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Curso
Sexualidade e a Educação
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Carga horária: 55hs
Conteúdo Programático:

Contextualização

A sexualidade e a orientação sexual no Brasil

Sexualidade, política e educação

Sexualidade na escola

Pedagogia de gêneros

Orientações ao educador

O papel da escola

O papel da família

Quebrando os dogmas

Vamos falar sobre sexo?

A homossexualidade

Gravidez na adolescência e o aborto

Drogas

DSTs

Orientação sexual

Orientação sexual X Educação sexual

Construção da identidade sexual

Primeiras experiências

Sexualidade na infância

Sexo na adolescência

Dúvidas frequentes dos pais em relação aos filhos

Encerramento

Bibliografia
Contextualização
A sexualidade humana tem sido ao longo dos tempos, objeto de estudo em
várias pesquisas. Neste contexto, a orientação sexual aparece com relevante
significado, isso em virtude da sua relação com a própria condição humana.

Acredita-se que a sexualidade está arraigada na existência humana do


nascimento à morte, permeando todas as manifestações do indivíduo.

Na literatura existente a respeito do tema, percebe-se um número considerável


de estudos que subsidiam os educadores em sala de aula.

Contudo, as poucas instituições que incluem em suas práticas pedagógicas um


tema tão importante, por vezes tratam o assunto com palestras ministradas por
psicólogos ou médicos, como se isso apenas fosse suficiente para esclarecer
todas as dúvidas acerca do tema.

Talvez por equivoco, associa-se o tema sexualidade apenas à fase da


adolescência, deixando a infância e a pré-adolescência à mercê de
informações vindas de fontes não tão confiáveis como televisão e internet.

Para alguns educadores do Ensino Fundamental (1º e 2º ciclos), a orientação


sexual neste período não oferece benefícios à formação da criança, posto que
estimula precocemente a sua sexualidade.

Estudos científicos realizados nesta área apontam para o contrário, o estudo


demonstra que o trabalho de orientação sexual não estimula a atividade sexual
prematuramente e não antecipa a idade do primeiro contato sexual.

Muito menos aumenta a incidência de gravidez ou aborto na adolescência. O


estudo aponta que as crianças que tiveram tal orientação, se mostraram mais
responsáveis e conscientes de seus atos.

É notória a importância de se discutir a sexualidade na escola, uma vez que


cresce a cada dia o número de abuso sexual, gravidez precoce, contaminação
através de DST/AIDS, principalmente entre os adolescentes, dentre outros
temas fundamentais para essa discussão, que se faz necessária e inadiável.

De modo geral, podemos observar que a orientação sexual na escola pública


brasileira tem recebido pouca atenção das políticas públicas e educacionais.

Apesar da LDB – Lei de Diretrizes e Bases, regulamentar que é dever da


família, sobretudo, do Estado, zelar pela formação de todo cidadão. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs contemplam a orientação sexual
nos temas transversais. Os PCNs são diretrizes estipuladas pelo ministério da
Educação regulamentando a grade curricular em todas as instituições de
ensino.
Entretanto é necessário ir além do caráter informativo como sugere os PCNs. é
preciso botar em prática, trazer para rodas de discussão, debates e trabalhos.

A importância de se discutir um assunto tão complexo, está justamente na


necessidade que temos de preparar o jovem, em todos os aspectos para suas
experiências futuras.

A sexualidade vai mais além do que a busca de prazer, passa pela constituição
do indivíduo, até a questão da cidadania.

Embora alguns estudiosos e educadores não considerem positivo este assunto


ser tratado em sala de aula, a grande maioria considera que abordar este tema
é de grande relevância na formação pessoal do indivíduo.

Em síntese, trata-se de unificar as diferenças de gênero, de maneira que seja


natural, a relação do indivíduo com seu corpo, ou com sua orientação sexual.

A sexualidade e a orientação sexual no Brasil


Antes de tratarmos do tema educação sexual no Brasil, nos remeteremos a
algumas datas e eventos importantes, para melhor compreendermos sua
história.

Não se sabe ao certo quando ocorreu à entrada da questão da sexualidade nas


escolas, contudo alguns estudiosos advogam que o tema surgiu na França, a
partir da segunda metade do século XVIII.

Segundo os estudiosos, somente a partir deste período é que os educadores


começaram a se preocupar com a educação sexual na instituição escolar.

Essa educação tinha como objetivo maior, combater a masturbação entre os


jovens colegiais, para isso se apropriava das ideias de Rousseau, onde a
ignorância era a melhor maneira de manter a pureza infantil.

Um século depois, as discussões a respeito da educação sexual voltam à tona,


só que desta vez, esta abordagem preocupava-se em prevenir doenças
venéreas, a degenerescência das raças e o aumento do aborto clandestino.

No século XX voltou à tona a questão da educação sexual, voltada ao


esclarecimento das questões de reprodução e continuidade da espécie e
também, a relação entre instintos sexuais e reprodução humana.

Apesar das discussões e reflexões sobre a educação sexual terem sido


iniciadas na França, foi na Suécia onde essa abordagem foi sistematizada e
organizada nas instituições de ensino. Foi lá, onde ocorreram às primeiras
conferências públicas sobre as funções sexuais, também as primeiras
reivindicações sobre o livre acesso aos métodos contraceptivos.
Consta que lá também ocorreu pela primeira vez, a recomendação de um
governo, a educação sexual na escola em 1942, declarada obrigatória em
1956.

Entretanto, verificou-se que os preceitos da educação sexual já estavam


presentes desde o início do século, quando Freud inovou as ciências humanas
com suas teorias sobre a sexualidade e suas implicações no comportamento
humano.

No Brasil temos os primeiros registros de discussões sobre educação sexual


em 1920. É nesta época que as primeiras reflexões e as primeiras ideias são
ouvidas.

Influenciado pelas correntes médicas e higienistas francesas, com o objetivo


geral de combater a masturbação, as doenças venéreas, e preparar a mulher
para exercer seu papel de dona do lar. Visava-se sempre a saúde pública e a
moral sadia.

De 1935 até 1950, não se tem registros de qualquer tipo de iniciativa ligada à
sexualidade. O que resultou num tremendo retrocesso no caminho da
educação sexual no Brasil.

Ainda na década de 1950, a igreja católica que dominava o sistema


educacional para a elite brasileira, manteve um olhar de reprovação sobre a
educação sexual. Neste período surgem alguns estudos mais aprofundados
sobre a sexualidade na educação.

A década de 1960 foi um período muito complicado no Brasil. Passávamos


pela repressão, estabelecia-se o regime de exceção. Mudanças políticas
radicais foram estabelecidas após o golpe de 1964.

Na educação, há registros de tentativas de implantação da educação sexual


para alunos das escolas públicas e particulares. Algumas foram pioneiras no
trato deste assunto em sala de aula.

Entretanto, devido à reprovação dos pais, esta abordagem não sobreviveu por
muito tempo. Essas escolas tinham uma orientação mais progressista, muito à
frente do contexto social retrógrado da época.

Em 1968, a deputada Julia Steimbruck, do Rio de Janeiro, apresenta o primeiro


projeto de lei propondo a implantação obrigatória da educação sexual em todas
as escolas do país, em todos os níveis.

Após três anos, isto é, em 1970, especificamente em novembro, o projeto ainda


estava em tramitação. O projeto recebeu grande apoio da maioria dos
educadores, estudiosos e intelectuais, entretanto a burocracia engessava esta
proposta.
Ainda durante a década de 1970, precisamente entre 1974 e 1975, a escola
Preparatória de Cadetes do Exército, organizou uma série de conferências
sobre orientação sexual para alunos do 2º grau da escola militar.

Em 1978 foi realizado por iniciativas particulares o 1º Congresso Nacional


sobre Educação Sexual nas escolas, em São Paulo, que teve como objetivo
debater a dimensão pública da educação sexual. Nesse congresso registrou-se
um grande interesse dos educadores para com o tema, reunindo cerca de duas
mil pessoas.

A década de 1980 foi um tempo próspero referente à questão da educação


sexual. Foi um período de abertura política e retorno de grandes pensadores e
intelectuais das mais diversas áreas.

Enquanto o povo gritava nas ruas por “diretas já!”, eram publicadas as
primeiras revistas exibindo corpos nus, coisa que antes não ocorria.

Estava também ocorrendo uma grande revolução sexual nas mídias de massa,
a televisão, o cinema, e a mídia impressa, passava a publicar conteúdos que
até então, eram proibidos.

Nessa década a sexóloga Marta Suplicy fez um quadro no programa TV


Mulher, tratando justamente do tema sexo. Grande foi a repercussão deste
quadro nas mais diversas camadas da sociedade, fazendo ressurgir o interesse
pelo tema.

Em 1983 foi realizado o primeiro encontro para uma reflexão mais robusta
acerca da sexualidade na escola. Esta discussão se deu, sobretudo, pelo
crescimento acentuado nos índices de gravidez na adolescência e o
crescimento da AIDS entre os jovens.

Em 1989 a secretaria municipal da educação de São Paulo, sob orientação de


Paulo Freire, decidiu implantar a educação sexual na escola. Primeiro nas
escolas de 1º grau, estendendo para os outros níveis paulatinamente.

O modelo foi tão bem elaborado, que foi copiado por outras capitais brasileiras
como Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, entre outras.

O objetivo inicial era capacitar o educador para a abordagem deste tema tão
complexo, além de produzir material sobre o tema para que os educadores
estivessem aptos a trabalhar a orientação sexual e a prevenção das DSTs.

Nos anos 1990 se intensificaram ainda mais as iniciativas de promover a


orientação sexual, uma vez que havia aumentado virtuosamente o índice de
gravidez na adolescência.

No final dos anos 1990 várias organizações não governamentais, sobretudo a


mídia buscava incentivar o debate sobre o tema de maneira mais aberta. Em
suma, foi somente na última década do século que começamos a pensar e
refletir sobre a importância da orientação sexual, muito embora, como vimos
estudos, já eram realizados há tempos.

Dos anos 1990 até hoje, muito se tem estudado e discutido a respeito do tema.
Os educadores têm sido subsidiados de informação. Contudo, as redes
privadas e públicas de ensino, não tem tido eficácia, por motivos de tabu, pois
discutir um tema complicado abertamente, não é tarefa fácil.

Dentro do contexto atual, a orientação sexual nas escolas se faz cada vez mais
necessária, entretanto precisa ser discutida de forma clara e coesa, de maneira
que chegue à raiz do problema, isto é, informe e conscientize.

A dúvida maior é se os professores estão preparados para ministrar aulas de


orientação sexual, um campo complexo e cheio de questionamentos e
incertezas, uma vez que os educadores de hoje, foram os educandos de ontem
e sofreram a repressão sexual daquele tempo que certamente deixaram
marcas profundas no comportamento e no modo de pensar de cada um.

Em pleno século XXI, nota-se a crescente necessidade de informação dos


jovens seja sobre literatura, cinema, e é claro sexo. Cada vez mais os filhos
vão buscar a conversa com os pais.

Observe na imagem abaixo a charge de Mauricio de Sousa.

Sexo é uma coisa natural? Qual o papel da psicanálise na compreensão do


tema?

Segundo um grande estudioso da psicanálise, Sigmund Freud, a sexualidade


está intrinsecamente relacionada ao homem, é condição para nossa existência.
A psicanálise, de modo geral, fez da sexualidade um conceito fundamental
dentro de sua teoria.

A principal obra de Freud que trata da sexualidade intitula-se: “Três ensaios


sobre a sexualidade”, escrito em 1905, trata-se de um livro relativamente
pequeno. Nele Freud desconstrói a concepção de instinto sexual em voga na
época.

Logo no começo do livro, nos primeiros parágrafos Freud resume de maneira


magistral a concepção tradicional de sexualidade, contra o qual alinhará seus
argumentos críticos.

“A opinião popular tem ideias muito precisas à respeito da natureza e das


características do instinto sexual. A concepção geral é que está ausente na
infância, que se manifesta por ocasião da puberdade em relação ao processo
de chegada da maturidade, e se revela nas manifestações de uma atração
irresistível exercida por um sexo sobre o outro; quanto ao seu objetivo,
presume-se que seja a união sexual, ou pelo menos atos que conduzam nessa
direção”. (1977, p.135)

Certamente foi com muita ironia que Freud escreveu tais linhas, pois sua teoria
foi muito mais além de considerar a sexualidade um evento da puberdade,
inerte na fase da infância, e incontrolável na maturidade. Sua obra na verdade
foi uma crítica radical ao que a comunidade médica do século XVIII e, por que
não dizer ao que pensam muitas pessoas nos dias de hoje, sobre a
sexualidade.

Mas o que realmente tem Freud e a psicanálise a dizer sobre a sexualidade?

Em síntese, a sexualidade nasce paralelamente a uma atividade vital como se


fosse um benefício de prazer marginal obtido graças a essa mesma satisfação.
A sexualidade nasce, portanto, apoiada numa função biológica, isto é, faz parte
de nós. Como Freud faz supor é que a sexualidade é uma atividade que se
prolonga para além da necessidade vital.

Sexualidade, política e educação


Escolhemos estes três aspectos para figurarem neste tópico. Cada um deles
visa enfatizar um olhar, um viés da questão da sexualidade dentro de um
contexto sócio-histórico.

O termo política foi intencionalmente colocado entre a sexualidade e a


educação. É justamente para que possamos refletir na regulamentação da vida
sexual. Entretanto, as mudanças de comportamento podem influenciar nas
políticas adotadas pelo governo.

No decorrer da história vemos que independente do tipo de sociedade, sempre


ocorreu alguma forma de controle sobre a sexualidade dos indivíduos que a
compõe.

Seja através da religião, ou dos tabus, a sociedade exerce alguma forma de


pressão sobre o indivíduo. Basta pensarmos que há pouco tempo, refletir sobre
orientação sexual era quase um crime.

Pessoas sofreram e outras ainda sofrem, pelo fato de terem uma orientação
sexual diferente. Isso é o resultado de séculos de omissão do governo, aliado à
hipocrisia da sociedade.

O papel da política é justamente integrar a sexualidade à educação, uma


sociedade informada é uma sociedade mais tolerante, consciente e, sobretudo,
saudável.
Antes de nos aprofundarmos neste tema, aliás, nestas três vertentes de um
mesmo tema, é importante nos perguntarmos, o que é sexualidade? Você
sabe?

A sexualidade de um indivíduo define-se como sendo as suas preferências,


predisposições ou experiências sexuais, na experimentação e descoberta da
sua identidade e atividade sexual, num determinado período da sua existência.

Abaixo temos um interessante texto sobre sexualidade, de Marina S.R.


Almeida, consultora em educação inclusiva, além de psicóloga e pedagoga do
Instituto Inclusão Brasil.

O que é sexualidade? “A sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte
da liberdade em nosso usufruto deste mundo.” (Michel Foucault) A Sexualidade
é parte integrante de todo ser humano, está relacionada à intimidade, a
afetividade, ao carinho, a ternura, a uma forma de expressão de sentir e
expressar o amor humano através das relações afetivo-sexuais. Sua presença
está em todos os aspectos da vida humana desde a concepção até a morte,
manifestando-se em todas as fases da vida, infância, adolescência, fase adulta,
terceira idade; sem distinção de raça, cor, sexo, deficiência, etc.; além de que
não está apenas nos aspectos genitais, mas sendo considerada como uma das
suas formas de expressão, porém nunca como forma isolada, como um fim em
si mesma. Podemos definir sexualidade como um conjunto colorido que contém
contato, relação corpórea, psíquica, sentimental, desejo voltado a pessoas e
objetos; sonhos e delírios; prazer, gozo e dor; perda, sofrimento e frustração;
crescimento e futuro; consciência, plenitude do presente e memória do
passado; processos estes que vão sendo elaborados e dando espaço para
novas conquistas.

Sentimentos esses que se alternam, cruzam-se de modo imprevisível, exigindo


uma progressiva capacidade do ser humano em ir dando compreensão e
aceitação às mudanças. Tudo sempre vinculado a intensas sensações
corpóreas, pensamentos constantes, parecem estarem no ar, uma sensação
de apaixonamento constante, que pode ser pelo próprio corpo ou pelo desejo
do corpo do outro, mas desejos, afetos e emoções que precisam ser
resignificadas em cada um nós. Isto tudo encontraremos em cada um de nós,
porque muitos já passaram por isto, chama-se processo de adolescer. As
pessoas negam as transformações, outros passaram, outros se rebelaram,
sofreram, outros curtiram, viveram, outros não podem nem se lembrar, outros
foram quase que impedidos de viver esta experiência. Acreditamos ser a última
possibilidade a mais preocupante e paralisante, porque impede de viver um
amor verdadeiro. A questão circunscrever-se em como as pessoas com
síndrome de Down e Autismo vivem a intensidade destas mudanças, deste
novo conflito do desenvolvimento humano, inerentes a todas as pessoas, e
ainda quando são impedidos de viverem seu processo de adolescência de
maneira saudável. Portanto, a sexualidade não é exclusivamente física e das
pessoas com deficiência, acabam tendo grandes dificuldades na esfera sexual.
Visto que, é entendida apenas por sua concretude da sexualidade, sendo
reduzida a apenas ao sexo genital, masturbação, namoro preocupante,
gravidez, relações sexuais, homossexualidade, abuso sexual, doenças
sexualmente transmissíveis... O desejo sexual aparece com a adolescência,
denuncia que o corpo está se modificando que cresceu e exige adaptações,
mudanças de relações, independência dos pais. Portanto, queremos dizer que
os deficientes intelectuais e autistas não só querem se masturbar, querem ter
relações sexuais, exibir os órgãos genitais que se tornaram maduros, querem
muitas vezes tirar a roupa revelando seu corpo modificado, vivem tudo isto
como uma vazão saudável, impulsiva é o que assusta a todos. Querem a
possibilidade de escolher seus parceiros, de namorar e casar. Como qualquer
pessoa precisa aprender a aguentar as relações afetivas, o vínculo e
reconhecimento do outro, a necessidade do outro para se revelarem, dentro de
um sistema familiar, de responsabilidades, limites e adequação social.

