 50%).
170 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

2.10.5. Dispositivos de protecção


Os aparelhos de protecção têm como função proteger todos os elementos
que constituem uma instalação eléctrica contra os diferentes tipos de defei-
tos que podem ocorrer.

Os principais tipos de defeitos que podem ocorrer num circuito são:

Sobreintensidade – Se a corrente eléctrica de serviço (IB) ultrapassar o


valor máximo (Iz) permitido nos condutores diz-se que há uma sobreinten-
sidade.

Por exemplo, demasiados aparelhos ligados simultaneamente num mesmo


circuito podem originar uma sobrecarga, que é uma sobreintensidade em
que a corrente de serviço no circuito é superior ou ligeiramente superior à
intensidade máxima permitida nos condutores (IB > Iz).

Se, por exemplo, dois pontos do circuito com potenciais eléctricos diferentes
entram em contacto directo entre si, estamos na presença de um curto-circuito
que é uma sobreintensidade em que a corrente de serviço no circuito é muito
superior à intensidade máxima permitida nos condutores (IB >> Iz).

Para proteger os circuitos contra sobreintensidades (sobrecargas ou curto-cir-


cuitos) são usados disjuntores de baixa tensão ou corta-circuitos fusíveis que
interrompem automaticamente a passagem da corrente no circuito, evitando
um sobreaquecimento dos condutores, e que pode originar um incêndio.

Fig. 241
Disjuntor magnetotérmico e fusível.

Fonte: Hager

Sobretensões – As sobretensões (aumento da tensão) podem ser de origem


externa (descarga atmosférica nas linhas) ou de origem interna (manobras na
rede, deficiências de isolamento com linhas de tensão mais elevada). São ge-
ralmente bruscas e podem danificar a aparelhagem eléctrica, particularmente
a de informática e de electrónica.

Subtensões – As subtensões (abaixamento da tensão) podem ocorrer por:

– Excesso de carga ligada (originando quedas de tensão nas linhas e cabos);


– Desequilíbrio acentuado na rede trifásica;
– Rotura de uma das fases;
– Contactos à terra de uma fase.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 171

2.10.6. Disjuntores de baixa tensão


Um disjuntor é constituído pelo relé, com um órgão de disparo (disparador) e
um órgão de corte (o interruptor) e dotado também de convenientes meios de
extinção do arco eléctrico (câmaras de extinção do arco eléctrico).

Fig. 242
Constituição de um
disjuntor magnetotérmico.

Fonte: Hager

Como disjuntor mais vulgar fabrica-se o disjuntor magnetotérmico que possui


um relé electromagnético que protege contra curtos-circuitos e um relé tér-
mico, constituído por uma lâmina bimetálica, que protege contra sobrecargas.

As características mais importantes na escolha de um disjuntor são:

– Corrente estipulada (vulgarmente designada por calibre): valor para o qual o


disjuntor não actua;
– Correntes estipuladas: 6 – 10 – 16 – 20 – 25 – 32 – 40 – 50 – 63 – 80 – 100
– 125 A, etc;
– Corrente convencional de não funcionamento: valor para o qual o disjuntor
não deve funcionar durante o tempo convencional;
– Corrente convencional de funcionamento: valor para o qual o disjuntor deve
funcionar antes de terminar o tempo convencional;
– Poder de corte: corrente máxima de curto-circuito que o disjuntor é capaz de
interromper sem se danificar.

Os poderes de corte estipulados normalizados são: 1,5 – 3 – 4,5 – 6 – 10 kA, etc.

Exemplo:

Corrente convencional Tabela 54


Corrente convencional
Calibre (In) de não funcionamento Poder de corte (Pdc)
de funcionamento (I2)
(Inf)

16 A 18 A (1,13 x In) 23 A (1,45 x In) 6 KA

Para uma corrente estipulada do disjuntor d 63 A, o tempo convencional é de 1


hora, para uma corrente estipulada > 63 A, o tempo convencional é de 2 horas.

Curva característica do disjuntor


Consoante os fabricantes, tendo em conta as zonas características de funcio-
namento, podem definir-se vários tipos de disjuntores:
172 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

– Tipo B (equivalente ao tipo L na norma francesa e alemã): o seu tempo de


disparo magnético é mais curto (ideal para curto-circuitos de valor reduzido).
– Tipo C (equivalente ao tipo U e tipo G na norma francesa e alemã respecti-
vamente): o seu tempo de disparo magnético é mais curto.
– Tipo D (equivalente ao tipo D e tipo K na norma francesa e alemã respecti-
vamente): o seu tempo de disparo magnético é mais longo e pode permitir
utilizá-lo na protecção de circuitos com elevadas pontas de corrente de ar-
ranque.

Fig. 243
Curvas características de um disjuntor.

Fonte: “Sistemas de Protecção Eléctrica” ,


Ludgero Leote e José Matias

Fig. 244
Estado de um fusível.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/index.html

2.10.7. Fusíveis
Um corta-circuito fusível é constituído por um fio ou lâmina condutora, dentro
de um invólucro.

O fio ou lâmina condutora (prata, cobre, chumbo…) é calibrado de forma a po-


der suportar sem fundir a intensidade para a qual está calibrado.

Se a intensidade ultrapassar razoavelmente esse valor, ele deve fundir (inter-


rompendo o circuito) tanto mais depressa quanto maior for o valor da intensi-
dade da corrente.

Os fusíveis mais utilizados no mercado são os seguintes:


Fig. 245
Fusível do tipo cartucho. – Fusível do tipo cartucho - tamanhos mais usuais: 00; 1; 2: 3; 4;
Fonte: Hager – Fusível do tipo cilíndrico - tamanhos mais usuais: 8,5 x 31,5; 10,3 x 38; 14 x
51; 22 x 58 mm.

Características dos fusíveis:

– Corrente estipulada (In): é a intensidade de corrente que o fusível pode


suportar permanentemente sem fundir;
– Corrente convencional de não funcionamento (Inf): valor da corrente para
o qual o fusível não deve funcionar durante o tempo convencional;
– Corrente convencional de funcionamento (I2): valor da corrente para o
qual o fusível deve funcionar antes de terminar o tempo convencional;
– Poder de corte (Pdc): é a máxima intensidade de corrente que o fusível é
Fig. 246 capaz de interromper, sem destruição do invólucro do elemento fusível;
Fusível do tipo cilíndrico.
– Tensão nominal (Un): é a tensão que serve de base ao dimensionamento
Fonte: Hager do fusível, do ponto de vista do isolamento eléctrico.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 173

Curva característica do fusível


Curva intensidade/tempo de fusão – é a curva que relaciona os valores
da intensidade à qual o fusível funde com o respectivo tempo que o fusível
demora a fundir. O fusível não funde para a sua intensidade nominal (IN) ou
calibre. O fusível funde em B mais depressa do que em A, visto que I é mais
elevado em B.

Fig. 247
Curva intensidade/tempo de fusão.

Fonte: “Sistemas de Protecção Eléctrica”,


Ludgero Leote e José Matias

Tipos de fusíveis
Fusíveis do tipo gG
Estes fusíveis são do “tipo geral” e designam-se por fusíveis de acção lenta.
São previstos para protecção contra sobrecargas e contra curtos-circuitos.

Fusíveis do tipo aM
São previstos para a protecção contra curtos-circuitos. Não funcionam para
pequenas e médias sobrecargas.

2.10.8. Análise de problemas eléctricos


Nas instalações eléctricas de utilização devem ser adoptadas medidas des-
tinadas a garantir a protecção das pessoas contra os chamados choques
eléctricos. Fig. 248
Fusíveis do tipo gG.

Segundo as RTIEBT (Parte 4 – Secção 41), nas instalações de utilização de- Fonte: Hager
vem ser tomadas medidas destinadas a garantir a protecção das pessoas
contra os contactos directos e os contactos indirectos.

A protecção contra os contactos directos envolve fundamentalmente medi-


das preventivas.

A protecção contra contactos indirectos é usualmente feita através da utili-


zação de aparelhos sensíveis à corrente diferencial-residual resultante de um
defeito de isolamento.

Contacto directo
Contacto directo dá-se quando o utilizador toca directamente nos condutores
ou nas partes ”activas” das instalações ou aparelhos, sob tensão eléctrica.

Os contactos eléctricos directos podem ser unipolares ou bipolares. Fig. 249


Fusíveis do tipo aM.

Parte ”activa” é o condutor ou parte condutora, destinada a estar em tensão Fonte: Hager

em serviço normal (incluindo o condutor neutro).


174 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 250
Exemplo de um contacto directo.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Contacto indirecto
Contacto indirecto dá-se quando o utilizador toca ou empunha ”massas” que
ficaram acidentalmente sob tensão eléctrica.

Fig. 251
Exemplo de um contacto indirecto.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

A ”massa” é qualquer elemento metálico susceptível de ser tocado, em regra


isolado das partes activas de um material ou aparelho eléctrico, mas que pode
ficar acidentalmente sob tensão em caso de defeito.

Protecção contra contactos directos


Para protecção das pessoas contra os contactos directos, as RTIEBT (Secção
412) preconizam essencialmente medidas preventivas que, em alguns casos,
podem ser complementadas pela instalação de dispositivos diferenciais de alta
sensibilidade (de 6, 12 ou 30 mA).

Fig. 252
Exemplo de um
diferencial de 30 mA.

Fonte: Hager
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 175

Protecção contra contactos indirectos (Secção 413 das RTIEBT)


Para a protecção das pessoas contra os contactos indirectos (Secção 413 das
RTIEBT) no regime de neutro TT, instala-se no início do circuito um disjuntor
diferencial (DDR) ou interruptor diferencial (ID) e ligam-se as massas metálicas
dos equipamentos a um condutor de terra que, por sua vez, será ligado a um
eléctrodo de terra.

A diferença fundamental entre o disjuntor diferencial e o interruptor diferencial


reside no facto de o disjuntor, além de ter protecção diferencial (contra as corren-
tes de fuga) tal como o interruptor diferencial, tem também protecção magne-
totérmica, isto é, está protegido contra sobrecargas e curtos-circuitos. Portanto,
o disjuntor é mais completo, sendo o interruptor utilizado quando as outras pro-
tecções (contra sobrecargas e curtos-circuitos) já estão asseguradas por outros
órgãos de protecção.
Fig. 253
Exemplo de uma aplicação
de um interruptor diferencial.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/fasp.esds1

Funcionamento de um diferencial

Fig. 254
Esquema da constituição interna
de um interruptor diferencial.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
176 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Princípio de funcionamento
Na ausência de defeito:
IF = IN (já que não há corrente de fuga para a terra).
ĭF = ĭN
ĭF – ĭN = 0

Logo, não há corrente induzida na bobina de detecção que acciona o relé. Os


contactos continuam fechados. A instalação funciona normalmente.

Na presença de um defeito de isolamento:


IF > IN (já que há corrente de fuga para a terra).
ĭF > ĭN
ĭF – ĭN z 0

Logo, há corrente induzida na bobina de detecção que acciona o relé. Os con-


tactos abrem. A instalação é desligada.

Sensibilidade de um diferencial
A sensibilidade de um aparelho diferencial é o valor da corrente resultante de
um defeito – corrente diferencial-residual estipulada Iǻn – que faz abrir obri-
gatoriamente o circuito defeituoso.

Existem aparelhos diferenciais de alta, média e baixa sensibilidade.


Tabela 55
Sensibilidade dos
Sensibilidade Alta (246a) Média (246a) Baixa (A)
aparelhos diferenciais.

Iǻn 6 - 12 - 30 100 - 300 - 500 1 - 3 -5 - 10 - 20

O sistema deve garantir que a tensão de contacto seja inferior a 50 V (massas


não empunháveis) ou 25 V (massas empunháveis), ou seja, que o aparelho
de protecção corte o circuito quando a tensão de contacto atingir os valores
indicados. O produto da resistência de terra de protecção pela intensidade de
corrente que faz funcionar o diferencial terá de ser inferior à tensão limite con-
vencional definida (25 ou 50 V).

R – Resistência de terra de protecção em :;


Iǻn – Corrente de funcionamento do aparelho de protecção, ou seja, a corrente
diferencial-residual estipulada do aparelho diferencial.

Relação sensibilidade/resistência de terra


Valores máximos da resistência de terra em função da sensibilidade do apare-
lho de protecção diferencial, por exemplo, se forem de 500 mA.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 177

Valor máximo de Valor máximo de Tabela 56


Corrente residual
resistência de terra das resistência de terra das Selecção de aparelhos diferenciais
Sensibilidade diferencial estipulada conforme os valores máximos da
massas (Ohm) UL = 50 V massas (Ohm) UL = 25 V
(Iǻn) resistência de terra.
Corrente alternada Corrente alternada
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
20 A 2,5 1,25

10 A 5 2,5

Baixa sensibilidade 5A 10 5

3A 17 8,3

1A 50 25

500 mA 100 50

Média sensibilidade 300 mA 167 83,3

100 mA 500 250

30 mA 1670 833

Alta sensibilidade 12 mA 4170 2083

6 mA 8330 4167

Protecção contra sobrecargas


A protecção contra sobrecargas das canalizações eléctricas é assegurada se
as características dos aparelhos de protecção respeitarem simultaneamente
as seguintes condições:

– A corrente estipulada do dispositivo de protecção (In) seja maior ou igual à


corrente de serviço da canalização respectiva (IB) e menor ou igual que a
corrente máxima admissível na canalização (IZ).

– A corrente convencional de funcionamento do dispositivo de protecção (I2)


seja menor ou igual a 1,45 da corrente máxima admissível na canalização (IZ).

Fig. 255
Escolha do tipo
de dispositivo de protecção.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Protecção contra curtos-circuitos


A protecção contra curtos-circuitos das canalizações eléctricas é assegurada
se as características dos aparelhos de protecção respeitarem simultaneamen-
te as seguintes condições:

– Regra do poder de corte: o poder de corte não deve ser inferior à corrente
de curto-circuito presumida no ponto de localização.
178 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Exercício Resolvido – Regra do tempo de corte: o tempo de corte resultante de um curto-circuito


em qualquer ponto do circuito não deverá ser superior ao tempo correspon-
dente à elevação da temperatura do condutor ao seu máximo admissível.
Seleccione o calibre (In) do disjuntor de
protecção contra sobrecargas de uma
canalização constituída por condutores Para curtos-circuitos de duração até 5 s, o tempo aproximado correspondente
H07V-U3G2,5 mm2, em tubo, que vão ali- à elevação da temperatura do condutor ao seu máximo admissível é dado pela
mentar uma máquina de lavar roupa cuja expressão:
intensidade de serviço (IB) é de 14,6 A.

Resolução:

IB = 14,6 A Em que:
S = 2,5 mm2 ĺ IZ = 24 A (Quadro 52-C1 - t – tempo expresso em segundos;
Parte 5/Anexos das RTIEBT) S – secção dos condutores em mm2;
1.a condição:
ICC – corrente de curto-circuito em A, para um defeito franco no ponto mais
afastado do circuito;
IB d In d IZ K – constante, variável com o tipo de isolamento e da alma condutora, igual a
115 para condutores de cobre e isolamento em PVC.
A intensidade nominal do disjuntor (In)
terá de ser maior ou igual a 14,6 A (IB).
Sabendo que as correntes estipuladas
2.10.9. Selectividade dos aparelhos de protecção
dos disjuntores são de 6 – 10 – 16 – 20 Sempre que os dispositivos de protecção sejam instalados em cascata, a se-
– 25 – 32 – 40 … encontramos nessa si- lectividade entre eles deverá ser garantida.
tuação o disjuntor com uma intensidade
nominal de 16 A. Assim, a 1.a condição Diz-se que há selectividade dos aparelhos de protecção quando, em caso de
está verificada:
defeito, apenas actua o aparelho de protecção imediatamente a montante do
14,6 < 16 < 24 defeito.

2.a condição: Na prática, a selectividade é garantida se:


I2 d 1,45 x IZ
– A intensidade nominal do corta-circuito fusível colocado a montante for igual
A corrente convencional de funcionamen- ou maior a três vezes a intensidade nominal do corta-circuitos fusível coloca-
to (I2) do disjuntor de 16 A é de 23 A (1,45 do a jusante (selectividade entre corta-circuitos fusível).
x In). – A intensidade nominal do disjuntor colocado a montante for igual ou maior
a duas vezes a intensidade nominal do disjuntor colocado a jusante (selecti-
A 2.a condição está verificada já que:
vidade entre disjuntores).
23 d 1,45 x 24 – As curvas características do aparelho de protecção contra sobrecargas e
23 < 34,8 do aparelho de protecção contra curtos-circuitos forem tais que actue o pri-
meiro aparelho situado a montante (selectividade entre disjuntores e corta-
O calibre ou a intensidade nominal do -circuitos fusível).
disjuntor a utilizar seria de 16 A.

Selectividade entre corta-circuitos fusível


Nota: Canalização é o conjunto constituído por
um ou mais condutores eléctricos e pelos ele-
mentos que garantem a sua fixação e, em regra,
a sua protecção mecânica.

O tipo de canalização a empregar deverá ser


escolhido de acordo com as condições ambien-
tes e de utilização do local. No estabelecimento
das canalizações deverá, na medida do possível,
evitar-se submeter as canalizações a esforços
mecânicos desnecessários, reduzindo o núme-
ro de curvas, de travessias, etc.

Fig. 256
Selectividade entre
corta-circuitos fusível.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 179

Exemplo:
Fig. 257
Exemplo de uma selectividade
entre corta-circuitos fusível.

Na figura acima, o fusível de 25 A fica em funcionamento (funde) devido ao


defeito ocorrido na canalização ou aparelho que ele protege. Neste caso temos
selectividade, evitando que os restantes circuitos deixem de funcionar.

Selectividade entre disjuntores

Fig. 258
Selectividade entre disjuntores.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Selectividade parcial
Tempos de funcionamento iguais para corrente de defeito diferente.

Fig. 259
Gráfico de selectividade parcial
entre dois disjuntores.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
180 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Selectividade total
Tempos de funcionamento diferentes para correntes de defeito diferentes.

Fig. 260
Gráfico de selectividade total
entre três disjuntores.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Selectividade entre disjuntores e corta-circuitos fusível


Como se pode ver pelo gráfico, para a mesma intensidade da corrente o fu-
sível actua primeiro que o disjuntor, assegurando-se assim a selectividade na
protecção eléctrica.

Fig. 261
Gráfico de selectividade entre
disjuntores e corta-circuitos fusível.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Selectividade entre diferenciais


Na figura abaixo, o dispositivo diferencial D1 instalado a montante tem Iǻn =
500 mA que deve ser pelo menos duas vezes (2x) superior aos dispositivos
diferenciais a jusante D2 e D3, respectivamente 30 e 100 mA.

Fig. 262
Selectividade entre dois
níveis de protecção.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

* Diferencial geral do tipo S – Protecção selectiva


Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 181

Na seguinte figura o diferencial D1 tem um Iǻn de pelo menos duas vezes su-
perior aos dispositivos diferenciais montados a montante D2 e D3.

Por sua vez, o dispositivo diferencial D2 também tem o seu Iǻn de pelo me-
nos duas vezes superior a D4, D5 e D6, de forma a garantir mais um nível de
protecção.

Fig. 263
Selectividade entre três
níveis de protecção.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Para garantir selectividade é indispensável equiparar as características de fun-


cionamento dos dispositivos de protecção susceptíveis de serem percorridos
pela corrente de defeito. A selectividade pode ser total ou parcial. Será total
quando for válida para qualquer que seja o valor da corrente de defeito. Por
outro lado, será parcial se apenas se verificar para uma gama limitada de cor-
rentes, verificando-se neste caso o disparo simultâneo de um aparelho de pro-
tecção. Dever-se-á ter em conta que as condições de selectividade dependem
da natureza dos dispositivos de protecção utilizados.

Tipos de diferenciais em função das características de funcionamento:

Tipo G – Usos gerais – Característica de funcionamento instantânea.


Tipo S – Utilização com selectividade – Características de funcionamento se-
lectiva em relação ao aparelho do tipo G, obtida a partir de uma temporização
fixa de disparo de 40 ms.

2.10.10. Sistemas de terra de protecção


A resistência do circuito de terra depende de dois factores:

– A resistividade do terreno circundante;


– A estrutura do eléctrodo de terra.

A resistividade do terreno depende:

– Da composição do solo (argila, cascalho e areia, etc.);


– Do teor de sais minerais;
– Da temperatura (a resistividade aumenta quando diminui a temperatura);
– Da profundidade (a resistividade pode diminuir com a profundidade).
182 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Os sistemas de terra de protecção são constituídos basicamente pelos seguin-


tes componentes:

– Eléctrodo ou sistema de eléctrodos de terra;


– Condutores de terra;
– Barramento ou terminal principal de terra;
– Condutores de protecção (PE);
– Ligações equipotenciais.

Fig. 264
Constituição de um sistema
de terra de protecção.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

O ligador de eléctrodo ou terminal principal de terra – permite separar o


eléctrodo de terra do condutor geral de protecção de forma a permitir a respec-
tiva medição de resistência da terra.

Condutor principal de protecção – condutor de protecção com ou sem deri-


vações, ligado, em regra, directamente ao eléctrodo de terra.

Eléctrodo de terra – conjunto de materiais condutores enterrados, destinados


a assegurar boa ligação eléctrica com a terra e ligados, num único ponto–ligador
de eléctrodo – ao condutor geral de protecção.

Terra de protecção – massa condutora da terra.

2.10.10.1. Condutores de terra


Os condutores de terra devem ter continuidade eléctrica e mecânica perfeita-
mente assegurada ao longo de todo o seu percurso, não devendo ter partes
metálicas da instalação intercaladas em série com eles.

Se servirem para ligações a um eléctrodo de terra devem ser dotados de ter-


minal, amovível, que permita verificar a resistência de terra. Devem ser mon-
tados em local e para que não fiquem sujeitos a acções mecânicas, ou serão
protegidos por tubos quando tal sujeição for inevitável (travessias, instalação
junto dos pavimentos, etc.).
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 183

Se os condutores de terra forem enterrados, serão constituídos por cabo de


cobre de secção nominal não inferior a 25 mm.

