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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

CLASSE

: 1900 – AÇÃO ORDINÁRIA/OUTRAS

PROCESSO : 47610-90.2014.4.01.3400

AUTORA

: TELCOMP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE

TELECOMUNICAÇÕES COMPETITIVAS

: AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL

I - RELATÓRIO

SENTENÇA

(Tipo A)

Trata-se de ação sob o rito ordinário, com pedido de antecipação de tutela, proposta por TELCOMP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÕES COMPETITIVAS em desfavor da AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL, objetivando a declaração de nulidade do art. 2º, caput, da Resolução nº 632/2014 e dos arts. 28, parágrafo único, 46 (no que tange à expressão “inclusive já Consumidores da Prestadora”), 55, 61, §1º, 84, 89, 92, inciso II e III, 101, 102 e 106 do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações – RGC (aprovado pela Resolução nº 632/2014).

Requer, também, a condenação da ré para que se abstenha de impor às prestadoras associadas quaisquer obrigações e/ou penalidades pela inobservância do disposto no art. 22, §3º, do RGC, antes da fluência do prazo previsto no art. 2º, §1º, inciso II, “a”, da Resolução nº 632/2014, bem como de impor obrigações e/ou penalidades pela inobservância do RGC no que tange aos contratos customizados celebrados com clientes corporativos.

________________________________________________________________________________________________________________________ Documento assinado digitalmente pelo(a) JUÍZA FEDERAL CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH em 16/08/2016, com base na Lei 11.419 de

19/12/2006.

A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 62985863400218.

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SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

A insurgência da parte autora recai sobre determinadas obrigações impostas às empresas do setor de telecomunicações através do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações – RGC, aprovado pela Resolução nº 632/2014, da ANATEL, bem como sobre o prazo estabelecido na Resolução nº 632/2014 para a implementação das exigências.

Em síntese, a parte autora alegou a necessidade de interpretação do RGC à luz dos princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade e da livre iniciativa, assim como dos dispositivos da Lei Geral das Telecomunicações – LGT (Lei nº 9.472/97), sob pena de gerar graves prejuízos ao setor e aos consumidores.

Também afirmou que o RGC foi omisso em relação à possibilidade de um regime especial para as relações de consumo entre as pessoas jurídicas não hipossuficientes (”clientes customizados”) e prestadoras, alegando que não há distinção entre “clientes pessoais” e “grandes clientes corporativos”.

Ainda, sustentou que o prazo de vigência da regra prevista no art. 22, §3º, do RGC (cancelamento do contrato via internet), é aquele estabelecido no art. 2º, §1º, inciso II, a, da Resolução nº 632/2014 (após 12 meses da publicação da Resolução).

A inicial foi instruída com os documentos de fls. 43/367. Inicialmente, foi determinado à ré, com fundamento no art. 798 do CPC então vigente, que se abstivesse de exigir das associadas da autora o cumprimento das obrigações descritas nos dispositivos questionados até a apreciação do pedido de tutela antecipada, a qual foi postergada para momento posterior à contestação (fls. 369/370v.). A ré informou a interposição de agravo de instrumento (fls. 375/455). Em sede de juízo de retratação, foi indeferido o pedido de antecipação de tutela (fls.

457/480).

A empresa HOJE SISTEMAS DE INFORMÁTICA LTDA. requereu seu ingresso na lide

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como assistente simples (fls. 482/493). A parte autora informou a interposição de agravo de instrumento (fls. 593/653).

A contestação foi juntada às fls. 679/717v. Sem apresentar preliminares ou prejudiciais de mérito, a ré postulou pela improcedência dos pedidos formulados na inicial, sustentando, em síntese, a legalidade das obrigações impostas no RGC, aprovado pela Resolução nº 632/2014, discorrendo sobre cada um dos artigos apontados como nulos pela parte autora e salientando que foram observadas as exigências formais para a sua edição. Destacou, ainda, que, na condição de órgão regulador do setor de telecomunicações, com previsão constitucional e com competências definidas na Lei Geral de Telecomunicações – LGT, a Agência pode determinar obrigações aos agentes regulados, por meio do RGC, em benefício dos consumidores. Também ressaltou que foi editado um regulamento único, porém específico ao setor de telecomunicação, de forma a facilitar o acesso e a compreensão do usuário dos serviços quanto aos seus direitos, de acordo com a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor. Por outro lado, asseverou que o RGC foi submetido ao procedimento de Consulta Pública nº 14/2013, bem como que não havia, à época, a imposição de elaboração do documento “Análise de Impacto Regulatório – AIR”, contudo, a análise e estudos elaborados pela área técnica da Agência correspondem à motivação do processo que culminou na elaboração da norma.

A ré apresentou impugnação ao pedido de assistência simples (fls. 839/843).

A réplica foi juntada às fls. 845/876. Na oportunidade, a parte autora impugnou o pedido de assistência simples formulado pela empresa HOJE SISTEMAS DE INFORMÁTICA LTDA.

Juntada de cópia da decisão proferida no agravo de instrumento nº 0043738- 82.2014.4.01.0000, interposto pela ré, consignando que o recurso perdeu o objeto e determinando a baixa do processo à origem (fl. 930).

Foi proferida decisão indeferindo o pedido de assistência simples formulado pela empresa HOJE SISTEMAS DE INFORMÁTICA LTDA. (fls. 934/936).

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Em consulta ao sistema processual do TRF da 1ª Região, foi possível verificar que o agravo de instrumento nº 0050252-51.2014.4.01.0000, interposto pela parte autora, ainda se encontra pendente de julgamento.

Os autos vieram conclusos. É o relatório.

II – FUNDAMENTAÇÃO

Por não vislumbrar a necessidade de produção de outras provas, julgo antecipadamente a lide, nos termos do art. 355, inciso I, do Novo Código de Processo Civil.

Postulou a associação-autora a declaração de nulidade do art. 2º, caput, da Resolução nº 632/2014 e dos arts. 28, parágrafo único, 46 (no que tange à expressão “inclusive já Consumidores da Prestadora”), 55, 61, §1º, 84, 89, 92, inciso II e III, 101, 102 e 106 do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações – RGC (aprovado pela Resolução nº 632/2014).