E isso não pode ser mais considerado como patológico ou como um distúrbio
de conduta. Encontramos casos que possam ter fatores assim, mas em nossa
experiência a maioria das situações estava infelizmente relacionada ao manejo
inadequado dos envolvidos com os portadores de necessidades especiais,
portanto de entenderem e serem continentes a estas expressões humanas.
Como conduzir estas emoções e comportamentos que transbordam em nós,
nas pessoas, em nossos filhos, em nossos alunos? Este é o grande impasse,
origem talvez de muitos conflitos dos pais, na família, na escola, entre
profissionais ligados ao atendimento dos deficientes mentais e autistas. As
famílias, sobretudo os pais, são as pessoas indicadas para atender essas
necessidades no curso desse momento evolutivo. Eles conhecem o filho há
mais tempo e podem proporcionar uma sensação de continuidade pessoal
quando ele sente as ameaças externas. Deram-lhe o aparato necessário e os
cuidados durante a infância, determinaram as regras, de modo que serão as
pessoas indicadas para ajudá-lo em mais esse desafio. As crises ocorrem com
o desenvolvimento normal dos adolescentes, independente de serem ou não
portadores de necessidades especiais, trazendo à tona conflitos não resolvidos
pelos pais, situações pensadas como resolvidas ou até mesmo esquecidas. A
vivência de velhos problemas aparece para os pais em função dos filhos,
aumentam a tensão em ambos os lados. É preciso educar-se para poder
educar. É a oportunidade de aprender com as experiências dos filhos e
resolver situações não vividas anteriormente. Embora os pais possam ser
mantidos num estado contínuo de trocas de papéis, os filhos adolescentes
conservam-se por um grande período ainda como crianças e dependentes,
principalmente quando estão diante dos pais. É difícil compreender essa
dualidade. O período inclui transformações e adaptações frequentes para o
sistema dos pais e dos filhos. Os pais precisam aprender a desenvolver um
relacionamento mais adulto com seus filhos, colaborando no processo de
crescimento, dentro das condições impostas por esse mesmo processo. O
adolescente experimenta uma contínua necessidade de sentir-se protegido
enquanto vai ensaiando sua independência, se rebelando, procurando suas
escolhas, indo contra aos hábitos dos pais, etc. O ideal seria que os pais
estivessem presentes quando necessário, sem interferir muito, transmitindo
uma sensação de firmeza para proporcionar o estabelecimento dos novos
comportamentos que estão conquistando.

Os pais podem sentir-se preocupados ao enviar seus filhos para um mundo


que eles sabem ser complexo; providos apenas da simbólica preparação que
lhes deram em casa. Essa é, no entanto, a vivência do citado ciclo da vida. Faz
parte do processo de deixá-los crescer, que deve ocorrer entre pais e filhos
para vivenciar a maturidade das experiências. Em todas as sociedades a
adolescência constitui uma época de enormes transformações e de transições.
Em nossa sociedade, ela é também um período de grande tensão, conflito,
experiência e rebeldia. O adolescente passa muitas vezes por uma crise de
identidade, quando está se preparando para assumir uma liberdade maior e as
responsabilidades da vida adulta. Cabe aos pais a difícil tarefa de controlar o
comportamento agressivo do adolescente, ajudando-o a aplainar o caminho
para a maturidade. O adolescente é frequentemente absorvido pelo seu próprio
grupo social, dotado de uma subcultura e de normas sexuais "particulares". Os
anos adolescentes são difíceis para todos os jovens e são particularmente
confusos e frustrantes para o deficiente intelectual. Nesse período a
socialização atinge o seu momento de maior importância. Não é raro que o
deficiente intelectual apresente vários problemas graves de adaptação nesta
fase, por suas próprias dificuldades de interação com os indivíduos de sua
idade e de um modo por vezes inaceitável. As habilidades de socialização são
limitadas e restritas. Durante a puberdade, o aumento dos impulsos sexuais e o
desenvolvimento de características sexuais secundárias apresentam
problemas para o deficiente intelectual. As mudanças fisiológicas ocasionam
problemas psicológicos para as pessoas na puberdade. No entanto, o indivíduo
portador de deficiência intelectual terá menos oportunidade de compreender
esses fenômenos. Muitas vezes, também, não tem acesso à educação sexual
que poderia colaborar nesta compreensão. Com a chegada da adolescência,
muitos pais passam a preocupar-se com o comportamento sexual dos filhos. O
adolescente portador de um ligeiro atraso comumente não se diferenciará
quanto ao desenvolvimento e às inclinações sexuais de outros jovens de sua
idade. Devido às suas limitações intelectuais, alguns deles se tornam
impulsivos e podem apresentar pouco discernimento em seus relacionamentos
interpessoais, mas nada que uma boa conversa não resolva. As famílias
necessitam de um espaço para explorar seus temores e ansiedades
relacionadas à sexualidade do adolescente e precisam de orientação
específica para traçar planos educacionais, junto com sua participação na
escola.

A sexualidade é de grande importância no processo de desenvolvimento e


educação do ser humano e, como tal, deve ser abordada também em relação à
pessoa portadora de necessidades especiais. A educação sexual deve fazer
parte da construção gradativa do ser humano, favorecendo uma personalidade
psicologicamente sadia e socialmente adequada. As pessoas com deficiência
desejam:

• Como qualquer adolescente, eles gostam de ouvir música, dançar, ver


televisão, produzir-se, passear, conversar, ficar juntos, falar alto, dar risadas,
ter segredinhos, telefonar para a (o) amiga (o), querem comprar coisas da
moda.

• Como qualquer adolescente, eles percebem despertar dentro de si novos


sentimentos, emoções, desejos, questionamentos.

• Como qualquer adolescente, eles têm necessidade de compreender e viver


esses sentimentos.

• Como qualquer adolescente, também vão se descobrir tendo suas


singularidades e necessidades diferentes. Quando eles percebem a deficiência,
começam a questionar o que têm de diferente! Isto implica que estão em
crescimento, o adolescente está se situando no mundo, conquistando sua
identidade e espaço, quer saber por que está naquela escola ou classe,
diferente de seu amigo ou seu irmão, se estivesse na escola normal em que
série estaria, porque nasceu assim e outras coisas, dependendo do seu nível
de compreensão e permissão para seus questionamentos. Sentem-se os
“donos do mundo”, como qualquer adolescente, eles se acham capazes de
fazer qualquer coisa, começam a descobrir o pensamento, a capacidade de
pensar, tem despertado sua sexualidade, da mesma forma que outros jovens
nessa fase. A diferença está na colocação dos limites necessários, na
disponibilidade dos pais, educadores, profissionais envolvidos, que irão permitir
que este crescimento tome forma.

Como vimos, a sexualidade envolve muitos outros fatores, não podemos


encará-la apenas como uma faceta que constitui nossa formação, ela faz parte
e ao mesmo tempo é imprescindível em todos os níveis de relações
interpessoais.

Muito têm sido feito para ampliar as reflexões acerca das questões da
sexualidade na educação nos mais diversos níveis. Entretanto o assunto ainda
é visto com certo receio.
Há três abordagens sobre o tema educação, ou orientação sexual. A primeira é
a abordagem pedagógica, cujo intuito volta-se mais diretamente ao processo
ensino-aprendizado de sexualidade.

Valoriza também o aspecto informativo desse processo, podendo também focar


no aspecto formativo, onde se promova discussões e reflexões sobre valores,
atitudes, preconceitos, sentimentos e emoções.

Em síntese, direciona o pensamento para a reformulação de valores, atitudes e


preconceitos, na formação do indivíduo.

Na segunda abordagem, temos a tradicional abordagem religiosa, em que é


relacionada à vivência da sexualidade ao amor de Deus e à submissão às
normas religiosas oficiais.

Nesta abordagem, a meta é a preservação dos valores morais cristãos e o


desenvolvimento da vida espiritual. Vincula obrigatoriamente o sexo ao amor
pelo parceiro, ao casamento e especificamente à procriação.

Encara-se o casamento e a virgindade como os dois únicos modos de viver em


aliança com Deus, valoriza-se, sobretudo, a informação de conteúdos
específicos da sexualidade, muitas vezes está comprometido com uma
educação para o pudor.

Por fim, temos a abordagem política, e por isto a importância desta na relação
entre a sexualidade e a educação. Ela possui as seguintes características:

Orienta para o resgate do gênero e do prazer na vida das pessoas. Também


alerta para uma reflexão da importância de compreender as normas sexuais
construídas socialmente.

Propicia questionamentos filosóficos e ideológicos, ou pelo menos tenta


mostrar a importância destes questionamentos. Encara a questão sexual como
algo ligado diretamente ao contexto social, que influencia e é influenciado por
este.

Enfatiza a participação em lutas coletivas para transformações sociais, o maior


exemplo disto é a parada gay, que começou a pouco mais de uma década e
hoje mobiliza milhões de entusiastas e homossexuais para a questão da
intolerância sexual.

Sob esta última abordagem, baseia-se a atual concepção de sexualidade,


envolvendo aspectos que vão desde o bem estar à saúde propriamente dita.

Como sugerem os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, o “... tema


orientação sexual deve abordar e considerar a sexualidade como algo inerente
à vida e à saúde, que se expressa no ser humano, do nascimento até a
morte.”.
Relaciona-se com o direito ao prazer e ao exercício da sexualidade com
responsabilidade. Englobam as relações de gênero, o respeito a si mesmo e ao
outro.

Inclui a importância de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis,


entre outras questões polêmicas.

A orientação sexual na escola pretende contribuir para a superação de tabus e


preconceitos ainda arraigados no contexto sociocultural brasileiro.

Entretanto, é preciso que essas ideias além de figurar em qualquer projeto de


lei, promovam a reflexão e discussão nos mais diversos âmbitos de atuação,
seja no universo acadêmico, com professores e educadores, ou mesmo na
família, por meio das trocas de ideias entre pais e filhos.

Sexualidade na escola
Pedagogia de gêneros

O conceito de gênero surgiu entre as estudiosas feministas para se contrapor à


ideia de essência, recusando assim, qualquer explicação pautada no
determinismo biológico, que pudesse explicar os comportamentos de homens e
mulheres.

Tal determinismo serviu apenas para justificar as desigualdades entre ambos


os sexos, a partir de suas diferenças físicas. O importante quando pensamos
em relações de gênero é discutir os processos de formação histórica,
linguística e social, instituídas na formação de mulheres e homens, meninas e
meninos.

A pedagogia de gêneros basicamente discute o gênero como constituição


social que determinada cultura estabelece em relação a homens e mulheres,
no que se refere à raça, idade, classe social, etc.

Gênero aqui é entendido como as diferenças entre homens e mulheres dentro


de um contexto socio-histórico e cultural, isto é, trata-se de um elemento
constitutivo das relações sociais, fundamentadas nas diferenças de maneira
que possamos compreender as complexas formas de interação humana.

Como a ideia de gênero esta fundamentalmente ligada às diferenças biológicas


e comportamentais entre os sexos, ela aponta para um caráter interacional
entre homens e mulheres.

Assim, a pedagogia de gênero leva em conta o outro sexo, na sua presença ou


ausência. Além disso, esta pedagogia relaciona-se com outros aspectos do ser
humano, não somente o fator biológico e cultural, mas também idade, classe
social, etnia, etc.
Esta forma de distinguir os opostos, não é uma exclusividade do universo
adulto. As próprias crianças constroem os gêneros a partir da diferença, a fim
de reforçar seu senso de identidade feminina ou masculina.

Veja na charge abaixo, uma síntese do pensamento exposto acima, em que


crianças estabelecem sua identidade sexual a partir das diferenças em relação
ao outro.

Construindo identidades.

Quando nascemos logo nos primeiros anos aprendemos como falar, andar,
quem é a mãe, etc. Quando tomamos ciência de que somos um indivíduo, isto
é, quando nos reconhecemos enquanto sujeito é que começamos a construir
nossas identidades de gênero e sexual.

A maioria dos estudiosos acredita que não há uma identidade inata, trata-se de
um processo em que a criança se desenvolve. Tais processos são
influenciados por diversos fatores que constituem o próprio ser humano. A
classe social, a etnia, a religião, o gênero, etc.

Por estar em constante formação, à identidade caracteriza-se pela


incompletude. Entretanto, mesmo ela estando em constante desenvolvimento e
formação, nós só conseguimos visualizá-la como acabada, bem resolvida,
como fosse uma unidade de valor.

Portanto, podemos entender que a identidade de gênero e a identidade sexual


são plurais e em constantes transformações. Tais entidades embora pareçam à
mesma coisa, são assuntos totalmente distintos.

Enquanto a identidade de gênero liga-se à identificação histórica e social dos


sujeitos, e que se reconhecem como masculino ou feminino, a identidade
sexual está relacionada à opção que cada indivíduo tem de experimentar estas
relações, ou seja, trata-se da maneira com que os indivíduos vivenciam seus
desejos corporais, das mais diversas formas, sozinhos ou com parceiros, do
mesmo sexo ou não.

Em suma, identidade de gênero está relacionado apenas ao seu sexo, isto é, a


que categoria pertence o indivíduo, homem ou mulher. E a identidade sexual é
a orientação sexual que determinado indivíduo escolheu para si, isto é, se é
homossexual, heterossexual ou mesmo bissexual.

As identidades sexuais não são fixas e muito menos acabadas, ou seja,


pessoas que nunca se relacionaram com pessoas do mesmo sexo podem vir a
se relacionar em qualquer momento de suas vidas.

A sexualidade tem sido colocada como tema central nas rodas pedagógicas de
discussão, sobretudo ela é colocada como central a nossa própria existência, o
governo acredita que a discussão deste tema nas escolas, “tem grande
importância no desenvolvimento e na vida psíquica das pessoas, pois
independentemente da potencialidade reprodutora, relaciona-se com o prazer,
necessidade fundamental dos seres humanos” (Brasil. 1998:17).

Apesar de algo natural, inato a cada um de nós, a sexualidade é vista ainda


como algo a ser podado das mentes impuras. Família, escola, entre outras
instituições querem de uma forma ou de outra, ter controle sobre ela.

Sobretudo, os aparatos culturais, como livros didáticos e paradidáticos exercem


também alguma espécie de controle sobre a questão da sexualidade, como
nos mostra o exemplo a seguir.

Quando observamos o papel do Estado, em relação a esta questão, vemos que


esteve ausente durante muito tempo. Hoje através de algumas políticas
públicas de orientação sexual desenvolvidas em algumas escolas percebe-se a
tênue movimentação do governo em educar sexualmente seus cidadãos.

Vejamos:

“... Meninos de pré-escola que apresentam comportamento feminino, ou que só


gostam de brincar com as meninas, devem ser incentivados de maneira gentil,
mas firme a participar das atividades tipicamente masculinas... Os meninos que
apresentam trejeitos femininos muito acentuados, além das atitudes tomadas
pela escola, devem ser encaminhados para tratamento psicológico (Suplicy,
1990:77).”

É possível perceber que, apesar do discurso de valorização das diferenças, e


de uma proposta de reflexão acerca da sexualidade promovida nas últimas
décadas, este tema mais do que nunca vem sendo, no mínimo, vigiado.

De contrapartida, educadores têm tomado para si a responsabilidade de moldar


a sexualidade dos alunos, impondo o que considera apropriado às meninas e
meninos.

Orientações ao educador
Dentro de um contexto sociocultural, vemos que o professor é uma espécie de
intermediador. Cabe a ele, a responsabilidade pela formação do aluno.

A linguagem de abordagem também é de suma importância, é preciso analisar


para que desta forma possa incluir ou excluir significados. A linguagem é o que
aproxima o educador do educando.

É preciso também considerar que estas questões vêm sendo pouco, ou quase
nada, discutidas em salas de aulas, mesmo em cursos superiores de
pedagogia. Ou mesmo abordada em uma conversa em família.
Percebe-se ainda a necessidade de que pais e professores, psicólogos infantis
e toda a diversidade de profissionais voltados à educação e ao cuidado de
crianças, tenham uma visão de infância que dê conta de suprir as
necessidades impostas pelo tema sexualidade.

Em um mundo marcado cada vez mais pela diversidade, é fundamental que


tenhamos a ideia de que diferenças sejam sinônimos de desigualdade.

A cada dia percebemos a necessidade de capacitação do corpo docente em


diferentes esferas da educação, inclusive a da sexualidade. Também a
necessidade de avaliar nossos educadores, além de dar-lhes treinamento na
área da orientação sexual.

A sexualidade sempre foi um assunto de difícil discussão dada suas


particularidades, por que cada um se relaciona de um jeito com sua
sexualidade. Para crianças e adolescentes o contato com este assunto é ainda
mais complexo.

As descobertas, as curiosidades a respeito do próprio corpo, as caricias e, é


claro o sexo, fizeram do assunto um grande tabu, pouco discutido e
conversado, na escola e na família. Contribuindo ainda mais para uma espécie
de ansiedade por informações, por parte das crianças e adolescentes.

Por tudo isso, é necessário discutir o tema em sala de aula, e nas reuniões
pedagógicas, para que a escola tenha não somente, alunos informados, como
também educadores capacitados e preparados para esclarecer suas dúvidas.

É importante que o professor mostre que as manifestações da sexualidade são


prazerosas e fazem parte do desenvolvimento de todos, desta forma o
educador estará contribuindo para o autoconhecimento do aluno.

Este autoconhecimento está ligado ao aprendizado tanto das regras sociais de


convivência, quanto ao reconhecimento dos desejos e das necessidades de
cada um.

O objetivo da educação sexual na escola consiste em colocar professores com


um preparo adequado e desempenhar de forma significativa seu papel,
ajudando os alunos a superarem suas dúvidas, ansiedades, angústias, pois “A
criança chega na escola com todo tipo de falta de informação e geralmente
com uma atitude negativa em relação ao sexo. As dúvidas, as crendices e
posições negativas serão transmitidas aos colegas” (SUPLICY, 1983).

Uma das grandes pensadoras a discutir a sexualidade foi Marta Suplicy. Desde
o início da década de 1980 ela desenvolve estudos e traz o tema para a
reflexão.
Ela corroborou, de certa forma, para que hoje em dia, tivéssemos a ideia de
que educação sexual não significa apenas transmitir informações sobre sexo.
Mas também significa relação interpessoal, valores, atitudes, comportamento.

É necessário observar se os educadores, de maneira geral, estão preparados


para falar de sexo. A maioria não faz nenhum tipo de curso, o que trazem é o
conhecimento prévio e em muitos casos deturpado sobre o assunto.

Muitas vezes, suas experiências se deram apenas pela leitura de revistas que
só leva em consideração o caráter biológico, desconsiderando os sentimentos
e emoções, ou por vezes pela tímida troca de informação com colegas
educadores.

Muitos professores não possuem a própria sexualidade bem resolvida, tendo


problemas no casamento ou consigo mesmo em relação a sexo. Em suas
aulas certamente este educador transmitirá suas frustrações e inquietações.

O professor deve também evitar emitir valores de juízo, ou uma opinião


particular sobre este ou aquele assunto. Sabemos que é impossível sermos, de
tal modo, isentos de qualquer valor, no entanto, é preciso atentar-se a este
aspecto.

Esclarecer os limites também é dever do professor, este deve dizer algumas


coisas importantes a respeito do que se pode e do que não se pode fazer em
locais públicos e privados.

Em suma, deve trazer a ideia de individualidade, coletividade, intimidade e


privacidade, isto cabe, sobretudo, às crianças que ainda não possuem esta
noção.

Na charge acima se pode observar como o autor faz uma crítica ao despreparo
e à descontextualização do professor. Apesar do humor, trata-se da realidade
em muitas escolas do Brasil.

É extremamente necessário, olharmos com mais atenção para este tema, que
deve ser discutido intensamente nas escolas, desde que com o devido preparo
do educador.

PCNs – Parâmetros Nacionais Curriculares

Primeiramente devemos saber do que trata os PCNs e quais seus objetos. Em


síntese, são referências de qualidade para o ensino fundamental e médio.