Os condutores de terra estabelecidos à vista devem ser de cobre nu e ter a


secção necessária às condições de protecção exigíveis; a sua secção mínima
é de 16 mm2.

As braçadeiras terão os seguintes afastamentos máximos:

– Para condutores de diâmetro exterior igual ou inferior a 15 mm: 30 cm;


– Para condutores de diâmetro exterior superior a 15 mm e igual ou inferior a
30 mm: 50 cm.

As braçadeiras devem permitir que os condutores fiquem afastados, pelo me-


nos, 5 mm das paredes ou estruturas onde se apoiam, quando situados em
lugares húmidos (locais de tipo HUM), locais molhados (tipo MOL), lugares
poeirentos (tipo POE) ou locais com ambiente corrosivo (tipo ACO).

Os condutores de terra isolados terão de ser do mesmo tipo de isolamento e


de protecção que os condutores activos nas canalizações a que digam respei-
to, devendo ficar montados nas mesmas condições destes e ser enfiados nos
mesmos tubos utilizados pelos outros condutores.

Eléctrodo de terra
São constituídos por elementos metálicos, tais como chapas, varetas, tubos,
perfilados, cabos ou fitas de cobre, ferro galvanizado ou outro material con-
dutor resistente à corrosão ou protegido contra ela, por revestimento de boa
condutibilidade, e enterrados em condições convenientes.

As canalizações de água, bem como quaisquer outras não eléctricas, não po-
dem ser empregues como eléctrodos de terra. Estes devem ser enterrados
em locais tão húmidos quanto possível, de preferência em terra vegetal e fora
de locais de passagem, e à distância conveniente de depósitos de substâncias
corrosivas que possam infiltrar-se no terreno.

As suas dimensões devem permitir o escoamento fácil às correntes de terra


previstas, de forma a que o seu potencial e o gradiente de potencial à super-
fície do solo sejam os menores possíveis. A área de contacto dos eléctrodos
com a terra, qualquer que seja o metal que os constitua, não pode ser inferior a
um metro quadrado para chapas (obrigatoriamente em posição vertical) e para
cabos, fitas ou outros eléctrodos colocados horizontalmente. As dimensões
mínimas dos eléctrodos de terra são as seguintes:

Chapas:
De cobre: 2 mm de espessura;
De aço galvanizado: 3 mm de espessura.

Varetas:
De cobre ou aço com revestimento de cobre: 15 mm de diâmetro e 2 m de
comprimento;
De aço galvanizado: 20 mm de diâmetro e 2 m de comprimento.

Tubos:
De cobre: 25 mm de diâmetro exterior, 2 mm de espessura e 2 m de com-
primento;
184 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

De aço galvanizado: 25 mm de diâmetro exterior, 3 mm de espessura e 2 m


de comprimento.

Perfilados (de aço galvanizado):


3 mm de espessura, 60 mm nas dimensões transversais e 2 m de compri-
mento.

Cabos:
De cobre: 25 mm2 de secção;
De aço galvanizado: 100 mm2 de secção (diâmetro dos fios não inferior a
1,8 mm).

Fitas:
De cobre: 2 mm de espessura e 25 mm2 de secção;
De aço galvanizado: 3 mm de espessura e 100 mm2 de secção.

As chapas, varetas, tubos e perfilados deverão ficar enterrados verticalmente


no solo, a uma profundidade tal que entre a superfície do solo e o eléctrodo
haja uma distância mínima de 0,80 m.

Para os cabos ou fitas, essa profundidade não deve ser inferior a 0,60 m.

As extremidades da vareta de cobre fixam-se a um borne de ligação. A resis-


tência de um condutor de terra não pode exceder os 100 :, caso contrário
deverá utilizar piquets galvanizados enterrados na terra. Uma barra de corte
Fig. 265 (obrigatória) permite medir a resistência da terra.
Eléctrodo de terra do tipo piquet.

Fonte: Isosigma A ligação do piquet e da barra de corte faz-se com a ajuda de um condutor
isolado (amarelo – verde condutor terra) no mínimo de 16 mm2.

Medição da resistência de terra pelo método de queda de tensão


A resistência de terra do eléctrodo de terra X — que é constituída pratica-
mente pelas resistências de contacto e pelas camadas de terreno que ficam
na proximidade do eléctrodo e nas quais a existência de uma densidade de
corrente elevada provoca quedas de tensão sensíveis — pode medir-se fa-
zendo circular entre X e um eléctrodo de terra auxiliar Z (eléctrodo auxiliar de
corrente) uma corrente IXZ e medindo a tensão V entre X e outro eléctrodo au-
xiliar Y (eléctrodo auxiliar de tensão). O quociente VXY/IXZ toma um valor limite
que é a resistência de terra quando os eléctrodos estiverem suficientemente
afastados uns dos outros.

Nota: Utiliza-se normalmente o método de medida em linha também cha-


mado método dos 62 %, que consiste em utilizar dois eléctrodos de terra
auxiliares colocados no mesmo alinhamento. Um dos eléctrodos, o que se
coloca mais distante da terra a medir e que serve para injectar no solo a
corrente de medida, chama-se eléctrodo de injecção de corrente (Z), sendo
Fig. 266 que o outro serve para a referência de potencial nulo (Y). O correcto posicio-
Medição da resistência de terra
pelo método de queda de tensão.
namento dos dois eléctrodos auxiliares (Z e Y) em relação à terra a medir (X)
tem uma grande importância para se obter uma leitura correcta. O eléctrodo
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa
de potencial nulo (Y) deverá estar a cerca de 62 % da distância XZ. Fazem-se
três medidas com Y colocado mais à direita, Y’, ou mais à esquerda, Y’’. Se a
leitura for igual para as três medidas, então, esse é o valor da resistência do
eléctrodo a medir (X). Se se obtiverem valores diferentes para Y, Y’ e Y’’, isso
significa que na zona de Y o potencial não é nulo, e tem que se afastar mais
o eléctrodo Z e repetir as medidas.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 185

Fig. 267
Esquema da medição da resistência de terra
pelo método de queda de tensão.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Método de medida de terra sem estacas


O método de medida sem estacas é cómodo pois permite medir a resistência
de terra da instalação sem necessidade de desligar o circuito de terra e sem
utilizar nenhuma estaca auxiliar de medida.

Para realizar a medida, o medidor utiliza um transformador especial (pinça de


tensão) que gera uma tensão no condutor de terra com uma frequência de en-
saio (por exemplo de 1,667 kHz) e usa um segundo transformador para medir
a corrente resultante.

Como diminuir o valor da resistência de terra


Caso haja necessidade de diminuir o valor da resistência de terra de um eléc-
trodo, pode recorrer-se a qualquer um dos seguintes processos:

– Aumentar o comprimento dos tubos ou varetas enterrados no solo;


– Aumentar a superfície das chapas ou das fitas em contacto com o solo;
– Enterrar no solo um número suficiente de elementos para que, uma vez liga-
dos em paralelo, se atinja o valor desejado da resistência de terra, convindo
que os vários elementos fiquem a uma distância entre si de cerca de 2 a 3
m, ou, no caso de cabos ou fitas dispostos radialmente, estes formem entre
si ângulos não inferiores a 60 °;
– Aumentar a profundidade a que o eléctrodo se encontra enterrado de forma
a atingir uma camada de terra mais húmida e melhor condutora;
– Aumentar a condutibilidade do solo, preparando-o convenientemente com
a adição de substâncias condutoras adequadas, por exemplo, o sulfato de
cobre.

2.10.11. Verificação das instalações eléctricas


A verificação de uma instalação eléctrica por inspecção visual deve anteceder
a realização dos ensaios e, em regra, deve ser feita com toda a instalação pre-
viamente sem tensão.

A realização de medições numa instalação eléctrica por meio de aparelhos


apropriados, através das quais se comprova a eficácia dessa instalação, é es-
sencial na verificação de uma instalação eléctrica.

Ensaios
A verificação por meio de ensaios deve incluir (quando aplicáveis), pelo menos,
os seguintes ensaios, os quais devem ser realizados, preferencialmente, pela
ordem indicada:
186 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

a. Continuidade dos condutores de protecção e das ligações equipotenciais


principais e suplementares;
b. Resistência de isolamento da instalação eléctrica;
c. Protecção por meio da separação dos circuitos;
d. Resistência de isolamento dos elementos da construção (tectos, paredes,
etc.);
e. Corte automático da alimentação;
f. Ensaio da polaridade;
g. Ensaios funcionais.

Continuidade dos condutores de protecção


A verificação de continuidades é fundamental para se poder garantir o esco-
amento para a terra da corrente de defeito e assim fazer actuar o dispositivo
diferencial antes que a tensão de contacto se torne perigosa.

Os ensaios de continuidade em condutores de protecção são normalmente


realizados com um aparelho de medida capaz de gerar uma tensão em circuito
aberto entre os 4 e os 24 V (DC ou AC), com uma corrente superior a 0,2 A.

Dado que o ensaio de continuidades mede resistências muito baixas, a resis-


Fig. 268 tência dos cabos de ensaio deve ser compensada.
Aparelho para a medição de continuidades.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa Método A


1.° Execute uma ligação temporária (shunt) entre o barramento de fase e o
barramento de terra no quadro de entrada da instalação;
2.° Usando um aparelho de teste em escala óhmica reduzida verifique a resis-
tência entre fase e PE em cada circuito a testar;
3.° Um baixo valor lido indica a desejada continuidade;
4.° Desligue a ligação temporária executada inicialmente.

Fig. 269
Verificação da continuidade dos condutores
de protecção em instalações de médias
e grandes dimensões.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Método B
1.° Um terminal do aparelho de medida (em escala óhmica reduzida) deve
estar ligado através de uma longa ligação auxiliar ao barramento de terra
da instalação.
2.° O outro terminal de contacto do aparelho de medida estará ligado às
partes da instalação em que se deseja verificar os valores de continuidade.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 187

Fig. 270
Verificação dos condutores de protecção e ligações
suplementares, sujeita a limitações em virtude do
comprimento da ligação auxiliar.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Resistência de isolamento da instalação eléctrica


A realização dos testes de resistência de isolamento é necessária de forma a
verificar que nas instalações eléctricas não existem quaisquer curtos-circuitos.

A resistência de isolamento da instalação eléctrica deve ser medida entre cada


condutor activo (fase e neutro) e a terra.

Antes de realizar os ensaios de isolamento devemos verificar se:

– A instalação está desligada da alimentação;


– As lâmpadas foram retiradas e todo o equipamento está desligado;
– Os fusíveis estão nos seus lugares e os disjuntores ligados;
– Os interruptores do circuito final estão ligados.

Tabela 57
Tensão de ensaio em corrente Valores mínimos da resistência
Tensão nominal do circuito Resistência de isolamento
contínua de isolamento e valores da tensão de ensaio.
TRS e TRP(*) 250 V • 0,25 Mȍ Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

U ” 500 V 500 V • 0,5 Mȍ

U > 500 V 1000 V • 1 Mȍ

(*)
TRS – Tensão Reduzida de Segurança.
TRP – Tensão Reduzida de Protecção, isto é, tensão reduzida de segurança, com um ponto do
circuito secundário ligado à terra.

Tensões:
U d 50 V CA ou
U d 120 V DC

Os condutores de fase e neutro devem estar interligados através do barramen-


to do quadro de entrada.

Através do aparelho de teste de resistência de isolamento ajustado para uma


tensão de ensaio em corrente contínua de 500 V (para uma tensão nominal do
circuito d 500 V) a resistência de isolamento medida deve ser t 0,5 M:.
188 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 271
Medição da resistência de isolamento
entre os condutores activos
(fase/neutro) e a terra.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

A medição da resistência de isolamento deve ser efectuada para uma instala-


ção monofásica entre a fase e o neutro e para uma instalação trifásica entre
fases e entre as fases e o neutro.

Fig. 272
Medição da resistência de isolamento
entre os condutores activos
(fase/neutro) e entre fases.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

Protecção por meio da separação dos circuitos


– Protecção por TRS (Tensão Reduzida de Segurança);
– Protecção por TRP (Tensão Reduzida de Protecção).

A separação de elementos com tensão de elementos de outros circuitos e da


terra deve ser verificada através da medição da resistência de isolamento.

Os valores de resistência de isolamento medidos não devem ser inferiores a


0,25 M:.

Tabela 58 Tensão de ensaio em corrente


Valores da resistência
Tensão nominal do circuito Resistência de isolamento
contínua
de isolamento.
TRS e TRP(*) 250 V • 0,25 Mȍ
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa

(*) U d 50 V c.a. ou U d 120 V c.c.


Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 189

Resistência de isolamento dos elementos da construção


Quando for necessária a protecção por recurso a locais não condutores, devem
ser efectuadas, num mesmo local, no mínimo, três medições da resistência de
isolamento dos elementos da construção (paredes, tectos, pavimentos, etc.).

Nota: Quando as cargas da instalação não podem ser ligadas ao condutor de


protecção eléctrica (por exemplo, em laboratórios), a protecção é dada pelo
próprio local sempre e quando as suas paredes, tectos e pavimentos sejam
não condutores.

A resistência é medida entre um eléctrodo de ensaio (como, por exemplo, uma


placa metálica quadrada de 250 mm com um quadrado de papel molhado em
água de 270 mm ao qual foi retirada a água em excesso) e um condutor de
protecção da instalação.

O aparelho de medida deve ter uma tensão DC em circuito aberto de 500 V (ou
1000 V, se a tensão nominal da instalação exceder os 500 V).

A resistência de isolamento Ri das paredes, pavimento e tectos deve apresen-


tar os seguintes valores:

2.10.12. Automatismos
Automatismo é todo o dispositivo eléctrico, electrónico, pneumático ou hidráu-
lico capaz de por si só controlar o funcionamento de uma máquina ou processo.

Contactor de translação e acessórios


O contactor de translação é um aparelho de corte e comando accionado em
geral por meio de um electroíman, concebido para executar um elevado nú-
mero de manobras em circuitos com correntes e potências que podem atingir
valores relativamente elevados.

Podem ser comandados à distância por meio de botões de pressão ou auto-


maticamente por meio de detectores como termóstatos, interruptores de fim Fig. 273
de curso, de bóia, etc. Contactor de translação.

Fonte: “Automatismos Industriais”,


José Vagos Carreira Matias
Componentes principais:

– Contactos principais ou pólos: asseguram o fecho e a abertura das correntes


principais;
(circuito de potência) ĺ parte fixa e parte móvel. Os contactos são equipa-
dos com pastilhas de materiais adequados e substituíveis;
– Electroíman: é o órgão motor do contactor. Compreende um circuito mag-
nético e uma bobina;
– Contactos auxiliares.

São de dois tipos:

– Instantâneos – destinam-se a assegurar a auto-alimentação do contactor,


os encravamentos, as sinalizações, etc. Podem ser:
– Normalmente Abertos (NA) – os contactos estão abertos e fecham quan-
do o electroíman é alimentado.
– Normalmente Fechados (NF) – os contactos estão fechados e abrem logo
que o electroíman é alimentado.
190 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Em concreto, cada contactor pode ter uma associação particular destes tipos
de contactos auxiliares.

– Temporizados – estabelecem ou abrem um circuito, algum tempo depois


do fecho ou abertura do contactor que acciona. A sua principal aplicação é
no arranque automático de motores.

Podem ser temporizados ao Trabalho ou Acção ou ao Repouso.

Esquemas eléctricos – introdução


Para comandar os circuitos usam-se normalmente os interruptores de impulso,
vulgarmente conhecidos como botões de pressão que têm, obviamente, duas
posições. Assim, podem ser NF ou NA.

Os NA têm normalmente em paralelo um contacto auxiliar NA (contacto de


auto-alimentação) do contactor com o qual está em série, de modo a que este
se mantenha ligado após termos libertado o botão de pressão que o ligou.

Tal poderá ser melhor compreendido se observarmos a figura:

Fig. 274
Esquema de comando simples
com um contactor de translação.

Fonte: “Automatismos industriais“, José Vagos Carreira Matias

Fig. 275
Contacto auxiliar e
símbolo eléctrico, respectivamente.
Contactos auxiliares
Fonte: Hager
Os contactos auxiliares são fundamentalmente de dois tipos:

– Contactos auxiliares instantâneos – Destinam-se a assegurar a auto-ali-


mentação da bobina do contactor, os encravamentos, as sinalizações, etc.

Estes contactos podem ser normalmente abertos (NA ou NO) – estão abertos
e fecham quando o electroíman é alimentado – ou normalmente fechados (NF
ou NC) – estão fechados e abrem logo que o electroíman é alimentado.

– Contactos auxiliares temporizados – Estabelecem ou abrem um circuito


algum tempo depois do fecho ou abertura do contactor que os acciona.
Encontram a sua principal aplicação no arranque automático de motores.
Estes contactos podem ser temporizados ao trabalho (se o contactor está
Fig. 276
em repouso e, ao ser accionado, os contactos se abrem (NF) ou fecham
Contacto auxiliar temporizado (NA), passado um determinado tempo) ou temporizados ao repouso (se,
e símbolo eléctrico, respectivamente. estando o contactor actuado instantaneamente, ao ser desligado, os con-
Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa tactos se abrem (NA) ou fecham (NF) passado um determinado tempo).
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 191

2.10.13. Tubos para canalizações eléctricas


A norma EN 50086 é a norma aplicável na Europa que define os ensaios e as
performances técnicas dos tubos e acessórios, que asseguram uma completa
protecção dos condutores e cabos eléctricos.

Classificação dos tubos

A classificação dos tubos faz-se através de um código de letras e de um código de 4 algarismos

I - Em material isolante S - Flexível L - Paredes interiores lisas


A - Paredes interiores CT - Maleável R - Rígido
enrugadas (tipo anelado) transversalmente elástico M - Metálico
C - Maleável

3.° Algarismo 4.° Algarismo


1.° Algarismo 2.° Algarismo
Temperatura mínima Temperatura máxima
Resistência ao esmagamento Resistência ao choque
de utilização de utilização

Muito ligeira Muito ligeira


1 1 1 + 5 °C 1 60 °C
125 N 0,5 J
Ligeira Ligeira
2 2 2 - 5 °C 2 90 °C
320 N 1J
Média Média
3 3 3 - 15 °C 3 105 °C
750 N 2J
Elevada Elevada
4 4 4 - 25 °C 4 120 °C
1250 N 6J
Muito elevada Muito elevada
5 5 5 - 45 °C 5 150 °C
4000 N 20 J

6 250 °C

7 400 °C

Tabela 59
Classificação dos tubos.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/

Soluções para a habitação, terciária e indústria

Características técnicas

Resistência Reacção ao fogo


Protecção Protecção contra
Resistência ao choque Temperatura Temperatura
Classificação contra os corpos sólidos e
Tubos ao esmaga- (Joule) mínima máxima
de acordo choques protecção contra
Legrand mento Teste de utilização de utilização Classificação Ensaio
com a norma mecânicos a água
(Newton) (massa/altura (°Celsius) (°Celsius) M à chama
(IK) (tubo+acessórios)
do martelo)

3321
Tubo Resistência 2
750 -5 +60 IK 07 IP 44 M1
rígido VD média 2 kg/100 mm
IRL Não
propagador
3422 de chama
Tubo Resistência 6
750 -5 +90 IK 08 IP 44 -
anelado elevada 2 kg/ 300 mm
ICTA

Tabela 60
Características dos tubos.

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/
192 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

O quadro seguinte auxilia na escolha do tubo a utilizar em função do tipo de


aplicação, do número de condutores e da secção.

Tabela 61
Quadro de escolha do tubo. Condutores H07V-UR

Fonte: http://www.prof2000.pt/users/lpa/ Tubo anelado Tubo rígido

Número de condutores Número de condutores

2 3 4 5 2 3 4 5

Diâmetro de tubo a usar Diâmetro de tubo a usar


1,5 8,55 16 16 20 20 16 16 16 16
2,5 11,9 16 20 20 25 16 16 20 20
4 15,2 20 20 25 25 16 20 20 25
6 22,9 20 25 32 32 20 20 25 25
10 36,32 25 32 32 40 20 25 32 32
Secção de ocupação (mm2)
Secção do condutor (mm2)

16 50,3 32 32 40 40 25 32 32 40
25 75,4 32 40 50 50 32 40 40 50
35 95,03 40 50 50 63 32 40 50 50
50 132,7 50 50 63 63 40 50 63 63
70 176,7 50 63 63 50 63 63 75
95 227 63 63 63 63 75 75
120 283,5 63 63 63 75 90
150 346,3 63 63 75 90 90
185 75 90 90 110
240 75 90 110 110
300 90 110 110

Tubo rígido VD
IRL 3321 (de acordo com a norma EN 50086)

Aplicações:
– Canalizações fixas à vista;
– Canalizações ocultas em paredes e pavimentos.

Fig. 277 Matéria-prima:


Tubo rígido VD.
– PVC rígido.

Observação:
Varas em comprimentos de 3 metros.

Tubo anelado
ICTA 3422 (de acordo com a norma EN 50086)

Matéria-prima:
– Polipropileno.

Observação:
Fig. 278 Resistência elevada, rapidez na execução, redução real da mão-de-obra.
Tubo anelado.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 193

2.10.14. Classes de isolamento dos equipamentos


A Norma CEI 60 536 prevê 4 classes quanto ao isolamento dos equipamentos
relativamente à protecção das pessoas contra os choques eléctricos.

Equipamento
Protecção garantida apenas pelo isolamento principal.
de classe 0

Protecção garantida pelo isolamento principal mais a ligação das


Equipamento
partes condutores acessíveis a um condutor de protecção (PE)
de classe I
ligado à terra.

Equipamento Protecção garantida por duplo isolamento ou isolamento reforçado Utilização de material com
de classe II (sem ligação à terra das partes condutoras acessíveis). isolamento de classe II (identificado com o símbolo  

Protecção garantida por meio de alimentação a Tensão Reduzida


Equipamento de Segurança (TRS) ou Tensão Reduzida de Protecção (TRP) isto é,
de classe III tensão reduzida de segurança, com um ponto de circuito secundário Tensão reduzida:
ligado à terra. U d50 V c.a. ou
U d 120 V c.c.