Requereu, também, a condenação da ré para que se abstenha de impor às prestadoras associadas quaisquer obrigações e/ou penalidades pela inobservância do disposto no art. 22, §3º, do RGC, antes do prazo previsto no art. 2º, §1º, inciso II, “a”, da Resolução 632/2014, bem como de impor obrigações e/ou penalidades pela inobservância do RGC no que tange aos contratos customizados celebrados com clientes corporativos.

Passo a analisar os dispositivos indicados na inicial e, posteriormente, os demais

pedidos.

Inicialmente, registro que embora tenha constado no pedido formulado na inicial a declaração de nulidade do art. 78 do RGC, não houve fundamentação específica no bojo da referida peça acerca do referido dispositivo, razão pela qual concluo que houve equívoco de digitação na indicação de tal artigo.

Assinalo, outrossim, que a parte autora limitou a fundamentação dos pedidos quanto

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ao aspecto material dos dispositivos vergastados, desconsiderando aspectos formais, tais como violação aos princípios do devido processo legal e da publicidade, ou de ausência de submissão dos dispositivos à consulta pública, consoante consignado na conclusão de fl. 36 (item VI, 139, a, da inicial).

Art. 2º, caput , da Resolução nº 632/2014 :

“O Regulamento mencionado no art. 1º entra em vigor no prazo de 120 (cento e vinte) dias, a contar da data da publicação desta Resolução.”

A parte autora sustentou que a Resolução nº 632/2014 concedeu o prazo exíguo de 120 (cento e vinte) dias para a implementação das obrigações e adequação de suas associadas às novas exigências estabelecidas pelo RGC. Nesse sentido, alegou ausência de clareza acerca dos procedimentos a serem adotados, bem como a necessidade de adaptações tecnológicas e burocráticas, assim como de alteração do modelo de negócios e de ofertas das empresas prestadoras de serviços.

Também ressaltou que o manual operacional dos procedimentos foi concluído e publicado no mesmo dia em que o RGC entrou em vigor; que as decisões acerca dos recursos administrativos interpostos contra a aprovação do Regulamento foram proferidas no dia anterior à entrada em vigor do RGC; que foi publicado adendo do RGC, incluindo novas restrições, às vésperas da entrada em vigor do Regulamento.

Por fim, destacou a dispensa, pela ré, da Análise de Impacto Regulatório - AIR, prevista no Regimento Interno da ANATEL e na Lei Geral das Telecomunicações – LGT (Lei nº 9.472/97). Concluiu, manifestando a necessidade de apresentação da AIR para comprovar “a viabilidade técnica das medidas adotadas”, “sua viabilidade econômica vis-à-vis os benefícios proporcionados aos usuários”, “a fundamentação para definição dos prazos de implantação propostos”, bem como observando que “a elaboração dos estudos necessários deve ser acompanhada de consulta e participação das empresas que atuam no setor em função das peculiaridades técnico operacionais de cada uma delas”.

Não obstante os fartos argumentos apresentados pela parte autora, não diviso

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nulidade no prazo estabelecido no art. 2º, caput, da Resolução nº 632/2014, sobretudo, considerando a realização da Consulta Pública nº 14/2013, envolvendo debate sobre os temas propostos e análise pelo setor técnico da Agência-ré, consoante revelam os documento de fls. 719/732 e 733/769.

Ademais, é oportuno mencionar que os trabalhos para a elaboração do regulamento iniciaram no ano de 2010, de modo que houve tempo suficiente para que os interessados tivessem conhecimento acerca dos temas que seriam enfrentados.

Por outro lado, cumpre registrar que a obrigatoriedade de elaboração em separado da Análise de Impacto Regulatório - AIR somente foi introduzida no Regimento Interno da ANATEL pela Resolução nº 612/2013, publicada em 02/05/2013, enquanto que a Consulta Pública nº 14/2013 foi publicada em 18/03/2013, quando vigorava a Resolução nº 270/2001, que não previa a necessidade de elaboração de AIR.

Diante de tal panorama, deve ser afastada a alegação de nulidade aventada pela parte autora em relação ao art. 2º, caput, da Resolução nº 632/2014.

Art. 28, parágrafo único, do RGC:

“Art. 28. Quando a chamada for encaminhada ao atendente, a Prestadora deve inserir a seguinte mensagem: “Esta chamada está sendo gravada. Caso necessário, a gravação poderá ser solicitada pelo Consumidor”. Parágrafo único. Em caso de descontinuidade da chamada, a Prestadora deve retornar imediatamente a ligação ao Consumidor.” Alegou a parte autora que a disposição contida no parágrafo único do art. 28 é nula, argumentando que as prestadoras não podem ser responsabilizadas em caso de descontinuidade da chamada pelo usuário. Asseverou, nesse aspecto, que a regra constitui ofensa aos arts. 5º, 6º e 128, caput e inciso I, da LGT, bem como ao princípio constitucional da liberdade de iniciativa (arts. 1º, inciso IV, e 170, caput, da CF).

Também sustentou ser impossível retomar o contato quando a chamada é descontinuada

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durante a transferência entre atendentes, sob a justificativa de que o número de retorno deixa de ser conhecido.

Acrescentou

em

prol

de

sua

pretensão

que

não

regulamentação

acerca

da

quantidade de ligações de retorno que devem ser realizadas para que seja satisfeita a obrigação.

Contudo, merece acolhida o argumento da ré, em contestação, no sentido de que o Manual Operacional do RGC (MORGC) prevê exceções e limites à obrigatoriedade de retornar a ligação, nos seguintes termos:

“A obrigação do retorno imediato tem início após o primeiro contato do consumidor com o atendente, independente das causas da descontinuidade, inclusive quando a descontinuidade ocorrer durante a transferência entre atendentes.

Não será obrigatório o retorno imediato das ligações nos seguintes casos:

  • - falta de educação ou comportamento ofensivo pelo consumidor;

  • - situações de trote ou engano;

  • - chamadas originadas por código de acesso com restrição de identificação.

O retorno deverá ocorrer em até 300 (trezentos) segundos após a descontinuidade, no mínimo mediante uma tentativa.

Na tentativa de retornar a ligação, a prestadora deve aguardar, no mínimo, 20 segundos ou até cair na caixa postal antes de desistir da chamada.”