Foram elaborados por estudiosos da área pedagógica e têm o intuito de


garantir a todas as crianças e jovens, o conjunto de conhecimentos
necessários para exercitar sua cidadania.
Os PCNs não têm caráter obrigatório, trata-se de um conjunto de sugestões
que servem como ferramentas para que o educador possa ensinar de maneira
significativa.

Atualmente a sexualidade é vista como um problema de saúde pública, e a


escola é o ambiente onde se deve começar a tratar desse assunto, através de
informações.

Desta forma, ela foi constituída nos PCNs – Parâmetros Nacionais


Curriculares, contemplado nos temas transversais a fim de promovê-la em todo
campo pedagógico.

Tema transversal diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática


educacional, uma inclusão entre estudar conhecimentos teoricamente
sistematizados.

Esse tema age em conjunto com várias matérias, cabe ao educador ter
orientação e discernimento para ministrá-los de forma coerente, mostrando aos
jovens a importância de conhecer seus próprios limites.

O tema sexualidade está na “ordem do dia” da escola. Presente em diversos


espaços escolares ultrapassa as fronteiras disciplinares e de gênero, permeia
as conversas de meninos e meninas e é assunto para ser tratado em sala de
aula.

No jornal Folha de S. Paulo, figura o seguinte texto: “o melhor método


anticoncepcional para as adolescentes é a escola: quanto maior a
escolaridade, menor a fecundidade e maior a proteção contra doenças
sexualmente transmissíveis”. A escola é apontada como um grande aliado na
veiculação de informações sobre formas de evitar gravidez e de se proteger de
doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz entre julho de 1999 e
fevereiro de 2001 mostra que 32,5% das mães que engravidaram na
adolescência estudaram no máximo até a quarta série do ensino fundamental.
Certamente a falta de instrução e escolaridade contribui para estes índices.

A criação do tema transversal “Orientação sexual nos PCNs” é um indício da


inserção deste assunto no âmbito pedagógico. O interesse do estado pela
sexualidade da população tornou-se evidente depois desta proposta.

Para termos uma ideia, vinte anos após o primeiro relato público de caso de
AIDS, estima-se que as mortes causadas pela doença já chegam a 22 milhões.

A incidência de adolescentes entre 10 e 14 anos grávidas no Brasil aumentou


7,1% entre 1980 e 1995. Por isso, atribui-se à escola a função de contribuir na
prevenção dessa doença e dos casos de gravidez.
É dever da escola, e não somente da família, desenvolver uma ação crítica,
reflexiva e educativa que promova a saúde das crianças e dos adolescentes.
Neste sentido, a educação física é apontada pelos PCNs como um espaço
privilegiado para a orientação sexual.

Resumindo, os PCNs são um conjunto de sugestões elaboradas por estudiosos


do Ministério da Educação, para auxiliar o professor na abordagem de
determinados assuntos em sala de aula.

Por que a sexualidade tornou-se um problema bastante discutido em todo


campo pedagógico, transpassando por diversas disciplinas?

A sexualidade é o que há de mais íntimo na constituição do indivíduo, é


também o que o caracteriza como humano. É um tema de interesse público,
uma vez que a conduta sexual da população relaciona-se à saúde pública, aos
índices de natalidade, à vitalidade das descendências, logo está relacionada
também à produção de riqueza. Basta pensarmos que uma população
saudável produz mais.

A escola é uma das diversas instâncias sociais onde se exercita uma


pedagogia da sexualidade e do gênero. Esses processos se completam
através de uma espécie de autodisciplinamento e autogoverno sobre si mesmo.

Portanto, a escola, além de construir e transmitir um saber de mundo, isto é


uma experiência objetiva do mundo exterior, constrói e transmiti também a
experiência que os indivíduos têm de si mesmos. Desta forma, os dispositivos
pedagógicos podem ser concebidos como agentes constitutivos de
subjetividades.

A sexualidade das crianças e adolescentes já é, como dissemos, um problema


escolar desde o século XVIII, justamente quando esta questão tornou-se uma
preocupação pública.

Como se percebe, a educação sexual não surge na escola a partir dos PCNs.
Como vimos, a inserção da orientação sexual na escola parece estar associada
a uma questão epidêmica. Além de mudanças significativas no comportamento
sexual da sociedade.

Os PCNs são, antes de tudo, um referencial fomentador da reflexão sobre os


currículos escolares, uma proposta aberta e flexível, que pode ou não ser
utilizadas na elaboração do currículo escolar.

Pesquisas demonstram que este documento vem sendo utilizado com


regularidade nas escolas, pelos educadores. Outra evidência da inserção dos
PCNs na rotina escolar é a grande produção de livros voltados à orientação
dos professores do ensino médio, sobretudo àqueles que tratam dos temas
transversais.
Além dos livros, são oferecidos cursos de reciclagem de educadores e
palestras que trazem como tema a sexualidade. Diante desse quadro, análises
sobre o que dizem os PCNs a respeito do tema orientação sexual é de
fundamental importância para a área de educação.

A fim de atingir os objetivos propostos pelos PCNs, o tema orientação sexual


deve impregnar toda a área da educação e ser tratado por diversas áreas do
conhecimento.

Deste modo, o trabalho de orientação sexual deve ocorrer da seguinte forma,


dentro da programação, através dos conteúdos transversais nas diferentes
áreas do currículo escolar.

Os programas de orientação sexual devem ser organizados em três eixos: O


corpo matriz da sexualidade, relações de gênero e prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis.

Trouxemos algumas concepções de sexualidade nos PCNs, a orientação é


entendida como sendo de caráter informativo. A sexualidade é concebida como
um dado da natureza, como algo inerente, necessário e fonte de prazer na
vida.

Fala-se muito em potencialidade erótica do corpo, necessidade básica, em


impulsos de desejos vividos no corpo. Para termos uma ideia mais ampla
seguem algumas citações de grandes pensadores e estudiosos da
sexualidade, cujos conceitos, de certa forma, figuram nos Parâmetros
Curriculares Nacionais.

SEXUALIDADE NA SOCIEDADE Nos três últimos séculos, levando em conta


as distinções históricas, segundo Foucault (1997a, p. 21) houve uma explosão
discursiva “em torno e a propósito do sexo”. Para o autor, houve um
refinamento do vocabulário autorizado, um controle das enunciações, isto é,
definiu-se quem fala, para quem fala, onde se fala e como se fala. A
sexualidade vem sendo tratada em distintas instâncias sociais

– na família, na Igreja, na escola, entre outras

– e por diferentes campos

– o da medicina, da psicologia, da biologia, da pedagogia

– que em geral instigam a falar para escutar, e/ou registrar e redistribuir o que
dela se diz (RIBEIRO, 2007).

A sexualidade humana é resultante de um complexo processo envolvendo a


sociedade e a cultura, que interagem influenciando o comportamento sexual.
Ao longo da vida o indivíduo sofre a todo o momento influências da família, dos
meios de comunicação, da religião ou da escola que o pressionam e moldam
aos padrões de comportamento impostos pela sociedade (AQUINO, 1997). Até
mesmo quando tratamos de analisar o tema é possível que as afirmações e
conclusões feitas acerca de certas particularidades estejam contidas na própria
cultura em que estamos inseridos. As transformações sociais, que foram
observadas nas últimas décadas e que constituem a cultura de um modo geral,
influem de maneira peculiar na "cultura da sexualidade", visto que exerce um
importante papel frente aos diversos comportamentos diante do tema. Por
outro lado, cada indivíduo interage de maneira própria e única com o seu meio,
e é nessa particularidade do comportamento que se estabelece aquilo que se
costuma chamar de "livre-arbítrio" (AQUINO, 1997). Se no âmbito social a
sexualidade sempre foi um tema polêmico, no âmbito educativo, é assunto
delicado, pois gera alguns "dilemas pedagógicos" do tipo: o quê?, para quê?,
quem?, e como orientar a sexualidade dos alunos? A sexualidade determinada
biologicamente como um atributo biológico deve ser questionada, pois ela tem
sentido muito mais amplo quando passamos a entendê-la como uma
construção histórica e cultural.

A SEXUALIDADE E O DISCURSO BIOLÓGICO

Se, por um lado, o professor de ciências ou de biologia está capacitado a


ensinar sobre a anatomia e a fisiologia dos aparelhos reprodutores masculino e
feminino, por outro, deve estar comprometido com uma postura pedagógica
que possibilite considerar os aspectos emocionais, culturais e éticos que
envolvem os temas abordados, a formação dos professores deve compreender
também um perfil de educador da sexualidade, no sentido de esclarecer,
orientar e informar (RIBEIRO, 2007). A escola é um bom lugar para essas
reflexões e discussões, mas para tal é necessário um comprometimento,
pesquisa sobre o assunto, e coragem de muitos professores, pois às vezes
sem perceber, já ficam incomodados em transmitir esse tipo de conteúdo.

Mas por que tal dificuldade? Começa pelas reações dos alunos: sorrisinhos
maliciosos, piadinhas, burburinho geral, e, claro, as perguntas indiscretas que
ultrapassam o saber da biologia (AQUINO, 1997). Na escola, o discurso
biológico tem ocupado um espaço privilegiado em relação aos outros, visto que
existem muitos programas de educação sexual, como livros, manuais, mas a
sexualidade está principalmente vinculada com o conhecimento anátomo-
fisiológico dos sistemas reprodutores, ao uso de métodos anticoncepcionais,
aos mecanismos de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e da
AIDS (RIBEIRO, 2007). Esta intenção é evidenciada na justificativa de
implementação dos PCNs. Nesse âmbito a sexualidade tem ficado ligada
somente a aquisição de conhecimentos científicos dos sistemas reprodutores e
á genitalidade

– atributo de natureza biológica compartilhado por todos, independentemente


de sua história e cultura. Discutir a sexualidade de outra forma implica algumas
mudanças, o que não é tarefa fácil nem trivial, pois a sexualidade é uma
experiência histórica e pessoal. Discutir com os alunos a sexualidade não a
partir dos sistemas reprodutores, mas a partir de questões éticas, sociais e
históricas, as quais possibilitariam aos jovens pensarem nos seus
relacionamentos, no prazer, na responsabilidade, na liberdade de escolha, na
virgindade, nas drogas, nos arranjos familiares, nas relações entre homens e
mulheres, etc., seria uma forma de abordar de maneira mais ampla o “conteúdo
da sexualidade”

Os PCNs tratam basicamente de como educar o corpo, que é a matriz da


sexualidade. Isto deve ocorrer primeiramente no âmbito discursivo na escola,
isto é, através do diálogo, da troca de ideias e experiências.

Através desta troca de ideias, desta explosão discursiva sobre a sexualidade é


que se constrói um “saber”. Este saber é que proporcionará ao indivíduo um
autoconhecimento.

Assim, por meio da colocação do sexo na pauta da discussão nas instituições


de ensino, há uma espécie de controle exercido sobre os indivíduos, este se
exerce não por punições, proibições, mas através de mecanismos positivos de
poder que objetivam produzir sujeitos autodisciplinados no que tange à forma
de vivenciar sua sexualidade.

Os PCNs sugerem que ao tratar sobre doenças sexualmente transmissíveis, os


educadores, de maneira geral, não devem relacionar de maneira parcial a
sexualidade, às doenças e à morte.

Mas sim, oferecendo informações relevantes sobre as doenças, tendo como


objetivo a promoção da saúde e de condutas preventivas. Em suma, a
mensagem que se deve transmitir aos jovens, não deve ser “AIDS mata”, e sim
“AIDS pode ser prevenida”.

Os conteúdos desenvolvidos nas instituições de ensino devem destacar a


importância da saúde sexual e reprodutiva, bem como os cuidados necessários
para promovê-la.

O papel da escola neste sentido, juntamente com os serviços públicos de


saúde, é de conscientizar para a importância de ações não só curativas, mas
também preventivas, atitudes denominadas de “autocuidado”.

A escola deve ressaltar que o bem estar e a saúde dependem de como você se
relaciona com sua sexualidade. Deve transmitir a ideia de que sim, o sexo é
prazeroso, e pode também ser seguro.

Nos PCNs, há uma grande intenção de estruturar as ações dos alunos e alunas
de modo que eles absorvam a mentalidade preventiva e pratique-a sempre,
incondicionalmente.
O professor e a diversidade.

A sexualidade sempre foi um tema complicado de ser abordado, sobretudo nas


instituições de ensino. Era pouco discutido entre os profissionais da educação.

É extremamente necessária, a capacitação dos professores sobre a


sexualidade para que eles possam também orientar e informar os educandos.
Algumas medidas vêm sendo tomadas no intuito de subsidiar o profissional da
educação de informações sobre o tema.

Isso porque, cada vez mais os jovens querem falar sobre sexo, crianças e
adolescentes estão descobrindo a sexualidade e os limites do próprio corpo.
Nessa medida, o professor deve saber como direcionar uma conversa.

O papel do professor é tão importante, que dependendo de sua postura pode


interromper todo um processo de autoconhecimento, colocando dúvidas e
mitos no imaginário dos alunos.

Numa situação rotineira, podemos perceber o quão o professor é importante e


contribui na formação do indivíduo. Abaixo um pequeno trecho reproduzido da
internet, que ilustra uma situação que vem se tornando bem comum nas salas
de aula pelo Brasil afora.

A pergunta, feita por uma aluna de 8 anos para a orientadora educacional


Dilma Lucy de Freitas durante uma aula para a 3ª série de uma escola
particular de Florianópolis, poderia provocar diversas reações na professora.
Se ela mostrasse espanto e indignação, por exemplo, as crianças deduziriam
que sentir essas coisas deve ser anormal. Se fingisse não ter escutado, os
pequenos achariam que é melhor não falar sobre o corpo (e, mais tarde, sobre
a sexualidade). Dilma respondeu que o corpo recebe estímulos: um cheiro
gostoso de comida faz a gente sentir vontade de comer e um vento frio faz a
pele se arrepiar. Do mesmo modo, algumas imagens (como o casal que se
beija) estimulam os órgãos sexuais e por isso a vagina se contrai ("pisca"). A
aluna, satisfeita com a informação, foi brincar. Desde bebês, sentimos prazer
em tocar o próprio corpo e descobrir as diferentes sensações que ele nos
proporciona. Fingir que as crianças não passam por esse processo é negar a
realidade. O sexo é parte da vida das pessoas (aliás, uma parte importante e
muito boa) e é por essa razão que a escola e a família devem ajudar a construir
nos pequenos uma visão sem mitos nem preconceitos. "Esse é um tema que
envolve sentimentos e desejos e, portanto, não pode ser abordado só com
explicações sobre o funcionamento do aparelho reprodutor e palestras
médicas. A orientação sexual deve ser feita com afeto", afirma Antonio Carlos
Egypto, psicólogo e coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em
Orientação Sexual (GTPOS), em São Paulo. O constrangimento dos pais em
tratar do assunto aumenta a falta de informação dos jovens e faz com que a
escola se torne o principal espaço de educação sexual (vale lembrar que a
orientação sexual é um dos temas transversais previstos nos Parâmetros
Curriculares Nacionais – PCN).

Situações iguais a essa ocorrem diariamente em milhares de instituições de


ensino. Imaginem se em todas as escolas tivéssemos professores bem
informados e preparados.

Aqui vão algumas dicas, sugeridas por especialistas e estudiosos do tema, de


como deve ser a postura do professor diante da diversidade dos gêneros e da
sexualidade.

Devido à importância das aulas sobre sexualidade para os jovens, em que


aprendem a conhecer e a lidar com seus próprios desejos, necessidades e
emoções.

- O professor deve sempre encarar a dúvida de seu aluno como relevante por
mais simples que pareça.

- É importante também que o professor promova debates e rodas de discussão


em sala de aula, sobretudo que esteja disposto a ouvir sempre.

- A opinião do educador não tem relevância, o importante é a discussão entre


os alunos.

- Informações comprovadas cientificamente têm muito valor em sala de aula,


dão aos alunos mais legitimidade.

- É interessante levantar dúvidas sem personalizar, a última coisa que se quer


é expor o aluno.

- As discussões devem ter caráter generalizador, perguntas de natureza


pessoal constrangem qualquer pessoa, portanto, mantenha a discussão “sem
dar nomes aos bois”. E o mais importante, não se intrometa na intimidade do
aluno.

- Trazer os mais tímidos para a discussão através de jogos e dinâmicas em


grupo é importante.

- Por fim, deve haver uma espécie de acordo entre o educador e os jovens, em
que garanti o sigilo do que foi discutido em sala de aula, para que não ocorram
zombarias e comentários maldosos dos colegas. O respeito é à base de
qualquer tipo de relação humana, este caso, não é exceção.

O papel da escola
Tendo em vista que a sexualidade é um aspecto inerente aos seres humanos,
que também influencia o pensamento, sentimentos e emoções, além de estar
diretamente ligado ao bem estar físico e psicológico do indivíduo, podemos
refletir sobre o papel das instituições de ensino ao tratar da sexualidade.

A escola tem como responsabilidade prezar pela saúde e bem estar, dos seus
alunos, sobretudo proporcioná-los uma formação acadêmica que garanta
cidadania, respeito e consciência.

A educação, ou orientação sexual, no ambiente escolar tem fundamental


importância na constituição desses cidadãos, além de servir como uma medida
preventiva. Também serve como destruidor de tabus e preconceitos,
valorizando o respeito às diferenças.

Visando uma educação voltada à cidadania e à autonomia do aluno, os PCNs


propõem em forma de temas transversais a inclusão da orientação sexual no
currículo escolar.

A proposta de orientação sexual nos PCNs é justamente trabalhar o


esclarecimento e a problematização, com o intuito de promover a reflexão e a
reformulação das informações.

Lá é ressaltada, a importância de se abordar a sexualidade não somente do


ponto de vista biológico, mas também em relação aos aspectos sociais,
políticos e culturais.

Segundo os Parâmetros Nacionais Curriculares a orientação sexual deve fazer


parte do plano político pedagógico da escola, sendo desenvolvida de forma
continuada e paralela a todas as disciplinas.

Deve, de maneira geral, contribuir para a construção de seres livres e


autônomos, capazes de desenvolver e exercer sua sexualidade de maneira
prazerosa e responsável.

Entretanto, não é o que apontam as pesquisas. Elas revelam que esta não é a
realidade nas escolas de todo o Brasil. Apesar da evidente necessidade de
abordar o tema da sexualidade, percebe-se certa inércia das instituições de
ensino.

As escolas e os profissionais da educação não se mostram comprometidos,


não se importam, ou no mínimo, não se sentem à vontade para tratar do tema
com seus alunos.

Desde 1997 o tema da sexualidade é tratado nas instituições de ensino e


trabalhado com alunos a partir de sete anos, ou ao menos deveria ser.
Entretanto atualmente, não se tem ideia de quantas escolas aderiram à
proposta dos PCNs.
É justamente neste ambiente escolar, que ocorre o primeiro beijo, o primeiro
namoro, isto é, é lá onde ocorrem as primeiras experiências do jovem com a
sexualidade.

