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Projeto de ensino “Pequenos escritores: o prazer de ler e

escrever na escola”

Edna Maria Santana Magalhães

Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional


Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

Ler e escrever se tornaram essenciais à vida do homem moderno. No entanto,


não basta aos indivíduos apenas serem capazes de (de)codificar os recursos e as
técnicas da escrita. Eles precisam dominar um conjunto enorme de habilidades que
lhes possibilitem transitar por diversos contextos sociais que são (inter)mediados pelo
mundo letrado. Esse trabalho é corroborado por pesquisas sobre a aquisição e a
apropriação da leitura e da escrita e sobre a discussão, a reflexão e a análise dos
processos de ensino e aprendizagem que favorecem o uso efetivo da linguagem em
todas as suas formas de expressão. O objetivo geral do projeto de ensino “Pequenos
escritores: o prazer de ler e escrever na escola” é estimular os alunos a escreverem e a
lerem textos dos mais diferentes gêneros e, sobretudo, despertar o prazer e a confiança
de serem autores de textos literários e não literários, escrevendo para a escola e para
além dela. As três mostras que se oferecem para apresentação nesta edição da XIII
UFMG Jovem são resultantes das estratégias utilizadas para o atingimento desses
objetivos. São os seguintes os produtos: a produção de uma coletânea, intitulada
“Literatura na escola: contos de terror”, produzidos por alunos de uma turma de 6º ano,
em 2010; os poemas e crônicas produzidos, respectivamente, por estudantes que se
encontram no 6º e 9º anos, sendo todos do Centro Pedagógico da UFMG.

Introdução

A escola é um espaço plural de linguagens, de saberes e de indivíduos. Cada


um dos sujeitos que circula nesse contexto apresenta muitas demandas comuns e
outras tantas bem particulares no tocante ao convívio social e, em extensão, aos
aprendizados que já tem consolidado ou que necessita desenvolver ou aprimorar.
Pensemos a sala de aula como um espectro deste ambiente: em escala menor, sujeitos
com idades aproximadas1 contudo interesses, muitas vezes, individuais, inseridos num
locus onde tudo leva a um mundo de faz de conta: a escrita e a leitura, esvaziadas de
sentido e servem unicamente à avaliação. É aqui que mais se exercitam a escrita e a
voz que pressupostamente se dizem ‘corretas e cultas’. Muitos professores cobram dos
seus alunos a maneira correta de dizer, de escrever, contudo, aluguns desses quando
necessitam de fazer suas acadêmicas ou adminstrativas recorrem aos professores de
português...

Pois bem, tiremos proveito deste ‘faz de conta”. A voz e a letra que sempre se
dirigiam ao professor, como disse para avaliação dos alunos, podem também assumer
um novo caráter e empregadas efetivamente para desenvolver e tornar legítimas as
interações realizadas no mundo real. Isso pode ser feito a partir da necessidade que o
aluno terá de fazer valer a sua atuação como ser de linguagem imerso numa dada
situação de interação. Não importa se essa é real ou não, mas que seja baseada em
ações desenvolvidas num passado, num presente ou num futuro. Não podemos
esquecer que uma interação se realiza entre sujeitos, num dado tempo e espaço,
envolvendo um tema, um propósito e conhecimentos diversos compartilhados.
Realidade e ficção podem ser atadas de forma a fazer um tema de estudo ter sentido
para todos. Para que isso se dê o professor que está no outro polo da interlocução
precisa se abrir a novas práticas pedagógicas de ensino e de avaliação dos produtos.