Quanto à inviabilidade técnica, a parte ré informa que “já há no mercado sistemas capazes de realizar o retorno da chamada ao usuário, havendo, inclusive, a possibilidade de fazê- lo no momento da transferência de um atendente para outro, bem como a possibilidade de reconhecer se a chamada caiu ou se houve descontinuidade causada pelo usuário”.

Também observou a ré que “ao longo do período compreendido entre jan/2012 e dez/2013, a ANATEL registrou 5.386.655 reclamações, das quais 89.135 (1,65%) dizem respeito a quedas de ligação após o atendimento, ligação derrubada , sinal de ocupado entre outras classificações que remetem à interrupção da ligação durante o contato com a atendente ou durante a transferência”.

Desse modo, são efetivamente necessárias e atendem aos preceitos constitucionais e

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legais, notadamente no que se refere à

LGT

e

ao Código

de Defesa

do Consumidor, a

implementação de ações que corrijam a deficiência apontada.

Lado outro, o MORGC orienta a forma como deve ser realizado o retorno da chamada.

Assim, não vingam as alegações da parte autora, merecendo ser reconhecida a

legalidade da obrigação em questão.

Art. 46 do RGC (no tocante à expressão “inclusive já Consumidores da Prestadora”):

“Todas as ofertas, inclusive de caráter promocional, devem estar disponíveis

para contratação por todos os interessados, inclusive já Consumidores da

Prestadora, sem distinção fundada na data de adesão ou qualquer outra forma

de discriminação dentro da área geográfica da oferta.”(Grifei.)

Alegou a parte autora que o dispositivo em questão é contrário aos interesses dos

consumidores, cujo efeito direto e imediato é “diminuir o número de ofertas e emperrar a

concorrência entre as prestadoras”.

Sustentou,

em

síntese,

que

a

disposição

configura

ofensa

aos

princípios

constitucionais da liberdade de iniciativa, da legalidade, da razoabilidade e da isonomia.

A ré, por sua vez, ponderou que o consumidor tem o direito de não ser discriminado

quanto às condições de acesso e fruição do serviço, nos termos do art. 3º, III, da Lei nº

9.472/1997 (LGT) e do já disposto no Regulamento do Serviço Telefônico Fixo Comutado

(Resolução nº 426/2005), no Regulamento do Serviço Móvel Pessoal (Resolução nº 477/2007) no

Regulamento dos Serviços de Televisão por Assinatura (Resolução nº 488/2007), no Regulamento

do Serviço de Comunicação Multimídia (Resolução nº 614/2013) e no Regulamento dos Serviços

de Telecomunicações (Resolução nº 73/1998).

Colacionou a ré, também, excerto do Informe nº 35/2014/PRRE/SPR/SRC (subitem

“5.2.19”), afirmando que o impacto dessa regra “é reduzido pela existência de contratos

acessórios de permanência (fidelidade), prática comum no mercado de telecomunicações” e que

“(

...

)

a troca de plano ou a adesão a nova oferta são consideradas como encerramento do

contrato vigente, ocasião em que se pode cobrar a multa por quebra de fidelidade, para

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celebração de novo contrato”.

No caso, considerando especialmente que a regra em questão não é novidade no

ordenamento jurídico brasileiro, tal como demonstrado pela ré, e privilegia o direito de escolha do

consumidor, sem distingui-lo com base na data de adesão, evitando, assim, o tratamento díspar, é

lógico concluir que a regra encontra amparo legal e constitucional.

Art. 55 do RGC:

“Os Planos de Serviços, quando incluídos na Oferta Conjunta de Serviços de

Telecomunicações, devem ser reajustados na mesma data.”

A parte autora alegou que a previsão contida no art. 55, caput, do RGC representa

lesão aos princípios constitucionais da liberdade de iniciativa, da legalidade e da

proporcionalidade, bem como à LGT, à Lei nº 9.069/94 e à Lei nº 10.192/2001, que prevêem a

periodicidade anual da correção monetária nos contratos em geral.

Consoante já destacado na decisão de fls. 457/480, não há qualquer razão para

declarar inválido o dispositivo em análise.

Com efeito, a parte ré esclareceu que o art. 55 do RGC apenas trata dos serviços na

modalidade “combo”, cuja definição está assentada no art. 2º, inciso V, do RGC, nos seguintes

termos:

Oferta Conjunta de Serviços de Telecomunicações: prestação de diferentes serviços de telecomunicações pelo Grupo ou por meio de parceria entre Prestadoras, cuja fruição se dá simultaneamente e em condições comerciais diversas daquelas existentes para a oferta individual de cada serviço;

Significa dizer que o reajuste anual somente ocorrerá na forma do art. 55 do RGC, ou

seja, mesma data, quando se tratar de “combo”, e não quando se tratar de contratos individuais

em que o consumidor contrata, sucessivamente, vários serviços, caso em que o reajuste se dá de

forma independente, nos moldes da contratação. E mesmo neste último caso, conforme explicado

pela ré, incide a regra de transição de acordo com a qual “a prestadora deve aguardar até que

todos os contratos tenham completado, no mínimo, 12 meses desde o último reajuste”, momento

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no qual “poderão aplicar todo o índice acumulado no período”.

Também observou que a norma reforça os aspectos relacionados à informação prévia,

clara e adequada ao consumidor, especificamente em relação ao reajuste.

Diante de tais circunstâncias, não encontra sustentação o argumento da parte autora,

notadamente considerando que as prestadoras não serão privadas, em tempo algum, da devida

remuneração pelos serviços realizados.

É

importante

registrar,

ainda,

que,

conforme

constou

do

Informe

23/2013/RCIC/SRC/PRRE/SPR (5.3.19.48), a medida ora combatida visou atender às

reclamações dos usuários “quanto a vários reajustes, por diferentes índices, ao longo do ano,

visto que nem todos os serviços são reajustados da mesma forma e na mesma data”. Tal situação

reforça o entendimento que confia validade à regra contida no art. 55 do RGC.

Art. 61, §1º, e 106 do RGC:

“Art. 61, §1º. As formas de pagamento podem ser classificadas em pós-paga,

pré-paga ou uma combinação de ambas.

