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FRANCISCO E O IRMÃO GELO

Teatro: Para ser lido ou representado.


Personagens: Francisco de Assis, Gelo, Cientista, Russo, João e Maria.

FRANCISCO: A paz esteja convosco! Sabiam que o terceiro domingo de janeiro é Dia
Mundial da Neve? Por isso estou no polo norte, em território da Sibéria. Vim saber
porque terá o Papa Francisco afirmado que estes lugares estão à beira de uma catástrofe.
Vim falar com o irmão Gelo. Talvez esteja a dormir…
GELO: A dormir, não, Francisco. Estou enjoado. Não sentes também falta de ar?
FRANCISCO: Sim, também me sinto nauseado. Mas explica-me: os enjoos não são
coisa de mulher?
GELO: Não te esqueças que eu sou água, água congelada.
FRANCISCO: Ah! E poderias explicar-me porque nos está a faltar o ar?
GELO: Vês esse lume que sobe, que sai da terra, debaixo do meu manto branco?
FRANCISCO: Estou a ver.
GELO: Não há só um. Repara atrás de ti. Olha ao teu redor. São dezenas de labaredas e
colunas de fumo. É por causa do fumo que temos dificuldade em respirar.
FRANCISCO: Esclarece-me, então: o que é esse maldito fumo?
GELO: É um gás venenoso. Chama-se metano.
FRANCISCO: Ah! Está bem! Falta-nos o ar, mas aqui sobra-nos o frio. E se o irmão
Fogo nos vem dar uma mão para nos aquecer um pouco?
GELO: Isso nem te passe pela cabeça, Francisco. Quando o irmão Fogo se aproxima
das bolhas de metano, formam-se labaredas azuis. Se ele se aproximasse de todas as
bolhas, explodiria tudo. E eu derreteria rapidamente.
CIENTISTA: Estou preocupada. Quando vim no verão passado, reparei em pequenas
fugas de gás, de alguns metros. Agora, aumentaram em número e tamanho. As colunas
de metano são enormes e são milhares!
RUSSO: Doutora, e quais serão as consequências?
CIENTISTA: O metano é um gás de efeito de estufa vinte vezes mais potente do que o
dióxido de carbono. Se a camada de gelo continuar a derreter... avizinha-se uma
catástrofe, uma contaminação planetária.
JOÃO: E de onde surge o metano?
CIENTISTA: Nesta parte do planeta, há milhares de anos, havia florestas, vegetação
exuberante, animais... Todos morreram e os seus restos foram conservados sob o manto
de neve.
MARIA: E depois?
CIENTISTA: Com o tempo, toda essa matéria apodreceu e converteu-se em gás metano,
que ficou preso em enormes bolhas. Entretanto, onde a camada dura de gelo está a
derreter, o gás escapa para o ar.
FRANCISCO: Irmão Gelo, este homem diz que estás a derreter?!...
GELO: É verdade, porque eu estou entre dois gases que contribuem para o efeito de
estufa e o aquecimento global: o dióxido de carbono na atmosfera e o metano debaixo
de mim. E o aumento da temperatura do ar derrete-me.
JOÃO: No entanto, se derretes, os mares vão subir, inundarão cidades costeiras, as ilhas
pequenas vão desaparecer, afogar-se-ão plantas e animais...
CIENTISTA: Nos últimos quarenta anos, derreteu-se metade do gelo do polo norte!
MARIA: Agora entendo porque ainda não vimos nenhum urso-polar nesta região.
RUSSO: E não só os ursos. Também os inuítes e os yupiks, conhecidos como esquimós,
tiveram de modificar os seus hábitos: eram caçadores nómadas. Agora, só dez por cento
mantêm essa prática.
MARIA: E o pior é que se viajamos para o polo sul, do outro lado do planeta, veremos
o mesmo ou pior. O gelo está a derreter. E quando todo o gelo derreter, a Terra ficará
inundada.
FRANCISCO: Será o fim do mundo!
GELO: Deus perdoa sempre. As pessoas, às vezes. A Natureza, nunca.
JOÃO: Os culpados somos nós.
MARIA: E a Natureza pode dar-nos uma segunda oportunidade: temos de deixar de
emitir gases com efeito de estufa, e esperar que a água, o vento, o Sol, as plantas e até
os vulcões usem esses gases como energia de que precisam para o seu trabalho. Ainda
estamos a tempo!

Adaptado da série radiofónica Laudato Si’ da Rede Eclesial Panamazónica (REPAM)


Podes ouvir os áudios em http://zip.net/bttm7m.

Nota Bene:
Legenda Gráfico:

Ártico Siberiano Oriental ( 2 milhões de quilómetros quadrados)

Metano escapa para a atmosfera

Água (entre -0,5 ºC e -1,5 ºC)

Permafrost (terra, gelo e rochas permanentemente congelados)


perfurado devido a temperaturas quentes em ambos os lados

Bolhas de metano

Litosfera com manto quente