É nisso que se baseiam as estratégias de ensino de leitura e de escrita de


Wilhelm (1992): técnicas de representação2, mas que assumem um caráter verdadeiro

1
Em muitas escolas brasileiras, adota-se a organização em Ciclos de Ensino. Isso possibilita um maior equilíbrio em
relação à faixa etária dos alunos. Parte-se do pressuposto que esses alunos apresentariam um leque de demandas,
conhecimentos prévios que ajudariam a (re)dimensionar a prática pedagógica e a avaliação em termos de se
considerar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Assim, garantir-se-ia uma continuidade, nos anos
escolares seguintes, e aprimoramento dos conteúdos escolares e saberes dos estudantes.
2
As técnicas de representação ou encenação de papéis Wilhelm (1992) são aqui lidas como estratégias de
problematização e que têm diferentes fases de elaboração, de organização, de sistematização e de produção de
e fazem com que os alunos possam problematizar os conhecimentos diversos e, mais
do que isso, fazer as abstrações necessárias para interpreter, compreender, relacionar,
extrapolar os fatos em estudo e produzir novos sentidos.

Fazer de conta todo mundo pode fazer. É assim que muitas de nossas
experiências de vida se efetivam. Desde a mais tenra idade as crianças copiam o
mundo dos adultos e fazem do “faz de conta” uma forma de aprender a viver. Para
aquele momento da representação uma nova realidade se nos apresenta. Fazer de
conta neste artigo tem um propósito bem orientado para o aprendizado de leitura, de
escrita e de desenvolvimento das habilidades necessárias aos letramentos dos alunos.
Visa criar nos sujeitos necessidades para apreender as estratégias que lhes propiciará
agir com eficácia na sociedade: defrontar com um dado novo e selecionar o conjunto de
procedimentos e técnicas para chegar a uma solução e ter significado concreto para si
e intermedie suas ações na interação.

Nesse sentido, novas ações fazem com que a escola se abra para o mundo para
produzir conhecimentos reais. Participar de concursos literários, demandar ações de
autoridades, defender seus direitos na sociedade, participar de campanhas diversas.
Enfim, o professor deve olhar para o mundo a sua volta e ver o que está acontecendo e
que possa interessar o seu aluno ou o que seja importante para que elas exercitem a
sua cidadania. Para conseguir que os alunos cheguem a isso, eles precisam aprender
que a lingua portuguesa, em sua modalidade escrita, é apenas uma das formas de
linguagem existentes. Além disso, ela pode ser empregada em diferentes registros,
mais ou menos formais e vai variar também de acordo com as situações de uso, com os
espaços geográficos e sociais, com os tempos, com a cultura...

Portanto, a lingua que a escola ensina não é melhor nem pior que o modo a que
o aluno aprendeu a usar em sua casa – a lingua da mãe. Ele precisa se reconhecer
como um usuário em potencial de sua lingua nacional, tendo confiança de que deve

conhecimento significativo. Usarei os nomes criados por esse autor, a partir dessa nova leitura, resultante do
diálogo com pesquisas sobre letramentos e, portanto, ampliando o leque de objetos de estudo propostos por ele,
ou seja, tendo só a literatura como pano de fundo.
aprender outras formas de empregá-la, usando os recursos e tecnologias da escrita e
da fala com propriedade. Isso possibilita:

a) do ponto de vista social, o reconhecimento de si a partir de já vivido (e este é


sempre um ponto de partida); o (re)estabelecimento do conhecimento saindo do senso
comum para o senso científico; o aprofundamento das experiências vividas/conhecidas,
possibilitando a construção de relações abstratas e/ou concretas com outros textos do
mundo. Como resultado, há uma mudança no posicionamento dos alunos em relação
ao trabalho escolar e as influências do contexto de formação escolar sobre eles.

b) do ponto de vista da formação acadêmica, os conhecimentos prévios dos alunos


são a base para a proposição de temas de estudo; a centralidade do trabalho escolar
está no aluno, mas o professor deve ser seguro em relação à condução do trabalho e
ser hábil para intervir quando se fizer necessário para atingir os objetivos do estudo; a
possibilidade de avaliar em qualquer momento o andamento das atividades, redefinindo
estratégias de condução dos trabalhos e dos ‘atores3’ no processo; os temas de estudo
passam a fazer sentido para os sujeitos envolvidos, a garantia do dinamismo e
pluralidade nas atividades escolares.