§ 1º A forma de pagamento pós-paga se refere à quitação de débitos decorrentes

da prestação de serviços por um determinado intervalo de tempo, sendo vedada

a cobrança antecipada pela Prestadora de qualquer item da estrutura tarifária ou

de preço.”

“Art. 106. As Prestadoras cujos serviços são pagos antecipadamente à sua

prestação devem adaptar a forma de cobrança até a entrada em vigor do

presente Regulamento, quando então será vedada a cobrança antecipada pela

Prestadora de qualquer item da estrutura tarifária ou de preço.”

A parte autora alegou que a vedação à cobrança antecipada de qualquer item da

estrutura tarifária ou de preço, sobretudo no setor de telecomunicações, constitui ofensa aos

princípios constitucionais da liberdade de iniciativa, da legalidade e da razoabilidade, bem como à

LGT, ressaltando a necessidade de previsão legal específica para tal exigência.

Referiu,

também,

que

a ANATEL,

o

Ministério da

Justiça e o Ministério Público

“sempre expuseram em seus endereços virtuais que é absolutamente legítima a cobrança

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A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 62985863400218.

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TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

antecipada”.

Concluiu dizendo que, no caso de ser admitida a legalidade da vedação em comento,

deve ela ser aplicada aos consumidores que contratarem os serviços após a entrada em vigor do

RGC, considerando, nesse aspecto, que os contratos anteriores à sua vigência constituem atos

jurídicos perfeitos, bem como em razão do princípio constitucional da irretroatividade da lei.

Incorporo aqui, como razões de decidir, a fundamentação constante da decisão antes

proferida (fls. 457/480), por ter apresentando os fundamentos necessários à análise do mérito da

presente demanda, afastando alegação de nulidade dos dispositivos em questão, conforme

segue:

A parte autora impugna os artigos 61, § 1º, c/c 106 do RGC, que estabelece vedação à cobrança antecipada de qualquer item da estrutura tarifária ou de preço (fls. 15/19) por entender que se trata de prática costumeira no mercado (inter)nacional que somente poderia ser proibida por lei em sentido estrito e por haver manifestações anteriores do MP, da Anatel e do MJ no sentido da possibilidade dessa cobrança antecipada. Verifica-se, nas fls. 317/324 (documento 12), em documentos juntados pela própria parte autora, que se trata de manifestações publicadas antes de março de 2014, anteriormente, portanto, ao início da consulta pública que resultou na formulação do RGC.

Afirma a parte autora, ainda, que tal “proibição só pode ser aplicada aos consumidores que contratarem os serviços aos o RGC. Isso porque os contratos anteriores à vigência do RGC não podem ser atingidos, por se constituírem como atos jurídicos perfeitos, conforme o art. 5º, inciso XXXVI da Carta Magna, que veicula o princípio da irretroatividade da lei” (fl. 18). Atento a esse princípio constitucional de observância indeclinável, o Conselho Diretor da Anatel escalonou o prazo para cumprimento dessa nova regra, de modo que a Anatel exigirá a aplicação imediata desses dispositivos apenas aos novos clientes, porquanto, em relação aos antigos assinantes, sua observância somente será exigida no prazo de 24 meses, contados a partir da publicação da RGC, ou seja, prazo mais do que razoável para afastar qualquer inconstitucionalidade na aplicação da nova regra. É o que se lê no RGC publicado no endereço eletrônico da Anatel (http://legislacao.anatel.gov.br/resolucoes/2014/750-resolucao-632):

Com fulcro nos Acórdãos nº 231/2014-CD e 235/2014-CD, ambos de 7 de julho de 2014, publicados no DOU de 8/7/ 2014, Seção 1, página 64, o Conselho Diretor da Anatel decidiu fixar escalonamento do prazo para cumprimento das disposições do art. 106 c/c art. 61 do RGC pelas Prestadoras que adotam cobrança antecipada: aplicação imediata desses dispositivos aos novos clientes e aplicação, no prazo de até 24 (vinte e quatro) meses, contados a partir da publicação da Resolução nº 632/2014, para antigos assinantes. Tem razão a parte ré ao defender a nova proibição (fls. 410/417). Sobre a desnecessidade de

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lei em sentido estrito, aduz ser da competência da ANATEL regular o setor de telecomunicações e, nos termos do art. 19, X, da LGT, normatizar a prestação do serviço de telecomunicações no regime privado. E, no caso, a ANATEL apenas está concretizando, mediante a necessária regulamentação e uniformização, o direito do usuário desses serviços públicos ao acesso à informação adequada sobre as condições de prestação, suas tarifas e preços. E tal providência foi a resposta necessária em vista da “tendência de convergência na regulamentação, bem como à tendência de contratação conjunta dos serviços de telecomunicações. Dispor diferentemente tem permitido que prestadoras, após o pedido de cancelamento do contrato, imponham o uso do serviço a fim de não ter que devolver a quantia paga antecipadamente, mesmo quando se trata do único serviço que continuaria a ser usufruído pelo usuário no mês subseqüente.” Trata-se, assim, de “regras mais benéficas para o consumidor e uniformizam o tratamento da matéria, facilitando o entendimento da cobrança do serviço pelo usuário” (fl. 411).

Sobre a incidência de novas regras a contratos firmados em data anterior ao início de sua vigência, tem razão a parte ré, eis que a jurisprudência do STJ, há muito, já se consolidou no sentido da “possibilidade de incidência de normas posteriores aos efeitos presentes e futuros dos contratos de trato sucessivo ou continuado, que é o caso dos contratos de serviços de telecomunicações” (fl. 411). A título de exemplo, cf. os seguintes julgados: AgRg no AREsp 300954/SP (Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 28/05/2013), REsp 1228904/SP (Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 05/03/2013), REsp 989380/RN (Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 06/11/2008), REsp 735168/RJ (Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 11/03/2008), REsp 331860/RJ(Rel. Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, Terceira Turma, julgado em

28/05/2002).

Não vislumbro, portanto, qualquer vício de ilegalidade ou inconstitucionalidade nos artigos 61, § 1º, c/c 106 do RGC, que estabelecem vedação à cobrança antecipada de qualquer item da estrutura tarifária ou de preço.