A escola para o aluno significa muito mais do que um lugar para adquirir
conteúdo acadêmico. Lá ocorrem vivências, e experiências,
independentemente da idade do educando.

O estudante simultaneamente ao aprendizado tradicional, também adquire


valores, constrói relações e desenvolve sua sexualidade. Despertando
interesse e curiosidade em meninos e meninas. Desde a infância, a questão da
sexualidade faz-se presente em todas as séries.

A sexualidade é uma forma de expressão de nosso modo de pensar, sentir,


comunicar e agir. Portanto, ela está presente em toda nossa vida, desde os
primeiros anos até os últimos.

Investir no crescimento sexual é favorecer também o crescimento pessoal.


Certamente, aprende-se muito sobre si mesmo quando se aprende sobre
sexualidade.

Sendo assim, a educação sexual não está restrita ao universo adolescente,


justamente por não ser mais um método contraceptivo ou de prevenção de
doenças sexualmente transmissíveis.

Abaixo uma síntese de algumas iniciativas que o educador pode utilizar,


tratam-se de dicas de atividades, projetos, oficinas, em suma, um modelo de
orientação sexual.

Síntese de Modelo de Orientação Sexual nas Escolas

a) preparo e capacitação dos professores e funcionários sobre as questões de


sexualidade, drogas e violência. Informações e oficinas para sensibilização e
trabalho dos aspectos psicológicos. Esse é o alicerce do trabalho, pois são as
pessoas que estão no dia-a-dia da escola e em contato diretíssimo com os
alunos.

b) apresentação do projeto para os pais, com os parâmetros morais nítidos


(não vamos condenar isso ou aquilo, nem estimular isso ou aquilo, vamos fazer
tais e tais trabalhos...)

c) oficinas com alunos: o que eles querem e precisam discutir? Caixa com
dúvidas anônimas, espaços para discussão com suporte de um psicólogo,
espaço para mobilização de sentimentos relacionados às opiniões e atitudes
diante da vida.

d) trabalho junto à direção e coordenação, para garantia de sigilo e autonomia


da equipe, definição dos objetivos e apoio logístico.
Educar para sexualidade é educar para a cidadania, autonomia, em suma,
educar para a sexualidade é educar para a vida, e para isso não há idade ideal
e é tarefa de todos educadores.

Educação preventiva

Colocada de forma polêmica na mídia, a disciplina de orientação sexual ainda


causa estranhamento em jovens e crianças na escola. Por não ser tão
abordada, gera uma série de problemas associados à droga, sexo
irresponsável, família desestruturada, entre muitos outros.

Quando se trabalha a educação preventiva com crianças, algumas questões


devem ser refletidas e postas em prática.

Em primeiro lugar, a educação preventiva objetiva estabelecer valores de forma


consciente e planejada. Este é um desafio contemporâneo que precisa ser
assumido por pais e professores.

A orientação sexual corrobora com valores que podem levar crianças e jovens
a adquirir noções significativas como justiça, responsabilidade, autonomia,
respeito por si e pelos outros, influenciando diretamente na construção de uma
sociedade melhor.

É extremamente importante pais e professores estarem atentos aos valores


que são transmitidos, seja através de atos ou palavras. Algumas questões não
só podem como devem ser abordadas pelos educadores juntamente com pais
e alunos.

Sexo tratado com naturalidade em sala de aula

Em sala de aula o tema sexualidade deve ser tratado como outra disciplina.
Deve haver um envolvimento incondicional por parte dos professores e pais.

É preciso desenvolver nos alunos o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo.
É fundamental desenvolver atividades que promovam a reflexão sobre as
diferenças de gênero e relacionamento.

Dar informações sobre gravidez, métodos anticoncepcionais e, sobretudo,


informar sobre o perigo das doenças sexualmente transmissíveis.

Em suma, a orientação deve objetivar a conscientização sobre a importância


de uma vida sexual responsável, deve mostrar que o sexo, pode ser prazeroso,
mas além de tudo, seguro e responsável.

Outro fator de extrema importância é a capacitação da equipe, professores e


funcionários devem estar preparados para lidar com manifestações da
sexualidade das crianças e jovens.
É necessário o educador participar de cursos de capacitação sobre temas
como falar e agir com crianças e adolescentes, prazer e limites, gravidez e
aborto, DSTs, etc.

Na pré-escola, devem-se priorizar as diferenças de gênero. Nesta idade a


criança ainda esta se descobrindo, baixar e levantar as calças são sinais de
curiosidade. Aqui é sugerido que o educador promova um debate sobre o que é
ser menino e o que é ser menina.

É normal que os pequenos toquem os genitais para ter prazer e para conhecer
o próprio corpo. É de suma importância propor a descoberta de outras formas
de satisfação na escola, como brincar na areia e na terra ou na água.

Deixar a criança explorar esses elementos é extremamente positivo. É preciso


incentivá-los a falar sobre o que sentiram e sobre as partes do corpo que dão
prazer, inclusive pênis e vagina.

Pode-se sem dúvida, dizer a eles que é normal tocar os órgãos genitais,
entretanto, por se tratarem de partes íntimas do corpo, não se deve manipular
em locais públicos.

É muito comum crianças nesta idade flagrarem os pais tendo relações sexuais,
ou mesmo imagens obscenas na televisão. Neste momento é necessário
levantar questões como: Todos sabem como nasceram?

Levantar as dúvidas e reiterar que sexo é coisa de adultos é extremamente


positivo apresentar bonecos com pênis e vagina para que eles mesmos
explorem as diferenças entre ambos.

Gravidez é outro tema que suscita a curiosidade das crianças, o interessante é


abordar o tema de maneira natural, sugere-se a produção de cartazes
informativos para o esclarecimento de dúvidas em sala de aula.

Já do 1º ao 5º ano, começa-se a descobrir o vocabulário da sexualidade. Nesta


etapa as crianças começam a descobrir os palavrões, que são usados para
fazer graça ou para agredir.

Mas eles perdem o sentido quando colocados na lousa. Explique o significado


de cada um deles, deixe claro que todos podem ser ofensivos, portanto não
devem ser usados, sobretudo em público.

Caso os palavrões façam menção aos órgãos sexuais, levante com eles, outros
palavrões que a turma conheça para pênis e vagina. É importante botar tudo
em discussão, isto é, em debate.

Os padrões de beleza também devem ser discutidos. Ao perceber que alunos


debocham da aparência de um colega, o educador deve seguir o bom caminho,
propondo uma discussão sobre os padrões de beleza.
Para alunos desta faixa etária, um bom recurso é o filme Shrek, que aborda
justamente este tema. E por meio do filme faça questionamentos, sobre o que
é realmente bonito?

Uma boa atividade é propor aos alunos que descrevam as qualidades ou algo
que ache bonito no colega. Isso estimulará os alunos a perceberem que os
padrões de beleza são efêmeros e sem importância.

Do 6º ao 9º ano, é a fase da puberdade, neste momento sugere-se ao


educador que exponha no quadro, desenhos de corpos femininos e masculinos
em diferentes fases do crescimento.

Perguntar aos alunos o que eles entendem como puberdade também é


positivo. Posteriormente, sugere-se que se explique as transformações físicas
e psicológicas e por que elas ocorrem. Esta atividade pode ser realizada por
escrito (se não quiser expor o aluno) ou oralmente.

Para discutir maternidade e paternidade pode-se utilizar a leitura de um poema


de Vinicius de Moraes chamado “Enjoadinho” para iniciar a discussão. Elaborar
perguntas sobre as necessidades de um bebê durante o período de gestação é
uma boa forma de começar.

“Filhos...Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos Como sabê-lo? Se


não os temos Que de consulta Quanto silêncio Como o queremos! Banho de
mar Diz que é um porrete... Cônjuge voa Transpõe o espaço Engole água Fica
salgada Se iodifica Depois, que boa Que morenaço Que a esposa fica!
Resultado: filho. E então começa A aporrinhação: Cocô está branco Cocô está
preto Bebe amoníaco Comeu botão. Filho? Filhos Melhor não tê-los Noites de
insônia

Cãs prematuras Prantos convulsos Meu Deus, salvai-o! Filhos são o demo
Melhor não tê-los... Mas se não os temos Como sabê-los? Como saber Que
macieza Nos seus cabelos Que cheiro morno Na sua carne Que gosto doce Na
sua boca! Chupam gilete Bebem xampu Ateiam fogo No quarteirão Porém, que
coisa Que coisa louca Que coisa linda Que os filhos são!”

Posteriormente é recomendado que o educador fale também sobre a


necessidade dos pais, quanto de dinheiro seria necessário para criar um bebê.
Neste momento é interessante questioná-los se é possível um adolescente ser
pai e mãe e prover tudo o que o bebê precisa.

É possível ir além e continuar a discussão perguntando-lhes se ocorresse uma


gravidez indesejada, o que teriam que abdicar para criar o filho, quais as
vantagens de adiar a gravidez.
Por fim é sugerido que o professor solicite uma produção textual, isto é, uma
redação sobre o que espera do futuro, quais seus desejos e sonhos para vida,
e como seria se tivessem filhos.

Outro tema recorrente entre os alunos desta faixa etária são os métodos
anticoncepcionais. É interessante levar para a sala de aula carteiras de pílulas,
camisinhas masculinas e femininas, tabelinha, e outros métodos.

Desta forma, os alunos podem ter contato com este tipo de informação. Em
sala de aula é necessário fazer circular entre todos, dando explicações sobre
cada tipo.

As atividades em grupo são muito positivas, sendo assim, dividir a sala em dois
grupos e realizar demonstrações de uso da camisinha em bananas e cenouras,
possibilita ao aluno um contato prévio com o preservativo.

É de suma importância ressaltar aos alunos que a camisinha feminina e


masculina é o único método anticoncepcional que previne a AIDS entre outras
DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis.

O aborto é outro tema relevante para figurar numa discussão em grupo em sala
de aula. No Brasil a interrupção intencional da gravidez é crime, exceto quando
a mãe é vitima de estupro, ou corre risco de morte.

Antes de realizar o debate o educador pode oferecer textos sobre o tema.


Dividir a classe em dois grupos para discussão é uma ótima ideia, enquanto o
primeiro deve argumentar a favor do aborto, o segundo será contra.
Posteriormente inverta os papéis.

Para falar de DSTs é interessante trazer alguns exemplos, como exemplo, para
ouvir a Via láctea, de Renato Russo, e Ideologia, de Cazuza, ambos mortos em
decorrência da AIDS.

Questione se os alunos sabem o significado da sigla. Posteriormente selecione


o trecho “... Essa febre não passa”, “... meu prazer agora é risco de vida” e
discuta o seu significado.

Levante juntamente com os alunos, os dados sobre os índices de incidência da


síndrome na população, a análise mostrará que não existe grupo de risco, mas
sim atitudes de risco. É recomendado conversar sobre outros tipos de DSTs e
seus meios de prevenção.

Outro tema interessante para se abordar em sala de aula é a questão do


homem e da mulher, o que é ser homem e mulher. Questione-os por que é tão
estranho um menino dizer que quer ser bailarino, ou uma menina que sonha
ser jogadora de futebol.
A homossexualidade e a bissexualidade são assuntos complexos. Ao tratar
deste assunto é preciso ser ameno, no entanto com naturalidade. Assistir um
filme que trate do tema pode auxiliar o trabalho.

Pergunte-os se só existe amor entre homens e mulheres, ouça as opiniões,


posteriormente reflita com os alunos sobre as diferentes formas de amar. Tudo
isso sem esquecer-se de reiterar que o respeito à orientação sexual também
deve ser primordial.

O papel da família
A família tem papel fundamental no processo de construção da sexualidade.
Sabemos que a falta de informação, o preconceito, a imagem negativa do sexo
e os conceitos distorcidos acerca da sexualidade, por fazerem parte da cultura,
nos atinge diretamente.

Sendo assim, a educação sexual recebida na família, é permeada de


preconceitos, de geração em geração, isso influencia e traz sérias
consequências à vida sexual de seus membros.

Por exemplo, em uma família de pensamento tradicional é muito difícil


conversar abertamente sobre sexo, homossexualidade, etc.

A família que ama, acolhe e dá carinho é a mesma que pune, reprime e


ameaça. É bem comum famílias com este perfil retalhar manifestações da
sexualidade.

Em casos assim, esta mesma família encara o sexo como algo sujo, impuro,
ameaçador e proibido. Estas são regras e conceitos transmitidos, muitas vezes,
por pessoas que tem grande significado em nossas vidas, isso certamente
ocasionará um trauma.

O papel da família, em síntese, na orientação sexual é o de nortear valores e


critérios morais. Critérios estes, muitas vezes, concebidos pela condição social,
religião, entre outros fatores.

É importante que a família tenha clareza do que sente e do que espera de seus
membros. Entretanto, é bem complicado estabelecer uma noção de certo e
errado.

Abaixo um interessante texto sobre a sexualidade. Trata-se de uma situação


rotineira, em que a criança faz perguntas “cabeludas” à mãe. Também há
algumas dicas de como lidar em situações como esta.

Apesar da importância da escola nesse processo, os pais permanecem com


um papel fundamental. A sexualidade faz parte de todos os seres humanos, e
lidar com elas é um desafio para todos. Porém, quando se trata das crianças,
como educá-las sexualmente? E como a escola pode ajudar na hora de falar
sobre esse tema tão delicado? A jornalista Clara* está enfrentando essa
questão com sua filha de sete anos. Ela pretende ter mais um filho e "ela vive
dizendo que quer ver quando o maninho for feito", conta. "Ela conta para todo
mundo, me deixa numa saia justa", completa. A resposta de Clara costuma ser
que essa é uma situação que não tem como ver, que não se enxerga isso
acontecendo. Porém, a mãe tem muitas dúvidas sobre como falar sobre o
assunto. Para a pedagoga e sexóloga Ariana Magalhães, a educação sexual
não deve ser vinculada apenas a aspectos corporais, mas principalmente com
o desejo, o sentimento e como nos sentimos sendo homens ou mulheres.

"Deve proporcionar uma integração entre características físicas, emocionais,


intelectuais, sociais, históricas e culturais", afirma.

Por ser um local em que crianças e adolescentes passam grande parte de suas
vidas, a escola é um lugar privilegiado para aprendizagem, construção de
valores e formação de consciência humana. "O papel do colégio deve ser o de
priorizar os questionamentos dos pais e dos estudantes, informando,
conscientizando e desmistificando crenças e tabus", diz Ariana. Clara acredita
que a escola deve ser um apoio, que complementa a educação que se dá em
casa. Porém, uma mãozinha não seria de se jogar fora quando o assunto é
sexo. Neste caso, sinceramente, acho que seria mais fácil se a escola
ajudasse, porque é um assunto delicado. Acho que a mensagem precisa ser
passada corretamente, e a didática pra isso é muito importante, argumenta.
Ariana acredita que há uma falha na formação acadêmica dos professores, que
não tiveram a oportunidade de conhecer e discutir sobre sexualidade. "É
preciso um investimento maior nessa área, para que possibilite nossos
educadores um conhecimento aprofundado sobre o assunto, gerando mais
tranquilidade e confiança para abordar o assunto", opina. O trabalho deve ser
realizado desde a educação infantil, para ajudar mães como Clara a sanarem
as dúvidas dos seus pequenos. Aliás, nessa idade, as crianças já têm até
manifestações sexuais, como o ato de chupar o dedo, o controle do esfíncter e
a masturbação. "Elas são naturais e devem ser vividas para que a criança
possa desenvolver a sua maturidade sexual, sem traumas nem tabus", alerta.
Apesar da importância da escola nesse processo, os pais permanecem com
um papel fundamental. É no núcleo familiar que as crianças aprendem os
primeiros conceitos sobre o seu corpo, sua identidade e sobre o que é
permitido ou desaconselhável na sociedade em que vive. A pedagoga lembra
que a atitude dos pais em relação à sexualidade é a principal influência na
educação sexual dos filhos. Quando há perguntas esclarecidas e
demonstrações de afeto, a criança assimila a capacidade de amar e erotizar-
se. *O nome foi trocado a pedido da entrevistada
Como vimos à família tanto pode ser um elemento agregador na construção da
sexualidade, como também pode ser seu algoz, é importante ter em mente que
o apoio e a compreensão da família é fundamental.

Quebrando os dogmas
Vamos falar sobre sexo?

Quando se fala sobre sexo é possível imaginar os risos envergonhados e


marotos, gozações ou mesmo broncas dependendo do contexto. Ainda hoje,
em pleno século XXI, não é um assunto abertamente discutido.

Tratando-se de sexo, mais importante que conversar, é a maneira como se


conversa. O primeiro passo para desmitificar a sexualidade é falar sobre ela
numa boa.

As atitudes negativas frente ao sexo são muito mais maléficas que a


ignorância. Tanto é verdade, que pessoas mal informadas sobre sexo, do índio
ao caipira, podem ter uma vivência sexual plena e sadia com pouca
informação.

O trabalho do adulto seria apenas preservar esta sexualidade nascente, que


esta em processo de construção. Entretanto, o que ocorre é exatamente o
contrário, a postura metódica e retrógrada é dirigida a estragar e a oprimir tudo
isso.

Só informar não basta, para desenvolver uma atitude positiva em relação ao


sexo é fundamental encorajar e expressão da sexualidade desde a infância.
Esta postura é que determinará a relação do indivíduo com sua própria
sexualidade.

Vivemos em uma época de transição, que se arrasta desde a década de 1980.


A visão da sexualidade mudou muito rapidamente desde então, esta mudança
deixou os pais sem norte. Isto é, perdidos sem informação e sem capacidade
de discutir o tema. Isso porque eles são de uma geração em que tudo era
proibido, agora se deparam com a liberdade e não entendem, sentem medo e
insegurança.

Tratando-se de Brasil, ainda é possível ver o preconceito e a intolerância a


respeito de diversos assuntos. Por exemplo, em algumas regiões do país
podemos observar certa repreensão sobre as mulheres que não casam virgem,
ou mulheres separadas.

Antigamente os pais não tinham muito problema em definir o que é certo e


errado. Os valores eram absolutos e imutáveis. Hoje é difícil haver um
consenso sobre um sistema de valores sexuais.
Basta observar que dentro de uma mesma família, pode haver diversas
opiniões acerca de sexo. Isso não significa que não há valores para serem
transmitidos e ensinados.

Pais e educadores devem defender e desenvolver na educação sexual alguns


princípios fundamentais:

1 - O respeito por si próprio e pela sua dignidade como pessoa;

2 - O respeito ao outro. A ninguém é permitido ver o outro como um simples


objeto de prazer, para fazer suas necessidades;

3 - O acesso à informação. Responder o que a criança quer saber de maneira


honesta e não preconceituosa;

4 - Ajudar a criança a desenvolver o espírito de crítica. Através da não


supressão da curiosidade e do estímulo ao questionamento. A criança
desenvolve a capacidade de raciocínio, adquirindo condições para refletir sobre
o que a cerca e escolher o que lhe convém.