Neste trabalho, a mostra de crônicas e a de poemas seguem parcialmente o


material produzido e divulgado pela Olimpíada da Língua Portuguesa – 2010 a 2012 -,
pois foram seguidas algumas das sequências didáticas propostas, alguns materiais de
apoio, mas ampliando-as para a realidade dos alunos envolvidos.

O tema do concurso é ‘O lugar onde vivo’ e escrever sobre isso requer


leituras, pesquisas e estudos, que incitam um novo olhar acerca da
realidade e abrem perspectivas de transformação. Para que os alunos dos
vários cantos do Brasil produzam textos de qualidade é fundamental a
participação e o envolvimento dos professores, contando com o apoio da
direção das escolas, dos pais e da comunidade. (ALTENFELDER, et al;
2010)

3
Atores no sentido de que os interlocutores passam a agir com/na/pela linguagem no processo de interação{ECO
(1986), BAKHTIN (1929)}.
Como se vê, a interação entre vários polos de interlocução nos levam a
diferentes espaços sociais e, portanto, justifica-se a escolha teórica e metodológica
proposta neste estudo. Falar de letramentos nos leva a considerar diferentes locus e
estágios de conhecimento e põe os alunos como polo principal da interlocução: sujeitos
de saberes e sujeitos autores em um mundo letrado.

Metodologia: Letramentos e algumas possibilidades de ensino

Podemos dividir as ações e as estratégias de aprimoramento das habilidades de


letramento em três momentos: o anterior, o durante e o posterior à leitura. São todos
esses momentos complementares, embora, didaticamente, ocorram em etapas
separadas.

O primeiro propicia ao professor conhecer o que seus alunos sabem a respeito


do tema a ser tratado , quais as especificidades desse saber, que outros dados e como
deverão ser tratados a fim de tornar esse conhecimento ‘legítimo’ do ponto de vista da
cultura escolar. Além disso, nessa etapa, o professor seleciona e define que conjunto
de ações e estratégias que deve utilizar para tornar o tema de estudo interessante,
motivador e significativo para os alunos.

O segundo momento é importante para que o professor possa avaliar as


escolhas pedagógicas que fez e que respostas efetivas têm gerado nos alunos do
ponto de vista da recepção. Assim o professor deve se perguntar: os alunos estão
verdadeiramente envolvidos na atividade? Com que frequência têm sido necessárias
intervenções disciplinares para garantir o desenvolvimento das estratégias de leitura?
Que tipo de intervenções têm sido geradas em termos de elucidar e/ou aprofundar o
tema? Que reflexões podem ser iniciadas a partir dessa leitura? Propõe-se que a leitura
se desenvolva a partir de pequenos trechos – por exemplo, ao fim de um parágrafo,
identificando a idéia principal e como essa é desenvolvida; e/ou na articulação de
maiores porções textuais.
O terceiro momento é quando se dá o aprofundamento dos conteúdos
estudados. Os alunos com base em atividades diferentes de pesquisa estabelecem a
relação entre o tema estudado com a sua realidade, a interrelação entre diferentes
textos, os diferentes modos de pensar e a aplicação dos novos conhecimentos na sua
comunidade e vida pessoal.

Como se notou os dados velhos, conhecidos e do senso comum são elementos


essenciais para suprir as discussões e trazer para o cotidiano dos alunos dados novos
e legitimados pela sociedade científica. Escola e vida juntas no desenvolvimento de
letramentos, tendo como fonte uma razão comum no educando e no professor: o desejo
de saber e fazer algo para satisfazer uma necessidade criada a partir de uma nova
experimentação.

A primeira etapa de estudos, pois, é a fase preparatória para se criar no aluno o


desejo de saber mais sobre um dado tema e isso se faz a partir do que ele já sabe
sobre o tema. E se ele não souber nada? Caberá ao professor selecionar um material
que possibilite dar informações básicas aos alunos. As estratégias neste primeiro
momento podem ser: leitura de pequenos textos sobre temas afins; tempestades
cerebrais que são anotações numa folha de papel kraft (para serem resgatadas depois)
ou mesmo no quadro, no computador etc.; uso de escrita de pequenos textos (uma
frase) sobre o tema. Qualquer estratégia que ajude os alunos a informar o que
conhecem é válido. Além disso, possibilitará fazer um levantamento de hipóteses que
demonstrem pontos de vista distintos sobre o tema. O importante é que tudo o que for
dito seja registrado para mais a frente se fazer o confronto entre o que se sabia antes e
o que foi aprendido e subsidiar reflexões sobre o impacto desse aprendizado.