Art. 84 do RGC:

“Art. 84. O atendimento de contestação de débitos e a devolução de valores

indevidos devem ser realizados:

I - na forma de pagamento pós-paga, pela Prestadora que emitiu o documento de

cobrança; e,

II - na forma de pagamento pré-paga, pela Prestadora que disponibilizou o

crédito.”

Em síntese, a parte autora sustentou a ausência de responsabilidade das prestadoras

locais nos eventuais equívocos na cobrança de faturas relacionadas a serviços prestados pelas

operadoras de longa distância nacional. Nesse sentido, alegou que “a prestadora local (i) não

figura como provedora de serviços de telecomunicações ao cliente final; (ii) não tem ingerência

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sobre o faturamento da prestadora de longa distância; e, (iii) não é beneficiada pelos valores

cobrados do consumidor, os quais, frise-se, são repassados às prestadoras de longa distância

nacional.”

Trata-se, assim, de questão relacionada à responsabilidade da prestadora que efetua

a cobrança indevida aos consumidores nos casos em que o erro se refere a cobranças feitas por

meio de acordo de co-faturamento.

Consoante esclarecido pela ré, no caso de co-faturamento, para evitar a dupla

emissão de fatura, a prestadora de longa distância entra em acordo com a operadora local para

que esta efetue uma cobrança única.

Assim, tendo em vista que é a prestadora local que insere a cobrança da prestadora

de longa distância em sua fatura, em razão da prática decorrente de acordo negocial, não há

como afastar a responsabilidade daquela perante o consumidor, sendo, portanto, válida a norma

em análise.

Art. 89 do RGC:

“Art. 88. Todo documento de cobrança pago em duplicidade deve ter o seu valor

devolvido por meio de abatimentos no documento de cobrança seguinte à identificação

do fato, respeitado o ciclo de faturamento.

Parágrafo único. O Consumidor pode exigir, alternativamente, o pagamento via

sistema bancário, considerando o prazo máximo de 30 (trinta) dias para devolução,

contado da data da solicitação.”

“Art. 89. O valor correspondente à devolução deve ser recolhido pela Prestadora

ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), previsto na Lei nº 9.008, de 21 de

0 0 4 7 6 1 0 9 0 2 0 1 4 4 0 1Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995 , ou outra que a substitua, nas seguintes hipóteses: I - no caso de Consumidores não identificáveis, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da constatação do dever de devolver; e, II - transcorrido o prazo previsto no § 3º do art. 87 sem que o interessado tenha solicitado o levantamento do crédito existente em seu favor, no prazo de 30 (trinta) dias. § 1º A Prestadora deve comprovar à Anatel o atendimento ao disposto neste ________________________________________________________________________________________________________________________ Documento assinado digitalmente pelo(a) JUÍZA FEDERAL CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH em 16/08/2016, com base na Lei 11.419 de 19/12/2006. A autenticidade deste poderá ser verificada em http://www.trf1.jus.br/autenticidade, mediante código 62985863400218. Pág. 13/23 " id="pdf-obj-12-58" src="pdf-obj-12-58.jpg">

março de 1995, ou outra que a substitua, nas seguintes hipóteses:

I - no caso de Consumidores não identificáveis, no prazo de 30 (trinta) dias,

contado da constatação do dever de devolver; e,

II - transcorrido o prazo previsto no § 3º do art. 87 sem que o interessado tenha

solicitado o levantamento do crédito existente em seu favor, no prazo de 30

(trinta) dias.

§ 1º A Prestadora deve comprovar à Anatel o atendimento ao disposto neste

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artigo, no prazo de até 5 (cinco) dias após o recolhimento dos valores ao Fundo

de Defesa de Direitos Difusos (FDD).

§ 2º Não havendo o recolhimento dos valores previstos no § 1º, incumbirá à

Anatel, por meio dos órgãos da Procuradoria-Geral Federal, a propositura de

execução fiscal dos créditos correspondentes, sem prejuízo da aplicação das

penalidades previstas na Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997.”

Sustentou a parte autora que não há homogeneidade ou aspecto de coletividade no

crédito em questão a justificar a remessa da receita para o FDD, não havendo correspondência

com quaisquer das situações previstas no art. 1º, §2º, da Lei nº 9.008/95.

Por outro lado, alegou que os prazos fixados são inferiores aos 03 (três) anos

estabelecidos pela legislação para que o consumidor formule requerimento de ressarcimento pelo

que lhe foi cobrado indevidamente.

Incorporo aqui, como razões de decidir, a fundamentação constante da decisão antes

proferida (fls. 457/480), por ter apresentando os fundamentos necessários à análise do mérito da

presente demanda, afastando alegação de nulidade da norma, conforme segue:

A parte autora se insurge (fls. 24/27) quanto à obrigação de depósito de valores cobrados indevidamente no FDD por entender que, em se tratando de crédito individual, não poderia ser destinado ao FDD e, por não ser a ANATEL credora desses valores, não poderia dispor sobre sua destinação. Desse modo, a norma do RGC violaria o princípio da legalidade, que exige lei em sentindo estrito.

Além disso, assevera que a ANATEL dirige valores ao FDD antes do prazo legal de 3 anos para que o consumidor venha a reivindicá-los estabelecido pelo art. 206, § 3º, do CC, e que isso aumentaria “a litigiosidade, em malefício a consumidores e prestadoras.”

A parte ré se manifesta (fls. 421/433) defendendo a nova regra, eis que trata de hipótese em que é impossível a devolução de valores cobrados indevidamente ao usuário titular do crédito e na qual a ANATEL deve determinar a reparação aos usuários, ainda que de forma difusa. Aduz, ainda, que se trata de utilização do poder cautelar de que dispõe a agência reguladora no âmbito administrativo, o que dispensa o acesso ao Judiciário para determinar aos agentes regulados que cumpram o que a lei já determina, qual seja, a devolução em dobro aos usuários do valor cobrado indevidamente. O poder regulamentar, no caso, se fundamenta nos artigos 3º, XII, e 19, XVIII, da LGT, bem como no art. 56 do CDC, que estabelecem a cumulatividade da sanção de multa e da medida reparatória.