Tabela 62

Escolha do tipo de equipamento eléctrico a utilizar


As características dos invólucros dos equipamentos eléctricos em relação às
influências externas são definidas a partir dos códigos:

IP XX
IK XX

O código IP é definido por dois dígitos: o primeiro indica o grau de protecção


contra a penetração de corpos sólidos – AE (variável de 0 a 6); o segundo indica
o grau de protecção contra a penetração de líquidos – AD (variável de 0 a 8).

Códigos Classe de influências externas Graus de protecção mínimos Tabela 63


Códigos de protecção IP.
AE1 Desprezável IPOX
Fonte: Quadros 51A (AE) e 51A (AD) das RTIEBT –
AE2 Pequenos objectos (d 2,5 mm) IP3X Parte 5 / Secção 51

AE3 Objectos muito pequenos (< 1 mm) IP4X

AE4 Poeiras ligeiras IP5X ou IP6X

AE5 Poeiras médias IP5X ou IP6X

AE6 Poeiras abundantes IP5X ou IP6X

AD1 Desprezável IPX0

AD2 Gotas de água IPX1

AD3 Chuva IPX3

AD4 Protecção de água IPX4

AD5 Jactos de água IPX5

Jactos de água forte


AD6 IPX6
ou massa de água

AD7 Imersão temporária IPX7

AD8 Imersão prolongada IPX8


194 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

O código IK é definido por um dígito indicando o grau de protecção contra ac-


ções mecânicas (impactos) – AG (variável de 00 a 10).

Tabela 64 Códigos Classe de influências externas Graus de protecção


Classe de influências externas.
AG1 Fracos IK02
Fonte: Quadros 51A (AE) e 51A (AD) das RTIEBT –
Parte 5 / Secção 51; Quadro 51A(AG)das RTIEBT – AG2 Médios IK07
Parte 5 / Secção 51

AG3 Fortes IK08 a IK10

Exemplo:
Características de invólucros (graus e protecção mínimos) em locais de habita-
ção para os conjuntos de aparelhagem (quadros eléctricos):

– IP20 – Grau de protecção contra a presença de corpos sólidos estranhos


pequenos d 2,5 mm e o grau de protecção contra a presença de água é
desprezável.
– IK02 – Grau de protecção contra impactos: fraco.
Fig. 279
Exemplo de ligação de um amperímetro
num circuito (esquema e tabela). 2.11. Aparelhos de medida
Amperímetro
Fonte: KleanEnergie4Life, Lda
Aparelho de medida que serve para medir a intensidade da corrente eléctrica (I).

Tabela 65
Ligação do aparelho de
Grandeza Unidade Aparelho de medida
medida no circuito

Intensidade da corrente Amperímetro O amperimetro é ligado


Ampere (A)
eléctrica (I) A em série no circuito

Caso o amperímetro tenha polaridade, devem-se fazer as ligações respeitando-


se a sua polaridade (ou seja, o + do amperímetro deve ser ligado ao + do gera-
dor e o - do amperímetro ao - do gerador).

Fig. 280 Voltímetro


Exemplo de ligação de um voltímetro Aparelho de medida que serve para medir a tensão ou diferença de potencial
num circuito (esquema e tabela).
(d.d.p.).
Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Tabela 66 Ligação do aparelho de


Grandeza Unidade Aparelho de medida
medida no circuito

Tensão ou diferença de Voltímetro O Voltímetro é ligado


Volt (V)
potencial (U) V em paralelo no circuito

Multímetro
O multímetro é um aparelho de medida que permite medir a intensidade da
corrente eléctrica, a tensão ou diferença de potencial, a resistência eléctrica,
verificar a continuidade eléctrica, etc.

Pinça amperimétrica
É um aparelho de medida da intensidade de corrente eléctrica DC/AC num cir-
Fig. 281
Exemplo de um multímetro.
cuito, por efeito de indução, sem necessidade de uma ligação física ao circuito
para a respectiva medição.
Fonte: www.prof2000.pt/users/lpa/
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 195

Fig. 282
Exemplo de uma pinça amperimétrica.

Fonte: http://www.factorelevante.pt/loja/product.php?
id_product=158

Contador de energia Fig. 283


Um contador de energia eléctrica é um dispositivo eléctrico capaz de medir o Exemplo de ligação de uma pinça
amperimétrica num circuito.
consumo da energia eléctrica. A unidade de medida é o kWh.
Fonte: Fluke

Os circuitos em que se poderá medir a energia eléctrica podem ser:

– Monofásicos;
– Trifásicos;
– Trifásicos com neutro.

De seguida são apresentados esquemas de ligações de contadores de energia


eléctrica para os diversos circuitos mencionados anteriormente.

Fig. 284
Ligações de contadores
de energia monofásicos.

Fonte: ProfElectro
196 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Fig. 285
Ligações de contadores
trifásicos de energia.

Fonte: ProfElectro

Legenda:
R - Fase R;
S - Fase S;
T - Fase T;
N - Neutro.

2.12. Isolamento térmico — introdução


Chama-se isolante térmico a um material que dificulta a dissipação de calor,
como a cortiça ou poliestireno expandido ou telas reflectoras. Utiliza-se tam-
bém o vácuo como isolante térmico.

A qualidade térmica implica:

– Condições de conforto;
– Reduções de consumo de energia para:
– Aquecimento;
– Arrefecimento;
– Iluminação;
– Minimização de efeitos patogénicos.

Consequência da não utilização de um bom sistema de isolamento térmico:

– Problemas de humidade;
– Bolores;
– Elevadas quantidades de energia necessárias para restabelecer o conforto
térmico.

O Isolamento Térmico Contínuo Exterior apresenta-se como a melhor


solução. Porquê?
R: Permite a supressão das pontes térmicas e faz com que a parede contribua
para o aumento da inércia térmica do edifício.

Na existência de paredes duplas com caixa-de-ar mas sem isolamento térmico,


recomenda-se:

– Incorporação de materiais isolantes a XPS;


– Espumas injectadas na caixa-de-ar.

A integração de sistemas fotovoltaicos permitirá uma optimização térmica de


forma a reduzir as necessidades energéticas para aquecimento, arrefecimento
e iluminação.

Poder-se-á recuperar o calor produzido nos módulos fotovoltaicos e utilizar o


mesmo para aquecimento ambiente.
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 197

Fig. 286
Aproveitamento térmico de um sistema FV.

Fonte: “Edifício SOLAR XXI - Um Edifício


Energeticamente Eficiente em Portugal”, INETI

O calor dos módulos fotovoltaicos aquece a faixa de ar existente entre os pai-


néis fotovoltaicos e a parede exterior do edifício, potenciando correntes de
convecção natural. Fig. 287
Integração de um sistema FV na fachada
principal de um edifício.

Fonte: “Edifício SOLAR XXI - Um Edifício


Energeticamente Eficiente em Portugal”, INETI

Teste de Avaliação

1. Indique quais os elementos que compõem uma instalação fotovol- 11. Qual é a função do regulador numa instalação isolada?
taica ligada à rede. Qual é a função de cada um deles?
12. O que é um inversor híbrido?
2. A quanto corresponde um Watt/pico?
13. Indique quais as principais características dos inversores de venda
3. Em que se baseia a produção de energia fotovoltaica? à rede e autónomos.

4. Quais são as funções de um inversor num sistema fotovoltaico? 14. Qual a unidade de medida da capacidade de uma bateria?

5. Do ponto de vista ambiental, quais são as instalações mais inte- 15. O que é o electrólito?
ressantes? As isoladas ou as de venda à rede? Indique quais as
vantagens e desvantagens de cada tipo de instalação. 16. Quais são as características que definem uma bateria?

6. Como se chama o ponto de ligação do sistema FV à rede eléctrica? 17. Que condições têm de se cumprir para podermos ligar de diferentes
formas as baterias? Justifique a sua resposta.
7. O que é o isolamento galvânico? Como se poderá conseguir este
tipo de isolamento? 18. Qual a manutenção que requer uma bateria?

8. Como armazenam a energia eléctrica, as baterias de uma instalação 19. Verificar se um disjuntor de 16 A para protecção contra sobrecargas
solar fotovoltaica? Indique qual o seu princípio de funcionamento. pode ser utilizado na protecção contra curto-circuitos sabendo que:

9. Quais são os principais elementos constituintes de uma instalação


solar fotovoltaica autónoma?

10. Calcule a resistência de um condutor de cobre (ȡ= 0,018:•mm2/m


a 20 °C) com 20 metros de comprimento e 6 mm2 secção. Que Fig. 288
queda de tensão poderá ocorrer no condutor quando percorrido Exercício de aplicação.

por uma corrente de 7,90 A? Fonte: www.prof2000.pt/users/lpa/


(Continua)
198 Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos

Teste de Avaliação (Continuação)

20. Com um circuito independente do quadro eléctrico, pretendemos 32. Que tipos de reguladores conhece?
alimentar com condutor H07V-U enfiado em tubo VD embebido na
parede, uma máquina de lavar roupa com uma potência aparente 33. Explique o funcionamento de um regulador MPPT.
(S) de 3,3 KVA.
34. Que características de potência máxima definem normalmente nas
a. Determine a corrente de serviço (IB). folhas de características dos inversores? Qual é a diferença entre
b. Verifique se a secção mínima do condutor para o circuito de toma- essas diversas potências máximas?
das (2,5 mm2) é suficiente.
c. Determine a queda de tensão na linha, sabendo que o comprimen- 35. Será que se poderiam utilizar baterias de automóveis nas instala-
to do condutor de cobre que alimenta a máquina é de 10 metros. ções fotovoltaicas? Quais seriam os problemas do uso desse tipo
d. Prove que a queda de tensão determinada na alínea anterior está de baterias?
dentro da queda de tensão admitida pelo Regulamento.
36. Numa instalação fotovoltaica isolada necessitamos de um acumula-
21. Que quantidade de energia (em kWh) poder-se-á extrair de uma dor que ministre pelo menos 140 Ah de capacidade para um tempo
bateria de 120 Ah a 24 V, se efectuarmos uma descarga de 40 %? de descarga completo de 20 horas. Verifique em sites de fabrican-
tes as características técnicas de baterias, para podermos escolher
22. Qual a função de um fusível? qual o tipo de bateria a utilizar. Que vantagens poderiam oferecer
esse tipo de baterias?
23. Para que servem os interruptores diferenciais?
37. Pretende-se colocar um conjunto de baterias numa instalação solar
24. Qual a diferença entre interruptor diferencial e disjuntor diferencial? fotovoltaica autónoma. Obteve-se de um catálogo de um fabricante
de baterias o seguinte gráfico:
25. Será que o contactor é um equipamento de protecção? Justifique.

26. Como se liga um amperímetro num circuito?

27. Que protecção tem uma caixa em que se lê IP35?


Justifique.

28. Que capacidade deverão ter as baterias de uma instalação fotovol-


taica autónoma se o consumo previsto for de 1.650 Wh e com três
dias de autonomia, com uma profundidade máxima de descarga
de 55 %?

29. Consulte a folha de características da bateria UC100-12 da Ultra- Fig. 289


Catálogo de um fabricante.
cell. Quantos watts/hora poderia proporcionar a bateria se limitás-
Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”, Miguel Moro Vallina, Paraninfo
semos a sua profundidade máxima de descarga a 70 %?

Se desejarmos que a bateria funcione com uma profundidade máxima


30. Poderá ocorrer uma sulfatação das placas numa bateria? Como se
de descarga de aproximadamente 50 %, qual será o número máximo
poderá detectar essa sulfatação? Explique esse fenómeno.
de ciclos (de carga e descarga) que poderíamos obter com esta bate-
ria? Qual seria o valor da capacidade da mesma nesse momento?
31. Quais as características que definem um regulador de carga?

Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

Teste de Avaliação - Escolha múltipla

1. As instalações fotovoltaicas de venda à rede podem classificar-se b. Instalações que se ligam em baixa ou média tensão;
como… c. As duas classificações anteriores são verdadeiras;
d. Nenhuma das opções anteriores está correcta.
a. Monofásicas e trifásicas; (Continua)
Capítulo 2 - Sistemas Solares Fotovoltaicos 199

Teste de Avaliação - Escolha múltipla (Continuação)

2. A função de um inversor numa instalação fotovoltaica é… c. Desligar a bateria dos módulos quando está completamente
carregada;
a. Garantir o seguimento do ponto de máxima potência MPPT; d. O regulador cumpre habitualmente todas estas funções, entre
b. Converter a corrente contínua em corrente alternada; outras.
c. Sincronizar a frequência da corrente de saída com a da rede
eléctrica nacional; 7. O que é o inversor híbrido?
d. Todas as opções anteriores estão correctas.
a. Um inversor que cumpre também as funções de regulador
3. O isolamento galvânico… de carga;
b. Um inversor que leva incorporada a bateria;
a. Deve estar presente nas caixas de ligação dos módulos foto- c. Um inversor que além de converter corrente contínua em alter-
voltaicos; nada, pode também converter uma entrada alternada em contí-
b. Nas instalações de baixa tensão, utiliza-se mediante um trans- nua para carregar as baterias com um grupo gerador auxiliar de
formador situado do lado AC; combustão;
c. Nas instalações de baixa tensão, é o próprio inversor que de- d. Não existem inversores híbridos.
verá proporcionar o isolamento galvânico mediante um trans-
formador com uma relação de 1:1; 8. Que tipo de inversores é mais adequado para o uso de equipa-
d. Não é necessário haver isolamento galvânico entre a instala- mentos electrónicos sensíveis à rede de consumo?
ção e a rede eléctrica.
a. Os inversores de onda sinusoidal pura;
4. Possuimos uma bateria com a seguinte característica: b. Os de onda sinusoidal modificada;
C100=245 Ah. Qual é o significado? c. Os de onda quadrada;
d. Os de forma de onda de dente de serra.
a. A sua capacidade é aproximadamente de 100 kWh;
b. Através deste dado não se poderá deduzir nenhuma caracte- 9. Nas instalações fotovoltaicas autónomas para vivendas, qual
rística da bateria; deverá ser o tipo de baterias a utilizar?
c. A corrente que proporcionará, quando efectuar uma descarga
completa em 100 horas, será de 245 A; a. Baterias estacionárias;
d. A capacidade da bateria, quando se descarrega completamen- b. Baterias de automóvel;
te em 100 horas, é de 245 Ah. c. Baterias de gel;
d. Baterias de lítio.
5. Que tipo de baterias não são adequadas para as instalações
fotovoltaicas? 10. Os inversores de venda à rede em Portugal deverão proporcionar…

a. As baterias de gel;. a. Uma onda sinusoidal de 230 V de valor eficaz e 50 Hz


b. As baterias estacionárias de ciclo profundo; de frequência;
c. As baterias de arranque; b. Uma onda sinusoidal de 230 V de valor eficaz e 60 Hz
d. Qualquer bateria de chumbo-ácido com uma tensão nominal de frequência;
de 12 V, adequada para instalações fotovoltaicas. c. Uma onda quadrada de 230 V de valor eficaz e 50 Hz
de frequência;
6. Qual é a função que cumpre habitualmente um regulador de d. Não importa o tipo de onda que produzem.
carga numa instalação FV?
11. Um inversor de 20 kW de potência nominal será…
a. Garantir que os módulos FV sigam, sempre que possível, o
ponto de máxima potência; a. Monofásico;
b. Regular a tensão de entrada da bateria, evitando assim sobre- b. Bifásico;
tensões que poderiam produzir electrólises de água e poste- c. Trifásico;
riormente a secagem desta; d. Não se poderá utilizar numa instalação.

Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip


CAPÍTULO 3
MÓDULOS SOLARES FOTOVOLTAICOS

Temas:
a. Constituição dos módulos solares fotovoltaicos
b. Estudo energético dos módulos solares fotovoltaicos
c. Orientação e inclinação dos módulos solares fotovoltaicos
d. Cálculo e dimensionamento dos módulos solares fotovoltaicos - noções
e. Disposição do campo de módulos solares fotovoltaicos
f. Isolamento térmico
g. Processo de construção de um módulo solar fotovoltaico
h. Construção de um módulo solar fotovoltaico - noções
i. Ensaio de um módulo solar fotovoltaico

Objectivo (s):
– Identificar a constituição de um módulo solar fotovoltaico.
– Reconhecer a importância da função de cada constituinte no módulo solar fotovoltaico.
– Realizar o estudo energético de módulos solares fotovoltaicos para uma dada instalação.
– Identificar a orientação correcta de módulos solares fotovoltaicos numa dada instalação.
– Identificar a inclinação dos módulos solares fotovoltaicos numa dada instalação.
– Identificar o número de módulos solares fotovoltaicos de uma instalação.
– Identificar qual o isolamento térmico adequado a uma instalação solar fotovoltaica.
– Construir e ensaiar um módulo solar fotovoltaico.
202 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

3.1. Tipos de células fotovoltaicas


Actualmente, os módulos fotovoltaicos de silício apresentam uma vida útil de
25 anos. Um dos desafios que se coloca é o de encontrar novos acessórios e
equipamentos que ponham esta fasquia bem acima e com um grau de eficiên-
cia bastante elevado.

O processo de fabrico das células e módulos fotovoltaicos está representado


nas seguintes figuras:

Fig. 290
Processo de fabrico
de módulos fotovoltaicos.

Fonte: http://www.ltesolar.com/knowledge10.html

Fig. 291
Processo de fabrico de
módulos fotovoltaicos.

Fonte: http://www.electricidad-gratuita.com/
produccion-celda-fvh-fv4.html

Neste momento, no mercado, existem três tipos de células, conforme o mé-


todo de fabricação:

– Células de silício monocristalino: Estas células obtêm-se a partir de bar-


ras cilíndricas de silício monocristalino produzidas em fornos especiais. As
células são obtidas por corte das barras em forma de pastilhas quadradas
finas (0,4-0,5 mm de espessura). A sua eficiência na conversão de luz solar
Sabia que...
em electricidade situa-se na ordem dos 15 a 18 %.
– Células de silício policristalino: Estas células são produzidas a partir de
Na tecnologia de película fina ou amorfa, blocos de silício obtidos por fusão de bocados de silício puro em moldes
o semicondutor é depositado sobre um especiais. Uma vez nos moldes, o silício arrefece lentamente e solidifica-se.
substrato de baixo custo. Neste processo, os átomos não se organizam num único cristal. Forma-se
uma estrutura policristalina com superfícies de separação entre os cristais.
A sua eficiência na conversão da luz solar em electricidade é ligeiramente
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 203

menor do que nas células de silício monocristalino (na ordem dos 13 a 15 %),
quando munidas de uma camada anti-reflexão.
– Células de silício amorfo: Estas células são obtidas por meio da deposição
de camadas muito finas de silício sobre superfícies de vidro ou metal. A sua
eficiência na conversão da luz solar em electricidade varia entre 5 a 7 %. Esta
célula é considerada uma célula de 2.a geração.

Existem também outros dois tipos de células fabricadas a partir do silício:

– Células de Telureto de Cádmio (CdTe): As células CdTe apresentam um


potencial considerável para a redução de custos quando produzidas em
massa. No entanto, a utilização desta tecnologia tem levantado problemas
devido ao uso de produtos contaminantes e venenosos. Apresentando uma
eficiência de 16 % em laboratório, o valor da eficiência das células comer-
cializadas é, no entanto, de 8 %. A estrutura destas células é homogénea e
a gama de cores varia entre o verde-escuro e o preto.
– Células de Disseleneto de Cobre-Índio (CIS): As células solares CIS são
hoje em dia as mais eficientes de todas as células de película fina. Não sen-
do tão susceptíveis à deterioração por indução da luz como as células de
silício amorfo, podem, no entanto, apresentar problemas quando instaladas
em ambientes quentes e húmidos, sendo que nestes casos é recomendada
uma boa selagem contra este tipo de ambientes. Espera-se que uma produ-
ção em massa deste tipo de células possa baixar o custo de produção em
relação ao custo das células de silício cristalino. A eficiência destas células
é de 7,5 a 9,5 %. Apresentam uma estrutura homogénea de cor preta.

Fig. 292
Tipos de células fotovoltaicas
num módulo FV.

Fonte: Würth Solar e Antec Solar

De seguida é apresentado um quadro com as eficiências dos módulos fotovol-


taicos em função do tipo de material utilizado nas células.

3.1.1. Rendimento — panorama actual


Tecnologias Eficiência laboratorial Eficiência Comercial
Tabela 67
Silício cristalino (c-Si) 24 % 14 - 7 % Eficiência dos módulos FV em função
das células usadas.
Silício amorfo (a-Si) § 15 % 8-9% Fonte: Würth Solar e Antec Solar

Telureto de cádmio (CdTe) 16 % 7-9%


Disseleneto de cobre e índio
18,8 % 9 - 10 %
(CIS)
204 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Exercícios

Nota: Nas questões de escolha múltipla, apenas seleccione uma opção. a. Silício;
b. Boro;
Exercício 1 c. Fósforo;
O que entende por célula solar fotovoltaica? d. Fotões.

Exercício 2 Exercício 6
Escolha a afirmação correcta: Quais são as três técnicas de fabrico de células solares fotovoltaicas
que conhece?
Uma célula solar fotovoltaica transforma:
Exercício 7
a. Energia eléctrica em luminosa; Qual a desvantagem das células solares monocristalinas?
b. Energia luminosa em solar;
c. Energia solar em luminosa;
d. Energia luminosa em eléctrica.
Exercício 8
Qual a vantagem das células solares policristalinas face às mono-
cristalinas?
Exercício 3
Qual a primeira utilização prática que foi dada às células solares?
Exercício 9
Qual a desvantagem das células solares policristalinas face às mono-
Exercício 4 cristalinas?
Escolha a afirmação correcta:

a. As células são agrupadas em arrays que por sua vez são agrupados
Exercício 10
Qual a vantagem das células solares de filme fino face às cristalinas?
em módulos;
b. Os módulos são agrupados em arrays que por sua vez são agru-
pados em células; Exercício 11
c. Os módulos são constituídos por células e agrupam-se em arrays; Qual a desvantagem das células solares de filme fino face às cristalinas?
d. As células são constituídas por arrays e agrupam-se em módulos.
Exercício 12
Exercício 5 Diga como são constituídas as células solares monocristalinas.
Qual o material que constitui a base das células solares fotovoltaicas:

Solução disponível em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

3.1.2. Curvas características das células fotovoltaicas


As curvas características das células fotovoltaicas são de extrema importância
quando se pretende um dimensionamento correcto de um sistema de produ-
ção, tendo em conta os dados dos fabricantes das células.

