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Universidade Federal de São Carlos

Departamento de Engenharia de Produção

ENXOFRE E ÁCIDO SULFÚRICO

Processos da Indústria Química


Professora Karina Matugi

Antônio Garrido Neto


Felipe Kodama
Guilherme Brambilla
Lucas Oishi
Rafael Savi

São Carlos - SP
06 de novembro de 2017
Sumário
1. Resumo 3
2. Introdução 3
3. Propriedades e aplicações das matérias primas e produtos 4
3.1 Propriedades Físico-Químicas 4
3.2 Impacto das Propriedades 7
4. Situação do processo no Brasil e no mercado exterior 20
4.1 Enxofre 20
4.2 Ácido Sulfúrico 25
5. Descrição do processo 28
A - ENXOFRE 28
1. Processo Frasch 28
2. Processo Claus 29
B - ÁCIDO SULFÚRICO 32
1. Processo de contato 32
1.1 O Processo de contato simples 32
1.2 Diferenças entre o Processo Contato Simples e contato duplo 36
1.3 Diferenças entre baixa e média pressão 38
2. Processo de Câmaras de Chumbo 38
3. Processo a Úmido 40
6. Discussão e conclusões 41
7. Referências Bibliográficas 44
1. Resumo

O trabalho em questão tem como objetivo estudar a produção de enxofre


e ácido sulfúrico, bem como a situação do processo no Brasil e no mercado
exterior, estudo das propriedades dos componentes e produtos do processo, e
sobre a sustentabilidade desse processo.

2. Introdução

O enxofre está entre os elementos mais abundantes do sistema solar


(A.G.W Cameron, 1973). Existem registros de seu uso desde o período pré-
histórico em pinturas rupestres, tão bem como em medicamentos e rituais na
antiguidade. Suas aplicações industriais de 1600 a.C., no antigo Egito, para
clareamento de algodão, usando-se dióxido de enxofre resultante da queima do
material.

Nos dias atuais, as aplicações do enxofre são extensas, sendo parte


importante no processo de vulcanização da borracha, de fertilizantes, da
fabricação de pólvora, também estando presente na fabricação de
medicamentos e muitos outros processos.

O ácido sulfúrico é um dos mais importantes produtos do enxofre. Sua


importância, principalmente econômica, se dá pelo fato do ácido estar presente
em diversas aplicações dentro da industria, como no processamento de metais,
fabricação de fertilizantes e pigmentos. Seu valor para industria é tanto que o
ácido sulfúrico é visto como uma das formas de medir a força industrial de um
páis (Kotz, Treichel e Townsend, 2015 p.135).

Neste trabalho será apresentado os processos de produção e obtenção


do enxofre e ácido sulfúrico, bem como suas propriedades, aplicações, situação
do processo no Brasil e no mercado exterior e outras implicações da produção e
obtenção desses produtos.
3. Propriedades e aplicações das matérias primas e
produtos

3.1 Propriedades Físico-Químicas

O processo de obtenção do enxofre e do ácido sulfúrico envolvem


diversos outros componentes e produtos, como dióxido de enxofre, petróleo e
ácido sulfídrico. Nessa seção serão apresentado as propriedades dos principais
componentes utilizados na produção e extração de enxofre e ácido sulfúrico.

Abaixo é apresentada uma tabela, figura 1, com algumas informações


sobre os componentes, como massa molecular, ponto de ebulição e fusão,
densidade, dentre outros.

Figura 1 – Propriedade dos principais componentes presentes na produção e


extração de enxofre e ácido sulfúrico
Além das propriedades descritas anteriormente, há também algumas
características presentes em apenas algumas das substâncias, que serão
descritas a seguir:

Dióxido de Enxofre

Sofre hidrólise em água formando H2SO3; sua solução aquosa tem


caráter ácido; liga-se a umidade formando aerosol.

SO2(aq) + H2O(l) -> H2SO3(aq)

Trióxido de Enxofre

Altamente tóxico, venenoso caso injerido ou inalado; Material estável,


incompatível com materiais orgânicos, metais pulverizados, bases, água,
cianetos e uma variedade de outros químicos; Ao reagir com água, há a
formação de H2SO4

SO3(aq) + H2O(l) -> H2SO4(aq)

Ácido Sulfúrico

Reação de dissociação

Primeira Etapa:

H2SO4 (aq) + H2O(l) -> H3O+ (aq) + HSO4 - (aq)

Segunda Etapa:

HSO4- (aq) + H2O (l) -> H3O+ (aq) + SO4 2- (aq)

Gás Liquefeito do Petróleo (Propano)

Equação de combustão

C3H8(g) + 5O2(g) → 3 CO2(g) + 4 H2O(g) + (calor)

Petróleo

O petróleo é um complexo de hidrocarbonetos e, com isso, não possui


ponto de fusão e ebulição definido. Além disso, a composição e propriedades do
petróleo mudam de acordo com o lugar onde essa substância é extraída. O
petróleo é normalmente de cor amarela, verde, marrom ou preto, e sua
densidade é usada como uma das formas de classificar o petróleo, sendo
denominada API (American Petroleum Institute) obtido pela fórmula:

ºAPI = (141,5 ÷ densidade da amostra) - 131,5

Os diferentes compostos, ou hidrocarbonetos presentes no petróleo são


divididos em frações, sendo estas: GLP, Gasolina, Querosene, Gasóleo leve,
Gasóleo pesado, Lubrificantes, Resíduo. Cada fração possui diferentes pontos
de ebulição, fusão, volatilidade, peso molecular, densidade, dentre outras. Além
disso, por ser composto de hidrocarbonetos, substâncias de caráter apolar, o
petróleo, em sua maioria, não é miscível em água.

3.2 Impacto das Propriedades

Segurança
As substâncias envolvidas na produção de enxofre e ácido sulfúrico
podem, de forma ou outra, apresentar algum nível de perigo em seu manuseio.
Dessa forma, torna-se importante um estudo dos impactos das propriedades das
substâncias na segurança em seu uso, que será descrito a seguir, indicando
materiais incompatíveis, cuidados no uso e possíveis efeitos tóxicos da
substância em questão.

Enxofre
Materiais incompatíveis: cloretos, nitratos, outro comburentes, carbetos,
metais pesados, halogênios, fósforo e outros – Pode resultar em fogo, geração
de calor excessiva, reação descontrolada, liberação de substâncias tóxicas e/ou
explosões

Efeitos tóxicos

Toxicidade aguda: poeira nos olhos causam irritação, que são atribuidos
a redução para a forma de ácido sulfídrico (H2S). Trabalhadores de minas de
enxofre que são expostos a a alta concentração de poeira mostram mudanças
na membrana mucosa e distúrbios nas funções do trato respiratório,
traqueobroquite com dispneia, e danos aos olhos, conjutivite e algumas vezes,
até catarata.