Entendo possuir razão a parte ré, pois, tendo a ANATEL a atribuição legal de sancionar os agentes regulados que infringirem direitos dos usuários e o “dever de determinar às empresas

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infratoras a reparação integral dos prejuízos sofridos por seus usuários”, então “é inerente à competência da Agência a legitimidade para constituir o crédito devido ao FDD – no caso de usuários não identificáveis -, bem como para promover a correspondente execução fiscal” (fl.

427).

Também no caso desses dispositivos normativos, não reconheço qualquer mácula que lhes invalide.

Art. 92, incisos II e III do RGC:

“Art. 92. A suspensão parcial caracteriza-se: ( ) ...

II - nos Serviços de Televisão por Assinatura, pela disponibilização, no mínimo,

dos Canais de Programação de Distribuição Obrigatória; e,

III - no Serviço de Comunicação Multimídia – SCM e nas conexões de dados do

Serviço Móvel Pessoal – SMP, pela redução da velocidade contratada.”

A parte autora considerou que a obrigação de manutenção parcial temporária de

serviços não essenciais em caso de inadimplência, como no caso da TV por assinatura, constitui

ofensa à regra da “mínima intervenção na vida privada” (art. 128, inciso I, da LGT) e aos princípios

constitucionais da liberdade de iniciativa, da legalidade e da proporcionalidade, resultando perda

da qualidade do serviço e aumento de custo ao consumidor que paga em dia pelos serviços

contratados, além de causar graves prejuízos financeiros às empresas.

Incorporo aqui, como razões de decidir, a fundamentação constante da decisão antes

proferida (fls. 457/480), por ter apresentando os fundamentos necessários à análise do mérito da

presente demanda, afastando alegação de nulidade da norma invectivada, conforme segue:

Não me parece desarrazoada a nova regra, eis que o RGC prevê a possibilidade de suspensão parcial por 30 dias após 15 dias de notificação, prazo que reputo razoável para o consumidor consiga regularizar sua a inadimplência, no mais das vezes absolutamente involuntária, e, assim, não ficar sem o serviço público essencial que é o de telecomunicações.

Também há que se considerar o quanto informado pela parte ré em suas razões recursais (fls. 433/435), eis que foram as próprias prestadoras que, durante a consulta pública, “solicitaram o retorno da suspensão parcial, com a finalidade de garantir a manutenção do usuário por mais tempo na sua base de clientes” (fl. 435).

Observe-se, ainda, ser elevado o número de reclamações de usuários relativas “à suspensão indevida sem notificação prévia, sem ausência de débito, antes do transcurso do prazo regulamentar, cancelamentos sem obediência às fases de suspensão e notificação, desbloqueios não realizados no prazo, após a quitação do débito”, dentre outras relativas a

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esse mesmo regramento (fl. 435).

Sendo a atual normativa necessária e adequada à defesa do consumidor, princípio da mesma estatura constitucional que o da livre iniciativa, e não violando qualquer outra lei em sentido estrito, considero válidos os incisos II e III do artigo 92 do RGC.

Art. 101 do RGC:

“No caso de celebração de acordo entre a Prestadora e o Consumidor para o

parcelamento de débitos, o termo de acordo e as parcelas referentes ao valor

pactuado devem ser encaminhadas ao Consumidor em documento de cobrança

separado.”

A parte autora alegou a ilegalidade da proibição de quitação de débitos distintos por

meio de uma única fatura, sustentando, em síntese: prejuízo ao consumidor; que constitui causa

de aumento da inadimplência e da litigiosidade entre os consumidores e prestadoras de serviço;

ofensa ao princípio constitucional da liberdade de iniciativa (arts. 1º, inciso IV, e 170, caput, da CF)

e à Lei Geral de Telecomunicações; ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e

da razoabilidade, bem como aos princípios da necessidade e adequação.

A ré informou que o tema foi tratado na Consulta Pública nº 14/2013 e que as

propostas de “emissão de documento único foram rechaçadas, tendo em vista que a

inadimplência de acordo de parcelamento de débito acarreta consequência diversa da hipótese de

inadimplemento de quantia referente prestação regular de serviços de telecomunicações”,

inclusive quanto aos prazos diferenciados que o normativo estabelece para as diferentes

hipóteses de inadimplemento.

Esclareceu, também, que a necessidade de faturas separadas possui dois motivos: “a

prestação regular do serviço e o parcelamento de débitos devido à inadimplência passada”.

Com efeito, não verifico qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade na regra em

questão, pois a cobrança decorrente da inadimplência do acordo constitui procedimento distinto

da inadimplência da cobrança mensal periódica, de modo que o envio de duas faturas apresenta-

se como medida adequada e razoável, que atua em prol do consumidor, facilitando seu controle

de pagamentos e evitando dúvidas em relação às cobranças realizadas.

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Art. 102 do RGC:

“É vedada a cobrança pelo restabelecimento da prestação do serviço.”

A parte autora alegou que a cobrança pelo restabelecimento dos serviços em caso de

inadimplência é prática usual, inclusive em serviços essenciais, consistindo em exercício regular

de um direito, não passível de sanção, sob pena de configurar desprestígio ao dever de boa fé,

contrariedade ao princípio da moralidade, à LGT e à Constituição Federal, no sentido de garantir

a prestação do serviço de maneira adequada e a preços razoáveis.

Em que pesem os argumentos da parte autora, verifico que a norma não afronta os

preceitos legais ou constitucionais invocados na inicial, sobretudo, considerando que a regra já se

encontrava vigente no Regulamento do Serviço Telefônico Fixo Comutado (Resolução nº

426/2005), no Regulamento dos Serviços de Televisão por Assinatura (Resolução nº 488/2007),

no Regulamento do Serviço Móvel Pessoal (Resolução nº 477/2007) e no Regulamento do

Serviço de Comunicação Multimídia (Resolução nº 614/2013).

Além disso, é importante ressaltar a ausência de dificuldade ou mesmo de custos para

a reativação dos serviços a justificar a cobrança em questão. Nesse sentido, a ré esclareceu que

ao consumidor inadimplente já são aplicadas as regras de juros e correção monetária, bem como

que, no que se refere aos aspectos técnicos, “em geral, o custo pelo restabelecimento do serviço

é inexistente ou ínfimo, pois não implica nova instalação ou, necessariamente, a ida de um

técnico ao local”.

Assim, não merece acolhida a alegação de nulidade do art. 102 do RGC.