As primeiras manifestações da sexualidade da criança geram, em tempos


atuais, uma preocupação: “devo fazer algo?” E a pergunta: “ o que?” “como?”.
E outras tantas perguntas cabeludas.

Sendo assim, como conversar de sexo com os filhos e filhas?

Primeiramente é necessário um ambiente aberto e acolhedor, onde a criança


se sinta a vontade para falar sobre este assunto. É necessário que a criança
sinta que este assunto não é proibido.

Deve ser um ambiente onde as respostas sejam mais do que: “fale com sua
mãe”, “Quando você crescer eu respondo”. É preciso ter em mente que sempre
que a criança apresentar uma dúvida é necessário uma resposta. Mesmo que
ela não compreenda toda a resposta.

Quando você responde uma pergunta sobre sexo a uma criança, o mais
importante é o modo como se fala (voz, postura), e não o que se fala.

Não existe uma idade “certa” para perguntar. Uma criança falante e curiosa
pode apresentar interesse por sexo aos 2-3 anos, mesmo sem o uso da
palavra. Na maioria, ocorre entre 3-4 anos de idade.

Se a criança não perguntar nada sobre sexo até os 6 anos seria interessante o
adulto começar a falar. E nunca crie uma situação formal, por exemplo, “agora
vamos falar de sexo”.

O assunto tem que ser abordado naturalmente, aproveite as oportunidades


como gravidez da tia, um beijo na televisão, cachorros cruzando na rua.
Perceba que coisas comuns são ótimas oportunidades de iniciar uma conversa
tranquila e natural sobre sexo. O adulto, neste sentido, deve ter uma boa base
informativa.

As primeiras perguntas de uma criança sobre sexo é uma constatação do que


se observa. “Por que o seu é grande e o meu pequeno?”, “onde está o pipi de
Alice?”, “por que o papai tem pelos?”.

O menino percebe que o pênis do pai é maior que o dele. “Por que é assim?”,
“será que o meu vai ficar assim um dia?”. É a preocupação que a pergunta
esconde.

O menino também repara que sua irmã. Alice, não tem pênis. Ele não imagina
que o órgão genital feminino não é aparente. Logo, o menino fantasia que algo
nela está faltando ou fora cortado. E teme pela integridade do seu.

Essas perguntas simples devem ser respondidas da mesma forma, isto é,


naturalmente. No exemplo anterior: “o seu é pequeno porque você é pequeno;
quando você crescer o seu será igual ao do papai”. Ou no segundo caso: “a
abertura por onde Alice faz xixi é difícil de ver”.

Na medida em que a criança cresce as perguntas ficam mais complexas. Por


volta dos 4-5 anos a criança já quer saber como o bebê sai da barriga da mãe,
e também como entrou.

Essas perguntas devem ser respondidas de maneira simples para que a


criança entenda. Muitas vezes os pais temem que os filhos possam se chocar
ouvindo palavras como pênis e vagina. Essas palavras terão a conotação que
os pais derem a elas.

Como é que o bebê sai da barriga da mãe? Sai pela vagina (se tiver um
desenho mostre a ele), que é a abertura por onde a mulher faz xixi. Na hora
que o bebê nascer ela aumenta a largura.

Como entra? Quando o papai e a mamãe fazem amor. Do pênis saem


espermatozoides que entram na vagina da mamãe e quando encontram um
óvulo dentro da mamãe, formam um começo de neném. Aí demora um tempão
até crescer. Quando o bebê está pronto ele nasce.

As respostas acima não devem ser encaradas como modelos a seguir. O


importante é transmitir uma mensagem de prazer, amor e responsabilidade. Se
a criança mostrar interesse em participar de algo que parece tão bom, seja
firme, e mostre que o sexo é privado e íntimo, quando chegar o momento certo,
na idade certa, poderá fazer o mesmo.
A homossexualidade
O sexo de uma pessoa é determinado bem antes desta nascer, por meio de
uma definição biológica.

Já o papel sexual é determinado por leis sociais e convenções que indicam


como o sexo deve se portar, são leis sociais, não biológicas. O indivíduo
desenvolve dois esquemas de identidade sexual no cérebro.

Um é o esquema de identidade de si mesmo, e o outro é o do sexo oposto. A


identidade sexual é a percepção de ser homem ou mulher que cada indivíduo
tem a seu respeito.

Ao contrário do que se acreditava a identidade sexual é determinada logo nos


primeiros anos de idade, provavelmente até aos 2 anos de idade.

A orientação sexual significa a expressão sexual de cada indivíduo por um


membro de outro sexo, do mesmo sexo ou ambos os sexos. Não se sabe se a
orientação sexual é determinada pelo social, por fatores biológicos ou ambos.

Homossexualidade tem a ver com orientação sexual e não identidade sexual. O


homossexual é o indivíduo, seja homem ou mulher, com atração por pessoas
do mesmo sexo.

Ele é frequentemente estereotipado, tanto social quanto cientificamente. Como


se os homossexuais fossem uniformes, isto é, todos fossem iguais, tivessem o
mesmo emprego e as mesmas preferências.

O estudo de diversas culturas, em livros ou através de sua arte fez com que os
estudiosos chegassem à conclusão de que a atividade homossexual é
conhecida por quase todas as sociedades.

As atitudes, em relação a tal prática, são as mais diversas. Um estudo que


contemplou 76 sociedades diferentes da nossa, mostrou que em 64% destas
culturas o comportamento homossexual era condenado ou proibido, existindo
evidência de sua prática secreta.

Nossa cultura desencoraja a prática homossexual e tentar entender o motivo


que leva um indivíduo a se tornar homossexual e enfrentar todo o preconceito
que circunda o tema não é tarefa fácil.

Nenhuma explicação e nenhuma “causa” até hoje foi considerada determinante


no comportamento homossexual. Entende-se ao menos, que a
homossexualidade tem várias raízes, não sendo determinada por um único
fator.
O tema homossexualidade ainda é bem controverso. Falamos cada vez mais
sobre a sexualidade, no entanto pesquisas recentes mostram que a homofobia
está presente nas escolas de todo o Brasil.

A escola convive diariamente com situações que colocam a orientação sexual


dos alunos em discussão. Os jovens heterossexuais que apresentam o
comportamento padrão não preocupam.

Não preocupam, pois meninos se comportam dentro das regras para o gênero
masculino e as meninas seguem o perfil predefinido das garotas.

Surgiu um novo termo para designar este comportamento padrão e uniforme.


Trata-se da heteronormatividade, que em síntese, é o conjunto de atitudes
preconceituosas e compulsórias.

O conceito traz à tona a ideia de que a heterossexualidade é a sexualidade


natural da humanidade, sendo a outra uma anomalia, isto é, a
homossexualidade e a bissexualidade são consideradas desvio da norma.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo mostra que, quando
perguntados sobre as pessoas que menos gostam de encontrar, os
homossexuais são classificados em 4° lugar. Foram deixados pra traz apenas
dos usuários de drogas, os ateus e os ex-presidiários.

Quando o olhar se volta à instituição de ensino não é diferente, outra pesquisa


divulgada em 2004 pela ONU indica que 40% dos entrevistados não gostariam
de ter homossexuais como colegas, e mais de 35% dos pais não gostariam de
tê-los como amigos dos filhos.

Perceba como o olhar preconceituoso está ainda fortemente camuflado na


escola, sob um discurso hipócrita do politicamente correto. Nos dados acima
podemos constatar uma realidade que se arrasta há décadas.

Primeiramente é necessário ter em mente que ninguém escolhe ser gay. Essa
orientação tem relação direta com o desejo, a atração física por alguém do
mesmo sexo. Não é algo premeditado, mas sim espontâneo.

Quando o estudante é o protagonista desta prática, deve-se ser tratado com


respeito e naturalidade. O professor tem de entender que não vai mudar a
orientação sexual do aluno, no entanto, pode despertar na turma o respeito
pela diversidade sexual.

O educador pode debater com base nas histórias de homossexuais que


desempenham funções de destaque ou mesmo promover um debate sobre a
família, e como este é tratado por ela.
Há momentos em que o estudante reforça sua orientação sexual. Uma das
situações mais desagradáveis é a manifestação exagerada da
homossexualidade.

Assumir uma postura de enfrentamento é uma tática de reação muito comum


do jovem, que pode se dar por meio de atitudes como afinar a voz e rebolar, no
caso dos meninos e engrossar a fala, adquirir trejeitos de homem no caso das
meninas.

Esta é uma atitude de autoafirmação, em que o jovem defende o seu jeito de


ser, independentemente da aceitação dos outros. Em síntese, podemos dizer
que é o mesmo sentimento de um adolescente com engajamento político de
esquerda que vai vestido à aula com sua camiseta vermelha do Che Guevara.

Já o contrário também pode ocorrer, o estudante tenta esconder sua orientação


sexual, e reprimir seus sentimentos. Alguns se reprimem e ficam
demasiadamente quietos, estes sofrem mais que os outros.

Os introspectivos desenvolvem depressão e, não raro, abandonam a escola. O


educador deve estar atento aos alunos muito tímidos, que pouco brincam ou
conversam em sala de aula. Nesta hora o melhor é chamá-lo(a) para uma
conversa franca sem um olhar repressor.

É muito complicado lidar com um(a) aluno(a) gay assumido(a), ao iniciar


qualquer diálogo, o educador deve aceitar a autodefinição do próprio aluno sem
censura.

O estudante tem o direito de proteção às reações hostis. Outros estudantes


poderão reagir negativamente à presença de um gay na sala de aula. Mas
lembre-se que eles estão preocupados em tentar construir a própria
sexualidade e a própria identidade.

Grande parte dos homossexuais descobre seu desejo sexual na idade escolar,
como também acontece com os heterossexuais. Durante a adolescência,
jovens podem ter experiências com colegas do mesmo sexo.

O que não significa que sua orientação sexual seja esta. Pode ser um meio de
buscar conhecer certas formas de satisfação. Mas também pode ser um
momento de descoberta, caso o jovem se sinta confortável com a experiência.

O problema não é o aluno ser declaradamente gay, mas como podemos


aprender e ensinar que são várias formas de vivenciar os afetos e a
sexualidade.

A educação, em suma, deve desmontar estereótipos, veicular conhecimentos


objetivos e fomentar nos jovens, a capacidade de defender a si próprio de
forma não violenta.
Há também outra situação, que é quando os pais são homossexuais. Neste
caso, há muito mais dificuldade, no entanto, é como todos os exemplos
anteriormente citados, se houver o devido esclarecimento acerca das questões
que envolvem a sexualidade, certamente não haverá dificuldades na relação
dos pais com o ambiente escolar e o convívio social.

Quando o professor, por sua vez é homossexual é necessário clareza e


entendimento, no entanto, nem sempre é recomendável assumir uma postura
homossexual.

Há casos, dependendo do contexto, que o melhor a se fazer é manter-se


discreto sobre a sua homossexualidade, isso o poupa de grandes transtornos e
possíveis aborrecimentos com brincadeiras maledicentes dos alunos.

Nem todos os alunos têm maturidade o suficiente para compreender e


relacionar-se socialmente com a diversidade, de forma sadia. Os jovens podem
de alguma forma, se afastar do professor e consequentemente do conteúdo por
ele apresentado.

Levar uma vida de fingimento, não é saudável, e pode ser extremamente


cansativo. O professor nestes casos dissimula praticamente quase todo o
tempo, na sala de professores, reuniões, conversas com alunos, etc.

Primeiramente o professor não deve se considerar especial em razão de sua


orientação sexual. Além disso, é importante buscar apoio junto à direção, pois
o trabalho isolado pode ser mal entendido, e até confundido com apologia.

O comportamento que o professor deve adotar neste caso é bem subjetivo,


pois que ninguém pode dizer como é que o indivíduo deve se expressar.

Entretanto, é necessário que o educador esteja atento ao contexto, às vezes


assumir a homossexualidade pode acarretar consequências colaterais, isto é,
pode haver perseguição, preconceito aberto e outros tipos de violência.

Devemos perceber a sexualidade como a unidade de significado mais íntima


do indivíduo, há horas que assumir a sexualidade é satisfatório, em outras nem
tanto. Por isso adequar-se ao contexto em que se está inserido é fundamental.

Muito embora os discursos sejam o da inclusão e o da valorização das


diferenças, a sociedade de maneira geral, ainda guarda algum resquício de
preconceito, disfarçados na mídia, nos comerciais e novelas, etc.

Como se observa em uma campanha publicitária de prevenção à AIDS, vetada


pelo governo por ser muito agressiva aos olhos do público heterossexual. O
trecho a seguir foi reproduzido da internet e traz a reportagem na integra.

Ministério veta vídeo de homens gays na campanha do Carnaval Agência O


Globo O Ministério da Saúde determinou ao Programa de AIDS, da própria
pasta, que retirasse da internet o vídeo institucional com filme com cenas de
uma relação homossexual entre dois homens, que seria exibida para a
campanha do Carnaval. Nas imagens, dois rapazes são apresentados numa
boate, trocam carícias e são alertados por uma fada a usarem preservativo.

O filme, segundo material de divulgação do Programa de AIDS do Ministério da


Saúde, deveria ser exibido em TV e na internet. Estava disponível no site do
programa desde sexta-feira, mas foi retirado do ar. O ministério informou na
quarta-feira que o vídeo não deveria ter sido divulgado na internet e que será
exibido apenas em espaços fechados frequentados por homossexuais. O vídeo
oficial, com logotipo do Ministério da Saúde, está sendo distribuído nas redes
sociais. Entidades e movimentos questionam a não exibição do filme na TV
aberta. Trecho do release do programa de AIDS sobre a exibição deste filme,
de outros, em TV: "Os filmes a serem transmitidos pela TV e internet
apresentam situações em que os públicos-alvo da campanha – homens gays
jovens e um casal heterossexual – encontram-se prestes a ter relações sexuais
sem camisinha. Em ambos os filmes, surgem personagens fantasiosos – uma
fadinha, no caso do filme do casal gay, e um siri, no do casal heterossexual –
com uma camisinha."

Gravidez na adolescência e o aborto


A adolescência sem dúvida é uma fase conturbada da vida, nela ocorrem
transformações profundas em relação à sexualidade. Alias, é na adolescência
que se descobre os segredos da intimidade, referentes ao corpo, às emoções,
etc.

É uma fase do desenvolvimento humano que se encontra entre a infância e a


fase adulta, por isso os constantes conflitos aos quais estão expostos os
jovens. Adolescência e gravidez quando caminham juntas culminam em sérias
consequências como aborto, doenças sexualmente transmissíveis, etc.

A desinformação e a fragilidade da educação sexual são sem dúvidas questões


extremamente problemáticas. As escolas e os sistemas de educação estão
muito mais preocupados em dar conta das matérias que posteriormente serão
cobradas no vestibular, do que tratar de questões como a sexualidade.

Desta forma, temas como o sexo, drogas, entre outros, ficam apenas na
conversa superficial ao invés de uma profunda reflexão, sendo abordados
apenas em épocas esporádicas, como semanas temáticas, feira de ciências, e
alguns projetos isolados. Estas campanhas não visam à conscientização, mas
sim a informação não significativa acerca dos métodos contraceptivos. Diante
deste quadro crescem a cada dia o número de adolescentes gestantes no
Brasil.

Este não é o único problema oriundo da falta de discussão sobre o tema em


sala de aula, além da gravidez precoce, temos ainda as DSTs e os abortos,
que causam muitas mortes em clínicas clandestinas. O aborto provocado pode
trazer algumas infecções, hemorragias e até mesmo a esterilidade. Depois de
um aborto, a jovem pode ter dificuldade para engravidar novamente, isso sem
mencionar, o sentimento de culpa, isto é, o trauma que fica e leva-se para o
resto da vida.

Por tudo isso, podemos crer que a adolescência não é o melhor momento para
a maternidade, neste período a jovem tem que experimentar vivências, adquirir
maturidade para encarar os desafios que virão.

Como se percebe, são inúmeras as consequências de não se tratar a


orientação sexual nas escolas, a ignorância aliada ao despreparados financeiro
e emocional do jovem resultam em um maior número de gravidez precoce,
sobretudo abortos intencionais.

Estudos demonstram que cada vez mais os adolescentes tomam atitudes


precipitadas em relação à gravidez e acabam se esquecendo dos riscos que
acarreta um aborto ilegal.

Os estudos ainda apontam que de cada 100 casos de gravidez na


adolescência entre mulheres de 15 a 19 anos, 60 deles terminam em aborto
provocado.

O aborto na adolescência cresce no mesmo ritmo que os casos de gravidez, e


em sua grande maioria, são realizados por meninas de classe média. As
pesquisas afirmam que essas meninas têm mais facilidade para obter recursos
para abortar do que uma adolescente de menor poder aquisitivo.

Nas classes menos favorecidas, 80% das meninas levam a gravidez até o final,
enquanto na classe média ocorre o contrário, isto é, 80% abortam. Em ambos
os casos o aborto é feito na clandestinidade.

Quanto menor o poder aquisitivo da jovem, mais precária é a condição da


cirurgia de aborto. O preço do aborto é, em geral, mais cara para adolescentes
do que para mulheres adultas.

Em 34% dos casos de aborto, houve influência direta de amigas ou do


namorado. Por ser considerado crime, muitas jovens não consultam um médico
antes de fazer o aborto. Preferindo o conselho de pessoas desinformadas que
sugerem remédios abortivos e clínicas clandestinas.
O que elas nem imaginam é que o risco à sua saúde é infinitamente maior que
qualquer problema que possa ter em virtude da gravidez. Muitas meninas
desistem de fazer o aborto só de ver o ambiente em que as cirurgias são
realizadas.

Na última década, os pesquisadores tem se surpreendido com a utilização de


chás com princípios abortivos. Esta concepção não encontra nenhuma
evidência científica, porém o uso abusivo destes chás pode provocar efeitos
negativos tanto na mãe quanto no filho e dificilmente irá provocar o aborto.

Outro método abortivo é a utilização do remédio CITOTEC, mesmo sendo


considerado ilegal para esses fins e sua venda sendo proibida. O CITOTEC
atua, ao que tudo indica, provocando contrações de parto e a consequente
expulsão do feto, em qualquer idade gestacional.

O remédio foi criado para provocar contrações no útero quando era necessário
apressar um parto ou expulsar um feto já morto, mas após alguns anos ao sair
do seu estágio experimental, passou a ser comercializado para tratamento de
úlceras.

O CITOTEC é muito perigoso, nem em casos que o aborto é autorizado os


médicos utilizam esse método. O seu uso normalmente é caseiro, e horas
depois de ingerido, a mulher entra em trabalho de parto e expulsa o feto.

As dores abdominais são intensas, muito maiores do que se fosse um aborto


natural, e a mulher pode começar a sangrar tanto e com tal volume crescente
que é quase sempre obrigada a procurar um hospital.

Em algumas mulheres sua ingestão não provoca efeito algum, nem mesmo a
expulsão do feto; em outras, provoca apenas a expulsão do feto. Não há
assessoria médica para quem queira tomar CITOTEC, e sua utilização pode
trazer muitos danos futuros, desde hemorragias a retirada do útero. Sua venda
e procura no Mercado Negro é grande, facilitando cada vez mais o acesso para
os adolescentes.