A injestão oral é venenosa para doses mais altas que 15g por um adulto,
podendo causar nausea, vômito, diarréia, dor abnominal e dor de cabeça,
vertigo, depressão e desmaio. Doses menores (<1g) podem causar diarréia.

Em experimentos em vários animais, doses leitais podem causar séria


inflamação para o trato gastrointestinal e sangramento de vários orgãos.

Toxicidade Crônica: Trabalhadores de minas expostos a alta


concentração de poeira de 0,5 a 4,5 anos sofreram, alegadamente, de danos
aos pulmões, mudanças nas funções cardíacas e distúrbios gastrointestinais.

Ácido Sulfúrico
Materiais incompatíveis: metais alcalinos/alcalino-terrosos,
substâncias combustíveis, lixívia, hidróxido de sódio, peróxido de sódio,
hidróxido de potássio, alumínio, substâncias orgânicas, ácido nítrico, mercúrio,
prata, entre outros. Ricos de explosão ou reações perigosas

Efeitos tóxicos

Toxidade aguda: irritação a queimadura química das membranas


mucosas e da pele; Perigo sério aos olhos e pulmões.

Toxidade crônica: Irritação dos olhos e vias respiratórias, erosão dos


dentes; danos a pele.

Neutralização e disposição final:

Para pequenas quantidades: adicionar o produto cautelosamente,


excesso de água, sob vigorosa agitação. Ajustar pH para neutro. Separar
quaisquer sólidos ou líquidos insolúveis e adicioná-los para disposição como
resíduo perigoso. Drenar a solução aquosa para o esgoto, com muita água. As
reações de hidrólise e neutralização devem produzir calor e fumos, os quais
podem ser controlados pela velocidade de adição ou: adicionar lentamente, em
grande quantidade de solução de carbonato de sódio e hidróxido de cálcio, sob
agitação. Drenar a solução para esgoto com muita água. Recomenda-se
acompanhamento por um especialista do órgão ambiental.

Trióxido de Enxofre
Materiais incompatíveis: água, cloretos, formamide + iodine + pyridine
(reagente Karl-Fischer modificado), perclórico, Tetrafluoretileno, Difluoreto de
dioxigénio, substâncias combustíveis, substâncias orgânicas, ácido sulfúrico,
Acetonitrila+ácido sulfúrico, óxido de bário, monóxido de chumbo,
dimetilsulfóxido, Dioxano, diphenyl mercury, óxidos de metais, nitryl chlorid,
white phosphorus. Risco de reações perigosas ou explosões.

Efeitos tóxicos

Toxidade aguda: efeitos corrosivos para os olhos, vias respiratórias e


pele, danos sérios ao olhos e pulmão.

Toxidade crônica: Irritação ao trato respiratório, dano aos dentes.

Sulfeto de Hidrogênio
Materiais incompatíveis: iodatos, cobre/oxigênio, ferrugem, amônia,
halogêneos, potássio, hidróxido de potássio, sódio, hidróxido de sódio, gases
oxidantes, peróxidos, dióxido de enxofre, ácido sulfúrico concentrado, bromato
de mercúrio, óxido de cálcio+ar, monóxido de dicloro, óxido de ferro III,
Pentafluoreto de bromo, difluoreto de oxigênio, tungstênio, Brometo de prata,
Fulminato de prata, entre outros. Risco de reações perigosas ou explosões.

Efeitos tóxicos

Toxidade aguda: concentrações baixas possuem odor desagradável e


causam irritação para os olhos. Concentrações altas há perda do sentido de
olfato, efeitos com potencial risco de vida ao sistema nervoso, sistema
cardiovascular e danos as vias aéreas.

Toxidade crônica: potencial para danificar o trato respiratório, sistema


nervoso central e sistema cardiovascular.
Ambiente
Nessa parte será apresentado um pequeno conjunto de impactos
ambientais causados pelas propriedades dos componentes utilizados na
produção de enxofre e ácido sulfúrico.

Chuvas Ácidas
Por ser substâncias altamente reativas e corrosivas, emissões de ácido
sulfúrico e dióxido de enxofre na atmosfera, tendem a se aglomerar com
depósitos de água (chuvas, névoa, nuvens), diminuindo o pH desses depósitos.
Quando o pH chega a 5.7, esses depósitos são chamados popularmente de
chuva-ácida, tendo diversos efeitos ambientais. Dentre eles, há impactos em
ambientes aquáticos, pela diminuição do pH e arraste de metais pesados do solo
para esses locais. Com isso, ocorre a poluição da água pelo arraste desses
metais e, a redução do pH pode ser fatal para alguns organismos, podendo levar
a extinção de determinadas espécies e impactar toda a cadeia alimentar naquele
local.

Outra consequência é danos as florestas provocados pela remoção de


determinados macronutrientes do solo provocados pela chuva ácida, e também
agravado pela acidificação do solo. Em alguns locais, é possível também que aja
a desfolhação e necrose das plantas, podendo ter tanto impactos ambientais
quanto econômicos.

Vazamento de petróleo
O petróleo é uma das fontes de extração do enxofre, e sua exploração
pode ser tanto terrestre quanto marítima. Uma das formas mais comum de
transporte do petróleo é por navio e, raramente, ocorre acidentes ou vazamentos
das bases de exploração de petróleo, que ficam na superfície da água marinha.
Por não ser miscível em água e menos denso que a água, o óleo não se dilui e
fica parado, formando uma densa camada na água, impossibilitando a passagem
de luz, impedindo a fotossíntese de várias espécies de algas. Além disso, o
contato direto de alguns animais com a substância pode provocar sua morte.
Técnico

Grande parte das substâncias utilizadas no processo de produção de


enxofre e ácido sulfúrico são altamente reativas e/ou corrosivas. Com isso, há
diversos fatores que devem ser considerados, como:

Segurança dos operadores – Grande parte das substâncias tem algum


nível de toxicidade e, portanto, devem ser manuseados com cautela, visando o
bem estar dos operadores;

Cuidado no manuseio – Muita das substâncias possuem reações que


podem ser potencialmente perigosas, sendo muitas delas de caráter explosivo.
Um dos exemplos, é a interação de SO3 e água que forma H2SO4, porém é uma
reação extremamente violenta, o que impossibilita seu uso direto para formação
de ácido sulfúrico, necessitando assim que a substância seja diluida em H 2SO4
para então ser adicionado água e formar mais ácido sulfúrico;

Problemas relativos a projeto dos equipamentos e fábrica – evitar que haja


corrosão, combustão, vazamentos e reações indesejadas.