Do pedido de condenação da ré para que se abstenha de impor às prestadoras associadas

quaisquer obrigações e/ou penalidades pela inobservância do disposto no art. 22, § 3º, do

RGC, antes do prazo previsto no art. 2º, § 1º, inciso II, a, da Resolução nº 632/2014

Para tanto, aduziu a autora que a obrigação de permitir o cancelamento via internet,

previsto no art. 22, §3º, do RGC, possui a ressalva de que o prazo de vigência somente ocorreria

após 12 (doze) meses da publicação, nos termos do art. 2º, § 1º, inciso II, a, da Resolução nº

632/2014.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

O art. 22, §3º, do RGC, estabelece, in verbis:

Art. 22. No espaço reservado, o Consumidor deve ter acesso, no mínimo:

I - à cópia do seu contrato, do Plano de Serviço de sua opção e outros documentos aplicáveis à oferta à qual se encontra vinculado, inclusive Contrato de Permanência, quando for o caso;

II - ao sumário do contrato, contendo as principais informações sobre o Plano de Serviço ou oferta promocional contratados, incluindo reajustes de preços e tarifas, alterações nas condições de provimento do serviço e promoções a expirar, e o término do prazo de permanência, se aplicável;

III - à referência a novos serviços contratados;

IV - aos documentos de cobrança dos últimos 6 (seis) meses;

V - ao relatório detalhado dos serviços prestados dos últimos 6 (seis) meses;

VI - à opção de solicitação de cópia da gravação de suas interações, quando for o caso;

VII - ao histórico de suas demandas registradas nos últimos 6 (seis) meses;

VIII - a recurso que lhe possibilite o acompanhamento adequado do uso do serviço contratado, durante sua fruição;

V. Acórdão nº 464, de 9 de outubro de 2015, que flexibiliza o prazo regulamentar para cumprimento da obrigação prevista no inciso VIII do art. 22 do RGC para os GRUPOS VIVO, CLARO e OI no tocante ao uso das franquias do serviço de voz do STFC, e para os GRUPOS VIVO e OI quanto ao uso das franquias do serviço de voz pós-pago do SMP, fixando como termo final para adimplemento a data de 10 de março de 2016, último marco temporal definido pela Resolução nº 632/2014 para entrada em vigor de obrigações do RGC.

IX - ao perfil de consumo dos últimos 3 (três) meses; e,

X - ao registro de reclamação, solicitação de serviços, pedidos de informação e rescisão de seu contrato, ou qualquer outra demanda relacionada ao serviço da Prestadora.

§ 1º O espaço reservado ao Consumidor deve respeitar as condições de acessibilidade.

§ 2º Devem estar disponíveis ao Consumidor, em todo o Atendimento por Internet, as opções de salvar cópia das informações e documentos consultados no espaço reservado, e de remetê-los para endereço de correspondência eletrônica a ser fornecido no momento da consulta.

§ 3º A rescisão do contrato por meio do espaço reservado deve ser processada de forma automática, sem intervenção de atendente.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

Já, o art. 2º, §1º, inciso II, a, da Resolução nº 632/2014, dispõe:

Art. 2º O Regulamento mencionado no art. 1º entra em vigor no prazo de 120 (cento e vinte) dias, a contar da data da publicação desta Resolução. § 1º As obrigações constantes do Regulamento serão plenamente exigíveis com a sua entrada em vigor, ressalvadas: ( ) ... II - No prazo de 12 (doze) meses, as dispostas no:

a) Título III: arts. 21, 22 e 26;

Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreende-se que não é possível acolher

o argumento da ré, em contestação, no sentido de dissociar a previsão de cancelamento do

contrato via internet (§3º do art. 22) com a obrigação de criar o espaço reservado (art. 22, caput)

no que se refere à aplicação do prazo de vigência.

Com efeito, prepondera o entendimento de que o art. 2º, §1º, inciso II, a, da Resolução

nº 632/2014, não limitou expressamente sua abrangência ao caput do art. 22 do RGC, sendo

vedado, portanto, à ré impor às associadas da autora quaisquer obrigações e/ou penalidades

pela eventual inobservância do disposto no art. 22, § 3º, do RGC, antes do prazo previsto no art.

2º, § 1º, inciso II, a, da Resolução nº 632/2014.

Acolho, portanto, a tese defendida pela parte autora.

Do pedido de condenação da ré para que se abstenha de impor obrigações e/ou

penalidades às prestadoras associadas pela inobservância do RGC no que tange aos

contratos customizados celebrados com clientes corporativos

Incorporo aqui, como razões de decidir, a fundamentação constante da decisão antes

proferida (fls. 457/480), por ter apresentando os fundamentos necessários à análise do mérito da

presente demanda, conforme segue:

O STJ entende que a pessoa jurídica também titulariza direitos de consumidora, nos casos em que figurar, em condição de vulnerabilidade, em contratos de consumo firmados com outras pessoas jurídicas. Observe-se o conceito jurisprudencial de pessoa jurídica consumidora constante nos julgados abaixo:

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

CONSUMIDOR. SEGURO EMPRESARIAL CONTRA ROUBO E FURTO CONTRATADO POR

PESSOA JURÍDICA. MICROEMPRESA QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE

CONSUMIDOR. CLÁUSULA LIMITATIVA QUE RESTRINGE A COBERTURA A FURTO

QUALIFICADO. REPRODUÇÃO DA LETRA DA LEI.INFORMAÇÃO PRECÁRIA.INCIDÊNCIA

DO ART. 54, § 4º, DO CDC.

  • 1. O art. 2º do Código de Defesa do Consumidor abarca expressamente a possibilidade de as

pessoas jurídicas figurarem como consumidores, sendo relevante saber se a pessoa, física ou

jurídica, é "destinatária final" do produto ou serviço. Nesse passo, somente se desnatura a

relação consumerista se o bem ou serviço passa a integrar uma cadeia produtiva do

adquirente, ou seja, posto a revenda ou transformado por meio de beneficiamento ou

montagem.

  • 2. É consumidor a microempresa que celebra contrato de seguro com escopo de proteção do

patrimônio próprio contra roubo e furto, ocupando, assim, posição jurídica de destinatária final

do serviço oferecido pelo

 

fornecedor.