Abaixo temos um gráfico que mostra os principais motivos das adolescentes


gestantes cometerem aborto.

A questão do aborto é sem dúvida muito importante e deve ser discutida no


ambiente escolar, como vemos a orientação sexual vem para agir de forma
preventiva, alertando os alunos quanto aos métodos contraceptivos e as DSTs.

Infelizmente a sexualidade ainda é vista como tabu, pois para alguns


adolescentes ela vem acompanhada de dúvidas, repreensões ou traumas. E o
trabalho da orientação sexual é exatamente esse, proporcionar aos jovens a
possibilidade do exercício de sua sexualidade de forma responsável, saudável
e prazerosa.
Drogas
Segundo a Organização Mundial da Saúde, droga é toda substância que,
introduzida em um organismo vivo, pode modificar uma ou mais de suas
funções.

Desde muito antes de Cristo, alguns povos usavam plantas como estimulantes,
alívio de sofrimento e dores, autocastigo ou como forma de contato divino.

Houve épocas auge para cada tipo de droga. Na década de 1970 houve uma
proliferação da cocaína e seus derivados, isto em plena época dos movimentos
pacíficos e musicais como o grande evento Woodstock.

O crack, derivado da cocaína é hoje um grande problema de nossa sociedade,


o consumo desta droga afeta diretamente o usuário em todos os sentidos, tanto
psicologicamente, quanto socialmente.

Os efeitos que a droga exerce sobre a sexualidade sempre gerou curiosidade


entre as pessoas. Sua influência positiva sobre o desejo, as fantasias e as
práticas sexuais povoam o imaginário humano há séculos.

A ação da droga sobre o comportamento sexual já é bem documentado pela


literatura especializada.

O consumo de drogas está diretamente relacionado à frequência de parceiros


sexuais casuais, com isto aumenta também a chance de uma prática de risco,
obviamente se não houver medidas de prevenção, como a camisinha.

Os efeitos das drogas no organismo são relativos, pois usuários de cocaína


acreditam que a droga prolonga a ereção e retarda a chegada do orgasmo.

No entanto, usuários de heroína relatam o efeito contrário. Consumidores de


estimulantes acreditam no aumento do desempenho sexual, além da
potencialização das libidos e das sensações de prazer.

O ecstasy, também chamado de “droga do amor”, causa efeitos desastrosos no


organismo, porém, os usuários dessa droga sentem um aumento no estado de
alerta, aumento também do desejo sexual, além de grande capacidade física e
mental, euforia e aumento da sociabilização.

As drogas ditas, estimulantes, estão associadas ao aumento da frequência


sexual e da prática de sexo sem proteção.

Por outro lado usuários crônicos da substância apontam para a diminuição do


interesse e do desempenho sexual.
A compreensão da relação entre drogas e sexualidade é de suma importância
para o processo de tratamento. A piora do desempenho sexual após a
abstinência pode ser fator preponderante para uma recaída.

Além disso, a associação entre o orgasmo e a fissura dos usuários pode fazer
com que a prática sexual seja uma porta aberta, facilitando o retorno ao
consumo.

Existem também as drogas licitas, isto é, as legalmente comercializadas, como


cigarro, álcool, inalantes, solventes, medicamentos, etc. Estas drogas por
serem comercializadas livremente podem ser compradas por qualquer pessoa.

As drogas depressoras deprimem as atividades cerebrais causando certo


relaxamento e provocando uma sensação de calma absoluta. Em geral, essas
drogas afastam sensações desagradáveis.

Há também as drogas perturbadoras que são aquelas que produzem


distorções da realidade no cérebro, fazendo com que este funcione
desordenadamente. As alucinações causadas por este tipo de droga
correspondem a sintomas de doenças mentais graves.

As drogas possuem efeitos que fazem com que as pessoas se interessem pelo
seu uso cada vez mais. Entretanto, as consequências que podem aparecer de
curto e longo prazo, costumam ser desastrosas.

As pessoas podem ter certa curiosidade em relação às drogas, experimentá-las


e não reincidir no uso. Ou ao contrário, podem apresentar alguma dependência
caracterizando-se como taxicômacos.

O uso de drogas pelos adolescentes pode ser influenciado pela família, escola,
amigos, ou pela própria comunidade. As relações estabelecidas em cada um
destes ambientes e os exemplos interferem na consciência desenvolvida que o
jovem tem das drogas.

A ilegalidade tornou a distribuição das drogas uma atividade criminosa de


responsabilidade dos narcotraficantes, que possuem poder e controle em
algumas partes do Brasil, sobretudo nos morros do Rio de Janeiro.

Novas leis a respeito da descriminalização das drogas estão sendo discutidas


no congresso nacional. Cabe ao educador tratar do assunto de maneira clara e
responsável em sala de aula.

DSTs
As DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis, figuram como tema
transversal nos Parâmetros Nacionais Curriculares – PCNs.
São conhecidas como doenças venéreas e são transmitidas pelo contato
direto, isto é, através de relações sexuais, em que um dos parceiros tenha a
doença, e indireto por meio do compartilhamento de utensílios pessoais mal
higienizados, como roupa intima, ou manipulação indevida de objetos
contaminados como, lamina de barbear e seringas.

Essas doenças acometem principalmente os jovens, por isso a importância de


se abordar o tema dentro da escola na sala de aula. Programas educativos são
agentes de conscientização e prevenção.

De maneira geral, o uso de preservativos nas relações sexuais, juntamente


com outros cuidados impedem o contágio e a possível transmissão. É bem
simples prevenir, basta ensinarmos as gerações futuras que o sexo pode ser
muito prazeroso e seguro se feito com responsabilidade.

Segundo o Censo Escolar 2008, no Brasil, 44.7% dos estudantes tem vida
sexual ativa. E outro estudo sobre comportamento sexual, realizado pelo
Ministério da Saúde com a participação de 8.000 pessoas em 2009 mostrou
que 39.4% dos brasileiros fizeram sexo antes dos 15 anos de idade.

A mesma pesquisa traz outro dado preocupante: 39% da população entre 15 e


24 anos não usou preservativo na primeira experiência sexual.

Diante desses números, é inevitável que as DSTs acabem atingindo os


adolescentes. Daí a necessidade de debater estes assuntos em sala de aula,
de forma a orientar o aluno.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que cerca de 170 mil casos de
infecção de HIV no Brasil, se referem a portadores de 13 a 19 anos de idade. O
número corresponde a 30% dos casos conhecidos de HIV no país em todas as
idades.

Por tudo isso, é necessário proporcionar ao jovem, momentos de reflexão


sobre a sua prática e seu comportamento sexual, bem como sua própria
sexualidade.

Neste sentido, não há lugar mais apropriado que a escola, uma instituição que
visa formar cidadãos, indivíduos autônomos e críticos. A instituição de ensino
deve ser o lugar onde não se aprende sobre sexo, mas de maneira geral, sobre
a vida.

Perguntas como “como será meu futuro?”, “como estará minha vida daqui
alguns anos?”, de maneira geral o questionamento, é uma ótima maneira de
orientar os adolescentes.
Isso faz com que eles reflitam e entendam a importância de prevenir gravidez
indesejada, além das doenças sexualmente transmissíveis e para tanto basta
informação.

Alguns educadores não concordam, mas DSTs/AIDS é assunto para crianças e


jovens. A maioria dos professores e educadores acredita que todas as
informações podem e devem ser transmitidas a todas as idades, obviamente
que com maneiras diferentes de acordo com a faixa etária.

Pode-se começar este assunto em casa, partindo da família, com as primeiras


instruções, posteriormente na escola, por meio de interações e vivências.

A escola por ser um local de aprendizado deve abordar questões sobre a


sexualidade as doenças sexualmente transmissíveis, e, sobretudo, a
informação, que é a prevenção do preconceito.

Percebe-se que em instituições que seguem os PCNs propondo discussões


dos temas transversais aos seus alunos, há um menor índice de preconceito e
intolerância.

Outro grande motivo para se abordar este assunto em sala de aula é


justamente por causa da iniciação sexual dos jovens, que ocorre cada vez mais
prematuramente.

Neste sentido, métodos de prevenção ganham ainda mais relevo, pois


constituem a única forma de combate às DSTs. A informação deve chegar aos
alunos antes mesmo da experiência, eles devem ter em mente, via de regra,
que o preservativo é uma obrigação na hora do sexo.

Abaixo um trecho de um artigo reproduzido da internet, onde um programa do


Ministério da Saúde é realizado em escolas da rede pública, traz também
relevantes informações e dados a respeito das ações tomadas pelo governo na
implantação da orientação sexual na grade curricular.

Prevenção nas Escolas tem como estratégia a distribuição de preservativos e a


conscientização dos jovens sobre os riscos da AIDS e DSTs Falar ao jovem
sobre a importância de usar o preservativo para evitar a gravidez não planejada
e para evitar a infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e pelo
HIV. Pensando em questões como essa, o Ministério da Saúde e o Ministério
da Educação desenvolvem o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE).
O programa estimula as escolas a adotarem a educação sexual em seus
currículos e discute com pais, professores e diretores a melhor forma de
distribuir preservativos aos jovens. O SPE também é desenvolvido em parceria
com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o
Censo Escolar 2005, realizado pelos ministérios da Saúde e da Educação, a
maior parte das escolas brasileiras deixaram os tabus de lado e incluíram a
educação sexual em seus currículos. Na ocasião, essas instituições de ensino
afirmaram trabalhar algum tema relacionado à promoção da saúde e educação
preventiva. Segundo a Pesquisa do Comportamento Sexual do Brasileiro, feita
pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e divulgada no ano
passado, a escola é o segundo lugar mais apontado pelos jovens para obter
informações sobre AIDS. Em primeiro vem à família e em terceiro, a televisão.
Conforme o estudo do governo federal, a maioria das escolas tem o professor
como responsável pelas atividades relacionadas à área de DST/AIDS. Os
professores capacitados para conscientizar os jovens correspondem a 43% do
total pesquisado e os não capacitados são 35% do todo. Profissionais de saúde
de nível superior também participam das atividades em 36% das escolas,
assim como os profissionais de saúde de nível médio (18%), membros de
Organizações da Sociedade Civil (8%) e outros profissionais (19%). "Tratar
sobre sexualidade e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e AIDS
dentro do ambiente escolar tem contribuído para derrubar tabus e despertar a
consciência dos jovens, promovendo uma transformação social onde há cada
vez menos espaço para a discriminação", afirma a médica pediatra e diretora
do Programa Nacional de Aids, Mariângela Simão.

Estímulo - O Saúde e Prevenção nas Escolas preocupa-se em estimular ainda


mais o ensino da educação sexual nas escolas. Para auxiliar na divulgação do
programa, foi elaborado o Guia de Formação para Profissionais de Saúde, que
auxilia na capacitação dos profissionais de educação e saúde que trabalham
junto à população. Existe também o Guia de Formação para Jovens, com um
conteúdo mais apropriado para essa faixa etária. Além dos guias, são
montadas oficinas macrorregionais com representantes da Secretaria de
Saúde, Universidades e demais interessados no projeto. "Nas oficinas surgem
discussões de questões como sexualidade, doenças sexualmente
transmissíveis, gravidez, cidadania e planos de ação", assinala Maria Adrião,
técnica da área de prevenção do Programa Nacional de AIDS. O programa do
governo também atua na distribuição de preservativos entre as escolas que
desenvolvem o trabalho de educação sexual e que participam do Saúde e
Prevenção nas Escolas. Vale reforçar que essa distribuição no ambiente
escolar acontece mediante a discussão com pais, professores e direção da
escola. Jovens usam cada vez mais o preservativo O governo criou o Saúde e
Prevenção nas Escolas (SPE) em 2003. Além da prevenção de doenças, o
programa também leva informação ao adolescente sobre o uso da camisinha
para evitar a gravidez. A iniciativa surgiu com a proposta de trabalhar em
conjunto as três esferas (federal, estadual e municipal) do governo nas áreas
de Saúde e Educação. Para implementar essas ações, o poder público conta
com a colaboração da Unesco e da Unicef. O Saúde e Prevenção tem como
finalidade ampliar ainda mais a disponibilização de preservativos nas escolas.
"Queremos elevar de 16,3% para 25%, ainda em 2006, o percentual de escolas
do Ensino Médio que têm disponível a camisinha para os alunos", revela
Mariângela Simão. A Pesquisa sobre Comportamento Sexual e Percepções da
População Brasileira sobre HIV e AIDS (1998-2005), realizada pelo Centro
Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostra que o brasileiro está
usando cada vez mais o preservativo na sua primeira relação sexual. Em 1998,
47,8% dos indivíduos entre 16 e 19 anos utilizaram a camisinha na sua
primeira relação. Em 2005 foi constatado que esse numero subiu para 65,8%.

O crescimento está relacionado com o aumento das campanhas de divulgação


sobre o uso do preservativo. Os dados também mostram que a utilização da
camisinha cresce de acordo com o grau de instrução. Entre os homens de 16 a
19 anos, por exemplo, o índice vai de 58,6% nos analfabetos funcionais (que
sabem escrever, mas nem sempre compreendem o que lêem) para 72,2%
naqueles com segundo grau completo. Por esse motivo, as escolas são um
cenário importante como executor das medidas de prevenção. A secretária
nacional da Pastoral da Juventude, Elen Marques Dantas, de 24 anos,
participou de uma oficina montada pelo Saúde e Prevenção na Escola e
constatou que a educação sexual é fundamental para a sociedade. "Nós da
Pastoral da Juventude sabemos que, apesar de ser um assunto muito delicado
para a Igreja Católica, a educação sexual é importante para que o jovem ganhe
informações, se conheça melhor e saiba como se prevenir contra doenças
graves", afirma.

Orientação sexual
Orientação sexual X Educação sexual

A concepção do termo Orientação Sexual, enquanto instrumento de prevenção


da AIDS, da gravidez na adolescência, do aborto e de outros assuntos
correlatos, vem passando por profundas transformações.

O termo “Educação Sexual” está caindo em desuso, justamente por sugerir a


sexualidade como uma disciplina curricular. Especialistas se perguntam, será
possível ensinar alguém sexualmente?

Atualmente o termo aceito pelos profissionais da saúde e da educação é


“Orientação Sexual”, campo este que vem crescendo a passos largos pela
crescente demanda de informação.

Segundo especialistas, apesar da aparente proximidade, há um grande


distanciamento entre os termos. Outros acreditam que o termo Orientação
sexual é derivado do conceito pedagógico de Orientação educacional.

O tema sexualidade gera sempre muita polêmica. Devido aos constantes


equívocos constatou-se a necessidade de homogeneizar o termo que designa
trabalhos na área: da educação, da saúde, da orientação, informação sexual,
entre outros.

Argumenta-se que a falta de padronização provoca muita confusão e a


imprecisão da terminologia compromete a qualidade da produção científica e o
avanço nesta área do conhecimento.

Entretanto, em síntese, pode-se dizer que este ou aquele termo pouco


contribuem se não forem postos em prática, ou seja, discutir o assunto e
desenvolver trabalhos é o mais importante.

É possível desenvolver ações significativas na escola, uma ação diferente da


educação sexual informal que acontece em todos os espaços sociais. Na
família, a construção da sexualidade ocorre de forma espontânea e consciente,
ou não.

Na escola através de intervenção pedagógica formal e sistematizada, surge um


espaço privilegiado para que a construção da sexualidade ocorra como no lar,
só que envolvendo outros agentes sociais, como professores, amigos, mídia,
etc.

Cabe à orientação sexual proporcionar uma visão ampla e profunda da


sexualidade humana, de maneira que favoreça a reflexão sobre a mesma. Bem
como, estimular a liberdade de expressão e escolha da sexualidade.

A escola juntamente com a família são as instituições responsáveis por essa


orientação e educação, mas não é isso que se percebe, pois na maioria dos
casos, nossos educadores não estão preparados para uma discussão franca e
aberta.

Desta forma os educandos vão buscar essas informações, em fontes


geralmente não seguras, baseadas na experiência dos amigos e colegas e
mais recentemente na internet.

Diante dessa realidade e dessa necessidade, a escola assume a


responsabilidade de trabalhar este projeto, envolvendo a sexualidade, as
doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez na adolescência, em
atividades direcionadas para o ensino fundamental e médio.

Em suma, o tema sexualidade, abordado em forma de orientação sexual é


ainda um tabu e um tema muito polêmico, além do despreparo do professor
temos os preconceitos e por muitas vezes, o pensamento intolerante.
Construção da identidade sexual
A identidade sexual indica a percepção individual sobre o gênero que uma
pessoa percebe para si mesma. Assim como o termo sexo engloba diversos
significados, o termo identidade se difere totalmente de orientação sexual.

A identidade sexual pode ser exclusivamente feminina ou masculina, também


pode se manifestar em uma mistura entre a masculinidade e a feminilidade,
admitindo varias categorias entre a homossexualidade.

A identidade sexual fundamenta-se na percepção individual sobre sexo,


masculino ou feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero
assumido na relação sexual e a orientação sexual baseia-se na atração sexual
por outras pessoas.

Há também outro termo semelhante designado identidade de gênero, que se


difere da identidade sexual. Pois a identidade de gênero está mais relacionada
com a maneira de se vestir e se apresentar na sociedade.

Enquanto a identidade sexual se relaciona diretamente com o papel de gênero


sexual, isto é, a escolha que o indivíduo faz para si a respeito de sua própria
sexualidade.

Sendo assim, identidade sexual, é o modo segundo o qual a pessoa sente sua
individualidade, enquanto homem ou mulher, inclusive sua ambivalência na sua
autopercepção.

Já o outro, está relacionado aos fatores biológico, socioculturais e psicológicos


que estão intrinsecamente arraigados na constituição do indivíduo, seja ele
homem ou mulher.

A construção da identidade é social e acontece durante toda, ou ao menos,


grande parte da vida dos indivíduos. Desde o nascimento o indivíduo inicia a
relação com o meio em que está inserido.

O ambiente social virtual como espaço de construção de uma identidade


sexual.

A identidade sexual não existe somente no plano físico, ela está presente em
todos os espaços sociais. E a internet não é diferente, lá se constitui também a
identidade sexual.

É cada vez mais comum, pessoas que manifestam suas orientações sexuais
em redes de relacionamento. Os movimentos contra a homofobia, o
preconceito com soros positivos, entre outros temas, são debatidos nas redes
sociais hoje em dia, isto é uma tendência.
É também sabido que tanto crianças quanto jovens são expostos a uma
enchente de informação, na maioria das vezes, inapropriada. Este ambiente
apesar de proporcionar maior liberdade para suas manifestações de
sexualidade, também oferece pornografia, pedofilia, entre outros.

Recentes estudos apontam que 80% das crianças com idade entre 7 e 18 anos
já identificam o spam, isto é, as mensagens recebidas no correio eletrônico,
mensagem estas que vão desde pirâmides, à pornografia, passando por
ofertas e empréstimos.