Aplicações

Enxofre

O Enxofre é um material amplamente utilizado na indústria e na


agricultura. Isso ocorre dado suas características químicas e propriedades já
descritas neste trabalho. Para exemplificar a importância deste elemento para
nossas vidas, segue abaixo uma lista de situações em que o enxofre é utilizado:

A - FABRICAÇÃO DE PÓLVORA

A pólvora, basicamente, é uma mistura de substâncias (Salitre, Carvão e


Enxofre) descoberta por alquimistas Chineses no século I. Muito usada em
armas de fogo, fogos de artifício e explosivos, a pólvora tem a característica de
queimar com rapidez incrível.

A proporção básica da sua mistura é de duas partes de enxofre, 3 partes


de carvão vegetal e 15 partes de salitre. Porém, a proporção ótima dos seus
elementos é de 74,64% de salitre, 11,64% de enxofre e 13,51%de carvão
vegetal.

Essas substâncias possibilitam inúmeras reações químicas durante a


queima, algumas delas, descritas pela literatura se encontram abaixo:

2KNO(3) + S + 3C > K(2)S + N(2) + 3CO(2)

4KNO(3) + 2S + 6C > 2K(2)S + 2N(2) + 6CO(2)

Pesquisas foram realizadas para se identificar qual seria a maior


importância de cada elemento. Dentre as inúmeras informações obtidas
podemos destacar que o enxofre tem uma importante função como catalizador
na reação de oxi-redução enquanto o salitre é o oxidante e o carvão, o agente
redutor.

O Enxofre tem como função reduzir a temperatura de ignição do salitre


para 250°C para obter oxigênio livre e, na combustão - oxidação do carvão -
acelerar a reação e elevar a temperatura final para 335°C.
Embora a pólvora negra, como é conhecida, seja uma substância de
grande periculosidade (pelas suas características explosivas) ela pode ser
facilmente fabricada em casa. Um site chamado “Wiki How” ensina a fabricar
pólvora apenas em 8 passos. Lembrando que todos às matérias primas podem
ser obtidas em farmácias comuns.

B - VULCANIZAÇÃO DA BORRACHA

O processo de transformação do polímero da borracha em pneu é muito


complexo e repleto de etapas. Uma das atividades realizadas é a vulcanização
da borracha.

A vulcanização da borracha foi descoberta por acidente em uma


cozinha, percebeu-se que a adição de enxofre na borracha a torna mais
resistente. Mais tarde, com o avanço dos estudos na área se descobriu que é
possível controlar a dureza da borracha a partir do processo de vulcanização,
controlando a proporção de enxofre que é adicionado.Por exemplo: borrachas
comuns exigem cerca de 2% a 10% de teor de enxofre; borrachas usadas em
pneus de 1,5% a 5% de teor de enxofre; borrachas empregadas em
revestimentos protetores de máquinas e aparelhos de indústria química
recebem cerca de 30% de teor de enxofre durante o processo de vulcanização.

A adição de enxofre na cadeia de polímero faz com que às moleculas se


rearangem como mostrado na imagem abaixo:
C - FUNGICIDA DE ENXOFRE

Usado em seu estado elementar ou industrializado, é recomendado para


erradicar certos tipos de fungos (por ser tóxico a eles).
A imagem abaixo mostra o rótulo de um produto industrializado a base
de enxofre para controle de fungos. Entretanto, estudos mostram que apenas o
pó de enxofre aplicado sobre as folhas que sofrem de certos fungos é o
suficiente para sua erradicação.
C - FERTILIZANTES

O enxofre é a base de inúmeros fertilizantes, isso se dá em razão


do enxofre ser alimento básico das plantas. Por meio de seus vasos
condutores, as plantas são capazes de sugar nutrientes do solo e dessa
forma conseguem as substâncias que necessitam para sobreviver. Uma
dessas substâncias é o SO4.

O enxofre é um elemento químico essencial para todos os


organismos vivos, sendo constituinte importante de muitos aminoácidos.

A imagem abaixo mostra uma linha de produtos a base de


enxofre para o fortalecimento das plantas.

É sabido que os fertilizantes derivados de enxofre também


compõe uma gama imensa de produtos para as culturas. Abaixo uma
lista de produtos comercializados:

■ Sulfato de amônio (24% de S);

■ Superfosfato Simples (12% de S);

■ Sulfato de Potássio (18% de S);

■ Sulfato duplo de de K e Mg (K-Mg: 18-22% de S);

■ Enxofre elementar (100% de S);


D - SABONETES DE ENXOFRE

Hoje em dia se conhece bastante sobre às propriedades “milagrosas” do


enxofre para a pele. Conhecido como o mineral da cura por causa das suas
propriedades antidestringentes, antibacterianas, desinfetantes e anti-
inflamatórias, o enxofre está presente como composto ativo em inúmeros
produtos para os cuidados com a pele. O caso mais importante deles é o do
sabonete de enxofre.

A publicidade do produto a seguir informa que o enxofre presente na


fórmula do seu sabonete favorece a circulação, minimiza inflamações, auxilia
na desintoxicação dos tecidos e estimula o processo natural de recuperação.

E - DETERGENTE EM PÓ

O detergente em pó, popularmente conhecido como sabão em pó, é um


produto eficiente para remoção de sujeiras e gordura de materiais como tecido.
Isso é possível graças a sua composição molecular peculiar, representada
abaixo:
Composta por uma parte apolar, formada apenas por moléculas de
hidrogênio e carbono, e por uma parte polar, composta pelo sulfonato de sódio,
o detergente é eficiente para a remoção de sujeiras. A parte apolar interage
com as moléculas de gordura e a parte polar é capaz de interagir com as
moléculas de água.

O enxofre compõe a parte polar do detergente. Importante para que haja


a remoção de gorduras a partir da interação entre a gordura, a água e o
detergente.

F - OUTROS PRODUTOS

Com o enxofre se fabrica outros inúmeros derivados que tem grande


importância no cenário comercial.

Neste tópico citaremos certos derivados e seus respectivos produtos.

Sulfitos:

• É usado no processo de branqueamento do papel;


• É usado como conservante de bebidas alcóolicas;
• É usado na clarificação do caldo de cana, para a obtenção do
açúcar refinado.

Trissulfato de Sódio:

• Fixador no processo de revelação de fotografias;

Sulfato de Cálcio:

• Na sua forma anidra é usado como giz de lousa;


• Na sua forma hidratada é usado como matéria prima para a
construção civil (sendo gesso de acabamento), para matéria
prima de esculturas de gesso e também para imobilizações
ortopédicas.

Sulfato de Magnésio:

• Usado para a fabricação de laxantes;


• Esfoliantes para a pele;
• Composto de suplementos nutritivos para plantas;

Ácido Sulfúrico

O ácido sulfúrico é obtido a partir do enxofre e seu emprego comercial


também é bem amplo.