Nesta etapa são basicamente usadas as seguintes práticas de leitura: ativação e


construção das experiências e conhecimentos diversos, levantamento de hipóteses
e/ou propostas, preparação e motivação para o estudo do tema principal. É preciso
sempre guiar os trabalhos no sentido de não perder de vista os objetivos iniciais: Como
esse estudo poderá nos ajudar em nossas perguntas sobre o que queremos estudar?
Em que saber isso pode ou não contribuir para o nosso desenvolvimento do ponto de
vista pessoal e social? O que podemos fazer com esse conhecimneto?
Isso feito, os alunos podem ser apresentados ao texto que será o objeto de
estudo. Numa primeira leitura, os alunos tomam conhecimento de que se trata o texto e
têm noção de como ele se organiza, quais são os principais pontos/personagens, o que
de comum tem o texto com os pontos levantados anteriormente por eles. Essa leitura
pode ser oral e ou silenciosa. No caso da oral, pode ser feita por sujeitos distintos a
cada parte ou no caso do texto literário distribuída entre narrador(es) e personagen(s).
O que importa, professor, é que os alunos se organizem nessa atividade e que ela seja
expressiva do ponto de vista dos recursos de pontuação, prosódia e significação.

A segunda fase tem como foco encaminhamentos que visam problematizar o


texto, os personagens, a situação ou fatos vividos... O objetivo é que esse momento
seja bastante informal, como se todos estivessem conversando e vivendo aquele
momento, problema. Instaura-se no aqui e agora uma real situação de enunciação e
uma experiência de letramento. A conversa é sobre assuntos que se deseja saber e
são utilizadas as estratégias de inquirimento e de encenação de papéis (pedir ao aluno
que se ponha no lugar e tempo do personagem ou do fato) que possibilitam viver um
problema e buscar a sua resolução. Essa ‘conversa’ pode ser diante de livros ou de
outros recursos que ampliem os conhecimentos dos alunos sobre o tema. Buscam
respostas para as perguntas: o que levou a isso (causas)? e que outros
acontecimentos, reações e consequências estariam por trás desse fato? Quem são os
personagens que desencaderam tal ou tais fatos? Como fizeram isso?

Ao fim deste exercício, os alunos terão vivenciado as seguintes práticas de


leitura: visualização, levantamento e interpretação de detalhes significativos do texto
analisado e/ou do conteúdo apreciado.

Neste momento inicia-se a terceira fase dos trabalhos: todos já conhecem o texto
e as suas diretrizes. Agora a estratégia é trabalhar com ideias e projeções para o futuro.
Os alunos fazem predicções, exploram possibilidades, atuam como sujeitos agentes o
tempo todo no sentido de descobrir o que poderá acontecer com o desenrolar dos fatos
para além daquilo que o texto apresenta. Essa estratégia possibilita aos estudantes a
chance de se defrontar com as perspectivas da vida real e ajudá-los a compreender
como e por que uma ação nunca é isolada e sempre vai gerar um comportamento de
aprovação ou de reprovação no meio social.

Uma quarta estratégia, é o convite a especialista para tartar sobre o tema, ou a


exibição de documentaries, de filmes e de outras fontes de informação que possam
ajudar e dar-lhes mais aprofundamento na questão. Além de ouvir, é interessante que
os alunos possam fazer entrevistas, participar de fóruns de discussão, de seminaries,
exercitando o poder de argumentação e construindo a competência para falar sobre o
assunto.