A sexualidade no mundo virtual é realmente um problema com o qual os pais


têm se preocupado com frequência. Como enfrentar este empecilho na
educação dos filhos?

Para se ter uma ideia, 12% de todos os sites, na rede mundial de


computadores, são pornográficos e gera uma receita que ultrapassa a barreira
dos 97 bilhões de euros.

O Brasil ostenta o segundo lugar no ranking dos maiores produtores de vídeos


pornôs, perdendo apenas para os EUA. Estima-se que no mundo, 68 milhões
de pessoas procuram pornografia pelos sites de busca.

Por dia, 2,5 bilhões de e-mails são enviados e recebidos com conteúdo
pornográfico, 8% de todos os e-mails do planeta.

As preocupações não terminam por aqui, constam 100.000 sites que oferecem
pornografia infantil. De 100% da internet, 42,7% são frequentadores de sites
pornográficos e conteúdos relacionados.

Os downloads por mês de conteúdo pornográfico são 1.5 bilhões, 35% de


todos os downloads da internet. E ainda por cima, 10% dos adultos admitem
estar viciados em pornografia na internet.

O problema maior é o acesso indiscriminado a internet, sem a supervisão de


um adulto, estima-se que pouco mais de 21% deles tem algum tipo de controle
familiar.

Como um local social livre, a internet traz um risco ainda maior, pois a maioria
dos abusos sexuais é intermediada por sites de relacionamento.

Ainda temos o problema das crianças e jovens navegarem por longos períodos
de tempo, fazendo questão de permanecerem sozinhos enquanto acessam.

A todo instante as crianças e os jovens estão sendo bombardeados por


entrevistas, matérias, anúncios publicitários, todos, em sua maneira,
contribuindo para a proliferação do sexo, e não da sexualidade.
Perceba na imagem acima as diversas manchetes em sites relativamente
sérios, mas que no corpus de seu conteúdo apresenta o sexo como meio de
adquirir ibope ou acessos.

A internet é realmente um ambiente inóspito, no entanto pode ser também um


lugar de descobertas e aprendizados, portanto é necessária uma conversa
franca sobre os benefícios e perigos que ela representa.

Em lares com crianças ainda bem jovens, se sugere a instalação de


bloqueadores, filtros de conteúdo e antivírus.

Outro fator que vem contribuindo para o uso demasiado e indevido da internet
são os computadores nos quartos, onde as crianças e jovens literalmente se
internam.

Na televisão não é diferente. São muitas horas voltadas para o desrespeito ao


próximo, para o incentivo de receber mais do que dar; e poucos minutos de
orientação sexual adequada, principalmente para os adolescentes.

São comerciais de bebidas, cigarros, e outros produtos, induzindo o expectador


a consumir desregradamente, como se fosse a única maneira de ser feliz,
bonito(a) e aceito(a) em seu grupo social.

Por outro lado, na internet é possível encontrar muitos blogs de qualidade que
tem uma linha de investigação e embasamento. Ou mesmo chats de jovens
com as mesmas dúvidas que o adolescente.

Também na internet pode-se entrar em contato com as pessoas antes de


iniciar a atividade sexual. Pesquisas acadêmicas e relatos de experiências são
muito comuns em sites de busca.

Claro que é necessário um cuidado com os adolescentes quando acessam a


internet, todavia é uma ótima ferramenta de interação e aprendizado.

A orientação sexual vem justamente se opor ao culto do corpo e da posse. Um


indivíduo bem resolvido sexualmente e crítico, certamente não se influenciará
por tão pouco conteúdo.

Primeiras experiências
As características da sexualidade dependem da idade do indivíduo, pois em
cada estágio da vida temos diferentes experiências. As primeiras experiências
com sexualidade ocorrem ainda na infância.

Nas crianças com idade entre 0 e 18 meses, começa o processo de


aprendizagem da identidade de gênero, isto é, homem/mulher e dos seus
respectivos papéis sexuais.
Neste período a criança começa a lidar com a representação cultural dos
gêneros, é justamente nesta fase que o bebê começa a experimentar o próprio
corpo.

Entre os 18 meses e os três anos, a criança começa a manusear o próprio


órgão genital. Depois disto, até os quatro anos, a criança já elabora suas
próprias hipóteses acerca da origem dos bebês, sendo capaz de assimilar
atitudes sexuais negativas ou positivas.

Entre cinco e seis anos a criança apresenta ideias fantásticas sobre a própria
origem, é neste período que o individuo do outro sexo começa a ser incluído
nos jogos sexuais.

A partir dos sete anos, apesar do interesse por assuntos sexuais, a criança se
retrai com os contatos mais íntimos, isto é, o próprio corpo, começando a
manipular seu órgão sexual. Podem ocorrer frequentes brincadeiras sexuais
com crianças do mesmo sexo, isto não significa que ela se torne homossexual.
Trata-se apenas da descoberta da própria sexualidade.

As profundas transformações da puberdade se iniciam aos 10 anos, quando a


criança conhece a masturbação. A partir daí acentua-se o desejo de relação
com o outro.

Normalmente os adolescentes com 14 anos têm amigo intimo e canalizam o


erótico para as histórias, piadas e confidências juvenis. Já com 15 anos ocorre
a abertura para a heterossexualidade e a adolescência, começando a
estabelecer-se a sua identidade sexual.

Dos 17 aos 23 anos, essa identidade é consolidada e o jovem passa a ter um


objeto amoroso único, com quem mantém uma espécie de intercâmbio
amoroso.

É somente a partir da adolescência que o jovem começa a se preocupar com


os riscos trazidos pela AIDS e outras DSTs. A desinformação é, sem dúvidas, o
reforço dos preconceitos.

Lembrando que trocar beijos e carícias, apertar as mãos, ter contato com suor,
lágrima ou saliva, usar os mesmos pratos, talheres, copos, não significam
riscos.

A adolescência consiste num período complicado na vida de qualquer pessoa,


são muitas inseguranças e dúvidas que circundam o pensamento dos jovens.

Muitas das dúvidas e anseios estão relacionadas ao modo de lidar com as


meninas e os meninos, o primeiro beijo e a primeira relação amorosa são
experiências inesquecíveis, e podem ser também traumáticas.

Virgindade
Existem muitos garotos e garotas que passaram a adolescência e chegaram à
vida adulta sem ter uma experiência sexual, muitos podem achar que “há algo
errado”. Na verdade não há necessariamente algo errado com o indivíduo, seja
homem ou mulher.

No caso dos meninos é, em geral, mais fácil arranjar uma parceira para
vivenciar esta experiência. Mas há os que se preservam até encontrarem a
pessoa certa para compartilhar este momento.

Desta forma, percebe-se que não há nada de errado, trata-se apenas de uma
questão de escolha, em que a primeira relação sexual deve ocorrer quando
sentir-se totalmente preparado e a vontade para vivenciar esta experiência com
uma pessoa que goste e confie.

Há casos em que o adolescente ou adulto, percebe que está sentindo vontades


de iniciar suas atividades sexuais, mas não consegue deixar esta vontade se
manifestar de maneira natural.

Muitas vezes, o que ocorre é uma insegurança, às vezes em relação ao próprio


corpo, seja em virtude das celulites das meninas ou ao tamanho do pênis no
caso dos meninos. Enfim, pode-se pensar em diversas coisas referentes ao
porte físico.

Insegurança em relação à dor e à habilidade na cama também podem gerar


transtornos e ansiedades. A melhor maneira de vencer estes medos e receios
é estar bem consigo mesmo, pessoas com a sexualidade bem resolvida
conseguem se relacionar melhor com as diferenças.

Daí a importância de se orientar as gerações mais jovens, para que se tornem


indivíduos autônomos e sexualmente bem resolvidos, se relacionando com as
mais diversas formas de experiências, seja hetero ou homossexual.

Sexualidade na infância
A sexualidade se inicia no indivíduo ainda no ventre da mãe, acompanhando-o
por toda existência. Viver uma sexualidade satisfatória e prazerosa na idade
adulta depende do quão foi desenvolvida na infância e na adolescência.

Neste sentido a educação sexual é de fundamental importância não apenas no


ambiente familiar, mas também na escola e em todos os espaços sociais.

A desinformação e a repressão partida dos adultos acabam por dificultar as


expressões da sexualidade na criança. Todas as crianças, independente da
idade, têm a curiosidade sobre sexo, ou em relação à sexualidade.
As perguntas dos filhos sobre assuntos relacionados à sexualidade devem ser
respondidas com clareza, no entanto, com palavras adequadas à idade da
criança.

Histórias fantasiosas como a da cegonha, para explicar o nascimento não


devem ser contadas, pois posteriormente estas crianças ao passo que vão
descobrindo a verdade, vão perdendo a credibilidade no adulto.

Esta confiança é importante para uma relação de equilíbrio entre pais e filhos.
Os pais devem estar atentos, pois a presença afetiva é de suma importância
para a formação de um adulto feliz nos relacionamentos e na sexualidade.

A erotização na música influenciando a precocidade sexual nas crianças.

É bem comum observarmos crianças cada vez mais novas dançando ao som
dos refrões cheios de erotismo e sexualidade, utilizando roupas absolutamente
impróprias para a idade.

As músicas erotizadas estão em nosso contexto desde a década de 1990,


através do axé music oriundo da Bahia. O fato é que muitas crianças dançam
sem saber ao menos o que quer dizer a letra e o conteúdo impróprio que ela
carrega.

Estudos científicos revelam que as músicas de cunho apelativo sexualmente


tendem a preconizar a iniciação ao sexo entre meninos e meninas.

Segundo os estudos, a música juntamente com as coreografias também


impregnadas de um erotismo faz com que as crianças tenham acesso a uma
informação que não é apropriada para sua idade, produzindo, desta forma, um
comportamento inadequado.

A música tem um papel social importante, que é de transmitir valores,


tendências e opiniões. Além disso, a música, bem como, a arte em geral, serve
como um instrumento de inserção e identificação cultural entre as crianças.

As letras e as danças erotizadas fazem com que a sexualidade, presente em


todos os estágios do desenvolvimento, seja confundida e volte-se para o sexual
e pornográfico.

E na verdade, esta sexualidade deveria ser canalizada na construção das


emoções, das relações sociais, da experimentação de papéis e do
desenvolvimento da afetividade.

O acesso precoce da criança com este tipo de produto cultural faz com que ela
se perca e deixe de vivenciar momentos importantes no desenvolvimento da
sua sexualidade, isto é, aquele momento que é próprio da idade dela, que é
brincar.
Isso gera terríveis consequências, pois a criança ainda não conhece seu corpo
e começa a lidar com a sexualização. Um dos resultados é gravidez na
adolescência.

A seguir uma interessante matéria sobre a sexualidade na infância, reproduzido


do site da conceituada revista Nova Escola. No texto percebemos como são
importantes os momentos e experiências e questionamentos na infância.

O despertar da sexualidade Desde o nascimento, a criança explora o prazer, os


contatos afetivos e as relações de gênero. Saiba como responder às dúvidas
infantis sobre o tema "A gente tá de mãos dadas, passeando com o cachorro.
Eu e o Luís." Ana Beatriz, 4 anos. Apreciar a textura de um sorvete, relaxar
numa massagem, desfrutar o beijo da pessoa amada: tudo o que se relaciona
ao prazer com o corpo está ligado à sexualidade. Embora pelo senso comum
ela se confunda com o erotismo, a genitalidade e as relações sexuais, o fato é
que esse campo do desenvolvimento humano pode ser entendido num sentido
mais amplo e deve incluir a conscientização sobre o próprio corpo e a forma de
se relacionar amorosamente. Ainda que esse processo se estenda pelo resto
da vida, ele se inicia na infância, desde o nascimento.

"As crianças sentem prazer em explorar o corpo, em serem tocadas,


acariciadas. Elas experimentam a si próprias e ao entorno, vivenciam limites e
possibilidades", diz Cláudia Ribeiro, professora da Universidade Federal de
Lavras (Ufla), em Minas Gerais. De modo geral, é possível falar em três
"frentes de descobrimento", que ocorrem paralelamente: a da dinâmica das
relações afetivas, a do prazer com o corpo e a da identificação com o gênero.
Tudo se inicia com a primeira percepção de prazer: o ato de mamar, uma ação
que dá alívio ao desconforto da fome e que intensifica o vínculo afetivo,
baseado na sensação de cuidado e acolhimento.

"A ligação entre mãe e bebê é um embrião relacional que, mais adiante, será
desafiado com a percepção de que a figura materna desvia sua atenção para
outras pessoas, como o pai ou um irmão", explica Ada Morgenstern,
psicanalista e professora do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Ao
constatar que não é o centro das atenções, a criança sente certo abalo em seu
"reinado", mas também percebe que a sensação boa de se relacionar pode ser
estendida para além da figura da mãe. Inicialmente, ela se volta para outros
membros do contexto familiar e, em seguida, depois do primeiro ano de vida,
para fora dele.

"Essas relações dão uma referência à criança sobre sua própria identidade.
Interagindo com amigos, ela percebe a si mesma", diz Maria Helena Vilela,
educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan, em São Paulo. Para
compreender as relações entre casais, os pequenos criam representações com
faz de conta e imitação.
O prazer do vínculo afetivo e das interações sociais se dá em paralelo com a
percepção das relações amorosas entre casais. Para compreender essa
realidade do mundo, a criança se utiliza de recursos próprios da fase que vive:
o faz de conta e a imitação. Falas como a de Ana Beatriz, que representa no
desenho um passeio de mãos dadas com um colega

– ou seja, uma situação típica de namoro

– demonstra o interesse sobre os relacionamentos. Experiências e perguntas


nas investigações sobre o prazer. A descoberta de que o corpo é uma
importante fonte de prazer costuma vir acompanhada de perguntas sobre a
sexualidade. É comum, por exemplo, uma criança pequena perguntar a uma
visita se ela tem "pinto" ou "perereca"

– causando certo constrangimento aos adultos. A questão explicita que ela


começa a identificar as diferenças entre o corpo do homem e o da mulher e
toma consciência das características do próprio físico. Nesse contexto, além da
investigação visual, experimenta as sensações causadas pelo toque em
diferentes partes do corpo (e no de outras crianças), sejam elas do mesmo
sexo ou do sexo oposto. "Também fazem parte dessa vivência beijos e abraços
entremeados por risos e cócegas", completa Cláudia. "O neném primeiro fica
na barriga. Depois, sai pela perereca." Maria Luísa, 5 anos. Um dos pioneiros a
estudar a exploração do prazer corporal foi o neurologista austríaco Sigmund
Freud (1856-1939), criador da psicanálise, que chocou a sociedade de sua
época ao falar da sexualidade infantil

- rompendo com a imagem da criança inocente, assexuada. Ele mapeou o


desenvolvimento nesse campo em diferentes fases, cada uma valorizando o
prazer em uma região do corpo. A primeira delas é a fase oral, que se estende
até os 2 anos e em que os pequenos concentram na boca a maior parte das
sensações de prazer

- mamar no seio ou na mamadeira, chupar chupeta etc. Em seguida, passa-se


à fase anal (em torno dos 3 e 4 anos), quando a criança ganha controle sobre
os esfíncteres e passa pelo processo de largar as fraldas. Nesse momento,
sente-se bem em eliminar ou reter urina e fezes, fazendo do ânus uma região
de prazer. Depois os pequenos descobrem o prazer genital e investem nessa
exploração do próprio órgão sexual. Esse período ocorre entre os 3 e os 5 anos
e, depois dele, instaura-se um período de latência, em que as questões da
sexualidade ficam secundárias nas inquietações infantis (até a puberdade).
Embora não tenha sido superada, essa divisão em etapas é hoje relativizada
pelos especialistas.

"A separação por fases tem a intenção de facilitar a compreensão sobre o


amadurecimento da sexualidade e não pode ser entendida como algo
estanque, que ocorre linearmente", explica Ada.
As dúvidas sobre a concepção são frequentes e devem ser respondidas com
precisão. É também durante a Educação Infantil que os pequenos começam a
se colocar questões sobre a origem dos bebês. Os caminhos para resolver
esse "mistério" costumam ser perguntar a um adulto ou elaborar teorias
próprias com as informações que coletam das mais variadas fontes

– conversas, filmes e livros, por exemplo. A fala de Luís Antônio, que parece se
contentar com a ideia de que os bebês vêm do hospital, é um exemplo disso
(veja o diálogo abaixo). Luís Antônio, 4 anos: "A minha mãe tá perguntando
para o meu pai se ela pode me dar um irmãozinho. Se ele deixar, vai nascer."
Repórter: "E de onde ele vai vir?" Luís Antônio: "Do (hospital) Samaritano."
"Nessa hora, o importante é responder exatamente o que a criança está
perguntando, sem antecipar dúvidas", diz Marcos Ribeiro, sexólogo e
coordenador geral da ONG Centro de Educação Sexual, no Rio de Janeiro. Se
uma criança indaga como os bebês nascem, dizer que eles saem do hospital,
embora não seja errado, não resolve a dúvida, pois poderia indicar que eles
são comprados ou pegos no local. Uma possibilidade é dizer que eles vêm da
barriga da mãe, sem dizer como ele entra ou sai dela (a menos que o pequeno
pergunte). "Assim, é possível garantir que eles tenham acesso à informação à
medida que as questões façam sentido para eles ou os inquietem", diz Ribeiro.
No espaço escolar, fale sobre o que é público e o que é privado. "Aqui é um
homem porque ele é forte. Olha o muque dele." Felipe, 4 anos Além de
explicações sobre anatomia e concepção, os pequenos vão aos poucos
construindo ideias sobre cada gênero. Por volta dos 2 anos, a criança percebe
se é do sexo feminino ou masculino e, no contato com os adultos ao seu redor
e pela mídia, aprende o que é ser menino ou menina em sua sociedade

– e, claro, tem contato com os rótulos associados a eles. Os pequenos logo


percebem que se espera que o homem seja forte e que a mulher seja frágil e
delicada (veja a fala de Sofia abaixo) "O meu pai às vezes me chama de
Sofião... Eu não gosto dele quando faz isso comigo." Sofia, 5 anos

"É preciso ter atenção à rigidez dessa diferenciação e à criação de estereótipos


que não contemplem a diversidade entre as pessoas", alerta Ribeiro. Nesse
aspecto, a escola tem um papel importante. A maneira como a instituição lida
com as diferenças físicas e a igualdade de oportunidades são maneiras de
ensinar o respeito à diversidade e de não reafirmar clichês questionáveis

- como o fato de a menina ser passiva, e o menino, destemido ou mesmo


autoritário. Da mesma forma, a equipe docente tem responsabilidade em
explicitar as regras da cultura em que os pequenos estão inseridos. É preciso
ter atenção, sobretudo, à distinção do que cabe no espaço público e no
privado. A masturbação, por exemplo, requer um espaço privado para ser
realizada, assim como urinar e defecar. "O professor deve intervir ao ver um
menino manipulando a genitália em local público, mas o foco não deve ser a
ação em si. A questão é o local apropriado", diz Maria Helena. "O adulto não
deve repreender a criança apenas porque ele mesmo está incomodado. Se ela
estiver se tocando em local privado, como a cabine de um banheiro, não é
adequado pedir para parar." Construída no início da vida, a identificação com o
gênero se vincula à cultura em que cada criança se insere. O desafio para o
professor é enorme: ao mesmo tempo em que deve preservar a intimidade das
crianças e não culpabilizá-las por manifestações de sexualidade, ele é
responsável por um processo educativo que aborde valores, diferenças
individuais e grupais, de costumes e de crenças. Isso é fundamental tanto na
infância como na adolescência, quando a questão ressurge a todo vapor.