A importância do Ácido Sulfúrico (produto químico mais fabricado e


utilizado mundialmente) e seus usos é tamanha que o consumo per capita deste
ácido é utilizado como meio de avaliar o desenvolvimento industrial dos países.
Suas principais aplicações se encontram a seguir:
• ·Refino (remoção de impurezas) da gasolina e óleos, na indústria
do petróleo;
• ·Fabricação de explosivos e pigmentos;
• ·Usado em metalurgia, ao conservar (limpar) ferro e aço antes da
laminação com estanho ou zinco;
• ·Utilizado como eletrólito em baterias de chumbo-ácido, na
indústria de fertilizantes fosfatados e sulfatados (ao converter
fosfato normal de cálcio insolúvel em fosfato ácido solúvel);
• ·Matéria-prima para fabricação de outros ácidos (ácido fosfórico e
nítrico, por exemplo);
• ·Produção de sulfato de alumínio, sal envolvido na coagulação das
fibras de papel;
• ·Catalisador ácido na conversão de ciclohexanona oxima em
caprolactama, usada na fabricação de Nylon e na reação
responsável pela produção de iso-octano, composto utilizado para
aumento da octanagem da gasolina;
• ·Constituinte de soluções usadas para desentupir encanamentos
(Brasil Escola, 2014; Infoescola, 2014; Wikipedia, 2014).
A Figura ilustra a participação das principais aplicações do ácido, no
Brasil:
(ABIQUIM, 2011)

Um índice que permite analisar a aplicabilidade dos diferentes tipos (com


relação à concentração) de ácido sulfúrico, na prática, é o Grau Baumé (ºBé).
Trata-se de uma escala hidrométrica usada comercialmente para indicar a
concentração do ácido, de acordo com sua densidade a 15,6 ºC em relação à
água na mesma temperatura. Para substâncias mais densas que a água, como
é o caso do ácido sulfúrico, o grau Baumé é calculado como mostrado:
A tabela a seguir ilustra as aplicações do ácido sulfúrico de acordo com
seu Grau Baumé:
Aplicações do ácido sulfúrico de acordo com o Grau Baumé

A tabela a seguir ilustra as aplicações do ácido sulfúrico de acordo com


seu Grau Baumé:
Aplicações do ácido sulfúrico de acordo com o Grau Baumé

4. Situação do processo no Brasil e no mercado exterior


4.1 Enxofre

O Brasil detém apenas 1,2% das reservas mundiais de enxofre, que


somam 48,5 milhões de toneladas. A produção brasileira de enxofre tem origem
de três principais fontes:

● A partir da mineração do folhelho betuminoso;


● A partir do petróleo obtido nas refinarias existentes no país pela
Petrobras;
● A partir de outras formas, a maneira quantitativamente mais
importante no Brasil. É avaliado o enxofre contido no ácido sulfúrico
produzido a partir dos processos metalúrgicos de obtenção de
ouro, zinco, níquel e cobre, em Minas Gerais e na Bahia.

No Brasil, as principais empresas produtoras de enxofre são:

● Grupo Paranapanema (BA)


● Votorantim Metais (MG)
● Anglo Gold Ashanti
● Petrobrás
A produção brasileira corresponde a apenas 0,7% da produção mundial,
sendo que o mesmo apresenta aproximadamente 1,2% das reservas mundiais
em 2005.

Ainda no que diz respeito a produção de enxofre, o mix de fontes de


produção vem mudando ao longo dos anos, com o petróleo assumindo a
liderança, como pode ser visto no gráfico abaixo.

O Brasil é dependente da importação de enxofre, sendo que sua


dependência gira em torno de 80%, ou seja, 80% do enxofre consumido dentro
do país é proveniente de importações. Podemos observar a evolução da
produção, consumo aparente e nível de dependência na tabela abaixo.

2010 2011 2012 2013

Produção (t) 485.450 510.034 518.660 560.313

Consumo
2.518.375 2.767.981 2.748.170 2.761.501
Aparente (t)

Dependência
80,7% 81,5% 81,1% 79,7%
(%)
Desta forma, o comércio exterior do enxofre no país baseia-se quase
exclusivamente na importação do produto. Vale ressaltar que o enxofre
importado é normalmente da forma granel.

Segue a balança comercial do enxofre a granel no Brasil nos anos de


2000 a 2008.

Vale ressaltar que a expectativa é do aumento do consumo do enxofre ao


longo dos anos, como mostra a projeção abaixo.

Os principais produtores mundiais em 2008 foram o Canadá, com 13,5%


da produção mundial; Estados Unidos, com 12%, China, também com 12% e
Rússia com 10%. O resto da produção foi dividido principalmente entre o Japão,
Arábia Saudita, Alemanha e Cazaquistão.
Em 2005, as reservas mundiais totalizaram 4.04 bilhões de toneladas de
enxofre, sendo distribuídas de acordo com o gráfico abaixo.

Em 2015, os principais exportadores de enxofre no mundo foram


Emirados Árabes, Rússia, Qatar e Canada. A seguir temos a relação dos 12
maiores exportadores de enxofre em 2015.
Além disso, temos as principais movimentações ou rotas do enxofre no
mundo em 2012.

Quanto ao preço do enxofre, temos que os mesmos sofreram um aumento


significativo entre 2007/2008, devido principalmente: ao aumento da demanda
na China e Índia, maiores consumidores de fertilizantes; ao aumento dos
impostos; ao aumento de custos nos fretes (devido à alta do petróleo) e a
redução de oferta em alguns países.
4.2 Ácido Sulfúrico
O principal uso do enxofre é na fabricação do ácido sulfúrico, usado em
diversos setores da indústria química, petroquímica, papel e celulose,
fertilizantes, dentre outros. O principal mercado consumidor do ácido sulfúrico no
Brasil diz respeito a indústria de fertilizantes e fosfato bi cálcico com
aproximadamente 5.540kt/ano. Além da indústria de fertilizantes, temos as
seguintes indústrias químicas que fazem uso de ácido sulfúrico:

● Celulose – 260 Kt/ano


● Etanol – 240 Kt/ano
● Micronutrientes – 180 Kt/ano
● Sulfato de Alumínio – 160 Kt/ano
● GMS e Lisina – 100 Kt/ano
● Mineração – 80 Kt/ano

O mercado nacional de produção do ácido sulfúrico apresenta-se bastante


maturo, visto que apenas 10%, em média, é resultado da importação. Todo o
restante é derivado da produção nacional.