A representação típica da característica de saída de um equipamento fotovol-


taico (célula, módulo, sistema) denomina-se por curva de corrente/tensão.

Fig. 293
Curva característica I/U
de uma célula fotovoltaica.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda.


Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 205

Analisando a curva (relação corrente-tensão), verifica-se que a corrente man-


tém-se constante desde o curto-circuito (U = 0 V) até um determinado valor da
resistência da nossa carga, diminuindo o valor da corrente.

Ao incidir luz numa célula solar desligada da carga, haverá uma tensão de valor
aproximado de 0,6 V, passível de ser medida a partir dos dois contactos que
saem da célula. A corrente de curto-circuito pode ser determinada se fizermos
um shunt entre os contactos com um amperímetro. Conclui-se então que os
restantes valores da curva podem ser determinados recorrendo a uma resis-
tência variável (potenciómetro), um voltímetro e um amperímetro.

Se o projectista possuir dados sobre as curvas características das células, me-


lhor rendimento obterá das instalações dos sistemas fotovoltaicos.

O ponto da curva tensão-corrente onde o produto destas duas grandezas é


máximo, chama-se MPP – Maximum Power Point, e corresponde à máxima
potência produzida pela célula/módulo.

Os valores da tensão e da corrente que causam este valor de potência máxima


são designados, respectivamente, por UMPP e IMPP.

Se uma célula solar de c-Si de elevada qualidade estiver à temperatura de fun-


cionamento de 25 °C, poderá apresentar uma tensão de circuito aberto (VCA) na
ordem dos 0,60 V. O aumento da temperatura de funcionamento vai influenciar
o valor de VCA, isto é, se a temperatura aumentar para 45 °C, o valor de VCA po-
derá reduzir moderadamente para um valor na ordem dos 0,55 V, até atingir a
corrente de curto-circuito ICC.

No caso de uma célula de fraca qualidade, o valor da tensão baixa mais acen-
tuadamente com o aumento da corrente, podendo o valor da potência máxima
ser reduzido em cerca de 25 %.

De seguida é apresentada a curva característica de uma célula em função da


radiação solar emitida.

Fig. 294
Curva característica I-U de um módulo fotovoltaico.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/rede/energia/himalaya2005/
home/guia4.pdf

Nota: A cinzento está indicada a região de funcionamento do módulo quando


ligado a uma bateria de 12 V.
206 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Recorde Parâmetros característicos de uma célula fotovoltaica:

– Corrente de curto-circuito (ICC para U = 0): É o valor da corrente máxima


A potência máxima (ou PMPP ou potência
de pico) de uma célula é a potência que
que uma célula pode entregar a uma carga sob determinadas condições de
esta é capaz de proporcionar em condi- radiação e temperatura correspondentes a um valor de tensão nula e, con-
ções padrão (STC: Standard Test Condi- sequentemente, potência nula.
tions): temperatura da célula de 25 °C e – Tensão de circuito aberto (UOC com I = 0): É o máximo valor de tensão
irradiância de 1000 W/m2 com um AM de que uma célula pode entregar a uma carga sob determinadas condições de
1,5. Na realidade, é pouco frequente que
a célula proporcione a potência de pico,
radiação e de temperatura, correspondentes a uma circulação de corrente
entre outras razões porque, com a radia- com valor nulo e, consequentemente, potência nula.
ção do Sol, a temperatura da célula au- – Potência pico (PMPP): É o valor máximo de potência que se pode entregar
menta e com isso a sua eficiência diminui. a uma carga e corresponde ao ponto da curva no qual o produto V x I é
máximo.
– Corrente a máxima potência (IMPP): É o valor da corrente que é entregue a
Exercício Resolvido uma carga à máxima potência, sob determinadas condições de radiação e
de temperatura. É utilizada como corrente nominal do mesmo.
– Tensão a máxima potência (UMPP): É o valor da tensão que é entregue à
Um módulo da SILIKEN SKL60P6L tem carga à máxima potência, sob determinadas condições de radiação e tem-
um NOTC de 49 °C. Que temperatura de
trabalho alcançarão as suas células com
peratura. É utilizada como tensão nominal do mesmo.
uma radiação solar de 100 W/m2 e uma
temperatura ambiente de 18 °C? De referir que a curva de máxima potência será maior de acordo com a radia-
ção solar ao longo do dia. Por exemplo, às 13.30 h, no Verão, terá o seu valor
Resolução: máximo de potência.
Com a fórmula enunciada anteriormente,
podemos calcular TC. Assim, vem: Factores como a intensidade da radiação solar incidente e temperatura am-
biente influenciam directamente o desempenho de uma célula fotovoltaica, o
que facilmente se consegue observar através da sua característica I-V.

A corrente de curto-circuito aumenta de forma aproximadamente linear com


o aumento da radiação incidente, ao passo que o valor de tensão de circuito
aberto pouco varia com a variação da radiação (ver figura ao lado), sendo esta
habitualmente desprezada nos cálculos.

A temperatura é um parâmetro importante uma vez que, estando as células


expostas aos raios solares, o seu aquecimento é avultado. Além disso, uma
parte da incidência solar absorvida não é convertida em energia eléctrica, mas
sim dissipada sob a forma de calor.

Esta é a razão pela qual a temperatura de uma célula é sempre mais elevada
em relação à temperatura ambiente. Num sistema com módulos ligados em
série e perante baixas temperaturas, o aumento de tensão num módulo poderá
ultrapassar a tensão máxima permitida pelos dispositivos a jusante. No Verão,
devido ao aumento de temperatura, pode-se verificar uma diminuição na po-
tência produzida de 35 %, sendo que para evitar este fenómeno, os módulos
devem ser capazes de dissipar o excesso de calor para o exterior.

Para saber o valor da temperatura da célula, TC, a partir da temperatura ambien-


Fig. 295
te, TA , pode utilizar-se a seguinte fórmula:
a) Efeito da variação da irradiância
b) Efeito da variação da temperatura.

Fonte: FER - Fontes de Energia Renováveis.


“Energia Fotovoltaica – Manual sobre Tecnologias,
Projectos e Instalações, Volume III”. Onde:
Projecto parcialmente financiado pela Comissão
Europeia, designadamente através do programa
Em – luminosidade média (em W/m2);
ALTENER, 2004. TUC – temperatura de utilização da célula (°C)
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 207

Nota: TUC = NOTC ou TONC. A temperatura TUC determina-se para uma radia- Recorde
ção de 800W/m2 a uma temperatura ambiente de 20 °C e a uma velocidade de
1 m/s.
A temperatura nominal de uma célula TC
é um indicador da capacidade que a mes-
Esta fórmula de cálculo da temperatura aproxima-se em muitas ocasiões da tem- ma possui para dissipação de calor.
peratura de trabalho da célula e que poderá ser observada com uma câmara
termográfica.

De seguida é apresentada uma tabela com o coeficiente térmico de alguns mó-


dulos do tipo Amorfo, Cádmio-Índio (CIS) e Cádmio-Telúrio (CdTe).

Coeficiente térmico dos módelos FV Tabela 68


Coeficiente térmico dos módulos
Potência MPP (máx. fotovoltaicos.
Tipos de Módulos Tensão, VCA (V) Corrente ICC (A)
potência (W))
Amorfo De -0,28 a -0,5 % / °C De +0,06 a +0,1 % / °C De -0,1 a -0,3 % / °C

Cádmio índio (CIS) De -0,26 a -0,5 % / °C De +0,045 a +0,1 % / °C De -0,39 a -0,45 % / °C

Cádmio Telúrio (CdTe) De -0,22 a -0,43 % / °C De +0,02 a +0,04 % / °C De -0,2 a -0,36 % / °C

Exercício Resolvido

(retirado de: “Introdução à Energia Fotovoltaica, Rui M. G. Castro)

A partir dos dados da radiação incidente (figura 296) e da temperatura


ambiente (figura 297), em Lisboa, obtenha a temperatura média mensal
atingida pelo módulo fotovoltaico Shell SM100-12 de 100 Wp. Elabore um
gráfico de barras.

Silício monocristalino
Potência de pico Pmax 100,3 W
Corrente máxima Imax 5,9 A
Tensão máxima Vmax 17,0 V Fig. 296
Corrente de curto-circuito Icc 6,5 A Frequência de ocorrência da radiação média horária
em Lisboa, distribuída em classes de 100 W/m2.
Tensão de circuito aberto Vca 21,0 V Fonte: “Energia Fotovoltaica”, Rui Castro
Temperatura normal de funciona-
NOCT 45 °C
mento
Coeficiente de temperatura de Icc ȝIcc 2,8E03 A/°k
Coeficiente de temperatura de Vca ȝVca -7,6E02 V/°k
Número de células em série NSM 36
Comprimento C 1,316 m
Largura L 0,660 m

Tabela 69
Características de um módulo fotovoltaico.
Fonte: “Energia Fotovoltaica”, Rui Castro Fig. 297
Temperatura média mensal ambiente em Lisboa.
Resolução: Fonte: INETI

A temperatura média atingida pelo módulo em Lisboa no mês de Janeiro, por exemplo, é:

Os valores obtidos para a temperatura média mensal do módulo deverão ser calculados até ao mês de Dezembro.
208 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

3.1.3. Factor de forma e rendimento


Outro parâmetro muito importante nas células fotovoltaicas é a sua eficiência.
A eficiência de uma célula fotovoltaica é o quociente entre a energia fornecida
pela célula e a radiação solar incidente na célula. O símbolo desta grandeza é Ș
Importante
e a unidade vem expressa em percentagem (%).

O factor de forma é o quociente entre a


potência máxima da célula e o produto de
VOC e ISC.

Em que:
A – área da célula em m2;
G – radiação solar incidente por unidade de superfície em W/m2.

A título de exemplo, uma célula solar com 12 % de eficiência e uma área de


0,01 m2 disponibilizaria 1,2 Wp de potência.

Existem alguns factores que influenciarão a eficiência de uma célula fotovoltai-


ca, tais como:

– Perdas causadas pelas resistências internas;


– Perdas por recombinação;
– Eficiência termodinâmica, isto é, no processo de conversão da energia, terá
de se diminuir o valor da tensão para se obter um fluxo de corrente na célu-
la, onde existirá a denominada perda por efeito de Joule que reduz a energia
obtida num período de tempo;
– Perdas por reflexão.

Outro parâmetro a ter em conta é o factor de forma (FF), em que este nos indi-
ca a qualidade da célula solar e faz a comparação entre a potência máxima obti-
da, relacionando a tensão e corrente máxima com a corrente em curto-circuito
e a tensão em circuito aberto, tal como é indicado na seguinte equação:

Nota: O FF tem valor menor que uma unidade, normalmente entre 0,7 e 0,8
para células de silício cristalino e de 0,5 a 0,7 para silício amorfo.

Fig. 298
a) Cálculo para o factor de forma.

Fonte: pveducation.org/pvcdrom

A área A será mais pequena


para um baixo factor de forma
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 209

Fig. 298
Célula com alto factor de forma b) Cálculo para o factor de forma.

Fonte: pveducation.org/pvcdrom

Exercício Resolvido

Um módulo fotovoltaico possui uma po-


tência máxima de 175 Wp e é compos-
to por 48 células quadradas de 155 mm.
Qual é a eficiência das células?

Resolução:

Dividindo o valor da potência total pelo


valor do número de células que constitui
o módulo fotovoltaico, obtém-se o valor
da potência de cada célula. Assim, vem:

3.1.4. Potência eléctrica


A potência eléctrica de saída (P) de uma célula fotovoltaica é o produto entre a A área de cada célula será de 1,552 m2.
Para passar o valor dos parâmetros deve-
tensão e a corrente de saída que pode ser obtido pela seguinte equação: remos multiplicar este por 10-6. Portanto,
temos:

3.1.5. Características dos módulos fotovoltaicos


Antes de mais, há que referir a diferença entre células, módulos e painéis foto-
voltaicos. Analisemos a seguinte figura que explica essa diferença.

Fig. 299
Célula, módulo e uma instalação
de painéis PV.

Fonte: http://www.cienciaviva.pt/rede/energia/himalaya2005/
home/guia4.pdf

Um módulo FV é formado por uma conexão de várias células fotovoltaicas em


série e/ou paralelo que permite adaptá-lo aos níveis de tensão e corrente.

Fig. 300
Pormenor da ligação de um conjunto
de células que formam um módulo FV.

Fonte: https://sites.google.com/
site/reeetech/home/photovoltaic
210 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Exercício Resolvido Para o cálculo da intensidade de corrente há que ter em conta o número de
células em paralelo:
Uma pequena instalação fotovoltaica dis-
põe de dois módulos ligados em paralelo,
em que cada um possui 60 células liga-
das em série. Num dado momento, as
Para o cálculo da tensão há que ter em conta o número de células em série:
células proporcionam 4,3 A a uma tensão
de 0,5 V. Qual é a potência que a instala-
ção fornece nesse momento?

Resolução: Para o cálculo da potência há que ter em conta o número de células em série e
a potência de cada célula. Se ligarmos vários módulos em paralelo, a potência
Sabe-se que:
total da instalação será igual à potência dos módulos pelo número de ramos
N células em série = 60 em paralelo.
N paralelo = 2

Logo:

A curva característica do módulo tem a mesma forma que a das células.

Os módulos podem ter diversas configurações, que serão descritas com o de-
correr do capítulo. Estes podem ser ligados em série, paralelo ou mista. Com
este tipo de configurações podemos obter diferentes valores de tensão ou
corrente, permitindo ao projectista dimensionar o seu sistema de acordo com
o projecto a implementar.

Ao conjunto total de módulos fotovoltaicos dá-se a designação de gerador foto-


voltaico. A um conjunto de módulos em série dá-se o nome de fileira ou string,
podendo ligar-se várias em paralelo.

Fig. 301
Composição de um gerador fotovoltaico.

Fonte: Tese de Fernando Mapota - INETI

Além dos materiais semi-condutores, a célula fotovoltaica apresenta dois con-


tactos metálicos, em lados opostos, para fechar o circuito eléctrico. O conjun-
to encontra-se encapsulado entre um vidro e um fundo, essencialmente para
evitar a sua degradação com os factores atmosféricos, como o vento, chuva,
poeira, vapor, granizo, etc. Assim, manter-se-ão as condições ideais de opera-
ção por dezenas e dezenas de anos.

Um módulo fotovoltaico é constituído de células solares associadas electrica-


mente e, regra geral, em série (ver figura 302). A maioria dos módulos con-
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 211

vencionais encontrados no mercado é constituída por 36 células solares de


silício. Consequentemente, a tensão de circuito aberto, isto é, a diferença de
potencial quando a corrente eléctrica é nula, é da ordem dos 20 V. A potência
do módulo, sob condições padrão, é variável desde 10 a 150 W. Em consequên-
cia, o tamanho do dispositivo varia entre 0,2 a 1,5 m2.

Após serem soldadas, as células são encapsuladas com a finalidade de serem


isoladas do exterior e protegidas das intempéries, bem como para darem rigidez
ao módulo. O módulo, como mostra a figura 303, é constituído pelas seguintes
camadas: vidro de alta transparência e temperado, acetato de etil vinilacetato
(EVA), células solares, EVA e filme de fluoreto de polivinila (Tedlar) ou vidro. A Fig. 302
Módulo FV com 36 células em série.
seguir, é colocada a caixilharia de alumínio, para dar o acabamento e facilitar a
instalação. A durabilidade destes módulos é superior a 30 anos e actualmente Fonte: pveducation.org/pvcdrom

está determinada pela degradação dos materiais usados no encapsulamento, ou


seja, a durabilidade das células solares de silício cristalino é bastante superior.

Fig. 303
Pormenor construtivo de dois
módulos fotovoltaicos.

Fonte: http://www.pucrs.br/cbsolar/ntsolar/img/energia_02.jpg

Fig. 304
Módulo fotovoltaico em pormenor.

Fonte: http://www.electronica-pt.com
/index.php/content/view/271/202/

Fig. 305
Ligação interna de um módulo
fotovoltaico em pormenor.

Fonte: http://sites.google.com/site/
reeetech/home/photovoltaic

Também, de seguida, serão deixadas aqui algumas características de painéis


fotovoltaicos existentes no mercado.
212 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Tabela 70 Características eléctricas (típicas)


a) Ficha técnica de um módulo
fotovoltaico da Martifer Solar. 160 170 175 180
Fonte: Martifer Solar Potência máxima
160 W 170 W 175 W 180 W
(Pmax)
Tensão em Pmax
35 V 35,6 V 35,8 V 36,2 V
(Vmpp)
Corrente em Pmax
4,6 A 4,78 A 4,89 A 4,97 A
(Impp)
Corrente de
5,1 A 5,15 A 5,25 A 5,36 A
curto-circuito (Isc)
Tensão de circuito
44 A 44,2 V 44,2 V 44,2 V
aberto (Voc)
Valores eléctricos com uma radiação de 100 W/m2 , distribuição espectral de AM 1.5 e uma
temperatura de célula de 25 °C (condição de teste standard).

Tabela 70
b) Ficha técnica de um módulo Características eléctricas específicas
fotovoltaico da Martifer Solar.
160 170 / 175 / 180
Fonte: Martifer Solar
Coeficiente de temperatura Į
-0,45 %/ °C -0,5 ± 0,05 %/k
(Pmax)
Coeficiente de temperatura ȕ
0,06 %/ °C 0,06 ± 0,01 %/k
(Vmpp)
Coeficiente de temperatura ȋ
-158,4 mV/ °C -155 ± 10 mV
(Voc)
NOCT (Temperatura normal
46 ± 2 °C 46 ± 2 °C
de funcionamento da célula)

Analisando a ficha técnica deste módulo, uma das características importantes


no dimensionamento de sistemas fotovoltaicos é a tensão de circuito aberto
UOC. Em alguns casos, este parâmetro deve ser calculado para uma tempera-
tura de -10 °C (UOC -10 °C).

As características construtivas dos módulos também devem ser evidenciadas,


nomeadamente:

– Dimensões (comprimento e largura);


– Espessura;
– Peso.

Estas características são de capital importância para a realização do projecto,


uma vez que estes dados permitem-nos escolher as estruturas de suporte e o
espaço que os módulos vão ocupar.

3.1.6. Potência produzida por um módulo fotovoltaico


A radiação é medida numa superfície horizontal ao longo de um determinado
período de tempo, sendo este valor dado em kWh/m2. Pode ser uma média
anual, mensal ou um valor diário.

A potência produzida por um módulo fotovoltaico é determinada através da


equação:
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 213

3.1.7. Associação de módulos fotovoltaicos em série


Com a associação de módulos em série podemos ter valores de tensão mais
elevados, mas a corrente mantém o seu valor.

Quando ligamos vários módulos em série, devemos ter o cuidado de analisar


a datasheet do fabricante, de forma a verificar qual o valor de tensão máxi-
mo permitido para este tipo de associação (dado pelo fabricante). De salientar
que normalmente são colocados nos módulos díodos de desvio ou by-pass
para prevenir eventuais avarias nos módulos, evitando que os sistemas FV
bloqueiem.

De referir ainda que nas instalações de microgeração são associados módulos


em série de forma a garantir a tensão de arranque do inversor.
Fig. 306
Associação de módulos em série.

Fonte: “Laboratórios de Energia Solar Fotovoltaica”,


Manuel Oliveira e Filipe Pereira, Publindústria

Analisando a figura anterior, verifica-se:

Fig. 307
Ligação em série de três células FV.

Fonte: “ Energia Fotovoltaica –


Manual Sobre Tecnologias, Projecto
e Instalação”, Projecto GreenPro

3.1.8. Associação de módulos fotovoltaicos em paralelo


Com este tipo de associação de módulos, o valor da tensão mantém-se e o
valor da corrente aumenta quanto maior for a associação de módulos FV.

Fig. 308
Associação de módulos em paralelo.

Fonte: “Laboratórios de Energia Solar Fotovoltaica”,


Manuel Oliveira e Filipe Pereira, Publindústria
214 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Analisando a figura anterior, verifica-se o seguinte:

Fig. 309
Ligação em paralelo de três células FV.

Fonte: “Energia Fotovoltaica –


Manual Sobre Tecnologias, Projecto
e Instalação”, Projecto GreenPro

3.1.9. Associação mista de módulos fotovoltaicos


Com este tipo de associação de módulos, conseguem-se maiores valores de
corrente e também de tensão. Na ligação mista, as strings (ou ramos em para-
lelo) têm de ter o mesmo número de módulos FV e estes têm de ter obrigato-
riamente as mesmas características (tensão, corrente e potência). Isto implica
células iguais.

Fig. 310
Ligação mista de células FV.

Fonte:KleanEnergie4Life, Lda

Analisando a figura acima, conclui-se que estamos perante um sistema de ge-


ração de microprodução fotovoltaica composto por 16 módulos, divididos num
paralelo de 2 conjuntos (strings) de 8 painéis ligados em série. Chama-se string
a uma fileira de módulos fotovoltaicos.