Isso é importante para que os alunos aprendam que as escolhas feitas vão gerar
comportamentos diferentes e que eles devem considerar vários fatores para isso: se
fossem um repórter como teriam de fazer a entrevista, como colher os dados de forma
confiável, como registrar as falas por escrito…Nessa fase, busca-se que as estratégias
usadas possam fazer o vínculo entre o que é estudado e o que de fato acontece no dia
a dia. Neste exercício, os alunos põem em prática as seguintes habilidades de leitura:
inferência sobre um personagem, enfrentamento de relacionamentos complexos,
preenchimento de espaços (buscam entender o que não foi (re)velado), leem nas
entrelinhas do texto. Têm a chance de perceber o que realmente se “fala” no/pelo texto
– oral ou escrito ou o apresentado em outras linguagens não-verbais.

De acordo com o desenvolvimento das práticas de leitura até este ponto, os


alunos já são capazes de inferir e falar de pontos que tenham ficado obscuros no
estudo e fazer o preenchimento textualmente deste espaço. Aqui, dá para se perceber
como os alunos engajados no tema e ou no drama do personagem ou conhecedores do
fato podem – como detetives – elucidar o que não foi noticiado pelo texto. Nestes
momentos, a leitura é posta em prática através da inferência e da visualização de ações
importantes do passado, engajamento emocional dos alunos e a premente necessidade
de dar uma resposta ao problema.

Uma quinta estratégia é a busca de respostas em relação aos dilemas e


questões que possam se apresentar nesta fase. De fato, o objetivo é que os alunos se
expressem, declarem sua opnião como ocorre em diversas situações sociais em que
são postos a prova para fazer escolhas. Eles devem selecionar uma ou duas perguntas
que sejam significativas para que tenham um panorama sobre o problema e como as
pessoas se sentem em relação a isso: O que você pensa sobre…? Qual o seu ponto de
vista a respeito de …? Você acha que todos nós ficaríamos prejudicados/ou seríamos
favorecidos se…? Neste exercício, as práticas de leitura são: avaliação do que é ou não
significante, conversa com o autor (uma investigação sobre o autor e o seu tempo),
identificação das idéias principais, formas de expressar aceitação, rejeição, adaptação
em relação a um determinado ponto de vista autoral.

Aliado a esta estratégia, temos o envolvimento dos alunos em uma situação de


uso da vida cotidiana: são convidados a exercer um importante papel de cidadania.
Eles devem decidir qual a sua posição diante de um problema ou questão instaurado na
história, no fato. O que você pensa sobre isso? Ele terá que fazer as suas opções e
tomar partido. Essa ação pode ser feita oralmente ou por escrito. O texto produzido só é
revelado se for do interesse de seu produtor. Neste momento, cada um está
expressando a sua opinião sobre o objeto de estudo e seus conhecimentos e são
postas em cena as seguintes habilidades: identificação de uma ideia principal
diretamente estabelecida, julgamento de pontos de vista de personagens e de autores,
visões de uma certa época, tomada de posição frente às questões exploradas.

A sexta estratégia é a produção de um material que torne publico o estudo


realizado: montagem de um coral ou jogral4, jornais, dramatizações, livros, varais de
poemas, contos, crônicas ou outros generos textuais. Tudo o que os alunos
aprenderam torma corpo nessas produces. O interessante é o quê e como o professor
lidará com isso: ser ele novamente o único ledor e avaliador das producões de seus
alunos? A partir de notas feitas sobre as diversas fases do trabalho, são compostos
poemas e outros gêneros textos que têm como foco as experiências dos alunos sobre o
tema de estudo.

4
A noção de coral/jogral se caracteriza por serem os textos resultantes nesta etapa de trabalho coletivo: discussão,
seleção das partes/expressões/vocábulos do texto e a confecção do mural e, a seguir, um texto literário de
qualquer gênero.
Neste ponto, o professor deve chamar a atenção dos alunos em relação às
características do texto e as relações de sentido que se estabelecem com o uso de
recursos de linguagem distintos, principalmente em relaçao ao texto poético, crônica ou
conto, ou seja, a escrita literária. O professor pode negociar com os estudantes qual(is)
o(s) melhor(es) gêneros textuais serão utilizados e que características eles possuem
para assim se classificarem. Estão em uso as seguintes práticas de leitura e de escrita:
composição de uma resposta compartilhada, interpretação de sentidos, compreensão
da estrutura de texto e sua contribuições para a construção da relaçao de sentidos
textuais e a adequação formal e conceitual a determinado gênero textual.