O Brasil atualmente está entre os dez maiores produtores de ácido sulfúrico


no mundo. Os principais estados produtores são: Goiás, Minas Gerais, São
Paulo e Bahia.
Países Produção anual (em milhões de toneladas)

2004 2005 2006

China 39,946 44,622 48,603

Estados Unidos 33,700 31,576 29,815

Marrocos 9,500 10,705 11,327

Rússia 9,173 9,452 9,294

Índia 6,839 6,969 7,644

Japão 6,378 6,495 6,796

Brasil 6,083 5,797 6,179

Dentre as principais empresas produtoras de ácido sulfúrico, temos:

● Anglo American (SP/GO) – 1,184 Kt


● Anglogold (MG) – 250 Kt
● Elekeiroz (SP) – 260 Kt
● Galvani (SP/BA) – 570 Kt
● Nitro Química (SP) 280 Kt
● Paranapanema (BA) – 500 Kt
● Vale Fertilizantes (MG/SP) – 4,701 Kt
● VMN (MG) – 120 Kt
● VMZ (MG) – 245 Kt
Totalizando 8.110kt de ácido sulfúrico produzido no pais em 2014 segundo
a Associação Brasileira da Indústria Química.

Existe ainda um projeto em andamento para a construção de uma planta


produtora de ácido sulfúrico pela Galvani em Salitre/MG, com capacidade de
850kt/ano e início previsto de operação para o final do ano de 2017.
Quanto a importação, o Brasil importou 623,6 mil de toneladas em 2012. A
origem foi dos Estados Unidos (33%), Rússia (21%), Cazaquistão (13%),
Emirados Árabes (9%), Catar (6%) e outros.

Em relação ao consumo do ácido sulfúrico no mundo, a Ásia representou,


em 2008, 28% do consumo mundial, os Estados Unidos representaram 19% e a
África representou 10%. Os países da antiga União Soviética, América Central e
do Sul e Oeste Europeu também são grandes consumidores, representam em
torno de 6 a 8% do consumo mundial.

De acordo com a British Sulphur, os cinco maiores produtores mundiais


são: China, Estados Unidos, Marrocos, Rússia, Índia e Japão.

Em 2007 a distribuição da produção mundial entre os maiores produtores


é representada no gráfico que segue abaixo.
5. Descrição do processo

A - ENXOFRE
Existem dois principais processos para a produção de enxofre. O
primeiro deles, o processo Frasch, é usado para extração do enxofre de suas
reservas subterrâneas. O segundo é o processo Claus, utilizado no refino do
sulfeto de hidrogênio (H2S), co-produto da indústria do petróleo e gás, para a
obtenção de enxofre (S). Este processo é o mais utilizado atualmente.

1. Processo Frasch
O processo Frasch, que pode ser visto na imagem abaixo, foi
desenvolvido pelo químico e engenheiro de minas alemão Herman Frasch, em
1894. Este processo utiliza-se do baixo ponto de fusão do enxofre
(aproximadamente 115°C) para facilitar a sua extração do subsolo para a
superfície.

O processo é relativamente simples, principalmente devido ao fato de


haverem apenas transformações físicas no material. Devido a esse fator, é
possível obter enxofre com pureza de até 99,8%.

Primeiramente, a bomba de Frasch é inserida na região da jazida, bomba


esta que é composta por três tubo concêntricos. No tubo mais externo, água
superaquecida (165°C, 15 atm) é bombeada para o depósito de enxofre. As altas
pressões impedem que a água evapore. O enxofre é fundido, mas não se mistura
com a água.

Devido ao fato da densidade do enxofre fundido ser maior que a da água,


a pressão da água não é suficiente para forçar o enxofre para a superfície, ar
comprimido (>100°C, 20 atm) é introduzido pelo tubo mais interno para o
depósito, forçando a mistura de água e enxofre para a superfície pelo tubo
intermediário.

Na superfície, o enxofre líquido passa por linhas aquecidas a vapor até


um separador, onde o ar é removido da mistura. O enxofre pode ser solidificado
em grandes cubas ou comercializado na forma líquida.
Processo de Frasch

Este método pode ser utilizado para extrair enxofre de depósitos que
estejam entre 50 e 800 metros de profundidade. São necessários de 3 a 38
metros cúbicos de água superaquecida para cada tonelada de enxofre extraído
(dependendo da profundidade). O custo de energia associado a esse processo
é significativo.

Apesar de produzir um enxofre com um grande grau de pureza, o


processo Frasch vem sendo cada vez menos utilizado. Isso se deve
principalmente à fatores ambientais, primeiro em virtude da característica
extrativista deste método.

Em segundo, devido a questões legais e ambientais, muitos processos


industriais que têm o enxofre como um subproduto, não podem despejá-lo na
natureza, pois ele pode causar contaminações no solo e formar chuvas ácidas.
Portanto, o método apresentado à seguir é uma ótima alternativa a esse despejo,
diminuindo consideravelmente a emissão de poluentes. Em linhas gerais, o
enxofre eliminado nesses processos é “reciclado”.

2. Processo Claus
O processo Claus, é utilizado na indústria de Petróleo e Gás para a
eliminação do enxofre dos seus produtos finais, após o processo de
hidrodessulfurização. É considerado um processo “verde” pois diminui as
emissões de dióxido de enxofre (SO2) e efluentes gasosos ricos em sulfeto de
hidrogênio (H2S) para a atmosfera. Foi inventado por Carl Friedrich Claus, em
1883.

Processo de Claus

Primeiramente, o sulfeto de hidrogênio (H2S) é recolhido no final do


processo de dessulfurização, misturado com oxigênio e oxidado em um forno
conhecido como forno de Claus. Este forno é cilíndrico e contém camadas cujo
constituinte principal é o óxido de ferro, que funciona como um catalisador. O
processo ocorre a temperaturas superiores a 850°C. Esta etapa é conhecida
como etapa térmica. Este processo segue a reação estequiométrica:

2 H2S (g) + 3 O2 (g) → 2 SO2 (g) + 2 H2O (g) (ΔH = -4147.2 kJ/mol)

Esta reação é fortemente exotérmica. O sulfeto de hidrogênio é oxidado,


formando dióxido de enxofre, que reage posteriormente em reações
subsequentes. A mais importante delas é a reação de Claus:

2 H2S (g) + SO2 (g) → 3 S(g) + 2 H2O(g)

A equação global dessa etapa é:

10 H2S + 5 O2 → 2 H2S + SO2 + 7/2 S2 + 8 H2O


Na etapa térmica, menos de 2/3 do sulfeto de hidrogênio é convertido em
enxofre. Os produtos dessa reação passam por um condensador, que condensa
apenas o enxofre elementar para separá-lo dos demais componentes, enquanto
estes passam para a etapa catalítica.