Neste exemplo da tensão dos módulos ligados em série, a tensão total será:

Em que:
n– Número de módulos;
U– Tensão de funcionamento de cada módulo (Ex.: 12 V);
I – Corrente fornecida por cada módulo (Ex.: 4,4 A).
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 215

3.2. Cálculo e dimensionamento dos módulos


solares fotovoltaicos — noções

Exercícios Resolvidos

Exercício 1 Exercício 5
Sabendo que se possui em armazém 3 módulos FV de 12 V, 50 W e que De seguida é apresentada uma tabela com os dados de um módu-
os ligaram em série, que características resultarão desta disposição? lo FV. Pretende-se obter uma energia diária de produção dada por
10 módulos (conectados em 2 ramos de 5 módulos) durante uma
Resolução: semana. A irradiação (radiação solar) da zona de instalação é de 4,5
horas diárias.
U = 12 x 3 = 36 V
ITOTAL = 4,17 A = Constante, pois em série soma-se a tensão e não a Potência 150 W
corrente. Número de células em série 72 de 5''
IMODULO = P / U = 50 / 12 | 4,17 A
PTOTAL = UTOTAL x ITOTAL = 36 V x 4,17 A = 150,12 W Corrente máxima 4,35 A

Tensão máxima 34,5 V


Exercício 2
Sabendo que se possui em armazém 3 módulos FV de 12 V, 50 W, Corrente curto-circuito (ICC ou ISC) 4,8 A
e que os ligaram em paralelo, que características resultarão desta
disposição? Tensão em circuito aberto (VCO ou 43,2 V
VCA)
Resolução:
Tabela 71
UTOTAL = 12 V, pois em paralelo soma-se a corrente e não a tensão. Características de um módulo FV
IMODULO = P / U = 50 / 12 | 4,17 A
ITOTAL = 4,17 A x 3 = 12,51 A Calcule:
PTOTAL = UTOTAL x ITOTAL = 12 V x 12,51 A = 150,12 W a. A tensão nominal do módulo;
b. O valor da tensão do nosso gerador FV;
Exercício 3
c. O valor da corrente fornecida pelo nosso gerador FV;
Que características resultarão da disposição em paralelo dos seguintes
módulos fotovoltaicos: 12 V, 40 W; 24 V, 90 W; 48 V, 330 W? d. O valor da capacidade produção gerada por dia tendo em conta a
corrente fornecida pelo gerador FV. (Nota: O valor do rendimento
Resolução: de um gerador FV é na ordem dos 90 %);
e. O valor da capacidade produção gerada por semana tendo em con-
Não se podem ligar módulos fotovoltaicos em paralelo com tensões
ta a corrente fornecida pelo gerador FV.
diferentes.

Resolução:
Exercício 4
Que características resultarão da disposição em série dos seguintes
módulos fotovoltaicos: 12 V, 40 W; 24 V, 90 W; 48 V, 330 W? a. VN = 24 V;
b. VGERADOR FV = 120 V;
Resolução: c. IGERADOR PV = 8,7 A;
d. WDIÁRIA GERADOR FV = 39,15 Ahd;
Não se podem ligar módulos fotovoltaicos em série com tensões di-
e. WSEMANAL GERADOR FV = 274,05 Ahd.
ferentes.

3.3. Manutenção e conservação


Todos os módulos FV têm de ser controlados anualmente verificando-se a se-
gurança das conexões eléctricas, se as ligações mecânicas estão intactas e se
há corrosão. Normalmente é suficiente uma precipitação atmosférica ocasional
para manter limpa a superfície dos módulos.

Caso a sujidade seja muito intensa, deve limpar-se a superfície de vidro apenas
com um pano macio e os habituais produtos de limpeza para vidros ou mes-
mo água. As dedadas devem também ser eliminadas com um produto limpa-
vidros. Não devem ser usados materiais de limpeza ásperos ou ferramentas
como raspadores, lã de vidro, lâminas ou outros objectos cortantes, caso con-
trário, extingue-se a garantia do módulo FV.
216 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

É preciso controlar anualmente se os parafusos dos bornes de conexão ainda


se encontram bem apertados e se as ligações dos cabos estão em bom estado
de conservação.

Além do mais, é também necessário controlar se os módulos estão bem fixos.


Ligações soltas podem danificar o módulo ou toda uma série de módulos.

3.4. Caixa de ligações dos módulos fotovoltaicos


Na maioria das instalações fotovoltaicas, dependendo da potência da instala-
ção, é necessário associar vários módulos fotovoltaicos em série para obter os
níveis de tensão da instalação.

Para a realização das conexões, existe nos módulos FV uma caixa de ligações
que se encontra na parte superior e na parte traseira do módulo FV (ver figura
abaixo). Em alguns casos, os módulos poderão dispor de uma cablagem de
conexão com conectores especiais para que seja facilitada a sua ligação.

Fig. 311
Caixa de ligação de um
módulo fotovoltaico.

Fonte: Weidmüller

Fig. 312
Caixas de ligações de
módulos fotovoltaicos.

Fonte: http://www.flickr.com/photos/
10286376@N06/1400938892

Os díodos de by-pass que se vêem na figura são utilizados para proteger o mó-
dulo FV de danos ocasionados por sombras parciais, evitando que este actue
como receptor.

Os díodos vêm ligados de fábrica e são conectados em anti-paralelo com os


terminais de ligação do módulo FV, sendo conectado o ânodo do díodo ao ter-
minal negativo do módulo e o cátodo do díodo ao terminal positivo.
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 217

Mais adiante serão apresentadas as definições de díodos de fileira e de díodos


de desvio ou by-pass.

Fig. 313
Cablagem de ligação com conectores especiais para
que seja facilitada a ligação do módulo fotovoltaico.

Fonte: http://www.jtsolar.com.au/
solar-modules/solar-modules-ceeg-sst-170w.html

Na figura 314 poderemos analisar um módulo da ISOFOTON de 100 W/24 V.


O módulo é constituído por 72 células ligadas em série e três díodos de by-
pass, onde cada um protege um grupo de 24 células, formando três circuitos Fig. 314
Ligação eléctrica de um módulo da ISOFOTON.
eléctricos.
Fonte: ISOFOTON

De seguida é apresentada a constituição interna de um módulo FV e a ligação


eléctrica das células que compõem o mesmo, de vista frontal.

Fig. 315
a) Pormenor da interligação entre células e da consti-
tuição de um módulo fotovoltaico.

Fonte: Solenerg
218 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Fig. 315
b) Pormenor da interligação entre células
e da constituição de um módulo fotovoltaico.

Fonte: Solenerg

3.5. Díodos de desvio e díodos de fileira


Normalmente, nos módulos FV o fabricante coloca díodos de bloqueio para
evitar correntes em sentido contrário.

Na associação de vários módulos, quando algum módulo estiver com uma ava-
ria, usam-se normalmente díodos de desvio ou de by-pass em paralelo com o
módulo. A sua função é desviar a corrente produzida pelos outros módulos,
ficando assim inactivo o módulo defeituoso. Quando existem módulos ligados
em paralelo, são utilizados díodos de fileira para evitar curto-circuitos e corren-
tes inversas entre fileiras, no caso de aparecer qualquer avaria em alguma das
fileiras do sistema FV.

Fig. 316 O técnico pode suprimir estes díodos utilizando, por exemplo, fusíveis nos dois
Díodo de bloqueio num módulo FV.
lados da fileira para proteger contra sobreintensidades e mesmo contra possí-
Fonte: Tese de Fernando Mapota – INETI
veis correntes inversas no sistema.

Caso a corrente admissível nas cablagens seja 1,25 vezes maior do que a cor-
rente de curto-circuito do gerador fotovoltaico (IZ t 1,25 x ICC (CTS)), pode-se su-
primir a utilização dos fusíveis. CTS é a designação para Standard Conditions.

Fig. 317
Fusíveis de protecção
de um sistema FV.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda


Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 219

Segundo a norma CEI 60364-7-712, secção 712.512.1.1, a tensão inversa


dos díodos de fileira deve ser o dobro da tensão de circuito aberto em CTS
(UDINV. t 2 x UOC (CTS)) na fileira.

Fig. 318
a) Díodos de by-pass e díodos de fileira.

Fonte: http://www.daviddarling.info

Fig. 318
b) Díodos de by-pass e díodos de fileira.

Fonte: http://www.daviddarling.info

Resumidamente, a função de um díodo de by-pass, no caso de uma célula


solar estar total ou parcialmente com sombra, é a de fazer circular por esta
célula menos corrente.

Através da ligação em série no módulo, a célula solar com sombra aquece, po-
dendo danificar-se. Os díodos by-pass têm por função proteger as células com
sombra. Um painel dispõe de um a três díodos by-pass consoante o número de
células. Os díodos a utilizar neste tipo de instalações são os de Shotky.

3.6. Pontos quentes, díodos de derivação e sombreamento


Além das perdas por desadaptação (mismatch), pode ocorrer um fenómeno de-
signado por hot spot (ponto quente) que faz com que o gerador fotovoltaico
possa não atingir o rendimento esperado. Isto pode acontecer quando flui uma
corrente inversa relativamente elevada no máximo igual à corrente de curto- -cir-
cuito através da célula solar. A célula ou grupo de células prejudicadas são força-
das a uma polarização inversa, dissipando energia que pode causar sobreaque-
cimento, danificando o seu encapsulamento e deteriorando o desempenho de
todo o módulo fotovoltaico.
220 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

De modo a prevenir a ocorrência de pontos quentes, a corrente deve ser des-


viada da célula solar através de uma derivação que, por sua vez, é conseguida
através de um díodo de derivação ligado em anti-paralelo com as células so-
lares, impedindo assim o aparecimento de tensões inversas elevadas nestas
células. Na prática, os díodos de derivação são colocados em anti-paralelo com
um conjunto de 18 a 20 células solares.

Em muitos sistemas ligados à rede, especialmente os sistemas em coberturas


de edifícios –, é difícil evitar certos períodos de sombreamento, que deverão
ser avaliados na fase de dimensionamento da instalação para poder determinar
quais as possíveis perdas pela exposição à sombra.

As sombras que se projectam sobre os painéis fotovoltaicos podem classificar-


-se em três categorias:

– Sombras temporárias, causadas por efeitos tais como folhas que caem (a
ter em especial atenção em zonas com muitas árvores), a neve (a ter em
conta em zonas montanhosas), os excrementos das aves, poeira e partícu-
las de contaminação. Em certas situações, basta colocar os módulos com
uma inclinação adequada para que a chuva os limpe. Noutras situações será
Fig. 319 necessário efectuar manutenções periódicas e limpar os módulos, confor-
Célula solar com ponto quente (hot spot). me será abordado num capítulo mais adiante.
Fonte: FER - Fontes de Energia Renováveis. – Sombras causadas pela localização da instalação. Neste ponto consi-
“Energia Fotovoltaica – Manual Sobre Tecnologias,
Projectos e Instalações, Volume III”.
deram-se as sombras produzidas pelos edifícios circundantes e outros ele-
Projecto parcialmente financiado pela Comissão mentos que os rodeiam.
Europeia, designadamente através do programa
ALTENER, 2004. – Sombras causadas pelo edifício, como por exemplo, as chaminés, ante-
nas, telecomunicações, etc. Este tipo de elementos pode produzir sombras
directas, que são especialmente críticas.

Para podermos analisar este tipo de pontos quentes nos módulos, existem
equipamentos muito específicos que os detectam, denominados de câmaras
termográficas. De seguida é apresentado um exemplo de um ponto quente
detectado por uma câmara termográfica.

Fig. 320
Imagem de uma câmara termográfica
detectando um hot spot num módulo fotovoltaico.

Fonte: http://www.icrepq.com/icrepq’10/634-Acciani.pdf
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 221

3.7. Efeitos dos sombreamentos nos módulos fotovoltaicos


A curva característica do módulo FV é modificada em função do sombreamen-
to a que está sujeito. Isto significa que o MPP irá ser desviado, havendo assim
uma redução de potência relativamente a um módulo FV que não se encontra
sombreado.

Este sombreamento pode ter consequências graves, tanto na eficiência como


na segurança do módulo FV.

Se cair um objecto no módulo solar, de tal modo que uma célula solar fique
na sua totalidade obscurecida, esta passará a estar inversamente polarizada,
actuando como uma carga eléctrica e convertendo a energia eléctrica em calor.
Se a corrente que a atravessa for altamente elevada, poderá resultar o ponto
quente já mencionado. O maior valor de intensidade de corrente que pode fluir
através da célula é a corrente do curto-circuito.

Fig. 321
Fileira FV com um módulo sombreado.

Fonte: “Energia Fotovoltaica –


Manual Sobre Tecnologias, Projecto
e Instalação”, Projecto GreenPro

Caso algum módulo (ou célula) fique sombreado, a fonte de corrente desapa-
rece e esta vai comportar-se como uma resistência que é atravessada por uma
corrente que foi produzida nos outros módulos, podendo este ficar com um
valor de tensão inversa muito elevado e provocar o aparecimento de um ponto
quente no circuito, que pode originar a destruição do próprio módulo.

Para prevenir a ocorrência destes pontos quentes, a corrente deve ser desvia-
da da célula solar através de uma derivação da corrente. Esta derivação da cor-
rente é alcançada através de um díodo de by-pass, ligado em anti-paralelo com
as células solares. Este díodo, como foi referido atrás, impede o aparecimento
de tensões inversas elevadas nas células solares.

Fig. 322
Módulo fotovoltaico sombreado
com díodos de by-pass.

Fonte: “Energia Fotovoltaica –


Manual Sobre Tecnologias, Projecto
e Instalação”, Projecto GreenPro
222 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

De seguida são apresentados dois esquemas. Um de sombreamentos em


células ligadas em série e outro com a utilização de díodos de by-pass.

Fig. 323
Sombreamento parcial
de células fotovoltaicas em série.

Fonte: “Energia Solar


Fotovoltaica”, Ruth Pastôra Saraiva Leão

Fig. 324
Sombreamento parcial de células
fotovoltaicas em série com
díodo de by-pass.

Fonte: “Energia Solar


Fotovoltaica”, Ruth Pastôra Saraiva Leão

Fig. 325
Sombreamentos num módulo FV.

Fonte: http://www.logic.nl/getfile/
fbeea312-9c61-48ed-9a16-980670a5e5d3/Y-Sol-2.aspx

Existem outros factores que podem influenciar o rendimento de um módulo


FV, como por exemplo a deposição de neve na sua superfície. Uma forma de
minimizar esse efeito passa por colocar os módulos FV na horizontal e não na
vertical.
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 223

Desta forma, na horizontal, apenas estaríamos a afectar uma fileira de células


ligadas em série, mas com a produção intacta das outras. Se o módulo for
colocado na vertical, todas as fileiras vão ser danificadas, ficando sombreadas
com neve, prejudicando imenso a eficiência do módulo.

Fig. 326
Módulos fotovoltaicos inclinados
(local com elevada presença de neve).

Fonte: “Energia Fotovoltaica –


Manual Sobre Tecnologias, Projecto
e Instalação”, Projecto GreenPro

3.8. Aspectos a ter em conta na escolha do módulo


Existe uma enorme diversidade de opções de módulos fotovoltaicos no mer-
cado, mas nem todos respeitam as normas e, por consequência, nem todos
estão certificados. Quando se faz a escolha de um módulo fotovoltaico é ne-
cessário ter em conta alguns factores:

– Eficiência do módulo FV – ao analisar a eficiência das células fotovoltaicas


verifica-se que quanto maior é o valor da eficiência, menor vai ser a área
ocupada por kW produzido.
– Qualidade – realizando uma inspecção visual poder-se-á verificar se as ca-
racterísticas construtivas do módulo são confiáveis. O carimbo de certifica-
ção do módulo, por si, já deve garantir que este foi construído segundo as
normas. Por outro lado, o próprio fabricante dos módulos, por norma, é já
um factor que influencia a sua escolha.
– Tipo de célula solar – a célula solar pode ser monocristalina, policristalina
ou de película fina.

3.9. Processo de construção de um módulo solar fotovoltaico


É possível, e relativamente fácil para qualquer pessoa, a montagem dos seus
próprios módulos fotovoltaicos a partir de células individuais.

Embora não fiquem tão fiáveis e duráveis como os comerciais, existe uma
série de razões para que seja você a fazê-lo:

– Precisa de um módulo personalizado para uma aplicação especial que re-


quer uma voltagem não usual;
– Precisa de um módulo com uma determinada forma para caber numa deter-
minada localização;
– Comprou uma série de células fotovoltaicas em segunda mão, baratas, e
quer aproveitá-las;
– Quer aprender mais acerca de células solares e decidiu por isso “meter a
mão na massa”;

No nosso caso, é esta última hipótese que prevalece: aprender.


224 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

3.9.1. Teste de células solares


Hoje em dia existem múltiplos locais onde pode comprar células solares indi-
viduais ou em grupos de 2 ou 4.

Seja qual for a sua origem, deve sempre testar, individualmente, cada uma
das células que possui em seu poder e que irá usar para construir o módulo
solar.

Isto porque, se depois do módulo construído, descobrir que alguma das cé-
lulas não está em condições, o trabalho de remover essa célula do módulo é
grande, correndo-se ainda o risco de danificar as células vizinhas.

Felizmente, testar uma célula é fácil e barato. Basta possuir um multímetro


normal, com campos de medida abaixo de 1 V e acima dos 10 A.

Quando testarmos os módulos completos iremos medir tensões de 16 a 18 V


ou mais, e correntes de curto-circuito possivelmente acima dos 2,5 A, depen-
dendo do tamanho do módulo e das condições da luz.

Os testes mais simples que nos dão indicações significativas são:

– A corrente de curto-circuito da célula;


– A tensão em circuito aberto sob condições de sol brilhante.

Porém, se o sol brilhante não estiver disponível na altura do teste podemos


até executá-lo com base em iluminação artificial.

3.9.2. Um simulador solar simples


Para testar as células solares dentro de casa, precisamos de um simulador
solar, que é habitualmente caro. Mas podemos ultrapassar o problema duma
forma aceitável, usando uma lâmpada projectora EHL standard, daquelas que
são usadas nos projectores de slides.

A distância exacta entre a lâmpada e a célula solar vai depender da lâmpada,


mas será sempre à volta dos 35 cm.

3.9.3. Um porta-células simples


Para medir as propriedades eléctricas das células solares, é necessário fazer
bons contactos eléctricos, quer na parte traseira da célula, quer nos dedos
situados no seu lado superior, para que esta não seja encoberta por nenhuma
sombra.

Como forma de se alcançar esse objectivo, podemos construir um porta-células


simples. A base é um pedaço de contraplacado, com cerca de 15 î20 cm, sobre
o qual devemos colar, com cimento-cola, um bocado de chapa fina de cobre ou
aço galvanizado.

Deverá depois colocar um par de terminais, que se compram em qualquer


loja de produtos electrónicos, e que servirão para ligar as pontas de prova do
multímetro à placa de testes.

Para isso, depois de fazer com um berbequim um par de pequenos buracos


de cerca de 15 mm para as hastes desses terminais, faça um furo mais largo
na parte traseira do contraplacado, para que cada porca que segura os ter-
minais possa ser apertada de modo a permitir que o contraplacado assente
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 225

perfeitamente sem altos e baixos, uma vez que estas mesmas porcas ficarão
nele embutidas.

É importante que a chapa de cobre se mantenha limpa, isto porque quere-


mos que a ligeira pressão do contacto frontal contra os dedos da célula seja
suficiente para fazer um bom contacto na parte traseira. Quando encostar-
mos a ponta de prova aos dedos frontais que constituem o terminal superior
da célula, devemos ainda ter o cuidado de não fazer qualquer tipo de sombra
sobre a célula.

3.9.4. Medições corrente-tensão


Todas as células solares de silício disponíveis comercialmente produzem
aproximadamente a mesma tensão eléctrica. Mesmo para células relativa-
mente ineficientes, a tensão em circuito aberto deverá ser acima dos 0,5 e
abaixo dos 0,6 V, sob iluminação directa do Sol.

Com iluminação reduzida, a tensão de circuito aberto descerá para cerca de


0,3 V.

Se uma célula não atingir estes valores, provavelmente estará em curto-circuito.


Deverá então examiná-la visualmente com muito cuidado para ver se encontra Fig. 327
um defeito óbvio. Se o curto-circuito for interno, não poderá ser reparado. Construção de um módulo fotovoltaico – parte I.

Fonte: http://www.profelectro.info
O valor da corrente de saída de uma célula solar está directamente relaciona-
do com a sua área e a intensidade da luz a que esta está sujeita, para além da
sua qualidade, e é uma característica determinante para decidir se devemos
ou não usar essa célula na construção do módulo, pois a corrente máxima
que este módulo pode fornecer é igual à corrente máxima que a pior das cé-
lulas pode abastecer. Isto porque as células são ligadas em série no módulo.

Para saber a corrente aproximada que deve ser medida (e assim decidir se
está boa ou não), meça a área da célula em centímetros quadrados e multipli-
que esse valor por 21. Depois, meça o valor da corrente e veja se está perto
do valor encontrado.

Outra solução é ter uma célula que sabe de certeza estar boa, medir a sua
corrente máxima, que depois servirá de bitola para as células a testar.

3.9.5. Como ligar as células


As células solares podem ser ligadas a um circuito externo de várias manei-
ras. Podem ser colocadas num suporte com contactos de mola que pressio-
nam a parte da frente e a de trás, podendo as conexões ser soldadas; mas a
maneira mais comum de ligar células solares é soldando nelas fios conduto-
res. Podem ainda ser compradas com valores de corrente até 2,5 A, mas as
tensões que produzem são muito pequenas.

Assim, a única finalidade de ligarmos/juntarmos várias células num módulo é


a de aumentar a tensão ou corrente disponíveis numa célula individual.

Habitualmente, a célula é projectada para poder entregar a corrente dese-


jada, pelo que ligamos várias células em série para produzir a tensão que
pretendemos.
Da mesma forma, devemos sempre usar um díodo de bloqueio para ligar o mó-
dulo à bateria, de modo a impedir que a corrente flua para trás, isto é, da bateria
para o módulo – de noite ou quando o módulo tenha uma menor tensão que a
226 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

bateria (períodos nublados). Se colocar um díodo em série com cada módulo


ainda será melhor, pois a eventual avaria de um módulo não impedirá que os
outros continuem a operar.