A sexualidade infantil é bem diferente da sexualidade de um adulto, não


contém os mesmo componentes nem interesses. Muitas vezes é através da
dramatização que a criança vai construindo sua sexualidade.

É justamente nas brincadeiras de mamãe e papai, de médico, de professora e


de namorados que ocorre uma espécie de aproximação ao mundo adulto.

Quando se pensa em educação sexual na infância, instantaneamente


pensamos também no desenvolvimento emocional, ou seja, é necessário levar
em conta o nível de maturidade e as necessidades emocionais da criança.

Portanto, é um momento de suma importância na construção de uma


sexualidade, que orientada de maneira correta, possibilita ao indivíduo uma
formação mais autônoma e bem resolvida.

Sexo na adolescência
A adolescência compreende um período muito conturbado, tanto para os
jovens quanto para os pais. Trata-se de um período em que o corpo passa por
alterações de ordem hormonal e psicológica.

É necessária muita maturidade, além de informação dos pais para lidar com
esta situação. Na verdade, quanto menos preparados tiverem os pais, mais
conturbado será o processo de diálogo com o adolescente.

Nesta fase o corpo passa por inúmeras transformações. De repente o jovem se


enxerga como adulto sem ter feito uma despedida racional e consciente do seu
corpo infantil.

Sente dúvidas e questionamentos que serão proporcionalmente mais ou menos


intensos. Passa a sentir forte atração em relação à sexualidade e teme suas
próprias escolhas sexuais.

É a época de botar a sexualidade em prática, pois descobre seus sonhos


sexuais, os desejos e excitações, sem mencionar a masturbação e as próprias
relações sexuais.
Atualmente, o contexto está mudado, a quebra dos tabus proporcionaram
maior liberdade e expressão sexual. Hoje em dia, temas como virgindade,
gravidez e DSTs são discutidos em casa e na escola.

Por outro lado, começa a haver um enfoque mais abrangente também quanto
às relações homossexuais. Hoje em dia, o namoro tradicional é uma fase
remota dos relacionamentos.

Os jovens se conhecem e “ficam” na noite ou na balada. Não há mais o


compromisso, todos são livres para se relacionarem com quem queiram. Em
outras palavras, a geração atual executa e experimenta o sexo, cada vez mais
sem amor. É somente por uma questão instintiva que se envolvem.

O problema é que, sem muita informação a respeito da fisiologia da


sexualidade e da reprodução, os jovens se iniciam à atividade sexual, de uma
maneira solitária, tentando se descobrir e se arriscando a contrair alguma
doença venérea, AIDS ou mesmo a gravidez precoce.

Infelizmente, a maioria dos jovens não se sente à vontade e nem possuem


coragem de discutir estes temas com os pais e professores. Não gostam de ser
interrogados sobre suas experiências e seus comportamentos sexuais.

O que se pode fazer nesta fase é apenas colher os frutos de uma educação
que os pais plantaram na infância dos filhos. É justamente na infância que se
começa os trabalhos para lidar com a adolescência.

É preciso estabelecer um diálogo franco e aberto sobre o assunto, antes que a


televisão, os filmes e revistas eróticas, a internet, letras de música o façam de
maneira confusa.

Os pais e educadores não devem ter medo de falar sobre sexo nem discutir
sobre o tema. Devem orientar sobre a necessidade de estar maduro o
suficiente para encarar os desafios da vida.

Quando o jovem decidir iniciar sua vida sexual, os pais e a escola devem
conversar sobre preservativos, validar sentimentos de amizade, amor, prazer e
carinho como uma espécie de qualificação para o ato sexual.

Conversar também sobre o sexo virtual, considerado por muitos como


masturbação moderna, sobre a moda de “ficar com fulano” e os valores como
fidelidade, intimidade, envolvimento, ajudam os jovens a entenderem que há
muito mais coisas por trás do ato sexual.

Os pais e a família são os primeiros professores, portanto pais que estejam


preparados poderão orientar melhor seus filhos. A troca de ideia será mais
franca e sincera. A família será até o fim de qualquer existência, algo
fundamental para obter o autoconhecimento e a felicidade.
A população jovem é um grupo prioritário para promoção da saúde em todas as
regiões não só do Brasil, mas do mundo. Justamente pelo fato das atividades
sexuais se iniciarem neste período.

É uma questão de suma importância, pois sexo sem proteção gera gravidez na
adolescência, sem falar no risco de contrair doenças sexualmente
transmissíveis como a AIDS.

Fatores como a escola e a família têm influência acerca dos comportamentos


sexuais durante a adolescência. A escola tem forte influência na prevenção do
comportamento de risco. Já o fator religiosidade influi na conduta do indivíduo,
no entanto, pode gerar dogmas e criar tabus acerca do tema sexo.

Portanto, frente ao fato da iniciação precoce da vida sexual, como um fator de


risco e vulnerabilidade à AIDS, se faz necessário um maior aprofundamento
destas questões na busca pela propagação da conscientização por parte dos
adolescentes, quanto à importância do uso do preservativo, bem como os
outros métodos contraceptivos.

E por fim, outro fator que é de fundamental importância, é a participação da


escola e da família na construção do perfil comportamental dos adolescentes.
O diálogo com os próprios adolescentes proporcionaria o aprofundamento da
reflexão sobre a sexualidade e seus desdobramentos.

O maior problema, neste sentido, são os pais que tapam o sol com a peneira,
pois preferem ignorar que seus filhos são sexualmente ativos, acreditando que
eles ainda são crianças ou não estão preparados para esta experiência.

Sexo faz parte da vida, sobretudo na adolescência, quando o efeito dos


hormônios se manifesta. Os pais, em geral, têm dificuldade para aceitar que os
filhos são indivíduos sexuados.

É claro, que dentro dos limites, os pais devem orientar seu filho desde cedo
para que ele tome atitudes responsáveis, é preciso estabelecer um jogo de
confiança, os pais devem acreditar que ele será competente para fazer suas
próprias escolhas.

4.6 - Dúvidas frequentes dos pais em relação aos filhos

Este é um tema que gera medo e muitas dúvidas nos pais. Os filhos vão
crescendo e a ansiedade de que o assunto venha à tona se torna cada vez
maior. Pois, de modo geral, a maioria dos pais não sabe como lidar nem como
responder a uma onda de perguntas cabeludas.

Vivemos em uma sociedade cada vez mais exigente profissionalmente,


justamente por isso, sobra cada vez menos tempo para se dedicar à educação
dos filhos.
No entanto, o medo e a falta de tato para lidar com assuntos polêmicos fazem
com que os pais prefiram que este papel de orientador, seja transferido à
escola ou à igreja. É preciso ter ciência de que ninguém é mais capacitado a
orientar os filhos do que seus próprios pais.

É importante que os pais não deixem de responder as perguntas dos filhos,


quando não souberem, os pais podem procurar a resposta e posteriormente
compartilhar com os filhos.

Caso contrário, ele passará a não mais questionar aos pais, e começará a
buscar essas informações na rua, e lá elas não são confiáveis. Procure em
livros, internet, em sites confiáveis ou mesmo peça orientação a um profissional
se necessário.

Outra questão que merece esclarecimento é o tabu de que meninos só brincam


com meninos e vice-versa. Lidar com as diferenças faz parte do
desenvolvimento. Aprender a diferenciar e respeitar o sexo oposto são fatores
positivos, e só é possível através da interação entre eles, isto é, quando eles
passam a conviver juntos.

É importante preparar uma criança desde cedo com relação aos cuidados com
seu corpo e com a própria sexualidade, ensinando, por exemplo, antes de a
menina menstruar, o que irá acontecer.

Temas relacionados ao namoro também devem ser abordados antes da


menina pensar em paquerar, e esse diálogo deve conter aquilo que os pais
almejam dos filhos quando esse momento vier a acontecer.

Antecipar que o sexo virá, também funciona. Não deixe para falar em namoro
depois que o adolescente tiver dado o primeiro beijo, nem mesmo para falar de
gravidez e escolhas amorosas depois delas feitas.

Antecipar os momentos da vida adulta de forma bastante tranquila e honesta,


deixando sempre um espaço para o diálogo, é o melhor caminho para evitar
surpresas.

Abaixo, você encontrará algumas respostas para as perguntas comuns e


típicas da infância, em um texto extraído da internet, que aborda justamente as
dúvidas e questionamentos dos pais com relação à sexualidade dos seus
filhos.

1 - Minha filha nos pegou namorando. Estávamos só nos beijando e ela gritou:
"Credo, vocês não têm nojo?" É hora de explicar a ela que o ato parece
esquisito à primeira vista, mas é uma das melhores coisas da vida. E que, se
for quem a gente gosta, nunca será nojento, e sim muito gostoso. Lembre-se
de que ela pode ter pensado em nojo, mas também pode ter apenas sentido
ciúme de os pais estarem juntos sem ela.
2 - Meu filho gosta de mexer no pênis. Faz isso em qualquer lugar, desde que
sinta vontade. Como dizer a ele que não dá para fazer isso na frente dos
outros? Ok, a situação é constrangedora, principalmente quando acontece na
frente de pessoas não tão íntimas. Fazer alarde só incentivará o ato. Respire
fundo e explique que, sim, as pessoas gostam de se tocar nessa parte do
corpo porque dá uma sensação gostosa. Mas que se trata de algo muito
particular e existe local certo para fazer isso, sozinho, e não na frente dos
outros.

3 - De namorado, igual na novela. É assim que meu filho quer que sejam os
meus beijos! Não. Seja direta desde sempre: esse tipo de beijo só no papai.
Diga que um dia ele terá uma namorada e vai beijá-la assim também. Dessa
forma, você impede a idealização do amor pela mãe e deixa claro quais os
papéis de pais e filhos. Cada um, cada um.

4 - Tomar banho comigo vai fazer meu filho se interessar por sexo mais cedo?
Crianças não funcionam assim. Tomar banho com um adulto não desperta
vontade nele de ter relações sexuais, mas aumenta a curiosidade em relação
às transformações corporais de meninas e meninos. Aí é o momento de você
explicar que algumas mudanças hormonais vão ocorrer no corpo dele para
prepará-lo para a idade adulta. Vale usar até desenhos didáticos para isso.
Além de uma conversa divertida, o diálogo vai aplacar o interesse dele.

5 - Minha sobrinha, de 7 anos, está apaixonada pelo amiguinho de classe. E


me perguntou que gosto tem um beijo! Devo me preocupar? Calma. É muito
comum ouvir crianças dessa idade dizendo que namoram, mas geralmente é
apenas uma paixão platônica, sem atos concretos. Responda a verdade sobre
o beijo, sem estender o assunto ou entrar em detalhes. Não valorize
sentimentos e sensações aos quais ela não está preparada para ter. Isso pode
estimular uma sexualidade precoce.

6 - Com apenas 5 anos, minha filha tem vergonha de ficar só de calcinha na


piscina ou em casa. Isso é sinal de que a sexualidade já aflorou? Não é para
tanto. Mas respeite os limites dela, sem impor sua vontade. A atitude da
menina pode ser sinal de que em algum momento os pais demonstraram a ela
que não era legal ficar de calcinha. Então, pense no que já falou para ela. Por
outro lado, crianças repetem nossos comportamentos e não é comum ver
adultos desfilando de calcinha por aí, não é?

7 - Durante um capítulo da novela, a personagem disse que queria fazer um


papai-e-mamãe. Minha filha me perguntou o que era isso... É. Essas passadas
na frente da televisão na hora da novela sempre causam rebuliço. Mas lembre-
se de que, quando uma criança faz uma pergunta relacionada à sexualidade,
precisamos tentar responder dentro do universo verbal dela, exatamente o que
perguntou, sem ir além do necessário. Se é uma criança de 5 ou 6 anos, por
exemplo, diga simplesmente que essa é uma maneira de namorar. Nessa
idade, eles não têm conceitos específicos sobre sexualidade. Com uma criança
mais velha, a resposta pode ser um pouco mais elaborada, revelando que se
trata de uma forma de transar.

8 - Quando troco as fraldas de minha filha, de 1 ano, ela gosta de mexer na


vagina e às vezes coloca um brinquedo no meio das pernas. Por que ela faz
isso? É muito simples. Ela faz isso porque está descobrindo que a região
pélvica traz sensações gostosas. E isso acontece sem maldade ou malícia. É o
início da descoberta de seu corpo. Essa etapa é natural. A criança vê o toque
genital como algo que traz sensações muito boas, assim como qualquer outra
região do corpo. Para ela, daria no mesmo mexer na orelha ou no cotovelo, por
exemplo.

9 - Flagrei um garoto de 3 anos mostrando o pênis à minha filha. Fiquei


estática! Não é para menos! Ninguém imagina passar por isso na vida. É
natural eles tentarem descobrir as diferenças corporais entre meninas e
meninos. Mas crianças depois dos 5 anos merecem mais supervisão dos pais
até para não se machucarem nessa exploração. O ato não é sinônimo de
sexualidade precoce e, sim, de autoconhecimento. Agora, se você não sabe
lidar com isso, invente outra brincadeira para eles.

10 - Sempre tomei banho com a minha filha. Agora, com 6 anos, começou a
observar mais e brincar, dizendo que quer mamar no meu peito. Não sei como
agir. Ninguém disse que iria ser fácil ter filhos, não é? É normal nessa idade
eles ficarem mais atentos e curiosos em relação às mudanças corporais. Não
corra o risco de reprimir o seu filho, trate o assunto com naturalidade. Mostre
seu corpo, deixe-a tocar e conte que quando crescer também será assim. Mas
coloque um limite, ok? Explique que ela não é mais bebê e por isso não pode
mamar no peito. As principais dúvidas, dos pais, para falar de sexo com os
filhos Eles perguntam, mas quem tem dúvidas são vocês. Descobrimos as
principais e contamos como dialogar com as crianças sem susto

11 - Tomei bronca da professora da minha filha, de 5 anos, porque ela levou


uma camisinha que achou no meu quarto para a escola. E ficou brincando de
bexiga! Primeiro, trate de guardar as camisinhas em um lugar mais escondido.
Assim você não gera uma curiosidade precoce. Nesse caso, parece que sua
filha nem sabia a real finalidade do preservativo nem questionou sobre isso –
quis apenas se divertir. Não se preocupe, nessa idade não existe malícia
alguma. Mas vale checar se a escola tratou o assunto da mesma maneira
como você trata.

12 - Durante o banho, meu filho, de 6 anos, fica com o pênis ereto. Ele quer
uma explicação. Simples: diga a ele que isso acontece algumas vezes com os
meninos e é natural. Só dê continuidade ao assunto se ele perguntar mais. A
resposta deve ter o tamanho proporcional à curiosidade dele. Quanto a você,
não se preocupe porque faz parte do autoconhecimento.
13 - Minha filha perguntou por que fecho a porta do quarto à noite. O que
respondo? Que tal a verdade? Isso mesmo, que vocês vão ficar juntos,
sozinhos. E que casais precisam de privacidade para namorar, matar a
saudade. Da mesma forma quando ela vai para o quarto dela ouvir música ou
fazer lição de casa e prefere ficar sozinha. Acostume sua filha com a ideia de
que os pais também são gente, namoram, têm direito à privacidade, têm uma
vida só deles.

14 - No café da manhã, meu filho comentou que o primo mais velho transou
com a namorada. Será que ele tem noção do que falou? Nem sempre a criança
sabe o significado do que fala. Às vezes, está apenas repetindo um termo que
não entende. Se você nunca explicou o que é transar para o seu filho, pergunte
se ele sabe o que é – mas esteja preparado para a resposta porque o garoto
pode realmente saber a verdade e você tomar um susto. Escute, complete
informações se for necessário ou, se notar que ele não sabe de nada, diga
apenas que é um tipo de carinho feito quando se é adulto.

15 – Não tenho a menor ideia de como chamar os órgãos genitais do meu filho!
Cuidado, a criatividade para denominar as partes íntimas é espantosa! Não
invente muita moda. Se quiser dar algum apelido, dê. Mas fale, em seguida, os
nomes científicos para a criança saber que pênis é pênis e vagina é vagina, e
não algo como periquitinha.

16 - Às vezes, percebo que minha filha, de 9 anos, quer privacidade, vai para o
quarto com amiguinhos e amiguinhas e acho que a brincadeira pode resultar
em algo mais apimentado. É o caso de proibir? A verdade – difícil de assimilar
– é que esse tipo de brincadeira vai acontecer na escola, na sua casa ou
mesmo na casa da amiga. A curiosidade existe e as crianças vão tentar
descobrir o que podem. Por outro lado, ela também tem direito à privacidade.
Proibi-la de ficar sozinha com os amigos só vai causar mais confusão.
Supervisione de longe, combinando, por exemplo, que a porta ficará
entreaberta e você entrará lá de vez em quando. Se você oferecer atividades
legais quando os amigos forem em casa, esses momentos nem vão existir.

17 - Meu filho quer tomar banho com a amiguinha depois da piscina. Deixo?
Acredite: nada de nocivo pode acontecer entre eles. Se forem da mesma idade,
podem até matar curiosidades sobre o próprio corpo, sem malícia. Se quiser,
fique por perto. Mas tudo tem de ser natural para você. Se acha que não
consegue lidar com a situação, o melhor a fazer é não deixar que tomem banho
juntos. Proíba se as idades forem muito diferentes.

18 - Minha filha tem 8 anos e está super-interessada em tudo que envolve


namoros. Como agir? Fugir do assunto vai criar ainda mais expectativa na
criança. Responda a tudo com a naturalidade que você conseguir, mas diga a
todo o momento que ela ainda é muito nova para namorar.
Bibliografia
- SUPLICY; Marta, Conversando sobre sexo. Edição 17°: São Paulo: Editora
FTD, 1986.

- Site docs.google.com, 2008, Discursos sobre a homossexualidade e gênero


na formação pedagógica.

- Site docs.google.com, 2010, Pedagogia cultural, gênero e sexualidade.


Disponível

- Site scholar.googleusercontent.com, 2009, Dialética da sexualidade e


educação sexual no Brasil.

Site books.google.com.br, 2010, Sexualidade na adolescência.

- Site books.google.com.br, 2009, Sexualidade através dos tempos.

- Site docs.google.com, 2011, Sexualidade e ludicidade na educação infantil.

- Site revistaescola.abril.com.br, 2010,Orientação sexual.