A razão de ar para o gás ácido é controlada de tal maneira que apenas


1/3 do sulfeto de hidrogênio seja convertido em dióxido de enxofre. Isso garante
que nas etapas seguintes (etapa catalítica) haja uma reação estequiométrica
para a reação de Claus.

Na etapa catalítica as reações de Claus continuam, utilizando óxido de


alumínio (III) ou titânio (IV) como catalisadores. Essa etapa serve para aumentar
o rendimento do enxofre. O sulfeto de hidrogênio continua a reagir com o dióxido
de enxofre formado durante a combustão no forno de Claus, resultando em
elementar gasoso.

2 H2S (g) + SO2 (g) → 3 S (g) + 2 H2O (g) (ΔH = -1165.6 kJ/mol)

A etapa catalítica é dividida em três sub-etapas: o reaquecimento, a


reação catalítica e a refrigeração seguida de condensação. No máximo, estas
etapas são repetidas três vezes.

O reaquecimento do gás é necessário para evitar que o enxofre condense


no catalisador, que pode levar à contaminação. A temperatura de operação nos
1o, 2o e 3o são, respectivamente, 305, 225 e 200oC, aproximadamente.

No condensador de enxofre, o gás proveniente do processo catalítico é


resfriado a temperaturas entre 130 e 150oC.

Antes de ser estocado, o enxofre passa por uma unidade de


desgaseificação para retirar os gases (primariamente H2S) dissolvidos no
enxofre. O gás residual do processo Claus, que ainda contém alguns
combustíveis e compostos de enxofre (H2S, H2, CO), é incinerado ou
dessulfurizado em uma unidade de tratamento de gás residual a jusante na
cadeia.
B - ÁCIDO SULFÚRICO
Atualmente existem três procedimentos principais para produção de ácido
sulfúrico, o processo de câmara de chumbo, o processo de contato e o processo
a úmido.

1. Processo de contato

1.1 O Processo de contato simples

O processo de contato é um processo industrial químico para a produção


de ácido sulfúrico usando um catalisador fixo como, por exemplo, compostos de
vanádio. O processo foi inventado pelo comerciante de vinagre britânico
Peregrine Phillips e patenteado em 1831 e é a melhor forma de produzir ácido
sulfúrico, sendo o mais utilizado pela indústria.
Para obtenção do SO2, o enxofre sofre um processo de combustão, no
qual são utilizados, como agentes comburentes, o oxigênio ou, mais comumente,
ar previamente submetido a uma operação de secagem com ácido sulfúrico. Tal
operação de secagem visa basicamente impedir a formação de ácidos
sulfurosos ou sulfúrico, mediante reação do SO2 e do SO3 com a umidade do ar
nas tubulações e equipamentos da unidade não protegidos para suportar a
agressividade química desses produtos.
Numa primeira etapa deste processo, queima-se o enxofre (S) ao ar (O2),
produzindo dióxido de enxofre (SO2):

S(s) + O2(g) → SO2(g)

Esta reação ocorre em uma câmara, onde o enxofre é vaporizado pelo


próprio calor da combustão. No estado gasoso, o enxofre reage com ar, elevando
a temperatura do meio reacional a 1000oC, aproximadamente. A mistura gasosa
efluente da câmara ou forno de combustão, contendo N2, O2, SO2 e pequenas
quantidades de SO3, é resfriada e alimentada ao conversor, onde em meio
catalítico ocorre a reação de oxidação do SO2, representada pela seguinte
equação:

SO2 + 1/2 O2 → SO3 + Calor


Esta reação é reversível, sendo o seu equilíbrio e velocidade, função dos
seguintes fatores: temperatura, pressão, relação O2/SO2 e concentração de
SO3.
A temperatura influi diretamente na constante de equilíbrio e na
velocidade da reação. A produção de ácido sulfúrico pelo processo de contato
envolve os seguintes estágios básicos:

Etapa 1. Purificação e Combustão do Enxofre


Neste estágio, são procedidas inicialmente as operações de fusão,
sedimentação e filtração do enxofre, com a finalidade de remover as impurezas
presentes no material. Essas impurezas afetam sensivelmente a eficiência do
processo, e considerável atenção deve ser dispensada ao processo de sua
remoção, que dependerá do tipo, teor e solubilidade dos contaminantes no
enxofre. As impurezas solúveis no enxofre são constituídas geralmente por óleo,
gases, arsênico, selênio e o telúrio. As impurezas insolúveis no enxofre, como
umidade, ácido e materiais sólidos, são mais facilmente removíveis. A umidade
proveniente da chuva, quando presente nos gases de combustão, combina-se
com o SO3 gerando no processo produzindo vapores de H2SO4. Tais vapores
são indesejáveis, face à ação corrosiva que exercem sobre os equipamentos e
tubulações da unidade, quando condensados.
O excesso de calor de combustão do enxofre é utilizado para produzir o
vapor necessário à própria fusão do enxofre e noutros usos de vapor na fábrica.
Posteriormente, o dióxido de enxofre produzido é oxidado a trióxido de enxofre
(o anidrido sulfúrico) na presença de pentóxido de vanádio como catalisador.
Etapa 2. Conversão do SO2
Neste estágio, o gás resultante da combustão de enxofre passa através
de uma massa catalítica onde o SO2 é convertido a SO3. No projeto e operação
de um sistema de oxidação catalítica de SO2, importantes aspectos devem
ser considerados no que se refere às limitações do catalisador e à
termodinâmica da reação.
A reação de oxidação de SO2 a SO3 libera uma considerável
quantidade de calor, provocando a elevação da temperatura do meio reacional
que atua desfavoravelmente no sentido de formação do SO3, ou seja,
reduz a geração do produto que se deseja maximizar.
Por outro lado, como a atividade do catalisador aumenta com a temperatura,
uma operação que vise à maximização da produção de SO3 requer um
balanço apropriado entre os efeitos opostos da velocidade de reação e do
equilíbrio químico.
A conversão química do SO2 a SO3 está projetada para tornar máxima a
taxa de conversão, levando-se em conta que:
1. O equilíbrio varia inversamente com a temperatura e de maneira direta
com a razão O2/SO2;
2. A velocidade da reação é uma função direta da temperatura;
3. A composição e a razão entre a quantidade de catalisador e a
quantidade de SO3 formado afetam a velocidade de conversão ou a cinética
da reação;
4. A remoção do SO3 provoca a conversão de maior quantidade de SO2.
A industrialização dessas condições básicas torna possível atingir uma
conversão global elevada, até 98% ou mais, pelo uso de conversores a passes
múltiplos, em que com uma temperatura de entrada entre 410 e 430ºC, a maior
parte da conversão (cerca de 75%) é alcançada; a temperatura de saída do
primeiro leito de catalise é de 600ºC ou mais, dependendo, em grande parte,
da concentração do SO2 do gás.
No conversor da Figura a seguir, os gases quentes da conversão
são sucessivamente resfriados entre os estágios e, depois de deixarem o quarto
estágio do conversor, entram nos economizadores ou trocadores de calor, antes
de o SO3 passar para a torre de óleum ou para a torre de absorção a 98-99%.