3.9.6. Os vários modos de ligar as células solares em série

– No primeiro (shingling), a parte traseira de uma célula é colocada por cima


da parte dianteira da célula seguinte, em cerca de 1 mm, que são depois
soldadas. O padrão de dedos é desenhado com uma tira própria para sol-
dar num dos lados. Contudo, a expansão e contracção que ocorrem com
a temperatura, para além de qualquer flexão do módulo, fazem com que a
zona de junção soldada se parta facilmente, implicando a falha da célula;
– O mais comum é o segundo, usando fios ligadores feitos de folha de cobre.
E é precisamente este que vamos usar. É muito fácil preparar esses fios de
ligação, como se pode ver na figura ao lado.

A folha de cobre deve ser muito fina (0,002 polegadas ou 50 microns) de


forma a permitir ligações flexíveis. Estas fitas são muito fáceis de cortar a
partir de uma folha maior. O tamanho e forma exactas das tiras dependem do
padrão dos dedos da célula, mas é melhor deixar 1 a 2 mm de espaço entre
as células.

É também recomendável colocar 2 ou 3 tiras em paralelo entre cada célula de


Fig. 328
Construção de um módulo fotovoltaico – parte II. forma a fazer contactos redundantes. Assim, o módulo não falhará se uma ou
duas soldaduras se partirem. Veja a figura 329.
Fonte: http://www.profelectro.info

Recomenda-se ainda que sejam soldadas a todo o comprimento das bandas


largas tiras de cobre finas, preferencialmente plissadas. Estas tiras devem ir
até, pelo menos, metade da parte traseira da célula seguinte, como forma de
melhorar a resistência a choques e torções.

Em vez de tiras de cobre, é também possível usar fio de cobre de pequeno


diâmetro para fazer as ligações.

As ligações dos fios devem ser feitas de modo a que fiquem com uma ligeira
curvatura quando as células são colocadas na posição final, de modo a permi-
tir a expansão e contracção térmica que ocorrerão sempre devido às oscila-
ções de temperatura.

3.9.7. Soldadura das células solares


A maioria das células disponíveis comercialmente são projectadas para terem
contactos e fios soldados. Para além disso, muitos fabricantes estanham, ou
Fig. 329 cobrem com solda, os pontos de contacto onde os fios devem ser ligados.
Construção de um módulo
fotovoltaico – parte III.
Pode ser usada solda normal (60 % estanho e 40 % de chumbo).
Fonte: http://www.profelectro.info
Quanto ao ferro de soldar, um pequeno ferro do tipo lápis (de cerca de 35 a
40 W) é o suficiente. O processo de soldar as peças de cobre à célula não é
difícil.

3.9.8. Projectar a caixa


O primeiro passo é desenhar/projectar a caixa que vai conter o painel.

Para um módulo de 32 células, dever-se-ão usar 4 linhas de 8 células cada,


embora sejam admissíveis outros arranjos, conforme o local onde este será
colocado.
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 227

As linhas de células devem ficar separadas umas das outras por fitas de acrílico
finas, que fazem assim com que as linhas de células fiquem separadas umas
das outras sem ser preciso prendê-las à caixa, além de suportarem a tampa
para que esta não possa ser empurrada para dentro e danificar as células.

Agora é calcular o tamanho da caixa.

Para isso, o melhor é colocar as células no sítio onde vão ficar, sobre o painel
de acrílico inferior e medir, deixando cerca de 1 cm entre cada linha e outro
centímetro em cada extremo. Veja a seguinte figura:
” ”
Fig. 330
Construção de um módulo fotovoltaico – parte IV

Fonte: http://www.profelectro.info

3.9.9. Corte do plástico


Deve usar chapas de acrílico com cerca de 3 mm de espessura.

Cortar estas chapas é muito fácil. A melhor maneira é utilizar uma faca afiada e,
depois de passar com ela firmemente 2, 3 ou mais vezes, até formar uma fen-
da profunda na chapa, com o auxílio de uma régua metálica (para o risco/mar-
cação ficarem direitos), pelo sítio por onde se quer cortar (com as medidas), e
partir a chapa por aí, bastando para isso dobrá-la pelo lado onde se fez o corte.

No caso das tiras de separação entre as linhas de células, pode haver mais
dificuldade devido ao seu pequeno tamanho. Tenha pois cuidado para não se
ferir com a faca.

A chapa de acrílico também poderá ser cortada com um serrote de dentes


pequenos, como uma serra de cortar ferro, por exemplo. O problema deste
método reside no facto de se poder partir o acrílico mais facilmente, especial-
mente se a folha do serrote for algo mais grosseira.

3.9.10. Colar a caixa de plástico


Existe uma série de colas adequadas para acrílico.

A maioria delas funciona segundo o princípio do solvente: dissolvem ligeira-


mente o acrílico de modo a formar uma superfície pegajosa.

Por exemplo, pode usar o tricloroetileno ou o clorofórmio, embora este último


seja perigoso e cancerígeno. Evite respirar os fumos ou que o produto entre em
contacto com a sua pele. As colas comerciais, embora sejam também perigo-
sas, não requerem essa extrema atenção que o manuseio do clorofórmio requer.

Coloque as peças a serem coladas na posição desejada.

Usando um conta-gotas, deite umas quantas gotas entre as superfícies a colar.


228 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Pressione ligeiramente – mas sem deixar fugir as peças para o lado –, a zona
de junção. Não mova as peças durante 5 minutos. Verifique se ficaram bem
coladas.

As partes coladas parecerão húmidas e transparentes quando vistas através


de uma das faces brilhantes da peça, enquanto que os pontos que não ficaram
em contacto reflectirão mais luz. Nestes, pode então aplicar mais umas gotas
de cola. Se tudo correr bem, ficará com uma caixa totalmente à prova de água,
como convém para proteger as nossas células.

3.9.11. Tapar a cobertura


Quando tiver todos os lados, a parte de baixo e as tiras separadoras colados,
estará em condições de instalar as células solares e colocar a tampa superior
da caixa.

Então, antes de colocar as células, coloque a tampa no seu local e, com a ajuda
de um berbequim (com uma broca adequada aos parafusos que irá usar), faça
uma série de furos nos locais onde irá inserir os parafusos (não se esqueça que
têm de ficar alinhados com a borda da caixa, à sua volta).

Depois, para se assegurar que todos os furos ficam alinhados, coloque a tampa
no sítio e, ao longo de toda a borda superior da caixa, faça dois furos nos extre-
mos opostos antes de todos os outros.

Repita o processo para as tiras de separação das linhas de células que estão
no interior da caixa.

3.9.12. Instalação das células solares


Agora que a cobertura está pronta, pode colocar a cobrir todo o fundo da caixa,
placas de esferovite de 1 a 2 mm de espessura, para que as células fiquem
mais protegidas.

Poderá ainda colar as células à caixa usando um pouco de silicone por detrás
de cada uma delas. Mas atenção: antes de o fazer, deve verificar se as células
estão todas a funcionar bem, porque depois é impossível retirá-las sem as
partir.

Tenha o cuidado de colocar as linhas de células para que os fios de ligação da


parte traseira da última célula de uma linha fiquem ao lado dos fios de ligação
da parte frontal da primeira célula da linha seguinte, de forma a poder fazer
facilmente a sua ligação/soldadura e com fios pequenos. Esta operação deve
ser feita com cuidado pois o acrílico derrete com o calor, pelo que aconselha-
mos a colocação de um bocado de cartão debaixo dos fios enquanto procede
à soldadura.

Há vários métodos de trazer as pontas dos fios da célula final (que vão ligar ao
circuito externo) para fora da caixa.

Nós vamos fixar um par de bornes na parte de baixo da caixa. Para isso, vamos
usar dois parafusos que serão aparafusados de dentro para fora. Na junta (en-
tre o parafuso e o acrílico) deverá colocar um pouco de silicone.

Talvez a melhor maneira até seja fazer uns furos separados de ô polegadas,
de forma a poder lá colocar um par de terminais/bornes do tipo banana. Isso
facilitará depois a ligação ao circuito externo.
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 229

Na parte interior deverá soldar os fios aos parafusos, aproveitando para colocar
antes o díodo de bloqueio. O cátodo deve ligar ao terminal positivo e o ânodo
à traseira da última célula. Obviamente que a parte da frente da primeira célula
deve ser ligada ao terminal negativo.

Finalmente, o painel está pronto a ser exposto ao sol (quanto mais brilhante
melhor).

Depois, limpe a parte interior da tampa e aparafuse-a, para além de colocar um


pouco de silicone ao longo de toda a junção.

3.9.13. Construção de um módulo concentrador híbrido


(fotovoltaico/térmico – produz electricidade e aquece água)
Embora o painel que construímos deva estar operacional, este que vamos ago-
ra tratar tem duas vantagens:

– Pode usar um concentrador de Winston para aumentar a quantidade de luz


solar que atinge cada célula;
– Também é capaz de aquecer ar ou água, usando o calor desperdiçado nas
células solares.

Fizemos duas versões ligeiramente diferentes: uma com uma folha metálica
como suporte traseiro e tubos de água; outra com as células montadas numa
ripa de madeira.

A segunda versão só pode ser usada para aquecer ar mas é mais simples e
barata.

3.9.14. O suporte de protecção


É uma peça de madeira cerca de 1,2 cm maior que as células e suficientemen-
te comprida para receber as linhas de células.

Será boa ideia limitar o comprimento de cada placa a 1,30 m ou 1,5 m, de


modo a que cada uma contenha 16 células. Nesse caso, dois destes submódu-
los formam um módulo. Com estas medidas, as células ficarão afastadas mais
ou menos 1 mm umas das outras.

Os suportes que iremos construir serão feitos a partir de uma folha de material
metálico, pois este conduz o calor (para aquecer a água) muito melhor que a
madeira.

Por baixo desse suporte metálico soldaremos dois tubos, também metálicos,
para conduzir a água a aquecer (como efeito secundário positivo, a água que
aquecemos também refrigerará as células fotovoltaicas). Veja a figura abaixo.

Fig.331
Construção de um módulo fotovoltaico – parte V.

Fonte: http://www.profelectro.info
230 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Será boa ideia que o suporte metálico e os tubos sejam do mesmo material,
de modo a que o coeficiente de dilatação, sendo igual, não provoque fissuras.
No entanto, podem também ser utilizados tubos de cobre.

As dimensões mostradas na figura 331 referem-se a células fotovoltaicas de


7,5 cm de diâmetro. Para outros tamanhos poderá alargar o suporte, mas a
dobra pode continuar em 2,5 mm.

Uma outra possibilidade para o suporte é usar placas de alumínio (mais ba-
ratas).

3.9.15. Isolamento e encapsulamento das células fotovoltaicas


Como vamos usar um suporte metálico, é óbvio que as células fotovoltaicas
não podem assentar directamente sobre ele, sob pena de curto-circuito. En-
tão, teremos de as isolar eléctrica mas não termicamente. Um material que
reúne as características desejadas é o Silicone RTV (silicone transparente de
borracha para calafetar).

Fig. 332 Passo 1


Construção de um módulo
fotovoltaico – parte VI.
Usando uma pistola de calafetar, faça uma camada de silicone RTV no centro
da placa de suporte e, rapidamente, espalhe o silicone de modo a ocupar
Fonte: http://www.profelectro.info
toda a placa, com uma espessura de cerca de 2 mm (ver figura 332). Neste
ponto, a velocidade é mais importante que a perfeição, de modo a evitar que
o silicone seque.

Passo 2
Corte uma tira de tecido com cerca de 2,5 cm de largura e mais comprida
que a placa de suporte metálico (prepare-a antes de colocar o silicone, pois
vai precisar dela assim que espalhar o silicone). Pressione a tira de tecido na
camada de silicone ainda fresca (ver figura 333).

Passo 3
Envolva o tecido com uma nova camada de silicone, desta vez com mais
cuidado, de forma a conseguir uma superfície o mais lisa possível (ver figura
334).
Fig. 333
Construção de um módulo
fotovoltaico – parte VII.
O objectivo destes dois passos é criar uma barreira que impeça que aci-
dentalmente as células toquem no suporte metálico e assim provoquem um
Fonte: http://www.profelectro.info
curto-circuito.

Passo 4
Deposite as células solares, com muito cuidado, na camada ainda fresca de
silicone (ver figura 335). Se puder, e é conveniente que o faça, solde as fitas
de cobre das células à sua parte traseira e coloque-as, uma de cada vez, no
suporte. Depois, então, solde-as umas às outras, depois de ter verificado,
uma a uma, que todas estão a funcionar.

Pressione com delicadeza cada célula contra o silicone fresco, de forma a


eliminar as bolhas de ar que se formam. Todavia, cuidado. Não se esqueça
que é preferível ficar com algumas bolhas de ar mas as células todas inteiras.

Fig. 334 Passo 5


Construção de um módulo
fotovoltaico – parte VIII.
Quando tudo estiver OK, aplique uma camada de silicone RTV sobre todo o
módulo.
Fonte: http://www.profelectro.info
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 231

Finalmente, aplique sobre esta última camada de silicone – enquanto ainda


fresca – uma fita Mylar plástica (plástico aderente, da 3M, por exemplo) (ver
figura 336).

Com prática, tal produzirá uma camada exterior fina e uniforme, sem bolhas de ar.

Tenha o cuidado de não envolver os terminais das células (aqueles que vão ligar
ao circuito exterior) nem com o silicone, nem com o plástico.

Se tudo tiver corrido bem, ficará com um painel solar híbrido (produz electrici-
dade e aquece água – fotovoltaico/térmico) pronto a usar.

Fig. 335
Construção de um módulo
fotovoltaico – parte IX.

Fonte: http://www.profelectro.info

Fig. 336
Construção de um módulo fotovoltaico – parte X.

Fonte: http://www.profelectro.info

Se por acaso alguma célula “deixar de funcionar”, terá de cortar essa zona com
uma lâmina, reparar tudo com muito cuidado (e paciência, pelo que será me-
lhor assegurar-se que tudo fica bem feito à primeira, mesmo que demore mais
tempo) e voltar a envolver a zona.

Fig. 337
Construção de um módulo
fotovoltaico – parte XI.

Fonte: http://www.profelectro.info

3.10. Ensaio de um módulo solar fotovoltaico


Para o aluno efectuar o ensaio de um módulo solar fotovoltaico, aconselha-se a
realização da seguinte actividade laboratorial do livro “Laboratórios de Energia
Solar Fotovoltaica”:

– Trabalho Prático n.° 4 - Ensaio de um Módulo Fotovoltaico.


232 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Actividade Teórico-prática 1

Objectivos: Com esta actividade pretende-se: Desenvolvimento: Se num determinado momento o módulo esti-
vesse a produzir 6 A, qual seria a potência gerada pela célula a uma
a. Saber interpretar a folha de características; temperatura de trabalho de 60 °? E para uma temperatura de 25 °C?
b. Calcular graficamente a potência proporcionada por uma célula a
diferentes temperaturas de trabalho. Resolução:

Material necessário: Possuir a folha de características de uma célula Para calcular a dita potência, deveremos conhecer em primeiro lugar a
e conhecer a sua temperatura de trabalho. Utilizar-se-á a folha de ca- tensão de saída da célula. Analisando a curva do lado esquerdo, verifi-
racterísticas de uma célula policristalina da empresa Sunways Solar ca-se que para uma intensidade de corrente de 6 A, a tensão a 60 °C é
Cells, em que se poderá analisar as curvas I-V apresentadas de segui- de aproximadamente de 0,48 V e que, a 25 °C, é de aproximadamente
da. Para efectuar o cálculo gráfico, necessitará de régua e esquadro. 0,52 V. Assim:

Introdução: Devemos ter em conta que, na prática, o inversor de


uma instalação fotovoltaica que actua como uma fonte de corrente,
“impõe” à célula a intensidade que esta deverá proporcionar, pro-
curando que trabalhe sempre no ponto de máxima potência. Esta
intensidade determinará a tensão e com esta a potência entregue Conclusão: Conclui-se que com o aumento da temperatura de traba-
pela célula. lho da célula, a potência entregue pela mesma diminui.

Fig. 338
Folha de características de uma célula
fotovoltaica.
Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”,
Miguel Moro Vallina, Paraninfo

Actividade Teórico-prática 2

Objectivos: Com esta actividade pretende-se:
Resolução:
a. Saber analisar qual a utilidade, no dimensionamento de siste-
mas fotovoltaicos, dos coeficientes de temperatura das células;
Este dado indica-nos que a tensão em circuito aberto diminui à me-
b. Calcular como a variação da temperatura influencia o valor da
dida que aumenta a temperatura de trabalho da célula. Na mesma
corrente de curto-circuito, a tensão de circuito aberto e a potên-
folha de características do módulo podemos observar também um
cia máxima da célula.
gráfico em que está representada a variação de PM, ISC e VOC com a
temperatura.
Material necessário: Folha de características de um módulo foto-
voltaico e temperatura de trabalho da célula. Analisar-se-á a folha de
características do módulo NDQ2E3E da Sharp.

Introdução: As propriedades eléctricas de uma célula fotovoltaica Para o cálculo da tensão em circuito aberto (VOC) nestas circunstân-
variam com a temperatura. A característica que é mais influenciada cias utiliza-se a seguinte fórmula:
é a tensão. Quando se dimensiona uma instalação fotovoltaica é
importante ter em conta esta variação para evitar possíveis danos
no inversor.
Para o dimensionamento de uma instalação fotovoltaica, deverá ter-se
Desenvolvimento: Analisando a folha de características, verifica- em conta a tensão em circuito aberto a esta temperatura, conforme se
se que: verá mais adiante neste livro.
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 233

Actividade Teórico-prática 3

Objectivo: Com esta actividade pretende-se: consultar previamente os valores do fabricante para as duas grande-
zas mencionadas anteriormente.
a. Medir a tensão em circuito aberto;
Segundo o fabricante, VOC = 28,4 V e ISC = 7,92 A.
b. Medir a corrente de curto-circuito;
c. Comparar os valores obtidos com os do fabricante, mediante aná- Resolução:
lise posterior da folha de características.

Material necessário: Folha de características de um módulo foto-


voltaico, um voltímetro ou multímetro, módulo fotovoltaico, e uma
pinça amperimétrica ou amperímetro.

Introdução: Para medir a corrente de curto-circuito deveremos ligar


um amperímetro (com o selector em DC com a escala adequada),
aos dois terminais do módulo fotovoltaico.

Desenvolvimento: O selector do multímetro deverá estar na po-


sição de corrente contínua para medir a tensão em circuito aberto
e a corrente de curto-circuito. Ao seleccionar o comutador rotativo, Fig. 339
dever-se-á ter em conta o valor da escala a utilizar, devendo para isso Medição da corrente de curto-circuito num módulo fotovoltaico.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda

Teste de Avaliação

1. Quais são as aplicações do efeito fotoeléctrico para além da produ- 7. Pretende-se construir um módulo fotovoltaico para uma instalação
ção de electricidade? fotovoltaica autónoma com uma tensão nominal de 12 V e uma po-
tência de 180 W a partir de células fotovoltaicas, cujas características
2. Porque razão é que, nos módulos fotovoltaicos, as células se ligam são as seguintes:
em série?

3. Se uma célula fotovoltaica é capaz de produzir uma tensão de


0,6 V, que tensão poderemos medir nos extremos de 10 células
iguais ligadas em série?
Tamanho – 14 x 14 cm
4. Que tipo de matérias se utiliza na construção de células fotovoltai-
cas? Que características eléctricas têm do ponto de vista eléctrico? Calcule:

5. Para montar um sistema de iluminação num jardim de uma casa a. O número de células que são necessárias para construir o módulo FV;
de campo, necessitamos de um módulo capaz de proporcionar à b. Explique como deverão ser ligadas electricamente as células entre si;
saída uma tensão de 6 V e uma corrente máxima de 9 A. Para isso, c. A dimensão do módulo FV.
dispomos de células fotovoltaicas com as seguintes características:
8. O que são semicondutores? Descreva brevemente a sua estrutura
atómica efectuando um pequeno esboço.

Dimensões – 10 x 10 cm 9. Em que é que consiste o efeito fotoeléctrico?

Explique como se deveriam interligar as células para obter os valo-


10. Indique quais os três principais tipos de células fotovoltaicas que po-
res pedidos. Faça um esquema eléctrico para este problema.
dem ser encontrados no mercado. Quais são as diferenças entre eles?

6. Se a tensão de circuito aberto num módulo for de 36,9 V, a sua cor-


rente de curto-circuito é de 8,32 A e tem 60 células, qual será o valor
(Continua)
da tensão em vazio de cada uma das células?
234 Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos

Teste de Avaliação (Continuação)

11. As células de um módulo fotovoltaico são conectadas em série ou


em paralelo? Porquê?

12. O que é o ponto de máxima potência de uma célula fotovoltaica?

13. Imagine que se ligam cinco módulos como os da questão 6 em


paralelo. Qual será a tensão da instalação fotovoltaica? Qual será o Nota: Observe que as variações estão expressas em percentagem.
valor da corrente de curto-circuito? Calcule os valores da tensão em vazio e a corrente de curto-circuito a
uma temperatura de trabalho de 59 °C, sabendo que:
14. A célula CA508000 da Sunways Solar Cells é quadrada, com 156 mm
de lado e a sua eficiência é de 16,5 %. Qual é o valor da sua potência
máxima?
22. Observe a curva I-V da seguinte figura. Quais são os valores de ISC,
15. Desenhe o circuito eléctrico que usaria para medir a tensão em cir- VOC, IMPP, e VPMP PMPP da célula fotovoltaica?
cuito aberto de uma célula fotovoltaica. Que escala deverá colocar
no voltímetro para medir adequadamente a tensão?

16. A tensão em circuito aberto de um módulo FV é de 20 V. Este valor


foi obtido em condições STC com uma temperatura ambiente de
25 °C. Segundo os dados do fabricante, VOC tem um coeficiente de
temperatura de -132 mV/°C. Qual será o valor da tensão em circuito
aberto do módulo se este for usado num local com 40 °C? Justifique
a sua resposta.