Esse exercício possibilita aos professores e alunos elaborarem e desenvolverem


um projeto de ação social, tendo como ponto de chegada estimular ações e
comportamentos que valorizem os direitos humanos, a vida em comunidade e a
melhoria da qualidade de vida em suas vizinhaças, além da experiência estética e
cultural.
Conclusão

Como se viu essa proposta de ensino de língua e de outros conteúdos em uma


perspectiva do letramento é possível. A partir dela, os alunos vivenciaram, por técnicas
de representação de papéis diversos, as situações que geraram um determinado
comportamento, pensamento, descoberta ou técnica e (re)elaborarem a realidade da
ficção, presentificando as possíveis variáveis que culminaram no que seja o tema do
estudo. Há, com isso, motivação para buscar as respostas, descobrir o que há por
detrás do texto, questioná-lo, inferir ações, além de desenvolver um raciocínio lógico
que possibilite concordar ou não com a voz autoral, com as verdades intituídas. A
problematização dos temas e conteúdos de estudo, sob esse ponto de vista dos
letramentos, torna viável o diálogo entre textos, entre sujeitos, entre realidades e
legitima a busca pelo saber.

As estratégias de leitura e de escrita empregadas põem em cena, o aluno diante


de realidades que são a todo momento problematizadas e apresentadas sob diferentes
pontos de vista. É assim que descobrimos nossas potencialidades e fraquezas. É assim
que vivenciamos novas experiências e nos pomos à prova para desafiar a nossa
habilidade de resolvermos problemas, lidarmos com situações desconhecidas,
adequarmos ou não a novos padrões…

É este o desafio que nos propõe Wilhelm (2002) – considerar o processo e


avaliar o seu desenvolvimento, sem perder de vista que os alunos precisam se tornar
aprendizes seguros, participantes, companheiros na jornada para buscar o
conhecimento. É ir além do aprender para fazer provas.

O professor, nessa perspectiva, assume um papel de coadjuvante na formação


do sujeito que sabe verdadeiramente muitas coisas e que aprende de forma
significativa tantas outras coisas, acompanhando o dinamismo das experiências que
são propostas. Assim, escola e vida se dão as mãos e trabalham em prol de uma
formação mais integral do aluno.

Essa mostra traz, portanto, uma coletânea de contos, que já está sendo
impressa em gráfica, com ISBN, pelo Centro Pedagógico e da participação da edição
2012 da “Olimpíada da Língua Portuguesa: escrevendo o futuro”, crônicas e poemas
produzidos, respectivamente, por alunos de um dos nonos anos e de um dos sextos
anos, também do Centro Pedagógico. Um outro produto do trabalho realizado e que
comprova a eficácia de trabalharmos de mãos dadas com a realidade do aluno é a
Campanha da Solidariedade, organizada e dirigida pelos alunos desse mesmo sexton
ano (o 6o C) e que visa a coleta de alimentos, roupas, calçados e brinquedos para
crianças de uma creche de um bairro onde mora um dos alunos da turma .

Um outro produto deste projeto: a possibilidade de tornar o trabalho com


literatura significativo para os alunos. Essas etapas descritas neste trabalho podem ser
empregadas com qualquer conteúdo escolar e, em especial, a literatura nos oferece
muitos elementos que ajudam na compreensão dos alunos (e professores) sobre o que
é ler e escrever literatura e como essa dialoga com o mundo real.

Bibliografia

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BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). (1929) Marxismo e filosofia da linguagem. 5ª ed., São
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MAGALHÃES, E. M. S. A letra e a voz: um estudo das práticas de leitura e de escrita
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ROJO, R. H. R.. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo, SP:
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SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. 2ª ed. Belo Horizonte:
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VYGOTSKY, L. Mind in society: the development of higher psychological processes.
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