Etapa 3. Absorção do SO3


Por fim, o trióxido de enxofre produzido sofre absorção com água ou uma
solução de ácido sulfúrico, com a formação de ácido sulfúrico concentrado a
98~99%, ou seja, o gás proveniente do conversor é borbulhado em
contracorrente com ácido sulfúrico concentrado, através de uma torre
recheada, sendo esta absorção sempre realizada por um sistema de torre de
absorção com recheios de cerâmica.

SO3(g) + H2O(l) → H2SO4(l)


O SO3 presente nos gases reagem com água de diluição do ácido,
formando novas moléculas de ácido. A operação de absorção pode ocorrer
uma ou duas vezes, conforme o processo empregado seja de contato simples
ou de contato duplo. Diversos fatores influem na eficiência da operação de
absorção, sendo os mais importantes a temperatura, a concentração do
ácido usado, a umidade do gás a ser absorvido e a distribuição de ácido no
material de recheio da torre.
Os gases procedentes da catálise se esfriam a uns 100°C
aproximadamente e atravessam uma torre de oleum, para obter a absorção
parcial de SO3. Para o oleum, a torre de aço não precisa ser revestida
internamente com substâncias resistentes à corrosão, mas para o ácido a 98,5
a 99%, usam-se torres de aço revestidas de porcelana química.
A reação por dissolução direta total do SO3 em água não é muito viável
como processo industrial devido a sua extrema exotermicidade, pois se formaria
uma névoa e não um líquido no processo.
Na prática, se procede a tal absorção por absorção do SO3 em
concentrações crescentes de H2SO4 em água até que os gases residuais
atravessam uma segunda torre, onde o SO3 restante se lava com ácido sulfúrico
a 98% de concentração que absorve o SO3 para formar oleum (H2S2O7), que é
então diluído com água, formando o ácido sulfúrico final desejado.
Este oleum formado reage então com água, como citado, para formar
H2SO4 concentrado.

H2S2O7(l) + H2O(l) → 2 H2SO4(l)

Entre as etapas resfria-se os ácidos de absorção. Por último, os gases


não absorvidos se descarregam à atmosfera através de uma chaminé.

1.2 Diferenças entre o Processo Contato Simples e contato duplo


O Processo Contato duplo é uma evolução do processo contato simples,
pois a mesma aumenta o rendimento do processo entre as etapas 2 e 3, através
da adição de uma torre de absorção intermediária, além de um segundo sistema
de circulação de ácido, dos resfriadores intermediários para a troca de calor entre
gases circulantes no sistema conversor, etc…

A ideia principal da adição de uma segunda torre de absorção é devido a


reversibilidade da reação de oxidação do SO2. Como nessa etapa um aumento
da concentração de SO3 ou de calor pode causar inverter a reação, reproduzindo
SO2, a adição da torre intermediária é importante para retirar parte do SO3 já
produzido durante a etapa de oxidação, produzindo Óleum, e com a diminuição
da concentração de SO3 força-se mais a oxidação do SO2, conforme a equação
abaixo:

SO3(g) + H2SO4(l) → H2S2O7(l) (Oleum)


Retirada de SO3 durante o processo de oxidação
SO2(g) + 1/2 O2(g) → SO3(g) + Calor
Maior oxidação de SO2 na etapa 2.
Essa inovação trouxe um aumento do rendimento da oxidação do SO2 de
97.8% para 99.2% . Em contrapartida, é necessário um aumento de custo inicial
para a construção de de todo um novo sistema. Também é importante decidir
em que momento durante a etapa de absorção de conversão do SO2 será
inserido a torre intermediária, no início, meio ou fim, e cada qual possui seus
próprios trade-offs, relacionado ao aumento do rendimento geral do processo e
o controle geral da temperatura.
Abaixo a diferença das representações do Processo Contato simples x
Contato duplo:

Processo Contato Simples


Processo Contato Duplo

1.3 Diferenças entre baixa e média pressão


O processo contato original utiliza a pressão necessária para que o
processo ocorra normalmente, sem levar em consideração o uso da pressão
como meio de melhoria do processo, de rendimento, de eficiência, entre outros.

Novas inovações levaram ao uso de uma pressão maior, de cerca de 5


atm, trazendo maior eficácia geral dos processos além de menores custos com
equipamentos, pois a operação com 5 atm requer equipamentos
substancialmente menores. Entretanto o processo fica inviável acima de 10 atm.

O maior problema relacionado ao uso do processo à média pressão


ocorre durante a combustão do enxofre. Pode ocorrer nesse caso a vaporização
do enxofre, e para tal é necessária o uso de um queimador especial. Ademais
ocorre também uma produção de uma névoa de ácidos nos gases efluentes da
operação de absorção, e portanto é exigido a utilização de filtros mais eficientes,
comparados à baixa pressão.

2. Processo de Câmaras de Chumbo

O processo por câmara de chumbo muito utilizado no século passado,


caiu em desuso, devido, principalmente, à limitação de não permitir produzir
ácido com concentração superior à 78% em peso.
No processo das câmaras de chumbo, o dióxido de enxofre (SO2) gasoso
aquecido entra pela parte inferior de um reator chamado torre de Glover onde é
lavado com o que é chamado de “vitríolo nitroso” (ácido sulfúrico com óxido
nítrico, NO, e dióxido de nitrogênio, NO2 , dissolvidos nele), e misturado com
óxido de nitrogênio (NO) e dióxido de nitrogênio (NO2) gasosos. Parte do dióxido
de enxofre é oxidado a trióxido de enxofre (SO3) e dissolvido no banho ácido
para formar o ácido de torre ou ácido de Glover (aproximadamente 78% de
H2SO4).

SO2 + NO2 → NO +SO3

SO3 + H2O → H2SO4

Da torre de Glover uma mistura de gases (que inclui dióxido e trióxido de


enxofre, óxidos de nitrogênio, nitrogênio, oxigênio e vapor) é transferida a uma
câmara recoberta por chumbo onde é tratado com mais água. A câmara pode
ter grande espaço em forma de caixa ou um recinto em forma de cone truncado.
O ácido sulfúrico é formado por uma série complexa de reações; condensa nas
paredes e é acumulado no piso da câmara. Podem existir de três a seis câmaras
em série, onde os gases passam por cada uma das câmaras em sucessão. O
ácido produzido nas câmaras, geralmente chamado ácido de câmara ou ácido
de fertilizante, contém de 62% a 68% de H2SO4.
NO + NO2 + H2O → 2 HNO2
HNO2 + H2SO3 → H2SO4 + diversos subprodutos

Logo que os gases passam pelas câmaras são passados em um reator


chamado torre de Gay-Lussac onde são lavados com ácido concentrado esfriado
(proveniente da torre de Glover). Os óxidos de nitrogênio e o dióxido de enxofre
que não haviam reagido se dissolvem em ácido formando o vitríolo nitroso
utilizado na torre de Glover. Os gases remanescentes são usualmente liberados
na atmosfera.