17. A potência máxima ou de pico de uma célula fotovoltaica é de


4,02 W, a corrente de curto-circuito de 7,85 A e tensão de circuito
aberto é de 642 mV. Qual é o valor do seu factor de forma?

18. Um módulo fotovoltaico possui um NOTC de 47 °C. Qual será a


temperatura de trabalho de qualquer uma das suas células, sabendo
que a temperatura ambiente é de 21 °C e o valor da radiação inci-
dente é de 950 W/m2? Fig. 340
Curva I-V de uma célula fotovoltaica.
Fonte: “Instalaciones Solares Fotovoltaicas”, Miguel Moro Vallina, Paraninfo
19. A corrente de curto-circuito de uma célula é de 8,27 A; a sua tensão
em circuito aberto é de 623 mV. Qual será o seu factor de forma?
23. O módulo referido na questão 21 possui um NOTC de 49 °C. Qual
será a temperatura de trabalho da célula para uma temperatura am-
20. Analise as características da célula abordada na actividade teórico-
biente de 19 °C e uma radiação incidente de 910 W/m2?
-prática 1. Calcule o valor da potência que será entregue pela célula
com uma tensão de 0,5 V e uma radiação incidente de 800 W/m2.
24. Indique quais são as principais diferenças da ligação em série, para-
lelo e mista.
21. O módulo fotovoltaico SLK60P6L – 230 W da empresa Siliken pos-
sui os seguintes coeficientes de variação térmica: Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip

Teste de Avaliação - Escolha múltipla

1. O efeito fotovoltaico é…

a. Uma propriedade dos átomos metálicos; c. Um efeito cuja origem ainda é indeterminada;
b. Uma propriedade de certos materiais semicondutores como o silício; d. Um processo de alteração de semicondutores.
(Continua)
Capítulo 3 - Módulos Solares Fotovoltaicos 235

Teste de Avaliação - Escolha múltipla (Continuação)

2. Se um módulo fotovoltaico proporcionar uma corrente de 10 A e se c. As suas características eléctricas;


este for ligado em série com outro módulo cuja intensidade de cor- d. Todas as respostas anteriores, entre outras.
rente que fornece é 25 A, qual será o valor da sua intensidade total?
8. O que é o factor de forma de uma célula fotovoltaica?
a. 25 A;
b. 10 A; a. O rendimento da mesma;
c. 35 A; b. A relação entre a potência da célula e a que esta entrega à rede;
d. Nenhuma das respostas anteriores. c. O produto da corrente de curto-circuito pela tensão de circuito aberto;
d. Um parâmetro que permite avaliar a qualidade de uma célula.
3. A dopagem é…
9. O díodo de by-pass…
a. Um processo de introdução de átomos com impurezas num mate-
rial semicondutor; a. Liga-se em paralelo com as células do módulo fotovoltaico;.
b. Um processo que produz camadas do tipo N e do tipo P; b. Liga-se em série com os módulos fotovoltaicos;
c. Um processo imprescindível para utilizar o efeito fotoeléctrico c. Não conduz quando o módulo ou parte dele está sombreado.;
como forma de produção de electricidade; d. Todas as respostas anteriores estão correctas.
d. Todas as respostas anteriores estão correctas.
10. Uma string é…
4. A eficiência de uma célula é…
a. Um conjunto de módulos de uma instalação fotovoltaica;
a. A corrente que circula pela mesma quando o Sol brilha com a sua b. Um grupo de módulos ligados ao mesmo inversor;
máxima intensidade; c. Um conjunto de módulos ligados em série;
b. A tensão que existe nos seus condutores no ponto de máxima d. O grupo formado pelo inversor e o transformador, numa instalação
potência; de baixa tensão.
c. A quantidade máxima de potência que pode fornecer;
d. Todas as respostas anteriores estão incorrectas. 11. A potência nominal de uma instalação FV é…

5. Se efectuarmos uma instalação ligando em série seis módulos a. A soma de todas as potências de pico dos módulos fotovoltaicos
cuja potência máxima é de 230 W, qual será a potência máxima do que constituem a instalação;
gerador fotovoltaico? b. A potência de saída que é ministrada pelo inversor;
c. A potência que proporciona cada uma das strings da instalação;
a. 230 W; d. Todas as respostas anteriores são falsas.
b. 1380 W;
c. 115 W; 12. Uma sombra numa célula fotovoltaica pode causar…
d. Todas as respostas anteriores estão incorrectas.
a. Que esta deixe de conduzir electricidade;
6. O que é NOTC ou TONC? b. Que esta deixe de se comportar como uma fonte de corrente e
consuma electricidade, ficando a actuar como uma resistência;
a. A temperatura máxima à qual a célula poderá funcionar; c. Um aumento da vida útil da mesma;
b. A temperatura ambiente à qual a célula produz a sua potência d. Todas as respostas anteriores estão correctas.
máxima;
c. A temperatura que a célula alcança abaixo das condições STC, isto 13. Que tipo de sombras são mais prejudiciais para o funcionamento
é, temperatura, radiação e espectro; de um módulo FV?
d. Todas as respostas anteriores estão incorrectas.
a. As sombras directas;
7. Que elementos constam de uma folha de características de um b. As sombras indirectas;.
módulo FV? c. Todas as sombras são igualmente lesivas;
d. As sombras não afectam o funcionamento do módulo.
a. As dimensões do módulo;
b. Os seus coeficientes de temperatura; Soluções disponíveis em: www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip
CAPÍTULO 4
PROJECTO DE SISTEMAS SOLARES
FOTOVOLTAICOS (SELECÇÃO E DIMENSIONAMENTO)

Temas:
a. Tema do projecto e objectivos
b. Estudo da viabilidade técnica e financeira – noções
c. Planeamento e programação global
d. Normas técnicas e legislação aplicável
e. Recolha de informação técnica
f. Esquema do sistema solar fotovoltaico definido em projecto
g. Dimensionamento do sistema solar fotovoltaico
h. Execução de desenhos e fichas técnicas
i. Planeamento para a construção, preparação do trabalho e programação para a construção
j. Orçamentação
k. Planos de instalação, ensaios, monitorização e de manutenção

Objectivo(s):
– Definir o projecto a desenvolver e objectivos.
– Organizar o processo de um projecto, definindo a estrutura documental de acordo com
as regras de procedimento.
– Aplicar conhecimentos e técnicas adquiridos noutras unidades de formação fundamentais.
– Seleccionar e dimensionar o sistema solar fotovoltaico em termos globais e relativamen-
te a todos os seus elementos constituintes.
– Definir o planeamento, preparação do trabalho e programa relativamente a todas as
fases do desenvolvimento do projecto.
– Executar e organizar todos os elementos técnicos necessários ao desenvolvimento do
projecto.
– Efectuar a orçamentação para a realização do projecto.
– Elaborar o plano de produção, de instalação, de ensaio, de monitorização e manutenção
do projecto de um sistema solar fotovoltaico.
238 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

4.1. Aproveitamento da energia solar


fotovoltaica — generalidades
Sem dúvida que a energia solar tem imensas aplicações, não só a nível domés-
tico, como a nível industrial.

Também a energia fotovoltaica apresenta uma série de utilizações finais. De


seguida é mostrado um esquema com as principais aplicações dos sistemas
fotovoltaicos.

Fig. 341
Principais aplicações fotovoltaicas.

Fonte: Seminários Weidmüller

Mais abaixo, encontram-se exemplos de aplicação de aproveitamento foto-


voltaico.
Fig. 342
Aplicação fotovoltaica numa habitação.

Fonte: Seminários Weidmüller

a) b) c) d)

Fig. 343
Aplicações fotovoltaicas:
a) em ambiente doméstico com seguidor solar; b) no espaço; c) e d) em meios públicos.

Fonte: Seminários Weidmüller


Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 239

4.2. Hora de pico solar


A energia solar captada que é recolhida durante uma determinada hora do dia
e que é indicada em horas, é denominada de hora de pico solar. A sua sigla é
representada por HPS.

O valor de HPS pode variar entre 3 a 6 horas diárias, dependendo do mês e


lugar da instalação fotovoltaica. Do mesmo modo, pode variar 3 horas (Norte
de Portugal) até 6 horas (Sul de Portugal), dependendo da zona geográfica da
instalação.

De salientar que durante as restantes horas onde há radiação, existe um apro-


veitamento energético mas de menor quantidade, conforme indica a seguinte
figura.

Fig. 344
Distribuição horária da irradiação incidente sobre a
superfície terrestre, em que se observa que os níveis
variam ao longo do dia.

Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Hora_solar_pico

O valor da HPS pode-se obter através da seguinte fórmula:

HPSȕ = (Gȕ / Iȕ) [h]

Onde:
HPSȕ – Valor de horas de pico solar;
Gȕ – Valor da radiação solar;
Iȕ– Valor da potência da radiação solar incidente (kW/m2) – Divide-se o valor
da irradiação solar por 1000 W/m2. Este valor no site do PVGIS representa a
variável G (ângulo);
ȕ– Qualquer ângulo. Modificando o valor deste ângulo, mudam os valores da
irradiação solar e o número de horas de pico solar.

Exemplo:

Para o caso de Faro, o valor de Gȕ para um ângulo de 90 ° de inclinação, no mês


de Janeiro, é de 4240 Wh/m2. Ao dividir este valor por 1000 W/m2, obtém-se o
valor de 4,24 horas, tal como se demonstra na seguinte equação:

4.3. Estudo de viabilidade técnica — sombreamentos


No processo de captação de energia solar fotovoltaica, dever-se-ão evitar os
sombreamentos ou efeito de sombra.

Os efeitos das sombras traduzem-se em energia perdida que poderia ser cap-
tada, mas que não o é devido a obstáculos que dificultam essa recolha.
240 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Os efeitos dos sombreamentos estão directamente relacionados com factores


como:

– A distância mínima entre fileiras de módulos FV. Os próprios módulos pode-


rão provocar sombreamentos uns nos outros;
– Perdas por orientação e inclinação;
– Perdas por sombreamentos.

Outra situação a ter conta em questões de sombreamento, é, em grandes


instalações, a distância a manter entre fileiras de colectores, de modo a que as
da frente não provoquem sombreamento nas de trás. Por vezes, tal constitui
um problema. Determinadas instalações são limitadas em termos de espaço.
Uma das soluções prende-se com a disposição dos colectores numa superfície
inclinada.

Para resolver esta questão, deve-se realizar a seguinte montagem, de acordo


com a seguinte figura.

Fig. 345
Regra a aplicar em fileiras de painéis
quando existem sombreamentos.

Fonte:KleanEnergie4Life, Lda

Onde:
ȕ – Ângulo a que corresponde a altura mínima do Sol a 22 de Dezembro, que
vai determinar a distância máxima entre fileiras para evitar sombreamentos
entre elas;
Į – Inclinação dos módulos FV;
d – Afastamento entre as fileiras dos módulos FV;
b – Comprimento do módulo FV;
h – Altura.

Antes da montagem de um sistema fotovoltaico, deve ser sempre assegurada


a distância entre fileiras de painéis fotovoltaicos, de forma a evitar sombrea-
mentos mútuos, bem como a assegurar uma disposição que evite os sombre-
amentos de elementos arquitectónicos.

A distância entre fileiras consecutivas de painéis fotovoltaicos, d(m), depende


do comprimento do módulo b(m), da inclinação do painel ȕ e do valor mínimo
da altura solar que é tolerada no sombreamento Į.
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 241

De forma a reduzir as perdas do sistema por sombreamento mútuo entre as


fileiras de módulos inclinados, poderá ser aplicado um dos dois métodos que
se seguem:

– Para uma minimização das perdas por sombreamento aplica-se a regra: 3,5 x h,
em que d1 (m) representa a distância entre o final de um módulo FV e o início
de outro, e h (m) representa a altura a que se eleva o módulo FV;
– Para optimizar a área a utilizar dever-se-á usar a fórmula: d = 2,5 x b.

A dedução da fórmula anterior é feita da seguinte forma:

Como d = d1 + d2 = b x cos Į + [h / (tg ȕ)] = b x cosĮ + [(b x senĮ) / (tg ȕ)]

Então:

De seguida, é apresentado um caso prático em que se verificou um mau di-


mensionamento da posição dos painéis e que originou um sombreamento.

Fig. 346
Caso em que existe um sombreamento
às 12 h.

Fonte: ISQ

Por vezes poderá acontecer que se verifique a colocação de painéis a diferen-


tes níveis, como é o caso da figura abaixo. Para se obter o valor da distância
d, teremos de obter os valores da altura h e da latitude geográfica do local da
instalação.

Fig. 347
Distância entre painéis e obstáculos.

Fonte: KleanEnergie4Life, Lda


242 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Exercício A fórmula para a obtenção dessa distância é dada pela seguinte expressão:

Calcule a distância a que deverão situar-


se as fileiras de módulos FV em Bragan-
ça, utilizando a seguinte expressão:
Para o cálculo da distância entre fileiras de módulos FV, também se poderá
utilizar a seguinte equação, usando um coeficiente adimensional k, obtido a
partir da latitude do lugar:
Sabe-se que as fileiras sobressaem 1,3 m
acima do solo e que a latitude de Bragan-
ça é de 41 °.
Através deste método, o valor de k dependerá do lugar e uma instalação pode
Soluções disponíveis em: ter vários obstáculos. Assim, calcular-se-á o valor de k e depois, em função da
www.publindustria.pt/ctiesf/ctiesf.zip altura do obstáculo, calcula-se a distância com o módulo FV.

Também se poderá consultar a seguinte tabela para podermos saber o valor


exacto de k.

Tabela 72 Latitude (°) K


Valores de k em função da latitude.
30 1,327
31 1,376
32 1,428
Exercício Resolvido
33 1,483
34 1,540
Numa vivenda instalam-se módulos foto-
voltaicos num espaço adjacente à casa. 35 1,600
Calcule a distância mínima a partir de 36 1,664
onde se poderão instalar os módulos FV,
sabendo que a vivenda se encontra no 37 1,732
Porto e a sua altura é de 3 metros.
38 1,804
Resolução: 39 1,881
40 1,963
Para conhecer o valor da latitude no Por-
to, poder-se-á consultar a base de dados 41 2,050
do PVGIS. O valor obtido é o de 41°08’.
42 2,145
Agora, consultando a tabela 72, verifica- 43 2,246
se que para 41 ° de latitude, o valor de k é
de 2,050. Logo, a distância mínima entre 44 2,356
a casa e os módulos FV será: 45 2,475
46 2,605
47 2,747
48 2,904
49 3,078
50 3,271

4.3.1. Tipos de sombreamento


Para um grande número de instalações fotovoltaicas, as sombras provocam
reduções anuais de produção de energia entre 5 a 10 %. Em muitos dos casos,
o sombreamento pode ser classificado como:

– Sombreamento temporário – sombreamento resultante da presença de


neve, de folhas e de dejectos de pássaros, entre outros tipos de sujidade.
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 243

A sujidade de pó ou as folhas caídas nas áreas florestais, são também fac-


tores que provocam sombreamento no meio envolvente. A neve e folhas
caídas sobre o gerador podem sujar a superfície deste, gerando desta
forma sombras constantes. A auto-limpeza dos módulos poderá ser origi-
nada pela lavagem da sujidade pela água da chuva. Para isso é necessário
que os módulos sejam colocados com um ângulo mínimo de inclinação
superior a 25 °. Maiores ângulos de inclinação aumentam a velocidade de
escorrimento da água da chuva e, consequentemente, melhoram a limpe-
za de sujidade.
– Sombreamento resultante da localização – é o sombreamento produ-
zido pela envolvente da edificação. Os prédios vizinhos (incluindo altos
edifícios afastados) e as árvores podem sombrear o sistema fotovoltaico.
– Sombreamento produzido pelo edifício – são sombras constantes,
devendo por isso ser consideradas na análise de uma instalação de um
gerador fotovoltaico. Deve-se ter em atenção, aquando do projecto, as
chaminés, as antenas, os pára-raios, as antenas de satélite, etc.

4.3.2. Perdas por sombreamento


O método utilizado para a obtenção do valor das perdas por sombreamentos
da instalação fotovoltaica é o da utilização do diagrama da trajectória do Sol
que relaciona as sombras produzidas com os ângulos dos objectos que as
podem produzir.

De seguida, referimos quais os possíveis passos a tomar para obtenção das


perdas por sombreamentos.

– Obtenção do perfil dos obstáculos: terá de se obter o perfil tendo como


base as suas coordenadas de azimute (desvio em relação a sul) e a inclina-
ção, ou seja, a silhueta do objecto a partir da qual se projectará a sombra.
Isso é feito com o teodolito (figura 348).

Fig. 348
Teodolito.

Fonte: http://ram.meteored.com/numero22/
imagenes/2teodolito.jpg

Os ângulos de elevação e de azimute dos objectos podem também ser


determinados utilizando um analisador de sombras (câmara apropriada ou
câmara digital com software).
– Representação do perfil no diagrama de trajectória do Sol na figura
349, onde se representa a banda de trajectórias solares ao longo de um
dia. Uma vez que as 12 h correspondem ao meio-dia, as horas negativas
(-11 h, etc.) correspondem a períodos antes do meio-dia e as horas positi-
vas (13 h, etc.) correspondem a períodos depois do meio-dia.
244 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Fig. 349
Diagrama da trajectória do sol.

Fonte: PVSYST

– As projecções estereográficas permitem determinar zonas de sombrea-


mento ao longo do ano (em softwares específicos para cálculos de sistemas
fotovoltaicos).

Para uma latitude de 37 °, altera-se a escala da altura solar adicionando-se 3 °;


no caso de uma latitude de 42 °, subtraem-se 2 °.

Fig. 350
a) Projecção estereográfica.

Fonte: ISQ

Fig. 350
b) Projecção estereográfica.

Fonte: ISQ
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 245

Para a obtenção do cálculo das perdas por sombreamento, são calculadas a


distância e as dimensões da projecção da sombra pelos objectos. A partir des-
ta informação são calculados o ângulo de azimute e o ângulo de elevação des-
de o centro dos módulos.

Fig. 351
Determinando o ângulo de elevação
e o ângulo de azimute de um objecto.

Fonte: “Energia Fotovoltaica - Manual sobre Tecnologias,


Projecto e Instalação”, Projecto GreenPro

O ângulo de elevação gama (Ȗ) é calculado a partir da subtracção entre a altura


do objecto que projecta a sombra (h2), a altura do sistema fotovoltaico (h1), e da
distância entre os dois.

É apresentado um pequeno exercício resolvido para uma melhor compreensão


do cálculo a utilizar neste tipo de problemas.

– Como vimos anteriormente, para calcular as perdas por sombreamento me-


de-se primeiro a altura e o azimute do obstáculo, desde o centro do gerador Fig. 352
fotovoltaico. Obtenção do valor de azimute
e da altura do obstáculo.

Fonte: “Contribución Solar Mínima de ACS“, FECEA


– Transferem-se essas medidas para uma projecção estereográfica.

Fig. 353
Diagrama da trajectória do Sol.

Fonte: “Contribución Solar Mínima de ACS“, FECEA

– Somam-se as contribuições das porções (assinaladas a vermelho) que es-


tão total ou parcialmente ocultas pelo perfil dos obstáculos representados,
obtendo no final a percentagem de perdas por sombreamento para cada
porção, sendo que estes valores podem ser obtidos nas tabelas do anexo
III, tendo em conta o valor da inclinação e orientação dos módulos (ȕ e Į
respectivamente).
As tabelas do anexo III referem-se a diferentes superfícies caracterizadas
pela sua inclinação e ângulo de orientação (ȕ e Į, respectivamente). Deve
246 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

ser escolhido o que é mais parecido com a superfície em estudo. Os núme-


ros em cada espaço da tabela correspondem ao valor percentual de radiação
solar global anual que seria perdido se a porção correspondente fosse inter-
ceptada por um obstáculo.

Nota: No caso de sombreamento parcial, deve ser usado um factor de preen-


chimento da porção mais próximo dos valores: 0,25, 0,50, 0,75 ou 1.

Exemplo:

Fig. 354
Diagrama da trajectória do Sol.

Fonte: Adaptação de “Contribución Solar


Mínima de ACS“, FECEA

Resolução:

Supondo que o gerador fotovoltaico tinha uma inclinação de 35 ° e estava


orientado para Sul, o valor total de sombreamentos no sistema, consultando a
tabela do anexo III, seria:

Perdas por sombreamento (% da radiação incidente global anual) =


= (1,00 x A1) + (1,00 x A2) + (0,25 x B1) + (0,25 x B2) =
= (1,00 x 0,315) + (1,00 x 0,317) + (0,25 x 0,212) + (0,25 x 0,212) = 7,38 % | 7 %

Exercícios Resolvidos

Exercício 1
Calcule a distância mínima entre os módulos fotovoltaicos de um Comprimento 1618 mm
campo gerador, sabendo que se agrupam em blocos de 4 módulos
por estrutura, conforme indicado na figura 355. Largura 814 mm

A instalação encontra-se em Aveiro, e apenas é utilizável no Verão. Espessura 35 mm


Os módulos FV são do tipo A150, cujas características físicas são
indicadas na seguinte tabela. Peso 14,8 Kg

Tabela 73
Características físicas de um módulo FV A150.