( ) ...

(REsp 814.060/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado

em 06/04/2010, DJe 13/04/2010)

(

)

MITIGAÇÃO DA REGRA. VULNERABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA.PRESUNÇÃO

 

RELATIVA.

( ) ...

- A jurisprudência consolidada pela 2ª Seção deste STJ entende que, a rigor, a efetiva

incidência do CDC a uma relação de consumo está pautada na existência de destinação final

fática e econômica do produto ou serviço, isto é, exige-se total desvinculação entre o destino

do produto ou serviço consumido e qualquer atividade produtiva desempenhada pelo utente ou

adquirente. Entretanto, o próprio STJ tem admitido o temperamento desta regra, com fulcro no

art. 4º, I, do CDC, fazendo a lei consumerista incidir sobre situações em que, apesar do

produto ou serviço ser adquirido no curso do desenvolvimento de uma atividade empresarial,

haja vulnerabilidade de uma parte frente à outra.

- Uma interpretação sistemática e teleológica do CDC aponta para a existência de uma

vulnerabilidade presumida do consumidor, inclusive pessoas jurídicas, visto que a imposição de

limites à presunção de vulnerabilidade implicaria restrição excessiva, incompatível com o

próprio espírito de facilitação da defesa do consumidor e do reconhecimento de sua

hipossuficiência, circunstância que não se coaduna com o princípio constitucional de defesa do

consumidor, previsto nos arts. 5º, XXXII, e 170, V, da CF. Em suma, prevalece a regra geral de

que a caracterização da condição de consumidor exige destinação final fática e econômica do

bem ou serviço, mas a presunção de vulnerabilidade do consumidor dá margem à incidência

excepcional do CDC às atividades empresariais, que só serão privadas da proteção da lei

consumerista quando comprovada, pelo fornecedor, a não vulnerabilidade do consumidor

pessoa jurídica.

- Ao encampar a pessoa jurídica no conceito de consumidor, a intenção do legislador foi

conferir proteção à empresa nas hipóteses em que, participando de uma relação jurídica na

qualidade de consumidora, sua condição ordinária de fornecedora não lhe proporcione uma

posição de igualdade frente à parte contrária.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

Em outras palavras, a pessoa jurídica deve contar com o mesmo grau de vulnerabilidade que

qualquer pessoa comum se encontraria ao celebrar aquele negócio, de sorte a manter o

desequilíbrio da relação de consumo. A “paridade de armas” entre a empresa-fornecedora e a

empresa-consumidora afasta a presunção de fragilidade desta. Tal consideração se mostra de

extrema relevância, pois uma mesma pessoa jurídica, enquanto consumidora, pode se mostrar

vulnerável em determinadas relações de consumo e em outras não.

Recurso provido.

(RMS 27.512/BA, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em

20/08/2009, DJe 23/09/2009)

Por essa razão, não vislumbro prova inequívoca da verossimilhança da alegação, uma vez que

o RGC traz normas de defesa do consumidor/usuário dos serviços públicos de

telecomunicações das quais várias pessoas jurídicas também são usuárias e podem nessas

relações figurar como consumidoras.

De acordo com tais fundamentos, não prospera o pedido da parte autora.

Conclusão

À vista da fundamentação exposta, e considerando o poder normativo outorgado à

ANATEL (art. 21, inciso XI, da CF e art. 8º da Lei nº 9.472/97), não se verifica nos dispositivos da

Resolução nº 632/2014 e do RGC, ora analisados, quaisquer dos vícios apontados pela parte

autora, de modo que não são passíveis de anulação por meio da presente ação.

Também

ficou

evidente

que

se

aplicam

as

normas

do

RGC

aos

contratos

customizados celebrados com clientes corporativos, em razão da caracterização, de forma

indistinta, da vulnerabilidade presumida da pessoa jurídica na relação de consumo.

Ainda, ficou demonstrado que o prazo de vigência da regra inserta no art. 22, §3º, do

RGC, é após 12 (doze) meses da publicação do normativo, nos termos do art. 2º, § 1º, inciso II, a,

da Resolução nº 632/2014.

Por fim, faz-se necessário registrar que foram analisados todos os argumentos

deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.

III – DISPOSITIVO

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

Ante o exposto, confirmo parcialmente a decisão de fls. 457/480 (revogando os pontos

contrários à presente sentença) e JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS, nos

termos do art. 487, I, do NCPC, para condenar a ré que se abstenha de impor às associadas da

autora quaisquer obrigações e/ou penalidades pela inobservância do disposto no art. 22, §3º, do

RGC, antes do prazo previsto no art. 2º, §1º, inciso II, “a”, da Resolução 632/2014.

Condeno a parte autora ao pagamento das custas e de honorários advocatícios, que

fixo em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do art. 85, §8º do NCPC.

Interposta

eventual

apelação,

intime-se

a

parte contrária para apresentar

contrarrazões e remetam-se os autos ao TRF da 1ª Região.

Proceda a Secretaria ao cadastramento da empresa que formulou pedido de

assistência simples (HOJE SISTEMAS DE INFORMÁTICA LTDA.) e do respectivo advogado, no

sistema processual, e intime-se a referida empresa acerca da decisão de fls. 934/936.

Decorrido o prazo de intimação de que trata o item anterior, proceda a Secretaria à

exclusão do nome da empresa HOJE SISTEMAS DE INFORMÁTICA LTDA. e de seu advogado

do sistema processual.

Oficie-se ao Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Relator do agravo de

instrumento nº 0050252-51.2014.4.01.0000 para ciência da presente sentença, bem como da

dependência com o processo n. 47611-75.2014.4.01.3400.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos com baixa na distribuição.

Sentença sujeita ao reexame necessário.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Na oportunidade, intime-se a ré também da decisão de fls. 934/936.

Providencie a Secretaria a inclusão de aviso no sistema acerca da dependência à

ação ordinária nº 47611-75.2014.4.01.3400.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Processo N° 0047610-90.2014.4.01.3400 - 21ª VARA FEDERAL

Nº de registro e-CVD 00719.2016.00213400.1.00332/00128

Brasília-DF, 16 de agosto de 2016

CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH

Juíza Federal em auxílio na 21ª Vara da SJDF

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