O processo das câmaras de chumbo tem uma recente instalação para


processar gases diluídos contendo SO2 gerados por calcinação de minérios de
molibdênio.
3. Processo a Úmido
O processo de ácido sulfúrico a úmido ou processo de ácido sulfúrico
por catálise molhada (ou processo WSA, do inglês Wet Sulfuric Acid) é na
atualidade um dos processos chave de dessulfurização no mercado de
produção de combustíveis a partir de petróleo, gás natural e gás de síntese.
Esta tecnologia do final de 1980, tem sido reconhecida como um
processo eficiente para a recuperação de enxofre de gases de processos
diversos na forma de ácido sulfúrico (H2SO4) de qualidade comercial, com
produção simultânea de vapor de alta pressão. O processo WSA é aplicado em
todos os setores onde a remoção de enxofre é um problema.
É adequado para o processamento de um ou mais fluxos contendo
enxofre (gases de processos metalúrgicos, produção de ácido sulfúrico, gás do
produto do processo Rectisol, dentre outros.
As reações químicas principais no processo WSA são:

Combustão: H2S + 1.5 O2 = H2O + SO2 + 518 kJ/mole

Oxidação: SO2 + ½O2 = SO3 + 99 kJ/mole (na presença de catalisador de óxido


de vanádio (V))

Hidratação: SO3 + H2O = H2SO4(g) + 101 kJ/mole

Condensação: H2SO4 (g) = H2SO4(l) + 90 kJ/mole

Os gases com base de enxofre são altamente poluentes, tendo o dióxido


de enxofre (SO2), proveniente de queima de combustíveis fósseis, e o trióxido
de enxofre (SO3) como os principais representantes. Sobre a saúde humana, o
principal efeito é causado no aparelho respiratório.

O dióxido de enxofre presente na atmosfera se combina com o oxigênio


(O2) gerando trióxido de enxofre: 2 SO2(g) + O2(g)à 2 SO3(g)
O trióxido de enxofre reage com a água, formando o ácido sulfúrico: O3(g)
+ H2O(g)à H2SO4(g)

Estas reações resultam no fenômeno da chuva ácida, que acarreta perdas


materiais, e da fauna e da flora como um todo.

Uma solução encontrada para a redução da emissão destes gases é a


injeção de calcário pulverizado nas fornalhas, que resulta na reação: CaO + SO2
à 2 CaSO3.

As partículas de CaSO3 sólidas e uma parte de SO2 são removidas do


gás de combustão por uma suspensão aquosa de cal.

6. Discussão e conclusões

Ao iniciar a discussão sobre a extração e todas as etapas de produção


das substâncias estudadas, é de extrema importância que vejamos como
aparece os três pilares da sustentabilidade, normalmente seus conceitos são
trocados, ou mesmo, utilizados de maneira errada.

São eles Sustentabilidade Social, Sustentabilidade Econômica e


Sustentabilidade Ambiental. Quando falamos do Social, devemos relacionar ao
Capital Humano direta ou indiretamente, relacionado às atividades
desenvolvidas por uma empresa. Isso inclui, além de seus funcionários, seu
público-alvo, seus fornecedores, a comunidade a seu entorno e a sociedade em
geral. Sobre a Sustentabilidade Econômica devemos pensar sobre a capacidade
de produzir, distribuir e oferecer seus produtos ou serviços de forma que
estabeleça uma relação de competitividade justa em relação aos demais
concorrentes do mercado. E por último o conceito de Sustentabilidade Ambiental
que elucida condutas que possuam, direta ou indiretamente, algum impacto no
meio ambiente, seja a curto, médio ou longo prazos.

De maneira geral, muitos esforços vêm sendo feitos visando,


principalmente, a redução da concentração de enxofre nos combustíveis, o que
diminui a emissão de dióxido de enxofre pelos automóveis, um dos principais
meios de emissão destes gases e de maior dificuldade de controle e fiscalização.

O órgão CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) possui seus


padrões estabelecidos de máximo de emissão de poluentes. Existem três fases
para a redução gradual da emissão de gases tóxicos, para, enfim, atingirmos o
nível considerado aceitável pela OMS - e ainda estamos longe do que é
recomendado.

Quando tratamos o primeiro pilar é bastante claro que apesar da minoria


da extração de enxofre vir de fontes primárias, as existentes possuem situações
de pouca segurança para os trabalhadores, tanto no curto prazo como no longo
acarretando em doenças respiratórias.

Quando tratamos do pilar econômico vale ressaltar o aumento do


consumo e da relação do desenvolvimento industrial de uma nação com o uso
de ácido sulfúrico, apesar do Brasil viver um ponto um pouco fora da curva pelo
seu uso extensivo na agricultura, é importante dizer que o país vem aumentando
sua capacidade instalada de produção gerando maior competitividade entre os
players do mercado - o que é bastante condizente com o conceito do pilar.

Por fim o pilar ambiental, é o que mais enfrenta problemas, por dois
fatores principais a acidificação de rios e lagos que gera uma grande perda de
fauna e flora. E o mais famoso que é a chuva ácida, no qual poluentes lançados
no ar por indústrias e automóveis, como o dióxido de enxofre, reagem com a
água e provocam a chuva ácida, frequentemente em áreas urbanas, no entanto,
com a movimentação das massas de ar, ocorrem em ambientes preservados de
florestas e outros ecossistemas, alterando o pH do solo, aumentando a acidez,
e impedindo o desenvolvimento de sementes e plantas. Na figura abaixo é
possível ver os pontos de maior incidência no planeta e relacionar ao
desenvolvimento industrial.
Por fim, o Brasil não tem, no momento, condições geológicas conhecidas
que sejam favoráveis ao atendimento da demanda, o que aumenta a cada ano,
a sua dependência externa. Analisando a situação prevista para médio e longo
prazos, verifica-se que para melhorar a oferta de enxofre no mercado nacional é
preciso que sejam melhorados os conhecimentos geológicos em escala regional
e de detalhe em áreas com potencialidade para enxofre e que os fertilizantes e
o enxofre continuem a merecer dos órgãos públicos de fomento, ações efetivas
de apoio ao aumento da produção e do valor agregado.
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