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Somos todos Tupy

Por Cecília Valentim

Somos todos Tupy, flauta em pé; habitados pelo Avá, o Espírito, a luz que tem sua
morada no coração. O corpo som – luz de Ser.
Em todas as antigas tradições espirituais, do hinduísmo ao cristianismo, do islamismo
ao judaísmo, do sufismo às tradições nativas, do budismo ao candomblé, encontramos
referências sobre nossa natureza de canto e Luz. Hoje, nos laboratórios de Física
quântica, nos aceleradores de partículas, a teoria das cordas nos diz que a natureza da
partícula é um filamento vibratório, laços vibrantes, que se atraem por ressonância.
Somos vibração em origem e essência. Encontramo-nos por ressonância nas dimensões
de nós mesmos, da célula, do neuropeptídio que encontra sua chave por vibração, ao
encontro com o outro. Nada Brahma, tudo é som. Sendo essa a nossa natureza, podemos
nos considerar um padrão de energia, partículas subatômicas que carregam a informação
de quem somos, a partícula da consciência, como diz Amit Goswami, que chamamos de
Alma, conduzida pelo Espírito, o sopro, aquele que traz essa informação para dentro de
nós. Pelo corpo, no pulsar da respiração, o sopro transforma-se em som e encontra no
Canto uma possibilidade para a Alma se revelar e se manifestar na densidade da
matéria.
Isso é o que, talvez, viemos realizar por meio desse corpo que generosamente nos
recebe, nesse tempo, nesse contexto, pois o cantar, como o sentido da vida, acontece no
instante, enquanto somos. Sendo assim, o sentido dessa existência está em fazer brilhar
nosso canto-luz aqui, na dimensão humana.
Nesse sentido, o cantar cura. Posso afirmar pela minha própria experiência. Quando
canto, me torno canção, reconheço minha poesia e minha verdade-beleza, o sentido de
estar aqui. Minha cura se tornou meu propósito que, no meu caso é possibilitar o espaço
para que o canto de cada um brote e se manifeste a partir do encontro consigo mesmo. A
cura e o propósito dizem respeito a todos, pois todos são luz e canto e, em sendo, cada
um revela-se em uma canção única que pode se expressar de diferentes formas.
Aqui, o Canto se apresenta como um caminho espiritual, abrindo as portas para outros
níveis de percepção, ampliando a consciência de si mesmo, possibilitando que cada um
brilhe em seu próprio canto e que, ao cantar, ressoe e irradie sua beleza original e
irretocável. E por isso creio que quando cada um puder, na dimensão humana, brilhar
em sua própria luz, vibrar e soar a informação da sua Alma, ninguém mais se sentirá
sozinho, ameaçado, desprotegido. Não desejará calar vozes ou cantar pela voz do outro.
O medo, a raiva, a violência ou a crueldade não terão mais espaço. A humanidade
alcançará outro patamar, se encontrará em outra freqüência. E nesse momento, o
encontro entre luzes e cantos acontecerá e juntos iremos compor uma canção maior que
irradiará a luz do amor que a tudo permeia, em benefício de todos, para todos, por todos
e com todos os seres.
Das estrelas viemos, para as estrelas voltaremos tendo realizado, na dimensão humana,
como humanos, nosso propósito nessa terra.