Calcula-se a largura da estrutura formada pelos 4 módulos FV:

a = 2 x largura = 2 x 814 = 1628mm = 1,63m

Para conhecer o valor da latitude em Aveiro, poderá consultar a base


de dados do PVGIS. O valor obtido é 40°37’N. Tomando como refe-
rência a tabela 73 e arredondando, obtém-se o valor de 1,963 para
o k. O valor da inclinação será de 25 °. Este valor poderá ser obtido
Fig. 355 consultando a seguinte tabela:
Estrutura dos módulos FV.
(Continua)
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 247

Exercícios Resolvidos (Continuação)

Latitude do lugar Ângulo no Inverno Ângulo no Verão Exercício 2


Calcule a distância mínima entre a primeira fileira dos módulos fotovol-
0 a 15 ° 15 ° 15 ° taicos do exercício anterior, tendo em conta que os objectos que podem
provocar sombras são uma série de árvores com uma altura máxima de
15 a 25 ° Latitude Latitude 3 metros.
25 a 30 ° Latitude + 5 ° Latitude - 5 °
Resolução:
30 a 35 ° Latitude + 10 ° Latitude + 10 °
Para conhecer o valor da latitude, recorrer-se-á à base de dados do PV-
35 a 40 ° Latitude + 15 ° Latitude + 15 ° GIS ou ao anexo II deste manual. O valor da latitude é de 40°37’N.
> 40 ° Latitude + 15 ° Latitude + 20 °
Tomando como referência a tabela 72 e arredondando, obtém-se o valor
de 1,963 para o k. O valor da inclinação será de 25 °. Este valor poderá
Tabela 74 ser obtido consultando a tabela 74.
Inclinações dos módulos FV em função da latitude
do lugar da instalação
A altura máxima do objecto é no máximo de 3 metros. Sendo assim,
estamos em condições de calcular a distância mínima entre fileiras de
Agora, poder-se-á calcular a altura da estrutura formada pelos 4 mó- módulos FV.
dulos FV. Assim, vem:

Na figura 357 está representada a solução para este exercício, indi-


Calculando a distância mínima entre fileiras de módulos FV, temos: cando qual a distância entre fileiras do gerador FV e a distância entre
a primeira fileira dos objectos que poderiam provocar sombras, neste
caso a árvore.

Na figura 356 são apresentadas as medidas correspondentes à dis-


tância entre fileiras de módulos FV da instalação em causa.

Fig. 357
Distância entre fileiras e a árvore.

Fig. 356 Fonte: Adaptado de “Energía Solar Fotovoltaica: Cálculo de una Instalacion Aislada” -
Distância e altura dos módulos FV. Miguel Pareja Aparicio, Marcombo

4.4. Sistemas de múltiplos inversores


O tamanho e número das fileiras são determinados com base na escolha do
inversor, tendo em conta a potência de saída do módulo. Quando a potência da
instalação FV é elevada, convém utilizar vários inversores de baixa potência a
trabalhar em conjunto como unidades de mestre-escravo. Quando a radiação
solar é reduzida, apenas funcionam os inversores mestres. Com o aumento
desta, atinge-se mais rapidamente a potência limite do inversor mestre, sendo
então accionado o primeiro inversor escravo.

De modo análogo, o crescente aumento da radiação solar conduz à sucessiva


entrada em operação dos restantes inversores escravos. Este conceito permi-
te optimizar a eficiência global do sistema.

Neste contexto, podem ser definidas as seguintes configurações de inver-


sores:
248 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

– Inversor central: quando a conversão CC/CA de todo o sistema fotovoltaico


é assegurada por um único inversor;
– Inversor de fileira ou de várias fileiras: quando é utilizado um inversor por
fileira ou várias fileiras para efectuar a conversão CC/CA;
– Inversor com módulo integrado: quando é utilizado um inversor por cada
módulo.

Vejamos cada uma delas.

Utilização de um único inversor central


Neste tipo de configuração, todos os módulos que constituem o painel fotovol-
taico estão ligados a um único inversor. Todas as fileiras do painel fotovoltaico
deverão ser ligadas numa caixa de junção antes de serem ligadas no inversor.

Os inversores centrais proporcionam uma alta eficiência e baixo custo. No en-


tanto, a sua utilização é limitada a módulos com idênticas características eléc-
tricas e sujeitos a condições de sombreamentos semelhantes. Devido ao facto
de o sistema não ter capacidade de diferenciar os pontos de potência máxima
das várias fileiras de módulos, a sua eficiência ficará menor.

O inversor central oferece um elevado coeficiente de rendimento. De referir


que este tipo de inversor deverá ser utilizado exclusivamente, por exemplo,
para a alimentação de cargas com potência elevada como as máquinas de lavar
roupa.

A fiabilidade deste tipo de instalação é limitada pela dependência de um único


inversor. Uma falha no inversor central vai provocar uma paralisação total da
instalação.

Inversor por fileiras de módulos (strings) fotovoltaicos


Este tipo de configuração é aplicado em sistemas FV de grandes potências,
com geração de energia em sistemas monofásicos ou trifásicos. A configu-
ração do inversor de várias fileiras combina os conceitos de inversor central e
inversor de fileira.

Do ponto de vista do painel fotovoltaico, esta configuração consiste em vários


inversores de fileira, mas do ponto de vista da rede, é vista como um único
inversor central.

Cada string de painéis é ligada ao próprio inversor da string em causa. Assim,


cada string funciona no próprio ponto de máxima potência (MPP) em si. Esta
técnica string minimiza o surgimento de adaptações defeituosas, reduz perdas
ocasionadas por sombreamentos e evita as perdas causadas pelos díodos de
string, bem como uma cablagem extensa no lado gerador FV em DC. Essas
qualidades levam a uma redução de custos e conduzem também a um au-
mento da eficiência assim como da fiabilidade da instalação. De referir que as
instalações deste tipo se situam numa faixa de potência média de 3 até 10 kW.

Um inversor por módulo FV


Cada módulo FV tem um inversor próprio. No entanto, o desempenho dos in-
versores com os módulos FV integrados é menor do que o inversor por string
de módulos FV. Este tipo de configuração, de um inversor por módulo FV, ne-
cessita de uma cablagem de secção mais baixa no lado AC, já que cada inver-
sor da instalação deve ser ligado à rede eléctrica com uma tensão de 230 VAC.
Devido ao elevado número de inversores, este tipo de configuração aumenta
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 249

indubitavelmente o custo da instalação. Esta configuração é principalmente


utilizada em sistemas de potência mais baixa, na ordem dos 50 a 400 W.

Fig. 358
Representação esquemática
de uma instalação FV com diferentes tipologias
de ligação de inversores.

Fonte: SMA Ibérica

Legenda:
a) Inversor central;
b) Inversor string;
c) Inversor modular.

Fig. 359
Representação esquemática
de uma instalação FV com diferentes tipologias
de ligação de inversores.

Fonte: http://www.volker-quaschning.de
/articles/fundamentals3/index.php

Legenda:
a) Inversor central;
b) Inversor string;
c) Inversor modular.

4.5. Dimensionamento de cablagem para sistemas FV


A cablagem é formada por elementos condutores que transmitem electrões
através dela. Através do dito movimento (por melhor que seja a condutividade
eléctrica do material), irão ocorrer perdas que geram calor nos cabos e que se
traduzem em quedas de tensão nos mesmos. A queda de tensão dependerá
da resistência do condutor e da intensidade que o percorre. A fórmula de cál-
culo para essa queda de tensão é:
250 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Em que:
ǻV – Queda de tensão num condutor;
Rc – Resistência do condutor do cabo;
I – Intensidade de corrente que percorre o cabo.
A resistência do condutor deverá ser calculada conhecendo a resistividade do
material, a secção e o comprimento do mesmo através da seguinte fórmula:

Exercício Resolvido

No dimensionamento dos cabos devem ser observados três critérios essen-


Calcule o valor da resistência de um cabo
ciais: o cumprimento dos limites fixados pela tensão nominal e pela intensi-
de cobre com um ȡ= 0,018:.mm2/m a 20 dade de corrente máxima admissível do cabo, e a minimização das perdas
°C, com 20 metros de comprimento e 4 na linha.
mm2 de secção.
Em corrente contínua, as cablagens devem ser bem dimensionadas devido aos
Resolução:
seguintes factores:

– Esforços electrodinâmicos (correntes paralelas de sentido inverso);


– Aquecimento por efeito de Joule (PJ = R x I2).

Os condutores de polaridade positiva e negativa devem ser independentes e


não agrupados num só cabo.

Os cabos são fornecidos frequentemente nas cores vermelha, azul e preta, de


forma a permitir uma maior compreensão do desenho da instalação. Abaixo
são indicadas as características mais usuais deste tipo de cabos, especifican-
do-se que género de cabo deveremos utilizar nestas instalações.

Propriedades dos cabos DC

Tabela 75 1. Estabilidade mecânica Compressão, tensão, torção e dureza


Características dos cabos DC.
Resistência aos raios UV e ao ozono num traçado exterior despro-
2. Resistência climática tegido, comportamento térmico (temperaturas: 70 °C no telhado,
55 °C no sótão)
3. Protecção contra contactos
Linha individual com duplo isolamento
directos e indirectos

Fig. 360
Cablagem para sistemas FV

Fonte: General Cable

A cablagem em DC deve ser levada a cabo com extremo cuidado. A fraca


qualidade dos contactos eléctricos pode levar ao aparecimento de arcos e,
consequentemente, ao aumento do risco de incêndio.

Nos projectos de instalações FV, o cabo DC estabelece a ligação entre os mó-


dulos FV e o regulador solar e entre o regulador e o inversor (no caso de siste-
mas autónomos). No caso de sistemas ligados à rede, é utilizada a cablagem
DC na ligação dos módulos FV ao inversor.
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 251

Sempre que houver possibilidade de opção, os cabos de policloreto de vinilo


(PVC) não deverão ser usados no exterior. O material halogeneizado PVC é
frequentemente utilizado nas instalações eléctricas. Tendo em consideração os
impactes no ambiente, deverão ser escolhidos produtos isentos de halogéneo.

Por razões associadas à protecção contra falhas de terra e curtos-circuitos, re-


comenda-se o uso de cabos monocondutores isolados para as linhas positivas
e negativas. Se forem usados cabos multicondutores, o condutor de protecção
verde/amarelo não deverá estar sujeito a qualquer tensão.

Para as instalações de microgeração expostas ao risco de incidência de relâm-


pagos, deverão ser usados cabos blindados. Os cabos devem ser encaminha-
dos de modo a que a sua integridade mecânica nunca seja posta em causa (por
exemplo, pela acção de roedores).

Características das cablagens DC

– Tensão nominal, UN:


– Normalmente entre 300 a 1000 V;
– Previstas para a temperatura de -10 °C.
– Corrente admissível, IZ:
– De acordo com a IEC 60364-7-712, deverá ser: IZ t 1,25 x ICC (CTS) e prote-
gida contra falhas à terra e curto-circuitos.
– Condições ambientais:
– Suportar temperaturas superiores a 70 °C;
– Resistir aos raios ultra-violetas se instalados no exterior.
– Quedas de tensão:
– Queda de tensão máxima de 1% para sistemas ligados à rede;
– Quando as distâncias são muito grandes e quando as tensões são baixas
(< 120 V, DC), assume-se uma queda de tensão próxima dos 3 %.

As quedas de tensão em DC (ǻU%), permitidas para as instalações FV, são


as seguintes:

– Quedas de tensão entre o gerador FV e o regulador/inversor – 3 ou 1% para


sistemas ligados à rede;
– Quedas de tensão entre o regulador e baterias – 1%;
– Quedas de tensão entre o regulador e inversor – 1%;
– Quedas de tensão entre o inversor e baterias – 1%;
– Quedas de tensão entre o inversor/regulador e equipamentos (cargas) – 3 %.

Cálculo da secção de cablagem das fileiras pelo método da queda


de tensão (sistemas ligados à rede)

A fórmula a usar para o dimensionamento da cablagem dos módulos até ao


inversor, tendo em conta a queda de tensão referida atrás, é a seguinte:

Em que:
Sfileira – Secção do cabo de fileira DC em mm2;
Lfileira – Comprimento da cablagem de fileira, em metros;
Ifileira – Corrente nominal proveniente da fileira, em ampere;
252 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

ı – Condutividade do condutor (o valor do ı no cobre é de 56 m/: mm2);


VMPP – Valor da tensão proveniente da fileira.

Nota: O factor 2x prende-se com o facto de ser o condutor de ida e volta.

O valor calculado para a secção transversal, dos cabos de fileira em DC, é ar-
redondado para o maior valor aproximado das secções transversais standard
disponíveis no mercado (exemplos de algumas das secções mais utilizadas:
2,5 mm2, 4 mm2 e 6 mm2).

O cabo de fileira deverá ter de suportar 1,25 vezes a ICC do gerador FV, e
incluir as devidas protecções contra falhas de terra e curtos-circuitos. Tal é
indicado na norma europeia IEC 60364-7-712.

É recomendável comparar a tensão nominal do cabo com a tensão de circuito


aberto a -10 °C quando perante um sistema fotovoltaico com fileiras longas.

Na parte superior dos painéis, os cabos utilizados deverão ser flexíveis, bem
como ter resistência à radiação UV e a temperaturas elevadas (mínimo de
80 °C).

No entanto, e mesmo recorrendo a condutores de 6 mm2 de secção nominal,


nos sistemas de tensão DC inferior a 120 V a queda de tensão máxima nos
condutores poderá mostrar-se superior a 1%, sendo este fenómeno agravado
na presença de uma grande distância entre o inversor e o gerador FV. Assim,
nestes sistemas admite-se uma queda de tensão de 1% na fileira e uma
queda adicional de 1% no cabo principal (ligação entre o quadro parcial dos
Importante módulos e o inversor).

Uma vez escolhida a secção, as perdas totais nos cabos do sistema fotovol-
No caso de haver diferentes comprimen-
tos das linhas dos cabos, por forma a
taico podem ser obtidas através da seguinte fórmula, onde N representa o
reduzir as perdas por efeito de Joule, a número de fileiras do gerador:
fórmula será:

Cálculo da secção de cablagem do cabo principal em DC


(sistemas ligados à rede)

O cabo principal em DC estabelece a ligação entre a caixa de junção das


strings do gerador FV e o inversor.

Na norma europeia IEC 60364-7-712 é indicado que o cabo principal DC deve-


rá suportar até 1,25 vezes a ICC do gerador sob condições CTS. A secção do
cabo é determinada em função da sua corrente máxima admissível, obede-
cendo à regra: IMÁX. t 1,25 X ICC gerador FV (CTS).

Para o dimensionamento do cabo principal, assumindo um factor de perdas na


linha de 1% (ou de 2% quando estamos perante tensões inferiores a 120 V)
para as condições de referência CTS, utiliza-se a fórmula seguinte, que nos dá
o valor da secção transversal do cabo.
Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 253

Em que:
SDC – Secção do cabo principal do gerador FV, em mm2;
LDC – Comprimento do cabo principal, em metros;
In2 – Corrente nominal admissível no cabo principal DC, em ampere;
ı – Condutividade do condutor (o valor do ı no cobre é de 56 m/: mm2; alumí-
nio é de 34 m/: mm2);
PerdasM – Valor das perdas no cabo principal;
PGerador – Valor da potência do nosso gerador FV (ou sistema FV);
FP – Factor de perdas na linha (normalmente na ordem de 1 a 2 %).

O valor calculado para a secção transversal do cabo principal é arredondado


para o maior valor aproximado das secções transversais standard existentes
no mercado: 2,5 mm2, 4 mm2, 6 mm2, 10 mm2, 16 mm2, 25 mm2, 35 mm2,etc.

As perdas no cabo serão determinadas pela fórmula:

É recomendável que se utilizem cabos isoladores monopolares para os con-


dutores positivos e negativos, de forma a obter uma protecção de terra e de
curto-circuito eficaz.

Cálculo da secção de cablagem do cabo de ligação em AC


(sistemas ligados à rede)

O cabo que liga o inversor à rede receptora deve ser dimensionado assumin-
do uma queda de tensão máxima admissível na linha de 3 % relativamente à
tensão da rede.

Utiliza-se a seguinte fórmula para determinar a secção transversal do cabo AC


de ligação do inversor à rede eléctrica:

Nota: Para uma instalação trifásica é só alterar o 2x pelo —3.

Em que:
SAC – Secção do cabo de ligação do ramal, em mm2;
LAC – Comprimento do cabo do ramal, em metros;
InAC – Corrente nominal AC do inversor, em ampere;
ı – Condutividade do condutor (o valor do ı no cobre é de 56 m/: mm2; alu-
mínio é de 34 m/: mm2);
UN – Valor de tensão nominal da rede, em volts (230 VAC em monofásico e 400
VAC em trifásico);
cos ij – Factor de potência (normalmente entre 0,8 e 1).

Nota: Normalmente, para instalações FV até 5 kWp utilizam-se secções até 6 mm2.

As perdas determinam-se através da fórmula:


254 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Recorde O cabo de ligação de corrente alternada liga o inversor à rede receptora através
do equipamento de protecção. No caso dos inversores trifásicos, a ligação à
rede de baixa tensão é efectuada com um cabo de cinco pólos. Para os inver-
O correcto dimensionamento das ca- sores monofásicos é usado um cabo de três pólos.
blagens é muito importante para o bom
funcionamento de uma instalação fotovol-
taica, visto que podem ocorrer quedas de
Ao lado é apresentada uma tabela prática com os valores das secções dos
tensão que deverão ser sempre evitadas. cabos em DC de acordo com o seu comprimento. São também apresentadas
duas tabelas com os condutores existentes no mercado fotovoltaico.

Resist. máx. Intensidade Queda de


Diâmetro Raio min. de
Secção Calor Peso do condutor do condutor tensão em
exterior curvatura
a 20°C no ar DC

Tabela 76 mm2 mm2 Kg/Km mm2 ȍ/Km A V/A.Km


Modelos de condutores fotovoltaicos


para várias secções.
1x1,5 4,3 35 18 13,7 30 38,17
Fonte: General Cable

1x2,5  5,0 50 20 8,21 41 22,87

1x4  5,6 65 23 5,09 55 14,18

1x6  6,3 85 26 3,39 70 9,445


Tabela de secções dos condutores do lado DC
de uma instalação FV 1x10  7,9 140 32 1,95 96 5,433
Tensão Tensão
Comprimento 1x16  8,8 200 35 1,24 132 3,455
12 VDC 24 VDC
(metros)
Secção (mm2) Secção (mm2)
1x25  10,5 295 42 0,795 176 2,215
5 4 2,5

10 10 4 1x35  11,8 395 47 0,565 218 1,574

15 10 6 Intensidade Intensidade
Diâmetro Raio min. de
Secção Peso do condutor do condutor Queda de tensão em DC
20 16 10 exterior curvatura
no ar enterrado
25 16 10 mm2 mm2 Kg/Km mm2 A A V/A.Km
30 25 10
1x10 12,0 230 120 80 77 4,87
35 25 16

40 35 16 1x16 13,0 290 130 107 100 3,09

Tabela 77 1x25 14,8 405 150 140 128 1,99


Secções dos condutores do lado DC
de uma instalação FV 1x35 15,9 510 160 174 154 1,41

1x50 17,5 665 175 210 183 0,984

1x70 19,8 895 200 269 224 0,694

Importante 1x95 21,6 1.125 220 327 265 0,525

1x120 23,6 1.390 240 380 302 0,411


Para o cálculo da secção dos condutores
entre regulador/bateria, bateria/inversor,
inversor/regulador e equipamentos (car- 1x150 25,6 1.695 260 438 342 0,329
gas) utiliza-se a seguinte fórmula:
1x185 27,5 2.010 275 500 383 0,270

1x240 30,8 2.615 310 590 442 0,204

1x300 34,4 3.245 345 659 500 0,163


Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento) 255

Fig. 361
Guia de instalação de cabos
fotovoltaicos – instalação tipo.

Fonte: General Cable

Exercícios Resolvidos

Exercício 1
Qual deverá ser a secção de um condu-
tor de cobre para a ligação dos módulos
fotovoltaicos ao regulador de carga, sa-
bendo que a corrente máxima admissível
será de 16 A, a tensão do sistema é de 12
V e a distância entre módulos e regulador
é de 4,5 m? Verifique na tabela se o con-
dutor que escolheu suporta a corrente
máxima admissível.

Resolução: 7,14 mm2 o10 mm2

Exercício 2
Qual deverá ser a secção de um cabo de
cobre para a ligação da bateria ao inver-
sor, sabendo que a potência do inversor
4.6. Dimensionamento dos fusíveis de fileira é de 2000 W, com uma tensão de funcio-
A utilização de fusíveis de fileira deve ser feita em sistemas de 4 ou mais namento de 24 V e que a distância entre
fileiras. bateria e inversor é de 2 m. Calcule a sec-
ção do condutor a utilizar. Verifique na ta-
bela se o condutor que escolheu suporta
Estes devem ser incluídos nos circuitos positivos e negativos dos cabos de a corrente máxima admissível.
fileira.
Resolução: 25 mm2.
Nos sistemas com menos de 4 fileiras, não é necessária a inclusão deste
tipo de fusíveis. Uma análise de defeitos mostra que num sistema de 3 ou
menos fileiras, a possibilidade de haver uma geração de corrente de defeito
alta é nula, para que induza correntes inversas passivas de causar um mau
funcionamento do sistema.

Se a cablagem for dimensionada correctamente, de forma a suportar as cor-


rentes de curto-circuito do gerador FV, será suficiente para a não utilização
dos fusíveis de fileira. Mas a inclusão destes só trará benefícios à instalação.

Com a utilização destes fusíveis, é possível um isolamento eléctrico das filei-


ras. Tal torna-se essencial, pois se houver um defeito em alguma fileira, esta
poderá ser isolada, abrindo respectivamente o circuito.

A corrente máxima admissível no cabo deve ser superior à corrente nominal


do aparelho de protecção (neste caso o fusível) e inferior à corrente limite de
não fusão. A corrente limite de não fusão terá de ser igual ou inferior a 1,15
vezes a corrente máxima admissível pelo cabo utilizado na ligação do gerador
fotovoltaico.

Estes fusíveis devem trabalhar com tensões que são obtidas através da se-
guinte fórmula:
256 Capítulo 4 - Projecto de Sistemas Solares Fotovoltaicos (Selecção e Dimensionamento)

Em que:
M – Número de módulos em série em cada fileira;
VOC – Tensão em circuito aberto.

Fig. 362
Corrente inversa gerada pela falta
de fusíveis ou díodos de fileira.

Fonte: “Manual de Correntes Inversas”, SMA

O índice de corrente IN do fusível de fileira terá de ser igual ou superior a 1,5 x ICC
(ICC - corrente de curto-circuito do módulo). Se houver m